Arrasei ou Fui Arrasado?
Nem toda batalha que a gente vence vale o que custou. Às vezes, achamos que estamos arrasando, dando conta de tudo, insistindo até conseguir, respondendo à altura e provando nosso ponto — até perceber que fomos nós que saímos arrasados no processo. Neste episódio, conversamos sobre as batalhas que escolhemos, o desgaste que confundimos com força e uma pergunta difícil: quando vale a pena lutar e quando seria melhor simplesmente se poupar?
Neste episódio recebo o Pedro Cellotto (@pecellotto), venha conferir!
- A diferença entre se posicionar e lacrar em discussõeslacrar·se posicionar·ataque pessoal
- A importância de escolher as batalhas e focar no próprio controlelimites pessoais·controle sobre si·mudança pessoal
- O equilíbrio como forma de amor próprio e gestão de energiasaúde mental·amadurecimento·2 de Ouros
- O desgaste emocional e físico após discussões e vitórias vaziascansaço mental·ansiedade·arrependimento
- A dificuldade de não responder e a força do silêncio em conflitosdar palco para maluco·controle emocional·silêncio como força
- O alto preço do crescimento pessoal e profissional na vida adultafaculdade·amadurecimento·crises de ansiedade
Olá, sejam bem-vindos para mais um Diz Que Entende. E hoje a gente vai falar um pouquinho sobre se eu arrasei ou fui arrasado. Sabe quando a gente sai de uma situação com a sensação de que falou tudo? Você respondeu na hora certa, usou as palavras certas, deu aquela cortada perfeita. Na sua cabeça foi quase uma cena de filme: você se posicionando e outra pessoa sem reação, a trilha sonora subindo e você indo embora como quem venceu.
Só que aí passa um tempo, você chega em casa cansado e a cabeça continua naquela conversa. O corpo ainda tá tenso e você começa a repassar cada frase, cada resposta, cada detalhe. E aquela vitória que parecia tão bonita começa a ficar meio estranha. Porque talvez você tenha até arrasado na resposta, mas saiu arrasado por dentro. Talvez aquilo que parecia uma força tenha sido só um desgaste. Talvez o famoso lacre tenha servido mais pra provar um ponto do que pra preservar você.
E é sobre isso que eu quero conversar hoje. Sobre as vezes em que a gente confunde se posicionar com se consumir. Sobre quando a vontade de sair por cima faz a gente sair exausto. E sobre essa pergunta que parece boba, mas talvez diga uma coisa muito importante: eu arrasei ou eu fui arrasado? Hoje no episódio eu recebo Pedro Celoto. Oi, Pedro!
Oiê, gente, tudo bem? Ai, que legal que eu voltei aqui pra gravar mais um episódio. Obrigado, Caio.
Vamos falar um pouquinho sobre essa fantasia do lacre? Você já saiu dessa situação achando: nossa, eu arrasei nessa resposta?
Total, eu acho que praticamente em muitas discussões assim que eu já tive, principalmente na minha adolescência assim, e agora na época de faculdade, que querendo ou não a gente é só uns adolescentes mais velhos, né, que parecem adultos em formação. Vira e mexe eu e minhas amigas, a gente já teve discussões assim que a gente dá uma resposta achando que tá arrasando e no fim quando a gente para para pensar foi só uma imaturidade, uma resposta incompleta e totalmente fora de contexto que não Fazia sentido assim, sabe?
Sabe o que que eu fico fazendo? Eu fico fazendo cenários inventados na minha cabeça, que na minha cabeça vai ser um arraso. E aí chega, e às vezes eu consigo até dar alguma resposta um pouco mais, algum lacre a mais, mas continua só na minha cabeça às vezes, sabe? Eu acho que não foi tão lacre quanto eu achei que tinha sido.
