#286 - Inteligência emocional na prática: Parte 1 | 7 Hábitos que mudam a forma como você reage à vida
.O que faz algumas pessoas conseguirem manter a calma diante de críticas, frustrações e conflitos, enquanto outras reagem no impulso e se deixam dominar pelas emoções? Neste episódio do Psicologia na Prática, você vai descobrir que inteligência emocional não é um dom. É uma habilidade que pode ser aprendida e desenvolvida.
Eu compartilho 7 hábitos práticos que ajudam a fortalecer a inteligência emocional, melhorar a forma como você reage às situações difíceis e construir relacionamentos mais saudáveis.
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- Viver bem e reflexão· SociedadeSentir é automático, agir é escolhido · Emoções intensas alteram a percepção · Não tomar decisões permanentes em emoções temporárias
- Inteligência Emocional· SaudeInteligência emocional não é dom · Habilidades podem ser aprendidas · Falta de ensino sobre emoções
- Nomear emoções· SociedadeGranularidade emocional · Diferenciar emoções · O que não é nomeado é descarregado
- Registros Akáshicos e Perigos da InterpretaçãoCérebro interpreta o tempo inteiro · Sofrimento pela interpretação · O que sei com certeza e o que imagino
E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou Alana Nijá, sou psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano, e eu tô aqui todas as terças-feiras com um novo conteúdo para te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais consciência e saúde emocional. Então, se você tá me assistindo pelo YouTube, já aproveita para curtir esse vídeo, se inscrever no canal E se você tá me ouvindo pelo Spotify ou algum outro streaming, lembra de seguir o podcast e já avaliar com 5 estrelas se você gosta do meu conteúdo.
Porque isso me ajuda muito a chegar a ainda mais pessoas. Então bora parar um minutinho aí, rapidinho, e se inscreve. Porque o episódio de hoje tá muito especial.
Sabe o que eu acho bonito? Quando alguém realmente percebe o outro por inteiro. Prestando atenção em cada detalhe de quem essa pessoa é, dos seus gostos. Tipo aquele detalhe que ninguém mais nota, sabe? Como quando o seu pai comentou de passagem que queria trocar o relógio, ou seu irmão que vive falando de uma mochila do amigo. O presente mais especial não é o mais caro, é aquele que mostra o quanto você conhece, presta atenção e sabe realmente o que vai ser o melhor para aquela pessoa que você ama.
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Como de costume, eu começo te fazendo uma pergunta: você já conheceu alguém que parece manter a calma mesmo nas situações mais difíceis? Essa pessoa não necessariamente ela nunca fica triste ou nunca sente medo, nunca sente raiva, mas essa pessoa ela consegue, ou pelo menos parece conseguir, responder às situações da vida de uma forma diferente. Com mais leveza. Ela recebe uma crítica e consegue refletir antes de reagir. Enfrenta uma frustração sem achar que a vida acabou por conta daquilo.
Passa por um conflito sem perder completamente o controle. Ela consegue dizer não sem sentir que precisa se justificar o tempo todo. Aí a gente olha pra pessoas assim, que são raras, viu? E a gente pensa, nossa, essa pessoa nasceu equilibrada porque ela teve uma família estruturada. Ela tem uma personalidade mais tranquila. O temperamento dela é diferente, eu nunca vou conseguir ser assim. Você já pensou isso em algum momento?
Mas será que isso é verdade? Depois de muitos anos atendendo pacientes, estudando comportamento humano e acompanhando centenas de histórias de transformação, de evolução, de pessoas que mudaram mesmo a forma de lidar com as suas emoções, eu cheguei numa conclusão: a maioria das pessoas emocionalmente inteligentes não nasceu assim. Eles aprenderam habilidades que talvez ninguém tenha ensinado para você. Isso muda completamente a forma da gente enxergar e falar sobre esse assunto, que eu sei que já é bastante falado, mas nunca é o suficiente, tá?
