Julieta Rueff: “A minha missão de vida é que mais ninguém passe pelo medo que sentia”
No novo episódio do Geração 2000, Manel Rosa conversa com Julieta Rueff, uma jovem que trocou um percurso académico convencional por um projeto com impacto real. Nascida a 4 de maio de 2001, em Portugal, Julieta viveu no país até aos 10 anos, altura em que se mudou para a Catalunha com a família. Em Barcelona, esteve perto de concluir uma licenciatura em negócios internacionais e marketing, mas decidiu interromper o curso para seguir um propósito maior: ajudar, sobretudo mulheres, a sentirem-se mais seguras no espaço público. É assim que nasce a FlamAid, uma startup que desenvolve soluções anti-assédio, incluindo granadas pacíficas de defesa pessoal, e que já conta com mais de 15 mil utilizadores em todo o mundo. O impacto do projeto levou Julieta a integrar a lista Forbes 30 Under 30, nas edições espanhola e europeia, na área de impacto social. Ouça a conversa com Manel Rosa sobre coragem, decisão e o peso de escolher um caminho diferente, no Geração 2000 desta semana.
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- FlamAid: Produto e ImpactoMecanismo da granada pacífica · Alarme sonoro e geolocalização · Vendas e parcerias · Rainha de Espanha · Willia Tupuria
- Julieta Rueff e a FlamAidStartup anti-assédio · Granadas pacíficas de defesa pessoal · Forbes 30 Under 30 · Julieta Rueff
- Infância de GisèleMudança para a Catalunha · Educação musical · Aprendizagem de línguas · Superação do medo · Influência dos avós
- Mentalidade EmpreendedoraAdaptabilidade e resiliência · Propósito de vida · Diferenças culturais entre Portugal e Espanha · Risco e inovação · Crítica à consultoria
- Geração 2000 e o FuturoEquilíbrio entre vida pessoal e profissional · Consciência social da Geração Z · Crítica ao modelo de consultoria · Necessidade de contacto humano
- Desenvolvimento da FlamAidPrototipagem com impressão 3D · Busca por investidores · Financiamento público e privado · Colaboração com engenheiros
- Injúrias e violênciasReações a casos de violência · Responsabilização das vítimas · Generalização de comportamentos masculinos · Impacto social das declarações
Olá, meu nome é Manuel Rosa e a minha geração inaugurou o século XXI. Nascemos com Nokias 3310 e crescemos com iPhones. Somos a primeira geração da internet e do computador magalhães. Perguntámos cedo aos nossos pais o que era a troika e a nossa televisão sempre foi o YouTube. Eu sou o Manuel Rosa e este é o Geração 2000, um podcast com os jovens que querem mudar o mundo à semelhança do seu tempo. Rapidamente.
2000. Ainda te lembras? Quando ainda pagavas ao megabyte para aceder à net? Hoje, são outros tempos. Na Digi, podes aderir a um serviço com dados móveis ilimitados desde 6 euros por mês. Sem truques, nem amarras. Adere já em digi.pt ou através do 923 309030. Digi. Liberdade de escolha.
A 4 de maio de 2001, nascia Julieta Ruefe, em Portugal, país onde viveu até aos 10 anos. Com essa idade, a sua casa passou a ser a Catalunha, para onde os pais se mudaram por questões profissionais. E foi mesmo em Barcelona que se formou em negócios, formou aliás, quase se formou, em negócios internacionais e marketing. Sim, quase porque decidiu abandonar a faculdade por motivos de força maior. Ajudar pessoas, particularmente mulheres, a não sentirem medo de andar na rua.
A sua Flamade, empresa que produz granadas pacíficas anti-assédio e não só, mas vamos ter tempo para perceber melhor tudo isto mais à frente na conversa, conta já com mais de 15 mil utilizadores pelo mundo fora. A sua startup foi um fenómeno tão grande que lhe garantiu lugar nas listas de jovens mais influentes com menos de 30 anos da Forbes, a Forbes 30 Under 30, tanto espanhola como europeia, na categoria de impacto social. Hoje é a minha convidada do Geração 2000. Bem-vinda, Julieta. Obrigada, Manuela. É um prazer estar aqui contigo.
Eu queria ter dito, bem-vindos a la generación 2000, mas como estava com medo de não acertar no sotaque. Foi muito bom, muitos parabéns, Paulo e Glota total. Tu falas mais catalão ou castelhano? Imagina, eu estou em Catalunha, em Barcelona, portanto falo sobretudo catalão no meu dia-a-dia, mas é verdade que nós também temos pontos de venda em Madrid, portanto depois muda ao espanhol. Vais mudando do chip. Exato, e vou de um lado para o outro, faço Barcelona em Madrid cada semana e depois uma vez ao mês faço Portugal também.
Ok, mas sempre que estás em Barcelona falas que é o talão Certo, eu tento adaptar-me à cultura local E quando vais ao País Basco ou à Galícia? Ah, não, eu já não sei Já aprendeste alguma coisa? Não, imagina, Galícia é muito fixe Porque é como se fosse a língua filha do espanhol e do português Portanto, se tu fosses lá, tu também conseguias falar galego Ok, é o portunhol, é o portunhol oficial Amamos o portunhol, é Muito bem Tu trouxeste-nos aqui, não um vídeo, mas uma fotografia Queres-nos descrever a fotografia que trouxeste?
Sim, eu acho que é uma fotografia onde eu apareço com o meu avô Imagina, quando eu era mais nova Os meus pais trabalhavam imenso Ou seja, são os dois bastante adidos ao trabalho E eu acho que talvez tenha herdado também essa parte Mas é verdade que eu passava imensas temporadas com os meus avós Ou seja, os meus avós iam buscar-me à escola E depois os meus pais, já mais à noitinha, iam buscar a casa dos meus avós Portanto, memórias bonitas que eu tenho da minha infância Os meus avós vivem em Cascais É impressionante
e é das minhas avórias irem buscar-me à escola, levar-me ao conservatório de música e durante esse período eu e o meu avô fazíamos algumas fotos e são memórias bonitas Este é o teu avô que grava as tuas entrevistas com o telefone Ah, exatamente, tudo isto tudo O meu avô é adorável porque ele grava todas as entrevistas da televisão com o telemóvel e eu gosto de gravar a ele Entretanto, o meu avô veio comigo, cada vez que eu gravo cá eu tento trazer o meu avô Às entrevistas, ele gosta de ver às relações E aí
Eu acho que ele fica orgulhoso e eu divirto-me muito com ele. Nós temos conversas muito interessantes. O que é que conversaram hoje? Se não é indescrição, a vi para aqui. Ah não, achas? Olha, hoje estávamos a falar do tema Irão, Estados Unidos. Uma voa mesmo muito interessante. E nada, estávamos a discutir quem que era pior, se era o Trump ou o Putin. Não vou falar disso publicamente. Mas essa foi a discussão, cada um de nós tem a sua opinião.
Boa. Tu estavas a dizer que passaste muito tempo em casa dos teus avós em Cascais. Tu nasces em Lisboa, cresceste em Lisboa os teus primeiros 10 anos.
