Episódios de Psicologia na Prática

#265 -Você ensina as pessoas a como te tratar (e talvez não perceba)

10 de março de 202629min
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Você já ouviu a frase: “você ensina as pessoas a te tratar”?

Dependendo de como essa ideia chega, ela pode parecer libertadora… ou pesada demais. Afinal, ninguém escolhe ser desrespeitado. Mas também é verdade que os vínculos se constroem, muitas vezes, a partir dos padrões que vamos permitindo, reforçando ou silenciando ao longo do tempo.

Neste episódio do Psicologia na Prática, vamos conversar sobre como as relações vão sendo moldadas muito mais pelos comportamentos que se repetem do que pelas promessas que são feitas.

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Assuntos12
  • Comunicação e estabelecimento de limitesLimites precisam ser explicitados · Expectativas não expressas viram frustração · Frustração silenciosa vira ressentimento · Silêncio como autorização implícita · Clareza nos posicionamentos
  • Aprendizado comportamental em relacionamentosComportamentos aprendidos por observação e consequência · Padrões reforçados por tolerância · Teste de limites em relações · Repetição de comportamentos sem limite · Reforço intensifica comportamentos
  • Congruência entre sentimento e açãoAlinhamento entre sentir-falar-fazer · Coerência nas relações · Comportamento comunica mais que palavras · Sinais confusos prejudicam vínculo · Integridade emocional
  • Autonomia emocional na vida adultaReconhecer capacidade de escolha · Sair do papel de vítima · Poder dizer não e se posicionar · Autorrespeito como fundação · Retirada de situações desrespeitosas
  • Responsabilidade participativa em vínculosParticipação na forma como se é tratado · Colaboração na construção de vínculos · Distinção entre culpa e participação · Reconhecimento do papel ativo · Participação mesmo em situações difíceis
  • Assertividade em relacionamentosExpressar necessidades com clareza · Comunicação respeitosa de desconfortos · Diferença entre assertividade e agressão · Responsabilidade ao se posicionar · Treino e desenvolvimento de assertividade
  • Padrões de proteção formados na infânciaEstratégias adaptativas em relações de dependência · Aprendizados de necessidade não de escolha · Silêncio, agrado, antecipação do outro · Impacto na vida adulta · Medo de desagradar e dificuldade de dizer não
  • Integridade entre promessa e açãoCumprimento de consequências anunciadas · Palavra que tem valor prático · Exemplo parental de coerência · Traição repetida e perdão · Ensino através da coerência
  • Consequência e reforço de comportamentosAprendizagem por consequência · Teste contínuo de limites · Reforço positivo intensifica padrão · Ausência de limite favorece repetição · Dinâmicas que se solidificam
  • Relacionamentos TóxicosResponsabilidade em contextos de abuso · Fragilidade e vulnerabilidade emocional · Dependência que mantém vítimas · Não é culpa mas participação · Complexidade dos vínculos prejudiciais
  • Culpa como indicador de mudançaCulpa diferente de erro · Sinal de transformação e crescimento · Comum em quem sempre agradou · Sustentação de limites com culpa · Ressignificação da culpa como positiva
  • Relação mãe-avó na educação infantilTeste de limites natural em crianças · Aprendizado sobre comportamento esperado · Hierarquia e educação consciente · Consequência e repetição · Exemplos práticos de padrões
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E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou a Alana Nijar, sou psicóloga, especialista em terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano.

todas as terças-feiras com um novo conteúdo pra te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais inteligência emocional. Já começa esse novo episódio aqui te pedindo, como sempre, você já sabe, curtir. Se você tá assistindo aí no YouTube, se inscreve aí no canal. Isso me ajuda muito esse conteúdo chegar a mais pessoas. Se você tá me ouvindo pelo Spotify ou outro streaming, segue e avalia, faz o que der pra fazer aí. Comenta, sempre me contem aqui nos comentários o que vocês acharam do episódio. Isso me ajuda muito.

