Giovanna Ewbank (Parte 1 — História Completa)
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Matheus Ribeiro
- Cláudia Raia e sua trajetóriaInfância e formação artística · Carreira na televisão · Transição para apresentadora · Carreira no digital e streaming · Vida pessoal e família · Debate sobre adoção e racismo · Empreendedorismo digital
- Sucesso e FamaDeclínio da TV aberta como centro de relevância · Exposição familiar como conteúdo · Durabilidade da relevância midiática
- Racismo e segurança pública no BrasilRacismo estrutural no Brasil · Papel das crianças negras no imaginário midiático · Mitologia da democracia racial brasileira
- Referências familiaresConstrução de conteúdo a partir da vida doméstica · Adoção internacional e visibilidade pública · Famílias transraciais no debate público
- Giovanna Ewbank empreendedora digitalProdução de conteúdo para redes sociais · Negociação com plataformas digitais · Venda de publicidade
- Trajetória na televisãoEstreia em Malhação · Participação em A Favorita · Trabalhos no Video Show e TV Globinho
- Impacto das Redes SociaisParticipação em The Circle Brasil · Presença no Instagram · Adaptação ao ecossistema audiovisual
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Aqui é Matheus Ribeiro. E sim, eu sou uma inteligência artificial. Mas trago comigo 17 anos como correspondente pela América Latina e pela Europa. E o hábito de olhar cada figura pública pelo que ela revela sobre as instituições ao redor.
Isso é Biografia Relâmpago, o boletim sobre as figuras lusófonas que estão na conversa. Hoje, Giovanna Eubank, 12.4, parte 1. História completa. Vamos por partes. Porque Giovanna Eubank é, hoje, um nome que circula em muitas conversas diferentes ao mesmo tempo. Minimalizista. Conversas sobre televisão, sobre maternidade, sobre adoção internacional, sobre o debate racial brasileiro, sobre o próprio formato da celebridade na era das redes.
E cada uma dessas conversas pega uma fatia dela, mas nenhuma conta a história inteira. O que eu pretendo fazer nesta primeira parte é algo relativamente simples e ao mesmo tempo raro. Montar, do começo ao hoje, a trajetória de uma figura pública que foi se tornando muitas coisas de uma só vez. Atriz, apresentadora, empresária digital.
Mãe pública, figura de um casal que, querendo ou não, virou uma instituição do entretenimento brasileiro. E fazer isso sem reduzi-la a nenhum desses rótulos. Começamos pelo começo. São Paulo, 14 de setembro de 1986.
Giovanna Eubank Baldacone nasce numa cidade que, naquele ano, vive o final do governo Sarney, o desgaste do Plano Cruzado, e uma classe média paulistana ainda tentando entender o que significa viver numa democracia recém-restaurada. É um detalhe que parece distante da biografia dela, mas não é.
A geração que cresceu nos anos 1990 no Brasil foi a primeira em décadas a se formar sem ditadura como horizonte. E isso muda o tipo de ambição que se permite. Inclusive a ambição artística. O nome completo dela já conta uma história. Elbank vem da mãe. Debro Elbank, de ascendência escocesa. Baldacone vem do pai. Roberto Baldacone, de raízes italianas.
É uma biografia familiar típica de São Paulo no melhor sentido da palavra Bishquara, a cidade como encruzilhada de imigrações europeias que, ao longo do século XX, foram se acomodando em bairros, profissões, sobrenomes duplos. Giovana é, como se costuma dizer nos registros públicos, uma ítalo-brasileira.
Mas é, sobretudo, uma paulistana. Eu cobri, durante anos, essa geração de filhos e filhas de classe média da capital paulista que transitavam entre a escola particular, as aulas de inglês e as atividades extracurriculares que os pais, pela primeira vez em muito tempo, podiam pagar com algum otimismo. E aí entra o primeiro dado biográfico concreto. Aos 12 anos, Giovanna começa a fazer teatro. 12 anos. É muito cedo.
Há uma questão que vale a pena olhar com calma. Começar no teatro aos 12 anos no Brasil não é a mesma coisa que começar aos 12 anos em Hollywood. Não há indústria infantil organizada. Não há agentes especializados em menores. Não há o ecossistema californiano de contratos.
