Episódios de 🎙️41 Cast

🎙️EP012 – Pixo, Grafite & Arte Urbana | Quando a Cidade Vira Tela com Fred Freire

10 de maio de 20261h23min
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🎨 Dos muros da cidade às galerias de arte.

No EP012 do 41 Cast, recebemos Fred Freire para um papo intenso sobre pixo, grafite, arte urbana e a transformação da cidade em uma grande tela viva.

Falamos sobre a origem do pixo, cultura de rua, vandalismo, expressão urbana, histórias das madrugadas pintando muros, arte digital, muralismo e a evolução da arte de rua até as galerias.

Um episódio cheio de filosofia urbana, criatividade, humor e histórias que mostram como a arte pode nascer nos lugares mais improváveis.

🔥 Dá o play e mergulhe nesse universo onde a cidade fala através dos muros.

#41Cast #FredFreire #ArteUrbana #Grafite #Pixo #Podcast

Assuntos1
  • Guto Barbosa e grafiteOrigem do pixo · Cultura de rua · Vandalismo · Expressão urbana · Histórias das madrugadas pintando muros · Diferenças entre pixo carioca e paulista · Pichação como ato de rebeldia · Pichação como essência do grafite · Grafite como pintura rupestre · Grafite como registro cultural · Grafite como expressão da sociedade · O primeiro grafite pago · Ruptura de estilos no grafite · Grafite ligado à cultura hip hop · Grafite abstrato · Grafite como identidade · Grafite como catalisador de identidade · Diferença entre grafite e pichação · Pseudo grafite · Grafite e museus · Grafite e skate · Grafite como arte acessível · Grafite e vandalismo · Disputa de tags e regiões · Adrenalina no vandalismo · Grafite ilegal · Grafite em trens · Grafite em Curitiba · Grafite em São Paulo · Grafite no Rio de Janeiro · Grafite em Nova York · Grafite em outros países · Grafite em lugares impossíveis · Grafite e questionamento social · Grafite e questionamento mental · Grafite em prédios antigos · Grafite e a população · Grafite e desincentivo do Estado · Grafite e a arte abstrata · Grafite e a percepção do observador · Grafite e a arte divina · Grafite e a arte como expressão da alma · Grafite e a arte democrática · Grafite e a arte urbana · Grafite e a arte digital · Grafite e muralismo · Grafite e filosofia urbana · Grafite e criatividade · Grafite e humor · Grafite e histórias · Grafite e a cidade como tela · Grafite e a cidade como tela viva · Grafite e a cidade fala através dos muros · Grafite e a transformação da cidade · Grafite e a arte de rua · Grafite e a arte de rua até as galerias · Grafite e a arte que nasce nos lugares mais improváveis · Grafite e a arte que pode ser vista · Grafite e a arte que pode ser sentida · Grafite e a arte que pode ser vivida · Grafite e a arte que pode ser compartilhada · Grafite e a arte que pode ser admirada · Grafite e a arte que pode ser inspirada · Grafite e a arte que pode ser transformada · Grafite e a arte que pode ser reinventada · Grafite e a arte que pode ser questionada · Grafite e a arte que pode ser criticada · Grafite e a arte que pode ser amada
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41 Cast na área, episódio 12. Hoje estamos aqui com um artista.

que é um pouco fora daquele eixo, assim, daquelas galerias de arte, mas que começou de um jeito e hoje já está nas galerias, né, Marcelo? É. É isso? É isso, né? É isso. Então, vamos lá. Vamos lá. Então, hoje, o 41Cast vai às ruas hoje, né? Olha aí. É, porque o nosso convidado hoje, o Fred Freire aqui, ele é um artista de rua, né?

Um grafiteiro muralista, né? Muralista? Não moralista. Mas um muralista, né? Acho que muralista é melhor que falso moralista. Normalmente o moralista é um falso moralista. É um verdadeiro muralista. Verdadeiro muralista. Então aqui é verdadeiro, não temos nada de falso moralista. Então o Fred aqui hoje vai contar um pouco da história dele, né? Ele vai falar a trajetória e a gente já vai começar com uma pergunta que...

O primeiro grau do grafiteiro é a pichação. O primeiro dano, né? É o primeiro dano, a faixa branca. Aqui não pode mentir. A faixa branca, o incentivo, a técnica, o espírito de liberdade, vamos dizer isso. Olha, eu acho que hoje menos do que no passado.

Hoje, o cara que quer começar a fazer um grafite, ele tem bastante informação. Existem marcas de spray especializado, existem marcas de roupa, existem sistemas públicos para abarcar isso. A gente vê edital aberto, específico para grafite.

existem eventos mas lá em 96, assim 95, quando eu tava começando a querer rabiscar aí muro e tal não existia nada disso então eu vejo que o pessoal mais velho teve que passar por isso, sim então vai ser bem comum

Mas hoje, por exemplo, eu vejo pessoas novas que nunca fizeram uma pichação, mas que estão já pintando paredes, estão fazendo murais. E cada um tem os seus valores, né? Mas ele faz parte, na minha concepção de grafite,

A pichação, ela carrega a essência do grafite, que é tipo o ato de você transpor, transpor limites. Eu acho que isso fala mais do grafite do que o resíduo que fica lá na parede, a pintura em si. Eu acho interessante que a...

O grafite mesmo, né, Marcelo? Na minha percepção, é mais antigo que a humanidade moderna, que é uma pintura ruprestre. Lá já tinha o homem das cavernas lá, colocando o desenho da sua caça, ou do que ele fazia no dia a dia lá. Então, é uma arte muito antiga, né? Inclusive, a gente conhece a história antiga pelo grafite. Os registros, né? Desse registro. Querendo ou não, é uma forma de...

E se o mundo acabar hoje, o grafite vai ser o que as pessoas vão conseguir ver nos muros, a expressão do que é da nossa sociedade. Pois sim. Então, em forma cultural, ela é muito grandiosa. Além, é claro, da beleza que a gente acha que tem. E Fred, diga assim, mas como é que era o tempo que se pichava? Como é que...

Como começou? O que foi isso? Como foi as aventuras? Como é que era? Bom, eu, quando eu tinha ali 14 anos, mais ou menos, eu morava num bairro em Volta Redonda. E esse bairro já tinha bastante pichação, assim, que carregava uma linguagem...

da pichação carioca, que é diferente da pichação paulista. Existem diferenças, né? Mas eu não tinha essa informação de grafite ainda. O que eu tinha é o seguinte, eu tinha 14 anos, eu queria ser tão legal quanto os caras mais velhos. E os caras mais velhos da época estavam fazendo pichação. Então eu lembro que o meu pai uma vez me pediu pra fazer e...

ajudar ele numa maquete e ele tinha comprado, eu comprei um spray pra essa maquete, e depois que no momento que eu comprei o spray eu pensei assim, esse spray vou fazer a maquete e eu sei depois exatamente o que eu vou fazer com esse spray então aí eu comecei assim, né fazendo algumas pichações aí nesse bairro assim, no famoso aterrado lá de Volta Edona

depois de um tempo ali que foram alguns meses assim, envolto dessa coisa a gente na escola o pessoal

Eu estava sempre fazendo bichação no caderno, um do outro, fazia dedicatória para as meninas e essas coisas assim, né? Na carteira da escola, no banheiro. Então, eu vivi bastante esse período. Aí teve um momento da minha vida que eu fui em São Paulo, de férias. E quando eu cheguei em São Paulo, aí eu fui impactado, assim, pelo que eu interpretei na época como...

Pichações coloridas. Aí eu falei, nossa, tem umas pichações coloridas, mais desenhadas. E como na época eu gostava de desenhar revista em quadrinho e tudo mais, então essas pichações começaram a povoar a minha cabeça. Aí eu comecei a desenhar também, querer colorir. Aí eu lembro que eu voltei de São Paulo.

de férias, começou as aulas de volta, conversei com alguns amigos e a gente falou assim, pô, vamos fazer isso, é diferente e tal. Então a gente se reuniu assim, cada um comprou uma lata de spray com um dinheirinho que a gente juntou da merenda, né? A gente deixou de merendar durante alguns dias pra ter dinheiro pra comprar uma lata de spray. A gente comprou essa lata e fomos viver uma aventura.

Muito legal. Uma aventura. Uma expressão de rebeldia. É. E você falou de São Paulo. São Paulo a gente lembra dos gêmeos lá, né? Sim. Todo aquele pessoal que tem... São Paulo tem um tipo de grafite único no mundo, assim. Ele tem mais gordinha, mais arredondado, uma cor deles única. E uma coisa que é interessante é que o grafiteiro...

Mesmo o pichador, vamos falar assim, o grafiteiro, ele usa a cidade como tela.

Então, por mais que as pessoas, às vezes, encaram de uma forma tão sujando, tão pichando o muro, sem autorização, só que sem autorização também é um ato de rebeldia. E quando você tem 14, 15, 16 anos, isso aí flora em todo jovem, né? Aí depois você vai viver outras coisas. Mas eu acho interessante, no caso do Fred e Marcelo, que ele achou um jeito de...