Eu nasci em Lisboa. Interessante, também pelo trabalho dos meus pais, vivemos na Suíça, uns dois anos. A sério? Sim. Entre que tinhas? Dos dois aos quatro. Ok, não lembras-te alguma coisa? Foi a minha primeira língua, o alemão. A sério? Já, mas depois voltámos para Cascais. Estive cá na escola até o quarto ano e finalmente mudámos para Barcelona, por trabalho também.
portanto, já, o início foi assim um bocadinho camaleónico Então tu falas quantas línguas? Eu falo fluido, falo português, espanhol catalão, inglês depois falo um bocadinho de alemão e também falo um bocado de chinês, básico Chinês? Eu fiz chinês na universidade A sério? A sério? Antes de sair E é lá que são fabricadas as granadas Certo. Primeira parte, pelo menos Portanto, dá-me um jeitão poder dizer Ni hao ma o ai ni e fazer algumas perguntinhas em chinês cai sempre bem Obrigado
E sabes os caracteres e tudo? Consegues escrever? Consigo escrever básico, sim. Muito estilo. Ah, não, mais ou menos. E de Portugal, que memórias é que tu tens desses 4 aos 10? Já que aos 2 não tens grande memória, 2 aos 4, Suíça. Portanto, dos 4 aos 10.
Olha, eu andava numa escola perto da parede. Posso dizer o nome da escola? Talvez. Eu andava no colégio de uma freira. Epá, eu só tenho memórias bonitas. Eu acho que foi uma fase mesmo boa. Se eu tivesse filhos, que eu por acaso ainda não tenho a certeza se vou para isso ou se vou só parir mais projetos.
Eu acho que eu vinha mesmo para Portugal, área Lisboa, criar dos meus filhos. Porque a sensação de segurança sempre foi máxima. Sempre estava tudo perto. Os nossos amigos estavam num canto. Eu fiz também formação musical no Conservatório de Música. Sim, piano e voz. E portanto também era bonito porque a pessoa saía da escola. Ia ter com os amigos, depois dos amigos. Iam para o conservatório e depois ia para casa, brincar ao parque.
Foi como crescer numa pequena vila. Portanto, a verdade é que esses primeiros anos da minha vida foram muito felizes.
Tu ainda tocas piano de vez em quando? Não, já não. Não tenho tempo. Tenho piano em casa, mas é mais algo decorativo. Então tu aplicas mais a parte da voz, que estudaste no conservatório, às vezes no banho, que isso é? Sim, talvez, eu acho que sim. E há, não canto muito em público. Talvez deveria, imagina, se a forma é de correr mal, vamos para isso. Sim, um cara ou com amigos, que isso é. Então tu podias ter sido pianista eventualmente, não?
As pessoas dizem que eu tenho os dedos muito compridos. Entretanto, eu tenho um talento. Eu sei tocar o piano também com os pés. A sério? E também consigo acender um isqueiro com os pés. Portanto, isso é uma cena que eu às vezes faço quando os meus amigos vêm lá à casa. Ou seja, eu ia dizer, fiquei calada, toco mais com os pés a dia 2 que com as mãos. Mas sim, desfruto muito e talvez se não tivesse aparecido a tecnologia na minha vida, teria tirado pela música.
Pela música. Epá, eu fiquei impressionado com essa questão dos pés. Tu andas muito descalço, não sei. Sempre. Ok, boa.
Eu queria-te questionar ainda em relação a essa parte da educação. Dá para educar uma criança para ser música? Vai para o conservatório, continua no conservatório para ser bailarina, começa a estudar, continua, para ser atleta começa a atletar e continua. É meio óbvio, não é? Como é que se decide com uma criança ou o que é que tu achas que na tua educação aconteceu para tu te tornares uma empreendedora? Ou como é que se decide com uma criança para ser empreendedora?
Eu também tenho de dizer que, em primeiro lugar, eu acho que nós não podemos treinar as crianças para nada. Achas que não? Não. Eu acho que nós podemos dar ferramentas às crianças. E podemos abrir os caminhos, não é? Caminhos neuronais, caminhos de vida. Agora, a criança tem sempre mais caminhos. Essa criança que seguiu uma escola boa, de uma família boa e depois vai para um caminho de porcaria. A criança tinha mais os caminhos e escolheu o seu. Portanto, é muito difícil poder programar.
Claro, mas tu identificas um talento se caderno a criança, podes fomentar que a criança explore esse talento, era mais nesse sentido. Tens toda a razão, mas eu também noto, por exemplo, que os meus pais já escavaram alguns caminhos e eu, por exemplo, saí totalmente desses e fui empreender. A que é que eu acho que se deve? Opa, quando tu crias talvez uma criança altamente adaptável e a mudas de um lado para o outro enquanto ela é nova, de países diferentes, escolas diferentes, também a estilos culturais diferentes, afinal essa criança vai-se aborrecer na estabilidade.
Portanto, eu tentei, eu tentei uns oito meses Trabalhar numa empresa normal, num corporate E eu queria morrer Ou seja, a mim faltava-me estímulo, faltava-me impacto E sobretudo faltava-me adrenalina E depois, por outro lado, eu tinha uma missão e um propósito grande Portanto, o que é que tu podes fazer? Aqui tens dois caminhos Um é fazer um ONG e fazes um projeto puramente filantrópico Que é muito difícil se não tens dinheiro E outro é, para aí, bora fazer um projeto que permita fazer dinheiro Alimentar este projeto e chegar a mais pessoas Éodo
Portanto, finalmente foi o segundo caminho. Mas eu acho que tens juntado as coisas para ser um empreendedor. Uma é uma adaptabilidade enorme, ou seja, poderes mudar de espaços e sentir-te cómodo na mesma. E depois há outra parte, que é ter um propósito grande. E o que é que achas que na tua infância te fez trazer esse propósito? Achas que foi uma coisa que foste ganhando por ti, à medida que foste crescendo?
Talvez custa-me vê-lo na minha infância Ou seja, é verdade que eu sempre fui uma criança rebelde Ou seja, ligavam na escola Eu falava, eu não me calava Sempre fui muito social, todas essas partes Mas eu acho que esse propósito nasce mais Ao sair da adolescência e entrar na etapa adulta Porque foi quando eu senti medo por primeira vez Ou seja, sempre fui uma pessoa bastante despreocupada E nessa altura foi quando eu começo a reparar Que há um gajo que me segue a casa Este homem segue uma casa da universidade a casa E vice-versa, de casa a universidade E aí
Era um stalker. Era um stalker, exatamente. Normalmente não digo stalker, porque tenho a impressão que cá em Portugal as pessoas não gostam que eu use palavras em inglês, mas era mesmo, tem-se toda a razão. Então este stalker era uma pessoa que sofria de esquizofrenia, depois vinha a saber mais tarde e que estava completamente opcecado. Portanto, foi a primeira etapa da minha vida onde eu senti medo. E toda essa energia criativa, eu tinha ideias, eu tinha projetos, mas não tinha onde ir porque não havia uma missão.
Então finalmente aí nasceu um género de missão que é para aí. Este medo que eu estou a sentir, a minha missão de vida é que mais ninguém passa por isto.
E foi assim que nasceu a Femme? Foi assim que nasceu a minha granada É interessante pensar em casa de Pá, deixa lá ter uma granada para bater neste homem Então comecei a pensar, não há, bora fazer
Já vamos explorar a granada mais à frente, eu quero ainda falar sobre essa tua adaptação. Tu saís de Portugal, vais para Barcelona, como é que foi? Sentiste-te sozinha? Muito. Eu tinha 10 anos. Então eu cheguei a Barcelona, que é uma capital, não sendo a capital, é uma das segundas capitais de Espanha, onde se fala principalmente de catalão. Ou seja, os meus pais me teram numa escola catalana.
