Episódios de Na Trilha do Hexa

Carlos Pracidelli relembra Copa de 2002 e analisa atual disputa de goleiros

07 de maio de 202648min
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O quarto episódio do podcast "Na Trilha do Hexa", da BandNews FM, recebe o preparador de goleiros da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2002, Carlos Pracidelli.
Em conversa com Mauricio Ferreira e Bernardo Ramos, Pracidelli relembrou bastidores do último título mundial do Brasil que teve Marcos, Dida e Rogério Ceni formando o trio de goleiros naquela edição. Pracidelli também analisou a atual disputa dos goleiros e as indefinições da posição na lista de Carlo Ancelotti às vésperas da Copa do Mundo de 2026.
#rumoaohexa #seleçãobrasiliera #futbeol #copadomundo #Brasil
Participantes neste episódio3
M

Maurício Ferreira

HostComentarista
B

Bernardo Ramos

Co-hostComentarista
C

Carlos Pracidelli

ConvidadoPreparador de goleiros
Assuntos5
  • Goleiros na Copa de 2002Seleção de goleiros: Marcos, Dida e Rogério Ceni · Escolha do titular: Marcos · Comparativo de qualidade entre os goleiros · Papel do preparador de goleiros na decisão · Bastidores da preparação e ambiente da equipe
  • Goleiros na atualidade e Copa de 2026Análise de Alisson e Ederson · Potencial de Bento e Hugo Souza · Questões físicas e de confiança dos goleiros · Estratégia de Ancelotti para escolha de goleiros · Possibilidade de goleiro pegador de pênaltis
  • O jogo de 7x1 contra a Alemanha em 2014Pressão e ansiedade da equipe · Perda de Neymar e Thiago Silva · Falta de explicação para o placar · Impacto no goleiro Júlio César · Reorganização no intervalo
  • Evolução da escola brasileira de goleirosComparativo com escolas argentina e uruguaia · Importância da figura do treinador de goleiros · Valdir Joaquim de Moraes e a profissionalização
  • Convocação da SeleçãoNão convocação de Djalminha em 2002 · Convocação de Ronaldo em 2002 · Comparativo entre Ronaldo e Romário · Avaliação de goleiros em ligas menos competitivas · Experiência versus performance em convocações
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Agora, na Band News FM. Na trilha do Hexa.

Ouvintes da Band News FM, sejam muito bem-vindos. Está no ar o quarto episódio do podcast Na Trilha do Hexa, nessa caminhada da Band News FM rumo à Copa do Mundo de 2026. E no episódio dessa semana, a gente vai debater um pouquinho sobre uma das grandes incógnitas da seleção brasileira para esse Mundial, os goleiros. Quais serão os três escolhidos pelo Carlos Gelotti para representar o Brasil no México, nos Estados Unidos e também no Canadá?

Eu, Maurício Ferreira, estou por aqui mais uma vez, ao lado do nosso comentarista da Band News FM, Bernardo Ramos. Muito bom estar contigo mais uma vez, Maurício. Vamos lá, que hoje menos é mais. Quanto menos a gente falar, mais o nosso convidado, que é super especial, vai poder compartilhar a sabedoria dele com quem nos assiste e nos ouve aqui na Rádio Band News FM.

Sem dúvida alguma, vai ter muita história para a gente tratar aqui também nesse podcast. O quarto dessa safra do Natrilha do Hexa, Carlos Pracidelli. Preparador de goleiros da seleção brasileira, campeão do mundo pela última vez lá em 2002. Esteve com a seleção também no título da Copa das Confederações em 2013. Na Copa do Mundo aqui no Brasil em 2014. Campeão da Libertadores com o Palmeiras também em 99. O Marco.

sendo o melhor jogador do torneio. Não foi o melhor goleiro, não. Foi o melhor jogador do torneio. E revelação essa do Pracidéli, nosso convidado aqui do podcast na trilha do Hexa. Pracidéli, seja muito bem-vindo. Obrigado pela participação. Abraço. É uma honra tê-lo aqui com a gente. Eu que agradeço ao convite, Maurício, Bernardo. Espero que sejam alguns minutos agradáveis, né? Onde a gente possa falar sobre a Copa de 2002.

sobre a Copa de 2013, 2014, enfim. Espero que os ouvintes da banda, no final, saiam satisfeitos. Sairão. Sem dúvida alguma sairão. Tem muita história de fato para a gente falar. Estamos, para a Cidélia, pouco mais de uma semana para a lista final do Antilote, aquele momento onde os nomes convocados à Copa do Mundo serão divulgados, dia 18 de maio.

Nesse prazo, lá em 2002, até em 2014, pouco mais de uma semana para essa divulgação, como estava o Pracidele? Já mais tranquilo? A experiência ajudava a contornar um pouquinho dessa ansiedade? Ou ainda tinha aquele friozinho na barriga para definição de todos os goleiros convocados? Sim, mais tranquilo pela experiência, mas o frio na barriga sempre vai existir. Mas nós estávamos já praticamente com os goleiros definidos para a Copa do Mundo.

Nós tínhamos já feito as eliminatórias e praticamente já tínhamos definido os goleiros que iriam para a Copa do Mundo. Alguma mudança poderia acontecer se algo acontecesse em termos físicos, mas graças a Deus naquela época deu tudo certo. E acabamos levando o Marcos, o Dida e o Rogério Senna. Então foi, acredito eu, que foi um momento...

excepcional do Brasil, em contar com três goleiros de altíssimo nível.

Bernardo Ramos, para muitos, talvez o melhor trio de goleiros em uma edição de Copa do Mundo. Sem dúvida. Para mim é a melhor safra do Brasil em termos de goleiros. O Brasil sempre ficou um pouco atrás da Argentina e do Uruguai, né, para a Cidélia? Até os anos 80, até o surgimento do Tafarel, depois o Brasil passa a ter uma escola de goleiros simplesmente espetacular. Mas voltando a 2002, eu quero entender, hoje o Brasil tem o Tafarel como preparador de goleiros, o Antielotti como técnico.