Ai, total! Nossa, isso de tipo assim, a gente ficar criando cenários imaginários em situações de discussão e ficar planejando no que a gente ia falar, eu acho que isso é o puro suco assim de querer lacrar mesmo, sabe? Nessas situações, principalmente quando a gente tá sozinho, que a gente acha que tá arrasando, né? Aí você vai ver na vida real, é um fiasco só.
É, nem foi tão lá, nem foi tão lá. E na hora, o que que dá mais prazer, ser compreendido ou sentir que você venceu?
Aí eu acho que a gente pode ser bem sincero assim, e a sensação de vencer eu acho que é o primeiro sentimento assim que a gente gosta de sentir, né? Mas óbvio que Numa situação de discussão, nós sermos compreendidos é o que a gente busca. Mas eu acho que o ser humano, muitas das vezes, a gente gosta de vencer, né? Pra não sair por baixo. O que é errado, assim, mas pelo menos eu sinto.
Eu gosto bastante de vencer, mas eu gosto que as pessoas me entendam. Eu acho que às vezes eu fico assim, até repetindo, repetindo, repetindo, repetindo pra poder ser claro que se a pessoa me entendeu. E às vezes a pessoa não quer me entender. Não é esse o ponto, entendeu? Ela não nem quer. E aí eu repito, repito, repito pra poder ser entendido, mas... Mas no final das contas é só vencer que importa, eu acho.
E assim, se a gente parar para pensar, quando a gente é compreendido é uma vitória, né?
Sim, é verdade. Eu não tinha pensado nisso, porque assim, pelo menos você venceu conseguindo deixar o seu ponto claro.
Mas assim, eu acho que no calor do momento é algo que eu trabalho bastante assim, principalmente acho que em situações, vai, por exemplo, no namoro. O Caio sabe disso, que às vezes a gente tem discussões e às vezes eu só quero vencer. Vencer, entendeu? Mostrar meu ponto e é isso. Mas não é, eu venho trabalhando nisso de realmente entender também o outro lado ou a pessoa me compreender. Mas é um trabalho, né, a ser feito. Acho que leva um tempinho pra gente ir desconstruindo isso de sempre querer vencer.
Isso que você falou dessa desconstrução, você acha que então existe uma diferença entre se posicionar e lacrar?
Ai, total! Assim, uma coisa falando antes, eu acho que hoje em dia As pessoas confundem muito isso de se posicionar e lacrar, porque as pessoas acham que só quando a gente— só pelo fato da gente estar se posicionando já é um lacre. E parece que assim, elas usam a palavra lacre como algo meio pejorativo assim, num sentido negativo. Porque pelo menos eu acho que quando eu escuto tipo, nossa, lacrou, aí eu acho que sempre vem um pouco do deboche, né?
Mas voltando à pergunta, eu acho sim que tem diferença. Lacrar eu sinto quando é muito Você só se basear assim num sentido que você vai fazer a comoção das pessoas e falar palavras bonitas e vencer assim cortando a moral da outra pessoa. E se posicionar não, se posicionar é falar que você está sentindo, mostrar seus pontos, mas também se posicionar é entender o lado do outro e entender o seu também. Eu acho que tá aí a diferença.
Lacrar é muito sobre atacar a outra pessoa e se posicionar não, é dizer sobre você, entendeu?
Eu concordo, eu acho que as pessoas têm usado muito o lacre como uma coisa ruim, mas nasceu de um ideal bom, né? As pessoas usavam antes lacrar como uma assim, olha, eu mostrei o meu ponto. Assim, eu fui, por exemplo, pessoas LGBTs, elas falavam, ai, lacrei, mas é porque, olha, me impus, coloquei os meus limites. E antes era esse o significado, e depois acabou se perdendo nesse sentido de tipo assim, nossa, destruí outra pessoa.
É, eu também acho que hoje em dia é bem isso, sabe? O significado da palavra lacrou, lágrima, mudou. E agora você tem essa sensação que é algo negativo?
