Ansiedade Não é Defeito: É Um Chamado para Viver com Dr. Lucas Medeiros - PODPEOPLE #285
E se a ansiedade não fosse o verdadeiro problema?Neste episódio, exploramos uma visão mais profunda sobre ansiedade, saúde mental e estilo de vida, mostrando como o sofrimento emocional pode estar ligado à forma como estamos vivendo, e não apenas a um diagnóstico.A conversa aborda temas como exaustão mental, influência das redes sociais, perda de identidade, vícios modernos e desconexão dos próprios desejos. Também discutimos o papel do sono, da terapia e da regulação emocional na construção de uma vida mais equilibrada.Mais do que tratar sintomas, o episódio propõe uma reflexão essencial:você está realmente vivendo com sentido ou apenas reagindo ao mundo?
Bia Santos
Dr. Lucas Medeiros
- Ansiedade e saúde mentalexaustão mental · influência das redes sociais · perda de identidade · vícios modernos · desconexão dos desejos · papel do sono · terapia e regulação emocional
- Cura e Vidamudanças de estilo de vida · conexões sociais · autocuidado
- Autoajuda contemporâneaimportância da terapia · autoacolhimento · regulação emocional
- Impacto das Redes Sociaiscomparação social · efeitos na saúde mental
- Cultura e Sociedadepolarização social · impacto da cultura na saúde mental
Nosso convidado de hoje é médico, PhD em neurociências, professor universitário e psicoterapeuta. Depois de uma década como clínico geral, decidiu mergulhar de vez na conversa que cura, integrando psicanálise, terapia cognitivo-comportamental e medicina do estilo de vida. Ele une ciência, escuta e presença.
para ajudar pessoas a regularem o próprio sistema nervoso e reencontrarem sentido e propósito na vida. Com vocês, o médico e psicoterapeuta, Dr. Lucas Medeiros. Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Pod People, um lugar onde a gente se encontra para ver e ouvir gente. Gente que faz, gente que acontece, gente que inspira. A pergunta hoje é muito simples.
E se a ansiedade não fosse apenas algo ruim? Ou melhor, se a ansiedade fosse um chamado para você viver com mais verdade? Para falar sobre isso, a gente vai conversar com o médico e psicoterapeuta, Dr. Lucas Medeiros. Tudo bom, meu querido? Tudo bem, Bia. Que prazer ter você aqui. Eu te acompanho, te stalkeio. Adorei a apresentação.
Jura? Mas é verdade. Eu gosto dessa coisa sensível, empática, acolhedora. Num tempo em que os médicos são tão laminafiada, eu acho que essa junção é muito necessária.
Que bom. E é bom te ouvir falar isso quando você falou, porque eu demorei para chegar nesse lugar, eu demorei para assumir a minha autenticidade ali, eu era aquele médico de CTI, de clínico, então faz parte da minha libertação, do meu coração, então é sempre bom.
Não, e é melhor ainda, porque assim, as pessoas acham que quem fazia na minha época psicanálise ou psicoterapia no meio da medicina é porque não gostava de medicina. E eu falei assim, ledo engano. Quando eu fui fazer psiquiatria, eu fiz porque eu adorava medicina.
Porque adorava entender aquela complexidade. Eu falava, eu quero algo que faça conexão entre cérebro, mente, consciência, corpo. E eu mesmo que as pessoas, vai fazer psicanálise, assim, como se fosse... Você está querendo demais. E os anos se passaram e eu fui...
vendo que isso não só é possível, como é necessário. Porque, assim, tratar um ser humano como um corpo é limitar demais uma existência. Então, eu acho isso legal. Acho que muitos médicos, em algum momento, começam a querer um pouco mais. Eu fico muito feliz com isso.
E pensando alto aqui com você, eu acredito que você tenha sido uma voz pioneira dessa união do cérebro com o coração no sentido subjetivo. Então, quando era só psicanálise, meus pais são psiquiatras de uma geração anterior, então era ainda muito psicanalítico.
as medicações, mas essa conversa do cérebro, como a gente percebe hoje em dia, e ele abraçando o coração e vice-versa, ele se comunicando.
eu sinto que você é uma voz pioneira aqui no Brasil, em paralelo com o movimento que houve lá fora dessa união. É, eu digo que era uma necessidade de entender mais. Eu me lembro que eu fiz na UER de medicina e tive excelentes professores. Quando eu entrei no terceiro ano na clínica médica... Uhum.
Eu tinha o melhor professor de clínica, o doutor Sérgio Garfunkel. Lembro desse nome. E ele, todo empolgado, e eu era muito estudiosa. Aí ele chegou para mim, no terceiro ano, Bia, eu quero que você faça estágio já comigo no Hospital Andaraí, que era uma loucura, né, aquilo. Eu falei, tá bom. Aí eu falei, por quê? Não, porque você é minha melhor aluna de clínica. Falei, tá bom, vou lá. Aí fiz, tá, tá, tá.
Gostei muito, aprendi muito ali com tudo. Clínica, né? É, queimados, centro de queimados. E ver o sofrimento das pessoas. Sofrimento, né? Físico, emocional, social. É ali na emergência que a gente vê, né? É ali, desde o enfermeiro que te apoia, desde os pacientes da família, casos de abuso que as pessoas falam tanto, a gente via isso chegar no plantão.
e as mulheres não podendo falar. Então, foi uma experiência maravilhosa. Quando chegou para decidir o que eu ia fazer, ali no quinto ano, sexto ano, para a questão da residência, aí ele, então, você vai fazer clínica geral? Eu falei, não, vou fazer psiquiatria. Aí ele, ah!
Como assim? Não acredito. Largou a medicina. Aí ele falou, mas você sabe tanto de clínica. Eu falei, exatamente por isso. Porque eu quero saber daquilo que eu ainda não sei. E juntar tudo. Então foi num primeiro momento, foi uma coisa que ele se sentiu meio assim, como assim, né? Mas eu sabia que eu queria isso. Não foi nada contra ninguém nunca. Era, tem que ir.
E como é que você detectou esse chamado? Porque eu digo que isso é um chamado, né? É, é um chamado. Eu, vamos dizer aí, 15 anos trabalhando como clínico. Com 10 anos eu já comecei a detectar esse chamado quando eu comecei a ver ali, no consultório principalmente, o quanto que as pessoas adoeciam fisicamente.
por conta de sofrimentos emocionais e por conta de escolhas de vida e uma dificuldade de mudar as circunstâncias em que elas estavam inseridas, o quanto que aquele ambiente ali...
criava, lembrando das aulas de biologia, genética mais meio igual a fenótipo. Isso. Então, assim, eu comecei a olhar isso e perceber, e claro, percebendo em mim também, como uma pessoa ansiosa e que estava fazendo escolhas.
tóxicas, por assim dizer, inclusive na minha profissão de clínico. Quando eu estava ali, eu não estava em sintonia com o que era mais autêntico no meu coração. Então foi em paralelo, e acho que aí é que a coisa ganha vivacidade. Então, Bia, foi ali. Nesse momento, no consultório, eu comecei a perceber isso e querer...
trazer essa mudança, essa possibilidade, abrir essa conversa com as pessoas, sempre gostei muito de encontro, de conversa, abrir essa conversa com as pessoas e abrir essa conversa internamente.
Então foi aí, eu comecei a me interessar cada vez mais pela conversa, pela conversa, pela conversa, e menos para o CTI, para os idosos que eu acompanhava em hospital, que foi ótimo, aprendi muito também. Na aprendizagem é sempre. Na aprendizado final de vida, principalmente, e de ver aqueles idosos colocando na balança como eles viveram a vida.
e questionar isso tudo em mim. Então, a clínica foi uma grande escola, e foram 10, 15 anos de uma clínica quase pura. E aí eu comecei a me interessar muito pela conversa, pela conversa, por essa coisa das escolhas do dia a dia, de como os pensamentos influenciavam os sofrimentos psíquicos, lá na ponta, o aparecimento de uma depressão ou de uma ansiedade.
DSM-5 diagnosticada, DSM-5 é o livro de psiquiatria. Sim, da Associação de Psiquiatria Americana, a Bíblia. A Bíblia, que dá o diagnóstico. Então, o início daquilo ali, para chegar naquele diagnóstico, ele vinha aqui...
numa situação de um caldeirão que começava a ser cozinhado para anos depois aparecer o diagnóstico ali. Então, tanto questões de sofrimento emocional quanto de sofrimento físico.
E aí veio a Medicina do Estilo de Vida, que é um nomezinho que eu posso contar mais sobre, que foi a minha primeira chegada nesse universo das mudanças de estilo de vida. Então, acho que foi... Foi o gatilho? Foi 2010. A Medicina do Estilo de Vida acabou sendo um gatilho nessa transição?
Perfeito, foi. Tá. Foi. Com esse nome que estava começando a existir lá fora e aqui no Brasil, né? Eu percebo muito, Bia, que foi um tangenciamento. Eu estava tangenciando, namorando ali, paquerando. Algo que eu queria aprofundar mais, que era...
a psicoterapia, que era essa conversa semanal, esse encontro de parceria, de dupla de vôlei de praia que vai ali para a pessoa ir para caminhos e desejos que importam para ela.
Então, mas a primeira chegada foi a medicina do estilo de vida. É interessante isso, porque a psicoterapia é um encontro sagrado, de dois universos tão diferentes, mas que têm em comum um objetivo. O outro quer melhorar e você quer ser veículo.
Dessa melhora. É muito lindo. E quando ocorre esse encontro, ambos se somam, né? Porque a gente aprende muito com os pacientes. Muito. Muito, muito, muito. É impressionante. Tem que ter o ouvido para ouvir. Não é só. Eu me lembro que quando eu fazia terapia em alguns pacientes, chegava uma hora que eu falava assim, gente, hoje eu tinha que pagar. E não receber.
Tiveram três vezes que eu falei, não, hoje você não paga. Porque hoje, eu aqui, o que eu aprendi hoje, nenhuma faculdade me daria, nenhum doutorado, nem mestrado me daria. Então, é uma coisa muito legal. Quando ocorre essa entrega bilateral, é muito lindo. Acho que é um dos encontros mais interessantes que existe.
É, muito, muito. Eu estava fazendo um exercício de reflexão, não sei se foi segunda ou domingo, do quanto que... Vislumbrando o que eu gostava, Bia, e eu vi o quanto que eu...
realmente adoro essa possibilidade de conversar com pessoas, né? E o quanto que isso nutre a minha alma e o meu sentido de vida. Falando assim, sentido de vida. O que que te dá sentido de vida? É isso, né? Essa conversa é uma amizade diferente, né? É uma amizade sagrada. É uma amizade sagrada. Mas é um... Porque é um...
É uma coisa de tacioso pela felicidade do outro. É. É muito interessante. E sobre o que é a vida? A vida é sobre isso. Exatamente. Sobre encontros. Sobre encontros, né? Os encontros bons e os encontros que não são bons. E você sentiu, por exemplo, que as pessoas ao teu redor tiveram resistência com esse teu processo de mudança?
Surpresa, surpresa. O meio médico tinha muito de trava em mim para eu fazer essa mudança, de assumir isso para mim e um certo estranhamento.
E é curioso, né, Bia? Porque, por exemplo, você, e aqui é uma... não entenda isso como um elogio, apesar de ser um elogio, é um fato, a sua presença, Bia, ela é inspiradora.
E, ao mesmo tempo, pode ser assustadora para algumas pessoas que não têm coragem, coragem, né? É, coragem. De agir com o coração, com a autenticidade delas. Então, quando você vê uma pessoa fazendo um movimento assim, é muito inspirador.
E às vezes pode ser um pouco assustador. Então eu senti quando eu estava fazendo esse movimento, dar uma mexida em quem está em volta, na família, nos amigos. Em quem está em zona de conforto, né? Ninguém quer mexer na zona de conforto, né?
É que eu entendo, é super compreensível, mas quando vem a coisa te busca, te inquieta, não tem jeito. Não é nada contra os outros, é só você atendendo a sua essência. Ah, e é tão bom, né? Eu acho que isso deve mexer, falando da medicina do estilo de vida, e a gente vê isso na medicina do estilo de vida, mas isso é capaz de ligar e desligar.
entre aspas, determinados genes no nosso corpo que podem caminhar para mais saúde física e emocional ou mais sofrimento físico e emocional e as consequências. A gente não tem controle sobre tudo, mas que dá um combustível legal, a gente está em contato com o coração, o coragem, tenho certeza que dá.
