Episódios de Vida Palmarina

EP5 | Quilombo Hoje

04 de maio de 202644min
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Do reconhecimento de Zumbi como herói nacional aos movimentos que buscam inspiração na figura histórica para seguir sua luta por reparação e liberdade. O episódio final de Vida Palmarina mostra como ainda hoje, mais de três séculos depois da morte de seu maior símbolo, o Quilombo dos Palmares segue vivo, seja na natureza ou na memória, e como sua história é passada de geração para geração. A resistência e o acolhimento seguem com muita força no século 21.
Referências bibliográficas


RIBEIRO, Tayguara. LOURENÇO, Marina. livro O Grito dos Quilombos: histórias de resistência de um Brasil silenciado. São Paulo: Todavia, 2024.
GERBER, Raquel. Documentário Orí. 1989.
Assuntos10
  • Quilombo dos PalmaresResistência e acolhimento como pilares · Palmares vivo na natureza e na memória · História passada de geração para geração
  • Quilombo como território e movimentoSentimento de resistência em movimento · Luta por direitos e políticas públicas · Quebra de estigmas e estereótipos
  • Marcha Zumbi contra o RacismoReconhecimento de Zumbi como herói nacional · Políticas públicas de reparação para população negra · Reconhecimento do racismo pelo Estado brasileiro
  • Significado de QuilomboLuta pela terra · Espaço de resistência e acolhimento · Identidade quilombola
  • Manifestações culturais e memória ancestralBixiga como quilombo e comunidade negra · Pedra do Sal como quilombo e berço do samba · Religiosidade de matriz africana
  • Quilombos culturais e resistênciaEspaços de resistência cultural negra · Acolhimento e valorização da cultura negra · Conceito de quilombo como comunhão e comunidade
  • Pluralidade e diferenças entre quilombosLuta pelo território e direitos · Oralidade como elo comum · Diferenças entre quilombos urbanos e rurais · Diversidade religiosa
  • Oralidade, arte e música como memória ancestralTambor de Crioula · Sincretismo religioso · Propagação de saberes
  • Pedagogia e currículo escolar quilombolaConexão do aprendizado com a realidade local · Preservação da cultura e história
  • Reprodução da história de Palmares em novas linguagensTeatro, dança, filmes e música · Atividades para o ensino básico · Literatura de cordel e repentistas
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Central 3 Lá fora, a multidão ocupava o espaço. Era mesmo um dia de negro em Brasil. Nós queremos que esse Brasil mostre a sua cara negra e mostre a sua cara com craça e mostre também a mulher brasileira.

A fala que você acabou de ouvir é a da deputada federal Benedita da Silva, em 1995, diante de um acontecimento muito importante daquele ano, o marco de 300 anos da morte de zumbi dos Palmares. No dia 20 de novembro de 1995, cerca de 30 mil pessoas participaram da Marcha Zumbi contra o Racismo pela Cidadania e pela Vida em Brasília.

Nesse dia, o então presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu o zumbi dos Palmares como o herói nacional, lançando uma medalha e um selo com a imagem de zumbi. Nascia ali grupos de trabalho que dariam origem mais tarde a importantes políticas públicas de reparação voltadas à população negra.

Pela primeira vez na história do Brasil, o Estado brasileiro teve que reconhecer que ele é racista e que a sociedade é racista. Isso levou, inclusive, o governo brasileiro pela primeira vez a instituir uma comissão interministerial para traçar políticas públicas para a população negra. E isso foi um fato muito importante, que foi uma conquista da marcha.

Você acabou de ouvir Ivanir dos Santos, pedagogo, ativista, babalaô e pesquisador brasileiro, cuja fala foi captada e eternizada pelo Instituto Coutini, um instituto dedicado à memória e à história da população negra brasileira.

Mesmo depois de 300 anos, o espírito de liberdade de Zumbi dos Palmares levou a população negra a lutar por liberdade nos mais diversos âmbitos. Hoje, passado quase 36 anos da marcha que marcou o movimento negro e 336 anos da morte de Zumbi, como será que o Quilombo dos Palmares continua vivo e inspirando outras pessoas a buscar a liberdade?

Eu sou a Tatiana Nascimento e esse é o podcast Vida Palmarina. Um podcast sobre como era a vida, a cultura e os costumes dentro do Quilombo dos Palmares. Em cinco episódios, você mergulha comigo e demais convidados para dentro do mais importante quilombo da nossa história e o maior de toda a América Latina.

Caminhando pelo Parque Memorial Quilombo dos Palmares, no município de União dos Palmares, em Alagoas, nos deparamos com uma árvore gameleira branca, conhecida também como Orixá Iroco. A água que verte quase tocando a base dessa árvore se torna uma lagoa, a Lagoa Encantada dos Negros, onde os quilombolas se banharam e recarregaram energias para a luta e para a vida.

