Episódios de Psicologia na Prática

#276 - ⁠⁠O maior erro invisível nos relacionamentos (e você provavelmente comete)

26 de maio de 202624min
0:00 / 24:25

Você já saiu de uma briga sem entender como chegou até ali? Ou percebeu que estava com raiva de algo que talvez nem tenha acontecido do jeito que você pensou? A maioria dos conflitos nos relacionamentos não começa por falta de amor — começa por excesso de interpretação, e a gente quase nunca percebe isso na hora.

Neste episódio, eu te mostro qual é esse erro invisível que desgasta até as relações mais sólidas e como alguns ajustes simples na forma como você se comunica e interpreta o outro podem mudar completamente a dinâmica do seu relacionamento.

Porque muitas vezes você não está brigando com a pessoa. Está brigando com a história que a sua mente criou sobre ela.

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Participantes neste episódio1
A

Alana Nijá

HostPsicóloga
Assuntos4
  • dificuldades em relacionamentosInterpretação equivocada · Distorções cognitivas · Falta de comunicação clara · Foco no erro do outro · Habilidades de relacionamento · Amor vs. Habilidade de se relacionar · Maturidade emocional
  • Percepção e interpretaçãoSeparar fato de história · Falar de si, não do outro · Jogar no mesmo time · Olhar para o positivo
  • Terapia Cognitivo-ComportamentalInterpretação de fatos · Terapia de casais · Leitura mental
  • Terapia de casal e relacionamentosBlue Therapy · Karen Dorothy
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Meu desejo é que respeitem o espaço de uma mulher que está aprendendo a ser mãe. Nestlé Materna está com você em todas as fases da maternidade. Com uma linha completa de suplementos que apoia você em cada momento e nas diferentes necessidades que surgem ao longo da jornada. Seja no planejamento, durante a gestação ou no perpério, Materna tem o suplemento certo para acompanhar você. Nestlé Materna. Com você, do seu jeito.

Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho. Que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia. Tchau.

E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou a Alana Nijá, sou psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano, e eu estou aqui todas as terças-feiras com um novo conteúdo para te ajudar a construir uma vida mais leve e com mais inteligência emocional.

Antes de começar, já aproveita para curtir esse episódio, compartilhar com alguém que você sabe que precisa ouvir esse tipo de conteúdo. Se você está aí no Spotify, não esquece de seguir aí o podcast, deixar a sua avaliação. Isso ajuda muito para que mais pessoas possam ter acesso ao meu conteúdo.

E no episódio de hoje, a gente vai conversar sobre um assunto que vocês sempre amam quando trago, que é relacionamentos. Então, vou começar perguntando aqui, me diz uma coisa, tá? Você já saiu de uma discussão pensando como que a gente chegou nisso?

como que a gente chegou até esse ponto dessa discussão não era isso que eu queria dizer e agora essa discussão virou uma bola de neve muitas vezes a gente entra em conflitos grandes nos relacionamentos desgastantes por coisas que no fundo nem aconteceram da forma como a gente entendeu na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na na

E é exatamente sobre isso que a gente vai falar hoje, tá? Existe um erro muito comum e muito presente nos relacionamentos, tá? E até meio invisível, assim. Ele não tem a ver com a falta de amor, com a falta de compatibilidade, com a falta de sentimento, mas tem a ver com a interpretação.

E aí a terapia cognitivo-comportamental fala muito sobre a interpretação. E existe, inclusive, uma terapia de casais que utiliza da TCC, na terapia cognitivo-comportamental. E eu vou trazer aqui algumas pinceladas para você que está me ouvindo e que está tendo problemas no seu relacionamento. Uma coisa básica da TCC é que a gente aprende que não são os fatos em si que geram as nossas emoções, mas é a forma como a gente interpreta esses fatos.

E quando a gente leva isso para os relacionamentos, isso fica ainda mais evidente, porque duas pessoas podem viver exatamente a mesma situação e sair dela com sentimentos, interpretações completamente diferentes. E é aqui que começam muitos dos conflitos. Imagina uma situação simples do dia a dia ali, onde uma pessoa do casal chega em casa no fim do dia cansado.

mais quieto, querendo um pouco de espaço, mas não fala isso. E aí a outra percebe esse comportamento diferente e tenta se aproximar. Só que essa aproximação, que era uma tentativa de cuidado, de afeto, é interpretada como uma invasão.

Quem queria espaço se irrita, quem tentou se aproximar se sente rejeitado, e aí, de repente, os dois estão magoados. Você já passou por alguma coisa parecida por aí? O que aconteceu nessa situação? Os dois tinham intenções legítimas, os dois queriam algo que é compreensível, mas os dois reagiram à própria interpretação e não à realidade. Isso acontece, gente, o tempo todo, só que na maioria das vezes a gente não percebe.

