Episódios de A Última Bolacha

EP 05 | A Última Bolacha - O que não mata

04 de maio de 202642min
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No quinto episódio da série, a jornada de Ed revela que o desafio não termina quando os números da balança mudam. Cirurgias reparadoras, recaídas alimentares e o peso do estigma social mostram que a relação com o corpo segue um campo de disputa constante.
A investigação chega à conclusão desconfortável do quanto a obesidade não é apenas condição médica, mas envolve também economia, cultura e comportamento social, individual, mas também coletivo. E, enfim, é revelado o mistério da Maldição dos 36, uma confirmação de que a verdadeira batalha não se restringe aos limites do corpo, mas também da mente.
ERRATA: Na narração, trocamos trigo (wheat) por soro de leite (whey) ao traduzir o composto de proteína.
Assuntos5
  • Relação com o corpo e estigma socialPerda de peso e excesso de pele · A cirurgia como correção corporal e vaidade · Cicatrizes físicas e emocionais · Distorção de imagem corporal após perda de peso · Preconceito e impacto social no tratamento da obesidade
  • Indústria AlimentíciaVício em açúcar e abstinência de produtos industrializados · Consumo de água versus refrigerante · Light, Diet, Zero e Proteico: definições e armadilhas · Produtos ultraprocessados e apelo de saudabilidade · Transição para o veganismo e alimentação básica
  • Cirurgia PlásticaProcesso pós-cirúrgico e cicatrização · Uso de whey protein para cicatrização · Impacto da anestesia e recuperação inicial
  • Reforma tributária e lobby da indústria de bebidasTributação de água mineral versus refrigerantes · Imposto do pecado e emendas 'jabuti' · Lobby político e doações de campanha · Zona Franca de Manaus e isenções fiscais
  • Crise dos 30 anosCrença em um prazo de validade limitado · Pressa em viver e busca por experiências intensas · Confirmação da 'maldição' através
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Cirurgia feita com sucesso. Você está no quarto. Esse é meu amigo Lucas Almeida. Está em processo agora da bota pneumática para evitar qualquer processo de compressão. E agora, meu amigo, dormir, repousar, ficar de boa. É isso aí. Quem explica? Explicar? Quem explica? Quem explica? Não sei quem explica.

É, eu estava levemente grogue. O médico. Hum? O médico. Ah, o médico. O médico só vai vir amanhã. Hoje é só equipe de enfermagem. Hoje é repousar, recuperar. Acho que daqui a uma horinha tu já vai estar melhor. Ainda está no processo da anestesia. Um ano após o ataque do coração, que mudou tudo, eu enfrentei uma UTI hospitalar novamente.

Dessa vez, uma motivação diferente em 180 graus. Ganhei fios de cabelo branco e havia perdido 52 quilos. E daí veio uma questão de pele. Muita pele. Eu vou colocar pra ele, acredito que amanhã de manhã ele já vai estar um pouquinho mais acordado. A gente vai iniciar o whey protein, tá bom? Pra ajudar na cicatrização. Aí vem de manhã, os 9 e pouquinho, vem batido com fruto, como se fosse uma vitamina, pra ajudar na cicatrização.

Tem alguma fruta que tu não gosta aí? Tem alguma que você não goste? Todas. Eu não gosto nenhuma, mentira. Eu sou Ed Vanderlei e esse é o último episódio de A Última Bolacha. Um projeto sobre obesidade contado por quem a vive e joga a luz sobre indústrias que vendem lenços enquanto choramos.

Nos próximos minutos, a gente vai conversar sobre o universo das alternativas alimentares que conquistaram os sentidos de milhares de brasileiros. Light, Fit, Zero, Proteico. E finalmente te conto por que eu morri. E como por conviver desde a adolescência com a maldição dos 36, eu sabia que esse seria meu destino final aos 36 anos. Vai ficar tudo claro, prometo. Primeiro, tenho que te contar dessa minha volta ao hospital.

Episódio 5, O que não mata. Em novembro de 2024, com 52 quilos a menos, e pela primeira vez na vida adulta com apenas dois dígitos marcando na balança, eu fui submetido a uma cirurgia para correção corporal.

Eu sei, você deve estar pensando que esse seria um momento apoteótico para coroar um esforço concentrado ao longo de todo o ano. Mas a dificuldade da obesidade passa longe de estar apenas no prato. Temos que falar sobre inseguranças e sobre mudanças. Então, deixa eu te levar comigo para a noite antes de eu ser literalmente redesenhado. Na verdade é que fazer...

Essa cirurgia é muito mais do que vaidade. Eu estava conversando com a jornalista Cláudia Jardim, uma das líderes de torcida do Vai Tá Tudo Certo e Vai Ser Incrível, que queria saber como eu estava naquelas horas antes da cirurgia, que tem um risco, considerava, em especial para quem sempre foi obeso e não estava com o coração lá essas coisas.

