#281 - Como recuperar sua identidade depois de um relacionamento tóxico
Você já saiu de um relacionamento e teve a sensação de que não sabia mais quem era?
Muitas relações tóxicas não deixam apenas feridas emocionais. Elas nos fazem abandonar partes importantes da nossa identidade, dos nossos sonhos, dos nossos limites e até da nossa percepção sobre nós mesmos.
Neste episódio, vamos entender como relacionamentos tóxicos alteram nossa autoestima, criam dependência emocional e nos afastam da nossa própria essência. Você vai aprender por que isso acontece, quais os sinais de que perdeu sua identidade dentro de uma relação e, principalmente, como começar a reconstruir sua vida emocional de forma saudável.
Porque a verdadeira recuperação não acontece apenas quando o relacionamento termina. Ela acontece quando você volta para si mesma.
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- Relacionamentos TóxicosComportamentos de segurança · Reforço intermitente · Sobrevivência emocional
- Reconstrução de identidade e autonomiaDesvincular dor e identidade · Resgatar áreas abandonadas · Construir referências internas · Suportar o vazio · Reconstruir com base em valores
- Erosão silenciosa da identidadeDificuldade em se definir · Dependência do humor alheio · Negligência de áreas da vida · Aceitação de limites ultrapassados
E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou Alana Nijá, sou psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano, e eu tô aqui todas as terças-feiras com um novo conteúdo para te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais inteligência emocional. Você deve estar percebendo que eu não tô sozinha aqui nesse episódio, né, porque hoje eu tenho uma companhia A gente tentou fazer com que ele ficasse, né, com a minha ajuda aqui, mas ele não quis ficar, tava chorando.
Eu falei, quer saber, dá a criança aqui, deixa aqui no meu colo e pelo menos eu gravo. Porque, né, afinal de contas me arrumei, estou aqui preparada pra gravar esse episódio pra vocês. Se você tá só me ouvindo aí no Spotify, você não tá, né, pode até abrir aí o videozinho pra você conferir. Mas eu tô gravando aqui com meu filho no colo. Esse é o meu terceiro filho, meu bebezinho Davi, tá com 2 meses. E vai me acompanhar nesse episódio de hoje, tá?
Se você tá me assistindo no YouTube, já curte esse vídeo e se inscreve no canal. E se você tá me ouvindo pelo Spotify, segue o podcast, avalia aí com 5 estrelas, já segue para você receber sempre quando eu lançar mais um novo episódio. E você pode me acompanhar também no Instagram através das minhas redes sociais lá, @lanaanijá. Enfim, fica por dentro aí. Se você curte o meu conteúdo, seu cola aqui nos canais todos para você não deixar de receber nada.
Hoje a gente vai falar sobre aquele loop de pensamentos que parece que não tem fim. E sabe o que que funciona para mim quando eu tô nesse modo? Me cuidar, fazer a minha skincare sem pressa, testar aquele sérum que tava salvo lá na minha lista há meses, comprar um batom novo que me faz sentir bem até nos dias mais corridos. São gestos simples, mas que me lembram que eu posso direcionar minha atenção para mim mesma, encontrar prazer além dos meus problemas.
E aí que o Mercado Livre entra, porque eu encontro tudo que eu preciso para cada momento da minha rotina de beleza. E ajuda a saber que tem frete grátis a partir de R$19 e até entrega no mesmo dia, inclusive aos domingos. Se tem algum item de beleza esperando há tempos aí na sua wishlist, é só apontar a câmera para o QR code na tela. Mercado Livre sempre tem alguma coisa esperando por você. Todo dia é dia de Mercado Livre. E hoje, gente, eu quero falar com vocês sobre um tema que eu vejo aparecer com muita frequência no consultório.