A última palavra é do técnico, evidentemente. Mas qual é o percentual de peso que tem o preparador de goleiros na escolha do titular da seleção brasileira?

Tipo assim, não é fácil responder para você sobre isso. Por quê? Depende muito, vai depender muito do grau de relacionamento e de confiança do preparador para com o técnico. No meu caso, foi uma situação assim mais, diria, mais simples. Porque eu já vinha junto com o Filipão desde 97, passando por momentos assim...

bons e terríveis também, onde nós tínhamos ali já adquirido uma grande confiança mútua. Então eu diria para você que na minha situação o Filipão sempre me ouviu muito, e ouvia as minhas colocações, as minhas ponderações, e depois ele tomava a decisão, ele que tomava sempre a decisão final. Então eu acho que o Ancilote também deve conversar com o Tafarel.

pelo amor de Deus, o Tafarel, o grande Tafarel, ele vai ouvir os posicionamentos do Tafarel e a partir daí ele vai tomar sua decisão.

E antes dessa Copa de 2002, para a Cideli, a gente está falando dessa trinca de goleiros que é simplesmente fenomenal. O Marcos, goleiro do Palmeiras, o Rogério Senna no São Paulo, o Dida que voltava ao Corinthians. Então os três goleiros chegaram em altíssimo nível à disposição do Felipão e sua também para essa Copa do Mundo na Coreia do Sul e no Japão. Nesse caso de 2002...

Como foi tomada a decisão do Marcos titular? Porque o Marcos até diz isso em muitas entrevistas e ele acha que ele não deveria ter sido titular da seleção brasileira naquela Copa do Mundo de 2002. Como foi tomada essa decisão? Claro que já tinha um conhecimento, uma vivência prévia de tudo que vocês já haviam passado juntos no Palmeiras, no título da Libertadores de 99. Mas como foi essa decisão? Porque a gente até relembrava aqui fora do ar que quando o Leão ainda era o técnico da seleção, o Rogério Senna vinha sendo titular.

Como foi essa mudança, vocês assumindo a seleção e escolhendo, elegendo o Marcos para ser o titular na reta final e também na Copa do Mundo?

Você foi até preciso na sua colocação, que era tudo uma sequência de trabalho. Nós já vínhamos trabalhando com Marcos desde 1997, o Filipão e eu. Então nós sabíamos de tudo aquilo que nós poderíamos tirar do Marcos, principalmente em momentos difíceis, em momentos decisivos. Nós sabíamos que o Marcos sempre, nesses momentos, se agigantava. Não que o Dido e o Rogério Hussaini não fariam isso. Eu costumo dizer que a diferença...

de qualidade técnica de um goleiro para o outro, do Marcos, para o Dida, para o Rogério, era um fio de cabelo, eram goleiros fantásticos. Então toda aquela trajetória que nós tivemos com o Marcos disputando o Libertadores, o Brasileiro, enfim, tudo isso fez com que a decisão final, nossa, fosse manter o Marcos como titular da seleção brasileira.

Graças a Deus acabamos acertando. Não que o Rogério e o Dida não teriam a mesma performance, mas a opção foi em função de tudo aquilo que nós tínhamos no dia a dia com o Marcos no Palmeiras, principalmente no Palmeiras.

Agora, Bernardo Ramos, até para você já emendar também a próxima pergunta para a Cidele. Uma das grandes injustiças daquela Copa do Mundo de 2002 foi a eleição ainda antes da final do Oliver Kahn, com o melhor goleiro da competição e o Marcos... Melhor jogador da competição. Melhor jogador à frente do Rivaldo e do Ronaldo e na final ele falha no lance do primeiro gol do Brasil. É o seguinte, Maurício, houve dois jogos em que o Marcos foi gigante nessa Copa do Mundo. Bélgica e a final contra a Alemanha.

Aquela falta do Neuville, quando o jogo estava empatado por 0x0, ele dá um tapa e a bola bate na trave. Você viu aquela bola lá dentro? Olha, o coração disparou. Porque quando eu vi a trajetória da bola, ela saindo, é a pior bola que tem para o goleiro. É aquela que vai saindo do goleiro. E quando eu vi o Marcos com todo o seu esforço, e aquela pontinha do dedo foi que evitou que o...

que acabasse acontecendo o gol. Então, realmente, o Marcos foi fantástico, assim como foi o Oliver Kahn também. Dois jogos importantes que você falou, Bernardo. Eu diria para você que o jogo mais ainda difícil do que da Alemanha foi contra a Bélgica. Na Bélgica, o Marcos participou ali quatro, cinco vezes de maneira precisa. Eu me lembro até hoje, o primeiro lance.

que meu coração novamente disparou, mas aí eu vi que o Marcos já estava totalmente seguro na partida. Se você voltar à memória, o primeiro lance de perigo da Bélgica aconteceu, o atacante da Bélgica, não me recordo quem, pelo lado direito ele foi cruzar uma bola.

Ele pegou de uma maneira esquisita, essa bola foi indo para trás, caindo nas costas do Marcos. Eu olhando assim, olhando, daqui a pouco o Marcos foi e colocou para o escanteio. Aí eu falei, agora ele toma conta da partida. E foi o que aconteceu. A partir daí, a Bélgica teve momentos difíceis, criou momentos difíceis para a nossa equipe. Mas no final, graças a Deus, acabamos.

com uma vitória fantástica de 2x0. Mas foram esses dois jogos. Eu peço sua licença, Maurício. Fique à vontade. Só para tentar criar aqui um porquê, um motivo. Eu falei anteriormente, acho que você vai concordar, que lá atrás as escolas argentina e uruguaia eram mais fortes. Uruguai teve Roque Máspolis.