O médico me perguntou uma coisa quando eu estava fazendo a entrevista. Ele disse que as pessoas se preocupam muito com cicatrizes. E aí eu pensei em tatuagem, pensei nas coisas que poderiam ser feitas, enfim. Mas sempre temendo muito. Ao que parece vai tomar toda a barriga. E aí ele disse uma coisa que não saiu da minha cabeça por muito tempo. Era que eu já carregava as cicatrizes do meu processo.

E é verdade. É verdade que eu estou me submetendo a uma cirurgia para trocar uma cicatriz por outra. Porque eu costumo dizer que meu corpo virou uma terra arrasada. A intervenção corrigiu a distância entre pele e músculo do meu abdômen e removeu excessos de pele que antes cobriam a gordura que aqui habitava e me fazia acompanhar até então. Só de pele foram quase 6 quilos a menos. E daqui para frente, costurado, filé todo, o consumo teve que ser revisto outra vez.

Eu já falei aqui, em episódios anteriores, sobre meu profundo vício em açúcar. E um dos produtos associados mais comuns que mais nutrem esse vício é o refrigerante. Foi me abstendo dele, do açúcar e das comidas prontas e industrializadas que consegui me manter na linha ao longo da maior parte dos meses seguintes à minha hospitalização.

Isso somado a uma rotina de exercícios de domingo a domingo e a um componente básico sempre negligenciado. Água. Nas semanas mais exemplares do meu tratamento, eram mais de 4,5 litros de água por dia. A promessa é de aceleração do metabolismo e auxílio na saciedade.

Outra vantagem dessa opção seria que focar no consumo de água me faria gastar menos. Imagine minha surpresa quando minha investigação mostrou que, em alguns aspectos, refrigerante pode até sair mais barato que água. Esse é o bolso de refrigerante.

Exatamente são esses créditos, essas isenções, superestimada. Esse é Carlos Alberto Lancia, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Água Mineral. E o lucro não tem tributação para remeter para o franqueado no Brasil, está na parte de Manaus, não tem tributação do lucro do negócio. Porque o refrigerante tem marcas multinacionais que no Brasil são franqueados. A Rode está lá nos Estados Unidos.

A revolta do setor é que durante a reforma tributária rolou um bota ou não bota dos refrigerantes no chamado imposto do pecado. Uma tributação extra, usada para desestimular o consumo de produtos que provoquem prejuízos de algum tipo ao consumidor e à sua saúde.

O cabo de guerra entre Câmara e Senado, no fim das contas, pôs a água mineral numa faixa de tributo maior que a das indústrias de bebidas açucaradas multinacionais que produzem na Zona Franca de Manaus, com créditos e isenções. Ou seja, o governo pode cobrar mais impostos sobre a água mineral do que sobre os refrigerantes. Se eu pegar todos os tributos federais e estaduais da água mineral, hoje, 32%. E aí

Se eu pegar os tributos do refrigerante, vai variar de companhia para companhia, de empresa para empresa que está fazendo a Operação Manaus. Então, baseado no nosso cálculo, no nosso entender, é 16,5% a 17% que esse pessoal paga em nós 32%.

Isso acontece hoje por lobby político. O lobby é legítimo. É um lobby político existente. O lobby no mundo todo é existente. Não apenas existente, mas eficiente. Apesar de o imposto do pecado sequer começar a ser sentido pela população, parlamentares já se anteciparam numa tentativa de, paralelamente, abrandar alguns dos impactos da tributação.

E aí, eis que lá no Senado, o senador Eduardo Braga colocou um outro projeto de lei que não tem nada a ver com essa parte, é sobre reforma tributária, mas de outra coisa, de definição do comitê gestor, de quem vai gerenciar os recursos arrecadados. Ele foi lá e pôs aquela chamada emenda jabuti, ou contrabando, num projeto que não tem nada a ver com esse, e aceitou uma emenda, catou uma emenda, para pôr um teto de 2% no imposto seletivo para bebidas açucaradas.

Quem ajuda a explicar o caminho que a indústria dos refrigerantes trilha no legislativo é Marcelo Baer, representante da ACT Promoção e Saúde, ONG focada no combate ao tabagismo e às doenças crônicas. Ele coloca agora em um novo projeto de lei que não tem nada a ver, ele volta a atacar o imposto seletivo. Então você vê aí como ele vocaliza muito os lobbies ali da indústria de refrigerantes, particularmente na Zona Franca de Manaus, que é, enfim, ele é senador pelo MDB do Amazonas.

Se hoje, por exemplo, uma indústria refrigerante pagar em algum estado 32, ele vai ter redução de imposto. Então, assim, é o tamanho do absurdo do que ele está colocando. O imposto seletivo que é para tributar a mais para desestimular o consumo, pode até ser que em algum estado a gente tenha redução da carga tributária estimulando o consumo desse produto nocivo, além de, como você colocou, ficar eventualmente até abaixo da água mineral.

E é isso, vai ficar com uma alíquota muito baixa, no fim vai tornar o imposto seletivo inefetivo se ficar desse jeito.

