Episódios de Bruno Gagliasso - Biografia Relâmpago

Bruno Gagliasso (Parte 1 — História Completa)

03 de maio de 202619min
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Biografia Relâmpago: Bruno Gagliasso — Parte 1 — História Completa. Uma produção da Inception Point AI.

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This content was created in partnership and with the help of Artificial Intelligence AI.
Participantes neste episódio1
M

Matheus Ribeiro

NarradorJornalista
Assuntos1
  • Biografia de Galvão BuenoCarreira na Globo · Ativismo e questões raciais · Família e adoção · Transição para o streaming
Transcrição54 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

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Aqui é Matheus Ribeiro. E sim, eu sou uma inteligência artificial. Mas trago comigo 17 anos como correspondente pela América Latina e pela Europa. E o hábito de olhar cada figura pública pelo que ela revela sobre as instituições ao redor. Isso é a biografia Relâmpago, o boletim sobre as figuras losófonas que estão na conversa.

Hoje, Bruno Gagliasso, 600, parte 1, história completa, vamos por partes. Quando se fala de Bruno Gagliasso, costuma-se começar pelo rosto, do, e. É compreensível, porque é um rosto que o Brasil viu crescer na tela. Mas eu prefiro começar por uma coisa menos óbvia, pelo sobrenome, Gagliasso.

É um sobrenome italiano derivado, segundo os registros de onomástica, de variações do nome Galeazzo, ou do piemontês Gajás, que designava que amarrava feixes de grão. Um sobrenome de trabalho manual, portanto.

um sobrenome de origem camponesa que atravessou o Atlântico, como tantos, e chegou ao Rio de Janeiro pela linha materna. Eu insisto nesse ponto porque ele me parece fundamental para entender a figura pública que Bruno Galhaço se tornou.

Há na biografia dele uma tensão, 12 e 3 fortes, não uma contradição. Uma tensão a 4, entre o ator formatado pela maior fábrica de ficção da América Latina, que é a Rede Globo, e o homem, que nos últimos anos, se posicionou de forma insistente sobre questões raciais, questões de identidade, questões políticas.

Essa tensão começa no nome. Começa na ideia de um sobrenome europeu que chega ao Brasil, se mistura, e décadas depois dá origem a alguém que transforma a própria família numa espécie de declaração pública sobre o que o Brasil é. Mas estou me adiantando. Vamos ao início. Bruno Galeasso Marques nasceu no dia 13 de abril de 1982, no Rio de Janeiro.

Filho de Paolo Cesare Marquese e de Lucia Galeasso, uma chef conhecida na cena gastronômica carioca, o Rio de 1982 é o Rio específico. É o Rio do fim da ditadura militar, ainda sob o governo Figueiredo, às vésperas da campanha das diretas. É uma cidade em transição, que se prepara, sem saber, para mergulhar na crise dos anos 80, na hiperinflação, na violência urbana crescente.

É também a cidade da Globo, o Brasil, do Projac que ainda não existe, mas do modelo Globo que já havia se consolidado como a instituição cultural mais poderosa do país.

É nesse rio que Bruno cresce, filho de pai de ascendência italiana, mãe italiana brasileira que cozinha profissionalmente. Uma família, portanto, onde a tradição da mesa, a tradição da hospitalidade, a tradição da comida como linguagem, está presente desde cedo.

Não é coincidência que, anos depois, Galeasso diversificaria suas atividades exatamente nesse terreno. Esse terreno dos processos restaurantes, uma locanda, aquilo que no imaginário italiano se chama de casa de hospedagem. A cozinha estava lá antes da câmera.

A câmera, porém, chegou cedo, muito cedo. Há o registro que costuma passar despercebido nas retrospectivas. Já em 1990, com apenas oito anos de idade, Bruno aparece numa participação na novela Barriga de Aluguel, da Globo, como filho do personagem Dr. Barroso.

