Psicopatas e Serial Killers: Como Eles Pensam? - PODPEOPLE INVERSO COM DRA. ANA BEATRIZ | Ep. 037
Quando falamos em psicopatia, a maioria das pessoas imagina homens violentos e serial killers. Mas será que a psicopatia feminina é realmente tão rara?Neste episódio do Pod People Inverso, discutimos as diferenças entre psicopatia masculina e feminina, os casos criminais mais chocantes da atualidade, o perfil comportamental dos psicopatas e como a ciência explica esse tipo de funcionamento mental.Falamos sobre serial killers, manipulação, ausência de empatia, comportamento predatório, violência psicológica, golpes financeiros e os sinais que podem passar despercebidos por anos.Uma conversa fascinante sobre neurociência, comportamento humano, psicologia criminal e os limites da mente humana.
Bia Santos
Dra. Ana Beatriz
- Caso Ana LuizaAcusação de envenenamento e múltiplos homicídios · Vítimas em São Paulo e Rio de Janeiro · Modus operandi com veneno e cachorros · Participação na investigação · Ana Paula · Marcelo Fonseca · Maria Aparecida Rodrigues · Neil
- Relacionamentos TóxicosVerificar a vida das pessoas em aplicativos · História Patológica Pregressa (HPP) · Ciúmes como controle, não amor · Romantização da violência em filmes e livros · Cérebro e economia de energia (aceitação de mentiras) · Rede de apoio e comunicação
- O homem possuído pela legiãoMatricídio e ocultação de cadáver · Motivação financeira (herança) · Regime semiaberto e reincidência de psicopatas · Falha do sistema penal em identificar psicopatas · Ricardo Jardim
- Masculinidade Tóxica vs. SaudávelDiferenças no modus operandi · Uso de veneno por mulheres · Estereótipo da mulher como bondosa · Elizabeth Arrabaça · Taylor Armstrong
- Trump e PsicopatiaPsicopatas leves (estelionatários) · Psicopatas médios (golpes sofisticados) · Psicopatas graves (prazer em humilhar) · Serial killer como minoria
- Sistema carcerário e psicopatasPsicopatas como mandantes e organizadores · População de 80% que trabalha para os psicopatas · Guerra de facções e degolamentos · Separação de presos psicopatas e não psicopatas · Treinamento de profissionais para testes criminológicos
- Violência contra a mulherConsiderar o outro como objeto de uso · Escalada da violência · Covardia em não confrontar homens · Diferença entre ciúmes e controle
- Reflexões sobre serial killers e rotinasPreparação e organização do crime · Transformação de informações em rito · Teste em seres mais frágeis · Posicionamento de vítimas como obras de arte · Hannibal Lecter
- Psicopatia no poderMito da inteligência genial · Inteligência racional limitada · Dificuldade com a emoção · Memória e componente emocional · Repetição de erros por falta de marcação emocional
Descobriram que ele matou a mãe. Não basta matar, ele concretou a mãe numa parede. Existe uma natureza de crime que somente um psicopata é capaz de executá-lo. Psicopatia feminina, ela é bem diferente porque ela é sutil. Que que a mulher em geral usa? Veneno. Elizabeth Arrabaça, tudo leva a crer que ela matou a própria filha. As pessoas também acham que os velhinhos são sempre doces ou são vovó benta. Eu sempre digo que os psicopatas envelhecem.
Uma pessoa que é capaz de fazer isso com uma ficante eventual é uma pessoa que considera o outro um objeto de uso. Você vê que esse cara é tão violento que não teve história e ele foi de não do início direto para o fim. Tem que separar as maçãs que vão te alimentar das que vão apodrecer todas as outras. Será que a gente também não tá normalizando coisas que não são aceitáveis? O que que ele fez com o corpo da mãe? Ele concretou o corpo da mãe.
Quando a gente vai falar de psicopatia, a gente vê que as estatísticas dão cada 4 homens para uma mulher. Eu tenho minhas dúvidas, eu acho que a gente tem muito mais psicopata feminina do que a gente imagina. A diferença é que o modus operandi, quer dizer, a forma como um psicopata masculino age, ele é mais testosterônico, digamos assim. Ele tem mais uma violência física, tem a coisa da facada, do tiro, da humilhação, da violência mesmo, do espancamento.
A gente vê isso até em gangues, né, que a questão é pegar, se for mulher então arranca cabelo, uma coisa muito violenta. Já a psicopatia feminina, ela é bem diferente porque ela é sutil. É tão, é tão maldade quanto a masculina. Você tem maldade, para mim, se equiparam, mas ela é mais elaborada. E isso historicamente a gente vê. Que que a mulher em geral usa? Veneno. E isso, quando você vai ver a história da humanidade, quando você vai lá nas realezas, nas As gays, sempre não precisa nada.
Na, nas realezas, as mulheres tinham até um anel que abria, elas botava ali o veneno e ele tinha uma coisinha que abria assim. Hoje em dia você encontra isso em antiquários, e antiquário você abria e a mulher pegava o veneno, jogava numa bebida. Então assim, eu acho que essa maldade— A própria Taylor Armstrong, né?
Ela se matou com veneno.
Essa maldade feminina, eu acho que por mais que a gente fale, a sociedade tem muita dificuldade de admitir que a mulher— existe uma mulher cruel. A mulher está sempre associada à maternidade, à bondade. Eu acho que o arquétipo mãe é muito forte e realmente toda mãe deveria ser associada, toda figura feminina Há um sentimento de proteção, de maternidade, de unificação, mas na prática, de proteção, acolhimento. Mas na prática a gente vê que tem um percentual, graças a Deus, muito pequeno, como o próprio psicopata e como o próprio serial killer, né?
