Episódios de Leila Pereira - Biografia Relâmpago

Leila Pereira (Parte 1 — História Completa)

03 de maio de 202620min
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Biografia Relâmpago: Leila Pereira — Parte 1 — História Completa. Uma produção da Inception Point AI.

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This content was created in partnership and with the help of Artificial Intelligence AI.
Participantes neste episódio1
M

Matheus Ribeiro

NarradorJornalista
Assuntos2
  • Caso Leila Pereira CPMI INSSTrajetória no Palmeiras · Patrocínio da Crefisa · Criação da Liga do Futebol Brasileiro · Primeira mulher presidente do Palmeiras
  • Desempenho de Clubes BrasileirosModelo de gestão de Leila Pereira · Desafios da governança · Impacto da presença feminina
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Quiet, please.ai. Hear what matters. Aqui é Matheus Ribeiro. E sim, eu sou uma inteligência artificial. Mas trago comigo 17 anos como correspondente pela América Latina e pela Europa. E o hábito de olhar cada figura pública pelo que ela revela sobre as instituições ao redor.

Isso é Biografia Relâmpago, o boletim diário sobre as figuras do mundo lusófono, que estão definindo a conversa agora mesmo. Hoje, Leila Pereira. Vamos por partes. Desde março de 2026, 8h44 da manhã. Leila Pereira chega à premiação do Campeonato Paulista, o título recém-conquistado pelo Palmeiras, depois das finais contra o Novo Horizontino, e para diante dos microfones. Fala de reforços. Fala de zagueiros.

E escolhe, ali, uma frase que merece se lida com atenção, porque a frase diz mais do que o noticiário esportivo costuma extrair dela. Com relação a novas contratações, o Palmeiras está sempre atento às oportunidades de atletas que possam fortalecer ainda mais o nosso elenco. Nosso elenco, não tenho dúvidas, agrada muito ao Abel e principalmente à presidente.

Tá. Principalmente a presidente. Ela fala de si na terceira pessoa. E nessa escolha gramatical, an-ra, pequena, quase imperceptível, an-ra, está condensado algo sobre o modo como Leila Pereira entende o cargo que ocupa. Eu vou voltar a isso. O que está em jogo aqui é mais do que um título estadual. É o fato de que 2026 foi anunciado como o último ano de Leila Pereira na presidência do Palmeiras.

O mandato se encerra, e com ele se encerra uma experiência de governança que, gostando-se ou não, transformou o clube em um dos casos mais discutidos da gestão esportiva brasileira contemporânea. A sucessão está sendo desenhada.

E, quatro dias antes dessa entrevista na premiação, no dia 6 de março, ela havia se sentado em outra mesa, no Rio de Janeiro, na primeira reunião da CBF sobre a criação da Liga do Futebol Brasileiro e cobrado União dos Clubes. Criticou, com a palavra exata, os clubes Real Madrid da Xopi. A expressão viralizou. E também merece ser lida com atenção.

Há uma questão que vale a pena olhar com calma. Quem é Leila Pereira e por que a trajetória dela importa neste momento específico em que o futebol brasileiro discute, pela enésima vez, se finalmente vai conseguir construir uma liga autônoma? Profissional, afastada das disputas políticas que historicamente o paralisam. Leila Pereira é empresária. Esse é o primeiro fato, e não é um fato menor.

Ela chega ao futebol, não pelo caminho tradicional do dirigente de carteirinha, do cartola que ascendeu dentro da estrutura associativa do clube, do conselheiro que cumpriu décadas de bastidor. Chega pelo caminho do capital. Ela é dona, junto com o marido, José Roberto Lamacchia, do grupo CRIFISA e da FAM, SUM, a Faculdade das Américas.

A CRIFISA é uma instituição financeira especializada em empréstimos consignados, sobretudo para aposentados e servidores públicos. É um negócio que cresceu vertiginosamente nos anos 2000 e 2010 e que, a partir de 2015, passou a patrocinar o Palmeiras em um dos contratos mais volumosos do futebol brasileiro.

Eu cobri isso de perto, do ângulo institucional, durante os anos em que o patrocínio Crefisa Palmeiras se tornou caso de estudo. E o que sempre me chamou atenção foi a anomalia da relação.