Nossa, super! Eu sempre acho que as pessoas até às vezes falam assim, nossa, você lacrou! E eu já fico, nossa, mas por quê? O que que eu falei?
Não falei nada demais.
Como se isso fosse um ataque, mas não é. Às vezes eu só realmente lacrei mesmo, vou fazer o quê?
Sim. E só antes, assim, isso até me lembrou situações onde, por exemplo, eu estava com um grupo de pessoas que eu levantei uma pauta LGBT assim, porque as pessoas estavam fazendo comentários que não eram legais. E simplesmente o grupo de pessoas virou tipo assim, ai, nossa, ele quer ficar lacrando. E tipo assim, não, gente, vocês só estão sendo homofóbicos e eu estou pontuando o quão errado isso é. Agora até defender pautas LGBTs virou lacre?
Sim, isso já aconteceu comigo, viu? E ainda as pessoas saíram falando mal de mim. Mas você acha que aprendeu a valorizar demais a resposta perfeita?
Eu acho que sim, porque querendo ou não, dar essa resposta perfeita é uma sensação de troféu, né? Se fosse uma competição, seria a sensação de ganhar. Mas eu penso que dar a resposta perfeita é muito sobre a gente querer sair por cima das coisas. E eu acho que numa situação, nas situações da vida assim, a gente na verdade deveria não sair por cima, mas sair inteiros dela.
Sobre isso que você falou da sensação de troféu, você já teve alguma sensação de ter vencido uma discussão, mas depois se sentido péssima? Então sim, você conquistou esse troféu, mas se sentiu péssimo depois?
Parando para pensar, muitas situações, principalmente eu diria em relação a amizades assim, sabe? Situações que eu deixei meu orgulho falar mais alto e eu acabei vencendo, né, essa discussão, só que depois eu me senti mal porque foram situações que eu não pensei no sentimento dos outros e eu acabei pensando só em mim. E é ruim a gente ver que eu poderia ter pensado mais nos outros. Eu acho que isso se aplica também até em situações com família, assim, sabe?
Eu só guardava raiva para mim. Por exemplo, discussões com a minha mãe, eu achava que só eu que tava certo e que ela tava errada de estar brigando comigo do jeito que ela tava falando, mas eu também não via que ela tinha o lado dela, que ela já tinha os sentimentos dela também. Ela é uma pessoa, sabe? Então eu venci, mas a que custo?
Sim, nossa, eu te entendo totalmente. Às vezes a gente fica até se sentindo mal, né? E como que você percebe que uma conversa te desgastou? Porque, por exemplo, isso que você falou da sua mãe, às vezes quando eu tenho discussões na minha família eu fico me sentindo muito mal, fico remoendo isso, sabe, muito tempo. Eu percebo através disso mesmo, dessa fisicamente e psicologicamente. Às vezes eu fico entrando nesse, fico ruminando, né, essa ideia, fico ruminando esse passado até sei lá.
Eu te entendo 100%, Caio, porque eu sei quando uma discussão me desgastou, quando eu tenho os mesmos sentimentos que você disse, sabe, que eu fico fisicamente mal assim, né, até com aquela um pouco de ansiedade, um cansaço, às vezes até um uma leve dor de cabeça assim. E aquilo, o pensamento não sair da nossa cabeça e ficar reprisando, reprisando, reprisando. E é algo que acaba nos desgastando mentalmente, até fisicamente mesmo.
Nossa, sim. Eu fico sempre às vezes dias pensando numa conversa que já foi há um tempão, até, sei lá, conseguir entrar em outra discussão e começar a pensar na próxima briga. Mas às vezes eu até volto no passado de ficar me analisando, sabe, antes de dormir. Nossa, porque há 2 anos atrás atrás eu tive essa discussão. Mas existe alguma situação que você passou dessa forma, sabe? Eu nem precisava ter gastado tanta energia com isso.
