Conviver com Gente Chata Pode Adoecer o Cérebro? - PODPEOPLE INVERSO COM DRA. ANA BEATRIZ | Ep. 038
Chatice tem ciência por trás.Existe o arrogante, o negativo crônico, o rígido e o chato clássico, o vampiro social. E nenhum deles percebe que é chato. Isso não é coincidência. É uma falha de metacognição.Neste episódio: os 4 perfis de chatice, a neurociência de quem convive com pessoas chatas (spoiler: o cérebro processa atrito interpessoal pelas mesmas vias da dor física), 41% de genética, 59% de ambiente, e como se proteger sem adoecer.
Bia Santos
Dra. Ana Beatriz
- Definição e perfis de chaticeMetacognição e empatia · Neurodivergência e chatice · Arrogante · Negativo crônico · Rígido · Tedioso (chato clássico)
- Dificuldade em lidar com pessoas específicasMonitorar sinais fisiológicos · Avaliar neurodivergências · Estabelecer limites e afastar-se · Proteger a biologia (psicoterapia)
- Genética vs. Ambiente na chaticeInfluência genética (41%) · Influência ambiental (59%) · Neuroplasticidade e mudança · Redes sociais e positividade tóxica
- A importância de não olhar para trásConsequências sociais e de saúde · Ser cuidado na velhice · Preservação de amizades
- Terapia Dialetica ComportamentalTerapia Cognitivo-Comportamental (TCC) · Terapia Baseada em Mentalização (MBT) · Terapia do Esquema · Insight e abandono terapêutico
Eu sou bom, eu fiz e você cale a boca e aceite isso e não atrapalhe aqui o meu show. São arrogantes. Em geral, arrogante é meio chato. É como se o tempo arrastasse, não passasse ali. De alguma maneira, o chato não percebe que ele é chato. Ele é um cara difícil de relacionar socialmente, porque você vai estar com ele, você vai falar: Oi, tudo bem? Aham. E aí, como é que é a tua história? Bom, ele não rende conversa. As pessoas querem controlar tudo, quer saber de tudo, teimosia.
Isso é muito chato, o chato rígido, né? Cuidar de alguém chato predispõe uma irritabilidade, predispõe a não dar o melhor. O cuidador não vai dar o melhor de si. Uma das coisas mais interessantes pra longevidade é a preservação de amizade. Já vi amigos que passavam o tempo todo calado um com o outro. Antes de começar, eu queria pedir a todos que estão aqui que se inscrevam no canal, compartilhem o nosso conteúdo e acione o sininho para receber todas as novidades, tá bom?
Que aí cada vez a gente vai poder fazer mais e mais episódios, que vai fazer muito bem para todo mundo. Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Pod People Inverso. Aqui você já sabe, a gente troca de lugar, eu viro entrevistada e Gabriel o entrevistador. Tudo bom, meu querido?
Tudo bom, Bia? Quanto tempo a gente não fazia um inversozinho, hein?
Pois é, pois é, a vida tá agitada, mas a gente tem que Ajeitar direitinho, porque não dá para ficar sem verso. Pelo menos é o que o povo tá dizendo e o que eu sinto também.
Ah, eu também gosto demais de fazer o inverso.
Vamos lá, hoje é hipócrita, né?
Vamos lá, hoje a gente vai falar sobre um assunto que as pessoas têm pedido muito, muito, muito. Não sei se é porque tá chegando a época da Copa, se o tempo passando mais né, tempo junto assim, família. Mas hoje a gente vai falar um pouquinho sobre o que que é ser uma pessoa chata, né? A gente desmistifica um pouquinho sobre o que que acontece com essas pessoas, o que são essas pessoas de verdade e como a gente pode estar trabalhando e até mesmo afastando de alguns aspectos dessas personalidades.
Olha que interessante, né? Então nós vamos falar sobre chatice, é isso?
Chatice.
Primeiro vamos definir o que que é chatice, né? Chatice define, é um substantivo que define uma situação ou pessoas que provocam na gente uma sensação de tédio, às vezes de irritabilidade, de monotonia, né? De uma coisa que é como se o tempo arrastasse, não passasse ali. Então é muito interessante porque existe gente chata de fato, Existe gente que chama qualquer coisa de chatice porque não tolera um bom livro, ouvir uma boa música, ter um bom silêncio.
Mas assim, eu acho que existe o chato, a pessoa chata, e de alguma maneira o chato não percebe que ele é chato. E eu acho que tem chatices que são uma imposição da pessoa sobre o outro. Eu não sei quem falou uma vez que o chato— não sei mesmo, tá?
Procurar.
Que o chato é, antes de tudo, um ditador, porque ele impõe a sua chatice a outra pessoa. Eu não sei, eu acho que tem coisas que a gente identifica como chatice que não necessariamente é chatice, é uma forma, por exemplo, de várias pessoas neurodivergentes, e que a gente tem que aprender a separar o que que é a chatice dessa questão do outro que quer impor a sua opinião, o seu ponto de vista, que são personalidades mais fortes, que são mais fortes, ou querem até manipular a tua maneira de pensar.
Mas existe uma chatice que a gente tem que tirar dessa classificação, que são características de pessoas. Por exemplo, pessoas dentro do espectro autista tendem a ter uma percepção de gostar de um determinado assunto e falar daquele assunto de uma maneira repetitiva, invadindo um pouco se o outro quer ouvir ou não. Mas isso não é uma chatice em si, é um funcionamento da pessoa que acaba sendo interpretado. Então eu acho que a gente tem aí uma abertura grande para falar, mas existe o chato e existe a chatice, sim.
Parece que não tem um autor específico, né? Virou uma frase assim de internet, todo mundo já usa, mas ninguém sabe de onde deu origem a isso. Então a gente seguindo aqui, separamos em—
vamos lá, o que que você tem aí?
O empathy gap, né, que é a falha na tomada de perspectiva. É exatamente aquilo que você falou. Geralmente a pessoa chata ela não tá notando que ela é chata, ela acha que ela é chata e inconscientemente, tipo assim, ah, um outro não vai gostar do que eu tô falando, mas os outros vão gostar.
Mas na verdade eu acho que ela não se põe no lugar do outro que tá ouvindo. Talvez seja isso aí que você, dentro desse estudo, tá ali os dados, né? Isso então é uma pesquisa que fala exatamente isso, né?
Tipo assim, ela afeta tanto o ambiente, a falta de empatia, né? Mas é porque geralmente, igual segundo os estudos, quando eles fizeram, elas viam que uma pessoa, outra poderia não gostar muito que ela tava falando, mas ela acha que é por conta da pessoa, não por conta dela. Mas na verdade não é uma outra pessoa, é todo mundo que não tá gostando do que ela tá falando. É a maioria, é a maioria. Só que como ela não tem essa empatia, ela fica meio que—
e foi uma coisa ali que não sei, você usou dentro do teu, desse estudo, você botou como uma falha de metacognição. Eu gosto muito dessa palavra, eu não sei se as pessoas sabem o que que significa metacognição. É quando a gente avalia nossos pensamentos. Eu acho bem legal. A gente, metacognição, uma característica que a gente tem que treinar muito.
