Episódios de Chá com Fono | Leidi Rocha

Como ser uma boa fono e preservar a sua essência? | part. fono Júlia Batistella

12 de maio de 20261h
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Nesse episódio do Chá com Fono, recebi a fonoaudióloga Júlia Batistella para falar mais sobre isso. Vamos viver com mais leveza?

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Participantes neste episódio2
L

Leidiane Rocha

HostFonoaudióloga
J

Júlia Batistella

ConvidadoFonoaudióloga
Assuntos8
  • Manutenção do encanto e consistência profissionalValores pessoais no atendimento · Potencialidade e individualidade do paciente · Autoconhecimento como base · Influência do ambiente de trabalho · Equilíbrio entre profissional e pessoal
  • Gestão do tempo e autocuidado profissionalPrioridades na vida e na carreira · Evitar o esgotamento e o cansaço · A importância da terapia para terapeutas · Viver 'deliciosamente' além do trabalho
  • O balanço entre profissionalismo e personalidadeAjustes necessários no ambiente de trabalho · Acolhimento vs. Permissividade · Lidar com defeitos e qualidades · A importância da empatia e do cuidado
  • A personalidade do fonoaudiólogo no atendimentoOrganização e controle · Abertura e expressividade · Defesa dos direitos do paciente (inclusão) · Empatia e se importar com o paciente
  • A importância de ser 'alguém para alguém'Impacto na vida do paciente e família · Ir além do papel de terapeuta
  • Habilidades essenciais para fonoaudiólogosComunicação eficaz · Organização e planejamento terapêutico · Sinceridade e prognóstico realista · Aparência que transmite cuidado e profissionalismo
  • Impacto das Redes SociaisFiltro de conteúdo e autoconhecimento · Pressão por sucesso e viralização · Diferença entre viralizar e informar · Reflexão sobre o que se compartilha
  • Uso de materiais prontos e recursos terapêuticosFacilidade e praticidade dos recursos · Adaptação e flexibilidade dos materiais · Otimização do tempo para o profissional
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Seja muito bem-vinda, seja muito bem-vindo a esse que é mais um episódio do Chá com Fono. Eu sou a Leidiane, eu sou fonoaudióloga e fundadora do Criança Tagarela Clube. E hoje eu estou aqui para receber a Júlia Batistella, que também é fonoaudióloga, é assinante do Criança Tagarela. E eu acho que é a fono, deveria merecer um prêmio de fono que mais indica o clube para outras fono.

E nós estamos aqui hoje para falar sobre será que dá para ser uma boa fono? Será que dá para ser uma boa profissional? E ainda assim, preservar a sua essência. Júlia, seja muito bem-vinda. Se apresenta para o pessoal. Oi, pessoal. Obrigada, Leide, primeiramente pelo convite. Estou muito feliz de estar aqui. Acho que a minha história com a Leide vai muito além do clube também. A gente teve alguns processos que a gente desenvolveu ao longo do ano passado. Então é muito especial estar aqui conversando com ela.

Bom, eu sou a Júlia, eu sou natural de Pato Branco, Paraná. Sou formada há dois anos, recente. Me formei na Universidade Estadual do Centro-Oeste. E atualmente eu atuo aqui em Pato Branco. Trabalho com crianças com transtorno do neurodesenvolvimento, com transtorno dos motores de fala.

E atuo ali com crianças de um ano e meio até adolescência. Apesar do meu público hoje ir até uns oito anos, mas eu também atendo adolescentes. Hoje eu trabalho numa perspectiva desenvolvimentista. E acho que é isso que eu tenho para falar sobre mim. A gente vai te conhecendo mais ao longo do episódio.

Porque a escolha de convidar você para fazer esse episódio é porque, como eu já te conheço um pouquinho mais, e eu entendo tudo que você... a forma como você gosta de trabalhar, a forma como você vê a infância, e a sua pitada, o seu jeito que você coloca nas coisas que você faz, falei assim, não tinha como não ser ela a ser convidada para falar sobre esse assunto. E aí eu já quero começar a fazer a primeira pergunta.

O que você pensa quando a gente fala preservar a sua essência? O que será que é esse negócio de preservar a essência? Preservar a essência, para mim, é preservar nos meus atendimentos aquilo que eu acredito como meus valores mesmo.

Então, eu sou uma pessoa muito que acredito no afeto, eu acredito na potencialidade de cada pessoa, e eu acredito que cada um tem a sua individualidade, mas consegue chegar aonde deseja. Então, eu sempre acreditei muito no potencial dessas pessoas. É isso que eu trago para a minha essência no meu trabalho, é colocar tudo isso dentro do meu atendimento. Muito bom!

E você já percebeu em algum momento que você estava, de repente, se moldando demais ou que você precisava se moldar demais?

ser de repente outra pessoa para caber, assim, em alguns lugares de atendimento, porque às vezes a gente vai sendo levada a isso, né? Ai, eu acho que isso aqui ia ser uma boa profissional, então eu preciso fazer isso. Tem até muita discussão do Blazer, né? Eu, por exemplo, particularmente gosto muito do Blazer, mas eu sei que tem pessoas que não gostam.

Então, mas para ser uma boa profissional, eu preciso usar o blazer, eu preciso viver maquiada, eu preciso caber nesses moldes. Já aconteceu isso com você ou desde que você se formou, você buscava já preservar essa sua essência? Bom, como eu falei, eu tenho pouco tempo de formada. Então, no começo, para mim, foi difícil. Porque no começo tudo é novo e a gente quer realmente mostrar que a gente tem um bom serviço, principalmente porque as pessoas pensam que estão lá.

Ela é nova, então não sei se ela vai ser boa. Então a gente tenta achar esses requisitos, né? Ah, usar um blazer, falar mais bonito, fazer posts bonitos no Instagram. Mas desde que eu entrei, eu entrei num espaço onde eu atuo hoje, que é um espaço muito legal, assim. A gente trabalha de macacão, a gente trabalha de crocs, pé no chão. Então, eu acho que tudo isso me ajudou a eu conseguir ser a Júlia, que eu nunca fui a pessoa do salto.

Tem muita gente que fala, ah, fono usa salto. Eu nunca fui a pessoa do salto. Jaleco, para mim, na faculdade, era quase uma tortura usar, porque eu sentia calor, não gostava, me sentia engomada naquele jaleco. Então, hoje, eu acho que o que me ajuda a preservar também, aquilo que eu acredito, é estar no lugar onde tem tudo isso que eu acredito junto. Gostei muito disso que você falou, porque o lugar, o ambiente, ele acaba moldando muito a gente, não só no ambiente de trabalho, né? Mas em todos os ambientes que a gente está.

Se a gente está, por exemplo, inserida num espaço que vamos dar outro exemplo que não tenha tanto a ver com o trabalho, mas são pessoas que, de repente, reclamam muito. Então, eu estou aqui nesse ambiente de pessoas que estão acostumadas a reclamar e tudo é difícil e tudo é ruim. Não que a gente ache que a vida é fácil, né? Como diz a minha irmã de 13 anos, a vida não é um morango. Adoro falar isso e a gente concorda.

Mas a forma como a gente vê as coisas é muito influenciada por onde a gente está. E essa abertura também no lugar que a gente está inserida. Então, você diria que talvez trabalhar em um lugar que seja parecido com os seus valores, auxilie. Como é que você diria assim, para de repente a Fono está pensando, nossa, mas eu preciso...

Ou no contrário também, né? Às vezes o local que você trabalha, que é ideal para você, pode ser não ideal para a fono do jaleco, a fono do salto alto. E está tudo bem. Eu, por exemplo, como já falei, sou a pessoa do blazer. Eu gosto de um blazerzinho.

