#021 Da Miniatura ao Louvre: o Processo Criativo de uma Escultora Premiada | Os Impossíveis
Ela começa com miniaturas em papel. Hoje expõe no Louvre e ganhou o prêmio Liechtenstein.Professor Laqua, Thiago Spyked e William Mur recebem Marilene Ropelato, escultora, pós-graduada em história da arte brasileira pela FAP e graduada em pintura pelas Belas Artes do Paraná. Suas obras conceituais transitam entre galerias, encomendas para espaços de decoração e exposições internacionais.No papo, Marilene revela seu processo criativo de forma rara: tudo começa em miniaturas feitas em papel antes de qualquer execução final. Uma prática que mostra como grandes obras nascem de gestos pequenos e precisos.A conversa também desmonta um mito: arte de galeria não é exclusividade de quem tem muito dinheiro. Hoje é possível comprar obras de arte por consórcio, tornando o mercado muito mais acessível do que parece. Falaram também de artistas brasileiros como Amilcar de Castro e a importância da arte brasileira no cenário internacional.Se você quer entender como funciona o mercado de arte, o processo criativo de uma escultora ou simplesmente se aproximar da arte conceitual, esse episódio foi feito pra você.🎨 Temas do episódio:O processo criativo de Marilene: das miniaturas em papel à escultura finalArte conceitual para galerias e espaços de decoraçãoComo comprar obras de arte por consórcioA arte sendo acessível: desmontando o mito do mercado exclusivoPrêmio Liechtenstein e exposição no LouvreArtistas brasileiros: Amilcar de Castro e a arte brasileira no mundoA formação em pintura e história da arte brasileira🎙️ Hosts: Professor Laqua, Thiago Spyked e William Mur🎤 Convidada: Marilene Ropelato, escultora e artista conceitual📅 Episódios novos toda quarta e domingo às 10h da manhã🔔 Ativa o sininho pra não perder nenhum!📺 Nossos episódios mais assistidos:🔗 Ep. 01 — Viver de Arte no Brasil: Dá Para Ganhar Dinheiro com Desenho? → https://youtu.be/lSqSnzKjfXI?si=skhfgZ45q3Rweqqj🔗 Ep. 02 — A mão humana vai sempre vencer o digital? Filipe Grimaldi → https://youtu.be/DnPZVLVkK0M?si=ZS2jiuiY9FURUp6t🔗 Ep. 03 — IA vai substituir artistas? Quem copia já era → https://youtu.be/5VyS6iAyG8c?si=mqwSXQO0YVuGaUZN🔗 Ep. 05 — Bloqueio Criativo, Perfeccionismo | Aline von Bahten → https://youtu.be/B-LEEIH99-c?si=lO44QzvQJMLE__Y_🔗 Ep. 13 — Maturidade Artística: Por que os Melhores Artistas Floresceram Depois dos 35 → https://youtu.be/gwj0odYBk7k🔗 Ep. 15 — Como o Artista Aprende: Observação, Referência, Técnica e Criação → https://youtu.be/HU1dZFJ5i_w🔗 Ep. 09 — Chargista, Caricaturista e Urban Sketcher | Simon Taylor → https://youtu.be/9GUMmPX7PVI🔗 Ep. 04 — A Imaginação é Mais Importante que o Conhecimento | Rogério Mainardes → https://youtu.be/aG_Q59LL-kg?si=HAa8o-SDybOiffYL🔗 Ep. 07 — Menino Maluquinho, Batman Asteca e Produção Autoral | Walkir Fernandes → https://youtu.be/Sz6dzxaeb-8🔗 Ep. 10 — O que Walt Disney Sabia sobre Viver de Arte → https://youtu.be/nuceKoI6Rsc
Professor Laqua
Thiago Spyked
William Mur
Marilene Ropelato
- Processo CriativoMiniaturas em papel · Esculturas premiadas · Materiais utilizados
- Acessibilidade na ArteArte de galeria acessível · Consórcio de obras de arte
- Prêmio Liechtenstein e exposição no Louvre
- Comparação com artistas brasileirosAmilcar de Castro
- Artes VisuaisHistória da arte brasileira · Pintura
Agora a gente vai falar sobre arte. E não é qualquer tipo de arte. É arte de primeira qualidade. Arte que foi até o Museu do Louvre, foi até Paris. E hoje você vai conhecer essa artista incrível que veio nos prestigiar e contar um pouquinho do processo de produção dela, do processo criativo dela e mostrar algumas das suas obras, a sua trajetória, para que a gente possa aprender um pouquinho mais sobre esse mundo da arte e possa...
engrandecer a nossa alma com a arte, né? Exato, trazer um outro requinte pra esse programa. Exato. Porque a gente só fala de quadrinho, né? Só bobagem? Que isso? Olá, hein? Não vai ser convidado pro SEMI-BEM. Gibi, gibi. Revistinha. Roda a vinheta, depois a gente continua falando besteira.
Vamos lá. Então, estamos aqui no nosso podcast. Hoje, a gente falando em Paris, de repente a gente pode falar de artistas. Sorbonne? A gente já falou Sorbonne uma milhão de vezes. Só por causa da convidada que veio aqui, que era formada Sorbonne. Ela falou essa palavra, a gente gosta. A gente é viciado em algumas palavras. Mas então, eu sou o professor Lacqua. Aqui do meu lado eu tenho... William Mir.
E ali, Thiago Spiked E juntos nós somos os Impossíveis E aqui atrás a gente tem o Vandog Le Vandog Dog, não drogue E a nossa convidada Querida, a Marilene Ropelato Que Ela tem mais de 23 Anos de estrada D D
mestre enganar o olhar com a técnica do trompoion é isso? isso há muitos anos né? agora esse esse número aí está atrasado uns 10 anos
Ó a produção! Ó a produção! Vamos de 30 anos aí. Passamos de 30 já. Passamos de 30 anos. Poxa vida! Ela é graduada na Escola de Música e Belas Artes do Paraná.
Em qual graduação? Pintura. Em pintura. Pintura. Legal. E pós-graduada em História da Arte, provavelmente a do século XX. Brasileira. Arte brasileira. Arte brasileira. Ah, o teu foi da arte brasileira. Brasileira. Ótimo, que legal. E ela transita entre esculturas premiadas, tem o prêmio Liechtenstein, e murais gigantes em halls de entrada. Já transitou aí de galerias a Paris. Conta pra gente. Sim, sim. Então,
Como eu mesma disse, eu sou formada já há mais de 30 anos. E a princípio, no início da minha carreira, eu comecei a trabalhar com murais, com painéis decorativos mesmo. Então, participei de muitas casas cores. E nessa trajetória, eu fui conhecendo muitos profissionais da área de arquitetura e fui desenvolvendo o meu trabalho.