E é amedrontadora ao mesmo tempo. As pessoas têm muito medo do novo. É interessante isso. Quando a gente vai estudar o funcionamento cerebral, neurociência, a gente vê que o cérebro é uma maquininha linda, deslumbrante, mas é burrinha e preguiçosa. Porque ela não quer que nada mude. Ela se acostuma a padrões, ainda que tóxicos, ainda que desfavoráveis, mas é conhecido.
Então ele fica ali, não muda não, não muda não, está tudo certinho, eu já sei como mexer nisso. Então é desafiador até para a nossa estrutura biológica. Para o sério, se você fizer todo dia a mesma coisa, está bom. Mas não está bom.
Talvez para a consciência não está bom. Talvez para o corpo esteja. É uma máquina poderosa, mas ela tem que ter a essência da gente no comando dela. Ou tentando ajudá-la, porque senão ela repete os padrões. Total, repete os padrões. O Bia, você já ouviu uma ideia que é muito forte, que a máquina cérebro...
ela não foi feita, ela não está moldada do ponto de vista neurocientífico para a gente ser feliz, mas para a gente sobreviver. Isso mesmo. Como máquina bruta, para a gente sobreviver. Então ela vai inclusive querer gastar menos energia. Sempre.
Sempre, é isso que eu estou falando. Ela prefere a zona de conforto, o cérebro prefere, porque ali ele sabe, gasta menos energia. Tudo que é novo demanda um processo de aprendizado, de observação, não quer. E aí, se a gente for derivar, né, Lucas?
Isso leva a uma coisa muito grave, né? Por exemplo, hoje em dia com a inteligência artificial. Se os humanos não abrirem os olhos, daqui a pouco a gente perde a capacidade de pensamento crítico, de processo criativo, de desenvolvimento. Porque o cérebro vai falar, legal esse trocinho aí, maravilha. Isso faz tudo para mim.
Só que tem que... Isso vai ter um preço caríssimo. Caríssimo. Tem gente falando, não sei quantos por cento fazem terapia com inteligência artificial. Eu falei, isso não é terapia. Terapia é um humano com outro humano. Não existe isso. Então, muitos adolescentes... Outro dia eu estava no salão, uma avó estava lá fazendo a unha.
Bom, doutora, foi tudo. Aí ela chegou e falou assim, estava conversando com a manicure. Outro dia meu neto estava trancado no quarto um tempão. Falei, vou lá ver o que esse menino está fazendo. Aí bati, eu falei assim. Aí ele falou, peraí, vó, estou fazendo minha terapia. Aí a avó...
Fechou a porta depois, esperou. Aí ele foi, passou para a cozinha. Você acabou a sua terapia? Eu acabei. Quem é? O psicólogo que eu não conheço? Que coisa boa. Não, é com a inteligência artificial. Ela falou, meu filho, isso não é terapia. Ele é cheque. Não, porque assim, não sei se você já viu as inteligências artificiais.
Elas não foram feitas para debater. Elas foram feitas para te agradar. Elas são, como dizem na linguagem menos polida, no português arcaico. É, puxa saco. Puxa saco. Outro dia eu cheguei, me dei o trabalho de sentar em frente a uma inteligência artificial e comecei a fazer perguntas. Aí, primeiro que é prolixa, né? Fala, fala, fala, fala, repete, repete.
Aí eu botei assim, dá para você ser mais objetiva? Ah, pois não, só um instantinho. Falei, você continua me embromando. Eu quero uma resposta simples, objetiva. Papo reto. Tá, tá, perdão. Não, vou melhorar. Tá, tá, tá, tá, tá, tá. Eu falei, você não está entendendo o que eu estou falando. Eu fui enlouquecendo, eu passei uns 50 minutos batendo na mesma coisa.
Depois de uma hora e meia, porque aí eu deixei ela lá. Depois de uma hora e meia, ela botou assim, eu realmente não consigo te ajudar. Eu falei, nossa, que maravilha, parabéns. Ela não entendeu porque eu estava dando parabéns. Porque aquilo ali é feito para te agradar.
Você imagina a quantidade de monstros que podem se formar, sendo agradados, agradados, agradados. Sem frustração. Teve o caso lá nos Estados Unidos de um menino que fazendo terapia, que é o tal da inteligência artificial, falou assim, não, porque eu não aguento mais, meu pai. Proibiu de eu ir à festa. Foi falando aí, ela primeiro. Não, mas converta. Não, já conversei. Não, mas você pode pedir sua mãe. Por fim, a inteligência artificial chegou. Mata ele.
mata ele. Isso é um caso. Está sendo... A família está processada. Então, assim, que loucura. A gente está perdendo a humanidade. Estamos entregando nossa complexidade, nossa humanidade de graça.
E Bia, isso que você falou, a inteligência artificial substituindo o terapeuta. E a gente se corregula na presença humana que a inteligência artificial não é capaz de fazer. Inclusive, uma palavra bonita que você falou, dos encontros e desencontros, das aleluias e das agonias de viver.
E isso é o que faz a nossa vida existir, é o encontro. Encontro e desencontro. E a inteligência artificial, ela não vai ensinar isso para esse adolescente. Ele vai ter que aprender a se corregular nos encontros e desencontros, inclusive com o terapeuta. Exatamente.
Porque é difícil. Eu, quando fazia terapia, eu já tive pessoas que chegaram assim, não, quer saber uma coisa? Não quero mais. Eu falei, tá bom, você é livre. Não tem problema nenhum. Mas eu sou obrigada a te fazer a sua observação. Mas não volto mais. Tá bom, não tem problema nenhum. Enquanto você na rua, vou dar bom dia, boa tarde, boa noite, porque é a minha essência. Então, não tome isso como um...
como um abuso, nada disso. Acabava que voltava e a gente refazia. Faz parte do processo. Claro, e a gente refazia. Você está chateado? Não, não estou. E se fosse inteligência artificial, eu ia dar aquela puxada de saco. Não, não vai agora não, por favor, fica mais um pouquinho. Entendeu? Eu tenho muito medo que a gente perca esse senso crítico. Porque meu cérebro funciona numa lógica. Você me conta qualquer coisa, Lucre. Eu vou olhar e vou assim.
Tem uma lógica. Não sei nem se é verdade, mas tem uma lógica. Então, vamos apurar o que a gente tem de dado científico. É importante entender também que a ciência se autorrefaz o tempo todo. Quantas vezes, me lembro que na década de 80, comer ovo era um pecado.
Se lembra? Ovo e manteiga, pelo amor de Deus, vai entupir o colesterol, vai não sei o que, papapá, que a gente sabe hoje, que eram pesquisas montadas. Hoje, o ovo é o melhor alimento que tem. Então, assim, a ciência também cabe aos cientistas. Tem aquele bilhetinho, né, do ovo. Essa fase ruim vai passar. Um abraço, leite.
exatamente, então assim a gente tem que entender que essas mudanças, essas atualizações é
pai da vida. A gente fala, aquilo que me fazia bem não me faz mais. É, é. Essa revisão. A gente não faz revisão de artigo, revisão de artigo científico. A gente tem que fazer revisão de vivência também. Uau, é. Olha que coincidência, né? Nada por acaso, né? Sincronicidade. O que eu tenho pegado muito para a minha, para o meu psiquismo e dos meus pacientes é o que eu tenho.
É uma ideia de uma neurocientista chamada Lisa Feldman Barrett. Ela é da... Eu decorei para trazer aqui. Ela é da Northeastern University dos Estados Unidos. Ela é canadense dos Estados Unidos. Mas assim, olha que coisa. Ela diz que a gente tem a ideia do eu...
que você falou, da gente fazer essa revisão, o eu, quem sou eu? Quem sou eu, Lucas? Quem é a Bia? A gente está constantemente revisionando isso para ter coerência com o mundo externo. Então, essa revisão de quem sou eu não é fixa. A revisão autobiográfica. Autobiográfica, é. E em conversa com o mundo externo, que está constantemente mudando.
Isso, mas peraí, então eu não tenho uma identidade fixa, eu tenho uma identidade fixa, mas ela é provisória, ela está sempre se reconstruindo. E isso é muito bom, porque a gente pode reescrever, pode reescrever essa identidade e ser mais compassivo, inclusive, com a gente mesmo, entendendo que isso faz parte de uma história biográfica dessa...
Revisão bibliográfica. Que passa por revisões. Eu dizia para os pacientes, vem cá, sistema do celular se atualiza. Como é que você não se atualiza para corrigir erros? A gente faz o tempo todo, você leva o seu carro para revisão. E você não faz uma revisão, uma autorrevisão. A gente olhava, você é adolescente, então...
Não, é o que você está falando. Eu falei, você atualiza seu celular? Não, tem que atualizar, senão para. Então, se você não se auto atualizar, no sentido de você estar indo mais direto com a tua essência, mais compatível com compartilhar, cara, você vai parar. A vida vai te parar.
vamos nos permitir porque não há tempo que volte amor exatamente, Lulu Santos hoje o tempo passa escorre pelas mãos escorre mesmo o que vai ficando é o que a gente vai se lapidando e as vezes é muito melhor as versões eu soubesse que envelhecer era isso que está acontecendo tinha envelhecido antes pedia para entrar na fila porque é tão mais simples viver porque E aí
Você vai abrindo mão de coisas que são superfluas. O Nelson Rodrigues que falou, ah, se eu pudesse dar um conselho para o jovem. Jovens envelheçam, não é? É impressionante. Nelson Rodrigues tinha umas frases maravilhosas. É, tem uma dessa. E dentro do consultório hoje, Lucas, o que mais você tem se deparado? Qual é a busca das pessoas?
Bia, tem ali os critérios diagnósticos da DSM-5, o livro da Associação Americana que dá os diagnósticos? Tem, né? Então vamos dizer, ansiedade e depressão. Mas o diagnóstico não é o fim, né? É, não é o fim.
É uma bússola que orienta por onde você começa a limpar a mata. A limpar a mata, exatamente. E às vezes tem que tirar algumas farpas com medicamento e tudo mais. Mas é muito mais legal o que eu vou dizer assim agora, porque o que eu mais vejo é o que eu chamo de uma exaustão neural silenciosa. É um nome bonito, um nome que abarca esse sentimento de um cansaço porque ele é um ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF ETF
que vem por conta de uma dificuldade de manejar esse mundo estressado que a gente vive.
E junto com isso, as pessoas com o sentimento de que elas não estão mais habitando a própria vida. Em que sentido? De que em meio a essa exaustão, elas estão se afastando de desejos autênticos que elas têm no coração.
Muito por conta de modelos culturais que são pré-condicionados pelas redes sociais, pelo Instagram, por um marketing de completude e que elas às vezes se distanciam de...
daquelas coisas que são as chamadas pequenas coisas da vida. Que eu via lá na geriatria, na hora do final da vida, ninguém estava ali, ah, puxa, aquele, sei lá, aquele carro que eu comprei. Ou a bolsa, não sei o que. É, a bolsa, não sei o que. Cara, não foi sobre isso, foi sobre encontro, meu Deus.
foi sobre encontro. Sempre. Se tudo deu certo, quando a gente tiver pra fazer nossa passagem ou cumprir a última etapa da vida, a gente vai lembrar dos encontros. Eu brinco que eu quero ser uma velhinha que as pessoas gostam de tratar.
para poder continuar tendo encontros ou boas conversas. E é bonito isso que você falou, me veio na imagem aqui, na mente, aquelas velhinhas que eu cuidava na época de geriatra, quando tinham esse astral de bons encontros durante a vida, tinha uma plenitude ali, uma plenitude suave.
uma plenitude, um senso de gratidão, uma leveza ali de quem tinha estado aberta para encontros e desencontros. Para quem cumpriu a humanidade. Cumpriu a humanidade, Bia. Cumpriu suas humanidades. É tão difícil, mas é mais simples do que a gente imagina. Não tem tanta complexidade.
Então, dentro disso, você recebe mais essas pessoas que buscam... Pessoas com esse tipo de exaustão que eu estou descrevendo aqui, um cansaço... Da vida, né? É, um cansaço da vida. De como vem vivendo. É, de como vem vivendo. E... Ah, Bia, eu acho que é muito essa... Nesse... Qual o sentido disso tudo, né? A vida é sobre o quê?