Nossa, eu acho que muitas situações. Isso daí eu poderia aqui citar várias, mas no âmbito escolar, na faculdade, em casa. Um, por exemplo, que foi recente, foi quando eu fui no posto de saúde que eu queria tomar vacina e a atendente foi extremamente grossa comigo. E nisso eu fui um pouco grosso de volta com ela. E sabe quando sente a grosseria no tom das duas pessoas que retruca, fica retrucando. E daí eu pensei assim, gente, por que que eu gastei meu tempo com isso?
Porque a mulher não estava num dia bom e eu acabei deixando a energia negativa dela me afetar, e eu gastei meu tempo com ela sendo que eu poderia simplesmente ter falado assim, ah, obrigado, tchau, entendeu? Eu perdi tempo, gastei o tempo dela, gastei o meu tempo e minha energia vital com algo que não era necessário. Então assim, Já, muitas situações, Caio.
E pra você, qual que é o sinal que então uma discussão passou do limite? Esse dia que você falou que você se alterou com essa funcionária, como que você percebeu que passou do limite? Ou você não percebe na hora que passou do limite?
Eu acho que a gente vai percebendo na hora com aquela sensação de... Eu não digo que o sangue ferve assim, porque não necessariamente toda situação a gente fica tão irritado. Mas eu acho que é quando a gente começa a ficar muito na defensiva. Quando em vez de ser racional, a gente só começa a falar coisas pra atacar. E a gente sabe que tá atacando a pessoa. Eu acho que é nesse momento assim que passa dos limites, quando a gente, querendo ou não, faz só para nos proteger e atacar outro.
Mas você tem dificuldade de deixar algumas coisas sem resposta? Porque às vezes você falou isso só de atacar o outro, mas e deixar as pessoas sem a resposta? Porque eu percebo que às vezes as pessoas só querem entrar em discussões e o certo seria a gente falar, ah tá. Por exemplo, eu lembro que tem a Bárbara, minha amiga, ela falou assim uma vez que teve uma pessoa que brigou com ela e que foi falar, xingar ela no, sei lá, nas redes sociais.
E ao invés dela ficar quieta, ela ficou dando palco para essa pessoa. Mas você sente essa dificuldade de deixar algumas coisas sem a resposta?
Ai, olha, eu vou ser bem sincera, eu sinto sim. Porque principalmente acho que quando envolve algo que me machuca, me machuca não, né, mas diz principalmente ao meu respeito, ou até pessoas bem próximas de mim, eu acabo indo lá e falando, sabe? Quando a gente sabe que assim é só a gente, o certo seria não dar palco para maluco. Mas isso é até engraçado, porque é algo que eu venho trabalhando comigo assim. Eu sinto que antigamente eu dava mais palco pra maluco do que eu dou hoje, sabe?
Hoje em dia eu me dou uma controlada e eu tô mais num modo não ligo, sabe? Um modo dane-se. Mas é difícil, a gente tem que trabalhar nisso. E tem vezes que a gente infelizmente gasta nosso tempo e nosso latim com gente que não merecia.
Mas pra você, esse silêncio parece ser força ou fraqueza? Porque pra mim, sinceramente, alguém que consegue ficar em silêncio, consegue guardar essas respostas, para mim ela sai ganhando, entendeu? Ela tem a força de se controlar, controlar as emoções quando o sangue ferve, para deixar essa situação, sabe? Só que tem gente que acha que não, que força é tipo ir lá e falar e não sei o que lá. Que que você acha?
Concordo com você, Caio, porque eu também acho que o silêncio é a força. Eu não estou falando que a gente não se impor significa que a gente tá sendo melhor, mas saber se controlar Escolher suas batalhas. Escolher nossas batalhas, saber com o que a gente vai gastar nossa força. Isso sim, eu acho que é ter força. Só que assim, na visão de muitas pessoas, eu acho que elas veem isso como fraqueza. Ai, fulano nem retrucou, nem sei o quê.
