Episódios de Central 3

#394 – De Messias a dosimetria: o Governo Lula nas cordas

05 de maio de 2026
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Com time completo novamente, o Lado B debate as derrotas do Governo Lula III na última semana, a fragilidade da dita democracia brasileira, os empecilhos para a eleição e o risco Flávio Bolsonaro. Também comentam a declaração de Romeu Zema a favor do trabalho infantil.

Com Caio Bellandi, Daniel Soares, Fagner Torres Lima e Luara Ramos

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Assuntos7
  • Comunicacao PoliticaCrítica à comunicação política e cinismo · Falta de autocrítica das instituições · Mobilização popular como chave para esperança · Dificuldade de negociação com o Congresso · A importância de dizer o que a direita é · A esquerda precisa ganhar, não apenas resistir · A necessidade de novas lideranças e criatividade · A importância de contar histórias e vender sonhos
  • Estratégia eleitoral do Lula e negociações com CongressoRejeição de indicação ao STF · Derrubada de veto presidencial · Fragilidade da democracia brasileira · Risco Flávio Bolsonaro · Declaração de Romeu Zema sobre trabalho infantil
  • Mercado de Trabalho BrasileiroBaixo desemprego e empregos de menor qualidade · Achatamento da classe média · Aumento de salários menores e graduação · Dificuldade de sentir benefícios de programas sociais · O problema de não comer o PIB
  • Poder JudiciárioCrítica ao Judiciário e sua autodefesa · Defesa da democracia e o papel do STF · Descolamento da magistratura da realidade
  • Viagens internacionais e experiências culturaisExperiência cultural no Japão · Leitura de livros durante viagens · Música 'Sambas e Redes ao vivo' · Experiência no show da Shakira no Rio · Relato de racismo e misoginia no Rio · Visita ao Museu do Memorial da Paz em Hiroshima · Pedido de dinheiro por americano em Hiroshima
  • Campeonato Brasileiro de FutebolUber pai de jogadora do Flamengo Sub-20 · Preconceito no futebol feminino · Comparação com Marta
  • Trabalho infantilDeclaração de Romeu Zema sobre trabalho infantil · Defesa do trabalho infantil como alternativa ao tráfico · O papel de Romeu Zema como puxadinho da extrema-direita
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É tempo de Copa do Mundo e a Central 3 chega com um podcast narrativo com histórias da seleção brasileira. É o Amarela Ouro. Personagens do passado, debates do presente e uma viagem por causos do maior time de futebol da história. Amarela Ouro, semanalmente no seu tocador. Uma produção Central 3. Faz bebendo! Faz bebendo! Faz bebendo!

Central 3 Pronta dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar

Bom momento, ouvintes da Central 3. Hoje é segunda-feira, dia 4 de maio de 2026. E eu sou o Caio Beland, direto do Sao Estúdio, para mais um episódio da temporada lá do B10 Anos, chegando no seu feed. O time está completo, hein? Enfim, raridade aqui, time completo. Fagner Torres Lima de volta. O Dani está aqui comigo, como sempre, Daniel Soares.

Além do retorno também de Luara Ramos. Vou começar pela Luara. Lu, bem-vinda de volta. A gente te acompanhou, né? Você participou de alguns programas durante as suas viagens. Quero que você fale um pouco da sua experiência cultural para dividir com a gente. Você que é uma pessoa que aprecia bons livros, bons filmes, bons podcasts, boas exposições de arte. Fala um pouco aí da...

A gente sempre gosta de dar as dicas culturais, né? Talvez as dicas você não consiga dar, ou as dicas para quem for para os lugares que você visitou, mas fala um pouco aí da cultura que você viu nas últimas semanas. Bem-vinda!

Valeu, Caio, valeu. Obrigada aí pelas boas-vindas. Olá, Daniel. Olá, Fagner. Olá a todo mundo que está nos ouvindo. Espero que vocês me perdoem porque a voz está diferente que eu arrumei uma gripe nesse último trecho, voltando para casa. Então, assim, o meu lado poliana, que bom, né? Foi só no finalzinho, então eu posso me recuperar agora em casa. Mas foram dias...

muito intenso, assim, né? Essas viagens a gente sempre anda muito, cansa muito. Eu que sou uma pessoa muito caseira, pode não parecer, mas pra mim é um pouco estranho e desafiador ao mesmo tempo, assim. Eu brinco que nas viagens eu também preciso, eu até falei disso, acho que na minha última participação, né? Eu tento sempre ter um momento meu, então eu leio muito pra ter esses momentos em que eu me conecto comigo mesma ali.

Eu até pensei, viu, Caio? Eu falei, ah, as minhas dicas culturais, eu falei das coisas que eu tava lendo. E aí, vou deixar aqui pra audiência do lado B também me falar, se a galera quiser. Aí eu faço um apanhadão. Li bastante nessa viagem. Fui há poucos...

museus, assim, eu acho que eu fiz menos dessa vez, eu andei mais, porque eu passei mais de 20 dias só no Japão, né? Então, foi uma coisa, ao mesmo tempo que mais livre, também mais ligada à própria cultura japonesa, assim, então não exatamente museus, mas muito tempo ali, em Kyoto, né? Então, eu fui para Tóquio, Kyoto e Hiroshima, mas entre essas cidades também fiz alguns deslocamentos ali por perto, então, de Kyoto fui para Osaka.

Fui para Nara, em Hiroshima eu fui para uma ilhazinha chamada Miyajima, não sei se eu acho que é assim que fala, que tem aquele torre flutuante, mas mais esses passeios assim. Então eu fiquei, acho que a coisa dos livros foi um rolê que deu para poder fazer bastante, porque em todo lugar eu estava com...

o e-reader, o Kindle, então eu estava lendo um pouquinho. E eu sempre tento ler alguma coisa que tenha a ver com o local para onde eu vou, porque é interessante para mim, assim, conseguir visualizar, acaba que eu consigo me conectar um pouco com a cultura local. Então, ou eu tento ler autores daqueles lugares em que eu estou passando, ou onde as histórias se passam também. Então, assim, por exemplo, na Hungria eu não li um autor.

húngaro de início, eu li o Budapeste do Chico Buarque, em Budapeste só porque eu achei que ia ser muito engraçado ler Budapeste em Budapeste, acho que eu fui pegando outras indicações assim e tal, mas eu pensei mesmo em fazer uma coisa com as dicas culturais e do que eu li assim, mas já posso trazer o livro que eu mais gostei de ler, que é o de um autor que ele é japonês, mas acho que ele tem também nacionalidade britânica que é o caso Ishiguro dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar

Ele é Nobel de literatura também, se não, tô louca. E foi o último livro que entrou na minha lista, mas foi um dos que eu mais gostei. É um livro que se chama Um Artista do Mundo Flutuante. É um livro muito interessante, porque ele faz uma... Eu quero contar, eu não sei falar...

muito quando eu vou fazer uma sinopse do livro, um resumo, porque eu fico com receio de dar spoiler. Eu não sou a pessoa que me importa com spoiler, mas eu fico com esse receio, entendeu? Mas a história, basicamente, é desse artista controverso, e o que eu acho mais interessante é como ele vai construindo. Então, para quem gosta de literatura, ele...

é o cara que não dá spoiler, sabe? Você fica ali e ele é um narrador que faz você duvidar do próprio narrador o tempo inteiro, é muito interessante pra essa construção da controvérsia, sabe? Esse foi o livro que eu mais gostei. Tá saindo assim de improviso porque eu não ia falar isso. A minha dica cultural pra hoje, na verdade, é um pouquinho mais prática porque eu encarei aí dois voos longos pra poder voltar pra casa. Eu tô voltando pra casa desde terça-feira.

Lá do Japão, né? Então eu estava em Hiroshima. Voltando de Hiroshima, eu estou desde terça-feira passada voltando para casa, cheguei só na sexta-feira. E aí, para encarar dois voos mais longos, um de 14 horas e outro de um pouco mais de 10 horas, a minha dica cultural é ouvir...

o disco de sambas e redes ao vivo, que eu ainda não tinha ouvido. E foi o que me salvou. Então, para a galera que talvez já está aí no esquenta para o próximo carnaval, para o nosso próximo programa, e que não perde o nosso programa de carnaval aqui, cara, como é bom ouvir sambas e redes. Vou longo, galera. Até que os outros cursos também ajudam. Mas vou longo é um negócio... Não sei se o pessoal aqui já fez. Eu fazia isso com corrida, mas a ideia de ter uma repetição ali conhecida traz um conforto.

Que aí é a minha dica cultural e prática. Sério mesmo. Pra mim foi um negócio assim, na hora que eu já... Deu ali o voo de Tóquio pra... Aliás, de Tóquio pra Viena. Quando deu ali, as primeiras duas horas passam rápido. Quando passou e tal, e ainda faltavam cinco horas. Meu irmão, eu deu uma desesperada.

que foi só, assim, de colocar a mão na cabeça e falar assim, meu Jesus, eu nunca mais vou entrar num avião na minha vida. E ainda tinha mais dois gols pra poder fazer. E eu falei, cara, é isso. Só que eu não tinha baixado o disco. Eu lembro que o Fagner falou que tinha ouvido, que tava bom e tal. O José ouviu. Não foi, Fagner? Você falou? Sim.

E eu não tinha lembrado de baixar, só que eu tenho uma playlist de samba, fui juntando ali o que estava no offline do aplicativo, e eu mandei mensagem para mim mesma, se eu lembro, baixar o disco de sambas ao vivo, para ouvir no voo de Retorno para o Brasil. Porque foi uma coisa que trouxe muita...

tranquilidade na hora, acho que é isso, conforto de conhecer o samba já, então já o cérebro dá aquela, né, acolhida ali, e a repetição, que parece que o tempo passa, mas você não sente passar, é estranho, parece que é outra história, mas pra mim funcionou assim, então essa é a minha dica, minha última dica cultural.

Depois, o pessoal aí me fala, se quiser, eu trago mais do que eu li. Acho que eu li nove livros nessa viagem, ao todo. Tirando, assim, algumas antes de... Ah, porque terminei em aeroporto e tal. Não, durante a viagem mesmo foram nove. Mas aí tem muita coisa, tem outro autor japonês, tem bastante que eu li no início do ano, que é o Murakama, li algumas coisas dele. Então, tem bastante coisa aí pra gente trocar ideias, se o pessoal quiser, eu trago uma lista mais detalhada, mas eu vou me alongar aqui mais não.

Fazer uma lista no Instagram, né? De todos os livros que Laura Ramos leu na viagem, em cada lugar. Aí, ó, um bom conteúdo. Fagner Torres Lima, nosso convidado de hoje. E aí, Fagner? O seu... Não sei se você tem dica cultural. Você sempre tem também. Tá sempre lendo, né? Ouvindo podcast. Não, podcast menos, né? Você não tem tanto. Mas tá sempre vendo um bom filme, boas séries. Mas você também viu bons shows, né? Você estava no Rio, no Todo Mundo no Rio. Viu a Loba, Shakira.

E aí, gostou? Vi. Delicado falar sobre o assunto. Minha experiência em Copacabana não foi das melhores. É, não sabia. A gente não resenhou sobre isso. É, não, não resenhou porque eu, enfim, eu até evitei tocar no tema mesmo porque, enfim, eu tava...

lá em Copacabana para poder curtir o show. E eu acho que, assim, independente dos problemas que aconteceram tecnicamente no show, eu já li algumas críticas com relação ao som, com relação aos telões e tudo mais, com relação aos duetos.

Mas assim, se não tivesse acontecido outro tipo de problema, eu passaria por cima de tudo e curtiria o show da Shakira, independente da questão técnica. Mas tive tanto problema lá, problema de relacionamento com as pessoas mesmo na praia, mesmo assim, parece que o dia não estava... A noite não foi muito iluminada para mim, para eu poder sair de casa e curtir um show, não. Acontece.

Infelizmente, vivenciei lá com um grupo de pessoas que estavam comigo lá situação de racismo, de misoginia. E aí, enfim, acabou que isso, com certeza, acabou quebrando o clima da diversão. Todo mundo no Rio e muita gente também. Pois é, inclusive o churro da puta. E aí... Não que a gente precise também importar. Pois é.

inclusive, parte desses envolvidos, enfim, não vale a pena falar, acabou quebrando o clima do show, mas eu sou um entusiasta de uma maneira geral, sou um entusiasta do evento, eu acho que esse ano até...