Não ficou. Ainda. Aos 45 do segundo tempo, na última semana do ano legislativo de 2025, representantes desse lobby passaram na Câmara um limite de tributação dos refrigerantes, literalmente na madrugada da última segunda-feira útil do Congresso.

Depois de muito grito, o caso específico das bebidas açucaradas foi revisto na terça, 16 de dezembro, e a proteção a essa indústria acabou derrotada por margem mínima, 242 a 221. Não foi dessa vez, ao menos até o próximo Jabuti.

Procurada, a equipe do senador Eduardo Braga alegou que o parlamentar não atua em defesa de nenhuma indústria e que a contestação das tributações para um produto ou para outro seriam apenas reclamações de lobbies que saíram derrotados. Um detalhe importante que eu quase esquecia de contar é que eu fui fuçar as doações feitas para as campanhas políticas de Eduardo Braga no passado.

Ele, que já disputou o governo do Amazonas em algumas ocasiões, sempre teve, até sua última candidatura, doações substanciais de uma empresa chamada Record Pharma. Na campanha de 2014, por exemplo, foram nada módicos um milhão e meio de reais na campanha do hoje senador, que encerra seu mandato agora, em 2026.

Por lei, as empresas não podem mais custear campanhas políticas desde 2018, ano em que Braga se elegeu para o Senado. Por curiosidade, decidi buscar o ramo em que a Recofarma atua. Hum, fabricante da Coca-Cola no Amazonas.

Claro, cada pessoa, no fim, escolhe o que consome. Mas é fato que as políticas públicas influenciam os hábitos e, por consequência, o desempenho da saúde coletiva. Sejam ultraprocessados ou bebidas, hoje há ressalvas mais fortes na hora do consumo. De certa forma, os hábitos do brasileiro, em dieta ou não, vêm mudando para se atentar mais para composições e rótulos, especialmente considerando não apenas o que a gente come, mas o que bebemos. A gente observou redução do consumo de café.

de bebidas adoçadas, incluindo refrigerante, leite, bebidas lácteas e sucos de fruta processados. Iuna Alves é doutora em nutrição e trabalha como pesquisadora na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Agora, quando a gente olha apenas para os indivíduos que tinham obesidade, a gente observa aqui uma redução no consumo de bebidas adoçadas, que aí inclui o refrigerante.

de leite e de sucos processados. Em indivíduos que não tinham obesidade, eles reportaram redução de bebidas adoçadas.

Ali, conversando com Yuna, uma das minhas certezas ruiu. Nem todo obeso bebe refrigerante além da conta. As pesquisadoras acreditam que a mudança de comportamento se deu pelas campanhas de conscientização e por uma busca coletiva por uma alimentação mais saudável. Apesar das pessoas terem diferentes camadas de sobrepeso, obesidade...

não houve uma diferença significativa no que de fato elas bebem. É isso? O refrigerante não é uma grande questão para quem está obeso, por exemplo? Isso. Nessa pesquisa a gente não avaliou apenas o consumo de refrigerante, mas de vários tipos de bebida. E de uma forma geral, quando a gente observa essas 11 categorias de bebida, a gente não observa uma diferença significativa quando a gente avalia esses adultos de acordo com essa condição de peso.

Na busca por cortar venenos, muitas vezes a gente se abraça com o conceito de zero adição de açúcar. Hoje, eu até acho estranho o refrigerante regular com açúcar. E abracei os adoçantes artificiais que, já entendemos, passam longe de fazer bem. Mas, ao eleger um vilão prioritário para evitar, comemoro pequenas vitórias contra o açúcar refinado. E, pelo que Una conta, muita gente tem feito o mesmo nesses últimos 20 anos.

E aí a gente viu uma redução importante da utilização usual do açúcar como um adoçante de mesa. E um aumento, apesar de ser bem baixo ainda, mas um aumento expressivo da opção de não utilizar nenhum tipo de doze.

Dizem que quem tira o açúcar do café é capaz de tudo. E cada vez mais gente tenta ser capaz de mais. E o mercado responde. Não por acaso você encontra facilmente a Coca Zero, mas também vê no rótulo da Coca-Cola tradicional a inscrição menos açúcar.

Menos nunca foi tão mais. E é por isso que as prateleiras se voltam a produtos alternativos que não contemplam apenas quem tem alergias e intolerâncias. É a era da alimentação comum que abraça o light, o diet, o zero e o proteico.

Bom, o light tem menos calorias. Então, é um alimento que tem menos calorias do que a versão normal. O diet tem a subtração, ele subtrai um componente. Por exemplo, subtrai o açúcar do doce. Mas não necessariamente ele tem menos calorias. Então, tá aí uma pegadinha que às vezes a pessoa acha que tá consumindo diet, mas ele pode ser rico em gordura.

E o zero é zero, né? Então ele tem zero de algo. Ou é zero sódio, ou zero calorias. Greta Antoine é nutricionista influenciadora e me é cara porque cresci junto a ela. À distância, é verdade. É que ela foi uma das chiquititas do SBT, que quando criança eu acompanhava.

