Episódios de Psicologia na Prática

#280 - O poder oculto de não fazer nada

23 de junho de 202622min
0:00 / 22:47

Você tem medo de não estar fazendo nada? Sente culpa quando para, quando fica em silêncio, quando não está sendo produtiva? Nesse episódio, a Alana explica por que o tédio não é o inimigo da criatividade - é o combustível dela. A ciência do default mode network, os famosos "pensamentos do banho" e como parar de fugir do silêncio para finalmente ter mais clareza mental e ideias melhores.

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Participantes neste episódio1
A

Alana Nijá

HostPsicóloga
Assuntos5
  • O poder da permissãoTédio como combustível da criatividade · Default Mode Network · Pensamentos do banho · Clareza mental · Evitação experiencial
  • Práticas para cultivar o tédioProteger janelas de tédio no dia · Demorar mais nas atividades diárias · Anotar ideias que surgem · Evitar multitarefa
  • Neurociencia e CerebroInatividade neural vs. ativação de rede · Processamento de experiências emocionais · Conexão de informações · Simulação de cenários futuros · Consolidação de memórias
  • Depleção de recursos cognitivosDiferença entre esgotamento e burnout · Caixa de entrada do cérebro · Fuga emocional
  • Poder do SilêncioPreferência por choque elétrico a pensamentos · Pensamentos desconfortáveis no silêncio · Superestimulação digital como fuga
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ANAlana Nijá

E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou Alana Nijar, sou psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental e eu tô aqui toda terça-feira com um novo conteúdo para te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais inteligência emocional. Então, para a gente começar, já deixa o seu like nesse vídeo se você tá assistindo no YouTube, se inscreve no canal para você não deixar de receber notificações sempre que um novo conteúdo sair aí.

E também se você está no Spotify, você consegue seguir o meu podcast, deixar sua avaliação. Isso tudo me ajuda muito aqui no meu trabalho. Eu estou toda terça-feira comprometida com vocês. Então se comprometam comigo também para a gente poder ir semana após semana construindo essa vida com mais saúde mental, que é o que eu desejo para todos vocês. Então a gente vai começar esse episódio, mas antes de começar, eu quero que você pense aqui comigo.

Na última vez que você ficou entediada de verdade, tá? Sem celular, sem podcast, sem série, sem tarefas, só você sentada sem nada para fazer.

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ANAlana Nijá

Você consegue se lembrar? Se você não consegue, isso já é um dado muito importante. Eu posso falar por mim que eu realmente não lembro, assim, de ficar sem absolutamente nada. Eu acho que faz muito tempo quando faltou luz. E realmente não tinha bateria, não tinha nada, mas isso já faz muito tempo, gente. Olha, é difícil de lidar hoje em dia com uma situação dessa. Pensa só, tá? Uma outra coisa que eu quero te perguntar: quando foi a última vez que você teve uma ideia realmente boa?

Dessas que aparecem assim do nada, de forma inesperada, sabe? Num banho ali demorado, numa caminhada sem fone, naquele momento entre acordar e se levantar, provavelmente você não teve uma grande ideia de frente para uma tela. Provavelmente não foi enquanto você checava um email, enquanto você scrollava um feed. E isso não é coincidência. Hoje a gente vai falar sobre algo que parece simples, mas que vai mudar completamente a forma como você enxerga o descanso, a criatividade e a tua saúde mental.

Porque o tédio, esse sentimento que assim, eu lembro da última vez que eu senti tédio, eu era criança, sabe aqueles dias assim de fim de semana, um sábado, todos os adultos vão dormir aquela soneca depois do almoço, você é criança, não tem nada para fazer e você se sente literalmente entediado. Esse tédio, ele é um tédio difícil de acontecer na vida adulta por causa de tanto de estímulo que a gente tem de fácil acesso. Porque o tédio, ele não é inimigo da nossa produtividade.

Ele na verdade pode ser o combustível dela. E a nossa obsessão coletiva em nunca ficar entediado é o que está nos custando exatamente o que a gente mais deseja, que é ter clareza mental, que é ter criatividade, que é ter leveza. Então fica aqui comigo até o final porque você vai entender a ciência por trás disso e mais importante, você vai entender o que fazer na prática para recuperar esse espaço mental que você perdeu, talvez sem perceber.

