Episódios de Economia 100 Makas

2.ª- feira, 04 Maio 2026

05 de maio de 202649min
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Bom dia, boa semana.
  • Angola desce em toda a linha no índice de liberdade de imprensa;
  • FMI aconselha o governo a usar receitas adicionais do petróleo com a guerra para reduzir dívida e constituir reservas;
  • Só 6% do comércio angolano é com países africanos;
  • Banca engorda nos lucros mas emagrece nos trabalhadores.
Participantes neste episódio2
M

Manuel

Host
C

Carlos Rosado de Carvalho

ConvidadoEconomista
Assuntos4
  • Liberdade de ImprensaÍndice de Liberdade de Imprensa · Indicadores Político, Econômico, Legislativo, Social e de Segurança · Mídia Estatal e Órgãos Públicos Dominantes · Fontes de Informação dos Angolanos (Rádio, TV, Redes Sociais) · Contestação do Estudo pela Direção Nacional de Informação · Rádios Independentes e Domínio da UNITA · Criminalização e Intimidação de Jornalistas · Escrutínio sobre o Presidente da República · Autocensura na Comunicação Social · Comparação com o Governo de José Eduardo dos Santos
  • Relatório do FMIUso de Receitas Adicionais do Petróleo · Redução de Dívida e Constituição de Reservas · Ausência de Programa Ativo com o FMI · Consulta Anual sob o Artigo 4º · Agenda Reformista e Lista Cinzenta do GAFI · Política Cambial e Taxa de Câmbio Livre · Problemas no Setor Bancário e Banco Económico · Reforma dos Subsídios e Proteção aos Vulneráveis · Crescimento Econômico Abaixo da População · Inflação em Queda
  • Comércio e Relações EconômicasBaixa Percentagem de Comércio Intra-Africano · Importância da Proximidade Geográfica · Problemas de Infraestruturas e Falta de Oferta · Adesão à Zona de Comércio Livre da SADC · Comparação com o Comércio de Portugal com a Espanha · Média de Comércio Intra-Africano
  • Lucros Bancários vs. Empregos em AngolaDesaparecimento de Empregos no Setor Bancário · Aumento dos Lucros dos Bancos · Reestruturação e Recapitalização do BPC · Plano de Recuperação do Banco Sol · Impacto da Inteligência Artificial no Setor · Lucros Provenientes de Títulos da Dívida Pública · Operações Cambiais como Fonte de Lucro
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É que o nosso problema não são os câmbios, o nosso problema não são isso, o nosso problema é a educação e é a saúde. Porque nós não temos um relatório de contas. Os ministros, essas coisas todas, devem ter muito trabalho para fazer. Economia sem vacas, com Carlos Rosado de Carvalho. Aquilo é uma coisa ingovernável.

As nossas melhores saudações, bem-vindos à Economia Sem Macas, a segunda-feira. Ora, hoje vamos olhar para a liberdade de imprensa. Angola deixa em toda a linha no índice de liberdade de imprensa. FMI aconselha o governo a usar receitas adicionais do petróleo com a guerra para reduzir dívida e constituir reservas. Só 6% do comércio angolano é com países africanos e depois banca engorda nos lucros, mas emagrece nos trabalhadores.

São temas para desenvolver, já a seguir com Carlos Rosado de Carvalho. Olá Carlos, bem-vindo. O primeiro ponto é exatamente liberdade de imprensa. Nas quantas andamos? Os repórteres sem fronteiras publicaram a classificação habitual de liberdade de imprensa a nível mundial.

E o que nós temos é que, como disseste, Angola desceu em toda a linha. E o que é que eu quero dizer com isso? O índice de liberdade da imprensa é calculado a partir de cinco indicadores. Um indicador político, um indicador económico, um indicador legislativo.

um indicador social e também um indicador de segurança. E, portanto, depois são estes cinco indicadores que são depois, digamos assim, resumidos num único número, que é o índice de liberdade de imprensa e que varia.

de 0 a 100. E o que é que nós temos? Em 2005, o nosso índice era de 52,67. Como isto é de 0 a 100, digamos que estávamos na metade superior.

E o que é que acontece este ano, em 2026? O índice baixa para 48,82%. Passamos para a metade inferior da classificação. E isso coloca-nos ou mantém-nos juntamente com países que os repórteres sem fronteiras dizem que a liberdade de imprensa é difícil.

Mas dizia eu, são cinco indicadores e é o seguinte, no indicador político...

Nós éramos o número 118 e agora somos o 124. Portanto, este ranking, o 124 é uma classificação pior do que a 118. E também não diminuímos apenas no ranking, diminuímos também ao nível da...