Não era um patrocínio convencional, com valores alinhados ao mercado. Era um patrocínio que, em certos momentos, funcionava quase como injeção direta de capital em folha salarial, permitindo ao clube contratar jogadores que de outro modo estariam fora do seu orçamento. Isso rendeu títulos. Rendeu também críticas.

E rendeu, sobretudo, uma pergunta que acompanhou Leila Pereira desde então. Onde termina a patrocinadora? Onde começa a dirigente? Em 2021, essa pergunta se resolveu da forma mais direta possível.

Leila Pereira se candidatou à presidência do Palmeiras e venceu. Tornou-se a primeira mulher eleita presidente do clube em mais de um século de história e assumiu em janeiro de 2022 para um mandato de três anos, posteriormente estendido.

Não é coincidência, é estrutura. A transição de patrocinadora para presidente refletia uma realidade já consolidada. O poder econômico dentro daquele ecossistema já havia migrado para ela havia anos. A eleição apenas formalizou uma situação de fato.

Quero parar um instante nessa figura. O 80 ao 9 do Pris, a primeira presidente mulher em 108 anos de clube. Porque o simbolismo é real e seria desonesto minimizá-lo. O futebol brasileiro, nas suas estruturas dirigentes, é um dos ambientes mais masculinos e mais fechados do país.

Os conselhos deliberativos, as federações, a CBF, as comissões de arbitragem, sobretudo os historicamente ocupados, quase exclusivamente por homens, muitos deles, com décadas de permanência nos mesmos cargos. Quando Leila Pereira assume a presidência de um clube do tamanho do Palmeiras, algo se mexe nessa geografia. Não se transforma, se incupie, seria ingênuo dizer que sim, mas se mexe.

E aqui entra um traço de personalidade que define a forma como ela ocupa o cargo. Leila Pereira não atua como dirigente de clube tradicional. Atua como CEO. Fala em termos de gestão, de resultados, de cadeia de decisão.

Quando fala de si como a presidente, uma terceira pessoa, não está sendo pretenciosa. Está demarcando a institucionalidade do cargo diante de uma cultura que historicamente confundiu dirigente com personalidade.

Ela quer que se entenda, a função é maior do que a pessoa que a ocupa. Ainda que, na prática, nesse clube, nesse momento, as duas coisas sejam quase indissociáveis. Vamos por partes, porque o arco biográfico aqui é relevante.

Leila Pereira nasceu no Piauí. Formou-se em Direito. Casou-se com José Roberto Lamacchia e juntos construíram o grupo Crefisa a partir dos anos 80 e 90. A Crefisa é, hoje, uma das maiores financeiras do país no segmento em que atua.

A FAMI, a faculdade, é o braço educacional do grupo. Leila Pereira presidiu ambas as instituições antes de chegar ao Palmeiras. Dois meses a Aros. E essa experiência prévia em gestão empresarial, de grande porte, é o que ela traz para o cargo esportivo. É uma biografia que foge ao roteiro do dirigente de futebol brasileiro clássico. E essa fuga tem consequências.

Uma dessas consequências é o modo como ela conduz a relação com Abel Ferreira, o técnico português que está no Palmeiras desde 2020, e que já se tornou, independentemente do que aconteça daqui para frente, um dos nomes mais importantes da história recente do clube.

A relação entre presidente e treinador no futebol brasileiro é tradicionalmente volátil. Técnicos duram meses. Pressão da torcida, da imprensa esportiva, dos resultados imediatos, produz demissões em cadeia.

Leila Pereira sustentou Abel Ferreira em momentos de pressão, bancou renovações contratuais e construiu uma estabilidade que, nos padrões brasileiros, é quase incomum. Na entrevista do dia 10 de março, ela diz, O elenco agrada muito ao Abel.

A formulação é cuidadosa. Ela não diz que o elenco agrada a ela. Diz que agrada ao treinador. E depois se inclui. É uma hierarquia discursiva em que o técnico aparece primeiro. Isso também é escolha. Há uma cena que me parece reveladora, ainda que eu a construa, a partir dos padrões públicos de comportamento dela. Leila Pereira aparece em praticamente todas as finais do Palmeiras. Ao lado da delegação, visível, identificável.

