TEATRO ARAMÁ
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- NeveAdaptação de 'Memórias do Subterrâneo' de Dostoiévski · O personagem Lucas e sua complexidade · A metáfora da neve derretida · A alteração de gênero da personagem original · O poder da compreensão e compaixão
- Artistas e apresentaçõesPrecariedade da profissão teatral · Dificuldades de financiamento e burocracia · A vida do ator e a falta de feriados · A importância das companhias teatrais · Formação teatral e mercado de trabalho
- Perfil profissional de José Luis Oliveira LimaFormação e experiência de Fernando André · A trajetória de Tó Maia no teatro · Colaboração no Teatro Aramá · A transição de músico para ator de Tó Maia
- Dinâmica de PoderQuestionamento do poder das massas e classes · A indiferença perante a violência e abusos · A velocidade das mudanças e a sensação de escorregar · O papel das redes sociais e a manipulação · A busca por essência e informação confiável
- Literatura RussaDostoiévski como referência para novas gerações · A intemporalidade e o 'clássico negro' de Dostoiévski · Comparação com 'A Morte de Ivan Ilitch' de Tolstói
- O Teatro Aramá e sua históriaFundação e trajetória do Teatro Aramá · A importância de Jacinto Toranjo · Gestão de redes sociais no teatro
E aí
Ok, parece que finalmente não há problemas técnicos. Vamos começar mais um Cada Um No Seu Lugar. Temos connosco o Teatro Aramá. Tó, estavas com uma frase há bocado que me causou aqui um frisson. Eu vou-te explicar porquê, até eu ando aqui a abraços com uma música.
que ando a fazer muito inspirado no trabalho do Steve Reich de notação a partir do texto oral, ou seja, a partir de uma coisa que uma pessoa diz, extraio notas e faço uma música mais básica que não há e lembrei-me de pegar num discurso do nosso amigo Trump em que o nosso amigo Trump diz precisamente na moda
Eu acho que até está demais Mas o nosso amigo Trump Lembrou-se de dizer que queria mandar Tudo para a Idade da Pedra E tu há bocado saiu dessa expressão Eu achei muita piada Porque é exatamente isso que o texto é Depende do contexto E o teu contexto é exatamente outro Ou não
Será outro, penso. Claro que eu estava a brincar, mas de qualquer modo, quando se brinca, estão essas coisas sérias, não é? O que eu sinto nos últimos tempos, e acho que isto acaba por ser uma questão quase generalizada,
É um questionamento muito grande, que é o que é que está a acontecer, porque é que todas estas coisas acontecem quando não está ao serviço, não é parte destas coisas que estão a acontecer, não são favoráveis.
à maioria da população mundial. Portanto, ela acaba por ser favorável a meia dúzia de... A uma oligarquia. A uma oligarquia, portanto, a lobbies muito bem estruturados. E deixa, muitas vezes, a grande questão que é, onde é que está o poder?
Quando se fala, eu pelo menos questiono isso, o poder do povo, o poder das massas, das classes e essa coisa toda, e tu percebes que de repente tudo isso começa quase até a ser ofensivo falar. Ou seja, questionar isso. Não é que virá o poder. Parece que já não faz sentido falar em classes, não faz sentido falar em direitos humanos.
Não faz sentido tu teres uma atitude crítica perante coisas que são realmente abusivas e são violentas, porque há violências que são praticadas, inclusive implicando mortes, e que há um grau de indiferença muito grande. E era esse sentido que tu sugeres que tu devolte, não necessariamente a idade da pedra, mas uma idade em que a gente ainda possa trabalhar a pedra?
É trabalharmos-nos, sabes? Eu não sei como, porque eu acho que tudo que nós aprendemos, todas as nossas orientações que fomos tendo até aqui, tudo isso está avalado. Portanto, é quase como te queres agarrar, não estás a subir mais carpa, queres-te agarrar e não sabes...
como, não é? Portanto, constantemente posso estar a escorregar. E há um bocadinho essa sensação que eu tenho, é que estamos a escorregar, eu acho que as pessoas sentem-se por aquilo que eu vou acostumando nas conversas que tenho.
Eu acho que isto é uma dimensão coletiva, e quando falo coletiva não é só aqui em Portugal. Ou seja, vocês também têm a mesma sensação que eu, e se calhar estou desde mais idade para saber disto, mas eu acho que nós nunca estivemos numa espiral tão louca, pelo menos desde a Segunda Guerra Mundial, mas acho que nunca deve ter havido, talvez na Guerra Fria, não sei.