Do índice, ele próprio, no indicador político, passámos de 38,7% para 35,44%. E o que é que os repórteres sem fronteiras dizem? É que o nosso panorama mediático angolano é marcado pela mídia estatal.

E é um facto que denunciamos aqui várias vezes. Os únicos órgãos que têm, digamos, verdadeiramente dimensão nacional são órgãos públicos.

São as televisões, são as rádios e é o único jornal diário impresso do país que é o jornal de notícias. O jornal de Angola. Teoricamente, a rádio Eclésia não está em todo lado. É talvez a segunda, depois da rádio mais. De facto, quem predomina é a comunicação social.

pública. Eu costumo dizer que não passa da televisão, não existe. E as televisões são todas públicas. Existe a girassol, que é controlada por quem? Por pessoas também próximas do regime. Portanto, não há dúvida nenhuma, e aqui neste aspecto, os repórteres das fronteiras têm razão, que há uma predominância da comunicação social pública, por exemplo, na imprensa.

Aqui os Repórteres Sem Fronteiras dizem que ainda existem quatro jornais na versão impressa. Eu só conheço dois, basicamente, que é o Expansão.

e o Novo Jornal, que sai com pluralidade todas as sextas-feiras, nós encontramos os nominais nas bancas. Os outros, enfim, tens também um de economia, a economia-mercado, uma revista que também aparece, mas de facto, os portas telefones têm toda a razão, são dominados, o panorama da comunicação social angolana é dominado pelos...

pelos órgãos públicos. E eu dizia, Manel, que por onde é que se informam isso é muito importante porque os angolanos informam-se como?

Mais ou menos. A rádio e a televisão têm mais ou menos o mesmo peso. Portanto, 70% dos angolanos informam-se através da televisão e através da rádio. Enfim, uns com maior frequência, outros com menor frequência. Por exemplo, na rádio, todos os dias, apenas 25% da população. Estou a citar um inquérito do Afrobarómetro.

Todos os dias 25% informam-se pela rádio. Pela televisão todos os dias são quase 42%. Estás a ver? É o que eu te digo. Não passou na televisão? Não. Existe. Jornais.

É ao contrário, só à volta de 33% das pessoas se informam através dos jornais e todos os dias 5%. O domínio da rádio e da televisão é um domínio esmagador, as pessoas informam-se pela rádio e pela televisão. Nós temos aqui agora a questão às redes sociais.

pelas redes sociais há 44% dos angolanos nunca se informam pelo Facebook pelo Twitter agora o X, pelo WhatsApp ou por outros portanto, estás a ver esta enfim, falamos muito as redes sociais são importantes, sem dúvida nenhuma são cada vez mais importantes

Mas, na realidade, há 44% dos angolanos que estão excluídos das redes sociais. E, portanto, estes números, de facto, revelam que as plataformas por onde os angolanos se informam mais...

são completamente dominadas pelo setor público e pela comunicação social pública. O Diretor Nacional da Informação veio contestar o estudo da radioimprensa e, por exemplo, e disse que aquilo contém erros. E, de facto, aqui, por exemplo, contém um erro.

Agora está a me escapar. Os repórteres sem fronteiras dizem que apenas há duas televisões, televisões não, rádios independentes, que é a MFM, privadas independentes, que é a Eclésia. Aqui sabemos todos, Manuel, se há uma rádio... Sim, não sei se é independente, se é independente, que é o caso da...

despertar. De facto, despertar é independente do governo, mas sofre do mal oposto. É completamente dominada pela UNITA. Todos nós sabemos, nós temos dois olhos.

e dois ouvidos para percebermos e somos inteligentes para perceber não sei o que é que os reportes sem fronteira querem dizer com o independente, mas temos o meio essencial também é independente e portanto aqui João Medemba aproveita-se de um detalhe para mas na realidade do ponto de vista político as televisões e as rádios são completamente dominadas pelo governo obligation

e são as únicas que chegam ao país todo. E portanto, desse ponto de vista, parece-me que não subsistem dúvidas sobre a razão que assiste aos reportes sem fronteiras. No cómputo geral, Carlos, é um relatório alerta ou apenas constatação da realidade que existe?

Manoel, é as duas coisas. É um alerta para todos nós, não é? Porque não existe democracia sem liberdade de imprensa. Venham aí as eleições e se a imprensa é importante a todo o tempo nas eleições, assume especial importância. E isto também não é propriamente novo.

