No episódio 3 de A Menor Distância: Poesia em Português, leio e exploro o soneto “Autorretrato”, de Bocage — numa versão diferente da que circulou durante muito tempo.
O poema começa como um inventário: corpo, temperamento, vícios, excessos. Sem idealização. Sem pose. Um retrato quase clínico — e já por isso transgressor.
Mas há um ponto de viragem. Um verso que foi alterado na versão publicada, não para suavizar, mas para inverter o que o poema dizia. E um final que localiza a verdade não no sublime, mas num momento em que toda a performance desaparece.
Neste episódio:
– O autorretrato como inventário sem idealização
– O verso censurado que foi invertido
– O corpo como lugar onde a verdade aparece
Leitura integral do poema (2x) + análise em três lentes.
Poema em domínio público.