A minha vida é sobre o quê? Então, pessoas distanciadas dos próprios desejos, sem conhecer muito os próprios desejos. Então, é o que eu percebo. É o tal dos vazios, né? Os vazios que nada preenche, né? É.
E às vezes são preenchidos com prazeres fugazes que estão aí, podem ser interessantes, porém tem as consequências nocivas, né? Exatamente. Seja uma junk food desmesurada, o perigo das drogas. Dos jogos. Dos jogos. Pornografia. Pornografia, escrow infinito das redes sociais. Meu Deus, os adolescentes que lutam, né?
que luta. É o vazio. É o vazio. Está preenchendo o vazio. Exatamente. Os vícios estão sempre preenchendo grandes vazios. Não tem jeito. É.
E eu acho que as pessoas estão sendo expostas aos vícios cada vez mais cedo e cada vez mais fácil. Porque hoje isso aqui tem um cassino, isso aqui tem um site de pornografia, isso aqui tem... você compra qualquer junk food.
está na palma da mão e compras também, materiais que depois a gente se enrola todo para pagar e é interessante que eu não vejo a sociedade se dar conta disso por exemplo, cada episódio de feminicídio todo mundo
E está tão banal que daqui a pouco ninguém vai se incomodar. Está quase normalizando. Mas aí você fala, mas é um caso isolado? Não, eu acho que isso tem uma coisa social, uma cultura de que, de fato, as mulheres são objetos a serem usadas e uma sociedade que...
Não pune adequadamente esse tipo de coisa. Ah, mas foi tentativa. Tentativa? Só não morreu porque alguma coisa aconteceu, alguém viu, alguém parou. Então você precisa primeiro ter a morte para ter uma legislação que... A tentativa já é muito grave. A impunidade é gatilho para mentes que já são mentes levemente perversas. Se você não tiver algo...
que contenha, aquilo floresce. A gente está vendo se florescer de uma forma como se fosse... Estão plantando e está pum, pum, pum, pipoca, como se não houvesse amanhã. E só vai ter solução com uma mudança de pensamento crítico.
Porque as pessoas têm uma frase, eu acho que é do Vitor Hugo, que ele fala, se você protege o lobo, você está sacrificando as ovelhas. E tem muito mais ovelha do que o lobo na sociedade. Mas mesmo assim, a gente vive em função de notícias. E se vocês são os lobos que estão sempre no noticiário, não são as ovelhas. São, é assustador. É assustador nesse sentido, né?
Vamos naquelas matérias e frases suas aqui? Vamos lá, a gente pegou algumas coisinhas aqui. Somos uma geração que problematiza tudo, polariza tudo, vitimiza tudo, traumatiza tudo, controla tudo, compara tudo, deseja tudo, acelera tudo, mas está se perdendo do nada. Do nada.
No nada, desculpe. Mesmo assim, eu sou otimista. A gente quer um novo amanhã. De onde você pegou isso? Eu concordo. Mas qual foi o teu insight do tipo assim, gente, isso tá over, né? Eu achei bacana o tudo, você marca o tudo, tudo, é o tudo do nada mesmo, né?
Eu imagino que isso tenha sido num momento desses momentos de uma certa desilusão que a gente passa e quase que um desabafo. Então...
Foi um desabafo, provavelmente, em algum desses momentos que a gente vive dessa faísca polarizada e extremista. Então, isso, Bia, é impressionante como eu vejo esse termômetro no consultório quando há alguma coisa que...
como que a gente está vivendo agora, dessa nova guerra, quando há, é impressionante como isso transborda, para usar um termo psicanalítico, num certo consciente coletivo.
Como isso deixa as pessoas, agora para usar a neurociência, em sequestro da amígdala, que é aquela área do cérebro mais nervosa, mais assustada, mais lutar ou fugir, mais sobrevivência. E aí a pessoa se polariza mais, se vitimiza mais, tudo vira trauma, a fala é traumatizadora. Então foi um momento de desilusão, porém... Dessa observação. Dessa observação.
desilusão. Eu acho que de reflexão. Observação. Porque o que tem de gente com a amígdala sequestrada, as pessoas estão polarizadas de uma tal maneira que as pontes para encontros estão cada vez mais difíceis. Porque ninguém pode falar algo que seja diferente.
E eu fico com um ouvido muito atento. No consultório é muito interessante, porque graças a Deus eu sou uma pessoa de coração aberto para entender polos diferentes de pensamento, que eu acho que não são nem tão diferentes assim. Acho que os extremos se parecem e aqui no meio eles são muito mais parecidos. Então eu tenho um coração aberto, eu não me incomodo.
Eu não me incomodo. E eu tenho um faro para perceber, por exemplo, eu percebo em você esse lugar. Eu consigo perceber isso, mas eu sinto que isso é raro. Cada vez mais, as pessoas estão tendo que criar uma identidade polarizada. Ou eu sou isso ou sou aquilo.
Porque estão em luta e fuga. Porque estão em sequestro no medalhiano. Exatamente. É como se precisasse a identidade precisasse ser do grupo. É quase primitivo. Isso é quando a gente estava na era das cavernas. A gente tinha que estar no grupo para sobreviver. Hoje é uma escolha. Hoje a gente pode circular. E as pessoas não têm noção da década de 1980, do século passado.
Todo mundo se reunia no Baixo Gávio, no Baixo Leblon. Era direita, era esquerda, era centro. A gente um ouvia o outro. E depois, sem falar, venço melhor.
Eu me lembro que péssima de eleição, que não podia beber a partir de meia-noite, aí a gente chegava, vamos que amanhã tem eleição, não sei o quê. Aí a gente falava, olha, que venço melhor. E quando vencia o outro lado, olha, que ele faça um ótimo governo, que será bom para todos, nós vamos torcer por ele. Gente, isso era tão comum, mas tão comum. Hoje é uma seita, né? É uma seita. E característica...
cultural brasileira, da diversidade, da conversa, conversa ribeira, são as águas de março, aquela conversa, aquela coisa boa, isso é muito brasileiro. E a gente se perdeu, a gente está imitando a polarização do mundo, a gente não precisa disso. A gente está imitando padrões que já provaram que não deu certo, mas que eu digo que as pessoas não refletem.
eu vejo o futuro repetir o passado eu vejo o museu de grandes novidades o tempo não para Cazuza que frequentava o Baixo Gávea sim, o Baixo Leblon também ali que era o Real História a pizzaria Guanabara era ali e o Diagonal, aquele triângulozinho ali
E é tão lindo, né? Eu estou empolgado aqui falando com você, que é uma pessoa que eu me identifico tanto. Esses extremos, quando a gente, no nosso psiquismo, a gente vai para extremos e fica rígido, quem padece é a nossa saúde mental.
É o mesmo mecanismo social. A gente precisa de uma democracia na nossa mente para ter a presença de um superego, que às vezes é tirânico e chato com a gente, mas para olhar para ele, estou te entendendo. Se você é um software que foi implantado na minha infância, na minha adolescência, mas as tuas leis estão muito tirânicas. Eu tenho que...
é saber o que eu gosto, o que é o meu ego no bom sentido, o que eu gosto, onde estão os meus prazeres, eu tenho que entender os meus impulsos biológicos, reparar isso tudo. Então é uma democracia. E a gente precisa disso. Nós temos que reinventar a democracia da convivência. Fora e dentro da gente. Exatamente.
Passa um outro, Tom Tom. Deu pano para a manga, é isso, hein? Você pode correr de todo mundo, mas não pode correr de você. Por isso, seja-se doce, mesmo no caos.
Estou orgulhoso dessa frase. Gostei. Me deu uma sensação de acolhimento, de auto-acolhimento, né? Que é tão necessário, né? Eu brinco que a gente cresce e amadurece quando a gente deixa de culpar os pais e passa a ser pai e mãe da gente mesmo, né? Obrigado, Bia. Eu sempre a terapia começa quando eu chego assim. Tá bom, ok. Eles foram os pais que puderam, né?
E eu passo a construir essa figura materna e paterna para mim mesmo. Pelo menos foi esse meu processo. Eu vejo tanta gente ficar ali, mas ela tem que admitir. Às vezes a pessoa está, mãe, o pai está quase morrendo, e a pessoa quer uma declaração de culpa. Está perdendo tempo.
É, os pais fizeram o melhor que eles podiam, com as agonias que eles tinham por dentro. E realmente essa possibilidade de libertação, de ser pai e mãe de si mesmo, dessa criança. De renascer, né? De renascer da sua história. Lindo. A gente vai ter que fazer isso muitas vezes. Que é a tal das atualizações.
Exatamente. Eu digo, uma vez estava no elevador e entrou uma pessoa, e aí veio uma frase na minha cabeça, eu sou contemporânea de mim mesma. Eu falei, o que eu quis dizer com isso? O que meu cérebro quis... Obrigada, meu querido. O que meu cérebro... Cuidado, está bem quente. O que meu cérebro quis dizer com isso? Eu sou contemporânea de mim mesma. E aí, com o tempo, aquela frase ficou ecoando.
eu tenho que ir me atualizando, é que nem o sistema iOS, tem que ser atualizando para poder continuar sendo eu, em etapas diferentes, porque senão você se perde pelo caminho. E olha que interessante, a gente continua agindo como a criança que foi traumatizada. A nossa reação não é uma reação adulta, é a reação de uma criança que foi traumatizada. Inclusive as reações corporais...
São as mesmas. Elas são as mesmas. E aí o meu cérebro, hoje em dia, ele, diante de alguém que levantou a voz para mim, ou que deu uma buzinada, ou uma demissão, ou uma rejeição amorosa, é o que acontece, né? Eu vou tomar aquilo, o meu corpo, ele guarda essa reação do desamparo. E aí, quando eu percebo aquela reação de desamparo agora...
Isso me leva para as minhas reações mais infantis, né? Porque eu não atualizei. Você não atualizou o software. E atualizar sozinho é difícil. É difícil, é difícil. Essa autoanálise é difícil. É possível, né, Bia? Não é possível. Com certeza é possível. É mais difícil. Eu acho que a psicoterapia...
facilita, te dá a mão, né? Pra você passar por essa... É... Meio que nem a... Do mágico de Oz. Né? Ela vai naquela estrada, ela vai naquela estrada que no final era pra ela ia ter que ser a mãe e o pai dela, porque aqueles tios alimentavam, davam casa, mas era aquilo que eles tinham pra dar.
eu acho bem legal Alice no País das Maravilhas que não tem nada de maravilha, a maravilha é descobrir que ela tem dentro dela os recursos para poder fazer essa maternidade, essa paternidade isso muda tudo essa frase é muito legal eu gostei demais, tem alguma coisa mais que você queira colocar dela?
Essa doçura... Seja-se doce. Bonito isso. É no sentido de... da gente poder ser... o adulto para a nossa criança interna que pode ter faltado para a gente. Essa doçura. E isso é o maior presente, o maior vetor para trazer o tão falado bem-estar. Bem-estar.
Exatamente. Essa doçura mesmo no caos, e principalmente no caos. E a gente vai ter muitos caos.
É importante que as pessoas saibam, desde muito cedo, que vamos ter muitos momentos de caos. Como vão ter muitas tempestades. Você vai ver muitas tempestades, terremotos, ouvir falar. Nós somos parte da natureza. O que vale para a natureza, vale para a gente. Tem dias que vai ter ressaca. Não tem jeito. Ressaca de mar. Daquela de jogar areia para tudo que é lado. E a gente segue.
Total. Eu, nesse meu storytelling vitorioso de ter mudado de profissão, estar realizado agora, sim, estou. Vou enfrentar outros caos, outros momentos de tempestade. E eu acho que é interessante compartilhar que essa transição passou por um momento de caos, claro que com temperos de questões familiares, de não sei o quê, quando eu me peguei.
num desses momentos, com a alma pequena, quando nada vale a pena. Exatamente. E nesse momento eu precisei de ajuda terapêutica e medicamentosa. E agradeço muito por isso. Sem isso, eu talvez não tivesse feito esse movimento, eu demoraria.
Anos e anos e anos, talvez não fosse dar tempo. Exatamente. Nosso tempo é breve. Então, assim, os processos têm que ser feitos, levam tempo, mas vale. Cada processo que você enfrenta vale. Impressionante isso, né?