Portanto, imagina, uma criança ainda pode apanhar o espanhol. Catalão, esquece. Portanto, ao entrar na escola em catalão, tu tens duas opções, que é ou falas ou não tens amigos. Portanto, a pessoa tem de aprender a falar. Eu lembro-me de ter um dicionário pequenino, de português a catalão, de levar aquilo. Portanto, estava no pátio, depois das aulas, os miúdos falavam comigo e ia procurando, tipo, o que é que esta palavra quer dizer? O que é que ele está a dizer?
pá, e afinal apanhei o catalão num ano porque era, ou aprendes catalão ou fazem-te bullying tipo, não tens resposta ou aprendes ou aprendes agora, agradeço imenso esse momento de stress da minha vida claro que sim, ou seja, acho que te dá umas bases fixe e nessa solidão aí que aparece o Ruvio quem és tu? o Ruvio é o meu cão, exatamente como é que tu sabes isso?
Eu acho que eu nunca falei sobre isso. Sim, eu tinha um pincher, Rubi. Foi assim o teu companheiro. Exato. Durante esses anos de Barcelona. Certo, os meus pais deram-me a Rubi o primeiro ano. Por acaso, não sei como é que tu sabias, mas deram-me esse primeiro ano por ser a minha primeira amiga em Barcelona. E a Rubi era um cão fantástico, viveu 13 anos, andava comigo para todos os lados. E depois, quando morreu, foi o maior desgosto da minha vida.
Eu nunca tinha morrido um animal de estimação. Eu nunca tinha tido um animal de estimação. Mas, já, lembro-a com muito carinho.
Isso ocorria o ano de 2011 quando tu foste para Barcelona Tu também sabes o animal que eu tenho agora? Não. Não sabes? É o quê? É uma pomba. Tu tens uma pomba de estimação. Eu tenho uma pomba educada. Não, não, juro, juro. A sério? Mas envias para poupar no correio?
Não, não, não. Por acaso, ela não trabalha. Ou seja, é uma pomba doméstica. Já trabalhou muito. Então, basicamente, eu encontrei uma pomba bebê com uma pata partida. E deu uma boa pena. Levei ao médico ou ao veterinário e disseram, pá, isto é eutanásia porque isto é uma praga. Eu disse, não, não, isto não é uma praga. Isto é a minha filha. Então, levei-a para casa, curei a pata, fizemos os raios-x e tal. Teve com a pata... Fizemos um raios-x a uma pomba?
Eu não te posso dizer quanto é que a pomba me gostou Porque é ridículo Mas sim, fizeram raio X e fizeram-lhe gesso E depois voltaram a fazer raio X e tiraram o gesso E a pomba está curada Então eu digo-lhe vem cá, ela vem, vem à cabeça, ela vem Tipo é boa e educada, vai para a tua casinha, ela vai E nunca voa? Nunca vai e volta? Sim, sim, claro, eu digo vai-te embora a passear e depois volta, vem cá Mas ela sai de casa mesmo? Sim, sim, sim, eu tenho um pátio externo Achas que a reconhecerias na rua se te cruzasses com ela? Eu a reconheço, já me aconteceu, sim
Ou seja, estar vindo de pombas, eu digo Milho, vamos para casa! E o milho vem E eu consigo ver que é milho Falas com ela em que língua? Em espanhol Milho é mair É mair, a tua pomba Mair, que quer dizer milho, certo? Mair? Maif Maif Eu tentei
Tentaste, foi bom. Estavas a falar de 2011. Certo. Que em Portugal foi um ano conturbado. Foi o ano do petito de resgate de Portugal à Troika. Ah, sim. Foi o ano de um acentuar da crise, da austeridade, do desemprego, da imigração. Que tu foste, de certa forma, vítima, entre aspas. Certo. E golpada da Troika também. Víamos aqui contar-vos. Tu sentiste isso nesse ano de 2011 ou foi uma coisa que só vieste a tomar consciência mais tarde?
Não, eu vim a tomar consciência mais tarde. Ou seja, é verdade que foi uma época muito dura e sem dúvida para a minha família também foi, mas é verdade que eu não me posso situar nessa conjetura de as famílias que se viram obrigadas a mudar para procurar melhores condições de vida. Ou seja, os meus pais mudaram porque tinham outra posição laboral em Barcelona, mas talvez não houvesse a situação precária. Portanto, é verdade que eu só percebi mais tarde que houve toda essa convulsão em Portugal.
mesmo assim opá, eu acho que continuamos a ver os efeitos dessa época, acho que isso ainda não dissipou totalmente sim, fica um trauma todos estamos todos traumatizados sim partilho dessa experiência, de certa forma
Tu lembras-te? Lembro-me de estar na escola no quarto ano, que eu sou mais novo do que tu e estar na secretaria da minha escola e está escrito na parede crise e depois era o C era coragem, o R era resiliência. E tu lembras disso? Foi muito traumático, é verdade? Foi traumático e lembro-me de estar a minha escola era ali ao pé de Belém e de estar a passar um helicóptero e eu dizer, ah vai ali a Merkel eu não sei quem era a Merkel mas lembro-me de comentar isso. E era mesmo? Era a Merkel esse dia?
Epá, eu gosto de acreditar que sim, cara, ela estava naquele helicóptero porque houve uma conferência no Jerónimo. Avançando. Bora. Tu, crescendo em Espanha, já tinhas contactado com jovens portugueses, mesmo agora mais velha. O que é que tu achas que é a principal diferença entre um jovem português e um jovem espanhol? Consegues identificar? Consigo. Ou as principais diferenças?
Consigo. Então, por uma parte, o português é mais educado, ok? Sim, sem dúvida. Ou seja, são duas caras da mesma moeda, ou seja, o português é mais educado, mas o português também faz mais cerimónia. Eu fiz porcaria há pouco tempo, eu há pouco tempo tive de falar com o presidente de Portugal.
E em vez de senhor presidente Como eu já estou com a cultura espanhola Estou respondendo Olá António E aí por acaso não tem um grande choque cultural Que é, ups, não, ou seja Nós realmente cada vez somos muito mais educados Sentir-se as pessoas à volta a fazer
Senti, senti, senti, senti, senti toda a gente a fazer. E a cara do Sr. Presidente, António, soleno. Soleno. Qual é que é o... Soleno, soleno. Super soleno. Mas é verdade que nessas pequenas coisas a pessoa vai notando, não é? Que se calhar há uma diferença cultural. Ou seja, nós em Espanha, por exemplo, não temos o você. Nós não falamos de você.
Ou seja, tu só usas o você para a rainha. A única vez que eu usei o você foi falando com a casa real, nunca mais. Portanto, é verdade que cá eu noto essa solenidade e também essa diferente cultura da cerimónia. Mas depois, por outro lado, também noto, tenho de dizer, os espanhóis menos adversos ao risco. Ou seja...
Por exemplo, a inovação em tecnologia, que é a minha área. O espanhol começa a empreender antes e o espanhol pensa a investir em projetos antes. O português não tem tanta capacidade de afrontar o risco. Ou seja, o português, em vez de investir numa startup, o português também é esperto, o português investe num apartamento.
Portanto, isto é inteligente. Investe no quê? Num apartamento. Sempre que houver dinheiro, não é? A maioria dos portugueses não. Mas o português pode. Quando vai investir, vai investir numa casinha, não vai investir num empreendedor. E, portanto, há uma diferença cultural engraçada, não é? O espanhol adora a adrenalina e o risco. E o português é um bocadinho mais conservador nessa parte.