Aquilo que você fala, que eu não penso, logo existe. Eu penso, não sou meu pensamento, por isso existe, né?
Eu avalio o meu pensamento, né, para depois avaliar meu sentimento. Então a metacognição é a capacidade que eu tenho de ler os meus pensamentos, me autoavaliar. Então às vezes eu tô, por exemplo, Se eu tenho uma metacognição legal, eu não tenho esse intervalo, essa falha de empatia. Eu tô conversando sobre um assunto, aí eu tô vendo que 6 pessoas ali estão meio que, ai, pega o celular, boceja, sabe? Aquela coisa. Eu começo a mudar o formato da informação que eu tô passando, porque tá sendo chato para aquelas pessoas.
Ou então eu falo, gente, por favor, né? Vamos desligar os celulares. O que vocês não estão entendendo? Como que eu tenho que falar para que a gente possa concluir aqui o pensamento? Então a metacognição é essa capacidade da gente avaliar o nosso pensamento e como ele impacta os outros. Isso eu acho muito interessante isso. E me parece que esse estudo que você trouxe—
Essas pessoas não têm essa capacidade de metacognição.
Ou se tem, tem muito reduzida.
Parece que passa muito por cima disso, né? É igual, por exemplo, tem alguns perfis que quando a gente separa aqui, que é o antagonista, O negativo crônico, o rígido e o tedioso.
Você diz que são perfis que se enquadram dentro do chato.
Isso, que seria dentro da chatice, né?
Que a gente tem que deixar claro, gente, chatice e o chato não é um diagnóstico clínico, é uma característica de comportamento que pode estar dentro de um transtorno, pode, ou pode estar dentro de um funcionamento que a pessoa pode melhorar se ela quiser.
Você vendo assim, né, com todos esses anos de consultório, de, né, de prática, é muito TDAH é visto como chato?
Depende. Por exemplo, eu acho que infelizmente o do espectro TEA é mais, porque ele é, ele é obsessivo naquilo que ele gosta, né? Ele é muito, muito fixado naquilo que ele gosta. Mas o TDAH pode, dependendo do hiperfoco dele, pode gerar uma sensação que para ele é muito boa sobre um determinado assunto, sobre um determinado esporte, que para o outro não é tão bom.
Entendi. Então, igual aquela característica de ficar interrompendo o outro também pode ser levado, né, parece que é chatice.
Pode, pode. Isso, bem lembrado. Isso não é a característica principal, mas pode. Por isso que eu tô falando que a gente tem que separar o que que é uma chatice característica da pessoa, o que que é uma chatice que vem acoplada a uma neurodivergência. Há uma característica da neurodivergência, porque se você um dia chega para um terapeuta: ah, eu queria me tratar porque acho que eu tô sendo chato, primeira coisa tem que identificar se ele tem um transtorno, porque se você vai, você não vai tratar a chatice, não é a doença.
Mas uma pessoa chata faria isso? Já aconteceu de chegar e falar assim: quero tratar uma pessoa chata? Eu acho que quando a pessoa, ou assim, minha mulher fez eu vir aqui porque ela falou que eu tô muito chato.
Pode ser, às vezes é a mulher, às vezes é a mãe, às vezes é, e nunca é com uma má intenção, é com uma intenção de fazer aquela criança ou aquele adulto ter uma socialização melhor, entendeu? Depende. Se você tem bons amigos, os amigos dão bons feedbacks. Se você tem uma mãe cuidadosa, ela dá bom feedback sem ser crítica, do tipo assim: olha, isso vai te facilitar na vida. Então isso é uma característica. Por exemplo, não sei, né, eu tava vendo Claro que eu fui assistir jogo da Argentina para ver o Messi, que eu acho que é, da minha vez, o Pelé é argentino.
Olha para você ver que coisa, é uma coisa, né, assim.
E o Messi, eu gosto muito do Messi. E aí eu vi quando ele perdeu o pênalti, acho que no segundo jogo lá que ele tava jogando nessa Copa, ele ficou arrasado, né. E eu falei, ele agora vai perseguir o gol que ele perdeu do pênalti e vai fazer mais um, e depois vai dizer para cada um que eu fiz, eu devolvi. É impressionante, ele tem um hiperfoco na bola que ele fez um gol e depois ele fez um outro que qualquer um perderia aquele gol, porque bateu, o goleiro defendeu, voltou de novo, o zagueiro defendeu.
Quando você foi ver, ele já estava grudado na bola Enquanto ele não botou aquela bola lá dentro, ele não sossegou. Eu não tô falando aqui qual é a característica, mas é nítido que o Messi tem um hiperfoco naquele objeto bola que gira o mundo dele. E eu me lembro quando acabou o jogo, ele foi abraçar um por um e ele fazia assim, ele ria como se ele tivesse dando uma satisfação que ninguém pediu. Ninguém pediria satisfação ao Messi, mas é dele aquilo.
É um sentimento de dever, de troca. De propósito, tipo assim, consegui, deu certo, fomos juntos.
Não, e aquela coisa do tipo, eu errei, mas eu consertei meu erro, né? Aquilo eu vi nítido e fiquei muito feliz de ver que o time da Argentina joga em função dele.
Ah, 100%. Eu acho que isso sempre, desde quando ele subiu, né, porque ele foi para o time da Argentina, a Argentina joga em torno dele, para ele, para ele.
Ainda mais que a última Copa dele. Então eu acho assim que tá bonito de ver. Se você tem, é ruim falar isso, né, como brasileiro falar da Argentina, Mas a gente anda dando um super, um super ensinamento para gente, né? Quando tem um cara fora da curva, joga para ele, porra, joga para ele, vamos fazer, né? Porque o que vale é o conjunto, né? E ele foi cumprimentar todos, ele foi cumprimentar até o fotógrafo do jornal argentino, sabe? Dando uma satisfação que ele poderia acabar aquele jogo, sair.
Mas ele não teve Para você ver, né, teve um jogo que é um dos maiores jogos que quem gosta de jogo, né, fala que é o jogo do século, que foi Barcelona. E putz, só para você ver, o jogo do século, esqueci, era Barcelona, não sei, eu acho que era Barcelona e PSG, pode ser, deve ser mesmo. E isso foi quando o Neymar saiu do Barcelona, né, que o Neymar conta que tinha um pênalti, aí o Neymar pegou a bola para dar para o Messi, aí o Messi falou não, não, não, não, Pode bater, pode bater.
Aí o Neymar falou assim, pô, mas eu, Léo? Ele falou, é, você tá melhor do que eu, pode bater.
Aí o Neymar falou, o foco é a bola, é o resultado, tem que entrar, entendeu?
Bateu, fez o gol, e ele falou, eu disse que você ia fazer o gol. Então olha para você ver a diferença, né?
