Gostar de Ficar Sozinho é Normal? - PODPEOPLE INVERSO COM DRA. ANA BEATRIZ | Ep. 036
Você gosta de ficar sozinho porque está cansado das pessoas ou porque realmente aprecia sua própria companhia?Neste episódio do Pod People Inverso, exploramos o conceito de Otrovertido, um perfil psicológico que vem ganhando destaque ao descrever pessoas que gostam de socializar, mas que precisam voltar para si mesmas para se reconectar com sua identidade.Falamos sobre solidão, solitude, redes sociais, validação externa, efeito manada, personalidade, relacionamentos, trabalho e saúde mental. Também discutimos as diferenças entre introvertidos, extrovertidos e otrovertidos, além dos impactos desse perfil na vida moderna.Uma conversa profunda sobre autoconhecimento, comportamento humano e a importância de aprender a gostar da própria companhia.
- Otrovertido vs. Introvertido vs. ExtrovertidoDefinição de Otrovertido · Diferenças entre introvertidos, extrovertidos e otrovertidos · Ancoragem identitária · Solidão vs. Solitude · Impacto na vida moderna
- Relacionamentos e NamoroAmor como escolha, não necessidade · Necessidade de solitude na relação · Comunicação clara sobre necessidades
- Sinais do Perfil OtrovertidoConexão 1 a 1 · Desconforto com consenso · Solitude prazerosa · Aversão ao efeito manada · Decisões solitárias · Sentimentos de deslocamento · Evitar abdicar de autonomia
- Solidão e IsolamentoOMS e solidão como ameaça à saúde pública · Índices de conexão no Brasil · Impacto da solidão na saúde
- Autonomia e Pensamento PróprioPensamento crítico · Deep work · Liderança por competência · Cultura de brainstorm e consenso forçado
- Redes Sociais e AutoimagemIdentidade baseada em likes e seguidores · Imunidade do otrovertido à validação externa · FOMO (Fear of Missing Out)
- Perigos da Era DigitalVantagens: imunidade à validação externa · Desvantagens: superficialidade e isolamento · Uso de redes sociais como ferramenta
- AutoconhecimentoConceito em fase de validação científica · Ferramenta de autoconhecimento, não diagnóstico · Cultivando a autenticidade
Bia Santos:A solidão, a pessoa queria estar num grupo, queria pertencer a um grupo, queria estar numa determinada festa. O introvertido não, tá bom pra ele assim. Ele pode estar no meio de todo mundo, mas ele mantém a opinião dele. E quando ele retorna em casa, ele com ele, ele fala: "Que bom." Seria o chatão às vezes? Não, acho que não. Ele simplesmente está de boa com ele. O introvertido, ele estar com ele é um momento de prazer. Isso é muito legal porque assim, em tempos de rede social, que as pessoas têm a sua identidade pelo número de likes, de seguidores. O introvertido, ele tá imune a isso, porque ele não tá nem aí. Quando ele diz que ama, ele ama mesmo, porque ele não tem a menor necessidade de preencher nenhum vazio. Mas ele escolheu, não por carência, não por necessidade, por escolha. Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Pod People Inverso. Aqui você já sabe, a Bia vira entrevistada, Gabriel entrevistador. Mas antes de começar, a gente tem que agradecer os nossos colaboradores. Axon, o suplemento que entrega aquilo que promete: foco e disposição física. E a SANA Cursos e Palestras. Se você tá pensando em fazer um evento em que você precisa de bons palestrantes para falar sobre saúde mental, filosofia, genética, psiquiatria e também gestão de negócios, dá uma olhadinha no site www.sanacursosypalestras.com.br. Você vai ter uma boa surpresa, gente boa podendo ajudar na promoção do seu evento. Tudo bom, meu querido?
Voz B:Como é que você tá?
Bia Santos:Eu tô bem.
Voz B:Hoje a gente vai falar sobre outro assunto, introvertido, uma dica de um dos seguidores nosso lá do Instagram que mandou, a Fabiane Gouveia. Para falar desse fenômeno que tá mexendo.
Bia Santos:Outro vertido, outra vertida, alguma coisa entre extrovertido e introvertido, é isso? Isso, vamos lá. Não é nem extrovertido nem outro, né? Uma coisa nem outra.
Voz B:O paradoxo moderno: hiperconectados, profundamente sós. É o que eu vou ver, a solidão. A OMS a considera uma ameaça à saúde pública e no Brasil os índices de conexão são alarmantemente baixos, né?
Bia Santos:Então uma de conexão humana.
Voz B:Isso, uma a cada 6 pessoas no mundo é afetado pela solidão, associada a mais de 831 mil mortes por ano, ou seja, quase 1 milhão de mortes por ano.
Bia Santos:Isso foi um dado da Organização Mundial de Saúde sobre como a solidão tá provocando mortes, né? Eu achei interessante, de 2025, sim, 871 mil mortes por ano em decorrência da solidão é muita coisa.
Voz B:Quase 1 milhão de pessoas, né? É muita coisa. No Brasil, 53% se sentem conectados aos outros, o menor índice entre 10 países pesquisados. E também tem conectados, isso, que sente que tem conexão com outro.
Bia Santos:Então assim, 53, mais de metade da população, 47 acha que não tá conectado.
Voz B:Entende? E 16,8% dos brasileiros sempre se sentem solitários. Esse aí já é uma fonte da Fiocruz, tá? Então, ou seja, a gente tá no mundo que nunca teve tanta conexão digital, mas tão pouca conexão real, humana, né? Aí a gente pega aqui lá, uma resposta para um sentimento antigo, o outrovertido, cunhado pelo psiquiatra Dr. Rami Kaminsky. No livro The Gift of Nothing, o presente de não pertencimento.
Bia Santos:É isso, The Gift, ou então o dom, talento de não pertencer. Isso pode ser presente.
Voz B:O termo descreve um perfil que viralizou, o termo descreve um perfil que viralizou por dar nome a uma experiência que milhões de pessoas sentiam, né, que era não conseguem, mas não conseguiam descrever. O Dr. Remig, psiquiatra com mais de 40 anos de experiência clínica, fundador do Outless Institute. Enfim, a chave não é habilidade social, é ancoragem identitária.