Hoje adulto, o meu coração não tem buraquinhos, mas minha dieta sempre esteve cheia deles. Sendo o refrigerante o mais comum. Agora você abre o TikTok, abre o Instagram, todo nutricionista tá falando bem da Coca Zero. Corta para anos atrás o refrigerante era, meu Deus do céu, pode causar câncer porque tem adoçante. Mas nem 8 nem 80, não existe isso. A Coca Normal não vejo sentido.

Eu não vejo sentido. É o que eu falo pros meus pacientes. Eu falo, eu não vejo sentido você tomar a Coca normal, sendo que tem a Coca zero. Zero é zero. Zero não tem açúcar. Então, ela é isenta de açúcar. Então, se tem algo que é zero, toma zero. Assim como a gelatina diet. Diet, consuma diet. Você não tá tomando uma Coca pra se nutrir. Você tá tomando uma Coca porque ela é gostosa.

Você está tomando a coca, às vezes, porque ela vai matar aquela vontade do docinho. Isso, para uma pessoa que é diabética, não deixa de ser uma escolha um pouco mais saudável? Bem, entre aspas? É uma estratégia. Greta relativiza o consumo de refrigerantes, assim como de outros ultraprocessados, a partir de um ponto de vista prático, por acreditar que acesso, cultura e preço inviabilizam pensar numa dieta 100% livre deles.

Então são escolhas. Existem alimentos que são os embutidos, que são classificados como os carcinogênicos. Então na mesma classificação que o cigarro, peito de peru, mortadela, presunto. Que são alimentos que eu falo, você não deve consumir. Não é pra você comprar. Não é pra você ter em casa.

Não é pra você ter em casa um peito de peru, um presunto, não é. Mas um dia que você for num lugar, x, comer isso, ou vai ter isso pra comer, pelo amor de Deus, coma. Coma. Coma e tá tudo certo. O que você não pode fazer é que isso seja uma constância, que isso faça parte do seu dia a dia. Equilíbrio é a palavra de ordem da dieta sustentável e que se mantém com o tempo.

E ainda que não condene o consumo de ultraprocessados, a nutricionista alerta para os riscos de uma busca por dietas mais saudáveis que os enxerguem como solução. E destaca os novos veganos. Existem muitos veganos, pacientes, que chegam até mim com uma alimentação totalmente baseada em ultraprocessado. Porque não tem esse entendimento também. Eu acho que isso acontece demais, principalmente com as pessoas que estão fazendo a transição do onívoro para o vegano.

que é não ver como substituir a carne. O vegano deveria comer isso. É arroz, feijão e legumes. A única coisa que ele tirou do prato foi a carne. E a gente não precisa de muito mais do que isso, do básico. O básico funciona. Então, feijão, grãos de bico, lentilha, damame, soja, tofu. É isso. Só que aí, quando a gente explica isso, as pessoas às vezes acham estranho, porque falam, mas é só isso. Cadê a mistura? A mistura tá aí. A mistura.

A mistura tá aí. Mas não tem cara de carne.

Diet Fit Light. Os supermercados estão cheios de embalagens exibindo os selos de uso e abuse. Mas nessa onda, criou-se também a tendência de comercialização dos alimentos reforçados. Paçoca proteica, sopa proteica, além, claro, da proteína do trigo, o whey protein, que virou sinônimo de saúde e dedicação à academia, para corpos mais definidos e até recuperação cirúrgica. E quando as coisas parecem fáceis demais, amigo...

E a gente identificou que diversos produtos, eles são ultraprocessados, então eles têm ali na sua composição ingredientes que fazem com que aquele produto não seja adequado para a saúde. E o simples fato de adicionar uma quantidade de proteína e destacar isso no rótulo, traz para ele um apelo de saudabilidade e dá a impressão para os consumidores de que se trata de um produto saudável, de um produto adequado.

Essa é Mariana Ribeiro, do Instituto de Defesa do Consumidor, o IDEC. A organização promoveu, em 2025, uma análise de produtos que se dizem proteicos nas embalagens e estimulam o consumo dos ultraprocessados vendidos como saudáveis. Eu simplesmente destacar a proteína não significa que é algo bom no produto. É importante olhar o rótulo, ler a lista de ingredientes na sua totalidade para entender se eu estou fazendo ou não uma boa escolha.

De 52 alimentos prontos, barrinhas e outras composições, 11 ou não apresentavam quantitativos relevantes reais de proteína por porção ou exibiam informações que estimulam o consumidor ao erro. Teve um caso bem específico que a gente viu o seguinte, era um produto que ele declarava, né, X gramas de proteína por porção. E aí, muitas informações no rótulo, a gente tem o produto como ele está sendo exposto à venda, mas a gente também tem a informação dele pronto para consumo.

