Episódios de Psicologia na Prática

#267 - Do apego inseguro ao apego seguro

24 de março de 202630min
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Você sente que ama com medo? Que qualquer silêncio vira ameaça, qualquer distância vira dúvida?

Neste episódio do Psicologia na Prática, a gente conversa sobre como sair do apego inseguro — especialmente o apego ansioso — e começar a construir segurança emocional nos relacionamentos.

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Assuntos15
  • Apego Seguro e Seus Quatro Pilaresautorregulação emocional sem terceirizar · confiança antes da quebra de confiança · comunicação de desejos em vez de acusações · manutenção de vida e identidade própria · relação como lugar de encontro não de sobrevivência
  • Apego Seguro - Características e PilaresRegulação emocional autônoma · Confiança antes da quebra · Comunicação de desejos vs acusações · Vida própria fora do relacionamento · Identidade independente · Resiliência emocional · Aceitação de respostas do outro · Busca de apoio sem dependência compulsiva
  • Apego InseguroCaracterísticas do apego ansioso · Comportamentos de vigilância e controle · Interpretação de silêncios como ameaça · Dificuldade de estar sozinho · Necessidade de validação constante · Confusão entre amor e intensidade · Monitoramento de redes sociais · Padrão de múltiplas mensagens · Perguntas repetidas sobre o sentimento do parceiro
  • Relacionamentosvigilância constante · confundir ansiedade com conexão · comportamentos obsessivos (mensagens, monitoramento social) · medo de abandono e rejeição · dificuldade de estar só · desconforto com silêncio do outro · necessidade de validação constante · tentativa de controlar o vínculo
  • Teoria do ApegoEstudos de Bowlby · Necessidades básicas de proteção e vínculo · Aprendizado emocional na infância · Perguntas invisíveis do sistema nervoso · Diferentes estilos de apego · Apego seguro vs inseguro · Apego evitativo
  • Transformação e MudançaApego não é traço fixo · Apego como aprendizado · Desenvolvimento de novas habilidades emocionais · Neuroplasticidade · Treino de novos comportamentos · Papel da terapia cognitivo-comportamental · Prática e observação curiosa · Ação apesar do medo
  • Identidade e RepresentatividadeVida própria fora da relação · Interesses e valores independentes · Proximidade vs dependência · Segurança pessoal · Continuidade de si mesmo · Decisão de permanência ou saída
  • Neuroplasticidade e Apegoapego não é identidade fixa · mudança comportamental e treino · processo de identificação, entendimento, observação e experimentação · importância da terapia · neuroplasticidade e novo mapa emocional
  • Comunicação em RelacionamentosExpressão de desejos · Comunicação sem acusação · Diferença entre cobrança e clareza · Convite ao outro vs defensiva · Resposta do silêncio · Maturidade comunicacional
  • Vulnerabilidade em Relacionamentosaceitação da incerteza inerente · viver no presente em vez de antecipar dor · confiança sem prova antecipada · relacionamentos como ambientes de risco calculado
  • Diferença entre Apoio Emocional e DependênciaValidação compulsiva · Suporte saudável vs dependência · Autorregulação emocional · Independência emocional · Busca apropriada de apoio
  • Cuidados e Comportamentos PrejudiciaisDizer sim quando quer dizer não · Tolerância de relacionamentos ruins · Medo da solidão · Dificuldade de colocar limites · Perda de identidade pessoal · Adaptação excessiva · Busca por prova de desinteresse
  • Origem Infantil e Feridas do Apego Insegurocuidadores imprevisíveis · abandono e rejeição na infância · negligência emocional · cuidadores indisponíveis · necessidade de merecer amor · incoerência no afeto
  • Teoria do Apego de John Bowlby e Fundamentos Científicosestudos com bebês e cuidadores · necessidade básica humana de proteção e segurança · formação de mapas emocionais internos · perguntas invisíveis que a criança aprende a responder
  • Apego Evitativo e Dinâmicas Incompatíveis de Relacionamentodificuldade com proximidade e intimidade · autossuficiência como defesa · dificuldade de vulnerabilidade · incompatibilidade destrutiva com apego ansioso
Transcrição57 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Rotina puxada, né? No meio de tantos compromissos, também é preciso se comprometer com você. Chegou Nestlé Vital, a nova linha de suplementos para o bem-estar adulto, com opções para apoiar o seu dia e a sua noite. Vital é ter foco sustentado ao longo do dia e também ter uma boa noite de sono para começar o dia bem. Qual você escolhe? Um ritual matinal ou um ritual noturno? Clique no banner e conheça, porque se cuidar é vital.