Tocar essa árvore ou se aproximar da Lagoa Sagrada é um jeito de entender que Palmares continua vivo, seja na natureza ou na memória passada de geração a geração.

Os jornalistas Marina Lourenço e Taiguara Ribeiro viajaram para oito estados brasileiros visitando quilombos e seus remanescentes e conversaram com dezenas de quilombolas e seus descendentes. Dessas incursões para dentro da história quilombola, nasceu o livro O Grito dos Quilombos, Histórias de Resistência de um Brasil Silenciado, lançado em 2024 pela Todavia. Sejam muito bem-vindos, Marina, Taiguara.

Para começar, vocês viajaram por oito estados brasileiros para conhecer, ouvir e entender o que é quilombo hoje. Conversaram com muitas pessoas. O que vocês mais ouviram sobre o significado de quilombo?

Eu acho que a luta pela terra, quando a gente pensa em comunidades quilombolas atuais, é o que conecta, do ponto de vista prático, a questão quilombola no Brasil. E do ponto de vista simbólico, eu acho que quilombo é esse espaço de resistência, de acolhimento. Foi antes, no período da escravidão, foi no pós-escravidão e é agora.

de formas diferentes, em momentos diferentes, mas sempre este espaço de acolhimento da comunidade, de resistência e de luta, um local onde as pessoas conseguem se inserir para resistir, para sobreviver.

De uma forma prática, é muito o que o Taiguara falou mesmo, está muito conectado a esse passado e esse presente da resistência negra no Brasil. E desse futuro também, porque a gente luta por uma sociedade antirracista e para isso a gente parte do pressuposto de que essa resistência é viva e ela vai se adaptando a novos contextos, novos mundos, novos Brasis que a gente tem por aí.

Marina e Taiguara reforçam que é muito importante pensarmos os quilombos de maneira plural. Afinal, ao longo da história, muitos territórios quilombolas foram sendo esfacelados e retirados de suas geografias de origem. Famílias inteiras migraram ou se dissiparam em processos de migração, dificultando muitas vezes até mesmo o reconhecimento enquanto quilombola. Ser quilombola passa pelo território, mas se espraia para além dele também.

Quando a gente fala de terras em relação a quilombo, é muito além de um lugar onde essas pessoas vivem. É um lugar onde essas pessoas se identificam enquanto quilombolas. Está diretamente atrelado à história daquele local, daquele lugar, daquela região. Então, cada trecho daquele território faz parte da história daquela pessoa também.

Ela acumula as memórias dela, constrói as memórias dela a partir dali. Ela pode ter morado em vários lugares, mas quando a gente fala de um quilombo, ela vai se identificar como quilombola a partir desse território. Então, assim, se torna uma identidade mesmo.

A gente sabe que há uma dificuldade muito grande de encontrarmos registros históricos dos próprios quilombolas. Mas a oralidade, assim como a arte e principalmente a música, são memórias ancestrais que atravessaram os tempos e estão ainda entre nós, rompendo, na verdade, com essa dificuldade. Disso tudo que eu falei de oralidade, arte e de música, o que vocês destacariam?

Assim, de tudo que eu vi, o que mais me chamou atenção é o tambor de crioulo. É um movimento cultural que surgiu no Maranhão, nos quilombos do Maranhão. E continua muito vivo até hoje. Ele tem uma ligação religiosa muito forte, passa ali com um sincretismo religioso.

entre o catolicismo e também a Umbanda. Ele tem também uma ligação festiva, né? De dança, de música. Eles vão cantando cantigas que já são conhecidas por aquela comunidade, por aqueles cantantes. Vão sendo passadas de geração para geração. E cantigas que muitas vezes têm a ver também com as histórias deles, com histórias de coisas que eles cresceram ouvindo.

O tambor de crioula é uma expressão cultural popular de matriz afro-brasileira do estado do Maranhão. Foi uma forma das populações negras resistirem à escravidão. Presente em diversas festividades, como carnaval e festas de Bumba-Meu-Boi, em 2007, o tambor de crioula do Maranhão foi intitulado Patrimônio Cultural do Brasil.

Praticado essencialmente por mulheres, envolve ao mesmo tempo dança circular, canto e percussão de tambores. No centro da roda, as pessoas aproximam os umbigos, encostando o ventre uma nas outras. Isso é entendido como saudação e convite. É praticado como divertimento ou também como devoção. Prestando homenagem a São Benedito, conhecido protetor da população negra.

Nessas rodas, nesses encontros de tambor de crioula, a gente vê ali o culto ao divino, como eu falei. O São Benedito é um santo muito cultuado, muito respeitado. Em muitas rodas ele é passado, uma figura dele, uma miniatura dele, é passada na cabeça de quem está assistindo, quase com uma forma de bênção, aquelas pessoas que estão vendo, que estão prestigiando.

