A Hora Especial - Entrevista com Luiz Frias e Murilo Garavello
Nesta edição especial do A Hora, José Roberto de Toledo e Thais Bilenky entrevistam Luiz Frias e Murilo Garavello.
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José Roberto de Toledo
Thais Bilenk
Luiz Frias
Murilo Garavello
- Jornalismo e Inteligência Artificialimpacto da IA · futuro do emprego
- Jornalismo e Mídiainteratividade da internet · jornalismo investigativo
- Pandemia e Transformacao Digitalcredibilidade do jornalismo · concorrência com redes sociais
- História e Fundação do UOLLuiz Frias · Murilo Garavello
Salve, salve! Esse episódio da hora que você vai ouvir agora é um episódio especial gravado durante o Festival de Jornalismo do UOL em comemoração aos 30 anos do UOL. Foi gravado com presença do público no auditório da FAAP na última segunda-feira. Bom episódio!
Opa, Thaís! Salve, salve, Toledo! Salve, salve, geral! Eu sou José Roberto de Toledo e este é o UOL Especial Entrevista. E nessa noite de segunda-feira, no Teatro da FAAP, a gente entrevista Luiz Frias, fundador e chairman do Grupo UOL, e Murilo Garabella, diretor de conteúdo do UOL. Muito bom, então, sem mais delongas, vamos direto às perguntas. Luiz, tem uma pergunta que faz 30 anos que eu estou esperando para te fazer?
Porque lá, quando eu era mato, a gente estava juntos ali, eu trabalhava na Folha na época. E foi muito interessante ver a iniciativa de criar o UOL. A Folha tinha acabado de estrear um novo parque gráfico, né? Estava tirando um milhão de exemplares aos domingos. Enfim, não era esperado uma mudança, uma guinada para uma nova tecnologia que tinha acabado de chegar. Acho que a internet comercial no Brasil começa em 1995 e ainda...
discado e tal. E a opção por fazer um portal, porque hoje, olhando para trás, falar não, é óbvio fazer um portal. Não tinha portal. Era, em geral, o Jornal do Brasil, que foi um dos primeiros, tinha uma edição online. Poucos jornais tinham edição online, então...
Criar um portal não era a coisa mais óbvia. Eu queria saber por que você tomou essa decisão e a decisão de criar um portal com um conteúdo que não era baseado no jornalismo, mas não era só jornalismo. Primeiro, boa noite a todos. É um grande prazer estar aqui na FAAP. Agradecer aos amigos da FAAP pelo convite para bater esse papo com vocês e os espectadores também.
devem estar assistindo. Como você disse, quando nós começamos, não só não havia internet, como não havia acesso à internet. Então, nos idos de 1995, as telecomunicações ainda não haviam sido privatizadas no Brasil e as limitações com a telefonia discada, que foi a base...
da internet chamada de banda estreita, que é o nascedor da internet, no Brasil eram limitações enormes. Todo mundo lembra que uma linha telefônica podia valer quase que o preço de um carro usado. Tinha que declarar no imposto de renda. Tinha que declarar no imposto de renda. Não era só uma questão de ir além do jornalismo tradicional, coisa que nós fizemos, e tentar desbravar...
as possibilidades que o Novo Meio trazia para o entretenimento no seu sentido mais amplo. Era criar condições de acesso a esse conteúdo. Então, no início, o Olf se debruçou não apenas nesse conteúdo no sentido...
de uma latitude muito ampla da palavra, mas também ao acesso. Nós chegamos a criar uma companhia específica de acesso no Brasil, chamado Acesso Net. Então, a opção de ir além do jornal, acho que estava dada desde o início.
Bom, de 30 anos para cá, deixou de ser mato, né? E tudo muda muito, mudou muito. De que maneira o jornalismo no UOL passou a ser feito? Quais foram as transformações que o jornalismo no UOL passou nesses 30 anos? Olha, eu acho que as transformações no jornalismo são inúmeras e são em uma escala enorme. A gente poderia ficar conversando aqui horas sobre isso.