Ao longo da semana, parece que era um aviso, porque ao longo da semana o evento não conseguiu colocar, a meu ver, estou falando individualmente, a cidade no clima de oba-oba que os últimos dois anos a cidade ficou. Eu senti...

que a Shakira obviamente não tem nada a ver com isso, mas a cidade, pelo próprio noticiário que se via, a cidade não estava no Oba-Oba que esteve quando foi o show da Madonna, quando foi o show da Lady Gaga. Semana passada aconteceram coisas muito desagradáveis aqui na cidade do Rio de Janeiro. A gente acabou vendo no noticiário, enfim, família assassinada, entre outras coisas. Não que não aconteça nas outras semanas, acontece sempre nessa cidade amaldiçoada.

mas infelizmente mas a semana que passou desse Todo Mundo no Rio, infelizmente pra mim, eu não fiquei empolgado da maneira como fiquei nos últimos anos embora eu tenha ido no show no sábado e não tenha ido nos dois últimos anos

Mas é isso, estamos de volta, depois de férias, depois de folga, lendo bastante também, procurando ver filme, enfim, me alienar um pouco da realidade, porque a realidade não é um show da Shakira, a realidade é bem mais dura, bem mais desagradável, e a gente tem um ano longo aí pra poder aguentar pela frente. Então, vamos que vamos, tem muita coisa pra falar.

Boa noite, Daniel. Boa noite. Não viajei, não... O que é um milagre, né? Pra dizer que não viajei, eu fui a um casamento no interior de Minas. Você viajou. No feriado, e por isso não fui no show da Shakira. Carioca vai a Minas, né? Vamos pra Minas. Não importa o lugar, é Minas, né? Pode ser qualquer lugar, é voa a Minas. Tá bom. Não foi no show da Shakira. Não fui no show da Shakira. Como foi nos últimos anos. Como fui na Madonna e na Lady Gaga. Pois é, foi desfalque. Inverteram vocês dois aí.

Eu não tenho nenhuma dica cultural preparada, mas eu tenho um relato que eu quero fazer inicialmente aqui no programa. Curioso. Ontem eu estava indo para o jogo do Flamengo, Flamengo e Vasco, que teve ontem com a minha senhora. Estávamos nós dois de camisa do Flamengo e nós almoçamos e pegamos um Uber para ficar ali nas redondezas do Maracanã. Muito trânsito. Vou contar em detalhes porque a história merece para vocês tentarem imaginar a cena.

Tô lá com a minha esposa, né? A gente fala muito, né? Eu e ela falamos pra cacete e tal. E teve um momento que a gente parou. Acho que eu fui atender o telefone. Falei com alguma coisa no telefone. E a gente parou de falar. Trânsito da porra ali nos arredores do Maracanã. Tipo, lugar perto, mas a gente pra chegar. E tem um 20 segundos, assim, de... Nem contei pra vocês isso. Eu deixei pra contar no ar.

20 segundos da gente ali parando de falar e o Uber me vira. O Uber até então calado, eu com a camisa flamengo, Flávio e a camisa flamengo. E o Uber fala, o que vocês acham do futebol feminino, né? E uma mulher falando de futebol no carro, né? É, eu tô atrás do motorista, ela atrás do banco do passageiro, ou seja, ela fazendo um contato visual com o motorista. Eu olho pra ela assim, meio que de rabo de olho. Lá vem. Respiro fundo, deito.

o famoso o silêncio não erra, né? Deita a cabeça, deu a cabeça assim no vidro, eu falei, cara, pensei, né? Fudeu, respirei, falei, fudeu. Aí a Flávia... Faltava muito pra chegar no Maracanã ou já foi perto? Tava perto, eu peguei de Vila Isabel pro bode cheiroso, só pra gente não andar muito e tal, e de camisa Flamengo e tal, poderia passar por lugar, passa pela parte do Vasco.

A polêmica não vê distância, né? Pode ser qualquer lugar. Não, mas tava muito trânsito. Era duas da tarde, o jogo era às quatro, já tava trânsito. Ali já fica trânsito normalmente. Tava muito trânsito, então demorou, tipo, 20 minutos pra chegar num trajeto que demoraria cinco. E aí, cara, eu sei que eu respirei, olhei pra Flávia, aí a Flávia retrucou. Em que sentido, né? Aí quando eu vi que a Flávia retrucou, vi que a Flávia manifestou interesse em responder, porque talvez ela... Né? Eu falei...

Se ela respondesse, ah, gosto, não gosto. Falei, bem, vou deixar a Flávia, vou usar o lugar de fala da Flávia e vou deixar a Flávia responder, não vou nem me meter. E aí a Flávia respondeu, né? Deu toda... A Flávia é uma... Vê bastante futebol feminino. Eu vejo mais por tabela com ela, mas a gente acompanha muito, principalmente Flamengo e Seleção Brasileira. A gente vê os jogos.

A gente tá sempre acompanhando o jogo de juniores, sub-20 das meninas e tal, do Flamengo. E aí, ela desenvolveu, não, porque teve preconceito, não jogava, né? Enfim, militou lá sobre o futebol feminino e, evidentemente, tudo com muita propriedade. E aí o Uber falou, legal, minha filha joga no sub-20 do Flamengo e da seleção brasileira. Aí pronto, né? Aí eu falei...

Agora eu vou, né? Então vamos, né? Aí conversamos pra caramba o Uber Carlos. Não sei se é ouvinte ou não, mas que seja. Aí sim fomos surpreendidos novamente. Pois é, o Uber Carlos, ele é pai da Isabela Nunes. Cara, um atleta lateral esquerdo do Brasil, do Sub-20 da seleção e do Flamengo.

assim, tipo, foda pra caralho, assim, né? E aí a gente conversou sobre, aí a gente começou, não, porque a gente vê e tal, jogador, jogador tal, isso, precisa de mais, e ele reclamando, um dos pontos é que ele reclamava com a filha dele de quantos preconceitos sofria, de como era bizarro, né? Principalmente os homens ali e tal, eu sei que chegando ali na rua do bode já, eu soltei uma gargalhada, falei, pô, irmão, que bom, maneiro, comecei a seguir ela aqui no Instagram e tal.

Porque eu falei, caraca, vou ter que do nada o cara perguntar isso. Fudeu, né? Vou ter que militar sobre futebol feminino. Não estava esperando. Um domingo à tarde. Um domingo à tarde e tal. E, na verdade, a gente riu pra caramba. Ele riu pra caramba. A gente concluiu o assunto. Foi super simpático, o Carlos. Super vibrando, né?

cometendo até algumas infrações de trânsito, porque ele quis pegar o celular para mostrar o Instagram da filha, né? Tudo bem. Estava parado, estava lento. Tudo bem, estava bem em trânsito mesmo. E foi muito legal vê-lo vibrando, falando e conversando sobre e reclamando da postura. E aí eu e Flávia fomos repercutir depois, ali já no bode, tomando um chopp.

E aí eu fui contar pra ela, eu falei, cara, eu fiquei fudeu, né? Porra, imagina e tal. Mas aí me veio, na verdade, o inverso, né? O cara teve que perguntar pra dois flamenguistas, sendo que uma era mulher, pra poder se mostrar orgulhoso da filha jogadora da seleção e do Flamengo.

Ou seja, provavelmente ele já se antecipando. Porque o natural, se fosse um menino, o cara ia falar, meu filho é sub-20, meu filho é fulano. Como é uma menina, tem 18 anos, ele teve que perguntar, provavelmente, o que acha, para poder se orgulhar da filha. Para poder se sentir seguro. Para falar, tinha uma mulher.

Porque isso também não é seguro. Vai ter mulher que pode falar, ah, não vejo, não ligo, não gosto, acho ruim. E a gente repercutiu sobre isso. Então eu queria mandar um abraço, não sei se é ouvinte, tomara que seja, se for melhor ainda. Mas é isso, seguindo a Isabela aí, futura craque da seleção, já uma craque aí da seleção sub-20. Bem legal, cara. Seja mais uma Nunes a triunfar no Flamengo. Pois é, cara. E aí eu falei, porra, o cara precisa perguntar para se orgulhar da filha jogadora do Flamengo e da seleção brasileira. Não é pouca coisa, né?

enfim, a gente sabe que o futebol feminino também está aí, estamos num momento melhor do que nunca a gente até citou lá, cara, tua filha já está melhor que a Marta, provavelmente, porque a Marta na idade dela devia estar passando embora fosse um fenômeno já, devia estar passando por mais bocados

É isso, tem uma seleção de base, tem o Flamengo, tem as competições, ainda muito incipiente, mas achei muito legal esse relato, foi engraçado, quis contar em detalhes, porque foi engraçado, a gente se surpreendeu, e o Uber, a fama dos motoristas de Uber, pelo menos aqui no Rio de Janeiro.

muito boa. E aí, cara, a gente se surpreendeu lá com esse relato. Foi muito bacana. Então, um abraço. Quem sabe chegue no Carlos e na Isabela, né? Representando aí a Seleção Brasileira, Flamengo. Foi muito legal. Queria mandar um abraço também pro pessoal da Nação 12, né?

fizeram um protesto bacana sacaneando o Vasco ontem, mas que posicionou a Nação 12, que é uma torcida organizada que se posiciona muito no Flamengo lá do episódio 6x1 vinculando com o fim da escala 6x1 foi uma brincadeira que viralizou um monte de político colocou e tal muito legal ver a torcida do Flamengo se posicionando a gente sabe como é a torcida do Flamengo né Dani os rivais acham que conhecem a gente conhece mais ainda né

Não é simples, não é fácil, muita coisa se fala, inclusive muita coisa com razão. Então é legal ver uma torcida como a Nação Doce se posicionar aí, num momento que pede um posicionamento. Enfim, foi bacana de ver isso ontem lá no estádio. Bem, hoje o assunto vai ser... Ô Caio, desculpa, só de contar antes... Eu queria, na verdade, pedir uma parte para poder contar uma última anedota, que eu acho que eu não contei nem para vocês, da viagem no grupo do lado B, não cabe não contando para vocês, posso? Por favor. HAC.

Antes, só para poder dizer que ainda sobre 6x1, 6x1, você já vê o pioneirismo da torcida do Galo, que a gente é contra 6x1, 6x1 desde 2011, né? Então, faltou só a faixa. Mas eu queria contar uma última anedota, porque eu comentei muito das dicas culturais ali no início, que você acabou me pegando um pouco de surpresa para poder falar.

da viagem, ou então eu ainda estou sofrendo de jet lag, mas eu lembrei de uma anedota que tem a ver com uma coisa que eu contei para vocês, que, assim, a gente foi para Hiroshima também, e eu fiquei muito emocionada na cidade, foi a cidade que eu mais gostei, mas por vários motivos, e me emocionou bastante por estar num lugar que, infelizmente, se tornou parte da história, porque foi alvo de ataque nuclear, né?

E aí eu comentei com você no grupo sobre a minha visita ao museu, o Museu do Memorial da Paz ali de Hiroshima, que eu também falo assim, eu também tenho receio de dar spoiler, porque eu acho que as pessoas que puderem, elas têm que passar por essa experiência, mas nesse caso, assim, como nem sempre dá para toda hora a gente ir para Hiroshima, eu fiquei muito incomodada no Museu do Memorial da Paz lá em Hiroshima, porque...

achei tudo meio chapa branca, sabe? Acho que o Fagner usou esse termo lá no grupo, é bem isso, chapa branca. Você não ouve falar de quem lançou a bomba atômica, você ouve isso no último trecho. E mesmo assim, com uma contextualização bizarra que começa assim, a corrida armamentista levou, entre Rússia e Estados Unidos, levou ao desenvolvimento da bomba atômica.

E aí eu me lembro que tem no final um livro de diálogo e tinha escrito em letras enormes, assim, a Rússia é um Estado terrorista. E aí é chamado livro de diálogo porque as pessoas podem conversar ali, então escrevem umas junto com as outras e tal. E aí, pô, a Rússia é um Estado terrorista, mas não foi a Rússia que lançou uma bomba sobre Hiroshima e Nagasaki, sabe? Um ataque nuclear contra civis, né? O único país que fez isso foi os Estados Unidos.

