Episódios de Psicologia na Prática

#269 - Essa ferida da infância pode te impedir de ganhar dinheiro

07 de abril de 202633min
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Você já travou na hora de cobrar, negociar ou pedir aumento — mesmo sabendo que entrega resultado? Às vezes você até ganha mais, mas vem uma culpa estranha, como se não pudesse relaxar, como se “ter demais” fosse perigoso. 

Neste episódio, eu te mostro por que dinheiro vira gatilho emocional e como, muitas vezes, a trava não é falta de capacidade: é uma ferida antiga ligada a merecimento, medo de incomodar e necessidade de aprovação. Você vai entender como essas associações se formam na infância e como a TCC explica o ciclo da autossabotagem financeira — além de 4 passos práticos para treinar tolerância ao desconforto e construir prosperidade com mais autonomia e autoestima.

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Participantes neste episódio1
A

Alana Nijá

HostPsicóloga
Assuntos3
  • Relacao Emocional com DinheiroCrenças disfuncionais · Autossabotagem financeira · Terapia cognitivo-comportamental · Desconforto emocional · Merecimento e segurança
  • Educacao Financeira InfantilCondicionamento emocional · Relação com dinheiro · Culpa e insegurança
  • Gestão de Dinheiro e PoupançaIdentificação de regras internas · Reestruturação cognitiva · Exposição comportamental
Transcrição87 segmentoswhispermlx/large-v3-turbo

E aí, minha gente, sejam muito bem-vindos ao Psicologia na Prática. Eu sou a Alana Nijá, sou psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, mestre em ciências do desenvolvimento humano, e tô aqui toda terça-feira com um novo conteúdo pra te ajudar a construir uma vida mais leve, com mais inteligência emocional.

E hoje, como vocês podem ver, ainda estou aqui gravidíssima, gente. De 38 semanas, correndo contra o tempo para gravar todos os episódios que eu preciso gravar. Que bom que está dando tudo certo. Ou seja, vocês não vão ficar sem episódio de nenhuma semana. Vocês devem estar ouvindo esse episódio. E eu estou com o meu bebezinho recém-nascido no colo, meu terceiro filho. Obrigada por todas as mensagens que vocês têm mandado. Saibam que para mim é uma alegria gravar esses conteúdos. Por mais desafiador que esteja nessa fase final.

E eu quero começar te pedindo aí para retribuir esse esforço aqui meu. Se você gosta do meu conteúdo e você está me assistindo aí no YouTube, já sabe, se inscreve, deixa o seu like, isso me ajuda muito. A plataforma entender que esse é um assunto relevante para você.

Entregar para mais pessoas. E se você está no Spotify ou outro streaming, lembra de seguir o podcast, deixar a sua avaliação. E assim a gente vai continuar trazendo muito conteúdo para você ter uma vida mais leve. Lembrem também de interagir comigo nos comentários, tá? É super importante eu ter esse feedback de vocês. Eu sempre leio todos os comentários, acreditem. Nem sempre consigo responder todos, mas sempre leio todos.

E hoje, gente, eu quero conversar sobre um tema que parece de finanças, tá? Mas calma, que na prática é muito mais emocional do que a gente pensa. A gente vai falar sobre prosperidade financeira e sobre como a nossa mente pode estar nos impedindo de chegar lá.

E antes de você pensar, isso é um papo de coach, de mindset. Aqui a gente não vai cair nos extremos, a gente não vai romantizar a pobreza, nem culpar a pessoa que passa por dificuldades reais, porque não é tudo a ver com a nossa mente, nem tudo é um reflexo do que a gente pensa. Existem muitas dificuldades reais. Aqui no Brasil a gente tem uma desigualdade econômica e social gigante.

