Economia & Negócios | Terceirização Emocional: IA Pode ser amigo ou terapeuta? | OA!
Até quanto é seguro confiar na tecnologia para assuntos emocionais íntimos e delicados? Com trecho da entrevista com Rodrigo Bressan, psiquiatra, neurocientista, professor da UNIFESP, PhD e professor visitante do King’s College London.
Você já leu uma notícia hoje e sentiu que já viveu esse momento antes?
Essa sensação de déjà Vu não é coincidência. No Brasil, o que é manchete hoje costuma ser o eco de decisões e fatos que analisamos meses, ou até anos atrás.
Para celebrar os 8 anos da Crusoé, decidimos enfrentar esse ciclo. Pegamos o que nasceu no digital e, pela primeira vez, transformamos em um registro físico, tátil e permanente.
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José Inácio Pilar
Patrícia Chacur
Rodrigo Bressan
- Vínculo emocional com São PauloIA como amigo, terapeuta ou amor · Geração Z e relacionamentos com IA · Riscos e oportunidades da IA emocional · Amy Webb · SXSW
- IA na terapia e saúde mentalDemocratização do acesso à terapia · Limitações da IA em terapia · Rodrigo Bressan · UNIFESP · King's College London
- Filme 'Her' e a solidãoSpike Jonze · Joaquim Phoenix · Scarlett Johansson · Solidão · Inteligência Artificial como companheira
- Casamento com IA e impactos econômicosIurina · Yaa · Impacto em restaurantes, hotéis e companhias aéreas · Impacto na natalidade · Eva (aplicativo)
- Impacto da IA no desenvolvimento social e econômicoComprometimento de soft skills · Dificuldade em lidar com relações interpessoais · Dependência de tecnologia e sistema de recompensa · Mapeamento emocional para vendas
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Olá, está no ar mais uma edição do nosso Economia e Negócios. Eu sou José Inácio Pilar, ela é a Patrícia Chacur. E vamos trazer hoje um assunto muito interessante que é relacionado à apresentação que a Patrícia Chacur acompanhou no SXSW lá nos Estados Unidos mais há um tempinho atrás. Mas por que esse assunto é tão interessante? Esse assunto que eu ainda não falei qual é.
porque ele é um dos três pontos da chamada força de convergência, não é força de convergência, três convergências que a, digamos assim, futurista, é uma especialista em tendências futuras, MWeb falou por lá. Nós já falamos aqui, num outro programa, sobre a força de trabalho ilimitada.
Se você não sabe do que a gente está falando, dá uma olhadinha na nossa playlist, que lá você vai encontrar a explicação e, mais do que isso, as implicações para você dessa força de trabalho limitada. Mas agora a gente vai falar sobre a terceirização emocional. O que é a terceirização emocional? Mas antes disso, vamos falar um pouco, Patrícia, sobre o SXSW e a MWeb.
Olá, Inácio. Olá, antagonistas. Prazer estar aqui novamente. Então, o SXSW é o maior festival de inovação do mundo, que reúne cerca de 300 mil pessoas durante 9, 10 dias em Austin, no Texas.
E ele é um festival que mistura cinema, música e palestrantes. E todos esses palestrantes falam muito sobre o futuro. Então eu falo que no SX a gente começa a entender o que vai estar acontecendo nas nossas vidas daqui a dois, três anos.
E a Amy Webb, como você já mencionou, é a futurista mais badalada dos Estados Unidos, que realmente aconselha grandes empresas, aconselha grandes CEOs nos seus negócios, e a palestra dela é sempre a mais esperada. E esse ano, como você também mencionou, ela citou três convergências que vão moldar a nossa sociedade. Já estão moldando a nossa sociedade. Exato.
E hoje a gente vai falar dessa terceirização emocional, que é o fato de estarmos cada vez mais delegando à inteligência artificial as nossas questões emocionais. Então, se antes, se na minha geração, eu, adolescente, levavam fora do namorado e ia chorar com a minha mãe,
hoje provavelmente essas meninas estão se aconselhando com um bote, com uma um alguém ali, um amigo que elas criaram no MAIA.