E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou a Alana Nijar, sou psicóloga especialista na terapia cognitivo-comportamental.

mais leve, com mais inteligência emocional. Então, pra gente começar daquele jeito, vocês me ajudando, assim como eu ajudo vocês aqui, já aproveita pra se inscrever se você tá no YouTube, pra curtir esse vídeo e se você tá me ouvindo lá pelo Spotify ou assistindo também, né? Ou por alguma outra plataforma de streaming, lembra de me seguir, de curtir, de avaliar esse podcast, fazer o que for possível fazer aí se você curte o Psicologia na Prática. Se você tá chegando hoje pela primeira vez,

Seja muito bem-vindo, muito bem-vinda. Eu estou aqui com vocês. Vocês já me conhecem, né? Eu sou a Alana Nijá, sou psicóloga, sou mãe, podcast, ser escritora. Mas aqui eu trago conteúdo prático para vocês. Eu sou especialista na terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano. Então, tudo que eu falo é amparado e ancorado por essa teoria e também pela psicologia como um todo,

por evidências científicas, mas é claro, traduzindo tudo isso de uma forma leve, prática e que possa fazer sentido para o teu dia a dia. Foi assim que a psicologia me encantou, me fez me apaixonar por ela, porque começou fazendo sentido na minha vida, quando eu estava lá na faculdade estudando, às vezes coisas tão complexas, e aí depois comecei a entender como aquilo poderia se adequar à minha vida. Isso não foi na psicologia, na faculdade, porque na faculdade os professores gostam de falar difícil.

que dava para a gente falar de uma maneira que todo mundo possa entender aquilo que um psicólogo faz. E é isso que eu faço aqui. Então seja muito bem-vindo, pegue seu café, sua água e vamos lá, porque o episódio de hoje está muito bom. Hoje eu quero conversar sobre um tema que virou quase uma palavra da moda aí na internet, mas que quando a gente entende de verdade, muda a forma como a gente ama, como a gente escolhe, como a gente insiste ou não nas relações,

a gente se abandona dentro de uma relação. A gente vai falar sobre como pessoas com apego, com estilo de apego inseguro nos relacionamentos, podem caminhar para um estilo de apego mais seguro. Se você nunca ouviu falar sobre estilo de apego, calma que eu vou te explicar, tá bom? E deixa eu já te dizer uma coisa importante. Isso aqui não é sobre você se tornar uma outra pessoa, mas é sobre você sair do modo sobrevivência e aprender de um jeito mais saudável

Então, se você já ouviu os meus outros episódios sobre esse assunto, inclusive recomendo que você vá principalmente ali no busca do Spotify, que é onde eu tenho o meu histórico mais longo de podcast, você consegue ir na busca e coloca ali apego. Vai ter todos os episódios que eu já falei sobre esse assunto, tá? É um assunto que eu falo bastante, você talvez já tenha ouvido e é uma chave para a gente entender melhor as nossas relações.

que você possa entender sem psicologuês, sem linguagem tão difícil. Então tá, vamos lá. A teoria do apego, ela começou com estudos lá com Bowlby, isso muitas décadas atrás, são estudos bem antigos, e que depois eles tiveram ali a sua sequência de estudos, trazendo não só da infância para relacionamentos adultos, mas começou lá com Bowlby, com estudos que observavam algo muito simples. Todo ser humano nasce com uma necessidade básica de,

proteção, de vínculo, de segurança. E quando a gente é criança, especialmente com bebês, a pesquisa começou até com bebês bem pequenos, a gente não tem um repertório emocional, a gente não tem autonomia emocional, a gente não tem nem lógica para lidar com frustração, com distância, com negligência. Então, o nosso sistema nervoso, ele aprende o mundo através de perguntas invisíveis, digamos assim. Como, por exemplo, quando eu preciso de alguém,