Vamos lá, então, para mais um dia. Se você chegou até aqui, eu acredito que você se identificou com a chamada, com o título desse episódio. Eu quero começar a te perguntar se em algum momento da sua vida você já ouviu ou você mesmo já disse essa frase, que você ensina as pessoas a forma de te tratar, de como elas devem te tratar. E dependendo de como essa ideia chega, ela pode soar libertadora ou extremamente pesada.

Se for mal interpretada, parece que a gente está dizendo que quem sofre um desrespeito é totalmente responsável por ele. E não é bem isso. Mas também não é verdade que as relações se constroem só pela intenção do outro. Então, a verdade, ela costuma morar num lugar aí no meio, um lugar mais desconfortável entre esses dois extremos. Essa ideia de que a gente ensina as pessoas como elas devem nos tratar não quer dizer que a gente

tem controle total sobre o comportamento dos outros ou que a gente consegue fazer alguém nos tratar bem à força. Não se trata de manipular, de controlar, de moldar as pessoas, mas se trata de algo mais sutil e muito real, tá? A gente tem poder de escolha sobre quem a gente permite entrar na nossa vida e sobre quais comportamentos a gente aceita ou não dentro das nossas relações. Então essa é a primeira lição desse episódio de hoje.

como se relacionar com a gente a partir do que a gente sente. Elas aprendem a partir do que a gente repetidamente permite, reforça ou silencia. Então, relações funcionam muito mais por padrão do que por promessa. Muito mais por comportamento do que por discurso. Isso não acontece porque o outro é necessariamente uma pessoa mal intencionada, mas porque seres humanos aprendem por consequência.

Aquilo que não gera limite, reação, ajuste, tende a se repetir. Aquilo que você tolera vai tender a se repetir. Então, quando eu me calo para evitar um conflito, quando eu cedo sempre para manter a paz, quando eu sorrio enquanto eu me machuco por dentro, quando eu estou tolerando, mesmo até reclamando, mas eu vou lá e permito que a pessoa me trate daquela forma diversas vezes, eu posso até estar tentando preservar a relação, mas sem perceber,

relacionando algo sobre mim, naquele vínculo. Não com palavras, mas com as minhas ações, com a minha tolerância. Não com consciência, mas muitas vezes até por hábito. E é assim que muitos relacionamentos vão se moldando. Não pelo que foi combinado, mas pelo que foi tolerado. Então essa frase de... Eu lembro que eu vi isso há alguns anos atrás, num post de Instagram, porque não é uma frase... Não tem um autor conhecido. Na verdade, a gente vai ver aqui que

É um conhecimento do senso comum, a frase do senso comum, né? Você ensina as pessoas a forma como te tratarem, como devem te tratar, enfim. Quase todo mundo já viveu algum tipo de relação em que não foi tratado da melhor forma. Imagino que você também. Me conta aí nos comentários, tá? E quando a gente olha pra trás, muitas vezes a gente percebe que nesses momentos a gente tava tentando o quê? Agradar aquela pessoa. Cedendo demais, como eu falei, relevando demais, fazendo concessões que iam contra

sentindo. Às vezes por medo de perder a relação, às vezes por medo de colocar limites, às vezes por excesso de racionalização. Então a gente fica dizendo pra gente mesmo que o outro não fez por mal, ele não sabia, é o jeito da pessoa. Outras vezes a gente vai criando desculpas pro comportamento dos outros que no fundo já nos machucavam. Existe uma confusão muito comum entre ser uma pessoa compreensiva e ser uma pessoa

Sem limites, que não bota limites. Uma pessoa permissiva nas suas relações. Entre ser uma pessoa madura emocionalmente, que compreende e tudo mais, e outra que, na verdade, por imaturidade, se adapta a tudo. Então, esses limites que não são comunicados, a gente já gravou diversos, eu já gravei vários episódios sobre isso, tá? Eles não existem. Limites que não são comunicados, eles não existem. Expectativas que não são expressas viram o quê? Uma frustração silenciosa.