Mas a gente também não vai achar que o dinheiro é puramente material, que não tem nada a ver com a nossa vida emocional, com os nossos pensamentos. Claro, o dinheiro não é a solução de todos os problemas. A gente não vai falar de você ficar milionário em pouco tempo, antes dos 30 anos. Não tem nada a ver com isso, tá? Mas falar sobre dinheiro ainda é um tabu muito grande.

mas não tem jeito, todo mundo lida com dinheiro na vida adulta então é melhor a gente saber lidar bem e não permitir que as nossas emoções estejam no caminho disso esse episódio de hoje, ele surgiu de uma ideia eu sei que vocês gostam muito dessa coisa das feridas emocionais de a gente falar, quando eu falo de feridas emocionais eu estou trazendo aqui uma linguagem leiga, informal

para falar sobre crenças disfuncionais que a gente vai aprendendo desde a nossa infância, tá? E isso tem tudo a ver com a psicologia, tem respaldo na psicologia, então é um papo sério que a gente vai falar aqui. E hoje a gente vai falar então dessa ferida emocional que pode estar impedindo você de ganhar dinheiro, de prosperar financeiramente. E a minha ideia é trazer outros episódios, se vocês gostarem desse.

sobre outras feridas emocionais que podem estar impedindo você de viver um relacionamento amoroso e feliz, que podem estar impedindo você de ser realizado no trabalho, porque todas essas coisas são influenciadas, sim, pelas nossas crenças e pelas nossas feridas, tá?

Então, falando sobre dinheiro nesse episódio, além de fazer contas, planilhas, planejamentos, que é tudo importante, a gente vai falar nesse episódio de algo que quase ninguém fala, que é como a tua história, a tua infância moldou o que você acredita sobre dinheiro, sobre merecimento, sobre segurança e como que isso pode gerar conflitos nas tuas decisões financeiras hoje sem você perceber.

Então, para começar, vamos falar sobre o dinheiro como um gatilho emocional. E por que isso mexe tanto com a gente? Então, imagina comigo uma cena simples. Pode pausar para tomar sua água também.

Imagina comigo a seguinte cena, tá? Você é alguma, um empreendedor, um empreendedor, um autônomo, e alguém te manda uma mensagem pedindo um orçamento do teu serviço. Aí você abre o WhatsApp para mandar o valor e dá o quê? Um frio na barriga. Você demora para responder, reescreve a mensagem algumas vezes.

E aí começa a dar um desconforto e vem pensamentos na sua mente, né? Será que a pessoa vai achar caro? E se ela achar que o meu trabalho não vale isso? Me achar interesseiro? E se ele não me contratar? E aí quando você percebe, você manda lá uma mensagem já meio que pedindo desculpa pelo preço que você está passando. Olha, o valor é tal, mas eu posso ver um desconto para você. Ou pior, você nem passa o valor. Você pergunta quanto que a pessoa está disposta a investir.

E aí você deixa a pessoa determinar o seu valor. Você já passou por alguma coisa parecida com isso? Ou uma outra situação de alguém que não é empreendedor, trabalha CLT, trabalha numa empresa, você sabe que entrega o resultado, que você está sendo bom naquele trabalho, mas só de pensar em talvez pedir um aumento, vem um bloqueio ali. Não, imagina, não quero incomodar. Podem achar que eu estou exagerando, é melhor eu ficar quietinho aqui na minha.

Ou então você vai para uma entrevista de emprego e não consegue falar ali sobre a questão financeira, de qual que é a tua pretensão salarial. E você segue fazendo no teu trabalho, por exemplo, mais do que deveria, esperando que alguém um dia te reconheça.

Tem pessoas que quando começam a ganhar um pouco mais se sentem estranhas, se sentem culpadas. Não conseguem ficar alegres, desfrutarem do seu dinheiro, por mais que seja digno do trabalho. É quase como se sentisse realmente uma culpa e pensasse, será que eu mereço esse dinheiro?

Acredite, tem muita gente que passa por isso. Eu já atendi, já conversei. Eu mesma já tive muitas dificuldades de lidar com o dinheiro, mas por questões de insegurança, questões emocionais. E aí você pode acabar gastando por impulso, ajuda todo mundo, faz dívida, perde controle.