Bia Santos:Identitário, é tipo assim, não é o problema de não saber se relacionar, mas é a necessidade de ficar só para se reabastecer.
Voz B:Traduz para a gente então o que que esse Dr. Remig quis dizer com isso.
Bia Santos:Eu acho, eu não sou Não sou profunda, não li o livro, mas eu já tinha ouvido falar. Quando a questão fala assim: "O outrovertido é uma pessoa introvertida?" Não. "O outrovertido é uma pessoa extrovertida?" Também não. Ele faz o social? Faz, ele não tem problema em fazer o social, não tem dificuldade, mas ele tem um tempo de ficar ali no contato social. É como se ele tivesse que voltar para ficar com ele mesmo, para se ancorar. É como uma espécie de solitude, mas assim, tranquila. Não é uma coisa— ele precisa reabastecer, entendi, e ele se reabastece dele. Ele não tem problema de ficar com ele, pelo contrário, ele faz o social, ele faz o que tem que fazer, mas tem uma hora que ele volta porque ele precisa se resgatar, digamos assim, é ficar com ele mesmo, porque chama da ancoragem identitária. Não, é como se ele voltasse. Pera aí, deixa eu me conectar comigo mesmo. É uma necessidade de autoconexão.
Voz B:E a diferença de solidão mesmo, né? Porque às vezes a pessoa volta para si pela solidão. Qual que é a diferença dele voltar para ele recarregar as energias, uma pessoa que não tem opção, digamos assim, que ela é solidária?
Bia Santos:Na realidade, um outrovertido, ele se sente bem na solidão— na solidão não, na solitude. Ele ele se encontra ali. A pessoa que tem uma solidão que não é por ancoragem identitária, ele não se sente bem. Por isso que tá ligado a um número grande de mortes, consequências de adoecimento. Agora, o outro vertido não, ele volta para si não porque ele não tem opção, É porque ele quer a companhia dele e isso lhe reabastece. Vamos ver aqui.
Voz B:No estudo traz que o introvertido é um habitante permanente das ilhas grupos sociais. Então seria o quê? Sua energia...
Bia Santos:Não, porque ele tá fazendo uma metáfora com um turista consciente.
Voz B:Isso. Olha lá, o extrovertido é o habitante permanente das ilhas de grupos sociais.
Bia Santos:Sim, tá sempre ali, ele se reabastece no grupo. Necessidade de contato com os outros.
Voz B:Mas contato que você fala, aquela pessoa que conversa encostando em você, ou contato de conversar?
Bia Santos:Não, contato de conversar com pessoas, de estar com pessoas, conhecer pessoas novas. O extrovertido, ele tem isso ali, ó. Ele, a sua energia, identidade, vem do grupo.
Voz B:Entendi. Aquele cara engraçadão, o centro da roda, talvez?
Bia Santos:Não, pode ser ou não, mas ele se sente bem no grupo.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:O grupo não lhe é desconfortável. Extrovertido, ele se reabastece no grupo.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Já que ele que sempre: vamos combinar uma saída, vamos começar uma festa. E ele se sente bem mesmo.
Voz B:Aí a gente vai para o polo ao contrário, né, o introvertido, que ela é um visitante ocasional, visita as ilhas, mas precisa voltar para sua própria casa para recarregar.
Bia Santos:Então o introvertido, ele vai, né, interage, mas assim com uma certa dificuldade, não é tão natural, mas ele volta Não sei se eu não gosto, ele não tem tanta facilidade, aquilo dá um desgaste.
Voz B:É uma pessoa mais tímida ou não?
Bia Santos:Em geral, mais reservada, eu diria, não necessariamente tímida, né?
Voz B:Porque ela pode ser introvertida, mas ela pode conversar bem.
Bia Santos:Não, vai lá, conversa, sabe? Não tem nenhum mal-estar, mas ele gosta, ele visita. Aquilo que você falou, é um visitante ocasional, né? Mas ele precisa voltar para casa.
Voz B:Ah, entendi. E tem o outrovertido, que é um turista consciente, né? Ele visita, interage, aprecia as ilhas, mas sua casa é seu próprio barco. Ao retornar, ele não se sente sozinho, ele se sente livre.
Bia Santos:Se sente bem, né?
Voz B:E você acha que esses jovens de hoje em dia, eles estão mais para o extrovertido, introvertido, introvertido? Qual deles?
Bia Santos:Depende da geração. Eu acho que a geração Z, a geração que está aí, eu acho que ele está mais para introvertido. Eu acho que ele está mais para introvertido, porque o outrovertido, ele visita, ele se sente bem, mas ele quer voltar para ele. Ele tem uma solitude muito reconfortante.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Muito reconfortante. Agora, quando ele quer voltar, porque deu, né, já deu. O outro vertido, ele quer se reencontrar, ele gosta, né.
Voz B:De novo, é a opção.
Bia Santos:Ele fala, não é que ele acabou a energia, ele falou, ah, só não quero mais, eu vou lá e vou estar bem, volta lá só um instantinho, né. Ao retornar, não se sente sozinho. Né, ele se sente livre, se sente que é ele, ele inteiro, né? O introvertido, ele volta para reabastecer energia que ele gastou. O outro, vertido, ele volta para ser quem ele é.
Voz B:Mas um tem, por exemplo, introvertido, ele não tem escolha, ou ele volta para recarregar, ele vai ficar lá descarregado, não tem jeito, não consegue ficar. Aí a gente seguindo aqui, É só uma outra forma da gente visualizar, né, que ela— a questão não é quanta energia social você tem, mas se você preserva a sua autonomia de pensamento dentro de um grupo sem a sincronização afetiva automática, que seria aquele efeito manada.