A princípio eram as pinturas e mais tarde eu comecei a trabalhar com as esculturas. Mas, na verdade, o meu trabalho seguiu por muitas vertentes. Então, é um trabalho que segue muitos caminhos. Então, pintura, escultura, tapeçaria e instalações. O que te encanta?
Então, na pintura, eu gosto muito da parte de natureza. Eu, como eu sou do interior, nasci numa fazenda, então essa questão da natureza e as memórias afetivas fazem muito parte do meu trabalho. Então, mesmo o trabalho abstrato, você consegue fazer essa leitura.
De paisagem. Mesmo com linhas muito simples, todo o trabalho você consegue enxergar a natureza. É, que cidade? Paranacite. Paranacite. Já ouviu falar? Não. Parece um meio. Paranacite. É assim com T e Y mesmo. É, Paranacite mesmo. Paranacite, isso. Norte do Paraná, na verdade... Manda um beijo pro pessoal de Paranacite.
Beijo, pessoal de Paranacite. Estou indo aí na temporada 2026. Como Londrina, Luanda, Paranacite, são cidades que pegaram esses nomes que têm a ver com o inglês. Os britânicos, os ingleses que estiveram aqui. Foi uma empresa que fez a parte de estradas. Era uma...
Uma empresa muito grande, então, recebeu essa influência nos nomes de muitas cidades da região do Norte e Noroeste do Paraná. E Paraná City também é uma cidade pequena, mas que eu amo muito. Sou muito feliz e grata em poder dizer isso.
E é uma cidade que está no meu coração, mesmo tendo saído de lá há muito tempo. Você veio para Curitiba, veio estudar na Belas Artes. Vim para Belas Artes. Conheceu o Beda, a Lígia Borba. Sim, sim. Toda essa galerinha aí da Belas Artes. A Lígia foi minha professora da Belas. Pedro... Fernando Calderari. Fernando Calderari, não tive prazer de ter aula com ele. Mas foi meu colega de trabalho na PUC, professora. Muito legal. Que legal. Maravilhoso. Que legal.
Então, a partir disso, como eu falei, essa questão da natureza tem muito a ver com a minha infância, com a minha adolescência, com as minhas vivências. Então, ele está impregnado no meu trabalho. Mesmo as esculturas, elas têm um movimento orgânico. Lógico que eu tenho esculturas que são mais...
angulosas, né? A gente sempre diz assim, você vai beber na fonte do que você gosta, né? Então, eu gosto muito dos neoconcretistas, Franz Weiss, Amilcar de Castro, Lívia Clark. Amilcar de Castro, adoro. Então, meu trabalho recebeu realmente uma influência.
desses artistas. E eu continuo trabalhando com coisas para vocês. Você tem que encontrar esse equilíbrio entre essas formas orgânicas e as formas mais radicais dessa origem da natureza.
desde a forma industrial. Em grandes escalas? Em grandes escalas. São obras grandes. Além dessa parte de escultura, eu trabalho também com instalações. Então, daí de grande porte, usando normalmente essa coisa mais orgânica mesmo para grandes instalações. Na escultura, quais são os seus materiais da preferência? Eu trabalho com aço carbono, trabalho com acrílico.
Aço, vários tipos de aço, né? Aço inox, aço... O próprio polímero, né? O acrílico. Então, cada material desse me dá uma... Um gesto diferente, né? Por exemplo, o acrílico e o polímero, eu tenho que trabalhar com aquecimento.
Então, aquilo muito manual, é muito tátil mesmo. Agora, o metal, às vezes, ele precisa de uma coisa mais rigorosa, de máquina para fazer as obras que eu gostaria. Então, normalmente, eu acompanho todo esse trabalho.
E normalmente, assim, através de protótipo mesmo. Então, papéis, papelão, materiais... Isso, processos, você usa papel? Isso, eu uso, eu crio primeiro em pequenas proporções, né? E depois isso é transformado em grandes volumes mesmo, né? Na escala, na escala. E isso é para externo, para interno, de acordo com a necessidade. E você tem obras espalhadas pelo Brasil todo? Tem, tem.
Tenho porque trabalho com várias galerias no Brasil todo. E daí cada região também traz desafios. E aí estimula a gente a procurar novas.
novos materiais, intensificar mais a procura, né? Sim, sim. Minha curiosidade é quando você migrou para os grandes formatos? Como foi? Você já se interessava por eles? Foi um desafio?
Então, eu comecei a trabalhar com os vários formatos, assim, formatos maiores, justamente pela procura. Entende? Aquele cliente, assim, nossa, eu estou precisando de uma escultura para um determinado local. E aí, aquilo já me instigava. Já vem o desejo do cliente de trabalhar grande. E aí falou, talvez, será que você vai responder esse chamado?
Isso, porque eu também gosto do desafio. Então, a partir desse desafio, aí eu vou procurar fazer algo... Você aceitou o desafio. Sim, eu entro no processo. Então, qual é o processo? Primeiro, você vai pensar a respeito daquilo e aí começar a manusear materiais que possam propiciar esses grandes volumes. Então, é mais por aí mesmo.
E aí se encontrou, aceitou o desafio e se encontrou nos grandes volumes. Me encontrei nos grandes volumes. O que seria um grande formato para você? Tem imagem lá para deixar tocando? Daqui a pouco eles vão colocar umas imagens para a gente ver. Então, isso pode ser para um jardim, em frente a uma residência, pode ser em frente a um condomínio, grandes volumes para halls de entrada, de edifícios.
O legal hoje em dia é que as construtoras, as incorporadoras, elas estão investindo muito nessa parte de arte. Já tem a sensibilidade de que isso valoriza o projeto. Então, alguns projetos meus já estão nos catálogos dessas incorporadoras. Existe um catálogo de artistas...
que é comercializado, que ele circula entre as construtoras, as empresas? Normalmente, as galerias que são procuradas, às vezes, vêm direto para o artista. Mas, por exemplo, eu trabalho no Rio Grande do Sul com uma galeria, Arte Quadros.
E aí, quando me pedem algo que seja da região, eu passo para a galeria, para que ela me represente perante essa empresa, essa incorporadora. Então, quando eu digo um catálogo, é assim. Por exemplo, uma incorporadora vai construir um condomínio.
Então, ela vai colocar todos os elementos que ela vai precisar para esse edifício. Ele vai precisar de uma escultura para um hall de entrada? Então, eu criei para algumas esculturas, por exemplo, para o hall de entrada do edifício.
Então, essa escultura criada, um exemplo de uma, né? Cinco metros por três de diâmetro. Ela vai ocupar uma área dessa. Então, eu já crio esta...
essa escultura, de acordo com o briefing. Certo. Ah, isso que eu ia perguntar. Eles passam um briefing da linguagem, do que eles querem. E também eu crio de acordo com a expectativa. O que está representando aquele condomínio, aquele edifício? O que o cliente vai ter ali naquele espaço?
