Se desconstruir para se reconstruir - Parte II
Neste episódio, Fernanda Besen compartilha uma trajetória marcada por disciplina, construção e transformação. Mais do que falar sobre sucesso, esta conversa revela a coragem de se desconstruir para se reconstruir ao longo da vida. Um episódio sobre identidade, amadurecimento e a força de rever a si mesma para seguir de forma mais consciente e inteira.
Michele
Fernanda Besen
- Desconstrução e reconstruçãoIdentidade e amadurecimento · Maternidade e desafios · Perda e luto · Apoio feminino
- Experiências de vida e superaçãoGestação e maternidade · Empreendedorismo · Relações familiares
- Transformação PessoalReconexão com a própria identidade · Crescimento após a dor
Nem toda voz faz barulho. Algumas transformações se constroem em silêncio. Aqui, histórias reais ganham espaço. Esse é o Sementes de Coragem. Olá, seja muito bem-vinda, muito bem-vindo ao podcast Sementes de Coragem.
Histórias que inspiram. Bem, como vocês viram, a história da Fernanda não coube apenas num único episódio. Eu precisei dividir a história da Fernanda e nós estamos colocando no ar o segundo episódio. Para você que gostou muito do que a Fernanda trouxe sobre morar fora, sobre os desafios de uma jovem ir morar fora do país, os desafios do empreendedorismo e também as rupturas que a Fernanda sofreu neste primeiro momento que a gente contou no episódio,
Tem muita coisa legal pra acontecer no segundo. Então, o convite que eu te faço é que você venha assistir o segundo episódio, porque a Fernanda tem muita coisa pra contar. Fique, então, com a segunda parte. Eu te convido a pegar uma pipoquinha, porque isso vai valer a pena. A Nola, no momento, e eu descobri que eu estava grávida, no dia que nós dois completamos um ano de casamento.
vocês também foram os primeiros a ficar sabendo. No dia que eu descobri que eu estava grávida, o Leandro... Obviamente, nós não sabíamos se era menina ou menina. O Leandro virou para mim e falou assim, a Nola está vindo. A gente sabia. E, para mim, era muito claro. A história da Luna era a história dela. E aquela gestação, aquele outro ser, a Nola, que estava por vir...
Era outra história, era outra... E desde a gestação, era outra energia. Eram crianças completamente diferentes dentro já da minha barriga. Totalmente diferentes. Não tem nem como... A Luna, ela se fez presente o tempo todo. Desde o começo. E ela se faz presente. Ela mexia na minha barriga de uma forma que era isso, assim. Era exatamente... Hoje, hoje, eu percebo que era isso, assim.
Ó, tô aqui, tô aqui, ó, ó, ó, ó, meu cotovelo, ó, ó, o chute. E a Nola era calma, tranquila. Eu tinha que comer chocolate, eu tinha que fazer pra incentivar a Nola de... Porque ela era... Hoje é uma atletinha. E hoje não tem nada a ver com aquela criança que tava. Não sei por que puxou.
Mas foram, para mim, duas histórias completamente diferentes. Duas distações completamente diferentes. Em um momento algum, eu tive medo da Nola, da história dela. Associei com a Luna. Mas será que... De alguma forma, eu sabia que não ia acontecer. É impressionante a forma que você encara os momentos da sua vida.
E faz muita conexão com o começo da nossa história, da nossa conversa, né? De o tempo todo ficar se desconstruindo para se construir, assim. Poucas mulheres, assim, né? Lógico, é o que a gente falou, assim, eu não tenho nem o que dizer o que é perder um filho, né? Mas conhecendo, assim, algumas mulheres que já deram relato, assim, a diferença que foi...
de você ressignificar tudo isso, assim. A gestação da Luna foi da Luna, da Nola foi da Nola, a Nola está aqui com a gente, né? É isso que é lindo de vocês, assim, porque não existe só vocês três. Não. Nunca foi assim.
E aí tem uma coisa assim, e aí veio, a Nola veio, saudável, linda, nossa ruiva, que uma hora era ruiva, uma hora era galega. Está nessa transição ainda. Cheia de personalidade. Eu ia falar de uma personalidade, da mesma forma que você teve a Tia Rita como espelho e tem a Tia Rita como espelho. Eu tenho plena certeza que a Nola te tem como espelho.
Graças a Deus, as nossas filhas são privilegiadas com pais maravilhosos que também fortalecem isso nelas e elas olham muito para a gente. Então, a Nola vem aí crescendo de uma forma linda. E o que eu quero te perguntar é que doideira que deve ser a Fernanda empresária, a Fernanda mãe, a Fernanda esposa.
A Fernanda filha. E aí, um detalhe. A Fernanda faz crossfit, a Fernanda faz boxe, a Fernanda joga vôlei. Eu não sei que horas você dorme. Eu ia querer te fazer essa pergunta. Já foi essa frase. Em que momento a Fernanda... Mas... Como é que é tudo isso para você? Porque você tem o Leandro que te apoia, tem a tua rede de apoio que te irrita também. Agora, tua irmã recentemente, não tão recente também, vem embora para cá. Como que você...
Eu já passei por vários altos e baixos. Eu me desconectei muito, depois, quando a Nola nasceu, eu me desconectei muito da Fernanda mulher. E hoje eu vejo como foi importante essa desconexão, porque quando eu me reconectei, eu encontrei uma nova versão de mim mesma que eu nem sabia que existia. E que muito provavelmente sempre esteve ali.
Então, foi muito importante essa transição. Mas eu demorei. Demorei mais de três anos e meio. Eu ia trabalhar. Imagina. Demorar de ocupar esse espaço de mãe. De viver a maternidade com ela. Não. Mulher. Eu me joguei como mãe. E me perdi totalmente da Fernanda. Eu era uma máquina. Mãe e empresária. Ponto.
Meu marido, pacientemente, teve que aturar essa versão horrorosa minha. Horrorosa... A gente fazia um adendo aqui, a nossa dupla, Leandro e Leonardo. Sério, vocês têm uma paciência. Obrigada. Tem, tem. Olha... Meu marido fala que é o anjo da humanidade, o fim deve ser mesmo. Olha, é fácil aguentar essas duas, não. É porque a Nola teve muita dificuldade para dormir.
Eu lembro. Nos dois primeiros anos, dois anos e meio de vida da Nola, e o Leandro sempre dormiu muito rápido. Então, o Leandro, ele olhava pra mim e no outro dia ele falava Bom dia, meu amor! Eu tinha vontade de matar. E ele olhava e ele falava Só se for pra você! E hoje em dia ela dorme super cedo. Hoje no meu Deus. Mas eu me desconectei muito. Eu me perdi muito de quem eu era.
Então, eu só... Imagina, eu levar... Gente, eu tive situações de atender clientes com os pés de fora, porque eu amamentei muito tempo, né? Então, de eu ter dado uma má e esquecer de fechar a ponta toda suja de leite. Não foi uma nem duas, foram algumas vezes. Porque eu colocava ela no sling e eu ia trabalhar. Embora eu sempre tive uma equipe...
fantástica. Que a maioria... Era você, né? Você queria... Que a maioria deles estão comigo até hoje. Mas era eu. Eu tinha que estar lá. Era uma coisa minha. Não tinha absolutamente nada a ver com eles. O Leandro tomava conta e estava indo. Não faltou nada. A loja não estava afundando. A loja não estava passando por problemas. Ela não estava em decadência. Não tinha nada a ver com isso. Eu precisava me sentir útil além de ser mãe.
