Episódios de Psicologia na Prática

#285 - 6 Comportamentos que estão destruindo sua saúde mental sem você perceber

28 de julho de 202628min
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Você faz terapia, tenta descansar, busca se cuidar… mas continua emocionalmente exausto?

Talvez o problema não seja apenas a falta de autocuidado. Talvez existam comportamentos aparentemente normais que estão drenando sua saúde mental todos os dias sem que você perceba.

Neste episódio do Psicologia na Prática, eu compartilho 6 comportamentos silenciosos que podem estar roubando sua energia emocional, aumentando sua ansiedade e deixando sua mente constantemente sobrecarregada.

Vamos falar sobre o impacto de evitar conversas difíceis, transformar tudo em algo pessoal, conviver com pessoas emocionalmente caóticas sem limites, estar disponível o tempo todo, tomar decisões importantes no auge das emoções e viver guiado apenas pelo humor em vez dos seus valores.

Se você tem sentido que está sempre cansado, irritado, sobrecarregado ou sem energia para aquilo que realmente importa, este episódio pode te ajudar a identificar hábitos invisíveis que estão prejudicando sua saúde mental e mostrar caminhos mais saudáveis para construir uma vida com mais equilíbrio emocional.

Porque cuidar da saúde mental não é apenas adicionar novos hábitos. Muitas vezes, é parar de repetir comportamentos que estão te desgastando todos os dias.

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Participantes neste episódio1
A

Alana Nijá

HostPsicóloga
Assuntos6
  • O papel do humor e da brincadeiraValores como direção e princípios · Coerência interna · Maturidade Emocional
  • Evitar envolvimento com polêmicasCusto emocional de evitar conflitos · Comunicação de necessidades e limites
  • Tomada de Decisão e EmoçõesImpacto das emoções na percepção · Espaço entre sentir e agir · Proteção das escolhas emocionais
  • Transformação PessoalHipervigilância emocional · Distorção cognitiva: personalização · Ansiedade e incerteza
  • Superação da instabilidade emocionalHigiene emocional · Contágio emocional · Estabelecimento de limites
  • Viver o hoje intensamenteSobrecarga de conectividade · Necessidade de pausas e desconexão · Corpo parado, mente trabalhando
Transcrição5 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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ANAlana Nijá

E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou Alana Nijá, sou psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano, e eu tô aqui todas as terças-feiras com um novo conteúdo para te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais consciência emocional, mais saúde mental. Se você tá me assistindo pelo YouTube, você já sabe aí, aproveita pra curtir esse vídeo e se inscreve no meu canal pra que você possa receber sempre os novos conteúdos que saem por aqui.

E se você tá me ouvindo pelo Spotify ou algum outro streaming, lembre de seguir o podcast, avalia aí com 5 estrelas. Isso me ajuda muito pra que esse conteúdo possa chegar a mais pessoas. E agora eu quero começar esse episódio te fazendo uma pergunta, tá? Você já teve a sensação de estar cansado Sem entender exatamente por quê. Não necessariamente um cansaço físico, mas um cansaço mental, um peso, uma exaustão emocional. Como se a tua mente estivesse constantemente ocupada o tempo todo por dentro.

Mesmo nos dias em que aparentemente nada tão grave aconteceu, você acorda cansado, passa o dia resolvendo pequenas coisas, lida com mensagens, com compromissos, responsabilidades. Problemas dos outros. E quando finalmente chega aquele momento, né, de fazer algo importante para você, você não tem energia. E aí muita gente conclui a partir disso: ah, eu preciso descansar mais, eu preciso dormir melhor, eu preciso tirar férias. E claro que essas coisas são importantes e pode ajudar, mas existe uma possibilidade que poucas pessoas consideram.