Então vamos falar sobre esse cérebro que nunca para. Quando você acorda ali de manhã, muitas vezes a primeira coisa que você faz, se você é como eu, é pegar o celular. Eu admito, eu sou psicóloga, também pego o celular, é uma das primeiras coisas que eu faço. Hoje em dia talvez não seja a primeira porque eu tenho um bebezinho, a primeira coisa que eu faço é trocar fralda, limpar ele, mas depois eu pego o celular, admito. Antes mesmo de levantar, muitos de nós já pegamos o celular antes do café, antes de abrir o olho direito.

E aí começa um fluxo de notificações, de mensagens, de stories, de notícias, e-mails. O dia nem começou e o teu cérebro já tá no modo reativo, respondendo aos estímulos, processando informações, tomando pequenas decisões ali. E isso continua o dia inteiro. No trânsito, você tá me ouvindo aí no podcast, talvez no ônibus, na academia, né? Você tá ali escutando uma música, Música, no almoço você bota um vídeo para assistir, no banheiro— quem aqui admite que leva o celular até no banheiro?

Você vai lá fazer o número 2, você leva o seu celular, né? Então na fila também, a gente não fica mais na fila de bobeira, a gente tá ali rolando feed. Na cama a gente está assistindo uma série. E quando bate um silêncio de 5 segundos, vem aquele impulso automático, né? Pega o celular, abre qualquer coisa, faz alguma coisa. A gente desenvolveu uma intolerância seríssima ao tédio. É até incompreensível para qualquer geração anterior à nossa pensar no estilo de vida que a gente está construindo hoje.

E esse problema, gente, não é falta de disciplina, é que o nosso ambiente ele foi projetado exatamente para isso. Cada aplicativo, cada notificação, cada autoplay foi desenhado por equipes inteiros de engenheiros para garantir que o nosso cérebro não fique mais ocioso. Porque o cérebro ocioso, ele não consome. Um cérebro ocioso, ele não clica com tanta facilidade, ele não gera receita. Mas sabe o que que o cérebro ocioso ele faz?

Ele cria muito mais, ele processa muito mais, ele pode curar, né? É isso que a ciência tá descobrindo. E é isso que a gente precisa entender hoje, tá? Então vamos falar sobre neurociência, tá? Mas de um jeito que vai fazer sentido para você de imediato. Então assim, por muito tempo os cientistas, eles acreditavam que o cérebro ele desligava quando a pessoa não tava focada em nada específico, que o estado de repouso da nossa mente era basicamente uma inatividade neural.

E aí no início dos anos 2000 Pesquisadores da Universidade de Washington, eles descobriram algo que virou a neurociência de cabeça para baixo. Quando você para de fazer uma tarefa focada, uma rede específica do teu cérebro se ativa. Ela não desliga, ela é ativada. E essa rede, ela tem um nome que chama Default Mode Network, ou rede de modo padrão. E o que que ela faz quando você não tá fazendo nada aparentemente? Ela processa experiências emocionais recentes.

Olha isso, gente! Ela conecta informações que você absorveu em momentos diferentes e que ainda não foram relacionadas. Ela simula também cenários futuros, o que a gente chama de planejamento criativo. Ela consegue consolidar memórias, trabalha na construção da tua identidade, dos teus valores. Em resumo, tá, Tá? É quando você para que o teu cérebro faz o trabalho mais sofisticado que existe. Eu fico até arrepiada de falar isso.

Isso explica esses pensamentos lá no banho, né? Você tomando aquele banho longo e por que que a tua mente fica tão criativa. Eu tenho uma coisa que acontece comigo, que é toda vez que eu sento para ler um livro, eu começo a ter muitas ideias também. E aí muitas vezes eu paro de ler para anotar e acabo me distraindo do livro. Mas quando eu tava estudando sobre essa rede de modo padrão, eu comecei a entender que também quando eu tô lendo, de alguma forma meu cérebro ele consegue desacelerar desse tanto de estímulo e também permite que a minha criatividade se aflore, somando com que eu tô lendo, estudando ali, né?

