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Neurobiologia da Paixão: Por Que Nos Apaixonamos? - PODPEOPLE INVERSO COM DRA. ANA BEATRIZ | Ep. 040

14 de julho de 202640min
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Por que alguns casais conseguem construir relacionamentos duradouros enquanto outros terminam logo após a paixão acabar?Neste episódio do Pod People Inverso, exploramos a ciência dos relacionamentos, as diferenças entre paixão e amor e as seis fases que um casal pode atravessar ao longo da vida. Também discutimos como a bioquímica do cérebro influencia o início de uma relação, o papel da dopamina, da ocitocina e da serotonina, além dos desafios da convivência, da comunicação e da reconstrução do vínculo.Falamos ainda sobre terapia de casal, microbioma, saúde intestinal, redes sociais, construção do amor e por que relacionamentos saudáveis dependem de escolhas conscientes, e não apenas de sentimentos.Um episódio essencial para quem deseja construir relações mais maduras, saudáveis e duradouras.

Participantes neste episódio1
B

Bia Santos

HostJornalista
Assuntos6
  • Neurociencia e CerebroDiferença entre paixão e amor · Neurotransmissores (dopamina, serotonina, ocitocina) · Efeito droga da paixão
  • RelacionamentosFase do sonho/encantamento (paixão) · Fase da descoberta · Fase da decepção · Fase da reconstrução · Fase do legado
  • Comunicação Evitativa e MicrobiomaConexão cérebro-intestino · Microbioma e qualidade de relacionamento · Evitar compartilhar pensamentos e sentimentos (holding back)
  • A importância de ser humanoSer humano como cargo mais elevado · Autoconhecimento e autorreflexão · Humanização nas relações
  • Decisão como Habilidade vs TalentoDesenvolvimento de talentos · Ser o que nasceu para ser · Reinventar-se
  • Impacto financeiro de relacionamentos disfuncionaisDificuldade em relacionamentos verdadeiros com dinheiro · Riqueza e insegurança · Dinheiro como pilar frágil
Transcrição135 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
BSBia Santos

O que faz você gostar de alguém, a gente nunca consegue definir isso. Porque um belo dia, entre tantas pessoas, você elege uma pessoa que mexe com a tua bioquímica. Isso é uma mágica. Eu sempre digo que o cargo mais elevado que alguém pode atingir na vida é ser um ser humano. Talvez esse seja o maior papel que a gente tem pra poder exercer. A maioria das pessoas acha que a paixão é o amor. E a paixão não é o amor. A paixão é esse momento de encantamento, de sonho, com efeito droga.

Se essa relação fosse tão ruim como querem assustar a gente, a gente tinha acabado. Nossa, mas ele é teimoso, é cheio de mania. E geralmente, nessa fase de descoberta, você vai pra fase da decepção. E aí, quando você sai daquele momento de achar tudo maravilhoso, você começa a falar, acho que não gosto mais. Ter dificuldades em relacionamentos verdadeiros, porque ele tem muito dinheiro a oferecer. Eu acho que essa coisa de não tô disposto a sair é porque tem alguma coisa que faz ficar.

Antes de começar, eu queria pedir a todos que estão aqui que se inscrevam no canal, compartilhem o nosso conteúdo e acione o sininho para receber todas as novidades, tá bom? Que aí cada vez a gente vai poder fazer mais e mais episódios, que vai fazer muito bem para todo mundo.

?Voz B

E agora, nesses anos que você atende, quantos anos atende casal?

BSBia Santos

Ah, que eu atendia, né? Atendi muito tempo, atendi muitos casais, muitos casais.

?Voz B

Quantos anos mais ou menos assim eu atendi no total?

BSBia Santos

35 anos.

?Voz B

35 anos. Então nesses 35 anos teve algum padrão que você notou assim dentro do relacionamento que eles faziam, que eles passavam?

BSBia Santos

Sempre tem um padrão, sempre tem. É um padrão muito típico, é o início do relacionamento, que aí a gente bota aí entre 6 meses, 2 anos, que é o sonho, encantamento, né, a paixão corresponde à paixão. A gente costuma dizer que a gente não deve casar na paixão, porque a paixão, a tua visão tá alterada, você tá olhando o outro sempre pelo lado viciante, que exatamente o que faz você gostar de alguém, a gente nunca consegue definir isso, porque um belo dia, entre tantas pessoas, você elege uma pessoa que mexe com a tua bioquímica.

Isso é uma mágica, isso realmente é uma mágica, e é uma bioquímica mesmo, porque essa primeira etapa de qualquer relação Ela é uma etapa onde você tem um burburinho de uma ebulição, nem burburinho, uma ebulição de neurotransmissores. Na paixão você tem aumento de serotonina, você tem aumento de dopamina e você tem aumento de ocitocina.

?Voz B

Até 300% de dopamina é liberada nessa parte da paixão. Qual a diferença dessa ocitocina para uma ocitocina de repente de uma droga, algo sintético?