Alguém vem até mim? Eu sou importante para alguém? Eu sou amável do jeito que eu sou? O amor, ele vem e ele é constante, estável? Ou ele some, ele é instável? E a depender das respostas que a nossa vida, a nossa criação, os nossos cuidadores principais, a maioria deles foram as nossas mães, mas talvez tenha tido algum outro cuidador, especialmente nos primeiros anos de vida, a depender das respostas que a vida dá para essas perguntas, a gente vai formando um padrão interno,

um mapa emocional que depois vai levar a gente para os nossos vínculos adultos. Então, aqui está um ponto que quase ninguém fala com clareza, mas o apego, ele não é só sobre relacionamento amoroso, é sobre como você lida, o teu estilo de apego tem a ver com a forma como você lida, com proximidade, com distância, com rejeição, com conflito, com abandono, com as tuas necessidades, com limites, em qualquer vínculo importante, na verdade,

E, de forma bem resumida, existem estilos diferentes de apego. Hoje eu vou focar principalmente em um, que é o apego ansioso, que é o mais comum de aparecer até nos consultórios e também é o mais comum de aparecer nas dores que vocês me mandam. Mas existe o estilo de apego ansioso, o estilo de apego evitativo, que a gente pode deixar para um outro episódio, se vocês gostarem desse. De repente a gente faz como ir de um estilo de apego evitativo para um seguro. E existe o estilo de apego seguro.

Uma coisa importante sobre isso, se vocês quiserem aprofundar nesse tema, eu sempre deixo essa dica de leitura. É um livro chamado Maneiras de Amar, da editora Sestante. A primeira edição dele era Apegados, o nome. Mas agora, Maneiras de Amar, um livro maravilhoso escrito por pesquisadores da área. Fica aqui a dica para todo mundo que quiser estudar mais sobre isso. Mas vamos falar sobre esse estilo de apego ansioso, que é quando o relacionamento deixa de ser um lugar

e vira um lugar quase que de vigilância. Não é carência no sentido pejorativo que a internet usa, enfim. Mas é um sistema emocional que aprendeu que o vínculo, ele tende a ser instável. Então, aquela pessoa fica tentando garantir o amor e o vínculo o tempo todo. Por dentro, é como se essas pessoas vivessem mais ou menos assim. E se essa pessoa enjoar de mim? E se ela perceber que eu sou difícil demais? E se ela não gostar de mim o suficiente?

se eu não for o suficiente? E se isso acabar? E se eu ficar sozinha? E aí a pessoa tenta fazer uma coisa que parece lógica, mas que é um tiro no pé sempre. Tenta controlar o vínculo para se sentir mais segura. Só que no relacionamento, o relacionamento não é um lugar onde você consegue controlar, você não consegue controlar os sentimentos do outro, nem as ações dele, muito menos. A relação é um lugar onde a gente precisa sustentar incertezas. Presta atenção nisso. Os relacionamentos,

são ambientes em que a gente precisa sustentar incertezas. Eu não sei se eu vou ter a reciprocidade, eu não sei se isso vai dar certo para sempre, eu não sei se a pessoa vai agir e me tratar da forma como eu espero ou gostaria, mas eu preciso encarar alguns riscos. Claro que com sabedoria, sabendo ler também as bandeiras vermelhas ali no caminho. Só que para quem tem um estilo de apego ansioso, essas incertezas são desesperadoras. Então a gente vai trazer isso aqui para o cotidiano,

onde dói, onde machuca. Então, uma pessoa com um apego ansioso, ela geralmente sente um desconforto gigante com o silêncio do outro, com a distância do outro, mesmo quando, não necessariamente esse silêncio, essa distância, querem dizer algo ruim. Interpreta, muitas vezes, essa ausência como uma ameaça. Tem dificuldade de ficar só. Então, pessoas que engatam um relacionamento no outro, estão sempre com alguém, porque tem muita dificuldade de ficar sozinho. E aí, quando fica sozinho também, a mente entra,

um looping ali de preocupação com a relação, mesmo que ela esteja numa relação. Isso vai levar essa pessoa muitas vezes a se adaptar demais pra não ser rejeitada. Vai levar ela a ter medo de colocar limites, né? Que é um assunto que a gente fala muito aqui. E aí a pessoa tende a se perder ali naquela relação, né? Tem medo de perder a pessoa e por isso não coloca limites. Precisa de sinais constantes e uma comprovação constante do outro de que tá tudo bem,

o outro gosta, de que ama, precisa dessa validação, porque senão ela já entra em parafuso. Então, muitas vezes, esse estilo de apego ansioso faz as pessoas confundirem o amor com intensidade, confundir a ansiedade com conexão. E aí ela pode entrar em alguns padrões que você talvez já tenha caído ou conheça, já tenha se relacionado com parceiros assim. Então, vai lá ser aquela pessoa que vai mandar várias e várias mensagens e ficar checando