E eu não conseguia encontrar o equilíbrio disso. O que fez você encontrar o equilíbrio disso? Quando eu comecei a... Eu tenho uma amiga, virou uma grande amiga, foi amiga de maternidade, a Nanda. E ela brinca até hoje que ela me stalkeou. Não é verdade. Ela fala até hoje. Eu te stalkeei porque eu queria muito ser tua amiga. E ela me carregou.
pra um outro grupo de mulheres, mães, também, que eram recém-mães. Você se encontra até hoje, né? Eu participo de dois grupos. E ela fez eu sair. A Nola já tinha três anos e meio. Ela fez, e o Leandro me apoiando. Você vai. Eu, não, mas isso é... Não, porque ela vai precisar de uma lado, porque ela vai ter que trocar a fralda. Você vai. E a Nanda...
A gente vai, a gente vai. E me tirou de dentro de casa. Gente, eu estou falando isso. Era oito e meia da noite. Dez e meia eu ia estar em casa. Por isso que eu estou te falando. Eu realmente me perdi. Eu me perdi. Eu não sabia. Eu não sabia mais quem eu era. O que eu gostava. Eu não sabia me arrumar. Nada. Nessa fase, eu também... Eu estava começando a voltar a fazer exercício físico. Bem devagarinho, assim.
E foi ela, assim, que me levou. E daí eu comecei a ter esse grupo, que são as minhas amigas. A gente é amigas até hoje. Gabi, Roberta, Dani, Ananda. Mas eu já participava de grupo online, de WhatsApp, de mulheres, mães, que a gente tinha muita troca ali.
Estou falando isso porque em Balneário a gente se via muito pouco. Você é envolvida na tua vida. Embora a gente... É uma vergonha, que a gente sempre falou isso, que é uma vergonha, a gente está tão perto. Embora a gente que se começou. Eu não tinha família, não tinha absolutamente ninguém. A nossa história é muito parecida em relação a isso.
Então, eu fui muito abençoada, assim, porque eu tive esse grupo. E, daí, depois, eu me reconectei com esse grupo, que era online. Elas passaram a se encontrar e eu não sabia, por alguma razão, que até hoje todo mundo... Ninguém sabe por que eu não fazia parte. Eu sei que uma delas me convidou para um chá de bênçãos e eu fui.
E elas me olharam e falaram assim, tá bom. Por que você não está nesse grupo desde o começo? Eu falei, gente, não tenho a menor ideia por que eu não estou. Mas eu devia estar nesse momento a partir de agora. Enfim, e elas são minhas amigas até hoje. É um grupo lindo. É um grupo, acho que a gente está... Somos umas 19 mulheres, talvez um pouco menos agora. Não me recordo. E são mulheres...
que a maternidade precisa muito, Mi, esse grupo de mulheres se apoiando e se entendendo e se erguendo e se ajudando. E quando uma cai, a outra está ali. Que as histórias se repetem muitas vezes e que alguém pode te ajudar de como eu fiz para sair desse lugar. Exato. E se complementam. Também. É muito importante isso. E foi fundamental.
da minha maternidade. Foi um divisor de águas. Eu acho que se eu não tivesse encontrado esses dois grupos, a minha maternidade ia ter sido muito mais solitária e muito, possivelmente, muito mais difícil. Embora eu sou muito grata, por isso que eu falo que a Luna é a minha maior professora, porque...
de alguma forma, ela está sempre me ensinando para eu estar buscando as coisas para a Nola. O entendimento, o estudo, de estar sempre me desconstruindo de novo. Quem eu sou? Que exemplo eu quero ser? O que eu quero trazer? Mas eu tenho certeza que foi com a Luna que acendeu essa chama para ser a mãe da Nola.
Fer, e aí, lembrando da tua história ali de adolescente, do apoio que você sempre teve do tio Caio, e se eu não estou errada nas minhas contas, há dois anos, quase três, o tio Caio foi convidado pela Luna para encontrar com ela lá, deixar o céu mais divertido. O tio Caio sempre foi uma pessoa que...
sempre muito alegre, assim, né? A gente sempre encontrou com ele, sempre muito alegre. Ele podia estar com dor, inclusive, do problema com o monarca que ele tinha, que era um dos mais fortes, assim. E cada vez que eu vou na sua casa, eu sempre lembro dele. Eu entro lá, não tem como eu não entrar lá e não lembrar do Chucay.
E tudo porque ele sempre foi muito presente. A gente estava lá, ele conversava com a gente como se fosse da nossa idade. Ele sempre transitou muito bem nas diferenças de idade. Ele sempre conversou sobre tudo do jeito dele. E aí, nesse momento, você dá tchau para uma pessoa que foi por muitos anos, desde que você se entendeu por gente, a tua base. Da que a Fê se viu nesse momento. Sabendo que tinha duas pessoinhas agora olhando por ela, só que de outro lado.
A passagem do meu pai foi bem... Foi muito bonita. A despedida dele no hospital com a minha mãe. Eu estava junto nesse momento, na hora que aconteceu. E ela foi muito marcante para mim. Porque estava eu e ela e ele estava sedado. E eu, por muito tempo, como eu ajudei a cuidar do meu pai, eu já entendia muito sobre monitoramento.
No hospital, né? Então, quando a gente chegou... Ele já morava aqui com vocês. Ele já estava morando em Balneário. Eles vieram na pandemia. E eu cheguei, a primeira coisa que eu fiz foi bater o olho no monitor para eu já entender como estava a saturação, a oxigenação, temperatura, né? E a minha mãe não entendia nada. E eles já tinham nos chamado algumas vezes para a gente se despedir dele. E ele estava lá.
Continuou firme e forte. Nesse dia, a minha mãe veio. E a minha mãe veio com o santinho junto. E a minha mãe começou a rezar e falar com ele. E passava esse santinho em volta dele. Ela caminhou na cama em volta dele. Pegando no pé dele. E ela foi conversando da história dos dois. Foi uma história dos dois.
pedindo desculpa, pedindo perdão, falando que entendia ele, que aceitava ele. Enfim. E na medida que a minha mãe ia falando, e eu ao lado dele, segurando na mão dele, eu olhava para o monitor e ia baixando a oxigenação. E daí eu chorava. E a minha mãe não estava entendendo nada por que eu estava chorando. E a minha mãe continuou fazendo isso. E à medida que a minha mãe foi fazendo, ele foi se despedindo.
E eu lembro que na hora que a gente saiu ali, volta dele, eu dei um beijo no rosto dele, e eu abracei a minha mãe, a gente saiu, e a minha mãe muito ingenuamente virou pra mim, ela falou assim, ai agora, chorando, né? Ela falou assim, eu acho que ele não volta.
E eu sabia que ele já tinha ido. Porque na hora que eu saía, a oxigeração dele já estava em menos de 50. Então, ali eu já sabia que ele não voltava mais. Que ele já tinha ido, na verdade. Eram só as máquinas que estavam ali, sabe? Ele fez naquele momento ali. E daí eu só abracei ela e falei, não, mãe, ele não volta. Ele vai seguir o caminho agora e ele finalmente vai respirar.
E daí a gente saiu, a gente foi para casa. E daí a minha mãe falou, eu preciso achar um padre, porque eu preciso que um padre vá lá e vá fazer a tremunção, acho que chama, fala assim. E nem deu tempo. Eu acho que do tempo que a gente saiu de lá e que a gente chegou em casa, deu uma hora e meia, duas horas talvez no máximo.