BSBia Santos

Dopamina que a gente pode ligar a estados alterados que causam dependência. Sim, pelo fato, 300%. Isso significa que você vê no outro uma necessidade de estar com o outro, de falar com o outro, de ver o outro, e isso caracteriza quase uma dependência. É muito típico no início a pessoa ter aquela dependência, quer ver todo dia, quer falar, quer escutar, quer estar perto. Isso para dopamina, e aquilo causa uma euforia, um bem-estar nas duas pessoas, de repente, se as duas estiverem apaixonadas.

O que geralmente, quando tem um casal, seja casal homem com homem, mulher com mulher, homem com mulher, a paixão vai se desencadear da mesma maneira. Geralmente, quando é muito forte, é dos dois lados.

?Voz B

Caramba, que legal! Então seria certo afirmar que, em vez de se drogar, a gente tem que namorar, né?

BSBia Santos

Olha, se a paixão acontecer, é isso que eu tô falando. O que exatamente faz a paixão acontecer?

?Voz B

O que que faz a paixão?

BSBia Santos

Não sei. Porque assim, porque parece que tem uma obra química lá dentro, né? Porque assim, quando as pessoas falam assim, ah, você atrai o mesmo tipo de mulher, você atrai o mesmo tipo de homem, mas aí você vai ver, tem um histórico, né? Mas o que faz você de repente olhar aquela pessoa e falar, alguma coisa mudou? A bioquímica mudou. Você tem, você olha para pessoa, tem um calor, tem um pouquinho de taquicardia, é aquela coisa que você fica meio vermelho, aquela coisa que você tem, faltam as palavras, você sabe o que tá sentindo, mas falta essa organização.

A paixão é uma ebulição de neurotransmissores, principalmente a dopamina, mas não é só a dopamina, né? Você tá falando da dopamina, que é Essa coisa da dependência, é, da motivação de levantar com aquele objetivo, ela te liga, né?

?Voz B

Tem até alguns filmes, tem um filme que chama, que eu acho que é 500 Dias com Ela, né, que mostra o rapaz quando ele tá com ela e fora dela, e como ele era antes dela e como é que ele ficou quando ele começou o relacionamento. Ele falava que tinha até mais vontade de levantar da cama, tinha mais energia.

BSBia Santos

É isso, porque você tá dopaminérgico. A dopamina é a substância do foco, é substância da ação, da motivação. Então a paixão é isso, mas também tem serotonina, também tem ocitocina. Por isso que o apaixonado gosta tanto de ter contato físico, né? Eu me lembro uma vez eu tava num voo Rio-São Paulo desses que a gente faz sempre numa sexta-feira indo para São Paulo, e aí o avião baixou na pista, né, e a gente teve que pegar um ônibus, e eu vi um casal jovem, né?

Mas eles se beijavam tanto, com tanta intenção, naquele, naquele, naquele ônibus, que teve gente assim: ai, que absurdo! Ai, não sei o que lá. E eu olhei e falei assim: gente, quem pode censurar essa paixão explícita? Os olhos dos dois brilhavam, mas brilhavam! Era uma coisa, eles não estavam ali. Todos nós ali naquele ônibus éramos cenários daquele filme que tava acontecendo. Aquilo era a coisa mais apaixonante explicitamente um casal de apaixonados que eu tinha visto. Eu achei lindo.

?Voz B

Todo mundo pode se apaixonar assim?

BSBia Santos

Todo mundo pode se apaixonar.

?Voz B

Mas todo mundo se apaixona assim durante a vida ou não?

BSBia Santos

É mais raro? Olha, eu acho que uns mais do que outros, uns têm maior tendência que outros, mas eu acho que todos nós nos apaixonamos durante a vida e algumas vezes É muito fácil eu ter que discordar de você e mandar um tipo assim: olha, Gabriel, hoje eu não vou trabalhar. Porque ao invés de eu dizer: olha, hoje eu não vou trabalhar porque não tá legal isso, o calendário tá errado, eu tô sobrecarregada. Eu vou conversar com você.

Por quê? Porque o meu objetivo é que a gente continue trabalhando cada vez mais e melhor. Agora, se eu simplesmente— ou você não pode comparecer a um compromisso Você não fala nada e bota na rede social, ah, estou aqui no evento tal. Vou falar, como assim tá no evento tal? Você tinha que estar na reunião aqui.

?Voz B

Entendi. Mas isso também não é uma forma de não conseguir confrontar, de fugir de conflito?

BSBia Santos

Mas é aí que tá. As coisas hoje estão virando— hoje você desmanchar uma relação por rede social, entre aspas, estão admitindo que isso é possível. Mas a gente tá camuflando uma falta de humanidade nas relações.

?Voz B

Pô, imagina você que tá sendo desmanchada, né? Porque quem dá mensagem ainda já se preparou.

BSBia Santos

Isso não é só de pessoas comuns, isso acontece com famosos. As pessoas estão mais preocupadas em dar satisfações para os seus seguidores do que para o próximo. Que, diga-se de passagem, a gente tem todo carinho com seguidores, mas elas avaliam o que tá sendo colocado ali e parte do princípio que a gente coloca o que a gente tem de melhor para dar. Às vezes não é tão bom, outras vezes é melhor. Mas o que acontece é que esse olhar frio tá retratando essa falta de humanização, do contato.