Um amigo virtual. Um amigo virtual. Aliás, a gente tem até a imagem da Mweb, justamente durante essa palestra dela, a gente pode colocar no ar, só para ilustrar quem é a Mweb, caso você ainda não conheça, você vai saber um pouco da aparência da Mweb. Durante justamente essa palestra, aqui está ela, em que ela contou para a Patrícia e para quem mais estava presente lá no evento do SXSW sobre essas três convergências. E o interessante dessa terceirização emocional é que...
ela oferece muitas oportunidades, mas muitos riscos. Se a gente for pensar, existe, por exemplo, o fantasma de, por ser uma inteligência artificial, nunca vai ter algo diferente daquilo que ele recebeu o script.
para falar, né? E isso é especialmente atraente para uma nova geração de pessoas que ainda não tem esses soft skills, essas habilidades sociais, pessoas que ainda estariam, por serem jovens, formando a sua personalidade, entendendo como funcionam as dinâmicas sociais, os relacionamentos, amizades, namoros, tudo.
Tudo isso é um pouco assustador para todo jovem, para toda criança, todo adolescente. E é justamente essa nova geração que está sendo mais, digamos assim, seduzida por essa tecnologia. Porque os relacionamentos reais geram muito atrito.
Muita fricção. É difícil você ter um relacionamento, não só emocional, também no trabalho. Você fala uma coisa, a pessoa entende outra. Então, quer dizer, exige todo um jogo de cintura, uma negociação. E quando você está se relacionando com a IA...
não tem atrito nenhum. Ela só te coloca para cima. Ela só te elogia, ela só te valoriza. É muito mais fácil. Então, muitas pessoas estão usando a IA para amizade, para namoro e até para terapia.
E isso é um risco gigantesco para a nossa sociedade. Vamos falar disso. Vamos colocar a tabela da geração Z, que é justamente a geração que hoje já tem mais, digamos assim, tem sido mais impactado. São os nascidos entre 1997 e 2012. E veja só esses resultados, né, Patrícia?
Não, os dados são assustadores, né? Quer dizer, 49% dos jovens dessa geração já tiveram um relacionamento significativo com uma inteligência artificial. Por relacionamento significativo, desculpa, não significa apenas namoro, pode ser uma amizade. Muitos têm o que eles chamam de um...
A IA Companion, um companheiro, né? O que antigamente para as crianças era o amigo imaginário, né? Sim, eu já tive. Agora, eu não tive, sabia? Eu tive. Agora eles têm, então, ou uma amizade ou realmente um namoro com a IA. E o outro dado assustador é que 37% admitem que poderiam sim se apaixonar por uma IA.
Isso é muito preocupante. E aí você fala, nossa gente, mas que coisa mais maluca, que disruptivo. Mas que coisa doida, estamos em 2026 chegando nessa situação. Então, como a gente sabe, a arte imita a vida e às vezes a arte antecipa a vida. Em 2013, teve um filme que justamente abordava essa situação, que chamava Her.
que foi estrelado pelo Joaquim Phoenix e que tinha uma inteligência artificial. Aqui está Joaquim Phoenix falando com o computador. E a inteligência artificial o encantou. Ele se apaixonou pelo computador, que não atrapalhava nada ter a voz da Scarlett Johansson. Ajudou, né? Exato. Talvez se fosse com a voz da Nair Belo fosse um pouco menos encantador. E eu adorava a Nair Belo. Vamos deixar claro aqui nenhum tipo de comentário derogatório.
Mas o fato é que, portanto, isso foi antecipado. Em 2013, tivemos o Joaquim Fênix falando sobre isso. E aí você fala, nossa, mas que visionário que foi o diretor, o Spike Jonze. O Spike Jonze antecipou essa tendência das inteligências artificiais se tornando algo. Dos namoros, né? É, relacionamento, namoro, casamento, tudo isso. Será que ele estava tão à frente mesmo disso, Patrícia?
Olha, a Esther Perel, que é uma psicoterapeuta também maravilhosa, que sempre vai ao SXSW, aliás, as duas pessoas que eu mais gosto de ouvir lá são a Amy Webb e a Esther Perel, ela levou o Spike Jonze para uma sessão justamente para falar sobre esse filme, porque ali no filme ele tem um relacionamento com a Scarlett Johansson. A voz dela, pelo menos.
