Episódio 27 - Vontade própria
alguns trechos e reflexões do Diário de Santa Faustina, uma das leituras mais lindas e proveitosas que existe
- Diário de Santa FaustinaDúvidas de Santa Faustina · A bondade de Deus · Sorteio de padroeiro · Mortificação da vontade · Graças de Deus
Diário de Santa Faustina, tópico 359. É muito interessante como em vários momentos Santa Faustina tem dúvidas, né? Ela é tentada a colocar fé em dúvida, a abandonar tudo. Olha esse relato do tópico 359.
começaram a atormentar-me estes pensamentos. Tudo isso que tinha dito sobre essa grande misericórdia de Deus não será talvez apenas uma mentira ou uma ilusão?
Quis refletir um momento sobre isso. Então ouvi uma forte e clara voz interior. Aí agora Jesus vai falar. Tudo o que dizes sobre a minha bondade é verdade. Mas não existem expressões suficientes para glorificar a minha bondade.
Tópico 360. Jesus gosta de entrar nos mínimos detalhes da nossa vida e muitas vezes satisfaz os meus desejos secretos, que frequentemente lhe oculto, embora saiba que diante dele nada se pode esconder.
Aí ela conta um episódio muito interessante. No começo do ano, que a gente acabou de fazer relatos que pegaram o Natal e o fim de ano de 1934, então começando 1935, o que acontece?
lá com Santa Faustina no convento. Eles pegam nomes de santos, enfim, e eles fazem um sorteio para uma pessoa pegar um nome aleatório, que vai ser o padroeiro daquele ano. Então, já começo falando que se você está escutando esse episódio e você está sem santo padroeiro, pelo menos para o ano, sorteia, não importa...
em que mês do ano você esteja, você pega nomes aleatórios, coloca num papelzinho, sacode, não veja o que é, e sorteia um santo para te acompanhar até o fim do ano, ou por um ano inteiro, não é importante em que mês você está. É um hábito que acontecia sempre com Santa Faustina, lá no convento.
E aí ela tinha um desejo que ela não rezou por aquilo. Ela queria muito que Jesus, o próprio Jesus Cristo, fosse o padroeiro dela naquele ano. Mas ela não ousou falar em oração. Ela pensou, era um desejo no coração dela, mas ela não contou pra ninguém. Ela não rezou por aquela graça, ela ficou quietinha. Aí ela pegou um papelzinho e ela escutou Jesus falar. Sou o teu padroeiro. Lê.
Aí ela fala o seguinte,
Contudo, Jesus admoestou-me docemente que devia permanecer nesse momento junto das irmãs. Fui imediatamente obedecendo a regra. O nosso nada e a nossa miséria afundam-se na grandeza de Deus. Ó bondade infinita, quem vos glorificará dignamente?
Aí Santa Faustina estava pensando em contrariar algumas coisas, algumas opiniões, direcionamentos do diretor espiritual, do confessor dela, e Jesus lhe falou, eu mesmo sou o teu diretor, fui, sou e serei.
mas ele é ajuda visível. Quando cometes contra ele, fere o meu coração com os teus erros. Evita a arbitrariedade, que na mínima coisa esteja o selo da obediência.
Tópico 364. Ó meu Jesus, não desanimo com minhas quedas. Sei bem que sou miserável. Por motivos de saúde, Santa Faustina não recebeu liberação do diretor espiritual para fazer uma mortificação externa em que ela colocava uma corrente nos pés. Mas o...
O diretor espiritual dela, então, lhe deu uma mortificação interior que não afetaria tanto sua saúde. Ele pediu que durante as santas missas, ou pelo menos uma delas, ela refletisse por que Jesus consentiu receber o batismo.
apesar daquela mortificação não ser exatamente uma mortificação para Faustina, porque meditar sobre Deus era sempre um deleite, a mortificação estava na vontade, pois ela estava fazendo uma mortificação que não era do seu agrado, ela queria fazer algo acima daquilo, algo que era mais intenso na opinião dela.