E eu acho que o auge disso e a intensificação disso se deu com a pandemia, porque nós vivemos de 2020 a 2022, início de 2023, absolutamente isolados. Então essa prática que provavelmente iria se equilibrar com o tempo se exacerbou, porque tudo ficou justificado. Ah, mas eu não posso sair. Ah, então eu mando aqui.

?Voz B

Tiveram a desculpa perfeita.

BSBia Santos

A desculpa perfeita para continuar. Você falou essa coisa do tem gente que usa esse olhar para disfarçar, mas isso eu te digo, quem pode usar um olhar para disfarçar é o ator. Por exemplo, se um ator vai fazer um papel de uma pessoa fria, de um psicopata, de um indiferente, ele vai treinar esse olhar, ok. Mas quando esse olhar se faz por uma geração, isso não é um treino e nem é uma coisa, é muito mais uma disfunção, uma deficiência.

Então eu acho que o auge disso vai tender a se diluir, porque assim, talvez— eu sempre digo uma coisa, não se sustenta porque não é humano. E o que não é humano não se sustenta. Eu sempre digo que o cargo mais elevado que alguém pode atingir na vida é ser um ser humano. Talvez esse seja o maior papel que a gente tem para poder exercer. E o que que é ser um ser humano? Ser humano é essa pessoa que na interação com o outro ele preza por dar o seu melhor para ser melhor e pra somar na vida do outro.

Isso é ser um ser humano. Se a gente conseguir chegar no final da vida e falar, caramba, meu cargo melhor foi ser um ser humano melhor, tá limpo.

?Voz B

Como é que a gente começa a ser um ser humano melhor? Porque na prática, falando assim parece até mais fácil, mas na prática é bem difícil.

BSBia Santos

Não é simples. O que é um ser humano, né? O ser humano é aquele que é um animal sofisticado, diferenciado, que se pensa, se comunica. É a grande diferença da gente com os outros animais. E que tem consciência. Ele sabe sempre o que tá fazendo, por que tá fazendo e com quem tá fazendo, né? Por mais que a pessoa chega, eu não vou querer exigir isso de uma criança de 2 anos, nem de 5, nem de 6. Mas isso é um ser humano, aquele que se autorreflete.

Eu tô indo melhor ou não tô indo melhor? Por exemplo, conhecimento de autoconhecimento é fundamental.

?Voz B

Mas uma dúvida aqui assim, mas não vai um pouco, não é um pouco contra-intuitivo com o nosso DNA de sobrevivência pensar no outro ao invés de pensar em nós primeiro? É quase que aquele que a Maquiavel falava muito, né, de você ser um pouco egoísta para se preservar, para depois preservar o outro.

BSBia Santos

Mas o que ser um ser humano de verdade não exclui você ser melhor primeiro para dar o seu melhor para o outro. Qualidade de uma relação, tá, entre duas pessoas tem muito a ver com a saúde das suas bactérias. Microbioma é esse universo bacteriano que você tem, eu tenho, Gustavo tem, Malu tem, todo mundo tem. Então a qualidade da relação pode ser influenciada pela qualidade do seu microbioma.

?Voz B

Entendi, mas por quê?

BSBia Santos

Então, por isso mesmo, porque a gente viu que há troca, a gente viu que a convivência, as bactérias de um vão indo para o organismo do outro e você vai fazendo um microbioma diferente e muito parecido, não é isso? Então o que que eles viram? Melhor qualidade de relacionamento, tá, que põe aí o quê? Satisfação, intimidade, principalmente comunicação construtiva. Você tem uma maior diversidade microbiana. Se você tem maior diversidade microbiana boa, o que que acontece?

Você tá associada a menores riscos de obesidade, inflamação e doenças gastrointestinais.

?Voz B

Ou seja, não adianta só você comer bem e ser saudável, parceiro também tem que seguir nessa, senão ele vai atrapalhar tudo.

BSBia Santos

Exatamente. E até a qualidade da relação, tá? Então uma relação de intimidade, que você tem muito mais trocas, de satisfação no sentido de ser recíproco e ter uma comunicação construtiva melhora a sensação.

?Voz B

Esse é um dos pontos mais difíceis hoje em dia, né, ter uma comunicação construtiva.

BSBia Santos

Com certeza. Pessoas que evitam compartilhar pensamentos, sentimentos, têm um ecossistema empobrecido. Ou seja, aquelas pessoas mais fechadas em relacionamento, você vai fazendo com que o seu microbioma, né, diminua. Então, comportamento, a tendência de evitar compartilhar pensamentos e sentimentos, que é o holding back, né, que se fecha, foi o fator mais fortemente associado à variação da composição microbiana.

?Voz B

Então assim, não falar, imagina, né, que é tão, como é que eu vou dizer, tão profundo, né, tão forte isso.

BSBia Santos

Então não falar, se você tem um relacionamento que ele não comporta você compartilhar pensamentos e sentimentos, você tá empobrecendo o seu, o seu microbioma.

?Voz B

Impressionante como é importante, né, conhecer o parceiro e escolher para sua vida, porque às vezes você mais vai fazer na vida é conversar.