Talvez você já tenha vivido isso, me conta aí nos comentários, tá? Talvez você viveu um relacionamento e ele acabou por algum motivo, a pessoa foi embora, o vínculo terminou. Só que estranhamente, a maior dor não é só a saudade daquela pessoa, mas é a sensação de que você não sabe mais quem você é sem aquele relacionamento. Talvez você olhe pra própria vida e perceba que não reconhece mais os seus gostos, não reconhece mais os seus sonhos, não reconhece mais as suas prioridades.
Você se pergunta: quando foi que eu deixei de ser eu? Talvez você tenha parado de fazer coisas que você amava fazer, talvez você tenha afastado de alguns amigos que eram importantes pra você, tenha deixado alguns projetos de lado. Pode ser que você tenha passado tanto tempo tentando fazer aquela relação funcionar que você tem esquecido de cuidar da sua própria vida. E aí, quando tudo termina, surge um vazio meio esquisito, sabe?
Porque você não perdeu só uma pessoa ali, você sente que você perdeu parte de si mesmo no processo. E é sobre isso que a gente vai conversar hoje, porque muitas vezes o maior estrago de um relacionamento— e vou falar aqui de um relacionamento tóxico— não é o término, é o desaparecimento gradual da tua identidade. Então vamos falar sobre como as pessoas acabam perdendo a si mesmas sem perceberem dentro de um relacionamento. Uma das coisas mais assustadoras, gente, sobre relacionamentos tóxicos é que eles raramente começam parecendo tóxicos.
Bem pelo contrário, né? Muitas vezes eles começam intensos, envolventes, apaixonantes. Quem já passou por isso aqui vai vai concordar comigo aqui nos comentários. É como se você sentisse talvez ali que finalmente encontrou alguém especial. E aí, justamente por isso, o processo acontece de uma forma bem silenciosa, porque ninguém acorda numa segunda-feira pensando: ai, hoje eu vou abandonar minha identidade aqui por causa desse relacionamento, eu vou deixar de ser quem eu sou.
Isso vai acontecendo aos poucos. Você deixa passar uma situação, depois outra, depois mais uma. E aí, quando você percebe, já tá vivendo uma vida organizada em função daquela relação. Você começa a adaptar os teus horários por causa daquela pessoa, vou adaptando meus planos, os meus desejos, começa a adaptar uma coisa que é muito perigosa, que é os nossos próprios limites. E aí, sem perceber, você passa a tomar decisões não com base naquilo que você é, naquilo que é importante para você, mas naquilo que evita conflitos, naquilo que mantém a relação funcionando, naquilo que impede que o outro te rejeite.
Né, que pode acabar evitando ali o risco de abandono. A terapia cognitivo-comportamental, ela explica isso através do que a gente chama de comportamentos de segurança, que nada mais são do que estratégias que parecem nos proteger, mas que na prática vão aumentando a nossa dependência emocional. Por exemplo, você evita dizer o que pensa para não gerar conflito, você evita colocar limites para não ser abandonada, evita expressar as suas necessidades para não parecer uma pessoa difícil.
Acaba evitando discordar para não correr o risco de perder o vínculo com aquela pessoa. E no começo isso parece amor, mas isso é medo. E quanto mais medo existe dentro de uma relação, mais espaço a tua identidade começa a perder. Porque viver tentando se preservar, né, aliás, viver tentando preservar um relacionamento pode acabar custando o relacionamento mais importante da sua vida, que é com você mesmo. Então vamos falar sobre o que que acontece com o nosso cérebro nessas relações tóxicas.
O que que acontece nessa relação com a gente mesmo? Existe uma razão psicológica para isso acontecer, e ela tem uma relação direta com a sobrevivência emocional, porque o nosso cérebro ele foi programado para buscar conexão durante milhares de anos. Pertencer a um grupo significava sobrevivência, ser excluído significava risco. Por isso, rejeição, abandono, afastamento, isso tudo ainda provoca respostas emocionais muito intensas.