Talvez o teu desgaste emocional não esteja vindo daquilo que dos pais, mas esteja vindo dos comportamentos que são aparentemente normais, mas estão drenando a tua energia todos os dias. Existem comportamentos que a gente repete sem perceber, que parecem inofensivos, mas que, embora até pareçam uma maturidade, na prática eles estão consumindo a nossa saúde mental aos poucos. E hoje eu quero conversar sobre 6 desses comportamentos, porque muitas vezes cuidar da saúde mental não é só adicionar novos Mas é identificar aquilo que já tá te machucando, drenando a tua energia, e parar de repetir. Oi, pessoal!

?Voz C

Esse episódio de Psicologia na Prática é um oferecimento de Dove e da nova linha Dove Sabonete Sérum. E já que o tema de hoje é sobre aqueles comportamentos que a gente repete mesmo quando quer mudar, eu queria trazer uma reflexão. Muitas vezes a gente acha que precisa transformar tudo de uma vez, né? Mas na prática, as mudanças costumam acontecer nos pequenos hábitos do dia a dia. E o autocuidado, pra mim, mora justamente aí, em transformar momentos comuns da rotina em experiências mais gostosas e intencionais.

E o banho, por exemplo, pode ser um ótimo momento pra isso. O autocuidado, ele pode estar nos pequenos momentos em silêncio, ouvindo um som no banho, ou até no seu sabonete. A nova linha Dove Sabonete Sérum traz ingredientes que a gente já conhece do skincare facial diretamente para o cuidado corporal. A linha conta com várias versões para cada tipo de necessidade da pele: ácido hialurônico para hidratação intensa, niacinamida para uma pele mais uniforme, ácido salicílico para reduzir e prevenir acne, retinol para mais firmeza e vitamina C para uma pele com mais glow desde o primeiro uso.

O mais interessante é que a nova linha Dove Sabonete Sérum Une tecnologia de limpeza suave e ingredientes inspirados no skincare, criando uma experiência sensorial muito gostosa, deixando a pele hidratada, macia e radiante desde o primeiro uso. Enquanto você cuida da sua cabeça, Dove Sabonete Sérum cuida da pele do seu corpo. Ah, e a linha foi desenvolvida em parceria com dermatologistas e é clinicamente testada. Escaneie o QR code e conheça a linha completa.

ANAlana Nijá

Banho de skincare é banho Dove. Então, o primeiro comportamento que eu quero começar falando com vocês, e que é extremamente comum, talvez um dos mais caros emocionalmente: evitar conversas difíceis. Muita gente acredita que proteger a saúde mental significa evitar conflitos, evitar confrontos, desconfortos, situações desagradáveis. Mas sabe o que acontece na prática? A conversa que você evita continua acontecendo dentro da sua cabeça.

Você não tá falando com a pessoa, mas você tá pensando. Você não resolve, mas rumina aquilo. Você não tá tendo a conversa que você precisava ter, mas fica criando um monte de diários imaginários na sua cabeça. Talvez você já tenha vivido isso. Então alguém te magoa, você fica chateado, mas decide não falar nada porque não quer criar um problema ali. Você não quer parecer difícil, não quer gerar um conflito, só que, gente, aquela situação continua ocupando espaço na tua mente.

Você toma banho pensando nela, você dirige pensando nela, vai trabalhar pensando nela, vai dormir pensando nela, e sem perceber tá gastando energia emocional que não precisava todos os dias. Existe algo que eu aprendi ao longo dos anos atendendo as pessoas, que é: muitos sofrimentos emocionais não são produzidos pelo conflito. São produzidos pela tentativa constante de evitar o conflito, porque evitar uma conversa difícil costuma gerar ressentimento, ansiedade, frustração, um afastamento emocional, uma sensação permanente de uma pendência ali que não é resolvida.

O teu cérebro continua tentando resolver aquilo que ficou aberto. Uma única aba ali aberta não faz tanta diferença, mas imagina só 50 abas abertas. Deixa qualquer computador, por melhor que seja, lento, né? E a nossa mente funciona de uma forma parecida. Por isso que eu gosto de uma pergunta muito simples: existe alguma conversa que tá acontecendo na tua cabeça há semanas, mas que ainda não aconteceu na vida real? Porque talvez essa conversa ela esteja custando muito mais energia do que você imagina por ela não acontecer.