Uma das razões, e temos aqui outra questão, Manoel, que é a questão do indicador económico. Nós temos, em termos de indicador económico, é a pior classificação de Angola. Entre 180 países somos número 164.

No ano passado, éramos 155. E, em termos de índice, o ano passado tínhamos 30,25, agora temos 27,77. E o que é que acontece aqui no contexto económico?

Quer dizer, os órgãos privados vivem numa asfixia completa. Porque é o seguinte, Manoel, as pessoas, por exemplo, comunicação social, só 5% é que se informam todos os dias através dos jornais. Portanto, as pessoas não compram os jornais.

a publicidade também praticamente não existe. E, portanto, os órgãos privados vivem permanentemente com a corda na garganta, porque não têm dinheiro. Por exemplo, para fazer coberturas, sei lá, o caso de Benguela.

o Benguela saiu da agenda. Nós não sabemos o que é que se passa em Benguela, nunca mais ninguém foi falar com os desalojados que supostamente estão no parque de campismo. Eu, pelo menos, não o tenho visto. Saiu completamente da agenda porque é uma coisa que não convém ao governo manter na agenda e, portanto, desapareceu da onda mediática dos jornais.

da comunicação social pública os privados não têm dinheiro para mandar pessoas para Benguela para ver aquilo que se passa e depois tem-se outra coisa, Manoel enquanto os privados

Vivem esses problemas todos. O que é que acontece com os órgãos públicos? São altamente subsidiados. Temos-lhe dito aqui de sempre, agora vem o relatório do IGAP e vão-nos constatar outra vez, quem recebe mais subsídios operacionais são os órgãos públicos, portanto os salários dos órgãos públicos são pagos através do Orçamento Geral do Estado.

E são pagos através do Orçamento Geral do Estado, mas só dão as notícias praticamente do MPLA, do Governo e do Presidente da República. É isso que acontece todos os dias e que nós vemos. Portanto, do ponto de vista económico, os ambelanos não lembram, enfim, temos níveis de literacia muito baixos, temos um fraco poder de compra.

E, portanto, as pessoas informam-se por onde? Através da televisão e da rádio, que são gratuitas. E a televisão não é tão gratuita como isso, porque agora, como sabemos, o sinal não chega a muitos sítios. E as pessoas, para terem a televisão, têm que ter uma assinatura de um dos provedores de televisão. Mas, portanto, contexto económico, o Manel também muito, muito apertado, uma vez que o...

que os órgãos privados... E, quer dizer, o problema da comunicação social e das dificuldades económicas não é exclusivo de Angola, é um problema que existe em todo o mundo, mas existe especialmente em países onde as pessoas leem pouco, têm poucos níveis de educação e, portanto, nós temos esse problema. Depois, o contexto legislativo.

Também descemos de 101 para 113. O índice baixou de 56,94 para 50,78. Mais uma vez aqui, o que é que nós temos? Uma luta em glória contra a descriminalização dos jornalistas. Os jornalistas continuam a ser criminalizados.

Foram criadas agora as tais leis das fake news, etc., que, no fundo, são uma forma de intimidação dos jornalistas. E, portanto, também por aqui, Manel, nós continuamos, digamos assim, numa situação complicada.

Do ponto de vista social, também pioramos. Éramos o número 76, passamos a ser o número 94. E vale dizer que este indicador social e o indicador de segurança são aqueles onde nós temos uma melhor classificação. Portanto, depois, segurança.

Temos visto também, recentemente, ou pelo menos não há muito tempo, foram presos jornalistas no âmbito daquele processo dos rujos. Enfim, não sabemos se está a ser julgado o caso, creio eu, mas houve pelo menos um jornalista que esteve preso umas semanas, depois foi solto.

sem qualquer acusação. E, portanto, aqui são estas práticas, no fundo, também visam fazer o quê? Visam intimidar as pessoas. Depois, o...

O Diretor Nacional de Informação depois também contesta algumas coisas relativamente à questão que é levantada, que é... Sobre rádios comunitárias, por exemplo? Diz? Sim, sobre rádios comunitárias também, não é? A existência ou inexistência, sim, está na lei. Mas?

O que nós vemos é que são estas todas, eu não sei se são comunitárias, mas todas as rádios locais, dos municípios, etc., também pertencem à Rádio Nacional de Angola. E, portanto, reproduzem aquilo que a Rádio Nacional de Angola diz. E o que a Rádio Nacional de Angola diz é, naturalmente, enfim, pró-governamental. Também são feitas que a Rádio Nacional de Angola diz,

algumas críticas, nomeadamente, às questões da relação da comunicação social com o Presidente da República, com a Presidência da República. Nós sabemos todos, o Presidente da República não dá entrevistas à comunicação social. Blana dá, de vez em quando, à comunicação social pública e, quando lhe apetece, fala para a comunicação social angolana, por exemplo.