Há diversas histórias que rondam a biografia de São Benedito. Presente em muitas cozinhas e conhecido como um santo das cozinheiras, o santo negro possui relação estreita com a população escravizada. Em uma das histórias, diz que ele doava alimentos para os escravizados como uma forma de ajuda.

Eu destacaria, além disso, do tambor de crioula, esta forma de propagação dos saberes que as comunidades quilombolas têm. Há muitos anos, a sociedade fora do quilombo tem outros métodos de...

de passar o conhecimento e dentro das comunidades quilombolas ainda é muito presente essa questão da oralidade, para você passar os saberes de como funciona essa simbiose entre comunidades e meio ambiente, a forma de utilização da terra, a forma de utilização de ervas medicinais.

As tradições de agricultura, que são inclusive muito impactantes e interessantes relacionadas a sementes, por exemplo, que a gente tem aqui no interior de São Paulo, tem uma tradição quilombola que tem sido inclusive estudada.

porque ela tem uma forma de utilização e de conservação da semente. É muito interessante. Então, todo esse conhecimento, muitas dessas comunidades, uma boa parte dessas comunidades tem muito conhecimento acumulado e esse conhecimento foi sendo passado de geração para geração e de forma através da oralidade das histórias.

Aproveito a Deixa para te convidar a ouvir o EP4 sobre meio ambiente, onde contamos como as práticas trazidas do continente africano influenciaram em modelos agrícolas utilizados ainda hoje por quilombolas de todo o Brasil.

Para a historiadora Beatriz Nascimento, o conceito de quilombo atravessa a teoria e se encontra enquanto memória inscrita no corpo. Ou seja, cada pessoa negra carrega um pouco de quilombo em si própria. Vamos ouvir o que Beatriz disse na voz da atriz Jamile Kazumbá? É importante ver que hoje o quilombo traz para a gente não mais o território geográfico.

mas o território a nível da simbologia. Nós somos homens. Nós temos direito ao território, à terra. Várias e várias partes da minha história contam que eu tenho direito ao espaço que eu ocupo na nação. E é isso que Palmares vem revelando nesse momento.

Eu tenho direito ao espaço que eu ocupo dentro desse sistema, dentro dessa nação, dentro desse nicho geográfico, dessa terra de Pernambuco. A terra é meu quilombo. Meu espaço é meu quilombo. Onde eu estou, eu estou. Quando eu estou, eu sou.

Vocês contam que nessas viagens puderam ver muito mais do que territórios. Vocês viram um grande movimento. Que movimento é esse que viram? E por que sintetizar esse estado de quilombo como movimento e não apenas como território físico e intacto?

O que eu mais notei foi um sentimento de resistência muito grande. E eu sei que a palavra resistência, nos últimos anos, ela até ficou meio desgastada. Mas acho que quando a gente fala de quilombo, é inevitável. Porque são coisas que andam lado a lado.

E acho que movimento, porque é literalmente uma resistência que está sempre em movimento. É muito comum quando a gente pensa em quilombo, a gente, no caso, pessoas não quilombolas, e às vezes até pessoas quilombolas também, pensarem em imagens do período escravocrata, imagens do que seria um quilombo, do que foi ensinado para a gente muitas vezes.

do que seria um quilombo naquela época. Então é muito comum a gente atrelar quilombo a passado. Isso não é necessariamente um problema. O problema é quando o nosso imaginário fica limitado a esse passado. E fica limitado, inclusive, sobre esse próprio passado. Tem uma visão muito rasa sobre como era no passado e tem uma visão limitada no sentido de não conseguir ver o quilombo hoje em dia.

de como que é esse quilombo hoje em dia. Claro, existem, novamente, vários quilombos com realidades muito distintas entre si, mas justamente por isso é uma resistência que está em movimento, é uma resistência que ela está sempre se adaptando às novas realidades, assim como qualquer sociedade no mundo. A gente se adapta, a cultura é uma coisa viva, a cultura está em transformação o tempo inteiro.

E com os quilombos isso não é diferente. Para além dessa simbologia mais lúdica do conceito de movimento, há um significado mais prático da palavra movimento empregada às comunidades quilombolas. São comunidades que se organizam enquanto movimento para lutar por direitos.

Direitos estes que estão garantidos por nossa Constituição, como o direito à titulação de terra e políticas públicas básicas, uma vez que essas comunidades ainda sofrem com diversos problemas, como o acesso a saneamento básico, a saúde ou a educação. Por isso, não é raro ver comunidades de todo o país se reunirem em prol de algum objetivo comum.

Tem uma questão de direitos, a questão de acesso a políticas públicas que está diretamente relacionada com o seu direito, a sua propriedade, você ter direito àquela propriedade. Tem relação de você conseguir garantir que as próximas gerações vão ter um espaço de moradia mesmo, tem relação com a questão alimentar.

