Episódios de Psicologia na Prática

#283 - Por que você pensa demais antes de tomar decisões

14 de julho de 202628min
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Por que algumas decisões parecem tão difíceis? E por que, quanto mais pensamos, mais difícil fica escolher?

Neste episódio, você vai entender como a busca por certeza pode alimentar a ansiedade, por que o cérebro resiste tanto à incerteza e como desenvolver uma relação mais saudável com as decisões da vida.

Se você sente que está preso em um ciclo de pensar demais e agir de menos, este episódio pode mudar a forma como você enxerga as suas escolhas.

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Participantes neste episódio1
A

Alana Nijá

HostPsicóloga
Assuntos7
  • A importância da clarezaBusca por garantia · Impossibilidade de certeza absoluta · Lidar com a incerteza
  • Práticas budistasPerda inerente a toda escolha · Aversão à perda · Medo da responsabilidade
  • Maturidade EmocionalRelação saudável com a incerteza · Confiança construída na experiência · Coragem para agir
  • A armadilha do excesso de pensamentoProteção contra o desconforto da escolha · Ilusão de produtividade · Ciclo de análise infinita
  • Paralisia por AnálisePesquisar mais do que agir · Pedir opinião para todos · Mudar constantemente de direção · Esperar certeza absoluta para agir
  • Custo da indecisãoSofrimento de não decidir · Estagnação e vida suspensa · Consumo de energia mental
  • Bankei e a mente não-nascidaAtenção em tarefas abertas · Consumo de recursos mentais
Transcrição5 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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ANAlana Nijá

E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Sou Alana Nijassa, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano. E eu tô aqui todas as terças-feiras com um novo conteúdo para te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais clareza emocional, mais inteligência emocional também. E se você tá me assistindo aí pelo YouTube, já aproveita para curtir esse vídeo, se inscreve no canal.

Se você tá me ouvindo pelo Spotify, também dá para você seguir o podcast por aqui, avaliar ele com 5 estrelas se você gosta do meu conteúdo. Isso me ajuda muito a fazer com que esse conteúdo chegue a mais pessoas. E lembrem sempre de comentar também. Eu, minha equipe, a gente tá sempre pegando esses feedbacks de vocês para que a gente possa seguir melhorando, trazendo conteúdo cada vez melhores para vocês, tá bom? E como é de praxe, eu começo fazendo uma pergunta para você que me escuta, que me assiste aí.

Aí, me responde uma coisa: tem alguma decisão na tua vida hoje que você tá adiando? Talvez de um relacionamento, um trabalho, em relação ao seu trabalho, em relação a uma mudança importante, algum projeto, talvez uma conversa que você sabe que precisa ter. Tem talvez algo que você tá pensando aí há meses, ou quem sabe anos, e aí você pensa, você fica analisando, pesquisando, conversa com os amigos, pede opinião, assiste vídeos como esse.

Ora para Deus, reflete, faz listas de prós e contras, você tenta encontrar mais informações, mas aquela decisão continua parada ali. E quanto mais tempo passa, mais cansado você fica, porque existe um tipo de sofrimento que vem com essas decisões difíceis. Eu já gravei até outro episódio sobre como fazer escolhas. Se você botar aí escolhas ali na lupa, principalmente do Spotify, que tem desde o início, você vai encontrar outros episódios.

Mas é um assunto que eu percebo que traz muito sofrimento para as pessoas, que a gente precisa precisa falar sobre, porque existe um tipo de sofrimento que vem das decisões difíceis, mas existe outro sofrimento também que vem de nunca decidir nada. E muitas vezes esse segundo sofrimento dura muito mais. Eu vejo isso o tempo todo nas pessoas que eu converso, as pessoas que a gente atende na clínica, pessoas extremamente inteligentes, capazes, conscientes, que não estão paralisadas por falta de informação, mas elas estão paralisadas porque estão tentando eliminar toda a incerteza antes de agir.