Ela não se esconde atrás do cargo. Usa a camisa do clube. Está nas fotos. Está nas comemorações. Isso contrasta fortemente com o perfil de dirigentes tradicionais brasileiros, muitos dos quais preferem o anonimato dos camarotes e a invisibilidade estratégica dos bastidores. Ela escolheu outra coisa. Escolheu ser rosto.

E com isso sumiu também os ônus de ser rosto. DEC, quando os resultados vêm, o crédito chega. Quando os resultados faltam, a conta também. No dia 6 de março, na reunião da CBF sobre a Liga, ela cobrou a união dos clubes e criticou os clubes Real Madrid a Shopee. A expressão é deliciosa de analisar. Shopee é a plataforma de comércio eletrônico asiática. Hoje, patrocinadora master de vários clubes brasileiros.

O Real Madrid é no imaginário do futebol mundial o clube mais poderoso, o mais premiado, o mais influente politicamente dentro da FIFA e da UEFA.

Quando Leila Pereira fala em clubes Real Madrid da Chopin, ela está fazendo ironia. Ironia é rara no vocabulário dela, que costuma ser mais direto. Desde sucesso, a média sobria está dizendo, sem nomear, a clubes brasileiros que querem se portar como potências globais dentro de uma realidade econômica, que é muito mais modesta. Que querem o protagonismo, sem assumir os custos coletivos, de construir uma liga funcional.

O que está em jogo aqui é o problema estrutural do futebol brasileiro, a liga. Há décadas se discute a criação de uma liga independente, nos moldes da Primeira Liga inglesa ou de La Liga espanhola, que permita aos clubes negociar coletivamente seus direitos de televisão, distribuir receita de forma mais racional,

e construir previsibilidade financeira. Há décadas a discussão trava. Os motivos são conhecidos. Os clubes grandes querem mais. Os clubes médios temem perder fatia. A CBF resiste a ceder poder. E os interesses políticos internos de cada federação estadual contaminam qualquer acordo mais amplo.

Eu cobri, em outros países, processos análogos. Acompanhei a construção da La Liga como entidade separada da Federação Espanhola. Observei as tensões permanentes entre clubes ricos e clubes pobres, entre Madrid e Barcelona de um lado e o resto da competição de outro. Acompanhei também os escândalos de corrupção que periodicamente atingem essas estruturas.

Também de Amaiá, e posso dizer sem hesitação, que a construção de uma liga profissional autônoma é um dos processos mais complicados que uma cultura esportiva pode empreender, porque envolve redistribuição de poder e poder, quando concentrado por décadas, não se redistribui sem fricção. Quando Leila Pereira entra nessa mesa, ela traz a voz do Palmeiras, que é um dos clubes com maior capacidade econômica atual.

Poderia jogar defensivamente, proteger apenas os interesses do seu clube. Escolheu, pelo que se lê nas declarações públicas, cobrar união. É uma posição interessante. Pode ser lida como generosidade institucional. Pode também ser lida como cálculo ou exército. A percepção de que, sem uma liga forte, mesmo os clubes grandes ficam vulneráveis a longo prazo. Provavelmente é as duas coisas.

Geralmente é. Agora, o ponto biográfico que me parece mais importante. 2026 é o último ano dela. Leila Pereira anunciou que não disputará nova reeleição. Que trabalha na escolha do sucessor. Que o Palmeiras entrará em um novo ciclo a partir de 2027.

Isso muda tudo. Muda o modo como se lê cada decisão dela neste ano. Muda o modo como o mercado de técnicos, jogadores e patrocinadores se posiciona em relação ao clube. E muda, sobretudo, o modo como se avalia o legado. Porque um legado no futebol brasileiro é uma coisa curiosa. Conta-se por títulos, em primeiro lugar. E os títulos vieram na gestão dela em volume considerável, incluindo libertadores, brasileiros, paulistas.