Então você já deve ter vivido isso, você tá ali tentando resolver um problema há horas, travado, sem conseguir avançar, aí foi espalhar, foi tomar um banho, Foi se desligar daquele problema e aí, pronto, a solução apareceu. Aquilo não é por acaso, foi a tua rede de modo padrão fazendo as conexões que o teu cérebro focado não tava conseguindo fazer. Porque esse cérebro focado, ele trabalha de forma linear. Ele aprofunda, ele analisa um caminho por vez.

Mas a rede de modo padrão, ela trabalha de forma associativa. Ela vai conectando pontos distantes, ela vai encontrando padrões que o foco não consegue ver. É como a diferença entre um holofote e uma luz difusa. O holofote, ele ilumina um ponto ali com intensidade, mas a luz difusa, ela ilumina tudo ao redor dela. Então você precisa dessas duas formas de iluminação, digamos, na nossa mente. E a gente tá vivendo 100% só no holofote, 24 horas por dia.

Então, dito tudo isso, Tá, a gente precisa entender por que que isso importa para além da criatividade, porque essa rede de modo padrão ela não é só sobre você ter ideias novas, ela é central para regulação emocional. Quando você nunca permite que essa rede funcione, você não tá processando as suas emoções do dia ali de forma realmente saudável, elas estão ficando acumuladas, elas não estão se integrando, elas não estão sendo compreendidas.

E aí aparece aquela sensação que muita gente descreve, mas que não sabe nomear direito, sabe? Você tá ali cansado de um jeito que não passa com descanso. Você fica irritado sem ter um motivo claro. Você sente que tá sempre no limite, mas não consegue identificar exatamente por quê. Você tem dificuldade de tomar decisões simples. A criatividade sumiu, a memória tá pior, a concentração foi embora. E isso tem um nome na neurociência, que é o esgotamento cognitivo por superestimulação.

Anota isso aí, esgotamento. Você pode até falar aí com seus amigos assim, fala lá numa roda: então, o que que você tem, amigo? Você tá assim, fala: então, eu tô com esgotamento cognitivo por superestimulação. É um nome bonito para dizer que você tá demais se atarefando, ocupado nas telas o tempo inteiro. Isso é diferente do burnout. O teu corpo, ele pode estar descansado, mas o teu sistema de processamento mental, a tua rede de modo padrão, ela não está tendo espaço para trabalhar.

Pensa comigo, você tem ali uma caixa de entrada de e-mails. Se você nunca abre, se você nunca processa, nunca organiza esses e-mails, a caixa vai enchendo. Em algum momento, aquilo ali vai virar uma bagunça, aquilo ali vai travar. E não porque você não sabe lidar com os e-mails, mas porque você não esvaziou a tua caixa. O tédio, ele é o processo de esvaziar a caixa de entrada do teu cérebro. Então, quando você nunca se entedia, a caixa tá sempre cheia.

Então, antes de continuar, eu quero pausar aqui um momento, porque eu sei que tem muita gente que tá ouvindo esse episódio, que tá reconhecendo, que vive exatamente nesse estado, sempre ocupada, sempre estimulada, incapaz de parar para sentir as suas próprias emoções, sentindo muita culpa, muita ansiedade. E para essas pessoas eu quero dizer que isso não é falta de disciplina. Muitas vezes é uma forma de evitação emocional. Ficar sempre ocupado é uma das estratégias mais comuns que a gente usa para não ter que sentir o que tá sentindo.

Então, se você para, se o silêncio aparece, vão aparecer coisas desconfortáveis que você ainda não lidou. As dores, as dúvidas, os medos. E aí ficar entediada não é só desconfortável, é aterrorizante. Na terapia a gente vai trabalhar exatamente isso, entender o que que tá por trás da incapacidade de parar, de processar as emoções, de fazer essas coisas que você tá evitando. E você vai conseguir construir nesse espaço uma relação mais segura com silêncio, com você mesma..