Então, tem que ter a história, essa escultura tem que ter esse conceito, o conceito que o edifício está oferecendo, que a incorporadora está oferecendo para os seus clientes. Então, esse trabalho já vai no catálogo da construtora, mostrando todos os itens oferecidos para o cliente. Então, ali já vai uma imagem.
muito antes, na verdade, né? Isso também vem muito antes. É planejado com muita antecedência. Sim, sim. Eu tenho, inclusive, uma que vai ficar pronta o edifício daqui a dois anos e já está pronta. Eles já estão trabalhando com essa imagem. A obra está pronta? Não.
A ideia está pronta, o protótipo está pronto. Entendi. E vai outro, o edifício vai ficar pronto também. O ano que vem a obra já está pronta e entregue. Porque ela também já faz parte do catálogo. Só que essa a gente executou antes porque ela podia ser acondicionada, armazenada de uma forma que não...
não tivesse risco. Não desse trabalho de armazenar, porque tem o trabalho de armazenar. Então, é melhor, quanto mais próximo da obra, para já ser entregue e posicionada no local. Isso. Então, tanto uma, digamos, que nem está pronta ainda. As duas não estão prontas. Uma já está entregue, a outra não. De acordo com a situação mesmo. Como aqui em Curitiba. Eu sou representada pela Galeria Zilda Fralete e muitas construtoras...
também contactam a galeria para obter obras para esses empreendimentos. Então também produzo obras para muitos desses empreendimentos e clientes da galeria. É porque para a gente aqui é um universo totalmente diferente. Sim, é interessante. Porque primeiro que a gente lida é configurativo.
você provavelmente domina o figurativo, uma figura humana, uma paisagem. Você fez belas atividades. Sim, sim. E aí você foi fazendo toda uma investigação estética para poder fazer aquela desconstrução da natureza e trazer um conceito por meio de matérias como o aço. Isso. É isso. Isso. Que conta uma história. Que conta uma história. Olha que legal.
Então, às vezes, uma forma muito simples, ela te dá essa sensação de linha do horizonte. Então, cada situação, ela te instiga a uma situação específica.
Como é o teu processo criativo? Por exemplo, eu sou dono lá de uma construtora, eu vou fazer o prédio Ayrton Senna, lá em Balneário Camboriú. Eu sou o Hang, né? É do Hang, esse aí, né? Vem aí no nosso podcast, por favor. Gosto de você.
E também eu posso criar uma escultura maravilhosa pra eles, né? Pode. Pode. E aí eu trago uma escultura pra fazer uma escultura pro seu prédio. Isso aí. Várias lá em Santa Catarina. Tem vários trabalhos lá. É, pra falar? Ah, o café? Então, vamos falar do café? Vamos falar do cafezinho.
Leva pra cobrir o café. Ah, levar o café. Ó, Hang, vem aqui no nosso podcast pra você conhecer a Marilene, a obra dela, e tomar um café aqui da White Pine, tá? A gente vai servir. Pra você, não é querendo desmerecer a Marilene, mas pra você a gente vai trazer o Scotch, aquele à base de whisky, tá? Ah, ele é... Maturado no tonel de carvalho de whisky.
Chique isso, hein? Não, já fiquei com ciúmes. Ele experimentou, não trouxe pra nós. Eu provei, porque eu fui lá na White Pine junto com a Patrícia, nossa produtora. A gente não é premium? A gente não é premium, Patrícia? Calma, calma, cara. Ele já trouxe isso aqui, você tomava pilão, cara. O que você tá falando?
E agora você toma um white pine Nem pesava o café A gente vai servir pilão Colocava meia e E aí Então vem tomar um café Aqui com a gente da white pine Gostoso, esse aqui Notas de caramelo, chocolate Castanhas É um café gourmet Aqui O que que é? Mais delicada?
Não converso com ela. Talvez o Marsala. Marsala, né? Da próxima vez a gente vai servir o Marsala pra você. Ah, sim. Que bom, que bom. Gosto. Tá bom? Gosta? Então tá bom. Whisky não, né? Whisky não. Meio forte, né? Então tá bom. Beijo, White Pine. E olha, é um cheiro... Beijo, cara. Muito bom, deixa eu ver. O Vandog, ele toma café? É um cheiro muito bom. O Vandog, ele toma café? Com biscroque? Com biscroque? A gente tá fazendo propaganda? Hã?
Do Biscroc? É. Do Biscroc não. Mas fala um pouquinho do teu processo criativo. Exatamente. Prazos também, eu fiquei curioso. É porque assim, normalmente o pessoal, o nosso canal aqui dos impossíveis, ele é para quem aprecia arte, mas a gente tenta conectar essas conversas impossíveis entre os quadrinhos, o desenho animado. A gente estava falando agora com um especialista em crianças altas, com um audioólogo, com crianças autistas. Estavas falando com...
com neurocientistas e tal, e isso é muito interessante porque é uma área meio cinza, essa área da arte, a arte, né? Não... As belas artes. As belas artes, né? Que é um mundo totalmente diferente pra gente. E eu queria entender como que se dá esse processo criativo, como é que a gente chega num...
a ser uma Marilene Ropelar. Então, você sabe que desde criança eu sempre gostei de de tudo que era tátil, né? E eu quando eu devia ter, acho que eu tinha uns 11, 12 anos por aí, 12 anos, eu participei de um concurso, na época era ICM.
Era um imposto sobre mercadorias, eu acho, e aí tinha que desenhar algo relacionado a que esse imposto, digamos...
fazia os benefícios que ele. Então, fazia estradas e tal. E eu fiz uma charge, olha, assim, você tá na linha de vocês aí. E eu ganhei um prêmio naquela época, não foi o primeiro lugar, mas foi um prêmio de din-din muito bom pra mim. Olha só. Mas é muito diversificado, o seu portfólio, muito. Então, desde lá, eu já tava ali, ligada, né? Então, foi bem bacana, assim. Pra mim, na minha idade, foi máximo. Fiquei super, super feliz.
Então, assim, sempre gostei. E fiz a Belas Artes já mais velha. Já tinha meus filhos já grandinhos quando eu terminei em 94. E tô velhinha já. Não, não. E aí... Não, gente, eu lembro bem de 94. Já tava indo ao cinema, já. Não tava no mercado de trabalho, mas já ia ao cinema. O Brasil ganhou a Copa. Nossa, o Brasil matizou demais esse 94. Pare com isso. Tá bom, tá bom.
Então sempre gostei dessa área. E acabei fazendo a faculdade de belas artes depois que já tinha os filhos pequenos. E eu me lembro que é aquela coisa de mãe que você tem que levar a criança na escola, o dia que a criança não tem aula, está no conselho, sei lá do que, aquelas reuniões, você fala, e agora o que eu vou fazer com essa criança?
vai ter que ir pra faculdade comigo. Aí o meu filho, ele era, devia ter uns oito anos, assim, eu não vou, porque eu não quero ver gente pelada. A Bela tinha bastante isso. Não, vai ter outro jeito. Vai ter que ir e pronto. Aí ia meio emburrado, chegava lá, falava, faz um desenho aí e pronto.