O hospital ligou perguntando se a gente precisa... Porque eles não falam por telefone, obviamente. Na hora que eles deram a notícia, hoje eu olho e vejo como foi bonito. Estava eu, a minha irmã, a minha mãe e a minha filha lá na casa da minha mãe. E na hora que ela deu a notícia, eu ouvi que ela falou assim, Ah, eu preciso...
Você poderia vir até o hospital, a gente precisa conversar com você e tal. Eu desliguei o telefone e eu olhei pras duas e falei, o papai se foi. E nós três nos abraçamos e choramos, mas foi um choro, não foi um choro de desespero. Não houve desespero, foi um choro de saudade. Um choro de a gente não vai mais ter ele aqui, sabe? Não foi aquela coisa...
Foi bonito, sabe? Foi uma união de três mulheres ali sofrendo de formas diferentes, porque eram duas filhas sofrendo a partida do pai e ali era uma mulher sofrendo a partida do companheiro dela, o pai das filhas dela, sabe? Então, foi muito bonito. Hoje, quando eu lembro desse momento,
Aí eu liguei para o Leandro. O Leandro estava na loja. Na hora, o Leandro já veio ali, me buscou. E foi muito... Foi muito bonito, assim. Porque o meu pai era um cara...
Meu pai foi um cara muito massa. Cheio de defeito. Cheio de defeito. E eu sabia dos defeitos dele. Não é que, tipo, que eu fui entender quem era o meu pai depois que ele... Não! Eu sabia de um monte de merda que meu pai fazia, um monte de cagada que meu pai fazia, um monte de coisa errada que ele falava sem pensar. Mas, mesmo assim, e eu sempre falei isso pra ele, olhando nos olhos... Sempre tiveram uma relação muito aberta. A gente teve sempre uma relação muito linda. Eu sou ele.
E eu sempre falei isso olhando nos olhos dele. Eu falava assim, você é um pai muito massa. Cara, eu podia ter tido um pai melhor. Matu é um péssimo marido. Eu jamais ia querer ter um marido como você. E ele ria, porque no fundo ele sabia que era verdade. O que eu estava falando. Ele sabia. Ele tinha essa consciência. Ele sabia. Então foi muito...
Foi muito difícil eu me sentir órfã de pai. Eu me senti... Eu me senti muito sozinha. E eu acho que o Leandro sofreu muito com isso. Porque eu acabei jogando muito isso nas costas dele, assim. Porque...
Era realmente para o meu pai que eu ligava na hora que o bicho pegava. Na hora que eu estava muito desesperada, com medo de alguma coisa, da loja, por exemplo, medo de empreender alguma coisa. Enfim, da minha própria vida, a gente tinha uma troca muito bonita de vida, de relacionamento, de insegurança, de defeitos, de qualidades. E, quando meu pai se foi, eu me vi sozinha.
Ou eu me sentia sozinha. E várias vezes eu falei isso pro Leandro. Porque eu me sinto sozinha. E tadinho. Cara, isso deve ter doído muito pro Leandro. Pô, ele tava ali, entendeu? Ele tava ali. Não é que ele não tava. Ele tava ali. Pô, Feira, eu tô aqui.
Então, foi muito difícil para mim eu ter essa... Só que, por outro lado, eu nunca me desconectei do Leandro. Não é que eu dava prioridade para o meu pai e eu não tinha... São coisas diferentes, né? São coisas diferentes. As mesmas trocas que eu tinha com o meu pai, eu já tinha com o Leandro também. Eu comecei, ah, eu conversei com o meu pai sobre isso. Leandro, não, acho legal. E como a gente pensava parecido, então, não era que existia uma divergência ou um...
um abismo entre nós, não existia. Então, com a partida do meu pai, não é que eu me aproximei do Leandro de uma outra forma, mas eu tive que reaprender a viver essa solidão de não ter o meu pai e encontrar nele essa figura masculina. Porque até então, de alguma forma, ignorante da minha parte, ele era meu marido.
Mas o meu porto seguro era meu pai. E eu tive que aprender a transferir esse porto seguro para o Leandro. Porque era minha referência de homem a partir dali. E eu não queria mais estar ocupando esse lugar, essa energia masculina de estar assumindo. E eu precisava que alguém assumisse esse lugar. Mas foi um processo...
Foi um processo lento. Foi doloroso para mim. Faz dois, três anos? Acho que vai fazer três anos. Três anos. Fez. Mas eu tive muita paz na história do meu pai, porque o meu pai me ouvia muito. Muito. O meu pai me ouvia. Você tinha uma conexão muito legal, agora você falando assim.
era engraçado assim quando vocês estavam juntos, porque a gente conviveu com o tio Caio por você, né? O tio Caio vinha te visitar, eles estavam ali quando eles moravam aqui, depois de um tempo eles iam morar aqui, então churrasco, a gente estava sempre junto e tal.
E foi muito legal, assim, era perceptível a relação de vocês, assim. Vocês podiam não se falar, mas vocês se olhavam, vocês entendiam rápido, assim, o que estava acontecendo. Era muito natural. Muito, muito linda, assim, uma história muito linda. E o que a gente deseja é que as nossas filhas tenham com os pais delas, né? Que é isso mesmo, de falar, poxa, você é chato nisso, você está errado nisso, mas é em contrapartida. Então, era muito linda, assim. Só quero reforçar, assim, que...
era perceptível a relação que você tinha com o seu pai, de coisa boa, não era uma coisa pesada, tinha suas diferenças, mas eram diferenças que eram respeitadas por vocês dois. Realmente, eu me sinto muito privilegiada, porque eu tive um pai muito parceiro.
Meu pai era muito companheiro mesmo, meu, assim, como pai, sabe? E eu sempre desejei que minhas filhas, quando eu encontrasse alguém pra ter filhos, eu nem sabia que eu queria ter, né? Mas em algum nível aqui eu queria. E o Leandro é pra Nola, com certeza, com certeza. Um paizão, se não arrisco dizer, melhor do que o pai que eu tive ainda, sabe?
muito mais bem informado, muito mais preparado. E com uma outra visão também, né? É outro momento, né? Outra geração, é outra... A gente tenta trazer muito... Mas eu ainda acho que o meu pai e a minha mãe já eram até um pouco à frente da geração deles na forma de me criar, porque é isso, eles sempre me criaram...
Pra frente, me apoiando, sabe? Me dando aquele empurrão. Mas eu nunca me senti, tipo, estou te empurrando pra você sair. Eu quero que você voe. Você tem asas pra voar. Era um empurrão pra decolar, assim, né? Não era... Quero me livrar disso, é o contrário, né? E aí, Fer, nesse momento, você tem...
De novo, esse olhar de cuidar muito das pessoas. E aí a tia Rita perde o porto seguro dela. Porque, afinal de contas, o tio Caio, com todas as diferenças que eles possam ter tido, com todos os perrengues que eles possam ter tido enquanto casais, a tia Rita perdeu uma base, uma pessoa com quem contar. Por mais que exista você e a Kayane,
Ela perdeu alguém do dia a dia dela. Hoje eu não consigo imaginar como deve ter sido difícil pra ela, sabia? É, e aí você, mesmo com a tua dor, de novo, né? A tua dor, você teve que ajudar alguém. Que talvez, não é que estivesse sofrendo mais ou menos que você. Estava sofrendo diferente de você. Com faltas diferentes da que você tinha. E aí você teve que respirar um pouquinho fundo, segurar e apoiar a sua mãe.