Mas quando você via que, na verdade, o modo de preparo incluía um ovo, aí você tinha que calcular com a quantidade de proteína que tem no ovo e aí fazia sentido aquele valor. Então aquela alegação no rótulo não estava se dizendo apenas do produto que estava sendo comercializado.

Então é proteico, mas com ressalvas. Ou seja, tem quem não saiba bem o que está levando para casa, mas não é nem gato, nem lebre. E nem todo mundo concorda com a questão apenas da frequência do consumo desses produtos. Especificamente esses produtos que são diet ou até light, o que ocorre na maioria das vezes ali?

é uma redução da quantidade de açúcar ou isenção do açúcar e aí a indústria, para compensar isso, ela coloca outra coisa para adoçar, que na maioria das vezes é um adoçante artificial. Fernanda Halber é pesquisadora pós-doutora e integra o Departamento de Medicina Preventiva da Universidade de São Paulo, a USP. E ela dedicou boa parte da carreira a verificar os impactos à saúde de produtos ultraprocessados.

Ela viu de perto esse movimento de reposicionamento da indústria para parecer mais saudável e fala da semelhança da estratégia com o que já aconteceu com os cigarros no passado. Essas estratégias de marketing que eles utilizavam também são muito aplicadas hoje para as estratégias de marketing de alimentos ultraprocessados. Mas aqui tem um grande diferencial. O cigarro é algo que a gente conseguiu mostrar que faz mal.

E é mais fácil das pessoas entenderem que aquilo precisa ser proibido porque faz mal. Quando a gente fala de alimentação, é mais complexo, né? Todo mundo come. Por exemplo, quando o PNAE, o Programa Nacional de Alimentação Escolar, incorporou o processamento nas suas recomendações, ele está protegendo as crianças de ter alimentos ultraprocessados na sua merenda. E a gente precisa de cada vez mais políticas também que protejam o ambiente alimentar, além de, claro, conscientizar as pessoas também.

Mas com tanto desafio para acessar a comida de verdade e os estímulos constantes para flexibilizar o consumo, como identificar onde deveríamos desenhar o limite absoluto na hora das nossas escolhas? Albert dá uma dica que se resume a uma palavra, aditivos.

Os aditivos tendem a aparecer no final da lista de ingredientes. E os aditivos que são marcadores dos alimentos ultra-processados, principalmente, são os corantes, os aromatizantes e os emulsificantes. Nem sempre o produto vai dizer a função, se é um corante, se é um aromatizante.

se é um emulsificante. Então, se aparecer esse monte de nome ou numerozinhos, porque eles são também identificados com números, é muito provavelmente aditivos e são alimentos que a gente precisa evitar. Anotado. E àquela altura, eu já estava craque em nomes estranhos de números. Muitos números.

Um deles que vale a pena destacar era que quando comecei essa aventura no hospital, o nível de açúcar no meu sangue, ou seja, minha hemoglobina glicada, estava em 7.2. O diagnóstico de diabetes ocorre quando essa taxa passa de 6,5. Agora, esse indicador já batia 5.4, livre da doença. E isso graças a um outro número, o mais importante após um ano de luta, 58.

No Natal seguinte à minha internação, não teve nenhum Beatle. Também não teve Pompa. Mas meu coração foi outra vez colocado à prova. O seu peso ajudou a mudar todos esses aqui também. E agora, vem pra cá, Ed! Nesse momento, eu me tremo um pouco, confesso.

É dezembro de 2024 e eu empurro devagar um carrinho semelhante àqueles de supermercado. Sem fazer força, ainda usando uma cinta cirúrgica, eu tinha acabado de sair do hospital. Ali era a cerimônia de entrega de pacotes de um quilo de arroz, feijão, açúcar, macarrão. 58 para ser exato. Contados um a um.

O Peso Solidário é um evento anual da clínica de emagrecimento que acompanhou minha mudança. O evento reúne quem luta contra a balança e faz doações equivalentes ao peso que a pessoa perdeu para instituições filantrópicas. Eu tinha 36 anos, 3 meses numa cidade nova, num emprego novo, 145 quilos e todas as chances contra a mim.

Eu também tinha uma certeza que eu não ia passar dos 36. Era uma criança antiga e espiritual até. E naquele dia, a médica que fez meu exame, além de falar da suspeita do trombo, ela disse que minha função cardíaca estava em 36%. Entendeu? Eu não sou jovem místico que segue...

Mas é que quando a morte bate na porta, a gente só corre para se esconder embaixo da cama. E embaixo da cama nem cabia mais. Eu... Eu lembro de ter pedido nesse mesmo dia. Falei com um amigo para passar para o meu amigo e irmão. Todas as minhas senhas. E...

e para dizer o que fazer com a minha mãe. Era a primeira vez que eu contava publicamente a minha história com um desfecho que não fosse triste. Primeira vez que eu falava sobre a maldição dos 36 para quem não era apenas amigo próximo, e que também usei o passado para tratar da crença, em vez da iminência urgente com a qual eu me acostumei.

