Episódios de A Voz do Trabalhador

17: Dia Internacional dos Trabalhadores

03 de maio de 202613min
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Na edição #17 do programa “A Voz do Trabalhador”, a jornalista Ana Cristina conversa com o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves, sobre o tema: “Dia Internacional dos Trabalhadores”.

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Participantes neste episódio2
A

Ana Cristina

HostJornalista
W

Weller Gonçalves

ConvidadoPresidente do sindicato
Assuntos5
  • Dia do TrabalhadorGreve de operários de Chicago em 1886 · Luta pela jornada de 8 horas · Repressão e condenação dos líderes · Congresso socialista em Paris (1889) · Feriado nacional no Brasil (1924)
  • Internacionalismo e luta de classesOrganização mundial do sistema capitalista · Lutas de trabalhadores em outros países (EUA) · Imperialismo e exploração · Capitalismo sem pátria
  • Independência de classeDistanciamento de governos e patrões · Crítica ao apoio sindical ao governo federal · Atos classistas independentes · Pejotização e retirada de direitos
  • Exploração de trabalhadoresFim da escala 6x1 · Redução da jornada de trabalho · Precarização do trabalho · Reforma trabalhista e previdenciária
  • Comemorações do 1º de MaioDia do Trabalho vs. Dia do Trabalhador · Despolitização da data por sindicatos · Atos classistas vs. eventos festivos · Importância da reflexão e protesto
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Começa agora o programa Voz do Trabalhador, uma iniciativa do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região. Todos os domingos, às 8h45 da manhã, fazemos um bate-papo sobre temas que interessam a classe trabalhadora. Meu nome é Ana Cristina e estou com o Hélio Gonçalves, que é presidente do sindicato. Olá, Ana. Tudo bem? Muito bom dia. Hoje é um programa especial para a gente falar sobre a história do Dia do Trabalhador.

Pois é, Hélio. E agora a gente vai ver um vídeo que fala um pouco sobre essa data.

O 1º de maio é uma data importante para trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo. É o Dia Internacional dos Trabalhadores, criado em 1889, durante um congresso socialista em Paris, em homenagem à greve de operários de Chicago de 1886.

Naquele ano, trabalhadores foram às ruas por melhores condições de trabalho e enfrentaram forte repressão com seus líderes sendo enforcados. No Brasil, a data virou feriado nacional em 1924. Mais de um século depois, o 1º de maio segue como símbolo da luta da classe trabalhadora e é o tema do programa A Voz do Trabalhador. Weller, vamos começar falando um pouco mais sobre as origens do 1º de maio.

Então, Ana, o 1º de maio, o dia do trabalhador, é porque em 1886, em Chicago, nos Estados Unidos, teve uma forte luta pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Na época, se trabalhava até 16 horas por dia.

e a luta era para ter a jornada de trabalho de 8 horas. E foram grandes manifestações realizadas pelos trabalhadores. E, fruto desta luta, aqueles que eram liderança do movimento foram condenados à prisão e depois condenados à forca.

E em 1889, que foi considerado o Dia do Trabalhador como uma data internacional. No Brasil, foi feriado a partir de 1924. E hoje, o que tem de luta dos trabalhadores no nosso país, que é pelo fim da escala 6x1, que a gente já conversou sobre esse tema em programas anteriores, e também...

pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário. Então, esta luta que teve, que deu origem à data do dia do trabalhador, é parte de uma luta atual que tem não só no nosso país, mas que a nível mundial tem essa discussão, principalmente por conta do cenário hoje de...

tecnologias e também de avanço da produtividade e ganho de lucratividade das empresas. Então, a luta que deu origem ao Dia do Trabalhador é parte de uma luta atual e esses que foram condenados à forca ficaram conhecidos como os mártires de Chicago e é parte da luta internacional da classe trabalhadora.

Olha, bom, até como você citou as datas aí, são 140 anos desse episódio. Por que, e você também já entra um pouco nisso, mas por que é importante manter essa data? Até hoje ela é celebrada, ela é marcada em todo mundo, como um dia de luta.