Porque quando a gente fala em inteligência emocional, muita gente pensa que a gente tá falando, como eu disse ali, né, de um dom, de um talento, de uma personalidade, como se algumas pessoas tivessem simplesmente recebido esse presente do alto e outras não. Mas a inteligência emocional não funciona assim. Ela é composta por habilidades. E habilidades, elas podem ser aprendidas. O problema é que quase ninguém ensina pra gente isso.
Na escola, a gente aprende sobre matemática, português, história, geografia. A gente aprende fórmulas, né, datas, regras gramaticais. Só que quase ninguém nos ensina como lidar com uma rejeição, como enfrentar uma frustração, como regular a ansiedade, como conversar durante um conflito, como se defender, como reconhecer as próprias emoções, como colocar limites, como lidar com as críticas sem desmoronar. A gente vê hoje, né, tantos relatos sobre bullying, como o bullying ele afeta a saúde mental de crianças, adolescentes.
E ainda bem que as escolas elas têm se conscientizado mais sobre isso. Eu tenho visto, né, cada vez mais esse assunto sendo difundido com as crianças. Mas na minha época, eu tenho certeza que na sua Era muito raro. Então, esse tipo de ensino não acontecia. E depois a gente se surpreende quando a gente se torna adulto e a gente é inteligente e sabe um monte de coisas sobre vários assuntos, várias matérias, mas não sobre as nossas emoções.
Então, nós podemos nos tornar adultos competentes, bem-sucedidos profissionalmente, mas mesmo assim continuar sofrendo profundamente nos nossos relacionamentos, na nossa autoestima, na forma como a gente lida com a nossa vida. Porque inteligência emocional, ela não fala de uma falta de capacidade, ela tá falando ali, costuma falar de uma falta de aprendizado. E talvez você esteja ouvindo esse episódio justamente porque você deseja isso.
Talvez você tá cansado de agir por impulso, de responder mensagem no calor da emoção, depois se arrepender, de levar tudo para o lado pessoal, de deixar que qualquer comentário ou crítica estrague o teu dia. De explodir quando tá sobrecarregado, ou então de ficar engolindo tudo até não aguentar mais. Talvez você que tá me ouvindo queira se tornar uma pessoa emocionalmente mais equilibrada. E não porque você precisa deixar de sentir as suas emoções, mas porque você quer parar de ser controlado por elas.
Então eu tenho uma boa notícia para te dar hoje: isso é muito possível. E a neurociência mostra que o nosso cérebro, ele continua aprendendo ao longo da vida. A psicologia, ela mostra que comportamentos podem ser modificados. E a prática clínica, ela me mostra isso na prática. Eu vejo pessoas todos os dias conseguindo desenvolver formas muito mais saudáveis de lidar com as próprias emoções. Inclusive, fica a dica que faça terapia, que vai te ajudar muito a desenvolver essas habilidades que você não aprendeu lá na sua infância.
E aí tem um detalhe importante aqui: a inteligência emocional não se desenvolve só entendendo o que você deveria fazer. Ela se desenvolve praticando novas formas de responder às situações da vida. E é por isso que hoje eu não quero fazer um episódio só explicando o conceito, até porque provavelmente você já sabe, já ouviu falar diversas vezes sobre o conceito da inteligência emocional. Mas eu quero compartilhar 7 hábitos de pessoas emocionalmente inteligentes e como que elas desenvolvem isso no dia a dia.
Então a gente vai falar de 7 habilidades que você pode começar a treinar na tua rotina hoje mesmo. Porque inteligência emocional não só aparece em grandes acontecimentos da nossa vida, ela aparece nos pequenos detalhes, pequenas situações do cotidiano, na forma como a gente responde a uma crítica, na maneira como a gente conversa durante um conflito, na decisão de respirar antes de responder, na coragem de colocar um limite, na capacidade de tolerar um desconforto sem agir impulsivamente, Então são nesses pequenos comportamentos repetidos ao longo do tempo que vão construindo uma pessoa emocionalmente mais madura.