E isso é pouco mencionado durante todo o trajeto. Então, tem várias coisas que eu achei meio chocantes. Isso foi uma delas. Mas aí depois, já no último dia, a gente estava sentado ali atrás do domo, que é um grande marco de um prédio que não caiu. Mesmo estando no centro onde a bomba foi lançada, isso tornou um marco da cidade. E aí passou por nós um rapaz. A gente estava sentado ali atrás, eu terminava de ler um livro, aí passou um americano.

perguntando se a gente falava inglês, como o Daniel, meu namorado, ele respondeu, eu mantive minha leitura e fiquei ouvindo ali a resenha. Aí o cara falando, né, eu sou americano, viajo como nômade, estou sóbrio. Aí eu lembro até que ele falou exatamente assim, no visa, no master, vocês poderiam me ajudar com algum dinheiro? Falando que eu não tinha cartão, vocês poderiam ajudar com algum dinheiro. Aí... E aí E aí

O Daniel respondeu que, infelizmente, não ia dar, porque a gente já estava no último dia e a gente não tinha mais dinheiro em espécie, dinheiro físico ali. E aí, quando ele foi embora, aliás, eu só conseguia pensar na audácia, cara, de um americano em pedir dinheiro para dois latinos enquanto ele passeava em Hiroshima. Eu falei, a única resposta que eu pude dar para o Daniel é você devia ter perguntado para esse cara, você aceita Pix?

esse negócio dele, no visa, no master, vai lá, pergunta se aceita Pix, pede pro Trump, porra, é inacreditável, assim, é um negócio que, do primeiro dia até o último...

Me acompanhou um asco tão grande de pensar que os Estados Unidos ainda ser o país, eu acho que é um absurdo para a humanidade, sacou? Depois daquilo ali. Porque o que você vê é tão aterrorizante, mesmo sendo um museu de Chaparra Branca. O que você conhece de história, o que você conhece de tudo, e aí vai para lá e vê o que a gente vê, é um negócio aterrorizante. Porque mesmo...

Essa coisa que parece, essa narrativa que eles colocam ali dentro do museu, que às vezes parece que, mesmo quando inclui personagens, parece que é o destino que está fazendo aquilo, e não houve uma deliberação militar. Não teve gente que falou, olha, vai ser aqui que nós vamos explodir e vamos matar gente. Isso tudo choca tanto a gente que você não consegue imaginar como é que parece que foi naturalizado, sabe? Parece que foi, olha, aconteceu, faz parte. Não, guerra, ninguém ravale tudo.

E aí eu fiquei, assim, muito incomodada durante os dias. Foi até difícil pra mim. Falei, não, não posso sentir assim, né? Ah, o negócio é um memorial de uma paz. Mas até ouvir inglês era complicado, saca? E aí quando esse cara partiu, eu falei, não é possível um negócio desse. É o cara passeando ali. E outra coisa também que eu acho que é muito incômodo, assim, das pessoas. Eu não sei. Eu acho que há uma reverência, assim como a gente vê em Auschwitz, assim como a gente vê e aí

as pessoas criticando quem posa nesses lugares, mas ali me parece que há uma tentativa, sabe, de seguir em frente.

E eu não vejo exatamente um acerto. Eu não senti esse acerto de conta. Na verdade, foi isso. Acho que é isso que me deixou mais aflita, sabe? Angustiada durante os dias. Apesar de ser uma cidade encantadora. Com um povo encantador. O povo japonês, a minha experiência foi muito boa. Apesar de que agora que eu as traduções no Twitter, o pessoal está descobrindo o outro lado do povo japonês. Não sei se vocês estão vendo essas tretas aí que estão rolando. No Twitter traduzido. No Twitter traduzido, né?

Mas essa foi um pouquinho da minha experiência. E especialmente em Hiroshima, que é um lugar que eu já imaginava que para mim ia ser um ponto muito forte, emocionante. De fato, foi meu trecho favorito da viagem, especialmente do Japão. Mas ainda também o mais angustiante por todas essas coisas, né? Que a gente, às vezes, ou só imagina, ou quem tem mais interesse também já estudou, acho que pode ter uma dimensão.

do que estamos falando, dessa cidade que se reergueu à força, mas que acho que é realmente o que mais choca. Não precisava. É um negócio assim, não é uma tragédia, não é um tsunami, não é um terremoto que a gente vê vindo do Japão em notícias. Inclusive, quando eu estava lá, teve um terremoto.

Deu pra sentir em Tóquio, já tava em Kyoto, Hiroshima, não sei, mas deu pra sentir em Tóquio. Mas é isso, assim, não é uma coisa natural, foi uma coisa, uma tragédia causada por mãos e escolhas humanas, né? E aí foi, acho que, o ponto mais tocante de toda a viagem. É, os caras passarem pano pros Estados Unidos numa bomba atômica, realmente. Duas. É, pois é, duas, né? Enfim.

Se lembrar só, Luara, tem um 6x1 que você gosta também, 2004, o Atlético Mineiro ganhou de 6x1 do Flamengo, então fica aí também. É, tem isso, mas você vê que eu não quero falar de Atlético Flamengo, eu sou uma pessoa muito poderosa. Mas é porque hoje eu estou bonzinho com o Atlético, o Atlético ganhou do Cruzeiro, a gente já conversou no off, estou bonzinho com o Atlético.

Bem, gente, hoje o assunto não será nem Flamengo, nem Atlético, nem Fluminense, nem Vasco. A gente vai falar sobre a instabilidade política do Brasil. Essa semana a gente viu, enfim, aconteceu um monte de coisa, né? Indicação STF reprovada, veto presidencial derrubado. E aí está exposto novamente essa corda bamba, né? Que já nem está tão bamba, mas já está derrubada aí.

entre governo e congresso. Mas antes da gente começar, vocês sabem que a gente tem aquela série de recados e a gente já começa lembrando aí que a nossa parceira, Dona Chica, Slingueria está com a gente, uma marca de slings e carregadores que proporcionam conforto para os bebês e liberdade para os papais e mamães. Aliás, a gente está aí na semana do Dia das Mães. Então tem aí um excelente presente, útil, bonito, de qualidade.

especialmente para as mamães que estão buscando autonomia sem perder contato com o seu bebê. E claro, os papais também estão convocados a usarem os produtos da Dona Chica Slingueria. Então você vai lá em donachicasling.com.br, você tem 10% de desconto do cupom LADOB. E se a compra for no Pix, mais 5% de desconto.

Você pode dar uma olhada lá no site donachiquesling.com.br e utilizar o cupom LADOB na hora da compra. Pode olhar também o Instagram da Dona Chica, arroba Dona Chiquesling, tem muita coisa legal. Virou o mês, já sabe, a gente passa a nossa sacolinha, estamos precisando, a gente parou de ganhar apoiador.

Esperamos aí retomar em breve. A gente tinha uma meta estipulada que a gente não está conseguindo andar. Então, por favor, se você pode apoiar a gente, vai lá em apoia.se barra lá do B do Rio. Tem as faixas de 10, de 20, de 50 e de 100 reais.

A gente está precisando de apoio, 10 anos, a gente quer fazer os eventos, por exemplo, que a gente está pensando em fazer eventos de gravação de podcast ao vivo, com plateia, não está rolando na UERJ, mas vai rolar em breve, a gente quer que role em outros lugares, pelo menos mais dois ou três durante o ano.

A gente quer fazer cervejada, enfim, tem muita coisa para a gente fazer. Então, por favor, se você puder ajudar a gente, apoia.se barra Lado B do Rio. Os apoiadores ainda concorrem aos livros da Boitempo. Você também tem cupom lá no site da Boitempo, ladoboi20, boitempoeditorial.com.br.

Você tem 20% de desconto em cada compra. Cupom LADOBOI20. Vai lá no site da Boitempo, dá uma olhada. A gente fez o sorteio mais recente. E ainda tem dois apoiadores que não nos responderam. Caetano Souto Maior e o Rafael Herrera. Então, por favor, Caetano Souto Maior e Rafael Herrera. Responda os e-mails, entrem em contato com a gente para receberem seus livros da Boitempo.

já sabe que é concorrer aos livros da Boitempo, apoia.se barra lado B do Rio. E por falar em Boitempo, tem agora, no sábado, dia 9 de maio, às 10 horas, no Armazém da Utopia, a festa de aniversário do bom velhinho Karl Marx, no Rio de Janeiro. O tema vai ser Marx ou incontornável, ideias para enfrentar 2026. Vai ter lá o José Paulo Neto, o grande marxista brasileiro.

vai ter o nosso Elias Jabur para falar do Poder e Socialismo, o livro que ele está lançando, vai ter a Virginia Fontes que já esteve com a gente aqui, vai ter a Maíra do MST, nossa amiga também que já esteve com a gente, entre muitos outros. O Lado B está ajudando na promoção do evento, você pode ir lá retirar o seu ingresso, é gratuito. Lá no Simpa, vai lá no site da Boitempo, no Instagram do Lado B, no Instagram da Boitempo, você vai lá, tem um link lá, a gente vai deixar aqui também na descrição.

para você retirar, para garantir sua vaga, enfim, são ingressos limitados, é gratuito, mas é limitado, tem um espaço limitado, então vai lá, serão debates, mesas, sessões de autógrafo, vai ter venda com desconto, vai ter sorteio de brinde, enfim, a festa aí do Bom Velhinho Calmar, que estarei lá, provavelmente ali na parte da manhã estarei lá fazendo cobertura de evento, conversando com os amigos da Boitempo, os amigos que estarão lá, então me procurem se me acharem lá.

Me procurem para sair no Instagram do Lado B também. Vou fazer uma cobertura lá no Instagram do Lado B. Enfim, dia 9, sábado, 10 horas, no Armazém da Utopia. Vai ter em São Paulo também, né? O dia M, em breve, a gente anuncia aqui também. E, por fim, Camisa Crítica também tem cupom de desconto para ouvintes. Vai lá em camisacritica.com, cupom LADOB, que você tem 10% de desconto.

Para ajudar a gente também de outra forma, além de ser apoiador, você pode mandar um pix, né? De quanto quiser, né? Quando você puder, para lá do bedorio.com. Você pode fazer um pix recorrente também. Faz um pix recorrente e avisa a gente, que a gente coloca vocês também aí, quem fizer o pix recorrente, a gente coloca para o sorteio da Boitempo, né? É uma forma de apoio também, então é só avisar, ó.

sou fulano de tal, fiz um pix recorrente estou fazendo um pix recorrente lá todo mês para vocês ali, a partir de 10 reais já sabe, já vira apoiador também então pode avisar a gente aí nas redes sociais tá bem?

Bem, vamos começar o papo. Papo realmente, como o Fagner falou, não tem sido fácil. Não que um dia tenha sido fácil, mas enfim, cada vez mais difícil. Parece que piorou, mas depois melhorou, mas agora parece que piorou de novo, aquele meme. Na semana passada, nos dias que antecederam o Dia do Trabalhador, o governo Lula sofreu duas grandes derrotas para o Congresso em articulações que fortaleceram especialmente o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá.

Primeiramente, o advogado-geral da União, Jorge Messias, teve seu nome rejeitado para a vaga que Luiz Roberto Barroso deixou no STF. Metade da casa votou contra o Messias. E aí, depois de mais de 130 anos, uma indicação de um presidente ao Supremo não passa no Senado. E aí, depois, uma nova derrota do governo Lula e da democracia brasileira em geral. O povo perdeu.

o Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto de lei que reduz as penas dos golpistas condenados pelo 8 de janeiro de 2023. Na Câmara foram 318 votos favoráveis à derrubada e 144 contrários, o que mostra exatamente o percentual que a gente tem visto durante todo o governo Lula. Já no Senado, mais da metade, 49 a 24.

E aí na semana passada também, nesse caldo todo, o governo também anunciou o novo Desenrola, que foi detalhado nessa segunda, para que a população possa renegociar dívidas em atraso, juros mais baixos, etc. No feriado de 1º de maio, na sexta-feira, tiveram manifestações aí no Brasil, pediram o fim da escala 6x1, não repercutiu tanto, acho que não mobilizou tanto. E aí nessa semana também, acho que já na quarta, já tem pesquisas eleitorais.

que podem dar aí algumas respostas sobre aprovação, reprovação, enfim, sobre como está o governo Lula, como está o Lula pré-candidato, para ajudar a entender, as pesquisas às vezes ajudam a entender algumas questões, entre elas é essa. Eu que vou começar com a Luara. Luara, você que tem a fama, justo inclusive, de ser a nossa realista esperançosa da mesa, a pessoa que tem o pé na esperança mais fincado, pelo menos um deles.