Às vezes 15 minutos de desconforto Poderiam evitar meses de um sofrimento psicológico. E isso não significa sair brigando com todo mundo, significa aprender a expressar necessidades, colocar limites, comunicar desconfortos, sustentar a maturidade emocional de lidar com o que pode vir depois disso. Às vezes você tá evitando ter uma conversa com o namorado porque, ah, mas vai, eu acho que pode acabar terminando, ele não vai gostar, isso vai causar uma briga e eu não sei o que que vai acontecer.

Você precisa enfrentar, você precisa ter a capacidade de lidar com esse conflito de uma forma saudável. Eu tenho até um outro episódio falado, acho que se chama Como Ter Conversas Difíceis, você pode procurar e ouvir depois, porque eu falo especialmente sobre esse primeiro ponto que eu tô falando aqui com vocês, tá? Então a gente precisa ter a capacidade de lidar com esses conflitos de forma saudável. Aí, antes de eu compartilhar o próximo comportamento, quero te fazer um convite rápido, tá?

Se você é ouvinte do Psicologia na Prática. Ainda não me acompanha lá no Instagram, me procura lá, é @alanaanjá. Todo dia eu compartilho conteúdos lá sobre saúde mental, inteligência emocional, relacionamentos, autoconhecimento. Tem muito a ver e complementa muito do que a gente fala aqui no podcast. Inclusive, se esse episódio tá fazendo sentido para você até aqui, eu tenho certeza de que você vai encontrar reflexões, ferramentas práticas por lá para continuar se aprofundando no seu dia a dia.

Então me segue lá, @alanaanijá. E agora a gente vai para o próximo comportamento que pode estar prejudicando a tua saúde mental sem que você perceba. Eu vou tomar um golinho de água, você também aí dá uma respirada, porque agora a gente vai para o comportamento 2. Se você tá anotando, anota aí: transformar tudo em algo pessoal. Isso aqui é terrível. Esse comportamento é muito comum, principalmente em pessoas ansiosas, e é extremamente desgastante.

É um hábito de transformar tudo em algo pessoal. Alguém demora para responder, você pensa: fiz uma coisa errada. Alguém muda o tom de voz, você pensa: tá bravo comigo. Alguém parece distante: tem algo errado comigo. E aí, sem perceber, você se torna o centro explicativo de tudo que acontece ao teu redor. E isso cria uma hipervigilância emocional. Você passa o dia monitorando sinais, interpretando comportamentos. Tentando adivinhar as intenções do outro, buscando pistas, como se você tivesse permanentemente tentando descobrir o que que os outros pensam de você.

Isso é muito cansativo, gente, porque a verdade é que a maioria das pessoas tá ocupada demais tentando lidar com a própria vida. E às vezes a pessoa demorou para responder porque tava ocupada, às vezes ela tá preocupada com alguma questão, às vezes ela tá cansada, por isso que ela tá parecendo meio distante. Às vezes ela tá vendo algo que não tem absolutamente nada a ver com você, mas quando a gente desenvolve o hábito de personalizar tudo, qualquer comportamento vira uma ameaça.

Eu já contei aqui, acho que em outro episódio, que o meu marido tinha um hábito, às vezes ainda escapa, mas ele tava dirigindo, por exemplo, e alguém cortava ele no trânsito e ele falava assim, essa pessoa tá me fazendo de palhaço. Fala assim, ela não tá te fazendo de palhaço, ela nem te conhece. Às vezes ela cortou, ela nem viu. Eu sou mó distraída, corto um monte de gente no trânsito. Não porque eu tô querendo fazer chamar alguém de palhaço.

E pensar que tem alguém querendo fazer ele de palhaço é uma coisa que drena energia dele, faz ele ficar muito mais bravo do que precisava. E aí a gente foi conversando sobre isso, né? Porque essas interpretações de tornar as coisas pessoais que não são pessoais, que não precisam necessariamente ser— eu até prefiro, às vezes pode até ser pessoal, eu prefiro pensar que não foi, porque não vai fazer diferença para mim e vai me fazer pior.