E eu quero que no final desse episódio você não só entenda melhor esse conceito, mas que você possa sair daqui com ferramentas práticas para começar a desenvolver essa habilidade na tua própria vida. Então, antes da gente entrar nos 7 hábitos, só quero desfazer alguns mitos aqui rapidinho, tá? Porque muita gente passa a vida inteira tentando desenvolver inteligência emocional sem saber exatamente o que significa. E o primeiro mito, que eu até já falei um pouquinho aqui, mas é você acreditar que ser inteligente emocionalmente significa nunca sentir emoções difíceis.
Como se pessoas equilibradas elas não sentissem ansiedade, não sentissem raiva, nunca chorassem, nunca ficassem frustradas. Gente, isso não existe. Sentir emoções difíceis faz parte da experiência humana. Aliás, se você deixar de sentir tristeza, provavelmente também vai deixar de sentir alegria, vai deixar de sentir medo. Se você começa, ah, então eu não quero mais sentir medo, você vai ter que parar de correr riscos, né? Por exemplo, parar de fazer coisas que são importantes para você.
As emoções, elas não são um problema, elas são informações, elas comunicam as nossas necessidades, elas chamam a nossa atenção para aquilo que é importante. Então o problema não é sentir, o problema é quando toda emoção passa a comandar o nosso comportamento. Então imagina que alguém faz uma crítica no teu trabalho, você sente raiva Isso é humano. A pergunta não é: ah, eu deveria sentir raiva ou não? Mas é: o que que eu faço com essa raiva?
Você vai responder impulsivamente? Vai atacar outra pessoa? Vai ser agressivo? Vai guardar aquilo por semanas? Ou então você vai conseguir fazer uma pausa, compreender o que que você tá sentindo, escolher uma resposta mais saudável? E é justamente aí que entra inteligência emocional. Ela não vai eliminar as emoções, mas ela vai ampliar as nossas escolhas. Talvez essa seja uma das definições que eu mais gosto. É essa capacidade que a gente tem de aumentar o espaço entre aquilo que a gente sente e aquilo que a gente faz.
Isso aqui é chave, porque quanto menor esse espaço for, mais impulsiva tende a ser a nossa vida. Quanto maior esse espaço, maior costuma ser a nossa liberdade. Existe uma frase atribuída ao psiquiatra Viktor Frankl que resumir isso de uma forma muito bonita. Ele fala que entre o estímulo e a resposta existe um espaço, e nesse espaço tá a nossa liberdade de escolher como responder. E é exatamente esse espaço que a gente vai aprender a fortalecer.
E o primeiro hábito começa justamente aqui. Você já deve ter ouvido muito falar disso, mas eu quero que você desenvolva esse hábito no teu dia a dia. O primeiro deles é aprender a dar nome ao que você sente. Isso é um hábito que pessoas emocionalmente inteligentes fazem de forma simples, mas que é muito difícil para quem não tem ainda o costume. Ele é muito mais poderoso do que parece, tá? Você precisa aprender a dar nome para suas emoções.
Aí talvez você pensa, mas isso faz tanta diferença assim? E faz muita, tá? A maioria das pessoas não sabe exatamente o que tá sentindo. Elas só sabem, ah, eu tô mal, eu não tô legal hoje. E aí você pergunta, mas o que aconteceu? Ah, sei lá. Mas o que você tá pensando? Ai, não sei. Sei lá, tô estranho, tô irritado, tô péssimo. Mas quando a gente começa a investigar melhor, a gente percebe que esse estar mal pode significar dezenas de coisas diferentes.
Pode ser vergonha, culpa, frustração, medo, raiva, rejeição, decepção, insegurança, impotência. Então, quanto mais genérico é o nosso vocabulário emocional, mais difícil fica de responder a essas emoções. Tem um conceito muito interessante estudado na psicologia chamado granularidade emocional. Ele mostra que pessoas capazes de identificar emoções com mais precisão costumam regular essas emoções melhor, porque quando você consegue diferenciar tristeza de decepção, frustração de vergonha, ansiedade de medo, você passa a entender melhor do que realmente você precisa.
