#264 - Por que você sofre tanto quando as coisas saem do controle?
Você já percebeu como às vezes o que mais dói não é o que aconteceu, mas o fato de não ter acontecido do jeito que você queria?
A inflexibilidade cognitiva é quando a nossa mente fica presa a um único jeito de pensar, interpretar ou reagir. É aquela sensação de que “tem que ser assim” — e, quando não é, tudo parece dar errado. Isso pode aparecer nos pequenos imprevistos do dia a dia, nas discussões, na dificuldade de aceitar mudanças e até na forma como você se cobra.
Neste episódio, eu te explico o que é inflexibilidade cognitiva, como ela se manifesta na ansiedade, no TOC, no autismo e em padrões rígidos de pensamento, e por que uma mente muito rígida pode deixar a vida mais pesada do que ela precisa ser.
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- Capacidade CognitivaRigidez mental · Dificuldade de adaptação · Interpretação única de eventos · Controle absoluto · Saúde Emocional
- Flexibilidade MentalTreinamento da mente · Autoconsciência · Perguntas abertas · Pequenas doses de incerteza · Diálogo interno
- Aceitação Radical e Negociação com RealidadeLidar com imprevistos · Tranquilidade Total e Confiança · Maturidade Emocional · Deixar que a vida flua
- Exemplos Práticos de Rigidez CognitivaAlteração de planos sociais · Imprevistos no dia planejado · Erros de outras pessoas · Inflexibilidade em exercícios e hábitos · Rigidez em regras internas
- Medo e AnsiedadeInterpretação ameaçadora · Medo de errar · Perfecionismo · Crises de ansiedade
- Terapia Cognitivo-ComportamentalTrabalho com crenças profundas · Exploração de medos e esquemas · Acompanhamento profissional · Raízes da inflexibilidade
- RelacionamentosDificuldade de ouvir o outro · Perspectivas diferentes · Negociação e cedência · Competição vs. construção conjunta
- Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)Pensamentos intrusivos absolutos · Rituais neutralizadores · Necessidade de controle perfeito · Catástrofe se sair do controle
- Impacto da Rigidez Mental nos RelacionamentosDificuldade de ouvir o outro · Intolerância a perspectivas diferentes · Negociação e ceder · Conflito versus construção conjunta
- Diferença entre Flexibilidade e FraquezaFlexibilidade mental não é ser fraco · Adaptabilidade sem perder convicções · Maturidade emocional como capacidade de lidar com o inesperado · Confiança na capacidade de lidar com adversidades
- Transtorno do Espectro AutistaNecessidade de rotina · Mudanças inesperadas desorganizadoras · Estrutura e antecipação · Processamento cerebral diferente
- Maternidade e FlexibilidadeCrianças quebram rigidez · Imprevistos inevitáveis · Aprendizado forçado · Necessidade de adaptação
- Sistema Nervoso e Corpo na FlexibilidadeCorpo tenso dificulta flexibilidade · Respiração lenta · Alongamento · Desaceleração física · Estado de alerta constante
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E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou a Alana Nijá, sou psicóloga, especialista em terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano.