Vai mais para o SP500 e para os certificados da Forro Ui, nem isso, mas sim, às vezes sim, de vez em quando Certo, certo, um bom depósito da praza 1,5% Uh, é pá, nota-se mesmo que tu também faz economia Foi bom, foi bom É pá, eu estou a tentar, eu tenho-me a adaptar aos convidados Tu foste para a faculdade em Espanha Espanha ou Cataluña, o que é que tu preferes?
É bem diferente. Eu sou suíça, ou seja, sou território neutro. Não falo sobre problemas que não são meus. Até porque tens de vender granadas em Barcelona e em Madrid. Claro que sim. Tu sabes, eu sou totalmente a política. Ou seja, claro que tenho as minhas inclinações políticas interiores, mas não é algo que eu exteriorizo nem que falo, porque eu acho que posicionar-te politicamente polariza.
E, afinal, a minha missão é maior que qualquer uma dessas decisões. Ou seja, eu quero proteger tanto pessoas de esquerdas como de direitas, mesmo que eu não esteja de acordo com o que elas votam.
Achas que se tu assumisse uma posição, as pessoas do lado, entre aspas oposto, não comprariam o teu produto? Completamente. É mais, nós já tivemos propostas de partidos políticos para nos casarmos com um deles, ou seja, e realmente estar, fazer parte da campanha deles. Agora, isso para mim não faz sentido. Mas há uma diferença entre tu te alinhares com o partido político e alinhares-te com ideias, não é?
Ah, certo, obviamente. E, por exemplo, se depois quiseres falar de ideias ou nessa parte... Falando das minhas ideias eu acho que tu consegues intuir, não é? O que é que eu voto. E aí já não há problema nenhum, porque isso já é uma intuição tua. Mas é verdade que eu publicamente não falo de quem voto. Sim, questão em contra dos extremismos. E isso digo sempre. Tanto direitas como esquerdas, eu não gosto dos extremismos. Sim. Sendo que essa comparação às vezes é perigosa. E sendo que essa comparação é um extremismo.
Ora bem, seguimos. Tu andaste na faculdade em Espanha, na Cataluña. Sim, está bom, está bom. Tu entraste em clubes de debate, eras uma académica muito participativa.
como é que tu a minha alma está parva eu andei no Barcelona Debating Society que por acaso foi de onde saiu o Ciudadanos, que foi aquele partido político de Cataluña, do Albert Rivera sim ou seja a minha fase universitária eu aborreci-me muito
porque eu tinha a sensação que tínhamos de seguir um caminho muito marcado e que não havia muita margem para a criatividade. Então me meti-me em muitos clubes diferentes. O meu clube do coração era o Debating Society, mas depois também me meti no clube do cinema, também me meti em crítica de cinema para um par de revistas. Realmente talvez há uma época que eu tenha gostado mais pelos contactos que levei, pelo networking e não tanto pelas aulas em si.
Eu não fui uma estudante particularmente brilhante. Participaste mais na vida académica do que propriamente na academia.
Sem dúvida, sem dúvida alguma Ou seja, era preciso angariar dinheiro para não sei o que Bora lá Era preciso fazer um debate, representar Espanha, bora lá Agora é preciso fazer o exame da economia Se calhar não E por cima não tinha chato de GPT, portanto Foi uma época complicada Tu és uma pessoa que usa muito chato de GPT, liais para dar o nome à tua empresa Foi através de chato de GPT
É verdade, eu não sei onde é que eu disse isso, mas é verdade. Flamade, eu não queria perder tempo com isso. Eu tinha uma missão clara, eu queria vender granadas, eu queria proteger pessoas, portanto pensei, pá, há fogo e há ajuda, como é que eu ia chamar a isto? Perguntei ao chat de GPT, ele disse Flamade, pareceu-me brilhante. Na verdade ele tinha-me dito Flamita, com dois M's, IT é Flamita.
e entretanto eu expliquei e sou uma amiga, pá, olha, acho que lhe vou chamar Flamite, Flamita, e a gaja disse Flam-Aid, tipo é assim e eu disse, pá, gosto mais dessa portanto foi entre o chat de GPT e essa minha amiga elas duas fizeram o mix Shoutout à minha amiga, Gemma, obrigada Para quem não é de geração de 2000 como é que tu descreverias num dicionário a palavra Shoutout?
Shout out. É dar louros, não é? É dar props, não é? Dar props. Mas props também. Menção, pé de página. Boa. Pé de página da gema. Boa, nota. Sim, boa. Bem, o que é que seria o teu caminho se tu não tivesse inventado a Flymade?
Eu acho que estaria no mundo das artes Ah é? Sim, sem dúvida, a minha família é muito ligada às artes A tua tia, Maria Ruef Tia avó? Sim, exatamente, a Maria E é verdade que eu lembro-me de ir com a Maria quando eu era mais pequenina Há gravações dela, das novelas, ir ver os teatros dela Estar no Vag State E era uma coisa que a mim me despertava Portanto eu sempre pensei Que iria para um caminho mais público Ou seja, ou artes, portanto atuação Ou se não, talvez música Que também estive no conservatório e também era uma paixão Então
pá, mas afinal aconteceu o que aconteceu e o maior problema que me aconteceu na vida, que foi passar medo acabou a aparecer também o maior propósito da minha vida portanto fui por aí Tu há pouco dizias que os teus pais tinham já caminhos escavados para ti, tu utilizaste esta expressão que caminhos eram esses?
Ou seja, mesmo trabalhando muitíssimo, que é verdade que os meus pais tinham vidas profissionais muito atarefadas, eles abriram muitas portas para mim, no sentido, quer experimentar música? Fazemos música, vamos até ao final com a música. Agora quer experimentar dança? Fazemos dança, vamos até ao final com a dança.
Também fizeste dança? Sim. Eu lembro-me, quando tinha 16 anos, eu queria aprender chinês pela primeira vez, mandaram-me para a China. Ou seja, sempre fizeram um esforço enorme, tanto econômico, como pessoal, como energético, para que eu pudesse experimentar essas coisas que me interessavam. Portanto, é verdade que para mim também foi um conflito interno grande dizer, ei, todo este investimento que vocês fizeram, e também a universidade que vocês pagaram, vamos dizer adeus a tudo, porque eu vou por este caminho e vou deixar a universidade.
e eu acho que deve ter sido das conversas mais complicadas que eu já tive dizer à minha mãe, o dinheirão que gastaste não vai servir para nada, porque eu vou sair portanto, eu prometi à minha mãe também que algum dia ia acabar as quatro as quatro aulas que ainda me faltam São quatro cadeiras que te faltam? São quatro cadeiras, sim senhor, são as piores delas todas para mim agora mesmo, por acaso, eu dou aulas na universidade também nessa universidade portanto, o meu objetivo é ver se eu consigo ir acabando trocando Certo, ou seja Como está a ser dar aulas?
Tu dás aulas a pessoas mais velhas que tu às vezes, não é? Sim, quase sempre são pessoas mais velhas. Ou seja, era estranho ao ponto que eu passei de estar com os meus companheiros da turma três semanas depois de lhes dar aulas como professora adjunta. Ou seja, deixei de estar da Luna para estar de professora adjunta. Três semanas, sim. Certo, foi muito bizarro. Ou seja, os meus amigos achavam estranho e não me respeitavam muito.