Sim, pronto, eu não era muito atento na altura a essas questões, comecei a tomar conhecimento mais tarde, conforme fui crescendo. O que eu acho que agora acontece tudo é muito rápido. Sim. É aquela selva frase, acho que foi um bocadinho de conta desta pandemia, que é um dia de cada vez. Agora quase que digo que é um minuto de cada vez. No Aramá Teatro, vocês já vi desde que estou aqui, desde esta manhã que cheguei aqui à Palmilha para gravar aqui o podcast,
Há departamentos e há quem esteja encarregue do departamento nas redes sociais. Sim. Pelo menos querem-nos explicar como é que isso está a funcionar. Ou seja, eu pergunto isto porque para acompanhar esse ritmo, o Aramá também teve que andar para a frente. Teve. Não por mim, porque eu não tenho redes sociais. E quem é o responsável pelas redes sociais? Neste momento é aqui o Fernando André. Mas já houve várias pessoas. Já foi o Jaime Monsanto, já foi o Manoel Santos.
E para ajudar aqui o Fernando, eu tenho exatamente o mesmo problema, eu não tenho redes, não sei trabalhar com redes, a Rita é preciosa nesta ajuda que nos está a dar aqui no podcast. Fernando, que idade tens? Desculpa. 29. 29. Pedia-te só para te aproximares um bocadinho mais. Sim. Para ti, esta velocidade é vertiginosa ou é uma coisa com que já cresceste? Este ritmo dos dias?
Não, eu acho que desde o Covid que notei uma diferença abismal. É o que eu sinto. Acho que ficamos todos muito conformistas ao sofá e por isso que o que se estava a falar antes em relação às decisões desta rapidez de passar e deste absurdo que o mundo se encontra, em que não há, digamos, o lado humano, acho que tem muito a ver de nos termos fechado e ficarmos só, ai que pena, da parte do sofá, sabes?
mas também houve coisas que evoluíram eu falo por mim, eu nunca tinha tido reuniões por Zoom nem sabia, se calhar, não tinha-se modus operandi e mesmo, por exemplo falando em classes hoje em dia há uma noção de que o trabalho a partir de casa é possível e isso tem coisas boas e coisas más sim, eu acho que sim é importantíssimo, ganham-se sempre muitas coisas boas
Mas acho que da evolução que estamos a passar, se formos falar em porcentagem, eu diria que 30% são coisas boas, o resto é mau. Ou seja, estás pessimista. Não é uma questão de estar pessimista, até porque, por exemplo, esta questão das redes sociais, para mim...
Eu uso como forma profissional, mesmo pessoalmente. Não sou uma pessoa de andar a publicitar as coisas. Não tenho TikTok, por exemplo, porque acho que ali é uma coisa criada para manipular a juventude e para dar dinheiro a um lobby.
portanto, recuso-me a ter TikTok. Tenho o Insta, porque acho que é essencial como ferramenta de trabalho. E agora também tentar segurar a do Aramá para ver se a coisa cresce mais um bocadinho. Como é que estava a conta do Aramá antes de tu chegares?
Estava malzinha, não. A conta da palmilha é a pior coisa que existe. A conta da palmilha, eu acho. A Rita está-se a rir. Hã? Já foi boa. Já foi boa, mas... Mas não existe. É uma coisa... Eu sinto muita dificuldade em estar na altura disso. Ah, não consigo.
Mas vamos aqui reposicionar. Entramos aqui de paraquedas, só porque eu gostei desta frase da Idade da Pedra. E acho que é uma frase fortíssima essa, e vou acabar com esta civilização, ou vou construir uma civilização. Qualquer pessoa que se proponha construir uma civilização ou acabar com uma civilização é parva. É horrível. Quando falo naquela coisa, vou voltar à Idade da Pedra, estava a brincar.
Mas é preciso reconfessar, não sei como. Não sei como. Se tudo está em causa, se as coisas deixam de funcionar, não é como se começa a perceber isso. Nada está a funcionar, nada está a ter um propósito de melhorar a vida das populações, do mundo inteiro.
Alguma coisa tem que ser feita, se me perguntar o quê, eu não sei, não é? E o que tu dizes não é muito longe daquilo que efetivamente pode vir a ser necessário, porque, por exemplo, o Arthur, por exemplo, para descobrir o teatro, foi ter com as raízes dos rituais. Exatamente, exatamente. Como é que as pessoas olhavam para o fogo, como é que as pessoas, enfim, vivem com a essência.
Se calhar estamos a precisar de voltar um bocadinho. E acrescentando aqui, eu acho que também é aquela questão da informação, porque nós evoluímos para tanta desinformação, que é o que encontramos, que se voltarmos se calhar um bocadinho agora pensando no que disse da idade da pedra, vamos à fonte da informação para começar a controlar o conteúdo que nos chega.
Então, eu agora passamos, e posso aproveitar aqui o Fernando, para passar já para aí. Vamos direcionar isto um bocadinho mais, este paraquedas que nós abrimos, que agora vai ter que começar a cair, para aquilo que nos traz aqui. Que é o espetáculo que vocês vêm apresentar ao lugar.
