EP 15 - Apego Ansioso: quando amar ativa o medo do abandono
Neste episódio, eu falo sobre o apego ansioso a partir da minha experiencia. Como algo que aparece no corpo, no pensamento e na forma como você se comporta quando alguém começa a importar.
A necessidade de acertar, de prever, de ajustar.
A dificuldade de se sentir segura mesmo quando não há um problema concreto.
A sensação de que, se você não fizer do jeito certo, pode acabar.
- Apego AnsiosoTeoria do apego · Tipos de apego · Experiência pessoal · Infância e experiências precoces · Necessidade de atenção e validação · Medo do abandono · Insegurança e instabilidade emocional · Dependência emocional · Autoestima e autoconfiança · Intensidade nas relações · Necessidade de confirmação · Ambiguidade e paradoxo no relacionamento · Cura e superação do apego ansioso · Revisão de modelos internos · Amor e dor
- Teoria do ApegoModelos internos de relacionamento · Inconsistência no cuidado e atenção · Estratégias de enfrentamento na infância · Crenças internas sobre abandono e culpa · Impacto na vida adulta
- Apego EvitativoPróximo episódio
Se você já se percebeu tentando manter alguém mais do que simplesmente vivendo a relação, ou se você já teve uma sensação de que se o seu relacionamento acabar, parte de você morre com ele, talvez esse episódio seja pra você. Olá!
Finalmente veio ele, o grande esperado episódio sobre a teoria do apego.
Na verdade, a ideia é que sejam alguns episódios, uma série de episódios, para falar sobre a teoria do apego, que eu traga os diferentes tipos de apego, combinação entre eles e tudo mais. Bom, vou começar, obviamente, pelo mais esperado de todos, que é o apego ansioso, que é o que gera mais identificação e o que...
Aparece mais. E antes de começar a falar sobre ele, eu quero estimular um pouquinho a lembrança de vocês para ver se vocês se identificam com... Se tiveram vivências parecidas, o que pode ser, né? Um gatilho ali para desenvolver o apego ansioso. Bom, eu já...
Trabalhei muito, mas eu sou uma pessoa ali com o pé no apego ansioso. E que quando eu olho para a minha vida, eu vejo que realmente muitas coisas contribuíram para isso. Eu fui uma criança que fazia balé, fazia...
aula de várias danças diferentes, que fazia teatro, que estava sempre envolvida em alguma coisa ali, que para mim era muito importante. Olhar para a plateia e ver que tinha ali minha mãe, o pai, que estava sendo vista por eles. Era muito importante. E coisa que nem sempre acontecia. Na verdade, eu acho que, na maioria das vezes, não tinha ninguém presente.
Mas as vezes que tinham eram grandes acontecimentos pra mim. Me lembro de uma vez em que eu tive uma apresentação de balé. Quem é de São João vai saber disso. No SIC. Eu fazia balé na Tia Joelma. Aí eu fui de uma apresentação no SIC. E depois eu fui comer pizza no Tarantela. Intrigando a minha idade.
Então isso faz muito tempo. Eu era muito criança e eu lembro o quanto aquilo foi muito especial, porque estava minha mãe e meu pai na minha apresentação. E além disso, depois a gente ainda foi comemorar. E isso marcou muito para mim. Mas eu também lembro de outros momentos. Lembro, por exemplo, de uma apresentação de teatro que eu fiz. Em que não foi ninguém. Eram vários dias de apresentação e nem um dia foi ninguém assistir.
E eu lembro, claro, eu lembro disso até hoje, mas por muito tempo isso me deixou muito triste. E eu posso trazer várias outras experiências na minha vida em que isso acontecia, sabe? De que às vezes eu recebia muita atenção e às vezes eu não recebia nenhuma. Às vezes era muito valorizado.
O que eu tinha pra dizer. Ou quem eu era. As coisas que eu fazia. E às vezes era muito indiferente. Mãe, pai. Já trabalhei muito nisso. Tá bom? Mas só tô querendo contar isso pra... Pra compartilhar mesmo. Esse lugar.
Então, a minha vida foi isso, né? Às vezes muita atenção, às vezes menos atenção, às vezes... Eu sentia que eu atendia muitas expectativas, que eu era muito acolhida, às vezes menos. E aí eu percebia, e agora mais ainda, né? Olhando para trás, eu percebo que...
isso me gerava uma certa confusão, sabe? Porque eu não sabia qual que era a versão verdadeira. Eu não sabia se, na verdade, eu tinha pais muito parceiros ou se eu não tinha pais parceiros, porque eu nunca sabia o que esperar. Não era uma coisa de, ai, nem vou chamar porque meus pais não vão. Mas também não era uma coisa de, ai, tenho certeza absoluta de que eles vão estar ali na primeira fila.