Então na minha clínica, na Psique do Futuro, você vai encontrar psicólogas especializadas prontas para caminhar com você nesse processo. Se faz sentido para você, se chegou o seu momento, se você tem coragem, vai lá, clica no link da descrição e agenda a tua primeira sessão de terapia. E se você quiser se aprofundar mais nesses assuntos, você pode também entrar para minha plataforma, para mim, o meu clube. Aqui a gente tem um clube do Psicologia na Prática, que é a plataforma Psicologia na Prática.

Você lá vai ter acesso a conteúdos, cursos completos para você aplicar na sua vida, materiais de apoio. Todos os episódios aqui do Psicologia tem workbooks, materiais para você ler, para você fazer atividades. Tudo isso exclusivo para quem é assinante do Psicologia na Prática. O link também tá ali na descrição e aqui QR code na tela em algum lugar. Vai lá, tenho certeza que tanto a terapia quanto o nosso, nossa comunidade vai fazer muito bem para você.

Agora eu quero falar sobre algo que vai além da neurociência, porque a ideia de ficar entediada, eu sei que gera muito desconforto, né, só de pensar nisso. Tem uma pesquisa da Universidade de Virgínia que foi publicada na revista Science. Essa pesquisa, ela pediu para que participantes ficassem sozinhos numa sala, sem celular, sem livro, sem nada para fazer, por 15 minutos. A única opção disponível era apertar um botão que dava um choque elétrico leve.

Presta atenção: 67% dos homens e 25% das mulheres preferiram se chocar, né, se levar um choque, a ficar sentados em silêncio com seus próprios pensamentos. Você acredita nisso? E isso não é exagero de uma pesquisa, esse é um dado que diz muito sobre como a gente se relaciona com a nossa própria mente. Pra muitas pessoas, ficar sozinha ali com seus próprios pensamentos é genuinamente desconfortável, porque os pensamentos que aparecem no silêncio nem sempre são agradáveis.

Aparecem muitas vezes dúvidas sobre escolhas que a gente fez, a sensação de que a minha vida não tá indo de acordo como eu gostaria, as inseguranças que eu tenho mantido afastados enquanto eu tô ocupada. A saudade, o luto, o arrependimento, medos. E aí a superestimulação, principalmente a digital atualmente, ela se torna não só um hábito, mas uma estratégia emocional de fuga. É uma forma de não ter que estar com você mesmo, de não ter que lidar com essas coisas.

Na TCC a gente chama isso de evitação experiencial, fugir desses estados internos desconfortáveis através de comportamentos que trazem alívio imediato. Rolar um feed é um alívio imediato, é muito gostoso você abrir o celular, você vê ali as notícias, o autoplay, o podcast em todo lugar, até mesmo podcast Psicologia na Prática, que é algo que eu acredito que te faz bem, mas se ele também se tornar uma fuga de lidar com as suas emoções, já não é mais tão interessante.

Eles acabam funcionando como uma anestesia mental. É um alívio no curto prazo, só que acumula um sofrimento no longo prazo. E esse é o paradoxo mais cruel: quanto mais você foge do silêncio, mais assustador ele fica. Quanto mais você evita os seus pensamentos, mais poder eles têm sobre você. E a única saída, gente, é atravessar, é encarar. Então, o que que você pode fazer na prática a partir desse episódio hoje? Eu não tô te pedindo para virar uma pessoa meditativa, um monge que passa horas em contemplação silenciosa.

Eu mesma tenho muita dificuldade de fazer isso. Às vezes o meu marido me chama para: "Ai, vem aqui, dá uma olhada, olha só, respira fundo, olha essa natureza, vem aqui." Aí eu vou lá, eu olho, respiro, e para mim já deu, entendeu? É coisa de 2, 3 minutos, eu já vou fazer alguma coisa. E eu sou psicóloga, mas eu tô falando para vocês que é uma dificuldade. Algumas pessoas, elas são mais contemplativas, outras têm um outro jeito, né, de esvaziar a mente, de contemplar.

Mas eu tô te propondo algo muito simples e real. Primeira prática que você pode começar a fazer mesmo hoje: você vai proteger uma janela, vai projetar ali, aliás, uma janela de tédio no teu dia. Então você vai escolher um momento do teu dia que normalmente você preenche com estímulos e você vai deixar vazio. Pode ser o café da manhã sem celular, pode ser uma caminhada sem fone, o trajeto para casa do trabalho até em casa. Se você vem de ônibus, de metrô, você vai ficar olhando pela janela ao invés de fazer outra coisa.