Então, existem três erros principais que sustentam esse tipo de dinâmica nos relacionamentos. O primeiro erro, percebe-se, você comete ele por aí, são as distorções cognitivas dentro do relacionamento.

Então, a gente já falou aqui em outros episódios sobre distorções cognitivas. E como essas distorções, existem várias delas, que a gente até classifica ali, essas distorções sobre quem nós somos, sobre os eventos, sobre o mundo, sobre as pessoas, isso vai afetar nossa vida de forma negativa.

Nos relacionamentos, a gente começa a interpretar o comportamento do outro de uma forma automática, sem questionar. Então, a pessoa fica mais quieta e você já pensa que ela não quer falar com você, que é alguma coisa que você fez de errado. A pessoa demora para responder e você conclui que ela não se importa com você e com seus sentimentos.

Então a gente começa a fazer o que a gente chama na TCC de leitura mental. Ou seja, nós tiramos conclusões rápidas, a gente começa a personalizar atitudes, levando para o pessoal. Só que isso não é fato, isso são interpretações. E quando a gente reage a essas interpretações como se elas fossem verdade, o conflito começa a se formar.

Então, primeira coisa de tudo, de você perceber dos teus relacionamentos, será que eu estou tendo distorções cognitivas? Será que eu estou interpretando o meu parceiro, a minha parceira, as atitudes dele ou dela de uma forma distorcida, lendo essas atitudes por lentes que são minhas, lentes de insegurança, lentes de rejeição?

Então, a primeira coisa é eu preciso conseguir olhar para o meu parceiro, olhar para o meu relacionamento e interpretar as coisas de uma forma realista e não distorcida, senão as brigas vão escalar cada vez mais.

O segundo erro, que tem a ver com o primeiro, é a falta de comunicação clara. Então, a gente sente, a gente interpreta, a gente supõe, mas não comunica, não pergunta. A gente espera, mas não fala o que está esperando. A gente precisa, mas não expressa, não pede.

E no fundo, a gente quer que o outro adivinhe, não é? Só que ninguém tem bola de cristal, você já deve ter ouvido falar isso. Então cada um cria uma história na própria cabeça, reage a essa história e não ao que de fato está acontecendo. E isso gera um desencontro muito grande, porque você está respondendo a algo que o outro nem sabe que existe.

Então, presta atenção se essas interpretações que elas vêm são naturais, que você interprete as coisas de acordo com a tua vivência, com as tuas lentes, mas você precisa garantir que você está se comunicando de forma clara. Então, você pode chegar para o teu parceiro que chegou estranho em casa no fim do dia, por exemplo, e perguntar, olha, eu estou percebendo que você está mais quietinho, que você está mais distante. O que está acontecendo? Você quer conversar?

Foi algo que eu fiz ou você está precisando só de um espaço? E aí você dá a chance para o outro também se comunicar, falar, olha, eu estou mais cansado hoje, eu queria ficar mais quieto. Daqui a pouco a gente conversa, me dá um tempo para tomar um banho. Aí você fala, beleza. E aí um respeita o outro, um fala com o outro, olha que maravilha. Eu vou até deixar uma dica de um documentário da Netflix que eu assisti essa semana com o meu marido.

que chama Blue Therapy, acho que em português está Casais em Terapia. É fantástico, se você está num relacionamento, ou mesmo que você não esteja, assiste esse documentário, porque ele mostra ali vários casais que vão para a terapia por motivos diferentes, e tem uma terapeuta especialista em terapia de casal.

que é a Karen Dorothy, acho que é o nome dela, e ela, então, vai fazendo intervenções, perguntas, e aí esse documentário acompanha, acho que durante três sessões, eles vão durante três vezes ali, eles têm as tarefas de casa, e o documentário mostra um pouco da vida deles, do dia a dia deles, é muito legal, e fica ali muito claro o quanto a falta de comunicação está no centro.

dos problemas dos relacionamentos. E aí, se a gente une distorções cognitivas, interpretações erradas que todos nós temos com uma falta de comunicação clara, aí a crise está instaurada mesmo. Então, esses são os dois principais erros que muitos casais cometem, muitas pessoas cometem. E aí, o terceiro erro muito comum...

é o foco no erro do outro. Então, quando o conflito começa, a tendência de todo ser humano é apontar o erro, apontar o dedo para o outro. Você fez isso, você sempre é assim, o problema é você. E aí a gente entra num ciclo de acusação, de defesa, de contra-ataque, que não é saudável.