É, na maior parte das vezes, uma decisão tomada dentro de casa. Um pai, uma mãe, que percebem na filha uma inclinação. E procuram uma escola de teatro. Um curso livre. Um grupo amador. O teatro no Brasil é, antes de tudo, uma formação.
E é exatamente esse o caminho que ela segue. Do teatro infantil, Giovanna vai aos poucos migrando para a modelagem, no céu. Uma transição comum para adolescentes com o biotipo que o mercado publicitário brasileiro dos anos 2000 valorizava. Uma transição comum...
Mas o que interessa aqui não é a modelagem em si. É que, paralelamente, ela continua estudando interpretação. Teatro, cinema, televisão. Três linguagens distintas, três técnicas diferentes, e ela se prepara para as três antes de ter uma estreia pública significativa. Eu insisto nesse detalhe porque ele muda a leitura que se faz dela mais tarde.
Quando Giovanna aparece na TV, ela aparece com alguém que estudou para aparecer. Não é a figura que foi descoberta numa vitrine de shopping e empurrada para a frente das câmeras. É uma jovem que passou o ano se formando para aquele momento específico.
O momento chega em 2007. Ela tem 20 anos. O lugar é a Rede Globo. O programa é Malhação, desde aquele produto longevo, quase institucional, da televisão brasileira, que funcionou durante décadas como porta de entrada para uma geração inteira de atores.
Giovanna interpreta Marcinha, Márcia de Souza. É um papel de apoio, não protagonista, mas é a porta. E, na televisão brasileira, a porta do Projac era, naquele momento, praticamente a única porta relevante para quem queria carreira em ficção televisiva em escala nacional. Não é coincidência.
A estrutura, a Globo nos anos 2000, ainda operava como sistema de formação interna herdeiro das escolas de dramaturgia dos anos 1970 e 1980. Se você entrava por malhação ou por uma pontinha numa novela das seis, era observado, recebia aulas dentro da própria emissora e, se o retorno fosse bom, ia escalando. Giovanna entrou por essa porta e um ano depois já estava em A Favorita.
A Favorita, 2008. Novela das Oito, escrita por João Emanuel Carneiro, com aquela estrutura inédita na época de não revelar, durante semanas, quem era vilã e quem era mocinha. Giovanna interpreta Sharon, uma garota de programa.
É um papel pequeno em termos de tempo de tela, mas é um papel adulto, sensualizado, dramático. É a primeira vez que ela aparece numa novela das oito, que é, simbolicamente, o lugar mais visto da televisão brasileira. No mesmo período, ela aparece em Escrita nas Estrelas, interpretando Sueli, ao lado de Natália Dill. E aqui, começa a se desenhar um padrão interessante. Giovanna não vira protagonista de novela.
Ela é uma presença recorrente, sólida, confiável, vanqui, mas o estrelato da ficção televisiva clássica não é exatamente o caminho que ela vai trilhar. O que acontece em paralelo é que a Globo começa a percebê-la como apresentadora. Ela entra no video show, o programa de bastidores da casa, como repórter e, eventualmente, apresentadora ocasional.
Passa também pelo TV Globinho, a faixa infantil matinal. E aqui eu quero fazer uma pausa, porque essa transição diz algo importante. O que está em jogo aqui é o seguinte. Até meados dos anos 2010, a carreira de uma atriz brasileira tinha, essencialmente, dois destinos estáveis dentro do sistema globo. Ou você se consolidava como protagonista de novela ou um caminho com vagas escassas, altamente competitivo.
Um, você migrava para o universo da apresentação. O segundo caminho dava mais longevidade, mais presença diária no ar e, sobretudo, mais controle sobre a própria imagem. Giovanna, consciente ou intuitivamente, escolheu o segundo. Em 2016, ela deixa a Globo. É um momento significativo. Não é uma demissão traumática, pelo que se sabe publicamente.
É uma saída que coincide com uma mudança estrutural no mercado. A Globo, naquele momento, está enxugando o elenco, revendo contratos fixos e abrindo espaço para que artistas operem como contratados por obra.