o outro visualizou. Ligar várias e várias vezes se o outro não atende e é uma ansiedade absurda. Ficar monitorando as redes sociais do parceiro, né? Ficar procurando prova de traição ou prova de desinteresse. Perguntar repetidamente, né? Você me ama, mas você me ama mesmo? Você ainda gosta de mim? Tá tudo bem? Você tá estranho? Tá acontecendo alguma coisa? E o outro, não, tá tudo bem e tal. É claro, né, gente, que a gente tá falando aqui de uma relação saudável, onde o outro, ele tá

sendo realista, onde o outro está sendo honesto. Se um estilo de apego ansioso cai num relacionamento com uma pessoa realmente que está avacalhando ali, aí é a pior receita possível. E se ela cai, então, com um estilo de apego evitativo, que a gente vai ver, você vai ver em outros episódios, mas que é uma pessoa que tem dificuldade com a proximidade, no sentido de que tem dificuldade de se envolver, dificuldade de se entregar, dificuldade de ser vulnerável. Então, a pessoa que se esconde por trás

de uma autossuficiência, de uma independência e, geralmente, não consegue aprofundar nenhuma relação, tá? Então, assim, quando juntam uma com a outra, o negócio dá ruim, tá? Mas, então, aquela pessoa que fica perguntando, né? Sempre, por mais que o parceiro esteja ali falando, olha, tá tudo bem, sim, eu gosto de você. Só que aí, esse comportamento começa a fazer também o outro parar de gostar tanto assim, né? Porque ninguém gosta de uma pessoa do lado desconfiada de tudo e perguntando o tempo inteiro se o outro ainda gosta, ainda ama,

tudo bem, isso acaba afastando muitas pessoas, mesmo quando no início elas até gostavam de você. Então tá, eu sei que tá sendo muita coisa pra você digerir, tá? Mas vamos falar de outros padrões de comportamento, como dizer sim quando queria dizer não, e aí depois se ressente. Tolera relações ruins por medo do vazio, então aquela coisa de antes só do que mal acompanhado não funciona muito pro estilo de apego ansioso. Muitas vezes ele prefere estar mal acompanhado do que estar só, porque tem medo de

sozinho, vazio. E aqui tem um paradoxo que é muito cruel. Quanto mais essa pessoa, você que está me ouvindo, se está se identificando, quanto mais você tenta segurar alguém com medo da pessoa ir, mais você cria um clima que sufoca a relação. E aí acontece aquilo que você mais teme. A relação se desgasta. E não porque ela não... Porque essa pessoa não merece amor, porque você não merece amor, mas porque o vínculo

vira um campo de prova. E ninguém consegue viver sendo testado o tempo todo. É desgastante demais. E aí o que tem por trás disso? A base do apego ansioso costuma ser uma ferida antiga de instabilidade emocional. Como eu falei, talvez lá na infância uma presença do cuidador que era imprevisível, talvez sofreu abandono, talvez sofreu rejeição, talvez tinha uma incoerência ali no lar, no afeto, no apego, o afeto que vinha e sumia.

muito os adultos indisponíveis emocionalmente, ou confusos, ou passando por problemas, seja de saúde mental, de doença, problemas pessoais, ou até uma infância em que você teve que merecer amor, sendo perfeito, obediente, útil, coisas que a gente fala muito por aqui. E aí eu gosto de dizer de um jeito muito simples o seguinte, a criança, ela aprende estratégias para não perder o vínculo, porque ela precisa do vínculo com o adulto.

Só que o problema é que a gente cresce e a gente continua usando as mesmas estratégias.

E aí a pessoa adulta, ela está ali tentando, sem perceber, resolver no presente uma dor que é do passado. Ela escolhe relações que reencenam aquele lugar emocional. Então, se eu conseguir que essa pessoa me ame, então eu finalmente vou provar que eu sou digna. Só que amor, gente, não é diploma. Amor não é... Você não prova valor, você reconhece o seu valor. E aí, falando disso tudo, você deve estar me ouvindo falando, meu Deus do céu, Alana, desvendido.

