#274 - Ouça se você se sente responsável pela paz da sua família
Você é aquela pessoa que percebe tudo antes dos outros, tenta suavizar o clima antes que o conflito exploda e sai de todo almoço em família com um cansaço que não é só físico? Talvez você não tenha escolhido esse papel conscientemente — mas de alguma forma ele foi sendo seu.
Neste episódio, eu te explico o que é ser o mediador emocional da família, de onde esse padrão vem e o preço silencioso que ele cobra na sua vida adulta. E mais do que isso: como começar a sair desse lugar sem se sentir egoísta por isso.
Porque paz que depende da sua anulação não é paz. É exaustão.
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- Impacto Emocional na FamiliaO papel do mediador emocional · Origem do padrão de mediador · Custo silencioso do papel · Sinais de ser mediador familiar · Impacto nas relações amorosas
- Abandono no momento críticoDiferenciar o que é seu e do outro · Tolerar o desconforto de não intervir · Parar de traduzir emoções alheias · Construir autonomia emocional · Criar novo diálogo interno
- Tratamentos e TerapiasDesmontar padrões emocionais · Diferenciar responsabilidades · Sustentar desconforto sem controle · Reconstruir autonomia emocional · Clínica Psi do Futuro
Oi, eu tenho aqui um recado do Léo Santana pra você. Escuta aí. O GG na área pra dizer o seguinte. O Magalu e eu queremos convocar todos os brasileiros pra gente voltar a se ver do tamanho que de fato somos gigante. Chega de se ver pequenininho. Bora botar o Brasil no telão. Ouviu? E mais, em qualquer compra a partir de R$199, você ainda pode concorrer a uma sala completona. São seis salas por dia até a nossa estreia.
E aí minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática, eu sou a Alana Nijá, sou psicóloga e especialista em terapia cognitivo-comportamental.
E como você sabe, eu tô aqui todas as terças-feiras com um novo conteúdo pra te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais inteligência emocional. Então se você me escuta aqui toda semana e gosta do meu conteúdo, eu quero te convidar, te pedir pra você que tá me assistindo no YouTube.
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E a gente vai então pra esse episódio hoje. Eu quero começar esse episódio te trazendo uma cena aqui pra você imaginar comigo, tá? Imagina um almoço de família, tá todo mundo na mesa. No começo, né, tá um clima leve, conversa normal, até que alguém fala alguma coisa atravessada ali.
Aí o outro responde num tom mais duro. E aí antes mesmo da discussão começar de verdade, você já sentiu, né? O teu corpo sentiu, o teu corpo muda, o peito dá uma contraída, você fica mais atento, tua mente acelera. E você já começa a entender ali, calma, isso aqui vai dar um problema, eu preciso fazer alguma coisa, porque se eu não intervir vai piorar.
E aí você entra em cena, você muda o assunto, você tenta suavizar, você traduz o que um quis dizer para o outro, tenta acalmar o outro, você tenta manter a paz. E talvez até funcione ali naquele momento, o conflito dá uma diminuída, o clima volta ao normal. Mas quando você vai embora, vem aquela sobrecarga, aquele cansaço emocional, como se você tivesse carregado algo o tempo todo.
E só depois que você sai ali, você percebe aquele peso. Você já se viu numa situação assim? Você se reconhece nisso? Talvez, tá? Você que tá me ouvindo aqui, tenha assumido sem perceber um papel muito específico na sua família. O papel do mediador emocional. E hoje a gente vai falar justamente sobre esse assunto e sobre o custo disso. E principalmente como sair desse lugar sem culpa.
Então, ser um mediador da família, claro, não é um cargo oficial, né? Ninguém te escolheu conscientemente, ninguém te deu esse título, mas de alguma forma você foi ocupando esse lugar, isso foi acontecendo. Talvez você tenha virado a pessoa na sua família que percebe tudo, que entende todo mundo, que evita conflito, que tenta manter o equilíbrio, que resolve a tensão antes que ela exploda.
E isso muitas vezes até traz elogios, né? Então você já deve ter ouvido ao longo da sua história o quanto você é madura, o quanto você é sensata, o quanto você é quem segura tudo. Você é diferente. E isso confunde porque parece algo positivo que você está fazendo.