Quando foi daquela questão do Higínio Carneiro, quando o Higínio Carneiro foi manifestar a sua intenção de se candidatar, o Presidente chamou a TPA para desfazer de Higínio Carneiro.

as perguntas ao Presidente também são aquelas que são combinadas e que são permitidas pelo serviço de imprensa do Presidente da República. Por exemplo, tivemos recentemente aqui em Benguela, quando o Presidente foi visitar Benguela depois das cheias.

Eu não vi nenhum jornalista perguntar-lhe sobre, fazer perguntas difíceis, nomeadamente sobre onde é que estava a Califórnia de Angola. Portanto, nós vemos o Presidente em todos os... eu não participo, não sei, quer dizer, não sei, no facto de não participar, não quer que não saiba, mas o que os colegas dissem.

É que antes que o Presidente da República responde às perguntas que quer, e antes de responder às perguntas, passam os assessores do Presidente a perguntar o que é que as pessoas vão perguntar. Enfim, aqui temos uma questão que é, nós jornalistas também temos, e desse ponto de vista da lei, enfim, somos até protegidos, não temos, se me viessem perguntar o que é que eu vou perguntar, eu recusava dizer, não dizia.

Se depois me deixassem fazer a pergunta ou não me deixassem fazer a pergunta, já era outra história. Mas eu não tenho que dizer aos assessores do Presidente sobre o que é que eu vou perguntar. E até posso dizer uma coisa e perguntar outra. Mas, portanto, nós sabemos todos...

por aquilo que nós vemos na comunicação social, pelas perguntas que nós devemos fazer, que efetivamente não há escrutínio sobre o Presidente da República. O Presidente vai hoje ao luau, creio eu, e nós vamos ver as perguntas que serão feitas pelos jornalistas presentes.

Temos também o caso do presidente Lula, quando esteve cá, e que perguntou ao presidente, e disse ao presidente João Lourenço, que os jornalistas angolanos eram muito bem comportados, e que não estava habituado a este tipo de perguntas. Carlos, vem este índice de liberdade de imprensa mostrar o país real, visto a lupa da comunicação social?

Eu creio que sim, Manuela. Enfim, estas são coisas que todos nós sentimos. Agora, Manuela, eu também tenho que dizer o seguinte, se tu posso também... Eu, Carlos Osado Carvalho, falo aqui todos os dias na MFM, não tenho, sem qualquer condicionamento.

Eu não tenho, não tenho condicionamentos, mas não tenho porque nunca me telefonaram, nunca me ameaçaram. Nunca tive esse tipo de problemas. O controlo é muito mais sofisticado, percebes? Há aqui também, da parte da comunicação social e da parte dos jornalistas, também alguma autocensura.

E que, enfim, sabemos todos qual é a razão, porque as pessoas querem, têm receio das represálias, se saírem de um determinado sítio e depois não encontram lugar noutros locais, nomeadamente a comunicação social pública.

Esta liberdade de imprensa, eu pessoalmente, eu, Carlos José de Carmelho, não posso dizer, mas naturalmente, não vou à comunicação social pública, não vou à televisão pública, não vou à rádio nacional e muitas vezes até, agora deixaram-me convidar, mas a uma certa altura convidávamos.

Mas eu vou dizer, olha, eu só vou se fizerem direto, porque nós sabemos que quando vamos e damos uma entrevista, depois as nossas declarações não passam todas, são selecionadas e só passam as declarações que interessam e que são favoráveis ao governo ou ao presidente da República.

Mas eu, repito, eu, Carlos José de Carvalho, não tenho problemas com... Nunca tive problemas, nunca fui molestado pelo facto de dar as minhas opiniões. De vez em quando aparecem coisas nas redes sociais dizendo que sou isto, que sou aquilo, que sou o outro. Mas, na realidade, da parte do governo, oficialmente, das instituições públicas, nunca tive problema absolutamente nenhum. Agora, só para terminar, eu fui fazer as comparações...

com o tempo anterior, que era o acontecimento anterior, que era de Zé Eduardo dos Santos. E o que é que acontece, Manuel? Nós, do ponto de vista da classificação...