Dei todos os meus problemas agora. É isso. É isso que eu vivo. É isso que eu passo. E aí é muito importante você entender o seguinte. Dá pra mudar. É sobre isso esse episódio. Eu quero que você guarde isso na sua mente. O seu estilo de apego não é fixo. Não é uma identidade. Não é uma sentença. É um aprendizado que você pode estar tendo sobre você. Mas não é quem você é. É um jeito que você aprendeu a se proteger. Então o caminho não é você virar uma pessoa fria. Que não se apega a mais ninguém.

porta mais com ninguém, matar a tua sensibilidade, mas é ensinar para o teu sistema emocional que existe outra forma de se vincular. E aqui entra um conceito muito chave, que o apego seguro não é que você não sente mais medo de ser rejeitado, que você está sempre agora 100% confiante e seguro, não é a ver com isso. Mas é uma pessoa com um estilo de apego seguro, é uma pessoa que sente medo e que ainda assim não age a partir desse medo, não age de forma desesperada,

Todo mundo quer amar e ser amado, todo mundo quer reciprocidade. A vulnerabilidade é difícil para todos. Um silêncio, uma falta de resposta, uma confusão ali de sinais do que o outro está passando, isso incomoda qualquer um, até uma pessoa com apego seguro. Mas o apego seguro, ele tem a ver com você, olha, eu sinto isso, eu reconheço o que eu estou sentindo, eu vou me regular, porque o outro não tem culpa da forma como eu estou me sentindo, e aí eu vou escolher como agir. O que as pessoas com apego seguro fazem de diferente?

Vamos olhar para isso, porque daí você pode começar a praticar. É esse o ponto aqui. A gente vai falar sobre o que as pessoas com apego seguro fazem. E eu quero te convidar a ouvir essa parte não como um ideal inalcançável, mas como algo que pode ser treinado pouco a pouco. Porque o apego seguro não é um traço fixo de personalidade, por exemplo. Mas é um conjunto de habilidades emocionais que vão sendo desenvolvidas.

com previsibilidade, com amor, com afeto, com validação, com tudo, você já vem com esse pacote mais preparado. Mas pessoas com apego seguro podem e devem buscar começar a se comportar como se tivesse um apego seguro. Você finge até que se torna verdade, você precisa saber como você deve se comportar. E mesmo que você não sinta aquela segurança, você vai começar a treinar novos comportamentos nas suas relações, eu te garanto,

o jogo das suas relações. Então, vou te apresentar aqui alguns pilares bem práticos e, talvez, enquanto você está me escutando aqui, você já possa perceber qual deles que é mais difícil para você hoje, qual deles que você pode começar a fazer a partir de hoje. Então, o primeiro, se você está anotando aí, pessoas com apego seguro, elas regulam as suas emoções sem terceirizar para o outro. Então, essas pessoas, elas sentem tudo que uma pessoa normal sente, gente.

me sente tristeza, sente ansiedade. A diferença não está no que elas sentem, mas no que elas fazem com o que elas sentem. Elas não vão colocar no outro a função de consertar o estado emocional delas. Elas podem até buscar apoio, conversa, acolhimento. Isso é super natural, saudável, humano. Mas não é natural você transformar o outro num regulador emocional exclusivo. Eu só consigo regular a minha emoção se o outro conversa comigo, me valida,

Segura, aí eu me regulo. Não dá para a gente depender sempre do outro, ainda mais de um parceiro amoroso. Existe nas pessoas seguras uma base interna que sustenta. A pessoa ansiosa, muitas vezes sem perceber, ela vive como se ela dissesse, olha, eu só fico bem se você me responder. Eu só vou me acalmar se você garantir que está tudo certo. Eu só me sinto segura se você fizer algo agora. Já a pessoa com apego seguro, ela entende que existe uma diferença importante entre o apoio emocional

E a validação compulsiva. O apoio emocional é o vínculo. É você poder dizer, olha, hoje eu não estou muito bem. Olha, esse teu comportamento me deixou insegura. Eu preciso de um pouco mais de atenção, um pouco mais de carinho. Ótimo. Agora, essa validação compulsiva do outro é uma dependência. É quando o outro vira, como eu falei, a única fonte ali de estabilidade. E qualquer ausência dele, tudo se perde, tudo se desorganiza. Então, a gente precisa tomar muito cuidado com isso, tá?

com apego seguro, elas aprendem ao longo do tempo a se autorregular. A gente vai precisar aprender isso aqui. Essas pessoas sabem acalmar o corpo, organizar os pensamentos, atravessar os desconfortos sem entrar em pânico. E não porque elas são frias, mas porque elas desenvolveram esses recursos internos. E aí, gente, isso muda completamente a dinâmica do relacionamento. Porque o vínculo deixa de ser uma tábua de salvação e passa a ser um lugar de encontro. Então,