Viver disso. Ganhar dinheiro com isso. Certo, Fred? É, eu não vivo somente disso, né? Mas eu, com o tempo... Bom, já fazem muitos anos que eu tô nessa, né? Então, houve toda uma fase da minha... A primeira fase, assim, de grafite foi uma fase de...

de descoberta, de aprendizado. Então, nessa fase, eu não consegui, de fato, fazer nenhum dinheiro com isso. Hoje em dia, que eu já tenho um trabalho mais depurado...

onde eu estipulei, criei uma linguagem própria. E depois de perceber algumas demandas também da sociedade, eu entendi que eu consigo vender um trabalho de grafite como um elemento decorativo, às vezes para a empresa, às vezes para...

uma pessoa mesmo que quer presentear outra, e às vezes também com forma de telas, né? Então, às vezes eu pinto uma tela, o pessoal aparece lá interessado e compra. Mas foi um caminhar, né? Até aqui.

Eu lembro que a primeira vez que eu fiz um grafite pago na minha vida, eu já deveria ter uns dois anos que eu fazia grafite. Eu fui fazer grafite num bairro de Volta Redonda. E aí o pessoal da academia da frente...

viu eu pintando, e eles falaram assim, pô, você não quer fazer aqui? E aí eu falei, pô, mas eu só tenho tinta pra fazer aqui, aí eu percebi que a pergunta dele era no sentido assim, pô, quanto que você cobra pra fazer aqui? Sim, sim.

E aí, na minha ingenuidade, eu pedi as latas de tinta, né? Só, não soube negociar. Mas, assim, ali eu acho que foi o primeiro contato comercial que eu tive, assim, né? De fazer isso, né? Bom, de lá pra cá rolou muitas coisas. Eu já deixei, eu fiquei seis, sete anos sem pintar.

sem trabalhar com arte num período da minha vida depois eu voltei a pintar então teve muitas coisas todo artista tem isso aquele hiato eu parei e depois volto a fazer e eu quero fazer uma pergunta agora pro Marcelo como é que se conheceu o Fred? foi no trabalho? não, o Fred é meu vizinho meu vizinho somos vizinhosouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouvouv

O Fred já tinha tido um contato numa empresa que eu trabalhei lá, o Ebanks, ele foi fazer o serviço lá.

E daí, por coincidência, depois eu conheci o Fred lá, aí fui ver que era meu vizinho e, recentemente, eu fiz um escritório de advocacia dos amigos nossos, da Igual, e o Fred foi fazer a parte gráfica. Sério mesmo? Sério. Inclusive, essa camisa aqui é igual. E esse grafismo é o do Fred. Essa camisa aí é uma homenagem, está até escrito atrás da camisa, que é uma homenagem ao...

ao Fred. Então é igual, é a marca da igual, o desenho deles lá na parede que é do Fred. Então a gente tem essa daí, até fica com a camisa, tem uma homenagem ao Fred aí, né cara? Eu não tenho ideia assim. Então aqui é o desenho lá no escritório que tem. E até foi muito engraçado, né? Que quando eu terminei o escritório, né? Claro, a gente entrega o escritório, as paredes brancas, né? Escritório, né?

Daí contrataram o Fred, né? Pô, o Fred foi lá no final de semana. Daí chegaram lá e, pô, nossa senhora.

Olha, agora sim ficou bonito o escritório. Tá todo mundo elogiado. E eu sentadinho ali, né? É sempre assim. Tá vendo a parede branquinha? Me matei pra fazer o bolo, né? Daí o meu cara aqui só faz o resto. Só vai cobertura. Colocou a cereja e agora todo mundo... Então ficou uma brincadeira lá no escritório que eu sempre falo, né? Mas ficou assim... É uma diferença que dá mesmo visual, né? E isso que o Fred falou.

aquilo agrega, a marca ao local uma identidade.

Então, isso que é bacana. Então, a gente tem sempre essas... Então, quando você chega ali, a pessoa começa a reconhecer aquela arte do Fred para aquele local e depois a gente começa a reconhecer o estilo do Fred nos lugares. Então, isso que é bacana da GTV. E esse estilo, quando teve essa ruptura? Você falou que isso começou num jeito, num estilo, e daí essa ruptura houve por quê? Teve uma razão dessa ruptura de estilos.

Bom, na primeira fase, assim, em 97 eu já estava fazendo grafite. Grafite colorido, pintava os fundos, fazia rosto, fazia letras e coisas assim.

E de 97 até mais ou menos 2005, né? Tipo, nessa virada ali do milênio, eu passei muito tempo atrelado a um grafite que o pessoal chama que é da cultura hip hop, né? Que tem essa cultura de fazer letras, de escrever nomes, de criar personagens. É uma estética que é a estética mais conhecida do grafite hoje.

Nesse período, assim, eu tive a felicidade de aparecer em algumas revistas, tive a felicidade também de poder viajar para fazer grafite no interior de São Paulo, no Rio, em São Paulo, conhecer pessoas. Então, foram, assim, 10 anos, assim, de um grafite aliado a esse estilo ali, até mais ou menos 2005, 2007, né?

De 2005 a 2007 tem um período já um pouco diferente, que eu já estava um pouco cansado desse estilo, mas ainda não sabia o que fazer. Mas ainda fazia ele, comecei a desenvolver uma outra coisa. Em 2009, daí nasce minha filha, e aí de 2009 até 2014, mais ou menos, é o período que eu não pintei.

Porque eu tive muito trabalho do lado pessoal, de dar assistência a ela. O meu filho também veio na sequência. Na época fui casado com a mãe dos meus filhos. Então teve esse ato. Quando eu me separei, ali já sem pintar algum tempo...

Eu percebi, eu estava assim, numa onda muito boa pessoal, mas eu percebi comigo mesmo que fazia falta o grafite na minha vida. Depois de passar 10 anos fazendo grafite, ficar um tempo sem fazer, aí aquilo estava me fazendo falta, porque o meu grupo de amigos mais próximos tem essa relação com grafite, eles estavam sempre pintando, fazendo coisas.

E aí eu quis fazer de volta, né? Quis voltar a fazer grafite. E aí nessa volta, como eu já tinha um repertório diferente, já tinha trabalhado em algumas agências de publicidade, produtoras de vídeo, já tinha uma relação, tipo de trabalho mesmo, com a arte, digamos, né? Assim, com a criação, eu resolvi fazer um estilo de grafite fora desse estilo do hip hop.

mais mais voltado mais ao meu interior né buscar tipo uma linguagem própria assim e eu optei também por fazer uma linguagem abstrata

Porque na época, assim, eu não tinha nada que eu queria comunicar, né? Digamos assim... A rebeldia. É, eu queria me expressar, mas não tinha, assim, ah, eu quero aqui falar, assim, é abaixo o sistema, ou viva, não sei o quê. Tipo, essa coisa nunca foi latente em mim. Então, aí eu comecei a olhar mais para o universo...

interior, digamos, e comecei a desenvolver uma linguagem abstrata. Então, em 2014 eu começo isso e até 2019 eu vou desenvolvendo, aí em 2019 eu faço uma exposição, que aí essa exposição foi meio que assim, olha, consegui criar uma linguagem própria. Aí, de lá pra cá, agora estou desenvolvendo outra já. Já está em outra fase. Foi pré-Covid e eu vou aproveitar a hora

Foi pré-Covid ali, é. Mas foram, se você reparar, são alguns anos, né? Porque, como eu disse, eu não vivo só do grafite, eu trabalho com animação, né? Pra vídeo, faço vinhetas, faço abertura de programas, de podcasts, se vocês quiserem. Tá contratado. Mas, aí eu tive que sempre equilibrar essas coisas, né? Então...

Foi uma construção com o tempo. Legal, cara. E assim, Fred, você falou em 2014, ele esteve, criou uma identidade própria, né? Aí em 2019 foi uma exposição lá. Foi ali que você viu, falou, puta, agora eu sou um artista. Foi ali que você viu que você tinha sido reconhecido como artista?

Não, não, não. Tipo, na verdade eu tenho um problema de me falar que eu sou um artista. Não, mas tem que às vezes é muito... É, às vezes. Eu tenho... Quem que expõe na galeria? O artista. É, a minha artista. De fato. Não, é assim, é uma coisa pessoal, né? Que eu tenho uma dificuldade de me falar, de me declarar como artista, assim. Mas no final das contas eu estou fazendo arte, né?

Também, né? Talvez por ter essa relação muito comercial com o lado criativo, quando você está trabalhando com criatividade para publicidade, aí eu tenho talvez esse embate. Mas, assim...

A primeira vez que eu olhei, que eu pensei assim, nossa, eu acho que eu sou um artista, não veio aí, sabe? Lá atrás, quando eu comecei a fazer meus primeiros grafites, quando as pessoas elogiavam na rua, quando eu chegava na escola e...

Aí o pessoal comentava, assim, que viram o meu grafite não sei aonde. Ali eu acho que eu já cresci, assim, um pouco do ego do artista. Mas eu tenho até hoje, assim, uma certa dificuldade de me assumir, assim, como um artista. Porque às vezes essa palavra vem carregada de um monte de estereótipos que aí eu percebo que eu não carrego. Então...