Talvez alguém ache isso, tipo assim, pô, é o cara que só pensa na bola, que só quer saber da bola. Mas é a característica, né, da genialidade.
E você vê que a, como eu vou dizer, né, a humildade dele, né, igual por exemplo, ele bateu todos os os artilheiros das outras Copas, o Ronaldo, o Klose. Então, e na hora que perguntaram para ele, ele falou, ah, para mim é só estatística, né, não quer dizer muita coisa, porque se quisesse dizer alguma coisa, o Ronaldo tava na minha frente, já que ele foi, né, um dos melhores assim, pararái pororó.
Então você vê que não é sobre ele, não é sobre ele, é sobre a bola que entra no gol.
Ele seria um cara chato na roda de amigo porque o negócio dele é só a bola?
É, me parece, tô falando aqui por coisas que eu li, não tenho nenhum tipo de certeza, mas me parece que a esposa dele atribui a uma flexibilidade de temperamento dele ao Neymar, porque disse que com o Neymar ele ficou um cara muito mais flexível, ele começou a pintar cabelo, não sei se você lembra dessa fase, tatuagem, e ele mesmo falou que ele é uma pessoa muito, ele metódica, ele precisa de tudo muito correto. Então quando os filhos estão brincando, aquilo desorganiza.
Ele falou assim, eu tenho até pena da minha esposa, né? Então assim, provável, mas ele já tem uma metalinguagem então, né?
Uma meta, metacognição, uma metacognição.
Tem, tem, tem, tem. Não necessariamente ele não precisa, nem nós aqui estamos fazendo diagnóstico, nada disso. Estamos fazendo um comentário de alguém que foca tanto numa coisa que pode dar um parecer, mas Messi é Messi, né? Então ele não é desse planeta. Vamos lá, então, o que que nós temos aí de perfis de chato, né?
Então a gente vai lá, tem o primeiro que é o antagonista, que é a baixa amabilidade, amabilidade, que é quase um espectro narcisista, né? Que é o foco dele é grandioso, às vezes um pouco agressivo e até um pouco mais insensível assim.
O antagonista é um chato, ao contrário do protagonista que é o bonzinho. E o antagonista é um chato que a gente vê muito em lideranças. Eu acho que ele tem um perfil, sim, tá dentro do espectro narcisista. Eu acho, por exemplo, teve um episódio, não sei qual foi, mas que me mandaram, de um coach numa palestra, numa coisa grande, E uma pessoa fez uma pergunta, por que que ela compraria um determinado produto, não sei se produto, curso, não sei.
E ao invés dele falar, olha, qual é o seu nome, né, fazer um pitch de vendas, não, qual o seu nome, porque, qual o seu interesse aqui, o que que você pretende, não, ele falou assim, porque eu sou o cara que vende imagem, não sei o quê, mas bati 1 milhão, 2 milhões. De uma maneira tão, tão irritada, entendeu? Tão grandiosa. Ela só fez uma pergunta dentro de um curso, de um evento, que aquela pessoa tava ali para esclarecer coisas.
Vamos falar da fechada já, né?
Exatamente. Então eu acho que tem isso, é chatice também. Eu acho que é uma chatice de falta de educação, né? É de falta de educação, de falta de humildade e de falta de amabilidade com o outro. Eu acho que um perfil narcisista, a gente pode ver isso muito em alguns tipos de liderança, tem que ter muito cuidado. Então falta um pouquinho dessa meta cognição, com certeza eu acho que falta, mas por motivos diferentes, por insensibilidade. Eu tô aqui para você, tá aqui para você comprar, porque então tem desafio.
Então tem falta de meta Cognição. Cognição. Tem a pessoa que não consegue fazer e tem aquele que ele não quer fazer.
Eu acho que o perfil narcisista, a chatice dele é: não quero saber da metacognição, eu sou bom, eu fiz, e você cale a boca e aceite isso, não atrapalhe, e não atrapalha aqui o meu show. Eu acho que a gente tem que entender que essas pessoas, além de ser chatas, de uma maneira, elas são arrogantes, são chatas. Em geral, arrogante é meio chato.
Então ele enquadraria ele mais ou menos como antagonista.
O arrogante dentro desse espectro narcisista, eu acho chato, eu não consigo.
Por que que o Tony Stark, por exemplo, né, o Homem de Ferro, ele consegue ter aquela arrogância, aquela prepotência, e as pessoas ainda conseguem gostar dele? Porque eu acho que às vezes esses coachings, eles pegam muito essas ideias de tipo Ser arrogante é ser legal, tipo igual.
Não, eu acho que não, acho que é uma característica. O Homem de Ferro é muito arrogante, eu acho ele chato.
Você acha ele chato?
Totalmente chato, sinceramente. Agora tem todo um marketing de competência, de não sei o quê, para fazer ele gostável. Mas gostar, eu gosto do Homem-Aranha. Gostar, eu gosto do Batman.
O Batman não é arrogante?
Não, muito não. Pelo menos o primeiro não. O Batman, principalmente com aquele mordomo dele, que o nome?
Alfred.
O Alfred humanizava ele ali, né?
É o pai que ele não teve, é o pai que ele não tinha.
Não dava a ele uma questão, ele tinha um senso de justiça, consciência. É diferente.
Ele era possível fazer metacognição com as pessoas, mas às vezes a metacognição dele não era o Alfred.
Talvez fosse, mas ele também tinha uma coisa de observar o comportamento das pessoas, ele tinha isso. Agora, dentro desse perfil A gente tem que entender que pessoas muito arrogantes, irritadas, agressivas, que querem se impor o tempo todo e mostrar uma grandiosidade, são chatos para caramba. É porque a sociedade começou a botar, fazer um marketing que aquilo é competência. Nem sempre é competência.
Então uma coisa é só show. A gente tolera o Tony Stark porque ele é arrogante e competente, diferente do arrogante que é um otário, que é só para alguém ficar com você arrogante.
Exatamente.
Você acha que com rede social, essas coisas de coaching hoje coach ficou mais comum, ficou mais normal?
Eu acho que já teve mais no auge. Eu acho que as pessoas estão começando a despertar que existem pessoas sim que estão aptas a falar de coisas porque elas têm formação, têm experiência, tem história para contar. Esse é o verdadeiro coach. Agora, coaches que não têm experiência, não têm formação e que vendem um projeto que eles nunca executaram, esses estão caindo.
O que é diferente você ter executado do que você vender como executar, né? É quase que o médico que quer vender e nunca clínica, clínico.
Exatamente. Então assim, eu acho que a gente tá começando a ter esse, essa mentalidade, porque é tudo muito novo. Por exemplo, eu pagaria para ter mentoria com uma pessoa que tem um histórico, errou, acertou, levantou, e que de alguma maneira teve uma estabilidade em relação à sua vida. Eu queria saber como foi para essa pessoa, fosse um empresário, fosse um médico, fosse um comunicador. Agora, uma pessoa que nunca fez e traz um método, uma fórmula criada, como que consegue trazer essa fórmula?