Imagina, eu gosto de dar aulas Simplesmente porque eu acho que me mantém muito jovem Ou seja, é verdade, eu tenho 24 anos Mas às vezes sinto que tenho muito mais Porque a minha vida são pessoas mais velhas Os meus investidores são mais velhos Os meus compradores são mais velhos Portanto, estar com uma alta de 20, de 30 anos Que está com vontade de aprender Com vontade de estudar Pá, aprendo imenso E depois, é verdade, também levo imensos becários internos Internships Ah, sim Estagiários É verdade É verdade
Estagiários, peço desculpa que o português já está assim um bocadinho mal Levem-me as estagiários depois, ou seja, os alunos que me fazem melhores perguntas Os mais brilhantes, vêm todos para a Flamengo E a maioria deles acabam por ser contratados Tu tinhas há pouco tempo 10 trabalhadores Estás com quantos? Agora mesmo são 12 13 contigo? Não, 12 contigo Normalmente uma pessoa, no curso que tu estavas a tirar Que era marketing e negócios internacionais Com foco em Ásia Com foco em Ásia, daí os chinês, o mandari Sabes que o mandari na verdade é racista para eles?
Ah é? Porquê? Não sei, eles não gostam de mandarim Então preferem que se diga chinês? Chinês mesmo Eu não sabia, foi a minha professora que me disse Então vamos guardar essa, as pessoas estão a ouvir, guardem essa também Nunca mais volta a dizer mandarim Qual é que é o caminho de uma pessoa que acaba esse curso?
essa pessoa normalmente trabalha em importações e exportações portanto, Porto de Barcelona faz muito dinheiro ou seja, tu afinal o que podes gerir é a entrada de produtos da China ou do resto do mundo, a Índia também chegam muitos e depois mandar também de Espanha ao resto do mundo ou seja, quando tu tens negócios internacionais tu estás formado, também culturalmente para poder lidar com outros países por exemplo, eu fiz a área asiática isso quer dizer que eu também tinha uma cadeira que era cultura asiática, puramente aprender a falar e a negociar com pessoas na Ásia e aí
Portanto, essa normalmente é a saída que tem mais sentido. Import, export. Tenho alguns amigos que também estão em bolsa, sobretudo internacional. Consultoria, não. Alguns estão em consultoria. Eu tenho aí uma guerra com consultoria, não gosto da consultoria em geral. Mas, já, ou seja, esse talvez é o caminho que tenha mais sentido. Empreendedores, somos muito poucos. A única empreendedora que saiu da minha universidade, sem ser eu, é uma miúda muito fixe que faz patinhos para o banho.
Patinhos de borracha? Já, mas personaliza-os Tem umas lojas em Lisboa já Ela está a fazer muito dinheiro com isso, é brutal Não me laburou-me dela, mas ela é muito fixe Obrigada menino dos patinhos, abriste um caminho muito fixe para mim Então tu achas que A nossa geração Dos anos 2000 Os que seguem esse caminho De consultoria, que são muitos De estagiários Que trabalham muitas horas A receber, não muito bem, de forma às vezes bastante precária E...
É o caminho da nossa geração? Ou achas que há uma parte, que se calhar pequena, como tu acabaste de dizer, que olha mais para um equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional, ter os seus horários? O que é que tu sentes? Porque às vezes parece que há esta narrativa, mas depois se calhar não é assim tão verdade quanto isso.
Certo. Então, para começar, ou seja, eu acho que é muito bom estagiar. Ou seja, eu estagiei, também recomendo imenso estagiar, aprende-se imenso. Eu acho que uma pessoa que está a estagiar tem de ser muita chata e tem de pedir-me ter-se em áreas diferentes, em departamentos diferentes, para ver o que é que gosta e o que é que não gosta. O teu primeiro estágio não vai ser o melhor estágio da tua vida, mas ao menos vais saber do que é que não gostas.
Isso é fixe. Agora, consultoria. Eu tenho um grande problema com a consultoria. Pelos dois lados. Primeiro.
acho que há uma exploração laboral enorme. Para as horas que fazes as pessoas trabalhar, tens de pagar. Especialmente quando és uma macrocorporação que pode pagar.
Mas depois a outra parte é, ou seja, o que tu vendes a uma empresa feito por uma consultoria, portanto uma grande empresa, pede à consultoria, ei, faz-me um projeto a ver se a transição energética tem sentido em França. Este projeto vai ser um PowerPoint feito pelos estagiários, aos quais tu estás a pagar 400 euros ao mês, ok? E que já é muito, portanto imagina, tens 5 estagiários por 400 euros, tu vais vender esse projeto por um milhão e meio. Ou seja, a inflação que há pelo meio é totalmente injustificada. Portanto...
Nós fazemos consultoria na Flamite. E a mim estranha-me, surpreende-me, indigna-me, os preços que a consultoria tradicional tem. Portanto, eu sou bastante contra. E depois também se cria aquele microcosmos de se continuares a deixar que eu te insulto e que te trato mal, algum dia podes ser sócio. Sim, sim. Isso para mim é predatório. Eu tenho muitos problemas com as indústrias predatórias.
Muito bem. Tu chegaste a partilhar no Instagram Ui, agora já subiu, não é? O que é que eu voto? Está tudo certo. Chegaste a partilhar no Instagram, hoje temos um post que numa das fotografias não sei se ainda te revês nisto, que às vezes uma pessoa mete só as coisas no Instagram assim, mas dizia trabalhar menos, trabalharmos todos, produzir o necessário, redistribuir tudo. Ainda te revês nisto?
Totalmente. Trabalhar menos quer dizer trabalhar com cabeça. Ou seja, isto que estávamos a falar agora da consultoria. Eu acho que a consultoria trabalha muito e produz muito pouco. Acho que podes trabalhar menos, produzir muito mais e distribuir tudo.
Efeitos práticos disso. Cada vez que eu mudo o meu salário na Flamaita, portanto o meu salário aumenta, o salário de todos os trabalhadores aumenta. É isso comunismo? Talvez. Mas afinal, para mim é um capitalismo ético. Ou seja, eu também quero fazer dinheiro, toda a gente quer fazer dinheiro, mas vamos ser justos. Se eu estou em posição de mudar o meu salário e de subir, é porque a minha equipa fez um trabalho do Caraças, liderada por mim.
Portanto, se eu subo, toda a gente sobe. E se eu deixo, toda a gente também. Tu achas que isso é um reflexo da nossa geração ou achas que tu és uma exceção?
Não, eu acho que a nossa geração é mais social. Eu tenho essa sensação, ou seja, eu às vezes tenho conversas com os meus pais de como eu trato os meus trabalhadores. Os meus pais ficam surpreendidos. Tipo, dás demasiada confiança? Sim, sobretudo dás demasiada confiança. E para mim, ou seja, a minha confiança é plena a cada pessoa que entra na minha empresa. É plena até tu me dares razões para já não ser. E vai ser muito difícil voltar a confiar em ti.
Mas é tu me dares razões. Eu vou confiar em ti plenamente com a minha vida toda, com as minhas chaves de casa. Sim, sim. Essa é um bocadinho a minha filosofia, não é? Ou seja, o grande perigo desta vida para mim, nestes poucos anos que levo a viver, tem sido não transformar-me em cínica devido aos problemas da vida.