Tipo assim Eu sou um artista Digamos assim Meio que Funcionar Eu ainda tenho que achar uma palavra Para isso O muralista E Fred Esse dia foi engraçado um tempo atrás Eu até ia colocar Foi uma história engraçada Eu ia colocar no meu Instagram Logo que o Fred tinha feito esse trabalho lá na Igual

Aí eu estava perto de casa ali, tem aquela ruazinha, aquela travessa, né? Sim. Até esqueci, me fugiu o nome daquela ruazinha ali. E por ali, eu estou passando por ali, daqui a pouco eu olhei, assim, tinha um poste e um muro, né, pintado. Nossa, parecido com o trabalho do Fred, né? Aí quando eu cheguei perto, estava lá a assinatura do Fred ali, né? Você pintou ali, assim. Ali você pintou na rua mesmo? Foi alguém que pediu? Você chegou, passou ali? Nossa, esse muro, ele tem uma história desde quando eu mudei para cá.

Eu já pintei esse muro por baixo, assim, umas 20 vezes. É, porque assim, ali antigamente era uma casa. Eu acho que eles vão demolir ali, ou já demoliram a casa e ficou só um muro, né? Não sei dizer como tá agora. Mas ali antigamente era uma casa.

Aí, há muitos anos atrás, lá em 2002, assim, eu bati nessa casa lá, conversei com a dona, falei, posso fazer uma pintura aqui, né? Sua parede está descascando e tal. E ela deixou. E ela não só deixou, como ela me levou cafezinho lá e tal. Legal. Foi legal.

Aí, passou um tempo, eu recebi um amigo meu de Minas Gerais aqui, que faz grafite, e a gente queria um muro fácil e rápido. E eu morava ali perto, eu falei, ah, tem um muro lá, a gente apaga e faz de novo. Aí eu, na iminência de ser rápido, eu só fui, não falei com a dona, apaguei e pintei de novo.

E ela me viu na rua um outro dia e falou, nossa, eu vi que você mudou lá. Ficou muito legal. Obrigado, você vai mudar sempre. E eu mudei ali muitas vezes. Bom, fato que agora, essa pintura que você viu lá, ela é de 2018. Ela tem já um bom tempo.

lá, é uma pintura minha, do Rimond Guimarães, que é um outro artista da cidade, assim, e do Celestino Dimas, também um outro artista da cidade, mas ela está, eu não renovei, porque faz tempo que eu acho que vão destruir aquele muro, mas eu renovei esse muro muitas vezes, assim.

E aí isso é uma coisa interessante do grafite, porque às vezes você circula no lugar, pinta tantas vezes, que aí a pessoa acaba, você vira parte da paisagem. Isso que é legal, porque daí você começa a se virar uma referência. Então tem essa lógica do grafitismo.

essas referências e é muito legal isso aí. Porque você vai... E vai ir bem, você vai reconhecendo esses lugares ou essa marca do artista. Você sabe, Fred, esses dias a gente fez um podcast com o Def aqui. O Def tem uma característica que ele tem um muro lá que é pintado com a banda que ele gosta, com o Ramones, o Miffs.

E ele estava contando pra gente que um dia ele resolveu pintar esse muro. E quando ele pintou esse muro, a casa dele perdeu a identidade. Ele contou que os entregadores, os motoboys, os pessoal, o pessoal ia bater, ia reclamar, porque perdeu a identidade. E acontece assim também um pouco com...

Pouco não, bastante, que é o grafite. Porque aqui tem esses viadutos, esses painéis gigantes que nós temos na cidade espalhado assim, que aquilo ali é um painel que a pessoa passa, olha lá, e aquilo fica com uma certa identidade. E aqui, também em Curitiba, a gente tem, a gente pinta lá Helena Colodio, Paulo Leminski, D'Alto Trevisan.

Então, quando acontece de tirarem um mural desses aqui, há reclamações na prefeitura malucas, porque perde a identidade. E a mesma coisa que eu acho que vai acontecer quando esse muro teu for demolido. É, pode ser, ele virou referência. Muitos amigos meus que passavam por aquela rua, eles falavam sempre, nossa, mano, sempre passo lá, sempre tenho um trampo seu diferente e tal.

Então, de fato, uma coisa interessante da arte, não só do grafite, mas é que toda a arte, toda forma de arte, ela é uma...

O ponto onde a gente cauteriza a identidade do povo, né? Onde a gente vai lá e solidifica essa identidade, a gente materializa ela, né? E o grafite, pelas dimensões dele, né? Por isso que tá na rua e tal. Você pega um mural aí, o Gardepan, que é um artista aí também de Curitiba. O cara tem um monte de mural lá no centro e tal.

que se você olha antes e depois, você pensa, poxa, teriam que ter colocado isso antes. Isso, isso mesmo. Aí se apagam, eu até participei de uma história aí, não muito recente, mas houve um momento que um amigo, através de um edital...

e eu ajudei ele a pintar, a gente fez um Jack Nicholson do lado ali do Guaíra. E ficou muitos anos aquele Jack Nicholson. Aí, numa administração da prefeitura recente, a prefeitura multou o prédio por propaganda. E o prédio acabou...

é resolvendo apagar o grafite e gerou uma burininha né porque assim foi um foi o dinheiro público que foi usado para pintar através de um edital aí a própria prefeitura que pagou por aquilo multou o dono furto né não faz o sistema é uma coisa meio de louco aí multou o dono

E aí, quando apagaram, a cidade intervou, por que que tiraram e tal, por que que apagaram e rolou, saiu no jornal, teve várias reclamações. Então você vê como que a arte e o grafite assim, como parte da arte, ele é um catalisador de identidade, de isso ajuda muito. É, porque você vê que o grafite, nesse ponto, o grafite é muito...

N vezes mais aceito do que a pichação, né? É. Dessa diferença que tem. E me diga uma coisa, Fred. E as tintas? Elas têm diferença ou é aquela color jean que você compra ali? Ah, tem hoje. Como eu disse assim, né? Antigamente lá, quando eu comecei a fazer grafite, uma lata de spray custava R$3,20. Uma lata de spray.

Hoje uma lata de spray vai custar R$35,00, por aí, R$32,00. Mudou muito, né? Mudou bastante. Mas fora esse fator econômico, assim, surgiu, como eu disse, marcas especializadas, então existem marcas tanto nacionais quanto internacionais.

que produzem uma tinta especializada para mural, né? Às vezes tem uma cobertura melhor, às vezes tem um protetor UV melhor, né? Existência ao tempo. Isso. Isso não tem como... Então, assim, as tintas elas variam, né? Então tem como... Da mesma forma que a gente tem marcas...

baratas e caras, né, pra construção civil, no grafite também a gente vai encontrar isso. Óbvio que numa proporção menor, né? Mas faz diferença, assim, tipo, você usar uma boa lata, né, por exemplo, as latas gringas importadas custam 50, 60 reais, né? E aí, uma coisa bem característica, que todo...

todo mercado tem um nicho, né? Então, no grafite também tem nicho. Então, tem latas, hoje, feitas pra pichação, né? Vou colocar assim. Latas feitas pra grafite, latas feitas pra grafite indoor, digamos, latas feitas pra... Então, também existe uma... Essa... Diversidade. Essa diversidade, assim, né?

Tem umas latas grandes, assim, fininhas, que o pessoal usa muito para fazer tag, assim, né? Que tag seria, assim, uma assinatura, né? Seria a pichação, digamos assim, né? Então, o pessoal usa muito para fazer essas pichações grandes, assim, uma lata própria para isso, né? Então, o capitalismo é incrível, né? Ele pega o negócio que encontra ele, aí ele reverte e já te abre. Os caras estão pichando.

E o pichador, ele respeita o grafiteiro? Ou existe um acordo de cavaleiros? Não, acho que não. Não, você faz um desenho. Você entende. Daí tem aquele muro que o Laudo 42, não sei se tem seu nome, ele gosta de escrever ali, daí ele vai lá e picha. Existe uma... Não, assim. Ou assim como também você chegar num muro branco, num muro que você pode pintar esse muro aqui, tem uma...

Tem uma pichação ali, vamos ver. Tem uma identidade gráfica, né? É uma relação tênue, delicada. Eu acho que o respeito, de maneira geral, ele funciona muito assim. Você tem que saber chegar, tem que saber sair. Então, o que eu vejo é o seguinte.

Quando tem, por exemplo, um cara que já tem uma história grande, por exemplo, eu sou uma pessoa que durante um tempo, aquele período ali de 2005 a 2007, um pouco antes, que eu comentei aqui que eu não estava mais tão interessado em grafite, eu me voltei, apesar de eu fazer...

produções, pintar painéis, eu me voltei ao vandalismo. Eu fiz uma involução da coisa, né? E aí, nesse momento...

Eu pintei muito, pintei bastante e hoje, por exemplo, quando eu converso com o pessoal da pichação, o pessoal do grafite e tal, eu vejo que esse período é o período que mais marcou esse pessoal. Então, muitas das pessoas que me respeitam, me respeitam por esse período, sabe? Se eu aparecesse do nada pintando meus abstratos...