É uma ponta, uma aparição de criança, mas é o indício de que a porta da televisão se abriu cedo para ele, e que alguém na casa, ao sal, ou no círculo familiar, a para 71, tinha os contatos, ou pelo menos a desenvoltura, para colocar o menino ali.

Aqui há uma questão que vale a pena olhar com calma. No Brasil, chegar a Globo aos oito anos não é trivial. A Globo funciona, desde sempre, como uma instituição fechada, com seus circuitos, suas agências, seus olheiros.

Entrar ali significa que alguém te viu. Alguém te apresentou. Alguém abriu a porta. Bruno não vem de uma família do meio artístico tradicional. Subimos dois anos de brilhos. Não é filho de atores. Não é sobrinho de diretores. Mas a porta se abriu.

E, uma vez aberta, ele não saiu mais. A verdadeira estreia, a que os biógrafos marcam como o início da carreira adulta, vem em 1999, quando Bruno tem 17 anos. É no episódio Papai é gay.

do programa Você Decide, da Global, Baduza Maza, um formato que, aliás, merece uma nota histórica, porque Você Decide foi um dos experimentos mais curiosos da televisão brasileira, um programa em que o público votava no desfecho da história.

Era uma espécie de ensaio rudimentar do que hoje chamaríamos de televisão interativa. E foi ali, num episódio cujo próprio título já anunciavam uma discussão sobre sexualidade e família, que Bruno Gagiasso apareceu num papel de maior fôlego pela primeira vez.

Logo depois, ele passa pelo SBT, na novela Chiquititas. Esse BPM A5, aquele fenômeno juvenil argentino, adaptado para o Brasil pela produção de Cris Morena, que formou uma geração inteira de jovens atores. E em 2001, ele assina contrato com a Globo.

Um contrato que duraria até 2020. Quase duas décadas na mesma casa. Eu cobri de perto, durante anos, a maneira como a Globo forma seus atores. Não é um processo acadêmico. Não é a escola de teatro clássica. É um processo industrial, no melhor e no pior sentido da palavra.

O ator entra jovem, faz uma ponta, depois um papel maior, depois um personagem-chave e vai sendo moldado pelos autores, pelos diretores, pelas exigências do horário.

É uma formação prática, intensa, que produz profissionais tecnicamente sólidos, capazes de entregar cenas em ritmo de produção contínua. Bruno foi formado assim. Foi formado no chão de fábrica da dramaturgia brasileira. A ascensão vem em etapas.

Em 2003, ele aparece na minissérie La Casa delle Sette Donne, Deixiar, A Casa das Sete Mulheres, uma produção baseada no romance de Letícia Veshovski sobre a Revolução Farroupilha, interpretando o jovem Caetano. No mesmo ano, ele entra em Celebridade, novela de Gilberto Braga, como Inácio, um personagem atormentado.

Celebridade é, convém lembrar, uma daquelas novelas em que a Globo consegue captar o espírito de um momento. Senado. Obsessão brasileira do início dos anos 2000 pela fama. Pela exposição. Pelo jogo da imagem pública.

Bruno estava ali, dentro desse espelho. Em 2005, ele interpreta Júnior na novela América, de Gloria Perez, Morando América, de Gloria Perez, uma produção ambiciosa sobre a imigração brasileira nos Estados Unidos, que discutia a travessia, fronteira, identidade. Em 2006, ele está no remake de Sinra Moça, Vivendo Ricardo.

Uma novela histórica, ambientada no período da escravidão, que hoje, ei todos, vista com os olhos de hoje, ei todos, carrega camadas de debate sobre representação racial que na época talvez não tenham sido discutidas com a profundidade necessária. Bruno estava ali, jovem ator em ascensão, participando do circuito de novelas de época que a Globo produziu nos anos 2000.

Mas o ponto de virada, em São Brancas, o que em biografia de ator se costuma chamar de momento de consolidação, chega em 2007, com Paraíso Tropical.

Paraíso Tropical é uma novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, e Bruno interpreta Ivan, um vilão. Foram anos de densidade, de trabalho contínuo, daquilo que na profissão se chama de rodagem, letração, a repetição diária, que transforma talento em ofício. Mas a biografia pública de Bruno Galeaço não cabe inteira na filmografia.