É como se o teu cérebro dissesse, olha, eu não sei viver com esse tanto de dinheiro aqui, eu vou voltar para um lugar que é conhecido para mim, um lugar de perrengue, de dívida, e aí eu fico lá naqueles ciclos que se repetem. Isso é muito comum, tá? Pessoas habilidosas, muitas vezes, capazes, mas que vivem se sabotando financeiramente.

E não é falta, às vezes, de capacidade. Muitas vezes é uma ferida emocional antiga que se ativa justamente em temas relacionados com dinheiro, com valor, com poder, com autonomia, com conflito. Então vamos falar sobre isso. Qual é essa ferida da infância que pode influenciar e sabotar a sua vida financeira? A ferida mais comum por trás de travas com dinheiro e 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不 不

Não tem a ver, embora também a gente possa ver questões como da falta de ambição e tudo mais, mas não tem a ver só com isso ou com o descontrole financeiro. É uma sensação antiga, muitas vezes, de que ser você mesma, demonstrar suas necessidades, desejos, opiniões, limites, é um lugar perigoso. A gente já falou disso aqui, em muitas famílias, a criança aprende que o amor, a atenção, a segurança... ...

vem com uma condição de ser fácil, ser boazinha, de não dar trabalho. Isso parece bonito quando a gente olha de fora, né? Ai, nossa, é tão madura, tão responsável, tão comportada. Mas por dentro, muitas vezes, é um pedido de socorro emocional. A criança entendeu que precisava ajustar, se ajustar, se adaptar para manter o vínculo.

E quando você cresce com esse aprendizado, qualquer movimento que envolva você se colocar, dizer o que você quer, o que você precisa, o que você merece, eu vou cobrar, eu vou pedir, eu vou negociar, isso ativa uma culpa automática, um desconforto automático ali, como se você estivesse cometendo algo errado.

E isso pode ter começado também em casas onde o afeto era condicionado. Não necessariamente pais ruins, maldosos. Às vezes eram pais que estavam cansados, ansiosos, rígidos, sobrecarregados ou emocionalmente imaturos.

Por exemplo, você só recebia elogio quando tirava nota boa, quando ajudava, quando era discreto, quando não chorava. A associação que o nosso cérebro faz acaba sendo muito simples, né? Necessidade é rejeição. A emoção que eu sinto, que eu transpareço, me leva sempre para problema. Se eu peço, se eu me coloco, se eu manifesto a minha vontade, isso é perigoso, isso é arriscado.

E aí, sem perceber, você vira criança que antecipa o humor do pai, que sente a atenção da mãe, que aprende a ler o clima da casa e vai adaptando esse teu comportamento para não piorar as coisas. Esse é um cenário possível para você.

Tá me ouvindo. Mas tem também um outro cenário muito comum que tem a ver com pais imprevisíveis ou muito autoritários. Então, às vezes, você pedia algo simples, né? Ah, pedia uma roupa, um passeio, um brinquedo, um material escolar e a resposta já vinha carregada de irritação. Você acha que dinheiro nasce em árvore? Você tá achando que eu sou um banco? Você só sabe pedir, você não dá valor pras coisas. Quem que já ouviu isso na infância?

Mesmo que não fosse frequente, bastava episódios repetidos para o nosso cérebro registrar. Sempre quando tem a ver com dinheiro, tem conflito, pedir é motivo de vergonha, cobrar é sempre reconhecido como um abuso. E aí isso vai criando um padrão ali na nossa mente e uma crença mesmo em torno desse assunto.

Em outros casos, gente, o dinheiro também era um tema proibido. Em muitas famílias, o dinheiro tinha a ver com ameaças, com dívidas, com brigas, com instabilidade. A criança que cresce com esse ambiente, ela começa a ter uma mistura de medo, de culpa. Porque se eu quiser mais, é o caso do problema. Se eu tiver muito, eu viro uma pessoa ruim.

