Episódios de Psicologia na Prática

#282 - Por que você continua repetindo comportamentos que quer mudar

07 de julho de 202625min
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Você já percebeu um comportamento que te prejudica, prometeu mudar inúmeras vezes e, mesmo assim, continuou repetindo exatamente o mesmo padrão?

Neste episódio do Psicologia na Prática, vamos entender por que reconhecer um erro não é suficiente para transformá-lo.

Falaremos sobre a chamada “Síndrome da Gabriela”, a crença de que “eu nasci assim e vou ser sempre assim”, e também sobre aquelas pessoas que têm consciência dos seus comportamentos, mas continuam presas aos mesmos ciclos de procrastinação, dependência emocional, impulsividade, autossabotagem e dificuldade de colocar limites.

Você vai descobrir o que a psicologia explica sobre mudança de comportamento, por que o cérebro prefere o familiar ao saudável e quais são os erros mais comuns que impedem transformações duradouras.

Porque talvez o problema não seja falta de consciência.

Talvez seja que ninguém te ensinou como a mudança realmente acontece.


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Participantes neste episódio1
A

Alana Nijá

HostPsicóloga
Assuntos5
  • Concentração e Prática DeliberadaInsight não é mudança · Neuroplasticidade · Repetição e novos caminhos neurais
  • Mudanca de ComportamentoSíndrome da Gabriela · Consciência vs. Mudança · Cérebro prefere o familiar
  • Transformação e MudançaRepetição e prática · Pequenas vitórias e consistência · Agir como a pessoa desejada
  • Erros que travam a vidaEsperar vontade para agir · Querer mudar tudo ao mesmo tempo · Confundir recaída com fracasso · Manter ambientes reforçadores · Transformar comportamento em identidade
  • Superação da instabilidade emocionalDesconforto como sinal de crescimento · Tolerância ao desconforto
Transcrição4 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Queen Carvânia stood haloed by the morning sun. An army hung on her every word.

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ANAlana Nijá

E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou Alana Nijá, sou psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano, e eu tô aqui todas as terças-feiras com um novo conteúdo para te ajudar a construir uma vida mais leve, mais consciente e emocionalmente saudável. Se você tá me assistindo pelo YouTube, já aproveita pra curtir esse vídeo, se inscrever no canal.

Se você tá me ouvindo pelo Spotify, segue o podcast e avalia com 5 estrelas, porque você sabe que isso ajuda muito esse conteúdo a chegar a mais pessoas. E agora, pra gente começar, me responde uma coisa aí nos comentários, tá? Você já percebeu que um comportamento seu, tá? Você viu que você precisava mudar, prometeu que iria mudar, se comprometeu consigo mesmo, mas algumas semanas depois tava fazendo exatamente a mesma coisa.

Talvez você procrastine, talvez você tá com dificuldade de colocar limites, talvez você continue insistindo em relações que te machucam, que não fazem bem para você. Talvez você exploda emocionalmente, seja extremamente autocrítico, ou então vive adiando decisões importantes. E o mais frustrante é que você sabe disso, você sabe dos seus defeitos, das coisas que você precisa melhorar, você reconhece o problema, tem consciência, mas não consegue mudar.

E isso gera uma sensação muito dolorosa, porque em algum momento você começa a pensar: será que eu sou assim mesmo? Será que eu não consigo mudar? Será que esse é simplesmente o meu jeito? E é aí que muitas pessoas entram no que eu brinco falando, né, já é algo que eu ouvi há muito tempo atrás, Mas síndrome da Gabriela, vocês lembram daquela música? Eu nasci assim, eu cresci assim, sou mesmo assim, Gabriela. Com essa voz rouca aqui, né?

Maravilhoso, cantando pra vocês. Mas a síndrome da Gabriela é essa coisa assim, não tem o que fazer, eu sou assim e pronto. Só que quando essa ideia entra na nossa identidade, mesmo que a gente fale de brincadeira, isso se torna perigoso. Porque a gente começa a tratar comportamentos aprendidos como se eles fossem características permanentes. E hoje eu quero conversar justamente sobre isso. Por que que é tão difícil mudar? Por que que a consciência não basta?