Então imagina uma criança pequena que sente um desconforto, ela ainda não sabe identificar o que que é. Eu tenho até uma situação do meu filho, o meu filho mais velho, Benjamin, de 4 anos. Todo dia, quando ele, assim, praticamente todo dia, final da escola, ele chega em casa cansado, aí vai chegando a hora de tomar banho ali pelas 7 da noite, ele já tá assim no auge do cansaço. E todos os dias ele me fala: Mamãe, eu tô triste.
Eu falo: triste por quê, filho? E aí ele fica falando um monte de coisa que eu sei que não é tristeza. Eu já entendi que quando ele fala: mamãe, eu tô triste, ele tá muito cansado. E aí ele começa a se sentir angustiado, irritado, ele começa a ficar, né, com aquele desconforto. E ele acha que aquilo é tristeza. Então tudo ele fala que tá triste. E aí eu tô ensinando pra ele: filho, você não tá triste, isso não é um motivo de tristeza, você está cansado.
Quando a gente tá cansado, a gente fica meio Irritado, nada tá bom. E a gente precisa fazer o quê? Descansar. Então agora não é hora de pensar sobre esse monte de motivo que você me falou aqui. Você precisa descansar o seu corpinho. E amanhã, quando você pensar sobre essas coisas, você vai ver que não é motivo pra ficar chateado. Então ali eu já tô ensinando pra ele a diferenciar as emoções e a atender essas emoções, dando pra si mesmo aquilo que a gente precisa.
Às vezes é um descanso pro nosso corpo, às vezes a gente tá com fome. Será que a gente tá cansado? Será que a gente tá com frio, com dor? A gente vai precisar fazer essa investigação mesmo na vida adulta. E aí, ao invés de simplesmente chorar igual ele faz, né, naquele momento ali— eu mesma tenho vontade de chorar às vezes de tão cansada, então eu entendo ele— mas ao invés de chorar, de explodir, eu preciso, como adulta, perceber, nomear e me dar aquilo que eu preciso.
Não ficar descontando na comida, nas redes sociais, no trabalho, ou então nas pessoas que eu amo. E eu gosto muito de uma frase que resume isso tudo que a gente tá falando: aquilo que não é nomeado costuma ser descarregado. Anota isso aí: o que não é nomeado vai ser descarregado em algum lugar. Então, quando você não identifica a emoção, ela encontra outro caminho para aparecer. Por isso eu quero propor um exercício muito simples para você.
Da próxima vez que você perceber que o teu humor mudou, não pergunta só Ah, o que que aconteceu? Você pode se perguntar o que que exatamente eu tô sentindo agora. Se você precisar, vai eliminando as possibilidades ali. É que nem com bebezinho recém-nascido, gente. Ele tá chorando e aí eu sempre penso em 3 coisas: ele tá alimentado? Tá com sono? A fralda tá cheia? Que é bem exemplo de mãe, né? Porque é isso que eu vivo, gente, 3 filhos pequenos.
Mas assim, se eu vou eliminando sempre alguma dessas 3 coisas, e aí a hora que eu descubro, eu vou lá e atendo. Se é sono, eu dou sono, dou fornecesse o sono para ele. Se é fome, forneça o alimento. Se é fralda, a gente limpa. E para a gente também, será que eu tô com medo? Eu tô com raiva? Tô com vergonha? Tô com inveja? Tô com solidão? Culpa? Às vezes eu chego para o meu marido, tô irritada com ele, nem sei por quê. Aí ontem mesmo eu perguntei para ele, eu tô irritada contigo, o que que aconteceu?
Aí eu vou eliminando. Ah, tá, lembrei, porque tu falou aquilo lá. Aí a gente vai e resolve. Então assim, a gente precisa se investigar. Quanto mais específico você consegue ser, mais fácil você consegue responder essa emoção, porque emoções diferentes pedem respostas diferentes, tá bom? A culpa pede uma conversa, ansiedade pede desaceleração, a frustração vai pedir flexibilidade, o medo pede coragem. Mas tudo isso começa com uma habilidade simples, que é dar nome ao que você sente.