Ai, é porque ele é um bobão, ele é um mole. E eu não vejo assim, sabe? Mas infelizmente eu sei que muitas pessoas têm essa visão.
Mas às vezes uma curtida na mensagem já deixa a pessoa muito mais furiosa do que se você responder com textão.
Ai, nossa, isso deixa mesmo.
Você já respondeu só para não parecer trouxa?
Ai, já, porque daí também, infelizmente, a gente ainda às vezes pensa assim, ai, eu não vou dar o gostinho da vitória para pessoa, sabe? E daí a gente responde, e eu acho que aí que tá o nosso erro, sabe? Porque entender que retrucar não significa que a gente deixa a pessoa perder ou a gente ganhar, entendeu? Eu acho que só só faz a gente perder nosso tempo mesmo.
Mas sobre isso de escolher suas batalhas, em que situações você acha que é importante se defender? Porque assim, eu tenho essa dificuldade de selecionar as minhas batalhas nesse sentido, porque por mim eu não me defenderia nunca. Mas às vezes é importante até você colocar os seus limites. Por exemplo, se é um estranho, tudo bem, esse estranho você não tem nem por que gastar seu verbo com uma pessoa que não tem nada a ver com a sua vida.
Mas às vezes é até alguém próximo, um amigo, alguém da sua família. Então como que você sabe quais batalhas escolher?
Eu sinto que as batalhas que a gente escolhe são aquelas que nos afetam.
Mas e se tudo te afetar?
Ai, meu Deus, aí ferrou. Aí eu vou ter que fazer um treinamento de guerreiro. Não, tô brincando. Mas é porque eu acho assim que muitas das vezes a gente entra em batalhas que não tá no nosso alcance assim. Por exemplo, uma discussão em grupo sobre trabalho. Eu vou mudar as pessoas ao meu redor? Eu vou mudar o cenário? Eu vou deixar de conviver com elas? Eu não vou. Então por que que eu vou gastar meu tempo, sabe? Quando é algo que se diz a mim, por exemplo, que está me ferindo, ou estão dizendo sobre mim, ou é algo que eu estou no meio, que eu tenho controle sobre, aí eu acho que é válido a gente entrar nessa batalha.
Mas, por exemplo, algo que eu venho aprendendo muito é entender que a gente não tem esse poder de cura e esse poder de controle na vida dos outros. Eu não tenho como controlar a opinião e o sentimento dos outros, e a gente não vai mudar os outros. Eu sei que é meio estranho falar isso, mas eu acho que as únicas pessoas que estão querendo mudança é quando a gente aceita a nossa própria mudança, sabe? E não dá para a gente querer mudar o outro se o outro não tá se permitindo mudar, sabe?
Eu acho que quanto mais a gente entende isso que a gente só tem controle do que é nosso, a gente acaba vendo que as batalhas que valem a pena são as nossas e não as dos outros.
Nossa, acho que é isso mesmo. Eu acho que você tem que ver até onde você consegue ir. Se é uma coisa que você pode impor o seu limite, acho que vale a pena, é claro. Mas às vezes realmente não vale nem a pena você entrar nessa discussão. Então por que que você vai entrar numa discussão que não tem vitória? Vamos falar agora um pouquinho sobre as nossas batalhas pessoais e sair um pouquinho desse âmbito da discussão. Você já conquistou alguma coisa e quando finalmente conseguiu, percebeu que tava exausto demais para poder aproveitar até essa coisa?
Aí eu acho que o maior exemplo vem sendo agora na faculdade, né, que se parar para pensar é uma grande conquista ter chegado assim no terceiro ano, tudo pelo meu histórico de quase querer ter largado a faculdade assim. Mas gente, eu acho que me deixou tão exausto. E sabe quando você se desgasta tanto mentalmente por batalhas próprias minhas assim, sabe? Às vezes não tinha nem nada a ver com a faculdade, mas eu mesmo que colocou, parecia, a sensação é que eu construí a minha muralha e depois eu tive que ultrapassar essa minha muralha, sabe?