E a frustração silenciosa com o tempo vira ressentimento. Não porque o outro deveria saber, mas porque ninguém ensinou aquilo de forma clara. Então quando aquilo que a gente sente não combina com aquilo que a gente está mostrando, falta essa integridade, essa sintonia entre aquilo que eu expresso, sinto, falo, penso, aí a gente mostra, a gente vê ali relações confusas, que recebem mensagens confusas.

o corpo endurece. A gente diz que não tem problema, mas a gente se afasta. A gente diz que entende, mas depois a gente cobra. É ou não é? E o outro, ele vai aprendendo algo nisso tudo. Que ele pode continuar como ele tá, porque no fim das contas, o outro ali sempre dá um jeito de se adaptar. A gente sempre dá um jeito de se adaptar. Falar que a gente ensina as pessoas a nos tratar, a forma de nos tratar, não é falar de culpa, mas é falar de participação.

você tem participação na forma como os outros te tratam. Às vezes a gente vê essa discussão sobre relacionamentos abusivos, relacionamentos tóxicos. Quem olha de fora alguns casos julga. Como que essa pessoa tolera? Como que ela se permitiu? Como que ela ficou até esse ponto? Nossa, eu jamais ficaria. A gente pode julgar e muitas vezes depois se vê passando pela mesma situação. A pessoa que sofreu um abuso, que está numa relação tóxica, enfim, ela não é responsável pela forma como o outro trata.

ela 100%, mas ela tem sim uma participação sobre aquilo que ela tolera. Mas por fragilidade emocional, por vulnerabilidade emocional, por uma série, vulnerabilidade às vezes financeira, uma série de coisas, pode ser que mantenham ela naquele lugar. Mas existe uma participação. A gente precisa reconhecer que mesmo sem querer, a gente colabora para a construção dos vínculos que a gente se encontra. E essa consciência não é para ser um peso, é para ser um ponto de virada.

Porque aquilo que foi aprendido pode ser reaprendido. Aquilo que virou um padrão pode ser reorganizado. Aquilo que sempre foi feito de uma forma automática pode ser finalmente feito com uma intenção, a partir da hora que a gente toma consciência. Então, talvez o problema nunca tenha sido que as pessoas sempre me ferem, sempre passam os meus limites, sempre me machucam. Talvez ninguém tenha sido avisado de verdade onde esses limites começavam.

E é exatamente sobre isso que eu quero conversar com você hoje, essa ideia de que, consciente ou inconscientemente, nós sim ensinamos as pessoas a nos tratar. E isso não surge do nada, essa ideia. Ela é sustentada por alguns pilares muito consistentes da psicologia, que explicam como que os vínculos humanos se constroem, se mantêm, e muitas vezes eles vão se distorcendo ali ao longo do tempo. Um desses pilares é a compreensão de que os comportamentos são aprendidos nas relações.

Então, a psicologia já nos mostrou há décadas que as pessoas aprendem muito mais pela observação e pelas consequências dos seus atos do que pela intenção. Então, nas nossas interações do dia a dia, a gente está o tempo todo testando limites. Nem sempre de forma consciente, mas a gente vai observando o que gera aproximação, o que gera afastamento, o que gera conflito, o que agrada, o que desagrada,

sem grandes consequências. Quando um comportamento não encontra limite, ele tende a se repetir. E quando ele encontra um reforço, ele tende a se intensificar. É assim que as relações vão se moldando. Então, a gente pensa que... Vamos pensar na educação de filhos. Quem é pai e mãe aqui vai me entender muito. A gente vê, às vezes, crianças se comportando mal, tratando os pais de uma forma realmente totalmente fora do que a gente gostaria.

E você pode ter certeza absoluta, se você vê uma criança tratando com falta de educação, um pai, uma mãe, desobedecendo de uma forma irrestrita, essa criança aprendeu a se comportar assim. Ela sabe que não tem consequência, que a atitude dela não vai ter consequência. Ela não está aprendendo sobre limites. As crianças pequenas vão desafiando, vão testando limites. Eu tenho um filho de 4 anos, um de 2 anos, um que está para nascer. O de 4 e o de 2 é muito claro quanto eles vão testar.