Que tem gente que nem consciência tem, né? Você deve conhecer alguém na sua família aí que já é mais velho e fala, meu Deus, ele já é assim, não vai mudar mais, né? Tem que aprender a conviver. Eu tenho pessoas assim da minha família, mas essas pessoas geralmente são aquelas que são nem um pouco abertas assim para refletir sobre seus próprios comportamentos, ou pessoas às vezes mais né, duronas, com uma dificuldade de admitir seus erros.

E a gente não quer ser assim. Nós somos pessoas. Você que tá ouvindo esse podcast, você tem que se negar a ser assim. Se você escolhe ouvir um podcast chamado Psicologia na Prática, eu imagino que você tá aberto a mudar. Mas pode ser que você não consiga, por uma série de fatores que a gente vai falar nesse episódio. O que que a psicologia ensina sobre transformações reais e duradouras? Existe uma crença muito comum sobre desenvolvimento pessoal que é assim, é a ideia de que basta entender o problema para resolvê-lo.

Então tem pessoas assim que vão para terapia, elas querem entender o problema, né? Elas querem entender a causa, da onde veio, querem entender e falam, viram especialistas sobre os seus próprios problemas. Você já viu alguém assim que sabe explicar tudo? O porquê que ela age assim, o porquê que ela tem esses traumas, essas dores, essas feridas, ela fala que é uma beleza. Mas e mudar, que é bom? Aí que fica difícil, né? Porque só entender sobre o problema não resolve.

Infelizmente não funciona assim. Se funcionasse, ninguém iria procrastinar, ninguém ia permanecer nos relacionamentos errados, ninguém ia repetir padrões que fazem mal para si mesmos. Porque a maioria das pessoas, gente, já sabe o que que precisa mudar. Pensa comigo, algumas pessoas elas sabem já que elas precisam dormir melhor, usar menos rede social, colocar limite, se exercitar, né, parar de agradar todo mundo, controlar os seus impulsos, mas elas continuam fazendo o contrário.

Porque o problema não é informação, a gente tem muita informação. O problema é a transformação, porque existe uma diferença enorme entre essas duas coisas. Uma das frases que eu mais repito para os pacientes é que o insight não é mudança. Você pode ter um insight maravilhoso numa sessão de terapia, você pode entender exatamente como eu falei, né, por que que você faz o que você faz, identificar a origem do problema, compreender a tua infância, teus padrões, as feridas.

Só que isso não significa que você desenvolveu uma nova habilidade. Entender que você tem dificuldade de colocar limites não significa que você aprendeu a colocar limites. Entender que você busca validação nos relacionamentos, que você tem uma crença de insegurança e tal, tal, tal, isso não significa que você aprendeu a se você vai lidar. Entender que você procrastina não significa que você aprendeu a agir apesar da procrastinação.

Então, até aqui, o que você precisa entender é que consciência é o começo, mas não é o fim, tá? Essa é uma das maiores frustrações de quem tá num processo terapêutico, por exemplo, porque a pessoa pensa: tá, eu já entendi tudo isso, eu fiz terapia já há meses, anos, mas por que que eu continuo agindo da mesma forma? E a resposta é simples: porque comportamentos não mudam através de compreensão. Comportamentos mudam através de prática.

Repete aí comigo: prática. O teu cérebro, gente, sempre vai preferir— o teu e o meu, né— vai sempre preferir o que é familiar do que aquilo que é saudável. Então, uma das coisas mais importantes que você precisa entender sobre comportamento, sobre mudança de comportamento, é que o nosso cérebro ele não perguntar: isso é saudável para mim? Isso faz bem? Isso vai me ajudar a ser uma pessoa melhor, mais madura, minha melhor versão, seja o que for?

Não, ele vai perguntar: isso é familiar para mim? Eu reconheço isso? A gente já viveu isso em algum momento lá atrás? E essa diferença explica uma quantidade enorme de sofrimento que a gente passa, porque nós gostamos de acreditar que as pessoas fazem escolhas baseadas no que é melhor para elas. Muitas vezes, na verdade, a gente faz escolhas baseadas naquilo que a gente já conhece, mesmo quando aquilo nos machuca, mesmo quando não é o melhor pra gente.