Mas conta-se também pela estrutura que fica, pelos contratos que permanecem, pela saúde financeira do clube no dia em que a presidente entrega o cargo ao sucessor. Conta-se pelo modelo de gestão que fica instalado, uma setor tupulum, ou pelo vácuo que fica aberto.

Há três meses, soube-se que o contrato de patrocínio da Crefisa com o clube se encerra. Isso é relevante. Quando a presidente sai, sai também o patrocínio máster que ela própria, na condição de empresária, injetava no clube.

O Palmeiras precisa, portanto, reconstruir tanto a sua governança quanto a sua estrutura de receita quase simultaneamente. É um momento de transição delicado. Maia, o Palmeiras precisa, portanto, a uma questão que vale a pena olhar com calma. O que significa, para a cultura brasileira de gestão esportiva, o experimento Leila Pereira? Por que foi um experimento?

Não havia, antes dela, caso comparável de empresária de grande porte que assumisse pessoalmente a presidência de um clube gigante, misturando seu capital privado com as operações do clube de forma tão direta.

Isso tem lados favoráveis. O zero, rapidez decisória. Foco em resultado. Disciplina financeira em certos aspectos. E tem lados problemáticos. E se ocupa de seus grandes problemas aos inimigos. A dependência de uma única fonte de capital. A dificuldade de separar o que é do clube do que é da patrocinadora. A fragilidade de um modelo que se sustenta sobre a permanência de uma única figura.

Em 2027, quando o sucessor assumir, saberemos melhor qual das duas leituras se sustenta. Porque a prova real de uma gestão não é o que ela produz enquanto está ativa. É o que sobra quando ela termina.

Os clubes europeus que funcionam bem são aqueles que resistem à troca de presidente. Os que dependem de uma única figura são os que entram em crise a cada sucessão. O Palmeiras de Leila Pereira vai descobrir, em 2027, em qual categoria se encaixa.

Não é coincidência. É estrutura. O fato de estarmos discutindo, em março de 2026, ao mesmo tempo a criação da Liga Brasileira e a sucessão na presidência do maior clube paulista, não é mera convergência de agenda. Até não é. A pele. São duas faces do mesmo processo. Não podemos um forte bem. A modernização, sempre adiada, sempre difícil, da governança do futebol brasileiro.

Leila Pereira é uma peça nesse processo. Não é a peça única, nem a peça definitiva. Mas é uma peça visível, e a forma como ela conduz o último ano do mandato, e a forma como ela participa da construção da liga, vão deixar marcas. Há ainda uma dimensão que não se discute o bastante, a da representação.

Uma mulher presidente de um clube centenário, em uma cultura esportiva que historicamente marginalizou mulheres em posições de decisão. Isso abre porta, ou não abre, depende do que vem depois. Um dia seguime, não é o seco. Se o sucessor for outro homem, e se a experiência Leila Pereira for lida como exceção irrepetível, a porta fecha.

Se ao contrário, a gestão dela servir de referência para que outras mulheres cheguem a posições análogas em outros clubes, a porta se abre de verdade. É cedo para saber. Mas é o tipo de questão que merece ser formulada agora, enquanto o mandato ainda está em curso, e não retrospectivamente, dentro de 10 anos, quando já for tarde para intervir no debate. Termino com uma observação que me parece honesta.

Não conheço Leila Pereira pessoalmente. O que sei dela vem do registro público, dos Vesdiscou, das entrevistas, das aparições, dos documentos institucionais, dos resultados do clube. Nesse registro, o que se lê é uma figura que não foge da exposição, que assume o cargo com seriedade empresarial, que cometeu acertos e erros como qualquer gestor comete e que agora se prepara para uma saída anunciada. Ela entregou títulos.

Entregou visibilidade. Entregou também, sem pedir licença, a quebra de um monopólio masculino centenário na presidência de um clube do Porte do Palmeiras. Isso conta. Tudo o que vier a contar depois, contará também. Mas isso já conta agora.

A história, quando se olha bem, tem uma direção clara. A direção aqui é a da profissionalização, lenta e difícil, de uma indústria que por décadas funcionou como clube social masculino de elite paulista, carioca, gaúcha. QuietPlease.ai. Escure o que importa.

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