E a gente levava, não tinha outro jeito, né? Aí virou médico. Então, tá bom, não é? A anatomia já não ajudou? Não ajudou. Então, tá bom. E assim a gente vai levando, né? Trancos e barrancos com o filho, com várias coisas ao mesmo tempo. A gente vai tentando fazer a nossa parte, né?
É isso, então, como eu falei, eu comecei nos anos de 94, 95, o meu trabalho, e comecei por Casa Cor, o meu trabalho seguiu uma linha mais comercial, que era o meu primeiro contato com os profissionais de área de decoração, de interiores, então, o meu começo foi por ali mesmo. Então, eu fiz o inverso do que a maioria faz, que vai primeiro para...
para salões e tal. Eu fui para... Já para o mercado. Eu fui para o mercado. Entendi. Como você definiria esse perfil mais comercial da arte? No caso do seu trabalho. No comercial é assim, é aquilo que a princípio ele é...
possível de um cliente, da maior parte dos clientes, poderem comprar o seu trabalho. Isso eu chamo de comercial. Porque, assim, muitas vezes, o artista fica muito interiorizando o seu trabalho, a sua obra, com conceitos, com muitos conceitos, e ele acaba aprendendo, eu acho, muito o seu trabalho.
entendi então assim, eu crio meu trabalho para o mundo eu faço e eu quero que ele vá atingir o maior número de pessoas possível, e quanto mais pessoas puderem usufruir disso, melhor então por isso que eu digo comercial
tiver um tino pra entender o que tá comunicando. Porque às vezes o artista fica muito dentro de si o que ele tá sentindo em relação à própria obra. Fica um pouco surdo ao mundo, ao mercado, ao cliente. Sim, sim. E ele acaba se apegando àquilo de uma forma tão... que ele não solta.
E tão conceitual. É, isso. Que parece que aquilo não vai atingir a maior parte das pessoas. E eu acho que o importante é isso. Arte é para todos. Quanto maior o número de pessoas você puder atingir, melhor. Porque hoje em dia as pessoas, elas trabalham, os artistas, então são gravuras, são as pinturas, e também formatos maiores, menores, para que todos possam.
ter, né? Inclusive, muitas galerias fazem consórcios pra isso, pra que você possa começar a colecionar através de consórcios, né? Você conseguir ter algo que você queira e você começar a criar o seu acervo, né? Eu acho que isso é bem legal. Um consórcio, eu vou lá numa galeria e eu falo assim, eu quero comprar essa obra num consórcio aqui e pagar parcelado ela.
Você pode comprar parcelado ou você pode entrar num consórcio e ser sorteado e você escolher a obra que você quer. Ah, olha que legal. Então existe isso também. Para deixar mais acessível a obra como um carro. Isso. Ah, eu quero comprar esse modelo de carro, ficou mais acessível. É, às vezes você pode comprar uma Ferrari, às vezes você não pode comprar uma Ferrari, você pode comprar um.
exemplo, um carro mais comercial. Então, isso é para tudo. Eu acho que isso é para tudo. Para que possa atingir o maior número de pessoas possível. Uma visão interessante disso. É menos romantizada. Isso, isso.
Então eu... A pessoa separou umas obras suas aqui. Isso aí são painéis, que são painéis, como eu falei, que eu comecei com isso. Então aqui bem simplificado, mas são as araucárias, são as linhas de...
de serra, que a gente tem muito a Serra do Mar. Então, aqui ela foi colocada no fundo, até se tem uma escada de vidro que dá essa transparência e ela aparece no fundo. Então, meu trabalho começou muito que por aí. Então, são grandes formatos. Esse aí deve ter seis metros de altura por uns quatro e meio de largura.
E tem tudo a ver o que você falou entre as imagens orgânicas, as linhas orgânicas do relevo e algo geométrico na representação das águas. É, das águas linhas também, que você tem essas linhas todas. Então, de uma forma muito simplificada, mas eu consigo, através da cor, colocar esses planos. As sensações de perspectiva, de planos, de vegetação. Isso, isso.
Tem mais imagens? São coisas mais antiguas. Olha aí uma escultura. Essa é uma das esculturas. Essa aqui foi premiada lá em Lichtenstein. É? É, essa. Então, é um trabalho que eu gosto bastante. Eu trabalhei com aço carbono, com a oxidação. E são algas? São algas. São algas, né? São algas. Ficou bonita, com movimento, né? É, ela dá essa...
ela fica bem tridimensional, na verdade, o desenho é bidimensional, você tem a chapa ali, e aí você transforma. O que é um corte a laser? Esse é um corte a laser. Essas são as esculturas mais orgânicas, essa já é em polímero.
Eu chamo isso de enlace, essa série, porque ela tem toda uma coisa assim de... Você pode pensar... Parece um tecido no vento. É, tem outra que parece mais tecido. Essa é como se fosse dois corpos. Sabe? É um enlace mesmo.
Então essa fórmula em laço tem vários, muitos movimentos diferentes. Uma continuidade toda. É uma peça só, né? É uma peça só. E qual o tamanho? Essa daí é difícil de entender. Essa daí deve ter um e meio.
Por uns 40 de largura. Uma chapa só. Então, é partir de uma linha, de uma fita, você, através do aquecimento, construir essa forma. Essa é a parte de painéis. Então, eu fotografava a própria vegetação e isso depois era...
trabalhada essa imagem para simplificar. Então, através de adesivagem...
eu montava todos esses adesivos na parede. E isso é todo em relevo com quartzo. Um cristal de quartzo. Então, ela tem bastante relevo. A foto não está aparecendo muito. Um alto relevo. O branco é relevo. O branco é relevo. Ah, o branco é relevo. E o escuro está como baixo relevo. E isso também era feito invertido, né? Depende muito da situação. Essa série, inclusive, assim, com...
por causa desses painéis, eu fui convidada por uma grande empresa de papéis de parede para criar uma série de papéis, que recebeu o nome depois de Naturalmente, porque todas as imagens têm a ver com a natureza, inspirados nesse relevo mesmo, nessa série de painéis de parede. E aí se transformou depois em papéis.
Mas é por aí. Isso já é o papel de parede. Então, é a pintura. E essa pintura fotografada em alta resolução foram transformadas em papéis de parede. Uma aquarela. Então, o meu trabalho de pintura tem muito de camadas, de aquarelado mesmo. É um trabalho de sobreposição.
de tinta mesmo, né? Aqui já é tela também. Tudo isso que eu tô falando com muita sobreposição de tinta camadas. Esse é de uma série que a gente chama de...
terra, porque ela te lembra pedra, granito, marmo. As camadas da terra. Tem carvão, tem a tinta e aí já entra uma escultura em acrílico. Você já vê essas dobras mais angulosas. Nossa, um acrílico. Uma influência do Amilcar.