A primeira vez que eu vi a balança marcar apenas dois dígitos. Os braços cediam àquele peso. E recém-operado, eu precisei da ajuda do carrinho para levar à frente o que por décadas se alocava sobre os meus joelhos. E eu sei que essa é uma guerra perena, que não se vence por ontem, que passa a paz. Mas sério, é um prazer imenso para variar. Pela primeira vez estar à frente do placar. E finalmente ter a chance ao meu favor.

Por isso eu só tenho a agradecer a todo mundo. A ideia da celebração é uma passarela da vitória. Para mim era também um suco. Como é que eu conseguia antes? Como era possível levar o mesmo que aqueles pacotes todos numa simbiose glutônica? A sensação era agridoce, como eu já conhecia. A mesma sensação que me acompanhava desde o leito do hospital.

Medo. Não do fracasso. Aprendi em grupo terapêutico que emagrecer é também fazer descer a represa que estava cheia por dentro. Só que quando a água baixa, amigo, muito se revela. E além de não se reconhecer, você não consegue atingir nenhum formato de fato que faça sentido. Você perde peso, mas não é magro. Você...

Já não é mais tão gordo, mas a barriga continua ali e a pele vai se acumulando. E a verdade é que a pele não lhe deixa esquecer das suas escolhas. Fazer a cirurgia corretiva pode parecer uma decisão simples, mas passa longe disso. Quis fazer com um ano da minha hospitalização anterior. Eu queria conseguir ver com clareza o quanto havia mudado.

E na prática, se havia ali uma nova vida. Queria também reconhecer um novo corpo. É por isso que eu tinha que fazer. E a brincadeira generalizada é que todo mundo acha que é pra ficar bonito. Quando na verdade é pra tentar içar a âncora e deixar ela pra trás. E aí é que tá. Será que tem terra à vista? Porque depois de todo esse tempo a gente nem sabe se tem lugar no mundo pra gente. O que é irônico é que eu venho ocupando tão menos espaço.

Tem tanto menos de você para carregar. Mas há uma dificuldade de reconhecimento que perdura. A verdade irônica é que todo mundo reage com animação a uma alteração visual óbvia que é evidente para todo mundo, menos para mim. Tantas vezes hoje eu ainda me pego assustado com reflexos inesperados como se reparando a presença de um outro.

como se o corpo que eu dirijo não fosse meu. Uma das sensações mais profundas nesse processo inteiro se deu em um momento banal, antes de um aniversário. Gostei de uma camiseta numa loja de departamentos e arrisquei experimentar. Movimento que não era comum há anos. Deu. Comprei. Foi isso. Fazer uma compra numa loja de departamento, sem marca, nada. Só se sentia incluído.

e receber uma prova daquilo que os outros viam, mas eu não. Para quem passa por uma experiência assim, a própria percepção espacial e do quanto se ocupa no mundo são postas à prova, sem que ninguém ao seu redor compreenda. É duro se olhar e não se ver. Essa distorção de imagem é bem comum. Incomoda muito, né? É assustador, né? Thaís Costa é psicóloga e nutricionista que acompanha pacientes com perda massiva de peso, em especial os pacientes bariátricos.

Nosso córtex cerebral, ele forma as imagens. Eu até faço exercícios e fecho os olhos e imagino onde está o copo tal lá na sua casa. Do nosso corpo não é muito diferente. A gente não percebe. Ganhando peso, perdendo peso, envelhecendo.

Quando a gente se depara, é assustador e vai migrando muito. Então, acaba atrapalhando a formação da nova imagem dentro do nosso cérebro. Então, essa imagem, essa distorção de imagem é muito comum. É tratado só com terapia. Não tem medicamento para virar a chavinha, né? Acompanhamento terapêutico é um dos eixos fundamentais em processos de emagrecimento que resistem ao tempo. Até porque a obesidade tem um componente de saúde que vai muito além do campo físico.

Existem alguns estudos que têm um impacto bastante importante dentro da ciência, que eles fazem associação das pessoas que têm obesidade. E quando a gente está falando desse público da obesidade, tem um estudo grande que ele iniciou em 2011, mas ele foi publicado em 2014 aqui no Brasil.

pelo HC do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP, é que 57% das pessoas que foram entrevistadas naquele momento eram pacientes com obesidade grave, que estavam na fila para fazer cirurgia bariátrica, eles apresentavam naquele momento ou em alguma fase da vida, 57% apresentavam algum tipo de transtorno psiquiátrico. E o carrinho-chefe vem, como sempre, né?

Não, para nossa surpresa, a ansiedade. A psicóloga explicou também que filtros de redes sociais e comentários de conhecidos são o braço igual e contrário dessa mesma equação. Dentro do consultório eu até uso alguns termos bem chocantes. Eu falo, por exemplo, se você tivesse um tratamento quimioterápico, fazendo uma quimioterapia e tivesse perdido muito tempo.

você se sentiria confortável no outro, falar assim, nossa, você está magra, você está tão linda. Beleza é uma coisa. Mordura, magreza, altura, baixura, cor de pele, é outra coisa. Porque essa dificuldade que a gente tem de relacionar com o nosso próprio corpo, a gente acaba se afastando dele, porque a gente compara, a Thaís compara o corpo da Thaís com o corpo da Ana, que passou pela mesma situação que eu, pelo mesmo processo que eu, e eu vejo resultados diferentes.