E aí vem de novo o Desconstruir. Peraí, deixa eu me desmontar um pouquinho aqui pra me montar de novo numa nova versão de Fernanda agora pra apoiar mais a minha mãe. Afinal de contas, ela ficaria sozinha, né? E aí, o que que você... O que que você entendeu? Eu acho que veio muito, assim, dessa sintonia que tu tinha com o teu pai e que tu ainda continua tendo, né? Eu tenho certeza que você ainda conversa muito com ele. Você recebe muita coisa dele. Super. O que que o tio Caio te disse?
Fer, agora você vai cuidar da sua mãe pra mim dessa forma, assim, o que que... Como que você reformou a tua vida com isso, assim? Não que você foi responsável em cuidar da Tia Rita hoje, tem uma saúde, né? Tem todos, como toda a idade chega pra todo mundo, mas é uma pessoa independente, ela vive a vida dela, né?
o jeitinho dela de viver. Mas eu sei que você, como filha, ficou se perguntando. Pra mim, no começo, foi um processo difícil, porque eu queria viver o meu luto e era muito difícil. Eu não conseguia entendê-la. Porque, na verdade, no fundo, eu queria o colo de mãe, né? Mas a minha mãe não tinha colo pra dar, porque ela também estava sofrendo.
Ela tinha perdido o companheiro da vida dela de mais de 35 anos juntos. Então, para ela estava sendo muito difícil. Mas, por outro lado, a minha mãe me surpreendeu de uma forma... Nossa, eu jamais imaginei que a minha mãe ia conseguir lidar com o luto da partida do meu pai como a minha mãe lidou. Ela sofreu muito, ela chorou.
Ela passou por todas as fases do luto que acontece, que é normal. Eu morri de medo dela entrar numa depressão, dela cair, sabe? Enfim. E não quando ela saiu daquela última fase do luto, que começa a aceitação, né? Ela foi aprendendo a viver novamente, sabe? Ela foi se redescobrindo naturalmente.
Até hoje. Até porque o até hoje é só três anos. É pouco tempo, se você parar para pensar. Tudo que viveu juntos. É pouco tempo. Então, ela tem os altos e baixos dela. Tem dia que ela me liga e fala... Hoje foi um dia que ela falou... Ai, filha, hoje eu não estou legal. Estou triste. Tenho uma vontade de chorar. Chora, mãe. E eu falei... Mãe... Então, só... Vai dar uma caminhadinha na praia.
Coloque o pé na água salgada. Faça esse movimento. Porque foi uma coisa que eu aprendi. Veja bem, não quero que confundam as coisas. Quando eu digo que você não tem que ficar lambendo a sua própria ferida, não quer dizer que você não tenha que viver a sua dor. São coisas diferentes. Eu sempre falo, e depois que a Luna se foi...
Tive algumas situações em que eu acolhi algumas mães que perderam filhos também. E eu sempre falava, viva essa dor. Sinta. Sinta ela lá no fundo. Com todo o amor, com toda a raiva, com tudo que vem de sentimento, sinta. Não jogue pra debaixo do tapete. Viva ela intensamente.
primordial, pra você poder seguir adiante. Se você joga pra debaixo do tapete, em algum momento ela vai voltar. Ela vai voltar. E volta com mais potência. Não, porque daí vai acumulando, é como uma avalanche. Então eu sempre falava isso.
Quando eu digo não lamber as suas próprias feridas, é você não ficar com dozinha de você mesma e você ficar dando looping naquela mesma situação. Por exemplo, eu, quando a Luna se foi, eu fiquei mais de 30 dias dentro de casa.
eu chorava e eu pegava o travesseiro e eu berrava no travesseiro, de ódio, de raiva do mundo. Eu gritava, gritava, gritava. Eu chorava aquele choro que quando a gente tem vontade de dormir, de tão cansado que a gente fica. Mas depois que isso passava, eu falava, ok, e o que eu tenho que aprender com isso?
O que eu tenho que aprender? Não foi à toa. Tem alguma coisa que eu tenho que aprender com isso. Eu não ficava, ai, Fernanda, que coitadinha de você. Ai, porque... Nossa, não. E uma frase que o Leandro bateu muito, muito, muito, muito. Ele falava assim, a gente precisa sair melhor do que a gente entrou. A gente não pode se tornar pessoas piores.
Pela nossa dor. E ninguém tem culpa da nossa dor. Então, quando eu falo pra minha mãe, mãe, não fique lambendo tua ferida. Não é pra ela não sentir. É pra ela, assim, ok. Então, vamos só dar uma sacudida pra você sair dessa... Sentir naquele momento, mas... Sair dessa energia onde você tá, porque...
É natural a gente começar a alimentar na nossa cabeça alguma coisa que às vezes é isso aqui e vira um monstro. Porque você vai dando vazão para aquilo. E às vezes a gente só precisa, sabe? Não, tá. Sinta raiva. Não estou falando para você não sentir. Estou falando para você não alimentar mentalmente. Ah, porque isso? Porque isso? Por que comigo, né? Por que comigo? Por que? E você vai criando histórias na tua cabeça.
E você vai aumentando aquelas histórias. Então, assim, sinta, chore, berre, grite, corra. Quebre um prato. Rasgue um travesseiro. Sinta mesmo. É muito importante.
Mas não fique se lamentando. São coisas... Pra mim, são coisas diferentes uma coisa da outra, sabe? Nossa, é... Troque, converse com alguém, chame alguém, pegue uma amiga, traz na tua casa, sai, vai beber alguma coisa, vai caminhar na praia, falar. É importante, sabe? E é legal ver você falando disso, assim, lógico, né? Dadas as suas proporções, pelo amor de Deus, assim, né?
Quando eu tive o burnout ali, eu lembro do dia que você veio falar comigo aqui em casa, e você falou assim, ok, você está se sentindo assim, mas e como a gente vai fazer para você sair desse lugar? Você precisa sair desse lugar. E é mais ou menos isso, assim. E, de novo, a Fernanda, que já tinha perdido uma filha, estava tudo aquilo, de novo me dizendo, tá bom, é a tua dor, você tem um problema agora, e o que a gente pode fazer? O que vai te ajudar a fazer isso? Tanto é que...
que cada vez que eu passo por alguma coisa assim, eu lembro disso assim, tá bom, mas a Fer é uma pessoa que já passou por isso. Ou passou por bem pior, lógico que, né, não é que é bem pior, mas por algo muito mais intenso que foi o até logo da Luna, mas que vive ensinando a gente. E aí, quando eu digo vive ensinando a gente, é porque não faz um ano de novo.
que a vida te surpreendeu de novo com a chegada e a partida repentina de mais uma gestação. Então, de novo, a Fernanda se desconstrói para se reconstruir de novo. Teve a Luna, o tio Caio, e mais a terceira gestação, que faz parte, porque hoje vocês são cinco na família.
A família de cinco, hoje, presencialmente, nós podemos abraçar três. E aí veio mais esse chicote, que eu chamo assim, eu não esperava, aí veio, esperava, mas aí ficou, você de novo tinha o problema da endometriose, que estava para cuidar, e aí a gestação, e aí o que a Fernanda, de tudo aquilo que ela desconstruiu lá e que se formou de novo.
Tá, e agora? O que eu faço? É muito... Essa gestação foi bem desafiadora. A perda desse bebê inesperado, esperado. Porque foi um susto. Mas eu não estava tomando anticoncepcional. Ou seja... Eu e o Leandro, a gente tinha falado assim, se vinha, é porque era pra vir. E se não, é porque não era pra vir.