E eu me sinto arrumada, assim. É diferente. Então, como que o ambiente influencia nisso? Eu acho que influencia em tudo, assim, né? No teu jeito de você... Eu acho que quando você está trabalhando, principalmente, eu sempre falo que a gente precisa gostar, não só da nossa profissão, como também do lugar onde a gente está inserido. Porque é ali que você vai estar todos os dias. Eu passo muito mais tempo hoje na clínica do que dentro da minha casa.

Então, eu preciso me sentir bem lá. Então, se eu não me sinto encaixada naquele lugar que não vai de acordo com o que eu acredito, que não vai de acordo com o que eu quero para a minha vida, eu acho que dificulta muito o seu processo mesmo como profissional e também o seu processo pessoal. Eu acho que preservar a nossa essência tem muito a ver também com você preservar o seu eu, não somente o seu lado profissional, mas o seu lado pessoal também, né?

E a gente sabe que o profissional e o pessoal andam muito junto, apesar da gente...

Querer separar, mas eles andam juntos. Exatamente. Não dá pra gente virar outra pessoa. Inclusive, eu não assisti uma série que fala sobre isso. Mas eu já tive muitas recomendações que é uma série que se chama Ruptura. Você já ouviu falar? Não. É uma série. Eu vou contar a história que eu ouvir. Então, pode ser que eu esteja...

falando algo que não seja totalmente verdade. Quero, inclusive, assistir, mas é uma série que passa num futuro distópico, que são pessoas que, quando elas estão no trabalho, elas não conseguem se lembrar de nada da vida pessoal delas. Então, elas estão ali só focadas no trabalho.

fazendo as coisas delas de trabalho. E o contrário também é verdadeiro. Quando elas estão fora do trabalho, quando elas estão na vida pessoal, elas não conseguem pensar em nada do trabalho. E eu sei que a série se desenvolve a partir daí. Dizem que é muito interessante. Quero assistir e ainda não assisti. Mas a gente sabe que a realidade não funciona dessa forma. Quando a gente está no trabalho, nós somos uma extensão de nós mesmas.

Claro que tem algumas coisas, e aí eu acho que a gente pode falar também sobre isso, que são desejáveis que a gente faça no trabalho. A gente vai precisar que dá uma balanceada, né? Por exemplo, digamos que eu fosse uma pessoa super irônica na minha vida, com os meus amigos, com a minha família, com o meu marido, que não sou. Mas digamos que eu fosse.

A ironia, por exemplo, não é algo que cabe muito bem no ambiente de trabalho, porque, de repente, os pais podem não compreender, falando do nosso caso, que estamos voltados para o atendimento infantil, ou algum paciente poderia não compreender, ou a pessoa poderia se sentir afetada por conta desse uso de ironia.

E aí, como que você vê esse balanço, assim, entre o que é muito esperado, de repente uma postura mais profissional, e eu, pessoa, eu, por exemplo, também trabalho muito com essa perspectiva do acolhimento. Para mim, o acolher vem antes, porque se eu não acolho, eu não acesso. Se eu não acesso, eu não atendo. Se eu não atendo, eu não faço essa criança melhorar.

eu penso nessa lógica mas como que você vê assim essa esse balanço você consegue fazer isso ou como que tá pode pode ser que você esteja num processo e como que tá o processo eu consigo acho que agora eu consigo muito melhor no começo foi difícil assim porque realmente a gente é um ser humano

Cheio de tanto qualidades quanto defeitos também E eu acho que os defeitos são os mais fáceis de se sobressaírem E pegarem mal de se sobressair Então eu, por exemplo, sou uma pessoa que gosto muito de controlar as coisas Sou uma pessoa que sou um pouco mais atreçada também E ali no ambiente terapêutico eu tenho tentado Na verdade, eu tenho lidado muito bem com isso Mas no começo foi difícil entender que eu não controlava a evolução dos meus pacientes Apesar de fazer o máximo que eu podia, eu não tinha controle sobre isso

E além de também entender que as coisas que aconteciam em relação a famílias, ali na terapia mesmo. Eu não precisava trazer para casa, não precisava me estressar tanto por isso, não precisava levar tanto para o coração. Então, eu acho que eu vivo isso diariamente, de equilibrar esses pratos. Ao mesmo tempo, eu vejo que as minhas qualidades me ajudam muito nos meus atendimentos.

Tanto questões de eu ser uma pessoa mais animada, de eu ser uma pessoa mais expressiva, isso reflete muito no meu atendimento, mas acho que é isso, é equilibrar esses pratos, né? De a gente conseguir equilibrar os nossos defeitos, eles diminuírem, as nossas qualidades sobressaírem. Eu acho que isso que você falou também tem muito a ver com autoconhecimento, né? Autoconhecimento é uma base...

muito importante para quando a gente fala em preservar a essência, porque como que eu vou preservar uma coisa que eu não sei o que é? Ou eu posso, como você falou, a gente também tem defeitos, e talvez a gente não queira levar, na verdade, em geral, a gente não quer levar esses defeitos para o nosso trabalho.

Por exemplo, se for uma pessoa, você não me parece, por exemplo, desorganizada, mas se for uma pessoa desorganizada na vida, a gente vai precisar usar algumas estratégias para poder conseguir que isso não atrapalhe o trabalho.

Porque não é só porque a gente fala assim, tem que preservar a essência, que a gente vai aceitar certas coisas que, por exemplo, a evolução precisa estar feita, o relatório precisa ser escrito, precisa ser entregue na data. São exigências que a gente precisa cumprir tendo qualquer essência, tendo qualquer personalidade.

Exato. Existe uma linha muito tênue entre a gente ser acolhedora, que foi o que a gente começou a falar, e se anular também. Então, às vezes, fazer tudo que a família quer, ou tudo que a criança quer. Como que você percebe e lida com isso na prática? Porque eu vejo você muito acolhedora. Como que você faz para esse acolhimento não atrapalhar, de repente, a evolução do paciente? Porque, às vezes, se a gente é muito acolhedora, a gente começa...

a confundir, de repente, com ser permissiva. Ai, não, tia, não quero fazer hoje, estou muito cansado. E aí a gente acolhe, e só acolhe toda semana, e não tem atendimento. Como você faz isso? Eu acho que eu tive isso... Eu acho que quando a gente estuda sobre desenvolvimento infantil, a gente também consegue entender o que é acolhimento, e o que é também parte da birra, o que é parte de fuga, escápios, enfim.

Então, apesar de eu acolher muito, eu também entendo que eu posso acolher somente até certo ponto. Se eu vejo que a criança tem utilizado aquilo para uma questão de fuga, ou porque ela realmente não quer fazer, enfim, porque quer ficar só brincando, aí eu sei o ponto de eu parar. Mas eu gosto de olhar para o que aconteceu, por isso que eu sempre falo para os pais, para me contar se aconteceu alguma coisa antes da minha sessão, porque isso vai refletir na minha sessão. Então...

Eu gosto dessa participação ativa com os pais, para eles realmente serem muito abertos. Falar, olha, Júlia, essa semana lá em casa a gente não está muito bem. Então, por isso que ele também não está bem, porque isso reflete na criança. E aí, é nesses momentos que a minha parte de ser acolhedora, ela vem à tona. Porque aí, tudo bem, eu entendo que talvez a criança, ela não esteja conseguindo dizer o que ela está sentindo, mas ela também não está bem, está mais estressada, não está conseguindo focar, que tem questões acontecendo no externo. Então...

É uma linha, eu entendo que é uma linha realmente muito tena entre a gente acolher sempre, mas acho que a gente precisa olhar para o que está acontecendo, olhar para a vida dessa criança e entender. Não, isso aqui realmente é uma birra, isso aqui realmente é um comportamento, ou tem algo externo que está vindo e que tem feito essa criança, nesse momento, agir dessa forma. Excelente. Porque, às vezes, realmente, a gente precisa saber de onde está vendo aquilo. Eu brinco com o meu marido, porque eu falo assim, eu tenho um superpoder.

que eu consigo olhar uma criança e entender se ela está fazendo birra ou se ela está de fato chateada. Isso é uma coisa que o maturapêuda desenvolve. E ele fica assim, não é possível. Eu falo assim, é possível, olha só, isso daí agora está sendo birra. Ou o contrário, eu falo assim, não, mas olha esse choro. Esse choro é um choro de muita tristeza, muito tristeza.