Muito provavelmente eu poderia ser empurrado. Então tem a ver mais com o conhecimento devido a esse respeito. Exato. E no grafite...

isso no grafite que eu acho que ele herda da cultura hip hop, que eu acho uma coisa interessante, que é o seguinte, o passado sempre importa, porque você, tipo, por exemplo, eu aprendi a fazer grafite, mas já tinha outras pessoas que faziam antes, então eu respeito essas, os que vão vir depois de mim, vão me respeitar, obviamente que se eu atravessar o trabalho de uma pessoa, é a esmo, né?

provavelmente isso vai se voltar contra mim. Mas só para citar um caso aqui, recentemente eu pintei um muro no centro, é um prédio abandonado.

Eu recebi uma verba de uma construtora para poder ocupar aquela fachada, tudo. E naquela fachada tinham lá três grandes caras do vandalismo de Curitiba. Pessoas que estão aí pintando, fazendo vandal, pintam ilegalmente na madrugada e de noite e tudo.

há algum tempo já, considerável, e eu sei muito bem, tipo, o valor que eu dou no trabalho deles, na coisa deles, e eu falei assim, bom, eu não vou ir lá apagar sem antes conversar com eles. Então, aí, tipo, ó, fui conversei, olha, cara, galera, eu sei, né, que é o rolê de vocês, sei que vocês sim.

Se empenham nisso. Mas assim, eu tenho uma oportunidade aqui de fazer um dinheiro meu. Não é nada pessoal. Eu vou apagar lá. Tipo, eles conversaram comigo. Né? Pô, legal por falar tudo. Como é um pessoal que veio depois de mim e até falaram. Né? Pô, muito legal ver o seu trabalho.

vindo, evoluindo aí nesse sentido então assim o respeito você conquista você não tem eles simplesmente porque você faz uma coisa da mesma forma, por exemplo tem artista grande, que eu já vi

que tem uma admiração, não só dentro do meio do grafite, que simplesmente chegou na cidade e apagou o mural de um pessoal da cidade que o pessoal foi lá e revidou. Ele falou, não, esses caras são grandes, mas espera aí, essa aqui é a minha área, sabe? Você sabe, Fred e Marcelo, eu, o vandal, que é o vandalismo, que eles chamam assim,

Nessa época eu vivi bastante aqui na nossa cidade. E até hoje eu olho algumas tags e falo, esse cara aqui mora lá na vila, esse cara aqui virou pastor, esse cara tá fazendo isso aqui, esse cara aqui é cafeteiro, esse cara aqui, porque você lembra das pessoas. Então antes tinha aquelas caixas da Telepar, caixas da companhia de telefone do Paraná aqui, e ia lá e fazia essas tags.

E essa disputa de... Que nem o Fred falou, o Marcelo perguntou ali de... Por cima, de fazer as tags. Nesses locais a gente não via. O que a gente via é assim, tem uns prédios lá que são pichados os andares. O Jeff assina Jeffão. Eu fiz no décimo segundo. Aí um cara que não gostava do Jeffão, ele escrevia lá Marcelão, o décimo terceiro. Então se criava esse tipo de disputa. Era um vertical, né? Discuta.

Assim como lá no começo do...

da pichação, do grafite mesmo, como a gente fala, em Brooklyn, aqueles vagões de trem lá, que eles começavam a pichar os vagões de trem mesmo, aí tem até alguns filmes lá, que o cara tá dormindo e escuta a latinha do cara assim, o cara já corre lá, pô, filha da mãe tá pichando lá, né? Então, o Wandal não tem como você negar a existência como princípio dessa arte, né? Porque ele começou lá com isso aí mesmo, e foi assim.

E até aqui eu queria mandar um abraço para os grafiteiros aqui da nossa cidade e quem começou tudo aqui. Um abraço para o Simples. Parceiro aí. Conheço ele. Para o Dose. Também. Para o Asil. Agora eu vou, a minha briga, para o Bolacha. Eu quero todo mundo que estiver, venha aqui no 41Cast, vamos conversar, que essa turma aí é fera. E lá no passado, lá estava todo mundo lá, cantou aquela...

assim, com a juventude lá e todo mundo fazendo isso fazendo da cidade a nossa tela, a nossa arte e eu defendo sim essa parte do que foi aí que começou tudo e você vê, foi ali naquela época de Rebondia, esses caras evoluíram cada um foi pra soar o grafite ou não um virar assim muralistas, que é chamado hoje e é muito legal e...

Você conhece toda essa turma? Conheço, conheço toda essa galera aí. É eu? Pintei com eles algumas vezes aí. Assim, quando eu mudei pra Curitiba, é...

Era 2000, né? E aí, ali em 2000, não existia rede social nem nada. E eu gostava muito de fanzine. E por algum motivo, assim, eu tinha o e-mail do Simples. Então eu escrevi um e-mail pra ele falando, tipo, olha, eu sou do Rio, tô me mudando pra Curitiba. Tipo, você que é um cara aí de Curitiba, me fala aí onde...

A gente pode pintar, como que funciona e tal, né? E ele me respondeu, assim, tem histórias, uma história paralela também de uma amiga que teve aqui e acabou que a gente se encontrou sem querer e o Simples que intermediou isso.

mas ele foi uma das primeiras pessoas que eu conheci do grafite aqui. Olha que legal, cara. Até esses dias... Conheceu quem você precisava conhecer, cara. É, é. Esses dias, revirando a minha caixa de fotos e tal, aí eu achei a foto do primeiro grafite em Curitiba, na verdade é em São José dos Pinhais, onde eu pintei, mas foi a primeira pintura que eu fiz aqui, que foi junto com o Simples, o Dose e o Cosmic.

Só nomes e pesos da cidade Isso é 2001 Que bacana É um pessoal que eu convivi Um tempo O Simples tem a Deste Teve um momento ali Da Deste que eu também desenvolvi As artes, trabalhamos juntos Fazendo a Deste

Faz um tempo, faz... A última vez que eu vi o Simples foi em outubro, passado, né? Mas já faz um tempo que a gente não tá tão junto, assim, né? Questões da vida, assim, né? Sim, claro, claro. Mas ele é o precursor aí do grafite na cidade. Antes dele, pelo que eu tenho história, é o Japa Kamikaze, né? Esse aí também fez história aí na cidade.

A gente tem bastante que eu falo, e aí esse pessoal já é no grafite mesmo. Agora, se for falar do pessoal do Vandal, que cara, daí a gente vai até do... Cara, eu gosto, tem pessoa lá que tem cara que virou pastor, tem cara que virou não sei o que. A gente até evita falar porque às vezes é ruim pro camarada lá, né? Olha, assim, quando eu mudei pra Curitiba, eu tinha uma visão...

Como eu disse, desse grafite muito colorido, do hip hop, dos murais. O pessoal usa um termo chamado pisse, que seria um pedaço, ou um pedaço ali que você faz, deixa bonitinho, pinta fundo e tal. Então, isso é o que eu fazia muito, quando eu mudei para cá.

Só que quando eu cheguei aqui, eu percebi, através do Simples, mas também através de outras pessoas, como o Notch, o pessoal da LDE, o Thiago Cien e tal, que Curitiba, ele tinha uma ferve, assim, mais revolts do grafite. Verdade. Tipo, as pessoas aqui estavam muito interessadas em fazer grafite ilegalmente. E lá onde eu morava, no Rio, antes...

as pessoas não tinham isso. Eles queriam fazer o grafite, tipo, pra ser bonito, pra cobrir, às vezes, uma parede muito pichada, né? E tanto que, na minha história do grafite, muito rápido eu aprendi que eu podia bater na casa de uma pessoa e pedir pra fazer. Isso, autorização. Uma autorização. Quando eu cheguei aqui, eu sabia que também acontecia ilegalmente, eu também fazia alguns rolês ilegais, assim.

especialmente na linha do trem, porque eu morava muito perto, então final de semana eu enchia uma garrafa de 2 litros de tinta, comprava duas cortes de spray e pulava na linha de trem e ia pintar os trens da Companhia Siderúrgica Nacional. Aí, tipo...

Quando eu cheguei aqui, eu percebi que, nossa, tinha uma galera muito envolvida nisso, né? O Bip e o Mosk, por exemplo, eram duas pessoas também que estavam sempre pintando e o lance deles era assim, fazer ilegal, fazer...

tinha assim o pessoal da Norte contra Sul, então um escrevia aqui, o outro escrevia aqui, o outro escrevia aqui, e aí ia subindo, né? Então isso aqui quando eu mudei pra cá eu fiquei assim meio, nossa cara, aqui realmente a coisa é forte assim, né? Vista do Rio de Janeiro da época tinha uma cena mais evoluída. Eu não sabia disso, Marcelo.

Porque o Wanda mesmo tem uma... Além de você colocar lá sua técnica acima do outro, essa disputa de regiões, leste, oeste, norte, sul, lá, o que seja, ela tem o negócio da adrenalina, cara. Era muito legal você pegar o muro lá de noite, vai com a mochilinha, olhar para os lados assim, aí o cara ia lá fazer lá, aí daqui a pouco um ficava na esquina, olhava o carro da polícia, aí o outro saia correndo, aí caía as coisas, daí o... E aí

O cara não foi preso, não sei o que, não sei o que. Então essa adrenalina que causava, que era aquela motivação do jovem, não só de deixar o desenho dele, mas a adrenalina. É difícil de explicar, porque como todo mundo passa por alguma coisa, mas essa adrenalina fazia existir esse tipo de coisa dentro da cidade.