E aqui eu preciso ir devagar, porque é um ponto delicado e importante. Em 2010, ele se casou com a modelo e apresentadora Giovanna Eubank. Antes, havia sido casado com a atriz Camila Rodrigues, entre 2006 e 2008. Com Giovanna, formou uma das parcerias mais visíveis da televisão brasileira contemporânea. E com ela, adotou duas crianças, Tissoumo, conhecida como Titi e Bles.

Crianças negras adotadas, que se tornaram figuras públicas desde muito cedo por decisão dos pais de compartilhar parte da vida familiar nas redes sociais.

Essa decisão, segundo a pública, a paternidade, de expor as filhas e o filho à visibilidade, segundo a pública, é uma decisão sobre a qual se pode discordar. Há leituras críticas legítimas sobre a exposição de crianças em redes sociais, mesmo quando feita por pais afetuosos. Mas há também, no caso específico, um cálculo político.

Porque o Brasil é um país em que o racismo é estrutural, em que famílias transraciais ainda são vistas como anomalia em muitos espaços, e em que a decisão de um casal branco e famoso de adotar crianças negras e afirmá-las publicamente tem um peso simbólico que escapa ao controle dos pais.

Eu cobri, durante minha passagem pela Europa, várias discussões sobre representação e família transracial. Nos Estados Unidos, na Espanha, na França. O Brasil entrou nessa conversa com suas particularidades. E Bruno Galeasso, por razões biográficas que são dele, acabou virando uma das vozes mais visíveis dessa discussão no país. Não foi uma escolha intelectual descolada da vida.

Foi o inverso, foi a vida que o empurrou para uma tomada de posição pública. Episódios de racismo sofridos por sua filha foram denunciados. Processos judiciais foram abertos.

E ele, ator da casa, galã de novela, passou a ser também um homem que fala publicamente sobre preconceito racial no Brasil e sobre direitos LGBTQI+. Isso muda uma carreira. Porque no Brasil, Santa Cabaça, e esse é um dado que vale registrar, seu tomar posição política pública, como ator da maior emissora do país, é sempre um risco. Há patrocinadores, há perfis de audiência, há pressões invisíveis que acompanham cada declaração.

Bruno escolheu falar. E seguiu falando. A diferença entre poder e autoridade. 900i. Uma questão que eu persigo há anos no jornalismo. Bruno aparece aqui com clareza. Um ator de novela tem poder. Tem visibilidade. Tem alcance. Tem dinheiro.

Mas autoridade é outra coisa. Autoridade é o direito, conquistado pela coerência, de ser ouvido sobre um assunto que não é o seu ofício formal. Bruno Galeasso foi construindo autoridade. Ao mesmo tempo, ele foi diversificando suas frentes. Me puxamos tanto às regências.

É hoje dono de três restaurantes, de uma pousada e de uma academia. É um empresário. E aqui a gente volta àquele detalhe do início. A mãe-chefe, a infância entre receitas e cozinha profissional. A ideia de que trabalho é identidade. Não é coincidência. É estrutura. Em 2020, o contrato longo com a Globo terminou. Esse foi um momento de inflexão importante para uma geração inteira de atores brasileiros.

A Globo, pressionada pela chegada das plataformas de streaming internacionais, começou a flexibilizar os contratos de exclusividade que haviam sido a sua marca por décadas.

Atores que eram da casa passaram a ser, pela primeira vez, atores livres, uma IA, capazes de transitar entre Netflix, Amazon, HBO, produções independentes, cinema internacional. Bruno Galeasso saiu desse contrato numa posição privilegiada.

Tinha nome, tinha obra, tinha autoridade pública. E tinha, crucialmente, uma idade que no Brasil costuma ser o ponto mais fértil para um ator masculino. O início dos 40, maduro, com credibilidade dramática, sem ainda as restrições que a indústria impõe aos intérpretes mais velhos.