BSBia Santos

E se você não tem esse espaço de conversa sincera e respeitosa, você além de estar fazendo mal assim psiquicamente, você também reforça isso, porque o teu intestino passa a ter um microbioma mais pobre. A gente não pode mais raciocinar como se estivéssemos eu e outra pessoa, é eu, outra pessoa, o microbioma dela e o meu microbioma. E se ela começa a ficar mal, de alguma maneira o meu microbioma, se eu não for atingido diretamente, e muitas vezes é fisicamente, eu também vou começar a ser atingida fisicamente e psiquicamente, mentalmente. Exatamente.

?Voz B

Microbiota, tudo, né?

BSBia Santos

Que loucura, que interessante, né?

?Voz B

Sim.

BSBia Santos

Então o preço do silêncio se mostrou o fator mais determinante para diminuir a composição microbiana, e o diálogo e o compartilhar de pensamentos, sentimentos, é a coisa que mais melhora.

?Voz B

Que legal, casal que casa com 3 6 meses, isso é uma receita para dar ruim, né?

BSBia Santos

Não sei se dá para ruim, mas tem uma grande possibilidade de você casar no auge da paixão, que seria essa primeira etapa de um relacionamento. Leva em média, tá, de 6 meses a 2 anos. Você tá totalmente, você só vê o lado bom, você tá ali como se aquilo fosse a droga da sua vida. É bom ouvir, é bom ver, é bom tocar, Você tem uma energia sexual enorme, né, é muito mais aflorada. Se tudo correr bem, você vence essa primeira fase, né, nesse período aí que a gente colocou.

Tem casais que se casam aí, tudo bem, deu certo. Vamos supor que você passou por essa fase, tá? E aí você começou uma convivência mais íntima, vamos supor. O que que a gente fala que é a segunda fase do casamento? Aí seria a fase da descoberta. É a hora que esses neurotransmissores começam a baixar, aí você começa a ver mais a realidade. Você não é que você perca o encantamento, mas você perde aquela coisa de achar que só tem coisa boa.

?Voz B

É tipo aquilo que você fala do neném, que no comecinho é arrotar, cagar, peidar, engolfar, mas depois a mãe fala assim: oi, que lindo!

BSBia Santos

Mas depois fala assim: opa, dá trabalho, dá trabalho, né? Tem aquele primeiro momento que a mãe tá apaixonada, tá liberando ocitocina, né? Mas assim, se a gente passa pela paixão, por esse encantamento, eu chamo de momento de sonho, de encantamento, você vai para descoberta. Aí você já tá numa convivência maior, você começa a ver, não, tem coisas boas, tem coisas que realmente você fala, eu sei porque que eu me apaixonei, sabe, por ela, por ele.

Mas também você começa a ver, não, tem difícil aqui o temperamento, tem coisas que a gente tem que falar mais com mais cuidado. Ou você começa a reparar, nossa, ela é mais impulsiva, agressiva. Você começa a reparar, nossa, mas ele é teimoso, é cheio de mania. Então você começa a convivência e geralmente nessa fase de descoberta você vai para a fase da decepção, porque você vem da paixão, aquilo tudo idealizado, começa a descobrir as coisas e começa a botar numa balança.

Se você não tiver alguma maturidade, você bota 10 coisas boas mais uma ruim, você fala, não, mas tem uma coisa ruim que é uma pessoa difícil de falar, uma pessoa é difícil conversar, é uma pessoa que não gosta de sair, é uma pessoa que não gosta de se relacionar. Então aí a paixão, que você via isso como bonitinho, passa a ser uma coisa que você começa a ver como um problema. Nessa fase da decepção, eu diria que a terceira etapa do casamento é aquele momento que a maioria dos casais resolve separar.

É confundir paixão com amor. A maioria das pessoas acha que a paixão é o amor. E a paixão não é o amor. A paixão é esse momento de encantamento, de sonho, com efeito droga. E aí, quando você sai daquele momento de achar tudo maravilhoso, você começa a falar, acho que não gosto mais. Mas é o contrário.

?Voz B

Ah, então pode ser que a gente se acostumou tanto à paixão que na hora que chega na outra parte, que você tem que levar papel no banheiro para pessoa, você fala assim, isso não é bonitinho, que ela esquece tanta coisa.

BSBia Santos

Exatamente. Porque antes, no início, você achava tudo bonitinho. Sim, né?

?Voz B

Eles esquecem o papel todo dia.

BSBia Santos

Que bonitinho! Tipo assim, ah, esqueceu. Eu era, eu tinha o meu TDAH na juventude, eu esquecia de pagar conta de luz, de vez em quando cortava a luz.

?Voz B

Mentira mesmo? E aí?

BSBia Santos

Não, hoje eu boto o débito automático. E como é que foi lidar com isso? Foi difícil, mas foi importante para eu me ajeitar. Mas o que que acontecia no início do relacionamento? Que que faziam? Ah, deixa que eu faço para você. Ai, que bonitinho! Deixa que eu faço. Não, não precisa se preocupar.

?Voz B

Aí depois vai esquecer.

BSBia Santos

Aí depois, tipo assim, nossa, esqueceu novamente, não é possível. Na fase de reconstrução é quando você fala assim, não, não é mais aquela coisa de ouvir a voz e disparar o coração. Eu já consigo ver o que que tem de bacana, o que que aquela pessoa tem que melhorar, e eu também tenho que melhorar nessa convivência. Eu tenho que aprender como falar. Porque às vezes a gente pode falar tudo numa relação, mas depende a forma que você fala.