O problema é que em relações tóxicas esse sistema ele fica hiperativado. Então a pessoa nunca sabe exatamente onde ela tá pisando ali, porque num dia ela recebe carinho, no outro ela recebe frieza, num dia ela sente proximidade, no outro ela sente distância, num dia ela é prioridade, no outro ela parece invisível. Você já passou por isso? É horrível se sentir assim. E esse padrão, ele gera o que a psicologia chama de reforço intermitente.
E esse reforço intermitente, ele é um dos mecanismos mais poderosos de condicionamento que existem. Eu já falei disso em outros episódios. É o mesmo princípio que ajuda a explicar vícios em apostas, por exemplo, porque você nunca sabe quando a recompensa vai aparecer. Por isso você continua tentando. Então a pessoa, ela aprende a viver esperando pelo próximo momento bom, pela próxima mensagem, a próxima demonstração de afeto, a próxima validação.
E aí, aos poucos, a energia mental dela passa a girar em torno disso. Ela para de olhar pra própria vida, porque ela tá ocupada demais tentando prever o comportamento do outro. E quanto mais isso acontece, gente, mais a nossa identidade vai ficando em segundo plano. E aí, a pergunta mais importante eu diria desse episódio é o seguinte: como saber se isso aconteceu comigo, tá? Talvez você esteja ainda dentro de um relacionamento e pode perceber isso agora.
Existem alguns sinais muito claros. O primeiro deles é quando você não consegue responder facilmente quem você é sem falar da relação. O teu senso de identidade fica tão misturado com aquele vínculo que parece difícil separar as coisas. Um outro sinal é quando você passa a organizar a tua vida em função do humor do outro. O teu bem-estar começa a depender da aprovação dele, o teu dia depende da atenção dele, a tua autoestima depende da validação dele, o teu humor depende da disponibilidade daquela pessoa.
Então isso é muito perigoso, gente. Tive que fazer uma pausa rapidamente. Vocês podem ver agora, estou sem bebê no colo, tá? E até esqueci de comentar que eu estou num cenário novo. Vocês perceberam isso também, né? É esse cenário agora na minha nova casa. É um cenário provisório ainda porque a gente ainda tá reformando a casa, mas já tá bem legal, né? Então não estranhem não, esse aí é o novo cenário do Psicologia na Prática.
Mas vamos lá, voltar para os sinais de que você tá perdendo quem você é dentro de uma relação. Então, como eu tava falando, também é comum perceber que você deixou de investir em áreas importantes da sua vida, talvez amizades, projetos, a tua carreira, a tua saúde, autoespiritualidade, até momentos de lazer, tudo isso começa a ficar às vezes em segundo plano porque a relação ocupou um espaço grande demais. E existe um sinal que costuma ser extremamente doloroso, que é quando você olha para trás e você percebe que você aceitou coisas que você nunca imaginou aceitar.
Limites seus que foram ultrapassados, necessidades suas que foram ignoradas, valores que foram abandonados. E isso não aconteceu porque você é fraca, isso aconteceu porque aos poucos essa sobrevivência emocional passou a ser mais importante do que a autenticidade. E quando isso acontece, a identidade começa a desaparecer. Então talvez você esteja me ouvindo aqui e reconhecendo esses sinais, mas se perguntando por que que é tão difícil ir embora mesmo quando eu entendo que tá me fazendo mal, mesmo quando eu sei que essa relação não tá, não tá sendo aquilo que eu gostaria.
Isso é uma das perguntas que eu mais escuto. Ela nasceu: sabia que aquela relação me fazia mal, por que foi tão difícil sair? Por que que eu fiquei durante tanto tempo? E essa pergunta quase sempre vem acompanhada de culpa, como se a pessoa tivesse julgando a si mesma, como se ela tivesse dizendo Eu deveria ter percebido antes, deveria ter sido mais forte, deveria ter ido embora. Mas a verdade é que relacionamentos tóxicos, eles raramente prendem as pessoas só pelo amor.