E a Esther Perel é uma psicoterapeuta especialista em terapia de casal. E há pouco tempo ela teve um paciente...
que veio fazer uma sessão de terapia com ela para falar que ele estava apaixonado por uma IA. Então, ela disse que ela já teve várias primeiras vezes como psicoterapeuta em terapia de casal. Por exemplo, ela já teve a primeira vez em que ela fez uma sessão sobre poliamor. Ela deu lá uma série de exemplos de relacionamentos modernos. E dessa vez foi a primeira vez dela com um casal que era um humano.
E um bot, né? Eu ouvi esse podcast. A Astrid, o nome da namorada do paciente dela. Então, como ela teve essa experiência, ela falou, bom, vou convidar o Spike Jonze, que foi o visionário que antecipou tudo isso lá 13 anos atrás. E esperava-se muito dessa sessão.
Porque ela, né, puxa, como é que você imaginou, como é que você enxergou o futuro? E ele falou, não, não foi nada disso. Na verdade, ali, aquele é um filme sobre a solidão. Então, era a solidão do personagem, né, do Joaquim Phoenix. Realmente bem melancólico.
bem melancólico, né? O Spike Jonze percebeu um início do uso de gadgets, né? E das pessoas se comunicando. Na verdade, o filme, até, numa das primeiras cenas, tem um momento desses telefonemas que tinha sex line, né? Que você ligava para uma pessoa. Tinha teleamizade. É, exato.
Então ele faz uma referência a isso. Ele vendo esse movimento, ele extrapolou para esse universo. Mas eu fui assistir o filme novamente agora. E realmente ali ele previu muita coisa. Você assistir hoje, é impressionante. Principalmente os videogames que ele usa, que são de realidade aumentada. Exato, imersivos e tal.
Mas ele falou, não, eu não estava prevendo nada, eu estava simplesmente falando sobre um indivíduo muito solitário e a expansão da consciência dele. Esse era o objetivo. E a conversa deles não rendeu muito, e foi um pouco decepcionante. Agora, eu tenho uma curiosidade para contar, porque o Spike Jonze é muito tímido. E quando eu trabalhava na Nike, nós o contratamos para dirigir um dos nossos filmes.
E ali, para nós, ele era um cara que estava bombando e tal, foi super bacana tê-lo no set de filmagem, mas ele era muito calado, muito fechado. Geralmente o diretor está sempre chamando os criativos e os clientes, no caso eu era cliente, trocando uma ideia, olha, por aí, vocês estão contentes, vocês não estão contentes, geralmente é um trabalho feito.
em conjunto. Mas ele não, ele ficava super na dele, ele mal falava conosco, então, na hora que eu vi que a conversa dele com o externo rendeu, eu acho que é da personalidade dele, ele é mais introspectivo. Aí que está isso que eu ia perguntar, se ele é introspectivo ou se ele simplesmente é daqueles que, tipo, estou aqui fazendo um trabalho, não quero intimidades, não quero fazer aproximações.
Mas eu acho que é da personalidade. O que nos faz pensar que essa questão do personagem do Joaquim Fênix talvez tenha mais dele do que algumas pessoas poderiam pensar. Pois é, passando-se os anos, tivemos aí, portanto, uma extrapolação do que a gente viu no filme dele. Por quê?
Porque já tem gente que namora com inteligência artificial. A gente viu o caso da Astrid no podcast da Esther, que a Patrícia acabou de mencionar. Mas tem gente que casou com a IA. Como assim? Casou. Vamos ver aí a imagem da Iurina. A Iurina casou.
Ela é uma japonesa de 32 anos que casou com inteligência artificial. Note que ela está ao lado dela, em cima da mesinha lateral, tem a Yaa, que ela criou a imagem de um personagem que ela era super fã. Temos a outra imagem agora também do casamento dela, onde ela está usando tecnologia aumentada, talvez menos avançada em relação ao que algumas pessoas imaginavam no filme Her, mas de toda forma...
para que o casamento dela com o personagem, que hoje é uma realidade, digamos assim, eletrônica, pudesse acontecer. E eu não vi muita gente presente lá naquele casamento. Pelo menos nas fotos que eu vi, não tinha muita gente sentada nas cadeiras. Quem sabe os convidados também fossem virtuais.