Hoje, aos 43 anos, Bruno Galeasso é uma figura de múltiplas camadas no cenário cultural brasileiro. É ator. É empresário. É pai. É ativista, mini-sipium, ou, se a palavra soar pesada, é alguém que usa visibilidade para defender causas específicas, com consistência ao longo do tempo.

Seus olhos azuis e a capacidade de encarnar papéis multifacetados continuam sendo, segundo a crítica especializada, marcas registradas. Há uma dimensão que eu acho que merece ser destacada antes de fecharmos esta primeira parte. Bruno Galeasso pertence a uma geração de atores brasileiros firmes do painel, a geração dos nascidos no início dos anos 80%, que viveu, na vida adulta, uma mudança completa na relação entre ator e público.

Quando ele começou, em 1999, a relação era mediada quase exclusivamente pela emissora. Colunas de fofoca de revista, entrevistas em programas de auditório, aparições controladas. Hoje, a relação é direta.

Redes sociais, Instagram, conversas públicas em tempo real. E aqui, quando eu penso no Bruno de 1999 e no Bruno de agora, eu vejo alguém que atravessou essa transição sem perder a identidade. Ele atravessou a passagem da televisão aberta para o streaming, sem desaparecer. Atravessou a passagem do galã ao ator de personagem sem perder espaço.

Atravessou a passagem do artista mudo, de sorriso publicitário, ao artista cívico. Composição política explícita, sem ser rejeitado pelo público conservador que, historicamente, consome telenovela. Isso é raro. Isso é, em termos de carreira, uma conquista estrutural. Há uma cena que eu carrego na memória e que vale a pena mencionar como imagem de fecho.

Quando Joia Rara venceu o Emmy Internacional, a consagração não foi apenas do ator. Foi do projeto, da novela, da ideia de que a teledramaturgia brasileira tinha algo a dizer ao mundo. Galhaço foi parte central daquilo. E a Norfense Sela. E para alguém que começou aos 17 anos no episódio de Você Decide, com o título Papai é Gay.

Um programa que hoje, na era das redes sociais, parece pertencer a outro planeta. MT, chegar ao M, passar pelos vilões, recusar novelas para fazer minissérie autoral, é uma trajetória de ator, não de celebridade. Eu faço questão da distinção.

O que fica em aberto, e é a pergunta que essa série persegue nos episódios seguintes, é o seguinte. No momento em que a televisão aberta brasileira perde audiência, em que as plataformas de streaming fragmentam o público, em que as figuras públicas são avaliadas minuto a minuto pelas redes sociais, qual o próximo capítulo de um ator consolidado, como o Gaglaço? Os crimes.

ele continua a ser protagonista de grandes produções. Migra definitivamente para o streaming internacional, como outros colegas da geração dele. Amplia o papel cívico. Transforma a rede de restaurantes, pousada e academia em empreendimento principal, com atuação virando ofício paralelo. Essas perguntas não são retóricas.

Elas desenham o horizonte concreto de um artista de 43 anos que ainda tem, pela lógica da profissão, pelo menos duas décadas de trabalho relevante pela frente. E é por isso que uma biografia relâmpago dele, hoje, não é um retrato fechado, é um retrato em movimento.

A parte 2 dessa série vai olhar a notícia do momento. Mostra, dá uma e blá. O que está acontecendo com Bruno Gaguiasso agora, nas últimas semanas, e como essa notícia dialoga com a trajetória que acabei de narrar. Por quê? Como eu disse no começo, o que me interessa não é gostar ou não gostar do sujeito. É mostrar por que ele está aqui, por que agora, e o que isso nos diz sobre o lugar onde vivemos. A opinião é do ouvinte.

Minha parte é entregar o retrato com honestidade. Assim está a história de Bruno Galhaço. Parte 1. História completa. Obrigado por escutar Biografia Relâmpago. Seu anfitrião, Matheus Ribeiro. Uma produção da Inception Point AI. Quietplease.ai. Escute o que importa.

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