E aqui eu já atendi pessoas que desde uma idade muito nova, desde crianças ocupam esse lugar. Adolescentes, crianças que já mediavam a própria relação dos pais. Os pais brigando e desabafando com a criança e a criança responsável por mediar e por fazer as pessoas se darem bem. É um peso muito grande. E existe uma diferença muito importante entre ser uma pessoa emocionalmente madura
E ser uma pessoa emocionalmente responsável por todo mundo. Porque o mediador, ele não só participa das relações, ele regula as relações. E aí isso muda completamente o lugar que você ocupa. Você deixa de ser alguém dentro do sistema da tua família e vira alguém que sustenta esse sistema.
E isso com o tempo custa muito caro, mesmo que você seja adulto, isso ainda é muito pesado. E esse padrão, ele não nasce agora na vida adulta, como a gente sempre fala aqui, isso vem lá de trás, vem muito antes. Ambientes em que talvez tinham ali tensões frequentes, brigas frequentes, conflitos não resolvidos, uma instabilidade emocional, ausência de adultos emocionalmente disponíveis, saudáveis.
E aí a criança vai aprendendo algo que pode até ser bem, assim, sutil, mas ela vai aprendendo. Eu preciso ajudar a manter as coisas em ordem aqui nessa casa.
E isso não acontece de forma racional, é claro, né? Mas isso vai acontecendo no corpo da criança, né? Começa a desenvolver uma hipervigilância emocional, né? Ficar o tempo todo... Será que vai ter briga agora? O que vai acontecer agora? Ela começa a perceber, né? Nossa, eu percebi uma mudança de tom aqui, uma expressão facial estranha ali, um silêncio.
Uma energia no ambiente diferente. Então eu preciso trazer alegria. As pessoas estão tristes. Eu preciso estar sempre aqui percebendo o que está acontecendo para eu ajudar as pessoas e deixar a minha casa, meu ambiente com mais paz.
Antes mesmo de um conflito acontecer, é quase como um radar emocional que algumas pessoas têm. E isso tem uma função, muitas vezes até de sobrevivência, porque em ambientes instáveis assim, você prever o conflito significa se proteger. Agora, tem algo mais profundo nisso tudo. Muitas dessas crianças vão aprendendo que conflito é perigoso.
Que tensão, não pode existir tensão, não pode existir um silêncio desconfortável, isso precisa ser resolvido rápido. A emoção intensa precisa ser controlada, porque senão pode acabar aqui uma pessoa agredindo a outra. Alguém precisa dar conta disso. E muitas vezes esse alguém vira essa criança. E aí ela vai desenvolvendo estratégias como tentar agradar os adultos para melhorar o clima.
cede, né, então não faz coisas que toda criança faz, quer fazer uma birra, quer querer a sua própria vontade, né, os meus filhos, eu vejo assim, eles não estão nem um pouco preocupados em melhorar o clima da minha casa, eles querem o que eles querem, se eles estão cansados, eles vão chorar, eles vão, sabe, pedir o que eles querem.
E, claro, a gente tem que cuidar para nos tornar uma criança mimada, mas o que eu estou querendo dizer é que eles não têm essa preocupação, eles estão simplesmente vivendo as próprias emoções. Mas em um ambiente como esse que eu descrevi, com essa instabilidade, a criança acaba perdendo esse direito e começa, então, a ceder, a mediar, a suavizar, evitar confronto, ser boazinha para que eu não seja um problema nesse lugar que já está cheio de problema.
E essas estratégias funcionam naquele contexto, mas o problema é que a criança cresce. Nós crescemos, todos nós. E aí esse padrão continua. E na vida adulta, você entra em relações, muitas vezes, com o mesmo funcionamento. Então, eu preciso manter tudo bem. Se eu não fizer nada, isso aqui vai andar. Eu tenho que ajudar a resolver.