Bia Santos:Efeito manada, né. O que tá colocando ali é que o outro vertido, ele não é aquele cara que tá num grupo e ele acaba fazendo tudo que o grupo tá fazendo. Ele tá— ele acaba pensando: ah, é, vou pensar, não, não faz sentido. Aquela coisa vai concordando com todo mundo. Não, ele pode estar no meio de todo mundo, mas ele mantém a opinião dele, mantém o pensamento dele. E quando ele retorna em casa, ele com ele, ele fala: que bom, aqui mantive, né? Fui coerente, sou coerente, não me contagiou. Não se contagia com o grupo.
Voz B:Aquilo que você falou de ser coerente com você mesmo, eu acho que a gente tem que, né, a gente tem que olhar muito para dentro.
Bia Santos:E é uma coerência com você, né? Você não se trai, né? Eu acho que o introvertido, ele tem isso, né?
Voz B:É, e vamos lá, os 7 sinais do perfil introvertido, né? Então, vamos lá, conexão 1 a 1: você cria laços profundos com indivíduos, mas tem dificuldade em compreender a mente coletiva do grupo. O 2, que é o desconforto com consenso: a pressão para chegar a uma decisão em grupo é visceralmente desconfortável, você prefere executar tarefas de forma autônoma.
Bia Santos:Olha que interessante, a conexão 1 a 1. Ele vai para o grupo, mas para conectar com uma outra pessoa. Aí eu conectei aqui, aí eu conectei com o outro. Ele é aquele que roda a festa conectando um a um, né? Desconforto com consenso. Essa coisa de o grupo, né? O outrovertido, ele vai viajar, é insuportável para ele aquela coisa do tipo assim: vamos todo mundo sair para fazer o passeio. Não, ele quer fazer o passeio. Se der no horário dele, tudo direitinho, ele vai. Mas a hora que o passeio para ele já Deu, ele sai, ele acaba. Entendi. Ele não fica aquela coisa, o grupo pra ele, ele não consegue entender muito como que as pessoas que só agem em função do grupo.
Voz B:Ah, entendi. Ela é o grupo, né? Então por isso tem pessoas que acaba que a amiga cria um filho, né? Tem filho e vai ter, vai pra lá. Aí o amigo trabalha em outro estado, então ela vai ficando sozinha, ela vai ficando mais solitária.
Bia Santos:Tem gente que sente muito mais isso e tem dependência do grupo, né?
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Solitude prazerosa. Isso é muito legal, né?
Voz B:Aquilo que eu falei, sozinho com extrema facilidade, sem jamais sentir solidão.
Bia Santos:A solitude é restauradora, é ancoragem da identidade. Ele se reafirma estando sozinho e bem.
Voz B:E tem o 4, né, que é aversão ao efeito manada. Você não consegue concordar com algo apenas para pertencer ou manter a harmonia do grupo. Você questiona. Ou seja, seria o chatão às vezes?
Bia Santos:Não, acho que não. Ele simplesmente tá de boa com ele. Ele não é aquele que tem necessidade de concordar com o grupo pra ser aceito.
Voz B:Então, é por isso que eu falo, porque às vezes, né, quem...
Bia Santos:Mas não é o briguento, ele simplesmente...
Voz B:Não, quando eu falo do chatão é aquele que você fala assim: "Ah, vamos comer sushi?" Aí ele: "Ah, quero um hambúrguer." Aí tu não fala: "Porra, mas o cara é chato, o cara não quer com a gente, não sei o quê." "Ah, vamos pro cinema?" "Puts, eu queria ver um jogo de futebol." "Puts, então o cara é chato, o cara não concorda com nada, o cara não quer fazer nada com a gente." Então... Ele tem esse efeito no grupo? O grupo vê ele assim de forma diferente?
Bia Santos:Depende, porque assim, o que ele gosta, ele vai. Não é uma coisa, não é do contra. Porque tem gente que é tudo: "Ah, não, não quero. Ah, não quero. Ah, não quero." Não, se tiver uma coisa que o grupo fale: "Ah, eu vou lá." Se tiver rolando tudo bem, ok.
Voz B:Então é diferente, né, ele ser o do contra e ele ser ele mesmo.
Bia Santos:Exatamente. Ele não vai no efeito manada, ele não tem nenhum tipo de de predisposição para engolir sapo para agradar, entendeu? Mas sem ofensa, sem briga, sem muito tranquilo. 5, né? São quantos?
Voz B:7. Decisões solitárias: você prefere tomar decisões importantes sozinho, assumindo total responsabilidade, em vez de votar ou delegar o processo. 6, sentimentos de deslocamento, né? Mesmo em grupos gentis e acolhedores, você se sente como um observador externo. Separando por uma película transparente.
Bia Santos:É porque o outro vestido é muito observador, né? Porque ele observa o grupo até para ver com quem ele se alinha, sintoniza ou não. Ele não tá ali só de bobeira, ele tá ali tipo assim: aquela pessoa parece interessante, aquele outro não, ali tem um radicalismo que não me agrada, né? É como se ele visse o tempo todo, ele tivesse Observando.
Voz B:Eu não pertenço ao grupo, mas tem pessoas ali que são legais e dá para conectar com elas.
Bia Santos:É diferente do introvertido. O introvertido, ele até fica ali um pouco, ele é capaz até de fazer por educação alguma coisa, mas daqui a pouco ele: ah, deu para mim.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Ele é um grande observador, né?
Voz B:E o 7 é evitar abdicar de autonomia, né? Compromissos que exigem negociação constante de autonomia, exemplo, morar em república. Ao longo das viagens em grupos são extremamente exaustivos, né?
Bia Santos:Porque tira essa questão dele estar com ele no momento de felicidade, porque o introvertido, ele estar com ele é um momento de prazer.
Voz B:É importante, né?
Bia Santos:É um momento de prazer, porque o introvertido, ele volta, mas ele volta por cansaço, ele cansou, e se volta, chega em casa "Opa, tomou banho, vai pegar um livrinho, vai ver uma série que ele gosta." "Agora eu tô bem." "Agora eu tô feliz." Segundo a pesquisa, né, se quem tá assistindo a gente agora, se de 5 dessas 7 a pessoa falar "Opa, sou muito assim", pode ser que ela tenha esse...