Esse é o primeiro hábito que a gente falou aqui. E aí o segundo hábito é Você criar um espaço entre sentir e agir. Eu tô pensando aqui que talvez eu vou ter que fazer esse episódio em duas partes, tá? Porque os 7 hábitos vão ficar meio longo aqui. Mas vamos lá, vamos pro segundo hábito. Se você tá anotando aí, agora eu quero falar sobre aquele que talvez seja o hábito mais importante de todos, de verdade, tá? Porque pessoas emocionalmente inteligentes, elas aprendem a criar um espaço entre sentir e agir.
Lembra que eu falei isso antes, né? Porque o sentir, ele é automático, mas o agir, ele pode ser escolhido. E essa diferença muda completamente a nossa vida. Pensa em uma situação corriqueira: você recebe uma mensagem meio atravessada de alguém, aí na hora você sente raiva, teu coração acelera, tua mente começa a criar respostas, você digita, apaga, digita de novo, tá pronto para enviar, e aí decide esperar, vai tomar um banho, ou então sai para caminhar um pouco.
E aí quando você volta ali umas horas depois Você lê novamente aquela conversa e aí você percebe que responder daquela forma que você queria provavelmente vai criar um problema muito maior. O que que mudou? A situação continua a mesma, a emoção talvez tenha mudado um pouco, mas principalmente o que mudou foi o espaço entre a emoção e a tua resposta. A maioria dos nossos arrependimentos emocionais acontece porque esse espaço é muito pequeno.
A gente sente, reage, sente, responde, sente, decide. Tudo em poucos segundos, poucos minutos. Mas pessoas equilibradas emocionalmente, elas treinam justamente a habilidade de ampliar esse intervalo. Eu sempre falo isso pro meu marido quando a gente tá num momento ali, ai, no calor do momento tem que tomar uma decisão, ou então a gente precisa dar uma resposta pra alguém, recebeu uma notícia, tá chateado, eu falo, calma, respira.
Vamos dar um tempo, porque esse tempo geralmente faz com que a gente consiga agir com mais sabedoria. Então, pessoas equilibradas emocionalmente, elas sabem que emoções intensas alteram a nossa percepção. Anota isso aí: emoções intensas alteram a minha percepção da vida. Quando a gente tá muito ansioso, o futuro parece muito mais ameaçador do que realmente é. Quando a gente tá muito irritado, as pessoas parecem muito piores do que elas realmente são.
Já teve esse momento aí que você brigou com alguém, você tava muito brava, aí você vai desabafar contra a pessoa, e aí você pinta aquela pessoa que te irritou ali, ou te decepcionou, te machucou, como a pior pessoa do mundo, porque você tá vendo com uma lente de irritação, de frustração, de mágoa. Aí depois, quando passa, você olha e fala, poxa, mas não é bem assim, a pessoa também faz coisas boas, ela também acerta. Isso acontece muito em marido e mulher, por isso não se meta em briga de marido e mulher.
Você vai tomar a mágoa de um, depois eles fazem as pazes, e aí se contra você, porque na hora da briga, na hora da irritação, a gente vê as coisas distorcidas. Qualquer gesto pode parecer uma confirmação de um abandono quando a gente tá muito magoado. E se a gente toma decisões importantes nesses momentos, a chance de arrependimento aumenta muito. Por isso eu gosto de uma regra bem simples, mas que ajuda muito, tá? Nunca tomar decisões permanentes durante emoções temporárias.
Não tome decisões permanentes em emoções que são temporárias. Numa briga de casal, não arruma tuas roupas no calor da briga do momento, arruma as roupas na mala e sai de casa. Você vai se arrepender depois e só vai ter que desfazer uma mala, entendeu? É melhor você deixar tuas roupas lá no armário, você sair para dar uma caminhada, para respirar, e aí depois você voltar e vocês conversam. E geralmente as coisas se resolvem muito melhor quando a gente dá um espaço.