Os primeiros 10 minutos que você acorda antes de pegar o teu celular, Não precisa ser um tempo longo, mas precisa ser consistente. O objetivo não é você ficar pensando em nada, mas isso até é impossível. O objetivo é você deixar os pensamentos aparecerem sem direcionar eles para nenhum lugar, só observando, deixando fluir. É nesse espaço que a rede de modo padrão começa a trabalhar. Então planeja aí e começa a praticar momentos de tédio no seu dia.

A segunda prática que eu vou sugerir para você nesse episódio é você demorar mais naquilo que você já faz. Porque assim, você já toma banho, você já lava louça, você já caminha até algum lugar. A diferença é que você preenche esses momentos com estímulos. Você vai experimentar fazer essas atividades em silêncio total, sem podcast, sem música, sem áudio, só você e essa atividade. No começo vai parecer estranho, tá? Vai dar até uma ansiedade.

É normal, é o teu sistema que tá acostumado ao estímulo sempre, e ele vai pedir a dose dele ali. Mas com o tempo, esses momentos, eles viram os mais produtivos do teu dia, né? Em termos de clareza, de criatividade. Então, a primeira prática que eu te dei é para você abrir espaço de momentos de tédio, de não fazer nada. Essa segunda prática é: enquanto você faz as tarefas que você já faz, você não vai colocar nenhuma outra distração junto.

Você vai fazer as coisas sem estímulos. E aí a gente já está abrindo mais um pouquinho de espaço aqui para a tua rede de modo padrão funcionar. A terceira prática é: quando uma ideia aparecer, fica com ela mais um pouco. Uma das coisas que mais acontece quando você começa a criar espaço mental É que as ideias aparecem em momentos inesperados, no banho, na caminhada, antes de dormir. Então uma ideia legal é você ter um caderno pequeno, ou pode usar o bloco de notas do celular, só para colocar ali no papel, né, digamos assim, essas ideias.

Você não vai abrir outro aplicativo, você vai anotar e vai fechar. Isso te ensina a confiar no processo e vai te mostrar na prática que o teu cérebro ele trabalha muito melhor quando ele tem espaço. Então assim, gente, só com essas 3 práticas: abrir espaço para o tédio, fazer as coisas uma por vez e não ficar nessa onda de ser multitarefa o tempo todo, e a terceira é você anotar as ideias que surgem nesses momentos que você vai abrir no seu dia a dia, isso aí vai começar a alimentar um ciclo de mudança positiva.

Eu tenho certeza que você vai começar a ver muitos benefícios na tua vida, no teu cotidiano. Então deixa eu te deixar aqui nesse encerramento com um pensamento: A gente vive numa cultura que glamourizou demais estar ocupado, estar sempre fazendo algo, virou um símbolo até de valor, e parar virou um sinal de preguiça. Mas o que a neurociência tá mostrando é que essa equação ela tá errada. O teu cérebro ele não é uma máquina que funciona melhor em velocidade máxima, na verdade ele é um órgão biológico que precisa de ciclos de esforço, foco,, mas também de descanso, de espaço, de estímulo e de silêncio, de foco e dispersão.

E quando você priva o teu cérebro do tédio, você não tá sendo mais produtiva, você tá gastando combustível que faria você criar muito mais, sentir muito mais, pensar melhor. As tuas melhores ideias estão te esperando no silêncio. As tuas emoções, elas precisam ser processadas, elas esperando para que você dê esse espaço. A versão mais leve de você tá te esperando justamente no silêncio. E não porque esse silêncio é mágico, mas porque é nele que você finalmente vai conseguir ouvir a si mesma.

Então começa pequeno, 10 minutos amanhã de manhã, sem celular, sem nada, só você, e vê o que que aparece. Tenho certeza que vai te ajudar muito. E se esse episódio fez sentido para você, Compartilha com alguém que nunca consegue parar. A gente se vê na semana que vem. Um beijo.

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