E podemos começar a aterrar este paraquedas na quantidade de livros que está ali em palco. O cenário já está, eles chegaram hoje para fazer a montagem, o cenário está ali a ser afinado e o que se vê é uma quantidade enorme de livros que eu nem sei se ainda é um código para estas gerações.
Olha, eu tenho um... Mas agora como é que se chama o espetáculo? O espetáculo chama Sobre Neve, Memórias Sobre Neve Derretida, que parte um bocadinho da tradução, pelo menos, ou das traduções que vamos usando.
que a segunda parte do romance ou da novela chama-se a propósito da neve derretida, porque a primeira é o homem, memórias do subterrâneo, ou notas do solo, depende das traduções. Cada anjo do subterrâneo. E a segunda parte é sobre a neve derretida. Como metáfora para...
Olha, é a grande questão, porque andei a ler muito sobre essas coisas, mas não encontrei uma justificação muito clara sobre o porquê o falar sobre a neve derretida. Mas eu encontrei um sentido ali, e acho que pode haver várias entradas para esse sentido. E agora estamos a falar de textos do Fyodor Dostoyevsky. É uma grande referência para a tua geração.
É, e acho que continua a ser, neste dia, um miúdo que está na CEA a estudar, quando soube o que eu estava a fazer da OCS, que ele tem para 15 anos, 16, não sei, que era o autor preferido dele. Eu acho que da OCS cobra uma série de gerações. A ideia que eu tenho é que é absolutamente intemporal, e que é um clássico negro, mais denso, mais...
Mas então e qual é a ideia do espetáculo? Olha, a ideia do espetáculo tem uma coisa que é interessante. Como este homem subterrâneo, ele coloca-se nesse lugar porque ele se considera superior a toda a gente, a toda a humanidade. Ele é mais...
evoluído, ele tem uma consciência acima da média, uma inteligência também acima da média, e então ele vai pondo em causa todos os valores, eu vou pôr os valores entre aspas.
Na sua época, ou todos os pensamentos, passo pela política, pela religião, sei lá, pelas questões militares, pela questão da ética, da moral, por aí fora, ele vai questionando tudo isso, sobretudo o homem subterrâneo, assim abreviando, de um modo…
Portanto, ele tem um desencontro profundo com a sociedade. Agora, o que é muito curioso aqui é que ele também é o ser humano das grandes contradições, porque ao mesmo tempo que ele põe em causa todas essas problemáticas que ele encontra na sociedade, ele ao mesmo tempo também sente que...
ressentimento, não é? Ou uma inveja por não poder fazer parte dessa sociedade. Para dar um exemplo, ele tem uns amigos de infância que, a partir do colocam parte, sempre. Então há um jantar, eles resolvem fazer um jantar e ele autoconvida-se para o jantar.
E é humilhado durante esse jantar, porque ninguém quer saber dele, e como é que ele sobrevive? Ele sobrevive pensando na sua inteligência superior, que está ali num contexto em que deveria ser reconhecido por toda essa inteligência, essa sabedoria, sobretudo essa consciência ampla do mundo.
e que ninguém está a dar importância, portanto a importância que ele ache que ele merece. E aqui ele entra um bocadinho, isto é muito mais profundo, porque ele entra aqui em dimensões que é...
E que aqui a metáfora subterrânea será a sua mente, não é? Pensando, porque ele está sempre em busca desses estados de humilhação. E o que eu acho que aqui, esse estado de humilhação, que é o estado que o leva ao prazer, também que lhe dá um certo significado à vida. Ora, porque é que pensámos, na altura que comecei a adaptar isto, depois convidei o Fernando André para fazermos o espetáculo.
ensinando os dois, interpretando os dois e depois percebemos que estávamos numa enrascada e convidámos a Sandra Salomé para fazer a direcção de atores porque não ia ser fácil fazer autodirecção. Fazer o exercício que o doutor Sérgio faz sempre quer ver-se de fora. Exatamente, muito difícil. E o que é muito interessante aqui é todos os mecanismos da sobrevivência. Então se eu tenho que me humilhar e eu tenho que me humilhar.
Se eu tenho que ser agredido, eu provoco as situações. Se elas não acontecem, eu vou ao encontro delas.
E é isso que acontece um bocadinho aqui neste homem subterrâneo, pelos ressentimentos que ele guarda, aliás, ele diz que é uma pessoa ressentida, relativamente aos amigos, aos colegas de trabalho, às próprias ideias dominantes da época, ele coloca-se contra tudo. Ao mesmo tempo que se contraria porque há ali um desejo de fazer parte.