aqui todas as terças-feiras com um novo conteúdo pra te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais inteligência emocional. Então já me ajuda aí logo no início desse vídeo, se você puder, se você tá me assistindo, né, você tá vendo o vídeo, então aí pelo YouTube já deixa o seu like, se inscreve no canal. E se você tá me ouvindo pelo Spotify ou alguma outra plataforma de streaming, lembra de seguir o podcast, avaliar, fazer o que for que der pra fazer aí pra você não deixar de receber toda semana,
um novo episódio e também isso me ajuda a chegar a mais pessoas com esse conteúdo que eu sei que ajuda muita gente. Eu fico muito feliz de ver tantas mensagens que vocês me mandam, comentários toda semana falando sobre como o Psicologia na Prática tem te ajudado, como tem feito diferença no teu dia, na tua semana. Continuem compartilhando comigo, inclusive, tá? A gente tem tanto o Instagram do Psicologia, que é o arroba Psicologia na Prática Pode, quanto o meu Instagram pessoal, arroba Alana Anijar,
você também consegue acompanhar um pouquinho mais ali da minha vida pessoal, do meu trabalho também, embora que agora, assim, não sei quando que você vai ouvir esse episódio, né? Mas provavelmente meu terceiro filho já vai estar nascendo ou ter nascido, então talvez eu esteja meio off ali, mas a gente sempre está compartilhando conteúdos com vocês por lá também. E hoje, gente, a gente vai conversar sobre um tema que parece um pouco técnico, tá? Mas calma, porque na prática afeta profundamente a nossa vida,
e a nossa saúde emocional, que é a inflexibilidade cognitiva. Eu vi muitos Reels saindo nesses últimos tempos sobre esse assunto, não sei se chegou até você, mas muita coisa de tanto pessoas da psicologia quanto o público geral mesmo falando sobre esse tema, também muito em alta por conta do Big Brother Brasil, não sei se você acompanhou, mas tem uma integrante lá, uma participante, a tia Milena,
trouxe esse assunto, né, falando que ela tinha uma rigidez cognitiva, e aí eu vi pessoas falando sobre isso e tudo mais, inclusive ela teve algumas crises de ansiedade lá por conta disso, e por conta da questão do autismo também, muitas pessoas falando a respeito disso nas redes sociais, e talvez esse nome, ele soe complicado, mas a experiência é muito simples e muito humana, tá? A inflexibilidade cognitiva, ela é basicamente quando a nossa mente, ela fica travada,
em um único jeito de pensar, de interpretar ou de reagir às coisas. É quando a gente tem dificuldade de se adaptar às mudanças, de considerar outras perspectivas, de aceitar que a realidade nem sempre vai seguir o roteiro que a gente escreveu na nossa cabeça. É como se a nossa mente dissesse assim, ó, tem que ser desse jeito que eu previ, que eu planejei e pronto. E quando não acontece, a gente sofre.
a gente tem algum grau de rigidez mental. Isso faz parte do funcionamento humano. O problema é quando essa rigidez vira um padrão dominante. Quando a pessoa começa a viver com a sensação constante de que o mundo está sempre errado e que ela está sempre certa. Ou de que qualquer coisa que sai ali do planejado passa a ser insuportável de lidar. Então imagina a seguinte cena. Você combina de sair com uma amiga.
Reels que eu assisti esses dias, tá? Uma ceninha que a pessoa fez, assim. Combinou de sair com uma amiga, já montou todo o filme na cabeça de como que vai ser. Pensou que seriam só vocês duas nessa saída, nesse encontro, né? Imaginou ali a conversa, o clima, o tipo de comida que vocês iam comer, o que vocês iam fazer. Talvez até escolheu a roupa, né? Pensando nesse contexto. E aí, em cima da hora, essa amiga te manda uma mensagem dizendo olha, eu chamei a fulana pra ir com a gente, tudo bem? E aí, de repente, essa fulana é uma pessoa que você nem conhece.
E ela chamou pra ir junto. E aí na hora, não é só uma pequena mudança de plano pra você. Por dentro de uma pessoa com muita rigidez cognitiva, alguma coisa trava. Vem uma irritação desproporcional com a situação. Vem uma frustração, às vezes até uma vontade de nem ir. E não porque a outra pessoa que foi convidada seja um problema real, porque você não gosta da outra pessoa, não tem a ver com isso. Mas é porque o roteiro que você montou na sua cabeça tava quebrado, foi quebrado ali.
Simples que eu, inclusive, eu vou até confessar pra vocês, eu comecei a lembrar e pensar e ver que eu sou uma pessoa com um pouco de rigidez cognitiva. Tá aí, ó, eu sempre falo de vida leve, que eu tenho um monte de coisa, às vezes eu tenho dificuldade de lembrar alguma coisa, assim, pra falar, mas isso aí eu vi que eu lido. Já melhorei muito, mas eu lembro de muitas vezes, assim, na minha adolescência e até hoje, que quando as coisas mudam de planejamento, aquilo me incomoda muito.