É, digamos que sim, né? Um pouquinho? Porque esse trabalho, eu tive toda uma fase dele que eu trabalhei muito com bastante cor primária e muito ângulo, né? Então, tem uma série toda desse trabalho, assim, mais seccionado mesmo, né? Não sei se o Eric tem mais alguma coisa ali. Foram todas?
Tem mais? Ah, tem mais. Volta lá, volta lá. Essas daí são fitas também, que isso também é em polímero, também com aquecimento. Tem bastante trabalhos com essa linguagem, né? Sim, sim. Essa continuidade, a coisa da fita. E esse sim, volta, tem algo de que é um material que também brinca com a sensação de ser outro.
Você falou do tecido Do papel Ele parece que é uma coisa tão leve Às vezes você trabalha com metal Ele é tão rígido Mas que é possível Você trabalhar com essa delicadeza De movimento Fica leve Esse trabalho É um trabalho que eu gosto muito Ele tem a pintura D sewn sewn
E é um trabalho depois todo costurado. Esse volume que você está vendo, esse preto, isso são fiapos de tecido que é costurado mesmo. Ali você tem umas linhas. São costurados na tela. Na tela. Tem umas linhas ali. Isso tudo é costura máquina. E essa tela tem um e meio por um e meio. É grande. Então isso não é só uma pintura. Eu chamo essa série de... É...
Nossa, agora até me deu um branco. Mas posso falar, agora eu entendo, quando você fala isso, o que você falou do seu fascínio, vamos dizer assim.
Pelo orgânico. Porque isso me lembra, ao mesmo tempo, algo orgânico que você, vamos dizer, aleatoriamente a natureza poderia produzir como uma imagem cartográfica, um mapa também. É, sim. Se bem é uma relação, a gente tem uma relação, apesar de não figurativa, uma relação figurativa. A gente decifra de certa forma. Sim, sim. Ele dá essa possibilidade de vários, né, vários olhares. É, porque a ideia que, às vezes a gente tem a ideia de que...
A abstração, ela é completa, mas não, ela tá sempre nos convidando a completar. Isso. Se a gente se interessar por isso. Sim, sim. Pra mim é um mapa, eu olho e falo, mano, isso tem algo de... Não, mas tem muito a ver isso mesmo, porque a natureza te instiga, o tempo todo, né?
Então, eu gosto de inserir nos meus trabalhos essas questões de natureza. Então, você sempre vai conseguir ver algo que mexe com você. Na própria natureza, que o artista vê nas nuvens, nas árvores, na vegetação, a gente vê imagens. Isso. Que aparecem e desaparecem. Isso mesmo. Então, eu gosto muito desse trabalho da costura. Aí já entra a parte de tapeçaria, que é uma outra.
E essa foto ficou linda, hein? Não é bonita? Não só a obra, mas todo o contorno parece que combina com a obra. A textura, a cor. Isso. Até para o pessoal que está assistindo, esse espaço é da Cerâmica Jardim e é um lugar maravilhoso, centenário. Lá você chega, você...
tem vontade de ficar, porque tem aquelas colunas onde se batia o pincel que eles pintavam. Então, é um lugar muito bonito e eu achei que tinha muito a ver. Na final, na continuação da Avenida Batel, é por ali. Entendi. E aí, eu achei que tinha muito a ver com o meu trabalho, o espaço deles lá.
Tem tudo a ver, é cheio de organicidade, é cheio de textura, qualidade tátil. E eu desenvolvi uma técnica de tapeçaria, na verdade, que são umas telas, como se fossem as telas de galinheiro, só que aquela de plástico, e eu crocheto entre esses buraquinhos da tela. Então, ele é todo preenchido D D D
Com o meu crochê... Você vai tramando. Tramando. Tramando. É. E inclusive aquela tela anterior, é tramas, né? Recebeu esse nome de tramas. Ah, tramas? Tramas. Porque tudo ali é tecido, é fio, é costurado, sabe? Então isso tem um relevo.
É algo que me encanta muito, essa mistura. Então, eu comecei a desenvolver esse trabalho em 2018, por aí, e fui seguindo, fui mudando a forma de trabalhar. Eu tenho uma pergunta. Você, quando entra numa série, essa série se intercala com outra? Sim. Ou ela segue? Como?
Eu vou e volto. Eu vou e volto nela, porque assim, eu gosto muito de... É uma coisa meio de tempo mesmo, né? Porque como eu tô trabalhando, por exemplo, tô trabalhando muito com tapeçaria, é algo que eu gosto muito, eu sento ali, eu esqueço da vida trabalhando naquilo. Mas também, chega no verão, eu não consigo trabalhar com isso.
Aí eu vou trabalhar com outra coisa. Então eu misturo muito o meu trabalho. Eu não fico numa série só, numa coisa só. A gente teve um podcast que a gente comentou sobre isso. A diferença entre o generalista e o especialista. Que às vezes a pessoa, mesmo que ela está envolvida num material...
Ela vai lá e sente a necessidade de produzir em outro. Ela é especialista na linguagem abstrata, mas ela passeia pelos materiais, pela relação do espaço com a obra, com as pessoas. E às vezes um outro material, um outro tema, dá uma injeção, uma dança só de sangue, você ganha um novo ímpeto, não é? Ela foi do polímero para a tapeçaria.
Para o metal, para o aço, o carbono. Formatos variados. Formatos variados. Telas que quase viram esculturas. Ou costuras, ou tecidos, ou tramas. Então, assim, eu gosto de estar sempre trabalhando, sempre fazendo alguma coisa. Digo que eu descanso cargando pedra, porque eu preciso ter algo para fazer nessa área.
Isso é polímero também. É aquilo que a gente falou da ilusão. Aí é um troplói, trazendo ilusão. Isso aí é pra dar essa sensação de tecido mesmo. Como se tivesse ao vento. Como um instante capturado. E que na verdade não, porque tá eterno. Então é você deixar uma rigidez
se transformar em algo leve e maleável, que é possível. Então, eu gosto de desafios por isso, porque eu gosto de testar os materiais e também ressignificar esses materiais. Porque, às vezes, um material simples, barato, como uma tela plástica, eu consigo transformar isso em uma obra de arte, que vai encantar.
alguém. Fascinar, às vezes, décadas, a pessoa olhar aquilo. A gente fica, aquele da tramas, eu fiquei fascinado da vontade de eu viajar naquela imagem. Sempre vai revelar um aspecto novo. Então, assim, essa passagem de um material pra outro, isso não me bloqueia. Eu tenho tudo à minha disposição. Uma hora eu tô com vontade de fazer uma coisa, outra hora eu tô com vontade de fazer outra. E eu não me prendo a algo assim.