?Voz B

Entendi.

BSBia Santos

Isso é muito importante, porque às vezes você não é só falar, você tá certo ou eu tô certa, mas a forma como a gente coloca isso tem que ser adequada ao outro. Aí aquela hora que você, mesmo com os defeitos, você olha para aquela pessoa e você fala assim, cara, eu gosto dessa pessoa. Mesmo com as dificuldades, eu gosto, eu me sinto bem. É aquela hora que você já teve filhos, filhos estão se encaminhando, e a companhia desse casal um com o outro é bacana.

Eu costumo dizer que os casais que aprendem a rir juntos têm grande chance também. Que legal, que brincam, né? Sabem brincar até com os defeitos, com as disfuncionalidades. Né? Por exemplo, mulher tem TPM. Se uma mulher não aprender de alguma forma a também rir da sua TPM, fica muito difícil, porque fica uma coisa tensa, né?

?Voz B

Entendi.

BSBia Santos

Então assim, aí é o amor profundo, aquilo que você já passou por todas essas fases. E por fim tem a última fase do casamento, que é a sexta fase, que é do legado, que é quando esse casal passou por todas as fases e vira inspiração para os outros casais.

?Voz B

Mas aí você fala no caso de ter filhos, no caso de não ter filho nenhum.

BSBia Santos

Não, tô dizendo assim, se tem casais que vão ser o legado que ele deixaria, assim, um exemplo, o exemplo de um casal que passou por todas as fases e ficou. A gente conhece casais, eu conheço casais que a gente olha e fala assim, caramba, que bacana, né? Tão juntos há tanto tempo e ainda se tratam por amor, ainda dão uma mão, ainda se elogiam, não ficam falando mal um do outro. Né? Então assim, a última fase do casamento é quando essa relação já passou por todas as fases e ela passa a inspirar outros.

?Voz B

Entendi.

BSBia Santos

Outros que falam assim, como é que ele conseguiu, né?

?Voz B

Casais que aceitam fazer terapia de casal, né, tem uma melhora, uma recuperação de 69%.

BSBia Santos

Sim, que quando que ocorre? Naquela fase que a gente chama da reconstrução, que seria 5, seria 4, logo depois da decepção. Tem casais que resolvem se reestruturar e pedem ajuda. Agora, quando pedem ajuda, tem que ser os dois.

?Voz B

Não pode ser só um.

BSBia Santos

Os dois têm que querer.

?Voz B

É o famoso quando um não quer, dois não andam.

BSBia Santos

É, porque se um não quiser, esquece. Porque ninguém leva relacionamento pelo outro. Agora, isso depende muito da ideia com que o cara ou a mulher foi para o casamento. Foi para fazer uma história? Porque amor é construção. Amor não é paixão. Paixão é uma coisa que acontece, vai acontecer, é uma bagunça bioquímica. Que a gente não sabe exatamente por quê, mas acontece. Agora, amor é depois dessa paixão passada. O que que eu vou querer dividir com aquela pessoa? O que que eu vou construir com aquela pessoa?

?Voz B

Entendi. Porque igual tava pegando aqui, né, cadê aqui, ó, que é a origem da palavra casar, né? Porque se não me engano tinha alguma coisa com esse trato, né, essa perspectiva que vocês teriam juntos. Igual que você acabou de falar, se a perspectiva é diferente, se a ideia é diferente, nunca vai dar certo.

BSBia Santos

Nunca vai dar certo, nunca. Por exemplo, tem gente que casa porque diz assim, ah, eu caso porque todo mundo casa. Tem uma grande chance de ficar pelo meio do caminho, porque você não faz uma coisa porque todo mundo tá fazendo. Você tem que ter um objetivo. Um prédio para ser construído tem que ter um planejamento, tem que ter uma, tem que ter um engenheiro, tem que ter o material, tem que ter os funcionários, tem que ter as pessoas.

?Voz B

É um planejamento.

BSBia Santos

Um acabamento também é uma disposição que a gente se põe. É construção, não tem jeito. A paixão nem sempre, mas o amor é construção e diária. Não é uma coisa que dá e passa, porque tem isso, as pessoas, tem pessoas que falam assim, ah, casei, me acomodo. Não é para acomodar, é outra etapa.

?Voz B

Se fosse para a gente olhar assim para o nosso parceiro hoje, uns 3 sinais de que a gente ainda tem amor e não uma paixão ou uma convivência boa.

BSBia Santos

Eu acho muito legal quando acontece uma coisa que você tá no amor e de vez em quando você tem um picozinho da paixão. Eu acho que esse é uma coisa, mas você tem que cultivar, porque assim, essa coisa da paixão pode voltar. Claro que nunca vai ser como no início, mas você tem que abrir novas possibilidades. Uma viagem a dois, uma brincadeira. Eu já vi casais conseguirem se reconectar indo para Disney. Porque nunca foram.

?Voz B

E sem filho, vamos lá, qualquer um se reconecta com Mickey lá.