Como se eu botei o desafio no meio do meu caminho e eu tive que passar pelo próprio desafio que eu que botei, entendeu?
Você tinha que construir o muro e depois derrubar o muro.
É, essa foi a sensação. E eu acho que isso acontece em muitas situações assim da minha vida.
Mas e quantas vezes a gente continua uma batalha porque ainda quer aquilo? E quantas vezes a gente continua só porque gastou demais para poder parar simplesmente agora?
Eu acho que tem muitas situações na vida assim que a gente sabe que a gente tá fazendo algo por nós e que vai valer a pena no final. E eu acho que é nesse sentido assim que a gente continua a batalha, porque a gente ainda quer aquilo. Por exemplo, eu continuo na faculdade porque eu sei que eu quero construir um futuro para mim, sabe? Então eu acho que é uma batalha digna. Também eu entendo que eu passo por essa batalha de morar sozinho, sentir falta dos meus pais, e tudo isso, mas porque eu sei que eu tô construindo um futuro melhor para mim, sabe?
Mas eu acho que tem muitas situações assim, exemplos de pessoas que começam cursos e tipo assim, ai, já tô no ano final, não vou desistir agora. Porque realmente, né, se parar para pensar, a pessoa já gastou muito tempo nisso e é melhor terminar do que parar, né? O que se a gente parar para analisar é um pouco errado, né? Porque a gente tá indo contra a nossa vontade. Mas eu também entendo as pessoas que continuam algo Tipo, só por esse sentimento, tipo, ai, já tô aqui há tanto tempo.
Porque se parar para pensar, eu acho que eu penso assim até coisas bestas, como por exemplo academia. Ai, já tô aqui há tanto tempo, sabe? Tipo, já saí da minha casa para vir até aqui, então deixa eu continuar nessa batalha aqui.
Sabe na verdade o que que eu penso? Sabe aquele vídeo daquela moça falando assim, você vai jogar tudo o quê?
Pronto, você jogando seu tudo para o ar.
Ó, ó, é isso que eu penso.
Eu não tenho nada, então eu vou desistir de uma coisa que eu gastei tempo ainda para conquistar.
Então eu gastei tempo para conquistar uma coisa, eu já não tenho nada, então eu não posso jogar nada para cima. É isso que ela fala no vídeo, ela falou assim: vamos tentar conquistar antes e depois ver se larga. Então é isso que eu sempre penso antes de desistir de alguma coisa. Raramente eu desisto, mas eu vou ser bem sincero para vocês todos que estão me ouvindo agora, eu penso bastante em largar tudo que eu começo. Mas existe alguma coisa que você conquistou hoje, mas acha que o preço foi alto demais?
Posso ser sincero? Comigo, eu acho que foi a faculdade. Eu não me arrependo de ter feito, como eu já falei em outros episódios, mas gente, que faculdade difícil, viu? Meu Deus, foi uma situação muito desgastante, tipo psicologicamente, espiritualmente, energeticamente, todos os mentes possíveis. Porque eu não me arrependo, porque eu cresci muito nesse processo, e eu acho que a dor é parte do processo de crescimento. Mas do mesmo jeito Gente, que desgastante que é conseguir um diploma no Brasil, hein?
Ai, Caio, eu te entendo, viu? Porque, gente, eu estou na metade do percurso e, meninas, tá babado. Mas assim, aí, olha, eu sei que vai parecer meio clichê, mas acho que uma coisa que o preço foi bem alto e assim que tá me custando muitas sessões de terapia e muitos choros é ter crescido. Entender que existe um Pedro novo sendo construído e que o Pedro velho já não fazia mais sentido. E nesse sentido de me descobrir essa nova pessoa, que eu ainda não sei quem é, mas é um Pedro que está crescendo, é um Pedro adulto assim, vem me custando caro no sentido de vai ter choros, vão ter crises de ansiedade, vão ter muitos dias que eu não vou estar bem comigo mesmo, e vão ter dias que eu vou estar bem, entendeu?