Isso é um assunto até um tema um bocado recorrente na literatura russa, porque o Tolstoy, por exemplo, na morte de Ivan Illich, faz exatamente o mesmo exercício de se pôr dentro de um corpo fechado a observar o exterior e a comparar-se constantemente.
fechar-se para conseguir, de alguma forma, comunicar com uma sociedade que não aceita. Exatamente. O que eu acho que este homem do subterrâneo depois tem uma outra coisa, o Ivan Lix é incrível. Mas o que eu acho que o homem do subterrâneo tem uma coisa, ele não tem espaço para o outro. Embora ele procure o outro... Ele chama-se muitas vezes um indivíduo esquisito, não é? É, um esquisito. Ele diz que...
Ele utiliza muito o ressentido, o desconfiado, portanto, o orgulhoso, de certo modo. Há um certo masoquismo que parece que é vital para ele. Sim, é o ser atormentado. Eu queria perguntar aqui ao Fernando, que estou a vê-lo aqui acompanhar a descrição.
Eu gostava também de conhecer um bocadinho o teu percurso, Fernando. E pronto, o Tó também já lá vamos. Aliás, tem algumas coisas que eu gostava de conversar. Mas, Fernando, qual é o teu percurso até chegares aqui a este espetáculo? O teu percurso, ou seja, a tua formação. Fala-nos um bocadinho de ti. Ah, ok. Eu sou formado na CE. Sim. Terminei finalista em 2016.
Depois estive em Itália, mais ou menos meio ano, onde trabalhei comédia dell'arte e teatro físico em esgrima artística. Utensílios de palco, digamos assim, coreografados. Depois, voltando...
Estive ligado à Apuro, do Rui Spranger, trabalhei muito com o Rui Spranger também, durante sete anos, mais ou menos. Em Amador, comecei com o Jorge Castro Guedes, que depois mais tarde me convidou para pertencer à Ceiba Trupa, onde conheci o Tó, num trabalho em que ele estava a ensinar na Ceiba, as Três Marias.
E aí estava só como ator. Entretanto, pertencia à estrutura da Seiva. Até maio do ano passado, estive lá com, basicamente, na parte também de produção executiva, na direcção de produção, durante três anos, também entrando em alguns espetáculos, e sempre ligado desde que o conheci ao Aramá. Portanto, entrei no Aramá.
Mais ou menos na mesma altura, no mesmo ano, em 2022, final do ano. Eu vou por aqui e explico-te porquê. Porque são duas gerações e a minha opinião é que trabalhar do teatro ou para o teatro são duas perspectivas diferentes, mas muito convergentes, quando nós trabalhamos nesta área. Muitas vezes trabalhamos para o teatro e outras vezes conseguimos trabalhar a partir do teatro. Ou seja...
Percebem o que eu quero dizer? Muitas vezes temos que trabalhar quase de borla, outras vezes temos a sorte de ter um ano bom, dois anos, depois seis meses, sem nada.
Como é que é a vida hoje em dia para quem saiu em 2016? Consegue-se viver do teatro? Já percebi que andaste por muitos sítios, trabalhaste com muita gente com muito nome. Sim. Era como estavas a dizer, no fundo. Eu penso que é possível viver-se do teatro.
Com bastante trabalho e nunca sendo só uma coisa. Exatamente. Percebes? Eu acho que não é impossível. Se for só teatro como ator, podes ganhar só como ator. Fazer novelas, cinema. Mas isto está sempre aí. Agora, se te queres focar no teatro, que é o que eu tenho feito desde que saí, 100%, tanto tens que ir para a produção como tens que ir se for...
se tiveres o curso de ator mas tanto tens que aprender a fazer produção como de repente tens que dar um pezinho na cenografia como de repente tens que dar um pezinho tudo para poupar custos porque a situação atual que temos é precária é um facto eu queria chegar um bocadinho aí
sempre que se fala ou se faz uma reflexão do teatro acabamos por chegar a esta frase a situação atual é muito precária a situação atual não há condições e há uma coisa que muda pouco mas o trabalho parece que aumenta porque vocês, esta geração eu há pouco tempo, apesar de ser novo eu disse há pouco tempo eu este ano parece que trabalho mais e ganho menos sim
tenho dito isso à minha mulher muito sério lá está, começou de outra geração eu acho que isto sempre foi precário mas também acho que é possível eu acho que isto se centra muito também não querendo por aqui nomes os poucos apoios que há escassos, também mesmo assim se centram muito se formos ver por porcentagem em certos sítios
Sim, sim. Estamos sempre numa cama grande mais para a manta que existe. Exato. E agora, Tó, tu já andas nisto há muitos anos? Há muitos anos, sim. Eu comecei em 90 e partilhei exatamente a mesma coisa que ele está a dizer. Porque eu entrei no teatro assim um bocadinho porque eu queria música e de repente deixei tudo, o trabalho. E era o que tocavas instrumento? Eu tocava guitarra, não era um grande guitarrista, mas fazia bar, andava a tocar em bar e queria ser músico.