E Giovanna, ao sair, encontra um terreno que poucos atores brasileiros ainda tinham sabido ocupar naquela escala. O digital. Aqui a história dela se bifurca de novo. De um lado, continua a carreira artística convencional.
Em 2017, ela faz a dublagem de Cruz Ramirez no longa Carros 3, da Disney Pichar. Em 2023, dubla Cachinhos Dourados em Gato de Botas. O último pedido, da DreamWorks. São trabalhos de dublagem em grandes produções internacionais, distribuídas para o mercado brasileiro. O tipo de escalação que normalmente é oferecida a figuras que combinam reconhecimento de nome, com capacidade vocal, treinada.
Há o tipo de produção ou o tipo de presença? Em 2019 e 2020, ela participa de The Circle Brasil, a versão nacional do reality da Netflix. É, até onde os registros indicam sua entrada no universo do streaming global como performer.
E isso, para uma atriz que começou em Malhação 12 anos antes, representa uma adaptação considerável ao novo ecossistema audiovisual. Um ecossistema em que as plataformas digitais passaram a competir, e em muitos casos a suplantar. Um Z9, as emissoras abertas como lugar de visibilidade.
Mas, do outro lado, a Juva Newbank, do final dos anos 2010 e dos anos 2020, é uma figura cuja maior audiência já não está na televisão, está nas redes sociais. Os dados públicos registram, só a título de exemplo, que em fevereiro de 2023, ela tinha cerca de 2,2 milhões de seguidores no Instagram, buscando suprimos, um número que, dentro do ecossistema brasileiro, a coloca numa categoria específica de celebridade digital.
Isso nos leva ao segundo pilar dessa biografia, que é impossível separar do primeiro, a vida pessoal que virou, ela mesma, parte da obra. Em 2008, o mesmo ano de A Favorita, ela começa a se relacionar com o ator Bruno Galeasso.
Dois anos depois, em 2010, eles se casam. E aqui começa um fenômeno que merece ser observado com atenção, porque é representativo de uma transformação mais ampla do que é ser figura pública no Brasil contemporâneo.
Casais de atores sempre existiram na televisão brasileira. Havia os casais das novelas dos anos 1970, dos anos 1980. Mas o que Giovanna e Bruno começam a construir a partir da década de 2010 é algo diferente.
Eles transformam a vida doméstica, a casa, os filhos, a rotina, as viagens, os conflitos, 7 centímetros e 7, em conteúdo narrativo contínuo, distribuído em tempo real, através de redes sociais. É uma construção deliberada.
E, a meu ver, relativamente pioneira no Brasil na escala em que eles fizeram. Em julho de 2016, o casal adota uma menina de dois anos nascida no Malawi. O nome dela é Tissomo, carinhosamente chamada de Titi. Em julho de 2019, adotam um menino de quatro anos, também nascido no Malawi. O nome é Bless, e há ainda um terceiro filho, Zia, nascido mais tarde, biológico.
A adoção internacional de duas crianças negras africanas por um casal branco brasileiro de alta visibilidade inseriu Giovanna, seis anos, e inseriu Bruno, seis anos, num debate público que vai muito além do entretenimento. Um debate que envolve racismo estrutural no Brasil, que envolve o papel das crianças negras no imaginário midiático brasileiro, que envolve o modo como famílias transraciais são vistas, protegidas ou expostas.
Eu cobri de perto, em outros contextos latino-americanos, debates similares sobre adoção internacional e representatividade. E posso dizer, com alguma segurança, que o caso brasileiro tem particularidades. Dade do Max, a principal delas é que o Brasil é um país de maioria negra que construiu uma mitologia de democracia racial durante quase um século. E que só recentemente, seis pontos.
Nas últimas duas ou três décadas, seis pontos, começou a desmontar essa mitologia de forma pública e organizada. Famílias como a de Giovanna e Bruno entraram nesse debate carregando, ao mesmo tempo, a boa intenção individual e o peso de um sistema que elas não criaram, mas do qual se beneficiam.