Ou seja, tens de continuar sempre a confiar E ter claro que se Nalgum momento tens de deixar de o fazer Porque és decepcionado, desiludido por essa pessoa Ok, mas não podes ter Preconceitos com uma nova pessoa Que ainda não te fez nada Portanto, simplesmente não nos transformarmos Cínicos pelas... Da vida. Achas que vais conseguir manter isso? Eu espero que sim, eu acho que ser cínico Envelhece-te muito mais rápido E nós não queremos envelhecer rapidamente Certo, e se não vamos todos para o Botox Tchau
Tu, ainda assim, és a única sócia, correto? Sim. E se é solitário ou consegues celebrar as vitórias, as derrotas, os medos com a tua equipa? Imagina, é solitário a nível de responsabilidade, não é? Ou seja, nós, afinal, eu sou a principal acionista da Flamite, eu tenho investidor também, tanto portugueses como espanhóis. Por acaso, temos o primeiro português, que é, shout out, José Viles. Em sério? Sim, adoro o José, é fantástico, encaixamos muito bem e é o nosso primeiro investidor português.
Mas é verdade que há um nível de responsabilidade que é solitário, porque se está tudo bem, tu és a maior se está tudo mal, a culpa é tua e tem de ser assim, ok? Tem de ser assim afinal, o meu trabalho é chegar onde a minha equipa não chega e proteger a minha equipa para que eles continuem a poder produzir
portanto, já, sem dúvida entretanto esqueci-me o que é que me estavas a perguntar se conseguias partilhar com eles as vitórias, os mundos sim, consigo, consigo partilhar consigo, porque tenho uma equipa muito fixe mas é verdade que há essa parte de responsabilidade que tens de estar tu sozinho a menos que encontras um sócio as coisas acabam por recair sobre ti, nomeadamente ameaças de morte é verdade? sim já recebeste ameaças de morte por causa do teu trabalho?
Eu já recebi a minha morada. Alguém mandar-me a minha morada e dizer hoje venho buscar-te. Portanto, isso é um bocadinho lixado, não é? Isso é bizarro. Eu já tive de denunciar. Agora, são consequências do bom trabalho. Ou seja, o que é que eu posso dizer sobre isso? Normalmente, é verdade que as ameaças de morte vêm de homens. Porque há alguns homens que têm a sensação que eu luto contra os homens. E isso não é certo. Eu luto contra o medo. Se há um homem que causa medo, então eu vou lutar contra esse homem.
Mas a mulher também pode causar medo. Portanto, o homem que acha que esta granada vai contra ele, deveria estar nalguma lista. Estaria a servir ali uma carapuça, não é? Exatamente. Ou seja, ele sozinho já se está a assinalar, não é? Portanto, essas ameaças de morte são chatas. São. Agora, ligo muito aos comentários de hate, que tu também deves ter visto se estiveste aí a investigar. Não, porque eu sou muito mais crítica que os haters.
Ou seja, tudo o que eles dizem eu já pensei Já disseste ao espelho, mas quantas vezes? Sim, tipo, ai está muito feia a Julieta hoje Ah, tens toda a razão, por acaso estava com o período Nota-se mesmo, ou seja Já pensei sobre isso, portanto agradeço Mas a verdade é que eu sou mais dura Comigo mesmo que eles Portanto é uma coisa que é como ouvir chover já Muito bem, nós estamos a entrar No último quarto de entrevista E tu ainda não explicaste, já explicaste várias vezes Em várias entrevistas o que é a tua granada Mas gostava de dar aqui a oportunidade para explicar A quem não sabe Obrigado
A Flamengo é uma granada pacífica. Eu patentei o mecanismo da granada de mão para se usarem situações de segurança pessoal. Então, numa situação de emergência, a pessoa estica do anel da sua granada, começa a soar um alarme sonoro, que são 110 decibéis, duas ruas numa área metropolitana como Lisboa.
e mandamos a geolocalização, vídeo e som aos contatos de emergência e também ao 112. By the way, a partir da semana que vem, estamos em todas as lojas da MEU e da Mosh do país, entramos a mão da Mosh com colaboração com a MEU, e essas são as pessoas que nos introduzem em Portugal. E ao 100 e ao Corte Inglês? Ao 100 e ao Corte Inglês também estamos, também estamos na loja das Meias das Amoreiras, depois online na flamite.com e nas ilhas também estamos na MEU.
Fantástico. Vocês vendem para vários fítios do mundo. Tu já te surpreendeste com alguma encomenda por ser alguém mais conhecido ou por ser um país ultra-remoto? Sim. Queres partilhar?
A rainha de Espanha tem uma granada da Flamengo. A rainha de Espanha tem. E depois a outra pessoa que me escreveu, que criou uma granada, eu não sei se tu vês MMA, Willia Tupuria, que é o campeão. Estou mais recente e investido. Exato, é o dobro campeão do mundo de MMA. Ele escreveu-me porque criou uma granada. Entretanto, nós combinámos, fomos jantar, falámos sobre isso e ele acabou por investir no projeto.
mas há pessoas de toda a esfera social, política que usam a segurança não escolhe nem género nem posições, nem classes sociais a segurança é para todos e o mais importante da proteção é produzirmos o que mais amamos portanto eu acabo sempre também não sei se já estamos lá perto, mas vou dizer na mesma que é Fuck Fear e Viva Flamaita
Muito bem, nós ainda não estamos a chegar ao final, mas fica já aqui. Fica aí. Fica já aqui. Agora, com o produto mais explicado, gostava de perceber um bocado o teu processo até chegar à granada em si, à versão final. Tu trabalhaste com um engenheiro que te ajudou a desenvolver a granada para o bono. Quem é que foi esta pessoa que acreditou em ti e no teu projeto? Como é que foi este processo inicial?
Então, olha, fiz uma coisa, ou seja, eu tinha escrito num papel o que é que eu gostaria que esta granada fosse, ok? Sendo que eu não sou uma pessoa técnica, portanto eu não sabia que componentes é que tinham de ir dentro da granada nesse momento. Então, o que eu fiz foi começar a falar com os meus amigos.
Os meus amigos, amigos de amigos, amigos de amigos de amigos Até chegar um amigo de um amigo de um amigo Que estava a estudar engenharia E este gajo disse-me, olha, eu também não tenho muita experiência Mas tenho uma impressora 3D em casa Portanto, vem a minha casa, vamos imprimir essa granada E vamos melhorando essa granada E foi o que nós fizemos Então imprimimos a granada, melhorámos a granada Pusemos um airtag dentro da granada Para fazer as primeiras apresentações E fingir que aquilo mandava a geolocalização Não mandava nada, era um engenheiro que mandava desde o fundo da sala pelo WhatsApp É impressionante E aí
pá, mas essas primeiras demos fizemos juntos e entretanto esse gajo agora criou a sua própria empresa, também está a trabalhar noutra cena, finalmente quando levantei o dinheiro dos investidores pude pagar-lhe, mas vou estar sempre agradecida por ter confiado em nós Incrível alguém ter feito todo esse trabalho de forma gratuita, com a mesma visão que tu e quando é que tu começas a fingir que o teu pai está em festas de investidores?
Eu começo a fingir isso com uns 20, 21 anos. Ou seja, claro, eu começo a investigar. Quando já tenho este primeiro protótipo, impresso em 3D, quanto dinheiro é que eu preciso para fazer este protótipo real? E descubro que vou precisar de 500 mil euros. Portanto, isto é um problema. Coisa pouca. Coisa pouca, porque os meus pais não tinham esse dinheiro para me dar. Eu tinha 400 euros na minha conta, poupados. Portanto, digo, ei, acho que vou ter de falar com investidores profissionais.