os limites, eles vão entendendo como eles podem se comportar na relação comigo. E aqui, claro, a gente está falando de uma relação que tem uma hierarquia, né? Eu estou ali ensinando eles conscientemente, mas é uma amostra para a gente perceber as outras relações. Quando você começa a se relacionar no trabalho, as pessoas também estão te conhecendo ali, elas estão vendo, né? Eu posso falar assim, assado, eu posso pedir para ela ficar até mais tarde, como que ela vai aceitar, é assim, um relacionamento amoroso,

desde o namoro, desde a paquera, a pessoa está aprendendo sobre como se relacionar com você. É por isso que, sim, a gente está ensinando. É aquilo que a gente reforça, aquilo que a gente dá consequência, que não dá consequência. E não é que você vai educar as pessoas de uma forma manipuladora, não. Mas você vai ensinando como as pessoas devem te tratar. E é assim que as relações vão se moldando aos poucos. Não por acordos explícitos, mas por essas pequenas experiências que vão se repetindo.

Dentro dessa lógica, não é necessário que alguém queira desrespeitar para aprender que pode ir além. Então, assim, basta perceber que determinadas atitudes geram uma reação, um ajuste, um reposicionamento. A psicologia da aprendizagem social, associada a alguns autores, como Albert Bandura, que é muito conhecido, nos ajuda a entender que os padrões de tratamento não surgem só do caráter do outro,

Tem outros pilares fundamentais também de estudos dentro da psicologia, no campo da assertividade, das relações interpessoais. E a psicologia é bastante clara a respeito disso. Os limites precisam ser comunicados para que eles existam. Esperar que o outro adivinhe o que nos machuca, o que nos cansa, o que ultrapassa os nossos limites é super comum. A gente espera que as pessoas pensem, considerem, que elas entendam o mundo da mesma forma que a gente.

Então, ser assertivo não é ser agressivo, nem duro, nem inflexível, mas é você conseguir expressar as tuas necessidades, teus desconfortos, as fronteiras que você tem com clareza e com responsabilidade. E aí, gente, quando isso não acontece, e aí o silêncio vai falar mais alto do que qualquer explicação. O silêncio, ele mostra, eu aceito. E a gente vai ver na literatura sobre assertividade, vai mostrar que muitas pessoas, elas confundem maturidade,

emocional, um engolir tudo. Mas na prática, o que acontece é que a ausência de posicionamento vira uma autorização implícita. Então, de novo, nem sempre porque o outro é mal, mas porque ninguém foi informado de que ali tinha um limite. E tem até um terceiro pilar importante nisso aqui, que é a ideia da congruência nas relações. Na psicologia humanista, especialmente nas contribuições de Carl Rogers, que eu já citei aqui em outros episódios também,

saudáveis, elas se constroem quando tem coerência, lembra que eu falei mais cedo aqui nesse episódio, né? A coerência entre o que a gente sente, pensa e expressa. Isso aqui é chave. Quando essa congruência se quebra, a relação, ela começa a receber esses sinais confusos, né? Então é aquela coisa de dizer que tá bem quando não tá, de concordar por fora enquanto por dentro a gente tá chateado. E aí a gente vai ensinando o outro a confiar mais no nosso comportamento do que nas nossas palavras. O problema é que o comportamento

sempre vem esse discurso. Se eu digo que algo me incomoda, mas eu continuo aceitando, tolerando, repetindo, essa mesma dinâmica, o que fica registrado na relação não é o que eu falei, é o que eu fiz. É que nem um pai ou uma mãe que fala para o filho, olha, se você fizer isso, você vai ter uma consequência, você vai ficar sem o doce, você vai ficar sem, sei lá, o desenho. Aqui em casa, o desenho, a gente trabalha muito com os privilégios, a gente vai tirando o privilégio, o privilégio de ver desenho,

quatro anos que já entende, né? Então, assim, se eu falo que se ele ter determinado comportamento, ele vai ter a tal consequência e depois eu não cumpro, a minha palavra valeu de nada. Ele vai aprender com o tempo que o que eu falo não acontece na prática. É que nem aquela namorada, aquele namorado que fala que vai terminar, que não vai aceitar, que se aquilo acontecer de novo, acabou, e a coisa acontece de novo e não acaba. Olha, eu vou te perdoar, vamos dizer, traição, né? A pessoa decide perdoar aquela traição e fala assim,