Dentro do psicopata é mais raro ainda o serial killer, mas a gente fala que o psicopata nem sempre ele é um serial killer, né? Não, não, a minoria é, a minoria absoluta. Se você tem psicopata, em geral a grande maioria é leve, estelionatário, que não deixa de ser psicopata porque tem prazer em fazer o outro perder, prazer em fazer o outro se dar mal, né? O médio, que é aquele mais elaborado, que faz golpes mais mais... Tipo, pra idoso.
Pra idoso, aquele que faz a coisa de... mexe muito com tecnologia, dá golpes bem mais sofisticados e que desviam dinheiro, ou mesmo corruptos. A gente considera médio não pelo mal que causa, mas pelo modus operandi. E os graves, né, que são esses que além de fazer alguma coisa, eles têm o prazer também de humilhar, de agredir, de... De fazer uma coisa muito maior. Dentro desses graves você tem um percentual pequeno que são serial, porque o serial ele tem um ritual que ele repete, né?
Ele faz todo serial, né? Então assim, é a maneira como ele executa aquilo que ele vai desenvolvendo com o tempo.
E como que ele desenvolve isso? Ele acorda e fala assim: ah, dessa vez eu vou matar 'Na lua cheia, ai, eu vou matar sua mulher, vou matar sua mãe.' Isso vem por quê?
Não, o que a gente vê é que o ritual que ele desenvolve tem a ver com situações ou estudos que ele gostava.
Caraca!
Por exemplo, teve um serial killer que botava na cena do crime, botava as pessoas em posição de obras de arte. Então tava ligado a uma cultura, a um estudo.
Isso lembra até o filme do próprio Hannibal Lecter, né, que tem um serial killer lá que ele coloca em forma de anjos, né?
Que é como se... Exatamente. Aquilo foi baseado em casos reais. Então, o que que acontece? A questão do serial não é um dia ele levanta. Ele é uma pessoa que vai se informando e ele transforma essa informação a que ele é submetido ou que ele vai buscar numa forma de transformar aquilo num rito. Num ritual, né, de exercer essa maldade. Então o que a gente vê no serial killer é que ele age por períodos. É muito interessante, ele passa um bom tempo se preparando, ou seja, organizando como que ele vai fazer, baseado nas informações que ele colheu durante um tempo.
Nessa organização já tem esse prazer, ou seja, já tem esse prazer de visualizar como vai ser, imaginar. Depois ele começa a testar o método, né, ou ritual, com, em geral, com seres mais frágeis, ou animais ou crianças, para depois ele chegar na forma adulta. É, vai escalando, ele sempre vai testar antes, em geral, em animais.
Eu tava vendo o outro dia, né, um documentário assim que mostra que tem muitos seriais que eles, principalmente nos Estados Unidos, né, foram muito pegos assim depois de um tempo?
Não sei se é muito também, discordo dessa coisa, Gabi, assim, dessa informação. Não é principalmente nos Estados Unidos, é que nos Estados Unidos eles estão treinados para detectarem. Eu acho que existe serial killer como existe psicopata em todas as religiões, em todos os lugares, em todas as classes sociais, em todas as profissões, no mundo todo. Não falam que o serial killer, geralmente psicopata, ele é muito inteligente, ele é racional, Não, a gente tem que parar com isso de achar que psicopata é inteligente.
É gênio, né?
Não, não é. Psicopata, ele tem é uma inteligência racional limitada. Não, cognitiva, não emocional.
Entendi.
Porque a parte da gente ser inteligente, a gente mesclar razão com emoção. A emoção nos move também. Como eles têm muita dificuldade nessa questão emocional, eles têm uma coisa muito ruim, porque a memória tem um componente emocional muito grande. Por que que a gente lembra? Por exemplo, se eu falo uma coisa ruim para você, você vai lembrar por 3 meses. Se eu falo uma coisa boa, você vai lembrar no máximo por 3 dias.
Por quê?
Porque o cérebro capta as coisas ruins, porque as coisas ruins ameaçam sua sobrevivência. Então não posso esquecer. Como psicopata não tem esse sistema emocional funcionante ou bem funcionante, o que que acontece? Ele faz as coisas e esquece. Esquece, não, ele não marca. Então ele repete o seu erro, não dá importância, ele repete, porque para ele aquilo não é uma coisa ruim, assim, dá importância, atenção, o funcionamento cerebral dele é assim.
Então para ele aquilo é normal, então não ameaça ele nem nada, ele não sente nenhum desprazer, não sente nenhuma culpa, nenhum constrangimento, não. Então ele tende a se repetir. Isso não é inteligência. Não. Então assim, eu não gosto quando fala, eu acho que isso é falta desse equilíbrio entre razão e emoção.
Mas será que é Hollywood fez as pessoas acharem, ter essa visão dos psicopatas, que eles são gênios, né, do crime?
Não, eu acho que eles são racionais, focam, são, eles focam naquilo que eles querem fazer. E se você foca numa coisa e treina aquela coisa, você vai ser bom. Exaustivamente repetir, você sabe disso, né? A gente tem exemplo de jogadores de basquete, esporte, né, de golfe, é a persistência. Eles têm um foco, eles vão atrás daquilo. Sim, mas isso não acho que a inteligência, eu acho que é uma fixação e quase uma predisposição, né, mas a fazer aquilo. Então eles vão fazer bem porque eles vão treinar, treinar, treinar, treinar.
