Episódio 29 - O amor de Deus
alguns trechos e reflexões do Diário de Santa Faustina, uma das leituras mais lindas e proveitosas que existe
- Sofrimento humanoDeus não quer o sofrimento humano · Livre-arbítrio e mau uso da liberdade · Sofrimento como livramento · Perspectiva e compreensão limitada · Comparação com os outros
- Misericórdia de DeusDeus como rei de misericórdia · A glória de anunciar a misericórdia · A desconfiança das almas eleitas · A devoção às Santas Chagas
- Fé e Confiança em DeusO sacerdote como instrumento de Deus · A troca de fraqueza por força divina · Abandono à Divina Providência · Infância espiritual
- Vaso Ruim Não QuebraMisericórdia de Deus com os pecadores · Oportunidade de conversão
Diário de Santa Faustina, tópico 378. Que Deus é infinitamente misericordioso, ninguém o poderá negar. Mas ele deseja que todos saibam disso. Antes que venha novamente como juiz, quer que primeiro as almas o conheçam como rei de misericórdia.
Quando vier esse triunfo, nós já estaremos na vida nova, na qual não há sofrimentos, mas antes disso, a sua alma será repleta de amargura à vista da ruína dos seus esforços. Contudo, essa destruição será apenas ilusória.
visto que Deus não muda o que uma vez tenha decidido. Mas, ainda que a destruição seja aparente, o sofrimento será bem real. Quando isso se sucederá, não sei. Quanto tempo vai durar, não sei. Mas Deus prometeu uma grande graça. Aí agora Jesus diz o seguinte.
especialmente a ti e a todos que proclamarem esta minha grande misericórdia, eu mesmo os defenderei na hora da morte, como a minha glória. E ainda que os pecados da alma fossem negros como a noite, quando o pecador recorre à minha misericórdia, presta-me a maior glória e é a honra da minha paixão.
Quando a alma glorifica a minha bondade, então Satanás treme diante dela e foge até o fundo do inferno. As almas que recorrerem à minha misericórdia e aquelas que glorificarem e anunciarem aos outros a minha grande misericórdia, na hora da morte, eu as tratarei de acordo com a minha infinita misericórdia. Obrigado.
O meu coração sofre porque até as almas eleitas não compreendem como é grande a minha misericórdia. A convivência delas está imbuída de uma certa desconfiança.
Ah, como isso fere meu coração, lembrai-vos da minha paixão, e se não credes nas minhas palavras, crede ao menos nas minhas chagas.
Além dessas frases lindíssimas do próprio Jesus nos convidando a devoção à sua misericórdia, a apelar para a sua misericórdia, também a gente vê o comentário novamente não só da paixão de Cristo, mas da sua Santa Chagas. Lembrando que é uma devoção lindíssima.
a devoção do Sagrado Coração de Jesus, de sua santa face e da sua santa chagas. Então, rezar, contemplar as santas chagas de Jesus é um ato lindíssimo, é uma tradição poderosíssima da nossa fé.
Aí, no tópico 381, novamente Jesus deixa claro que em vários momentos ele usa pessoas como instrumentos para o seu plano com a humanidade, para os seus projetos aqui na Terra.
E novamente ele usa a boca de um padre emprestada. Então tudo que o padre está falando é o próprio Jesus falando. Existem vários momentos no diário de Santa Faustina em que fica muito claro que Jesus confirma que o padre é, quando ele age nos sacramentos da igreja, ele age em persona Christi.
E que já é uma coisa fantástica da nossa fé, mas também que em vários momentos, frases de aconselhamento, Jesus usa a boca de certos religiosos como um padre para nos passar uma mensagem direta.
Ainda no tópico 381, de novo sobre obediência. Santa Faustina diz o seguinte, Quando o sacerdote disse que a alma obediente torna-se cheia do poder de Deus, Jesus disse o seguinte, Quando és obediente, retiro-te a tua fraqueza.