Voz B:Uma chance, né? É, de ter esse comportamento, né, de ser uma outrovertida.
Bia Santos:Uhum.
Voz B:Agora a gente vai pensando, né, a escolha do introvertido: a solidão é a dor da conexão ausente, solitude é a força da presença própria.
Bia Santos:Exatamente. Ou seja, né, solidão é aquilo que a pessoa não tem opção, ela é sentido com dor a solidão, né, porque a solidão, a pessoa queria estar num grupo, queria pertencer a um grupo, queria estar numa determinada festa, queria. O introvertido não. Ele tá bom para ele assim, sabe? Ele, por exemplo, uma pessoa extrovertida, não ser chamada para uma festa é uma dor, uma ofensa, que ele queria estar lá, ele queria estar no Rock in Rio, ele queria estar no Lollapalooza. Uma pessoa introvertida, ele gostaria até de ficar lá, mas ele não tem energia, ele não, ele volta para casa porque ele acabou a bateria social dele, mas ele ainda é capaz de ficar lá "Ah, o pessoal está lá, deixa eu ver como é que o pessoal está." O outrovertido, não. Ele fala: "Ai, que bom, cheguei em casa, tomei um banho e agora estou no meu reino." Ele tem a força da própria presença. Isso é tão forte, né? Porque, olha lá, solidão é a dor da conexão ausente. Eu não me conecto com as outras pessoas e não consigo conectar comigo. Agora, a solitude que o introvertido tem muito forte É a força da própria presença.
Voz B:Que legal, né? Bacana isso. Então se a pessoa é um outrovertida, ponto para ela, no caso.
Bia Santos:Olha, em algumas situações eu acho que é muito bom, né? Assim, é claro que ele não pode levar isso a um extremo, porque senão ele começa: só é legal quando eu tô sozinho. Não é assim. Então vamos ver o que que diz aí o outrovertido na era digital. Vamos lá, agora ele bota vantagem e desvantagem. Isso é legal.
Voz B:Agora a gente pensando, né, que tempos de rede social, Instagram, YouTube, igual a gente sempre fala muito, né? A vantagem de ser um outrovertido é que é imune à validação externa.
Bia Santos:Isso é muito legal porque assim, em tempos de rede social, que as pessoas têm a sua identidade pelo número de likes, pelo número de comentários, de curtidas, de seguidores, o outrovertido ele tá imune a isso. Porque ele não tá nem aí, entendi. Porque assim, ele é capaz de sair de uma rede social porque tá gastando tempo dele, tá com ele, entendi, não vale a pena, né? Com as leituras dele, com os filmes dele, com os bichinhos dele, com os hobbies dele. Ele gosta da pessoa que ele é, né?
Voz B:E tem, como é que eu vou dizer, chance do outro vertido ele tá se perdendo às vezes, indo para o outro lado e ficando muito em rede social, por exemplo, fazendo mais essa, como é que eu vou dizer, essa procura de querer socializar mais?
Bia Santos:O outrovertido não, não, entendi. O outrovertido não, porque ele é desapegado, ele não precisa da validação que a rede social, que as pessoas buscam na rede social. Se ele vai ter curtido ou não, isso não interessa. Ele quer saber se o reino dele está funcionando bem e se ele tá com os pensamentos dele legais, né? Tanto que fala naturalmente protegido da necessidade ansiedade de aprovação, da ansiedade da comparação e do FOMO, que é aquela coisa, necessidade de você tá ligado o tempo todo, sabendo da novidade, do tipo assim: o que que eu tô perdendo? O que que eu tô perdendo? Ele não tem essa ansiedade. Ele usa as redes sociais como ferramenta, né? Ele vai lá, pesquisa alguma coisa pelo trabalho, pelo que for, mas nunca como fonte de identidade.
Voz B:Quem é ele de verdade, né?
Bia Santos:Exatamente. Isso é muito legal.
Voz B:E já tinha outro lado, né? Aquela armadilha vulnerável Superficialidade. A frustração com interações rasas e performáticas podem levar ao isolamento. O desafio é encontrar profundidade em um mundo de conexões superficiais. Olha que duro isso, né?
Bia Santos:É porque isso, ele não vai trocar a sua companhia por alguma coisa idiota, sabe? Talvez ele, isso traz um pouco de até frustração. Porque ele busca, como ele tem uma conexão muito forte com ele e com hábitos muito legais, mais profundos de estudo, ele fica muito frustrado de interagir com coisas rasas.
Voz B:Acaba que ele então, ele vai ficando muito mais sozinho porque hoje em dia tudo é muito superficial, né? Então nada agrada, nada com pele a ele. Então ele fala: ah, melhor me retirar mesmo.
Bia Santos:É, porque ele tende a ser uma uma pessoa, uma estrutura mais profunda, né, mais autodidata também.
Voz B:O superpoder do pensamento independente do trabalho, né. Então a gente tem lá os pensamentos críticos, deep work, e o brainstorm em grupo. A gente traz as fortalezas. Então pensamento crítico, ele é imune ao pensamento de grupo, que identifica falhas que os outros não veem. A parte do deep work, né, capacidade excepcional para trabalhar focado, profundo e de forma autônoma. E tem a liderança por competência, lidera com base em dados e análise racional, não em carisma grupal. Em contrapartida, tem a cultura de brainstorm e consenso forçado, avaliações baseadas em fit cultural e performance social. Ou seja, né, até para o cara trabalhar bem, digamos assim, ele tem o probleminha de que se ele não for com o grupo em algumas coisas, dá um garra um trabalhinho, trabalha um, demora mais.
Bia Santos:É porque ele tem dificuldade, ele rende muito mais dentro do universo dele.
Voz B:Pessoal que não aceita crítica, por exemplo, é base em fit cultural, né, em performance social, acaba que ele não se deixa levar pelo papo do outro, então vai atrasando um trabalho, ele acaba, como é que eu vou dizendo, ele é muito mais eficiente sozinho do que no grupo.