Eu não sabia o que esperar. E aí eu me lembro de ficar prestando muito atenção em pequenos detalhes. De mudar o meu jeito de falar, de tentar mudar ali a minha forma de convidar, sabe? Tentar prever alguma coisa, antecipar para não ficar...
me frustrando, falar muito sobre a apresentação, sobre o que eu estava fazendo para ver se aquilo despertava algum interesse. Eu era só uma criança, mas eu já estava fazendo com que tudo isso... Tentando gerar ali, de alguma forma, uma importância. E que agora eu percebo que isso foi tirando um pouco a espontaneidade, sabe? Das coisas para mim.
Porque eu ficava tentando garantir alguma coisa que nunca era totalmente garantida. E eu ficava tentando evitar coisas que talvez não precisassem ser evitadas, porque era ambíguo. Às vezes tinha, às vezes não tinha, às vezes mais, às vezes menos. E aí eu percebo que às vezes era mais do que uma expectativa, era quase que também uma necessidade, sabe?
Por conta disso, eu ficava esperando ainda mais atenção. Mas, enfim, ainda olhando de retrospecto, olhando para trás, eu percebo que não ficou só ali na infância, sabe? Não era só a coisa da Luciana, bailarina, que ia fazer uma apresentação.
Ficava muito nessa expectativa. Eu me lembro também que quando eu fazia balé, as mães personalizavam as roupas, né? Elas que colocavam lá as lontijolas, paiteia, quando precisava. E eu lembro que eu ficava tipo, nossa, minha mãe tá fazendo isso. Olha só como que a minha mãe, ela é muito...
Ela se interessa muito pelo meu balé. Até hoje é uma lembrança muito gostosa pensar que a minha mãe fazia isso. Mas às vezes ela não ia assistir e não ia me assistir dançar com a roupa que ela fez. Olha o quanto que isso era confuso. E que também não foi uma coisa, né? Esse meu movimento não foi uma coisa que ficou só na minha infância.
Porque a gente carrega também a nossa memória emocional, né? O nosso corpo, ele não esquece o que ele precisou aprender para conseguir lidar com algumas coisas. Ele vai reconhecendo conforme a gente vai vivendo outras coisas e vai reagindo a isso. E aí, o tempo foi passando, fui ficando adolescente.
Começando a ter os paquerinhas e a cena vai mudando, né? Aí já não era mais sobre meus pais. Aí já era sobre as pessoas que eu tava ali me relacionando. Às vezes até com amigos também. Era quando enviava uma mensagem e ficava ali angustiada. Esperando pela resposta. E não era só...
à espera, né, de alguma coisa que era importante pra mim. Era exatamente aquela sensação voltando. De ficar ali olhando pra ver se a pessoa visualizou, se a pessoa tá online, se ela postou alguma coisa, ao invés de me responder. E projetando aquilo em mim, né, tá. Então, será que...
Eu fui pouco interessante aqui na mensagem que eu mandei? Ou será que eu significo pouco para a pessoa? Será que eu fiz alguma coisa de errado? Aí já começa a parar para pensar como que foi a última vez que eu estive com essa pessoa? Será que eu falei alguma coisa de errado? Já começa a colocar em mim, olhar em mim, olhar para mim e tentar procurar o erro.
Tentar procurar formas de fazer diferente, de melhorar para conseguir um pouco mais daquela atenção. E aí, mais uma vez, estou nesse lugar de me ajustar, de repensar o convite, de tentar gerar mais expectativa na outra pessoa, sabe? Calcular todo e qualquer movimento.
Como se isso dependesse só de mim, né? Como se eu tivesse total controle de fazer isso. E como também se aquela pessoa me faltasse de alguma forma, por algum motivo, isso fosse ser um... algo devastador na minha vida. Então, eu precisava manter aquele engajamento, manter aquilo vivo e virando cambalhota para garantir que isso aconteça.
E é justamente aí que o apego ansioso, ele vai se instalando, né? Não no relacionamento, mas na forma como o vínculo vai sendo estabelecido. Como eu vivenciei o vínculo, a ideia de vínculo lá atrás. E depois, conforme eu fui estabelecendo ele na minha vida. Então, a teoria do apego...