Só para contextualizar para o pessoal que não tá sabendo desse caso, né, Veloso Fernandes, um estudante de direito de 36 anos. Ela foi presa, classificada pela Justiça de São Paulo como uma verdadeira serial killer após ser acusada de envenenar e matar 4 pessoas entre janeiro e maio de 2025. O caso envolve vítimas em São Paulo, Rio de Janeiro, e chegou a chocar o país por se tratar de uma mulher suspeita de múltiplos homicídios em série.
Algo bem raro até no Brasil, porque geralmente é sempre o homem, né, que é pego. E já perguntando, por que que geralmente tem mais homem do que mulher?
Minhas dúvidas se é tão raro assim. Ana Paula tá ali, né? O primeiro a ser morto foi o Marcelo, primeira vítima, tá ali, Marcelo Fonseca, dia 31 de janeiro de 2025, tá? Depois ela vai para segunda vítima, Maria Aparecida Rodrigues, foi 11/04. Aí, no 11/04, olha só, 11/04, no mesmo mês, dia 26/04, abril, né, mata a terceira vítima.
Do primeiro para o segundo foi mais ou menos 10 dias, do segundo para o terceiro 15 dias.
Não, não, primeiro para o segundo foi mais, porque é 31/01 e 11/04. Isso, isso, 11/04, que a gente saiba, tá, porque me parece que vai surgir mais assassinatos aí, que eu andei sabendo. Mas não tá certo. A polícia de São Paulo já trabalha com essa hipótese, mas ainda não divulgou nada porque precisa ser uma coisa mais certeira. A segunda foi a Maria Aparecida em abril. Depois, em abril 26/04, foi o Neil, ou New, né, depende. E você vê, um mês depois, ó, 26 de abril, dia 20, menos de um mês, dia 24 de maio foi o Haider, né, um cara da Tunísia que tava aqui, e ela pegou pelo aplicativo de relacionamento.
Mas olha que ela grávida dele, é que era golpe, né? E como ele teve uma reação de não cair no golpe, ela resolveu matá-lo. O que me chama atenção na Ana Paula é É uma coisa intrigante, porque como é que a polícia chegou nela? Porque ela tava, ela ligava para polícia para falar que tinha visto o corpo, tinha achado o corpo. Ela dava um jeito de entrar na investigação.
E isso é um sinal clássico, se não me engano, né? O serial killer geralmente ele gosta de participar da investigação.
Não, ele fica vendo de longe. Os mais sofisticados, eles ficam vendo de longe. Tanto que é muito comum quando eles são pegos, você entra na eu fui na casa e eles tinham paredes com todas as notícias do assassinato, porque eles têm uma vaidade, uma sala de troféus quase. Eles têm uma vaidade do feito, porque para eles é um feito enganar e fazer esse tipo de coisa. Eles, ela me pareceu um pouco, digamos assim, não tô falando que ela seja uma pessoa, mas um pouco impulsiva demais, no sentido, porque ela tentava forjar provas da inocência dela que na realidade acabou colocando ela na cena do crime de todos os casos.
Ela começou com essa coisa dos venenos, né, que é bem comum as mulheres usarem veneno. Ela treinou inicialmente, e ela confessou isso, em cachorros. Ela pegou a questão do veneno, ela descobriu como se comprava, porque é proibido se comprar, tá? Antigamente vendia, não sei, a polícia deve estar descobrindo. Eu acho que provavelmente pela internet, infelizmente. Ela começou a estudar e aí ela começou a testar em cachorros qual era a quantidade para que a morte fosse rápida.
Então ela começou em cachorros que teoricamente a irmã dela cuidava lá no quintal. Inclusive um dos cachorros foi o cachorro do ex-marido. De 10 a 14, não dá para todo mundo.
10 a 14 cachorros?
Exatamente. Porque ali ela foi testando se o veneno funcionava, qual era a dose, qual era a velocidade com que morria. E ela foi fazendo isso proporcional ao humano, era fácil. Ali é um objetivo: descobrir o que o veneno faz, qual é a quantidade necessária e a rapidez com que faz efeito. Era isso, porque alguns morriam mais rápido, outros levavam mais tempo. O fato é que é porque ela usava chumbinho. Chumbinho causa uma hemorragia interna muito grande.
Então, e tem hemorragias que você leva mais tempo para morrer. Tem pessoas, tem doses que é tão rápido que é coisa de—
não tem jeito, não dá tempo. Como que as pessoas podem se precaver nesses aplicativos para não dar de cara com a Ana da vida, um golpe de Tinder, igual eles falam?
Eu acho que tem que verificar a vida dessas pessoas. Eu acho que mesmo é bom demais, tem que dar uma outra coisa, né, gente? É, você come alguma coisa, você, uma pessoa que nunca conheceu?
Eu sou chato para comer, né?
Eu não aceito. Eu nunca vi uma coisa tipo assim. A Rose aqui, né, a nossa querida Rose aqui. A Rose traz um sanduichezinho do Gustavo, traz um bolinho aqui. É, sanduichezinho para o Gustavo sempre tem, para o Gustavo malhar, tá bom? É, ela também pega o seu açaí. Não, filho, pelo amor de Deus, é a cara dele. Não, mas é uma pessoa que a gente conhece, quer dizer, Tudo direitinho. O caso do Marcelo é porque ela queria casa, não queria pagar aluguel.