Eles prendem às vezes pela esperança de que o outro mude, a esperança de que volte a ser como era no começo, a esperança de que aquele sofrimento finalmente seja recompensado, a esperança de que todo o investimento emocional não tenha sido em vão. E aí existe algo que também acontece, que é muitas vezes você não tá só tentando salvar a relação, você tá tentando salvar uma história que você contou para você mesma, que diz: se eu conseguir fazer essa pessoa me amar do jeito que eu preciso, então finalmente eu vou provar que eu sou suficiente.
E é por isso que algumas relações se tornam tão difíceis de abandonar, porque elas deixam de ser só sobre o presente e elas começam a tocar feridas muito mais antigas. Feridas de rejeição, de abandono, de inadequação. São feridas de não se sentir escolhida. E aí, sem perceber, a pessoa começa a usar o relacionamento como uma tentativa de resolver dores que nasceram muito antes dele. É justamente por isso que o fim da relação costuma ser tão devastador para tanta gente, porque parece que não foi só o namoro que terminou, parece que todas aquelas feridas antigas, elas voltaram para superfície ao mesmo tempo.
E aí surge uma sensação muito comum: se nem essa pessoa conseguiu me amar, talvez eu seja o problema. Mas não é você o problema. O problema é que você tava tentando encontrar segurança num lugar que tava produzindo insegurança. E nenhum ser humano consegue florescer emocionalmente num ambiente onde precisa ficar sobrevivendo o tempo todo. E antes de eu continuar, deixa eu fazer uma pergunta aqui. Se você, você me acompanha lá no Instagram?
Se não, tá, se você é ouvinte do Psicologia na Prática e ainda não me segue lá, eu quero te convidar a fazer parte dessa comunidade também. Lá no Instagram eu compartilho diariamente reflexões, ferramentas práticas, conteúdos sobre saúde mental, inteligência emocional, relacionamentos, autoconhecimento, e tudo isso complementa o que a gente conversa aqui no podcast. Então me procura por lá, tenho certeza que você vai gostar dos conteúdos que eu compartilho também.
E enfim, vamos continuar aqui. Seguinte, vamos falar então sobre como recuperar a nossa identidade depois de um relacionamento assim. Essa é a pergunta que a gente precisa responder hoje: como eu me recupero? Quem eu recupero? Quem eu sou depois de passar tanto tempo vivendo em função de outra pessoa? E aí eu quero te dizer uma coisa importante: recuperar a tua identidade não é voltar a ser exatamente quem você era antes da relação.
Porque experiências nos transformam, e o objetivo não é voltar no tempo, é construir uma versão mais consciente, mais forte, mais alinhada com quem você deseja ser daqui para frente. E esse processo, ele não acontece só esperando o tempo passar, ele exige escolhas, né, escolhas intencionais, prática, reconstrução. Por isso eu quero compartilhar 5 caminhos que podem ajudar você a recuperar a tua identidade de forma mais saudável.
Vamos falar sobre isso? Primeiro de tudo, se você tá anotando aí, pare de definir quem você é a partir do que aconteceu com você. Uma das consequências mais dolorosas de um relacionamento tóxico é que a dor começa a se misturar com a identidade. A pessoa deixa de pensar: eu vivi uma rejeição, e ela começa a pensar: eu sou uma pessoa Rejeitada, eu sou rejeitável, se é que existe essa palavra. Ela deixa de pensar eu vivi um abandono e começa a pensar eu sou, eu vou ser sempre abandonada porque eu não sou digna, porque eu não tenho valor, eu não sou suficiente.
Então você percebe a diferença? Uma coisa é o que você viveu, a tua experiência, outra coisa é transformar essa experiência em uma definição de quem você é, do teu valor. Por isso eu quero te fazer uma pergunta: quem você é além desse relacionamento? Além da rejeição, da decepção, da história que terminou? Quais são os teus valores, as tuas qualidades, os teus sonhos, as tuas conquistas? O que que as pessoas te amam? O que que as pessoas que te amam enxergam em você?