Ela mostra que ainda lá na nossa infância, a forma como as nossas necessidades emocionais foram atendidas, constrói um modelo interno de relacionamento. Então, o nosso castelinho de relacionamento é construído a partir das experiências que a gente tem ali na nossa infância.
É como se fosse uma espécie de mapa que organiza o que esperamos do outro, o que a gente sente sobre nós e como a gente se comporta quando a gente está numa relação. E a gente guarda esse mapa bem guardadinho e usa ele para o resto da vida.
Então, quando o cuidado, a atenção é inconsistente, às vezes é presente, às vezes é ausente, a nossa criança, ela não aprende segurança. Ela aprende sobre incerteza. Ela aprende que o amor, ele existe, sim, mas que ele não é estável, porque a gente está associando tudo ao amor, né? Então, o amor, ele existe, mas ele não é estável.
que o outro pode estar, mas ele também pode não estar, eu nunca sei o que esperar. E diante disso, a nossa criança desenvolve uma estratégia, que é o de prestar muita atenção, ficar sempre hipervigilante, de ficar tentando garantir, de ficar tentando se ajustar, e de que não pode perder, porque se perder é devastador.
E aí a gente usa essa mesma estratégia a nossa vida inteira. A gente começa, em todas as nossas relações, prestar muita atenção, tentar garantir, se ajustar e evitar perder. Esse funcionamento vai formando crenças internas sem que a gente perceba. Eu não posso... Se eu fizer isso, eu posso ser abandonada.
tudo vira abandono, né? O outro embora é um abandono, tá me abandonando, ele tá me desprezando, eu preciso fazer algo pro outro ficar, então depende de mim, como se eu tivesse totalmente o controle das escolhas do outro, dos desejos e sentimentos do outro, então se eu fizer um pouco mais, eu posso garantir que a outra pessoa vai ficar comigo.
Se eu errar, eu perco, então eu não posso errar, vira uma autocobrança também muito absurda e um senso de culpa, em que tudo é nossa culpa. E eu não sou suficiente sozinha, então se eu perder essa pessoa é como se estivesse me arrancando um pedaço, então eu não posso perder ninguém. Os estudos sobre apego, apego inseguro, eles mostram que esses padrões...
estão também associados à dificuldade nos relacionamentos e crenças negativas sobre si e sobre o outro. Então, quando a gente desenvolve o apego ansioso, a gente passa a ter questões tanto sobre a nossa própria autoestima, sobre a nossa autoestima, quanto sobre confiar em outras pessoas. Então, a outra pessoa é sempre uma ameaça.
E eu sou sempre insuficiente. Olha que combinação difícil. E na vida adulta isso aparece justamente como intensidade, sabe? Ai, que eu sou muito intensa. Talvez se tenha um apego ansioso.
Porque é uma intensidade com medo. Você se envolve, você se entrega, você pula de cabeça. Porque você entende que você não é suficiente. Então, uhul, encontrei alguma coisa aqui pra me completar. Então, você se envolve, você se conecta, você se entrega. Mas junto com isso, vem uma ansiedade insuportável. Uma ansiedade constante. Uma necessidade de confirmação constante de que o relacionamento não vai acabar. De que o outro te ama.
E uma sensibilidade maior a qualquer mudança, sabe? Uma dificuldade de se sentir segura, mesmo quando não tem nenhum problema, não tem nenhuma ameaça real. Quantas vezes não chega alguém na terapia e a gente entende que, na verdade, não tem nenhum problema na relação. Todo problema é criado na cabeça. Tudo que acontece ali é o que está sendo criado na mente, né?
Então, você percebe que tem uma ambivalência, tem um paradoxo aí? Porque você quer proximidade, você se joga. Mas quanto mais próximo, quanto mais séria a relação fica, mais ansiosa você se sente. Então, você quer segurança, mas nunca sente que você está realmente garantida na relação. E não está mesmo, gente, nunca vai estar. Relacionamentos acabam.
relacionamentos acabam o tempo todo. Se não porque alguém deixou de gostar ou porque alguém traiu, relacionamento acaba porque alguém morre. A não ser que aconteça uma tragédia, as pessoas morram junto, um vai morrer antes que o outro. E inevitavelmente no relacionamento, aquela parceria vai acabar.