Faço LinkedIn. O meu LinkedIn, obviamente, não tinha um grande histórico, porque eu tinha 20 anos.
mas começo a ver as festas onde os investidores vão ver cada noite festas privadas que tens de entrar com um convite bora pôr-nos giras, bora aparecer lá na mesma então eu aparecia nessas festas com a minha granada e dizia ai o meu pai está ali a fundo, ele é investidor, não sei o quê quem é o teu pai? Aquele do cabelo branco, o Mário então os deixavam passar
E nada, então eu ia apresentar aos todos os investidores. Devo ter recebido uns 100 nãos antes de receber o primeiro sim. E depois tive a sorte de encontrar os primeiros investidores que acreditaram em mim e me deram os 300 mil euros primeiros, depois o resto veio daquela ajuda à inovação e resiliência.
da União Europeia o governo espanhol também investiu. Exatamente. Tu achas que isto alguma vez pode tornar uma espécie de computador magalhés mais espanhol? Ou seja... Ou seja, um fracasso total. O magalhés não foi um fracasso. E eu ainda tenho... Tu também jogavas ao SuperTux? Claro. No Linux. Ouve, agora estou com a impressão que não falámos de coisas boé relevantes. Ou seja, a minha infância inteira foi o magalhés. Certo.
E a super... Meu Deus, ok, desculpa. Já foi relevante, nem que seja só para... Tens toda a razão. Mas não foi um falhanço total, quer dizer, o Magalhães deu acesso, democratizou acesso à internet a milhares de jovens, não é? Pronto, ok. Eu percebo o que tu queres dizer com isso. Havia imensas pessoas que não tinham computador e que iam ficar muito mais atrás do ponto de vista de educação em relação às outras se não fosse o Magalhães.
Certo, então deixa-me recolher o cabo. Sim, eu acho que o Magalhães foi útil. Agora, eu teria feito um approach muito diferente ao Magalhães.
Qual era o teu approach ao Magalhães? Não tinhas posto Linux, tinhas posto Google Chrome? Houve. Para começar, teria feito um sistema muito mais optimizado. Eu tenho pena dizer isto, mas eu tenho a certeza absoluta que houve comissões ocultas no Magalhães, ok? Porque o Magalhães como modelo não tinha sentido. Ou seja, tu tinhas computadores muito parecidos, chineses, que podias trazer por uma fração do preço, uma fração quer dizer um quarto.
que custasse um quarto do que custava Magalhães, sem estar forradinho azul. Está bem. Podia forrar de outra cor. Mas sem estar forradinho. Não tinha aquela capa de velcro, não é? Não tinha aquela capa de velcro, não é? E eu acho que a capa de velcro não valia os 50 euros extra. Acho eu. Portanto, gosto do conceito de Magalhães. Gosto. Acho que temos de comprar as peças ao primo da pessoa que decidiu que íamos ter Magalhães. Não.
Portanto, isso é o que eu digo. Eu acho que Magalhães é uma excelente ideia. Acho que temos de ser mais democráticos e ficar com a proposta mais barata e mais útil.
Sim, eu não quero estar aqui a proteger o nosso amigo Sócrates, mas... É pá, porque eu estava a planear... Minha não quis dizer o nome! Não, mas é que eu estava a planear esta entrevista e estava a pensar a fazer esta questão e estava com a música na cabeça, aquela do Obrigado José Sócrates, obrigado meu amigo Pronto, é uma referência também de anos 2000. É totalmente, é verdade, também é nossa.
Para quem apanha? Enfim, onde eu quero chegar é... Sabes que esse foi o nosso primeiro creche? As minhas amigas e eu, quando estávamos na escola. O primeiro homem que nós achámos giro era Sócrates. Ele ficou em primeiro nos homens mais sexy de Portugal para a CM. Isso é uma desgraça. Para correr da manhã e vocês foram atrás. E no colégio da Vapoeira também ficou em primeiro. Muito bem. Mas onde eu queria chegar, no fundo, é um hardware produzido por uma empresa privada, comprado pelo Estado e distribuído para um grupo de pessoas de certa idade, no caso de Magalhães, alunos do primeiro ciclo, de forma gratuita ou por um preço simbólico. Tu vês isso a acontecer? E aí
Sim, mas mais ou menos, porque a Flamite destaca sobretudo por ser ágil. Portanto, nós é verdade que estamos em contato com o Estado, estamos em contato com o Estado há mais de um ano, ok? Agora, qual é que é o problema? Cada vez que muda o teu interlocutor, voltas ao início. Portanto, é verdade que a Flamite até agora fez sobretudo contratos privados, ok? Ou seja, vendemos muito em empresas privadas, não só cliente final, senão também...
em empresas privadas de vários setores diferentes, protegemos muitos trabalhadores diferentes com softwares personalizados. Portanto, imagina, em vez de mandar o GPS dos trabalhadores à polícia, manda o GPS dos trabalhadores à segurança privada da empresa. Isso é algo que nós fazemos muito. Não falamos sobre isso porque é um bocado mais aborrecido.
Agora, faria eu um tipo de joint venture com o governo? Faria, sem dúvida, mas não é algo que me esteja a parar ou que eu esteja à espera que aconteça. Por exemplo, isto é um exemplo, se alguma mulher tem uma denúncia por violência de género, e isso também aplica a Portugal, e me manda uma mensagem dizer que está em perigo e que tem uma denúncia, eu vou mandar uma flamite grátis. E isso faz parte do nosso impacto social, ou seja, eu não preciso que o governo subvencione isso.
Eu, por sorte, estamos em posição de poder subvencionar isso. Agora, se o governo quiser auxiliar também com boas práticas, nós agradecemos imenso.
Portanto, alguém que não esteja numa situação financeira tão favorável e que se sinta em perigo pode pedir essa ajuda à Flamengo. Sempre. Muito bem. Tu és dona e criadora de uma startup. Dona, pode-se dizer dona, é estranho, não é? Fundadora. Fundadora. De uma startup e também és uma comunicadora.
Porque dás palestras, também és professora, também és criadora de conteúdo, também és gestora no limite contabilista. Sou criadora de conteúdo. Então, tu não fazes vídeos para promover a Flamade nas redes sociais? Sim, de alguns. Tu desdobras em várias facetas. Não tinha pensado sobre isso. Ah, e by the way, viste também a cena da Youth Agenda, que vai chegar aqui dia 14 de maio? Vi. Isso também é fixe. E a perguntar queres falar sobre a Youth Agenda?
Então, a Youth Agenda é um projeto que nasce do Lideremos. Lideremos é o projeto espanhol e o Youth Agenda é o projeto europeu. Em Espanha nós fundámos o Lideremos, que é uma plataforma totalmente política que o que procura é identificar os problemas dos jovens e conectá-los com o governo e fazer propostas interessantes ao governo para melhorar a vida dos jovens. Por exemplo, mais vivenda, mais psicólogos, menos horas laborais obrigatórias para os médicos.
São os tipos de leis que nós passamos em Espanha. A Lei Ela de tratamento é quase grátis para os pacientes dela.
Então nós tínhamos extrapolar esse caso espanhol e abrir por toda a Europa. A Youth Agenda chega a Portugal dia 14 de maio na Unicorn Factory. Se alguém quiser vir é só inscrever-se online na Youth Agenda e vai haver muitas surpresas. Destas partes, o que é que te diverte mais? Destas várias áreas? Desde o marketing, desde a gestão, desde a comunicação?