Se eu falar de dinheiro, isso dá briga. Isso aparece, na verdade, na vida adulta com umas travas que às vezes são irracionais, mas que fazem total sentido quando você entende o aprendizado emocional que está por trás.

ou então a pessoa vai para um outro extremo de ficar extremamente rígida com dinheiro aquele famoso pão duro, mão fechada mesmo que às vezes tem condições, mas não investe, não faz, não compra, não gasta porque tem medo de voltar para um lugar de instabilidade, de escassez então a gente precisa olhar para os nossos comportamentos

atuais e a gente vai aos poucos entendendo da onde que veio aquele aprendizado que hoje nos faz agir como a gente age. E tem uma ferida também ainda mais invisível

que é quando a criança vira responsável pela emoção dos adultos. Vocês sabem como que é isso? Uma mãe que chora fácil ali na frente da criança e diz que a criança está responsável por aquela tristeza, está deixando ela triste. Nossa, depois de tudo que eu fiz por você, tudo que eu faço por você, nossa, vai me matar de desgosto, é ingratidão.

Ou então um pai que se fecha e pune com silêncio quando você desagrada. Então a criança aprende que amor é frágil e pode sumir se contrariar alguém.

E aí na vida adulta, como eu falei, tudo isso que envolve cobrar, negociar, impor limites, vai virar um problema e até uma associação às vezes de você sentir que vai ser rejeitado, que vai ser abandonado. E percebe como tudo isso se conecta diretamente com o dinheiro? Porque dinheiro na vida adulta exige posicionamento. Você dizer preço, você sustentar valor, você ouvir não.

Você frustrar alguém, você não ceder sempre. Então presta atenção nisso. Se você aprendeu que frustrar alguém era perigoso, você vai preferir perder dinheiro do que perder o vínculo com as pessoas. Ontem mesmo eu estava no encontro ao vivo da comunidade do Psicologia na Prática. Para quem não sabe, a gente tem uma comunidade onde você tem acesso a conteúdos exclusivos para além do podcast. E o encontro ao vivo todo mês comigo.

E a gente estava falando justamente sobre essa questão da relação com o dinheiro, de, ah, eu tenho medo de perder o vínculo, eu pago as coisas para os meus amigos, eu empresto dinheiro, eu faço um monte de coisas, porque o dinheiro acaba se tornando uma forma de obter a atenção, o carinho, o afeto. Isso é muito perigoso, tá?

Agora, a gente vem para uma parte que muda tudo aqui no nosso papo, tá? Como seria uma forma melhor dos pais agirem, tá? Se você é pai ou mãe, essa parte também vai te ajudar a partir de agora. Porque não é deixar a criança fazer tudo, né? A gente precisa sim ser ensinado limites, mas com segurança emocional.

Então a gente deveria falar para os nossos filhos e ter ouvido na nossa infância coisas como, olha, eu entendo que você quer isso, só que agora não dá. Você pode ficar frustrado, eu estou aqui, frustração faz parte. A gente vai falar de dinheiro sem brigar. Dinheiro é um assunto importante, mas não é motivo de briga. Está tudo bem você precisar ou querer algo.

Eu te amo mesmo quando você reclama, mesmo quando você erra, mesmo quando você desagrada. Frases dessa forma, quando repetidas, elas vão criando uma base interna muito diferente. A pessoa cresce entendendo que ela pode pedir, que ela pode negociar, que ela pode se posicionar, sem sentir que ela está colocando a relação em risco.

quando você não teve isso, o trabalho na vida adulta, é atualizar essas associações antigas. Então você não é mais aquela criança dependente do humor dos outros para estar segura. Você pode suportar desconforto, você pode sustentar limite, você pode perder a aprovação de alguém e continuar inteira.

E quando isso entra no sistema emocional, o dinheiro, ele para de ser um gatilho de culpa e ele passa a ser um tema de escolha, de autonomia, de construção. Olha que importante isso, tá? E na terapia cognitivo-comportamental, a gente entende esse padrão como um ciclo muito claro que você, se é ouvinte do psicologia, já sabe, vamos ver se você está lembrando aí de cabeça, tá? A gente sabe que uma determinada situação...