Quanto mais você amplia essa visão, mais você percebe que a tua história é muito maior do que um relacionamento que não deu certo. Segundo ponto aqui: Descubra quais partes da tua vida ficaram abandonadas pelo caminho. Então, como a gente falou, quando alguém passa muito tempo mantendo uma relação, tentando manter ali uma relação funcionando, quase sempre alguma outra área da vida começa a ser negligenciada no processo, né? Como a gente citou aqui, amizades, ou talvez hobbies, a carreira, a tua espiritualidade, a tua saúde.
Então, a pessoa investe tanta energia emocional tentando sustentar aquele vínculo que vai deixando esses pedaços de si mesma para trás. E aí, quando a relação termina, ela percebe que o vazio tá ali, né? Vem dessa ausência dela mesma. Por isso, uma pergunta muito poderosa é: o que que eu deixei de fazer para caber nessa relação? O que que eu gostava de fazer e parei? Quem eu era antes de começar a viver em função desse vínculo?
Quais sonhos meus ficaram pelo caminho? Que projetos foram adiados? Que pessoas eu fiquei distante? E aí, muitas vezes, recuperar a identidade não é você criar algo novo, mas é você tentar encontrar essas partes suas que ficaram escondidas e recuperando essas, essas, o contato com as pessoas, com sonhos, com os projetos. Aos pouquinhos você vai reconquistando esse espaço. Terceiro: pare de procurar seu valor no comportamento dos outros.
Esse é um dos movimentos mais importantes de toda a tua recuperação emocional, porque muitas pessoas passam anos tentando descobrir quanto valem observando como elas são tratadas. Se a pessoa responde rápido, eu sou importante, né, me sinto importante. Se ela demonstra carinho, eu me sinto amada. Se ela me escolhe, eu me sinto suficiente. Mas se ela me rejeita, eu me sinto inadequada. O problema é que quando o teu valor depende do comportamento dos outros, a tua autoestima, tua autoconfiança nunca fica estável.
Ela vai subir e descer o tempo todo, porque você vive emocionalmente refém de coisas que você não controla. E é por isso que recuperar a tua identidade passa por construir referências internas. Em vez de perguntar: será que eu sou boa o suficiente para ser amada? Você vai mudar essa pergunta para: que evidências eu tenho do meu valor independente da aprovação de alguém? Que desafios eu já superei? O que que eu já construí na minha vida?
Coisas de valor que eu construo, que eu valorizo. Que qualidades aparecem repetidamente nas minhas relações, os valores que eu carrego. Então, quanto mais a gente fortalece essas referências internas, menos a gente precisa viver buscando confirmação externa o tempo todo. Quarto ponto: aprenda, presta atenção, aprenda a suportar o vazio sem correr atrás de alguma coisa para preencher o tempo inteiro. Esse talvez seja um dos pontos mais difíceis no processo, porque depois de um relacionamento significativo vem esse um vazio.
E a nossa tendência natural é querer preencher esse vazio imediatamente com outro relacionamento, com distrações, com trabalho, com redes sociais, com qualquer coisa que faça aquela sensação diminuir, aquela dor diminuir. Mas nem todo vazio precisa ser preenchido imediatamente. Existem alguns vazios que precisam ser compreendidos, sentidos, atravessados, porque existe uma diferença entre solidão e solitude. Solidão é você sentir falta de alguém.
A solitude é você conseguir desfrutar da tua própria companhia. E aprender isso muda completamente a relação que você tem consigo mesma. Quando você descobre que você consegue sobreviver emocionalmente sem correr o tempo todo para encontrar alguém que te salve, tem algo muito importante que acontece: você começa a confiar mais em si mesma. E a confiança em si mesma é uma das bases da nossa identidade, uma identidade saudável. E a gente vai para o quinto ponto, que tem a ver com você reconstruir a sua vida a partir dos seus valores e não das suas feridas.