E aí vai depender de cada região, claro, de cada espaço. Existem as peculiaridades de cada região do país, de cada cidade, de cada estado, mas tem a ver com a questão alimentar o território, muitas vezes, né?

A gente vê até o movimento mesmo entre um quilombo e outro. Enquanto um quilombo está lutando para ter um título de terra, tem outro quilombo que já conseguiu esse título de terra. Mas isso não significa necessariamente que os problemas acabaram. Ainda sofrem com racismo, ainda sofrem, às vezes, continuam sofrendo com acessos a políticas públicas, como eu já mencionei. Então, há uma fluidez entre um quilombo e outro. As culturas mudam, né?

Durante as entrevistas, Taiguara e Marina perceberam que havia estigmatização e estereótipos que estavam sendo quebrados pelos próprios quilombolas. Muitas pessoas ainda pensavam na figura do escravizado quando mencionavam a palavra quilombola.

que é de imediato o que a gente pensa e não pensa numa figura de um não escravizado, que é a figura dos mais de um milhão de quilombolas que a gente tem hoje no Brasil. Por que a gente não pensa em uma figura atual, contemporânea? A gente tem essa dificuldade que a gente realmente não conhece, a gente não sabe. E isso é fruto, claro, de um racismo institucionalizado que a gente tem no Brasil. A gente não estuda sobre as comunidades negras.

A gente tem uma lei para estudar, para ensinar sobre a África nas escolas e continua sendo um ensino muito raso. Continua sendo um ensino a partir de uma visão colonizadora. Marina e Taiguara lembram que muitos quilombolas saíram dos seus territórios para estudar, uma vez que não havia universidade em suas localidades. Ser quilombola hoje, para muitas pessoas, não é apenas uma questão de território, mas também de identidade.

Ser quilombola é uma questão de autodeclaração, não está relacionada com o território. Boa parte, a maioria, 90, 95% dos territórios quilombolas não são oficialmente registrados. Ainda estão no seu processo de luta. Então, você também, como você determinaria o que é ou não quilombo se você pensasse apenas no território? Você ia levar em consideração só o que é oficial, o que não é oficial?

todos esses critérios entrariam numa questão prática também. Então, quando a gente pensa em um movimento, é o se sentir quilombola, essa conexão histórica também, é o movimento literal, que é o quilombola saindo do quilombo, mas o quilombo não saindo do quilombola, é o quilombola levando.

essa vivência quilombola para outros espaços da sociabilidade. Tem bastante essa questão, além da questão que vem à mente mais rapidamente, que é essa questão da resistência. O quilombo enquanto resistência, não apenas enquanto território, que sempre foi o conceito do quilombo. O quilombo nasce enquanto resistência contra a escravidão. Hoje a gente não tem mais o período da escravidão, mas ainda é necessário muita resistência por conta da falta de políticas públicas, racismo e violências.

Se a história do povo negro e o espírito de liberdade palmarino está no corpo de cada um, o carnaval é um dos maiores exemplos de nosso compromisso com essa ancestralidade. No livro Orixás no Terreiro Sagrado do Samba, Exu Yogun no Candomblé da Vaivai, a jornalista Cláudia Alexandre conta que a percepção de mundo africana criou no Brasil novas linguagens e formas de expressão e de resistência em corpos negros. Aqui um trecho da obra da Cláudia.

Experiências que foram reinventadas em redes de pensares, fazeres, saberes e negociações que seguem driblando todas as tentativas de esquecimento de um lugar do passado e rememorando práticas ancestrais no presente. Falar de samba e escola de samba também é evocar a ancestralidade.

Eu passo o ano inteiro dentro do candomblé. Quando chega o carnaval, parece que vem uma chuva assim, cai na gente assim. É mó barato, eu gosto mesmo. Uma coisa que machuca, dá alegria, faz um montão de coisas. A vai vai é um quilombo, a gente foge pra se esconder. E lá a gente encontra uma comunidade, uma nação, uma vez por ano. Isso é a vai vai.

Este foi o depoimento do Tata Wendembeuassi no documentário Ori, na voz de Jamile Kazumbá.

O Bixiga nasce como um quilombo. É a frase que uma das entrevistadas disse a vocês ao explicar sobre a região onde nasceu e está enraizada a escola de samba Vaivai, onde também foram encontrados vestígios do quilombo da Saracura. Como as manifestações de cultura que vocês encontram nos quilombos que visitaram se relacionam com essa memória ancestral de estar aquilombado?