Bia Santos:E isso pode trazer, né, o desafio é o contrário, é ele participar de um brainstorm em grupo, porque na cabeça dele ele vai dar o jeito sozinho. A gente tem que ter cuidado para também não ficar muito isolado.
Voz B:É, porque essa é a minha dúvida.
Bia Santos:Até porque pode ser que num brainstorm ele veja um pensamento profundo, alguém que pense diferente. Pode ser que não.
Voz B:Às vezes abre uma portinha ali que ele não tava nem considerando, né?
Bia Santos:Exatamente. Então é um desafio. Entendi. É um desafio não fechar as portas para possibilidades.
Voz B:Enquanto isso, na intimidade com Fronteiras, né, ele conecta sem se fundir. É aquilo que você falou dele não fazer parte da manada, não ser mais do mesmo. Ele conversa, conversa com todo mundo, fala qualquer assunto, mas ele é ele.
Bia Santos:E se a gente pensar, né, mas aqui é mais em relação a relacionamentos íntimos.
Voz B:Isso, quando a gente fala de parceiro amoroso, né, de relação a dois assim, não tem nenhum perfil para dependência. E isso é bom ou é ruim?
Bia Santos:Assim, é bom, é ruim, né? É, tem novamente, tem que ter muito cuidado para ele não acabar se isolando demais e deixando de viver e ter conexões que podem ser legais, apesar de não ser a maioria. Então, a dinâmica do relacionamento: amor é uma escolha, não uma necessidade de preencher vazio. Quando ele diz que ama, ele ama mesmo, porque ele não tem a menor necessidade de preencher nenhum vazio. O dia que o outrovertido resolver te amar, seguir a vida com você, talvez ele não te acompanhe o tempo todo, mas ele escolheu, não por carência, não por necessidade, por escolha, porque ele quis, né? Porque ele quis.
Voz B:E tem aquilo, né, que hoje em dia tem muito relacionamento que é baseado em— eu vi um atalho que era Culpa, é medo de ficar sozinho, medo de ver o tempo passando.
Bia Santos:Ele não tem nenhum desses problemas.
Voz B:Tinha um que era por necessidade social, que não é que a pessoa ela casava porque um grupo de amigos, satisfação os outros.
Bia Santos:Não, ele não tem esse problema. E a necessidade de solitude dele não é rejeição, é recarga. Então, por exemplo, quando ele tá namorando, ele ou ela, alguém ele de vez em quando ainda assim vai querer ficar sozinho, e tá tudo bem, e tudo bem, porque não é desamor. Ele não vai para farra, não vai fazer nada disso, nem ela, mas é uma recarga dele, é o que precisa. Então, se a pessoa entende isso, ela não se sente rejeitada. E ele ter escolhido a pessoa é uma escolha mesmo, porque não é preenchimento de vazio nem de necessidade, não é por, pelo oba-oba, por nada, porque ele quis. Não é necessidade. Entendi. Faltou ali a comunicação clara sobre essa necessidade, é fundamental para o sucesso da relação. Se é o outro invertido, não se comunica e fala: olha, eu te amo, tá, tá, tá, mas eu preciso de vez em quando me recarregar, então vou ficar no meu cantinho. Mas isso não tem nada errado, é a minha necessidade de recarregar. Isso é super importante.
Voz B:Você acha que quando a gente pega na parte do trabalho, a parte dele ficar impaciente por ter que ter essa clareza com o grupo pode trazer para dentro do relacionamento? Ele não tem tanta paciência para ficar explicando isso toda vez, sempre?
Bia Santos:No relacionamento é mais fácil explicar isso, né, desde o início. Eu acho que é muito mais fácil. Entendi. Dentro do grupo talvez seja um pouco mais difícil, né? Eu falo assim porque eu tenho uns tracinhos assim, eu não sei se eu pego todos os critérios. Eu sou uma pessoa, quando tem um problema, eu fico para dentro. E não é porque eu não tô querendo ajuda de ninguém, é porque eu preciso pensar.
Voz B:Não é nem ruminar, é literalmente raciocinar.
Bia Santos:Não é, eu tenho que ter uma lógica, eu tenho que entender, e isso requer de vez em quando um recolhimento, uma recarga, né?
Voz B:Entendi. Já que você falou que você tem uns tracinhos, quais outros tracinhos?
Bia Santos:Vamos lá, vamos voltar.
Voz B:A Dona Maria mandou aqui no chat perguntando, você quer saber? Vamos lá, quais que é os tracinhos do síndrome?
Bia Santos:Olha, conexão a Eu faço bem, ajuda, faço muito bem. Minha profissão foi isso, né? Minha profissão foi isso o tempo todo. Desconforto com consenso? Eu acho que não, não, acho que não, acho que não, não, acho que não. Eu ouço mais assim, mas tem uma coisa, se a minha intuição disser É que é ali, eu assumo a responsabilidade do erro e solitude. Isso aqui nem tanto, eu vou ouvir, apesar de tipo assim, não vai me contaminar. Eu vou ouvir se eu tiver com uma razão, uma lógica.
Voz B:Não é só fazer sentido para você, tem que fazer sentido.
Bia Santos:Porque coisas que não fazem sentido, pode ser, mas eu não sou tão abstrata. Tem que ter sentido, né? Tem que ter uma lógica. Se for uma coisa que não tem lógica nenhuma, Ok, por exemplo, se um físico quântico chega aqui, começa a fazer as equações, ele vai chegar às conclusões que não são lógicas. Porque assim, a física quântica, coisa mais fora de lógica que existe, mas é real, ela existe, tem resultados, mas ela não é lógica. Ele sabe que é lógica, eu acho que ele aprendeu a lidar com aquela lógica que é difícil Né? Tem até uma brincadeira que se você acha que você entende física quântica, estuda tudo de novo, que você não entendeu nada.
Voz B:É igual matemática, se tiver fácil é porque tá errado, né?