Se você tá muito irritado, espera. Se você tá muito ansiosa, espera. Se você acabou de receber uma notícia muito difícil, respira fundo, espera. Isso não significa fugir nem evitar problemas, significa apenas que você vai reconhecer que o teu cérebro, ele talvez não esteja no melhor momento ali para decidir alguma coisa naquela hora. Então criar esse espaço É muito simples. Você vai respirar profundamente algumas vezes, vai dar uma volta, vai escrever ali talvez essa mensagem que você queria tanto mandar.
Você pode escrever nas tuas notas e aí você vai deixar para amanhã. Dorme uma noite aí, conversa com alguém de confiança, que geralmente é alguém que te dá bons conselhos, antes de você falar qualquer coisa, de tomar qualquer decisão. Qualquer estratégia que possa te permitir diminuir a intensidade daquela emoção antes de você agir. Porque uma das maiores demonstrações de inteligência emocional não é controlar tudo que você sente, presta atenção nisso, mas é você escolher não agir imediatamente sobre o que você sente, tá?
Então esse é o segundo hábito importantíssimo que você pode começar a colocar em prática hoje mesmo. E antes de eu compartilhar o próximo hábito, eu quero te fazer um convite bem rapidinho. Se você é ouvinte aqui do Psicologia na Prática e ainda não me acompanha no Instagram, me procura por lá. O meu arroba é @alananijar. Todos os dias eu tô lá compartilhando um pouco de saúde mental, de inteligência emocional, conteúdo sobre relacionamento, autoconhecimento.
E tudo isso complementa o que a gente conversa aqui no podcast. Inclusive, se esse episódio tá fazendo sentido pra você até aqui, eu tenho certeza que você vai encontrar por lá reflexões e mais ferramentas pra continuar desenvolvendo a tua inteligência emocional no dia a dia. Então me segue lá, @alananijar. Você vai ver também bastante crianças fofinhas, meu dia a dia lá de maternidade e tudo mais. Eu vou adorar te ter por lá também.
E agora a gente vai para um hábito que vai ser o último desse episódio de hoje. E aí, se vocês gostarem muito e comentarem muito, aí eu vou fazer a parte 2 na semana que vem com os outros 4 hábitos, tá? Nosso episódio já tá com 21 minutinhos. Geralmente a gente vai aí até no máximo 30, então vai ficar um tempo bom. E aí, se vocês gostarem muito, a gente continua essa série com os próximos hábitos na semana que vem. Então tá, vamos falar sobre o terceiro hábito, tá?
Esse aqui, anota aí, respira fundo comigo. Aprenda a diferenciar fatos de interpretações. Eu falo sobre isso bastante, tá? Esse hábito talvez é um dos maiores responsáveis por reduzir a ansiedade, reduzir conflitos e o nosso sofrimento emocional de forma geral. Pessoas emocionalmente inteligentes, elas aprendem a separar os fatos das interpretações. Isso pode parecer uma diferença pequena, né, mas muda completamente a forma como a gente enxerga a vida.
Porque o nosso cérebro, ele interpreta o tempo inteiro, a gente faz julgamentos o tempo inteiro. E ele não só registra os acontecimentos, ele vai criando histórias sobre esses acontecimentos. Então vamos imaginar uma situação muito comum aqui: você manda uma mensagem para alguém, essa pessoa é uma pessoa importante para você, Ela visualiza a mensagem e passou um dia já, ela ainda não te respondeu. E aí, o que acontece? Qual é o fato?
O fato é simples: ela visualizou, provavelmente, né, e ainda não te respondeu. Já passou um dia, é isso que aconteceu. Agora, observa o que a nossa mente costuma fazer: nossa, essa pessoa, ela tá nem aí para mim, passou um dia inteiro, ela não me respondeu, né? Eu falei alguma coisa errada aqui nessa mensagem, ou ela tá chateada comigo, Ou ela não se importa comigo, ela não gosta mais de mim, ela tá me ignorando, percebe? Nada disso é um fato concreto, tudo isso são interpretações, hipóteses, suposições, histórias que a nossa mente cria para preencher uma informação que ela ainda não tem.