É tão bonito quando a gente se corregula com um amigo, com um encontro como a gente está tendo, o encontro de almas, com o terapeuta, com um amigo, uma amiga. É o sentido da vida.
porto seguro das tempestades que a gente vai ter. Porque o fato da gente fazer o que gosta não impede dos caos virem, porque faz parte da vida. Mas eles são mais breves, eles são tratados de outra maneira. Você consegue ainda assim ser feliz no caos. Você fica um pouco triste momentaneamente, porque a tristeza é momentânea. Felicidade é se você está no rumo, está legal.
Incrível, né? Começando aqui com você agora Me veio um, da mesma forma que você entrou No elevador e veio Eu Sou Contemporânea De mim mesmo Lindo, né? Na época eu não entendi muito não A parada é um baixô ali Uma mensagem do além ali Foi, o wi-fi ligou e baixou
dentro do elevador. O meu Wi-Fi ligou aqui agora, conversando com você, nesse momento de que a alma, tudo vale a pena, se a alma não é pequena, mas quando a alma está pequena, quase nada vale a pena. Quase nada vale a pena. Num desses momentos, eu me lembro de ter lido sobre isso.
E eu me lembro de dormir, Bia, e serve até como uma dica, né? Pra se tem alguém passando por isso, né? É porque é físico, né? E tem um registro psíquico, né? Eu me lembro de colocar a mão aqui no meu coração, carinhosamente, com o que eu podia. Porque quando a gente tá pra baixo, a gente é muito crítico com a gente mesmo, né? Mas eu me lembro de colocar a mão aqui e falar, não, essa mão eu vou colocar no meu peito. E eu dormia com ela assim aqui, sabe? Isso me fazia um bem.
Acolhendo. E era uma mensagem aqui. Sendo doce no caos. Seja-se. Tinha isso. E a partir dali a gente vai. O autoacolhimento é fundamental. O autoacolhimento leva à autorregulação.
é algo indescritível. Eu acho que autorregulação, autoacolhimento é o orgasmo pessoal de cada um. E a maioria não sabe o que é isso. Engraçado isso. Quando você fala de essa pessoa, mas eu nunca senti isso, não. Porque é tão sutil e é tão complexo que só vivenciando. Tem coisas que só vivenciando. Posso dizer que é um encontro quase divino?
Exatamente. Talvez seja isso, né? A fração religando com o todo, né? Talvez seja isso. Muito bem. Próximo, Tom Tom.
Toda crítica ao outro revela uma biografia não autorizada sobre você. Achei isso ótimo. Isso daí é um contorcionismo de uma frase que eu acho, você vai me ajudar, eu acho que é do Freud, que ele fala, quando eu falo de Pedro...
Eu falo mais de... Quando o João fala de Pedro, ele fala mais de si... De João do que de Pedro. Exatamente. Então, assim, essa coisa de... Quando...
Há algo que a gente está criticando muito no outro, e está falando muito do outro, do outro, do outro, ou o outro está incomodando muito a gente. É interessante a gente ver o que dentro da gente está reagindo àquilo agora e mais.
O que dentro da gente está reagindo lá na nossa história? Porque aquilo ali está sendo um gatilho. E olhar para isso de maneira amorosa, o que é fundamental. Eu me lembro de um monge, eu tive contato muito...
muito curioso, Bia, com um monge budista em 2010. Eu não sou adepto de nenhuma religião específica, sou bem brasileiro, bem cabeça aberta, mas eu me lembro que ele me falou assim, o nome dele é Seguir Rinpoche, e uma grande curiosidade dele...
é que ele foi monge do Steve Jobs, porque ele vive lá na Califórnia. Então, uma curiosidade aí, uma fofoca dos bastidores. Ele é um cara que usa iPad, iPhone e tal, é um cara muito legal, mas ele falou assim, Lucas, quando você está com um dedo apontado para o outro, você está com três dedos apontados para você. Para você mesmo, exatamente.
É verdade. Então tem algo, quando eu estou criticando o outro, tem alguma coisa ali dentro de mim, ou está me incomodando muito o outro, porque tem alguma coisa dentro de mim que não está muito bem entendida. E aquela coisa assim, entrar, entrar-se, você tem que entrar para saber o que é isso, tem que vasculhar o terreno.
Muito legal. Próxima, TomTom. Ansiedade. Os tipos, os tratamentos, a influência das telas do transtorno que afeta 18 milhões de brasileiros. É um dado, né? Isso aí é um dado, é a notícia do G1 e é um fato, né? Você concorda dessa coisa das telas trouxeram esse...
primeiro eu queria fazer um comentário e te ouvir, que eu ouço que o Brasil é um dos recordistas de ansiedade e depressão. Aí eu me lembro do Galvão Bueno falando, é tetra, é tetra. Eu falei, ganhamos, ganhamos, meu Deus do céu, não é possível.
Ganhamos essa, não precisava. Eu não sei se é porque a gente diagnostica bem, porque a gente tem um sistema de saúde que consegue diagnosticar, ou se o Brasil tem um ecossistema que faz com que a gente fique mais ansioso e com tendências à depressão. Não sei, gostaria de te ouvir nisso.
E com relação às telas, a influência das telas, com certeza, né? É o que a neurociência está mostrando que tanto do ponto de vista neurocientífico, da desregulação da dopamina que você tanto...
fala sobre nos seus cursos e no podcast, essa desregulação dopaminérgica que atela com esse prazer barato, essa dopamina barata. Dopamina vagabunda, né, Cristiano? É, que vai desregulando esse sistema. Quanto ao efeito de comparações. Antigamente a gente se comparava com a nossa tribo ali.
Imagina, era o prima, o prima, e olha lá. Agora tem um negócio que é um sistema de comparação que vai fuzilando ali o nosso... Vai crescendo o nosso superego tirânico, a nossa crítica sobre nós mesmos.
Além do que, quando a gente está na tela, a gente deixa de se corregular, a gente perde a capacidade de conversar, de compreensão. Com certeza. A gente vai deixando a humanidade de lado. Eu acho que no Brasil o número é alto.
Bem alto. Eu acho que a gente tem um sistema de saúde que abrange muito. Esses dados certamente vieram do Ministério da Saúde também. Então você detecta mais. Eu acho também que as pesquisas que são feitas, o Brasil e o Fala.
O brasileiro gosta de responder pesquisas. Por exemplo, você vai na Inglaterra e ninguém responde. Tem que pagar para a pessoa responder. Tem que pagar. Então a gente tem uma coisa, por exemplo, você vai na rua. Eu me lembro quando eu participava algumas vezes, mas você, a gente ia para a rua.
Então, a gente tinha uma van, do Mais Você, que a gente parava assim, perto do Museu da Manhã, e a gente botava um tapetinho, uma coisa, fazia com o seu sujo de van, do Mais Você, e a gente fazia perguntas, o que você acha disso? Depressão pós-parto? Eu achei que não ia render, uma mulher chegou assim, nossa, eu tive, chorou, papapá, falei assim, nossa!
Rose, que é uma pessoa que me segue até hoje, e eu falei, fica assim, não, isso é coisa de mãe boa, que tem noção da responsabilidade. Uma mulher que olha um filho e fala assim, nada mudou, está tudo igual, é uma pessoa insana. E foi uma coisa legal, ela falou, pô, fiz as pazes comigo agora. Então, a gente tinha isso. Então, o brasileiro é fácil de responder questionários. Lá fora, a gente não tem isso.
imagina, o inglês as pessoas acham que o inglês é antipático ele não é na Inglaterra é um mau índice de fobia social então essa coisa da gente chegar na rua em Londres e começar a fazer pergunta, e a gente faz pergunta como? e aí, dá pra me dizer isso? o cara...
Então o contato físico... Exatamente. E a pessoa fala, que gente... Não, eles são fólicos. O brasileiro já vem abraçando, imagino, lá na... Já vem tocando, já vem abraçando. Tanto que lá fora, quando as crianças... Quando eu estava com as crianças, os pais iam morar fora... Dava uma confusão. Porque as crianças falavam, fulaninha... Aí botava...
a notação agressivo, não respeita o colega, aí eu tinha que fazer um relatório, não, olha, é uma criança imperativa, não é isso. Culturalmente, aqui no Brasil, a gente tem isso, não é desrespeito. Às vezes é carinho, de que a gente fala, não faz isso não.
E era difícil essa adaptação, esse jeito nosso. Então, eu acho que a gente fala mais. Eu acho que a gente tem um sistema de saúde que é nacional. Isso, é. Tem mais possibilidade. Fora disso, não se tem um lugar onde se recolhe tantos dados. E acho também que a vida mudou muito, porque o Brasil deixou de ter orgulho de si.
para querer atingir o que os outros países que foram botados de parâmetros estavam fazendo. A gente virou uma cópia medíocre. Tentamos ser uma cópia, porque nem somos uma cópia, e isso fez a gente ficar cada vez menos feliz com a gente.
E as redes sociais ampliaram isso, porque antes você sabia da Demi Moore, por exemplo. Você sabia da Demi Moore no filme, e ok. Ou quando ela descasava, algum casamento escandaloso. Fora disso, você não sabia da vida dela. Hoje tem a rede social da Demi Moore, que você vai lá e olha e fala assim, meu Deus, essa mulher não tem mais o que emagrecer.
Aí você fala assim, será que ela está usando as canetinhas? Não está usando? Porque a pessoa voltou uma estética anoréxica.
que foi moda no século passado, no início desse século. E está voltando isso. Tão triste. A gente batalhou tanto para as mulheres saírem daquele padrão manequim de agências anoréxicas mesmo, algumas constitucionais, raras, mas que faziam tudo para estar ali naquele peso.
E isso está voltando. Então, eu acho que a gente tem muito pouco orgulho de ser quem a gente é. Acho que a gente está muito atrasado no desenvolvimento tecnológico, mas voltado para a gente.
o brasileiro, ele hoje está perdido eu sinto que ele está perdido ele não sabe se ele é americano se ele é anti-americano se ele é a favor da França ou contra a França está na hora de construir uma identidade que seja nossa a gente tinha uma brasilidade tão bonita exatamente, e a gente deixou isso ir então eu acho que esses números são reais
né eu acho que são muito reais infelizmente e acho que somente conhecimento e autoconhecimento vai poder trazer isso de volta porque se a gente tá ansioso por ser quem somos a gente tá sem autoestima e se autoestima nada nada flores não tem jeito próximo Tom Tom
Saúde mental. Apenas 5% dos brasileiros fazem terapia a ponto estudo. Isso é a radioagência, né? Que é a nacional do Ministério.
Eu fiquei só pensando, e que é uma pena, né? Porque foi o que você falou, muitas pessoas conseguem sozinhas. Conseguem, é mais difícil. Mais difícil da gente identificar padrões que estão ali rodando há tanto tempo, uma vez que o cérebro reproduz o que ele conhece. Mas esse 5%, será que é geral?
nos sistemas de saúde, geral na população, porque uma coisa que eu vejo, todas as faculdades que têm psicologia, que têm medicina, têm ambulatórios para terapia. E eu acho que as pessoas não sabem disso e não buscam. Do tipo, não tem como fazer. E uma coisa que a pandemia trouxe foi essa coisa da terapia online.
que eu não sou tão favorável, mas eu acho que pessoas que moram em lugares que não têm acesso é absolutamente válido. É claro que se pudesse, eu encontro físico melhor. Mas você tinha noção dessa estatística, Lucas? Não tinha, Bia. É muito pouco. É muito pouco. Achei que teve aquele movimento na pandemia, dois movimentos.
Aliás, três movimentos. O primeiro movimento foi esse que você falou do atendimento online. O segundo movimento foi que as pessoas ficaram com um olho muito atento para a própria saúde mental e para a do outro.
E o terceiro movimento foi que muitas dessas faculdades, desses centros formadores de terapeutas, começaram a oferecer terapia supervisionada, que tem um supervisor ali, com valores mais acessíveis para a população.
Então, esse pool de divulgação, de onde essas pessoas podem procurar, seria muito legal. Eu acho muito legal. Eu quero ver até se depois a equipe consegue montar isso para a gente poder de alguma maneira divulgar. Eu me lembro que na Gávea tem um ambulatório de várias especialidades da PUC. Sim.
de medicina, já tinha, assim, num preço muito acessível, me lembro até, que eu indiquei para muita gente, funciona. E também tem a questão da terapia. Tem a terapia lá na PUC. Então, assim, acho que muitas pessoas não sabem. Acho que não sabem, né? Então, a gente tem que fazer isso correr mais, né?