Vai influenciar a forma como eu penso, eu vou gerar pensamentos, interpretações. Essas interpretações vão influenciar a forma como eu me sinto. Esses sentimentos, emoções vão influenciar a forma como eu me comporto. E os meus comportamentos geram consequências.

E aí, muito importante entender que quando esse ciclo se repete, muitas vezes ele não vira só um hábito, ele vira a tua identidade. A pessoa começa a acreditar que é assim mesmo, que ela passa a agir no automático sem perceber que ela está reforçando uma ferida antiga, geralmente ligada a desvalor, a rejeição, ao medo de desagradar.

Então vamos pegar um exemplo bem comum para ver como que essa ferida emocional vira uma auto-sabotagem financeira, por assim dizer, tá? Então vamos pensar uma situação em que você recebe um convite para fazer um trabalho extra. Um freelancer ali, uma consultoria, uma proposta de parceria ou até uma conversa com seu chefe para assumir mais responsabilidade na empresa.

Aí vem pensamentos automáticos na sua mente, como por exemplo, se eu cobrar um valor mais alto, vão desistir. Ou tem gente melhor cobrando menos. Se eu pedir um aumento, vão achar que eu sou ingrata. Eu não posso decepcionar. Se eu colocar um limite, vão preferir outra pessoa. Eu preciso aceitar para não perder essa chance.

Percebe como são pensamentos muito comuns? E esses pensamentos parecem realistas, mas no fundo eles carregam uma crença de que o meu valor é frágil. Qualquer limite pode virar uma rejeição.

E aí você pode ir para emoções como ansiedade, né? O medo de perder aquilo, aquela oportunidade. A vergonha, né? O medo de parecer metido demais. Culpa, como se você estivesse pedindo demais. Insegurança, como se você tivesse que provar que merece.

E é claro que com essas emoções, você vai ter comportamentos, muitas vezes, de evitar essas emoções do jeito mais rápido possível, que é cobrando menos, dando desconto antes mesmo da pessoa pedir, aceitando prazos que às vezes são impossíveis, faz um agrado extra para compensar o preço, entrega muito mais do que foi combinado, diz sim para tudo, não negocia, não pergunta, não sustenta o valor.

E às vezes nem manda proposta, porque só de pensar em cobrar já dá um desconforto enorme. Eu conheço pessoalmente pessoas, tem uma pessoa específica da minha convivência que é uma pessoa muito capaz, muito habilidosa, que tem tudo para ganhar dinheiro com aquilo que ela faz, mas que ela não consegue.

cobrar, ela se sente muito nervosa, muito perfeccionista, tem toda uma questão que impede ela de conseguir usar as habilidades dela como uma fonte de renda. E isso é um problema grande, porque na vida adulta a gente precisa de dinheiro pra gente se sustentar, pagar nossas contas, conquistar as coisas que a gente deseja.

E é uma pessoa que simplesmente não ganha dinheiro hoje por questões emocionais, travas emocionais. Essa pessoa pode ser você também. A pessoa tem um potencial gigante, mas vive com dificuldade financeira. A gente precisa olhar para isso, porque, como a gente falou lá no início, parece às vezes que ela precisa se organizar melhor, fazer uma planilha, tem que fazer isso, aquilo.

muitas vezes não tem nada a ver com isso tem a ver com travas emocionais e aí as consequências elas vêm, né? se você começa a evitar ou fazer tudo isso que eu falei ali no curto prazo, vem um alívio ufa, aceitaram

Pelo menos não me rejeitaram, mas no longo prazo vem a conta. Muitas vezes exaustão, se sente usada, ganha pouco. Começa a comparar com os outros, fica ressentido. Perde prazer no que faz, autoestima cai. E aí a mente conclui, tá vendo? Eu não consigo, não sou bom o suficiente.