Começando com a própria interatividade da internet, que era uma coisa que não existia antes. Ou seja, você poder interagir com o usuário que consome o seu conteúdo, a informação chegando lá e voltando na forma de cliques para o seu servidor.
Essa primeira característica era uma coisa que não existia. A segunda característica que eu destacaria da internet é o fato de ser on demand. Ou seja, mais ou menos junto com o início da internet, a gente podia ver o desenvolvimento da TV por assinatura, que talvez tenha atingido o seu ápice no final dos anos 90 e começo dos anos 2000. Mesmo a TV por assinatura não tinha essa característica de on demand. Você tinha 200 canais.
mas você não tinha a possibilidade de assistir aquele conteúdo específico no momento e na hora que você desejasse. Coisa hoje inimpensável, que você não consegue imaginar algum tipo de conteúdo que não possa ser consumido com essas características. Então, as mudanças são profundas e hoje é um ambiente muito mais visual.
do que o ambiente da palavra escrita, que talvez predominasse pelo menos no jornalismo de qualidade durante a década de 80, hoje é tudo uma coisa muito mais visual, muito mais rápida e muito mais instantânea. Então, acho que as mudanças são totais. Talvez uma coisa não tenha mudado, ou não deveria mudar, pelo menos no jornalismo de política e no jornalismo de economia, principalmente. O apartidarismo...
que a Folha pregoa, o criticismo em relação a todos, o que vale principalmente num ano eleitoral, e o pluralismo, ou seja, de entender.
que um jornalismo chapa branca movido basicamente pelas benesses do governante em turno ou um jornalismo pautado exclusivamente pela ideologia, engajamento contra o governante em turno, esses dois extremos acho que tem pouca serventia para o leitor.
Então, é por isso que a Folha acredita que a crítica tem que ser feita a todos sem distinção ideológica. Acho que é a melhor maneira de contribuir para que o leitor possa formar sua opinião. E, obviamente, jornalismo investigativo. Para falar de um exemplo mais recente, acho que todas essas coisas que hoje se comentam sobre STF...
não teriam vindo à tona se não fosse o trabalho de investigação do jornalismo profissional junto com o trabalho feito pela Polícia Federal. Então essas coisas não teriam vindo à luz se não fosse jornalismo de qualidade, jornalismo profissional. Então acho que esse tipo de coisa não deveria mudar.
Complementando um pouco o que o Luiz disse, eu comecei no UOL há muito tempo, em 99 ainda, e basicamente naquele momento o jornalismo de internet era muito superficial. O que a gente queria era fazer o que os outros veículos não podiam, não conseguiam, que era um monte de notícias sobre o que tinha acabado de acontecer.
E você corta para hoje, todos os veículos estão no ambiente digital, todo mundo produz conteúdo em todos os formatos possíveis. Então, acho que a mudança de ambiente é completa, mas eu concordo completamente com o que o Luiz disse, a essência não muda. A orientação do jornalismo, os valores, isso continua e continuará.
Tem uma questão que é meio desde o começo, desde o tempo que era tudo mato, que é dar antes ou dar melhor. E essa foi uma característica muito marcante do começo da internet, quem dava primeiro ganhava a corrida e agora se estava dando direito já era outra conversa. Isso foi mudando ao longo do tempo. Hoje em dia, me parece que você contar melhor a história vale muito mais do que ser o primeiro a dar aquela história.
Para quem estava no comando, como é que foi enxergar? Porque também era uma contradição. Se você no começo demorava para dar, aquilo contava contra. Olha, eu acho que isso, desde o começo, a gente sempre teve um cuidado muito grande por não errar.
porque o maior patrimônio da empresa é a confiabilidade, é a confiança, é a credibilidade, que é aquela história que você perde muito rápido e demora muito tempo para conquistar. Então a gente sempre teve uma preocupação muito grande. O que eu acho que mudou, a gente quer ser rápido na profundidade também, porque o raso, se lá atrás era ok, hoje em dia, inclusive depois que aparece rede social, a hora que tem essa...
competição brutal, a hora que entra Twitter na jogada, a hora que entra Facebook, depois Instagram, TikTok, etc. Então, as pessoas têm acesso muito rápido ao que acabou de acontecer, etc. Mas o que isso significa? O que está por trás disso? Tudo isso demora um pouquinho mais, requer mais preparação. Então, eu acho que cada vez tem menos valor só o fato puro e simples.