É muito interessante isso, porque sim, é possível hoje você também dizer que o Bixiga é um bairro italiano. Mas os italianos chegaram depois, muito depois, muitas décadas depois de que já existia um quilombo e que o Bixiga era uma grande comunidade negra. Ainda hoje você tem muita influência, além da vai vai, que é a influência mais óbvia, você tem, por exemplo, na festa de Nossa Senhora Querupita, que para quem não é de São Paulo, é uma das festas mais tradicionais que tem na cidade, uma festa de origem italiana, com o Bixiga.

comida italiana, da comunidade italiana, mas que tem uma participação muito grande da comunidade negra a igreja de Nossa Senhora Queeropita, é uma das igrejas aqui em São Paulo, onde você tem uma cerimônia afro, você tem uma cerimônia católica com elementos de religiões de matriz africana dentro da igreja isso tudo é reflexo da potência que teve a comunidade, do tamanho que teve a comunidade negra antes mesmo dos italianos chegarem da potência

A oralidade ajudou a manter o bexiga negro e o quilombo da Saracura vivo. Para quem gosta de samba e para quem gosta de carnaval, os sambas e enredos da Vai Vai sempre mencionavam Saracura.

O apelido da escola é Saracura, que é o nome do quilombo. Em diversos momentos, a Vaivai se intitula como quilombo. Isso sempre esteve ali, dentro da comunidade do samba. E o samba foi trazendo essa memória, passando das gerações mais velhas para as gerações mais jovens.

Isso mostra um pouco de como foi o apagamento, que não ocorreu só em São Paulo. Hoje, um dos principais pontos turísticos da cidade do Rio de Janeiro, que é a Pedra do Sal, as pessoas vão até lá, de vários lugares do mundo, para curtir um samba que ficou famoso. E esse samba surgiu através da luta de uma comunidade quilombola. A Pedra do Sal é um quilombo. Ainda hoje, inclusive, é um quilombo reconhecido. Ganhou na justiça.

Na prática, não. Na prática ainda existe uma luta, mas na justiça esse processo tem dado ganho de causa para a comunidade quilombola, a Pedra do Sal e praticamente mesmo as pessoas que moram na cidade do Rio de Janeiro, turistas, então, é bastante provável, as pessoas não sabem ali que aquilo era um quilombo, é uma região conhecida como Pequena África.

Em vários lugares do Brasil, as manifestações culturais e movimentos negros, principalmente quilombolas, foram sendo apagados.

O Bixiga, por exemplo, ficou conhecido como um bairro somente italiano. Hoje, gentrificado, tem um alto valor de metro quadrado. A Avenida 9 de Julho, uma das mais importantes de São Paulo, próxima à Avenida Paulista, foi construída por cima do rio Saracura e tornou-se cartão postal da cidade. Ela estava ao lado do quilombo. Por que será que essas histórias não são contadas?

As expressões religiosas de matriz africana são também exemplos de como quilombo se faz vivo, passando tradições e ensinamentos seculares de geração a geração. Ao serem escravizados no Brasil, negros e negras encontraram na expressão da espiritualidade e na retomada do corpo como território,

Uma forma de se comunicar, se fortalecer e transmitir o conhecimento. Os orixás são forças da natureza com conexões familiares, que trazem essa ponte entre passado, presente e futuro. Nesse áudio, Roger Cipó fala um pouquinho sobre essa relação do povo negro com os terreiros. O terreiro é esse quilombo que nós conseguimos reconstruir.

É o quilombo que vai acolher a todos e a todas, com todas as suas diferenças, com as suas singularidades. E nesses espaços o acolhimento se dá a partir das relações afetivas. Aqui é as origens dos meus antepassados que a gente vive.

Toma banho de ervas, reza, acende as velas, né? Tá muito em contato com os orixás. O que tá aqui, de repente, vira santo aí, senta no chão e dorme na esteira. Então, é isso, né? As minhas raízes. Quilombo.

Palavras da Eke de Gemini Desi em Ori, na voz da Jamile. Como a religiosidade aparece nos quilombos por onde vocês passaram? E para além das religiões de matriz africana, também tem outras? E como todas essas religiões aparecem junto à luta pela própria terra nos quilombos pelo Brasil?

Eu citaria, ou começaria falando sobre isso, eu citaria o professor Flávio Gomes, que é um dos principais estudiosos e que mais entende de quilombo no Brasil do ponto de vista de pesquisa, enfim, de outros pontos de vista também. E ele sempre diz, quando ele vai falar sobre quilombo, que é importante a gente não ter uma visão estereotipada do que é um quilombo.

pessoas ouvem música sertaneja nos quilombos, os quilombos estão em locais rurais, são comunidades rurais as pessoas não ouvem apenas samba uma vez ele falou as pessoas acham que o Holodum é muito menos próximo

do que é um quilombo, do que o chavantinho, assim. Reflexionando essa questão estereotipada. E a religião também. Você tem pessoas, muitas comunidades evangélicas, como a igreja evangélica, ela teve uma penetração muito grande no Brasil nas últimas décadas, e não seria diferente nos quilombos.