Essa data para os lutadores é uma das datas mais importantes. Por trás de um feriado tem uma história. E no Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a gente discute com a nossa categoria da seguinte forma.

porque existem alguns feriados que quando cai na terça ou na quinta-feira, as empresas propõem fazer a troca. Alguns feriados a gente até discute de fazer, e o trabalhador que decide na democracia operária, mas o feriado do dia do trabalhador, assim como também o feriado do dia da consciência negra, para nós do sindicato não é dia de trabalhar.

porque o 1º de maio tem essa história, assim como também o dia da consciência negra. Então, para nós que somos sindicalistas, para nós que somos revolucionários, essa data é uma data muito importante e não é dia de comemoração. O trabalhador tem que saber a origem, a história do feriado e ainda mais...

Aqui no Brasil, que a gente tem a luta pelo fim da escala 6x1, a luta pela redução da jornada de trabalho, também a luta contra a prejudicação. A gente, infelizmente, tivemos vários direitos históricos dos trabalhadores que foram jogados na lata do lixo, como as reformas trabalhistas, também a reforma da Previdência. Então, o dia 1º de maio, o dia do trabalhador, é mais do que um feriado. É dia de luta e também um dia de reflexão.

Pegando também um pouco por isso, Hélio, você fala de que não é um dia de trabalho, enfim, há uma disputa, de fato, em torno do sentido da data do 1º de maio. Talvez agora menos, mas já tem gente que ainda fala que é o dia do trabalho e não o dia do trabalhador. Como é que você avalia essa disputa sobre esse sentido do que se fazer no 1º de maio?

As empresas falam que é o dia do trabalhador, do trabalho, e infelizmente muitos sindicatos também no último período têm colocado dessa forma. As empresas costumam chamar os trabalhadores de colaborador.

E isso é algo que a gente discute constantemente, porque o trabalhador é explorado pelas grandes empresas que fazem isso para aumentarem a sua margem de lucro. Então, não existe colaborador se você não tem a divisão das riquezas. Então, trabalhador é trabalhador.

Agora, infelizmente, a forma como a maioria dos sindicatos e das centrais sindicais tratam o dia do trabalhador é uma forma que despolitiza os trabalhadores do nosso país. Muitas centrais sindicais fazem shows, levam grandes cantores e artistas para a apresentação. Para nós, é um dia que, em primeiro lugar, a gente precisa, nas fábricas e nos locais de trabalho, discutir com os trabalhadores a importância da data.

A realidade que vive hoje os trabalhadores não só no Brasil e no mundo. E é um dia em que a gente tem que fazer protesto, porque a vida do trabalhador infelizmente vai piorando cada vez mais. Entra governo e sai governo. Agora, quando um sindicato utiliza do dia para fazer sorteio de prêmios, tem sindicatos e centrais sindicais que fazem sorteio de carros, sorteio de apartamentos.

chamam os trabalhadores para uma atividade que é festiva. Nós pensamos o contrário, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, a nossa central sindical, a CSP com lutas, que realiza os atos classistas e, infelizmente, em muitos destes atos que são shows, eles convidam, inclusive, empresários e representantes do governo, para nós que somos classistas.

O trabalhador está de um lado e aqueles que representam os empresários e a burguesia estão de outro. Não dá para dividir o mesmo palco com representantes de empresários. Então, infelizmente, a forma como a maioria das centrais sindicais tratam o tema não educa a classe trabalhadora da importância da data e dos desafios que a gente tem enquanto trabalhador.

em um cenário em que a gente vê o avanço da precarização do trabalho. Então, em 2026, o Dia do Trabalhador tem que ser um dia de reflexão, tem que ser um dia de protesto e um dia para a gente fazer muita propaganda para explicar a origem da data. O Heller, o 1º de maio é celebrado em todo o mundo.

Qual a importância desse caráter internacionalista dessa data? Sim, Ana, nós somos internacionalistas porque o sistema capitalista, ele se organiza de forma mundial para atacar os trabalhadores. E a gente viu nos últimos anos várias manifestações que aconteceram mundo afora.