Nós, mesmo agora, estamos melhor, porque em 17, no último ano de Eduardo Santos, nós éramos o número 125, e agora somos o número 109, e portanto, do ponto de vista da classificação, estamos melhor. Agora, do ponto de vista do índice, da qualidade e da liberdade de informação, nós estamos pior. Portanto, estamos melhor quando comparados com outros países, mas estamos pior relativamente ao nosso índice.

Em 2017, Manel, o score que nós tivemos era à volta de 60, o último ano de José Eduardo dos Santos. Nós, agora, em 2026, temos 48,8.

Do ponto de vista... Como é que isto pode ser lido? É que nós pioramos, mas pioramos menos do que os outros, porque uma das características deste estudo e o que o estudo vem alertar é que, do ponto de vista da liberdade de imprensa a nível internacional, as coisas têm piorado bastante. É o caso de Angola, que também tem piorado, só que, apesar de tudo, infelizmente para nós...

Nós temos piorado menos do que os outros países, mas é muito mal classificado em matéria de liberdade de imprensa, e se soubermos que, se pensarmos que não há democracia sem liberdade de imprensa, eu creio que é uma situação que deve ser corrigida, mas tenho poucas esperanças que vá ser corrigida. Pelo contrário, eu acredito que à medida que nos formos aproximando das eleições...

As coisas vão piorar, o roto vai ser mais apertado, o controle vai ser mais apertado sobre a comunicação social. Muito bem, foi a primeira parte da Economia Sem Macas nesta segunda-feira. Daqui a pouco voltamos. Vamos falar do FMI, que aconselha o governo a usar receitas adicionais do petróleo com a guerra para reduzir a dívida e constituir assim reservas. Vai ser um dos primeiros pontos no regresso daqui a pouco.

É que o nosso problema não são os câmbios, o nosso problema não são isso, o nosso problema é a educação e é a saúde. Porque nós não temos um relatório e contas. Os ministros, essas coisas todas, devem ter muito trabalho para fazer. Economia sem vacas, com Carlos Rosado de Carvalho. Aquilo é uma coisa ingovernável.

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É que o nosso problema não são os câmbios, o nosso problema não são isso, o nosso problema é a educação e é a saúde. Porque nós não temos um relatório de contas. Os ministros, essas coisas todas, devem ter muito trabalho para fazer. Economia sem macras, como Carlos Rosado de Carvalho. Aquilo é uma coisa ingovernável.

Mais uma vez estamos de volta, MFM, com análise aos grandes temas económicos do momento. A FMI aconselha o governo a usar receitas adicionais do petróleo com a guerra para reduzir dívida e constituir, assim, reservas. Carlos, é o esperado e é de cumprimento, digamos, quase obrigatório?

Pois, e cumprimento obrigatório, não é? Porque apenas um conselho, não é? Porque nós estamos numa situação diferente, Manuel. Nós não temos nenhum programa com o Fundo Monetário Internacional, não é?

Portanto, quando nós temos programa, quando temos empréstimos do Fundo Monetário Internacional no âmbito de um programa de ajuda, o Fundo Monetário Internacional tem ascendente sobre nós, impõe condições para fazer o programa, negocia com o Governo e o Governo tem que adotar determinadas medidas.

para que o programa seja assinado. E depois, durante o curso do programa, o empréstimo não é libertado todo de uma vez, o empréstimo é libertado por trans.

E essas trans só vêm depois de uma avaliação. Se tivermos a cumprir com o programa, o dinheiro vem. Se não tivermos a cumprir com o programa, o dinheiro não vem. Portanto, neste caso, nós não temos programa nenhum com o FMI. Ainda devemos dinheiro, ainda não pagamos os empréstimos todos com o FMI, mas o programa acabou em 2021, antes das eleições, como, aliás, acontece sempre.

Este relatório é uma coisa diferente, é no âmbito do artigo 4º. O artigo 4º dos estatutos do fundo prevê que anualmente o Fundo Monetário Internacional faça consultas com os seus membros, faz visitas, manda uma missão, essa missão avalia a economia, fala com o governo.

Depois é elaborado um relatório sobre as missões. Esse relatório depois é analisado pelo Conselho de Administração do Fundo Monetário Internacional e depois é divulgado. É isto que aconteceu. Este relatório é no âmbito do artigo 4º, que aliás está um pouco atrasado.

enfim, esta questão da guerra na Ucrânia, depois vieram as reuniões de primavera do Fundo Metálico Internacional e portanto já tínhamos enfim o relatório já devia estar cá fora há mais tempo mas pronto, mais vale tarde do que nunca e foi desprezado. No essencial o que é que se requer? Este uso das receitas adicionais do petróleo o que é que se quer?