Mas tudo isso, por quê? Porque cada vez mais gente está usando essa tecnologia. Veja que interessante aqui. Segundo dados da agência de comportamento Talk Inc, uma estimativa do UOL mostra que mais de 12 milhões, só de brasileiros, hein? 12 milhões de brasileiros já utilizam a ferramenta de inteligência artificial para fazer terapia. Terapia com chat GPT. O que é que você acha dessa?
Aí é uma questão complexa, Inácio, porque a gente sabe que a terapia, pouca gente tem acesso, existe uma questão de custo, então a nossa primeira impressão é, puxa, que bacana, vamos poder democratizar isso, dar mais acessibilidade.
mas até que ponto a gente pode confiar numa IA para te dar conselhos? Até porque nós acabamos de comentar que a IA só te badala, a IA só te põe para cima. Eu me irrito com o meu chat GPT diariamente, porque ele fica me badalando. Eu falo, chega, menos, menos, menos, isso é muito cansativo. Então, se você não tem muito discernimento, e outra, o papel do terapeuta é justamente te provocar.
e analisar coisas que por exemplo a tecnologia não tem como ver se o seu tom de voz, a sua hesitação se você franze o senho se você fica nervoso se você está mexendo a mão se você está batendo o pé no chão todos esses sinais que alimentam a análise de um bom psicoterapeuta de um psicólogo, um psiquiatra ou um psicanalista
Passa um batido da tecnologia que está lá para te agradar, para te proporcionar, mas nem sempre te põe para cima. Às vezes é uma armadilha literalmente mortal. Nós vamos colocar um trechinho aqui da entrevista que nós fizemos com o psiquiatra Rodrigo Bressan, que fala justamente sobre os perigos.
Da IA, como eu falei, a IA também pode ser útil em outras facetas, mas esse trecho fala especificamente sobre os perigos da IA. Vamos ver esse trechinho.
Nós vimos um dado, Rodrigo, que 49% dos jovens da geração Z já tem um IA Companion, quer dizer, um amigo de IA, seja para amizade, seja para aconselhamento ou para relacionamento amoroso. Esse número é muito alto. E essa turminha da geração Z acabou de sair da pandemia.
onde já houve um isolamento social e já houve essa dificuldade de desenvolver essas habilidades socioemocionais. Então imagina, vem agora uma IA em cima desses quatro anos de isolamento. O que vai acontecer com essa geração?
É interessante, porque a pandemia foi quase que um experimento sobre questões humanas, especificamente em questões de saúde mental. Porque, para o jovem, pensando no jovem...
Ele foi retirado da escola, que é um lugar de convivência. Começou a conviver de um jeito virtual. Se jogava muito e eles jogavam e conversavam entre si, ou tinham trocas em grupos e tal. Mas a escola em si foi perdida. E foi muito interessante. Eu não conseguia prever o impacto nesses jovens.
eles perderam um pouco de português e matemática, mas a principal coisa que eles perderam foi a habilidade de se relacionar. Então, quando eu vou na escola, eu aprendo a ser cidadão, eu preciso respeitar uma fila, esperar a hora de falar, ser frustrado, ter raiva de alguém que me incomodou e me controlar, gostar de uma menina e ela não me querer. Você tem que lidar com frustrações.
sociais, a gente tem que aprender a conviver em sociedade. Isso é uma habilidade básica para o funcionamento de uma sociedade. Se você tira, isso piora muito. Então, na volta às aulas, isso ficou muito claro. Os jovens não ficaram um ano, seis meses depois, mais seis meses e tal, e o impacto já foi enorme.