Reforça a crença de desvalor. É um ciclo ruim, porque você evita o desconforto agora de cobrar, de negociar, de se impor, de se colocar, de vender o teu trabalho. Mais você paga caro depois. E o pior, quanto mais você cede, mais o teu cérebro vai aprendendo que ceder é necessário para ser aceito. E mais difícil fica de mudar. Tá?

E aí a gente vai para uma próxima parte aqui do nosso episódio, que é sobre ganhar dinheiro, não é só sobre estratégia, que é o que é muito falado hoje, né? Mas tem a ver também com tolerância emocional. Como assim, Alana? Vamos falar sobre isso. Como que a gente muda isso para a gente conseguir ganhar dinheiro? A verdade é que...

Muitos de vocês que estão me ouvindo aqui, não é a motivação que está faltando, mas está faltando uma tolerância ao desconforto. Porque crescer financeiramente exige atitudes que emocionalmente podem estar apertando um botão antigo em muita gente. Porque é desconfortável fazer essas coisas que a gente está falando, né? Cobrar, negociar, ouvir não e tudo isso. Lidar com críticas, colocar limites, se expor.

aceitar que nem todo mundo vai gostar do teu produto, do teu serviço, do teu posicionamento. E não é só fazer, né? Porque é sustentar o que vem depois. A ansiedade, o medo da opinião alheia, a sensação de estar sendo egoísta.

Então, se a ferida da infância foi que eu não posso incomodar, não posso dar trabalho, preciso ser boazinha, então tudo isso vira ameaça. É óbvio que cobrar vai ser algo que vai gerar culpa, negociar vai virar medo, se posicionar vai virar um risco de rejeição, e aí, sem perceber, você começa a escolher caminhos mais seguros. Ah, eu vou ficar aqui quietinha, vou ficar no bastidor, vou aceitar menos, vou me calar, vou adiar.

Vou fazer de graça para não perder a chance. Vou trabalhar dobrado para compensar o preço. E chama isso de humildade, muitas vezes, quando, na verdade, tem a ver com medo.

Então a pergunta que eu quero que você faça para você mesmo é qual desconforto eu estou evitando hoje e que está me custando dinheiro? Você pergunta isso. Talvez seja ter uma conversa com o seu chefe, que você já está lá trabalhando há cinco anos, seis, sete, oito, nove anos.

E você entrega muito mais, mas nunca conseguiu falar sobre um crescimento ali dentro. Talvez seja falar do seu trabalho com mais clareza, explicar o que você faz, né? Eu tenho exemplos perto de mim de pessoas que são autônomas, empreendem, e elas têm vergonha de falar do trabalho que elas fazem. Não porque elas acham o trabalho ruim, mas porque se expor, falar, né? Dar um cartão, mandar uma mensagem oferecendo algo.

mexe com a nossa insegurança, com a identidade, mexe com questões que são profundas. Talvez seja você subir o seu preço. Eu, como psicóloga, que já trabalhei ajudando tantas psicólogas a se posicionarem melhor nas suas carreiras, eu fiz isso durante vários anos, hoje não faz mais parte do meu trabalho, mas eu via como elas tinham dificuldade de se expor nas redes sociais, como elas tinham dificuldade de cobrar um preço justo pelo seu trabalho.

E eram ótimas psicólogas, mas que tinham inseguranças. Talvez seja você parar de dar desconto por ansiedade antes da pessoa pedir. Talvez seja você cobrar uma dívida, pessoas, clientes que estão te devendo. Talvez seja você dizer não para demandas que te sugam e estão te impedindo de crescer.

Tem pessoas aqui me ouvindo que talvez querem empreender, querem vender coisas que estão paradas no seu armário, mas você tem vergonha de vender. Eu não sei qual que é a tua questão hoje, mas eu tenho certeza que alguma coisa aí veio na tua cabeça agora. E é exatamente aí que mora o próximo passo, tá?