Rodolfo Rodrigues, Alves, inúmeros grandes goleiros, Mazukevski, né? A Argentina teve Carrizo, Gatti, Serras, Roma e o Brasil, Tio Leão.

e o Gilmar um pouco antes, mas era um aqui, outro lá. Em que momento, Bracideli, a escola brasileira de goleiros subjugou os países vizinhos e tornou-se hoje, como a gente vê, uma escola mais bem sucedida do que as de Uruguai e Argentina? Eu diria que começou, e aqui vai até um voto meu de agradecimento, um ato de gratidão com o senhor Valdir Joaquim de Moraes.

Foi com a presença quando o seu Valdir Joaquim de Moraes fez com que todas as equipes de futebol tivessem na sua comissão técnica a presença do treinador de goleiros, uma pessoa qualificada, uma pessoa que, no mínimo, ele tinha sido ex-goleiro.

No de juvenil, infantil, não interessa. Quando acabou acontecendo essa mudança, quando as equipes passaram a ter o preparador de goleiros, uma pessoa importantíssima dentro da sua comissão técnica, essa chave começou a mudar. O Brasil passou a ser exportador de goleiros.

E a história do Pracidele e a do Marcos, elas estão tão conectadas que o Marcos começa no Palmeiras sendo aprovado na peneira pelo Pracidele e depois encerra também a passagem pelo clube, a passagem pelo futebol, também com o Pracidele fazendo parte daquela comissão técnica do Palmeiras. E Pracidele, ainda sobre esses três goleiros da Copa de 2002...

eram os três com muita personalidade, né? Cada um da sua maneira, o Dido era um pouco mais introvertido, o Marcos falava mais, o Rogério também já num outro tipo de autenticidade. Como foi esse diálogo, né? O senhor já contou um pouquinho como foi o papo com o Marcos para convencê-lo que ele deveria ser o titular da Copa do Mundo de 2002.

mas também com o Didi e com o Rogério Senna, porque acredito eu que tenha muito dessa construção de um bom ambiente, você também passar esse cenário para os outros dois goleiros que seriam os reservas. Como foi com o Didi e com o Rogério? Foi fantástico, além de profissionalmente serem fantásticos, excelentes, como pessoas, como seres humanos também eram...

Pessoas altamente qualificadas. O Marco sempre aquele jeito brincalhão dele, aquele sotaque do interior, aquela simplicidade dele. O Dida...

Caladão, sempre mais introvertido. E o Rogério Senna, naquela época, o intelecto dele já estava funcionando. Só para você ter uma noção, naquela época, em 2002, foi a primeira Copa do Mundo que foram sediadas por dois países, Coreia e Japão. Nós chegamos em, acho que em Usan, para fazer a...

a sequência dos últimos dias para a estreia na Copa, e o Rogério já tinha assinado um jornal aqui em São Paulo para ter uma coluna para falar sobre a Copa do Mundo, mas não falar sobre futebol, para falar sobre a cultura da cidade, como que era a cidade, como que, enfim, para você ver como naquela época o Rogério já era diferenciado nesse sentido. Mas foi criada ali uma irmandade. Quando muitos falam da família escolar, o Rogério já era um jornal.

É lógico que a família, quando se diz família, não é do sangue, né? É a família do respeito, do carinho de um pelo outro. É o respeito, é a torcida que o Dida, que o Rogério tinham para que o Marcos entrasse de uma maneira tranquila, sabedor, que os outros dois estavam rezando, torcendo para que ele fosse muito bem nas partidas. Então tudo isso fruiu de uma maneira tão fantástica que acabou sendo colocada a grande família escolar.

E realmente o nosso ambiente era fantástico. E principalmente entre nós, os goleiros, né? Que os goleiros sempre são um pouco mais afastados do grupo. O grupo sempre trabalhando num outro espaço. Eu sempre levava meu goleiro praticamente do outro lado, né? Pra que a gente pudesse fazer os trabalhos sem atrapalhar e sem ser atrapalhado. Então foi simplesmente...

um período fantástico. E me parece que foi a Copa do Mundo com um período maior de preparação. Eu posso estar errado, mas acredito que o Brasil, na nossa situação, que ficamos até o jogo final, praticamente foram 50, 60 dias juntos.

E não é fácil você, com um grupo tão grande assim, você manter essa união. Mas o Filipão sempre foi expert nisso e graças a Deus acabou dando tudo certo.

Deixa eu aproveitar, Bernardo, pedir para o Pracidele aqui contar uma história também, porque a gente vai debater sobre isso já já, um pouco mais para frente aqui no podcast na trilha do Hexa. A ideia do Antilote, de levar um goleiro que seja pegador de pênaltis ou não, e teve uma passagem na seleção brasileira ainda antes da Copa do Mundo de 2002, durante um treinamento.

e o Rogério entre os três talvez seja o que menos pegasse pênaltis, mas mesmo assim tinha uma certa evolução nessa característica, Dido e Marcos então nem se falem. Então, Pracideli, num determinado dia, num treinamento, cobranças de pênaltis, o Felipão falou, para, para, para, para, senão vocês vão destruir o mental dos meus atacantes, dos meus batedores. Como é que foi essa história? Conta pra gente.

É, porque até então foram sete jogos que foram ganhos no tempo normal. Mas poderia acontecer de um ou outro jogo você ter que disputar a decisão em penalidades. Então o Filipão sempre treinava. E você imagina, Roberto Carlos, Cafu, Ronaldo, Denilson.

Rivaldo. Sem falta esquecer alguém aqui. Todos vocês sabem. E iam treinar a bater pênalti. E teve uma sequência lá que o Marcos pegou quase 20 pênaltis. Cada jogador batia três pênaltis. Você imagina um plantel de 25 jogadores, cada um batendo três pênaltis.

Parece ser pouco, mas o Marcos chegou a pegar quase 20 pênaltis, o Dida quase 20 pênaltis, o Rogério um pouquinho menos, um pouquinho menos. Aí o Filipão falou, vamos parar porque daqui a pouco o emocional não vai estar, meu goleiro vai estar bom, mas meus jogadores não... Mas era muito fantástico, os três goleiros eram fantásticos, mas foi o Dida com aquele...

tamanho dele, né? Pegava muito pênalti também. E o Marcos, né? Com toda a sua explosão, né? E o Rogério Senna, sempre observando a maneira que um ia correr pra bater na bola, né? Enfim, três pessoas fantásticas, né?