E o curioso é que geralmente a gente acredita muito nessas histórias como se elas fossem verdade, e aí a gente vai se enrolando. Na terapia cognitivo-comportamental a gente fala muito sobre isso, você se escuta toda semana já ouviu falando, que a gente não sofre só por aquilo que acontece com a gente, pelos acontecimentos. A gente sofre principalmente pela interpretação que a gente faz deles. Então imagina duas pessoas recebendo exatamente a mesma crítica.
Uma pessoa, ela pode pensar: ah, eu sou incompetente. Enquanto a outra, ela tem um pensamento diferente, ela pensa: talvez Tem alguma coisa aqui que eu possa melhorar? A crítica foi a mesma, mas a experiência emocional foi completamente diferente, porque o significado atribuído é diferente. Eu quero te ensinar uma pergunta que pode transformar as situações da tua vida. Sempre que perceber uma emoção muito intensa, você se pergunta: o que eu sei com certeza e o que eu tô apenas imaginando?
Essa pergunta, ela salva vidas, tá? Então você se pergunta, tá, peraí, o que que eu sei com certeza nisso aqui e o que que eu tô só imaginando? Essa pergunta ela vai interromper o piloto automático da nossa mente, ela vai criar espaço para realidade, porque muitas vezes a gente passa horas sofrendo por histórias que nunca aconteceram. A inteligência emocional ela não vai eliminar interpretações, mas ela vai nos ensinar a questionar antes de transformar em verdades.
Tá? Então isso aqui é muito, muito, muito importante que você tenha em mente. Então eu vou, para a gente fechar esse episódio hoje, eu vou resumir aqui para você esses 3 hábitos que a gente falou, para que você possa sair daqui assim com isso bem fresco na tua cabeça. Porque se eu te falar todos os 7 hábitos, vai ser tanta coisa que não vai dar nem para aplicar. Então primeiro de tudo, a gente falou sobre você aprender a nomear as emoções.
Então sai daqui hoje e começa a dar nome. Ah, então agora eu tô sentindo cansada, agora eu tô me sentindo um pouco sobrecarregada, eu tô sentindo um pouco triste, eu tô sentindo decepcionada. Seja o que for, você vai começar a registrar. Você pode escrever, você pode começar a investigar esses sentimentos, como que você sente essas sensações no corpo e o que que você precisa se dar para se ajudar nesse processo desses sentimentos que você tá tendo.
Tá bom? O segundo hábito que a gente falou aqui é de aumentar o espaço entre o meu sentimento e a minha ação. Então eu começo a sentir, a nomear os meus sentimentos, e agora eu vou aprender a dar um espaço. Espera antes de agir, espera, faça coisas que te ajuda a diminuir a intensidade emocional, e aí você escolhe com mais sabedoria como você vai agir. E o terceiro hábito que a gente falou é começar a se perguntar então quais desses pensamentos que você tá tendo são verdades absolutas, o que eu sei com certeza que é real, e o que eu tô só imaginando e que não vai me ajudar em nada.
Então, com esses 3 hábitos, eu tenho certeza que você já vai estar aí, ó, metade do caminho para se tornar uma pessoa muito mais equilibrada, que vive com muito mais clareza, leveza. E isso vai melhorar os seus relacionamentos, a forma como você se relaciona com os outros e com você mesmo. Então, se você deseja saber os próximos hábitos de uma pessoa inteligente emocionalmente, deixa o teu comentário aqui, o teu pedido, que a gente vai continuar.
E me conta qual desses 3 hábitos você vai começar a colocar em prática ainda essa semana, tá bom? Um beijo, minha gente, a gente se vê na próxima semana. E até lá!
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