Acho que as pessoas ficam tão impressionadas, né, em tipo assim, ai, ele conseguiu 1 milhão, não sei o quê, eu também vou conseguir, que elas não param para pensar.
Entendi.
Mas eu acho que isso é uma coisa que as pessoas estão aprendendo. A rede social tá começando depois daquele primeiro boom, agora tipo assim, peraí, será?
As pessoas estão tendo essa metacognição, né, de pensar sobre seguidores.
É que nem pessoas, por exemplo, que aparecem aí, ah, tá com sei quantos seguidores, aí você vai em comentário, tem 3. A gente começa a concluir que tá comprando seguidor. É que nem pessoas que, por exemplo, ah, eu, eu A gente vê isso, né? O cara tá com Ferrari, tá com não sei o quê, cara, não é de rede social.
A gente viu, né?
Não é de rede social, não é de trabalho, sabe? Essas coisas muito helicóptero, avião, exacerbadas, exacerbada. Tem algum dinheiro que vem fácil, muito fácil. Dinheiro muito fácil em geral é prejuízo de outros muitos.
Mas agora uma última pergunta para a gente já passar para o negativo, né, que seria essas pessoas que são antagonistas assim, você acha que as pessoas também começam a seguir elas, irem atrás delas, meio que se autoprojetando?
Com certeza, eu acho que as pessoas hoje têm uma sensação, eles querem um caminho mais curto para se tornarem poderosas e terem sucesso. Só que tem que, o único sucesso que se mantém é aquele que nasce do seu talento essencial. E você vai aprimorando e você vai aprendendo, mas não nasce num caminho curto não. E se nasce, tem tempo de duração. E se não, se por acaso não tem tempo, tem mais tempo de duração, se não faz mal para aquela pessoa, vai fazer mal para os seus descendentes.
Entendi.
É yin e yang, não tem jeito.
A vida trata de colocar cada um no seu lugarzinho, né, depois de um tempo.
Com certeza. Então, antagonista, não gosto da palavra antagonista, mas é o estudo Se você pesquisou. Mas eu diria, eu diria o arrogante.
O arrogante.
Eu acho que tem um chato arrogante.
Agora a gente vai para o famoso, né, o negativo, né?
Ó vida, ó dor. Esse é o chato do— não é o nome daquele personagem de um desenho que tinha? Ó vida, ó dor, ó céus, ó desgraça.
Era daquele, você tem até o bonequinho dele.
É, eu tenho. Harry, Harry, como é que é? Ó vida, ô desgraça, ô—
isso, Liphead, né?
Esse é um personagem. Esse eu acho que o nome tá adequado, né? Que é o negativo crônico, que se a gente for falar em algum tipo de transtorno seria o distímico. Que que é o distímico? A distimia é um tipo de depressão Mas ela não é nem tão intensa, mas ela é presente, mas o tempo todo. É diferente de uma depressão que você fica mal, que você paralisa suas atividades. O distímico não paralisa, ele vai vivendo, mas é sempre, ele tá sempre com o copo meio vazio, sempre, sempre.
É aquele amigo que você fala assim, Gu, vamos Vamos subir a serra? Ah, não sei, será que vai chover? Ah, não sei, vamos ver o tempo. Aí quando você fala: não, vai dar sol. Pô, mas quantas pessoas vão? Será que vai ser confortável? Aí a pessoa tipo: vamos de moto? Não, mas aí o vento, não sei quem teve paralisia facial por causa do vento. É sempre assim, para cada solução ele tem um problema. Não, para cada possibilidade de felicidade a gente dá 10 possibilidades de infelicidade. Então eu acho que tem um chato que é esse negativo.
Tá ligado alguma coisa com a ansiedade? Porque às vezes a pessoa que tá ansiosa tem aquela tag, né, acaba ela ficando—
eu acho que os ansiosos tendem a ser mais negativo, porque o que que é ansiedade?
Então ansiosos tendem a ser mais chatos?
Sim, acho que sim. Quanto maior a ansiedade, provavelmente, porque o que que é ansiedade? É eu projetar para o futuro algo negativo. Eu começo a sofrer agora, entendeu? Se cair, se chover, se acontecer, né? Ele tá sempre projetando uma coisa negativa que é para lá, ele traz para cá, para o presente. Então eu acho que a tendência é do quanto mais ansioso, mais pensamento negativo, e a tendência é ser o negativo crônico, ter uma chatice de negativo.
Mais ansioso ou ranzinza? É porque ele é ranzinza mesmo, de personalidade, ele costuma ser assim, só vendo. Porque tem pessoa que parece que ela tem 70 anos tendo 20, né?
Mas isso que eu tô dizendo, depende. Ele pode ser um distímico, provavelmente ele é um distímico, que essa coisa mais negativa mesmo, não é tão ansiosa, é mais negativa.
Esse de distimia, né, tem pouco tempo que ouvi falar. Sempre se falou de distimia ou agora que começou a aparecer?
Já tem um bom tempo. É porque a distimia tá dentro dos transtornos de humor. Humor, e dentro do transtorno depressivo. É porque a gente ouve falar muito do transtorno depressivo, né? Mas a distimia é uma variação.
Qual que é a diferença de um transtorno de personalidade para um transtorno de humor?
Totalmente diferente. O transtorno do humor, você tem alterações do humor ocasionais seguindo um parâmetro.
Humor que você fala seria o quê?
Assim, humor, depressão ou euforia. Né? Depressão, euforia, ou eutimia, que eutimia é quando você tá com humor legal, nem, nem para baixo nem para cima.
Desculpa, eu vou te criticar, você já vai falar miau, né?
Eutimia. Então agora, o transtorno de personalidade é outra coisa, é uma maneira de ser o tempo todo. Não tem uma, não tem uma coisa, uma ciclagem, não tem um Né, uma história clínica.
Geralmente as pessoas, elas têm um junto do outro ou eles são separados?
Geralmente são separados.
Caramba!
Mas pode, pode ter junto. Olha, nunca é uma coisa tão simples porque o ser humano é complexo.
Entendi.
Então a gente tá sempre— só o personalidade, ele tá sempre ali, ele mantém.
Agora o de humor é diferente.
É, tanto que o de humor a gente tem uma ciclagem, a gente tem uma observação, uma mudança nítida Personalidade não, aquilo tende a se reverberar, a persistir daquele padrão, entendeu?
Agora a gente vai para o rígido, né, que é o transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo, que tende a ser— para de olhar para mim, Gustavo.
Não é isso, não é isso. A gente tem muito que colocar aqui que isso que a gente tá falando pode estar dentro do espectro narcisista, que a gente tá falando aqui pode estar dentro da distimia, do excesso de ansiedade. A gente não tá associando com doenças, não, não. A gente tá falando que dentro desses quadros de transtornos fica mais fácil apresentar esse tipo de comportamento. Então o rígido que pode estar presente no transtorno de personalidade não é o transtorno obsessivo-compulsivo.