E eu me apavorei, porque a previsão da data de parto era dezembro, era final de dezembro. Eu falava, como é que eu vou trabalhar? Meu Deus! Ela foi contar pra gente, fazer uma adenda aqui. Minas, eu tô grávida. Ai, que bom, que ótimo, ai, que lindo, sei o quê. Como lindo? Dezembro, a loja tá cheia. E agora, como é que eu vou trabalhar? Como é que eu vou trabalhar? Essa criança era sem dezembro. E foi, enfim. E quando eu descobri que não tinha um coraçãozinho batendo ali, eu lembro do momento em que eu e o Leandro saímos do consultório.
completo silêncio. Mais dois de mão dada, assim. E daí a médica falou assim, ah, mas é que eu não entendo muito bem se você consegue vir fazer um ultrassom hoje à tarde. Enfim, fomos. Quando definitivamente foi constatado que não havia um coração batendo ali, eu estava de 12 semanas. A gente saiu do consultório, a gente se olhou, a gente nem precisou. A gente falou assim, ah,
A gente já sabe para onde ir, né? A gente foi para a Praia da Luna, sentamos lá nós dois, silêncio. A gente não conseguia elaborar nada, a gente não conseguia falar nada, a gente não conseguia... A gente não tinha força para dizer nada. E foi um momento difícil também, porque cada um... A gente estava vivendo algumas coisas pessoais, momentos de vida pessoais diferentes.
O Leia já estava no mestrado. O Leia já estava fazendo mestrado. Então, já não estava fácil. E quando a gente chegou em casa para a gente contar para a Nola, a Nola já conviveu tanta morte perto dela. Ela vive...
Ela sabe a história da irmã dela, que veio e morreu. Então, a morte sempre conviveu muito de perto com ela. Eu tive risco de aborto da nola, descolamento de membrana. Ela viu o vô dela ser enterrado e daí a perda desse bebê. Mas também, naquele momento, depois de uns dias, eu entendi que também era a história daquela criança, que pertencia à nossa família.
e que veio, mas não precisava ficar. E eu realmente achei que eu estava muito preparada e muito entendida de tudo que estava acontecendo, que estava tudo bem, fui até o médico, falou, Fernando, acho melhor, deixa sair naturalmente, não tem por que você passar por um procedimento. E eu preferi, foi uma escolha minha? Não, também acho.
E no momento em que aconteceu de fato o aborto, porque ele leva alguns dias para o corpo expelir, foi um momento que eu também acho que foi extremamente marcante na minha vida e que eu nunca vou esquecer. Foi muito forte, foi muito pesado, muito pesado. Porque eu vivi o aborto...
Na hora que eu comecei a sentir as cólicas e que começou o sangue a descer e começou a sair, é uma dor muito forte, porque é uma dor parecida com dor de parto. E eu fui pro banho, eu fiquei nua e fui pra debaixo do chuveiro quente, assim, eu lembro de ter ficado de quatro pra água cair bem em cima da minha lombar. E começou a sair muito sangue, assim, e eu gritava no banheiro, assim.
Eu gritava, tinha raiva daquele momento, porque eu estava vivendo tudo o que eu tinha vivido com a minha filha 12 anos atrás. Ela nasceu de um parto normal e o parto foi tudo bem, mas eu lembro do pós-parto, quando eu já estava em casa, na noite, em que eu fui tomar banho e que eu via o sangue descendo ainda, e que eu via as pessoas me acolhendo.
E foi a mesma coisa. Então, eu falava assim, naquele momento que eu estava abortando, eu estava vendo a vida esvairindo de novo. Eu viva e a morte indo. Então, foi muito pesado. Foi muito, muito pesado. A Nola me viu no banho, nesse estado. Ela ficou muito mexida. Ela não conseguiu chegar perto de mim.
A Nola tem muita dificuldade de lidar com quando é um sentimento muito forte. Ela não conseguiu chegar perto de mim. O Leandro estava na loja, não estava trabalhando, não estava comigo. Então, foi pesado. Foi pesado e eu falo que assim... E o meu marido é incrível, é um cara fora da curva. Mas nunca nenhum homem vai entender.
que é estar nesse lugar. Porque é a gente que carrega. Então, eu senti e abortar foi uma solidão dilacerante. É horrível. É muito difícil. É só quem já passou por isso para entender assim como é desafiador passar por esse processo. Que não o suficiente, né? Passar por esse processo em casa.
Foi difícil. Eu fiquei sangrando 40 dias. Fui procurar um médico de novo. E daí ele olhou. Eu não tinha expelido o saco de estacional. E daí podia empedrar, sei lá como é que chama. Falei, Fernanda, você vai ter que ir para o hospital para fazer a sucção, né? Ou seja, fui para o hospital.
passei pela área obstétrica, com mulheres parindo, com bebê nascendo, e eu tendo que passar de novo para ir passar por aqui. Então, eu passei em casa, tive que passar no hospital de novo. Então, foi um processo... Foi um processo difícil, mas muito crescimento, sabe? Muita... Acho que...
muito aprendizado de todo esse processo. Foi muito solitário. Foi muito solitário. Mas foi transformador também. Sempre é. Sempre é. Daí sempre vinha a frase. Eu tenho que sair melhor do que o que eu tenho. Eu preciso sair um ser humano melhor. Acho que já temos o nome do nosso episódio. É.
Algumas coisas dessa história, desse capítulo específico. Eu lembro de ter falado para o Léo assim... Mas por que de novo a Fer? Por que? Por que não outra pessoa? Por que de novo ela? Por que tudo numa vida só?
A gente brinca contigo, pô, Fernanda, não dá pra você dividir, porque tudo numa vida só tá complicado, assim, até, né? A gente vive com você da nossa forma, muito superficial, não tá vivendo a dor ali na mesma intensidade, né? Mas sofre junto. Mas sofre junto. E a gente sempre com aquele medo, assim, agora, agora deu ruim, agora não vai sair, agora como que sai dessa, né?
E aí eu lembro que eu liguei para a Su, a Su é minha irmã no meio, quem assistiu o primeiro episódio sabe quem é, e falei para ela assim, porra Su, não podia ser outra pessoa? Ela falou, minha irmã é muito católica, muito religiosa, não que eu não seja, mas ela é mais do que eu, mais espiritualizada.
E por ser da área médica, da área da saúde, falou assim, a gente nunca vai ter essa resposta. Você nunca vai ter essa resposta. Mas saiba que ela sabe como lidar com isso. Ela sabe. E a única coisa que você pode fazer é o que você sempre fez. Diga para ela que você continua aqui.
Eu nunca te mandei a mensagem, Fer, quer conversar e tal. Não, eu estou bem, eu estou bem, eu estou bem. Aí eu falei para o Léo, a Fer está bem, já está na loja, já está trabalhando, olha que absurdo. Aconteceu ontem, a gente já voltou para a loja, indignada. E o Léo falou assim para mim, e que bom que eu não estava trabalhando. Eu já tinha saído do trabalho, eu peguei o carro, o Léo falou, uma coisa você pode fazer e ir lá.
Eu falei, você estava na loja como se nada tivesse acontecido. Eu falei, caramba, cara. Essa guria ensina toda vez alguma coisa para a gente. Alguma coisa sempre ela nos dá de presente. E o que eu queria te dizer, cara, juro. Disparado, assim, você e a minha prima. Eu tenho uma prima que quase perdeu os dois filhos, que você conhece. E quem salvou eles foi ela.
vocês mudaram a concepção de mãe para mim. Eu sempre tive a minha mãe muito aguerrida, continua sendo minha inspiração de vida. Minha mãe é uma grande mulher, que também, como a tua mãe, trabalhou, sempre deu muita base para a gente. Mas você é um ser humano que ocupa outro espaço.
na minha régua de sei lá do que, mas cada vez que eu tenho algum problema, eu penso assim, o que a Fernanda faria? O que a Fer faria agora, se eu estivesse com isso?