Ah, eu adoro histórias bonitas. Eu gosto muito de ouvir histórias. Eu acho que a parte que me faz mais feliz é o desenlace da pessoa que compra um Flamide, porque está numa situação difícil, e que depois escolhe partilhar a sua história comigo. O que é que isso é? É um cliente que depois me escreve e diz Ei, quero que saiba esquecido do tribunal. Com a granada consegui as provas, consegui a cara do homem, consegui gravar o som e consegui denunciar. Histórias bonitas, para mim, são tão gratificantes. Fazem-me chorar de alegria.
Então, destas partes todas, a parte que gostas mais é o feedback que tu recebes. Eu talvez diria o impacto social. Talvez, é as palmadinhas das costas. Não, é o impacto social. Ou seja, é saber que é muito difícil ter uma empresa. Eu acho que nós talvez temos uma capacidade, sendo da nossa geração, geração Z, ter uma capacidade de fingir que tudo é fácil.
E fingir que tudo é fixe e que é na boa. Mas não é. Ou seja, realmente é uma cena difícil. Agora, para mim vale a pena quando vejo que é um impacto real. E quando vejo que há pessoas que não têm de passar pelo que eu passei porque têm uma flameida. Portanto, isso para mim é a maior felicidade do mundo e eu vivo para isso.
Antes da pergunta final, aqui numa altura em que em Portugal grandes figuras do entretenimento têm colocado volta e meia responsabilidade nas vítimas de assédio sexual, de violação, de violência, quando dizem, e cito, esta mulher depois do baile entrou num carro com ele e aí é que se calhar se pôs a jeito para que isso acontecesse, ou então isto depois de uma mulher ser esfaqueada até à morte, ou então mesmo que ela tenha dito para parar, quando são quatro que estão naquela adrenalina de estar a fazer sexo com uma rapariga, alguém ouve?
depois de uma alegada violação gravada a uma menor, tu que tens contato com várias vítimas, como é que reages ao ver estas coisas? Tenho que dizer que tinha pele de galinha. Ou seja, sei perfeitamente quais são essas frases, sei quem é que as disse, não é preciso dizermos o nome. Agora, para mim, o meu primeiro sentimento é indignação. E depois, o segundo sentimento, depois da indignação, é pena. E pena porquê? Porque eu acho que estas frases vêm do desconhecimento total.
Ou seja, nós não podemos pensar nos homens como criaturas irracionais e como cães, não é? Ou seja, a maioria dos homens não são assim, a maioria dos homens não tem estes comportamentos. Agora, devemos passar o peso desses comportamentos nefastos dos homens que são exceção à mulher? Não. O que nós devemos fazer é apontar para estes homens e dizer o teu comportamento foi bárbaro, o teu comportamento não foi algo que deveria fazer parte da nossa sociedade.
Agora, não devemos generalizar, não devemos dizer que os homens não sabem parar porque não é certo. Se isso fosse assim eu não estaria segura nesta sala com dois homens. Se isso fosse assim eu não trabalharia cada dia com uma equipa que é mais da metade masculina. Ou seja, não é certo, ok? Agora, sobretudo, eu acho que cada vez mais temos de ser seletivos a quem é que nós damos alta voz. Porque esse tipo de frases, é verdade que não são certas.
E que, sobretudo, não só danificam a mulher, senão que danificam o homem e fazem ver que o homem é burro e que o homem não sabe parar, não é? São ofensivas para o homem também. Mas, sobretudo, têm um impacto nefasto na nossa sociedade. Portanto, eu acho que cada vez mais nós temos de procurar contrastar opiniões. E, ok, ouve dessa frase, mas depois tem de ver a realidade. Essa frase é sensacionalista. E essa frase não é um reflexo da nossa sociedade.
Eu poderia dizer muitas coisas mais, mas como eu não quero ter um processo judicial, eu acho que vou deixar por aí. Podes dizer e no final disso só, alegadamente. Alegadamente. Para fechar, nós acabamos sempre com esta pergunta que é, as gerações mais velhas costumam dizer, ah, no meu tempo é que era bom, de forma às vezes até um bocado saudosista, e eu pergunto agora, o que é que é bom no teu tempo? Neste tempo, hoje em dia? Sim. Eu não...
Ou seja, há coisas excelentes, não é? Talvez eu acho que estarmos... Isto é super... Ou seja, há uma grande paradoxa aqui. Diz-se paradoxo em português ou isso é espanhol? Um grande paradoxo. Um grande paradoxo, obrigada. Eu acho que há um grande paradoxo aqui, que é, por uma parte, estamos mais conectados que nunca, estamos mais digitais que nunca, trabalhamos com chat GPT, trabalhamos com cloud, trabalhamos com Gemini, cada dia. E isso é bom? Sim, mas por outro lado, que para mim é a parte boa...
parece que há uma necessidade de estar perto, ok? Ou seja, há um movimento entre os jovens, não de boicote, senão de equilíbrio, de ok, nós temos todas essas ferramentas no mundo, temos todas estas opções, pá, mas cada vez mais estamos a ser mais analógicos. Ou seja, um exemplo muito pequeno, ao menos o meu círculo, o meu círculo faz boicote total ou vapor. O meu círculo com umas cigarras, ou seja...
Ou seja, rejeitamos talvez essa modernidade extrema e abraçamos talvez o tradicionalismo que nos traz tanta nostalgia. E para mim é a mesma coisa nas câmaras, por exemplo. Nas câmaras fotográficas analógicas. Certo. Ou nas digitais antigas, em vez do telefone, por exemplo.
Aí tens outro exemplo, não é? Ou seja, aparece cada vez mais Ou seja, eu tenho quantidade de amigos que deixaram um iPhone e compraram um flip-flop porque isso tira adição ao scroll Muitos de nós já não temos Instagram no telemóvel, temos só no computador para evitar estar sempre nas redes sociais E muitos de nós estamos a evitar fazer os chats grupais de câmera e vamos só tomar um café E eu acho que num momento tão digital nós termos essa necessidade tão pura de contacto humano é muito bonito e diz muito sobre a nossa geração Estamos mais conscientes do contacto humano e se fazermos mais por tê-lo E aí
crescer com tecnologia pura faz-te sedento do que já não tens. É a mesma coisa para os nossos avós. Os nossos avós não cresceram com tecnologia por isso que a maioria deles agora estão loucos com a IA a fazer fotos a cores a modificar fotos. A partilhar vídeos de gatos. Ui, os vídeos de gatos com a IA esses são os piores. Nós é o contrário, nós crescemos com isto, nós estamos sedentos da outra parte estamos sedentos da conexão e da realidade e de tocar outras pessoas e isso para mim é lindo.
Excelente. Julieta, muito obrigado por teres vindo ao Geração 2000. Foi um prazer. Vamos só fazer um shout-out rápido. Tu, terça-feira, onde é que faz o teu stand-up? Nós vamos estar lá semana que vem? Eu estou lá quase todas as terças no Teatro da Barreca. Lá vamos estar. Nas noites da Kilt Test. Obrigado. A equipa da Flamite vai lá estar. Muito obrigada. Obrigado. Geração 2000 é um podcast da Cic Notícias com sonoplastia de Francisco Marujo, produção de Mariana Oca Ferreira, coordenação de Joana Beleza e João Martins.
A direção é de Bernardo Ferrão e a fotografia de Matilde Fieschi. Eu sou o Manel Rosa, segue e subscreve o Geração 2000 na tua plataforma preferida, avalia e deixa-nos os teus comentários. Muito obrigado e até para a semana.
FlamAid
soluções anti-assédio, incluindo granadas pacíficas de defesa pessoal