A gente vai desenvolvendo as nossas habilidades. E agora falando um pouco mais sobre o externo mesmo, porque a gente tem a internet hoje em dia, que a gente sabe que ajuda muito. Eu sou muito grata.

pela internet, por exemplo. Se não fosse a internet, eu não estaria aqui, eu não conheceria você, eu não conheceria as outras 400 fones que assinam o clube nesse momento. Então, não teria o meu trabalho. Mas, ao mesmo tempo que tem essas coisas boas todas, e a gente conhece muita gente legal, tem também uma outra parte, que a gente acaba compartilhando a nossa rotina, nosso dia a dia, a gente mostra um pouquinho para o outro, o outro mostra um pouquinho para a gente.

E às vezes acaba que a gente fica, sem querer, um pouquinho contaminada com aquilo que a gente está vendo, que a gente está observando. Então, você falou, né, eu não sou do jaleco, mas de repente você pode ver alguém na internet, uma fono que usa, que está com um jaleco maravilhoso, com botões dourados, não sei o quê. E aí você pode começar a pensar, mas será que eu não deveria estar usando esse jaleco também?

Ou às vezes você, como você falou, você prefere trabalhar com crianças e aí você vê uma forma que trabalha com adultos ou com adolescentes predominantemente, aí você começa, mas será que eu não devia estar trabalhando com adolescente ao invés de estar trabalhando com criança? Então...

Como que é para você, eu já vou falar também como é que é para mim, essa história do ver na internet, você acompanha, você sente que isso te influencia, porque eu imagino que influencia muitas pessoas que estão ouvindo a gente, porque a mim, por exemplo, já vou dar spoiler, influencia, não vou dizer que não influencia, a gente precisa filtrar muitas coisas. E como que você faz isso para preservar a sua essência?

continuar sendo você, mas ao mesmo tempo estar ali acompanhando, vendo. É, eu acho que a gente volta para a tecla do autoconhecimento, né? Eu acho que hoje realmente a internet não tem como dizer que não influencia. Então a gente precisa fazer um filtro do que faz sentido para a minha rotina, do que faz sentido para mim.

e do que não faz sentido. E eu digo que sim, muitas vezes eu começo a entrar numa ideia, eu falo, não, estou vendo isso, ela está fazendo dessa forma, será que eu não posso fazer dessa forma? E aí depois eu paro para pensar e eu vejo que não faz sentido comigo, não faz sentido com o meu atendimento, não faz sentido com aquilo que eu acredito. Mas como a gente vê constantemente...

uma situação na rede social, a gente acaba querendo fazer da mesma forma, para ver se dá certo, enfim. Então, acho que apostar no autoconhecimento é uma das melhores coisas que a gente pode fazer pela gente como ser humano. Não digo só como terapeuta, mas como ser humano também. Porque aí a gente consegue entender, não, esse é o meu limite, eu passo até aqui, mais do que isso já vai ser muito para mim, ou vai ser muito pesado para mim eu tentar dessa forma, porque não é o que eu acredito.

Então, o autoconhecimento, ele é libertador. Ele é libertador, assim. Agora eu quero saber profundamente, abrir o baú em alguma história, alguma coisa que...

Que você já achou que você queria, que era algo específico, se tiver. Alguma coisa assim que você olhou alguém fazendo na internet, aí você falou assim, nossa, é isso que eu quero pelo resto da minha vida, estou encantada, vou. E aí, sei lá, passou uma hora ou duas horas, ou no dia seguinte você falou, nossa, onde que eu estava com a minha cabeça? Já aconteceu alguma coisa assim? Eu quero saber detalhes.

Deixa eu pensar. Olha, eu confesso que eu não sou extremamente influenciada, não. No sentido que é isso que eu preciso fazer. Deixa eu pensar. Eu tô tentando pensar, mas não tem nada que eu realmente seja 100% influenciada. Que eu fui 100% influenciada. Você está um arraso, então. Vou contar a minha.

Vou contar a minha, então, o que aconteceu. Isso já tem um certo tempo, mas assim, foi quando eu comecei a perceber que, mesmo porque eu também achava que eu não era muito influenciada, e aí eu comecei a perceber que, naturalmente, eu estava sendo influenciada sem notar. Que é o seguinte, eu nunca tive o sonho de ter uma clínica. Nunca, assim, nunca passou por mim.

Nem durante a faculdade, nem depois. Eu simplesmente não combina comigo. Ou com o que eu gostaria. Pode ser, imagina só, daqui cinco anos. Leidiane com uma clínica. Passa esse trecho do podcast. Pode acontecer, né? Mas nesse momento que eu estou gravando esse podcast. Nunca foi meu sonho, nunca foi meu desejo. Mas você começa a acompanhar, né? Muitas pessoas abrindo salas. Salas maravilhosas. Você fala assim, meu Deus, eu quero ir lá ser atendida nessa sala.

E aí eu comecei a pesquisar salas para mim, para eu atender. Então eu já tinha essa parte, não foi uma parte influenciada por isso, mas eu sublocava um lugar. Mas aí eu comecei a querer ter a minha sala daquele jeito bonito que eu via na internet. E aí eu já comecei assim, não, mas eu vou ficar nessa sala aqui alguns meses e daqui a pouco eu vou abrir minha clínica. E aí eu procurei sala, cheguei a ver sala para comprar. Nossa!

para algo que nem era o meu sonho, porque eu achava assim, não, vou comprar essa sala, e depois eu expando, aí eu faço mais uma sala de atendimento, aí eu comecei a... Aí deu uns dois dias que eu estava nessa pira, e falei, gente, mas espera aí, eu quero fazer isso.

Eu quero ter uma clínica, ter um espaço físico. Não combina muito comigo, sabe? Com a minha personalidade, as coisas que eu gosto. Eu tenho me voltado mais para a questão do ensino. Pode ser mais uma vez, né? Que ano que vem já tenha mudado alguma coisa. Mas nesse momento e no momento que isso aconteceu, eu falei assim, gente, mas isso não tem nada a ver comigo. Aonde que eu estava com a cabeça?

Aí eu fui analisar, falei, ah, entendi. Eram as pessoas que eu estava vendo. E eu acho que tem um pouco disso também, que para a gente na fonoaudiologia, na área da saúde em geral, mas vamos falar sobre a fono. Eu acho que é muito uma questão assim, se você tem...

quer ter sucesso, ou você quer ter um símbolo de sucesso, então você tem que ter uma sala, você tem que ter uma clínica. Então, se você não tem, de repente, por exemplo, eu tenho ido por um outro caminho, que é ter uma empresa de recursos terapêuticos, e é por onde eu tenho seguido. E aí, só que, ah, não, mas espera aí, está faltando a sala, porque a sala é o símbolo máximo de tudo isso.

E quando eu percebi aonde que eu estava me enfiando, só porque eu estava vendo, eu falei assim, não. Era aí. O que eu quero com isso, gente? Eu não quero. Então, essa é a minha história. Agora você falando, Leide, eu consegui pensar assim. A gente fica vendo, né, o movimento de que as pessoas estão indo cada vez mais para as redes sociais. O futuro, a gente sabe que hoje é digital, enfim. Então, eu entrei numa época numa pira de que eu precisava, de algum jeito, fazer sucesso na internet.