É, é muito plural, né? A gente tem diferentes crenças, a gente tem quilombos que também não tem nenhuma crença mais forte na comunidade e tem quilombos em que você tem mais de uma crença forte. Teve alguns que a gente visitou que parte da comunidade era evangélica, parte era da Umbanda.

A própria ideia de como a religião evangélica tomou força, foi tomando força aos poucos no Brasil e hoje ocupa um espaço muito grande em termos de fiéis e tudo mais, tem a ver um pouco também com o assistencialismo que é encontrado muitas vezes nas igrejas evangélicas por uma falta de o Estado não chegar muitas vezes onde os pastores, as pessoas da igreja chegam.

E isso não é diferente, muitos dos quilombos que a gente visitou, não todos, mas muitos dos quilombos que a gente visitou que são evangélicos, tinham uma história parecida nesse sentido, de a gente começou a ter uma proximidade com a igreja, porque...

O pastor vinha, ajudava a gente, a gente conseguia ter acesso às coisas. E aí, enfim, começamos a participar dos cultos, nos identificamos com aquilo e tal. O culto mesmo, assim, às vezes na comunidade você via uma santa sendo muito cultuada, a imagem dela sendo muito cultuada ao longo da comunidade, nos lugares da comunidade.

Eu acho que é isso. Quando a gente fala de quilombos e religião, a gente tem que ter em mente que, primeiro, não dá para a gente generalizar e achar que todos são iguais. Porque, realmente, assim como os outros pontos de cultura e tal, também continua válido para a religião. É uma coisa que tem suas diferenças. Cada quilombo vai ter sua história.

Vocês abrem um livro contando a história dos quilombos no Rio Grande do Sul e, nos capítulos finais, trazem a realidade da região que chegou a ser conhecida como Quilombo dos Palmares da Amazônia. Os quilombos não têm estrutura idêntica e são, na verdade, bem diferentes entre si. Que diferenças e semelhanças vocês encontraram ao percorrer tantos quilombos? Vocês podem citar alguns exemplos?

Eu diria que as semelhanças eu pontuaria de novo a questão da luta pelo território, pela terra, pelos direitos. É a primeira coisa que as pessoas falam quando você chega na comunidade, é uma coisa geral, independente da região. E a oralidade, que é outro ponto que a gente já falou também na nossa conversa, essa questão da oralidade é muito presente nos quilombos de formas diferentes, mas sempre uma questão de oralidade.

Toda comunidade, ela nasce rural, comunidade quilombola, ela nasce rural, mas ela foi, entre aspas, alcançada pela urbanização da cidade. Por exemplo, o quilombo do Sacopan, que hoje está na Lagoa Rodrigo de Freitas. Para quem não conhece tão bem o Rio de Janeiro, uma das regiões mais nobres da cidade. Eles têm uma vista para o Cristo Redentor, enfim. E também estão ligados com toda a questão que a urbanização traz também, transporte.

público ou não público também, acesso à educação, saúde e outros aspectos ali que existem durante a urbanização. Comércio, eles também acabam sendo influenciados por todo esse aspecto da urbanização que a urbanização traz.

só para citar um exemplo, e você tem comunidades que são mais afastadas, como no Pará, que você tem comunidades que elas estão a 12 horas de barco do centro da cidade. Então, para chegar na comunidade, você demora 12 horas. E, obviamente, essas comunidades vão ter aspectos cotidianos totalmente diferentes, enquanto uma está no centro de uma das maiores cidades do Brasil, que é o Rio de Janeiro, a outra...

está a 12 horas do centro da cidade que já é uma cidade longe da capital, né? Que é Oriximiná, por exemplo, que já está na divisa com Suriname. É uma cidade a quilômetros de Belém do Pará, então ela está muito longe dessa centralidade cotidiana do formato da cidade que a gente tem hoje. E ainda assim...

Para chegar na comunidade, você precisa dessas 12 horas. Isso vai influenciar, impactar o dia a dia e na forma de viver totalmente dessas comunidades. Então, eu diria, daria esses dois exemplos só para a gente entender que essas comunidades têm formas de viver diferentes. As comunidades urbanas, elas trabalham nos empregos urbanos, lojas, mercados, escolas e etc.

Essas comunidades mais afastadas vão ter um modo de vida muito ligado à pesca, à coleta de caranguejo, por exemplo. É similar, sem dúvida, essa questão de terras, porque até as comunidades que têm o título de terras, têm a garantia de posse definitiva daquelas terras, elas têm uma trajetória muito similar em termos de como foi difícil.

conseguir aquele título. E não necessariamente também o título livra elas de problemas com aquele território. Então, o território nunca é só um pedaço de terra, ele é muito além disso. E acho que nas questões de diferença, a forma como aqueles quilombolas passaram a se enxergar quilombolas, a forma como eles cultuam uma tradição que foi passada de geração para geração, a forma como eles...

têm as suas crenças ou exercem as suas crenças, enfim tudo isso vai ser muito diferente de uma comunidade para outra, são histórias diferentes, são trajetórias completamente diferentes, a relação inclusive com o passado é diferente, tem comunidades que tem

pouquíssimas informações sobre o passado da própria comunidade, tem comunidades que já sabem muito bem, sabem, na ponta da língua, várias histórias de como a comunidade se formou, de como a ideia de quilombo ali passou a existir, enfim.