Para a Cidere, você conhece o Veloso e o Marcos como poucos. Tem uma história, Maurício. Foi o meu primeiro ano de carreira, 96. O Veloso estava fechando o gol no Palmeiras. Fechando o gol no Palmeiras. E o Zagallo não chamava o Veloso. O Veloso se machuca. O Marcos joga dois jogos e o Marcos é convocado. Para você, o Veloso foi um injustiçado para a Cidere na seleção brasileira?

É difícil falar, né, tipo assim, de ser injustiçado ou não. Eu vou dar até um caso mais recente agora, na Copa de 2013, 2014, nós temos o Fábio, também, explodindo, né? Está bem até hoje. Até hoje, né?

Você vai dizer que ele foi injustiçado? Não, por quê? Você tem que levar em consideração quem foram os outros que foram colocados, convocados. Então, tipo assim, você tinha três, quatro, cinco goleiros para definir três. Então, eu acredito que se o Veloso tivesse sido convocado pelo menos uma vez, seria por merecimento, por tudo aquilo que ele estava fazendo. Assim como acabou sendo o Marcos. Mas o Marcos já tinha uma trajetória de seleção olímpica.

Ele tinha participado já de outras seleções. Então talvez isso tenha chamado a atenção. Mas sem dúvida, o Veloso foi um grande goleiro. E com certeza, se ele fosse convocado, seria...

Por total merecimento. Eu não diria injustiçado, porque eu também tive a oportunidade de convocar três goleiros e não foi por injustiça que eu não levei o quarto ou o quinto goleiro. Seria o Júlio César, né? Na Copa de 2002, nós tínhamos estourando Marcos Dida e Rogério. E Júlio César explodindo no Flamengo.

O que pesou naquela época de não ter levado o Júlio? A experiência. Você vai para uma Copa do Mundo, o Brasil necessitado de ser campeão, e você não sabe o que pode acontecer numa Copa do Mundo. Então nós, além da qualidade, nós optamos também de levarmos, além da qualidade, a experiência. Só para fazer um paralelo da não ida do Júlio.

Do Júlio. Eu não encaro isso como injustiça. Ele simplesmente não teve oportunidade de ir, assim como o Veloso. O Júlio Sérgio chegou a ser o goleiro do Brasil naquele momento de todos contra a Nave, a saudita. O gol do Djalminha de falta. Sim. E, para você ver, o Rogério era para ser convocado, se você buscar lá atrás. Nesse período, o Rogério teve uma contusão e não pôde ser convocado.

Ele ficou, inclusive, se voltar lá atrás, ele ficou até chateado, porque imaginou ele que tinha perdido a grande oportunidade de uma convocação para a Copa do Mundo. Mas o Filipão falou, não, você não foi para a seleção porque você teve um problema de contusão. Até que depois ele se recuperou, foi convocado e acabou indo para a Copa do Mundo.

E a mesma coisa aconteceu em 2013. Em 2013 nós tínhamos o Júlio César, nós tínhamos o Jefferson, nós tínhamos o Diego Cavalieri, nós tínhamos o Victor. Todos eles, o Júlio jogando lá no Queen's Park Range na Inglaterra. Apesar de ter, a equipe dele está na segunda divisão, mas arrebentando o campeonato. O Diego arrebentando no Fluminense, o Jefferson arrebentando no Botafogo e o Victor arrebentando no Atlético Mineiro.

E aí, para a Copa das Confederações, nós levamos o Jefferson, o Júlio e o Diego. E o Vitor não foi.

Não posso dizer que foi uma injustiça. E depois acaba acontecendo o inverso. Para a Copa do Mundo, nós levamos o Júlio, levamos o Jefferson, e por motivos outros, nós acabamos levando o Vitor. O Diego também não pode se sentir injustiçado. Então são situações que eu, pelo menos, penso dessa maneira.

E para a Cideli, como é que a comissão técnica faz a leitura de ter um goleiro apto a disputar uma Copa do Mundo e ao mesmo tempo jogando ligas menos competitivas? E aí a gente vai falar um pouquinho depois do Bento, que hoje está no Alnácer da Arábia Saudita, o Ederson, que está no Fenerbahçe da Turquia. Mas nessa Copa das Confederações de 13, o Júlio César estava no Queen's Park Rangers e na Copa do Mundo de 2014 ele já estava no Canadá.

No Toronto FC. Então, assim, são ligas, naturalmente, menos competitivas do que as grandes europeias, até mesmo o Campeonato Brasileiro. O que a comissão técnica, o preparador de goleiros em si, leva em consideração para fazer essa decisão, para tomar essa decisão e essa leitura de ter um goleiro apto a disputar uma Copa do Mundo, mesmo disputando ligas menores?

Isso foi até o motivo de uma conversa do Filipão comigo. E nós chegamos à conclusão de que, eu pelo menos penso assim, independe da liga que você está jogando, a sua performance tem que ser a mesma. Às vezes você pode estar disputando na primeira liga e não ser tão exigido como você está sendo numa liga inferior. E é o que estava acontecendo, principalmente em 2013, com o Júlio César.

na liga da Inglaterra, na segunda divisão da Inglaterra, no Kings Park Rangers. Então, ele estava num momento fantástico lá. Além de vídeos, a gente acompanhando os jogos que ele fazia, nós tínhamos ali pessoas da nossa confiança que também estavam acompanhando a trajetória do Júlio. Então, tudo isso influenciou. Então, no meu ponto de vista, a mesma bola, a mesma defesa difícil que é feita numa primeira liga,

ela também erra na segunda liga. A mesma participação importante que o goleiro tem que ter na primeira liga, ele também tem na segunda. Na segunda liga, ele vai também disputar jogos difíceis entre eles, que vai exigir toda a boa performance do goleiro. Então, tudo isso nos fez analisarmos tudo isso e chegar à conclusão que o Júlio seria o nosso goleiro para a Copa de 2013 e 2014.