E várias linhas, né? Tem as linhas das terapias cognitivo-comportamentais, as linhas psicanalíticas, de todos os universos. A dialética, né? A dialética. A dialética, para a personalidade borderline, é... Nossa, é um divisor de águas.
É um divisor de águas para autorregulação emocional. É impressionante, realmente. Por que você acredita nisso? Eu pergunto a curiosidade aqui. É porque a pessoa que fez, criou a dialética, é borderline. É.
Então, ela está falando ali... Marshall Lina. Exatamente, a Marshall. Ela está falando ali de alguém que procurou tudo e não achou e resolveu se focar. Tem um poder autodidata grande. Tanto que o último livro dela eu comprei e ainda não comecei a ler. Maravilhoso. Maravilhoso.
Ela tem livros que ela fala o que é a técnica, o que é a dialética. Mas esse é um sumo de tudo que se reuniu. Porque eu acho, por exemplo, a psicoterapia tinha uma grande dívida com os borderlines. Uma grande dívida. Porque é um universo... A amígdala está tão sequestrada o tempo inteiro.
que ficava difícil até um começo, uma sistemática, para que pudesse acionar a razão. Então a dialética, eu acho que paga uma parte dessa dívida, mas eu vejo muito pouca gente nem divulgando o que existe. A dialética comportamental é um avanço. E ela vai trabalhar exatamente com a palavra que você usou aqui, que é a regulação emocional.
para conseguir, depois que a pessoa esteja capaz de compreender os sentimentos dela e regular isso, inclusive com técnicas que sejam bottom-up, no corpo para cima. Sinalizar para o cérebro, para o cérebro depois devolver. E aí o cérebro vai pensar sobre pensamentos.
A razão, a retomada da razão. Aquela coisa que a gente fala e que é comum em várias personalidades, mas no border é mais intenso. Fulano ficou cego de raiva. Não é cego, ficou burro de raiva. Porque desliga o frontal. Perfeito. Estoura o límbico e desliga. Então a pessoa fica ali por 90 segundos.
Não tem como dialogar nessa hora. Se você parte para uma briga nessa hora, você faz mais 90 segundos, mais 90 segundos, aí vai a fúria. Aí deixa de ser a raiva e chega na fúria. Que é tão comum em quem tem essa característica borderline. Exatamente. E depois ficam mortificados. Primeiro que é uma exaustão física, a descarga que você tem ali de adrenalina, de cortisol.
E depois fica um, meu Deus, como é que eu não vi, né? Então, a dialética, eu acho que começa a se pagar uma dívida para essas pessoas que eram carentes. Porque a medicação para a bórdera é SOS. Sintomática. Sintomática, mas o tratamento é terapia dialética. Isso...
hoje é o Alex que toca lá, e a gente quando faz para o border, estimulação, ou TDCS, com a terapia de linha dialética, a coisa se alinha tão mais rápido, tão mais rápido que a gente olha assim e fala, meu Deus, como é que a gente não sabia disso antes? Quantas pessoas a gente deixou de ajudar? Porque aí vem aquela...
Claro que o tempo não volta, mas você fala, putz, queria ter ajudado mais fulana, queria ter ajudado mais ciclano, assim. É uma ressaca boa que dá, assim, do tipo, que bom que alguma coisa mudou, né? Próximo, Tom Tom. Ah, agora a gente chegou no Repórter Pipim.
O Pipim nasceu, ele era em 2D, chapado assim. Aí ele agora está evoluindo. Ele agora está em 3D, ainda está meio gorducho. Simpático. Mas é simpático. E ele é um filho querido que eu não deixo ficar vendo nada. Ele só ouve bons conteúdos que são gravados aqui. Então ele tem essa fonte para poder colher, beber, nessa fonte de conhecimento. O Repórter Pipim é uma comunidade que a gente tem, ser humano sustentável.
que é eles têm o direito de saber que o convidado vem com os 15 dias de antecedência então eles mandam perguntas que eles gostariam de fazer para você vamos lá vamos vamos lá Tom Tom a primeira dormir pouco realmente aumenta pensamentos negativos ou isso é exagero
Muito, muito, muito. Isso é muito legal. Eu lembro, Bia, aí está essa coisa da gente tendo um passado como clínicos. Eu lembro de um senhor de 101 anos, mais ou menos, que entrou no meu consultório.
para ser atendido, era um cara que vinha de uma condição socioeconômica muito limitada, e foi a... era o meu consultório privado nessa situação, mas alguém quis levar ele lá e tal, e aí me surpreendeu muito que ele levantou na sala de espera e veio andando sozinho, sentou, aí ele muito bonachão e conversador, muito...
inteiro, fisicamente. 101 anos é uma dádiva, né? Chegar assim. Um inteiro, fisicamente, emocionalmente. Eu perguntei para ele, como eu perguntava, me conta, qual é o segredo? O que você fez? Como é que é? E eu me lembro que ele falou, olha, doutor, eu tive uma coisa muito importante na minha vida.
Nada, nada, nada eu deixava que afetasse o meu sono. O meu sono era sagrado. Eu entregava tudo, deixava para lá e ia dormir. Então nada, nada, nada foi capaz de atrapalhar o meu sono.
E eu fiquei muito atento a isso. Então, respondendo essa pergunta, tem uma pesquisa que foi feita com um jovem, eu já tive o nome dele decorado, numa universidade americana, há mais ou menos uns 40 anos atrás, que não pode ser mais feita hoje em dia, essa pesquisa, porque ela é eticamente condenável, colocaram um jovem para não dormir em privação de sono.
Acho que é Gardner o nome do jovem, que eu já falei em palestra e tal, então eu me lembro. E aí colocou lá o Gardner para ele não dormir. O que acontecia depois de 24 horas, 48 horas? A quantidade de pensamentos negativos relatados, irritabilidade.
de que a vida não valia a pena, pensamentos catastróficos, e chegava até o ponto da pessoa começar a ter alucinações auditivas, né, Bia? E visuais, auditivas. Então, assim...
Isso é uma caricatura do que acontece com a gente quando a gente se priva das 7 a 8 horas de sono que precisamos dormir todas as noites. Então, sim, os estudos de neurociência mostram sequestro de amígdala no dia seguinte, que é um cérebro mais na luta e na fuga.
em reações mais de estresse, um cérebro menos criativo e com mais pensamentos negativos catastróficos, e as pessoas relatam isso. Só que no dia a dia a gente vai...
Vai tentando sambar com isso, tomando mais café, fazendo ali as nossas estripulias do dia a dia, mas no longo prazo a gente vai fomentando, dando uma comidinha ali na boca do nosso sofrimento emocional. Da nossa autodestruição lenta. Autodestruição lenta, essa é a palavra.
Próxima, Tom. Uma soneca curta durante o dia pode ajudar na regulação emocional? Os estudos de soneca, estudos de soneca e de cochilo, eles mostram que sim, que a gente pode usar o sono, um sono curto durante o dia, que o indicado é que não seja mais de meia hora, o ideal é em torno de 20 a 30 minutos.
para não atrapalhar o sono da noite, que isso pode mudar a arquitetura do sono à noite, que é a mais importante, onde a gente vai atingir... Níveis mais profundos. Obrigado. Níveis mais profundos de sono REM, sono profundo. Então, para não mudar a arquitetura do sono à noite, no máximo 20 a 30 minutos. E eles podem ser mecanismos, sim, de regulação emocional. E isso é muito legal. Ao invés da gente ir lá e fumar um cigarro...
ou beber mais café, ou usar outros tipos de recursos, como por exemplo, agora eu tenho um adolescente em casa, espero que eles assistam, eu falo para eles, chegam da escola, ficam querendo ver o Instagram rolando no Instagram, eu falei, olha, o seu cérebro vai ficar ativo, você não vai descansar e você vai ter uma tarde pior.
só que eu não consigo convencer eu teria que ter uma Bia como eu peço para eles assistirem bons conteúdos que vai dar essa dica inclusive minha filha já te viu ela falou, eu gosto aqui papai já viu, não sei o que o quanto que isso é legal também porque a pessoa ouve um conteúdo desse de uma pessoa
afetuose científica, isso é capaz de mudar ali a compreensão. Mas eu, sendo de casa, não faço milagre não, Vila. Mas é interessante, assim, porque os meus adolescentes falam, não, mas não precisa. Vamos fazer o seguinte, vamos fazer um tratado. Faz isso um mês. E a gente avalia. Se não é nada, a gente vai provar, olha, coisa maravilhosa. Simplesmente faz. É só fazer. Qual o medo de fazer? Dormir às dez.
Ah, não, mas não sei. Cara, é um experimento. Você vai se conhecer. Você pode, depois de um minuto, falar, minha, deu errado. Mas é pra fazer. Entendeu? E eu faço uma combinada com você. Eu vou fazer a mesma coisa. Quando você estiver lá, se quiser, eu mando pra você, deitando agora. Faço. Ah, mas você viaja. O dia que eu não puder, eu vou falar, eu vou atrasar 15 minutos. E eu fazer.
aí depois, tô melhor tô assistindo a aula, tô viajando menos tô menos estressado sabe, são coisas tipo assim, café, você pode tomar? pode, de manhã depois não, sabe de manhã, de manhã ele liga, tá bom, já ligou ou você tomar café duas, três horas da tarde
Você vai ligar o quê? Você vai batalhar quando o seu cérebro é burrice. Você está sendo contrário ao sistema. Aí eu brincava assim, e você não vai brigar com o criador. O cara é um designer fantástico. Não dá para você chegar e falar, deixa você burro, você criou errado. A única coisa que ele criou errado foi dinossauro. Aquela porcaria, o designer errou tanto que extinguiu.
Porque senão a gente não tinha uma árvore, não tinha nada. Aquela rabo, pá, pá, destruição. Aqui foi uma máquina de destruição. Errou, errou. Foi um erro. É o erro do designer. Isso acontece. É que nem o sistema urinário da mulher ficar tão perto da região anal. Ali, o designer foi dar uma cochilada e mandou o estagiário fazer. Por isso que a mulher tem muito mais infecção urinária. Foi feito pelo estagiário. Acho que vai ser.
ser corrigido com o tempo, entendeu? Então, eu sempre brincava, eles olhavam, assim, quando eles tentavam, funcionava. É muito legal. Não adianta você falar, olha, porque vai... Só tenta. Faz uma semana. Hoje em dia, né? Tipo assim, faz um dia. O tempo mudou, né? Próxima, Tom. O que fazer quando a mente cria cenários catastróficos que nunca acontecem?
Uma primeira resposta mais imediatista seria você diferenciar ali o que é um fato do que é uma interpretação que você está fazendo. Isso é uma primeira camada, tentar racionalizar sobre isso.
Isso funciona? A meu ver, funciona. Você entender o quanto aquilo ali é racional ou não é. Você parar, perceber que você está sob, quando você está com pensamento catastrófico, você está sob o tempero do medo, perceber que eu estou com medo.
o medo está passando por mim, deixa eu analisar aqui o quanto tem de fato e o quanto tem de interpretação aqui. Dito isso, é uma primeira camada, porém, eu vou te dizer que se isso é muito frequente...
ou se não é algo que você esteja conseguindo controlar e está alugando a sua cabeça, causando dano na sua vida, é porque esses cenários catastróficos estão acontecendo, não por acaso, mas porque você, em algum momento na sua infância ou na sua adolescência, se sentiu muito desamparado.
E esse medo, essa reação de medo, ficou registrada ali nas suas memórias implícitas e no seu corpo.
Então, há alguma coisa no meu entendimento de neurociência, de terapia cognitiva, de psicanálise, que houve ali na infância e na adolescência uma sensação muito forte de desamparo. E isso vai ser deslocado na idade adulta, vai ser deslocado...
para algum tipo de medo generalizado, que é a ansiedade generalizada. Então, eu vou ter medo de um monte de coisa, ou então eu vou ter uma fobia de barato, uma fobia de avião, uma fobia de altura, alguma fobia ou uma síndrome do pânico, onde eu nem sei, eu tenho medo do meu próprio estar no mundo, de eu ter um colapso, alguma coisa assim. Mas, no entendimento da...
de todo esse combo aí, né, de neurociência, de terapia cognitiva, de psicanálise, esses pensamentos catastróficos, eles não estão acontecendo com frequência e te alugando a mente por acaso. É porque houve um desamparo ali na infância e que pode ser visto com bastante docilidade e carinho hoje em dia. Com a sua nova versão materna ou paterna. Perfeito, exatamente. Próxima, Tom.
treinar o cérebro para sair do piloto automático da ansiedade? Bia, eu entendo que são de duas maneiras. Eu vou falar em inglês, que fica chique, que eu já falei aqui. É o bottom up, ou seja, de baixo para cima, e o top down, de cima para baixo. Bottom up é eu e o top down.