Por outro lado, a gente tem que ter um cuidado muito grande para não ser letágico, porque também quando você demora muito, todo mundo já deu a notícia e você ficou muito para trás, as pessoas vão para outras fontes, então é sempre uma combinação delicada.
Também acrescentaria aí, Toledo, que o UOL tem um espectro muito amplo de conteúdos. Quando você compara com outros conteúdos, como a própria folha, o UOL tem uma completude e uma amplitude maior do que a folha.
que se concentra principalmente em economia e política. Então, eu acho que é normal que as atualizações da homepage do UOL sejam em maior número do que as atualizações da homepage da Folha, mas eu diria que houve sim, talvez, esse exagero de atualização que distingue menos o importante da última notícia, lá no passado.
onde era uma corrida para ver quem publica primeiro, independentemente da importância da notícia que estava sendo publicada, acho que houve um certo recuo, tanto no caso do UOL, como no caso de Folha, Estado e Globo, no sentido de priorizar um pouco mais o importante em relação à última notícia.
Lá no começo tinha um jornal chamado Último Segundo, lembra? Isso, isso. Pois é, e agora ficou até mais difícil com o famoso clique zero, em que a pessoa nem sequer acessa a home do portal que ela quer ler, do jornal, e sim dá um Google lá e o buscador já oferece uma resposta. Como é que a gente vai lidar com isso?
Eu acho que cabe a gente continuar conquistando a confiança das pessoas, fazer um produto melhor em todos os sentidos, desde qualidade até usabilidade no formato que as pessoas gostam de consumir para que a gente tenha um acesso direto.
O UOL tem uma facilidade muito grande desde o começo, graças a uma série de decisões bem tomadas lá atrás, que garante uma fidelidade, tem muita, muita gente, milhões de pessoas vão todos os dias à capa do UOL. E essa fidelidade, que também a gente baseado na Folha e ajudando a Folha, isso faz com que a gente não dependa tanto do tráfego vindo de Google, no passado era de Facebook.
Mas é claro que a gente tem de ser cada vez melhor, porque cada vez as pessoas têm mais opções. A inteligência artificial são ferramentas espetaculares que podem te trazer várias respostas interessantes, mas que também pode ter erro. Então é aquela história, acho que você sendo o papel de referência...
A sua referência, que tem um conteúdo que você já sabe como é, você sabe a precedência, você sabe que dá para confiar, eu acho que esse é um ativo muito grande que a gente tem e precisa continuar cultivando. Então, o que você está querendo dizer é que o UOL não vai prescindir da Home. O UOL vai continuar tendo a Home, apesar dessa disseminação de outros canais de entrada para o conteúdo que o UOL produz.
Eu acho que jamais prescindirá da home, jamais prescindirá do seu aplicativo ou de um lugar onde a gente controla completamente todas as... A gente faz a curadoria do conteúdo, a gente controla o que é exibido ali ou não. É a nossa seleção, a gente pode ser auxiliado por ferramentas, mas no fim do dia o que é exibido ali é o nosso jornalismo.
Sem falar, Thais, de uma palavra que ainda não apareceu aqui, mas que eu acho que devemos mencioná-la, que é inteligência artificial, que eu acho que é o assunto do momento para todos. Talvez, acho que começando com a constatação de que provavelmente será a maior transformação de todas, maior do que revolução industrial.
no final do século XVIII, segunda metade do século XVIII, primeira metade do século XIX, para não voltar ainda atrás e falar do aparecimento da própria linguagem ou da descoberta do fogo ou da roda. Acho que isso já é um consenso praticamente estabelecido de que vai ser uma das maiores transformações de todas, aliada à...
a robótica vai ter uma transformação muito grande, ninguém sabe direito, por exemplo, sobre emprego. Já estamos aqui numa escola com alunos que deverão ingressar no mercado de trabalho, acho que uma das perguntas recorrentes é qual é o emprego do futuro. Acho que outro consenso também que já está bastante estabelecido,
é que pela dimensão dessa transformação, ela precisa ser abraçada com muitos cuidados. Acho que também esse já é um segundo consenso que está se estabelecendo. Mas acho que depois de sobre emprego, a gente podia falar um pouco, se vocês acharem que é o caso, mas só voltando à sua pergunta, hoje, além da Home, esses outros canais, como você mesmo colocou, são portas de entrada importantes para o conteúdo e para a audiência do...