Então, viver nesse estado constante de ameaça é muito exaustivo para o nosso cérebro. Existe um conceito bem importante na terapia cognitivo-comportamental que é chamado personalização. É uma distorção cognitiva, é quando a gente assume a responsabilidade por coisas que talvez nem tenham a ver com a gente. E quanto mais ansiosos nós estamos, mais nós temos a tendência de fazer isso. Porque a ansiedade, gente, ela odeia a incerteza.

Ela prefere criar uma explicação dolorosa do que conviver com uma dúvida. Então, em vez de pensar, bom, não sei o que que tá acontecendo, a mente ela prefere entender que é culpa dela. E o curioso é que isso parece uma tentativa de controle, né? Porque se o problema sou eu, talvez eu consiga consertar, talvez eu consiga mudar, talvez eu consiga agradar mais. Talvez eu consiga evitar que aconteça de novo, mas o preço disso é muito grande, tá?

Você vai passar a vida inteira carregando um monte de responsabilidade emocional que não é sua. E uma das formas mais importantes aqui de você proteger a tua saúde mental é você aprender a se questionar: eu tenho evidências de que isso é sobre mim ou eu tô supondo? Porque nem todo silêncio vai ser rejeição, nem toda distância é abandono. Nem toda mudança de humor do outro tem relação com a gente. E quando a gente aprende a diferenciar o que é nosso daquilo que é do outro, a nossa mente descansa tanto.

Nossa vida fica mais leve. Esse descanso emocional traz muita saúde mental. E aí a gente vai para o terceiro comportamento. Se você tá anotando, bota aí: conviver com pessoas emocionalmente caóticas, sem limites. Esse é um dos temas menos falados quando a gente fala sobre saúde mental, mas eu acho que é um dos mais importantes, porque a gente fala muito sobre uma alimentação saudável, sobre atividade física, sobre terapia, mas a gente fala pouco sobre higiene emocional.

A gente fala da higiene do sono, vou botar aqui esse termo higiene emocional, porque ela também, isso envolve você observar quem tem acesso constante à sua mente. Tem pessoas que vivem permanentemente num estado de caos, de crise. Tudo é um problema, tudo é um drama, tudo é um conflito. Você conhece alguém assim? Tudo muito intenso, tudo exige uma atenção imediata. E assim, não quero que vocês entendam errado, tá? Eu não tô falando de pessoas que estão passando por momentos difíceis, porque todo mundo passa, tá?

Todo mundo tem uma fase difícil. Eu tô falando de pessoas que transformam o caos no estilo de vida. Eu já conheci pessoas assim, com certeza você conhece pessoas assim. Tem pessoas que vivem num estado permanente de emergência emocional. E quando a gente convive diariamente com esse padrão, o nosso sistema nervoso começa a funcionar no mesmo ritmo. Você começa lá o dia tranquilo, mas aí recebe uma ligação daquela pessoa, uma mensagem, uma conversa, e aí de repente você tá todo acelerado, teu corpo tá ansioso, você nem sabe exatamente o que aconteceu, mas você sente o peso, sente o desgaste, sente a tensão.

Porque as emoções, gente, elas são mais contagiosas que doenças, mais contagiosas do que a gripe nesse inverno são as emoções. Elas impactam, influenciam, contagiam para o bem ou para o mal. E a gente regula o nosso estado emocional muitas vezes através das relações, tá? É por isso que alguns ambientes nos energizam, nos deixam para cima, felizes. E tem outros ambientes que nos esgotam, que nos sugam. Tem algumas conversas que nos deixam mais leves, não é?