Pensa numa pessoa que cresceu em um ambiente onde ela precisava agradar para receber amor. Ela aprende desde cedo que ser aceita depende de corresponder às expectativas dos outros. E aí, anos depois, quando ela é adulta, ela continua dizendo sim para tudo, continua se anulando, continua colocando as necessidades dos outros acima das dela. E quando alguém sugere que ela comece a colocar limites, aquilo gera uma ansiedade absurda.

Por quê? Porque agradar é saudável? Não, mas agradar para ela é familiar. O cérebro reconhece aquele padrão, ele já sabe como aquilo funciona, ele já percorreu aquele caminho na mente milhares de vezes. Agora pensa em alguém que cresceu em um ambiente imprevisível. Onde nunca sabia exatamente como que as pessoas iriam reagir, como que tava o humor dos pais, se o pai ia chegar quebrando tudo em casa ou não. Ela precisava ficar constantemente atenta ao humor dos outros.

Quando essa pessoa entra em um relacionamento estável, previsível, sabe o que acontece às vezes? Ela estranha, ela sente tédio, ela sente falta de intensidade. Quem que já passou por isso aqui? Sente falta daquela adrenalina emocional. Não porque o relacionamento saudável seja ruim, mas porque o caos era tudo que ela conhecia, era aquilo que era familiar. E o cérebro, ele costuma confundir familiaridade com segurança. Isso aqui é um ponto-chave desse episódio.

E isso acontece também com a procrastinação. Muitas pessoas, elas dizem, ah, eu quero ser mais disciplinada. Só que elas passam anos funcionando através da pressão da última hora. E aí o teu cérebro aprende: ah, eu sempre dou um jeitinho, eu sempre resolvo, eu sempre consigo entregar no fim das contas. E aí esse padrão continua, porque apesar de não ser eficiente, ele é conhecido. E o problema é que muitas pessoas interpretam essa dificuldade como falta de caráter, falta de disciplina, falta de força de vontade, quando na verdade elas estão enfrentando algo mais profundo.

Elas estão tentando ensinar o cérebro uma nova forma de funcionar. E isso exige muita repetição, paciência e prática. De novo essa palavrinha, porque o cérebro ele vai criar novos caminhos, ele tem essa capacidade. E quanto mais você repete um novo comportamento, mais forte aquele caminho fica. Só que no início é difícil, e principalmente no início, né, a gente se sente às vezes assim, é uma É um desgaste tão grande de tentar fazer diferente, agir diferente, pensar diferente.

Você não tá só aprendendo algo novo, você tá competindo com anos de prática daquele comportamento antigo. Só que tem uma boa notícia: o mesmo cérebro que aprendeu um padrão também pode aprender outro. É o que a gente chama de neuroplasticidade. Então o cérebro, ele pode continuar mudando ao longo da vida inteira. Claro que quanto mais velhos nós somos, né, um pouco mais rígidos nós nos tornamos, e isso dificulta a mudança. Por isso que é como que eles falam, os antigos, é de pequeno que se endireita o pepino.

É isso, se desentorta o pepino, sei lá. O meu padrasto fala isso, é de pequeno que faz alguma coisa com pepino. Para assim, o que ele quer dizer é que desde pequenininho a gente vai moldando ali, porque Depois de grande fica mais difícil. Então a gente precisa começar em algum momento, porque o nosso cérebro ele continua mudando, criando novas conexões, se adaptando, continua aprendendo. Mas ele não muda porque você entendeu, ele muda porque você pratica.

E aí que tá, ao mesmo tempo que é difícil, gera uma esperança, porque significa que você não tá condenado aos padrões que você aprendeu. Você pode e deve construir novos. E antes da gente continuar, eu quero te fazer um convite rápido aqui. Se você é ouvinte do Psicologia na Prática e ainda não me acompanha lá no Instagram, pode me procurar por lá em @alanaanjar. Lá eu compartilho conteúdo sobre saúde mental, relacionamentos, autoestima, e também um pouquinho dos bastidores aqui do meu dia a dia como mãe.