E aí isso vira uma identidade mesmo, mas não é a tua identidade ser um mediador, resolver. Isso é você se adaptando para conseguir se relacionar da forma que você aprendeu. Então, vamos falar de alguns sinais de que talvez você tenha assumido esse papel. Vamos trazer isso para o concreto, tá? Veja se você se reconhece em alguma dessas coisas que eu vou falar. Você pode fazer aí um checklist mental mesmo, ou escrever.
e você vai levantando aí os dedos ou dando um check se você se identificar. Me conta nos comentários, inclusive, com quantos desses sinais você se identifica. Então, primeiro, você se incomoda profundamente com conflitos.
Segundo, você tenta resolver problemas que não são seus. Então, como eu falei ali, às vezes eram os teus pais, um problema de relacionamento deles, e você queria resolver aquilo. Ou então você... Terceiro, tá? Se sente culpada quando alguém tá mal. Então, você tá ali na tua casa, na tua família, tem alguém mal, você olha praquilo, eu tenho que fazer essa pessoa ficar bem.
não tem nada a ver comigo, mas eu me sinto culpada por ela estar mal e preciso resolver aquilo. Quarto, evita se posicionar para não piorar as situações. Então eu vou guardar aqui, eu não vou falar para não piorar, vou engolir, vou levar, vou passar batido, passar um pano nessa situação, porque não vamos brigar, não vamos piorar aquilo que já está ruim. Quinto, sente que precisa equilibrar as pessoas. Então a pessoa está meio desequilibrada, está meio fora do prumo.
Eu vou fazer alguma coisa pra ela melhorar. E claro, isso aqui, gente, pode até... A gente precisa ter esse nível de empatia dentro da nossa família. A gente querer ver alguém melhor. A ver que a pessoa tá mal. Vou lá, vou fazer um agrado. Só que isso não pode ser um peso. E não pode gerar uma culpa na gente. Porque aí sim, isso é um problema. Sexto, você percebe tudo antes dos outros. Então, as pessoas não estão nem vendo que tá já gerando um conflito ali. Mas você tá aqui na...
Na tua casa, você percebeu tudo. Você está vendo já que alguém que está mais irritado e daqui a pouco vai começar alguma coisa. Você está super atento a todas as emoções das pessoas ao teu redor. Sétimo, se sente exausto depois de interações familiares. Aqui a gente está falando no ambiente familiar. Então, depois de interações familiares, você sente que foi demais, que te sobrecarregou emocionalmente sentir exausto.
Oitavo sinal, você sente que precisa ser a pessoa forte na tua casa, na tua família de forma geral. E talvez o mais importante, tá? Você sente que se você não fizer algo, as coisas vão sair do controle. Me fala aí com quantos desses sinais você se identificou. E assim, gente, isso...
Não é maturidade, não é só uma qualidade. Pode até ser que você seja uma pessoa super empática, mas isso não necessariamente é um sinal positivo. Isso é um sinal muito claro de sobrecarga emocional. Então, não é maturidade. E isso custa um preço muito alto. Esse papel custa um preço alto.
Ele aparece de forma quase silenciosa. Então, primeiro você está ali e começa a perceber um cansaço emocional constante. Você está sempre processando o ambiente, atento, sempre ajustando. E aí depois você percebe que tem uma dificuldade de acessar as suas próprias emoções. Você ficou tão treinado para olhar para o outro que perdeu o contato com você mesmo.
Aí isso vai gerando um ressentimento com o tempo, porque em algum momento aparece aquela sensação, aquele pensamento de, poxa, eu faço tanto pelos outros e ninguém faz por mim. Eu me preocupo tanto com os outros, ninguém está tão preocupado com o que eu estou sentindo, pensando. Eu nunca tenho espaço também para falar o que eu preciso. E aí vem a culpa e você volta para o ciclo.
E isso vai refletir nas suas relações, principalmente as amorosas. Pessoas assim vão ter dificuldade nas relações amorosas. Por quê? Porque elas vão fazer esse esquema que elas faziam com a família, de tentar manter o clima bom, assumindo demais a responsabilidade, entendendo demais o outro, se adaptando demais, e acaba entrando em relações onde você continua sendo mediador.
Só que as relações amorosas, elas precisam ter espaço para o conflito, para a tensão, para o desconforto.
para que a relação possa crescer, possa se ajustar. Não dá para você continuar sendo responsável pela paz desse relacionamento na vida adulta. Na família, talvez você tenha sobrevivido. No relacionamento, isso vai acabar destruindo com as tuas emoções e com o relacionamento. Então, essa exaustão emocional profunda do viver no estado de alerta, existe um preço. E até as nossas relações vão acabar pagando por esse preço.