Ô Prasideri, trazendo para os dias atuais, como fez o Maurício, muita gente desconfia do Alisson. Eu acho o Alisson um fenômeno, mas queria ouvi-lo, um especialista, um professor da posição, catedrático. O Alisson é isso tudo mesmo? Eu gosto muito do Alisson. O que você pode dizer de um goleiro que há quantos anos ele está jogando na...

Vai ser a terceira Copa do Mundo com a seleção brasileira. Vai ser a terceira Copa do Mundo. Tem o que falar. Ah, é o goleiro que... Muitos comentários, né? Ele não faz aquele milagre.

Pode ser que ele faça agora, mas não dá para você pensar nessa situação. Eu vejo assim, o Alisson, o Ederson, o próprio Bento jogando numa liga inferior, mas são goleiros fantásticos. Oxalá dê tudo certo e que o Alisson possa trazer o Hexa.

E tenho certeza que todos esses comentários vão ser terminados. Acho que o problema maior foram as desclassificações da seleção brasileira que fizeram com que...

ele não tivesse sido reconhecido, o verdadeiro reconhecimento que ele tem. Mas eu gosto muito do Alisson, goleiro fantástico, tem anos e anos jogando como titular absoluto, jogos da seleção também, sempre bem, com boas participações. Eu torço para que nessa Copa de 2026...

a equipe possa dar o respaldo ao Alisson com conquistas. Mas o senhor entende, então, que de fato hoje o Alisson é o melhor goleiro brasileiro para ser o titular na Copa, acima da concorrência? Eu diria...

que o Alisson, o Ederson, são goleiros que o Ancelotti têm acompanhado direto lá na Europa. Tem jogado com eles constantemente grandes decisões na Champions League, dos campeonatos das Premier League. Então tudo isso na cabeça do treinador. E tenho certeza que tudo isso vai ser fundamental para ele tomar decisão.

do Alisson ser ou não titular. Mas eu acredito que, a não ser que aconteça alguma coisa, espero que não aconteça, uma contusão que possa tirá-lo da Copa. Mas eu acredito que o Alisson será o titular da Copa.

E até para a disputa da Copa ainda, para a Cideli, tem um trabalho de retomada de confiança dos três goleiros, no caso. O Alisson tem uma questão física hoje, que precisa ainda ser resolvida até a Copa, mas a tendência é que esteja apto e à disposição também da comissão do antelote. O Ederson tem tido algumas falhas recorrentes e aí se discute também. Foi expulso no jogo contra o Galatasaray. Foi expulso recentemente no Clássico.

O Bento também na Liga Saudita em determinados momentos tem falhado. Antes da Copa... O Bento também na Copa.

Tem um ajuste técnico a ser feito com esses goleiros que hoje são os três favoritos, estarem na lista do Antelote, mas também é um trabalho de confiança, de você retomar a confiança desses caras às vésperas da Copa? É tipo assim, como é que eu posso descritar? Na minha situação, na época do Marcos, eu tinha o Marcos dia a dia comigo no Palmeiras. Então eu tinha como fazer esse trabalho com ele.

Hoje, na atualidade, o Tafarel é funcionário fixo da CBF, então dificilmente ele tem esse contato diário. Mas, pô, você vai ouvir o Tafarel conversando com você. Quer uma pessoa que pode passar mais tranquilidade para você do que um Tafarel? Então eu acredito que esse trabalho já esteja sendo feito pelo Tafarel.

Além de conversar com os goleiros, até conversar com os próprios preparadores e goleiros. Dos clubes, né? Dos clubes. Eu tenho certeza que... Eu acredito que não vai haver mudança. Eu acredito que sejam o Alisson, o Ederson e o Mento.

A não ser que aconteça que o Alisson se recupere, alguma coisa parecida. Mas eu acredito que devam ser esses goleiros. Talvez o Hugo correndo por fora, porque já foi convocado, enfim. Mas eu acredito que esses serão os três goleiros que irão nos representar na Copa do Mundo.

Eu tenho certeza que o Tafarel já está tendo todo esse cuidado e eu tenho certeza que eles vão chegar, vão ter um período também de trabalho com a seleção brasileira, e eu tenho certeza que eles vão chegar no maior nível possível, não só físico, técnico, principalmente, que eu digo para você, principalmente mental.

Só para trazer um dado aqui também, né, Bernardo? O Antelote tem sofrido com lesões do Ederson, lesões do Alisson nessa reta final de preparação. Tanto é que os dois goleiros que estiveram nas cinco listas do Antelote foram o Bento e o Hugo Souza. O Hugo não convocado inicialmente, mas sempre como esse suplente, né? Então, quando alguém machuca, o Hugo Souza é convocado e esteve nas cinco listas.

do Antelote até agora. Claro que, num primeiro momento, o que a gente imagina, eu acho que vai muito na linha do que o Pracidele disse, é de que os três goleiros sejam Alisson, Ederson e Bento, mas com muitas incertezas ainda sobre as questões físicas, o que deixa o Hugo no páreo ainda para essa Copa, né? Você acha o Hugo bom ou o Pracidele?

É muito bom goleiro, ele tem demonstrado isso aqui no Corinthians, no próprio Flamengo. Quando ele teve aquele momento de explosão no Flamengo, talvez ele ainda precisasse de um pouco mais de maturação, um pouco mais de capacidade de saber assumir tudo aquilo que estava acontecendo com ele. Acabou saindo do Flamengo.

Veio para o Corinthians, um time, uma torcida idêntica à do Flamengo, fanática, exigente. Ele colocou a camisa com uma tranquilidade. Então eu acredito que não deva mudar. É um bom goleiro. Hoje no Brasil eu vejo o Hugo, eu vejo o... O John, ex-Botafogo, o goleiro que está no Otcham Forest, também foi chamado pelo Ancelotti. Eu vejo...