Porque responsabilidade, meu Deus. É sempre... Não, Fer, é uma coisa boa, assim, é sempre pensar, ok, o teu problema é tão pouco perto do que ela passou e que se ela consegue passar, você também consegue. E é isso que a gente, enquanto mulheres, deseja, né? É que a gente sempre olhe para o outro e fale assim, ok, a tua dor também é sua, também é genuína, também é legítima, também é forte.
Mas a gente sempre tem alguém para quem olhar e dizer assim, eu sei que se deu para ela, dá para mim. Não é que a sua história é inspiradora. Ela é inspiradora. Ela é além de inspiradora. Eu não tenho nenhum nome para ela. Inspiração, para mim, é muito básico para a sua história. Mas a Fernanda é uma mulher muito inspiradora. A Fernanda foi uma jovem...
que saiu de uma cidade muito pequena, que aos 19 foi para outro país, sem falar nada em inglês, trabalhou de tudo, com tudo e com todos. Voltou, não estava contente com aquilo, sabia que podia fazer mais. Fez mais. Casou, teve suas três gestações, suas lindas filhas. Talvez fosse um filho, uma filha, mas teve a gestação, conheceu um cara...
fantástico, que é o Le, que é um ser humano também, mega do bem, um cara de uma inteligência, que às vezes eu fico pensando assim, sério, onde é que o Leandro descobriu isso? Em que momento ele leu isso da vida, né? Porque ele fala de tudo com tudo e com muita... Ah, ele é um espírito muito velho, sério. Sério, assim, ele tem um conhecimento e que vocês se completam, assim. E eu fico muito, muito, muito, muito grata a Deus de Anola ter vocês dois como pais, assim. Um ser humano que vocês colocam pro mundo.
melhor, um ser humano do bem, um ser humano que tem a sua personalidade, porque tem uma baita personalidade, nossa ruivinha. Mas, sério, eu não podia deixar de passar sem te falar isso. Eu não sou nada, veja bem, os meus pais, a minha família, minha avó também.
foram pessoas que moldaram muito do que eu sou, do caminho percorrido. Mas, certamente, eu não seria nada se não fosse... E eu falo isso de boca cheia. A amizade que a gente tem desde criança. E saber que a gente pode contar. E por isso que eu falei que a gente precisa...
quebrar esse estigma de que mulher só é competitiva e que mulher quer derrubar outra mulher. Porque a amizade que a gente tem é uma amizade tão verdadeira. Já teve seus altos e baixos. Já teve os momentos que a gente teve próximas e afastadas. Mas sempre nos momentos mais difíceis era quando a gente estava ali uma para a outra.
E eu nunca vou me esquecer que foram nesses momentos que você e o Léo estavam lá. A Mila e o Lindomar quantas vezes vieram de Blumenau para cá. A Beto é do jeitinho todo carinhoso dela mandando mensagem, né? Que a Beto é toda... É o nosso. A gente cresceu. E depois, agora, depois da Luna...
Agora com a Nola e nessa gestação, quantas mulheres que estavam em volta de mim lá me acolhendo e me dando colo. A Ellen, minha vizinha, na hora que veio e me abraçou e chorava junto, mas ela não queria chorar porque não queria me deixar. Então, eu não seria nada se não fosse essa força feminina, essa força de mulheres ali.
Me erguendo. Me jogando. Vamos. Vamos sair daqui. Não fica aqui não. Bora, sabe? Eu não me sentia abandonada. Me sentia acolhida. Amada. E foram vocês. Foram vocês. Se não fossem vocês, daí eu não sei como teria sido.
E é muito doido, porque é o que você falou, teve os momentos de afastar pela vida. Cada um foi para um lugar e cada um foi para um canto e depois a gente se conecta de novo. Mas o mais legal disso tudo é que eu sempre falo, as minhas amigas, e quando eu falo as minhas amigas de longa data é vocês, é o nosso grupo.
E que às vezes a gente fica dois, três meses sem se falar, mas a gente se encontra, parece que a gente se viu ontem. E tá bom, a conversa continua, às vezes já mudou o negócio, enfim. É natural, né? É natural. Essa semana ela mandou mensagem, ó, eu tenho contato de tal pessoa, não sei o que. Eu falei, mas para quê que ela quer? Depois eu te conto, você quer? Ah, tá, valeu. Eu peguei no pé dela, valeu por me contar, tá bom, né? Então, tem essa...
essa verdade, é uma amizade cheia de verdades. E eu acho que, eu não acho, quando esse projeto do podcast nasceu...
Foi muito desse lugar, assim. Por muito tempo, foi o que eu falei no meu episódio, eu me afastei de mim, que é o que você falou. E eu acho que muito... Eu não acho, eu tenho certeza, eu vou ser ousada. Muitas mulheres se afastam de si. Muitas. Para viver a vida de outra pessoa. Ou do marido, ou da maternidade, ou dos pais, ou da própria profissão, que foi o que aconteceu comigo. E que a gente... Muitas mulheres se afastam de si.
quer dizer que são as fases, mas que elas não continuem se afastando, porque é muito mais difícil voltar. O caminho é mais dolorido. O caminho é mais dolorido. Então, fazer com que essas mulheres escutem que vai haver isso, mas que não se desconectem de si, porque é muito ruim. É dizer para as mulheres, sejam vocês, tenham...
a crença, acreditem em si, e que existem tantas Fernandas que têm tantas histórias aí que espero que a gente possa contar aqui. Mas você... Eu sempre vou pedir licença para esse palavrão. Você é foda.
Ai, amiga, obrigada. Meu Deus. Estava muito ansiosa para conversar com você. É, mas é para tu ver como a gente não enxerga, a gente não tem muito essa visão, né? Tu estava falando de mim e eu, por outro lado.
pensando em todas as vezes que a gente conversou no teu processo, no teu burnout. E isso me inspirou em várias situações. O teu burnout, em vários momentos da minha vida, também me questionaram do que eu estava fazendo, de que sentido do que eu estava dando do trabalho. O meu marido pega muito no pé, o Leandro pega muito no pé, que eu sou o workaholic. Já foi mais.
E não, mas aí é que tá. Eu nem acho que... Eu gosto tanto do que eu faço e o meu trabalho me dá uma liberdade muito grande de viver muito a vida da Nola. Ele me permite isso. Embora, às vezes, meio atropelado, né? Porque eu tô na loja, daí eu tenho que sair da loja... Quem foi buscar a Nola? A Nola tá aqui ainda. Então, é uma correria, mas me permite viver muito a vida dela e celebrar e vibrar junto com ela.
Mas algumas vezes eu me questionava do meu trabalho, e vendo muito da tua história, sabe? E ver a coragem que você teve. Cara, foi muito inspirador. Várias vezes eu e a Camila conversamos sobre isso, falando assim...
Cara, olha que massa aonde a Michelle está agora. E ver você dançando. E você, sabe? Você se redescobrindo. Fazendo ioga. Quantas vezes eu falei pra você fazer ioga e você falava assim, Deus o livre! Imagine eu lá parada, meditando.