E aí eu comecei a sentir que ficou muito pesado para mim, no sentido de que eu estava ali no meu atendimento, mas parecia que eu precisava gravar, eu precisava de alguma coisa para mostrar, sabe? E aí eu comecei a ver que estava mais me atrapalhando do que me ajudando, porque estava, na verdade, ficando pesado o meu trabalho. Porque eu pensava, o que eu posso fazer hoje para eu postar na internet, por exemplo?

que vai viralizar, que vai chamar atenção. Então, eu comecei a entrar bastante nessa ideia de que eu precisava fazer dar certo. E aí, quando eu parei para pensar, falei, não, cada um tem a sua história, tem gente que dá muito certo no digital. Se eu não for para dar ainda, vamos com calma, mas não nessa pressão, sabe?

Eu acho que tem muito essa pressão na internet. Coisas fáceis hoje viralizam. E, realmente, coisas fáceis viralizam. Mas, pensando também na minha essência, eu não queria que viralizasse uma coisa fácil, sabe? Queria que fosse uma coisa legal ao mesmo tempo. Então, começou a ficar pesado para mim. E, além de tudo, não é porque viralizou que é um conteúdo que vai auxiliar alguém. Porque, hoje em dia...

É, como você falou, é muito fácil viralizar. Se você fizer alguma coisa muito absurda, muito ridícula, ou der alguma opinião super polêmica, ou fizer um vídeo assim, que as pessoas olham e falam assim, gente, o que? Essa menina tá louca, né? Com esse vídeo. Aí vai compartilhar com um monte de gente, vai viralizar. A diferença é, a gente quer viralizar fazendo isso, ou a gente quer viralizar dando uma informação.

fazendo algo que de fato vai mudar a vida e a percepção das pessoas. E aqui, acho que é importante a gente fazer um adendo, que a gente não está falando que não é importante ter uma sala, ou se for o sonho da pessoa, ela abrir uma clínica, ou se a pessoa estiver num momento.

estar na internet, assim como você estar na internet também, apesar de não produzir todos os dias não postar todos os dias no feed etc, e eu também não posto todos os dias, mas a gente sabe que tem a sua importância para o nosso trabalho de alguma forma mas a gente não está dizendo isso não está dizendo para não fazer essas coisas mas de ter uma reflexão muito constante

Será que é isso que eu quero? Será que isso combina com o que eu acredito? Isso aí, exatamente. Como que é? Como que a sua personalidade... Você já falou um pouquinho, mas eu quero saber mais. Quero dicas, quero abrir o baú. Como que a sua personalidade aparece no seu atendimento? Então, você falou de ser acolhedora. O que mais? O que você faz nos seus atendimentos, no seu dia a dia de trabalho?

que você fala assim, nossa, isso aqui é a Júlia, isso aqui sou eu. Essa forma, de repente, de se organizar. O quê, assim? Eu sou uma pessoa que gosta de ser organizada. Quando não estou organizada, as coisas começam a fugir do meu rumo e eu...

E eu, como eu falei, eu gosto de sentir que eu estou, não sou extremamente controladora, mas eu gosto de me sentir no controle, gosto de me sentir com o pé no chão. Então, eu preciso disso para o meu dia a dia mesmo, de atendimento, sentir que as coisas estão caminhando para os objetivos terapêuticos, que a gente está com os objetivos terapêuticos alinhados. Eu gosto muito de conversar, e assim, conversar não só sobre papos sérios, eu gosto de me abrir para as pessoas. Eu nunca fui uma pessoa...

que esconde muitas coisas, não são as coisas muito pessoais. Então, eu acho que isso reflete muito nos meus atendimentos com os pais também. Eu gosto de ser, até estava conversando com uma amiga esses dias, porque eu não tenho meu Insta separado, meu Insta pessoal, e eu acabo postando algumas coisas pessoais, e isso reflete um pouco de mim.

Tá tudo bem, acho que eu me sinto próxima dos pais quando eles veem isso acontecendo, sabe? Quando eles comentam alguma coisa que não tem nada a ver com atendimento lá, mas eles gostam do que eu postei. Então, reflete assim também, nessa forma de eu ser um pouco mais aberta, de conversar mais, de ser mais expressiva.

para ver outras coisas que refletem no meu atendimento. Sou uma pessoa também que, para mim, o certo é pelo certo. Então, inclusive, passo alguns estresses por conta disso. O meu trabalho, principalmente com o público TEA, a gente tem muitas questões de inclusão. Então, eu sou uma pessoa que, se tem alguma coisa que eu estou vendo que a criança está sendo excluída, não está dentro da lei do que é esperado, enfim, eu sou uma pessoa que vou lá e brigo se for preciso.

Então, eu sou sempre afondo que estou nas escolas, conversando de uma forma amigável, mas sempre mostrando que é de direito daquela criança. Então, os pais sabem que podem contar comigo nesse aspecto também. Acolhedora, sim, mas barraqueira também, se for necessário, pelo bem do paciente. Pelo bem do paciente. Brincadeira.

Eu acho que isso é importante, né? Essa coisa do se importar, eu acho uma característica muito boa para a gente levar para o nosso trabalho. Claro que a gente não pode adoecer por conta disso, a gente não pode deixar que isso influencie na nossa vida a ponto de deixar a gente muito para baixo, muito desmotivada, porque a gente...

acaba conhecendo histórias muito difíceis. E a gente está em contato com essas histórias e a gente fica pensando, às vezes, paciente que a gente nem atende mais, aí eu fico assim, nossa, mas como será que está o fulano? Será que ele conseguiu tal coisa? E aí a gente fica... E se precisar, a gente vai e a gente fala. Mas eu acho que o se importar é muito importante na nossa profissão. E é uma característica que eu acho muito válida, é claro que...

tome cuidado, mas você falou que faz com muita tranquilidade, porque a gente pode também acabar fazendo... Com muita elegância. Porque a gente pode acabar fazendo alguns inimigos, talvez, a depender da forma como a gente fala. Mas tem pessoas que têm essa personalidade de ser mais, que eu imagino que não seja a sua, de ser mais incisiva, de falar mais dura. Não me parece a sua personalidade. Eu acho que é uma excelente característica para levar.

Teve uma vez que eu estava na aula, na faculdade ainda, e uma professora minha falou assim, ela começou, não sei, não lembro o que a gente estava discutindo, mas ela se emocionou, ela começou a chorar. Eu não sei se ela estava mostrando algum caso, agora eu não me lembro o contexto da história. Mas ela falou assim, se eu um dia perder a capacidade de me emocionar e de me importar, então eu não sou mais nada. Prefiro...

continuar assim. E eu achei isso tão bacana, né? Porque às vezes as pessoas se envergonham de se emocionar, de se emocionar, parece que é menos profissional você se emocionar.

Essa semana mesmo aconteceu uma situação que eu tava até compartilhando com as minhas amigas fones, que eu tava na sessão e a criança apresentou uma evolução linda, e eu me emocionei na sessão, assim, eu perdi tudo. Me emocionei muito, assim. E aí eu cheguei pra mãe, em vez de eu me esconder, e isso, olha, só contar, eu realmente falei pra ela, hoje eu me emocionei, hoje eu fiquei muito feliz de ver essa evolução.

e de ver que está dando certo aquilo que a gente está fazendo. Então, acho que isso reflete muito sobre mim. Eu poderia não ter falado que eu me emocionei, mas eu gosto de mostrar para os pais que eu tenho esse lado, sabe? Que eu estou envolvida nesse processo.

E aí você falou ali, Leide, de se realmente se cuidar, é algo que eu tenho cuidado esse ano. Ano passado eu trouxe muitas coisas para dentro de casa, no sentido de eu me preocupar muito, deitar a cabeça no travesseiro, chegar a sonhar com pacientes, tanto que eu pensava sobre aquilo. Então esse ano eu comecei o ano decidida.

a realmente sair do lado do espaço e chegar em casa e ok, só amanhã para eu pensar nisso novamente. Acho importante a gente falar também sobre isso, porque é algo, é a primeira, eu acho que é algo muito delicado da gente pensar, porque nós estamos lidando com vidas, com seres humanos, então é impossível, já vamos tirar aqui um pezinho, é impossível a gente não se importar quando a gente é humana, quando a gente...