A gente respeita muito, cada um tem sua forma de trabalhar. Dizer eu não gosto de encomenda, eu não gosto disso, isso interfere no meu trabalho. Não. A primeira coisa que eu faço é ouvir o que você quer. O que você quer. Isso vai ajudar a enriquecer o meu trabalho. Porque eu misturo o teu conhecimento, a tua necessidade.
com o meu conhecimento, e a gente pode criar isso muito maior. Então, a interferência de tudo à volta é importante. É um estímulo, na verdade. É um estímulo. Porque nós estamos vivendo aqui nesse plano, convivendo com todos os...
todas as formas, né? Então a gente está o tempo todo sendo influenciado por isso também. E como é que você faz para se renovar, assim, o seu espírito, a sua inspiração? O que você gosta de fazer, assim? Tudo à minha volta. Tudo à sua volta? Tudo à minha volta. Numa viagem, num filme, numa revista, tudo numa conversa com vocês aqui.
Tudo isso faz com que... Para dar um insight. Dar um insight. Abre a mente. A gente tem que estar aberto, eu acho. E você se veria? Aqui a cabeça. Você está falando de escultura e eu fiquei imaginando você no seu ateliê com seus papéis lá e tesouras e cola e papelão montando uma escultura.
eu já fiquei imaginando ela com inteligência artificial fazendo uma impressora 3D e tal pra mostrar pro cliente, imagina? Eu não tenho habilidades digitais desse jeito que a minha geração tem mais dificuldade pra isso aí mas
Mas isso é interessante, né? Você unia essa coisa da tecnologia. Eu acho um bárbaro. Eu acho que tudo que tem, que existe, a gente deve trazer em benefício. Como novo estímulo. Mas a gente precisa chegar num tema. A gente precisa chegar numa coisa... A gente precisa viajar, na verdade. A gente precisa atravessar o Atlântico. Exato. Vamos atravessar o Atlântico. Como é que chegou no Louvre?
Ah, sim. Isso aí é? Não, é uma curadora, conheceu meu trabalho via, eu acredito que seja através da internet mesmo, ou pesquisando trabalhos de escultura, e ela chegou até mim.
e conheceu o meu trabalho e me convidou para participar. Na verdade, é uma exposição que é feita no Carrossel do Louvre. E aí, são convidados alguns artistas que vão para isso, mas é uma coisa bem bacana, que você conhece muita gente, abre um assim, uma visão de...
de mundo. E do Liechtenstein é a mesma coisa. São exposições e são concursos que acontecem em determinadas épocas do ano de quanto em quanto tempo. E aí essa pessoa também, essa curadora...
através desse trabalho que ela viu, levou para lá e essa peça foi premiada lá nessa exposição. E foi bacana, porque o próprio rei, né, da... como é que chama? Aquele país, ele vai até o...
o local, ele entrega, o prêmio é bacana, eles valorizam muito, dão bastante apoio para esse... Ficou em exposição no museu deles por um determinado período, é bem bacana, eles valorizam muito isso. Então é isso.
Faço exposições por todo o Brasil, porque tem várias galerias, né? Brasília, Salvador, tem Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Caxias, Florianópolis. Então, essas galerias estão sempre promovendo também exposições e somos convidados para expor nesses locais. Então, estamos constantemente...
E os projetos futuros? Já tem umas coleções novas aí? Como é que tá? A gente tá sempre ligado. Dá um spoiler. Não, é... Agora tem, já tô preparando alguma coisa pra Casa Cor, que já tá aí. Mas dá tempo ainda? Porque já tá aí. Você tem que preparar, já tá pronto. Já tá encaminhado, já tá assim, já tá em processo de execução, porque já é pro mês que vem.
Então, uma já falta só pintura. Mas é isso. Eu trabalho rápido também. Eu trabalho rápido e eu produzo bastante. Estou sempre produzindo coisas. E também, eu estou com uma...
estou fazendo um trabalho tem um curador que está me dando uma assessoria e já estamos preparando uma exposição, não posso ainda dar um spoiler assim nem o local, não, por enquanto não mas uma exposição bem bacana, grande individual então
Fique ligada. Então vamos ter que trazer ela de novo. Na exposição. Se tiver anunciado. Estou bem animada, bem feliz, porque eu acho que vai ser uma coisa muito bacana, muito bonita. Que legal. Fiquem pensando.
E o que você diria pra alguém que tá assistindo aí e fala, ah, não me identifico muito com quadrinho, com desenho animado, eu queria ser um artista contemporâneo. Mas se identificou demais com isso. Exato. Tem muita gente que eu me identifiquei. Eu que sou desenho animado, adorei. Por onde que essa pessoa tem que começar? Hoje.
Então, veja, tem várias instituições que abrem espaço para isso. Eu sei que o Alfredo Anderson tem um espaço que eles têm, eu não sei quais as atividades hoje, mas sempre tem cerâmica, aquarela. Tem aulas que têm um custo muito baixo. A aula, procurar a aula já ajuda muito. Já ajuda. Então, vários locais que tem que a pessoa consiga...
aprender. Um espaço para produzir, que às vezes a pessoa não tem uma oficina, um ateliê, ela já vai nesse lugar para produzir um pouquinho. Isso, isso. Vários lugares. E visitar, visitar museus, olhar as exposições, para poder realmente se inspirar e ver o que ela gosta, né?
mas tem que ter um domínio do fundamento ele tem que saber pintar com óleo, saber fazer uma figura humana, ou ele dá pra ir direto pra uma coisa mais abstrata o importante é você se abrir pra aquilo às vezes você não precisa nem ter uma tela você tem lá um tecido como é que chama aquele tecido de fazer sacos? TNT? Saco estopa?
Juta. Você pode ter uma juta, você compra uma tinta à base de água, mistura os seus pigmentos. E às vezes é interessante esse material, essa rusticidade, às vezes é parte do seu... Se deixe... Deixe se abrir pra arte mesmo. O que você gosta. Então, assim, procurar nos programas de vocês, que vocês estão aí o tempo todo mostrando coisas super legais, né? E a partir dali ver o que mais gosta de fazer e se jogar naquilo.
Se joga. Se joga. Criar é se expor, né? É isso. Mas uma formação de belas artes ajuda. Ah, é isso. Porque aqui a gente apoia a universidade. Sim, com certeza. Com certeza. Pro lago, você já fez Pollock? Seu. Ah, aquele... Seu já joguei tinta, Pollock? Motion Paint? É isso. É... Dripping. Eu não sei. Você que fez. Dripping Paint? Eu nunca fiz Pollock. Você não? Eu estudei com a Titton.