Então eu acho que essas trajetórias também eu frisaria que eu acho que foi uma coisa que me chamou muita atenção. E acho que é importante a gente saber dessa pluralidade para não cair numa caixinha de reduzir todas essas pessoas a uma única figura, uma única ideia de uma única comunidade. São muitas comunidades que a gente tem aqui no nosso país.

No livro, vocês também refletem sobre a pedagogia quilombola e explicam que há elementos diferentes no currículo escolar quilombola. Poderiam falar um pouquinho sobre isso?

Tem uma coisa sobre a educação quilombola, um método de ensino que faz com que toda a grade curricular, tudo que vai ser ensinado, tudo que vai ser aprendido a partir daquela escola, que em geral acontece dentro dos próprios quilombos, né? Às vezes, sim, não é dentro dos próprios quilombos, mas...

relativamente perto, próximo daquele quilombo, vai ser aprendido e ensinado o que está conectado com aquelas pessoas também. Então, como você vai aprender ou vai ensinar matemática? Você vai ensinar matemática de uma forma muito similar à metodologia mais tradicional?

Mas você também vai ver como aplicar isso no dia a dia daquelas pessoas que estão ali, daqueles quilombolas que estão ali. Então, estudar a economia desse quilombo. Vai estudar como fazer... Ah, então estamos falando de um quilombo que planta...

planta, sei lá, melancias. Então, vamos estudar como que a gente deve plantar melancias, porque a gente tem gerações que vão chegando, né? As pessoas, às vezes, vão saindo do quilombo, vão morar fora. Então, a gente precisa manter, preservar essa cultura, essa história. Vamos aprender história, a história do Brasil, e vamos também aprender a história do nosso território.

Nos anos 2000, a luta do movimento negro se espraiou e ganhou novos contornos, endereços e formas. Uma delas é o surgimento dos quilombos culturais. No livro, Marina e Taiguara explicam. Esses quilombos culturais são casas de entretenimento, que não são necessariamente remanescentes diretos de quilombolas, mas que têm na memória e na ancestralidade a sua grande missão.

O que são esses quilombos culturais e qual é a importância deles? Eu acho que é importante destacar logo de cara que o movimento negro, os movimentos negros, eles tiveram um papel bastante importante, inclusive, sobre esse entendimento de muitas comunidades para conseguirem se identificar enquanto quilombolas. Então, se hoje a gente tem uma grande quantidade de comunidades se autodeclarando quilombolas.

os movimentos negros tiveram esse papel. E nessa esteira, a palavra quilombo, ela deixou de estar também só ligada ao território, e ela começou a estar ligada a esse espaço de resistência da cultura negra, onde muitas vezes você vai poder ter manifestações culturais que têm menos apelo midiático, que têm menos espaço.

menos investimento e esses espaços servem muito para isso eles estão muito ligados às cidades esses espaços culturais, muito ligados às grandes capitais e eles estão muito ligados também a um espaço de acolhimento da comunidade negra que muitas vezes em outros tipos de espaços culturais sofre preconceitos não se vê representado então vira um espaço de comunidade também, por isso quilombo da crise

onde as pessoas resistem ali culturalmente, socialmente e afetivamente. Você tem até hoje em dia blocos de carnaval com o nome de quilombo, você tem casas de show, de cultura, então essa coisa do quilombo é muito para marcar uma posição política também, para você marcar que aquele é um espaço que dá preferência para manifestações negras, onde as pessoas negras vão poder...

sentir mais acolhidas. Não é um espaço restrito a pessoas negras, mas quem chegar ali tem que estar com esse pensamento em mente.

Quando se fala em quilômetros culturais, a gente está falando também de um conceito que é relativamente novo, essas casas de cultura, que tem uma preservação e um estímulo à cultura negra, às culturas negras no geral. E são espaços em que a gente vê um estímulo muito grande de cultuar músicas de artistas negros, músicas de gêneros negros.

danças ligadas também às culturas negras moda, vários fatores que estão ali se convergindo em valorização acho que essa é a palavra que estava tentando encontrar de valorizar os povos negros valorizar as culturas negras uma valorização específica da brasilidade negra, acho que

qualquer pessoa negra que viva no Brasil e já tenha experienciado ocupar espaços muito brancos ou muito embranquecidos, com certeza já se sentiu de alguma forma deslocado. E esses espaços, eles vêm com a proposta justamente de trazer um certo acolhimento, de promover isso, enfim. Acho que quando você pergunta sobre o Abdias do Nascimento também,

É muito interessante como a visão que ele traz é justamente para desmanchar, desconstruir aquela ideia mais estereotipada de estamos falando de quilombo, então estamos falando de... Ele até fala, quilombo não é escravo fugido. E ele vem com a proposta de que quilombo tem a ver muito mais com esse senso de comunhão, esse senso de comunidade mesmo, negra, de convivência e de vida. Abdias disse...