Mas Jesus sempre ensinava que tirar a arbitrariedade, exercitar a paciência, a compreensão e a obediência era uma mortificação que lhe agradava muito, porque era a mortificação da vontade, de um apetite que a gente esquece que é uma fome que a gente sente. A fome de fazer as coisas como a gente quer no tempo que a gente idealizou, do jeitinho que a gente pensou.
e não se importar com os outros. Jesus diz à Santa Faustina, fica sabendo que quando mortificas em ti a vontade própria, então a minha vontade reina em ti.
Agora o tópico 367 é muito interessante. Em determinado momento, Jesus me fez conhecer que quando eu lhe peço alguma coisa na intenção que me recomendam, ou seja, ela reza pela graça de outra pessoa, por outra pessoa.
Jesus está sempre pronto a conceder as suas graças, embora as almas nem sempre queiram aceitá-las. Olha que tapa na cara de todos nós, né? Que reflexão. Quantas vezes Jesus quer fazer o melhor na nossa vida e a gente fecha a porta pra ele. Olha o que Jesus fala.
Meu coração está repleto de grande misericórdia para com as almas, e especialmente para com os pobres pecadores. Ah, se pudessem compreender que eu sou para eles o melhor pai.
que por eles jorrou do meu coração o sangue e a água como de uma fonte transbordante de misericórdia. Para eles resido no sacrário e como rei de misericórdia desejo conceder graças às almas, mas não querem aceitá-las, ao menos tu vem visitar-me.
com a maior frequência possível e toma essas graças que eles não querem aceitar, pois com isso consolarás meu coração. Ó como é grande a indiferença das almas, para com tanta bondade, para com tantas provas de amor, o meu coração se enche somente de ingratidão.
de esquecimento por parte das almas que vivem no mundo. Para tudo, eles têm tempo. Apenas não têm tempo para vir buscar as minhas graças.
Portanto, dirijo-me a vós, almas escolhidas. Será que também vós não compreendeis o amor do meu coração? Também aqui decepcionou-se meu coração. Não encontro a total entrega ao meu amor. Tantas reservas, tantas desconfianças, tantas precauções. Para o teu consolo, direi que existem almas.
que vivem no mundo, que me amam sinceramente. Permaneço com prazer nos seus corações, mas não são muitas. Existem também nos conventos almas que enchem de alegria meu coração. Nelas estão gravadas minhas feições.
E por isso o Pai Celestial olha para elas com especial predileção. Elas serão o alvo de admiração dos anjos e dos homens, mas o seu número é muito pequeno.
Elas são o baluarte contra a justiça do Pai Celestial. E elas alcançam a misericórdia para o mundo. O amor e o sacrifício dessas almas sustentam a existência do mundo.
O que mais fere o meu coração é a infidelidade de uma alma por mim especialmente escolhida. Essas infidelidades são lanças que transpassam o meu coração.
Então fica uma reflexão do quanto nós nos fechamos para Deus. Deus quer o nosso melhor, Ele quer nos ajudar, quer nos encher de graças, mas o quão receptivos nós estamos? O quanto a gente está vivendo no automático?
E a gente não pede virtudes espirituais, não dá graças a Deus pelo que a gente entende e não entende. Com que frequência a gente procura amar a Deus e se abrir a Ele? Com que frequência a gente foge do pecado? Não porque o pecado é ruim, porque o pecado pode gerar prazer, mas porque o pecado fecha uma porta na cara de Deus.
São Bernardo de Claraval fala em um de seus sermões o seguinte, como eu posso não encontrar Deus se ele é onisciente, onipresente e onipotente?
Ele é onipresente. Ele está em todos os lugares. Como eu não encontro aquele que está em todos os lugares? Como? E aí São Bernardo fala, quando eu peco, eu saio da presença de Deus.
Quando eu cometo um pecado, eu me anulo, eu me escondo, eu fujo de Deus. Deus está em todos os lugares, mas eu não estou em todos os lugares por causa do pecado. Então fica essa reflexão pra gente se esforçar na vida, por mais complicado, no automático, corrido que seja, a falar, Jesus, eu quero te amar.
Me dá virtudes espirituais. Pra eu poder receber o que eu peço. Porque você quer me dar várias graças. Mas eu fecho a porta na tua cara. Então que fique essa reflexão.