E esse é um problema grande, é por isso que eu decidi falar novamente sobre esse assunto aqui no podcast, porque existe uma verdade que ninguém gosta muito de ouvir, que é o seguinte: a vida não oferece garantia, gente, nenhuma. Eu sei que é mais fácil falar do que viver na pele, né, mas a gente não consegue ter certeza absoluta antes de tomar decisões, antes de começar um relacionamento ou terminar. Você não consegue ter certeza absoluta antes de mudar de emprego, nem de ter filhos ou não ter filhos.

Você não consegue ter certeza absoluta antes de mudar de cidade. Não dá para a gente ter certeza absoluta antes de tomar praticamente nenhuma decisão que é importante na nossa vida. Mas o nosso cérebro, ele adora acreditar que consegue. Então ele cria essa armadilha, né? Ele diz, olha, vamos precisar aqui, vamos pensar um pouquinho mais, vamos analisar melhor, vamos pesquisar mais, vamos esperar mais algum sinal bem claro, né?

Vamos procurar mais certeza, mais clareza. E aí, sem perceber, meses vão passando, às vezes anos, e a vida continua estagnada, parada. Por isso que eu quero propor uma reflexão durante esse episódio para você aqui que tá me ouvindo. E se o problema não for falta de clareza? E se o problema não for medo do desconforto que toda decisão inevitavelmente traz? Porque talvez, talvez, tá, você não esteja confuso, talvez você só esteja com medo de escolher.

E existe uma diferença enorme entre essas duas coisas. Quando a gente pensa em decisões difíceis, geralmente a gente pensa só nos riscos que a gente tem em escolher, mas quase nunca a gente pensa nos riscos que a gente tá tendo de não escolher. Isso é curioso, né, porque toda escolha tem um custo. E a indecisão também tem um custo, e muitas vezes a gente não olha para isso. Imagina alguém que tá há 2 anos em um relacionamento que já não faz mais sentido, a pessoa percebe os sinais.

Eu conheci alguém há pouco tempo atrás que me falou isso, tava já uns 2 anos, percebia que não era aquilo, tinha ali bem, né, os sinais bem claros até, alguma coisa que não tava funcionando, não tava feliz, mas continuava. Porque terminar parecia assustador, então ela adiava e adiava essa decisão. Agora imagina alguém que sonha em mudar de carreira, né, mas continua ali naquele mesmo lugar. E não porque ela ama o trabalho atual, mas porque ela tem medo de errar, medo de fracassar, medo de se arrepender.

Então continua esperando sempre o momento perfeito, a oportunidade perfeita, a certeza perfeita, que nunca vai chegar. E nos dois casos existe sofrimento, só que esse sofrimento de não tomar a decisão ele é mais disfarçado ali, né? Ele não acontece nada dramático por eu não escolher, porque eu posso continuar funcionando, continuo trabalhando, continuo vivendo, cumprindo as minhas responsabilidades, mas por dentro tem uma sensação constante de estagnação, uma sensação da vida ali suspensa, como se parte dela tivesse esperando autorização para começar a viver.

E essa recupera, ela cobra um preço muito grande, porque a indecisão ela consome a nossa energia mental. O cérebro, ele odeia assuntos inacabados. Eu lembro, há pouco tempo atrás, a gente tava na decisão de comprar uma casa. A gente, né, morava até então de aluguel numa outra casa que era maravilhosa, que vocês até conheceram o cenário aí, um pedacinho de lá, né. E nós já tínhamos um apartamento, mas a gente tava tentando vender, morando nessa casa, querendo comprar outra casa, e tinha 1 milhão de cenários, 1 milhão de alternativas.

E a gente colocando no papel prós e contras e fazendo cálculos e vendo o que que mais compensava, o que que a gente fazia. E assim, enquanto aquilo não era decidido, a gente não conseguia descansar a nossa cabeça. Todos os nossos assuntos, nossos momentos livres eram falando, era falando sobre isso, era conversando sobre isso, porque o nosso cérebro ele odeia assuntos inacabados. Existe um fenômeno psicológico chamado efeito Zeigarnik.