Então eu acho que esse é o preço, é essa montanha uma bagunça de emoções. E eu acho que até meus pensamentos e minhas crenças vêm mudando. E é isso, entendeu? É esse o preço da gente não se entender, de eu me ver perdido, mas saber que vou chegar em algum lugar, entendeu? É como se eu fosse achar a saída desse labirinto.
Mas hoje você consegue escolher melhor onde gastar sua energia? Porque você falou isso do crescimento, Não tem como a gente gastar energia melhor do que para o nosso crescimento, entende? Então eu sei que esse é um exemplo extremo. Então sim, a gente vai ter que continuar se esforçando para poder melhorar como seres humanos e gastar essa energia mesmo. Mas como selecionar isso melhor? Como nos poupar para poder escolher melhor essas situações?
Eu acho que quanto mais a gente vai vivendo e mais a gente vai vendo onde nossa energia é mais sugada e onde ela é melhor gasta, que a gente vai entendendo quais são as melhores situações e como a gente controla essa nossa energia. Você me entende?
Nossa, totalmente. Acho que o amadurecimento faz a gente conseguir escolher melhor as nossas próprias batalhas. E assim, onde realmente, olha, aqui dá para gastar um pouquinho mais, aqui dá para economizar um pouquinho. Acho que talvez seja esse o segredo. Não é assim escolher essas batalhas no sentido eu não vou dedicar nenhuma força para X coisa, mas é saber que Y coisa demanda muito mais energia. Então isso diminuir o nível de atenção no X X e me dedicar mais ao Y, porque as duas acabam envolvendo você e a sua vida.
Mas é saber equilibrar as coisas. A gente sempre fala isso bastante no podcast, parece, com todos os convidados, sobre o equilíbrio da vida, sabe? Conseguir se manter, não é constante, mas conseguir deixar as duas coisas coexistirem.
Sim, e eu acho que também é muito da gente se arriscar no sentido tipo, ai, vamos ver o quanto isso toma da minha energia, sabe? Porque no escuro, quando é algo desconhecido, a gente não sabe. Porque muitas das vezes a gente acha que X situação vai nos demandar tanto e no fim nem demanda assim, né?
Sabe uma coisa que eu percebo também? Que a gente fica tentando dar muita explicação para as pessoas. Você aprendeu já a não se explicar mais sobre certas coisas?
Sabe o que é engraçado? Que isso sempre foi um tópico na minha terapia, né, que eu trabalhei bastante. Porque eu acho que eu, quando criança assim, né, quando eu era menor, eu senti essa necessidade de me explicar, de ficar dando satisfação para as pessoas, com medo mesmo do que elas pensariam de mim, né? Enfim, mas eu fui aprendendo que nem tudo a gente precisa se explicar e nem todas as pessoas querem explicação, entende? Eu acho que eu vim aprendendo a me respeitar mais nesses últimos tempos, e conforme eu me respeitava mais, eu via que eu não devia explicação para as pessoas, até porque as pessoas não mereciam eu gastar minha energia com ela, sabe?
E eu não digo só pessoas, eu digo situações também, sabe? Porque eu acho que tem muitas situações que não envolve pessoas físicas, mas que envolve só nós e o ambiente, sabe?
Sim, isso que você falou, que tem pessoas que realmente nem querem a explicação, é muito, muito verdade. Às vezes a pessoa só falou e reagiu e ela não quer saber tudo que você fez ou como você fez, ela só quer o resultado daquilo. E nem se interessa, sinceramente.
E eu digo isso porque eu acho que eu também me coloco na situação de ser pessoas, porque nossa, já teve tantas situações que as pessoas vinham se explicar para mim e eu sinceramente só estava tipo, ai, mano, então tá.
Mas e para você, se poupar é uma forma de amor próprio?