Depois, o Neil, no dia 26/04, o senhor Neil tinha dificuldade de deglutição, então ele comia tudo muito batido no liquidificador.
É, foi uma feijoada, parece.
É, fez, disse que ia fazer uma feijoada super gostosa para ele, super agradeceu e bateu aquilo tudo e foi começou a passar mal de imediato. Do nada, os outros filhos do seu Neil chegaram lá, não tava previsto. Tanto que ela disse que ficou dando sinal para Michelle, que tava lá dentro, que eles estavam chegando. Pegaram o pai imediatamente, botaram no carro e levaram para o hospital. Mas a dose tinha sido muito bem calculada, porque não deu tempo de nada, tá?
O que ela foi pega por causa do Neil, que fez aqui, né, estamos falando que Porque a partir do Neil, eles viram que Ana Paula tava ligada com uma série de casos. Exatamente. E foi puxar lá os casos. Ou ela era inquilina, amiga, companheira, tava em todas as cenas do crime, literal. O do PM, ela chegou aí na delegacia para denunciar ele. Ou seja, ela tava participando da investigação.
Como é que tá?
Como é que ele foi?
Não, mas você vê, é um narcisismo, egocentrismo, porque ela achou que ela ia realmente entrar nas delegacias, influenciar a investigação. Olha o ego. Ego dessa pessoa. Não tô falando que ela é suficientemente inteligente, tô falando que o ego é imenso, porque ela realmente achou. Como o ego dela em: por que que o cara não aceitou o golpe dela tá grávida? Então vai morrer por isso. Como é que o PM ousou não querer mais nada com ela? Vai morrer por isso. Então é muito prático isso.
Aquele caso do publicitário suspeito de Porto Alegre, de Porto Alegre.
Ricardo Jardim, se eu não me falho a memória, é esse mesmo.
Pessoal tá querendo saber o que que passa na cabeça de uma pessoa dessa, né? Porque parece que fez isso, matou a mãe e concretou ela.
Ele foi preso porque ele é suspeito de matar a namorada, que me parece que foi esquartejada, se foi ela, dentro de uma mala, né, cara? Dentro, foi colocado dentro de uma mala. E mais, não foi encontrada inteira essa pessoa, né? Essa pessoa, ele foi distribuindo pedaços dessa pessoa por vários ambientes.
Meu Deus!
Inclusive teve pedaço, eu não sei dizer se foi pernas, foi braço, na rodoviária. Então isso é de um cálculo, de uma frieza incalculável.
Que isso, é premeditado isso?
Foi absolutamente premeditado. E ele sacou dinheiro, cartão bancário também, novamente a motivação foi meramente ganho financeiro.
É porque com a mãe dele parece que ele tinha uma herança lá para receber.
Com a mãe, se eu não me engano, ele foi preso em 2018. Porque descobriram que ele matou a mãe. Não basta matar, o matricídio, né, que é matar a mãe. Ele concretou a mãe numa parede.
De novo, olha a frieza, né, premeditação.
Não, eu acho o seguinte: matar a mãe é uma coisa tão incalculável. E foi por uma questão de uma herança de 400 mil, se eu não me engano.
De novo, dinheiro envolvido.
Dinheiro envolvido. Aí eu fico perguntando, né, tem gente para falar: é psicopata. Olha, dizer que não é, é quase impossível. Porque, ah, porque você viu esse cara? Não, não vi. Mas existe uma natureza de crime que somente um psicopata é capaz de executá-lo. Porque a questão não foi só matar uma mãe, é o que que ele fez, isso que que ele fez com o corpo da mãe, concretou o corpo da mãe. E aí, com essa Mulher que é a suspeita, espero que rapidamente vão identificar pelo DNA, porque ela tá sumida.
Ele esquartejou, botou numa mala e distribuiu o corpo. Que loucura! Para dificultar as investigações, dificultar que se juntasse isso tudo. Eu fico olhando assim, é, isso me lembra um pouquinho o assassinato da Daniela Pérez, né? Porque o objetivo era esse, né? Era pegar aqueles sacos de laranja que eles passaram num hortifruti de madrugada e depois teria esse plano de se distribuir, desovar o corpo com partes em vários lugares para que nunca fosse identificado ou se levasse muito tempo.
A sorte A sorte não, né, mas para identificação do crime foi que um advogado passou, achou aquela cena estranha ali, né, dos dois que tinham executado a Daniela e chamou a polícia. Isso só não foi feito porque esse advogado, ao ver, teve essa intervenção e a polícia chegou e aí se deparou com o corpo inteiro que provavelmente teria sido feito a mesma coisa. Ele foi condenado a 28 anos de prisão. Aí você fala: nossa, 28 anos de prisão, bacana, né, por ter matado a mãe e concretado o corpo.
Aí você fala: esse cara não sai mais. Mas aí ele entra no sistema, no sistema carcerário, ele tem bom comportamento, como todo psicopata tem bom comportamento, porque eles são absolutamente racionais. Como é que não leva histórico em E já tinha outras coisas que ele tinha feito, mas de menor gravidade. Não estava limpo quando chegou a matar a mãe, não. Aí ele vai, passa por 2 exames, 2 do teste de criminologia, os exames, e ele se mostra arrependido pelo que fez com a mãe, se mostra consciente e com remorso.