Quilombo não significa escravo fugido. Quilombo quer dizer reunião fraterna e livre, solidariedade, convivência, comunhão existencial. Ele traz um conceito de como isso funciona na prática, como que isso é, o sentimento desse pertencer quilombola, o sentimento dessas comunidades, o que há ali, o que é essa negritude que está.

inteirando qual que é esse senso de comunidade que une esses quilombolas. Eu acho que isso é uma coisa que a gente pode perceber também em todos os quilombos que a gente foi, esse senso de comunidade muito grande de, por mais que esses quilombos sejam diferentes entre si, por mais que cada um tenha a sua história, cada um tenha a sua realidade, esse senso de comunidade é muito presente.

quando a gente entrevistou o Zezito Araújo para o episódio 2 sobre a questão econômica em Palmares, lá no final da entrevista, perguntamos a ele o que poderia ser feito com a história de Palmares para que chegasse aos ouvidos de mais pessoas. Então, a seguir, vocês ouvem a resposta dele. A resposta de um homem cuja própria história se entrelaça a Palmares e que conhece como poucos essa trajetória.

reproduzir a história de Cromos Romares com outras linguagens. Teatro, dança, filmes, música, atividade para o ensino básico, literatura de cordel, repentistas, editais. Eu acho que a gente tem que criar esses instrumentos.

Porque eu vejo que muitas das coisas que hoje passou a ser consumida pelo público brasileiro é através das artes, através das mídias sociais. Só que a gente tem que dar essa linguagem mais popular. E a história do quilombo de Palmares talvez tenha uma maior penetração com o olhar crítico das pessoas para entender a importância dessa história para a população brasileira, não só para a população negra.

Este foi o último episódio da série sobre como era a vida dentro do quilombo dos Palmares. Nos preocupamos em trazer e ampliar o que entendemos como quilombo, para que aqueles que se identificam e acreditam num outro tipo de sociedade saibam que há espaço para o aquilombamento sempre. Foi um imenso prazer poder dividir tudo isso com vocês nesses cinco episódios.

Fechamos com um poema lindo da poetisa, escritora, cantora e atriz Elisa Lucinda. Uma griot que vem nos ensinando há muitos anos outras possibilidades de ser. Eu canto aos palmares, sem inveja de Virgílio, de Homero e de Camões. Porque meu canto é o grito de uma raça, em plena luta pela liberdade.

Abatidos fortes, de bombos, de atabaques em pleno sol, a gemidos nas palmeiras, soprados pelos ventos, a gritos nas selvas, invadidas pelos fugitivos. Eu canto aos palmares, odiando repressores de todos os povos, de todas as raças, de mão fechada contra todas as tiranias.

Fecham minha boca, mas deixam abertos meus olhos. Maltratam meu corpo, minha consciência se purifica. Eu fujo das mãos do maldito Senhor. Meu poema libertador é cantado por todos, até pelo rio. Meus irmãos que morreram, muitos filhos deixaram. E todos sabem plantar e manejar arcos.

Muitas amadas morreram, mas muitas, muitas ficaram vivas. Dispostas a amar, seus ventres crescem e nascem novos seres.

Vida Palmarina, uma realização da produtora Janga e da Central 3. Eu sou a Tatiana Nascimento, apresentadora e idealizadora. Jéssica Moreira e Bebel Nepomuceno realizaram a pesquisa desse episódio e a Jéssica também roteirizou.

A edição de som, trilha sonora e direção criativa são de Joe Prats. E a coordenação de produção de Elaine Elias. Lyndon Johnson assina a direção de arte da campanha. E Cirilo Dias é o responsável pelas redes sociais. Domenica Mendes é a gerente de operações. E Caio Maia e Letícia Negriziolo são os produtores executivos.

Nesse episódio, utilizamos áudios históricos gentilmente cedidos pelo acervo do Instituto Cultural Coutini, www.coutini.org.br e www.coutini.tv. E do IPHAN, sobre o tambor de crioulo.

Se você gostou, não esqueça de deixar cinco estrelinhas no Spotify e seguir a gente no Instagram em arroba janga__br e arroba central3, tudo junto e por extenso. Eu espero que a gente se ouça numa próxima temporada. Até mais!