Tá? Não precisa decorar esse nome, mas presta atenção. De uma forma simples, ele mostra que a nossa mente, ela tende a manter atenção em tarefas e situações que permanecem abertas. Aquilo que não foi resolvido, então, continua ocupando o espaço, continua consumindo nossos recursos mentais, que são limitados, continua aparecendo ali no fundo dos nossos pensamentos. E é por isso que algumas decisões parecem nos perseguir Você tá lá trabalhando e lembra dessas decisões.

Você tá tomando banho e lembra daquilo. Tá tentando dormir, tá lembrando. Tá viajando, tá lembrando. Tá sempre ali. Porque o cérebro, ele continua tentando resolver aquilo que permanece aberto. E quanto mais tempo você passa sem decidir, mais energia essa questão consome. É como deixar dezenas de abas abertas no computador. Uma só talvez não vai te incomodar, não vai fazer tanta diferença. Mas 50 começam a deixar o sistema lento.

E muitas pessoas vivem assim, com tantas decisões emocionais abertas, coisas que precisam ser enfrentadas, conversas que elas precisavam ter, mudanças que elas precisavam considerar, limites que precisavam ser colocados, só que elas permanecem numa espera. E aí o que que acontece? A pessoa começa a acreditar que ela tá cansada por causa das responsabilidades da vida, mas parte desse cansaço vem dessa energia que ela tá gastando tentando não decidir.

Porque evitar uma decisão exige esforço também, às vezes até muito esforço, muito mais do que tomar a decisão em si. E aqui uma pergunta para você se fazer, tá? O que que tá consumindo mais energia sua hoje? A dificuldade da decisão ou esse esforço constante para continuar adiando essa decisão? Porque são duas coisas diferentes. E muitas vezes a resposta surpreende, tá? Porque a pessoa percebe que ela tá sofrendo mais pela indecisão do que pela escolha que ela precisaria tomar.

Mas ainda assim ela continua parada. E aí justamente que entra o nosso próximo ponto aqui. Porque se não é falta de informação, se não é falta de capacidade para decidir, de inteligência, por que que as pessoas ficam presas nesses ciclos intermináveis de análise? Por que algumas decisões elas parecem tão difíceis? Por que que a gente pensa tanto e age tão pouco? É isso que a gente vai entender agora. Então vamos falar o seguinte sobre por que que decidir assusta tanto o nosso cérebro.

Se eu te perguntasse o que que é uma decisão para você, provavelmente você falaria uma escolha, e tecnicamente você estaria certo, mas psicologicamente existe uma definição que eu gosto mais: decidir é abrir mão. E talvez exatamente por isso que é tão difícil decidir, porque toda escolha carrega uma perda. Vida toda. Quando você escolhe uma carreira, você tá abrindo mão de tantas outras possibilidades. Quando você escolhe mão— quando você escolhe uma cidade para morar, por exemplo, você tá abrindo mão de muitas outras cidades que você poderia morar.

Quando você escolhe uma pessoa para construir a vida junto, você tá abrindo mão de todas as outras histórias que você poderia viver, pessoas que você poderia também conhecer. Quando você decide ter filhos, você abre mão de tudo aquilo que envolve uma filha, uma vida sem filhos, né? Porque é completamente diferente. Quando você decide não ter filhos, você tá abrindo mão da experiência da maternidade ou da paternidade. Toda decisão envolve ganho e envolve renúncias.

Teve até um texto que ficou muito viralizado no Instagram, nas redes sociais esses dias, né, disso assim, de tudo é difícil, né? Manter o casamento é difícil, Ser solteira é difícil, tudo é difícil, tudo envolve perdas, abrir mão de algo. Mas a gente precisa escolher aquilo que a gente aceita abrir mão, né? Então toda decisão envolve um ganho, mas também envolve uma renúncia. E o cérebro, ele tem uma relação complicada com perdas, né?