Cultivo técnicas de acalmar o meu corpo, de reconhecer o meu corpo, de me incorporar, de sentir essas sensações desconfortáveis, que são essas sensações de quando a gente está ali no piloto automático, da ansiedade, da exaustão. Como é que é esse corpo? Eu reconheço esse corpo e eu crio formas de...
acalmar esse corpo para que a minha mente acalme.
E, em paralelo, eu vou poder conversar em autoanálise, em autoanálise, pode ser até escrita, em autoanálise, o que está passando pela minha cabeça, e preferencialmente em terapia, que pensamentos são esses, que sentimentos são esses, se eles são repetitivos, se eles me alugam o pensamento, se isso já aconteceu lá atrás, se esse é um padrão que se repete, para poder atualizar esse software. Exatamente.
utilizando pensamentos. Então, eu colocaria que é uma forma de sair do piloto automático é ter essa dança bonita, né? Acalmar o corpo. Acalmar o corpo, fazer as pazes com o corpo e trabalhar a atualização desse software. Para ter mais lucidez sobre si, né? Exatamente. Perfeito. São dois caminhos mesmo. Próximo.
Qual é a forma mais eficaz de praticar gratidão segundo a neurociência?
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O que está mais em voga é a gente no final do dia, e isso a neurociência gosta muito da gratidão, porque a gente vê que um cérebro agradecido em momentos de gratidão, inclusive em momentos de conexão espiritual, religiosa, onde tem essas práticas, ele é um cérebro mais feliz.
tanto do ponto de vista de relato das pessoas que fazem as práticas de gratidão, quanto neurobiologicamente. A gente sai mais daquelas áreas, é praticamente incompatível. O cérebro que está agradecendo, ele acende áreas mais corticais, mais ponderadas, mais arrasoadas.
e ele desliga, entre aspas, as áreas mais límbicas, as áreas mais nervosas, catastróficas, repetitivas. Então, a gratidão seria quase que um antídoto.
para esse nervosismo todo. Então, dito isso, a forma mais em voga, mais comum, é a gente fazer uma lista de gratidão no final do dia, ou no início do dia, pelo que você experimentou.
de bacana, o que você tem, de legal, sem pensar no futuro. É do presente para o passado, porque senão isso gera ansiedade. Eu vou perder, não sei o que, não adianta. Então tem que ser agora, vamos dizer que estou aqui, estou vivo até agora, estou respirando, mesmo que eu tenha uma doença, alguma coisa assim, tem mais coisa dando certo do que tanto errado, eu estou vivo, então estou respirando, vou pensar, o que teve de legal hoje? Eu tive uma conversa legal com a Bia, eu tive o chá.
que foi bom, eu estou com o teto, não está chovendo na minha cabeça, eu tive comida, agradeço quem levou a comida para o supermercado, quem coletou a comida, quem plantou, então, nas coisas mais simples ou maiores. Então, essa é uma tática ali bem em voga. E existe uma outra corrente da neurociência e das terapias cognitivas,
que tem chamado a minha atenção, que é para a gente experimentar também a gratidão de propositalmente...
e sempre a gente acaba em coisas espirituais, mas propositalmente a gente buscar de graça você e o seu Deus fazer coisas que levem ao outro.
sentimentos bons, coisas boas, e perceber isso retornando no sorriso das outras pessoas para você. Mas não de uma forma de querer manipular o outro, porque é uma coisa em você e o seu Deus fazendo isso.
E vivenciando essa gratidão de estar fazendo isso. De poder estar fazendo. De poder estar fazendo. Independente da pessoa recebendo, reconhecendo. A bondade é poderosa. E é um poder seu. A bondade, Bia. Você resumiu a palavra. O exercício da bondade.
Independente, porque tem gente que fala assim Ah, mas eu fiz isso por você Tá limpo, eu fiz por mim Porque é burro Não ser bondosa É de uma burrice Mas tudo bem, quem quer Tá livre Mas eu confesso A experiência de vida É um prazer que poucos Conseguem ativar Mas é bom
É muito bom. A experiência egoísta, né? A gente tem que cuidar da gente, né? Porque senão a gente também não consegue cuidar dos outros, né, Bia? Agora, essa experiência em si mesmada, em si mesmo, né? Em si mesmada, ela é uma experiência mais de sobrevivência. Exatamente. Mais de alarme. Mais de alarme. Então, e viver no alarme não é bom.
Uma hora é pifa, né? Não tem jeito. É que nem um carro. Você acelera. Uma hora ele vai estourar o motor e vai parar. Igualzinho. Não faz diferença. Próximo, Tom Tom.
Viajar pode mesmo proteger o cérebro contra o declínio cognitivo? Eu estou lembrando, eu falei sobre isso. Essa turma de pesquisa é muito curiosa. Isso foi uma pesquisa da Dinamarca. Eu não lembro exatamente de foi. Acho que sim, que estão prescrevendo viagem. Estão prescrevendo viagem. É outro nível social.
E aí eu me lembro que na minha sugestão, lá do meu... da minha revista diária, lá do Instagram, eu sugeria que são viagens que podem ser viagens para lugares perto de onde você mora, mas sair, sair e ir para vivenciar situações novas em outros lugares geograficamente.
traz um benefício que esses pesquisadores doidos da neurociência fazem, que mostram que pessoas que relatavam retrospectivamente que tinham esse hábito tinham um cérebro mais afiado, mais ativo, mais conectado com o mundo. Então, essas viagens que a gente pode...
transcender aqui e pensar em viagens que sejam não só viagens geográficas, como viagens para fazer outras coisas, outras formas de trabalho, outras formas de conexão com o mundo. Isso é um protetor cerebral.
É, porque se tira da zona de conforto o cérebro, ele tem que ativar processos de aprendizado, de adquirir conhecimento. É legal isso, ele tem que desbravar. Ao mar, tem que ir ao mar.
Próximo, Tom. Chorar em filme é sinal de fragilidade emocional? Eu sou suspeita que eu choro com a maior facilidade. Em determinados filmes, eu já vou com um rolo de papel higiênico e um saquinho para ir botando lixo. E não me atrapalhem, por favor. Porque me dá uma calmaria depois, sabe?
Que lindo, Bia. Não me surpreende nada. Eu faço isso tranquila. Por isso que eu gostava quando tinha mais tempo de ir segunda-feira na primeira sessão do cinema. Tinha no máximo cinco pessoas na sala de cinema. Sentava ali se fosse para chorar, se fosse para rir. Estava tudo ótimo.
Lindo. A arte é um exercício de autoconhecimento e de experienciar emoções. Exatamente. E isso que você está me dizendo é um registro clássico de empatia. Você está empatizando com os personagens. E, inclusive, é um grande remédio para o nosso tempo. É verdade.
Então, chorar em filmes, o convite desse meu post foi mostrar que pessoas que se emocionam, que choram, elas tendem a ser mais empáticas com o outro.
E isso não é um defeito, né? Isso é um registro de que somos humanos e que gostamos de pessoas, de gente. E também desperta na gente possibilidades, né? De se isso acontecesse comigo, como é que eu... Aquela coisa de simulação que o cérebro faz, né? Qual seria a minha reação? É um tipo de experiência, imaginada. Mas é um tipo de experiência.
que abre para isso. Você se coloca, o que eu faria naquela situação? Pode ser que não ocorra aquela situação, mas se ocorrer, o meu cérebro já tem um registro de uma possibilidade de reação antes do descontrole. Então, eu acho bem legal. Eu não tenho... Eu me lembro que, quando a gente era criança...
Tá chorando por quê? Isso aí é de mentira. E tatatá, papapá. Eu fui ver um filme do Topo Odídeo, eu chorei. Topo Odídeo, do Agildo Ribeiro.
E as pessoas, não chora, não chora. E aí minha avó falou assim, deixa ela chorar, imagina. Não está problema nenhum, vocês estão incomodadas com o choro dela, está atrapalhando ninguém. Deixa ela chorar embaixo. E me botou no colo e eu fiquei ali. Aí depois de um tempo o choro está indo. E eu falei assim, engraçada, eu estou leve. Eu devia ter uns seis anos, mas eu lembro dessa sensação. Minha avó estava numa cadeira de balança, aquelas cadeiras de balança austríaca.
clássica, trelicinha, assim, e eu tava aqui no colo dela, engraçado, eu tava tão triste, agora tô tão leve. Ah, coisa boa, né? Eu falei, esse negócio de chorar não é tão ruim? E aí eu virei, daqui a pouco tava pronta pra brincar, maravilhosa, como se eu tivesse me autorregulado com a ajuda...
daquele acolhimento e fui à vida. Hoje eu vejo isso muito claramente, mas eu lembro da sensação, mesmo quando eu não processava o que estava acontecendo, mas a sensação ficou para ser processada depois. Interessante isso. Muito, muito lindo, Bia. Interessante. Exatamente essa mesma sensação que me deu. Não é fragilidade em termos...
Médicos é uma autorregulação. Uma autorregulação é um autoentendimento. Eu acho que... E que é um pouco de humanidade, né? Da nossa condição humana, que eu acho bem legal. Acho bem legal. Um bichinho diferente, ser humano, mas...
De vez em quando, eu acho que o criador deve falar, errei na mão, meu Deus do céu. Mas eu acho que a criação, ainda assim, é maravilhosa. Próxima, Tom. Como transformar a liberdade externa em liberdade interior no dia a dia?
Transformar a liberdade. Eu entendi também. Liberdade externa. Por exemplo, acho que... Não sei. Estou pensando aqui. Uma pessoa independente, externamente, não consegue ser livre internamente. Acho que é isso. Me parece. Não sei dizer, porque a gente recebe a pergunta e põe exatamente como a pessoa mandou. Ah, sim, sim. Entendeu? Me parece.
Porque tem tanta gente que tem uma liberdade externa, às vezes material.
Não tem uma liberdade interna. Continua presa. Se fosse assim, dinheiro dava felicidade para tanta gente e você não vê isso acontecer. É. A gente vê que a partir de um certo limiar de dignidade, de condição, tem um efeito platô, né? Um material. E depois tem um que vai cair, né? É. Que o que cresce proporcionalmente, quando você vai aumentando muito a tua condição, é ansiedade, depressão e vícios.
Impressionante, Vila, mas isso que você falou é algo que a gente que trabalha com as populações carentes e por conta do crescimento profissional acaba trabalhando com pessoas mais...
abastadas, a gente fica observando o que acontece, que às vezes a gente vê pessoas com dificuldades financeiras tão inteiras, íntegras e capazes de saborear a vida e pessoas que têm essa liberdade financeira de poder viajar para Paris, para não sei o que, para o barco, para o passeio, não sei o que.
parece que dá um certo desespero na pessoa, porque ela falou, bom, eu achei que eu ia chegar lá e encontrar o pote do arco-íris.
Interessante isso, né? Qualquer excesso vai ter um preço de escassez interna. Muito excesso. O ser humano não foi moldado no excesso, foi nas dificuldades. Olha a nossa história como espécie. Foi caminhar, foi caçar, foi entrar numa caverna para se abrigar. Nós somos animais muito frágeis.
comparado com o tigre, comparado com o leão. Então, a gente foi moldado, a humanidade foi moldada. Na escassez, a gente lida mal com excessos. Muito mal. E aí a gente tem um conceito de quanto mais você tem, mais seguro você está. Não vejo isso. Não vejo. Sinceramente, não vejo mesmo.
Na prática, a gente que lida com as pessoas na real, a gente percebe, não é isso. Parece que é uma, você falou do criador, parece que é uma pegadinha do criador. Exatamente, porque ninguém capota...