E aí eu vou te dar quatro ações práticas pra gente conseguir trabalhar isso, se essa é uma questão pra você, se você já percebeu que te atrapalha, que te incomoda, tá? Então começando pequeno, mas sendo eficiente pra mudar essa realidade, quebrar esses padrões emocionais que estão te impedindo de prosperar financeiramente. Anota aí se você tá com caneta e papel na mão.

Primeiro de tudo, identificar essa regra interna por trás do dinheiro. O problema raramente é só o pensamento de eu não consigo cobrar, ou eu não mereço o aumento, eu não sei vender, tá? É o que está por trás disso. Por exemplo, eu não posso ser um problema, o que vão pensar de mim, eu vou virar uma pessoa egoísta. Então faz esse exercício. Quando você pensar em cobrar, vender, pedir aumento, negociar, e aí e aí e aí

completa. Se eu fizer isso, isso significa que eu estou sendo o quê? Se eu pedir isso, eu tenho medo que eles vão pensar o quê? Aí você vai começar a identificar as regras que estão mantendo os seus comportamentos, tá? Eu citei vários deles aqui, imagino que você já deve ter tido alguns insights do que pode ser, e aí você vai...

escrever no papel o que é para você. Qual é a questão? Vou me achar abusado? Vou me rejeitar? Eu vou perder o cliente? Vou ser criticado? Vou ser egoísta? Quando você dá nome para isso, você para de achar que é falta de coragem e começa a enxergar que é um padrão que foi aprendido e pode mudar. E aí a gente vai para a segunda ação, que é a reestruturação cognitiva. Tem a ver com pensar mais realista, não mais positivo.

Então, é sobre pensar com realidade. Em vez de discutir com você mesmo ou tentar expulsar o medo, você vai fazer perguntas que abrem espaço, que enfraquecem a certeza automática de que vai dar ruim. Então, você pode se fazer perguntas como que evidência real eu tenho de que cobrar um preço justo me torna uma má pessoa? Se alguém que eu amo estivesse no meu lugar, o que eu diria para ela? Eu diria para ela cobrar ou para se diminuir?

O que eu perco toda vez que eu me anulo? Pode ser dinheiro, energia, respeito, autoestima, tempo. Qual que é um meio termo saudável entre eu me anular e entre eu ser agressiva?

Você pode ser clara, firme e ainda assim ser respeitosa. Então, pratica essa comunicação. Você pode treinar no espelho. Escreve ali o que você gostaria de falar. Ou até grava um áudio para você mesmo e escuta. Por mais que seja desconfortável, isso vai te ajudar a desenvolver essa habilidade. E aí, guarda isso aqui. Você não vai sair do eu tenho medo, eu sou confiante, de uma hora para a outra.

Esse salto que vai acontecer do não consigo para... Eu posso treinar, eu posso me desenvolver. É uma mudança que vai exigir de você. Essa mudança é o começo da virada. Isso vai colocar você no caminho da prática. E é a prática que muda a tua relação com o dinheiro.

E aí a ação, a próxima ação, a terceira ação, tem a ver com a exposição comportamental gradual. O comportamento, ele vem antes da segurança. Porque a coragem, ela não chega simplesmente, gente. Ela é treinada. Quanto mais você pratica, mais confiante você se torna. E na terapia cognitivo-comportamental, a gente não espera a ansiedade sumir para a gente agir.

A gente age apesar dela. E isso vai ensinando o teu cérebro que você dá conta. Quanto mais você pratica, mais confiante você se torna. E não porque o medo vai desaparecer, mas porque ele não vai mais mandar em você. Então essa exposição gradual, ela começa...

A gente já falou disso aqui, mas você pode fazer uma lista das coisas que são mais difíceis para você nessa questão financeira, até o que é mais fácil. Você vai aos pouquinhos se expondo. Pode ser guardar dinheiro todos os meses. Vou começar a oferecer o meu produto, o meu serviço.