Os Estados Unidos, que muita gente gosta de dizer que é um país exemplo, que em todo o mundo as pessoas querem sair do seu país de origem para irem morar e trabalhar nos Estados Unidos, pegando como exemplo, os trabalhadores das montadoras no último período fizeram muitas lutas nos Estados Unidos por aumento de salários e também para melhorias em seus benefícios.

Então, os ataques sempre vêm de forma organizada pelos patrões e de forma internacional. E a gente é internacionalista por quê? Pegando como exemplo a GM, que nós temos uma fábrica aqui em São José dos Campos. Seja o trabalhador da GM em São José ou o trabalhador da GM nos Estados Unidos ou em qualquer parte do mundo, trabalhador é trabalhador. E a data do 1º de maio por ser...

uma data considerada internacional, é importante que a gente também faça essa propaganda do internacionalismo junto com os trabalhadores, porque muitas vezes as empresas que são de países imperialistas...

elas exploram em especial os trabalhadores que estão nos países da periferia do capitalismo, como no caso o Brasil, a Ásia e a África, e as empresas que estão nos países onde tem a sua matriz, os trabalhadores têm até...

uma condição melhor. Isso é o imperialismo e os ataques das empresas. Mas é muito importante que a gente discuta com os trabalhadores a importância da organização da classe trabalhadora a nível mundial. O que nós estamos assistindo hoje é um cenário de crise, é um cenário de guerras e o sistema capitalista faz isso para aumentar o seu lucro e muitas vezes querem dividir os trabalhadores. Então nós somos internacionalistas porque...

O capitalismo não tem pátria, então a luta dos trabalhadores é internacional. Vale, você também, por vários momentos aqui hoje, você citou a questão da independência de classe. Por que para o sindicato, para a CSP com lutas, que é a central que o sindicato é filiado, esse tema da independência de classe é importante, principalmente na data do 1º de maio?

Isso é fundamental, Ana, porque fruto do cenário de polarização que nós temos hoje no Brasil, a ampla maioria do movimento sindical apoia o governo federal e não organiza a luta dos trabalhadores da forma que deveria, porque fala que com isso atrapalha o governo dado esse cenário de polarização.

Na opinião do sindicato, a independência de classe é fundamental, tanto diante dos governos como também diante dos patrões. Falei aqui no bloco anterior sobre alguns atos que tem representantes de empresários. Isso para nós não existe. A nossa central, a CSP com lutas, todos os anos, nos atos de 1º de maio, a gente faz.

o nosso ato classista independente dos patrões do governo. Onde nós estamos não sobe no mesmo palco para discursar sindicalista e representantes do governo e também representantes dos empresários, porque infelizmente o que a gente está vendo hoje no nosso país como o tema da pejotização, que também já fizemos programa especial que falamos em relação ao tema, e são eles.

Os governos, junto com os empresários, que se organizam para retirar os direitos dos trabalhadores o tempo todo. Então, isso para nós é fundamental. E a nossa central sindical, a CSP com Lutas, ela é uma central pequena, perto do que são as demais centrais.

Nós realizamos um congresso da nossa central há semanas atrás que foi muito importante que, dado o cenário que vive hoje a classe trabalhadora brasileira, a gente precisa organizar e não só, porque muitas vezes quando a gente fala de sindicato, de movimento sindical, fica na cabeça das pessoas as categorias que são organizadas. E hoje nós temos uma parcela dos trabalhadores do nosso país que vivem num cenário de precarização e nesse sentido a nossa central é uma ferramenta muito importante para...

a reorganização dos trabalhadores do nosso país. Mas aí tem que ter independência diante dos patrões e também dos governos. Perfeito, Elie. Obrigada. Vamos encerrando mais uma vez o programa de hoje. Lembrando que essa entrevista vai poder ser conferida na nossa página do YouTube e no próximo domingo estaremos de volta. Aguardamos todos vocês.

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