UOL e, não sei se eu já posso dizer aqui, mas parece que assinamos um contrato de conteúdo com... Eu posso dizer ou não posso dizer? Estão dizendo que não pode. A gente quer o furo, Luiz. Luiz, agora você vai ter que dizer, né? Pode dar o furo na hora. Estamos em vias de acertar um contrato de conteúdo com inteligência artificial. Opa! Beleza. Mas assim...
Nenhum detalhe a mais? É pra receber ou é pra dar? É pra parceria? Olha, assim que assinar vocês vão ser os primeiros a saber. Bom, já sabe, né, Thaís? Você vai assinar uma hora esse fúrgula. É uma hora o fúrgula. Você vai ver no UOL, fúrgula.
Vamos, então, ficar na inteligência artificial. A gente vê várias consequências imediatas. Claro, vamos falar daqui a pouquinho do emprego, mas para mim me chama a atenção que o primeiro efeito prático que a inteligência artificial está tendo para as empresas jornalísticas, na minha opinião, é que o crédito está sendo muito mal dado quando não está sendo ignorado. Quer dizer, a plataforma dá lá a informação e...
Na melhor das hipóteses, vai dar um linkzinho dizendo que se você clicar, talvez, quem sabe, você vai chegar na fonte original da notícia. Como é que vocês imaginam que vai ser a evolução dessa batalha? Porque já teve a batalha contra o Google, quando veio o Google News, já teve a batalha contra todas as redes sociais, agora a gente tem uma nova batalha com mais um nível de plataforma. Como é que a gente faz para não desaparecer a marca jornalística que dá a credibilidade, não desaparecer nessa briga?
Bom, eu acho que a primeira resposta óbvia é o próprio interesse das redes sociais sobre o conteúdo do jornalismo profissional. Eu estaria preocupado se elas não tivessem interesse em firmar contratos como esse que eu me referi há pouco. Tem que lembrar que a inteligência artificial tem que trabalhar sobre uma gigantesca base de dados e com uma capacidade de processamento também gigantesca.
E ela se alimenta muito para estabelecer, pelo menos o contexto da atualidade, em cima do jornalismo profissional. Então, acho que a primeira questão é essa. Acho que o jornalismo continua, ele investigando, ele fazendo as perguntas mais embaraçosas, ou deveria estar fazendo isso.
Nós temos um entendimento muito amplo sobre o uso da tecnologia. A gente percebe a tecnologia como uma ferramenta que deve ser usada para ajudar em pesquisa, em manuseio de dados volumosos. Então, acho que é uma ferramenta muito poderosa. Mas ela não deve substituir o discernimento do jornalista sobre o que...
está escrevendo e sobre a revisão final do jornalista. Não sei se o Murilo quer acrescentar alguma coisa. Eu acrescento, nos pedem um manual de princípios de IA. E eu costumo dizer que talvez seja excessivamente simplificador, mas acho que as mensagens às vezes precisam ser simples para que as pessoas entendam. Basicamente é, tem um humano no fim, o jornalista, sendo responsável final por cada coisa que a gente publica.
a não ser dados automáticos que vêm de fontes automáticas. Então eu vou pegar uma cotação, e isso já acontece há bastante tempo, se não é uma coisa tão direta quanto essa, se tem qualquer input extra, se tem qualquer análise, a gente tem um jornalista revisando. Por exemplo, esses vídeos que vocês viram aqui, eles têm todos roteiro assinado por jornalista.
Quando a gente usa imagens de inteligência artificial, está ali o crédito dizendo que a imagem é criada por inteligência artificial em cima de registros históricos. Estava escrito ali. Eu não sei se você está falando do crédito na inteligência artificial.