A gente está fazendo o nosso trabalho, mas a gente sabe que a gente está lidando com vidas. E isso já tem um peso muito maior. Mas, ao mesmo tempo, essa coisa de compreender que nós fazemos parte de algo muito maior, que não depende só da gente.

Eu faço terapia também, que eu acho muito importante que terapeutas e muitas pessoas e pessoas que empreendem, enfim, façam terapia, porque eu acho que a gente precisa desse espaço. E aí, uma vez, trazendo uma situação muito parecida com essa.

A minha psicóloga falou assim, é, mas é como se fosse um pedaço de uma pizza. Cada pessoa, cada coisa dá uma fatia. Então, a gente tem a fatia da própria criança, a gente tem a fatia do diagnóstico, a gente pode ser a melhor fono do mundo. Se o diagnóstico dela não tiver um bom prognóstico, claro, a gente vai querer buscar evolução. Mas provavelmente a gente não vai chegar no 100% que a gente gostaria, mesmo que a gente trabalhe.

da melhor forma possível. Tem a fatia da escola, que também precisa se envolver. Tem a fatia da família, que é uma fatia bem grande, né? A gente pode até dizer que são duas fatias. E tem a fatia dos terapeutas, quando é só fono, a fatia da fono, dos outros.

Porque aí a gente começa a entender que nós fazemos parte disso, né? Nós não somos o todo. Porque quando a gente se envolve, muitas vezes a gente acha que nós vamos salvar e vamos fazer tudo. Claro, a gente vai fazer tudo que a gente puder e tiver ao nosso alcance.

A gente vai se importar, porque eu também me importo muito. Mas a gente precisa se importar mantendo um certo distanciamento, que é muito difícil, porque a gente acaba se envolvendo. Mas, ao mesmo tempo, se a gente se envolve demais a ponto daquilo abater a gente, a gente não vai conseguir nem ajudar e nem fazer muito bem o nosso trabalho, né? Exato, exato.

E para mim era algo que estava me fazendo mal, assim, porque eu, às vezes, acordava, tanto que eu sonhava com isso, eu acordava cansada. Eu pensei, meu Deus, já passei a noite inteira trabalhando. Então, foi algo que eu comecei o ano realmente decidida a mudar-se, a entender que eu vou até um certo ponto, depois de certo ponto já é sobre o outro, né? A gente faz o que está ao nosso alcance.

mas a gente chega num limite e a gente precisa continuar cuidando da gente. A gente não pode somente colocar o profissional como um todo na nossa vida. A gente tem outras demandas, a gente tem outras questões. Então é preciso saber o momento de, opa, estou ultrapassando esse limite. Sim, com certeza, porque apesar da gente se preocupar, da gente se importar, mas tem aquela frase que todo mundo gosta de falar, né? Se você está num avião e você precisa...

colocar a máscara de oxigênio, coloca primeiro a sua, para depois você conseguir ajudar o outro. Eu acho isso tão filosófico, gente.

Toda vez que eu estou no avião, que não foram muitas vezes que eu andei, mas todas as vezes que eu ouvi esse aviso, eu falei assim, gente, isso é muita filosofia dentro de um avião. Porque a vida funciona assim, para eu conseguir ajudar o outro, para eu conseguir oferecer um excelente atendimento, eu tenho que estar bem. E aí, às vezes, para a gente estar bem, a gente vai precisar reconhecer que nós somos uma parte daquilo que está acontecendo, a gente pode ajudar, claro.

e a gente vai buscar fazer o nosso melhor, mas a gente não pode se afetar tanto. E isso que você falou é muito importante. Terapia. Porque nós, terapeutas, pensa num povo que precisa de uma terapia. É verdade.

Como então, já que a gente entrou nesse assunto, vamos nos aprofundar. Como que a gente pode, ou como que você vê isso, ou como que você faz isso, como que a gente pode ser ética, firme, profissional?

ao mesmo tempo que não é uma pessoa muito fria, muito distante, porque às vezes a gente associa a palavra ética e firmeza com distanciamento. Aqui a gente não está falando, a gente falou um pouco de...

não se envolver a ponto de adoecer com os casos, mas a gente não está falando que a gente não pode, não deve se importar. Mas aí, como é que é isso? Ser ética, ser firme, ao mesmo tempo ter ali uma proximidade, não ser fria, como que você balanceia isso? Eu acho que é a mesma coisa ali do que a gente estava falando, de saber o momento em que a criança está usando o choro para alguma coisa, realmente o que aconteceu, ou se é uma birra.

Eu acho que é a mesma coisa, perceber realmente qual é o momento em que eu preciso realmente ser mais profissional, no sentido de que eu preciso falar um pouco mais sério para a família. Eu digo família porque é o ponto central, né? Do nosso, muitas vezes, de diálogo que a gente precisa ter para alcançar a criança. Então, a gente precisa falar um pouco mais sério para entenderem que aquilo tem que ser feito.

tem que ser realizado e tem que ser mudado, enfim. Mas eu acho que para eu não parecer fria e distante, eu acabo usando os espaços comuns ali do espaço onde eu trabalho para dialogar com os pais de coisas que não sejam sobre a terapia das crianças, sabe? Então, às vezes eu vou buscar um café e falo sobre uma coisa que não tem nada a ver com atendimento, não tem nada a ver com a criança, enfim, mas que eles estão por ali. Às vezes são pais que passam...

tarde ali, então eu acabo entrando em umas questões, e eles também acabam me falando em algumas questões que são mais pessoais mesmo, e que me fazem ficar mais próxima das famílias, é claro que cada profissional tem o seu jeito, cada pessoa tem o seu jeito, e tem pessoas que realmente não preferem comentar sobre isso, enfim, mas pra mim, o que funciona pra eu sentir que, ok, não estou sendo fria e distante, mas ao mesmo tempo, quando eu preciso, estou sendo profissional.

é usar esses espaços comuns para isso, sabe? E aí no momento que eu estou na sala, realmente é o momento que os pais entendem, que é o momento de eu usar todo o meu conhecimento, usar a ciência, usar tudo que eu sei, para a gente realmente conversar sobre aquilo. Dá devoluções, enfim. Traz uma proximidade mesmo, né? E achei muito bom você falar também que...

Depende do profissional, vai ter pessoas, vão ter pessoas, vão ter fônus que vão preferir não fazer dessa forma. E está tudo bem, o que a gente está trazendo muito aqui é se conhecer, se entender a forma como você prefere fazer as coisas, preservando algumas coisas que são desejáveis e que a gente precisa fazer na nossa profissão, porque não adianta só a gente falar, vai preservar a essência.

Sendo que às vezes a essência é a pessoa falar muito palavrão o dia inteiro.

Algo que totalmente não cabe para o ambiente de trabalho. Exatamente. Então, acho que a gente pode falar aqui sobre algumas habilidades que a gente considera importantes de uma fonte, em geral, assim, que não tenham a ver com essência. Por exemplo, isso que você falou de conversar sobre a vida pessoal faz parte de você. Dá para ter uma boa fonte e não fazer isso. Mas tem coisas que...

basicamente, agora a gente vai digitar algumas regras, as regras do nosso manual, mas fiquem tranquilos, todo mundo que estiver ouvindo que a gente não vai ir na casa de ninguém perseguir, só para reflexão, mas algumas coisas que a gente acredita que sejam desejáveis.

para um bom profissional. Por exemplo, eu vou começar com um, que é habilidade de comunicação. Mesmo que a pessoa... A pessoa pode ter uma característica mais introspectiva, mais introvertida, ou o contrário, pode ter uma característica mais extrovertida, ou mais brincalhona, ou mais séria, ou mais...