Uma grande encenação. Uma grande encenação. Aí, onde está sendo falhado? Primeiro, que determinados tipos de crime não precisavam passar por nada. Uma pessoa que mata a mãe, concreta o corpo da mãe, ela não tem direito a matar um mosquito da dengue que for. Então, os anos se passam, ele tem aquela coisa de bom comportamento, então foi dado a ele o regime semiaberto, que ele não voltou. Para a gente ver novamente. O que isso mostra?
Que definitivamente o nosso código penal insiste em não identificar psicopatas de não psicopatas. Por quê? Porque os dados são claros. Psicopatas correspondem a 80% de reincidência. Psicopata tem reincidência 80%. Vai fazer de novo. Vai fazer de novo. E corresponde também à maioria absoluta dos crimes graves. Que são cometidos e a recorrência deles.
Agora eu te pergunto, para essa escalada, né, ele é suspeito de fazer isso com a namorada, se tiver feito, uma das coisas pode ter motivado essa, vamos dizer, legislação frágil perto dele, essa legislação que tipo assim, ah, eu fiz isso, enganei lá os dois testes criminológicos, exatamente, eu vou lá e fazer a mesma coisa.
Ele é Todo psicopata sabe a letra, ele não sabe a música, a melodia. O que ele vê? Que o sistema é cheio de falhas. E ele é um ótimo ator. Tem que separar o joio do trigo, você tem que separar as maçãs que vão te alimentar das que vão apodrecer todas as outras. Porque você acha, se eles são 20% dentro do sistema penitenciário, você acha que esses 20% Quem é que sofre? Os 80%.
Esses 20% é o que você falou no livro, eles viram os mandantes de lá, né?
Com certeza, eles fazem o quartel-general lá de dentro. E quem, essa população de 80% restante vai trabalhar para eles? Porque pode dizer não? Não, senão é degolado.
E como é que esse pessoal vai conseguir, como é que eu vou dizer, né, repensar no que fez? Como é que eles vão conseguir cumprir a pena deles, pagar o que eles devem, se eles vão estar trabalhando organizações muito maiores que eles.
Teve uma época que teve, acho que antes da pandemia ou durante a pandemia, teve aquele presídio lá no Maranhão, de Bombinhas, se eu não me engano, que houve uma guerra de facções lá dentro, e quem não tomava partido era degolado. Então foi uma coisa horrorosa que aconteceu no Maranhão, de ter que ser ocupado o presídio, e os policiais que lá entravam membro do batalhão de choque, passavam tirando cabeças.
Olha que loucura!
Porque não foi obedecido as ordens. Então assim, é um desrespeito com o sistema carcerário, com quem pode se beneficiar de fato, e um desrespeito com toda uma população. Porque você acha que o Ricardo, que concretizou, matou a mãe, concretou a mãe, e se confirma que ele fez isso uma mulher que ele esquartejou e distribuiu o corpo, o que esperar que essa pessoa faça? Ele passou duas vezes no teste criminológico. Por quê? Porque psicopata sabe mentir.
Porque ele sabe, exatamente, ele foi dentro da cadeia, ele é motivado a estudar. Então o que que ele vai fazer? Vou estudar, o código não muda mesmo, vou ficar especialista.
Pelo contrário, diminui a pena. Diminui a pena. Eu acho que todo mundo deve estudar, mas não é tirar o estudo do 80% da população lá dentro, é desses 20. E outra coisa, um teste criminológico não pode ser feito por psicólogos, por mais bem-intencionados, têm que ser treinados para esse tipo de personalidade. Ele saiu, ele foi para o sistema aberto assinado. Assinado. Eu quero crer que esses dois, eles foram tapeados. Eu acho que sim, porque você precisa de preparo.
Tanto que no projeto de lei para aplicar a separação dos presos psicopatas e não psicopatas, tinha-se uma coisa de treinamento de profissionais na aplicação do teste para ver se era psicopata ou não. Caramba, nunca foi votado, Gabriel.
Isso é um absurdo, porque quantos cigarros de as mãos saíram por conta dessa, desse tipo de brecha?
Por exemplo, não precisa muito. Os estupradores de crianças, a saidinha, por exemplo, a saidinha, Natal, Ano Novo, Carnaval, Dia das Mães, Dia dos Pais, milhares de presos, os que cometeram crimes recuperáveis, ok, ok. Agora, estupradores, quanto mais a quantidade de estupro que se tem nessas saídas e a quantidade dos que não voltam, é surreal, cara.
Então, não são que quer o cara matar a própria mãe, a mulher que deu a vida para ele, ficou a vida toda, e concretar para pegar 400 mil. E o pior disso tudo, ele pode estar do seu lado almoçando porque ele saiu, porque são, são, são egocêntricos, né?
São camaleões, são narcisistas. Você vê que me parece que diz que ele usava um perfis falsos, se botando como um atleta, como uma pessoa cheia de virtudes. Esta mulher que foi morta supostamente por ele é uma mulher que caiu nesse papo. Quantas não estão caindo que não vão estar aqui para contar a história? Existem pessoas que não são humanos. Se você poupa o psicopata, se você poupa o lobo, você está sacrificando a ovelha.
E não tem jeito.
Não tem jeito. O que a gente vê é que lugares onde há uma legislação forte, os psicopatas se manifestam menos. Não é que eles não existem. Eles saem daquele local para ir cometer em outro.
Cometer em outro.