Andando num carrinho que não tem potência. Descapota quando a gente... É dado testes, né? Eu acho que os excessos são testes. São provas. São provas da faculdade da vida, né? E você disting quem sabe e quem não sabe lidar. Eu acho um tremendo desafio. Tremendo desafio. Próxima, Tom.
primeiro passo para quem quer iniciar a psicoterapia, mas sente resistência? Eu estou notando aí uma ambivalência, para falar bonito, ela quer fazer, iniciar, então, isso já está dito, quer iniciar e tem um lado negativo que é um polo.
antagonista que é essa resistência. Então há uma ambivalência. A pergunta, quer dizer, o que eu acho bacana é a pessoa conversar com pessoas que façam terapia e que tenham bons...
boas coisas para falar, bons resultados, investigar, pesquisar, porque aí as resistências tendem a diminuir. Então, conversa com pessoas que já tiveram boas experiências e até vai nesses terapeutas que essas pessoas tiveram. Acho que essa é a melhor indicação quando funciona. Exatamente. Para alguém que você observa, que você o admira, ou você...
ver que um trabalho surtiu efeito, eu acho um bom critério. Exatamente. E puxando um pouco aqui do Carl Rogers, ele se centrava na pessoa, eu perguntaria, o que você está buscando, o que te faz querer fazer terapia?
quando você elencar ali o que você está buscando, o que você está querendo, você vai botar um sol ali em cima e clarear os motivos pelos quais você quer ir para a terapia e talvez isso seja o empurrãozinho que está faltando. E de vez em quando deixa...
isso anotado, e quando você pensar em desistir, olha os motivos que te fizeram iniciar. Eu sempre falo isso. Porque a terapia tem seus momentos que você fala, ah, não está adiantando. Volta de novo. Redefine rumos. Faz atualizações. Ela também precisa de atualizações.
Bia, sabe que eu queria uma dica sua eu tenho feito uma coisa porque eu até descrevi aliás eu amei o que vocês me mandaram para escrever sobre mim antes da nossa conversa porque foi para mim já ali uma terapia lembrar de quem se é
é verdade que esse é B eu falei, pô danada cara, como é que ela bota essa pergunta e eu gostei muito e ali eu tenho eu falei ali algumas vezes sobre a minha dispersão, porque eu tenho notado isso e revisitado a minha história inclusive de estudo
Coisas e tal que não vem agora ao caso aqui. Mas para dizer que eu queria entender como é que você faz com os seus pacientes e alunos do curso com mentes mais dispersas ou às vezes com TDAH propriamente dito.
Eu tenho feito uma coisa, quando eu vou fazer uma lista do que eu tenho que fazer, eu boto ali em cima da lista os meus desejos, do que é importante para mim. Onde você quer chegar. É, onde eu quero chegar. Parece que aquilo ali, escrito, tem me organizado, mas isso é uma experiência muito recente que eu tenho feito. O que você comentaria sobre isso? A escrita, para todo mundo, a minha escrita é revolucionária. É o que deu o...
o ponto de virada da humanidade. E para quem tem TDAH, você tem uma avalanche de pensamentos. E quando você começa a escrever, você captura...
sai do abstrato, daquela tempestade de pensamentos, e você concretiza, você organiza, você captura o que é mais importante, você escreve, você materializa. É como se você fizesse uma obra. É uma obra. Isso para a TDAH é fundamental. Eu sou a mulher, eu tenho TDAH, eu sou a mulher dos caderninhos, tenho uns oito por ano.
Porque antes de dormir, bem antes de dormir, eu já ponho tudo, se hoje for legal, isso, isso, isso. E é tipo assim, amanhã deixa eu já planejar aqui. Porque eu não perco minha noite de sono pensando no que eu vou fazer. Ir para a cama, não posso esquecer de pagar a conta. Eu deixo tudo. Falei, amanhã é só abrir e executar. É que nem quando ela falou da psicoterapia. Vai.
se puder ir com o mapinha do que te levou, mas vai. É que nem aquela que eu vou fazer atividade física. Não pensa. Já deixa a roupinha de véspera pronta. Vai. Ah, mas eu chego lá dormindo. Ah.
Se eu estiver caindo, tudo bem. Se tiver risco de queda, tudo bem. Vai. Just do it. Aquela coisa da Nike, que eu acho que é um dos maiores logo-frases, né? Que é o que simplesmente faz.
e não teoriza muito é o primeiro passo porque o ato de realizar qualquer coisa nos primeiros minutos cinco minutos libera uma dopamina do cérebro de realizado aí você se retroalimenta nessa questão e isso é bem bem interessante
E às vezes é um petit pas. Eu não falo francês, mas é um pequeno passinho que você já fez. Opa, realizou. Porque esse pequeno passinho, ele é suficiente para gerar uma dopamina de te conseguir. E o TDAH precisa disso. Porque é um cérebro movido da dopamina, mas ele tem que pegar a dopamina que é boa. Não a vagabunda falsificada. Eu faço sempre assim. Genial. Tá?
Próxima, Tom. Quais hábitos simples você recomendaria para alguém começar hoje a cuidar melhor da saúde mental? Hábitos simples. Vou trazer a minha querida medicina do estilo de vida, Lifestyle Medicine. A Lifestyle Medicine, medicina do estilo de vida, ela é uma prática clínica onde...
Hábitos do dia a dia são capazes de prevenir, tratar...
as doenças físicas e psíquicas que mais causam sofrimento, que são as crônicas, as doenças crônicas, que mais causam sofrimento e mais, inclusive, fazem as pessoas perderem a vida cedo demais. Então, quais são esses hábitos na medicina do estilo de vida?
são quatro hábitos que não é a medicina do estilo de vida que inventou o que a medicina do estilo de vida trouxe foi um olhar para medir cientificamente e falar, caraca, isso faz muita diferença
Porque a psiquiatria mais integral já trazia isso, a Ayurveda já trazia isso, né, Bia? Então, quais são esses passos, esses hábitos simples? Movimentar o corpo.
Movimentar o corpo libera todos aqueles mediadores, as miocinas produzidas pelos músculos, que vão levar mensagens para o cérebro, que vão ajudar a produzir neurotransmissores, neuroplasticidade que vai te ajudar a beça na sua saúde mental. Então, o movimento do corpo, junto com o movimento do corpo, eu coloco o descanso, que é o sono. Sim. O sono.
7 a 9 horas por sono de noite, média 8 horas. O segundo, uma alimentação anti-inflamatória, com mais comida de verdade, como ela está na natureza, antes de ser industrializada. Já falei isso tantas vezes que eu já tenho tudo decoradinho para a resposta. Mas as verdades precisam ser reditas. É verdade.
A terceira é o aprender a lidar com o estresse. E esse aprender a lidar com o estresse vem de ancorar o corpo, saber reconhecer o corpo em estresse, ter métodos que vão beber nas fontes milenares, por exemplo, da yoga, mas não necessariamente, do alongamento, do mindfulness.
tudo que pode trazer presença para o nosso corpo, cultivar esse lugar de observador, que observa pensamentos, sentimentos, sensações. Então, a gente está cultivando esse lugar aqui. E também as conversas que curam, que a gente entende muito que elas estão em vários lugares. E a terapia é um lugar sagrado para esse gerenciamento do estresse.
E o quarto aqui são as conexões. As boas conexões. As boas conexões que elas sustentam a gente, que elas dão sentido para a nossa vida. Então, seria o combo aí da... E essas conexões também, conexões com algo maior, transcendente, com grupos, com coisas que façam sentido. Com fé, né? Com a fé. Cada um exercendo do seu jeito, mas se reconectando.
Então são hábitos simples, né? A coisa que mais alto me regula é música. Ah, coisa legal. Eu tenho playlists...
Se eu estiver num dia mais agitado, eu paro tudo. Na quarta, quinta música, eu já estou... O que era mesmo que eu estava achando que era um problemático? Aquilo faz... Aí cada um tem que fazer a sua playlist. Porque cada música mexe numa coisa. Eu acho que todo mundo tem que ter uma playlist.
É aquela playlist que te dá... Aquela de autorregulação. Quando o sistema anímico está muito ativado, é aquela. Quando, se eu estiver um pouquinho assim, estou meio desanimada, é outra. Porque eu lembro, me aciona momentos muito alegres. Então, tem a de autorregulação, tem de dar mais energia física.
E aí tem que ter essa observação. Porque tem gente que fala assim, qual é a sua playlist? Não vai ser a sua. Porque a música bate para cada um de uma maneira. Você vai ter que fazer uma... Nem que você tenha assim, qual são as músicas que eu gosto? Isso aqui, ouve ela de novo. Isso te dá o quê? Acolhimento? Excesso de tristeza? Porque tem músicas lindas, mas aciona uma tristeza na gente que...
Você pode até colocar, se você estiver meio fora da casinha, porque tem momentos que a vida pode te dar opção de coisa e você se achar que está muito por cima. Eu digo que é a playlist do Salto Alto. Baixa porque tudo é passageiro, inclusive a vida.
Eu sempre falo, gente, cuidado. A vida é trem-bala. Está over. É, a vida é trem-bala. Está over. Não precisa disso tudo. Não precisa o vinho de não sei quantos mil. Está over. Bota uma playlistzinha para dar um sofrimento humano. Entendeu? Abaixa. Então, eu acho que a gente tem que construir playlists para sentimentos, para emoções.
das emoções básicas, assim, né? Tristeza, alegria, raiva, medo. Se as pessoas fizessem isso, é remédio. É a coisa que mais me autorregula.
Lindo, lindo, Bia. É a coisa que mais me auto-regula. Você fala isso com... Foi uma prática. E vou te dizer, muito engraçado, porque eu tenho uma super amiga e ela, eu acho que hoje você tem que ouvir aquela playlist. Eu falei, você sabe que você está certa? Eu vou tomar um banho agora e vou ouvir minha playlist.
Mas é uma coisa de oito minutos. Oito minutos eu tô todo mundo assim, quase que andando em nuvens. É, é, é, é. Olha só, Bia. É quase... Porque todo mundo já sabe. É quase o colo da sua avó e uma chorada no colo da sua avó de vez em quando. Exatamente. Exatamente. Então, assim, a música pra mim é sagrada.
Música, né? Música. Porque, assim, nenhum preconceito, cada um gosta do seu estilo, mas tem músicas que ativam coisas, irritabilidades e instintos muito...
não nos colaboram pra evolução. Não deixa lá. Isso não quer dizer que eu não vou numa festa pra estar tocando uma música super da hora que a gente não vai brincar. Você até falou agora, vai tocar um funk, um coisa...
Até que ele vai estimular a pessoa para o acasalamento. Sim, ok. Tá bom, estimulou. Ok, ok. Mas eu ouvi isso no dia a dia. Que é um momento que... Se eu estou numa festa, aquela coisa que a gente brinca, todo mundo faz junto. É. Perfeito. Mas tem coisas que é para dentro. Muito, muito, muito legal. E me dá uma curiosidade agora. Uma música. Uma música que você... Meninos são tantas. Tantas.
E tem uma coisa que o Milton Nascimento diz, certas músicas que eu ouço cabem tão dentro de mim que perguntar carece, como não fui eu que fiz. É aquela música do Milton. Cara, tem músicas que eu falo, gente, o cara fez, eu bato o pau, mas eu tenho certeza que o design do universo mandou baixá-la agora, entendeu? Porque no fundo a gente não cria nada, está tudo na grande nuvem criadora.
que a gente baixa de vez em quando. E é isso. E é tão lindo. Aí tem gente, você sabia que esse cara que fez essa música esteve envolvido? Não sabia não, mas a música é sagrada. Que bom que ele fez. Porque pelo menos ele teve uma oportunidade de ser veículo de uma energia boa. Se ele não aproveitou, a burrice dele. Porque essa música é fenomenal. Aí você fala assim, gente, o criador quis dar uma chance.
vai meu filho, vai sair pra fora que isso vai mudar, mas o cara não quis entendeu? tem que tirar a resistência pro sagrado se manifestar então eu fico com o sagrado você escolhe o sagrado você escolhe o lado o download bom que aquela pessoa fez se quem não sacralizou aquilo eu me dou o direito de sacralizar coisas lindas
separo quem fez da obra. Porque uma música bate em cada pessoa de um jeito. Então... Eu tenho uma que eu gosto de ouvir, que ninguém entende, porque não é... Não cresci ouvindo. Eu sei lá porquê, Bia, mas está sempre essa minha playlistzinha lá. Ela é uma playlist, eu vou dizer, Bia, de uma...
uma doce melancolia compassiva e... Não é melancolia, parece que... Mas, assim, tem um olhar doce sobre o... É uma tristeza redentora, né? Quando a gente tem aquela tristezinha e fala, eu continuo humana.