mas essa é a última vez, eu não vou tolerar mais isso na relação. Aí acontece de novo e a pessoa de novo tolera. Acontece de novo, tolera. O que eu estou ensinando com aquilo que eu tolero? Isso é uma máxima que vale para todas as relações. E aí isso vai criando padrões difíceis de romper depois. Porque o vínculo já aprendeu a funcionar daquele jeito. E aí quando a gente olha para esses pilares, todos que eu falei aqui juntos, a gente consegue entender que faz sentido essa frase.

de que a gente ensina as pessoas a nos tratarem, desde que seja bem compreendida ali. Então, não é para culpar quem sofre, não é para ignorar relações abusivas, relações assimétricas, mas é reconhecer que toda relação é um sistema e que nós participamos, sim, ativamente da forma como esse sistema se organiza. E aí essa consciência, embora ela seja meio desconfortável agora no início, ela é exatamente o que abre espaço para mudança.

se os padrões são aprendidos, como eu falei, eles podem ser desaprendidos. Se os limites não foram ensinados, eles podem agora ser ensinados, serem construídos. Se a forma como você foi tratado até aqui não reflete quem você é, o que você merece, o que você gostaria, isso não precisa ser uma sentença. Isso pode ser agora um ponto de partida para que eu faça diferente, ensine diferente a partir de agora e faça o meu discurso valer.

Quando a gente fala sobre ensinar as pessoas a nos tratarem, é importante a gente também

olhar pra nossa infância aqui, pessoal. Não vou aprofundar tanto nisso, mas assim, muitos de nós, os primeiros aprendizados sobre relação não vieram de escolhas conscientes, mas de uma necessidade. Quando a gente é criança, a gente não tem autonomia emocional. A gente não pode simplesmente sair, discordar, impor limites claros, nos afastar de quem nos machuca. Imagina uma criança que tem uma relação de negligência, de abuso com os pais, com os cuidadores. Ela não pode falar, você não pode me tratar assim,

nunca mais encosta em mim, não vai mais me abusar, não vai mais me bater. Ela pode até tentar falar, mas não tem a garantia de que ela vai ser respeitada. Então, assim, muitas vezes a criança não consegue fazer esse movimento, se afastar de quem machuca. A gente depende emocionalmente muitas vezes e até fisicamente desses adultos ao nosso redor. E é nesse contexto que a gente aprende estratégias para nos adaptar. Inclusive, eu tenho um curso dentro da minha plataforma Psicologia na Praia,

que a gente tem uma comunidade, se você não sabe, para os ouvintes do podcast que querem ir mais profundo, que querem ter acesso a conteúdos exclusivos, materiais extras. E eu tenho um curso que eu gravei para lá sobre feridas da infância, onde eu falo sobre cada ferida, a consequência dessas feridas na nossa vida emocional, na vida adulta. Então, se você quer aprofundar nisso, quer aprender mais sobre isso, tomar mais consciência, o QR Code está aqui na tela, ou se você está pelo celular e não consegue escanear, vai na descrição aqui do episódio.

e se inscreve lá. E além disso, a gente tem encontros ao vivo comigo todo mês. Vai ser bem especial ter você também parte dessa comunidade, tá? Mas continuando aqui o assunto, então assim, muitos de nós quando criança, a gente aprendeu a se calar, outros aprenderam a agradar, outros aprenderam a antecipar a reação, o humor do outro, a não incomodar, a ser fácil de lidar. E isso não é saudável, mas naquele momento foi a forma possível de se proteger.