É, sim, porque a interface passa a ser o chat GPT, o chatbot, né? E aí você corre o mesmo risco de outras épocas em que a marca do UOL, a marca do jornal, a marca do produtor de informação, acaba se diluindo. Essa é uma preocupação real, porque o que está acontecendo é que a inteligência artificial, ela pega...
Antigamente você consumia ao todo. A internet, de certa maneira, já fez isso. Se você pegasse uma revista, você tinha a completude do projeto editorial da revista. Você tinha várias sessões. Quando você faz uma revista digital, a pessoa pega só uma das partes da revista. Ela fica sabendo só daquela matéria específica. Você não consegue distribuir tudo junto. E isso está acontecendo com as menores unidades informativas.
A inteligência artificial pega uma reportagem e ela pode tirar só uma ou duas informações para construir uma resposta. Ela pega uma ou duas informações de uma matéria, uma ou duas de outra, e cria uma nova coisa. E claro que daí você está no ambiente da inteligência artificial, você não está vendo o logo da empresa, mas são evoluções que a gente precisa entender como é e se adaptar.
Sobre a questão da transparência, Toledo, eu acho que tem que ter um pouco de bom senso. Por exemplo, há mais de 20 anos, todo mundo, inclusive jornalistas, pesquisam no Google sobre algum assunto que vão escrever.
E não é por isso que a cada matéria é necessário um crédito dizendo que houve uma pesquisa ao Google sobre o assunto publicado. Ou você publicar lá, por exemplo, o que é feito com a ajuda do Microsoft Excel. Agora, se você usa inteligência artificial...
para adulterar uma imagem, aí eu acho obrigatório que tenha a transparência de dizer que essa imagem foi adulterada usando recursos de inteligência artificial. Não acho que seja o caso de dizer a cada consulta ao Google que aquela matéria foi submetida ou houve antes consultas ao buscador sobre determinado assunto. A minha dúvida é mais se a interface do usuário que hoje...
está diluída entre o UOL, as redes sociais, e está cada vez mais crescente com o chatbot, se o UOL vai ter que ter o seu próprio chatbot, se esse vai ser, no futuro, a principal interface de consumo de notícias do próprio UOL, isso que eu quero dizer, quer dizer, porque hoje...
Se eu entro para perguntar para o chat GPT o que aconteceu sobre determinado assunto, ele vai pesquisar todos os sites de notícias e vai me devolver uma notícia que é uma mistura de tudo, ou às vezes é chupada de um lugar só, mas raramente ele vai me dizer de onde ele tirou aquilo. A gente fica sem o crédito.
como produtor original da informação. Olha, muitas vezes ele dá a fonte, né? Muitas vezes, até por questões de direito autoral, ele não só dá a fonte, como ele faz um resumo ou se recusa a responder. Se você perguntar para o JTPT, me reproduza o livro tal na íntegra, ele vai te dizer que não tem condições de fazer isso. Se você falar para ele, olha...
me faça um resumo do capítulo X, é bem provável que ele te forneça o resumo do capítulo X. Então, todos eles já estão sobre o bombardeio dessa questão de direito autoral. Hoje, já sim existe citação de fonte quando fazem os resumos e a gente acha que isso obviamente deve continuar. Só haveria uma liberação maior dos conteúdos proprietários com algum tipo de acordo comercial.
E eu acho que as versões pagas dos aplicativos estão cada vez mais calibradas para te dar a fonte. A gente vê, acho que é quase como se fosse uma evolução do meio. Me parece que está havendo, porque está na base da própria confiança das pessoas. Então, um chat que não é confiável, as pessoas inteligentes não vão querer usar. Deixa de ser irônico, porque você está emprestando a sua, no caso, o UOL.
Os veículos de comunicação estão emprestando a sua credibilidade para dar credibilidade para uma plataforma que, de alguma maneira, concorre. Credibilidade também é modelos de negócio. E é sobre isso que eu queria perguntar para vocês. Como fecha a conta na medida em que o conteúdo que o UOL produz é consumido em plataformas que não repassam a receita de vinda daí?