Total, porque nos poupando a gente tá poupando a nossa saúde mental, a nossa saúde física, o nosso tempo na Terra. E eu acho que isso diz muito, porque quando a gente toma coragem de se poupar Porque convenhamos, eu acho que é uma questão de coragem, né? A gente tá cuidando de nós mesmos e isso acho que é uma forma de amor próprio.
Eu volto naquele ponto que eu comentei sobre equilíbrio. Eu acho que encontrar o equilíbrio na vida é uma forma de amor próprio mesmo, sabe? Acho que a gente tem que parar de ficar tentando fazer tudo perfeito, dar a resposta perfeita, ser a pessoa perfeita, na situação perfeita, no lacre perfeito, para poder só realmente viver Olha, isso aqui posso me desgastar um pouquinho mais, aqui eu posso me desgastar um pouquinho menos.
Encontrar esse meio termo. Nesse episódio inteiro eu fiquei pensando no 2 de Ouros, se eu não me engano, que é a carta do equilíbrio. Ele fala muito sobre isso, sobre a necessidade da gente gerenciar múltiplas coisas ao mesmo tempo. Eu acho que define perfeitamente o episódio inteiro. Eu acho que a gente tem que trazer mais esse 2 de Ouros, porque a gente vai ter demandas Só que vamos procurar como equilibrar. Na imagem, inclusive, do Tarô do Waite-Ride, ele segura duas bolas de ouro ao mesmo tempo, se mantendo equilibrado, sabe?
Ele é um contorcionista. E me vem uma coisa bonita, sabe? Como a gente tem essa singularidade, essa capacidade de realmente viver esse equilíbrio de uma forma saudável.
Sim, e eu concordo totalmente com você, Caio. E esse episódio também me fez pensar muito, porque a gente iniciou o episódio falando sobre o arrasei ou fui arrasado em situações de discussão. Mas eu penso muito também nessa situação nossa da vida, né, assim, e como realmente eu acho que a gente tem que entender que às vezes a gente fica com esse sentimento de arrasado e ele vem da nossa própria cabeça. A gente tem que dar uma desconstruída nisso, porque Se for parar para pensar, é só a gente colocando uma cobrança em cima de nós que ninguém liga, e quem tá apenas se importando somos nós, e que a gente não deveria colocar esse peso todo em cima da gente, sabe?
Eu acho que quando a gente entende que a gente tá por nós e nossas batalhas são estritamente pessoais, a gente para de sentir que a gente tá sendo arrasado ou não fica se cobrando para arrasar, entende?
Sim, acho que viver nessa idealização acaba não permitindo a gente de viver o presente. Você tem algum conselho para alguém que tá passando por agora essa situação de batalha complicada e não sabe se desgasta ou não?
Olha, eu acho que meu conselho é parar, analisar e entender o que está no seu controle e o que te afeta e o que você está fazendo pelas outras pessoas, entender que você tem que focar em você, sabe? Faça por você, escolha a sua batalha que envolva você, e é isso. E se não tá te fazendo bem, se você, se você tá se sentindo arrasado, às vezes é o momento da gente parar e contornar a situação ou buscar outra rota. E às vezes a gente acha que tá sendo arrasado, mas estamos arrasando, sabe?
Não vá pelo sentimento. Se os outros estão te julgando como estar sendo arrasado, na verdade quem tá arrasando é você.
Meu conselho é pular fora, menina. Quero agradecer muito, Pedro, por ter participado.
Se você ficar pensando nisso, pensa assim naquele vídeo, ó, você jogando seu tudo pro ar. Se você não tá jogando nada pro ar, meu amor, então tá na hora de repensar, né?
Pedro, muito obrigado por ter participado. Agradeço vocês também, ouvintes.
Aí eu que agradeço, Caio, pelo convite. Eu amei participar, espero voltar mais vezes.
E até semana que vem, muito obrigado, tchau!