Depois, como tive a experiência de andar a tocar em barros, aquele encantamento que inicialmente se tem, começa-se a perceber que a vida é muito árdua. Não é? Tens que animar pessoas. Não interessa a música. O que interessa é que animes-se. Não é? Que cantes as musiquinhas que o pessoal consegue acompanhar. Então aquilo trouxe-me algum desencanto. Não é? Porque se eu quisesse criar um projeto com Inéd, com músicas originais, eu percebia que o percurso era muito diferente e muito penoso para chegar lá.
E eu tenho muitas inseguranças nestas questões, não é? E não sou um bom, como é que eu ia dizer, um bom manager de mim próprio, um bom produtor, sou muito atormentado, não tenho capacidade de...
de me adaptar facilmente aos contextos. Tenho algum problema. E quando vim para o teatro, foi assim uma coisa mais impulsiva, mas percebi que o teatro me dava... Tu vieste para a boca do lobo, então. Exatamente. E não foi fácil o início.
exatamente para estas questões, porque eu fui para o Art de Imagem, que na altura era semi-profissional, eu tinha algumas expectativas, estarei-me a fazer uma substituição no Dom Quixote-la-Mancho, com a destinação de Roberto de Merino, foi assim, e depois fazia teatro para crianças, e eu na altura era assim, não é isto que eu quero.
mas também eu não tinha muita experiência, eu comecei praticamente a ver teatro, quando vim para o teatro, foi mesmo aquela coisinha de inocente, não é? Entretanto, o Tepe estava a reabrir, e fui para o Tepe, e ali realmente fiz uma boa escola.
com todos os problemas, e digo abertamente que aquilo tinha, muito difícil lidar com grande parte do elenco, tinha umas posturas muito diferentes, mas convivia-se. O encenador, que era o Cláudio Luquezzi, na altura um brasileiro, foi extremamente importante, porque ele vinha fazer curso à saiva-trupe, aqueles cursos de meio ano, onde saiu a Ângela Marques, o Fernando Moreira.
António Pedro, muita malta, Jaime Monsanto, e muita malta saiu desses cursos intensivos da SEIBA, e grande parte dos cursos eram feitos por ele, pelo menos, três ou quatro foram feitos por ele, Cristina Briona, Jacinto.
E então, era um homem... O Jacinto? O Jacinto Toranjo, sim, que faleceu. Que foi também fundador do Aramato. Foi ali um bar também na Rua da Pecaria. Sim, trabalhou assim. Rosa Negra. Sim. Aliás, o Jacinto foi daqueles, o que o Fernando André estava a falar, não é? O Jacinto foi daqueles que sempre levou...
o teatro acompanhado com trabalho nos restaurantes ou bares, e que é a realidade ainda hoje com muitos colegas nossos. É um mito que muitas vezes se diz na brincadeira, se isto não funcionar vou trabalhar para um restaurante, mas é uma coisa que... E foi até praticamente à morte dele.
muitos anos, era um ator bom conhecido e todo mundo sabe muito dele o sorriso muito especial os jacintismos como eu chamava muito complicado de lidar com certas coisas, muito fácil lidar noutras e um amigo grande e hoje em dia Fernando, já agora também pergunto isto o sorriso
Por exemplo, tu estás, daquilo que eu percebo do teu percurso, que já é bastante rico para o tempo que leva, mas é muito ainda dedicado a períodos em companhias. Isso é uma coisa que eu vejo que cada vez faz mais falta. O Porto Dantes fabricava companhias, a academia era uma escola que, por natureza... Basicamente saiam muitas companhias. Muitas companhias, hoje em dia não é tanto assim, pois não.
Não. E podemos ir para o contexto de formação, se quiseres. Há uma coisa que eu aprendi destes anos todos, tanto de estar no Aramá, como na Seiva, como na Apur, que é aspectos burocráticos, logística, tudo. O teatro não é fácil, e não estamos a falar só da parte da representação. É que não é de todo fácil. Aliás, quem faz uma candidatura que seja sustentável ou pontual, sabe o trabalho que dá e as madrugadas que se perde.
para conseguir cumprir, digamos assim. E há uma coisa que podemos ir à formação, forma-se muita gente hoje em dia, muitas escolas, muita ilusão, na realidade. Sim. Por outro lado, temos um mercado que absorve, se calhar, mais a iniciativa individual do que a iniciativa coletiva.
Sim, exatamente. É mais complicado, ou seja, o que eu noto, e porque também dou aulas às vezes na Esmai, na academia, noto que os miúdos que vão para as escolas têm um fito muito mais seguro de onde querem chegar e sabem-no muito mais cedo. Sim, isso também é verdade. Antes chegávamos a um curso de teatro já quase com um curso tirado ou com uma história de vida. Já na área, muita gente fala disso, não é? Que antes de se formar já trabalhava. Sim, sim, sim.