Carlos Miguel poderia... Não, eu acho que ainda o Carlos Miguel precisa mais tempo ainda. Se você pegar a trajetória do Carlos Miguel, é um goleiro que tem pouca minutagem jogada. Então eu acredito que vai chegar o momento dele. Mas ele precisa jogar um pouco mais ainda.

O Everton esteve na Copa de 2022, mas hoje já está um pouco fora também desse batalha. Eu ia chegar no caso do Everton. Eu sempre gostei do Everton. Eu acho que a regularidade que ele tinha no Palmeiras era fantástica. Um goleiro que não tem qualquer tipo de problema de sair do gol, de trabalhar debaixo dos gols, trabalhar com os pés. Teve até um campeonato aí que ele foi reconhecido como um dos melhores lançadores do campeonato.

Então eu sempre gostei do Everton. Depois acabou acontecendo a contusão que ele teve, acabou o Palmeiras contratando o Carlos Miguel, mas eu acredito que se o Everton tivesse ainda não acontecido nada...

em termos físicos, ele seria um nome também a ser pensado pelo Ancelotti, pelas diversas vezes que ele tinha sido convocado. Mas é como eu te falei, agora não tem mais tempo. A Copa já começou, então não temos muito o que mudar agora.

Eu tenho uma dúvida, posso, Bernardo Ramos? Por favor. Tomar a frente aqui mais uma vez, desculpe. Porque eu penso muito nesse aspecto físico, e eu acho que o Alisson hoje, de fato, ele está à frente do Ederson, do Bento, do Hugo Souza, da concorrência para ser o titular. Eu fico com o receio dessa questão física do Alisson, caso ocorra alguma coisa durante a Copa do Mundo, do quanto Bento e Ederson, diante dessas falhas recentes, estarão...

mentalmente bem para entrar nessa bomba que é assumir, quem sabe, o gol da seleção brasileira em meio a uma Copa do Mundo.

E aí quando eu tenho essa incerteza em relação aos dois, a minha cabeça automaticamente me leva ao Fábio, que está já com 45 anos, se eu não estiver equivocado. E renovou até os 40, quando terá 47 anos. Quando terá 47 anos ainda vai seguir como goleiro do Fluminense, sim. E a minha cabeça me leva automaticamente ao Fábio, que é o cara que durante a carreira já deu inúmeras provas de que aguenta essa questão da pressão.

Está jogando em altíssimo nível, apesar da idade, o que fez o Fábio também na Copa do Mundo de Clubes com o Fluminense no ano passado. Foi fantástico. Se hoje o Pracideri estivesse na comissão técnica da seleção brasileira, teria um olhar mais atento para essa questão da experiência? E um goleiro que, se for acionado durante a Copa do Mundo, não há dúvida de que ele não vai sofrer com essa questão da pressão?

É, eu diria para você, quando você está fora da seleção, como é que eu posso explicar? É mais fácil ou mais difícil? É mais difícil, sabe? Porque, tipo assim, você tem que respeitar as pessoas que estão lá, né? As pessoas estão atentas a tudo isso, né? Ao fato do Alisson ter tido essa contusão, ao fato do Ederson estar...

talvez por um momento ou outro, passando por um mau momento. O próprio Hugo também, o próprio Bento, é um jogador que eu conheço muito bem, porque começou com a gente lá no Atlético Paranaense, depois que nós saímos que ele foi negociado para fora. É um goleiro fantástico, mas falta também bagagem para ele em termos de seleção.

O próprio Hugo também falta bagagem. Então, eu acredito que tudo isso aí está sendo levado em consideração pelo Tafarel e pelo Ancelotti. Eu tenho certeza que toda a decisão que foi tomada vai ser pesado tudo isso. E é lógico que o Fábio é um goleiro fantástico. Teve o seu momento.

em todas essas últimas convocações, essas últimas seleções, e nunca teve a oportunidade de representar o Brasil. Mas é que eu digo para você, o Brasil está muito bem representado com o Tafarel, tenho certeza que ele está fazendo toda essa leitura e vai saber tomar a decisão certa no momento certo.

Bom, eu acho que destrinchamos absolutamente tudo sobre passado, presente da seleção brasileira. E eu tenho uma última pergunta. Deixa eu fazer mais uma sobre presente, então? Vai, fô. O que seria sobre o quê? Passado, presente, futuro? Sobre um contraste que o Pracidele viveu na seleção brasileira, mas por favor, faz isso. Então vamos lá, já que a gente falava sobre essa situação atual dos goleiros, eu queria voltar ao que disse o Antelote em entrevistas recentes, Pracidele.

sobre a possibilidade de levar um goleiro que tem a característica de ser um pegador de pênaltis. Isso ficou muito famoso na Copa do Mundo aqui no Brasil em 2014, quando a Holanda, com o Louis van Gaal, fez isso, contra a Costa Rica, entre o Cru. Sai o Seelan e entra o Cru.

cru contra a Costa Rica e pega os pênaltis ali que levam a Holanda à sequência da competição, às semifinais no caso. Isso faz sentido para o senhor nesse momento, em uma seleção que talvez não tenhamos aqueles pegadores de pênalti como eram Marcos e Dida, levar um goleiro que tem essa característica?

Olha, tudo é válido. É o que eu falei para você. Depende do que o treinador está pensando. Eu acho que tudo é válido. Se você acha que essa seria uma... Como eu diria, você levar um goleiro com esse pensamento. Se você acha que no momento da competição você pode ter essa arma guardada, por que não levar?

Por que não? Eu acho que depende muito do pensamento do Ancelotti para tomar sua decisão final. Mas eu não vejo nada de...

uma coisa anormal que não possa acontecer. É lógico que isso vai ser muito bem passado para o goleiro titular. Ele vai, se acontecer, ele tem que ser sabedor o porquê está acontecendo e ele vai ter que encarar isso em uma situação normal. Assim como o treinador muda um atacante ou um defensor procurando alcançar um objetivo, ele também tem o direito de...