Mas, se você tem algo como essas AI's, que viram amigos, conselheiros e tal, companhias, né? AI companion, companheiras, eu não sei exatamente qual é a melhor tradução, eles começam a funcionar quase que em paralelo com tudo que vai acontecendo na sua vida. Então, ele vira o principal interlocutor.
que é um interlocutor que não te frustra, que não vai falar que você está fazendo errado, que você está chato, que você está insuportável, não dá para funcionar assim, vai dormir cedo, porque não interessa que vá dormir cedo, não interessa que continue ali. Então, isso vai ter um impacto, mas ninguém sabe exatamente qual vai ser o impacto, porque ele vai estar no desenvolvimento. A gente consegue imaginar o que vai acontecer e...
parecido com a mídia social que a gente usa atualmente. Então, ah, eu fiquei viciado no Instagram. Tá bom, mas você tem um equipamento para lidar com o Instagram que foi montado muito antes, como adulto. Quando você é jovem e começou a funcionar a partir do Instagram, você é absolutamente, o seu sistema de recompensa fica montado assim. A gente monta o sistema de recompensa no desenvolvimento humano.
Na fase da adolescência, ele é extremamente, é uma janela de montagem de recompensa, que assim, eu tenho um estímulo, um apetite muito alto e eu tenho que frear os meus impulsos. Com isso que as mídias sociais fazem todo um jogo para criar dependência.
Essa montagem, se ela é distorcida, você tem uma chance muito maior de ficar dependente no futuro. Isso vale para qualquer droga. Álcool, tabaco, maconha, cocaína, qualquer outra droga. Porque o seu sistema de recompensa está em construção. Quando você está mais velho e toma contato com a droga ou qualquer um desses estímulos, você tem um comparativo e você tem um freio mais potente. O cérebro está estruturado de um jeito que ele para antes. Então, para um jovem agora parar de usar a mídia social é muito mais difícil.
do que alguém que aprendeu. Porque eles não sabem o que é não ter. Exato. E porque eles foram treinados como natural ter. Então é automatizado aquela coisa de vai, vai, vai, muda. Está aí Rodrigo Bressan, cuja entrevista você pode assistir na íntegra, na nossa playlist, em algum momento oportuno.
não sabemos se já está no ar ou não, depende porque eu não sei que hora você está vendo esse programa, esse programa daqui é um programa que pode ficar sendo assistido por meses e anos a fio, porque o tema é atemporal. Então, veja lá a entrevista também com o doutor Rodrigo Bressan.
Mas tudo isso que a gente está falando, a gente falou sobre o ponto de vista de comportamento. Mas também tem um lado econômico de tudo isso, que eu separei aqui justamente por quê? Porque existem aplicativos para fazer terapia. Temos, por exemplo, o aplicativo, deixa eu pegar aqui o nome.
síngulo. Vamos colocar, então, o aplicativo síngulo, que é um aplicativo que existe brasileiro criado para você fazer um acompanhamento emocional. Não vou nem usar a palavra terapia, porque pode ter implicações mais complexas, então vamos colocar esse exemplo aqui. Lá fora, também tem um outro chamado Therapy AI.
Aí você vê que tem todo um template onde você mostra como é que está o seu humor, como é que você está se sentindo, tudo isso voltado para quem está procurando o apoio emocional, procurando um norte, digamos assim. Por outro lado, essas novas tecnologias também têm agora uma faceta que busca ajudar os terapeutas em si.
De repente, uma tecnologia ajuda o terapeuta a entender melhor, a fazer o management da sua agenda. Manager, ele pareceu meio pedante, né? Fazer, enfim, o gerenciamento da sua agenda. E tem aí o Talkspace.
O Talkspace é especialmente interessante porque os algoritmos dele prometem que consegue identificar mudanças de humor conforme ele analisa as trocas de mensagens escritas entre o terapeuta e o seu paciente e com análise nesses padrões, mudanças de humor, sugerir respostas terapêuticas. Além disso, ele também tem recursos, como eu falei, de agendamento.
com inteligência artificial e acompanhamento automatizado, que melhoraria o engajamento do cliente e a continuidade do tratamento, porque tem muito paciente que quando a coisa começa a cutucar no vespeiro, ela desiste da terapia. Exato. Também tem aqueles que continuam, que não fazem terapia, frequentam a terapia. Mas tudo isso a gente vai falar em outra ocasião.
Mas o importante também disso, portanto, é a consequência econômica. Afinal, é economia e negócios. Por quê? Porque se a gente tiver cada vez mais usando esses aplicativos, chat GPTs, quem garante que em algum momento, não muito distante...