Bom, eu acho que a gente volta primeiro ao mesmo ponto. Vamos dizer, nós vamos combater, inclusive judicialmente, o uso indevido de conteúdos produzidos por nós. Acho que não é possível que uma tecnologia vá lá, simplesmente se aproprie de um conteúdo que custa caro para fazer com qualidade e use para os seus fins comerciais. Então, primeiro, acho que isso continuará. Nós vamos continuar combatendo o roubo.
de conteúdo proprietário de uma maneira indevida. Segundo, eu acho que essas transformações vão nos empurrar para algumas adaptações que fizemos, por exemplo, quando surgiu a busca organizada na internet com o Google no início dos anos 2000. Ou seja, é bom lembrar que até o advento do Google...
A internet, ainda nessa fase embrionária, era um caos, um caos de informação. Já tinha muita coisa dentro da internet, mas você simplesmente não conseguia encontrar. E o Google foi a primeira companhia no mundo que conseguiu organizar esse caos. E, obviamente, daí que adveio o sucesso da empresa. Tinha um miner no Google, que era muito bom também.
Então, agora, quando o Google aparece, ele começa também a ser, entre aspas, um sumidouro de tráfego para esses conteúdos. Mal comparando, é um pouco... Tivemos que criar novas formas de entrada e, ao mesmo tempo, trazer audiência através das buscas. A diferença aqui era que lá...
ele colocava um link com o seu conteúdo e você clicava um link. Agora você pode ter já a resposta completa na própria inteligência artificial. Eu acho que não temos resposta para tudo o que vai acontecer e acho que ninguém sabe direito qual será a profundidade dessas mudanças que está todo mundo antevendo, que está todo mundo achando que vão ocorrer. Mas eu acho que, de novo, a capacidade de se adaptar às mudanças futuras e não se adaptar às mudanças futuras.
vai ser fundamental para o êxito nesse novo ambiente de competição. Bom, a gente falou que ia falar de emprego, vamos falar de emprego. Como é que vocês imaginam a reorganização das redações com o uso... Obviamente já está no cotidiano de, imagino, boa parte dos jornalistas lidar com inteligência artificial, no mínimo para processar informação, para conseguir, para organizar, para...
Às vezes até servir como um sparring para notícias. Já tem até gente... Um colega estava contando que ele criou um grupozinho de leitores virtuais digitais para saber antecipadamente qual ia ser a reação do público àquela matéria. Como é que você imagina que vai ser a reorganização da redação com a inteligência artificial cada vez mais presente?
Eu acho que tem um ponto que já está ficando bem claro, é que a inteligência artificial é uma ferramenta poderosíssima e que nos obriga a subir a régua. Eu acho que ela vai requerer que o jornalista seja cada vez mais bem preparado, inclusive para tirar daí todo o potencial que ela tem. Quanto mais preparado você está...
mais ângulos você consegue tirar dela, mais informações úteis. Então a IA é tão boa quanto o que você sabe extrair dela. E acho que o que é básico, o que é elementar, cada vez mais é dado, ela consegue fazer. E a gente, o que vai fazer diferença...
É a experiência, é a análise, é você conhecer as pessoas. Aí entra o jornalista que tem fontes, que conhece bastidores, que vai saber fazer a entrevista mais bem feita, que conhece o seu campo de trabalho. E também, por outro lado, eu acho que faz diferença a presença nos locais onde as notícias estão acontecendo. Então você...
ter capacidade, você ter material próprio, você ter recursos próprios e você ser cada vez melhor para digerir tudo aquilo que chega, seja via inteligência artificial, seja via redes sociais, seja... Então acho que cada vez o jornalista tem que se preparar mais, eu acho.