Bia Santos:Porque assim, não tem muita lógica, né? Pelo menos para o nosso mundo, que não somos físicos quânticos, exatamente, o nosso mundo material foge da lógica, né? Foge bem da lógica. É solitário, total. Então, 1, 2, Aversão, efeito manada. Eu tenho aversão a efeito manada. Eu detesto, porque eu sempre acho que a maioria nem sempre tá certo. Quando eu acho que tá todo mundo olhando para uma direção, uma maioria, eu já fico: o que que tem aí? Será que não é uma manipulação?
Voz B:Então é um, dois, três, quatro.
Bia Santos:Já, três. Não, um, três, quatro. Vamos lá. Decisões solitárias, cinco.
Voz B:Sim. Opa, já estamos, já são, já entrou perdido.
Bia Santos:Sentimento de deslocamento, não. Não, não, não tem sentimento, mas eu sou muito observadora. Então às vezes eu me pego que a pessoa fala: ah, você tá aí quietinha, mas eu tô observando.
Voz B:Mas aí você se sente deslocada no lugar?
Bia Santos:Não, só tô observando, vendo ali qual, qual é o papo que eu vou achar mais interessante para entrar. Entendi. Evita abdicar de autonomia. É, evito. É, são quantos?
Voz B:7 de 7?
Bia Santos:Não, 7 não, 6 de 7.
Voz B:É quase nível máximo, né?
Bia Santos:Característica. Mas e você?
Voz B:Eu não tenho.
Bia Santos:Eu o quê? Ó, não, fala tranquilo.
Voz B:Ah, compreendo todo mundo, sou tranquilo. Acho que um desconforto com vocês.
Bia Santos:Ele compreende todo mundo. Não, mas tudo bem, vamos.
Voz B:Desconforto com vocês.
Bia Santos:Não, ele escuta.
Voz B:Agora eu entendi a sua piada que você ia falar agora.
Bia Santos:Escutaram?
Voz B:Não sei entender.
Bia Santos:É, eu também.
Voz B:Vamos lá, é porque eu ia fazer essa para você.
Bia Santos:É a lógica, né?
Voz B:Desconforto com consenso. Pressão para chegar a uma decisão em grupo é visceralmente desconfortável. Você prefere executar tarefas de forma autônoma? Ah, eu trabalho bem em grupo.
Bia Santos:Não, mas trabalho é melhor de forma autônoma, muito melhor. Muito melhor. 3.
Voz B:Ficar sozinho com extrema facilidade, é 3, 3, 3.
Bia Santos:Eu também tenho isso.
Voz B:Você não consegue concordar com algo apenas para— nossa, com certeza! É por isso que eu te falei do chatão.
Bia Santos:Aversão? Não, mas não sei, porque o chatão ele faz questão de ser chato.
Voz B:Ele vai mudando até o próprio anatomia do cérebro dele, vai atrofiando algumas partes.
Bia Santos:O chato, ele tem uma coisa que ele quer impor a chatice dele O chato é uma pessoa persistente que assim sabe que tá sendo chato. E é, vamos falar sobre chato na próxima, vamos acabar aqui. Mas o chato, ele impõe a chatice dele, ele é um pouco mauzinho, eu acho. Mas vamos deixar o chato para lá, para o próximo episódio.
Voz B:Ó, não se esqueça, se vocês quiserem saber mais sobre chatice também, na neurociência da chatice, a neurociência chatice, comenta aqui embaixo porque a gente trazer esse antes de outros. É verdade, é verdade.
Bia Santos:A versão efeito manada você também tem. Então tá 3 de 4, 3 de 4, não, 4 de 4. Teu 4 de 4.
Voz B:Decisões solitárias, eu prefiro tomar decisões importantes sozinho, sinto tração, em vez de votar ou delegar o processo.
Bia Santos:É, é genético, né, meu filho? É genético quântico, convivência.
Voz B:Culpa sua, eu era uma pessoa que tomava decisão com todo mundo.
Bia Santos:Tá bom, mentira.
Voz B:Você é de mente de deslocamento mesmo, em grupos em X, e acolhedores, ou você se sente como observador externo separado por uma película transparente? É diferente de você que observa todo mundo e sabe exatamente. Às vezes tem esse negócio, né, tipo, caraca, o que eu tô fazendo aqui? Que coisa de maluco. É porque eu acabo fazendo a coisa da observação mesmo, talvez um vício de profissão, igual no outro episódio que você falou do do paciente que você vai buscar, né? Então olha para você ver que legal, é alta percepção das coisas.
Bia Santos:Talvez o vício da profissão me deu essa sensação de nunca estar chocada, porque eu tô sempre fazendo uma observação.
Voz B:Às vezes pode ser até um quesito de neuroplasticidade, que como você tava se sentindo desconfortável, você falou: pô, como é que eu posso usar isso?
Bia Santos:E a profissão favorece, né?
Voz B:Sim. E olha que legal, toda vez que você fazia isso, você voltava para o consultório, você já tinha uma abastecida de alguma coisa. E evitar abdicar de autonomia a 100%.
Bia Santos:É 100%, isso aí teu é 100%, 100%.
Voz B:Caramba, hein!
Bia Santos:7 de 7.
Voz B:Nossa, você se reconheceu 5 ou mais, dá uma chance. Ah, mas há uma chance então?
Bia Santos:Não, é chance, é chance. Até porque isso não é um diagnóstico, isso é um comportamento observado por um psiquiatra. É interessante a gente Faz sentido, sim, tem uma lógica de pensar. E você, Gu?
Voz B:Conexões um a um, você cria laços profundos com indivíduos, mas tem dificuldade em compreender a mente coletiva de um grupo. Não, não tem o grupo dos motoqueiros, o grupo do vôlei, o jogador de vôlei mais amável.
Bia Santos:Ou seja, falando, é verdade dele, não. 2, desconforto com consenso. A pressão para chegar a uma decisão em grupo é visceralmente desconfortável. Não.
Voz B:Também não tem problema de chegar. Gustavo é a melhor pessoa para você se conviver.
Bia Santos:Em grupo é tranquilo. 3: Solitude prazerosa. Ah, eu gosto muito de solitude. Também. Mas gosta de ficar no grupo que você tá. Não, não, mas ele não para.