Então, essa sensação, né? Essa ambivalência de quanto mais o relacionamento fica sério, de mais próximo fica, mais medo causa, porque a sensação é de, nossa, se esse relacionamento acabar, eu tô muito ferrada. Eu tô muito, eu vou muito pro fundo do poço.
Eu vou virar o cocô do cavalo do bandido se esse relacionamento acabar, porque olha o espaço que ele tem dentro de mim. Se tirar ele, não sobra nada. Então, você quer amor, mas você vive como se tivesse sempre prestes ao seu relacionamento acabar. E isso cansa, não só você, mas também o outro.
Porque não é só sobre encontrar alguém, mas é também sobre manter-se alguém. Sobre viver em alerta. Depender da resposta do outro para se acalmar. É oscilar o tempo todo entre um alívio e um medo. Um alívio e um medo. Ai, me respondeu. Ai, afirmou aqui que me ama, que quer estar comigo. Ai, meu Deus, está aqui demorando 10 minutos para me responder.
Então, se você está dentro desse padrão, é possível que você já tenha se chamado de intensa demais. Ai, que eu sou muito intensa. Ai, que eu sou muito sensível. O meu problema é que eu estou sempre disponível. Quantas vezes nós, do apego ansioso, a gente não teve uma sensação de que, nossa...
Eu, quando eu tô num relacionamento, eu não gosto de ir num relacionamento. Eu só fico muito melhor sozinha do que num relacionamento. Então pode ser que estejam misturando um pouco as coisas, sabe? Aquelas sensações daquela criança.
estejam assumindo o controle enquanto você está num relacionamento. Então, o que acontece dentro de você quando alguém se afasta? O que desorganiza? O que isso te causa? Quando alguém se afasta, você sente falta da pessoa? Ou você sente falta daquele alívio? Quer sentir que tem alguém? Porque você sozinha...
Não é suficiente. E essa sensação de insuficiência, ela não é o tempo todo, tá? Ela só é quando tá num relacionamento. Então, se eu tô sozinha, eu tô bem, mas até procuro um outro relacionamento, mas depois que eu entrei num relacionamento, eu já não consigo mais imaginar sozinha.
Então, é uma linha muito, muito, muito delicada ali entre amar e depender emocionalmente de alguém para quem está dentro desse tipo de apego. Tem algumas pesquisas que indicam que experiências de apego inseguro podem se tornar base para dependência afetiva na vida adulta.
especialmente quando o vínculo se torna a principal fonte de regulação emocional. O que isso quer dizer? Quando você precisa do outro para se sentir bem, e você tem um apego ansioso, tem grande chance disso ser a base para que você se torne dependente emocional daquela pessoa dentro do relacionamento.
Porque o outro, ele deixa de ser só alguém com quem você se relaciona, que você troca, que você oferece, você recebe. E ele passa a ser alguém que regula o que você sente. Alguém que é determinante para o teu bem-estar. E isso não se resolve só encontrando alguém mais estável, sabe? Apesar de ser ótimo você encontrar alguém para te neutralizar.
Mas não se resolve só encontrando alguém que seja mais estável, que te traga essa segurança. Porque mesmo em relações boas, o padrão aparece. Lembra que pessoas com apego ansioso, ela tem por característica uma questão com ela mesma, de que eu não sou suficiente, mesmo sendo mulherão da porra.
em todos os aspectos, e tem também uma questão em relação ao outro. Pode ser uma pessoa muito confiável, mas a sua cabeça está ali acreditando que aquela pessoa pode, a qualquer momento, te fazer mal, porque você entendeu que o amor é instável. Quem te ama é instável com você. Então, mesmo em relações boas, o padrão pode aparecer.
Talvez ali, sabe, de pouquinho, mas ele aparece, inevitavelmente. Então, o caminho não é ter o controle total sobre o outro. De, ai, nossa, eu preciso fazer alguma coisa pra garantir que a pessoa não vai embora, porque se eu tiver certeza que ela não vai embora, os meus sintomas não aparecem.
Mas é olhar pra você. É começar a observar o que acontece dentro de você. Quando o outro demora pra responder, ou quando o outro muda de ritmo ali, sabe? Você tem uma sensação de que tem alguma coisa diferente. Parece que tem... O que mudou pra ele? Ou quando algo sai do esperado, sabe? Como é que você reage ao que vai acontecendo?