Essa sua primeira meta aqui como uma pessoa com estilo de apego ansioso é eu preciso conseguir regular minhas próprias emoções sem depender compulsivamente do outro. E aí existem várias ferramentas de regulação emocional para isso. A gente pode falar em outros episódios ou você pode até pesquisar aqui regulação emocional que eu tenho outros episódios sobre isso também, tá? Segunda, comportamento das pessoas com apego seguro. Elas confiam antes da quebra.

Ou seja, esse ponto aqui ele costuma ser um dos mais difíceis para quem tem apego ansioso.

porque a mente vive no e se? e se ela perdeu interesse? e se ele estiver escondendo alguma coisa? e se eu estiver sendo enganado? e se isso acabar? só que as pessoas com apego seguro elas também sabem que as relações podem acabar, óbvio pode haver uma falta de reciprocidade as pessoas podem me decepcionar, claro a diferença é que elas não vivem a partir de um lugar de antecipação da dor porque existe uma compreensão muito clara de que

o tempo todo, não nos protege. É aquela coisa de se preocupar com antecipação sobre algo que ainda não aconteceu, não evita que aquilo aconteça. Então, pelo contrário, só gera desgaste, tensão, sofrimento antecipado. Então, uma pessoa com um estilo de apego seguro, ela pensa mais ou menos assim, eu escolhi estar nessa relação, então eu vou viver essa relação por inteiro. Se um dia houver uma quebra de confiança, se um dia acontecer alguma coisa, então eu vou lidar com isso quando acontecer. Não existe essa vigilância

essa investigação silenciosa, essa busca incessante por provas de que algo vai dar errado. Confiar, gente, nesse contexto não é ser ingênua. Você precisa escolher não transformar o relacionamento em um campo de guerra antes que exista uma ameaça de verdade. Você precisa entender que viver esperando pelo pior não vai impedir a dor de acontecer, mas impede você de desfrutar do presente.

criando exatamente aquilo que você queria evitar, que é o término, que é a traição. Então, em segundo lugar, você vai treinar a sua mente para confiar antes que, até que você tenha um motivo contrário para desconfiar. É claro que isso tudo, como eu falei, a gente vai ler os sinais, vai buscar, eu já tive outros episódios, até tem um, se você quiser procurar, Dedo Podre, a cura do Dedo Podre, que eu falo, como escolher melhor um parceiro, como ler os sinais.

em conta que você fez tudo isso e que você daí tá dentro dessa relação, tá bom? Terceiro aqui, pessoas com estilo de apego seguro, elas comunicam seus desejos ao invés de acusações. Então, pessoas com apego seguro, elas se comunicam de um lugar muito diferente. A gente precisa treinar isso. Em vez de partir da cobrança, da crítica, da acusação, elas partem da clareza sobre o que elas desejam, o que é importante pra elas. Então,

Ao invés de você dizer, por que você nunca faz isso? Por que você nunca me dá atenção? Você pode dizer, uma pessoa com estudo de apego seguro, ela diria, olha, isso é importante para mim. Eu me sinto cuidada quando você faz isso. Eu gostaria que isso acontecesse mais no nosso relacionamento. Essa forma de comunicar não é mais fraca, ela é muito mais madura. Porque ela fala da necessidade sem atacar o outro. Ela convida o outro para a relação em vez de colocar o outro na defensiva.

fundamental aqui que é pessoas com apego seguro não ficam implorando por reciprocidade. Elas expressam, elas observam e aí elas avaliam. Se ao longo do tempo aquilo que é importante para elas não é considerado, elas não vão ficar entrando em joguinhos, elas não vão tentar se moldar infinitamente, elas não vão tentar convencer alguém a ser diferente. Elas vão entender que o desejo não foi atendido e que aquilo aconteceu de forma recorrente

E aí, claro, vai virar uma frustração crônica se aquilo acontecer. E a frustração crônica, ela corrói qualquer vínculo. Então, comunicar desejos vem junto com algo muito essencial, que é eu aceitar a resposta do outro. E aí eu decido o que eu faço com essa resposta do outro. Se eu comuniquei meus desejos, eu fui clara, eu pedi, eu falei, e o outro não responde, não entrega, não parece se importar, aí cabe a mim decidir o que eu faço com essa resposta que o outro está me dando.