Pois, mas não. Nós temos falado muito sobre isso aqui. Nós estamos a ter receitas adicionais de petróleo. Portanto, nós temos no orçamento, temos o petróleo a 61 dólares e ele, por exemplo, há pouco estava a fazer 107, 108 dólares, quase 110. Tem estado alguns, bastante tempo, acima dos cheimas, portanto, está acima daquilo que é o orçamento.

Portanto, o que significa dizer que vai haver receitas adicionais do orçamento. Eu tenho dito aqui, o governo tem uma análise de sensibilidade que diz que por cada 18% do aumento do preço de petróleo relativamente àquilo que está no orçamento, há receitas adicionais de 2 mil milhões de dólares.

E, portanto, naturalmente que também há despesas adicionais. Nomeadamente, por exemplo, no Manel, temos despesas adicionais com subsídios aos combustíveis. Mas as tais despesas adicionais, perdão, receitas adicionais, 2 mil milhões de dólares, são... quer dizer, significa que temos que ter algum destino a essas receitas.

O que é que vai ser? Eu tenho dito aqui, Manuel, como tu recordas, o que é que devia de acontecer? O governo, naturalmente, devia de... eu costumo dizer, finge que não existe.

faz de contas que nós não estamos a ter essas receitas adicionais. E, portanto, essas receitas devem ir para quê? Para reduzir a dívida e também para constituir reservas para os tempos futuros. É isso que qualquer pessoa de bom senso acha que deve fazer. Agora, e porquê que o fundo vem lançar este tema?

Por uma razão simples, Manel. Temos eleições aqui à porta, não é? Temos em 2027, vamos ter eleições, e já estamos a ver as obras por todo lado, etc. Portanto, mesmo sem essas receitas adicionais, o governo ia gastar mais dinheiro. Mesmo sem essas receitas adicionais, ia gastar mais dinheiro. Com receitas adicionais...

ainda pior. E, portanto, é por isso que o Fundo Monetário Internacional vem lançar esta carta e sugerir, como, repito, como recomenda qualquer consenso, que nós usemos estas receitas adicionais para pagar a dívida, para constituir reservas para o futuro.

Portanto, o conselho principal tem a ver com o atual contexto, vamos ter receitas adicionais e estas receitas adicionais devem ser utilizadas para reduzir a dívida e também para constituir reservas para o futuro. Mas não acabam por aqui as recomendações do Fundo Monetário Internacional. O Fundo encoraja também o governo a prosseguir com uma agenda reformista, nomeadamente por causa da questão do...

da lista cinzenta do Gafi. Exatamente. É preciso fazer coisas para que rapidamente nós possamos sair dessa lista e possamos estar integrados no sistema financeiro internacional. Temos também, Manel, como é costume nesta matéria, eu ainda a semana passada voltei a falar sobre esta questão, Manel.

e que é a questão que tem a ver com a política cambial. Mais uma vez, o fundo recomenda que se pratique uma taxa de câmbio próxima do mercado, uma taxa de câmbio livre, aliás, como nós temos oficialmente.

Nós, ainda esta semana, a semana passada comentava a entrevista do governador do Banco Nacional de Angola ao Economia e Finanças, em que ele dizia que o regime era livre, mas que contra todas as evidências, as evidências são que há vários meses ou anos até que a taxa de câmbio está nos 912, 913, coisas por dólar.

Isto, no mercado livre, era impossível que isso acontecesse. E, portanto, o Fundo Monetário Internacional recomenda, mais uma vez, que adotemos uma taxa de câmbio livre. Mais uma vez aqui, Manoel, eu não acredito que isto vai acontecer.

a menos que aconteça, enfim, algum imprevisto. Mais uma vez, porquê? Por causa das eleições. Nós temos eleições em 2027. A fixação da taxa de câmbio é...

uma das razões pelas quais a inflação está a descer. E, portanto, vem aí eleições e o governo, seguramente, não vai querer mexer na taxa de câmbio, como é óbvio. É também, e é um recado permanente do Fundo Monetário Internacional, mais uma vez, a questão dos bancos. Vamos falar mais à frente sobre os bancos que estão a engordar lucros e a emagrecer trabalhadores.

Mas há problemas no setor bancário e o Fundamental Internacional tem insistido em quase todos os relatórios que produz sobre Angola para que nós possamos ter bancos mais sólidos e que é preciso resolver os problemas dos bancos e à cabeça está, como sempre, o Banco Económico, que é, como eu costumo dizer, um banco zombie.

que está nesta situação desde 2014 e não há maneira de nós resolvermos esta situação. Outra presença obrigatória sempre é a questão da reforma dos subsídios.