Essas tecnologias não vão mapear o estado de espírito das pessoas, perceber os momentos de vulnerabilidade, os assuntos em que ela está mais, digamos assim, receptiva, e colocar um malho de venda para um aplicativo diferente, para um produto, para um serviço. E aí, portanto, você pode ser mapeado emocionalmente. Emocionalmente. Isso já acontece hoje com o algoritmo, só de você falar alguma coisa.
coisa, né? Você menciona que você quer ir pra Grécia, você começa a receber um monte de de ideias aí de roteiros pra Grécia. Agora, na hora que eles também puderem te captar emocionalmente, isso vai ser ainda mais perturbador. E sobre os aplicativos, é interessante a gente citar que esse ano, em fevereiro, em Nova York, no Valentine's Day, houve um encontro.
de uma empresa chamada Eva, é um aplicativo chamado Eva, onde você entra e você cria o seu namorado, namorada virtual. E aí eles fizeram, na noite, 14 de fevereiro, fecharam um restaurante, onde os clientes do aplicativo foram lá para jantar.
com os seus namorados de Iá, com o celular, e interagir ali. Olha que loucura. Pois é, isso traz outra consequência econômica. Ao que me consta, celular não come, não toma vinho, não viaja.
não paga passagem aérea, os relacionamentos, portanto, virtuais, em eles sagrando, as companhias virtuais, vão ter impactos econômicos, por exemplo, em restaurantes, em hotéis, em companhias aéreas, tudo isso que hoje um casal vai com seus programas, seja no começo da relação, seja durante a relação, tudo isso vai ser impactado.
porque a pessoa pode preferir ficar em casa, não precisa ir ao restaurante, e se for, vai ser uma pessoa só. Também pode ter impactos na natalidade. Existem muitos países que têm um problema de natalidade, está nascendo cada vez menos criança. Imagine se agora tivermos mais essa competição para a natalidade. Isso vai ter...
questões econômicas gravíssimas, sem falar no comprometimento dos soft skills das pessoas. Total, porque é o que nós mencionamos aqui. Na medida que você se relaciona com o Maia, você elimina todo o atrito das relações pessoais, que é trabalhoso. Dá trabalho, você tem que discutir, você tem que se alinhar, você tem que negociar, seja com o seu namorado, com o seu marido, com o seu chefe, com o seu amigo, tudo exige uma certa negociação.
E as pessoas vão se acostumando cada vez mais a não ter que passar por isso e a ter os relacionamentos muito fáceis e muito sem atrito. E aí como é que fica a convivência em sociedade? E também traz custos. Você vai ter cada vez mais uma nova geração, partindo da premissa que essa questão realmente cresça exponencialmente, como parece ser o caso.
Cada vez mais você vai ter uma geração que não sabe lidar com colegas de trabalho, gerenciar processo, gerenciar equipe, ser gerenciado por um superior, hierárquico, enfim, todas essas matizes vão trazendo impactos econômicos, sociais, e não vou nem falar emocionais, que foi a base do nosso programa. Bom, eu acho que com isso a gente cobriu bastante esse aspecto muito interessante que a MWeb trouxe nessa provocação do SXSW.
Isso, a Amy e a Esther, né? É verdade. Com essa sessão aí, com esse analisando dela, que tem de fato uma relação com a Iá. E é interessante, não mencionei isso, ele começou esse relacionamento...
Ele não criou a Astrid, que é a namorada dele hoje, para ser uma namorada. Ele criou para que ela fosse uma agente, porque ele queria mudar de país. E ele queria que ela o ajudasse a planejar essa mudança de país. E ele acabou se apaixonando por ela e ela por ele.
É, ou ela por ele, fica no campo da reticência. Pois é, isso cabe a você descobrir. Você acredita que a IA pode se apaixonar de volta? O que é paixão? A máquina pode ter esse tipo de, entre aspas, sentimento? Tudo isso, escreva aqui embaixo nos comentários do nosso programa, que a gente quer saber, porque a gente ainda vai falar mais sobre inteligência artificial aqui no Economia e Negócios. Patrícia, nos vemos no programa que vem? Nos vemos. Até lá, pessoal. Tchau, tchau. Obrigada.
Você acaba de ouvir um podcast O Antagonista Sempre explicando o que você precisa saber
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