A gente não gosta de perder nada. Existe uma coisa que a psicologia econômica estuda há décadas que se chama aversão à perda. De forma simplificada, perder algo costuma gerar mais impacto emocional do que ganhar algo equivalente. Por isso que muitas pessoas permanecem em situações que já não fazem mais sentido. Não é porque elas estão felizes ali, mas é porque elas têm medo de perder. E esse medo, ele parece maior do que a possibilidade de ganhar algo novo, algo desconhecido.

Isso aparece em praticamente todas as áreas da nossa vida, se você parar para pensar. Então tem muitas pessoas que permanecem ali no relacionamento porque pensa: mas e se eu terminar e me arrepender? Será que estar sem essa pessoa vai ser melhor do que tá com ela? Porque tá com ela não tá muito bom, mas eu não sei como seria sem, né? Então tem pessoas que permanecem, permanecem em um trabalho que não tá legal há tempo já porque pensam: mas e se eu sair e der errado, né?

Ou então se eu mudar de cidade e eu não gostar. Então o foco tá não naquilo que ela pode construir, mas naquilo que ela pode perder. E isso é muito importante, porque quanto mais relevante é aquela decisão, mais intenso costuma ser esse medo. E existe algo mais profundo acontecendo. Muitas vezes a gente não tem medo da decisão em si, a gente tem medo da responsabilidade que vem depois dela. Então para, para pensar, quando a gente tá indeciso, existe uma fantasia ali, a fantasia de que ainda existe uma escolha perfeita escondida em algum lugar.

Uma possibilidade sem risco, sem perda, sem arrependimento, sem sofrimento. Só que a verdade, gente, é que essa opção não existe. Ela nunca existiu para nenhum de nós. Toda decisão na vida adulta, né, vai envolver perdas, vai envolver decisões imperfeitas. Tudo na vida adulta envolve riscos, envolve abrir mão de possibilidades para construir outras. Mas o nosso cérebro ansioso, ele resiste aceitar isso. Ele continua procurando uma garantia que a vida não oferece.

E quanto mais procura essa garantia, mais preso ele fica, porque a busca pela decisão perfeita acaba impedindo qualquer decisão. Quem aqui já passou por isso em alguma área da vida? Me conta aí nos comentários. E aí, antes da gente continuar, eu quero te fazer um convite rápido aqui. Se você é ouvinte do Psicologia na Prática e ainda não me acompanha no Instagram, me procura por lá. Meu Instagram é @alanaanjar. Todos os dias eu compartilho também lá reflexões, ferramentas práticas sobre ansiedade, autoconhecimento, inteligência emocional.

E isso tudo complementa muito o nosso, nossa conversa aqui do podcast. Inclusive, se você é aquela pessoa que pensa demais, analisa tudo, revisa as decisões mil vezes na cabeça, tem dificuldade de desligar a mente, eu tenho certeza que muitos dos meus conteúdos vão fazer sentido para você lá. E aí agora eu quero te mostrar uma armadilha, tá, que tá por trás da maioria das pessoas que pensam demais antes de tomar decisões, tá. Então a gente chegou aqui no coração desse episódio, porque a maioria das pessoas acredita que pensar demais é algo que ajuda, né, a tomar uma boa decisão.

Mas muitas vezes o excesso de pensamento tá servindo outra função, uma função muito mais emocional. Esse excesso de pensar, de analisar, tá te protegendo do desconforto da escolha. E eu sei que isso pode soar estranho, mas pensa aqui comigo: quando você tá analisando, pesquisando, comparando possibilidades, você ainda não precisa se comprometer, você não precisa abrir mão de nada, você ainda não precisa correr riscos, você ainda não precisa lidar com as consequências.

Você continua no território das possibilidades. Era o que a gente tava falando antes: as possibilidades são confortáveis. Porque nelas, né, tudo ainda pode acontecer. O problema é que as possibilidades, elas não são reais, elas não constroem a nossa vida, são as nossas decisões que constroem. E é justamente aí que muitas pessoas ficam presas. Elas entram em um ciclo de análise infinita, então lá de ficar pesquisando, perguntando, refletindo, comparando, só que elas não chegam no momento da escolha.