A questão aqui onde eu quero chegar, sim, nesse campo é um aspecto positivo que as pessoas já vão com o filtro e com a bagagem onde retirarem todas as ferramentas que precisem para o percurso que eu quero traçar. Mas por outro lado, não há, agora não sei, mas não havia até 2016 formação no aspecto do que é o ecófice do teatro. Para quem quer formar companhia, já que estamos a falar que agora não saem.
Porque se calhar antigamente até era menos burocrático abrir qualquer coisa. Agora tem que se pedir, pagar não sei o quê, pedir a licença não sei de onde. Na altura também era. Sim, mas não sei como é que é. Seria que se calhar era mais diluído no coletivo, lá está. Eu acho que aí havia mais... E depois havia um projeto por trás disso.
Porque aquelas companhias que surgiram nos anos, na altura que o Aramado surgiu, há 30 anos atrás, surgiram muitas companhias, tipo o Teatro Bruto, as Boas Rapaziadas surgiram um bocadinho mais cedo. Os Teatro Gráficos. Exato, o Teatro Só, muitas companhias que surgiram e que de repente foram ficando pelo caminho, não é? Mas isto é apenas uma interpretação minha, e quase em segunda mão, não é? Porque acho que fazia parte mesmo da...
da escola formar companhias que os alunos saíssem e formassem companhias e durante os anos 90 praticamente toda a malta que acabava o curso à CE montava uma companhia como falei no Bruto, nas Boas no Teatro Plástico, havia isso e de repente
tudo isso começou a ficar diluído, aparecia um projeto que depois não tinha muita durabilidade. Acho que havia uma consciência que nós, por exemplo, agora isto pode parecer uma coisa um bocado forçada, mas ao meu ver não é. Nós estamos a fazer, já fizemos os 50 anos do 25 de Abril, que foi um período que hoje em dia até se permite que seja rotulado como uma revolução miserável, como disse outro dia aquele senhor na televisão, que não foi, nunca será.
mas estes 50 anos de alguma forma trouxeram-nos uma consciência de coletivo se calhar muito iminente ou seja, sempre que se fazia alguma coisa era para um bem coletivo ou era para educar a população ou era para levar conhecimento às populações porque este fenómeno de, por exemplo, uma companhia rodar muito e trabalhar para a comunidade ainda se vê muito por exemplo no Teatro de Montemuro nas comédias, em meios pequenos isso ainda existe e ainda é necessário
Que nós deveríamos apostar mais. Porque o que eu sinto é que nós ficamos muito presos, mas em tudo, não é só o pessoal do teatro, às grandes cidades. Que favorecem o individualismo. Exatamente. Mas queria pegar um ponto aqui atrás relativamente à questão das companhias que surgiram nos anos 90. Eu acho que elas surgiram e que foi muito bom. Porque tínhamos...
O Arte e Imagem praticamente era uma companhia que nesse processo começa também a tornar-se uma companhia profissional. Tinhas a Cebatrupe como a estrutura dominante da cidade, toda a gente só conhecia a Cebatrupe praticamente, o Tepe tinha tido ali uma quebra de uns anos, depois retomou-o, mas já não com a mesma força.
E era preciso realmente que aparecesse uma alta nova, não é? Eu acho que foi muito importante. E havia mais salas, por exemplo. E havia mais salas. Mais salas de bolso. Exatamente, ias para todo lado. Tudo virava teatro. Macave, na Ribeira, as moagens de harmonia. E então, tirar o teatro dos títulos tradicionais, sabes? Que depois eu acho que ele não retrocesse.
E aqui, que me perdoem, eu vou arriscar isto, mas eu acho que a 2001 destruiu muita coisa. Porquê? Exatamente por isso, porque eu acho que a partir de 2001, seja por que razão for, as coisas começaram a entrar num declínio.
Entendes? Como é que te lhe explicar? Isto é difícil e é arriscado estar a dizer isto, mas é uma percepção pessoal, não estou a acusar ninguém em particular. Mas senti que aquela força que estava com as companhias da própria cidade, que começou a perder força. Depois outra coisa que começou a acontecer era a importância das coopersões.
E que parte dessas reproduções eram feitas com o Teatro Nacional São João. O que validava a tua candidatura. Então, eu pensava, se esta companhia este ano teve apoio, porque estava em cooperação com o Teatro Nacional São João, ou com o Teatro Riboli, já não sei como chamava, não sei se era o Culto do Porto, qualquer coisa, havia uma garantia de subsídio. Mas só que se no ano a seguir, se não tivesse essa pasteria,
corria o risco de não ter dinheiro. E eu acho que foi aí que muitas companhias começaram a cair. Sim. Isto é uma opinião muito pessoal daquilo que eu fui observando e às vezes em conversas não quero, com isto, estar a problematizar demasiada coisa, mas foi uma impressão que eu tive de perceber. Aliás, tanto que até 2016, mais ou menos, todas as companhias ruíram, não é? Desde as boas, o Teatro Bruto. Sim, muita gente foi ao charco. Muita gente foi ao charco.