questão, né, de dificuldade mesmo, de adaptação com cenários diferentes e tudo mais. A nossa mente, ela pode sofrer mais com a mudança ali de plano, né, do que com o problema em si. Então, esse é um outro exemplo aqui que eu vou trazer pra vocês, muito do nosso cotidiano, tá? Pensa que você planejou o teu dia inteiro, né, na noite anterior você já foi dormir com tudo organizado na cabeça, o horário que você ia acordar, o que você ia resolver primeiro, o que vinha depois,
Quanto tempo que cada coisa ia levar. E aí você acorda com aquela sensação, né? De tá, o meu dia tá sob meu controle. E aí, em algum ponto, alguma coisa sai do roteiro. Pode ser um atraso no trânsito, uma reunião que é cancelada, alguém que muda o combinado, uma criança, né? Se você tem ali um filho que passa mal. O imprevisto que a vida simplesmente coloca no caminho, que é natural, normal. Só que uma pessoa com mais flexibilidade, ela pode até se frustrar, claro. Mas ela consegue pensar algo como, ah, não era o que eu queria,
mas vou aqui me reorganizar, vai dar tudo certo. Vamos ver o que dá para salvar desse dia ainda, depois eu ajusto o resto. Já uma pessoa com uma mente mais rígida, ela vive isso quase com uma catástrofe interna. Não é só um plano que deu errado, é aquele dia inteiro que parece ter sido estragado, e aí a cabeça dessa pessoa começa a dizer, olha, isso acabou com o meu dia, nada mais vai prestar, já saiu do controle, não adianta mais tentar.
E muitas vezes a pessoa entra num estado de irritação, num desânimo, numa ansiedade,
que é muito maior do que o tamanho real do problema, entende? Vocês estão percebendo como que, nesses casos, o sofrimento não vem tanto pelo imprevisto em si, mas vem da dificuldade da mente em aceitar que a realidade não saiu como o roteiro ali que ela tinha previsto. Então, o problema não é o imprevisto, é a rigidez da interpretação. Então, a inflexibilidade cognitiva, ela aparece de uma forma muito mais clara em alguns quadros clínicos.
por exemplo, transtorno obsessivo compulsivo. A gente vê isso nas pessoas com diagnóstico de autismo. Pessoas também com transtornos de ansiedade. Então, por exemplo, no TOC, a pessoa tem pensamentos intrusivos muito rígidos, muito absolutos. Ela sente a necessidade de neutralizar esses pensamentos com rituais. É como se a mente dela dissesse se não for exatamente assim, algo muito ruim vai acontecer. E aí essa pessoa não consegue relaxar
sente que não está tudo perfeitamente no controle dela. No autismo, por exemplo, a gente também vê com frequência uma necessidade maior de previsibilidade, de rotina, de constância. Não quer dizer que você tenha autismo só porque você precisa de mais previsibilidade, tá, gente? Porque todos esses transtornos, eles vêm com vários critérios. Então, não é para você se autodiagnosticar com nada. Inclusive, você pode simplesmente ter a mente bastante rígida e não ter nenhum transtorno, tá?
Mas no caso do autismo, mudanças inesperadas podem ser extremamente desorganizadoras emocionalmente. E não porque a pessoa é teimosa, cabeça dura, mas porque o cérebro dela funciona com uma necessidade maior de estrutura, de antecipação. Então, na ansiedade, a inflexibilidade aparece muito na forma de uma mente que se agarra ali como uma única interpretação ameaçadora da realidade. Então, a pessoa pensa, por exemplo, se eu errar vai ser um desastre.
não agradar, vou ser rejeitado. Se algo sair do controle, eu não vou dar conta. E a mente simplesmente não consegue considerar outras hipóteses. Então, isso é uma mente rígida, né? Mas vem uma parte agora bem importante. Presta atenção aqui comigo, tá? A inflexibilidade cognitiva, como eu falei, não é exclusividade de quem tem um diagnóstico. Eu não tenho um diagnóstico. Como eu falei, acho que a minha mente é um pouco mais rígida em algumas coisas. Já melhorou muito. E pode melhorar. Todos nós podemos, sim,
tornar a nossa mente mais flexível. É como fazer um treino com o corpo. Se você é uma pessoa toda dura ali, toda cheia de dores, vai lá, imagina, você vai começar a fazer alongamento, você vai começar a fazer um pilates, você vai começar a se exercitar pra que você ganhe mais flexibilidade. É isso que a gente vai ter que fazer com a nossa mente, tá? Então, tem aquela pessoa, por exemplo, que só consegue fazer exercício se for no mesmo horário, todo dia, do mesmo jeito.