Porque uma armadilha muito comum depois dessas relações difíceis é a pessoa passar anos tentando entender o passado, entendendo o que é que aconteceu, por que que ela ficou, por que que ela permitiu, por que que ela não saiu antes. E embora essas perguntas elas sejam importantes, chega um momento que elas deixam de produzir crescimento, porque a vida continua acontecendo. Então você precisa se perguntar: que tipo de vida eu quero construir daqui para frente?
Que tipo de pessoa eu quero ser daqui para frente? Os valores que eu quero viver, os relacionamentos que eu quero cultivar, as escolhas que eu quero fazer, que ambiente que eu quero construir ao meu redor? Porque identidade não é algo que você encontra pronta. A identidade é algo que você constrói. Nas escolhas que você faz, nos limites que você sustenta, nas pessoas que você se aproxima e nos valores que você decide viver. Talvez a verdadeira recuperação aconteça quando você para de organizar a tua vida em torno daquilo que te feriu e começa a organizar em torno daquilo que realmente importa para você.
Porque, gente, no final das contas, recuperar a nossa identidade não é voltar a ser quem você era. É se tornar de forma consciente, intencional, quem você deseja ser daqui para frente. E aí, falando desses 5 pontos, espero que você tenha anotado, assimilado. Eu quero trazer uma reflexão que tem tudo a ver com algo que eu tenho estudado, vivido e falado nesses últimos anos. Então, como recuperar a nossa identidade? A gente se pergunta isso, né?
Mas a gente pode se perguntar também como me tornar uma pessoa emocionalmente mais madura, pra não me perder novamente. Porque a maturidade emocional não é nunca sofrer, não é nunca se apaixonar, nem nunca errar, né? Ou nunca depender de alguém. Mas a maturidade emocional é você conseguir amar sem abandonar a si mesmo, é conseguir construir vínculos sem terceirizar completamente a tua identidade. E aí, dentro disso, eu quero deixar aqui a recomendação do meu novo livro.
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Pessoas extremamente competentes na vida adulta, que trabalham, que cuidam da casa, dos filhos, que assumem responsabilidades, mas que emocionalmente ainda se sentem inseguras, dependentes da validação dos outros, perdidas dentro das próprias relações. E foi dessa inquietação que nasceu o livro Como se tornar um adulto emocionalmente saudável. É um livro sobre maturidade emocional, sobre autoestima, sobre responsabilidade emocional, sobre relacionamentos, limites, dependência, sobre identidade, sobre como construir uma vida emocionalmente mais sólida e mais leve.
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Mas a cura, ela começa justamente quando você percebe que não precisa mais fazer nenhuma dessas coisas, porque o teu valor não depende de quem ficou O teu valor não depende de quem te reconheceu, nem de quem decidiu ou não te amar. Mas o teu valor existe antes de qualquer relacionamento, antes de qualquer validação, de qualquer aprovação. E quando você entende isso, tem algo que muda dentro da gente, sabe? A gente para de correr atrás desse amor e a gente começa a construir uma vida que vale a pena ser vivida.
Uma vida onde você não precisa se abandonar pra ser aceita, onde você não precisa diminuir a sua voz pra manter alguém por perto. Uma vida onde você pode amar sem deixar de amar a si mesma. Então, se hoje você tá se reconstruindo, eu quero te lembrar que reconstrução leva tempo. Mas cada limite que você sustenta, cada escolha que você faz por si mesma, cada pedaço da tua identidade que você recupera é uma prova de que você tá voltando pra casa, voltando pra si mesma.
E talvez isso seja exatamente o que significa esse processo de cura, né? Espero ter feito sentido para você esse episódio, ter te ajudado de alguma forma. Lembra de compartilhar com seus amigos, familiares, compartilhar também lá no Instagram me marcando. Eu vou amar saber o que que vocês acharam desse episódio. Um beijo grande, minha gente, e até o próximo episódio do Psicologia na Prática.
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