Nesse momento, a relação deixa de ser um espaço de parceria e vira um campo de batalha. E a gente perde em vista uma coisa muito importante. O único comportamento que você controla é o seu. Enquanto você está focado em mudar o outro, você perde o seu poder dentro da relação. Então, é muito importante a gente quebrar essa ideia romantizada de que o amor somente vai sustentar o relacionamento. Eu já falei isso em outros episódios.

Na prática, não é só um amor que sustenta uma relação. Os relacionamentos saudáveis precisam ser sustentados por habilidades. Antes de eu falar dessas habilidades, vamos só revisar esses três erros mais comuns. É você ter interpretações distorcidas sobre o teu parceiro. O segundo, você não ter uma comunicação clara sobre as suas interpretações. E o terceiro é você focar mais no erro do outro do que nos teus erros, que é onde você tem controle.

E aí, então voltando aqui sobre as habilidades, a gente entende que não é só o amor que sustenta o relacionamento, mas relacionamentos saudáveis precisam ser sustentados por habilidades. Habilidades como comunicação, que eu já falei aqui, como empatia, responsabilidade emocional, capacidade de pedir, de ceder, de negociar, de ouvir.

de tolerar a frustração, de perdoar. Tem até um episódio, um outro episódio meu aqui, que você pode procurar depois, só sobre habilidades sociais. Coloca essa palavra aí, habilidades sociais na busca, que você vai encontrar. Porque ali eu falo bastante sobre habilidades sociais dentro da psicologia.

e listo elas, dou exemplos sobre elas, mas basicamente aqui é importante que você entenda que se você não se desenvolver nessas habilidades que eu estou falando, se você não aprender a pedir, negociar, ceder, ouvir, tolerar frustração, perdoar, você não tem como se relacionar de forma saudável com outra pessoa.

Porque amar alguém é fácil. O amor é importante, mas amar é fácil. Você se apaixona, você ama, mas saber se relacionar com alguém é o que realmente faz o amor funcionar no dia a dia. Tem pessoas, casais, que se amam, mas eles vivem uma vida miserável, uma vida infeliz, porque é pé de guerra o dia inteiro, é briga o tempo todo, tem que ficar pisando em ovos dentro de casa.

Então, a gente precisa aprender a desenvolver essas habilidades. Talvez você tenha dificuldade com essas coisas que eu estou falando aqui. E você já tem errado muito nos relacionamentos por conta disso. Quem sabe até perdido pessoas que você amava por conta disso. Então, não deixa que a tua vida continue assim. Busca ajuda profissional.

Vai fazer uma terapia para que você possa se desenvolver nessas habilidades e no momento em que você tiver uma relação, você saiba cuidar dessa relação com tudo que ela merece. E se você já está num relacionamento que está sendo um caos...

Quem sabe a terapia de casal pode ajudar vocês nesse processo. No link da minha bio, na descrição desse episódio aqui, você tem um link onde você pode agendar a sua consulta, a sua sessão de terapia com os profissionais da minha clínica, da Clínica Piscito Futuro. A gente oferece terapia de casal também.

E eu tenho certeza que é algo que vai fazer toda a diferença na tua vida, nos teus relacionamentos, tá? Então, quando a gente entende que o amor pra ele funcionar no dia a dia precisa de um desenvolvimento, né? De habilidades, a gente precisa olhar pras nossas emoções, pros nossos pensamentos, acontece uma virada de chave muito importante. Porque a gente sai de um lugar de tentar descobrir quem tá certo e quem tá errado, e a gente começa a olhar pra dentro da gente.

Em vez de perguntar quem que errou nessa situação, a pergunta passa a ser, o que está acontecendo dentro de mim? Você começa a questionar os seus próprios pensamentos, a perceber as suas interpretações, a considerar outras possibilidades. Isso é maturidade, gente.

E principalmente você começa a se perguntar que tipo de parceiro ou parceira você quer ser dentro dessa relação. E aí isso começa a mudar a dinâmica completamente, porque te tira da posição de vítima e te coloca numa posição de responsabilidade. Então trazendo isso de uma forma mais prática para a tua vida, para a vida de vocês que estão me ouvindo.

Existem alguns movimentos muito simples, mas muito importantes, que podem transformar completamente a forma como você se relaciona. E eu quero desenvolver isso melhor com você aqui, porque não adianta só você entender, porque é na prática que as coisas mudam. Então, se você está anotando, pega sua caneta, seu papel, caderninho, bloco de notas e vamos lá. O primeiro ponto é você começar a questionar as suas interpretações. Então, anota aí. Separar fato.