Não precisa muito. O Brasil ainda é um paraíso para quem comete cometer crimes lá fora, para quem lava dinheiro, difícil. Depende.
Então é ótimo para eles?
Depende. Então assim, já passou da hora de se revisar isso, já passou, já passou muito da hora.
E olha que coisa complicada, né? Igual você fala, que a gente tem que, a gente tem que ver, regulamentar isso de certa forma, como a cultura, né? Consegue impactar? Porque igual, por exemplo, lá no Japão, a gente pode dar uma pesquisada mais a fundo, mas um psicopata lá é bem diferente de um psicopata aqui, um psicopata americano, por exemplo.
Porque lá nos Estados Unidos, de acordo com os valores, as possibilidades nos Estados Unidos, eles vão, eles acabam migrando para estados onde a legislação é mais frouxa. Então não vão para Miami.
Mas será que nisso eles vão dizer assim, eles se tornam mais metódicos, eles estudam mais para para cometer os crimes e são mais difíceis serem pegos do que aqui, ou não? Olha, talvez é estudar, eles sempre estudam lá nos Estados Unidos, é muito mais difícil, é muito mais normal ter, né?
Porque tem mais, não aparece mais porque a polícia integrada, entendi.
Então parece mais, não é porque tem mais, é porque eles vão atrás disso.
Caramba, a gente precisava disso porque nós não temos uma polícia integrada. O cara, por exemplo, ele tá aqui, um psicopata matando no Rio de Janeiro. Ele sentiu que vai ser pego, ele vai morar no Ceará. E aí? Como a polícia aqui não é integrada para trocar informações—
Tá na hora de ter um IA para polícia.
Não, tá na hora de mudar muita coisa. O Nand fala: "Ah, é super raro." Olha só, Isso aqui foi há pouco tempo, esse crime. Viu quando foi para mim, Gu? Elizabeth Arrabaça, sobrenome é de origem espanhola, tá? A Elizabeth Arrabaça, há pouco tempo atrás, tá? Ela tá até no presídio de Tremembé. Bacana, né?
Legal.
Não, mas deixa eu te falar por que que vai para Tremembé. Porque são casos de muita repercussão e que se botar em outra penitenciária, em outro presídio, podem ser mortos.
E por que que não podem ser mortos?
Aí não, aí você tá aí, o Estado, mas o Estado é responsável, porque não, mas eu falo assim, tá, beleza, mas por que que eu entendi, matar outra lá dentro, muito difícil, porque todo mundo tá em Tremembé, cometeram crimes pavorosos, e de alguma maneira eles só se enturmam com outras pessoas que cometeram crimes, né? Que crime que você fez? Não tem ninguém, Tremembé não tem ninguém que roubou com uma galinha, né? Só coisa pesada, só coisa muito pesada.
Então assim, acaba que é muito difícil quem cometeu um crime muito grave fazer alguma coisa contra o outro cometer um crime muito grave, tá? Eles separam até por categorias de crime. Essa senhora, com uma carinha muito de boa vovozinha, ela matou e planejou também com envenenamento, tá? Mesmo sistema. Com envenenamento, a nora. O filho era casado com a professora de Pilates e queria separar, e ela resolveu tipo assim: "Como assim separar?
Vai dividir os bens." "Não, não podemos perder dinheiro." Então você vê, não é tão raro. E aí, quando descobrem que ela matou a mulher do filho, reacende o seguinte: que a filha dela tinha morrido há pouco tempo. E aí foram ver, os policiais foram ver se ela não tinha sido envenenada. A filha foi envenenada. E a filha era homossexual, a filha tinha um caso há muito tempo com uma moça e tinham desmanchado. A mãe tava toda feliz porque a filha, se eu não me engano, era veterinária, bem-sucedida, não tinha filhos.
A mãe tava achando que qualquer coisa ia sobrar tudo para ela. Olha o ego dessa mãe. Em termos, tipo assim, eu vou durar eternamente para usufruir dos bens dos meus filhos, né? Porque ela tava preocupada com a Nora, resolveu o problema da Nora. E aí ela tá tudo, ainda não tá decretado isso, o da Nora tá, mas ela tudo leva a crer, isso tá sendo investigado, porque exumaram o corpo, que ela matou a própria filha, porque a filha teria dito que voltou com a tal namorada.
E aí ela não gostou, porque aí voltou e elas queriam, acho que, adotar uma criança, ter filhos, construir uma família. Ela não achou prudente porque aí o patrimônio da filha não viria para ela.
Caraca!
Exatamente. Agora, ela tudo indica, tá? Eu acho que, olha, uma senhorinha, é porque as pessoas têm uma outra coisa, né? Como acham que mulher nunca é perversa, nunca é psicopata. As pessoas também acham que os velhinhos são sempre doces, ou senão vovó benta.
Quem que deu a maçã para Branca de Neve? Foi uma vovozinha.
Sim, foi a vovozinha. Eu sempre digo que os psicopatas envelhecem, né? Os canalhas, psicopatas, que ele foi pego no auge lá.
Porque minha dúvida é essa também, né? E a gente só sabe dos que é pego, os que não são pegos, né?
Muitos, porque nós não temos um sistema policial equipado para detectar crimes que se repetem. Nós temos muitos serial killers no Brasil, muitos, não tenho dúvida nenhuma. Não é só Estados Unidos, porque a nossa polícia não é integrada.
Por que que ela não é integrada?