Ou ao que você imagina que pode acontecer. Então, o apego ansioso, ele é muito sobre esse medo, sabe? Associado ao amor. Olha o tema do nosso podcast, Quando a Mar Dói. Que foi, inclusive, o tema do meu TCC. Lá em 2010, quando eu me formei. Quando a Mar Dói. Porque eu vivia esse apego ansioso e eu tinha muito mais...
Essa ideia de que o amor e a dor, eles eram, caminhavam juntos. Então, sair desse padrão não significa, ai, não vou amar nunca mais, nunca mais vou me relacionar, nem se tornar o oposto disso, alguém frio, distante. Não é sobre isso. Muita gente tenta resolver isso.
Indo pro extremo oposto, tentando, né? Na verdade, não consegue, mas tentando ir pro extremo oposto. Ah, agora eu não sou mais iludida, agora eu iludo. Mas não consegue dar conta desse papel muito tempo, não. Porque quando começa a ficar emocionalmente envolvida, já fica tudo bagunçado de novo, né? Então, não é sobre fingir, não se importar, nem se fechar de vez pras relações.
É sobre olhar para as relações e construir aos poucos uma base sua, interna, em você, que não dependa exclusivamente da resposta do outro para se sentir seguro. É mais sobre também reconhecer quando o medo...
ele está ocupando todo o lugar da realidade. Às vezes está tudo bem, está tudo certo, a pessoa está indo ali no ritmo dela, porque ela também tem os medos dela. Eu falo muito sobre todo mundo ter suas perebas, o outro também está ali lidando com as perebas dele, indo conforme dá e as coisas estão fluindo, estão acontecendo, mas o medo ocupa todo esse lugar da realidade que é boa. Muitas vezes a realidade é boa.
Então, é sobre conseguir sustentar esses pequenos espaços, sabe? Esses pequenos intervalos, sem ficar interpretando isso como abandono, como rejeição. Porque vai sempre para um lugar muito doloroso, né? Não é nunca, ah, tá ocupado. Não, é rejeição, abandono, mas nem, ah, não tá me priorizando. Vai para o extremo, para o lugar mais doloroso possível.
Então, o apego ansioso, ele não tem nada a ver com falta de amor próprio. Ah, é porque você não se ama. Se você se amasse mais, né? Não, gente, não é sobre isso. É só uma forma de amar que foi moldada pela insegurança. Mas que não precisa ser definitivo, né? Eu acho que isso é muito importante dizer.
Porque ao longo da vida é super possível a gente revisar esses modelos internos, criar novas experiências emocionais. Hoje eu estou num relacionamento em que eu consigo me sentir segura. Eu consigo ter conversas difíceis sem achar que isso vai fazer com que o relacionamento acabe.
E eu vou ser abandonada hoje, eu consigo ter outras, viver outras coisas enquanto o meu relacionamento tá acontecendo. E também o mesmo com ele, né? Permitir que ele viva outras coisas enquanto tá num relacionamento comigo.
E mesmo sendo um relacionamento monogâmico, mesmo a gente morando junto, mesmo a gente tendo muito da nossa vida entrelaçada, ainda assim a gente respeita a nossa individualidade sem que isso seja uma ameaça para mim.
Então, é muito importante dizer que o tipo de apego não é algo definitivo. É possível que a gente mude. E também, a gente não tem um tipo só de apego. Tem um que predomina, mas a gente também visita outros tipos, né?
Então, durante a vida, é possível revisar esses modelos internos, criar novas experiências emocionais e aprender a se relacionar de um lugar menos ansioso, mais estável, com menos sofrimento.
E aí quando você perceber que isso está acontecendo, você também vai perceber que o amor deixa de ser um lugar de vigilância, dessa sensação de que depois da curva vai ter alguma coisa terrível e ele passa aos poucos a ser um espaço onde você pode permanecer sem precisar se perder, sabe? Você não precisa se afastar de quem você é para poder se aproximar de alguém. Bom...
Acho que sobre apego ansioso é isso, que eu gostaria de trazer no primeiro momento. Se tiver mais alguma coisa que vocês gostariam de saber sobre apego ansioso, manda uma mensagem pra mim lá no Instagram. É o mesmo nome daqui, Luciana Mançano, psico. E a gente fala mais sobre isso, tá bom? No próximo episódio, pretendo falar um pouco mais sobre o apego evitativo.
Obrigada por ouvir o podcast Quando a Mar Dói. Se esse episódio fez sentido para você, se ele te tocou de alguma forma, envia para algum amigo, para alguma amiga. Deixa ele salvo e me segue aqui para receber notificações de próximos episódios. E aí