E tem outras que nos deixam drenados. Tem pessoas que a gente convive que nos aproximam da nossa melhor versão e tem outras que nos colocam no nosso pior estado, tá? Então a saúde mental também passa pela coragem de reconhecer isso. Nem toda crise precisa ser tua responsabilidade, nem todo problema precisa ser compartilhado, resolvido com você, nem toda pessoa precisa ter um acesso ilimitado à tua energia emocional. Eu não tô falando aqui para você cortar todos os relacionamentos difíceis da sua vida, porque como eu falei, as pessoas são complexas, passam por momentos difíceis.

Mas a gente precisa ter esse radar: opa, essa pessoa que tá sempre, sempre, sempre num caos emocional, sempre me drenando, sempre precisando de mim, não tem muito uma reciprocidade os momentos que eu precisei, eu não consegui encontrar nessa pessoa essa ajuda. Então isso é um sinal de alerta. Tem uma frase que eu gosto muito, que é o seguinte: você pode ser uma pessoa amorosa sem ser disponível emocionalmente para tudo e para todos o tempo inteiro.

Porque quando você tenta carregar o mundo inteiro nas tuas costas, é inevitável, tá? Você vai acabar abandonando parte de você mesmo. E muitas pessoas estão emocionalmente exaustas, não só sobrecarregadas, elas estão sendo expostas demais emocionalmente. Isso sobrecarrega, tá? Então esse é o terceiro comportamento que a gente precisa abrir mão. Aí vamos falar do quarto, que tem um pouquinho a ver com o terceiro, tá? Estar disponível o tempo inteiro.

Eu realmente acredito, gente, que esse seja um dos maiores desafios da nossa geração, porque a gente nunca teve tão conectado antes e ao mesmo tempo nunca estivemos tão cansados, né? Então pensa comigo, alguns anos quando alguém queria falar com você, essa pessoa precisava esperar. Hoje não, ela tem acesso o tempo inteiro pelo teu WhatsApp, pelo teu Instagram. Se você não responde no WhatsApp, ela vai lá, manda uma mensagem no Instagram ou vai pelo Telegram, uma mensagem, uma ligação, uma notificação, tem um grupo lá para te lembrar.

Você recebe mensagem no privado sendo cobrada pela mensagem do grupo. Tem comunidade, tem trabalho, tem família, clientes, amigos, igreja. É o tempo inteiro. E sem perceber, muitas pessoas vivem num estado permanente de prontidão, como se elas precisassem estar disponíveis o tempo todo, como se elas precisassem responder rápido, como se precisassem resolver tudo imediatamente. Como se elas precisassem estar acessíveis 24 horas por dia.

O problema é que o nosso cérebro não foi feito para isso. Nosso sistema nervoso precisa de pausas, precisa de momentos onde não existe demanda, onde não existe uma cobrança, não existe tanta expectativa, onde ninguém tá esperando nada de você. Mas hoje muitas pessoas não conseguem descansar de verdade, porque mesmo quando elas estão descansando, elas continuam disponíveis. Continua monitorando as notificações, continua verificando as mensagens, continua ali parcialmente conectado ao trabalho.

Elas continuam emocionalmente acessíveis. Isso cria um fenômeno muito interessante: o corpo tá parado, mas a mente continua trabalhando. E quando a mente nunca desliga, ela nunca se recupera completamente. Por isso que eu quero te fazer mais uma pergunta aqui, tá? Qual foi a última vez que você teve um período do dia onde você realmente assim não tava acessível para ninguém, onde ninguém precisava de você? Nem seus clientes, nem sua família, nem seus amigos, nem as redes sociais, ninguém, só você.

Porque saúde mental tem a ver com isso, com esses espaços onde você não está produzindo nada, não tá respondendo nada, não tá resolvendo nada, não tá cuidando de ninguém. Você tá simplesmente existindo. Eu amo esses momentos depois que meus filhos vão dormir e eu consigo ouvir os meus próprios pensamentos, e eu não quero, sabe, fazer nada naquele momento. Eu quero simplesmente existir. E isso hoje, acredita ou não, tá, isso se tornou um ato radical de autocuidado, e eu me permito ter isso quase todas as noites.