Voz B:É uma solitude boa de querer parar. Eu sou muito agitado, muito agitado, só que...
Bia Santos:Muito dos pagodes, né? Das rodas de samba. Não, você não tem nenhuma outra versão. Tem não. Você gosta de vez em quando, é a tua solitude de cansaço.
Voz B:É de cansaço, pode ser do TDAH, da exaustão.
Bia Santos:Não é não. Aversão ao efeito manada.
Voz B:Não, não gosto dessas coisas que tá todo mundo e uma coisa que eu não concordo e...
Bia Santos:Você não consegue concordar com algo apenas para pertencer ou manter a harmonia do grupo. Você mantém a harmonia do grupo.
Voz B:Mas eu vou te ser sincero. Vou fazer o papel do advogado diabo. O Gustavo estava em um grupo de motoqueiros de Royal Enfield portando uma Harley-Davidson, ou seja, ele não queria nem um pouco com efeito manada. Ele foi o contrário de todo mundo.
Bia Santos:Mas ele ficou bastante tempo lá quando ele tinha a moto inglesa primeiro. Ele ficou. Não, também não. Passa os outros. Até agora ele não, nenhum. Decisões solitárias. Não, eu acho que ele pede, ele troca para tomar decisões. Ele não tem isso não, ele pede conselho.
Voz B:Não, não, ele não tem isso não. Se eu não souber, eu vou perguntar.
Bia Santos:Você divide, então também não. Sentimento de deslocamento no grupo? Nenhum. Cara de pau vai para roda de samba sem conhecer ninguém.
Voz B:Roda num grupo de moto, outra moto.
Bia Santos:Vai para o Buraco do Rato, vai para o Santo Cristo, vai para o...
Voz B:Olha o que vão pensar, olha só.
Bia Santos:Bate ponto lá no Zeca Pagodinho, no Bar do Zeca, bate ponto, bate ponto. Então não. E evitar abdicar de autonomia, compromisso que exige negociação constante. Não, ele vai, faz viagem, faz tudo.
Voz B:Não tem problema com isso não, geralmente planeja viagem total, tranquilamente, tranquilamente, não tem problema nenhum. Eu tô tendo um pouquinho de inveja positiva do Gustavo agora.
Bia Santos:Olha, não, admiração, admiração.
Voz B:Nossa, até eu fiquei, eu falei, gente, cadê? Não tem uma não? Não tem, não tem uma. Cara, que ele é extrovertido.
Bia Santos:Olha só, ele é extrovertido, tá?
Voz B:Como que tem energia para isso tudo?
Bia Santos:Meu filho, é ele. Olha, olha, pare, pare e pergunte por que que você está com esse sentimento em relação a ele.
Voz B:Ele consegue se dar com todo mundo, conversa com todo mundo.
Bia Santos:Não, definitivamente. Tivemos um aqui, dois aqui que pode ser, às vezes pelo convivência, pela convivência, não, características, né, de personalidade.
Voz B:É, você se salvou dessa, mas da próxima vou fazer questão de colocar alguma coisa em cima.
Bia Santos:Não deu, não deu, não deu. Você já foi da intimidade.
Voz B:Uma lente útil, né, não uma jaula científica. Status atual: um conceito emergente, né, baseado em décadas de prática de clínica do psiquiatra, do Turku Kaminsky.
Bia Santos:Exatamente. Então por isso que a gente tá falando, gente, não é diagnóstico, tá? Isso é um estudo psiquiátrico, ele resolveu abrir, tem coisas que faz sentido e a gente—
Voz B:2023 ele começou com a fundação, né? Aí 2025 ele fez um lançamento do livro e 2026, 2030 um estudo longitudinal, né?
Bia Santos:Tá em fase de validação, estudos longitudinal de neuroimagem para ver se valida o funcionamento. Então assim, antes da gente sair chamando o povo de outrovertido, é, calma que tá, é um conceito que tá em fase de validação, vamos ver.
Voz B:No caso é bem recente, né? 2023.
Bia Santos:O livro é de 2025, então o próximo espaço científico é validação rigorosa. Então isso sim, estudos longitudinal, neuroimagem, é necessário estabelecer um constructo, né, no meio científico.
Voz B:Agora, pensando assim, né, vamos colocar uma hipótese, né? Eu vou me colocar no lugar de ser introvertido assim. Como que a pessoa que tá com outro vertido pode ajudar o outro vertido nisso tudo a entender esses Esses características.
Bia Santos:Não é a pessoa que tem que ajudar o outrovertido, ele tem que ver se isso faz sentido e ver o lado positivo que a gente viu e o lado negativo. Porque também se você considerar que todas as suas relações vão ser profundas e não superficiais, você não socializa.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:É bom por um lado, mas também não pode ser radical. É que nem o extrovertido, ele também fica o tempo todo extrovertido Tem uma hora que a gente tem que voltar um pouquinho. O problema do outrovertido é que ele vem para dentro demais, entendi, né? Que a companhia dele é prazerosa demais. Então tudo é um, é aquilo que você fala, quantidade e qualidade, né? É um bom senso. Use esse conceito para se entender melhor, não para se limitar. É uma ferramenta de autoconhecimento e não diagnóstico. E vamos aguardar, né? De 2026 a 2030 tem muito tempo aí, né? Tem muito tempo pela frente para a gente validar isso. Mas é desde já uma ferramenta de autoconhecimento. Interessante, pode ajudar bastante de autoconhecimento, né?
Voz B:E seguindo esse conceito, né, construindo uma vida onde ser você é a maior vantagem, né? Então, como cultivar isso no trabalho, nos relacionamentos, na vida social e no autodesenvolvimento?