Aí, meu querido, ótima pergunta. Eu acho que a gente tem que perguntar isso a quem é de direito liberar essa interconexão, num tempo de que tudo é conectado, né, no botão. A polícia ainda tem muita dificuldade, porque o crime que o cara faz, por exemplo, no Ceará, ele faz. Aí quando ele acha que vai ser pego, ele se muda para o Rio Grande do Sul, ele se muda para o Acre e vai, vai continuar.
E é muito padrão também, né?
Grande número de feminicídios, a gente sabe que a maioria é de companheiros, ex-companheiros, maridos. O que acontece, infelizmente, é que uma pessoa que é capaz de fazer isso com uma ficante eventual, para mim, é uma pessoa que considera o outro um objeto de uso e do tipo: "Se eu quero, você não pode não querer." É tão absurdo. Que não dá para encaixar em qualquer coisa. Ah, ele teve ciúmes. Ele não existe ciúmes.
Até aonde vai esse era ciúmes? Ela deu motivo?
Porque não interessa. Olha só, se deu motivo, parte para outra, tá? Porque se toda mulher fosse fazer isso com os homens que traem, meu filho, não tinha mais homem com duas carros. Não, e não tinha mais homem com duas pernas. Então assim, é claro que é direcionado, é uma covardia, porque ele não faria isso com homem. É isso que eu falava, ele não faria, tanto que ele não mirou no outro, ele esperou o rapaz que tava caminhando com ela na calçada ir embora, dar o tchau.
Covarde! Um cara que faz isso, ele não tem consideração com nada nem ninguém. Esta mulher, essa ficante, que ele agora vai ter que confessar que é ficante, porque ele disse que nunca tinha visto, que ele fez aquilo por acaso, né? Então esta ficante, eu fico pensando se essa mulher tivesse ficado com ele mais tempo, eu acho que ele ia cortando um dedo cada dia, alguma coisa.
Vai só piorando, né?
É uma escalada muito— não, é uma escalada, a gente nem pode dizer que é uma escalada do tipo relacionamentos tóxicos, porque não configurava nenhum relacionamento, eram ficantes eventuais que, mesmo assim, para você ver, uma pessoa não podia dizer de jeito nenhum.
Olha o pensamento dele, maquiavélico.
Isso não foi— quando fala assim, ah, crime, fazia isso, né? Porque foi demais. Época diferente. Se alguém falar assim, ah, mas não é um crime passional? Crime passional é sobre forte influência.
Esse aqui foi quase que um crime calculado, né?
Esperou, esperou o cara virar a esquina, se despedir, o colega dela, é, soube para onde levar o carro. Isso é forte emoção.
E depois ele reservou um quarto de hotel lá na Vila Prudente. Então olha para você ver, deixou o carro no lugar e foi para outro pelo, como se diz, tipo, você pegou em flagrante, né?
Você vê que esse cara é tão violento que não teve história, não teve eventuais encontros, e ele foi de não do início direto para o fim.
Agora eu te pergunto, e se a gente buscar um histórico desse, do começo para o fim, né? Que que ele já não fez com outras mulheres, né? O que não escalou para o físico, mas que ele não fez com intimidando, ameaçando?
Por exemplo, como é que um ex-sogro acoberta.
Que loucura!
Não sei, talvez não estou aqui falando, não sei do que aconteceu, né? Não sabia. Ou então, tipo assim, deve ter tido lá os problemas com a filha dele e deixou a filha em paz para não ter problema. Vamos lá, tá bom, deixa aí. Pobre dos pais e mães que acreditam que esses homens que a filha fala que acontece uma coisa e os pais falam: não pode, fulano é tão bom, fulano é tão tão caseiro, você tá reclamando, tá na hora de rever isso, né? Se o filho tá falando, ouve.
Vamos ouvir um pouquinho, vamos ouvir, independente de qualquer coisa, vamos ouvir, porque o preço de não ouvir pode ser muito caro. No caso da Tainara, o Douglas tem comportamento psicopata?
Olha, eu só posso afirmar vendo o passado dele. A gente não sabe, foi o que você falou, mas tudo indica, tanto que, ó, agressões anteriores, Né, isso não surgiu agora, apesar dele ser um cara novo. Se você for ver, exatamente, se ele for um psicopata, se encaixa muito bem. Até porque um psicopata não começa a ser psicopata com o primeiro crime, ele já testou, fez antes. Ele escala a violência, há uma escalada da violência, porque aquilo vai, ele vai fazendo, opa, não deu nada, próxima, a próxima.
Você viu que ele perseguia a mulher Mulher que ficou, a pessoa, a mulher teve o direito de, sei lá, foi a um barzinho, fiquei com o cara, a partir dali o quê? Não pode mais, é propriedade, é um alvo.
Que absurdo!
Como é que se protege disso?
Agora, voltando assim nesses sinais, mesmo que no caso caso dele não foi um relacionamento, como é que as mulheres, assim, caso pode, né, repensar o parceiro?
Para quem tem um relacionamento, primeiro, se você, você tem que saber novamente HPP. Que que é HPP? História Patológica Pregressa. A pessoa chega na sua vida, ela chega, ela já tem uma história. Você sabe o que ele representou para outras mulheres no relacionamento?
Será que ele sempre era o coitado, né?
É, porque quando chegou esse papo, ah, me separei porque minha mulher, parará, ou minha ex-namorada me traía, me fazia de corno, tá, tá, tá. Será que é isso, ou será que ele já conta essa história como uma justificativa dele ser excessivamente zeloso, controlar roupa, criando um espaço, né, o ambiente perfeito jeito para fazer o que ele quiser. E a maioria das mulheres vê essa coisa dos ciúmes como se sentir amada. Ciúmes não é sinônimo de amor.