E aqui o Conselho é sempre o mesmo, vocês eliminem os subsídios, mas protejam as populações mais vulneráveis. Eu diria que não há, digamos assim, grande novidade desse ponto de vista do Fundo Monetário Internacional.

Também, infelizmente, não há novidades ao nível do crescimento e termino com isso. Nós temos, segundo as projeções do Fundo Monetário Internacional, nós vamos continuar a crescer abaixo da população. Portanto, as previsões para 2026 e 2027 do Fundo Monetário Internacional são crescimentos de 2,3% em 2026.

2,26% em 2027, e portanto, estás a ver, a nossa população está a crescer 3,5%. E portanto, em 2025, também, isto já não são dados do Fundo de Antioquia Nacional, são dados oficiais do Governo, a economia cresceu 3,1%. Portanto, três anos consecutivos...

a crescermos abaixo da população. Enfim, poderemos sempre dizer, como o governo diz, que esse crescimento abaixo da população deve-se fundamentalmente ao setor não petrolífero.

Mas, mesmo assim, previsões do Fundo Monetário Internacional, o setor não petrolífero deve crescer 2,4% este ano e 3,2% no próximo, também abaixo da população.

Mas, sim, vamos ver. O INE, que é quem tem a responsabilidade de calcular o crescimento do PIB depois dele acontecer, tem dados de números diferentes e vamos ver. Mas as únicas boas notícias é a nível da inflação. Portanto, o fundo prevê uma inflação de 13,1% no fim do período. Já estamos a menos. Vamos ver agora como é que correu o abril. Mas em março já estamos abaixo de 13%. obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation obligation

e prevê 11,2% para o próximo ano. Portanto, o relatório do Fundo Notário Internacional, com as recomendações de costume, sem grandes novidades, e confirmando o fraco crescimento da economia angolana. Pois bem, avancemos. Só 6% do comércio angolano é com países africanos. É um tema recorrente que Carlos traz sempre aqui à antena.

Para sensibilizar, nós temos de facto que perceber isso. Economia troca e a troca faz-se preferencialmente com os vizinhos, não é? A proximidade é muito importante no comércio. E o que é que acontece em Angola? Estes são dados do...

do Espaçal, que traz um trabalho interessante sobre este assunto, aliás é o destaque do jornal da semana passada, que saiu, creio que na quinta-feira, por causa do feriado de sexta, mas o que nós temos é permanentemente...

fraco comércio com os nossos vizinhos africanos, a começar aqui pelo Congo, pela RDC, pela Zândia, pela Namíbia, e portanto, eu dizia eu, a proximidade é muito relevante, é muito importante para que...

haja comércio. Nós temos os problemas que temos. São problemas, sobretudo, de infraestruturas e também problemas de falta de oferta. Eu não sei, mesmo que houvesse infraestruturas, enfim, não sabemos muito bem o que é que nós não produzimos, nem produzimos para nós, o que é que nós vamos vender aos outros países. Mas esse é o caminho.

necessariamente, sei lá, por exemplo, um país que eu conheço bem, Portugal, eu agora não tenho essa noção, não tenho esses números certos, mas eu lembro-me que 30% do comércio português era com a Espanha, que é o vizinho mais próximo.

Nós aqui, o nosso comércio com o RDC, ou com qualquer... enfim, Portugal só tem uma fronteira, nós temos pelo menos quatro fronteiras, não é? Mas as relações com esses países são muito baixas, praticamente não têm expressão.

E, portanto, é por isso que nós devemos lutar. Eu, a semana passada, falava aqui, havia um relatório do Afrexin Bank, dizendo que o comércio intra-africano também ia aumentar agora em 2026. Creio que está a entrar, digamos assim, na agenda esta questão da necessidade de aumentar as trocas intra-africanas.

Mas este é o caminho, não existe outro. No nosso caso, também demos um bom passo, que foi a adesão à zona de comércio livre da SADEC, com a aprovação da pauta tarifária. Como sabes, também temos visto isto aqui. Nós conhecemos muito pouco, sabemos muito pouco.

sobre a zona de comércio livre da SADEC, qual é a nossa pauta tarifária. E estou dizendo, nós analistas, jornalistas, nós população em geral e até nós empresas. Existe muito pouca informação sobre o assunto e, portanto, não quer demais falar. Nós temos que aumentar o nosso comércio com os restantes países africanos.