E aí, gente, eu sei que ouvir tudo isso pode dar uma mistura de sentimentos, né? Por um lado, tá, faz sentido, eu entendi. Só que por outro, cansa só de perceber o quanto você carregou até aqui. Porque entender esse padrão é uma coisa, né? Mas mudar é outra coisa.
A gente não aprendeu a ser assim se você está chegando aqui. Não foi desde ontem. Isso aqui é um padrão de anos. Você aprendeu isso, às vezes, uma vida inteira. E não é só questão de decidir mudar. Porque o nosso corpo ainda reage como se fosse nossa responsabilidade. Então é aqui que muitas vezes a terapia entra. Ela faz toda a diferença. Porque na terapia você não só entende esse padrão. Como começa a desmontar ele de forma bem prática. Você vai aprender a diferenciar o que é teu do que não é.
a sustentar esse desconforto sem precisar controlar tudo, a reconstruir a tua autonomia emocional e principalmente de sair desse lugar de culpa pelas emoções do outro. Na minha clínica, Psi do Futuro, você consegue encontrar psicólogas que estão preparadas exatamente para te ajudar nesse processo.
Então, se você está cansada de carregar tudo isso sozinha, talvez esse seja o momento para você fazer diferente. O link para agendar a sua primeira sessão está aqui na descrição desse episódio, ou você pode acessar também pelo QR Code que vai aparecer aqui na tela. Então, assim...
A terapia é o caminho, o melhor caminho para tudo isso, mas eu vou te dar aqui alguns passos práticos, algumas dicas para você conseguir, a partir de hoje, mesmo com esse episódio, mudar. Se for uma mudança que você consiga fazer sozinho, que não é uma coisa assim tão rígida, é possível que você veja a diferença já nesses próximos meses aí nos seus relacionamentos. Então, o primeiro de tudo, que é uma lição que eu falei da terapia, mas que a gente pode começar aqui mesmo, por exemplo.
É você diferenciar o que é seu e o que é do outro. Talvez você já tenha ouvido falar isso, ouvido outras psicólogas falarem isso, porque realmente é uma lição das mais importantes para a vida, para a maturidade emocional. Nem todo desconforto que você sente é tua responsabilidade. Então você precisa aprender a se perguntar, isso aqui é algo que eu preciso resolver, que eu devo resolver, isso aqui é meu? Ou eu estou só reagindo ao ambiente?
E entrando naquele velho padrão de tentar consertar coisas que não são da minha responsabilidade. Então, essa é a primeira coisa, tá? Então, você tá lá na tua família, você tá vendo... Às vezes tem aquela mãe que sofre de depressão há anos.
E você a vida inteira se sentiu responsável por aquela mãe. Desde criança você era uma filha boazinha e você queria cuidar da sua mãe. Você sempre ajudou a sua mãe. A tua mãe se desabafava para você e você aprendeu a ser essa pessoa para ela. E agora você está buscando a tua independência. Você está querendo construir a tua vida. Você saiu de casa ou está querendo sair.
Você se sente culpado. Você não quer desvincular da tua mãe porque... Como que ela vai ficar sem mim? A vida inteira eu ajudei ela. E aí você começa a perceber que essa mãe... Estou dando aqui um exemplo. Pode ser um pai, pode ser uma irmã, pode ser outra pessoa. Mas essa pessoa não busca ajuda profissional. Essa pessoa nunca se movimentou para fazer uma terapia. Para... Para...
fazer mudanças na vida dela que são importantes, que você já aconselhou, que outras pessoas já aconselharam, essa pessoa não busca ajuda. Ela simplesmente se apoiou em você durante todos esses anos. Então, você vai começar nesse momento de maturidade da tua vida a separar as coisas. Espera aí, isso não é meu.