Ela via isso que o pai fazia com a mãe e acha que é normal.
É, tem casos que você tem isso e tem casos que você vê isso. Por exemplo, as histórias de cinema, as histórias. Você quer ver? Teve um filme muito famoso no início da década de 90, se eu não me engano, que era 9 Semanas e Meia de com Mickey Rooker, né? E foi um sucesso. O filme na realidade era um cara que conhecia uma mulher na rua, levava ela para o apartamento e amarrava a mulher, submetia ela a sexo. Você romantiza algo que é absolutamente patológico, algo que você tá transformando a pessoa num objeto de diversão.
Você vai ficar aqui 9 semanas e meia, eu vou te usar bastante, tchau, querida. Então assim, será que a gente também não está normalizando ou romanceando coisas que não são aceitáveis nem no cinema, nem no livro? Por exemplo, 50 Tons de Cinza, aquilo não tem como classificar. E eu vi muita gente achando, tipo assim: "Ai, eu estou louca para encontrar um romance como 50 Tons de Cinza." Eu falei: "Não é possível isso." Que marketing é esse tão bem feito?
Que faz as pessoas acharem que aquilo é mais excitante. Você quer ver uma coisa que me apavora? Alguém que fala assim: "Não, eu sou um cara muito tranquilo, eu sou uma pessoa muito facinha." Não existe pessoa fácil. Ser humano é complexo. Uma coisa é dizer: "Sou uma pessoa como outra qualquer, mas me esforço e batalho para ser melhor num relacionamento." Aí você já começa a ouvir e ver e observar.
Porque uma coisa é o que fala, quando, né, tanto para o homem quanto para mulher assim, né? Quando vão para esses aplicativos de relacionamento, o que que você acha que é interessante eles notarem assim para já— Opa, bandeira vermelha!
É muito difícil. Eu costumava dizer para os meus pacientes quando iam ter algum encontro, tanto homens como mulheres, do tipo assim: qual é o seu melhor amigo? Qual é sua melhor amiga? Passa o telefone, onde você vai estar? Isso eu ainda pedia. É amigo mesmo esse amigo ou irmão? É, vai para a mesma, para o mesmo bar, o mesmo restaurante, fica numa outra mesa. Qualquer coisa que acontecer, sinta como trata as pessoas, sinta as sutilezas.
Não vá no primeiro encontro para um lugar desconhecido, não vá. Porque assim, infelizmente, as redes abriram porta para mentiras, e o cérebro humano tem uma coisa muito interessante É, ele gosta de mentiras que caibam nas suas fantasias.
Como assim?
Por exemplo, por que que tanta gente cai em golpes do tipo: se você tomar isso aqui, você vai curar sua fibromialgia, você vai não sei o quê? Porque o cérebro humano, ele gosta do modo economia de energia. Que que economia de energia? Aquilo ali tem uma solução prática, eu não preciso É ter uma alimentação, mudar o sono, fazer atividade física. Então ele gosta disso. Cérebro responde um terço de todo o gasto energético, ou seja, energia é muito.
Então ele é viciado em economia de energia. O que ele puder fazer para economizar energia, ele faz. Então quando alguém fala uma mentira, mas que cabe na gente, quer que seja verdade, É aí que nasce. Então, quando alguém começa a falar sempre coisas maravilhosas, você fala assim, aí cabe o cérebro, né? Porque a gente não é o cérebro, a gente é a consciência. Você começa assim, gente, mas que maravilha, tudo que eu pedi a Deus, olha, tá se encaixando, tá dando o checklist.
Mas você tem que ver o seguinte, não é difícil hoje fazer a linha perfeito ou perfeita. Porque você vai na rede social, tá lá os lugares que a pessoa frequenta, o tipo de música que ela gosta.
Que a pessoa geralmente coloca nome, idade, e sei que ele gosta, curte, né?
Isso, isso, esporte, ou sei lá. Tem que tomar cuidado, por exemplo, tipo assim, em princípio considero que tudo pode ser mentira. Porque como é que você vai provar?
Nossa. O que que a gente pode fazer, o que que vocês acreditam, o que que vocês acham. E não se esqueça de clicar no botão curtir. Eu sei que o clima não é um dos melhores assuntos assim, mas é algo que tem que ser falado, porque às vezes a gente só fala quando acontece algum problema, né, quando acontece alguma vítima. Eu acho que as pessoas têm que parar com isso, tem que falar sempre. E mande esse vídeo para uma amiga, para um amigo, para uma mãe, para uma tia, para aquela mulher assim que Tá tendo um relacionamento que você acha que não é legal, vamos reforçar o apoio, né?
Nossa rede de apoio, exatamente, resgatar isso, porque isso funciona. E tem uma coisa: não confunda amor com violência. Não confunda. Ninguém ama a ponto de fazer o outro trocar roupa, ou de eu te amo, por isso que 'Não aceito que você faça isso.' Isso não é amor, isso é controle. Esse me fez fazer. Um homem que faz um absurdo e diz 'você me fez fazer isso', isso é uma bandeira vermelha, mais vermelha daquela.
Corra para as colinas.
Corra e tenha cuidado porque ele vai correr atrás.
É, e tem isso ainda. Nos vemos no próximo Pod People Inverso. Um abraço.