Independentemente da personalidade, dentro dessa personalidade, dentro daquilo que essa pessoa gosta, eu acredito muito que uma boa comunicação ajuda e é uma habilidade muito importante para todas as fônus. Porque a gente vai precisar...

Falar com essa família, engajar essa família, explicar, falar com escola, com médicos, com os outros profissionais, com a própria criança. Então a gente está ali se comunicando o tempo todo. E essa, para mim, é uma habilidade muito chave. O que você acha, e você acha outras, o que você diria de outras habilidades ou coisas que a pessoa possa fazer? Para mim, uma habilidade essencial é ser organizada.

Porque eu acho que as crianças, o processo terapêutico das crianças depende de uma boa organização nossa. Então, ter planos terapêuticos organizados, ter recursos prontos já para a gente utilizar, ter uma sessão. Eu não sou aquela pessoa que planeja todas as sessões, mas eu tenho planejado por um tempo.

o que eu preciso trabalhar de objetivo, e aí com isso eu vou pensando naquela semana, mais ou menos, o que eu vou usar com cada paciente. Então, se é uma pessoa organizada, vai facilitar a tua vida, e vai também dar mais clareza para os pais do teu processo como profissional, o que você está fazendo com aquela criança. Outra habilidade para mim que é essencial é a habilidade de ser sincera. Eu acho que...

Eu tenho visto um movimento muito grande dos profissionais, criando falsas ilusões nos pais. E eu acho que é uma das piores coisas que a gente pode fazer. Eu sei que por nós, todas gostaríamos de ter uma varinha de condão que fizesse plim e a criança começasse a falar. Mas não é bem por aí. E eu tenho visto muitos profissionais, assim. Não estou dizendo que tem profissionais aqui.

Mas muitas pessoas que acabam não sendo sinceras e acabam causando falsas ilusões nos pais, de que, por exemplo, a gente vai fazer tantas vezes por semana e essa criança vai começar a falar. A gente vai fazer dessa forma e essa criança vai falar. E assim a gente não pode dar essa certeza.

Então é algo pra mim que é essencial. Você ser sincero, você mostrar todas as possibilidades, você mostrar tudo que você sabe que vai ajudar essa criança pra esse processo, mas ser sincero em relação ao prognóstico mesmo dela, que a gente, apesar de fazer tudo isso, talvez ocorra a possibilidade de não acontecer, né? Você falou isso e eu fiquei me lembrando da primeira vez que um pai chegou pra mim e falou assim, ah, mas Fono, você acha que meu filho vai falar? Não.

Eu não estava nada preparada para essa pergunta na época, assim, eu tinha me formado há pouco tempo. Só pensei assim, o que eu falo para eu ser sincera, mas ao mesmo tempo eu não tirar as esperanças?

E a gente, na verdade, foi isso que você falou, a gente não pode dizer nem que sim, nem que não. Isso. A gente precisa falar a realidade. Então, no caso desse paciente específico, era um paciente que estava desenvolvendo bem as habilidades preditoras. Aham. Então, eu parti por esse caminho, assim. Falei, olha, a gente está trabalhando as habilidades preditoras para fala, a gente está trabalhando isso, aquilo, ele está respondendo bem, isso para a gente é um bom sinal.

Mas, por outro lado, eu não posso dizer se isso vai acontecer, se isso não vai acontecer. Na verdade, ninguém pode te dizer, eu sei. E aí a gente mostra a nossa empatia, o nosso acolhimento. Eu sei que isso não é algo desejável de ouvir. A gente sempre quer as melhores respostas. E nós vamos trabalhar juntos para que isso aconteça.

Agora, dizer que vai acontecer, a gente não pode dizer. E aí foi muito interessante, porque eu falei assim, gente, imagina só se, de repente, no susto. Porque, assim, quando a gente tem alguns achismos dentro da nossa cabeça.

Enquanto profissionais, a gente olha uma criança e a gente fala assim, ah não, esse aí vai falar daqui a pouco. Na nossa cabeça, no nosso fascismo, a gente tem isso. É natural, faz parte. A gente está ali, a gente está o tempo inteiro na vida fazendo julgamentos. Imagina o nosso trabalho, né, que a gente precisa estar atenta. Então a gente, nossa, essa criança já atingiu várias habilidades preditoras aqui, ela já está conseguindo, não sei o que, ela já está vocalizando as coisas e tal.

Então você, opa, peraí, eu acho que essa criança vai falar em breve agora. Quando a gente diz isso para uma família, é meio como se a gente estivesse fazendo uma promessa. E é uma promessa que a gente não pode cumprir, porque aquilo que a gente falou, a gente faz parte desse processo, mas a gente não é o processo todo. Eu acho que realmente a sinceridade é um fator importantíssimo. Agora eu quero falar de uma coisa mais visual, assim. Porque...

A gente começou o episódio trazendo um pouco isso da roupa, do estar bonita, do salto alto. E ao mesmo tempo que eu vejo pessoas trazendo muito que é muito importante, extremamente importante, estar bem apresentável. Eu sou uma dessas pessoas que eu acho importante a gente estar ali de uma forma... Não vou...

me aprofundar nesse momento para não interferir na sua resposta, mas ao mesmo tempo a gente tem pessoas falando assim, nossa, mas eu já sou uma boa profissional, então eu não preciso disso, e é mais uma coisa, é mais um trabalho, porque realmente é trabalhoso se arrumar de alguma forma. Como que você lida com isso? O que é que você faz? Você falou que usa uniforme, né? Eu acho que isso já ajuda muito também.

Como que você lida com essa coisa do visual mesmo, ou de repente da sala, da organização da sala, porque tem essa parte visual do trabalho, né? Exato. O uniforme facilita muito a minha vida. Então, é um macacão, ele já é todo arrumado.

Todo arrumado, não. Ele é bonito visualmente. Então, facilita muito. A gente coloca uma camiseta por baixo e vai. Então, uma coisa que eu cuido muito é eu não gosto de me maquiar todos os dias. Então, eu comecei a usar um protetor solar com cor, que aí facilita a minha rotina, porque eu tô passando protetor e ao mesmo tempo ter alguma cor ali. E tento sempre passar um gel na minha sobrancelha, que eu sei que é algo que destaque e me...

tira aquela cara de cansada. E um rímel também. Mas a gente sabe que não é sempre que a gente consegue isso, também está tudo bem. Eu acho que se você estiver parecendo limpa...

e estiver bem o cabelo arrumado, enfim, digo um cabelo lavado, são pontos essenciais, assim. E na parte das salas, eu tenho sempre um combinado com as minhas crianças, que elas precisam me ajudar a guardar tudo o que elas fizeram de bagunça. Então, isso me ajuda a manter a sala organizada, porque a gente sabe que o tempo entre um atendimento e outro é curto. Então, às vezes, a gente precisa ir no banheiro, ou fica conversando um pouco mais com os pais, e não dá tempo de arrumar a sala. Então, o que eu priorizo é separar um...

uns cinco minutos do final da sessão, justamente para a gente também trabalhar essas habilidades das crianças terem que finalizar e guardar, enfim, e também para já deixar a minha sala organizada. Então, para mim, são pontos essenciais, assim, de que não representam, nossa, está uma desorganização essa profissional. Acho que você falou uma palavra muito importante. Acho que é importante que a gente comunique organização. Não significa que a gente tem que ir super maquiada, atender, né, passar, ficar lá meia hora. Eu, particularmente, nem sei fazer isso.

A meia hora me maquiando, eu fico vendo as pessoas que gastam uma hora, assim, eu acho incrível, maravilhoso, mas eu fico assim, gente, como que a pessoa, o que ela sabe, pra ela gastar tanto tempo, assim, que eu, dez minutos, quando eu gasto, já é muito, normalmente são cinco. Eu também.