Eu preciso dar agora o espaço para a pessoa andar com as próprias pernas. E deixa eu te contar uma coisa, tá? As famílias não costumam gostar quando essa pessoa que é o mediador da família corta esse vínculo, corta esse papel, sai desse papel, na verdade. Porque vai desequilibrar todo aquele sistema que já estava acostumado com isso há muito tempo. Vão ter almoços de família em que você vai ver o clima ficando pesado e ao invés de você tentar aliviar, você vai...
contemplar, perceber, falar, bom, isso aqui não tem a ver comigo, né, isso aqui não é mesmo, não diz respeito a mim, e as coisas vão acontecer como tem que acontecer, ah, mas se eu não intervir o negócio vai escalar, não sei o que, não sei o que, meus pais vão se separar, se eu não ajudar meus pais, eu já ouvi isso, tá, se eu não ajudar, se eu não ouvir, se eu não mediar, eles vão se separar.
é necessário que você dê o espaço para as coisas acontecerem. Um casamento não pode ser sustentado por causa de um mediador, ainda mais quando esse mediador é o filho. Então, a gente precisa deixar que as pessoas resolvam as suas próprias questões. Certo? Segunda coisa importante. Tolerar o desconforto.
De não intervir. Então, tem um pouco a ver com isso que eu acabei falando aqui no primeiro ponto. Mas, assim, tudo em você vai querer agir. Você vai querer intervir. Tem aquela irmã ou aquele irmão que não deu certo em nada na vida. Está sempre passando dificuldade financeira.
quando está lá no meio da família, você fica querendo dar conselho, você quer ajudar aquela pessoa a sair daquele lugar, você quer que todo mundo esteja bem, você vai parar, você não vai mais intervir. Não é que você não vai mais querer ajudar, mas você vai tirar um pouquinho a tua mão ali das coisas que você está tentando fazer, dar certo, e que há anos você vê que não está funcionando.
O treino é pausar, respirar e deixa que as coisas sigam o seu curso. Deixa o conflito existir sem você controlar, deixa o desconforto acontecer. Isso é importante também para as pessoas amadurecerem e para você amadurecer. Isso também é importante nos relacionamentos. Às vezes, eu não falo, eu não coloco um limite com a minha família porque eu não quero trazer esse desconforto.
Então lá nos encontros de família, ou aqui dentro de casa, se você mora com a tua família, você deixa as pessoas falarem coisas que te desrespeitam, que você não gosta, porque você não quer causar um conflito. Coloque o limite, sinta o desconforto, eu sei que é difícil, mas é importante que você rompa com esse padrão. Terceiro passo.
parar de traduzir as emoções dos outros. Sabe? Você não precisa ficar explicando o que alguém quis dizer. É muito comum isso, quando tá lá todo mundo junto e aí começa a ter um conflito, às vezes, entre os irmãos ali.
E aí você já vai lá, eu tenho essa tendência. Não, olha, o que ele tá querendo dizer? Tem até um exemplo, assim, bem que aconteceu recentemente. Eu tava na casa de um parente meu, e tinha um casal lá que era de namorados, eu tava no quarto, eu tava ouvindo eles na cozinha discutirem. E lá do quarto eu tava ouvindo que eles não estavam entendendo o que um outro tava falando.
Um tava falando uma coisa, o outro tava entendendo, o outro eles estavam brigando e pra mim que tava ouvindo de fora era claro que era uma falta de comunicação ali. E eu não me segurei, gente. Psicóloga, né, um pouco de crise de ser a mediadora aqui, porque eu cresci também passando por isso, tá? Isso que eu tô falando pra vocês, eu já vivi na minha pele. E aí eu saio do quarto e vou pra cozinha, acreditem se quiser. Eu me meti na conversa e falei, olha, eu tava lá no quarto, eu tava ouvindo.
O que ele tava querendo dizer é isso, o que você tava querendo dizer é isso, eu acho que tal, tal, tal, tal, me meti ali. Até que ajudei eles, realmente, ali naquele momento. Só que ninguém pediu a minha ajuda, no final das contas eles terminaram mesmo. E assim, esse é um exemplo em que aquilo ali não me pesou, não me fez entrar em nenhuma furada, assim, foi algo pontual. Só que às vezes a gente tem o padrão de fazer isso, né, e a gente quer...