Qual é o emprego do futuro? Eu acho que ninguém sabe ao certo. Ninguém sabe exatamente o que vai acontecer. O Elon Musk, por exemplo, acredita que com a combinação de AI mais robótica, o próprio trabalho será opcional no futuro. Ou seja, a humanidade vai atingir índices de produtividade tão elevados com essa combinação de AI.
mais robótica, que o trabalho seria uma coisa opcional. Mas eu acho que sem ficar divagando em cogitações futuras, eu tenho a impressão que esse trabalho do futuro terá fortemente atributos humanos.
como eu destacaria resiliência, voltando aqui a sua questão de modelo de negócios, de como sobreviver, e adaptabilidade. Eu acho que essas duas características tão humanas vão ser fundamentais nesse emprego do futuro. Tem uma frase, acho que é do Nietzsche, que fala que o que não mata, fortalece.
E quando você pensa em resiliência, também poderia pensar nos insetos dentro das naves espaciais feitas pelos humanos. Tem, inclusive, estudos que mostram que aranhas que sobreviveram...
ao espaço, por conta da gravidade zero, começaram a construir teias de aranha em formatos específicos, especiais, baratas que no primeiro momento não conseguiam se locomover com a gravidade zero, depois conseguiram se locomover. Agora, sem querer comparar o ser humano a esses insetos...
Eu acho que a própria história do ser vivo no planeta mostra que resiliência é um atributo, sobretudo, humano. Também falar sobre adaptabilidade. O Darwin falava...
que quem sobrevive em uma espécie não é o mais forte nem o mais inteligente, mas aquele que melhor se adapta às mudanças. E isso, de novo, acho que vale fortemente para a espécie humana. Então, eu acho que todos esses atributos tipicamente humanos vão ter uma importância especial nesse ambiente do futuro.
E lembrar que, provavelmente, as coisas mais importantes serão aquelas coisas julgadas importantes pelo ser humano. E a capacidade de perceber aquilo que, de fato, é importante para o ser humano, talvez seja também uma característica mais humana.
do que uma característica que a máquina possa superar. Também acho que a adoção da tecnologia pode ser muito rápida, como foi no caso da busca do Google e como está sendo agora com a inteligência artificial, mas muitas vezes o impacto é um pouco...
diferente quando se trata de empresas, por exemplo. Só para citar um exemplo, o Banco Itaú deve desativar o mainframe no ano que vem, 2027. Desde o surgimento do UOL em 95... Desculpa, o que é mainframe?
Mainframe é uma computação antiga que era baseada num computador centralizado. Então ela é chamada de alta plataforma. Por exemplo, os terminais que foram colocados na redação da Folha no início da década de 80, eles estavam ligados a um grande computador, talvez metade dessa sala aqui. É mesmo? Cacabel Transmit. E eram terminais burros.
Essa tecnologia chamada de baixa plataforma dividiu, obviamente, o risco. E já desde a origem do UOL, praticamente, a tecnologia de mainframe é entendida como uma tecnologia superada. Então, estamos falando de mais de 30 anos. Mas você tem o problema do legado. Então, você tem que conviver com essas plataformas antigas.
Tudo isso para dizer que essa mudança pode não ser assim tão rápida quanto você poderia esperar. E lembrando que no caso de emprego, provavelmente quem contrata, quem demite, quem investe são empresas.
E as empresas procuram ser mais cautelosas e mais avessas ao risco do que o público em geral. Acho que essa mudança vai ser feita talvez com essa ressalva de que as empresas são mais avessas ao risco e têm, portanto, uma responsabilidade e um cuidado maior com segurança ao adotar essas mudanças.
Estou dizendo que isso não vai acontecer. Vai acontecer. Mas talvez não na velocidade antevista, por exemplo, pelo Elon Musk. Ou seja...
A esperança, para quem está na faculdade. É isso aí. Bom, a gente está com 39 minutos e 30 segundos, o que nos impede de ir adiante, eu acho, porque senão a gente vai esperar o nosso... Por hoje, exatamente. Mas já fica aqui a cobrança, viu, Luiz, dessa notícia. A suíte, a gente quer. Queremos dar, a gente deixa o Wall dar primeiro, depois a gente conta no Wall Prime. Muito obrigado a Luiz Frias, muito obrigado, Murilo Garavello.
É um orgulho para mim e para o Toledo comemorar os 30 anos do UOL com essa edição especialíssima da hora. Obrigado a vocês também. Muito obrigado.
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