E enfim, você pode ir lá me acompanhar. E inclusive Se você é aquela pessoa que vive dizendo, ah, eu preciso mudar isso em mim, mas acaba repetindo os mesmos padrões, os mesmos erros, eu tenho certeza que muitos dos conteúdos que eu compartilho por lá vão te ajudar a desenvolver mais consciência e principalmente mais ferramentas práticas para colocar essa ação, essa mudança em ação. Então me segue lá. E agora eu quero te mostrar algo que poucas pessoas percebem, tá?

Muitas vezes o problema não é a falta de vontade de mudar, é que existe um preço emocional na mudança que quase ninguém nos ensinou a enfrentar. Então vamos falar desse preço invisível da mudança, tá? Toda mudança tem um preço. Eu não tô falando de dinheiro, mas eu tô falando de um desconforto emocional. Quem me segue aqui há tempo, escuta há tempo, sabe que eu sempre falo, né, sobre a importância da gente tolerar o desconforto.

Porque muitas vezes as pessoas acreditam que quando elas tiverem no caminho certo, elas vão se sentir bem, vai ser leve, vai ser sempre fácil, vão estar mais confiantes, mais seguras, mais motivadas. Só que na prática, muitas mudanças importantes, elas produzem exatamente o contrário no início. Vamos pegar o exemplo de uma pessoa que passou a vida inteira agradando os outros, e aí ela finalmente decide começar a colocar limites.

É óbvio que ela vai sentir no início um desconforto. Ela pode pensar que colocar limites vai de cara já sentir alívio, liberdade, leveza. Só que muitas vezes o primeiro sentimento é culpa, ansiedade, medo, insegurança. Ela diz não para alguém e passa o resto do dia pensando, né, será que eu fui grossa? Será que eu exagerei? Será que eu magoei aquela pessoa? Será que ela ficou chateada comigo? Então esse novo comportamento, ele tá correto, mas a emoção continua desconfortável.

Exatamente nesse ponto que muita gente desiste, porque elas acreditam que esse desconforto é um sinal de que elas estão fazendo alguma coisa errada, quando na verdade pode ser um sinal de crescimento. Então pense em alguém que começa academia e depois, depois ali de anos, anos parada, ela vai sentir muita dor muscular no início. Isso não significa que ela tá se machucando, não necessariamente, mas Muitas vezes vai significar, significa na verdade que ela tá se adaptando, se desenvolvendo, crescendo.

As emoções funcionam de uma forma parecida. Quando você começa a agir diferente, é natural sentir desconforto porque o teu cérebro ainda tá se adaptando. Por isso, uma das maiores armadilhas da mudança é interpretar desconforto como fracasso. Às vezes o desconforto não é um sinal para parar, é um sinal de que você finalmente saiu do automático. E aí vamos falar sobre 5 erros muito comuns que impedem muitas pessoas de mudar. Talvez você se identifique com algum deles.

Pega caneta e papel aí. Tomei meu golinho de água. Vocês devem estar percebendo que a minha voz não tá das melhores hoje, mas tô gravando mesmo assim porque, né, precisamos seguir aqui. Então assim, primeiro sinal é: você espera sentir vontade para agir. Isso aqui é um dos mais comuns, né, que a pessoa diz assim: ah, é quando eu tiver mais motivada, quando eu tiver me sentindo bem, aí eu vou começar. Quando eu estiver me sentindo pronta, aí eu faço, né.

Quando eu tiver mais energia, mais tempo, aí eu mudo. Só que a verdade é que muitas mudanças importantes, elas acontecem antes da motivação aparecer, porque a motivação ela costuma seguir a ação e não o contrário. Quem espera vontade para agir frequentemente fica preso, e quem age apesar da falta de vontade desenvolve confiança, tá? Então esse é o primeiro ponto. O segundo ponto é: você quer mudar tudo ao mesmo tempo. Você já percebeu como que a gente faz essas promessas enormes assim?