coisa muda, o dia já fica todo estragado. É aquela pessoa que tem regras internas muito duras, né? Do tipo, eu não me permito descansar, eu nunca posso errar, eu sempre tenho que dar conta de tudo. Então, aquela mente que funciona muito no 880, no tudo ou nada, no certo ou errado, sucesso, fracasso, esse tipo de funcionamento mental vai aos poucos deixando a nossa vida, como você pode imaginar, muito mais pesada. Porque a vida, por definição, ela é instável, gente. Ela é imprevisível,
Ela é imperfeita. A gente fala muito disso quando a gente fala de agraver outros episódios, né? De como lidar com imprevistos, como aceitar coisas que fogem do controle. Quando a gente tenta viver com uma mente rígida em um mundo que é flexível e naturalmente volúvel, o resultado é quase sempre mais ansiedade, mais frustração e mais cansaço emocional. A rigidez mental, ela pesa muito também nos nossos relacionamentos, tá?
ou pessoas muito inflexíveis, elas tendem a ter mais dificuldade de ouvir o outro, né? De verdade, de considerar perspectivas diferentes, de negociar, de ceder. Então, tudo vira uma disputa ali de quem está certo. Em vez de ser uma construção conjunta, vira uma competição, né? Então, assim, é importante a gente entender que ser flexível não é ser fraco, não é ser uma pessoa sem opinião, não é ser uma pessoa indecisa, mas ser flexível,
é ter uma mente adaptável. Presta atenção nisso. É você conseguir sustentar as suas convicções sem transformar essas convicções ou esse planejamento, essa organização, em uma prisão. A flexibilidade mental é o que vai nos permitir sofrer menos quando a vida muda, que a gente possa encontrar soluções quando algo não sai como planejado, que a gente consiga amadurecer emocionalmente, que é o que a gente quer aqui, não é? E uma boa notícia,
como eu falei, é que a flexibilidade cognitiva é uma habilidade treinável. O primeiro passo, se você está anotando, para começar essa caminhada, é você perceber quando você está entrando em um modo mental rígido. É essa autoconsciência. É aquele momento em que a tua cabeça começa a ficar irritada, a pensar, não, isso não pode ser assim, isso tem que ser assim, só existe um jeito, se não for assim eu não aceito. E aí, só de você nomear,
esse teu padrão mental e falar, tá, peraí, eu tô sendo rígido agora, eu tô sendo rígida com isso. Por que que isso tá me incomodando tanto? Tá, isso foi só uma mudança de plano. Acontece, as pessoas erram. Eu tô lembrando aqui que eu citei o exemplo do Big Brother, eu não sei pra quem acompanhou ali, mas essa participante, essa Milena, né, ela veio falando sobre essa questão dela ser muito rígida, ela já faz terapia há dois anos, a psicóloga já trabalha com ela essas questões, e aí ela tava falando, ela
Teve uma prova que eles fizeram lá e era em grupo. E aí uma das participantes cometeu um erro ali, né? Que influenciou o grupo inteiro a perder. Esqueceu de pegar um bastão quando tinha que pegar. E quando a Milena viu que essa participante tinha cometido um erro e por isso todos tinham perdido, ela surtou ali, né? Ela começou a ficar muito nervosa. Teve uma crise mesmo. Chegou até a... quase bateu ali com o capacete.