Se achar que vale a pena fazer isso, ele tem todo o direito, eu não tenho nada contra. E esse cara hoje seria o Hugo Souza? Pode ser que seja o Hugo, o Bento.

O Bento, eu digo porque eu trabalhei com o Bento, no Atlético Paranaense. O Bento também é um exímio pegador de penalidades. Por isso que eu digo, pode ter certeza que tudo isso está rodando na cabeça do Tafarel e do Ancelotti. Eu tenho certeza que as melhores decisões eles vão tomar. O Bento fez uma Libertadores de 2022 fantástica para si dele.

Ele fez com o próprio Atlético Paranaense, pegando pênaltis na Copa do Brasil, pegando dois ou três pênaltis contra o Botafogo lá no Engenhão. Nós eliminamos o Botafogo dentro do seu estádio, onde o Bento pegou acho que dois ou três pênaltis. Então, nesse ponto nós estaríamos resguardados, tranquilos nessa situação.

Para se dar e para encerrar a minha parte, não sei se o Maurício tem mais uma intervenção, você viveu dois momentos muito distintos na história da seleção brasileira, na história do futebol brasileiro. A plenitude, que foi a conquista do Penta Campeonato Mundial em 2002, e a derrota na semifinal da Copa de 14 por 7x1 para a Alemanha.

Como era a pressão em 14? Era uma coisa assim que vocês olhavam e falavam, é desumano isso aqui. Porque os jogadores, eu me lembrei, eu estava no Mineirão, no jogo contra o Chile, contra a Alemanha não estava. E antes dos pênaltis, estava todo mundo chorando.

O Thiago Silva e o outro jogador. O Thiago Silva sentado na bola. O Júlio César também. O Júlio César admite isso em uma entrevista depois do jogo. Como é que era a pressão naquela Copa do Mundo para se der? A pressão que nós tínhamos era fazer com que o Brasil chegasse na final. E chegamos na semifinal. Eu acredito que depois da Copa de 2002 tenha sido a única vez que o Brasil chegou numa semifinal.

Então, até então, dentro de todas as dificuldades que não só o Brasil, como as outras seleções estavam passando, estava tudo dentro de uma normalidade. E é lógico que você jogando uma Copa do Mundo dentro do seu país, a ansiedade...

Eu não consigo te falar em palavras tudo o que nós sentíamos. A nossa vontade de fazer com que o Brasil chegasse à final. O nosso sonho era levar a nossa equipe para o Maracanã, para a grande final de uma Copa do Mundo no seu país. Mas é o que eu te falei, as dificuldades foram grandes. Nós tivemos ali no jogo contra a Colômbia um momento dificílimo, que nós perdemos o Neymar.

Perdemos o Thiago Silva, o Neymar nós perdemos num lance criminoso do jogador da Colômbia. Zônica, né? Ele veio para quebrar o Neymar mesmo e conseguiu, tirou o nosso grande jogador da Copa. Então, a pressão que nós tínhamos era dada por nós mesmos.

Não digo que vinha de fora. Ela não vinha de fora. Ela vinha do nosso interior. Não só da comissão, como dos próprios jogadores. De querer chegar numa final. E tudo aquilo que aconteceu no jogo do 7x1, foi feito tudo para que aquilo não acontecesse. Só tem uma palavra que pode justificar tudo isso. Futebol.

Não tem explicação. Você pode perguntar para mim, mas o que aconteceu? Não sabemos o que aconteceu. As coisas foram acontecendo de uma maneira tão rápida, uma velocidade tão grande, que não deu tempo de fazer nada.

Então, é difícil você falar desse momento tão doído para todos nós, principalmente para nós, da comissão. Mas é o que eu digo para você, que a pressão era nossa mesmo, de fazer o melhor para o seu país. Não vinha da torcida, não vinha da imprensa, era uma coisa...

Dentro da gente. Uma cobrança. Uma cobrança nossa. De levar o Brasil para ser campeão. E não tem como a gente tirar da sua cabeça isso. Não tem como você entrar na cabeça do jogador e falar, olha, tira um pouquinho dessa ansiedade. Tem como. É uma coisa que está dentro. Por mais que você trabalhe, é difícil. Como ficou o Júlio César nesse dia do 7 a 1, Brasileiro? Não só o Júlio, mas todos nós. O Júlio ficou...

Praticamente ele falou que depois dessa situação ele iria encerrar sua carreira. Porque foi... A pancada foi muito... Eu não digo os sete, os gols. A decepção nossa de termos perdido o jogo. Poderíamos ter perdido de 1 a 0, de 2 a 0, que a decepção seria a mesma.

Nós queríamos chegar na final. E não aconteceu. E é lógico que o Júlio, por ser o goleiro, por ser o último ali da linha, tomou sete gols. Vai ser lembrado por ter tomado sete gols. Mas não se pode...

culpar o Júlio de ter errado em um gol sequer. Foram todas bolas indefensáveis. Mas ele era o goleiro, nós éramos da comissão. Tinha que ser com a gente, tinha que acontecer com a gente. Aconteceu como tinha que acontecer com a gente em 2002, nós fomos campeões.

Sem dúvida alguma. Claro, eu falei aqui no nome do Júlio, por a gente estar num programa debatendo os goleiros, mas compartilho da opinião do Pracidele também, né? O 7x1 em nada passam pela atuação do Júlio, muito pelo contrário. Era uma situação ali que o Júlio nada pôde fazer para evitar essa derrota da seleção brasileira na semifinal. O vestiário para a Cideli no intervalo desse jogo, já estava 5 para a Leibonha, né? É, no intervalo, o Filipão...

uma linguagem mais simplória, tentou juntar os cacos, tentou levantar a moral da equipe, tentou reorganizar a equipe. Tanto é que no segundo tempo as coisas foram... No segundo tempo foi dois a um.