E pensar sobre essas coisas parece produtivo, gera uma sensação de produtividade, né? Ah, eu que eu tô fazendo alguma coisa, que eu tô me preparando. Então eu sinto que eu tô avançando, eu sinto que eu tô, né, chegando lá. Mas esse pensamento nem sempre gera o movimento necessário. Às vezes ele tá só criando uma ilusão de movimento, como ficar correndo numa esteira. Você tá se movimentando, tá gastando energia, mas continua exatamente no mesmo lugar.

E isso acontece muito com pessoas que são assim racionais, inteligentes, analíticas. Porque essas pessoas, elas costumam ser muito boas, né, encontrar novos ângulos, variáveis, riscos, avaliar os cenários, as possibilidades. Elas conseguem argumentar ali, só que sempre tem alguma coisa para considerar mais, mais uma informação porque eu preciso buscar, mais uma opinião que eu preciso ouvir, mais uma hipótese para analisar. E aí, sem perceber, elas transformam essa análise em um lugar onde elas ficam ali.

Em vez de usar o pensamento como uma ferramenta, elas passam a viver dentro dele. Talvez você já tenha feito isso, talvez exista uma decisão na tua vida que já recebeu centenas de horas de análise, mas quase nenhuma ação. E aqui eu quero te fazer uma pergunta muito sincera: tem alguma área da tua vida hoje que você tá pensando muito, muito mais do que precisaria? Porque chega o momento, gente, que Mais reflexão não vai gerar mais clareza, vai só gerar mais dúvida, mais ansiedade, mais confusão, mais paralisia.

E é justamente nesse ponto que a gente precisa entender uma verdade desconfortável, que é que às vezes a gente não tá buscando mais clareza, a gente tá buscando certeza. E isso muda tudo, porque clareza é possível, a gente precisa analisar, né, os cenários, analisar os prós e os contras, beleza. Mas certeza absoluta de que aquela é a melhor decisão a gente nunca vai ter. Enquanto você exigir essa certeza pra agir, você vai continuar esperando algo que a vida simplesmente não vai oferecer pra você.

E aí, esse é o ponto, eu acredito, mais importante de todo esse episódio, tá? Porque quando alguém tá preso nessa decisão e ela normalmente tá ali naquele momento de eu só quero ter certeza, eu quero ter mais clareza, eu quero pensar um pouco mais, a gente já viu que muitas vezes isso não é verdade. O que a pessoa tá buscando não é clareza, é garantia, é essa certeza. E existe uma diferença entre essas duas coisas, né? Porque clareza, então, é aquilo que a gente falou: eu entendo as minhas opções, reconheço os riscos, sei o que é importante para mim.

Só que a garantia é aquilo assim, ó: eu quero ter certeza de que eu não vou sofrer, eu quero ter certeza de que eu não vou me arrepender, eu quero ter certeza de que isso vai dar certo, eu quero ter certeza de que eu não vou errar. E essa busca é impossível. A vida não funciona assim. Se você puder botar isso na sua cabeça hoje, Isso vai te ajudar tanto. Ninguém recebe garantias antes de começar um relacionamento ou terminar. Ninguém recebe garantia antes de mudar de carreira, antes de escolher a faculdade que vai fazer.

Ninguém recebe garantia antes de abrir um negócio, uma empresa. Ninguém vai te dar essas garantias antes de você casar, antes de decidir ou não ter filhos. Aliás, se você observar as decisões mais importantes da sua vida, você vai perceber uma coisa: Quase todas elas foram tomadas sem garantia nenhuma, e ainda assim elas precisaram ser tomadas. Mas a nossa mente tem dificuldade em aceitar isso, ela continua acreditando que existe uma quantidade suficiente ali de análise que finalmente vai eliminar toda incerteza, tá?