E em compensação dou-te a minha força. Fico muito admirado de que as almas não queiram fazer essa troca comigo. Essa reflexão é muito interessante, porque toda a literatura católica, os santos como Santa Teresinha do Menino Jesus e aparições de Jesus deixam muito claro que se abandonar e confiar em Deus ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou não ou ou não ou não ou não ou ou não ou ou não ou ou não ou ou não ou ou não ou ou ou não ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou ou
Se colocar à mercê da divina providência parece ser algo difícil, duro, algo que pode ser muito caro para nós e que a vida que nós escolhemos, nós, na nossa vontade, é muito melhor do que aquilo. Mas geralmente a conclusão é que todos chegam, é que quem se abandona a divina providência...
praticamente percebe frutos divinos em sua vida e não trocaria por nada, mas nem sempre é fácil discernir isso. Então, talvez o tópico 381 nos chame para confiar, para rezar para Deus, para...
ajudar que a gente ame mais a Deus, confie mais nele e se abandone mais nele. E que se deixe à mercê da divina providência, como uma criança, como na infância espiritual que Santa Teresinha também nos ensina.
No tópico 382, Santa Faustina agradece a Jesus pelas graças, mas também pelos pedacinhos da cruz que ele lhe dá a cada momento da vida. E aí entra muito com episódios anteriores que, quando Santa Faustina recebeu um espinho da coroa,
Num dia específico, ela pediu para ter um espinho da coroa de espinhos de Jesus em sua cabeça. Jesus disse, amanhã te darei essa graça. É muito interessante a gente filosofar dentro da fé católica como...
Quem se abandona a Deus não deve temer nada. Existe no meu podcast oração diária, eu resumo o livro Por que Sofremos, de Renato Meng.
E no livro Por que Sofremos de Renato Meng, existe toda uma filosofia, uma reflexão sobre por que sofremos. E a gente sabe que o nosso Deus é um pai misericordioso, bondoso e que nos ama. Ele não quer o nosso sofrimento.
Então, o mistério do sofrimento é algo muito discutido e eu quero trazer um pouco disso pra cá, pra esse episódio. Em por que sofremos, as conclusões são basicamente as seguintes. Deus não quer o nosso sofrimento.
Existem coisas que acontecem na nossa vida que fogem da nossa compreensão, que Deus não impede que aconteça por algo muito maior que nós não podemos compreender. Seja porque dentro do livre-arbítrio ele respeita a liberdade das criaturas.
E não faria sentido ele não respeitar isso. Então parte dos nossos sofrimentos vem da liberdade mal utilizada. Porque basicamente a gente utiliza muito mal a nossa liberdade, o nosso livre-arbítrio. E existe um limite, um respeito que Deus quer nos dar. Este respeito, esses limites em que a nossa liberdade pode agir.
Porque nós somos seres livres. Deus quis assim, quis os anjos e os humanos livres. A gente sabe que até com os anjos não deu muito certo, né? Um terço se rebelou, mas eles eram livres. Dentro da onisciência...
incompreensível de Deus, nós não conseguimos entender o tamanho das suas escolhas, mas Deus realmente acredita na liberdade de suas criaturas. Então, basicamente, por que sofremos? Boa parte dos sofrimentos são escolhas livres. É o mau uso da nossa liberdade. Mas a pergunta que a gente sempre fica é, mas por que algo ruim acontece na vida de uma pessoa?
que está pedindo para a Divina Providência estar ali.
E mesmo ainda com a justificativa da liberdade, eu digo mais. Muitas coisas que são para nós sofrimento, podem não ser um sofrimento real. Faz parte desse mistério que a gente teria que embarcar numa parte mais filosófica e mesmo assim a gente não vai conseguir chegar muito longe porque nós somos meras criaturas. Um exemplo que o padre Gabriel Amorfi...
que é um escritor maravilhoso, padre exorcista, é o seguinte, muito do que a gente chama de sofrimento é livramento. Isso é uma coisa muito interessante. Nós somos como crianças, nós somos ignorantes, nós não entendemos o mundo direito.
E às vezes a gente leva um puxão no braço do nosso pai e ele grita com a gente e a gente chora e a gente fica revoltado e a gente acha que o nosso pai é a pior pessoa do mundo porque ele gritou, puxou o meu braço e o meu braço tá latejando, tá roxo, tá doendo e a gente acha que esse pai não tá ajudando a gente.
E aí, essa criança, talvez em algum momento da vida perceba, e talvez só na hora da morte, no juízo particular perceba, que ela levou um puxão no braço, porque ela estava tentando subir numa mesa de vidro, que ia quebrar, estilhaçar inteira nela, e no mínimo ia se cortar em todo o corpo, e podia até morrer por cortes mais profundos.