De história. Esse talvez seja um dos hábitos mais importantes para você começar a desenvolver. A gente tem essa tendência muito automática de acreditar em tudo que passa na nossa mente como se fosse verdade. Só que o pensamento não é um fato. Então, antes de você reagir, antes de responder, antes de entrar no impulso emocional...

Tenta criar esse pequeno espacinho interno e se perguntar o que aconteceu exatamente. E o que eu estou pensando sobre isso? Muitas vezes você vai perceber que existe uma diferença entre o que o outro fez e a história que você contou sobre aquilo.

Por exemplo, se a pessoa demorou para responder uma mensagem, isso é um fato. Agora, você pensar, ela não se importa comigo, ela está nem aí para mim, essa já é uma interpretação que vai gerar uma emoção, que vai gerar uma reação.

E aí quando você começa a separar essas duas coisas, né? O que aconteceu da história que eu me contei, você ganha mais clareza, você ganha mais calma e mais possibilidade de escolher como você quer agir, em vez de simplesmente reagir no automático, tá? Então, primeira coisa de tudo, isso aqui serve para a vida, não só para as relações, eu separar o meu pensamento da verdade, o que aconteceu da história que eu me conto. Segundo ponto, tá?

É você aprender a comunicar o que é seu de uma forma bem clara, da forma mais clara e responsável possível. Então, o segundo ponto aqui é você falar de você e não do outro. É um erro tão comum. A gente comunica a partir da acusação e não da nossa experiência. Então, em vez de você falar do que você sentiu, você vai falar daquilo que o outro fez de errado. Isso é o que a maioria das pessoas faz. E isso, naturalmente, vai gerar defesa do outro lado.

Então, um exercício muito simples para você começar a colocar em prática é estruturar a tua fala a partir de você. Você pode até ensaiar antes de conversar, escrever antes de falar com a pessoa. Então, ao invés de você dizer, você nunca me escuta, você pode dizer, olha, quando eu estou falando com você e sinto que eu não estou sendo ouvida,

Eu fico frustrada, eu me sinto desvalorizada. Você percebe a diferença? Você não está atacando, você está expondo os seus sentimentos. E isso não significa você ser passivo, você engolir tudo, mas significa você assumir responsabilidade pela tua experiência emocional e dar ao outro a chance de entender o que você está sentindo, não que ele tenha que adivinhar. Você está explicando, expondo.

Muitas vezes a outra pessoa não muda porque ela nem entendeu o impacto do comportamento dela sobre você.

E aí a gente vai para o terceiro ponto aqui, que é mudar a lógica da relação, tá? De confronto para uma lógica de parceria. Então vocês precisam jogar no mesmo time. Isso é uma virada muito importante, que eu mesma, assim, para mim, entender isso no meu relacionamento fez toda a diferença. Desde quando a gente não tinha filhos e principalmente agora que a gente tem filhos. Porque sem perceber, muitos relacionamentos entram numa dinâmica de competição. Quem está mais cansado? Quem está certo? Quem ganha discussão?

Só que no final, gente, mesmo quando alguém ganha, a relação perde. Então começa a se perguntar, no meio do conflito ali, eu quero ter razão ou eu quero resolver isso? E mais do que isso, como que a gente pode resolver isso juntos? Porque não importa quem está ganhando, quem está perdendo, quem está mais cansado, quem está certo, no fim das contas a gente quer...

Superar isso juntos, crescer juntos, avançar juntos. Então, isso muda o tom da conversa. Em vez de você se posicionar contra o outro, você se posiciona ao lado dele para olhar o problema.

Então, por exemplo, em vez de você dizer, né, você sempre faz isso, isso me irrita, você pode falar, olha, isso que está acontecendo entre a gente está sendo difícil para mim, como que a gente pode lidar melhor com isso? De uma forma que fique bom para nós dois. E isso tira o outro da defensiva e convida ele.

para a construção dessa solução juntos. Então, de repente, você e teu marido estão num momento ali que vocês têm crianças pequenas, assim como a gente aqui na nossa casa, e aí vocês estão tentando lidar com as crianças, dividir aquelas funções que agora se somam a tantas outras coisas que vocês já fazem.

E você pode se ver tentando atacar o outro, porque pensa que o outro não está fazendo tanto quanto você, mas você não vê também que o outro está se sentindo injustiçado por outras coisas, porque ele tem que dar conta de um tanto de coisa que você nem tem ideia. Então, a melhor coisa que você pode fazer é chamar esse outro para conversa e falar, olha, a gente tem bastante responsabilidade, a gente expandiu a nossa família, a gente tem contas para pagar, a gente tem uma série de coisas.