Como é que você tem visto, agora que você voltou ao Brasil, igual aquele personagem do Jô Soares, que volta depois do... Como é que você viu mais esse capítulo desse embate entre Congresso e governo, esse que foi um round que eles ganharam de lavada, foi bem dolorido. Como é que você tem visto esse cenário, principalmente, claro, levando em consideração que a gente já está em um ambiente de eleição.

Eu estou vendo de uma forma menos esperançosa e mais realista. Eu acho que isso, assim. Primeiro, eu acho que, eu vou dizer mais uma vez, eu acho um horror o noticiário político, como é tratado, cada vez mais com essa conversinha de bastidor. Eu já falei isso aqui várias vezes, mas reitero, com o cinismo, esse misancene, essa coisa...

Meio revista caras, que eu sempre falo. Político, celebridade, ministro do Supremo, que solta notinha pública. Para mim, isso é completamente incompatível com a ideia de democracia, de coisa pública, de república. Enfim, para mim, é a eterna falência das instituições.

A segunda coisa é que ano de eleição, e a gente continua naquele dilema, aquele suposto cálculo para salvar uma suposta democracia. Não dá nem para falar, serviu como lição, mas eu preferia continuar burra, porque nem serviu como lição, a gente continua insistindo na defesa de instituições que estão em crise, mas se recusam a essa autocrítica. Então, só o PT tem que fazer autocrítica.

O Supremo acovardado nunca fez, o Congresso inimigo do povo nunca faz, tudo é vendido como derrota do governo ou ainda, sempre que possível, do próprio Lula. De fato, a articulação do governo Lula é terrível, a gente não tem nenhuma segurança, eu pelo menos tento me lembrar aqui de avanços em articulações governistas importantes, eu acho que mesmo só aquele do acordo antes do início do governo, que ele permitiu a transição e tal, e depois o da reforma tributária. Fala assim, de...

Os mais importantes, se vocês quiserem refrescar minha memória para ser um pouquinho mais esperançosa, eu estou lembrando desses dois. Mas mesmo a reforma tributária foi um longo percurso de deformação do projeto inicial, e os dois também, se não me engano, tiveram como...

protagonista o Haddad, não sem sofrer também o mesmo, o chamado fogo amigo. Então, assim, nem sei, nem acho que poderíamos dizer que de fato foram vitórias, foram marcos desse governo, mas todos os outros, todas as outras articulações envolveram a desmoralização dos interlocutores do governo.

sinais de tibieza mesmo. A sensação que Lula 3 passa é de um governo morno, e eu acho que isso é especialmente perigoso em ano eleitoral. Agora, mesmo com o projeto pelo fim da escala 6x1, que o governo finalmente campou, está levantando e tal, mas não houve uma mobilização de massa como aquela que foi, sim, aí sim, a maior vitória da esquerda nos últimos tempos.

que foram os atos contra a PEC da blindagem, em setembro do ano passado. Eu acho que a chave para virar esperança está na mobilização popular. Infelizmente, parece que o governo Lula discorda disso, porque parece que está puxando freio. A sensação que eu tenho também é essa.

tá ali tentando conversar e tal, mas como é que negocia com esse tipo de gente, Thay? Você que fala assim, ah, não é tanto negociar, é quando é que a gente vai trair, porque a gente tá sempre sendo traída, aquele negócio do, ela te deu oito facadas e o senhor voltou com ela? Eu sempre.

falou isso. Política é a arte da traição. Tem o seguinte, né? Tem o seguinte, né? Quando a gente fala, a gente fala sempre de conciliação aqui, né? Lula, o pessoal brinca pra cacete, que enfim, é de fato um governo conciliador, e esse mais ainda, né? Mas a gente tem falado após a ascensão do fascismo brasileiro, do bolsonarismo e tal, a partir do golpe, né? Que o Temer já é um protofascista, né? Já diria o Ciro Gomes.

O problema não é a conciliação, pelo menos não nesse caso. O problema é que eles não querem conciliar. A gente sempre tem falado isso. A mesa de negociação, hoje, é muito reduzida. Se a gente considerar que o chamado centrão, nas figuras do Hugo Mota e do Alcolumbre hoje, as lideranças no Congresso, eles são figuras que não são associadas imediatamente ao bolsonarismo, ou seja, são figuras que antecedem o bolsonarismo, são de fato centrão.

Eles têm uma capacidade grande ainda de articulação, com certeza.

Mas a força do bolsonarismo da extrema-direita é muito grande hoje em dia, a ponto de, várias vezes, as pautas da extrema-direita serem colocadas, não só a votação, mas, enfim, tensionadas na opinião pública, porque, a gente citou aqui, 42 senadores, 40 e pouco senadores, 49... 42 para a rejeição, 49 para a dosimetria. Mais da metade, 60%, vamos redondar aí. E...

No Congresso, na Câmara, a mesma coisa, né? 300 e tanto. Dá uns 60% isso, Daniel? Mais ou menos. Vamos arredondar. É ordem de grandeza. A gente tá falando desse número, a gente tá falando aí de 20, 30% até mais, que são bolsonaristas mesmo, que estão lá eleitos pelo bolsonarismo, né? Não, não, não, que são, não são as figuras de centrão que vieram antes do bolsonarismo que a gente conhece, né? Os MDB da vida, né? Que agora tá na figura do PSD e tal.

Tem aí um número que é muito grande de dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar

deputados e senadores da extrema direita e que disso não abrem mão não tem conversa então a margem de manobra que sobrou é o chamado centrão para negociar que está reduzido, está menor do que já foi, exatamente porque muita gente primeiro que perdeu espaço para a extrema direita outros se bandearam para a extrema direita, estão abraçados ao bolsonarismo estão livres para serem quem eles são, que ideologicamente é isso, estão muito mais alinhados à extrema direita dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar

Então, a margem de manobra ficou pequena. E a gente tem falado isso, né? Qual é a saída pra isso? Se a gente não consegue passar as coisas no Congresso. Chamar o povo às ruas, né? Que não garante nada, o povo às ruas não garante nada. Se fosse assim, também seria mais fácil.

mas ajuda a participar. Primeiro que ajuda a mudar o debate na opinião pública, na chamada opinião pública, que é basicamente nos grandes meios, quando você consegue mobilizar as pessoas através das pautas. Um governo que mobiliza, que bota a gente na rua, chama a atenção, e aí você começa a opinião pública ter que falar daquilo, pelo menos, ter que mostrar esse outro lado, que nem sempre acontece.

E você tensiona, inclusive por ser ano de eleição, os deputados, esses que tentam fugir do espectro ideológico, que eles têm eleitores, né? E esses eleitores nem sempre estão nesse espectro ideológico e aí estão ali favoráveis a medidas como, por exemplo, a pauta que a gente tem defendido aqui, que é a grande pauta que o governo deveria acampar o 6x1. Resumidamente, concluindo aqui minha linha de raciocínio, acho que o governo, como a Laura falou, perdeu uma oportunidade de fazer uma convocação para o 1º de maio.

para pautar o 6x1. Massivo. O governo, não só os partidos. O governo. O Lula falar sobre isso. Inclusive que o projeto do governo, o 6x1, um dos projetos a ser votado, é do governo. É um projeto de texto, de autoria do governo. Prerrogativo do governo do executivo de mandar projetos de lei e de emenda constitucional para a Câmara. Enfim, acho que a gente entende que a derrota do Bessias

é uma derrota que a gente vai ficar chorando, né? O Bessias, embora seja, enfim, a gente pudesse achar que era alguém mais alinhado. É muito mais simbólica do que por mérito. É muito mais simbólico, porque por mérito... E junta interesses além do bolsonarismo. Exato, né? Que a gente vai falar sobre isso. E assim, convenhamos, né? Esses dias eu vi a mídia falar sobre, né? Com o governo Lula é mais fácil de falar, né? Mas é verdade, né? O CDF se tornou um apadrinhamento, sempre foi, mas é...

coisa virou muito mais, né? Principalmente, acho que o Xandão até, que talvez represente isso, mas já teve o Gilmar Mendes, já teve o próprio primo do Collor, né? O Marco... Marco Antônio. Marco Aurélio. Marco Aurélio Mello. Ou seja, é um apadrinhamento mesmo, e o Bessias talvez seja o...

A parte final desse momento de apadreamento, né? Chegou ali no Messias. Enfim, então a gente não chora muito, mas o pé da dosimetria, eu queria contextualizar, eu até anotei aqui porque às vezes a gente se perde, né, nos projetos de lei, eles são canetados e tal. Enfim, retirei do G1 aqui o texto, então algumas falas aí podem estar...

polêmicas, mas é só para abrir aspas aqui. A vara de execuções penais do Distrito Federal afirma que o Bolsonaro poderia passar para o regime semiaberto em 2033. Ou seja, capaz de nem estar vivo até lá. E aí, pelo novo projeto, quando ele for promulgado em breve, o Bolsonaro pode migrar de regime em um prazo entre dois e quatro anos. Ou seja, derruba.

a progressão de regime, que é basicamente o papel da desimetria foi pra isso, né, entre outros, pra isso, né, e aí basicamente o texto impede a soma de dois crimes, né, estabelecendo que deve ser aplicada apenas a pena do crime mais grave com acréscimo de um sexto até a metade, ou seja, aboleção violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, isso aí vira não vai poder somar esses dois crimes, né, e aí por fim a proposta também prevê redução de pena de um a dois terços quando os crimes ocorrerem em contexto de multidão

desde que o réu não tenha financiado os atos nem exercido esse papel de liderança. Enfim, a pérdida da desimetria é a anistia. É uma anistia branda, vamos dizer assim, bem negociada ao estilo do Brasil. Mas é uma anistia. E perde mesmo a democracia brasileira, que já está mais fodida do que sei lá o quê. Mas enfim, mais uma derrota aí na conta da pobre democracia brasileira. Fagner, você que é um homem sempre muito otimista, você que é um...

Um saramaguista, né? Um José Saramaguista. Não existe ser humano mais pessimista do que eu em todos os aspectos. Você que é um saramaguista, um niilista, traz pra gente aí sua visão menos pessimista possível, se for possível.

Mas você quer a minha visão especificamente sobre o quê? Sobre a forma como o governo está lidando com... Fale qualquer coisa aí. Análise conjuntura, meu amigo. Estamos aqui para bater o papo. O que você quer falar? Eu... Porque eu acho que de alguma forma esse episódio... Desculpa te interromper, mas acho que é para te ajudar no rachostinho. Para ser conquistado de rachostinho. De alguma forma esse episódio, ele é simbólico, né? Não é um fato isolado.

Eu não gostaria de falar o que eu penso de verdade, porque eu posso ser mal interpretado. É opinião premium. E esse programa pode, de repente, viralizar entre nossos companheiros de esquerda e as pessoas depois me cobrarem no futuro, etc, etc. Mas assim, o que eu quero dizer é o seguinte. Na minha visão, para além...

Esquecendo os índices positivos que o governo tem, vem a ter e vem tendo nos últimos anos, o desemprego é o menor da série histórica, entre outras vitórias que o governo...

Lula 3 vem tendo ao longo desses quase quatro anos, eu não posso negar e não posso deixar de dizer que eu considero esse governo, mais uma vez, do ponto de vista da mobilização política e da instrumentalização política do povo, eu considero...

mais uma derrota do nosso campo, do nosso campo popular, democrático e de esquerda. Eu considero esse governo uma derrota nesse aspecto. Não dá para negar que a vida melhorou para muita gente em relação ao desastre que vinha sendo os governos anteriores, enfim, o governo golpista.

de Michel Temer, que usurpou para poder destruir mesmo o país e vender aquilo que o país tinha para vender e lucrar em cima do retismo. E depois o governo Bolsonaro, que foi a continuação do governo Temer com...

uma dose maior ainda de opressão e morte. É claro que a gente não tem parâmetro de comparação do governo atual para os governos anteriores.

Mas do ponto de vista da mobilização política e do ponto de vista da instrumentalização do povo, da instrumentalização política do povo, eu considero esse governo uma sequência de governo como você, eu não sei se foi Luara ou se foi você que falou, agora há pouco.