Mas a gente já viu até aqui que isso não acontece. Existe uma frase que eu gosto muito, que é o seguinte: a maturidade emocional começa quando você Para de exigir garantias que a vida nunca prometeu te dar. Eu acho essa frase libertadora porque ela muda completamente a nossa forma de enxergar a vida. Você vai parar de fazer perguntas como: como que eu faço para ter certeza? E você começa a perguntar: como que eu posso aprender a lidar com essa incerteza?

Você percebe a diferença disso? A primeira pergunta, ela tenta controlar a realidade, e a outra, ela desenvolve recursos internos para lidar com a realidade. E são esses recursos internos que realmente ajudam a gente a viver, porque a nossa vida nunca vai ser totalmente previsível, mas a gente pode se tornar emocionalmente mais preparados para lidar com aquilo que vai surgir. E aí, nesse momento, talvez você esteja se perguntando, né, tá bom, Alana, mas como que eu sei que eu tô só refletindo ou que eu tô preso nesse ciclo?

Então eu vou compartilhar alguns sinais muito comuns. O primeiro deles é que você pesquisa muito mais do que age. Então você tá assistindo muitos vídeos, lendo livros, ouvindo podcasts, conversando com muita gente, buscando informação, mas essa quantidade de informação não acompanha a ação. Então você tá aprendendo, aprendendo, mas continua no mesmo lugar. Segundo sinal é ficar pedindo opinião para todo mundo. Você tá perguntando então para os seus amigos, para sua família, para o seu parceiro, para colegas, para profissionais, E quanto mais opiniões você recebe, mais confuso você fica.

Então agora você não tá lidando só com a própria dúvida, você tá lidando com as dúvidas de várias pessoas ao mesmo tempo. Isso é muito perigoso. O terceiro sinal é mudar constantemente de direção. Então hoje você tá convencido de que você deve fazer isso, e amanhã você já mudou de ideia, já não tem tanta certeza assim. Depois de amanhã aparece uma nova possibilidade, aí volta tudo para estaca zero. Você sente que nunca consegue sustentar uma escolha por muito tempo.

Isso também é muito perigoso. O quarto sinal é você acreditar que sempre falta alguma informação, sempre tem mais alguma coisa que eu preciso entender para que eu possa tomar decisão, sempre tem mais um livro, mais um curso, mais uma conversa, mais um vídeo, mais uma pesquisa, como se a próxima informação fosse finalmente resolver tudo. Mas ela não vai resolver, porque o problema não tá na quantidade de informação, tá na dificuldade de escolher.

E o quinto sinal, e talvez o mais importante, é que você espera sentir certeza absoluta para então agir. E esse aqui é o mais difícil de lidar, porque na maioria das decisões importantes da vida, a certeza não vem antes, vem normalmente depois. Muitas vezes a confiança, ela é construída durante o caminho e não antes dele. Por isso eu quero que você responda com sinceridade aqui para mim, tá? Tem alguma decisão na tua vida hoje que você já sabe no fundo qual é o próximo passo, que você deve fazer, mas você continua adiando porque gostaria de sentir mais certeza?

Se existe, talvez você não precisa de mais informação, talvez você esteja precisando dessa coragem, dessa maturidade emocional para tomar a decisão certa. E aí eu quero falar uma coisa que talvez surpreenda você, porque pessoas emocionalmente maduras, elas não tomam decisões porque elas têm mais certeza, mais convicção. Elas tomam as decisões porque elas desenvolveram uma relação mais saudável justamente com a incerteza, que é o que a gente tá falando aqui.

Isso é muito diferente, porque muitas pessoas imaginam que um indivíduo, né, uma pessoa emocionalmente saudável, madura, é aquela que sabe exatamente o que fazer. Elas não têm dúvidas, não sentem medo, não ficam inseguros. Mas não é assim que acontece. Essas pessoas, elas sentem tudo isso também. A diferença é que elas aprenderam uma coisa que muda completamente a forma de viver: que você não precisa eliminar a dúvida para agir, você não precisa eliminar o medo para agir, você não precisa eliminar a insegurança para agir, você não precisa eliminar a incerteza Porque você, se você esperar a ausência completa dessas coisas, essas emoções, provavelmente você vai passar boa parte da sua vida esperando.