O transtorno de personalidade é um padrão obsessivo-compulsivo, não chega a ser um transtorno, mas se mantém aquele padrão Tá muito rígido. Então necessidade de controle interpessoal, teimosia, perfeccionismo inflexível. É essa característica da necessidade de controle, que as pessoas querem controlar tudo, quer saber de tudo, teimosia, né, de mudança e um perfeccionismo inflexível, que você fala assim: não, vamos tentar aqui. Não, mas é aqui. Vamos aqui, vamos aqui. Isso é muito chato.
Entendi.
Também é um tipo de chato, é o chato rígido, né? Se no caso, né, a gente falou do TDAH negativo, eu diria que o primeiro é o chato arrogante, o segundo é o chato negativo, esse seria o chato rígido, inflexível, ou chato inflexível.
Como é que eu vou dizer? Da mesma forma que a gente pegou, né, que o TDAH ele pode ser confundido ser o chato que interrompe, que não sei o quê.
No caso do arrogante, pode ser confundido ali, pode.
O rígido pode ter uma pessoa, um aspecto TEIA, porque o pessoal que tem TEIA, né, as pessoas que têm Teia, geralmente elas são mais rígidas, né?
Pode, porque o teia tem muito desse perfil rígido. O teia, a personalidade obsessiva compulsiva, o transtorno obsessivo compulsivo. Mas por isso que a gente tá falando, não é uma doença a chatice, não é um transtorno, é característica que pode estar presente em várias situações.
E se por acaso a pessoa é rígida e não é teia, ela é chata mesmo?
Não, ela pode ter uma personalidade obsessiva compulsiva, ela pode ter um perfil perfeccionista.
Mas aí, para as outras pessoas, ela é vista como chata, chata, rígida.
Porque você fala assim, gente, vamos ver aqui, não, mas tem que ser assim, tá? Por exemplo, eu boto a caneca aqui, aí vamos supor que o Gustavo chega, não, Bia, não dá, porque tem que ser aqui. Eu falo, não, Gustavo, aí se eu mexer nessa caneca, ele vai falar, não, olha, bote a caneca de volta na posição que tava, entendeu? Isso é rigidez, entendi. Que pode até ser que atrapalhe, é o mesmo da rigidez cognitiva. Não, aí você tá falando da falta de meta-análise cognitiva, metacognição, porque muito se fala hoje em dia de rigidez cognitiva, né?
Metacognição um pouco alterada, senão ele notaria perfeitamente que ele tá sendo rígido, que ele tá sendo distinto, que ele tá sendo negativo, que ele tá sendo arrogante.
Entendi.
Então toda chatice inclui uma metacognição. É porque também tem um termo que usa dificuldade de ver esse funcionamento e dificuldade de perceber o que esse comportamento faz no outro, que seria o gap da empatia.
Entendi. É porque tem muito, se fala também da rigidez cognitiva, né?
Aí eu queria saber se é a mesma coisa da rigidez cognitiva, da pessoa, probabilidade de você ter rigidez cognitiva dentro de um quadro ali de toque, de teia, é enorme.
Ah, entendi. Agora a gente fala do tedioso, que seria assim um quarto chato, né, que é a baixa cordialidade e competência. Então vamos dizer assim, pessoas que a gente tem que— é custoso, é uma palavra que você fala, que a pessoa custosa.
Não, mas aí eu acho que o tedioso eu diria que é o chato clássico.
Como assim?
Porque até ali a gente foi vendo assim, o antagonista é o narcisista, né? Aquele cara é meio que narcisista, grandioso, chato, que sabe tudo, quer ser adorado por isso. O outro, o negativo crônico, é aquele ó, a vida eu adoro. O rígido é uma necessidade de controlar tudo, tudo tem que estar no controle, nada pode sair do controle. Teimosia. O tedioso é aquele cara que eu diria que é o chato, o chato clássico, porque assim, ele é um cara difícil de relacionar socialmente, porque você vai estar com ele, você vai falar: oi, tudo bem?
Ou ele não vai responder, por isso a baixa cordialidade, ou ele vai fazer assim: aham. Ou ele, você fala assim: e aí, como é que é a tua história?
Boa.
E aí, como é que foi lá naquela experiência que você teve quando você subiu lá o pico de não sei o quê? Interessante, ele não rende conversa.
Mas é porque ele não quer, ele não gosta, ele não sentiu uma vontade.
Ele não tem nenhum tipo de empatia se você tá querendo conversar com ele. É como se você jogasse tênis numa pessoa que não rebate a bola. Entendi. E você fala, dá para rebater.
Não é nem aquele que fica cortando o tempo todo, né? Olha só, nem a parte lá.
E ele não tá a fim, ele, ele, para ele, tipo assim, que saco, para que que tá perguntando isso? Por exemplo, para a gente que trabalha em podcast, a pior coisa que tem é um tipo desse numa entrevista, porque você tem que falar, falar, falar, e a pessoa tá empolgada para saber da história. Mas e aí? Ah, foi interessante. Interessante como. Então tem convidados que às vezes a pessoa fala assim, nossa, não deixa o convidado falar. Tem convidado que não fala, que você tem que ir puxando, puxando, puxando.
Aí o fato do convidado não falar, aí a pessoa fala, não, mas é que ela tá interrompendo. Não, porra, não é que tá interrompendo, é que o cara, você fala, como é que foi a experiência? Foi boa? Boa como? De uma forma legal. De uma forma legal como? De um jeito diferente, entendi.
É, mas exatamente, entendi. Exatamente.
Agora não tinha pensado por esse lado.
É uma pessoa que ela não tem, faz nenhum esforço para manter uma conversa.
Mas é porque ela não quer, porque ela tá nervosa.
Talvez isso seja uma característica. Eu acho que tem um componente que é genético, mas tem uma característica maior que é não tá nem aí. Tipo assim, eu sou uma pessoa que me incomodo muito de deixar alguém no vácuo. Talvez eu tenha excesso de empatia. A minha metacognição, que é observar meus pensamentos, eu falo, pô, essa pessoa me perguntou isso, eu acho que interessante eu responder isso aqui. Eu falo, te respondi várias vezes, eu falo, te respondi, tirei sua dúvida.
Até no Instagram mesmo, a doutora parece que não, mas às vezes ela passa o dia inteiro respondendo direct. E olha que é muita gente, porque ela fala isso, não deixa ninguém no vácuo.
A gente tenta, né, às vezes não dá. Mas a gente tenta, tenta, e tem coisas que não dá para responder. Mas assim, me incomoda. A minha metacognição é muito voltada à interação com outro. Essa pessoa, é a minha metacognição, de metacognição, é como você se vê e como você tá se construindo. Eu acho, eu tenho uma noção exata de que eu sou um ser humano, sou um animalzinho social, e quero sair dessa vida tendo exercido o máximo dessa sociabilidade com as pessoas.