Vou postar sobre o meu trabalho no Instagram. Eu vou pedir ajuda para alguém de confiança. Eu vou negociar um contrato. Eu vou cobrar um valor justo. Eu vou pedir aquele aumento. O que for relevante para a tua realidade. Tá? Então, um exemplo aqui de uma escada de exposição. Vamos pensar aqui do mais fácil para o mais difícil.

O mais fácil aqui, enviar um orçamento com o valor fechado, sem ficar justificando demais. Vou dizer, esse é o meu valor. Vou ficar em silêncio. Sem ficar justificando, preenchendo o vazio. Eu vou negar um desconto de uma forma simples. Olha, eu não consigo ajustar esse valor. Esse é o valor que eu trabalho.

colocar um limite no escopo, olha, por exemplo, isso aqui não está incluído, eu vou te entregar, isso aqui é o que eu consigo entregar, parar de ficar entregando um milhão de coisas extras. Então você vai fazer ali daquilo que é mais fácil até aquilo que é mais difícil e aos poucos você vai se expondo. Na terapia você consegue ter uma ajuda profissional para ir...

trilhando esse caminho, tá? Inclusive fica esse convite aqui pra quem não faz terapia ainda e percebe que tá tendo prejuízos na tua vida profissional, financeira por conta de coisas que você me ouviu falando hoje. O QR Code tá aí na tela, o link na bio também, sempre pra você. Na bio não, né? O link na descrição do episódio.

Pra você agendar uma sessão de terapia e começar esse processo. Uma das psicólogas que eu indico aqui na minha clínica, tá? Então a pergunta que você tem que se fazer é eu aguento 10 minutos de desconforto pra me sentir mais confiante? Pra me aproximar da vida que eu quero ter? Porque no fundo vai ser desconfortável, mas o desconforto passa e os ganhos, as consequências ficam.

tá? E uma regra de ouro, gente, não meçam o sucesso de vocês pelo teu sentimento, mede pelo comportamento. O sucesso é, eu fiz mesmo com medo. O sucesso é, eu me posicionei, eu sobrevivi, eu não me traí, eu cobrei o meu preço, eu falei o que eu precisava falar, independente, elas raramente vão sair do papel, porque falta clareza, parecem muito distantes. Então na TCC a gente trabalha com metas específicas, mensuráveis.

com o próximo passo claro, porque isso reduz a ansiedade, isso vai aumentar a tua sensação de controle, tá? Uma meta grande demais, geralmente, é vista como uma ameaça, e a ameaça gera mais evitação. Então, vamos colocar pequenas metas, vamos enfrentar esses desconfortos, vamos começar a questionar os nossos pensamentos antigos, para que essas feridas emocionais do passado, elas não continuem atrapalhando a nossa vida financeira hoje, tá bom?

Então se você cresceu achando que precisava ser fácil de lidar para ser amada, é natural que cobrar, pedir, negociar, se posicionar pareça algo perigoso hoje. Mas agora você é uma adulta, um adulto, e está tudo bem quebrar padrões antigos para construir a vida que você deseja ter.

E ganhar dinheiro dentro do que é possível na sua realidade hoje, passa por uma coisa que ninguém te ensinou. É sustentar o desconforto sem abrir mão daquilo que importa pra você. Você não precisa virar outra pessoa. Você só precisa parar de agir como aquela criança que precisava agradar pra sobreviver. E se esse episódio mexeu com você...

Eu deixo esse convite, né? Pega uma situação real que você está evitando, um preço, um pedido, uma conversa e aplica esses três pilares que a gente conversou hoje. Identificar a regra, questionar o comportamento e treinar um comportamento mais adequado, tá bom?

Espero que você tenha me acompanhado até aqui, que você tenha gostado. Deixe teu comentário, me conta como que você lida com o dinheiro, como que é essa questão emocional pra você. E a gente se vê na próxima semana, na próxima terça-feira e também em outros episódios, onde a gente vai falar de outras feridas emocionais que podem estar te atrapalhando. Até aqui, tá bom? Um beijo e a gente se vê na terça que vem.