E não quer dizer que nós vamos deixar de comercializar ou de fazer comércio com outros, vamos continuar. E, portanto, o ideal é que nós mantenhamos o nosso comércio com os países terceiros, com os outros continentes, e que aumentemos o comércio intra-africano.

precisávamos que efetivamente acontecesse e espero que possa acontecer. Este é o caminho de aumento do comércio intra-africano. Nós estamos pior do que os outros países. Eu creio que a média dos outros países é à volta de 16% e, portanto, nós em Angola temos que fazer ainda um esforço maior do que os outros países no sentido de aumentarmos o nosso comércio intra-africano.

Pois bem, para terminar, a banca engorda nos lucros, mas emagrece nos trabalhadores. O que é que se passa?

Pois, a propósito do dia do trabalhador, que foi na sexta-feira, o presidente do sindicato dos bancários, Filipe Maquengo, deu uma entrevista à economia e mercado, ou fez declarações à economia de mercado, onde justamente constata isso. Ao longo dos últimos...

três anos, desapareceram 1.300 empregos do setor bancário. Enquanto que, nesse período, os lucros aumentaram. Aliás, temos assistido a isso permanentemente, a um aumento dos lucros dos diferentes bancos.

Embora a situação entre os diferentes bancos também seja diferente. Portanto, nós tivemos problemas com alguns bancos.

Nominadamente tivemos problemas com o BPC, também, enfim, eu não tenho aqui os números exatos, não é? Mas, como todos sabemos, o banco que mais terá reduzido empregados foi, naturalmente, o BPC, pelas razões que nós conhecemos, não é? O BPC tinha...

o seu balanço inflacionado, inflacionava a atividade do banco, estava a contabilizar crédito, que de facto já não era crédito, aquilo já ninguém ia pagar, o crédito era todo mal parado, e eu tive que fazer um plano de reestruturação e de capitalização. E, portanto, esse plano, se não tem essa atividade...

Tens que reduzir o número de trabalhadores. Temos também um problema agora com o Banco Sol, que também tem um plano de recuperação e recapitalização. Tem que as receitas são sempre as mesmas, não é? Tu tens que adaptar a estrutura do banco à atividade do banco.

Isto normalmente implica despedir trabalhadores e também, naturalmente, além disso, fechar agências. Faz parte, eu diria, quer dizer, é a vida. E neste caso temos também outras...

Outros fatores, o banco, todos sabemos, está aí a inteligência artificial, os bancos estarão na linha da frente da utilização da inteligência artificial e, portanto, isto naturalmente faz com que...

Os bancos trabalham nesse sentido, no sentido de aumentar a produtividade, e isto muitas vezes passa pela dispensa de trabalhadores que executam tarefas redundantes. Portanto, devemos estar todos preparados para isso. Estas são as razões pelas quais...

os bancos tenham reduzido pessoas, reduzido trabalhadores e, repito, haverá, enfim, eu creio que os principais bancos não tenham feito assim uma redução grande de trabalhadores. No fundo, tenham mantido e, em alguns casos, eventualmente, até tenham aumentado um pouco mais.

E depois é o seguinte, os lucros dos bancos Vêm nomeadamente de um segmento Que não precisa de trabalhadores Que é os títulos da dívida pública Tu para conceder crédito

precisas de trabalhadores, apesar da inteligência artificial, etc. Tudo bem, tens a inteligência artificial. Mas precisas de trabalhadores, porque têm que fazer a análise dos projetos, depois de concedido o crédito, têm que acompanhar o crédito, têm que fazer a cobrança. Enfim, embora estes processos possam ser muito automatizados, são precisas de pessoas. Para comprar estes de dívida pública, nada. Não precisas.

Portanto, é isso. A maior parte dos lucros dos bancos vem justamente da dívida pública e, como vêm da dívida pública, não são precisos os trabalhadores. Os lucros dos bancos estão a ter aumentado, basicamente, e também operações de natureza cambial. É por aí que os bancos vão...

vão ganhando o seu dinheiro e vão engordando os seus lucros. Vamos ver como no futuro, mas, portanto, são... Enfim, mais uma vez, aqui não surpreende esta... Embora no choque, a gente disse, mas os tipos estão a aumentar os lucros e estão a distribuir trabalhadores, mas é a vida, Manel. E era isso. Manel, um abraço.

um abraço para os ouvintes também uma boa semana de trabalho para todos e até amanhã, pontualmente às 7h10 muito obrigado Carlos e até amanhã

Os ministros, essas coisas todas, devem ter muito trabalho para fazer. Economia sem macras, com o Carlos Rosado de Carvalho. Aquilo é uma coisa ingovernável.

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