Aí, agora eu vou mudar a minha vida inteira, sabe? Tudo vai ser novo, vou organizar tudo, vou ser outra pessoa. Segunda-feira começa uma nova versão de mim. Só que essas mudanças radicais, elas raramente duram, gente, porque elas vão exigir um esforço muito grande, e um esforço muito grande não costuma ser sustentável. Mudanças consistentes geralmente começam pequenininhas, pequenas ações, pequenas repetições, pequenos avanços, mas são avanços que são ações que vão sendo repetidas várias vezes.

Tá? Terceiro erro muito comum é você confundir recaída com fracasso. É um erro clássico, né? A pessoa, ela consegue agir diferente duas semanas ali, aí depois ela escorrega uma vez e pensa: tá vendo? Não consigo, é melhor eu desistir. Mas a mudança não é uma linha reta, é um processo. Você não desaprendeu a dirigir porque errou uma manobra. Então, por que que você trata a tua recaída como uma prova de incapacidade? Escorregar ali no comportamento não significa voltar para o ponto inicial, mas significa que você tá ainda aprendendo.

Então tenha em mente isso para a gente sair desse 8 ou 80 que nos leva muitas vezes a desistir completamente, tá? E o quarto erro é você continuar vivendo nos mesmos ambientes que reforçam aquele comportamento antigo. Esse ponto aqui é super importante porque o comportamento ele não acontece sem contexto. Às vezes a pessoa ela quer parar de se comparar, mas ela passa 4 horas por dia consumindo conteúdos que ativam ali a comparação, né?

Ou ela quer parar de fumar, por exemplo. A gente tá numa onda aqui de pessoas, né, querendo buscar mais saúde, parar de fumar. Até apareceram vários Reels para mim essa semana sobre pessoas que estão tentando parar de fumar. E uma das coisas principais é elas mudarem de ambiente, os ambientes que estimulam esse hábito. Né, então vou parar de descer lá no meu trabalho com os amigos que fumam, eu vou parar de ir para tais festas ou lugares que eu costumava fumar, eu vou parar de fazer, né, estar com pessoas que me estimulam nesse hábito.

Não adianta você querer parar, por exemplo, de ser uma pessoa ansiosa, eu quero mudar alguns comportamentos, mas aí eu vivo cercada por pessoas que alimentam a minha ansiedade, eu quero aprender a colocar limites, mas eu continuo em relacionamentos que constantemente ultrapassam os meus limites. Isso não vai funcionar. Então mudança comportamental exige mudança de ambiente, porque o ambiente reforça hábitos. Então tanto saudáveis quanto prejudiciais vão ser favorecidos pelo ambiente que a gente escolhe.

E o quinto erro é você transformar o comportamento em identidade. Esse aqui é muito perigoso, porque quando você diz assim, ah, eu sou procrastinador, eu sou ansioso, eu sou impulsivo, eu sou inseguro, você deixa de enxergar aquilo como um comportamento e passa a enxergar como quem você é. Só que existe uma diferença enorme entre eu procrastino e eu sou um procrastinador. Uma frase descreve um comportamento e a outra tá descrevendo uma identidade.

E a identidade é muito mais difícil de mudar, né, e de questionar. Por isso, uma das mudanças mais importantes acontece quando você percebe que você não é o seu padrão, você é a pessoa que pode aprender novos padrões. Tenha isso em mente, tá? E aí vamos falar sobre como que a mudança realmente acontece, já caminhando para o final desse episódio. Como que as pessoas realmente mudam? Porque a internet vende uma ideia muito sedutora, né, a ideia de que a mudança acontece através ali de uma grande solução, uma grande descoberta, uma frase transformadora, um insight poderoso, uma virada de chave, cair uma ficha, e aí tudo mudou.

Não me entenda mal, insights são importantes, eles ajudam, iluminam caminhos, só que raramente eles são suficientes, porque mudança comportamental acontece de forma bem menos glamurosa, acontece através de repetição, prática. Então pense em qualquer habilidade que você desenvolveu na vida, como dirigir, nadar, andar de bicicleta, falar outro idioma, atender pacientes. Nenhuma delas foi aprendida só entendendo ou estudando. Você precisou praticar, errar, corrigir, tentar de novo.