Eu acho que o pessoal da pichação é uma galera viciada em adrenalina. Da mesma forma que você vê lá os paraquedistas, ou até mesmo skatistas, são profissões, são coisas que o cara tem essa descarga, que se ele não supre isso, ele se sente mal. Então, eu acredito que essa galera tem isso também. É por aí. Mas, Fred, agora eu dei uma olhada lá, eu percebi que o teu trabalho, assim, como o Marcelo disse, você tem...

abstrato um grafismo diferente ali.

E eu sei que o grafite de hoje, o pessoal está usando até óculos 3D lá para fazer os pixels na parede e pintar aquelas pinturas gigantes lá. Você faz esse grafite antes no computador? Você utiliza hoje essa técnica dentro do computador e depois leva para o mural ou para o muro? Você faz assim? Bom, eu sou um artista que não desenha. Eu não sou um artista assim que eu faço...

muitos sketches, eu desenhei muito da minha vida, fiz muita história em quadrinhos, coisas assim, mas já faz um bom tempo que eu abandonei o desenho manual. O meu processo criativo, ele configura várias coisas, ele passa pelo computador, mas...

Eu não vou no computador buscando fazer só o layout daquela parede. Eu, às vezes, crio elementos lá que eu acho interessante. E aí, uma coisa assim, talvez se torne legal pintar na parede. Ou uma referência, tipo, vejo um outro artista ou uma peça de design.

E aí eu quero usar aquela peça como parte do trabalho, né? Vou colocar assim, como se estivesse sampliando uma ideia, uma coisa. Mas ele passa pela... Meu processo de criação passa por isso, mas o meu processo de criação também tem muito lá do acontecimento na hora. Lugares como o escritório da Igual, que o Marcelo comentou,

São lugares que, por eu ter ali um cliente, eu então preciso ter um controle, porque é importante para o cliente entender o que ele vai receber. Então, aí sim, eu vou lá, faço um layout, penso ele, passo por esse processo que eu considero um processo de design.

Não necessariamente de arte. Mas aí quando eu tô lá pintando minha tela ou quando eu tô fazendo um muro que é livre, assim, né? Tipo, não tem um cliente. Então eu deixo bastante espaço, assim, pra mim poder errar, pra mim poder criar alguma coisa diferente. Eu costumo dizer que quando eu tô pintando um muro assim...

livre, eu estou jogando um certo xadrez, sabe? Estou jogando um xadrez visual de como conectar as coisas, como manter a identidade, como criar alguma coisa que seja um pouco diferente do que foi antes, mas que não perca a continuidade. Então, meu processo, ele passa, sim, pelo computador, mas muito mais como uma fonte de inspiração e uma ferramenta.

do que como, por exemplo, botar o óculos Rift e olhar lá e demarcar o desenho exatamente como eu desenhei, sabe? Poxa, que legal, né, Marcelo? Agora muito bacana.

E você estava falando, Fred, que a molecada hoje já pulou uma etapa e já está indo para o grafite, de certa forma. Hoje tem escolas, os escolas de cursos, tem algumas cenas que trazem essa molecada de uma forma de coisa? Existe hoje? Tem, eu não vou te indicar um aqui, porque eu acho que não tem uma escola fixa disso. É, a gente fala escola...

Só para entender que é algo que a pessoa vai lá aprender. Você tem aquela coisa de aprendido. Você aprendido. Mas tem oficinas que acontecem. Eu acho que agora teve um evento aí, o Street of Styles. Acho que teve algumas oficinas ali, não sei dizer. A Federal estava com uma oficina agora para criar...

Para sedimentar essas coisas, esse conhecimento de como fazer oficinas de grafite ou como fazer oficinas de break e tal. Alguns amigos meus escrevem oficinas, né? Às vezes eles fazem lá, por exemplo, um mural via...

via lei de incentivo e ele tem que entregar uma contrapartida, aí a contrapartida é uma oficina. Então tem sim tipo, vou colocar assim, escolinhas. Agora, na história do grafite, pelo que eu me lembro...

de existir uma escola mesmo de grafite. Houve uma em São Paulo, que era uma escola de um grafiteiro bem famoso chamado Binho, o Binho Ribeiro, e ele manteve uma escola de grafite durante um tempo. Ali bem no começo dos anos 2000, final dos anos 90. Mas eu acho que essa ideia não foi tão pra frente. Porque o grafite é...

É interessante, porque ele está tão ligado à rua que se você chegar, tipo assim, tipo, acabei de sair da escola de grafite para fazer... É estranho, né? É isso que eu ia falar. É como... A escola parece que tem muros, né? É fechado, né? Tem um limite. É algo na rua, né? É, seria como se fosse, sei lá, como se fosse assim... Imagina que um dos Ramones lá falasse, não, eu comecei na música, mas eu comecei, tipo...

Primeiro eu fui ler ali, como ler uma partitura e tal. Sim. Tipo, na verdade eles já começaram paletando lá, né? Então tem um pouco isso. O Fred falou que do Street of Stine, que teve agora recentemente, né? Na Senhora da Luz aí. Ah, faz um mês aí. Na Senhora da Luz aí, teve grafiteiros aí do Brasil e do mundo ali. No mundo inteiro. Nossa, muita gente. Pô, eu esqueci o nome da turma lá.

Então eu não vou dizer um ou dois. E teve esse evento. E como eu falei, é um evento na praça, na rua. E o pessoal foi lá e fez toda essa arte. E se eu me lembro bem, acho que esse foi o segundo. O primeiro acho que foi aqui para baixo.

Esse já foi o décimo... Décimo. Décimo. O décimo primeiro. Décimo primeiro. É, uma coisa assim. É, décimo primeiro, então. É, teve várias edições. Ele vem crescendo, esse festival. Aí, ó. O Deves, que eu acho que é o cara que puxa o carro aí desse festival.

ele vem crescendo o festival, eu acho que é uma coisa boa pro grafite, de maneira geral, assim. Agora, tipo assim, num olhar pessoal, eu acho que a seleção deles, a forma como eles ainda vêem, é uma coisa muito estrita ao hip hop, grafite do hip hop. Eu acho que eles... Tem uma linha assim que eles seguem e tal.

mas o legal é que fomenta várias outras pessoas, eu já pintei num evento deles, é legal vale a pena vir, vale a pena ir lá ver, tipo conversar, entender, ver por exemplo o pessoal de fora, da Colômbia do Chile, eles tem um estilo próprio aí tem um brasileiro do lado que já tem outro estilo e assim vai o processo é muito legal, esse tempo eu estava perto do balarote, ali na perto da Visconde do Branco

e daí tinha um grafiteiro pintando um muro. Acho que era ali que estava pintando. Eu parei para ver, e daqui a pouco eu vi, tinha umas 10, 12 anos, parado olhando, vendo o processo, porque a gente vê depois feito. O que eu acho muito legal é o processo que eu acho bacana. Você vai vendo daquilo, como vai saindo a arte, porque...

E o cara vai fazendo com uma lata de tina, um pincel, acho que é até dificuldade, não sei se é maior ou menor, mas eu acho muito legal essa coisa da arte. Eu que não consigo pintar nada, a gente tem uma admiração grande aí dessa arte. O Fred disse ali, eu queria entender, eu sou uma pessoa, que eu não sou ligado diretamente ao hip-hop, mas eu tive várias vertentes lá dentro do hip-hop, lá na minha...

adolescência, conheço muita gente, e eu não consigo separar o grafite do hip hop. Se ele tá falando assim, pra mim parece que é, olha aí, o rap, o break, o grafite, eu não consigo.

Tente me explicar, cara. Eu não consigo, cara. Tá bom. É, bom, assim, ó. Como você mesmo comentou, né? O grafite, ele... Ele tá, tipo, atrelado à história da humanidade, né? Isso. Tipo, lá nas cavernas, assim, tipo, tinha aquilo, né? Já. Aí, esse meio de manifestação, de rabiscar a parede, ou de decorar uma parede, ele nunca...

deixou a condição humana. Se você for olhar, por exemplo, lá na época do Renascimento, os caras faziam afrescos nas paredes, mas do lado de fora dos palácios, a população, quando revoltada, ia lá e rabiscava os palácios. Pedaço de carvão e tudo mais. Então, assim...

A origem da palavra grafite vem de grafito, que é uma palavra italiana, que vem do grego, enfim, toda essa história aí. Não vou te falar a etimologia certa, porque eu não tenho certeza. Mas, então, o grafito, ele é o ato de você ir lá e vandalizar algo da qual você discorda.

Esse é a natureza. Pode deixar a natureza. Que explicação. Aí, o que acontece? Quando chega na década de 60, Nova York era uma cidade muito caótica, problemas sociais muito graves, exclusão social. E os negros e porto-riquenhos e as minorias e tal, tipo, se refugiavam nas periferias, criando uma cultura própria. Aí, essa cultura, tipo, se juntou...