Um governo morno. Perdeu a oportunidade, né? Um governo que esqueceu que, como se faz política na rua, se segue encastelado e a gente perdeu essa disputa. A gente perdeu essa disputa. Ultimamente, a gente perde praticamente todas as disputas no campo da mobilização política, seja ela na rua, seja ela nas redes.

a gente perde. E eu acho que isso é uma oportunidade muito, muito perdida que a gente tem. Depois de tudo que o Brasil sempre foi, a gente conseguiu construir um período que foi de quase 16 anos, interrompido por um golpe.

que em um determinado momento das nossas vidas a gente jamais imaginou que pudesse acontecer de novo, porque acho que já foi tema, já foi fruto de conversas nossas, tanto privadas quanto em público, que teve em determinado momento das nossas vidas que a gente imaginava que o Brasil era de onde estava para cima, a gente não conseguia ver mais retrocesso.

O Brasil do futuro chegou. O Brasil do futuro chegou, ainda bem que o Stefan Zweig se matou há quase 80 anos, porque senão ele teria se matado de novo, coitado. É década de 40, né? Enfim, senão ele teria se matado de novo. Mas chegou esse momento e a gente perdeu, em determinado momento da luta política a gente perdeu.

O golpe foi dado, o golpe foi dado em sequência, uma sequência de golpes, o golpe parlamentar, o golpe da Lava Jato, o golpe da eleição do maldito. Depois ainda quase tomamos um outro golpe na reeleição comprada, que ele tentou, mas não conseguiu. E a gente teve, não é que a gente teve a faca e o queijo na mão, mas a gente teve uma grande oportunidade. Tive a caneta, né?

a gente teve uma grande oportunidade de mobilizar o povo e instrumentalizar politicamente o povo para que a gente entenda enquanto sociedade que país a gente vive, quem a gente é, quem a gente é internamente, quem a gente é no mundo, ao ponto de que hoje nós chegamos às vésperas das eleições, seis meses, menos de seis meses.

E a gente é obrigado a ver o noticiário, ver pesquisa de intenção de voto, que coloca aí, não sei se como favorito, mas com chances de vitória. Todo o retrocesso que significou a figura que simboliza o retrocesso que foi o último governo e o penúltimo governo golpista, porque Flávio Bolsonaro também simboliza o golpe de Temer.

o que ele é simboliza toda a desgraça que aconteceu no Brasil entre 2016 e 2018 até a eleição do pai dele, a gente corre o risco de ver uma figura como essa que está ligado àquilo que há de pior na história do Brasil e o que há de pior no Brasil atual, a gente corre o risco de ver novamente uma figura dessa.

com a caneta na mão para poder fazer coisas que o pai não foi capaz de fazer. Porque eu imagino que a gente está vendo o que está acontecendo nos Estados Unidos agora lá com o Trump depois de ter voltado, depois de ter ganhado o segundo mandato.

A gente imagina o que pode acontecer no Brasil sob a égide dessa desgraça toda, dessa família, desses apoiadores, desses financiadores, dessa gente toda, essa escumalha toda que orbita ali em torno da figura de Jair Bolsonaro. A gente está vendo o que...

Pode acontecer no Brasil, assim. A nossa democracia é uma piada, assim. Chega a dizer, eu digo assim, é uma piada. É uma piada a democracia brasileira. Não dá para falar que é uma democracia com as instituições que nós temos. Não dá para falar que é uma democracia com a qualidade, a condição de vida da maioria do povo brasileiro. E a gente está aí.

Enfim, correndo os riscos, tendo que se submeter a uma consertação, uma conciliação que não existe mais e insistindo nisso. A gente vem falando nisso há muito tempo. O Lula é a maior figura...

O Lula é a personificação da democracia brasileira. A única pessoa que talvez acredite piamente que é possível fazer uma democracia nesse país é o Lula. Ao contrário do que os canais de televisão dizem aí, já quiseram pintá-lo até como um Chaves, etc. Eu digo com nenhuma dúvida.

O presidente Lula é a figura que mais acredita na democracia, tanto que ele leva ela às últimas consequências. Ele entregou o pescoço dele para ser preso, porque ele acreditava que esse país podia ser uma democracia. Mas assim, da forma como ele é constituído...

Não vai ser, não vai ser. Não tem condição de ser democrata com Alcolumbre, não tem condição de ser democrata com Hugo Mota, não tem condição de ser democrata com essa galera, não tem condição, não faz parte duetos dessas pessoas. Essas pessoas se criaram na base da porrada do Machado, é base do coronelismo, é base da porradaria no mais fraco.

Essas figuras que mandam, que comandam o Brasil de verdade, que sempre comandaram o Brasil de verdade, elas se valem da porradaria no corpo do preto, na porradaria no corpo do indígena, na porradaria em cima da mulher, na porradaria em cima do homossexual.

tem como ter democracia com a pessoa, com essas pessoas, com essas figuras, com esses sobrenomes, com essa turma, ou você enfrenta ou você é derrotado. Uma hora ou outra você é derrotado. A gente já foi derrotado uma vez em 2016, num golpe violento, violentíssimo.

foi derrotado de novo em 2018, numa sequência de golpes que inclui várias coisas aqui, se a gente for falar, a gente vai ficar citando 10, 15, 20 minutos de coisas que aconteceram entre 2016 e 2018, que...

simbolizam e deságuam na eleição de Bolsonaro e no governo dele. Eu poderia citar aqui o assassinato de Marielle, eu poderia citar aqui a prisão do Lula, eu poderia citar aqui o assassinato do mestre Mô de Catender, eu poderia citar vários exemplos que personificam o que significou a eleição de Jair Bolsonaro e os quatro anos que essa figura nefasta, infelizmente, teve a caneta para, enfim, aterrorizar...

a vida até aquele momento da maioria do povo brasileiro, pelo menos até aquele momento, a maioria do povo brasileiro vivia aterrorizada, seja durante a pandemia da Covid, seja depois, seja antes. Enfim, me estendi pra cacete, acho que até fugir do tema, talvez tenha fugido do tema, mas eu acho que o que importa é o seguinte, na minha visão, não sou o dono da verdade, estou falando aqui quem fala é o Fagner.

que acredita que é impossível a gente construir uma democracia com quem não está acostumado a viver na democracia, com quem a democracia é apenas uma palavra sem sentido nenhum, da mesma maneira como são os partidos políticos, que o progressista é um antro de, entre aspas, conservador, o democratas, não tem nada de democratas, e por aí vai. Enfim, mas é isso. A União Brasil.

A União Brasil é de Zueira. E aí é isso. Para finalizar, já que a gente está falando sobre isso, eu queria só fazer um comentário do... É, porque eu acho que tem tudo a ver. Como combate o Fagner Torres hoje?

Eu estava vendo... Eu estou lendo a saga do Tempo e o Vento. Brilhante, assim. Brilhante. Estou no sexto livro. São sete livros. Quem não leu, tem que ler. Eu estou no sexto. É brilhante. O Érico Veníssimo tem uma frase. O Érico Veníssimo tem uma frase no quinto livro ou no quarto livro, que eu não me engano, que ele fala assim...

Ele está se referindo às pessoas antigas e conservadoras no Rio Grande do Sul, especificamente, que vale para o Brasil inteiro. Quando se fala em conservador no Brasil, é justamente isso que o Érico Veríssimo escreveu. Aquela gente antiga sofria porque procurava viver de acordo com o código de honra que quase sempre estava em violento desacordo com suas necessidades e desejos mais profundos. É isso, assim.

A gente não tem como conciliar com esse tipo de gente. Não tem como falar em democracia com esse tipo de gente. Esse tipo de gente ou a gente mobiliza a maioria do povo para poder enfrentar, ou a gente vai ficar sempre na corda bamba de sombrinha até ser traído e perder, que é o que sempre acontece. Daniel, estávamos com saudade do Fagner. O Fagner agora desabafou. Nós estamos assim. Saudade de Fagner. Daqui a três meses, quando ele voltar para o lado dele, vai ter um desce de novo.

Eu espero que o governo não ganhe a eleição. Não, falaremos, falaremos sobre isso. Dani, o Fagner citou uma coisa que eu acho que é interessante a gente abordar. A gente pode dar uma pincelada e abordar, de repente, em episódios seguintes, né? Os índices econômicos, ou os macros índices, né? Os números, a numeralha, a numerologia, tá boa. Algumas estão boas como nunca estiveram. Mas as pessoas seguem não sentindo, ou não entendendo, ou...

Enfim, você como economista, a pessoa já que tem falado bastante sobre isso na mídia, principalmente na mídia independente, na mídia da mídia de esquerda, as pessoas não comem o PIB, né? E aí volta lá a dona Maria da Conceição. Tem várias coisas, né? A gente estava falando, a Luara falou, o Fagner falou também, né? Governo morno e tal. É uma coisa que a gente fala desde 2023, aqui, não só a gente, muita gente fala.

que é... O Lula opera nos anos 20 como se fosse nos anos zero, né? O mundo mudou. Nesses últimos 20 anos o jeito de chegar nas pessoas mudou. Qualquer governo que se fosse de outro espectro político não estou falando nem de esquerda, né? Essa centro, esquerda, social democrata e tal. Um governo de direita que exibisse os números que o governo Lula exibe agora estaria na crista da onda. Eleito em primeiro turno, certamente. Eleito em primeiro turno, com grandes manchetes na mídia. Governo Geraldo Alckmin.

e tal. E o modo de fazer política e de se comunicar mudou. Se já era ruim nos anos 2000, porque a mídia nunca foi nossa, mas era de certa forma o jeito que se fazia mediação com a população. Mas era melhor, tá? Era melhor. Mas não era nosso. Mas a gente tem que frisar.

Era melhor. Sim, porque existia filtros. Pesos e contrapesos, né? Pois é. Agora você tem um vasto submundo da internet que a gente não consegue acessar. Mesmo que a gente mudasse em 2023, não digo nem agora, a maneira de tentar acessar, né? A gente está vivendo 10, 15 anos de lavagem cerebral, como você quiser chamar, e com as big techs do outro lado, né? Jogando o algoritmo sempre contra. E o que a gente fez contra essa galera? É isso que... Esse é meu ponto. O que a gente fez contra essa galera?

Então você vai ter uns 40% que pode a vida melhorar o que quiser, que não vão acreditar em seu aluno e não vão mudar de ideia por causa disso. Você tem, muita gente fala aí melhor do que eu, do chamado insulamento. A pessoa que só consome e acredita as informações que vêm daquele determinado meio. Porque a Globo é comunista, o UOL é comunista e por aí vai.

A chave é tentar lidar aí com esses 10%, né? Que influenciável para um lado... A carga dos cestos acabou, né? A carga dos cestos acabou. Você tem 40, 40, 45, 45 e 10 ali, talvez menos. E a diferença em relação a 2022 é essa turma que em 2022 votou no Lula para ser contra o Bolsonaro, para tirar o Bolsonaro, e que agora...

Ou faz doce ou não gosta do Lula porque acha... Aí você vai ter N motivos para não gostar do Lula. Você acha que o Flávio é mais moderado. E aí é um flanco também para se bater, né? Porque ele... Não tenho nenhuma dúvida, como o Fagner disse aqui, que um governo Flávio Bolsonaro seria o Trump 2. Vai ser pior que o Dubai. Muito pior que o Dubai. Trump 2. Muito pior que o Dubai.

do pai, nem tem dúvida disso. Em todo mundo, o segundo mandato da extrema-direita é sempre onde a... Inclusive por esse tom de moderação, que é algo que a gente sempre comentou no governo de Bolsonaro, né? Que se ele tivesse a leitura mais moderada, se ele tivesse feito a defesa da máscara e da vacina e tal, ou seja, se ele fosse minimamente moderado, que talvez o Flávio possa ser ou tentar ser, né?

possa falar melhor, se portar melhor e... Também não é muito difícil. Nas ações, ser completamente mais destrutivo ainda. Até porque vai ter um congresso e um STF muito mais abertos. É bem possível. Então não tenho nenhuma dúvida disso. E acho que isso deve ser utilizado para tentar manipular, manobrar essa...

Essa franja aí que decide a eleição. Mas o ponto é esse. Não basta você fazer entregas. E a gente está até conversando... Isso aqui em vários níveis, né? A gente esteve aqui no passado com o ex-prefeito de Teófilo Ottoni, né? Conversando, tipo, a prefeitura fazer entregas, asfalta a rua, fazer aquela coisa que a prefeitura faz, né? Já não é suficiente. Porque a pessoa, ah, mas é PT. Ah, mas asfaltou a rua, melhorou sua vida. Ah, mas é PT, tudo ladrão.