com essa pessoa que tinha errado, sendo que foi um erro super plausível, que outras pessoas tinham cometido também. E aí depois ela pediu desculpa, e aí ela falou que isso era um problema dela, que ela ficava... Então assim, quando ela viu aquele erro, não era nenhum erro dela, ela também estava sendo rígida para lidar com o erro dos outros. Na cabeça dela tinha que ter funcionado daquele jeito, e naquele momento foi muito difícil para ela lidar, mas por fazer terapia já, primeiro ela sabia que ela tinha essa dificuldade, ela pediu desculpas depois que ela, enfim,
brigou e tudo mais, mas pediu desculpa. E ela nomeia, ela sabe que ela é rígida dessa forma, né? Mas então, só de nomear naquele momento que você está sendo rígido, você já cria ali um pequeno espaço pra escolha. Então, esse espaço pra escolha, ele é muito importante. O segundo passo, depois de tomar autoconsciência, de reconhecer que você está sendo rígido, é você aprender a fazer perguntas que abrem a tua mente. Então, em vez de perguntas que ferram,
Então você se perguntar, existe outra forma de ver isso? Que outras explicações são possíveis? Se alguém que eu admiro estivesse nessa situação, como que essa pessoa pensaria sobre isso? Bom, os planos mudaram, mas será que tudo realmente está perdido? Pera, por que eu estou me irritando tanto com essa situação? Uma outra pessoa vai junto, está tudo bem. Não vai ser como eu pensava, mas pode ser ainda melhor. Ou mesmo que não seja melhor, mas é o que é, a vida é o que é.
surpreende pra algo ainda melhor, às vezes não, às vezes é pior, mas até as frustrações nos treinam pra sermos mais flexíveis, tá? E aí um terceiro treino muito poderoso aqui é você experimentar pequenas doses de incerteza de propósito, sabe? Então você mudar pequenos hábitos, você variar caminhos que você sempre faz pra ir pro mesmo lugar, você sempre vai pra aquele caminho. Hoje você vai treinar tua mente a ir pra um outro caminho. Ah, eu sempre faço
isso, dessa forma. Hoje eu vou fazer de outra forma. Não fazer tudo sempre do mesmo jeito. Não pra você virar uma pessoa caótica ali, mas pra ensinar pro teu cérebro que ele consegue sobreviver fora desse controle absoluto. Às vezes a maternidade nos ensina muito isso. Você tem ali uma pessoa, uma mãe às vezes que é muito rígida, que tudo tem que ser muito certinho, muito regrado, tudo no mesmo horário. Você vai ver que a criança vem pra quebrar todos esses paradossos.
esses paradigmas, e aí não vai ser sempre assim, por mais que você queira ter uma casa, e tem, né, mães que são mais rígidas, mais regradas, outras que vão ser mais flexíveis, mas a criança por si só, ela é flexível, ela é, ela, claro, precisa de previsibilidade, mas ela vai desafiar muitas das nossas regras e muitas das nossas coisas que tá tudo ali no controle, e aí você tá saindo de casa e a criança faz um cocô, ela passa mal, ela faz uma birra em um momento que não, que você não
tinha tempo de parar pra, né, não teria tempo pra parar e contornar, e aí você é obrigado a se tornar mais flexível, ou então a maternidade, ela vai ser extremamente pesada. Então, isso não é sobre você ser, ai, vou relaxar agora e vou, você sabe, de qualquer jeito, deixar a vida me levar, não tem a ver com isso. Mas é você estar aberto para as mudanças, aberto para os imprevistos, aberto para pessoas que pensam diferente, pra mudar o ritmo, pra mudar o caminho,
pra fazer as coisas de uma forma diferente. Sabe aquela pessoa que abre a geladeira e fala, vou fazer uma receita hoje com o que tem aqui. Às vezes a gente tem que treinar o nosso cérebro pra lidar melhor com improvisos. Tá bom? Então, faça isso. Treine o seu cérebro para caminhos diferentes. Outro ponto importante, muito dentro da terapia cognitivo-comportamental, é você aprender a dialogar com a tua própria mente. Então, em vez de você brigar com o teu pensamento rígido, você pode dizer coisas como essas que eu dava dando exemplo aqui. Olha, ok.
mente, eu entendo que você está tentando me proteger. A gente aprendeu a lidar com tudo muito dentro do previsto, muito rígido, mas agora a gente vai considerar outras possibilidades também. A gente vai aprender a fazer as coisas de um outro jeito. A gente vai deixar que outras pessoas também tenham voz. A gente vai aprender a ver as coisas de outra forma. Isso é bom pra mim. Você vai se repetir. Isso é bom pra gente, mente. Vamos lá.