que o silêncio também é uma resposta. Então presta atenção nisso. Quarto comportamento de pessoas com estilo de apego seguro. Esse aqui é muito bom. Essas pessoas tendem a ter uma vida própria. Talvez esse seja o pilar mais transformador do apego seguro. Pessoas com apego seguro têm uma base de identidade fora do relacionamento. Isso é muito importante. Elas têm interesses, valores, rotinas, afetos.

não gira exclusivamente em torno do outro. A mente de uma pessoa com estilo de apego ansioso tende a viver colada, o outro vira o centro, a referência, a principal fonte de sentido, de estabilidade. E a mente segura, ela já é uma mente que vive conectada, conectada com o outro, mas não grudada. Existe proximidade, mas também existe espaço, espaço para o espaço. Isso não significa menos amor, não significa nada disso, mas significa menos dependência,

O relacionamento, ele deixa de ser o lugar onde tudo acontece e passa a ser um espaço que se soma a uma vida que já existe. Aquela coisa da pessoa tem que vir na minha vida pra somar e tal, é isso. E aí isso aqui, paradoxalmente, torna a relação muito mais leve, mais desejável de estar ali e mais sustentável no longo prazo. Quando existe essa identidade, o medo de perder não desaparece completamente, porque quando a gente ama, é óbvio que a gente tem medo de perder.

de comandar a relação. Porque a pessoa sabe que com ou sem aquela relação, ela continua sendo alguém. E essa convicção, gente, muda tudo. Muda o jeito de amar, de escolher, de se posicionar. E até muda a decisão de ir embora quando é necessário. Porque eu sei que existem outras relações, outras coisas na minha vida. Dito tudo isso, gente, espero que vocês tenham anotado esses comportamentos de uma pessoa com estilo de apego seguro. E assim, pra mudar um padrão de apego,

Não basta só você se identificar com ele. Você pode estar se identificando nesse episódio, isso traz um alívio, mas isso não traz a transformação. O caminho começa quando a gente decide compreender esse funcionamento em profundidade, entender o apego ansioso, não como um rótulo, mas como um sistema que você aprendeu, um sistema que fez sentido lá atrás, mas que hoje não faz mais sentido. E aí, depois que você se identificou, entendeu, estudou isso, o próximo passo agora é você começar

começar a observar com mais curiosidade, não com culpa esse teu padrão, não é para você se comparar, se cobrar, mas é para que realmente você tenha uma nova postura diante dos seus relacionamentos, um novo mapa a gente vai começar a construir e aos poucos vai experimentando novas ações, novos comportamentos, vai agindo como alguém mais seguro, mesmo quando por dentro ainda tem insegurança, você vai começar a falar diferente, pausar diferente, reagir diferente,

escolher diferente, isso não é fingimento, isso é treino, isso é neuroplasticidade, o teu cérebro mudando ali em ação, tá bom? Então, esse é o convite pra esse episódio, e é claro, gente, essas mudanças, elas não são fáceis, mudar comportamento não é fácil, ainda mais comportamentos tão enraizados, por isso a terapia, ela ajuda demais, essas mudanças não são do dia pro outro, pode ser que você precise de uma ajuda profissional pra isso. No link, aliás, na descrição,

desse episódio, eu sempre deixo um link pra você agendar uma sessão de terapia com uma das psicólogas da minha equipe. Estão super preparadas, capacitadas pra te ajudar a lidar com esses padrões de apego, a mudar a forma como você se relaciona. Mas hoje eu te deixei aqui alguns exercícios, alguns passos que você pode dar, tá bom? Não vai ser fácil, mas eu tenho certeza que vai valer muito a pena você começar a mudar. Você pode começar a mudar hoje mesmo no teu relacionamento. Espero ter te ajudado. Me conta aqui nos comentários se você

perceber o comportamento seu, se existe algo que você já quer começar a colocar em prática, me conta aqui que eu vou adorar saber. Lembra de compartilhar esse episódio, tanto com seu namorado, namorada, cônjuge, com amigas, todo mundo pode se beneficiar desse episódio, eu tenho certeza, porque esses comportamentos do estilo de apego seguro são para todos nós. É isso, gente. Espero que vocês tenham gostado, tenham me acompanhado até aqui. Um beijo e até terça que vem.

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