Então, eu acho que isso que você falou é muito importante de mostrar que você está organizada fisicamente. Então, não é o tipo da roupa que a gente está usando. E aí, claro, é um adendo. A gente precisa ter noção, respeito pelo espaço que a gente está.

de repente eu não vou trabalhar, de repente não, né? Eu não devo ir trabalhar de shortinho ou de tomara que caia, que a gente sabe que a criança vai puxar e a gente pode ficar exposta naquele momento, porque tomara que caia para trabalhar com crianças. É algo que, assim, quase, eu diria impossível. Também. Mas de estar com aparência que transmite que você se importa.

que transmite que você não acordou e foi de qualquer jeito. Então, essa estratégia que você falou da base do protetor solar com cor é uma estratégia que eu uso, por exemplo. Eu também não gostava de usar protetor e eu tinha preguiça de me maquiar de manhã.

E aí eu uni uma coisa com a outra. Então eu passo um protetor solar com cor. Aí com isso eu falo assim. Ah, eu preciso de um pozinho, né? Pra selar. Aí eu passo um pozinho. Aí eu passo um blush. E eu passo um hidratante labial que tem cor. Passo um negocinho na sobrancelha pra ficar ok. E pronto. Esse aqui eu tô pronta pro dia. Não é nada assim. Sei lá, acho que eu demoro nem cinco minutos pra fazer isso.

E aquelas coisas básicas, tá com cabelo limpo, uma coisa muito básica, que infelizmente a gente sabe, tem um componente de cansaço, quando atende o tempo inteiro, mas assim, tá com cabelo limpo, higienizado, com as unhas, não precisa estar sempre pintado, às vezes eu fico com preguiça, não pinto unha também, apesar de eu gostar.

Quando eu não pinto as unhas, parece que eu nem fico inteligente. Parece que eu não consigo estudar direito, não consigo trabalhar direito. A falta das unhas pintadas faz isso, mas quando não está pintada, a gente dá um jeito, deixa bonitinha, não deixa também aquela unha...

Toda uma quebrada, outra grande. Então, mostrar que a gente se importa. Eu acho que a gente faz isso através da nossa aparência. Eu me arrumei para encontrar você. Eu me importo tanto se eu me arrumei. E aí, a roupa...

O que a pessoa gosta, se a pessoa gosta de preto, de roupas claras, de roupas coloridas, aí vai dar essência da pessoa. Sim, você gosta do cabelo solto, você gosta do cabelo preso, vai de cada um, né? Mas acho que mostrar isso, e uma coisa que funciona, porque eu, por exemplo, tenho o cabelo cacheado e eu tenho muito cabelo. Então, no inverno, fica mais difícil pra eu lavar o cabelo à noite. Eu não gosto de secar com secador, meu cabelo vira uma coisa.

Então, uma coisa que funciona muito pra mim nos dias que meu cabelo está sujo é fazer aqueles penteados mais clean girl que falam. Isso pra mim é coringa, porque aí eu tô parecendo arrumada, mas eu sei que meu cabelo tá sujo, mas não aparenta estar dessa forma. Acho que isso é um ponto importante. Que você se preocupou, né? Que você se arrumou pra estar ali.

A gente já falou sobre sala, a gente já falou sobre aparência, a gente já falou sobre como estar, como lidar com os pacientes, como lidar com as famílias, fazendo tudo isso que a gente está conversando de preservar a essência, quem você é. Agora, acho que a gente pode falar um pouquinho dos materiais de atendimento.

Porque uma vez eu ouvi uma fala, uma pessoa estava conversando comigo sobre o clube, e ela me falou assim, eu não vou assinar o clube porque eu gosto de fazer todos os materiais dos meus pacientes, porque senão eu acho que eu fico muito limitada. É assim, spoiler, depois de um tempo essa pessoa acabou assinando o clube. Mas eu queria saber de você, como que você vê essa coisa de você ter materiais prontos, se você acha que isso limita muito ou...

vai por algum outro lado. Como que você vê essa questão? Eu acho que eu já falei muitas vezes para a Leide que o clube salva a minha vida.

porque os brinquedos que a gente tem na sala de terapia, as crianças exigiam muito rápido. A gente sabe que hoje em dia as crianças querem as coisas muito rápidas também. É tudo muito novo, as coisas são sempre novas. Então, eu acho que você investir sempre em brinquedos acaba não sendo compensatório mesmo para o nosso bolso.

E aí os recursos, nossa, eles facilitam muito a minha vida. Porque às vezes eu preciso pra uma coisa só pontual pra aquele atendimento. E eu tenho ele pronto, sabe? Olha, todas as vezes que eu quis alguma atividade, algum recurso, eu entrei no clube, eu achei de primeira.

que era o que eu precisava. Eu gosto também dos recursos do clube, porque eles me ajudam. Até, às vezes, não é para aquilo, aquela atividade, mas eu consigo utilizar para outras coisas, sabe? Então, não fica engessado. Não é aquele de uso engessado, que é só para uma finalidade. Enfim, eu consigo adaptar para outras situações também. Então...

Hoje, para mim, ter recursos prontos facilita realmente a minha rotina como fono. Porque eu penso, eu preciso agora entrar nesse objetivo terapêutico com essa criança. O que eu faço para trabalhar isso? E algumas vezes a gente precisa realmente de coisas prontas. Um brinquedo não vai trabalhar isso.

Então, esses recursos prontos facilitam muito a nossa vida. Eu gosto sempre de deixar eles prontos, que eu sei que em algum momento eu vou precisar para algum prazer. Eu acho que deve sobrar também mais tempo para você focar nas outras coisas. E uma outra coisa também que a gente não trouxe aqui é que quando a gente fala sobre essência, sobre ser quem você é, sobre ter esse autocuidado também que a gente...

A gente falou de uma forma indireta. A gente precisa também estar de alguma forma descansada. A gente precisa estar de alguma forma mais tranquila. Porque se a gente está sempre correndo. Vivendo com ansiedade. Cheio de coisas e demandas. E eu tenho que fazer isso. Eu tenho que fazer relatório. Eu tenho que não sei o que.

E ainda por cima tenho que criar muitos materiais personalizados. Não que a gente não possa nunca fazer. Às vezes a gente vai precisar fazer uma coisa ou outra mais pontual. Mas nem é sempre. E aí a gente, quando não tem esse tempo para fazer isso, a gente começa a ficar com uma energia.

uma coisa pesada, um cansaço, e aí nem tem essência, porque você, não sei você, mas eu, quando estou exausta, eu não quero nem saber de quem eu sou, meu nome, o que eu gosto, eu não quero saber de nada disso, eu quero saber de deitar e dormir, descansar, ou eu quero saber de acabar o que eu estou fazendo o mais rápido possível, ainda bem que essa hoje não é mais a minha realidade, mas já foi um dia de estar, assim, numa exaustão muito grande, e não poder nem...

Pensar de fato o que eu queria, quem que era eu, o que eu gosto, o que eu não gosto. É, esse ano passado eu passei muito por isso, assim. Eu tinha agenda muito cheia e eu acabei no final do ano muito estressada mesmo pelo fato de que eu precisava às vezes marcar alguma coisa e eu nunca tinha horário para marcar.

Porque as coisas acontecem no horário comercial. E a gente trabalha no horário comercial também. Então, eu ficava muito irritada. Porque eu nunca tinha horário. E aí, os poucos horários que eu tinha, às vezes, eu preenchia com muitas coisas. E aí, não me sobrava horário para mim. Para cuidar de mim. Às vezes, para ficar deitada, lendo um livro. Se eu quiser, no começo da tarde, ler um livro e depois ir atender. Sabe? Eu sentia falta disso.

De ter esses pequenos momentos. Porque à noite, a gente chega em casa. Tem janta para fazer. Tem casa para arrumar.