Os dois estão cansados, mas não precisa virar uma competição. Como que a gente pode fazer para ficar melhor para os dois, mais leve para os dois?

Que ajustes a gente pode fazer para que isso não dê briga, não gere atrito desnecessário entre a gente. E aí você chama o outro para essa construção. Isso é maravilhoso. E só relacionamentos com muita maturidade conseguem construir esse lugar. Espero que você esteja entendendo aqui. Vai me contando nos comentários se esses pontos estão fazendo sentido, se você já aplica isso nos seus relacionamentos, qual desses pontos você mais vai precisar colocar em prática.

Me conta aí, tá? E aí a gente vai pro quarto ponto, que é treinar o teu olhar pro positivo dentro da relação. Porque quando a gente entra em conflito, o nosso cérebro ativa um filtro negativo muito forte, gente. Quem nunca teve uma briga com o conge, com o namorado, com o noivo, enfim.

E aí naquela briga você está com tanta raiva que você olha para aquela pessoa e você só pensa tudo de negativo, tudo de ruim, todos os defeitos. E aí aquilo escala, você não consegue ver nada de bom naquele momento da briga.

Mas a gente precisa respirar primeiro, não tomar nenhuma decisão nesse momento. Não falar nada que você vai se arrepender depois nesse momento. Então, precisa se retirar, respirar fundo e começar a colocar as coisas em perspectiva dentro da nossa mente. A gente começa a enxergar nesses momentos só o que o outro faz de errado, só o que incomoda, só o que frustra. E isso vai criando uma narrativa interna muito distorcida. Como se a relação fosse muito pior do que ela realmente é.

Então, intencionalmente, você precisa reequilibrar esse olhar, começar a observar também o que funciona, o que o outro faz de bom, os pequenos gestos, as tentativas de aproximação. E isso não é para romantizar ou ignorar os problemas, mas é para não cair numa visão unilateral.

Então um exercício simples que você pode fazer ao final do dia é você tentar lembrar de pelo menos três coisas que aquela pessoa fez que foram positivas, mesmo que pequenas. Isso é tipo aquele exercício do diário da gratidão para pessoas que estão muito ingratas, muito negativas com a própria vida, só que é em relação ao relacionamento, àquela pessoa que você se relaciona. Então isso vai treinando o teu cérebro a sair desse viés negativo e te ajuda a responder de uma forma mais proporcional, mais justa, mais equilibrada. Obrigado.

Então, quando você começa a aplicar esses quatro pontos, gente, no dia a dia, algo muito interessante acontece, tá? Os conflitos, eles não vão necessariamente deixar de existir, claro, né? Porque eles fazem parte de qualquer relação. Mas eles deixam de ser tão destrutivos. Eles passam a ser uma oportunidade de ajuste, de entendimento, de crescimento. E isso muda completamente a qualidade da relação que você está construindo. Porque, no fim das contas, a maturidade emocional...

Não é sobre não sentir, não se irritar, não se frustrar, mas é sobre como você lida quando isso acontece. E é exatamente isso que vai determinar a saúde dos seus relacionamentos. Então, revisando esses quatro ajustes que você precisa fazer, quatro ajustes quase que invisíveis ali, mas que transformam um relacionamento. Então, primeiro, separar fato de história.

Segundo, falar de você e não do outro. O terceiro, jogar no mesmo time.

Quarto, treinar o seu olhar para o positivo dentro da relação. Então, se tem uma coisa que eu quero que você leve desse episódio, é que muitas vezes você não está brigando com o teu parceiro ou com a outra pessoa, você está brigando com a interpretação que você fez dela. E enquanto você não olhar para isso, você vai continuar reagindo às histórias que a tua mente criou e não à realidade.

Os relacionamentos, eles não terminam, na maioria das vezes, por falta de amor, como eu falei. Eles vão se desgastando por excesso de suposições, por falta de comunicação, por uma dificuldade de olhar para dentro. E a maturidade emocional, ela começa aqui quando a gente assume a responsabilidade pela forma como a gente interpreta, como a gente sente, como a gente reage, como a gente se comunica.

Então, se esse episódio fez sentido para você, se ele te ajudou de alguma forma, me conta aqui nos comentários e compartilha com alguém que também precisa ouvir esse conteúdo. Eu tenho certeza que muitos familiares, muitos amigos seus vão se beneficiar muito.

de ter acesso a essas dicas, tá? E também me conta se você já viveu alguma situação em que interpretou algo de um jeito errado, depois percebeu que não era bem assim. Eu vou adorar saber e eu adoro ver vocês conversando também nos comentários. É isso, minha gente. Um beijo e até o próximo episódio.

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