E acho que, agora que falaste de uma coisa que é engraçada, que é cada vez os projetos mais individuais, e que eu não tenho nada contra, até pelo contrário, porque eu até sou um descensor disso. Não, não sou outros tempos, são outras áreas. Eu nunca consegui, aliás, conseguir apoios, tivemos no Covid, fiz candidaturas, cheguei a um ponto que disse, opá, não tenho paciência para fazer candidaturas. Já tentaste, por exemplo, o Fernando, fazer uma candidatura sozinho, com o projeto teu, um pontual?
duas e então? ora, antes disso mais uma não foi para a Dejardes foi para aquela questão da RTP da Carta Branca que pronto, não tive
Tive ali umas respostas positivas, mas pronto. No fundo, não tive. Depois, pessoalmente, eu não tenho a certeza se foi para a DG Arts ou para a GDA, quando fiz a do labirinto.
kafkiano às vezes, quando uma pessoa olha para as candidaturas ou olha para... O ano passado candidatámos pelo Aramã um projeto e foi assim, já há anos que ainda estava, tirando a questão do período do Covid que tivemos aquele apoio, foi o único
Mas sentem que faltam ideias, ou seja, isto é um problema comum e transversal, toda a gente diz o mesmo, mesmo a Palminha que teve apoio durante uns tempos deixou de o ter outra vez e estamos outra vez na casa de partida, que é a nossa posição e com isso não estando confortáveis, habituámos-nos a estar nessa posição.
Mas é uma discussão recorrente entre nós. E soluções? E como é que isto poderia ser diferente? Que novo figurino é que poderia ter, por exemplo, uma Direção-Geral das Artes a atribuir subsídios? Eu acho que, na minha opinião, eu já não sou a pessoa mais indicada, porque eu fui-me afastando...
Mas eu acho que há uma questão, para já é a complexidade burocrática. Chegar ao ponto de perguntarem quantos cartazes é que vais pôr, posso estar a exagerar, mas acho que não estou a exagerar, que vais pôr em cada esquina, percebes? Isto já quer dizer alguma coisa, estás a perceber? Já quer dizer que tu tens que mentir muito, e sobretudo mentir a nível público. Tu não podes dizer que tiveste numa carreira de um espetáculo 200 pessoas. Fizeste 3 espetáculos ou 4 e tiveste 200 pessoas. Não podes pôr 200 pessoas.
Tu tens de pôr, tiveste duas mil pessoas Percebos? E quando começas a ler Tudo aquilo, quais são as exigências Ou não, eu estou-me a lembrar De uma altura em que nós na Palminha Fizemos uma candidatura e dissemos Números de público Temos sempre muita gente Eu sei
E a resposta foi exatamente por terem muita gente a ver, se calhar já não precisou de subsídio. É exatamente esse absurdo. Como é que vais acreditar numa coisa dessas de alguém que diz aquilo que é válido para tu teres o apoio também é válido para tirar o apoio. Mas muitas situações que eu fui escutando ao longo destes anos todos assim. Eu vou estar a gastar tempo porque aquilo dá trabalho. Porque tu tens de ato expectativas, tens de ansiedade, tens de envolver pessoas que ficam ali pendentes, vão ter... Abertura
Eu acho mais uma vez aquela velha chave, não é? É uma questão de distribuição. Sim. É uma questão de distribuição. E depois há outra coisa, desculpa. Por exemplo, pegando na questão dos palmilhas, os palmilhas têm um requisito, que agora falaste que eles, exatamente por esse requisito, disseram que vocês podiam... De criar uma dinâmica de público. Que é, que normalmente dizem que é dinamizar o público, conquistar público. E vocês fizeram um percurso...
que é histórico, que toda a gente fala de Palmeiras sabe, vocês começaram no Cafante Ares, e foi crescendo, portanto, têm um espaço, cedem um espaço, aquilo que eles valorizam, e de repente, não valorizam os seres. Olha, e eu queria só, porque já estamos aqui com o tempo muito contado, e peço desculpa, a conversa está ótima, e o problema continuava, mas temos aqui uns limites.