Comportamentos emocionais funcionam da mesma forma. Uma pessoa não aprende a colocar limites entendendo sobre limites. Ela vai precisar colocar em prática. Ela vai sentir culpa, ela vai sobreviver àquela culpa e vai perceber que continua sendo amada, o que a vida continua, mesmo que a outra pessoa não goste do limite. Uma pessoa não aprende a lidar com rejeição apenas lendo sobre rejeição, ela aprende sendo rejeitada, por pior que seja.

Só que ela sobrevive à rejeição e ela descobre que ela continua sendo ela depois disso. E aí a gente vai repetindo e repetindo, porque a gente não aprende só aprendendo sobre as coisas. Então uma pessoa não aprende sobre autoconfiança estudando sobre autoconfiança, pensando sobre autoconfiança. Ela aprende fazendo coisas difíceis, superando medos, tendo pequenas experiências de competência. E aí a gente vai acumulando evidências e construindo confiança ao longo do caminho.

É por isso que muitas pessoas ficam frustradas, porque elas querem sentir confiança antes de agir, mas a confiança normalmente aparece depois. Elas querem sentir motivação antes de começar, mas a motivação frequentemente também aparece depois. Elas querem sentir seguras antes de mudar, só que a segurança costuma surgir durante o processo. Então a mudança real, ela precisa acontecer na vida real, na prática, tá bom? Então não é quando eu me sentir pronta eu vou agir.

Muitas vezes você vai ter que, olha, eu vou agir aos poucos, eu vou me tornar a pessoa capaz de sustentar esse comportamento com mais tranquilidade. E aqui existe algo que eu considero fundamental: você não precisa tentar mudar tudo. Você precisa mudar uma coisa, porque muitas pessoas ficam tão focadas na transformação completa que elas ignoram as pequenas vitórias, mas é justamente nelas que a mudança acontece, tá? Então é aquela conversa que você teve, a tarefa que você concluiu, o não que você conseguiu dizer, a decisão que você finalmente tomou, o comportamento que praticou apesar do medo.

São essas pequenas experiências que ensinam para o cérebro: olha, existe outra forma de viver. E quanto mais vezes você for repetir aquilo, essa nova forma, mais natural ela se torna. Até que um dia aquilo que parecia impossível passa a fazer parte de quem você é. Por isso que eu quero que você leve uma ideia desse episódio: você não muda quando você entende, mas você muda quando pratica aquilo que você entendeu. Porque a consciência, ela abre a porta, mas a repetição é o que constrói o caminho.

E eu quero terminar esse episódio te lembrando de algo importante. Talvez você tenha passado anos acreditando que não dava mais para mudar. Talvez você tenha se decepcionado com você mesmo várias vezes. Talvez você tenha começado e parado inúmeras vezes. Talvez tenha prometido mudanças que nunca conseguiu sustentar. Só que isso não significa que você tá condenado a repetir os mesmos padrões para sempre, porque comportamento não é destino, história não é sentença, passado não é previsão de futuro.

Porque você não é aquilo que você faz no automático, você é aquilo que você escolhe praticar repetidamente. E talvez a verdadeira mudança ela acontece justamente quando a gente começa a agir de forma consistente como a pessoa que a gente deseja se tornar. Um comportamento de cada vez, um limite de cada vez, uma escolha de cada vez, uma prática de cada vez. Ninguém muda do dia para noite, mas qualquer pessoa pode começar hoje. E quem sabe, né, hoje seja exatamente o dia para você começar a mudar.

Quem começa hoje já não tá mais no mesmo lugar que tava ontem. Então pensa nisso. Espero ter te ajudado nesse episódio. Comenta aqui se eu pude te fazer refletir, pensar sobre esse assunto de forma diferente, se você tá mais inspirado para mudar e começar a praticar hoje essa mudança, tá bom? Um beijo grande, minha gente, até o próximo episódio do Psicologia na Prática.