Ah, sim, sim. Eu cheguei a fazer aquelas esculturas com os papéis de manteiga e as varetinhas e os fios e tal. Eu tentei, mas não consegui me encontrar muito bem nisso. Eu acho que a obra mais próxima que eu fiz...
que seria mais de arte, eu peguei uma vez um desenho de um biguá, que eu vi uma foto do passarinho no petróleo, e aí fiz uma obra que era grande, um biguá. Tridimensional? Não, num papel mesmo, mas daí eu fiz uma mistura de pó de grafite com cola e serragem, e pintei. Então realmente parecia que o passarinho estava no óleo, no petróleo, no protesto.
Ah, que bacana Mas é uma investigação Na Belas Artes você sabe que os ilustradores Eles sofrem preconceito Eles são tipo uma arte menor
por ser comercial, figurativo, coisas ligadas à indústria. Enfim, há um preconceito. Eu sou caricaturista, ilustrador e tal. E aí, quando eu fui fazer meu projeto final de Belas Artes, que eu fiz a licenciatura em desenho, eu estava com tanto medo, porque eu não sabia o que fazer, daí eu fiz uma piada.
Eu fiz um negócio absurdo. Era uma piada. A sua obra foi uma piada. Uma piada. Eu chamei uma aluna minha que fazia escultura de balão, de bexiguinha dessas que fica de salsichinha. É, com cachorro. Do cachorro. De festa. Isso. Aí, ó, o Bandog. É, do Bandog. Aliás, o Bandog, ele é especialista. Você faz isso também? Faz, faz. Ele faz isso. Faz. E aí eu peguei e falei pra lá, faz o seguinte, enche pra mim umas 50 bexiguinha dessa aí pra mim.
E ela ficou lá, a gente passou um dia inteiro enchendo bexiguinha e tal, e amarra e faz, e faz. Aí eu fiz uma máquina da alegria que eu chamei. Então eu vesti uma fantasia feita de bexiguinha e ela tinha uns braços assim, que tinha um chapéuzinho.
E daí era uma performance. Então eu fui andando pela faculdade, daí você botava o chapeuzinho. Ah, o chapeuzinho de bexiga também? Aquele chapeuzinho de bexiga? Aquele chapeuzinho da girafinha. Meio rá-tim-bum. Isso, rá-tim-bum. E aí eu fiz e tal. E daí o professor, ué, mas o que isso significa? Que loucura que é essa? Eu falei, não, o que vocês gostam? Loucura? Então eu fiz uma loucura aqui e tal. Me dê minha nota, cara. Preciso me informar, né? Tá bom, tá bom. E foi o máximo artista que eu consegui ser na minha vida.
Não, mas olha a criatividade que você botou em tudo isso daí. Isso é que é legal. Então, não tem um formato. Não tem um formato. E isso que você está falando, é arte menor, não sei por quê. Eu não vejo assim. Não, não, eu sei que você não vê.
mas é que você é diferente você já é mais prática não, pega isso aqui e vende não, tem, sabe, vamos fazer acontecer não tem muito romance assim, sabe, tem o processo tem a inspiração tem o conceito e tal mas é mais prático
E você e o Thiago William já fizeram alguma coisa assim? Você já fez escultura? De esculturas? Cara, eu monto boneco. Ah, ele monto boneco. Eu monto boneco. Não, eu queria até perguntar pra você. Em meio às suas experimentações, mesmo com material, percebo muito essa coisa de você ressignificar, né? O material que ele é rígido, você transforma na leveza, no movimento.
Algum grande desafio, que você quis experimentar algo, você, pô, peraí, isso aqui eu fiz uma vez e não...
não chegou lá e você teve que descobrir um formato, pode ser de repente numa pintura, num processo de modelagem dele, tirando a parte dos grandes tamanhos que você já falou. Mas algum outro desafio, assim, que esse te fez ficar uns dias para encontrar o caminho? É, já aconteceu de... O que que... Às vezes quando você vai, por exemplo, fiz uma grande vitrina um tempo atrás.
E você tem que ter essa conversa, né? Com as pessoas envolvidas. Vamos fazer assim, assim, aquilo, outro. Aí você tá desenvolvendo um trabalho, você olha praquilo e fala, mas isso não tá bom. Isso não vai dar certo. Você teve a conversa e ao mesmo tempo você tá em dúvida sobre o que produzir. O artista é um pouco uma antena. É uma antena parabólica. Não tá bom. Você faz aquilo, aquilo te dá. Joga tudo fora. Isso. Aí você faz aquilo, tudo. Você fala assim, não é isso, tá horrível.
E você joga fora? Tira tudo, não tem o menor problema. Taca na incinera. Olha, vamos conversar. Dá de presente com uma prima. Vamos conversar. Isso não tá bom. Isso não dá certo. Vamos tirar tudo? Isso aqui... Ó, a minha ideia é assim. O que eu acho que tem que ser é isso. Se eu não seguir...
O que está dentro de mim, que é o mais leve... Essa bússola interna. Uma intuição. Uma intuição. Então, assim, tira tudo. Isso não vai estar legal. Esse material não funciona. Vamos tirar tudo e vamos começar do zero. Fácil? É preciso. É preciso fazer isso. É preciso, porque senão aquilo... Você está vendo que não está bom. Então, você não vai entregar uma coisa que não está boa. Aliás, já que você contou essa história, conta uma rápida aqui. Conta. A gente já fez isso nesse podcast. A gente começou esse podcast. Hum.
E a gente sentiu que não tava. Você quer usar o Mané? E retomou. Não é? A gente já fez uma primeira versão desse podcast. Você sabe disso. A gente já fez? Não é? Não desse podcast com você. Mas a gente gravou em São Paulo. A versão beta. Era a versão beta. A versão beta. E aí a gente sentiu que precisava fazer outra coisa. E aí apareceu o Van Dog. Veio o Van Dog. Veio uma outra construção, né? Veio uma outra construção. Não é interessante?
Como o próprio podcast, ele se revelou diferente depois. A intuição era que tem alguma coisa que deveria ser mudada.
Eu nunca esculpi nada, eu fico impressionado. Ah, eu já esculpi bastante. Mas você tem essa arte em você. Já fiz escultura em oil clay, em argila, em cera de abelha com breu, tira molde de gesso. Eu fazia boneco antes de existir esses bonecos que a gente encontra.