BSBia Santos

Não, não, porque tá ligado a uma lembrança dos dois de construção, de quando eram jovens, não tinham dinheiro para ir, ou então só foram para levar filho.

?Voz B

E aí os filhos cresceram e falaram, não, agora a gente vai, porque somos nós, né?

BSBia Santos

Porque assim, o casal também tem esse desafio, casal que não tem filhos, em geral eles se cuidam mais. Eu vi isso durante a vida.

?Voz B

Tem mais tempo?

BSBia Santos

Não, não é ter mais tempo, é porque vê no outro a sua estrutura familiar. Quando tem filhos pode ser muito bom, pode unir, mas também pode separar. Tem casais que separam porque aí ele, a mulher vira só mãe, o marido vira só marido, e às vezes perde essa conexão do casal. Isso é uma coisa também, quando você casa e quer ter filhos, você tem que ver se seu parceiro, a sua parceira tá disposto, tá disposto. E ainda assim, os dois estarem dispostos, que tipo de educação vai querer ser dada?

Isso tem que ser acordado, porque pode ter um pouquinho da tua vontade, pode ter um pouquinho da minha.

?Voz B

Entendi.

BSBia Santos

Então, de novo, né, tem que também ter expectativas, porque eu vejo muitos casais tendo filho por ter. Ah, por que que vocês tiveram?

?Voz B

Olha você traumatizando uma criança.

BSBia Santos

Exatamente. Porque a criança, então, se os pais não sabem por que que tiveram eles, você imagina a criança. O pai fala: não aguento sua mãe. A mãe fala: não aguento seu pai. E ele, a criança acha o seguinte: eles não se aguentam, como é que eles vão estar aqui para me ajudar?

?Voz B

Para mim aguentar, né?

BSBia Santos

Casal começa a brigar através dos filhos, não mais através dos amigos. Fala assim: fala para sua mãe se ela vai demorar muito para sair. Aí o filho vai lá: pai, mãe, papai quer saber se você já tá pronta. Diz ao seu pai para não encher meu saco. Aí a criança volta para dar esse recado. Isso é horrível. A gente como adulto tem que ser responsável. Então muitas crianças Eu tive muitos pacientinhos que fazia terapia, né, porque eu fazia terapia em criança e adolescente, que eles falavam: eu não quero casar.

Mas por quê? Não, para relacionamento meu pai e minha mãe, não quero, tô fora, Bia. Falei: mas você pode fazer diferente. Não, não quero, não quero. E eu me lembro que ele um dia, um chegou, falou assim: eu não vou me casar apaixonado porque eu descobri que meus pais casaram apaixonado. Aquilo que você me falou uma vez faz todo sentido. Aí ia pesquisar E eu penso, naquela época, Google, né? Ia no Google pesquisar e falava, Bia, você tá certa, não sei o quê.

E aí casaram, todos casaram com 3, 4 anos de namoro. Quando foram ter filho, Bia, como é que a gente faz para saber se a minha genética e a genética da minha mulher, se é favorável, se não é? Olha, os meus meninos e minhas meninas que fizeram terapia souberam fazer boas escolhas. Fácil, entrando, entrando, ele leva mais, menos tempo para deprimir. Porque ele, o cara que ganha muito facilmente, não sabe o valor, ele não dá o valor, e ele não foi preparado para ter aquele dinheiro.

Então ele comete muito mais erros. A probabilidade dele se envolver com crime com lavagem de dinheiro, com coisas assim, deixar rastros é muito grande. Você vê isso com políticos que estão chegando e começam, parece que tem que roubar como se não houvesse amanhã. A gente vê isso. Eu acho que esses, a depressão desses, do terapeuta, ele é de Nova York, né, é do Clay, eu acho que são aqueles que almejaram uma vida, sacrificaram essa vida, e quando chegou no pódio não teve beijo de namorada, como tem a música do Cazuza, quer chegar no pódio sem beijo de namorada.

Então eu acho que eles viram, tipo assim, tá faltando alguma coisa. Eu acho que todos nós passamos por isso, mas talvez os muito ricos passem isso porque eles acreditaram que realmente, que realmente era só tipo assim, eu vou fazer meus 10 milhões e serei feliz, estável, e vou poder descansar. E aí eles se deparam com essa coisa, abundância, a insegurança que só cresce. Porque o que aconteceu? Eles foram fazendo a segurança em cima de algo que não é deles. O dinheiro é um papel e é um pilar frágil, é um pilar frágil.

?Voz B

Igual ele conta aqui nessa entrevista, que inclusive um dos problemas que vem é que as pessoas começam a desconfiar todo mundo em volta, né? Fala assim, putz, todo mundo tá chegando perto de mim porque eles querem meu dinheiro.

BSBia Santos

Isso é uma característica das pessoas que têm muito dinheiro, de ter dificuldades em relacionamentos verdadeiros. Por quê? Porque para ele, ele sabe que aquela pessoa, aquela quantidade de pessoas se aproximou não porque ele é uma pessoa interessante, não porque ele se acha inteligente, porque ele tem muito dinheiro a oferecer.

?Voz B

O que que você poderia deixar para quem tá passando por um momento assim de incerteza, tá faltando um pouquinho de fé nele mesmo, tá faltando um pouquinho de acreditar que vai sair de onde ele tá?