E diversas vezes eu e o Leandro, a gente falando em casa, assim, cara, como a Michelle tá bem, que ela tá leve, ela tá sorrindo, ela tá feliz, sabe? E que coragem foi a dela pra poder dar esse passo. Eu tenho certeza que não foi fácil. E eu tenho certeza que você teve muito medo nesse caminho. Certeza disso.
Mas não faltou coragem. Mesmo com medo. E aí, voltando, a coragem veio muito por olhar quantas mulheres potentes eu tinha do meu lado. Mas é isso, é de olhar para tantas outras histórias que me inspiraram. E a tua também acaba inspirando. Tem todo um legado.
E aí, falando de legado, Fer, gente, talvez, talvez, muito provavelmente, vocês estão escutando a parte 2 desse podcast. Porque a conversa aqui já deve ter passado de 2 horas e meia. 3 horas, já passou. Então, talvez a nossa produção tenha pensado em ter, talvez, até 3 episódios. Mas, Fer, é...
para a gente começar, encerrar esse segundo ou terceiro episódio, não que não tenham mais, né? A gente tem o da viagem. Eu tenho muita história. A gente tem, né? Deu para ver, eu tenho... Tem várias, né? Fernanda, ela é um personagem de quadrinho, assim, de desenho animado. Tem muita história. Tem muita história. Mas o que... Vou fazer uma pergunta, assim, você já, né? Durante a conversa, assim, mas...
mas talvez mais com uma roupagem diferente, qual o legado que você vê que o tio Caio deixou para você? Quando a gente tem um problema, como é que a gente vai fazer para resolver, Fernanda? Para de ficar se lamentando.
Eu chegava pra ele e falava assim, pai, ai, tô com problema. Que essa era a minha reação primeira. Pai do céu, tô com problema. Qual é a solução? O problema você já tem. Como é que você vai resolver? Sempre. E lá na loja, na minha empresa, hoje é assim, quando eles vêm, às vezes, né, Fer, porque o cilindro parou de funcionar, porque, gente, calma. O problema já existe. Tá aqui o problema.
O que parou de funcionar? Quem é que eu tenho que chamar? É um eletricista? Eu tenho que pegar essa... Vamos analisar e vamos resolver. Eu acho que esse foi um dos maiores legados. Eu não tenho que ficar dando volta. Para. Olha. Olha. Como é que eu vou resolver? Meu aborto foi isso. Eu tava... Eu tava mal. Eu tava me sentindo sozinha. Eu tava me sentindo... Eu tava me sentindo...
Eu não estava bem mentalmente, eu não estava bem fisicamente, mentalmente, porque naturalmente eu voltei a viver, abriu toda a minha cicatriz, totalmente a minha cicatriz. E foi quando eu parei e me olhei e falei assim, e aí, Fernanda, você tem um problema? Como é que você vai resolver? Então, você vai para a psicóloga, porque você vai começar a cuidar mentalmente. Eu já estava fazendo as sessões, quando eu descobri que eu estava grávida, eu já estava indo na psicóloga.
Mas dei uma intensificada naturalmente. Vamos lá. Terapia. Yoga. Exercício. E fisicamente. Médico. Nutricionista. Eu fui por todas as vertentes. O que eu não podia era ficar sentada. Ali. E esperando. Acontecer. Assim, problema eu tinha. Como é que eu vou resolver? Fer.
E agora eu vou te fazer uma provocação. Você pode refletir um pouquinho, porque vai afundar. Ou você já tem a resposta, você sempre se pergunta, mas quando eu me perguntei isso pela primeira vez, eu demorei a construir a resposta para isso. Se você pudesse conversar com a Fernanda de 10 anos, 10 aninhos.
Lembrando assim, quando eu era criança, eu queria ser isso na vida. O que você falaria para ela? O que você diria, Fernandinha? Ah, Fernandinha do vôlei. O que você diria para essa Fernandinha? Se ela estivesse na tua frente agora, o que você diria para ela? Não se leve tão a sério. Nossa, que rápido! Eu achei que você ia dar até mais um tempo.
Foi uma frase que, de novo, meu pai algumas vezes falou para mim. Porque eu sempre fui muito isso, independente, de fazer acontecer e preocupada. E se não der certo, e eu preciso fazer dar certo. E hoje, com a maturidade que eu tenho, eu consigo entender que as coisas...
Se elas acontecem, é porque era pra elas acontecerem. E se elas não acontecem, é porque não era pra ter acontecido mesmo. Você não precisa ter o controle de tudo. Então, não se leve tão a sério, porque vai dar tudo certo. Seja mais inconsequente, viva mais leve, porque vai dar tudo certo. E deu, né? E deu.
O meu pai, algumas vezes, ele olhava para mim e falava assim, minha filha, não se leve tão a sério. Porque ele sabia como eu era. E o que você quer deixar de legado, Fernanda, hoje, para as suas filhas?
O que você quer que elas lembrem de você? Lógico que isso é daqui. Vou perguntar para a Nola daqui a alguns anos ainda. Mas o que a Fernanda vem construindo agora com muito mais maturidade, com muito mais bagagem, com muito mais história e capítulos dessa história? O que você está construindo para deixar de ligado para as suas filhas? O que você quer que elas lembrem da mamãe Fernanda?
E o que você quer deixar de legado para as tuas amigas, para os teus amigos, para a tua família e para quem, de algum modo, se conectou com você nessa existência, nesse mundo que a gente... Essa é uma pergunta mais difícil. Porque... Ela traz uma pontinha de insegurança. Mas eu...
Eu acho que o legado que eu quero deixar é... As pessoas vejam que eu vivi, que eu me transformei ao longo dos anos. Que eu fui me transformando. Que eu não fui sempre a mesma.
E que é tão bonito a gente viver nessa constante mudança. E não ser sempre a mesma pessoa, sabe? Aquela pessoa que é dura, que sou assim e não vou mudar. Sempre disposta a estar aberta para estar aprendendo.
seja com quem for, seja como for, que você não está estagnado, que você está ali, que você está disposto a uma pessoa de 60, 70, 80 anos de idade estar aprendendo com uma criança de 5. Que eu tenha essa maturidade e essa serenidade. Eu quero que, quando estiver bem velhinha, que a minha filha possa olhar e falar assim, eu ainda estou aprendendo com a minha mãe.
E você aprendendo com ela. E eu aprendendo com ela. E se for da vontade dela, com os meus netos, se isso for a vontade dela. Mas acho que é isso. De eu estar aberta para a vida. Aberta para o mundo. Ela está me renovando e aprendendo sempre. Sem parar.
Eu tenho muito isso, sabe, Fer? De que o conhecimento só é válido se eu compartilho, o aprendizado só é válido se eu passo a olhar de forma diferente para as outras coisas.
Não ficar no lugar de rigidez, de eu sempre pensei assim, eu sempre vou ficar assim, eu vou morrer assim. Eu acho que a vida é muito mais difícil. Eu tenho um sentimento de dó das pessoas que não se colocam para o novo, para abrir, para se arriscar. Então, é legal que você...
queira continuar assim, se transformando, se desconstruindo, construindo, desconstruindo, construindo, mas agora é num lugar com muito mais maturidade. sabe que tem uma coisa conversando com você e esse podcast tem o meu coração, o meu carinho, porque por mais que eu saiba da tua história,
E vão vir outras pessoas que eu nunca vi na vida. E que eu também vou conhecer. Você, logicamente, porque a gente tem essa proximidade. Então, muitas respostas eu já sabia para onde a gente iria. Mas o mais legal disso tudo é que a Fernandinha nunca deixou de sair. A Fernandinha do vôlei sempre esteve aqui. O sorriso é o mesmo. O brilho nos olhos é o mesmo. As sardinhas no rosto é o mesmo. Tudo mudou. Lógico, um pouquinho de rugui, um pouquinho mais ali, um pouquinho mais aqui. Rebeca.