Por exemplo, proteger uma pessoa ali da nossa casa. Isso é muito comum. As mães fazem isso com os filhos, tá? Quando os filhos já são maiores, mais velhos, até adultos. E eu já vi isso acontecer assim. O filho já cresceu. Aí o pai e o filho brigam. Aí a mãe quer proteger o filho pro pai não brigar com o filho. Não, mas veja bem. Ele agiu assim por isso, isso e tal, total.
Você não precisa explicar o que alguém quis dizer. Não é tua responsabilidade de ficar traduzindo. As pessoas têm que se virar. Se o fulano é sempre mal compreendido, o fulano tem que melhorar a comunicação dele. Está sendo mal compreendido. Você não precisa ficar tentando proteger sempre essa pessoa.
você precisa relaxar, cuidar dos teus pensamentos, da tua comunicação, se as pessoas estão te compreendendo ou não. Cada pessoa precisa se responsabilizar pelo próprio comportamento, pelas próprias falas. Está pesado isso aqui, né? Está fazendo sentido por aí? Me contem nos comentários, tá?
E aí uma outra coisa muito importante nesse processo é você buscar construir a tua autonomia emocional. A tua vida precisa existir fora desse papel de mediador. Você precisa de uma rotina própria, de vínculos fora da tua família, sabe? De realmente, se você vai ter um namoro, se você vai se casar.
Você precisa resolver isso, porque vai ser um problema tão grande quando você sair. E vai estar ainda... Isso tem muito a ver com o episódio que eu gravei sobre relações emaranhadas. Depois você procura aí. Eu não sei se é esse o título.
Mas eu vou botar, vou pedir pro Rick que edita esses vídeos aqui, botar o link aqui desse episódio aqui na tela. Depois aí você pode ir lá e ouvir. Porque se você se identificou com esse episódio e não ouviu aquele, é tarefa de casa, tá? Porque eu falo muito sobre como que esses padrões de amaranhamento familiar se desenvolvem. E aí hoje eu tô...
trazendo um dos papéis desse emaranhamento, que é esse mediador, tá? Então você precisa construir vínculos fora da tua família, ter uma identidade independente da família. Isso não significa cortar o vínculo, não falar mais com a minha família, brigar com a minha família. Não, não tem a ver com isso. Você precisa de uma relação saudável com eles, mas você vai sair desse papel e vai deixar que as pessoas se resolvam. Beleza?
E aí, no meio disso tudo, é preciso criar um novo diálogo interno. Se antes você pensava, eu preciso resolver isso, você vai buscar pensar diferente. Olha, eu posso confiar que isso não depende de mim.
Se antes eu pensava, se eu não fizer algo, a família vai se destruir. Agora você vai pensar, bom, a minha família não vai se destruir por minha causa. Se eu sou a pessoa que sustenta tudo isso, então, infelizmente, essa família não vai conseguir ser sustentada porque eu não tenho a capacidade de segurar isso pela minha vida inteira.
Então você vai confiar que as pessoas conseguem se resolver. Ah, não, se eu não estiver lá para ajudar, vai ser terrível. Não, as pessoas vão conseguir. Talvez não seja mil maravilhas, talvez tenham brigas, talvez tenham conflitos, talvez tenham pessoas que vão ficar sem se falar. Seja o que for que acontecer, as pessoas vão se resolver, no fim das contas. E se não se resolverem, é porque não era para se resolver mesmo, não dependia de você, tá bom?
Então, diz-me, gente, se você que estava aqui se identificou com esse episódio, eu quero muito que você leve algo claro com você desse episódio. Você não nasceu para segurar tudo. Você não nasceu para equilibrar tudo, todo mundo. Sai desse lugar, tá? Isso não te faz egoísta, isso te faz alguém saudável emocionalmente, tá? A paz da tua família não depende da tua anulação, não depende do teu esforço. Isso não é paz, isso é exaustão.
Você merece relações que você possa existir e não só ficar ali sustentando. Então, se fez sentido para você, me conta aqui nos comentários. Envia esse episódio para amigos, para familiares. Envia para a tua família para eles ouvirem também, para eles entenderem o que está acontecendo. E me ajuda a levar essa mensagem para mais pessoas. A gente se vê no próximo episódio. Um beijo e até lá.
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