Mas eu digo, é o que se podia fazer no intervalo. Como é que você vai falar? Porque praticamente ali tinha terminado. Eu digo para você, cada gol que a Alemanha fazia, o próprio banco da Alemanha, os jogadores, eles torciam, eles olhavam para nós assim, sabe? O que está acontecendo? Eles não acreditavam que estava acontecendo aquilo. Não acreditavam. Eu acredito que até os 22 minutos o jogo estava igual.

Dos 22 minutos, acho que aos 35, 37, posso estar enganado, nós tomamos três gols. Dava sair da gol, dava sair da gol. Não deu nem tempo de você fazer qualquer coisa para tentar evitar. É o que eu digo para você. Não dá para explicar. A única explicação são coisas que só o futebol faz com que aconteça.

Para se dar uma última da minha parte por aqui também, e aí eu vou sair um pouquinho agora da esfera dos goleiros, da sua preparação, do treinamento, da sua escolha dos goleiros para uma Copa do Mundo, mas voltando ainda a 2002, porque foi um tema que a gente tem debatido muito ao longo dessa semana, depois da confusão do Neymar com o Robinho Júnior no treinamento no CT Repelé.

Em 2002, vocês viveram um caso parecido, e vou perguntar isso ao senhor também, porque como um membro da comissão técnica do Felipão, talvez estivesse diretamente ligado nessa decisão que foi tomada, que foi da não convocação do Djalminha, depois de uma agressão ao técnico do Deportivo La Corunha. Como foi essa tomada de decisão lá em 2002, de tirar o Djalminha da Copa depois desse episódio? Olha... E aí

Para ser assim bem sucinto, o Filipão nem precisou tirar o de Jauminha. Ele mesmo entrou em contato com o Filipão e falou, Filipe, chefe, eu sei que não tem como o senhor me convocar. O ato que eu fiz aqui de indisciplina foi muito forte. Então o senhor fique à vontade, eu vou entender toda a decisão que o senhor for tomar. E não restava outra situação de não convocar o de Jauminha. Aqui.

Uma grande perda para um jogador fantástico. E acabou acontecendo, da não convocação de Jauminha. Mas teve também a convocação do Ronaldo, que até então era uma incógnita. E a convocação do Ronaldo para a Copa do Mundo começou nas eliminatórias de 2001. E o Filipão...

tomando um café junto com a comissão técnica. E o Filipão perguntou para o doutor Runco, falou, doutor Runco, sobre a...

A contusão do Ronaldo, como que é a contusão dele? Teria condições de se recuperar? O doutor Ronco falou, tem. Se ele fizer o tratamento da maneira que tem que ser feita, se ele se dedicar, ele tem condição de ir para a Copa do Mundo estar apto para ser convocado. Eu estou falando, ele tinha um ano, isso aí foi em junho mais ou menos, quando o Filipão assumiu a seleção. Aí o Filipão ficou pensando,

Chamou o Américo Faria, que era o nosso diretor de futebol na época. Falou, Américo, tem como eu entrar em contato com o Ronaldo? Eu queria trazer o Ronaldo aqui para fazer uma visita aqui na granja, para ele ver novamente, sentir essa sensação de seleção brasileira. Aí o senhor Américo Faria falou, tem sim o Filipão, tem um assessor de imprensa dele, que na época era só do Ronaldo, que era o Rodrigo Paiva, que depois passou a ser a sensação da...

Da CBF. Aí o seu América entrou em contato com o Rodrigo Paiva. O Rodrigo Paiva conversou com o Filipão. O Filipão explicou para ele, falou, Rodrigo, eu gostaria de trazer o Ronaldo aqui para ter uma conversa com a gente, para ver se ele tem o ânimo de se preparar. E foi assim que aconteceu. E aconteceu do Ronaldo...

Foi para a granja, nos fez uma visita, os jogadores adoravam o Ronaldo, né? E você via no brilho, nos olhos do Ronaldo, aquela... um jogador que tinha uma contusão gravíssima, né? Que já praticamente ele achava que nem viria mais seleção brasileira, né? E teve toda aquela conversa com o Filipão.

Então foi também um momento de uma tomada de decisão difícil para o Filipão, que lá na frente ele teve que optar pelo Romário ou pelo Ronaldo. Mas pelas convicções do Filipão, em termos de trabalho, de planejamento tático, o Ronaldo era o que mais encaixaria e acabou levando o Ronaldo.

E acabamos ganhando o Mundial. E como dizem os jovens hoje, o resto é história, o que fez o Ronaldo com o cabelo cascão dele na Copa do Mundo de 2002. Nosso último título mundial. Prasideli lá esteve, preparador de goleiras da seleção brasileira, também com a seleção na Copa das Confederações de 2013. Prasideli, queria agradecer a sua participação aqui do podcast na trilha do Hexa. Uma honra recebê-lo na Band News FM. Para nós é um prazer muito grande. Seja sempre muito bem-vindo.

O prazer foi meu, Maurício, Bernardo, a todos os ouvintes, as pessoas que acompanham a Bande News. Foi um prazer enorme estar com essas férias aqui do meu lado e torcer pelo Hexa. Se Deus quiser, vamos torcer com muita fé para que esse Hexa venha e para que o nosso povo volte a sentir a mesma vibração que nós sentimos lá em 2002.

Tomara que assim seja. Em breve o senhor volta aqui no Grupo Bandeirantes de Comunicação também. Vamos conversar outras vezes. Muito bom aproveitar um pouquinho dessa experiência toda. Ver essas boas histórias, né, Bernardo Ramos? Valeu. Até a próxima também. Valeu, Mau. Tamo junto. Semana que vem estaremos juntos de novo aqui. É isso. Caminhada agora, então, da Band News FM. Rumo à Copa do Mundo de 2026. E semanalmente você acompanha aqui os nossos episódios do podcast na trilha do Hexa. Então até a semana que vem. Valeu, pessoal. Tchau, tchau.

Você ouviu. Na trilha do Hexa, na Panja News FM.

Carlos Pracidelli relembra Copa de 2002 e analisa atual disputa de goleiros | Castnews Index — Castnews Index