E daí, como é que você opera com isso? É muito mais difícil hoje em dia. E, por fim, nessa questão do não se come o PIB, de fato, você tem gente analisando aí, sobretudo nas pesquisas qualitativas, que o desemprego é o menor da série histórica, mas os empregos são de menor qualidade. A participação de... A massa salarial cresce.

só que cresce mais nos salários menores, tem mais emprego mal remunerado. E, sobretudo, aquela sensação de achatamento da classe média, que a gente sente, né? Só para pagar a conta. Exatamente. Você não é que não tem acesso, mas você não sente os benefícios dos programas sociais, dos Bolsa Família, dos programas que estão compensatórios. Dão o mínimo de dignidade.

compensatório, digamos assim, que mantém as pessoas acima da linha da miséria e da pobreza mínima, por exemplo, para uma vida digna, e você também não tem o dinheiro e a manobra de quem é rico, do 1%. Então, um dado muito interessante é que nos últimos 20 anos, diminuiu drasticamente o quanto os salários de quem tem graduação é maior do que o salário de quem não tem graduação.

Por um lado, é porque o salário mínimo aumentou em termos reais. É porque as pessoas que são empregadas em CLT ganhando menos, a base da pirâmide está ganhando um pouquinho mais. Por outro lado... A meiuca não. A meiuca não. E a classe média, quando fica assim, é complicado de ganhar. E é aquela coisa. Demanda e oferta.

O ProUni, o Reúne, o aumento de vagas nas federais, gerou mais gente trabalhando, mais gente com diploma no mercado. E não se tem empregos de qualidade para absorver toda essa mão de obra. Então, caiu a massa salarial de quem é graduado e a classe média se achatou.

Eu acho que essa análise é muito boa, cara, porque, assim, depois que eu trabalhei no IBGE, né, e agora trabalhando com uma ONG de Economia Popular, assim, eu comecei a entender algumas coisas, né? E, assim, é legal que a gente está em pleno emprego, quase, né? Mas, assim, não dá. Não está dando, assim. Ah, o salário mínimo aumentou. Que bom também que aumentou, porque antes nem isso aumentava, né? Isso aumentava ali na inflação e olha lá.

Mas não tá dando, a verdade é que é isso, é pouco, isso não serve mais pra movar, a gente passou dessa fase, a gente tá numa fase que as pessoas reclamam do CLT, que ser CLT virou ganhar mal, né? CLT virou ganhar mal. Mas aí é aquela coisa, como é que a gente explica? Beleza, não dá, tá ruim, mas como é que a gente vai explicar pra quem tá com esse mal-estar, né? Que com Flávio Bolsonaro é que não vai melhorar, inclusive vai piorar.

Então, a gente tem duas opções. A minha opção... A primeira opção, né, Fagner? Deixa eu só fazer a primeira, que a primeira opção é tentar explicar, comunicar. E a segunda é a que você vai falar, né? A pessoa vai ter que se fuder na pele. Não, não é só isso, não, cara. Não é só isso, não. Porque as pessoas já se fuderam. As pessoas já se fuderam.

As pessoas já se fuderam. O que eu acho é o seguinte, cara, e aí quero chamar a Luara pra conversa também, porque o papo agora ficou muito mais masculino, estamos falando há muito tempo, Luara tá em silêncio ali ouvindo. Eu acho que a gente tem que começar a dizer o que é o outro lado de verdade. A gente não diz, a gente só diz na eleição.

sabe, a esquerda passou a ser demonizada pelo que ela não é, porque o outro lado ficou a vida inteira dizendo o que a gente era e o que a gente não é, por isso que hoje quando a pesquisa de intenção de voto é perguntada, um cara como Flávio Bolsonaro, uma figura como Flávio Bolsonaro, que é ligada ao que há de pior na história, repito, na história do Brasil e no Brasil atual, um sujeito como esse...

É um presidenciável, como o pai dele foi eleito. Com 40% de votos. Pois é, por que a gente chegou nesse estado, nesse lugar? Por que a gente chegou nesse lugar? Porque a direita, que nunca foi direita no Brasil, a direita só tirou a máscara, mas ela sempre foi extrema.

Ela sempre foi a favor de vender tudo o que há de melhor no Brasil. Ela sempre foi a favor do prenda e arrebento. Ela sempre foi a favor de tudo o que o Bolsonaro fala estava na garganta de todos os direitistas da história do Brasil. Só que o Bolsonaro teve o mérito de tirar da garganta e botar pra fora. Mas todos eles sempre quiseram isso. Existia o verniz.

O verniz não existe mais. Mas por quê? Por que a esquerda virou sinônimo do que há de pior? Por que virou sinônimo de banditismo? Virou sinônimo de um monte de coisa que definitivamente não é. A gente chegou ao ponto, a novilingua chegou ao ponto que o patriota é o que defende vender a Petrobras.

Por quê? Porque a direita viveu a vida inteira e aí ela se valeu de todos os instrumentos possíveis, se valeu de jornal, se valeu de revista, se valeu da televisão, depois se valeu da internet, hoje se vale de rede social para poder acusar a esquerda daquilo que a esquerda não é. A gente tem que começar a dizer o que a direita é no Brasil.

Quando é que a gente vai começar a dizer que a direita é racista, que a direita é assassina, que a direita é vendilhona, não tem nada de patriota, que quer entregar o país a preço de banana, que quer metade da população? Enquanto a gente está aqui fazendo política, lutando para que todos tenham uma vida minimamente digna no país, o outro lado está fazendo política para nos assassinar. É isso que a gente tem que dizer. É isso que a gente tem que dizer. Enquanto...

estou aqui falando há uma hora com vocês, a gente está aqui há 10 anos falando, tentando tocar o coração e a mente das pessoas, para que a gente consiga definitivamente construir uma sociedade onde todos consigam conviver com o mínimo de harmonia e com dignidade, o outro lado está fazendo campanha

Pra que a gente aqui saia daqui do estúdio pra cadeia e pro cemitério. Pra que as pessoas que vivem nas favelas hoje não consigam ascender através do estúdio, através do trabalho. Pra que elas sejam assassinadas pela polícia. É pra isso que essa galera faz política. E quando é que a gente vai dizer a realidade? O que é a direita brasileira?

Quando é? Até quando a gente vai querer sentar na mesa pra dialogar com essa galera? A gente tem que começar a dizer o que eles são. Eu acho que talvez é o único caminho. Porque o papel deles pra nos demonizar já tá feito. E eu acho que, assim, vai demorar muito tempo pra gente conseguir reverter.

A gente não deu nem o primeiro passo, eu acho, para poder tentar reverter. Porque eu não posso considerar o Lula um passo para tentar reverter, porque o Lula é finito, como todos nós aqui. Uma hora o Lula vai acabar, ele não vai poder mais se eleger, ele não vai ser mais... Enfim, todos nós somos finitos. O Lula não é esse passo. Esse passo, assim, somos todos nós. Enquanto...

o chamado 30%, somos 30% da sociedade, a sociedade brasileira é 30%, considera 30% de esquerda, quando é que essa esquerda vai botar o bloco na rua, vai se juntar de verdade, vai se apoiar de verdade e dizer o que a direita é? Porque hoje é um monte de nicho, a esquerda é um monte de nicho, cada um fazendo o seu, perdendo todos.

No fim, perdem todos. Cada um faz o seu e no fim perdem todos. Quando é que a gente vai fazer, vai dizer o que é necessário dizer pra gente reverter esse percentual, reverter esse jogo? Porque da maneira como tá, a gente pode ganhar em 2026, mas em 2030 a gente vai correr o risco de perder de novo. Vai correr o risco de perder de novo.

E assim, eu acho que a esquerda tem que parar de resistir. A esquerda tem que ganhar, ponto. A gente tem que ganhar. Hoje a gente ainda não ganhou. Enquanto a gente estiver ganhando, tendo que dar a mão para poder salvar o braço para Alcolumbre, Hugo Mota, Alexandre de Moraes e muitos outros, a gente não está ganhando. É isso, a gente está dando a mão para salvar o braço.

Luara, fala aí. A gente não faria o mesmo por nós, vamos lembrar. Não só não faria como não fez. O Supremo acovardado. E aí, Fagner, eu tenho... Já que você está me chamando para a conversa, estava aqui esperando, esperando o Daniel falar antes, porque também já falei bastante hoje. Mas entrando nessa conversa aí, vários pontos que foram ditos aqui, eu queria comentar. O primeiro é esse, assim. Quando você fala, a gente tem que começar a dizer o que a direita é.

Mas como é que a gente começa sem saber o que nós somos? Com medo de dizer o que nós somos. Porque isso também, sabe? Eles só cresceram para poder falar o que a gente é, o que existiu, como não existiu, tem esse espaço ali em que a gente deixou de dizer o que é. Então, a gente com medo de falar de comunismo, a gente com medo de falar de socialismo, de um projeto socialista, sabe? De um projeto popular, verdadeiramente popular de esquerda.

E fica com esse milíndre todo e não, não pode falar de aborto, não, não pode falar de gênero. E você não vê isso de outro lado. Então, assim, ah, porque nós temos que dizer que o Flávio Bolsonaro é pior. Mas eles estão dizendo que com eles, eles estão vendendo o sonho. A gente não vende o sonho, cara. Você vê a pauta desse dia dos trabalhadores. O que ganhou mesmo tração nas redes?

Foi o Zema falando de trabalho infantil. Quem tem certeza do trabalho infantil? Os caras dobram a aposta. E a gente não tem coragem de virar e falar assim, trabalhador tem que ter dignidade. Não é seis por um mais, não. Agora é quatro por três. Nós vimos aqui, com o feriado, ficou melhor. Agora a gente, entendeu?

e mobilizar a nossa gente. Pode não ser o Lula, passou o projeto lá, mas pega um parlamentar nosso e coloca isso na mesa, sabe? E coloca a cara e dobra a aposta. Eu estou sempre falando isso assim. Cara, não é possível. Eu acho que... A gente fala muito de conciliação e desse perfil do Lula. Eu acho que isso é bom. O Lula, ele é isso mesmo e não tem essa grande...

Esperança de que vá mudar. Acho que ele tem que cumprir esse papel mesmo. Não acho que ele vai querer arriscar tanto mais para essa última campanha, o último mandato. Mas tem isso também, no pós-Lula, que vem sendo dito há muito tempo e que agora a gente chega à questão física, lógica. O cara vai para...

pro último mandato mesmo, porque depois também tá na hora de se caçar, caramba. E como é que fica, sabe? Como é que a gente constrói esse pós-Lula antes do Lula? E aí, quando falava no pós-Lula antes, a gente até achava todo mundo, pelo menos no PT, a gente achava como um monte de petista. Mas isso hoje tem que ser realidade no nosso horizonte. E a gente precisa lidar com isso. E numa coragem, assim.

Não acho que tem que ter um novo Lula. Pelo contrário, eu acho que tem que ter novas lideranças com novos perfis. E aí eu penso muito sobre como falta criatividade. Para a direita não precisa de criatividade. A extrema-direita não precisa disso. Porque para eles o negócio é retroceder mesmo. Então volta a escravidão, volta o trabalho infantil. Vamos falar em vez de...

Acho que tem um corte também do Zema falando que não tem como dar ganho real na aposentadoria. Tudo com esse papinho reciclado de um economês que vai justificar, porque serve para isso. Vamos justificar o nosso sonho, o nosso delírio, o nosso delírio comunista. Vamos tirar isso e narrar essa história. Está melhor essa história, porque as pessoas se encantam com essa história de novo.

Porque quando você fala, Fagner, que lá nos anos 2000 a comunicação era melhor, era isso. A gente tinha o sonho. E ele se realizou de muitas formas. Mas esse sonho também se transformou. E o Carlos Berardi fez isso. Ele transformou o quê? Olha, não tem espaço pra todo mundo. É cada um por si, aqui, vamos... Então...

O marçalismo, o empreendedorismo fantasiado de influencer charlatão, de coach, aquele papo da meritocracia que a gente conhece, da mudança do mindset. Isso, né? A Novo Língua também está aí, né, Fagner? E a gente não teve, a gente não teve essa transformação.

A gente, usando, e eu não, eu vou falar aqui, usando os mesmos jargões de uma esquerda, né, que foi considerada desde a queda do Muro de Berlim como ultrapassada, a gente não soube se reinventar. Aí, não tenho nada contra o olhar. Eu acho que a gente tem que fazer mesmo a crítica do que foi, né, o real socialismo e tal, mas sem ficar se imolando, sabe? Porque parece que a gente tá o tempo todo pedindo desculpa por ser de esquerda.