E aí a gente volta lá naquela outra fala da imagem disfórmica, né? O quanto isso faz com que a Thaís vai se afastando da realidade dela. Mas Thaís, o quanto o preconceito e o ambiente que circula o paciente afeta o tratamento dele da obesidade? Muito. Principalmente a família. Famílias, amigos, as redes sociais, o que a sociedade nos impõe a ser.

que a sociedade nos impõe ser. Nós somos produtos coletivos, inclusive ao crescer ouvindo que basta ter força de vontade. No que diz respeito à individualidade, eu tenho uma certeza. Eu pus todas as minhas fichas que meu prazo de validade terminaria nos meus 36 anos. Eu disse que ia contar a história por trás da maldição dos 36.

Mas o médico que me confirmou essa passagem na minha história também precisava dessa explicação. E vocês vão ouvir junto como algo tão surreal pode fazer tanta diferença na vida de alguém. Desculpa essa demanda. Rapaz! É de quanto tempo, cara. Tudo bem? Tudo bom? Estão boas coisas, cara? Tranquilo, meu. Pô, me amagreciu pra caramba, hein, bicho? Caraca. Eu não sabia se você ia lembrar. Eu ia, cara. Você ficou internado com a gente, eu lembro até hoje, você ficou internado com a gente no leito 19.

18 aqui na frente, 19 ficou bem aqui. Esse é o médico coordenador do pronto-socorro do Hospital Brasília, Paulo Correia. Pra mim, é Paulo Play, o médico da UTI que me atendeu durante a maior parte da minha internação no Hospital Alvorada, lá em dezembro de 2023. Eu sei que você tinha tido um infarto no show do Paul, no show do Paul e a gente ficou sentado um tempão, fiquei até apoiado na parede aqui do canto, assim.

E a gente ficou conversando um tempão a respeito de qualidade de vida, de mudança, da minha descrença pessoal, das pessoas efetivamente mudarem, enfim. E mudou. E graças a Deus deu certo, cara. Assim, eu converso muito com as pessoas, Ed. Eu lembro da conversa que a gente teve. Conversando com os pacientes, eu sempre tento ser uma pessoa muito acolhedora, de entender o que está acontecendo, entender a realidade da pessoa, entender a situação que está, mas eventualmente...

eventualmente eu acho que cabe, especialmente quando o paciente é mais novo assim, às vezes cabe o desafio de falar, cara, as pessoas normalmente não mudam, para gerar um incômodo, porque na hora em que a gente passa pelo trauma, na hora do trauma todo mundo fala que vai mudar, 100%, todo mundo fala, não, essa foi a última vez, eu nunca mais vou fumar, nunca mais vou beber, e aí sai do hospital e o trauma passa.

E aí no que o trauma passa, volta a fumar, volta a beber, volta a descontrolar a alimentação, deixar de fazer exercício. E isso infelizmente é uma realidade, acaba servindo também de motivação, de um gatilho de falar, vou provar que ele estava errado. Então, às vezes dá certo.

Funcionou pra mim. Inclusive já fui pra academia hoje de manhã. Jovem, crossfiteiro, sorridente e mais novo do que eu. Era Paulo quem atualizava o grupo de WhatsApp com meus amigos e familiares todos os dias na porta da UTI. Vez ou outra ele fazia questão de passar um tempo no meu leito, lembrando que o cenário era complicado, mas possível de mudar. Paulo não sabia, mas foi ele quem cumpriu a maldição dos 36 pra mim.

E eu resolvi contar isso pra ele. E é uma história que meus amigos mais próximos conhecem todos e ficaram muito emocionados com você sem você saber. Eu tinha uns 12 pra 13 anos e eu fui pra um centro espírita com a minha mãe em que fizeram uma leitura lá, que supostamente era uma leitura de outras vidas, que falava de acerto de contas. E falava sobre como eu tinha um acerto de contas pra fazer. E eu entendi naquela época.

porque eu só tinha até os 36 anos para viver. E a maldição dos 36 me acompanhou na vida toda, isso fez com que eu fizesse duas faculdades ao mesmo tempo, lançasse meus livros, viajasse loucamente, porque eu tinha muita pressa de viver, porque eu só tinha até os 36. Quando eu cheguei naquela noite no leito de UTI, eu estava com 36 anos.

E aquela conversa que a gente teve foi no dia que finalmente fizeram o exame pra fazer a escuta do coração e tudo mais. E o meu fator de ejeção tava em 36%. Caraca. Então naquele dia eu tava com muita certeza de que eu não ia sair dali. Caraca, Ed.