Com uma cultura musical, com uma cultura de moda. Inclusive, a gente está usando, por exemplo, t-shirt e streetwear. Que vem um pouco disso. Que o capitalismo se aprofite. Exato, exato. Então, assim, aí surge, por exemplo, o rap.

surge o break, um outro modo de dança, a dança tem a sua história própria também. O break não surgiu porque o África Bombata fez um beat e aí nasceu o break. Na verdade, tinha pessoas que já faziam aqueles movimentos que foi sendo incorporado e tal. O que acontece? Na década de 70, existe um boom disso.

Um boom mesmo, o governo americano perde o controle ali. Existe uma especulação imobiliária muito grande. E aonde você tem esses conflitos, geralmente, é dali que nasce o caldo cultural das próximas gerações. Isso a gente vê constantemente na história da humanidade.

Quando essa galera, não essa galera, algumas pessoas frequentam aqueles lugares e começam a falar assim, pô, mas esse trem aqui não é só um rabisco, o cara criou uma história aqui. Aí o cara olha lá e fala, puta, mas aquela parede...

Pô, o cara morreu, eles fizeram uma homenagem. Pô, mas aquilo lá não é só um... Aí, tipo, pessoas da, digamos, elite de Nova York começaram a ver aquilo, a entender. Aí começaram a escrever, tem um...

Tem um livro do começo dos anos 70 que se chama Watching My Name Go By. Tipo, que seria assim, vendo meu nome por aí. Que é um livro de um fotógrafo. É um livro grande, eu tenho ele, assim, uma edição original. Esse livro é só foto de pichação da década de 60. Nossa! Então você começa a ver, tipo, o que eles foram reparando? Que o pessoal escreveu o nome.

Ele escrevia lá, por exemplo, Fred 190, que aí era, sei lá, a rua que eu morava. No caso, assim, um cara muito clássico, que vão sempre falar, era um cara chamado Taqui.

que ele era um imigrante, tipo, ele escrevia, tá aqui, 182, que era a rua que ele morava. E aquilo foi popularizando. Aí surgiu vários outros caras e essas pessoas começaram a se encontrar do tipo assim, o cara tá escrevendo aqui, aí o outro vê, ô, é você que escreve isso, eu faço esse outro. Ah, vamos marcar de escrever não sei aonde.

Que bacana. Isso começou a popularizar e o que acontece? A cultura, o americano, ele é muito bom em exportar cultura, né? Então, tipo ali já no final dos anos 70, começo dos anos 80, você vai ver, por exemplo, o clipe da Blonde que tem um escritor de grafite famoso lá de Nova York, no clipe da Blonde. Aí isso tocou na Europa, tocou no Japão, aí...

Na Europa começa a aparecer um, aparecer outro, entendeu? Então, tipo, o que a gente chama de hip hop é esse amálgama, tipo, de um acontecimento socioeconômico ali, né? Que exportou uma... Condensou e exportou uma cultura, né? Então a gente...

Olha pro grafite a partir do olhar americano. Exato. Aí quando eu, por exemplo, comecei a entender sobre isso no final da faculdade, eu fui pesquisar e ver essas coisas, aí eu comecei a entender o que eu queria era... Eu não queria ser americano, eu queria ser... A minha identidade. Tipo, ter a minha identidade. Aí eu comecei a pensar e revirar as minhas gavetas pra poder ter uma identidade.

E, no geral, uma coisa que eu acho que foi positiva é espalhar essa cultura, mas uma coisa que ficou negativa é essa história de que, assim, a grafite é a pintura bonita, a pichação é a pintura feia. Na verdade, a pichação, ela é o original grafite. Isso. O mural que a gente vê hoje, ele não é o grafite. Ou se você for olhar na...

Por exemplo, entre estudiosos mesmo do assunto, um cara da arte, ele vai falar assim que o que a gente vê de grafite, desse coloridão e tal, feito com autorização, que isso eles chamam como pseudo grafite. Ele emula o grafite, entendeu? Que legal. Então tem... Que aula! Que aula! Que bacana! Mas sabe o que eu acho legal isso? Porque quando você começa com o grafite...

começa como tem hoje, vai para os museus, a Lívia falou dos gêmeos que teve esse negócio, os ingressos foram vendidos a temporada inteira aqui no Museu do Olho, nos Carnivar, mas o que eu acho legal é que, de repente, esse grafite, ele pode, de repente, daí começar, aos que querem estudar a história daquilo, daquela arte, daquela cultura,

a entender o que é a pichação. Isso. Ao contrário, agora. É, precisa ficar ao contrário, porque de repente precisa ter essa evolução para se voltar ao início, para você se entender ao início, porque precisa da aceitação. Isso que você falou. Quando a pessoa chega lá, uma artista lá, às vezes vê assim, ah, Madonna, Blonde, tal.

Elas começaram a trazer essas pessoas da cultura hip hop para dentro da casinha da pseudo-sociedade. Então, as pessoas começam a entender que aquilo... Pô, tem que ter uma história. Isso aqui é legal. Até um entre parênteses, que eu acho muito bacana o que aconteceu, por exemplo, agora com o skate. O skate foi para a Olimpíada. Então, ele entrou...

No meio que não era dele, né? Então, pô, tu esquenta, não gosta de bagunha, vagabundo, sei lá. Estrito, claro. E daí as pessoas começaram a ver...

a forma até de amizade, que é um esporte que um torce pelo outro. É um esporte meio que diferente dos outros, porque o skate tem um negócio assim... Sendo que é derrubar o cara lá no obstáculo. Hoje, o que eu mais assisto, eu gosto, a Olimpíada, mas o skate é um negócio que eu assisto lá, porque, porra, um quer ajudar o outro. Eles são companheiros mesmo. Eles ficam felizes de ver o outro fazer uma manobra que eu tentei e não consegui, mas ele conseguiu. Então, eu acho que voltando...

Eu acho que, no meu entender, o grafite, eu acho que com o tempo ele vai trazer, com essa parte da história, ele vai conseguir, as pessoas, para o entendimento, mas de onde surgiu isso aqui? Não, surgiu da pichação. Eu acho que ele já traz.

Eu acho que ele já traz, já faz esse trabalho há um tempo, e o que eu vejo, assim, existe toda uma geração de artistas, novos artistas, eu tenho 44 anos, eu tenho toda uma geração de novos artistas na minha faixa de idade, um pouco mais velho, um pouco mais novo e tal.

que não necessariamente foram grafiteiros, mas que tiveram o grafite como uma influência. Entende? Então, o grafite hoje é indissociável da arte. Tipo, querer brigar e falar que não é arte, tipo, na verdade, só mostra que você não sabe sobre arte. Porque ele tem isso. Agora, é diferente...

por exemplo, do meio acadêmico ou de pessoas entendidas entenderem que pichação é uma arte, tipo, mas é diferente da sociedade entender aquilo como sendo assim, digamos assim, ah, quero isso na minha fachada, né, isso é outro, tipo, porque de fato a gente vive num estado de direito e de propriedade, então, é um contrassenso, né, tipo, do...

isso, assim, uma das coisas que me tirou da rua, no sentido de falar assim, ah, não quero mais fazer vandalismo e tal foi justamente quando eu comecei a ter o meu primeiro os meus patrimônios, né o meu primeiro dinheirinho e tal e perceber assim, porra, mas aí eu tenho dinheiro pra ir lá destruir o patrimônio do outro, tá ligado?

Tipo, independente de quem seja o outro, eu sei que existem muitos motivos pra gente se expressar, coisas pra lutar contra ou a favor, mas aí eu comecei a raciocinar isso. E é uma decisão pessoal, mas eu não julgo quem ainda tá lá, pichando e tal, porque eu acho que, em termos de inspiração artística, é um movimento muito importante.

Olha, Marcelo, era pra ser um podcast, mas pra mim foi uma aula, cara. Eu tô ansioso. Sabe o que eu tô ansioso? Eu tô ansioso pra finalizar esse vídeo e ir lá e assistir, cara. Porque é verdade, cara. Que legal, cara. Que resposta boa. E eu também fico muito feliz de saber que é o pichu mesmo lá que é a arte do transgressor da sociedade, aquele que vai usando os muros da cidade como tema. Porque eu acho assim, que tudo tem que se chegar num entendimento, né?

Há um tempo atrás, isso acho que em 90, não, 2002, 2003, eu estava escutando a Rádio CBN, e daí a CBN fazia sempre um, tinha um programa, acho que era daquele Álvaro Borba na época, ele fazia uns embates, que eu achava muito legal. Era um tipo de podcast que não tinha nada de podcast. Sim, muito formato. E daí eu estava...

escutava no rádio ali, daí eu escutei lá e era assim, foi um pichador e eles levaram o cara da guarda municipal, certo? Os dois, mas os embates maiores. E eu lá, o mediador, que era o Álvaro Borba, ele fazendo, cara, e aquilo foi tão esclarecedor, porque assim, não houve nem por parte do rapaz da polícia e nem por parte do pichador. Eles foram lá pra cada um transmitir o que eles acreditavam.

Então, ninguém foi chamado de vagabundo, ninguém foi chamado de racionário. Então, assim, e o pichador, para ele, era muito claro. O que está na rua...

eu posso pintar. É a minha. É a minha tela. É a minha área de atuação. E daí várias pessoas também chegaram e falaram, pô, mas nós podíamos chegar no conselho. Até achei interessante eu cumprir as pessoas. Podiam ter, então assim, a prefeitura, o estado, permitir certas empresas, olha, você não tem o incentivo a se deixar nesses muros aqui pra turma pintar. Pra turma, daí assim, aí o pessoal do grafite falou, não, nós vamos lá e pintamos.