Quando a gente vai começar a ter um juízo de ser esquerda? Nós estamos pedindo assim, não, mas então tem que defender, porque agora, assim, a gente começou a defender instituições que nos massacraram historicamente. O judiciário é uma delas. Então, assim, vamos ficar falando de defesa da democracia, de um judiciário que só serviu para defender a si mesmo.

defesa da democracia no julgamento do Jair Bolsonaro. Qualquer pessoa que fala isso, eu acho que não... O que eu falei aqui no lado B é uma vitória da democracia, mas não tinto do STF, porque houve uma conjuntura que empurrou o STF para poder fazer isso. Quando a gente precisou de defender a democracia em 2016, 2017, durante o impeachment da Dilma, não houve defesa da democracia por parte do STF.

Então é um engano absoluto a gente achar que vai partir dessa gente que vive sim e gosta de viver encastelada e que o do povo tem muito poder, porque a verdade também foi essa, avançou algumas jardas aí de poder onde não devia, quando a gente vê, e já citei isso aqui, que me choca até hoje, ministro dando entrevista, ministro com rede social, ministro do Supremo, estou dizendo, isso é...

É um negócio que a gente devia combater. Nós estamos lá tirando foto com o Xandão. Estamos fazendo meme. Sacou? Esse herói da democracia derrotou o governo. Por que não perder espaço no OSTF? Porque a batata dele está pensando em muito. E a gente trata esses caras como uma dita moral. Sacou?

E não é assim, porque não são nossos, entre muitas aspas, porque é muito ruim que a gente tenha que defender gente como o Messias, que está lá falando reiteradamente, que olha, mas eu sou evangélico, mas eu sou morto. Isso é um negócio que não devia ser pauta do Supremo, mas a gente devia estar discutindo isso no parlamento, nas mobilizações de rua, essas pautas que eles chamam de costumes, mas que, poxa, muda a vida das pessoas, sabe? E não só a questão moral.

até o próprio mundo do trabalho, vamos dizer assim, porque a gente fala de STF, se a gente pegar o TST, também não é diferente. São todos esses juízes...

a magistratura é completamente descolada da realidade. É só a gente ver os cortes que viralizaram aí de juízas dizendo que, com a perda de penduricalhos e tudo, como é que eu vou viver agora? Como é que eu vou pagar as coisas com o meu próprio salário? Ora, como todo trabalhador brasileiro faz, pagando com o salário mínimo, que é reajustado minimamente. E essa gente descolada da realidade. Então, estamos defendendo manter isso, enquanto estamos defendendo ruim. Quer dizer, o sol é o início do que a gente tem. Nesbord?

defendendo romper, contando, nós estamos aqui, não, porque, mas é uma democracia que nunca veio para a maior parte da população brasileira. Porque você acha que o povo está aí para o que fulaninho falou lá do Alcolumbre, no microfônico, não sei o que lá? Sabe, a gente quer saber realmente porque mesmo me dizendo que os índices estão melhores, quando eu vou fazer uma compra, eu sempre pago mais. É isso que eu quero saber. Isso, não, não, não.

não impacta na opinião das pessoas, no voto. Acho que as pessoas são de porra mesmo. E isso é esquerda e direita, tá? Porque a direita é social, o pobre vota com estômago. E aí nós elegemos o PT tantas vezes e mostramos isso. Sim, porque a minha vida é menor. Nós tiveram que tirar o Partido Civil, mas o povo tinha o Jair Bolsonaro. E viu que fomos para cima do rosto.

Mas Flávio continuou ali assim. Então, o que é a conta, afinal? A gente não sabe fazer. Jogar tudo isso só na comunicação é completamente injusto. Eu acho. Mas, ao mesmo tempo, também não dá para fingir que tudo isso é moldado também com a comunicação.

inclusive com a forma como eles jogam com os, e vou usar a palavra que é muito ampla e que já se perdeu de significado, mas com os afetos. Não dá para os caras continuarem vendendo as possibilidades, o sonho, quer dizer, você pode ser muito mais, você é vendendo de novo o sonho, e a gente aqui fala assim, cuidado, se não votar no Lula vai piorar, porque aqui o Bolsonaro é ruim, o Bolsonaro é pior. Quer dizer...

pior do que tá, não fica, pra quem quer arriscar, igual eles que dobram a porta o tempo todo, é uma possibilidade, porque não tem nada, que é isso que fazem com as pessoas que já são lascadas e que enxergam aí um monte de inimigo imaginário que é a direita, e a direita sempre é simples, vocês podem perceber, e tem isso também. Então, é o... a população LGBTQIA, a PN+, são as mulheres, e aí, trazendo, inclusive, quando eu falei de criatividade, quer dizer, o governo tem e dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar

políticas muito interessantes, faz coisas interessantes, mas que a gente fica sabendo pouco. Então, qual é o cara desse governo? A gente não sabe dizer, já falamos várias vezes aqui que não colou alguma coisa. A gente viu uma defesa do SUS tentando pegar aqui a coisa da pandemia, mas o que a gente sabia do memorial do Covid? Vocês viram isso? Agora em 7 de abril, no Rio de Janeiro. Mas vocês viram isso ganhar grande tração, assim?

Inclusive nas nossas mídias, a gente vê o aumento de publicidade e de anúncios do governo, mas isso não...

Eu citei alguns problemas atrás e fiz uma participação nas pracinhas do podcast lá do nosso ouvinte Mauro, falei um pouco da lavanderia popular, lavanderia lá em Caruaru, que foi lançada. A gente não ouviu falar. Isso, normalmente, a extrema-direita avança muito só o voto feminino.

E ele avança com freem-influencer, mais não sei quem lá, outro influencer de fora falando que tiraria o direito de voto das mulheres. A gente sabe que, pô, refogar direito de voto feminino, difícil. Mas eles vão sim jogar com essa coisa do fazer as mulheres duvidarem do próprio voto. E aí as mulheres que são casadas com companheiros de extrema-direita...

tendem a votar, ou podem tender a votar na extrema-direita, ou serem capturadas por isso aí. E as mulheres de extrema-direita também. Vem Michelle Bolsonaro, vem em um Senado com, imagina, Michelle Bolsonaro, Bia Kicis, Damares.

A gente precisa de ter mulher feminista, mulher que fala de trabalho feminino, de mulheres trabalhadoras, de aborto, com coragem. Não tem isso. Eu não sei citar parlamentares que falem diretamente de temas considerados tabu. Não sei. Porque eles ficam me mindrando. Então, qual que é a nossa cara? Sabe? A gente não tem.

Uma esquerda, para poder citar, eu sinto bastante aqui o professor Valerio Safato, e a gente sabe que tem muita gente que não gosta dele. Eu gosto bastante das análises, são muito boas. E ele tem esse livro, né? A esquerda, que não tem um 16 nome. A gente não tem hoje uma esquerda que não tem um 16 nome. Você pode citar um ou outro, mas também tem coisas muito atravessadas. Ah, mas aí, Luara, não chega às pessoas, talvez porque elas não saibam.

Então vamos falar com todas as letras. Vamos dizer o que nós somos. Sabe? Para as pessoas começarem a... Olhe, existe um outro mundo ou um outro fim de mundo possível. Tem muita coisa que eu digo bastante aqui. Eu acho que precisam acreditar de novo na palavra paz, por exemplo. Acho que é muito importante esse papel que o Lula tem cumprido mundialmente e que não tem o alcance que tem nas mídias, mas não tem o alcance que tem não.

Gente, sabe, parece sempre uma coisinha assim, esse papo de Miss. Não, as pessoas estão precisando cada vez mais acreditar que não é normal atacar um país, atacar o Irã, atacar o Líbano, como tem sido feito, a própria faixa de Gaza ali, o que foi. As pessoas precisam acreditar de novo nas palavras, na força das palavras. E aí a gente precisa ter coragem de dizer essas palavras, quais são, sabe?

Paz, solidariedade, igualdade, socialismo, comunismo. A gente não pode perder isso. Isso não pode se perder no nosso vocabulário, sabe? A gente não pode mais ficar... Ah, você é de esquerda? Não, mas veja bem, eu sou a favor de... Não, peraí. Tá? Sou a favor de que todas as pessoas tenham dignidade. Eu acho que se tem muita gente no mundo é porque cabe. E nós vamos cuidar de todas elas.

Não acho que é justo que as pessoas fiquem sem atendimento de saúde. Eu não acho que é justo que as pessoas esperem numa fila para poder fazer o tratamento básico. O que eu defendo é isso. Fala a verdade. Não tem nada. E isso tem coisas razoáveis ainda. Se eu falo isso, não tem saúde. Derrubem esse podcast aqui o que mais eu sou. Talvez também eu esteja precisando de um pouco mais de coragem ou um pouco mais de tempo. Senão eu vou ficar aqui até amanhã.

Só para eu concluir aqui, para a gente encerrar, só para falar do Zema, né? A Luara lembrou muito bem de como ele conseguiu pautar o debate do dia 1º de abril, falando uma fala absurda. 1º de maio. 1º de maio, né? Uma fala absurda, evidentemente. Aqui é o Fale Bom e o Itaio. É, né? Bom, né? 1º de abril. Tem muita coisa para falar de 1º de maio também.

Eu só queria, para não deixar passar batido, até porque eu tuitei isso lá no lado B, né? É claro que a gente tem que sair em defesa das crianças estarem estudando. É óbvio que a gente tem que sair, falar que é contra o trabalho infantil, né? Tem que falar. Tem que defender o óbvio. A gente tem que defender o óbvio. Mas eu acho que está se perdendo muito tempo com uma fala que é claramente uma fala para se colocar na mídia um sujeito que não tem...

Que tem traço. Exatamente. Não tem a... Beleza, faz sucesso aí em Minas Gerais, lá pelos motivos que sei lá o quê.

Mas não é um sujeito que tem esse alcance nacional todo, que tem traço, que está claramente se colocando como um puxadinho da extrema-direita para se falar as coisas que o Flávio Bolsonaro não vai falar e tornar o Flávio Bolsonaro, assim, um sujeito mais palatável, né? Ou seja...

O Zema vai ser a extrema direita e o Bolsonaro vai ser, nossa, ele nem é tão extremista assim. O papel que já foi feito por Roberto Jefferson, por Padre Kelman, enfim, vários outros papéis se prestaram a esse papel. O Zema é só mais um a se prestar, afinal, é um lambedor de botas e de bolas do Bolsonaro mesmo, sempre foi de primeira hora, se elegeu a partir da onda do fascismo.

de 2018, então ele deve isso aos Bolsonaro, ele está se colocando assim, e aí ele vai falar toda sorte de absurdo, já falou da Bolsa Família, já falou da aposentadoria, daqui a pouco vai falar que mulher não tem que votar, e é isso, ele vai se colocar desse jeito, que é a forma que ele tem, de lembrarem dele, primeiro, que já não é mais governador, renunciou, então não tem nada para mostrar em Minas Gerais que seja grandes feitos, não sei de nada que chegou para mim e falou, pô, fez isso?

O grande efeito dele foi ter quebrado o Estado. É, isso aí, enfim, mas tá lá pra isso, né? E tem popularidade alta porque é aquela coisa, governante de direita joga no easy. Governante de direita, é, pois é. E, enfim, quebrou o Estado, vai saber o quanto ele enriqueceu também, né? Então, é pra isso que ele tá lá mesmo, é um canalha de marca maior e que acabou pautando um assunto, gente, assim, não há risco... Não, que é meme velho. Não há risco do Zema derrubar a proibição de trabalho infantil. Ponto.

O que pode fazer é o Flávio Bolsonaro. O Zema não vai fazer isso. Não arrisca. Então a gente se posiciona. Se você é contra o trabalho infantil, você é a favor das crianças de fumar em crack. Pois é. Eu só quero fazer só um parênteses também. Provavelmente a última coisa que eu vou falar antes da minha despedida aqui do programa de hoje. É sintomático...

além disso que o Caio falou, é sintomático que no 1º de maio, as duas falas que mais viralizaram nas redes sociais sobre trabalho e sobre trabalhador uma foi a do Zema defendendo trabalho infantil e a outra foi da Ana Paula Renaud que é campeã do BBB

que se colocou nas redes muito mais clara e objetiva a favor da esquerda, no caso, contra a escala 6x1 do que 99,9% da militância de esquerda brasileira.

sintomático. Nada contra Ana Paula. Inclusive, Ana Paula não vejo BBB, mas por saber do histórico... Aparentemente é menos pior do que... Aparentemente é firmeza. Firmeza. Pelo contrário. Tudo a favor. Mas é sintomático.