Então, aquele puxão foi a melhor coisa que aconteceu na vida daquela criança. Mas a criança não entendeu. A criança não tem essa compreensão, ela é ignorante. Muito da nossa vida é isso. Muito da nossa vida em que a gente se abandona em Deus, por mais difícil que seja de entender, é muito quando a gente está subindo numa mesa de vidro. A gente leva um puxão e a gente não entende.
mas um dia a gente vai entender. E por isso Deus pede tanta confiança na sua misericórdia, porque Ele clama toda vez pra gente, Ele fala na Bíblia, todas as aparições no diário de Santa Faustina, Ele fala a mesma coisa, eu amo, confie, eu não quero o teu mal, confia em mim.
Só que às vezes a gente só pensa no puxão no braço, na dor que a gente está sentindo no braço, no grito que a gente ouviu, e a gente não repara que tem algo muito maior e melhor por trás disso. Tem também um seguinte relato, se eu não me engano é no livro Por que Sofremos do Renato Meng, que aconteceu o seguinte, um rapaz andou de bicicleta, caiu e quebrou a perna.
E, poxa, ele foi tratado e tudo mais, mas todo mundo ficou pensando, poxa, não precisava ter passado por isso, que coisa boba. Imagina quebrar a perna por causa de uma bicicleta, com o pai médico em casa, e o pai médico fugiu da alçada dele.
Mas veja como tudo é uma questão de perspectiva. Por esse menino ter um pai médico, esse pai médico conseguiu resolver mais rápido o problema, conseguiu dar medicações melhores, conseguiu que um amigo engessasse, já conseguiu muitas facilidades que, nossa, o sofrimento podia ter sido muito maior e não foi. Mas fora isso,
ele quebrou a perna e em um, dois meses já estava melhor. E se ele descobrir que se ele não tivesse quebrado a perna e ele tivesse andado uma quadra a mais de bicicleta, ele teria sido atropelado e morresse.
É difícil a gente entender. É difícil a gente entender. Então, por isso, Deus pede confiança na sua misericórdia. Que ele sabe o que faz. Jesus, quando apareceu para Santa Catarina de Sena, ele tem uns relatos muito interessantes. Santa Catarina fazia uma coisa que a gente faz muito. A gente se compara com os outros.
E Jesus falou para Santa Catarina, não se compare com os outros, você não entende os mistérios do mundo, os mistérios da divina providência. Você acha que aquela pessoa está melhor que você, você não sabe as dores pelas quais essa pessoa passa.
Parece uma vida perfeita, mas não é. Às vezes, Jesus chegou a revelar que, às vezes, uma pessoa tem uma vida muito boa e calma aqui na Terra, porque mesmo ele insistindo para a pessoa se converter, essa pessoa...
está condenada ao inferno. Ele insiste para essa pessoa se converter, mas Deus, na sua misericórdia com o filho, ele tenta, tenta, tenta converter, mudar aquele trajeto, mas a pessoa é livre. E se Deus percebe que dentro dessa liberdade, essa pessoa vai para o inferno, e ele tenta, tenta, tenta e nada está funcionando, às vezes ele deixa essa pessoa ter uma vida muito melhor do que a dos outros.
uma vida boa que você olha e fala, poxa, olha a vida da pessoa, mas essa pessoa, às vezes, Deus que é pai, ele pensa assim, cara, eu vou dar pelo menos a vida na terra boa, porque essa pessoa não tá me ouvindo e ela não vai pro lugar bom.
e ele falou isso pra Santa Catarina não estou dizendo que todo mundo que tem uma vida boa, né mas estou falando que Jesus falou que a gente não entende o mistério da divina providência e da divina misericórdia a gente só tem que confiar, não entender porque nós somos meras criaturas
Outra coisa que ele falou, vaso ruim não quebra, já percebeu? Que é uma coisa, é um ditado popular que acontece muito, que a gente fala, poxa, fulano é ruim, ruim, ruim. Às vezes até um assassino viveu até os 100 anos. Você sabia que Jesus revelou a Santa Catarina de Sena que às vezes o vaso ruim não quebra por misericórdia de Deus?
que ele tenta até o último momento da vida, o último suspiro da pessoa, para que ela se converta e não caia no inferno eterno. Então, às vezes, o vaso ruim não quebra, mas isso não é um elogio. Às vezes, Jesus está insistindo muito para essa pessoa não ir para o inferno, e se ela não usar direito esse tempo que ela tem,
é pior pra ela, entendeu? Então são algumas reflexões interessantes que esse episódio seja um chamado pra gente confiar. Jesus não pede pra que a gente entenda. Ele pede pra que a gente confie e acredite. Deus seja louvado.