Isso é uma meta. E minha metacognição é saber: eu tô aqui com a pessoa, eu tô interagindo legal, tá sendo confortável para mim, tá sendo confortável para o outro. Porque você só marca a vida de uma pessoa quando você é confortável, quando os encontros são confortáveis. O chato clássico, ele não se importa de estar sendo confortável, ele não tem nem essa empatia.
Não, por isso que ele sabe que ele tá sendo assim, ou não, ele simplesmente tem baixa cordialidade.
Ou seja, essa gentileza, não sei, não poderia afirmar, não poderia afirmar isso. Mas, por exemplo, o que que é baixa cordialidade? É essa baixa gentileza, essa baixa bom dia.
É o famoso bom dia bom?
Não, por exemplo, alguém para você no aeroporto: posso tirar uma foto? Pode. Esse fingia que não vê. Esse aqui, ou então fala não, entendi.
Seria o antipático também ou não? Já seria uma forma diferente voltada para o arrogante, eu acho.
E quando fala de baixa competência, competência social, é importante isso. Pode ser uma pessoa competente no que ele faz, mas é uma incompetência, uma falta de competência social, entendi. Interagir não interessa e também E ele tem essa metacognição? Uns sim, outros não. Metacognição é algo que você tem que testar, é uma tomada de consciência. A gente diz em psiquiatria se o paciente tem insight ou não. O que que é insight? Ele tem noção do que ele está falando, do que ele está sentindo.
Então, por exemplo, quando a gente atende um psicótico, a gente bota insight negativo quando ele tá delirando.
Quando a gente atende, você sabe que ele tá delirando e quando não é verdade? Ah, você sabe, porque tem umas pessoas que falam uns negócios de um jeito que você fala assim, caramba, é diferente.
É a forma como é falado, não é o conteúdo, não é o conteúdo.
Entendi.
O delírio é uma forma de contar. Por exemplo, ah, minha mulher tá traindo. Ah, tá traindo, tá. É verdade ou não é verdade? Ó, é verdade ou não é verdade? Depende. Se o cara fala assim, não, minha mulher tá me traindo porque todo dia eu vejo que entrou alguém pela chaminé, pode contar essa história, e a calcinha dela, e a calcinha dela tá com cheiro diferente. Isso é uma forma de contar uma história que eu não sei nem se a mulher tá traindo.
Agora, o amante que entra pela chaminé todo dia não pode ser o Papai Noel, não pode ser o Papai Noel. Então é a forma como se conta uma história que a gente distingue se é delírio ou não.
Agora que a gente viu esses 4, Bia, qual assim que você mais via no consultório, que você vê nessas vilas de palestra assim? Assim, né, na convivência?
Qual é esse consumo mais comum? Olha, meu era uma coisa difícil porque você recebe pessoas que vão com algum problema de comportamento. Então, mas eu acho que o mais comum no nosso mundo hoje é o arrogante. A gente vive um mundo de positividade tóxica, né, de arrogantes, de ostentadores. Eu acho que é bem comum.
Acho que o negativo crônico é bem Como no livro Felicidade, Os Ditadores da Felicidade, né?
Ditadura da Felicidade, Os Ditadores da Felicidade. O rígido tem, mas é menos comum.
E o clássico seria o pavê para comer, o tio.
Qual o clássico seria? O quê?
Não entendi. É porque tem sempre o tio, né? É pavê ou para comer?
Ah, é chato. Ele seria, não, se isso tá dentro de uma falta, o pavê para comer pode ser a simpatia, ou pode ser o contrário, a forma de socializar. É chato porque é sempre a mesma piada, mas não é por falta de cordialidade ou por falta de competência.
Ele tá tentando, né?
Tá tentando, mas pode trocar no final do ano, trocar as piadas, né? Porque tem gente que conta a mesma sempre.
Não posso falar muito não, eu só tenho tipo umas 3 piadas. Agora, quando a gente fala daquele quarto, o estudo falou que são as pessoas que são as famosas vampiras de energia, né, que abaixa a energia do grupo.
Mas Mas eu acho o seguinte, todo chato ele demanda uma energia na convivência.
Então não seria só aquele, uns mais, outros menos.
Talvez o clássico mais, talvez outros a gente compreenda. Por exemplo, rígido, talvez a gente compreenda porque é um traço obsessivo, tem a maior compreensão. E ao mesmo tempo, o rígido em geral muito competente, né, não é mal educado. Então, mas eu acho que a convivência com uma pessoa muito chata, que não tem noção e que não tenta melhorar e não abre espaço para que a gente possa falar: fulano, então melhorar um pouquinho aqui, né?
Lembra da gente? A convivência com essa pessoa gera um estresse interpessoal crônico. Esse estresse ativa o eixo HPA, que é o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Tá, que entende essa dificuldade da socialização como uma ameaça física.
Ave Maria! Então não é só um, todos os 4?
Todos os 4. É claro que quanto mais tempo e quanto mais falta de metacognição e vontade de melhorar, esse estresse é melhor. E se você tem um amigo que é assim, você dá um toque, ele aceita o toque, a coisa vai melhorando.
Sabe o que que seria bom para esse amigo? Você de casa mandar esse vídeo para ele de uma forma bem assim sutil. E também seria bom você clicar aqui embaixo, se inscrever, falar no comentário quais são as pessoas que vocês mais notam assim do seu ambiente que é mais dos 4, 5, 6, uma coisa desagradável, e que em última instância vai levar ao quê?
Aumento do cortisol, é que vai dar o estresse crônico, que vai levar o quê? A um dano sistêmico tá, que por exemplo você pode ter até um processo inflamatório, aumento de resistência da insulina.
Então conviver com a pessoa chata pode trazer inflamação crônica, exaustão, tá.
Então você pode ter dano sistêmico como você também pode ter uma redução do teu sistema imunológico.
Entendi. E o contrário, se a gente fica com pessoas muito legais, isso ajuda?
Com certeza ajuda. Porque você ativa menos o teu mecanismo de estresse, então reduz inflamação. Por isso que uma das coisas mais interessantes para longevidade é a preservação de amizades.
Entendi.
E amizades que somam, né? Não é amizade que tem gente— eu já vi, eu já vi amigos que passavam o tempo todo calado um com o outro.
Entendi.
Mas funcionava, pelo menos não era desagradável.
Ah, mas aí quando precisava alguma coisa, tava ali?
Era uma coisa muito estranha. Eu já vi amigos que conviviam assim fazendo coisas diferentes, estando no mesmo ambiente. Era uma coisa da presença.
Entendi.
Pode acontecer. Olha que legal, diferente, diferente, mas pode acontecer. Já vi acontecer. Então é um estresse a convivência, com certeza.
Agora que a gente pegando para ilustrar exatamente o que você falou, da interação difícil, a pessoa que recebe esse estresse dessas pessoas, então a gente entendeu que não é só o chato clássico, o arrogante também, o rígido, qualquer um, né?