A experiência dá pra Gido, pra gente. A gente tá cada vez mais linda, né? Com certeza. Mas a essência da Fernandinha do vôlei continua ali. Por tudo que você viveu, a tua essência, ela permanece. E uma coisa muito legal...
que foi de te ouvir dizer várias vezes, você sempre soube que você pode voltar para o lugar que você saiu. Nossa convidada. Você sempre vem no final, né? O horário de acabar é quando ela vem. Ela está avisando. Está chegando que está no momento de... Aqui já deve ser o terceiro episódio, que ela quer acabar, mas tudo bem.
Não encosta ele. E aí tem isso assim, né? De ser o você e de você sempre saber pra onde você deve, se você precisar voltar, pra onde você voltaria. Então a Fernandinha do vôlei tá sempre ali. Ela sabe que ela tem pra onde voltar, ela sabe de onde ela veio.
E ela sabe até onde ela pode chegar. Eu acho que isso ficou muito claro, assim, né? Te ouvir falando de você. E eu acho que foi um presente que você se deu contar a tua história. Ai, foi uma delícia estar aqui. Eu te avisei que eu ia falar muito. Mas foi um presente, assim, porque... Poxa, que grande que é Fernandinha. Que é Fernandinha só no nome, né? É uma Fernandona.
Que tem aí para usar de exemplo, de inspiração para as mulheres. Então, acho que a tua sementinha foi plantada. E por isso que isso se chama Sementes de Coragem, esse podcast. Porque a tua sementinha foi plantada aqui. Porque eu desejo muito que muitas mulheres consigam entender que elas também podem. E que isso vai florescer em outro jardim. Essa semente que você plantou vai florescer.
E aí uma pergunta para, de fato, a gente encerrar, senão a nossa produção vai ficar louca comigo, porque a minha produção fica brigando comigo. Fer, o que você... Em uma palavra. O que você é para você? O que a Fernanda é para a Fernanda?
Eu sei que a Fernanda é pra mim, o Lê sabe quem é a Fernanda pra ele, a Nola sabe quem é a Fernanda pra ela, a tua família sabe. Mas quem é a Fernanda pra Fernanda? Ai, que pergunta mais profunda, Michele! De vez em quando eu recebo. Isso aí vai ter que ficar pro próximo episódio, porque eu vou ter que elaborar. Quem é a Fernanda pra Fernanda? Você falou um monte de você, você falou uma história linda. Agora, te vira aí. Eu acho que...
Eu sou uma amiga. Uma boa amiga. Eu sou... Acho que eu sou nada mais do que a maioria das pessoas deveriam ser. Ser humano. Humano. E viver a nossa essência como...
ser humano. Eu tenho uma boa capacidade de empatia. De me conectar com as outras pessoas e isso faz me conectar comigo mesma. Quando eu consigo ajudar alguém, eu, mais do que estar ajudando aquela pessoa, eu sinto que de alguma forma eu estou me ajudando. Se descontraindo e conseguindo. O tempo todo.
Fer, quero te agradecer demais, demais, demais, demais, demais, demais pelo presente que você me deu. De vir aqui sentar comigo, abrir a tua história, entre choros e sorrisos que aqui a gente pôde passar.
Teve várias coisas que vai ser até difícil para mim e para a produção editar. O que a gente entra, o que a gente coloca? Acho que vai ter que ficar em três episódios mesmo, porque está quase impossível de ter que cortar alguma coisa. Mas te agradecer por você se permitir, por você doar o teu tempo, doar a tua história para esse projeto, porque eu tenho a plena certeza de que a gente vai chegar em muitas mulheres.
que a gente vai contar muitas histórias e que, se a gente impacta em uma cada episódio, a gente já está deixando o nosso legado, que é dizer, estamos aqui. É difícil, é difícil. Foi o relato que você falou do seu parto, do teu aborto. O homem sente a dor, mas a gente acaba sentindo mais porque somos mulheres. A gente precisa ocupar os espaços com muito mais...
muito mais coragem, com muito mais força do que um homem ocuparia, mas a gente está aqui para poder desconstruir esses muros que ao longo do tempo foram construídos e fazer uma ponte muito cheia de flores e de histórias e somar. A ideia do podcast é cada vez mais somar as histórias para que as mulheres tenham seus espaços de uma forma muito natural. E a tua história deixa muito claro que é viver na sua essência, na sua legitimidade.
Você foi ocupando o seu espaço sem ter que fazer muitas rebuliços, mas só mostrando quem você é e para que você veio. Parabéns pela tua história. Obrigada, Pai do Céu e os anjinhos por me dar de presente, a Fernanda. Ai, amiga, te amo. Produção, por favor. Temos uma florzinha para você plantar. Ai, que lindo! A nossa história.
Ai, que lindo. Você lembrar um chocolatinho também sempre faz parte. Amei. Eu amo flores. Você lembre da sua história desse dia, que é uma história que começa. Feira, alguma coisa que você queira dar de recado para quem está te ouvindo para encerrar com a sua história? A sua história já é um recado, mas algum recado que você quer deixar para essas mulheres que estão nos ouvindo, para essas jovens que estão chegando?
Ai, Miê, eu espero que se a minha história tiver tocado alguma mulher e ela ter se conectado, primeiro que eu queria me colocar à disposição, que eu sempre vou estar aqui, sabe? Para conversar, para acolher, para trocar uma ideia. E nada é permanente.
Tudo passa. Mesmo quando a gente está atravessando um momento muito difícil da nossa vida. Um momento muito dark. Em algum momento, vai vir um arco-íris. E ele vai ser lindo. Você vai enxergar ele. E você vai entender que aquela tempestade já está indo. E o sol está voltando a brilhar.
Olha, gente, encerramos de uma forma poética, né? Pessoal, a todos e todas, muito obrigada por nos receber na sua casa, por nos ouvir no caminho do trabalho ou numa viagem que vocês estão. É muito importante que vocês compartilham, sigam, deem seus likes para que a gente possa cada vez mais chegar nas pessoas, para que...
a gente reverbere essa história para que a gente chegue em mulheres que precisam de uma palavra, de um momento, de uma história para se inspirar. O tema de hoje ficou muito claro que a força não é a ausência da dor. A Fernanda trouxe isso brilhantemente. Então, não é só. É a decisão de seguir. Você tem a decisão de seguir. A decisão sempre está com a gente.
Seguimos ou não, que é o que teu pai falava, né? Temos um problema, você vai resolver. Então, muito obrigado por nos receber na sua casa. Esse é o episódio com a Fernanda. Deixe seu like. Deixe seu like, curtam, compartilhem, sigam o Sementes de Coragem. Liga o sininho. É, ativa o sininho. A gente vai aprender, Fira, até o final, até não sei quantos episódios. Ative o sininho para que você receba as notificações.
Temos todas as nossas redes sociais, estamos nas plataformas para que vocês possam ouvir, assistir Sementes de Coragem, podcast Sementes de Coragem, e meu muito obrigado a você que esteve aí com a gente nesses minutos de conversa, e até a próxima. Tchau, tchau.
Me conta qual parte dessa conversa ficou com você. Se algo te tocou, compartilhe nos comentários. Falar sobre isso também faz parte do caminho. Até o próximo episódio.