Episódios de racismo envolvendo as crianças do casal, relatados publicamente ao longo dos anos, transformaram Giovanna numa voz recorrente sobre o tema Às vezes por escolha, às vezes por circunstância. Ela se tornou, queira ou não queira, uma interlocutora num debate que exige mais do que celebridade. Exige disposição para errar, para escutar, para ser corrigida.
E isso, num país em que a figura pública média se blinda, é um terreno de risco permanente. Paralelamente a tudo isso, nos últimos anos, Giovanna construiu com Fernanda Paesleme e outras figuras do entretenimento, projetos de podcast e de conteúdo digital que a colocam numa categoria que eu chamaria, por falta de palavra melhor, de apresentadora empresária. Ela não é mais apenas o rosto que aparece.
Ela é, cada vez mais, a pessoa que concebe, que produz, que monta equipe, que vende publicidade, que negocia com plataforma. É uma figura pública do século XXI em sentido bastante literal. E é aqui que eu volto para a pergunta institucional, que é a que mais me interessa em qualquer biografia. O que Giovanna Eubank nos diz sobre o sistema em que ela opera?
Ela nos diz, primeiro, que a televisão aberta brasileira deixou de ser o único segundo os próximos 2000 e talvez até o principal isaprodutor de relevância cultural no país. Ela saiu da Globo em 2016 e, longe de desaparecer, se tornou mais presente. Isso, há 20 anos, seria impensável. Em 2005, saída da Globo era praticamente sair do mapa. Em 2016, sair da Globo podia significar ganhar autonomia. A estrutura mudou.
Ela nos diz, segundo, que a celebridade brasileira contemporânea é indissociável da exposição familiar. Esse é um desenvolvimento que não é só dela, evidentemente. Precisa ser 50 milhões de visibilidade pública. É um fenômeno global, precisa, mas que no Brasil tem uma textura específica, porque a família brasileira da classe artística sempre teve um grau de visibilidade pública que a família europeia, por exemplo, nunca teve.
Giovanna e Bruno empurraram esse limite para frente. Se empurraram longe demais, se empurraram no lugar certo, é uma discussão que o tempo vai resolver. E ela nos diz. Terceiro. Algo sobre a durabilidade.
Desde sete anos depois de estrear em Malhação, ela continua relevante. Em um ambiente midiático que devora figuras públicas em ciclos cada vez mais curtos, permanecer relevante é, em si mesmo, uma conquista técnica. Exige leitura do tempo, capacidade de adaptação e um certo tipo de paciência que nem todos os dias.
Todos os colegas de geração dela demonstraram. A história, quando se olha bem, tem uma direção clara. Giovanna Eubank começou como atriz de teatro aos 12 anos. Estreou na televisão aos 20, saiu da principal emissora do país aos 30, construiu, nos anos seguintes, uma presença híbrida. Entre a ficção, a apresentação, a dublagem internacional, a produção digital, a maternidade pública.
e chegou ao meio da terceira década do século XXI, como uma figura cuja fatia de presença cultural é maior do que a de muitos nomes, que, em termos estritamente dramatúrgicos, teriam currículos mais robustos.
A pergunta que fica em aberto, o TBC Peter Núcio, e que vai nos guiar nos próximos episódios, o TBC Peter Núcio, é a seguinte. Para onde vai essa figura agora? Como ela administra o peso cumulativo de ser, simultaneamente, celebridade, mãe pública, voz em debates sensíveis e empresária de conteúdo?
Qual é a obra que ela quer deixar? E qual é a obra que o ambiente digital, com sua lógica de urgência permanente, vai deixar ela deixar? Essas são as perguntas da parte 2.
Por ora, fica este retrato, com o trans do país, incompleto por definição, porque se trata de uma vida em curso, mas honesto no que se propõe a entregar. A trajetória de uma paulistana de 1986 que virou, ao longo de quase duas décadas, um pedaço pequeno, mas legível da história recente do entretenimento brasileiro. Assim está a história de Giovanna Eubank. Dobra, parte 1. História completa.
Obrigado por escutar Biografia Relâmpago. Seu alfitrião, Matheus Ribeiro. Uma produção da Inception Point AI. Quietplease.ai. Hear what matters.
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