O problema é que aquilo que nos protegeu na infância, quando é levado automaticamente para a vida adulta, começa a custar caro. Eu já falei várias vezes isso aqui. Na vida adulta, esse padrão vai aparecer com essa dificuldade de dizer não, medo de desagradar, culpa de se priorizar, a tendência a justificar os comportamentos inadequados do outro. Uma sensação constante de que, para manter os vínculos, eu preciso me adaptar mais que o outro.

onde ela é desrespeitada, assim como ela foi lá na infância, onde ela também tem os limites dela sendo negligenciados e tudo mais. E a gente vai repetindo esses padrões, tá? Então é importante que você olhe pra tua infância, tá? E, inclusive, é aqui que entra o desenvolvimento da autonomia emocional, que a gente precisa desenvolver agora adulto se isso não foi feito na infância. Autonomia emocional é você reconhecer que hoje você não é mais aquela criança sem escolha.

Hoje você pode decidir, você pode se posicionar, você pode sair. Eu sei que isso não é uma realidade 100% possível para todas as pessoas, por diversos contextos, às vezes de dependência emocional, de dependência financeira, mas você pode olhar para aquilo que é possível, entender que pelo menos emocionalmente você é capaz de desenvolver a autonomia emocional na vida adulta, desenvolver a capacidade de dizer não, de poder escolher o que você aceita e o que você não aceita. A grande maioria dos casos,

é possível fazer essas escolhas. Não para controlar o outro, mas para cuidar de você mesmo. Então, pessoas emocionalmente autônomas não são frias, duras, egoístas. Elas são pessoas que aprendem. Elas, na verdade, entendem que o amor sem limite vira uma anulação. Que compreensão sem posicionamento vai virar permissividade. E que a maturidade emocional não é você aguentar tudo, mas é você saber até onde ir

Então, na prática, vamos falar da prática, como que a gente começa a ensinar as pessoas a nos tratar melhor? E só uma coisa antes de eu ir pra prática, tá? Se você tá me ouvindo aqui, falando, meu Deus, eu ensinei tudo errado, as minhas relações realmente estão fazendo tudo errado, as pessoas estão me tratando mal e eu tô vendo agora a minha responsabilidade nisso. Não deixa de buscar ajuda psicológica, não deixa de buscar terapia.

Isso pode ter questões bem profundas aí que você vai precisar de uma ajuda profissional pra olhar pra isso.

Então, se você pode fazer esse movimento, agenda uma sessão de terapia, conversa com um profissional. Eu tenho a minha clínica psicólogas treinadas, capacitadas para te ajudar nesse processo. E você pode, através do QR Code na tela ou o link na bio, agendar o seu primeiro passo em direção a essa autonomia emocional que a gente está falando aqui. Agora eu vou falar de alguns passos gerais, de três pontos bem importantes que eu acredito que podem te ajudar

a ensinar as pessoas a te tratarem melhor nos seus relacionamentos. O primeiro passo é você perceber quando você está reforçando os comportamentos que te machucam, te ferem. Muitas vezes isso acontece no automático. Então alguém te culpa, te pressiona, te manipula emocionalmente e aí você cede automaticamente. Mesmo reclamando depois, se ressentindo, mesmo se sentindo mal, você reforça aquele comportamento permitindo que não trazendo nenhum tipo de consequência, de afastamento.

esse caminho funciona com você. Dá pra agir assim com você. Você precisa prestar atenção nisso. Inclusive nas reações do corpo, na tensão, no aperto, na aceleração. Então você prestar atenção quando você está se sentindo machucada, desrespeitada, violada em algum direito seu, ou que alguém está ultrapassando um limite importante pra você. Perceba isso, tá? E aí o segundo passo é você lembrar que você não tá mais

O trauma faz a gente sentir que a gente precisa tolerar, precisa ficar, precisa aguentar. Mas hoje você pode se retirar de situações desrespeitosas, você pode pausar conversas, falar, olha, essa conversa está entrando num lugar de desrespeito, eu não vou continuar conversando dessa forma. Eu não tolero gritos, xingamentos. Enquanto você estiver agindo dessa forma, eu vou me retirar da conversa. Quando você estiver mais calmo, mais calma, e quiser ter uma conversa respeitosa, a gente pode continuar.