Não toy art, mas hoje você tem muito esses bonecos de PVC que vem da China, né? De anime, etc. Não tinha essa tecnologia antes. O pessoal fazia em resina e chamavam de garagem kits. Era um kit de garagem. E aí eles esculpiam em resina, faziam moldes e vendiam. Eu cheguei a fazer isso. Ah, é? É. Posso contar uma história engraçada? Põe um boné. Põe um boné. Põe um boné na história. Quando eu tava na Belas Artes...
a gente tava fazendo um trabalho pra Titon, e ela falou assim, olha... Quem é Titon? A Titon Isabel, a grande professora, escultora aqui do Paraná. Beijo, Titon. Tem trabalhos lá no Museu Arcanemar e tal. Muito legal. É. E aí, era uma pessoa que na época eu não conseguia compreender, assim, né? É...
talvez por essa afinidade artística, a maturidade artística eu não tinha para compreender ela, mas hoje eu vejo o trabalho dela e acho fantástico. E ela pediu para a gente trazer cera de abelha e breu. E um cara na sala de aula, aquele artistão...
com um macacão cheio de tinta e tal, não sei o quê. Malucão. E ele usava cogumelo, ele usava bala, ele tomava ácido, ele tomava outras drogas e tal. Que é comum na Belas Artes. Ele é criativo. Ele buscava inspiração de outra maneira. Tudo bem. Maneira. E aí, a gente boníssima. E aí, ele falou assim, ó, cuidado com a polícia e tal, não sei o quê. E eu fiquei com vergonha de perguntar. E eu falei assim, poxa, é, porque o breu e tal.
Bom, né? Fiquei com aquela. Falei, como é que eu vou conseguir esse material? E aí eu morava no seminário, andava de skate, e na rua todo mundo fumava maconha.
E eu nunca fui de drogas. E aí cheguei e falei, pô, vou falar com os caras lá, né? Pra conseguir esse tal de breu aí, né? E aí fui na rua e falei, pô, fulano, Marquinho, Marquinho, você consegue pra mim breu? Ele olhou a minha cara e falou, você? Eu falei, é, cara, eu preciso de breu, eu preciso fazer um trabalho de faculdade, é uma escultura, eu vou me misturar com cera de abelha e tal. Eu comecei a contar pra ele o processo e tal. E aí ele falou, mas quanto você precisa? Eu falei, um quilo.
Daí ele falou, que? Ela até aprontou, ela até riu, não parou na câmera. Aí ele falou, puxa, a fulana tem 200 gramas, Beltrana, sei o quê, ele começou a fazer as contas lá. Ele falou, não, passa no final da tarde aqui que eu te arrumo. Como é que? Você não perguntou nem o preço. Eu não perguntei nem o preço. Que ia custar. É. Aí eu falei, só que eu vou no centro agora, eu tava indo no centro. Aqui em Curitiba tem uma casa que se chama Casa do Fumo.
E aí eu falei, eu vou lá no centro que diz que tem uma loja lá que vende esse tal de breu aí. E ele falou, sério? Uma loja? Eu falei, é uma loja, cara. Aí ele falou, pô, depois me passa o endereço dessa loja. Aí eu fui, na casa do Fumo.
Fiquei com medo, assim, falei, pô, tem um quilo de breu aí? Não, tranquilo, aqui, ó, 20 reais e tal. Comprei o breu. Aí fui lá... E você comprou do cara, mas já tinha... Aí depois de meses encontrei o cara, ele falou, e aí, cara, você conseguiu lá fazer a tua escultura? Falei, consegui, cara, achei lá no centro 20 reais o quilo. Ele falou, 20 reais o quilo? Aí eu fui descobrir que breu, breu é maconha. Era duas coisas ao mesmo tempo.
E era um papo de louco, né, meu? Você tava falando uma coisa, eu tava falando outra. Eu tava falando outra coisa. Um quilo, eu quero um quilo. Pra esculpir. Pra esculpir. Mas ia misturar com o brilho com o cero de abelha. Isso que é doido, né? Isso que é doido. É, e fiz um... Ia ficar docinho, né? Ai, meu Deus. Mas enfim.
Marilene, muito obrigado pela sua visita, por você ter aceitado o nosso convite, por esclarecer tanta coisa interessante em relação a essa área da arte, das belas artes, da escultura, arte contemporânea. E eu gostei quanto ela é prática. Isso, e deixar mais acessível. Gostei muito disso.
eu gostei muito de ver o que você trouxe a linguagem do seu trabalho e como você é prática e deixou mais acessível mais próximo da gente por isso que faz entender pra gente que não é mas são todos artistas eu tô vendo aqui um pintando um desenhando
maravilhoso aqui. É porque a inspiração vem e a gente tem que obedecer esse chamado. Mas acho que pra audiência também, você tornou o seu trabalho mais próximo das pessoas e vai de acordo com o que você disse, né? Arte é pra todos. Exato. Tem que aproximar as pessoas com isso. Exatamente. Eu adorei. E a gente falou em outro episódio que o homem sem arte adoece. Ah, é.
Aliás, é uma das frases que eu adoro. No começo do livro do Walt Stanchfield, o Drone to Life, ele fala, ele constrói uma equação lá, matemática, que é... Não lembro disso.
Que a gente que é artista, todo mundo, mas a gente que trabalha com arte, é muito impressionável. As coisas nos impressionam no mundo. E aí ele fala, se você não se expressa, você pode cair na depressão. E aí ele constrói essa frase. Impressão menos expressão igual depressão.
Olha que legal Ele fala, já nos atinge alguma coisa Que nos revolta, nos apaixona, nos fascina E aí você trabalha aquilo Entendi, legal Num outro programa eu também falei Não crie para ser aceito Crie para ser lembrado Olha só Olha só
E pra lembrar da Marilene, pra eternizar esse episódio, a gente vai dar um presente pra Marilene. Nossa! Um, não, três presentes. Três presentes. A mini Marilene. Aê! Meu Deus do céu! Que chique isso! Tira da caixinha pra você ver. Olha! Gente, não esperava por isso. Da onde isso? Olha só, tava fazendo enquanto estamos aqui. Amei! Eu que fiz! Eu que fiz! Adorei!
Obrigada. E a gente vai dar também um cafezinho pra você tomar enquanto você faz o seu trabalho, dá white pine. Só virar aqui pra cima pra gente ver. Ah, desculpa. Aqui. Olha só, já vou tomar amanhã, que agora já é muito tarde. Ah, não, não vai dormir, não. Muito tarde, mas amanhã de manhã já vou tomar. Ele tá com moagem pra prensa francesa, mas dá pra fazer num coadinho básico também, dá pra fazer. Muito obrigada, adorei, adorei. Olha, amei, hein?
Eu vou dar esse aqui, ó. Esse é um livro que eu ilustrei, que é um livro da história da Maria, filha da Fábio Pinzeta, autora. Olha que legal. Que teve um câncer raro no cérebro e ela passou por todo o tratamento e se curou. E eu fiz a ilustração mostrando essa visão da criança durante esse tratamento. Muito legal. E o dinheiro que a gente vai arrecadar com a venda desse livro vai tudo para o Erastin.
Muito legal. Eu tô com uma historinha infantil pronta. E acho que nós vamos dar um ilustrador. Precisamos conversar. Ó, tá vendo? Será um estúdio? É, eu tenho um estúdio de ilustradores de livro infantil. Olha que legal. Posso ser eu? Vamos conversar a respeito depois. Pode ser o Vandog. O Vandog também. Olha aí, legal. Uma bexiga enrolada. E é isso, então. Curte, compartilha.
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