Também, não dá pra ignorar o nosso corpo nisso tudo, né? Porque um corpo sempre tenso, sempre em estado de alerta, dificulta muito a
a flexibilidade mental, tá? Então você se lembrar de respirar mais devagar, de alongar, de desacelerar fisicamente. Às vezes você tá lá fazendo as coisas tão apressadas e tal, tal, tal. E aí você se lembra, por que eu tô com pressa mesmo? Calma. Vamos fazer devagar. Isso ajuda o teu cérebro a sair desse modo de ameaça constante. Acalma o teu sistema nervoso. E eu gosto muito de pensar que a flexibilidade mental é, no fundo, a capacidade de negociar com a realidade,
lutar contra ela o tempo todo. Aquilo que a gente já falou muitas vezes aqui sobre a aceitação radical. É você acordar atrasado, talvez, em vez de transformar isso numa catástrofe emocional, você pensar, tá bom. Não era o ideal, mas o dia ainda existe. Eu vou reprogramar, vai dar tudo certo. É você receber uma crítica e em vez de entrar automaticamente na defensiva, você conseguir se perguntar o que pode ser útil aqui nessa crítica pra que eu cresça? O que essa pessoa talvez está vendo que eu não tô vendo?
que maturidade emocional não é controlar tudo, é você saber se adaptar quando as coisas saem do controle. Então se eu pudesse resumir esse episódio em uma frase, seria algo assim, uma mente rígida tenta fazer a vida caber nela, mas uma mente flexível aprende a caber na vida. E talvez no fundo uma vida mais leve ela não tenha a ver com tudo sob o nosso controle, mas tenha a ver com a gente confiar que a gente consegue lidar com o que vier. Então antes de encerrar,
Eu quero te falar também que eu preparei um presente pra você, tá? Pra você levar esse tema pra prática. Eu organizei um material de apoio com exercícios, com perguntas de reflexão, com alguns desafios, tá? Pra você treinar a flexibilidade mental nessa semana. Então, não é só pra você ler, é pra você usar mesmo, pra você escrever, pra pensar, pra se observar. O link pra baixar esse material tá aqui na descrição desse episódio, tá?
E se você sentiu que esse tema conversa aí com a tua vida, né? Que você precisa dessa ajuda,
Então eu te recomendo muito a tirar esse tempo para fazer essas atividades, esse processo com calma, porque é aí que a transformação vem, que a informação vira mudança mesmo. E aí eu também preciso te falar outra coisa bem importante como psicóloga, tá? Tem níveis de rigidez que não vão se resolver só com boa vontade, com força de pensamento. Quando a inflexibilidade está muito ligada à ansiedade, ao medo, padrões antigos, essa história de controle, de insegurança,
percebeu ou já sabe que você tem um quadro como toque ou algum outro transtorno, a terapia vai fazer uma diferença enorme. A terapia, você não trabalha só o comportamento, você vai na raiz, nas crenças, nos medos, nos esquemas que fizeram a tua mente aprender que só é seguro quando está tudo sob o teu controle. Então, a flexibilidade mental é uma habilidade emocional que muitas vezes precisa ser construída com uma ajuda profissional, com cuidado, com acompanhamento.
Então, se esse episódio falou com você nesse sentido, vai lá no link da Bill também, que eu tenho ali o link da minha clínica para você agendar uma sessão de terapia e começar esse processo, que vai ser, tenho certeza, transformador para você que está me ouvindo. E agora, chegando ao fim, eu quero te pedir para compartilhar também com outras pessoas. Se esse episódio te ajudou, compartilha com alguém que vive muito preso nos próprios padrões ou que talvez precise ouvir esse conteúdo.
você conhece também. Obrigada por ter me ouvido até o final. A gente se vê no próximo episódio. Até terça que vem.
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