Claro, né, gente, que isso vai envolver também você ser uma pessoa respeitosa e que respeita as pessoas. Não preciso nem falar isso, né? Então, assim, você pode pausar conversas, você pode sair de ambientes, falar, olha, eu vou me retirar dessa conversa, eu tô me sentindo desrespeitada, esse assunto não tá legal, não tô gostando da forma como vocês estão falando, então eu tô me retirando. Às vezes você não precisa nem falar nada, você pode simplesmente se retirar, sair, não participar, você pode se afastar de relações que te adoecem, você pode, né, fazer isso não é uma punição,

é autocuidado. E isso ensina algo muito claro. O desrespeito tem consequência. E aí o terceiro passo, gente, que eu acho que o mais difícil é você sustentar esses limites. Mesmo quando isso gera desconforto, mesmo quando você é, mas eu amo a pessoa, eu gosto tanto, isso dói, esse limite que eu botei dói de sustentar, porque aí o outro tenta muitas vezes te convencer, te manipular, ele pede desculpa, fala que nunca mais vai acontecer.

até aceita, né? Às vezes, desculpa, uma, duas vezes, a gente, dependendo do erro, a gente conversa, tenta explicar o que machucou, tenta fazer combinados, nem sempre vão funcionar. Então, às vezes, o dizer o não, ele vem acompanhado de culpa, eu já falei isso, especialmente pra quem passou a vida inteira agradando. Mas a culpa não é um sinal de que você tá errando, eu já falei isso, muitas vezes é só um sinal de que você tá mudando. E aí, quando você coloca um limite e não sustenta,

Você está ensinando para o outro algo. Essa pessoa fala, fala, fala, mas não cumpre. Diz que vai terminar, não termina. Diz que vai se afastar, não se afasta. Diz que vai fazer, não faz. E aí você mostra que os seus limites, eles são frágeis. Quando você sustenta, mesmo com medo, você ensina que ele é real. Ensinar as pessoas a nos tratar não é sobre fazer discurso, palestra, nem sobre ser agressivo, confrontar agressivamente. É sobre coerência, sobre alinhar o que você sente, o que você diz,

que você faz. Lembra disso. Porque no fim das contas, as pessoas aprendem muito mais com a nossa postura do que com as nossas explicações. Talvez você não vai conseguir mudar todo mundo e tá tudo bem, esse não é o nosso objetivo, nem tem como ser. Mas o verdadeiro objetivo é você mudar o teu lugar dentro das relações. Sair do papel de quem se adapta a tudo, sair do lugar de vítima, entrar no lugar de quem se respeita em primeiro lugar, porque o autorrespeito é muito importante. Se você não se respeitar, quem vai te respeitar?

autorrespeito, às vezes, ele custa alguns vínculos. Porque tem relações que só existem porque você permite o desrespeito. Relações que só existem à custa da tua anulação. Isso não é saudável, né, gente? E aí, desenvolver autonomia emocional é, no fundo, você escolher construir vínculos onde você não precisa desaparecer e se anular para caber. Espero que você esteja conseguindo digerir. Eu sei que é bastante forte. Muitas coisas que eu estou falando aqui

que talvez estão chegando pra você aí com um soco no estômago. Mas era pra ser mesmo. Tem alguns episódios que são mais levinhos, outros são mais pesados. Mas eu acredito que você ouviu coisas aqui que você precisava ouvir hoje. E o convite que eu tenho pra te fazer é...

app. Bora ensinar pros nossos relacionamentos como as pessoas devem nos tratar. A gente vai fazer isso respeitando o outro, a gente vai fazer isso da forma mais assertiva possível. Lembrando que assertividade também é treino. Lembrando que isso pode ser feito em terapia, pode e deve ser feito em terapia. Então não deixa de fazer terapia se essa é uma dor, uma dificuldade pra você. E eu vou te lembrar também que, como sempre, a gente tem um material extra de apoio pra te ajudar a processar tudo que você ouviu nesse episódio. Então, também na descrição desse episódio, você

consegue ter acesso ao seu material de apoio, tá bom? Me conta nos comentários o que você pensou me ouvindo. Lembre de enviar esse episódio para amigas, amigos, familiares e vamos juntos construir relações mais saudáveis, mais autênticas. Eu te espero na próxima terça. Um beijo e até lá.

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