Então acaba que a gente tem poucos respiros durante o nosso dia a dia. Então eu comecei esse ano determinada também. Acredito que a vida faz tudo da maneira como é para acontecer, porque esse ano alguns pacientes meus saíram e eu sinto falta deles.

Mas isso me ajudou a entender que era a hora de eu diminuir a minha agenda. Então eu diminui minha agenda, também passei por algumas situações de saúde no ano passado, que me fizeram precisar começar a fazer fisioterapia, enfim. E eu também, foi uma coisa que me estressou muito no ano passado, porque eu não tinha nem tempo para fazer fisioterapia. Tive que encaixar entre uma coisa e outra da clínica, então eu ia lá correndo para fazer fisioterapia e voltava a atender. E aí eu ficava muito dolorida por conta da física.

E era muito difícil continuar atendendo aqueles horários finais, enfim. Então, foi algo que eu resolvi alinhar para mim, para a minha vida esse ano, para realmente viver a vida de uma maneira boa, assim. Não sentir que eu estou só realmente me entregando para o trabalho. E organizar hoje a minha agenda foi fundamental para a minha vida. Tem um podcast que eu ouço e que a moça do podcast, que é o Gostosos Também Choram, ela fala assim...

Viver deliciosamente. Então, você está se organizando para viver deliciosamente. Porque é isso, viver não é só trabalhar. E eu acho que isso tem muito a ver com a essência. Porque para eu preservar a minha essência, eu preciso ter alguma. E para eu ter alguma, eu preciso fazer coisas que não sejam só relacionadas a trabalho. Porque se eu estou só no trabalho, a minha identidade inteira é construída.

no trabalho, no atendimento, e falando de um lugar, de uma pessoa que gosta muito do trabalho e que tem que tomar muito cuidado para não construir tudo em cima do trabalho, porque é um perigo também quando a gente gosta do que a gente faz.

que é muito bom por um lado, mas também é perigoso porque a gente acha que, porque a gente gosta a gente nunca precisa parar a gente tem que estar sempre fazendo aquilo mas se a gente está o tempo inteiro fazendo isso, a gente não está cultivando outras coisas descobrindo, e eu hoje em dia eu percebo que viver fora do trabalho é uma das coisas que mais me ajudam a fazer o meu trabalho. Eu também, eu também essa mudança que eu fiz esse ano

Já estou, né, faz dois meses que o ano começou, mas eu já estou sentindo o ano mais leve, assim. Porque ano passado, eu lembro que nessa época eu já estava me sentindo cansada, porque eu já vim de um ano cansado em 2024, aí eu comecei na mesma intensidade em 2025, então eu estava cansada. Então esse ano eu já comecei um ano diferente e comecei resgatando, eu mesma, assim.

Então, ah, no meio da tarde, estou com o aralí, vou lá tomar um café. Vou sozinha, ou vou com alguém, vou com uma amiga. Consegui encaixar essas pequenas coisas que, muitas vezes, se você sai ali tarde da clínica, você não consegue encaixar isso. E a gente sabe que o nosso trabalho vai muito além de só atender, né? Então, eu também trazia muito trabalho para casa. Então, foi uma coisa que, para mim, foi essencial também, arrumar esse tempo durante o dia para fazer as coisas de trabalho quando chega a noite realmente.

esquecer. A não ser um curso que outro que eu acabo fazendo à noite, mas questões de trabalho, relatórios, enfim, ficam durante o dia mesmo. Para mim foi essencial, assim, para realmente ficar bem, deixar o meu relacionamento bem, estar bem com a minha família e estar bem comigo mesmo, principalmente. Já que você está nesse processo, a última pergunta agora, o que você diria então, para a Fono que está ouvindo a gente?

de repente tá percebendo que ela tá começando assim, nossa, mas eu já não tenho mais me interessado pelas coisas, porque quando a gente tá num cansaço muito grande, a gente vai perdendo o interesse.

Ah, eu tenho ficado muito cansada. Ou a minha vida pessoal está prejudicada. Parece que eu estou me perdendo em mim mesma. E aí? O que a gente, de repente, o que essa pessoa pode fazer? Primeiro de tudo, definir o que é prioridade na tua vida. Ah, minha prioridade hoje é meu trabalho. Então, o que eu posso fazer para também me dedicar ao meu trabalho, mas me sentir menos cansada fazendo ele? Ah, mas a minha prioridade é cuidar de mim.

Tá, então será que o teu trabalho não está sobressaindo nisso? E aí você está perdendo isso?

Então, acho que definia o que é a sua prioridade no momento, porque a prioridade pode mudar. Hoje, minha prioridade está sendo cuidar de mim, mas pode ser que daqui a pouco eu queira ganhar um pouco mais, então eu vou ter que aumentar a minha agenda um pouco mais. E aí, tudo bem. Então, a gente entra talvez num ritmo mais acelerado de novo, mas mesmo assim, se conscientizando, que é um período de que eu tenho outros momentos para isso, enfim.

E o que a gente falou várias vezes aqui, investir em autoconhecimento. Autoconhecimento muda.

A tua perspectiva de vida, da forma como você lida a vida, da forma como você lida com as situações, como você lida com a tua rotina. Tudo isso é no autoconhecimento que a gente descobre realmente qual que é a nossa prioridade, o que a gente quer, não só pra agora, mas pro futuro. Então a gente tem uma vida aí pra ser vivida, e eu penso muito nisso. Eu não quero chegar lá quase me aposentando e me arrepender de não ter aproveitado hoje. Então, é isso. Ai, gente, super inspiradora. Amém.

Pra encerrar, será que tem alguma frase, alguma coisa assim que você acha que representa você, que representa o seu trabalho, a sua essência dentro da Fono? Eu vi essa frase esses dias e me marcou muito, que é eu quero ser alguém para alguém. Então eu quero ser muito além de somente uma terapeuta que passa na vida de uma criança. Eu realmente quero marcar a vida dessa criança, dessa família. Então eu farei de tudo pra ser alguém pra essas pessoas. Nem vou falar mais nada, vamos encerrar aqui, porque...

Eu amei essa frase, vou inclusive pegar emprestado de ver quando. Eu peguei na internet emprestado, pode ver. E já fala uma coisa, aonde é que as pessoas podem encontrar você, se elas quiserem acompanhar você no Instagram, ver você fazendo sua fisioterapia, acho que você não faz mais, né? Eu faço.

Faço, mas eu não compartilhei isso. Quero compartilhar. Ver você compartilhando as coisas que você gosta de compartilhar, ver um pouco dos seus atendimentos, enfim, falar com você. O meu Instagram é fono.juliabatostela, vocês podem me seguir lá, que eu posto um pouco da minha rotina. Agora eu estou tentando deixar o feed mais organizado para a parte do Fono e nos stories um pouco mais de bagunça em relação à rotina, enfim.

Muito bom, então vai lá, minha gente, seguir. O meu Instagram é o arroba Lady Rocha Fono, se vocês quiserem tem todas as informações sobre o clube lá, ou vai conversar com a gente também, né? Se quiser falar alguma coisa sobre esse episódio, algum trecho específico, conversar, bater papo, a gente vai adorar.

Muito obrigada pela sua participação. Foi delicioso. Foi maravilhoso ter você aqui. Acho que foi um episódio de muita leveza mesmo. A gente trouxe muitos assuntos que, para mim, são muito importantes. São assuntos que normalmente não são tão falados, porque a gente se importa mais com aquilo que é técnico. E o objetivo desse podcast é...

trazer menos técnica e falar mais sobre assuntos que não são tão falados assim. E acho que foi, acho não, tenho certeza que foi delicioso te ouvir, ouvir você falar, aprender com você. Até o próximo, que vai ser próximo. Muito obrigada. E até o próximo Chá com Fono.

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Como ser uma boa fono e preservar a sua essência? | part. fono Júlia Batistella | Castnews Index — Castnews Index