Queria reconduzir isto ao espetáculo. Como é que foi o processo, Fernando? Difícil. Então, aliás, quanto tempo é que demorou o processo? Nós começamos a trabalhar nisto há um ano e pouco. Nós começámos no dia 30 de dezembro de 2024, fizemos a primeira leitura. A primeira leitura. Exatamente. Ou seja, isto é um processo longo, onde, claro que com outras atividades, mas fomos sempre dando...
tempo de ensaio até esta fase final dos últimos 2, 3 meses em que começamos a tomar rotina porque eu, apesar de ser novo o tal também partilha acho eu desta opinião comigo já que chegamos a comentar este é o personagem mais difícil que eu recebi
Porque este Lucas, este campo que depois venham assistir para ver como se tornou, deste homem que o Tó esclareceu agora no início, para não precisar estar a repetir, ele tem que ter ali um poder.
na personalidade da personagem onde demonstra que interiormente ele tem a sua história mas não quer mostrar essa história mas tem que estar no corpo que tem uma história junto com aquele lado que ele apesar de tudo
e da situação que está, ele sente uma compreensão e uma compaixão por aquele homem. Por isso é que permanece, digamos assim. Ou seja, é muito interior. Isso. E a maneira de exteriorizar isso, sem ficar naquele ar, porque senão não tem história nenhuma, ar, digamos, tecnicamente falando, é que se torna a dificuldade de como é que eu chego ao interior sem estar a entregar a personagem.
fiz-me compreender acho que sim, é complexo mas acho que sim não se podia esperar outra coisa de uma personagem do Dossaevski que não fosse assim porque isto é uma adaptação e a personagem na obra original é uma prostituta uma rapariga alteraste o género? alterei, por uma razão muito simples
Deixa-me só dizer-te uma coisa, é muito engraçado. Eu já fiz uma encenação das Noites Brancas. Sim. E a última coisa que me apeteceu fazer foi um homem apaixonado por uma mulher. Sim. Ou melhor, mantive a história, mas fiz com dois atores. E um deles, que era o Nuno Preto, era mulher. Sim.
E aquilo funcionava muito bem, sem trajeitos femininos, sem nada. Mas ele encostou-se à Nastenka de uma forma que aquilo rolava. E é engraçado que agora dizias-me isso de novo. É muito curioso, porque as personagens... Há uma certa androginia só que diz respeito ao ser humano. E depois não foi só isso, sabes?
Claro que nós adaptamos mais a segunda parte, a segunda obra, porque isto tem uma justificação. Porque sendo aquele homem tão atormentado, em que vive sempre em confronto, em rincores com toda a gente, em que tem que mostrar poder de alguma maneira, mas ninguém o escuta, então temos aqui a hierarquia. Onde é que ele vai exercer o seu poder? Na prostituta. Na obra original aqui na nossa adaptação, no prostituto.
Só que eu acho que há aqui, e foi isso que me levou a adaptar, porque já comecei a adaptar isto há uns anos atrás, o que me levou a adaptar foi o poder da compreensão, que é um grande poder, que é o que a prostituta, a Lisa, e neste caso a personagem do Fernando André Néstor da adaptação, que é o Lucas, tem o poder da compreensão. E isso o homem do subterrâneo não suporta. Foi isto que me levou à adaptação, que é a compreensão, e tu compreendes alguém,
Pode ser um poder, a compaixão pode ser ofensiva. Quando tu, na verdade, não sabes lidar com outros sentimentos, a não ser aqueles que tu conheces. Pode ser visto como uma fragilidade. Essa impossibilidade, portanto, naquele homem subterrâneo, eu acho que há impossibilidade do outro. Entendes? Sim. E é isso. Então, esta personagem do Lucas é a personagem da escuta. Sim. Da compreensão. E que eu acho que é um trabalho muito difícil. Meus amigos, não vos posso escutar mais.
mas é isto queria-vos agradecer muito mais uma vez desculpem pela confusão técnica do início, mas vamos a datas vocês vão para o ar não já nesta semana que é a semana de estreia eu faço as contas pelo futebol clube do Porto o Porto esta quinta semana joga fora e vocês vão estar em cena quando o Porto joga outra vez aqui no Dragão, que é no dia portanto, estreiam agora esta semana dia 24, estão sexta, sábado e domingo 24, 25, 26 save
E na próxima semana? É o dia 1, 2 e 3, portanto também sexta, sábado e domingo. Ou seja, vocês não fazem o feriado do trabalhador? Não. O que é muito típico do teatro. É. E é uma boa forma de comer. Mas eu, quando a minha mãe me costuma ligar a perguntar se eu vou a casa, eu digo, mãe, o ator não tem feriados. Exatamente. E é o dia que está com mais reservas, portanto... Pronto, ótimo, ainda bem. É uma boa forma de celebrar o dia do trabalhador. Mãe, no teatro não há descanso? Como é que é? É assim?
Quando ela me liga se eu vou a feriado a casa, eu me mando o ator não tem feriados. O ator não tem feriados. Muito obrigado. A comunicação não é o teatro para mim. É a propulsão do prazer. Quem trabalha, eu acho que qualquer pessoa pode ser, mas o prazer de fazer teatro... Não permite o feriado. É, pode-se fazer no dia do trabalhador. Este podcast vai para descanso e feriado. Até à próxima. Até à próxima, muito obrigado.
Teatro Sabesp Frey Caneca
Memórias Sobre Neve Derretida