Esse seriam emissores, que seriam chatos. É o emissor, né? O que que se vê na neuroimagem deles? A ínsula anterior, que é uma região que processa a empatia. Então é aquela coisa que a gente viu lá no início, ela não é tão ativada. Então existe uma baixa, e ali tá estudos da neuroimagem, principalmente do arrogante, tá, dos traços narcísicos, né, mostram baixa ativação nessa região, o que diminui a empatia.
E contraponto, né, quem recebe é o que você acabou de falar, que a irritação crônica e essa misofonia ativam a rede de saliência. Que que seria essa misofonia?
A misofonia é uma irritação com determinados sons. No caso aí, é uma irritação de ouvir aquele papo, né, aquela mesma coisa. Por exemplo, ouvir um arrogante É muito chato, porque ele é maravilhoso, ele é fantástico, ele é extraordinário e todo mundo não presta. É importante a gente colocar que todo chato clássico, né, clássico, o arrogante, mesmo o rígido, o excessivamente negativo, eles acabam tendo uma redução na empatia emocional, gerando uma cegueira para o sofrimento do outro. Eles não têm, em geral, a percepção que estão desgastando o outro.
E então quando a gente vem para falar aqui, separando assim, porque sempre no Instagram a gente sempre aparece uma postagenzinha: reclamar diminui o seu cérebro, né? De reclamar encolhe o hipocampo. Então isso é mentira?
É porque na realidade você não reclama assim, você tá ouvindo uma reclamação, diminui. Não é isso. Você tem um dano neural ao que é provocado pelo estresse crônico, que você aumenta o cortisol, e esse aumento de cortisol é neurotóxico, principalmente para o hipocampo. Não é uma coisinha assim, ah, reclamar reduz. Não, tem um processo de estresse que a gente viu ali da liberação do cortisol que leva a uma neurotoxicidade daquela região.
Aí sim, não é tão simples. É engraçado isso, né? O chato tem um pouco daquele efeito Dunning-Kruger, né? Porque ele acha, ele acha que ele não é tão chato, e ele acha que as pessoas não estão vendo que ele é chato.
Ele acha que tá sendo legal.
Ele tem uma autoconfiança ali, ou uma falta de metacognição, que faz ele acreditar.
E a gente viu que sim, todos os 4 eles têm essa falta de metacognição.
Tem, se é chato, tem. Entendi, mais ou menos. Isso que eu tô falando, eu acho que o arrogante tem mais, eu acho que o arrogante tem mais porque ele tem um prazer ali de se sentir o poderoso, aquela coisa narcísica. Acho que o clássico tem mais, por o chato clássico, e os outros dois eu acho que tem menos. Mas eu acho que quando percebe que tem, tanto o negativo crônico quanto o rígido ele quer melhorar.
Entendi, ele tem essa vontade. Eu acho que ele não tem essa consciência, né?
Eu acho que quando é tomado de consciência, eles são mais fáceis de buscar ajuda.
Agora, a gente pensando nisso, né, no estudo ele traz que 41% desse, desses traços chatos, arrogante e do antagonista, né, é que eu chamo do arrogante. Isso, ele vem do gene, né? E os outros 59 são de ambiente. O que que você O que você acha disso? Na prática você já viu dessa forma?
Eu acho, eu concordo totalmente. Eu acho que cada vez mais a gente tá vendo que a genética é importante. A gente vem de uma década, a última década, muito claro assim, a genética ela é interessante, ela tem um papel muito forte, mas a gente tá vendo que o que tá em torno é mais forte ainda. Isso é bom, isso significa que a gente pode mudar.
Então mostra que genética não é fatalidade, que as redes sociais, por exemplo, esse saudosismo para essas pessoas, né, essa idolatria ajuda eles a piorarem.
Acho que ajuda muito a piorar a sociedade e piorar essas pessoas, dá cartaz a pessoas que são arrogantes, intolerantes, narcísicas. Eu acho que piora muito.
Agora, como você disse que, né, e você disse, o estudo confirma que 61% é do ambiente, tudo. É certo dizer que a neuroplasticidade ajudaria essas pessoas a deixarem de ser tão chatas?
Eu diria o seguinte: a neuroplasticidade por si não. A neuroplasticidade é a capacidade que o cérebro tem de ser remoldado. Então é possível melhorar.
Para quem não viu o universo sobre neuroplasticidade, o que que seria isso assim?
Para a neuroplasticidade, a capacidade que a gente tem com práticas não só de pensamento e de prática comportamental, criar novos caminhos dentro do cérebro que leve a uma mudança de comportamento positiva ou negativa, né?
Que o cérebro faz de forma automática?
Não é automática, é um processo como ganhar musculatura na academia.
Entendi. Então você vai praticando, praticando, e ele vai entendendo.
É uma ginástica cerebral levada com uma intenção que que tanto pode mudar para melhor. E isso é o desafio. É possível melhorar a chatice, né, se você entender de onde vem, onde você quer chegar, com prática de comportamento, de pensamentos. Mas também a gente tem que lembrar que, da mesma maneira que você pode melhorar, a neuroplasticidade também pode piorar. Quando você começa a não ler, por exemplo, então vai ao contrário, né?
Você tá fechando estradas dentro do seu cérebro. Quando você deixa de escrever à mão, você está perdendo habilidade.
Tá aí um verso que as pessoas têm pedido muito, porque parece que saiu um estudo agora que escrever à mão ajuda.
É muito melhor para abrir novos caminhos, para ativar a neuroplasticidade.
Inclusive você sempre fala aqui, né, nos livros, você escreve à mão.
Eu me recuso, eu me recuso, não, eu me recuso. Eu não abro mão da minha caneta, do meu papel, não consigo nem raciocinar se não fosse assim. Eu não quero mudar isso.
E será que é, vamos lá, é por causa do gene ou por causa que durante a sua vida você sempre foi fazendo isso?
Eu não, eu gosto, eu sinto que o meu cérebro abre, flui, né? Se fosse uma coisa que me tivesse comprovado que eu tava perdendo habilidade, ok, mas eu continuo tendo raciocínio rápido quando eu eu coloco as coisas no papel, entendi, e ativo com a minha mão. Mas hoje, hoje é a ciência dizendo que tá certo. Mas assim, eu sentia isso. Então é possível melhorar a chatice, é possível.
Porque igual no estudo ele fala que grande parte dos pacientes, né, eles abandonam, 63% ou 64%, abandona terapia por causa dessa falta de insight. Seria aquele insight que você fala, do positivo, negativo, dele tá sabendo o que que ele tá falando.
Não, eu acho que ele abandona porque enquanto as pessoas não têm perdas, e eu acho que, por exemplo, os amigos têm que falar, né, os relacionamentos têm que falar, porque senão eles vão adoecer.
Mas e se fala, ele não escuta?
Aí a gente tem que rever se a gente vai ter saúde para conviver, né? Não tem jeito, porque você não tá falando por amor, você não tá falando por Implicância, implicância, porque é desgastante. Então tem que ser bom a socialização, tem que ser bom para os dois lados. Isso só não é quando você tem um transtorno, e mesmo assim no transtorno, depois que você é consciente dele, né, você consegue fazer algo relacional. Exatamente, você tem que também fazer a sua parte, senão fica só para o outro, né.