Isso, isso. A humanidade não me foi tirada. É do Flávio Venturini. Qual? É assim. Porque se chamava moço, também se chamavam sonhos. E sonhos não envelhecem. Não entendo por quê. E tudo se faz manhã. Lindo, lindo, lindo. Ô, Bima, você é afinada.
e você sofre nada, não. Eu não distingo lá de dó. Você falou isso? Eu não olho o dó. Não vivo sem música. Se existe esse negócio de reencarnação, acho que eu fui uma super compositora, musicista, mas eu fiz alguma besteira que falou assim, agora você vai ser só espectadora.
ótima espectadora, ouvinte. Eu acho que eu me tornei uma excelente ouvinte. Se era para vir nessa vida, para reconhecer o poder da música, sem poder ter o dom de fazê-la, tocá-la, eu estou cumprindo minha missão. Sem a música, a vida seria um erro. Um grave erro. É o Nietzsche, né? Próxima, Tom Tom.
Hum, chegamos agora no momento Pipinho. Está vendo que Pipinho está pronto aqui para jogar um tênis? Que é o seguinte, momento Pipinho agora... Relaxa que agora é brincadeira, agora é livre associação. Uma palavra, uma frase, o que vier na cabeça.
Responde. É ping-pong, tênis. Se não vier nada, passo, não tem problema nenhum. Isso também é humano. Um, um lugar. Milagres em Alagoas, na jangada do José Ailton, que é um barqueiro. Bem, bem, bem simples.
mas com muitas histórias boas de pescaria, de jangada, de vida, junto com a minha família. É o que me veio na cabeça. Perfeito. Não conheço o milagre, fiquei curiosa agora. Dois, uma lembrança feliz.
Eu acho que acabou que a minha lembrança feliz foi a de milagres. Foi a desse lugar, foi a que me veio nesse momento. Eu ia falar isso, pode repetir. Eu acho que é o que falou no meu coração agora. Defina psicoterapia em uma palavra. Amizade. Encontro, né? Amizade também é um encontro. Cinco, uma personalidade inspiradora.
Francisco Daut da Veiga. Francisco Daut da Veiga. Francisco Daut da Veiga é psicanalista, escritor, meu psicanalista. Ah, que coisa boa. E ele é uma pessoa que aos...
Me emociono aqui. Aos 20 anos de idade, 21 anos, eu li um livro dele, um livro muito gostoso de se ler, que falava sobre a vida, a psicanálise.
E esse livro ficou guardado no meu coração durante muito tempo. E eu fui para a minha vida, fiz ali os meus trabalhos, casei, tive ali os meus...
os meus caminhos, meus filhos e tudo e fui reencontrar ele agora na maturidade, pedindo para ser analisado por ele e é uma pessoa que está muito forte na minha vida e é um amigo. Com certeza.
Que legal, que legal. Eu gosto disso. Pessoas que estão próximas da gente, porque a gente sempre pensa em personalidade de alguém tão longe que a gente nem sabe como seriam essas pessoas no convívio íntimo, né? Perfeito, Francisco da Veiga. Daute da Veiga. Seis, o que é amor pra você? O amor é o sentido...
divino da experiência humana na Terra. E é o que dá o colorido e a...
E a definição do que é a vida e sobre o que é a vida. Sobre o que é a vida. Perfeito. Sete, um erro que te ensinou. São tantos, né? Ainda bem, ensinar o que a gente está vivendo.
Como a gente falou aqui de caminhada de vida, de trabalho, o erro que me ensinou foi o erro de ter optado por um caminho de trabalhar como clínico geral e que acabou me ensinando a ser um terapeuta hoje em dia.
que se chama Lucas, que teve essa história. Então foi um erro. Eu gostaria. Então erro a gente não gosta. Eu gostaria de voltar atrás. Posso dizer, ah, eu aprendi, mas gostaria. Eu acho que foi um erro. Ao mesmo tempo... Fez quem você é, né? Não tem jeito. Oito. O que você faria se o mundo acabasse amanhã? O que você faria hoje?
Vou ser bem piegas. Queria abraçar as pessoas que eu amo. E ficar quietinho esperando. Solta-lhe a bomba. Vai morrer todo mundo que a gente morra no colo. Ou no abraço. Graçado. Colo e abraço. Dentro do abraço.
Tem alguma música, acho que é do Jota Quest, que a gente, não sei o que, dentro do abraço. A gente se encontra dentro do abraço. A gente se encontra dentro do abraço e tem aquela música do Paulinho Mosca, que é o que você faria se só te restasse esse dia, se o mundo fosse acabar. E digo o que você faria. E eu falo, Bia, eu tenho uma... Tinha uma...
um insight assim, e uma mistura que eu já não sei mais o que é meu, o que não é, mas a gente tem essa ideia de que o que é viver a vida como se hoje fosse o último dia. Cara, viver a vida como se hoje fosse o último dia, a tendência é que a gente fosse fazer
se a gente fosse nos nossos impulsos, até um monte de besteira. E fosse uma confusão, até do ponto de vista jurídico. Ia todo mundo, sei lá, transar com todo mundo, as confusões, sei lá o que ia acontecer. E aí veio essa sacada, e se a gente puder...
ter a experiência não de viver hoje como se fosse o último dia, mas como se fosse o primeiro dia. Sim. Porque aí tem toda novidade. Mas é engraçado, você sabe que eu acho que essa questão, depois que você tem um pouco de maturidade, os impulsos não são as coisas mais predominantes. Então, por exemplo, toda vez que eu tenho alguma situação, de vez em quando eu falo, se a vida me acabasse hoje,
E me acalma profundamente. Porque me dá aquela sensação de o conjunto da obra foi legal. Eu escrevi um livro autobiográfico, eu me refaço de vez em quando, um, dois capítulos não foram legais, mas o conjunto da obra dá para ler. Sabe? Isso me acalma profundamente. Porque eu acho que quando a gente é muito jovem, se o mundo for acabar amanhã, eu quero fazer isso, quero transar.
Depois de um tempo, você fala, não, quero ficar no colinho ali e esperar a bomba chegar. É mais simples, é morrer feliz. E não morrer realizando desejos. Até porque dá muito trabalho. Ser, se deixar ser, não dá tanto trabalho. Tem muita resistência, mas...
9. Qual superpoder você gostaria de ter e por quê? Ai, que encruzilhada existencial filosófica que eu me coloquei aqui, porque eu já estou pensando, mas eu pensei na imortalidade. Primeiro. Primeiro vier. Imortalidade. A gente estava falando de imortalidade.
me veio a imortalidade, mas aí me veio o questionamento e aí as coisas teriam o mesmo sentido com a imortalidade. E será que eu não queria experimentar outros estados de ser, no meu entendimento, que podem existir? Mas talvez a imortalidade exista, não da forma que a gente gostaria que fosse. Gostei, Bia. Obrigado, é isso. Essa é só uma outra etapa.
De continuar, né? É isso, é isso. Eu acabei meio que estimulado pela pergunta anterior, mas a primeira coisa que me veio na cabeça foi uma coisa super boba. Por quê? Mas poeticamente ela tem um significado, que é voar.
perfeito, perfeito a maioria, tá? a maioria das pessoas, olha que a estatística aqui é alta a maioria das pessoas é poder voar, de ser invisível e de atravessar ir para o tempo voltar no tempo fazer essa
Essa viagem na máquina do tempo. Que barato, né? Porque me passou essa também. São os três assim. Mas a primeira, no impulso, sem botar o racional em cima, foi voar e já foi logo pro sentido poético disso, né? Da liberdade, do voar. Exatamente. Tem uma musiquinha do Biafra, né? Voar, voar. Nananana. Nananana.
A música está sempre na minha cabeça. É uma coisa impressionante. Tudo lembra uma música que lembra outra. Se deixar, vai. Querido, muito obrigada. Foi um prazer dividir aqui a bancada com você. Agora uns presentinhos. O livro Felicidade, que eu escrevi na pandemia.
Que eu falei, não, não é a hora. É hora de esperançar. Não é hora de falar de transtornos. A gente ali precisava ter fé e esperança. E aqui é Um Tempo para mim, que foi o último livro. E esse livro é assim. Eu acordo espontaneamente todos os dias entre 5h30 e 6h15.
não precisa me chamar, e acordo bem-humorada, sou aquela pessoa chata, acordo até alegre. Tive um marido que olhava pra mim, como é que você pode acordar tão bem-humorada? Como é que você pode ser tão mal-humorada? Pra começar o dia, claro que não deu certo. Pra começar por aí. E na hora que eu acordo, eu me permito ficar ali na cama e falo assim, se hoje tiver que vir algum pensamento, alguma coisa boa.
estou aqui para fazer o download. E aí fui ver, eu tinha mais de 700 frases, peguei 365, botei e fiz uma coisa, que é sugerir como praticar isso, e ir lá embaixo para que a pessoa bote o que significou para ela, porque pode ser que não seja nada do que significou para mim.
E sempre botar ali a constância, que é quantas frases eu já fiz dessas 365. Então, é 0,1 de não sei quantos. Então, é um exercício para a gente tirar um tempinho para a gente. Você é fera, cara. É um tempinho para a gente num mundo que distrai tanta gente, mas esse é a gente com a gente mesmo. Então, por isso, um tempo para mim.
Mas não, acabou. Nós temos aqui, pode botar tudo do ladinho, que o Gu vai ajeitar tudo pra você. Quem acredita que é escrita à mão ainda é um privilégio da humanidade que eu não pretendo perder. Aqui é uma eco bag, se você for na feira, né? Do Pipinho, com o nosso lema Faça, Aconteça e Inspire.
Senão a gente não valeu pra nada. Vou botar aqui. E aqui uma canequinha do Pod People. Oba! Pra você tomar sua aguinha, seu café, seu chá. E lembrar com muito carinho. E lembrar da gente aqui. Muito. Que isso eu acho que não tem preço. É, um encontro com carinho. Esses encontros não tem preço. E agora chegou aquela hora.
que você vai ser mal educado não vai olhar para mim vai olhar para aquela câmera ali e dar todos os seus recados eu brinco que é o mexendo bem então por favor mexendo bem só ver para você fizer assim levar o microfone Zinho mas tá bom ali não tá tá pode dar seus recados
Bom, meus recados, né? Meu ofício é o ofício de terapeuta. Amo ser terapeuta. Acho que é uma amizade especial, um tipo de amizade especial. Esse é o meu ofício do dia a dia, o meu trabalho. E, além disso...
Dentro de todas essas minhas andanças pelas neurociências, pelas terapias, diversos tipos de terapia, eu fui juntando isso e reuni isso para compartilhar isso numa comunidade que eu tenho que eu chamo de neuropausa.
Neuropausa, que é essa oportunidade de se dar uma pausa de nove minutos, uma pausa de nove minutos, para ancorar esse corpo nesse lugar de observador, observadora de pensamentos, sentimentos, memórias.
E aprender a estar em paz, fazer as pazes com esse corpo e também atualizar esse software em paralelo, esse software mental, buscar essa atualização.
que pode ser tão amorosa consigo mesma, para que a gente possa seguir para os nossos desejos sem essa tirania interna que muitas vezes a gente carrega. Então, esses são os meus servires, os meus modos de servir no dia a dia e que eu faço com muito entusiasmo e alegria.
Queridos, e para finalizar o episódio de hoje, eu vou contar com o auxílio luxuoso do violão do doutor Lucas Medeiro, que também é músico. Fica aí para ouvir. Amor igual ao teu eu nunca mais terei.
Amor que eu nunca vi igual, que eu nunca mais terei. Amor que não se pede, amor que não se mede, que não se repete.
Amor que não se perde, amor que não se perde, que não se repete, amor.
Você vai chegar em casa, eu quero abrir a porta. Aonde você mora, aonde você foi morar. Aonde foi, não quero estar de fora. Aonde está você?
Eu tive que ir embora, mesmo querendo ficar. Agora eu sei, eu sei que eu fui embora e agora eu quero você de volta pra mim. Muito bom, muito bom, muito bom. Agora fechamos, vai pessoal talentoso.
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