Porque pra mim era, enfim, era uma confirmação que eu precisava de algo que eu nem acreditava, mas que tava ali me assombrando a vida toda. Então eu fiquei muito triste naquele dia. E você chegou e fez assim, não entendo que você tá triste, e ficou encostado na parede, como você disse, e ficou ali conversando mais de uma hora. Mas teve uma coisa que você falou no final que certamente você não lembra, porque você tem muitos pacientes pra atender.

Aí você virou, olhou pra mim e fez assim, tá vendo aquele cara ali? Falou meu nome completo que tava na parede. Repetiu o nome completo e fez assim, aquele cara ali morreu.

E você tem que entender que aquele cara morreu. Quem tá falando comigo aqui é outra pessoa, tem outra chance. Mas aquele cara ali esquece que ele morreu. Caraca. E aí, enfim, a maldição dos 26 naquele momento se fez pra mim. Caraca. E eu tive a oportunidade de pensar que realmente poderia ter outra história ali pra frente. E deixei um pouco mais de depressa.

Então eu queria muito lhe agradecer, porque aquela fala emocionou muito os meus amigos, porque sabiam da minha pressa, porque eu tinha certeza que ali era o fim. Caraca, Ed. Que massa. Obrigado, meu velho. Eu tinha que lhe contar essa história. Nossa, de verdade, muito obrigado, cara. Esses momentos assim de...

Cara, eu trabalho com a emergência terapia intensiva. A gente vê várias vezes um paciente uma vez só. E a gente, às vezes, não sabe o impacto que causa na vida do outro. Uma coisa que parece pequena, né? Tipo, um comentário que eu fiz sem nem saber da história, sem nem pensar a respeito. Então, obrigado por trazer isso. Eu acredito muito. Com jornalismo a gente tem a oportunidade de fazer isso algumas vezes.

Mas essa devolutiva de as pessoas saberem o quanto podem mudar a vida de outra pessoa, pra mim, é muito importante. E foi o que você fez. Caraca. Muito obrigado. Obrigado, cara. Obrigado por ter vindo até aqui pra me contar isso. Perder peso não me fez uma pessoa feliz. Comer de forma saudável não me faz uma pessoa triste.

Não há romantização nem cultos aqui. Há uma luta constante. Felicidades elásticas. Problemas incapacitantes. Fit, obeso. Mentalmente ajustado ou comprometido. Medicado, natural. Esse aqui não foi um roteiro da história de ninguém senão a minha. A diferença e a ironia que dão nome à jornada que você fez agora comigo é só uma.

E aí eu pego mais uma vez carona na minha infância. Desde cedo, eu me condicionei a buscar o mais, o melhor. E nada há de mais saboroso que o último biscoito. Que a saideira. Que o canteiro mais recheado do bolo. Que sempre deixei salvo ali no cantinho do prato. Que o bis no finzinho do show pra coroar uma noite.

Amém.

A última bolacha não é uma ódio às proibições ineficientes que marcaram a vida de dietas e autodestruição. Ela ainda nem foi degustada. Certamente será, inclusive. Mas não deverá valer nota na esteira da memória. A última bolacha é, na verdade, uma consciência adquirida, talvez pela maturidade, de que é necessário a justa medida. Entender que, para chegar à última bolacha, há quem consuma todo o pacote.

É que talvez tenha me faltado por muito tempo entender que eu engoli o tempo sem perceber como seria possível saborear cada pedaço de vida. Pra isso, eu só tive que morrer. Eu sou Ed von der Leyen e esse foi a última bolacha. Até uma próxima. Aliás, foi uma delícia.

A Última Bolacha é uma produção original da Agência Pública de Jornalismo Investigativo, realizada com apoio dos institutos Ibirapitanga e Serrapilheira. Esse podcast foi escrito por mim, Ed Vanderlei, com a colaboração de Estela Diogo e Cláudia Jardim. Cláudia também colaborou com a investigação jornalística que deu origem a essa série. A produção e pesquisa de material de arquivo é de Estela Diogo com apoio de Rafaela de Oliveira.

O projeto é uma ideia original de Natália Viana. A captação de áudio em campo foi feita pelos técnicos Davidson Barbosa, Etienne Karen, Gil Neves, Estela Diogo, Tatiane Santos e Vinícius Machado. A locução foi gravada no estúdio da Agência Pública, com trabalhos técnicos de Ricardo Terto. Sofia Amaral fez a direção de locução e a coordenação geral da série.

O desenho de som é de Ricardo Terto, que também fez a edição e finalização dos episódios. A trilha sonora original é de Ana Susha e trilhas adicionais do Epidemic Sound. A identidade visual é assinada por Matheus Pigosi. Obrigado por sua companhia. Gostou? Então compartilhe esse resultado e segue a Agência Pública nos tocadores e redes sociais para não perder nenhum lançamento. E acesse o nosso site, apublica.org.

EP 05 | A Última Bolacha - O que não mata | Castnews Index — Castnews Index