BSBia Santos

Olha, se você descobrir quais são os seus talentos, desenvolvê-los, desenvolver mesmo, se aplicar. É futebol? Jogue. É arte? Pinte. É teatro? Faça, estude aquele teatro. Porque pode tudo acabar. Se o teu talento foi desenvolvido, é como um músculo que foi hipertrofiado, ele não lhe faltará. Então o único remédio é ser o que você nasceu para ser, porque se isso for uma verdade dentro de você, tudo pode acontecer, mas ninguém vai te paralisar, nunca.

?Voz B

UOL.

BSBia Santos

Posso falar, tem lugar de fala para falar isso sem mágoa, sem rancor. Porque quando, quando você resolve que você irá até o fim, é até o fim, é até o fim.

?Voz B

Caramba, que mensagem legal!

BSBia Santos

Reinventando, porque muitas vezes você vai fazer a mesma coisa de outras formas. É só não parar, é só não parar e escolher bons parceiros pelo meio do caminho. Assim, às vezes o bom parceiro não é o que tá, é talvez o que virá e vai sintonizar nessa mesma onda de fazer o que tem que ser feito com a melhor entrega que a gente puder fazer.

?Voz B

Se a gente fosse pegar igual você falou agora, a partir do momento que você reconhece os defeitos do outro e os seus, você vê os seus e tá tudo bem. Então digamos que você já passou da segunda fase, que é a decisão.

BSBia Santos

Você vê a descoberta, né? Primeiro a paixão ou sonho, a descoberta, a decepção, a reconstrução você já passou.

?Voz B

Então quando você vê os defeitos do outro e os seus e tá tudo bem, a gente sabe, tudo bem não, a gente quer continuar junto.

BSBia Santos

Como é que a gente vai fazer para lidar com isso? Isso é reconstrução.

?Voz B

Então já estamos no quarto, já estamos no Quarto.

BSBia Santos

Aí quando você vai para o quinto é quando você já passou por aquilo tudo e falou assim, valeu a pena passar por cada etapa, porque se eu tivesse desistido, eu não estaria vivendo isso, eu não teria esse aconchego, eu não teria essa segurança de quando eu tô doente eu saber que eu conto com alguém, quando eu tô feliz saber que eu tenho que ter alguém que se alegra com a minha felicidade, que é muito difícil hoje em dia.

?Voz B

É tipo assim, eu quero te ver bem, mas não melhor do que eu.

BSBia Santos

Exatamente. Exatamente.

?Voz B

Agora, e quando a gente tá viciado nessa paixão, quais que são os sinais assim de ver que, putz, já tô no terceiro casamento que durou 2 a 3 anos?

BSBia Santos

Geralmente é o viciado na paixão, né? Porque ele vai para descoberta, ele vai para decepção, ele muda. Ele só muda de parceiro ou parceira, mas na realidade o funcionamento dele é o mesmo. É como se fosse uma criança que tipo assim, ah, não, eu não tô conseguindo jogar meu joguinho, eu perdi, não, então eu vou sair desse, dessa turminha, eu vou para o outro. Primeiro tem que saber o que que é, né? Porque, por exemplo, tem muita gente boa, muita gente boa, mas que não nasceu para o casamento.

?Voz B

Olha, como é que é isso?

BSBia Santos

Por exemplo, tem gente, homens, eu tive pacientes homens que eu dizia, você nasceu para não casar. Porque vivia para, tipo assim, não, eu quero 3, eu quero não sei o que lá. Só não case, não tem o menor problema, e nem prometa a ninguém que você vai casar. Que você só vai conseguir mágoa, rancor, ex-mulher com raiva, várias pensões, só vai enrolar a vida.

?Voz B

Filho traumatizado, entendi. Hoje em dia, se a gente for parar para pensar, se um casal tá na fase 4, assim, na fase 3, que tá muito ruim, 3 é aquela da decepção, da decepção. É certo dizer que com rede social, com tanta opção, ajuda essa parte do casal acabar desbandando? Porque tanto ela quanto ele tem outras opções que parecem ser melhores no mercado.

BSBia Santos

Ih, mas são as opções. A gente já falou alguma vez dos aplicativos de relacionamento. Aplicativo de relacionamento é bom para o dono do aplicativo, porque enquanto você tá no aplicativo você tem milhões de opções. Só que tem que— o aplicativo só ganha se você continuar solteiro. Então, o excesso de opção não faz você decidir melhor. Porque você tá com uma pessoa, você tá super bem, podia construir, aí você entra no aplicativo, tem 10 opções, ah, mas aquele pode ser melhor, aquele— você nunca tá disposto a construir, que você tem tantas possibilidades que você troca muito fácil.

?Voz B

E quando a pessoa tá muito tempo no relacionamento, que ela se sente quase que no dever de não sair dele pela questão de tempo, pela questão de, putz, eu comecei isso aqui, eu achei que isso era de um jeito, mas já tem tanto tempo que eu tô, eu eu não quero que seja, eu não quero continuar assim, eu quero que mude, mas eu não tô disposto a sair desse relacionamento, procurar um outro. Que é igual, por exemplo, muita mulher antigamente não tinha muita opção, né? Casava com o primeiro namorado.