É muito importante que você também se permita. E aí o comportamento 5, a gente tem só mais 2 para falar, mas não menos importante. O 5º comportamento tem a ver com tomar decisões importantes em momento de alta emoção. Você precisa abrir mão disso. Esse comportamento, ele parece muito lógico quando a gente tá vivendo emoções intensas, né? Mas costuma gerar muito arrependimento quando a gente toma decisões importantes estando emocionalmente muito ativados.

Isso não vai dar certo. Pensa em quantas vezes você já fez isso. Terminou uma relação no auge da raiva, mandou uma mensagem impulsiva no auge da ansiedade, pediu demissão num dia de extremo estresse, tomou uma decisão importante depois de uma discussão. Ou então você prometeu algo para si mesmo quando tava emocionalmente esgotado. O problema é que emoções intensas costumam mudar a forma como a gente enxerga a realidade. Quando a gente tá muito ansioso, o futuro parece muito mais ameaçador.

Quando a gente tá muito triste, a vida parece muito mais sem esperança. Quando a gente tá muito magoado, as pessoas parecem muito mais hostis. Quando a gente tá com muita raiva, os problemas parecem maiores do que realmente são. E isso acontece porque emoções não influenciam só como a gente se sente, elas influenciam também como a gente percebe o mundo ao nosso redor. Por isso eu costumo dizer que nem toda emoção precisa virar uma ação.

Você pode sentir raiva sem tomar uma decisão, você pode sentir ansiedade sem agir impulsivamente, você pode sentir medo sem fugir, você pode sentir tristeza sem desistir. Então, uma das habilidades mais importantes da maturidade emocional é você criar espaço entre sentir e agir. Porque existe uma diferença enorme entre eu tô sentindo isso e eu preciso fazer isso agora. Nem sempre a gente precisa. Às vezes a atitude mais inteligente a fazer é esperar, é dormir, é respirar, é dar tempo para o nosso sistema nervoso desacelerar.

Muitas decisões ruins que a gente faz não acontecem por falta de inteligência, tá? Elas acontecem por excesso de emoção. E cuidar da nossa saúde mental significa justamente você proteger as tuas escolhas dos seus piores momentos emocionais. E aí a gente vai para o 6º comportamento, que tem a ver com você viver guiado pelo seu humor e não pelos seus valores. Esse aqui é um comportamento, acho que é o mais importante de todos que eu falei até aqui, tá?

Porque ele vai influenciar os outros. Muitas pessoas organizam a vida em torno de uma pergunta: o que que eu tô com vontade de fazer hoje? E parece uma pergunta inofensiva, né? Mas tem um probleminha aí. A vontade muda, o humor muda, a motivação muda, a energia muda, a disposição muda, tudo muda. Se você depender exclusivamente da vontade de viver, da vontade de fazer as coisas, a tua vida vai oscilar junto com cada emoção. Você vai fazer um exercício quando você tiver motivado?

Você vai estudar quando tiver inspirado? Você vai colocar limites quando tiver encorajado? Você vai cuidar da tua saúde mental quando tiver disposto? Só que a vida real não funciona assim, gente. As pessoas emocionalmente mais maduras, saudáveis que eu conheço não vivem só guiadas pelo humor. Inclusive, falando nisso, ó, vou deixar aqui o convite para você adquirir o meu livro, que ainda está na pré-venda. Como Se Tornar um Adulto Emocionalmente Saudável é o meu novo livro.

Acho que eu não tinha mostrado ele ainda no podcast, né? Ele já tá na pré-venda há um tempinho aí, desde o episódio que eu gravei sobre como se tornar um adulto emocionalmente saudável. Mas ainda no mês de julho você consegue garantir o seu livro na pré-venda. Logo logo, em agosto, ele vai ser lançado oficialmente. Você vai receber em casa e a gente vai fazer também dois encontros presenciais, tá? Em Florianópolis e em São Paulo, um encontro numa livraria para assinar os livros e tudo mais.