Só que daí acabou falando aquilo que a gente fez assim. O pessoal da pichação, eles querem a adrenalina. Exatamente. Daí alguém falou, vai tirar a natureza disso aqui. Vocês querem agora gourmetizar uma arte. Aí que meio que cabe o que a gente falava.

que as pessoas acham ruim às vezes, aí que está a parte que é ruim quando você quer enlatar alguma coisa. Aí esse enlatamento é ruim. Porque daí você está criando tanto moldar algo que não tem molde. Você está tirando o orgânico, como ele bem explicou, da escola.

grafite que parece estranho porque isso é uma arte de rua então vai chegar e vai limitar aquilo mas o que foi legal dessa conversa foi que foi uma conversa uma troca de ideias mesmo e foi muito bacana porque assim ninguém ficou

É, eu acho que... Depois tudo bem, vão se matar na rua. Uma coisa que é interessante, que as pessoas costumam, às vezes, falar assim, né? Ah, mas em países civilizados não tem isso. Tem, lá no Japão tem, já são, tem grafite. Lá na Suíça também tem, né? Talvez não tenha como é São Paulo, massivamente, mas tem, porque está no nosso espírito.

eu tenho certeza que se a gente estivesse numa sociedade ultra conservadora que seja realmente muito conservadora ainda vai ter alguém que vai falar assim eu vou lá na rua pra expressar uma indignação minha ou eu vou só tirar uma onda e fazer meu nome e sair fora mas isso é implícito e tudo isso

A gente vê, como o Fred falou, a gente vê aqueles filmes americanos, ou de qualquer... Quando eles fazem a fotografia do filme, cara, você pode ver, todo filme já aparece uma cidade toda desenhada, pichada, sendo onde for, né? Aí, quando é aqui, você fala, nossa, aqui tá tudo grafitado, não sei o que, não sei o que. Mas lá no filme gringo, lá, que a gente vê, que o cara tão gosta na TV... É o metrô de Nova York, acho que tem gente que...

fotografia que aparece no filme, né? Porque é arte urbana, né? A gente não precisa ficar ainda fazendo afresco lá na... afresco no metrô, vamos supor. É a arte urbana.

Hoje o metrô de Nova York é limpo, super difícil de pintar, as pessoas não têm mais esse acesso. Obviamente vai ter um ou outro que faz. É até engraçado porque, por exemplo, existem esquadrões de grafites impossíveis. Tem um pessoal da Europa.

que eles assinam o Vufix, né, W-U-F-C, o negócio assim, eles buscam lugares impossíveis de pintar, então os caras falam assim, como que é a lei na China? Ah, pô, lá na China se a gente pintar, é 20 de embatada, então vamos pintar lá na China. Aí eles dão um jeito de ir lá fazer a missão, pintar e sair e publicar um vídeo.

Tipo, e essa galera, eles estão realmente assim, digamos, é disso. E tem, por exemplo, outros movimentos interessantes, assim, que engloba, tipo, essa essência do grafite.

que eu acho que é o de você questionar, né? A arte, ela... A arte, ela é uma coisa que ela carrega o questionamento por si só, né? Eu não posso dizer que o meu trabalho é um trabalho de questionamento social, mas eu faço todo um questionamento mental sobre a realidade quando eu construo o meu trabalho. Então, tipo... E eu vendo assim, Fred, como você falou, pô, tu fiz a minha arte...

num prédio antigo ali no centro de Curitiba. Então permite aquele trabalhador, aquela trabalhadora está passando ali, ela olhar algo que daí, de repente, pô, será que eu tenho que ir num museu, numa galeria pra olhar? Eu vejo muito arte urbana nessa parte, de você ter essa... Porque essa pessoa não vai... Não vai, não vai. Então ela tem uma oportunidade e até de aquilo pra ela falar, pô, tranquilizar ou dar um, sabe? Ter uma influência, né, de alguma forma.

de uma energia ali daquilo, que vai ajudar, né? Então, acho que isso que eu acho muito bacana. Eu acho impressionante, Marcelo. Eu mesmo, quando eu pego aqui nosso articulado vermelho e vou passando por aqueles muros assim, grafitados, você vai olhando aquele... Cara, eu acho lindo, o pessoal faz poesia, faz... É uma expressão da alma na rua, porque o cara, aquele que vai trabalhar todo dia lá, ele não vai na galeria de arte, ele não vai em museu, não vai em salvos raros, mas é muito difícil.

É uma arte acessível, né? Na verdade, o grafite, eu vejo que hoje uma das funções do grafite, assim, do muralismo, é botar a arte...

de forma acessível e à disposição realmente da população. A gente tem uma população que paga pelo Museu Dumont, paga pelo Muma, paga, mas não vai por exclusão social, por ele e coisas. E o grafite, ele coloca lá de fato, e muitas vezes sem nenhum incentivo, e até o contrário, né? Tem o desincentivo do Estado, né? Então, sim.

E aí, Fred, me conta assim, você falou que você atua em outras diversas áreas, além desse muralismo, desse grafismo que você faz. E até a arte, eu nem consegui achar um nome ainda, cara, porque ele falou que artista ele não é. Pra mim é artista. É artista também, pra mim não tem. E aí eu não consigo achar. Eu sei que você atua em diversas camadas aí. Me conta aí, o que são essas camadas e o que você anda aprontando, o que você anda fazendo aí nesse momento.

Bom, eu vim para Curitiba e aqui em Curitiba eu estudei design, né?

A princípio, design gráfico, porque eu tinha essa relação com desenho, achei que poderia funcionar. Antes disso, eu já tinha trabalhado numa agência de internet, a primeira agência de internet do Brasil, pré-história, foi meu estágio lá. E lá eu conheci esse conceito chamado design e vim para cá.

para estudar isso. Aí durante a faculdade, durante o curso de design, a gente tem aulas como história da arte, composição, a gente tem expressão gráfica, tem diversas matérias. E eu sentia o seguinte, o design é um ponto de contato entre a arte e...

o mundo, digamos assim, produtivo, né? A cadeia comercial das coisas, né? Tipo, e isso me deu bastante repertório, né? De forma que eu me formei em design, depois que eu me formei em design, fui estudar audiovisual, porque eu, ali no final da faculdade, gostei muito de ver alguns trabalhos de motion design, né?

São essas vinhetas, esses 3Ds, né? Que a gente vê aí na televisão e tal. E eu queria fazer aquilo. Já tinha um pezinho lá nos softwares e tal. Sou meio nerd de computador, assim. Então, aí...

Eu trabalho essencialmente com criação, eu costumo falar. Mas eu faço peças de design, por exemplo, como vídeos interativos. Fiz recentemente para uma marca grande agora, um stand com seis púlpitos interativos, onde a pessoa pode, numa tela, interagir aqui e ver lá o resultado.

do que ela está interagindo, né? Então faço esses tipos de trabalho. Instalações interativas para festa, para rave, para coisas assim, né? Que acompanha lá a sincronia da música do DJ. E aí, tipo, pisca as luzes e tudo mais. Já fiz algumas logos, trabalhei com design, mas design gráfico mesmo eu não tenho trabalhado mais.

já faz um tempo. Tudo aí focou nessa parte do audiovisual. No passado, ali naquele ato onde eu não estava pintando, eu estava trabalhando em produtoras de vídeo, tanto fazendo a finalização de filmes publicitários, campanhas publicitárias, quanto dirigindo também essas campanhas publicitárias. Então, dirigir aí alguns filmes publicitários.

Bom, aí hoje...

O meu trabalho agora, dessas últimas duas semanas, está sendo a realização de uma exposição que eu vou abrir na semana que vem, para não ficar datado no dia 14 de maio de 2026. Onde vai ser? Vai ser num lugar chamado Barleria. É uma galeria de arte e bar, assim, de drinks. Ah, que legal. Olha aí. Acho que nós vamos lá. Acho que nós vamos lá. Vamos sim, que vai na pena. É de graça, é aberto.

para as pessoas, vai ficar lá um mês essa exposição e nessa exposição eu estou lá com 10 obras são 7 pinturas 2 serigrafias e uma instalação digital que vai estar lá multifacetado que impressionante o cara fala que não é artista é brincadeira

Que maravilha, cara. Eu até ia perguntar onde as pessoas poderiam ver os trabalhos do Fred. Então, ele já deixou ali essa exposição que vai ser agora, né? A gente vai deixar ali um endereço certo para a pessoa saber onde ir, né, Marcelo? É verdade. Tem essa informação. Fred, enquanto agora teve algum caso engraçado, divertido ou diferente?

Você está pichando lá, pichando? Está fazendo grafito, pichando? Ou então assim, você fez o grafito, o cara sai daqui, não sei o que, o cara olha, não, não, volta aqui para terminar. Volta aqui para terminar, que ficou melhor do que estava antes. Eu tenho, assim, tem casos engraçados, tem casos tristes, tem vários, né? Assim, teve um que hoje eu olho para trás e acho engraçado, que uma vez eu subi num telhado para pintar a lateral do prédio.