É sintomático. É sintomático. Que uma ex-BBB fale melhor e ganhe mais projeção. É sintomático. É sintomático mesmo. Só para poder completar o que eu estava dizendo, Caio. Complete. Que o Zema não vai revogar, assim como eu falei dos votos femininos, mas eles disputam essa ideia e disputam a coesão do próprio discurso. Porque ao dizer que é a favor do trabalho infantil, que as crianças deveriam poder ajudar...

pais e tal, o que ele está dizendo é, dá para separar quem pode, existe essa separação, já existe na verdade, mas dá para separar quem pode trabalhar e quem tem que trabalhar para ajudar e quem não tem, ou seja, nós estamos falando de luta de classe, a direita sempre soube disso, eles ficam dizendo que a esquerda divide a sociedade, mas eles sempre foram, e foram muito mais vitoriosos, como a gente pode ver.

E ele disputa também essa ideia, como eu falei, com coesão de que, olha, porque a criança que está trabalhando não está traficando, não está assassinando, que a grande tara da extrema-direita sempre foi de redução da maioridade penal. Então, assim, existe uma coisa muito mais coesa, me parece, entre a extrema-direita.

do que na esquerda que fica esses meninos, que aí não sabem, e não, é absurdo, tem que defender e tal, a educação, mas que educação? A gente também não disputa que educação a gente tá defendendo pra manter criança na escola integral, de mais investimento, de investimento em creche, que é uma defasagem absurda, e aí a gente liga de novo com a pauta da mulher trabalhadora, sabe, não pensa, e aí... É por isso, Luque, a gente tá sempre reagindo, a gente tá sempre reagindo, a gente não tá conseguindo propor...

A minha crítica, desculpa te interromper, mas faz sentido, né? A minha crítica é exatamente nesse sentido, do tipo assim, cara, beleza, olha, gente, a gente é contra o trabalho infantil, tá? Só pra deixar claro aí o que esse cara falou. E aí, não só isso, a gente acha que... Sabe, porque a gente foi pautado por uma fala absurda de algo que não tem possibilidade, repito, do Zema. Primeiro ser eleito.

Segundo que ele, sendo eleito, não tem possibilidade disso acontecer. A gente tem a pauta favorável. A gente tinha uma pauta muito concreta, contra as caças por um, e nesse campo a gente tem pautas concretas de escola integral, de melhoria na escola infantil, etc, etc, etc. E aí a gente está aqui defendendo, não, nós somos contra o trabalho infantil. Pelo amor de Deus, sabe? A gente entrou no jogo do cara.

Pra mim, a gente entrou no jogo do cara. E assim, por uma pauta que é isso, não corre... Gente, colocamos na nossa cabeça, hoje, 4 de maio de 2006, não há risco do, um, o Zema ser eleito, dois, o Zema sendo eleito revogar. Não tem esse risco. Não é sobre isso. Ele, de fato, como a Laura falou, ele, de fato, está...

apenas tensionando o discurso dele, para a população dele lá, para os eleitores dele, e se tornando um cara extremista para deixar o Flávio moderado. É só isso que está acontecendo. Só isso que está acontecendo. Conclua, Luara, desculpa. Não, não, eu já tinha até concluído, mas é a mesma coisa que eu falo do Neolito. Olha, não dá para dividir para todo mundo. Não cabe todo mundo. Então, quem puder, coloque os seus filhos na escolinha lá, Montessoriana, a escolinha que tem não sei o que lá.

mas quem não puder, infelizmente, o filho tem que ajudar, porque é melhor do que estar nas drogas. É um discurso de não cabe todo mundo aqui, cada um por si, sabe? É a mesma coisa. E ele faz essa disputa direita, a extrema direita faz essa disputa o tempo todo. E nós não estamos sabendo colocar o contrário, de falar, não, nós vamos cuidar de todo mundo, e como que nós vamos cuidar de todo mundo, sabe? Porque também aí falta criatividade.

Quer dizer, foi um governo, esse governo do Lula 3, que retomou as suas políticas. Houve pouca coisa realmente nova. Por isso que a gente fala de um governo morno também. Então, falta criatividade, sim. Falta sonho, falta criatividade, falta um tensionamento real. Quer dizer, nós estamos... Ah...

Quantos anos discutindo o futuro do mundo do trabalho? Aí o mundo do trabalho chega, o futuro chega, uma hora, e a gente já continua discutindo o futuro do mundo do trabalho. Você vai para os congressos de entidades sindicals, ah, o futuro do mundo do trabalho, esse futuro já chegou e a gente ainda está discutindo e não conseguiu se adequar e trabalhador se lascando e não consegue mobilizar ninguém.

A gente teve em abril, acho que 15 de abril, a marcha da classe trabalhadora em Brasília conseguiu ali fazer um grande movimento para entregar as reivindicações entre elas ao fim da escala 6x1. Mas a gente não tem mais aqueles grandes atos de 1º de maio.

houve sim o enfraquecimento das entidades sindicais isso é anterior até a reforma trabalhista, mas é a reforma trabalhista veio com tudo, e aí agora eu acho que é um ponto, para poder encerrar a minha fala que a gente precisa como é que a gente vai defender um governo que na hora que chega ali na hora de conciliar também faz exatamente ou quase tudo que a gente dizia que a gente ia ter fazendo porque também tem isso

Mas a gente chega lá e a gente fala assim, não, vamos pegar aqui, vamos defender. Aí a gente chega lá e os caras fazem igual. Pô, então as pessoas não sabem o que a diferença faz.

Precisa ser diferente. Precisa pensar diferente. E dá trabalho. Dá trabalho mesmo. Mas é isso aí. A vida é dura. Sabe? Até pra poder criar o sonho, você vai precisar gastar massa cinzenta aí, galera. Não dá pra poder achar que as coisas vão cair do céu, não. É trabalho mesmo. Mas é um trabalho que fica mais agradável se você não abrir mão do que exatamente você é, sabe?

eu acho que é muito mais duro quando você tem que ficar renegando aquilo que você acredita, o problema todo é que hoje eu não sei se quem tá lá realmente acredita, só no que diz ou dizia acreditar até pouco tempo atrás e eu não tô falando de Lula eu tô falando de toda uma equipe que pô, é duro quando você vai negociar ver aí as negociações

os acordos trabalhistas, as greves, as mobilizações, e senta e o papo de patrão é o mesmo, sabe? E a austeridade é a mesma, para poder tratar de empresas públicas.

é duríssimo isso, não que a gente esperasse que as coisas caíssem no céu, que não houvesse o mínimo de tensionamento que a gente sabe o que mudou com leis de estatal e também para Petrobras, para poder citar um exemplo que a gente vem discutindo há algum tempo também, os próprios Correios se for pegar o exemplo dos Correios que estão aí todo dia na mídia bate um negócio de que Correios está deficitado, então não tem uma figura do governo que venha público para poder dizer, olha dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar dar

A gente vai continuar fazendo por causa disso, sim. Vamos ter que defender porque é segurança, é integração pública e tal. Não, deixaram sucatear e por muito tempo ficou nessa coisa de, olha, não pode investir porque está sucateado. Está sucateado porque não pode investir. É o paradigma também, é o paradoxo, aliás, ali. E agora que está realmente deixado que você vai fazer alguma coisa, ninguém vem dizer, olha, por que tem que defender os Correios? Ou por que tem que defender? É um grupo de soberanismo, mas eles não fazem.

A soberania fica no plano ali da coisa, sabe? De defender o Brasil. O que é defender o Brasil? O que é defender o Pix? Essa história precisa ser melhor amarrada. Quando eu falei já aqui no último programa, eu que sim, eu quero encerrar, a gente precisa de melhores contadores de história.

tá? Também tá faltando a galera aí da literatura mesmo colar junto, mais do que influencer, pra poder aprender a contar história. Porque tá faltando isso. Tá faltando uma coesão que eu vejo muito grande na extrema-direita e que a esquerda ainda continua nichada, fragmentada, não consegue se conectar nem entre si mesmo, sabe?

Eu sinto muito isso. Obrigado. Luara, já começo com você, então. Boa noite. Semana que vem estamos juntos. Eu acho que desabafei bastante com essa voz esquisita que estou. Então, qualquer coisa, coloque a culpa na gripe. Acho que tem muito aí do que eu venho pensando recentemente e que vem me incomodando, mas eu espero que este ano de eleição, aí sim, aí vou ter que agora retomar a esperança.

Eu tenho visto muito gente interessante se colocando na disputa, viu, Caio? Espero que a gente consiga trazer a gente aqui. Já indiquei algumas pessoas. Ou uma, eu não sei, mas eu tenho mais pra gente entrevistar aqui. Gente que vem com novas ideias, com vontade de fazer diferente. Eu acho que isso vai ser muito importante pra gente repensar, sabe? Repensar, inclusive, a nossa forma de esperança. Pra não ser só essa coisa, ai, ninguém solta a mão de ninguém.

ah, porque vamos nos defender, não, vamos ser a oposição mais afrontosa, não, peraí, entendeu? Uma coisa realista. E falando, se não são novos assim, quero inclusive indicar também, não vi a entrevista toda, mas citei uma outra entrevista do Jéssica Seu, né, que já passou por este podcast, mas ele recentemente deu uma entrevista lá pra que ele, acho que foi o Flow, né?

e eu vi cortes bem interessantes também, então quer dizer, tem vindo gente nova, mas tem vindo gente que é nova há mais tempo, e com ideias que continuam novas porque não foram testadas, com coragem, com a coragem que eu falei aqui, e que estão dispostos a colocar essas ideias de novo em jogo, e eu acho que é muito legal a gente olhar para isso, sabe? Para quem está trazendo, de alguma forma, um frescor.

das possibilidades. Então, aí a retomada da esperança, acho que tá um pouco nisso, assim, de pensar um novo, mesmo sem deixar pra trás o nosso legado, como eu falei, sem ficar simulando em praça pública, de achar que a gente tem que pedir desculpa por querer passar por onde a gente quer passar. Inclusive, de passar por cima, temos que perder o meio de tratorar também, quando a gente tiver a possibilidade. Quando o time mete, meu filho, 3x0 aí no clássico, você não pode perder a cabeça.

igual o meu zagueiro lianco, não. Tem que manter o sangue fio ali pra cima, porque dá pra enfiar mais três ou quatro, mais dois ou três, três ou quatro aí, e fazer uma colhada. Eu sou desse turma aí, que acredito nos deus do futebol, acredito que eles também operam. Se não operam na política, a nossa gente sempre pode, né? O mistério do povo também, eu acho que é sempre muito mais fundamental do que qualquer fundamentalismo do evangelistão aí.

Então pronto, é isso. Boa noite. É isso, Fagner. Boa noite. Bom, boa noite, é isso. Deu pra falar bastante. E semana que vem a gente está aí de volta. Se tudo der certo, e a gente torce pra que dê, mesmo no meio de tanto pessimismo e fatalismo.

Daniel, boa noite. Boa noite. Até semana que vem. Vou deixar aqui nossa solidariedade com o Thiago Ávila, é todo mundo que está lutando pela causa palestina. O Thiago é um militante que esteve lá no território palestino e foi preso em Israel. Sequestrado, né? Davi águas internacionais. Pois é.

Como sempre, Jael fazendo o que quiser. A gente deixa a nossa solidariedade. Espero que ele fique bem, seja solto. E, claro, sempre ao povo palestino. Estamos juntos. A Eobar Partizan, que se posicionou recentemente. A gente não falou aqui sobre também. Estamos sempre juntos nessa causa. É uma causa que nos move. Estou aqui com o meu broche da Palestina, da camisa crítica. Tem lá, 10% de desconto. No cupom LADOB, em camisacritica.com. Um brochezinho bem bonito. Vou deixar aqui no Instagram.

E é isso, a gente encerra por aqui mais um episódio da temporada Lado B 10 anos, e semana que vem tem mais Lado B, e eu te convido sempre a ficar aqui com a gente e fortalecer o jornalismo independente, contra-hegemônico e anticapitalista. Forte Amplexo, até lá! Este podcast foi editado por Fernando Cesarotti.

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