Bia, agora a gente falando dessas 3 terapias que o estudo apresenta, ele coloca a TCC, né, que é a terapia cognitiva comportamental, a terapia baseada em mentalização, que é a MBT, e a terapia do esquema. Me parece que a TCC é a menos eficaz e a do esquema é a mais eficaz, segundo o estudo. Qual que é a diferença entre elas assim?
Na realidade, todas podem ser eficazes dependendo do insight da pessoa de querer mudar, dependendo do construído. Mas a própria terapia do esquema já é uma evolução do cognitivo-comportamental, só que tem que— ele vai mais profundo, ele vai lá nos esquemas da infância, dos ciclos que se repetem. Então ele trata ali as coisas mais traumáticas que levaram àquele comportamento e tenta mudar isso. E a baseada em mentalização é como se você começasse a desenvolver a capacidade de se ver Então você vê seu comportamento, você vê o impacto que isso dá nas pessoas, você começa, eu brinco, você começa a ser um drone, né?
Quase criando a sua metacognição.
É, e o hábito de você se auto-observar e observar o que isso, o seu comportamento provoca no outro. Eu acho isso bem legal. Agora tem que querer, né? Porque a taxa de abandono é grande porque essas pessoas em geral Vão porque alguém falou que não tá dando mais, mas eles têm que entender que somos seres humanos, seres humanos são seres sociais, e a gente tem que cumprir essa, essa tarefa de socializar com os outros. Eu acho que isso faz parte da nossa humanidade mesmo.
Entendi. O próximo passo é um kit de ferramentas que esse estudo deu para gente, né? Que como é que as pessoas podem lidar com outras pessoas que estão à sua volta, né, do receptor.
Mas é para quem sofre com a convivência, com as outras pessoas chatas, da chatice, para não adoecer, né.
Isso. Então aí tem lá o primeiro passo é monitorar, né, vigir sinais fisiológicos de ativação do eixo HPA.
Isso é muito importante quando você tá com uma pessoa muito chata, o que que muda, porque tem horas que o teu corpo fala Você começa a dar um enjoo, começa a dar uma inquietação, ou então você tem um pouquinho de taquicardia, você tem um pouquinho de enjoo mesmo, ou então você fica irritado, dá uma irritabilidade, dá sono, entendeu? Então é importante você ver o que o teu corpo tá sinalizando, porque se ele tiver sinalizando que você tá ativando demais o eixo do estresse, já é uma coisa para você se preservar.
Entendi. Aí o segundo, ele fala sobre avaliar, né, ver que uma coisa é a pessoa ser assim e outra coisa ela ter um TEIA, ter um quadro de TDAH, ter uma neurodivergência.
Isso é super importante. Não que isso vá reduzir o impacto, mas isso aumenta a sua empatia e também te dá a oportunidade de falar: fulano, busca ajuda, tá É, tá difícil, mas eu tô aqui com você, eu entendo isso, mas vamos melhorar, vai ser bom para todo mundo, inclusive para você. Você vai poder ter uma vida social melhor, né, vai poder ser mais bem interpretado. Então eu acho que é fazer essa diferença, né.
O 3 é agir, né, estabeleça limites arquitetônicos e reduza rigorosamente a janela de exposição ao contágio. Nunca tente forçar o inside em quem sofre de viés de percepção cega.
É, o que ele tá falando aí é vocês se afastando, né? Se for o caso de um convívio não tão íntimo, você começar a se afastar, se preservar, e não tentar fazer com que o outro a toda força entenda, enxergue isso. Porque se você fosse afastando, e por exemplo um amigo fala, pô, você não aparece mais, aí você pode falar, fulano, deixa eu te dizer, eu gosto gosto muito de você, mas assim, cara, você não percebe, mas você só tem falado coisa negativa, você só tem falado de quanto você é maravilhoso, quanto você é extraordinário.
Eu não posso mexer num copo que aquilo é um problema para você. Então assim, tá difícil nesse sentido. Mas você chegar, olha, tem que te dizer isso, isso, porque aí o outro não escuta, entendi?
Ele vai para o confronto, né?
Vai para o confronto.
E E o passo 4, né, que é proteger sua biologia estrutural. Se a exposição crônica for inevitável por motivos sistêmicos, busque psicoterapia para proteger seu sistema endócrino e imunológico do estresse prolongado.
É, por exemplo, se você tem uma convivência com alguém, mãe, pai, um chefe, que você não tem como sair daquele trabalho, você tem que buscar uma terapia para você ter estratégia de lidar com aquilo para fazer como se fosse um, uma blindagem, uma blindagem, exatamente, né, para que você sofra menos as consequências desse, desse sistema do cortisol ativado.
Entendi. E para a gente finalizar aqui, né, qual mensagem você deixaria assim, tanto para pessoa que lida com pessoas chatas quanto para pessoa que é chata? E como é que eu vou dizer, sempre o outro.
É, eu acho, para as pessoas chatas, a gente tem que dizer o seguinte: tente não ser. Porque no final da vida, tudo que a gente vai precisar ser é— eu quero ser uma velhinha muito simpática, muito agradável, porque a gente vai precisar ser cuidado. E ser cuidado por uma pessoa chata, quer dizer, receber, cuidar de alguém chato predispõe uma irritabilidade, predispõe a não dar o melhor, o melhor. O cuidador não vai dar o melhor de si.
Então assim, o chato vai morrer sozinho.
É, então assim, tentar, ou então os que ficam vão ficar por obrigação e vão se estressar. Isso não é legal para quem convive. Por mais que você ame essa pessoa, você tem que entender que você pode adoecer. Então você tem que chegar ali, é uma, claro que se for o chato clássico, ele não vai de uma hora para outra mudar. Se for uma personalidade muito rígida, talvez ele que às vezes até se for um toque tem que tomar remédio para que ele possa chegar num ponto que ele possa melhorar.
Mas se preserve também, né? Porque eu já vi gente morrer de infarto por essas convivências, e o chato continuar. Caramba, nada demais, né? Tipo assim, mas dá para ser diferente. Então vamos fazer diferente, vamos.
E a diferença começa com você pegando esse vídeo mandando para esse chato, mandando para aquela pessoa que convive com o chato e tá sempre doente, precisa, né, se proteger, se blindar. E não seja um chatão, clica aqui embaixo em curtir o vídeo, clique aqui em compartilhar, clica no sininho, né, para sempre quando a Bia mandar um vídeo novo você ser o primeiro a ver, você correr aqui. E digita nos comentários como é que tem sido a sua experiência com essas pessoas chatas ultimamente, tá fácil, tá difícil? E vamos ver se aplicando essas estratégias começa a mudar.
É legal não ser chato.
É legal.
Hashtag é legal não ser chato.
Até o próximo inversor.
Tchau, gente!