Na ocasião estava com um cara junto comigo também, que ia fazer, ele estava vigiando, eu fiz o meu. Aí eu desci para vigiar para ele fazer o dele. E quando ele estava fazendo o dele, apareceu um segurança, né? Só que assim, de uma maneira discreta, eu dei o toque e ele desceu.

E a gente conseguiu sair... Se safar. Se safar. Só que o que ele fez de errado foi que ele esqueceu a minha mochila lá em cima. Que estava com as minhas titas e o meu documento.

E aí me ligaram lá em casa, né? Me acharam em casa. Então, esse aí foi assim de um amadorismo total. Total, é. Se safou, só que não. Se safou, só que não, é verdade. Esse foi um amadorismo, né?

E tem um outro caso também que eu acho isso muito interessante, que a gente bateu na casa do cara em Minas Gerais para pintar, e aí o pessoal da casa deixou a gente pintar. E eu fiz o meu desenho, ficou legal, bonito, colorido, e um amigo meu começou a pintar...

Tipo os cogumelos ali do lado, tudo, né? E o dono da casa, quando ele viu os cogumelos, ele achou que era um monte de cabeça de pênis.

você veio aqui desenho um monte de pico na minha parede e aí o cara saiu de dentro da casa, ele saiu, viu voltou, saiu puto gritando com a gente eu até tentei mas eu vi que aí não tinha confusão pro cara era um pênis aí a gente saiu correndo visão da arte

E o cara passou, ficou lá Acho que uma semana, duas ainda Ele passou a tinta lá Tipo É isso Isso mostra um pouco A arte, quem vê O que a gente vê Na arte está dentro da gente Não está lá fora Essa é também a vantagem de fazer o abstrato Sabia Marcelo? Porque a tia Zona Fala o que é isso aí Então

Ah, isso aqui é uma imagem divina. Ah, isso aqui é uma fênix. É, eu dou um efeito. Aí você faz isso aí. Você sabe que eu gosto muito, tipo, quando eu tô pintando e vem alguma pessoa que, geralmente pessoas muito humildes, assim, que elas vêm e já falam assim, nossa, que peixe bonito que você fez. Dá aquela passada pra trás. Que peixe diferente.

eu estou vendo ali uma coisa assim e aí você conversa assim com a pessoa explica que ela pode atribuir o signo que ela quer e aí nossa, vira a cabeça assim das pessoas às vezes tem gente que sai sem entender, mas tem gente que sai assim feliz por falar, eu achava que eu que não conseguia ver, agora eu estou descobrindo que na verdade o meu ver que é importante isso, bem isso mesmo a forma como você vê é

E isso que é legal, a arte como qualquer coisa O objeto pode ser visto De várias formas Cada um Traz o que você tem de dentro

pra você ver aquilo. Isso é a coisa mais... É como a arte divina, hein? Você olha pras nuvens e cada um vê um rosto, vê um rei, vê um navio, um coelho. E a gente, humildamente humano, no caso do Fred, ele faz lá o abstrato dele e desperta essas atenções. Marcel, a gente já tá indo meio que pro final aqui. Hoje nós tomamos uma aula...

sobre grafite, sobre picho. Renascentismo do grafite. Eu fiquei, inclusive, eu fiquei muito feliz de saber toda essa história que ele contou aqui do Vandal lá, que realmente é. E eu fico muito feliz de ter recebido você aqui, Fred. Eu não conhecia você mais uma pessoa que desperta a atenção da gente, que eu mesmo já estou querendo finalizar o vídeo para me editar e assistir. Não é mesmo, Marcelo? É verdade.

Então, Fred, obrigado por ter vindo aqui, né? Trazer um pouco da tua história, do teu conhecimento, né? E a gente deve aprender a respeitar essa arte de rua, que essa é a arte democrática, né? Essa é a verdadeira arte. Então, a gente tem que respeitar aquilo.

talvez demore um pouco mais para respeitar a pijação mas tem agora a gente sabe que tem uma ali está a semente então eu acho que é muito importante isso e a gente dá valor a um artista aqui que apesar de não ser curitibano fincou os pés em Curitiba já tem o passaporte e está enfeitando a cidade está deixando a cidade mais alegre

Então fale para nós aí, Fred, despedida, o que você tem de repente de sonhos, já falou do teu projeto, mas onde você... Há uma pergunta assim, se eu chegasse para você aqui em Curitiba, Fred, você pode escolher onde você quiser para pintar um...

legal pergunta onde você o Dudu o Dudu liberou onde que você gostaria de fazer cara tem um prédio que tem uma lateral assim enorme que ele fica perto do círculo militar de frente para o passeio público né

Quando você está ali parado, nesse sentido centro, você vai ver que tem um prédio enorme, um quadrado, uma tela enorme. Eu olho para aquilo lá e eu gostaria muito de pintar esse lugar. Porque ele tem uma conjunção de paisagem urbana, que para mim é um lugar certeiro de ter um grafite ali.

provavelmente não sei o que vai pintar não sei não o Coir de Atomcast consegue coisas incríveis tomara mas assim é

Hoje em dia, eu também, quando eu era mais novo, eu tinha realmente esses desejos de falar, nossa, eu quero pintar aquele lugar. E aí eu me movia para fazer isso. Hoje não tanto, porque eu comecei a entender que tem coisas que ele chega até a gente e tal. E eu espero um dia que... Eu acho que...

O próximo grafite sempre vai ser o próximo que eu quero fazer, sabe? Tipo, que eu mantenha esse espírito, assim. Legal, legal. Bacana. Vamos colocar energia nisso aí, Marcial. Vamos colocar energia. Vou lá, já conheceu o cítico do prédio e tal, e daí já temos que achar incentivos.

claro que também para fazer um negócio desse aqui é caro mas é mais agora mais um que curiou agora eu vou lá por lá o lado do centro lá no passeio público vou procurar esse prédio e quem sabe fazemos um short vídeo é isso mostrando mostrar qual o prédio desejado isso é o que foi ele não é se estiver aqui na calçada do do

círculo militar, e você olhar direção ao centro, você vai ver que a maior lateral lá de todos é essa daí. Vamos lá. Então vamos se despedindo? Sim. Bom, eu quero agradecer vocês aí, né, obrigado pelo convite, Marcelo aí, que...

Fez a ponte, fiquei bem feliz. Para mim é sempre bom falar sobre grafite, porque eu me sinto sempre impelido a continuar a minha caminhada. Tenho agora esse ponto para mim, dessa exposição individual que vai acontecer no Barleria, no dia 14 próximo.

que pra mim é bem importante, reúne trabalhos dos últimos cinco anos. E eu digo que é importante porque sempre que a gente consegue juntar, assim, uns trabalhos, eu tenho a sensação de que eu tô passando de fase. Então a nova fase aí que vem, pra mim, espero que ela seja boa e que, tipo, essas experiências aqui de troca também agreguem elas. E tem uma situação que é engraçada, eu fazia uma época lá,

Um tempo atrás, na terapia, o cara sempre perguntava assim, onde você se imagina daqui a cinco anos? Engraçado, cinco anos sempre era um número para perguntar, não se imagina, escreva o que você imagina daqui a cinco anos. Cara, muito engraçado. Aí o BD, o BD, o Guadalho, então pega o primeiro do último, você vai vendo o processo de onde que está. Vai subindo. Eu só sei de uma coisa, daqui a cinco anos nós vamos estar vendo esse...

estamos. Vai ser legal. E a pessoa nisso. Vamos ver. Posso aproveitar e agradecer o pessoal? Queria agradecer meus filhos, o Isa, o Caio, que são pérolas na minha vida.

Me trouxeram, assim, muita sapiência que não são obras de arte, propriamente dito, mas eu faço com muito amor e criatividade. E também queria agradecer ao pessoal da OUS, que está sempre me apoiando em alguns projetos. O pessoal da Montana também, que é uma...

uma fabricante de spray pessoal da Cápsula que acabou conformando aí tipo uma grafite shop importante em Curitiba, querendo ou não pessoal da Spray Rápido que também é uma outra loja de spray que faz a diferença que traz

É a coisa real, né? Tipo, é uma loja de spray focada às pessoas que estão imbuídas da bichação, assim, digamos, né? Ao core duro ali do grafite, assim. Ao raiz mesmo. Ao raiz, assim. E aos amigos aí que me apoiaram, a todo mundo que um dia comprou uma obra minha, que me encomendou e que me indicou.

né? Tipo, eu queria agradecer a todo mundo aí, todas essas pessoas. É isso aí. Tá feito agradecimento. Então, dia 14 de maio, baleria, não esquece, galera.

Nós vamos estar lá. Sim. Estaremos lá. Aí tem que tomar uns drinks, né, Marcelo? Tomar uns drinks, né? Ah, vai ter um drink com o meu nome lá. Opa, opa. Eu quero o Fred. Eles têm uma coisa bem legal lá, que eles fazem drinks com o nome de quem está expondo. Bacana, bacana. Bem interessante. É isso aí. 41QS fica por aqui. Um abraço. Fiquem bem. Tchau.