E pessoas emocionalmente maduras, elas entendem que a confiança não surge antes da experiência, ela surge durante a experiência. Então pense em qualquer habilidade que você desenvolveu na tua vida, seja dirigir, trabalhar, falar em público, atender pacientes, criar filhos. Nenhuma delas começou com confiança. A maioria apareceu depois de inúmeras experiências, depois de erros, de acertos, depois de prática mesmo. Mas quando o assunto são decisões importantes, muitas pessoas querem inverter essa lógica.

Elas querem sentir confiança primeiro, sentir segurança primeiro, certeza, e aí elas ficam presas nisso porque elas estão esperando algo que só nasce depois da gente agir. A clareza, ela costuma aparecer caminhando e não esperando, tá? E isso resume muito da nossa vida adulta, porque muitas das respostas que a gente busca não aparecem durante a nossa análise, elas aparecem durante a nossa experiência. Você descobre se gosta daquele trabalho ou não trabalhando.

Você descobre se aquela cidade faz sentido ou não morando nela. Você descobre se aquela relação tem futuro vivendo aquela relação. Descobre se aquele projeto vale a pena executando o projeto. A vida, gente, é quase como um laboratório em alguns momentos, sabe? Mas quem vive só pensando não entra no experimento, e por isso nunca conseguem obter os dados que eles procuram. Então, gente, resumindo esse episódio, a vida adulta é feita de escolhas, tá?

E pessoas emocionalmente maduras aceitam isso. Elas não ficam procurando uma decisão sem perdas, porque elas sabem que ela não existe, tá? Elas estão procurando ali uma decisão alinhada com seus valores. Isso muda tudo, porque quando você decide baseado nos seus valores, você para de buscar o caminho perfeito e começa a buscar o caminho que faz sentido. Então eu quero terminar esse episódio falando justamente sobre a coragem que a gente precisa, Porque no final das contas, tomar decisões importantes tem menos a ver com a nossa capacidade analítica, a nossa inteligência, e muito mais a ver com a nossa coragem.

Coragem para escolher, coragem para errar, coragem para aprender, coragem até para se arrepender, coragem para assumir responsabilidade real pela própria vida. Tem uma frase que eu ouvi há muitos anos que eu nunca esqueci, que diz assim, ó: você pode escolher o caminho A e sofrer, Pode escolher o caminho B e sofrer também. Mas existe um sofrimento específico reservado pra quem nunca escolhe. E eu acredito que essa reflexão, ela tem muito a ver com tudo que a gente falou aqui.

Porque existe sofrimento em qualquer trajetória humana. Mas existe um sofrimento muito particular na vida quando ela fica suspensa, nessa vida adiada, na vida constantemente colocada em espera, nessa vida que nunca começa porque a pessoa tá sempre aguardando mais clareza, mais confiança, mais certeza, mais um sinal. Divino, mais uma confirmação, uma garantia. E aí, enquanto isso, o tempo tá passando, as oportunidades estão passando, os anos passam, a vida passa.

E eu não tô dizendo aqui que você precisa sair tomando decisões impulsivas depois desse episódio, não é isso. O que eu tô dizendo é que talvez você não precise de tanta certeza quanto imaginava. Talvez você já tem as informações suficientes, talvez você até já saiba o que você deve fazer. E o próximo passo exige coragem, tá bom? Eu espero que você tenha gostado desse episódio, espero que você saia daqui e possa realmente tomar as decisões que você precisa tomar.

Eu acredito que esse episódio pode ajudar muita gente, então me ajuda a divulgar, manda para os seus amigos, seus familiares, seu marido, namorado, enfim, envia para o máximo de pessoas que você puder. E se puder compartilhar também no seu Instagram, que tem uma setinha que vai direto para lá para os stories, me marca, me conta o que você achou, vou ficar muito feliz de saber. Um beijo e até a próxima!

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