BSBia Santos

Financeiramente, às vezes, né? Muitas vezes muitas mulheres mantinham casamento por isso. Mas eu acho que essa coisa de nunca, de não tô disposto a sair, é porque tem alguma coisa que faz ficar.

?Voz B

Entendi.

BSBia Santos

Então, ambiente ruim Ou você muda aquele ambiente, você se retira. Agora fica que nem ficar falando mal, mal. Tem casais que se tornam chatos porque eles estão sempre falando mal do outro.

?Voz B

Pelo que você fala sobre o ser humano, de compartilhar, né, essa necessidade da gente compartilhar com outro, viver com outro, até nos nossos, como é que eu vou dizer, antepassados, os nossos, até na nossa biologia tem assinatura disso.

BSBia Santos

Com certeza. Você imagina quantos homens primitivos e mulheres primitivas conversavam. Não foi à toa que muita coisa foi passada de geração em geração pela transmissão oral.

?Voz B

Sim, as histórias, até ter letras, números, até ter os sumérios, por exemplo. É muita escultura, eram através de história.

BSBia Santos

Exatamente. E muito diálogo, né, em volta daquelas fogueiras muita coisa era falada, o aprendizado era muito assim, né? Então a troca que existia era muito grande. Então, ó, você perguntou a conexão cérebro-intestino no relacionamento.

?Voz B

Será que quando eles tinham essas trocas na fogueira e quando eles moravam mais perto, mais junto, poderia ter uma troca de microbiota de mais de duas pessoas?

BSBia Santos

Será?

?Voz B

Sim, acho que sim, porque tá todo mundo muito junto, muito perto, né?

BSBia Santos

Então, caramba, acho que sim. Faz sentido esse teu pensamento. Então vamos lá, intestino-cérebro, a ligação entre emoções e saúde intestinal não é à toa. Pesquisas anteriores já estabeleceram uma forte conexão entre microbioma e a saúde mental, com estudos mostrando que probióticos podem reduzir scores de depressão e pensamentos ruminativos, que são os pensamentos negativos, que são os pensamentos ansiosos.

?Voz B

Por que que a gente tem esses pensamentos negativos? Porque às vezes do nada vem uns pensamentos.

BSBia Santos

Olha, isso depende é muito ligado à ansiedade, depende da ativação desse sistema. E é interessante que probióticos já são as próprias bactérias ou leveduras que povoam o intestino e que são positivas. Então, um bom microbioma, ele tem probióticos do bem, que a gente chama, né? Tanto que você tem probióticos, por exemplo, o Bifidobacterium ele diminui a ansiedade, auxilia a não desenvolver depressão, auxilia, diminui pensamentos ruminativos.

Então assim, probiótico sempre já é o próprio, a própria bactéria, entendi, tá, de ação benigna, né, positiva, positiva. A descoberta sobre a qualidade do relacionamento adiciona uma camada interpessoal a essa conexão, sugere que nossas interações sociais mais íntimas, aí foi que você falou, Podem ser um fator poderoso na regulação eixo cérebro-intestino-microbioma, influenciando tudo, desde o humor até a função sexual.

?Voz B

Caramba! Ou seja, às vezes seu parceiro não é ruim, né? É só que vocês não comunicam, não comunicam.

BSBia Santos

Ou então ele tá com uma microbiota ruim, né? Pode ter tomado muito antibiótico na vida, isso pode, pode alterar.

?Voz B

E tem também o fator que errou, ou realmente ele é ruim? Tem isso? É, tem também desculpa, né?

BSBia Santos

Nós estamos falando, seguindo aí essa troca química, né, que a gente achava—

?Voz B

chega a ser poético, né? Olha para você ver, juntando quase que uma simbiose, né? Então criaram algo junto. Você acha que tá criando só filho? Tá criando bactéria também, né?

BSBia Santos

O seu ecossistema de bactérias, microbiano, né? Então isso, isso é super importante, muito importante mesmo. O sistema vivo, eu achei isso lindo. Porque assim, quando a gente se relaciona com alguém, está se relacionando com todas as células daquela pessoa e todas as bactérias que aquela pessoa tem, boas e ruins, né? A maioria é boa, a maioria é boa.

?Voz B

É províduo ruim, né?

BSBia Santos

Porque se essa relação fosse tão ruim como querem assustar a gente, a gente tinha acabado. Porque a gente tem 30 trilhões de células no corpo humano e tem 28 trilhões de bactérias. Quem é que manda em quem? Se elas fossem tão nocivas, a gente já tinha sido extinto há muito tempo. Elas estão muito mais colaborando do que destruindo.

?Voz B

Agora, simbiose mesmo.

BSBia Santos

Pelo contrário, quando a gente desregula elas, a gente adoece. Elas são parceiras, elas não podem ser vistas como inimigas. Então, a nova ciência da intimidade revele que não trocamos apenas palavras e emoções, mas mundos biológicos inteiros. É bonito isso, é ótimo, né?

?Voz B

Chega a ser assustador, né?

BSBia Santos

Cuidar do nosso mundo interior é fundamentalmente nutrir a saúde e a química das nossas relações mais profundas.