Então fica me acompanhando no Instagram para saber de tudo e garante o teu livro aí. O QR code na tela, o link também tá na descrição do episódio, tá? Mas enfim, adultos emocionalmente saudáveis, eles vivem guiados pelos seus valores. E isso tem uma diferença enorme, porque valores são direções, são princípios, são aquilo que realmente importa para você Então assim, por exemplo, talvez você valorize saúde mesmo quando não tem vontade de se exercitar.

Talvez você valorize conexão mesmo quando você tá cansado para encontrar os seus amigos. Talvez você valorize o crescimento mesmo quando parece difícil estudar. Talvez você valorize relacionamentos saudáveis mesmo quando colocar limites parece difícil. Então você percebe que o valor continua existindo mesmo quando a tua vontade desaparece. E isso gera uma sensação muito importante aqui para nossa saúde mental, que é a coerência interna.

Um dos maiores, uma das maiores fontes de sofrimento emocional é você viver distante daquilo que você acredita. Quando as nossas escolhas elas não refletem os nossos valores, a gente começa a sentir um vazio que é até difícil de explicar. Só que quando as nossas ações elas começam a caminhar na direção do que realmente importa, algo muda ali. Nem sempre a gente fica mais feliz imediatamente, mas a gente acaba se sentindo mais alinhado, mais inteiro, mais conectados com quem nós somos.

E isso protege profundamente a nossa saúde mental, porque a saúde mental ela não é só sentir emoções agradáveis, é você viver uma vida que faz sentido para você. Porque talvez você tenha percebido que algum desses comportamentos não são hábitos ocasionais, Talvez eles sejam padrões na sua vida, padrões que estão se repetindo há anos, padrões de ansiedade, de culpa, padrões de dificuldade para se relacionar, padrões de necessidade de agradar, de autocobrança.

E muitas vezes é difícil enxergar tudo isso sozinho. É por isso que na Clínica Psíquica do Futuro nós temos psicólogas especializadas para te ajudar, e vão te ajudar a identificar formas mais saudáveis de viver, de abandonar esses padrões que estão te fazendo mal, te ajudar a se relacionar, cuidar da própria saúde mental. Porque não basta só a gente entender o que que tá acontecendo, é preciso buscar outras formas de responder a tudo isso.

E aí eu queria terminar esse episódio te lembrando uma coisa: quando a gente pensa em saúde mental, geralmente a gente pensa naquilo que a gente precisa começar a fazer— mais autocuidado, mais descanso, mais exercício, exercícios, mais hábitos saudáveis. Mas hoje eu quero te deixar uma reflexão diferente. Talvez a tua saúde mental não esteja precisando de novas coisas. Talvez ela esteja precisando de você olhar para as suas ações hoje e parar de repetir algumas coisas antigas.

Porque às vezes não é a falta de autocuidado que tá faltando ali, é o excesso de comportamentos que drenam a tua energia emocional. Todos os dias. Evitar conflitos, evitar conversas difíceis, transformar tudo em algo pessoal, conviver com pessoas muito caóticas, sem limites, tomar decisões no auge da raiva, viver apenas de acordo com seu humor. Então tudo isso aparece, parece até pequeno, né, quando a gente olha assim separadamente, mas quando acontece todos os dias, todas essas coisas juntas durante meses ou anos, o impacto é gigante, tá?

Então a saúde mental não costuma ser destruída de uma vez, ela vai sendo desgastada aos poucos, nos pequenos hábitos, nas pequenas escolhas, nas pequenas concessões que a gente vai fazendo no dia a dia. Só que a boa notícia é que a recuperação também acontece assim, através de pequenas mudanças, pequenas decisões, pequenos pequenos movimentos na direção de uma vida mais consciente. Então quero te deixar uma pergunta aqui para refletir depois desse episódio: qual desses 6 comportamentos ainda tá presente na tua vida hoje?

Qual deles você quer começar a abrir mão? Porque talvez seja exatamente aí que esteja a mudança que a tua saúde mental tá pedindo. É isso, minha gente, um beijo grande, até semana que vem, até o próximo episódio do Psicologia na Prática.

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