Bia Santos:Você tem que ver pelo lado da vantagem. No trabalho, acho que a grande vantagem do introvertido é autonomia. Então ele pode trabalhar numa empresa como ele pode trabalhar dentro de casa, ainda mais na área de tecnologia. Na vida social, eu acho que ele acaba tendo a capacidade de selecionar mais. Então ele escolhe mais os lugares que ele vai porque ele não quer superficialidade, ele quer alguma coisa que que ele possa ir ter um conteúdo para a hora de voltar transformar aquilo até em estudo.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Nos relacionamentos, eu acho que o introvertido tem a vantagem de não ser dependente e de poder estar com outro não por necessidade, não por carência, mas por estar com o outro porque gosta do outro. Então Eu acho que um outrovertido é o amor sincero. É um amor sincero. Às vezes não é o que as pessoas idealizam, mas é sincero.
Voz B:Uma coisa é como a vida é, outra coisa é como a gente gostaria que ela fosse.
Bia Santos:Exatamente, mas é de verdade, né? E no autodesenvolvimento, eu acho que cabe como uma informação maior de como você funciona e ver onde tem excesso para melhor e para pior. Tentar buscar sempre um equilíbrio. Entendi, que legal, né? No modo geral pode ser vantajoso.
Voz B:Entendi. Uma coisa que pode ser legal também é vocês que reconheceram algum desses padrões, né, amigos, né, familiar, né, relacionamento assim, mandar esse vídeo para eles. Porque olha só que legal, tem um monte de coisa que você pode jogar na cara dele e falar depois assim: não é desculpa, você não é um drogadicto, você apenas gosta de ver jogo de futebol quarta-feira à noite.
Bia Santos:Dependendo, a pessoa admite. Dependendo, admite, é o momento dele. Se ele for ver o jogo de futebol com grupo, não é o trovertido.
Voz B:Ah, entendi.
Bia Santos:Agora, se ele gosta de ver o jogo de futebol na casinha dele sozinho, o trovertido.
Voz B:Ah, entendi.
Bia Santos:É diferente.
Voz B:Então é bom até para entender, né?
Bia Santos:Com certeza.
Voz B:Então manda para ele entender.
Bia Santos:Acho que vale a pena.
Voz B:Até para ele entender quem é, como é que é ele mesmo. Manda o vídeo para ele também, vai ser legal. E a gente vem pegar aqui, né, essa finalzinho.
Bia Santos:Que é inspirado no trabalho do Rami.
Voz B:Isso.
Bia Santos:Então vamos lá. Pertencer não é um requisito para uma vida rica e satisfatória. Numa sociedade que valoriza conformidade, ser autenticamente diferente é um ato de coragem. Eu acho que a grande vantagem do outro vertido é que ele mostra para a gente que no mundo que todo mundo quer validação externa, Ele vive muito bem o brigado com ele.
Voz B:Ser de verdade é importante.
Bia Santos:É de verdade e gostar de ser quem se é, estar na sua companhia.
Voz B:Você acha que isso pode ser algo cultural? Por exemplo, ah, brasileiro é menos introvertido, é mais extrovertido, europeu é mais introvertido do que extrovertido.
Bia Santos:Não, eu acho que se os estudos avançarem, eu acho que vai ser uma característica de personalidade, pode ser uma característica, não uma personalidade. Eu acho que é uma característica e não acho que isso tem a ver com cultura. Eu acho que a cultura pode até, por exemplo, inglês é mais cordial, introvertido.
Voz B:O alemão geralmente não troca, não conversa tanto, né?
Bia Santos:Então você pode ser, mas aí não, aí é gostar, porque tem gente que é introvertida mas adoraria ser mais social. Entendi. Sofre com isso. O outrovertido não sofre.
Voz B:Caramba, que legal!
Bia Santos:Então não tem sofrimento, ele tem solitude. O outro tem solidão. Solidão tem sofrimento, solitude não.
Voz B:E tem, como é que eu vou dizer assim, uma predisposição para pessoas mais novas, adolescente, porque igual você falou, adolescente tá flor dos sentimentos, né? Então tudo para eles é É demais ou não?
Bia Santos:Acho que não, não vejo. Pode ser que os estudos demonstrem para gente, mas não, eu acho que é uma característica de ser que a gente deve observar desde muito cedo. Tem crianças que brincam sozinha numa felicidade.
Voz B:Se a gente for pensar assim na Biazinha lá com seus 20, 30 anos lá no consultório, como é que era para ela ser introvertida e começar com os pacientes?
Bia Santos:Porque não tinha problema nenhum, porque essa conexão um a um, o introvertido faz muito bem.
Voz B:Então acabava que você faz essa conexão para o paciente, era bom até para ele, né?
Bia Santos:Era profundo esse encontro, essa consulta, era uma conversa, era entrar no universo do outro, era aprender com o outro. Então a conexão um a um, sem problema nenhum.
Voz B:Então acaba que foi reforçando esse lado seu, né, Doutor Trobertido? Porque você estava presente em cada sessão.
Bia Santos:Com certeza. Totalmente hiperfocada. Aí eu acho que o hiperfoco também ajudou.
Voz B:Em algum ponto desse, alguém já chegou para você e falou assim: nossa, você é diferente, não tem— você não—
Bia Santos:eu já ouvi muita coisa do tipo: nossa, é complexa.
Voz B:Agora você pode falar assim: eu sou travesti.
Bia Santos:Talvez eu seja, que a gente não sabe, né? Mas assim, eu sempre ouvi muito isso: você é complexa. Mas nunca tomei como uma coisa ruim. Eu falava: "Eu vou estudar minha complexidade, vou prestar atenção." Nunca tomei como uma coisa ruim ou pejorativa, não.
Voz B:Uma mensagem assim que você poderia mandar para pessoas que são introvertidas de certa forma assim e querem entender, né, ou ter um pouco mais...
Bia Santos:Eu acho que é ler esse livro, ouvir esse podcast aqui. A gente não está dando diagnóstico, porque não é diagnóstico, mas é um conceito criado pelo Rami Que eu acho que vale a pena, tem uma lógica, vale a pena a gente ler e ver, perguntar para a gente mesmo o que a gente tem, o que não tem. É a lógica, né? É a lógica.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:É a capacidade de refletir sobre um tema. E isso a gente está perdendo, né? Hoje a manada é muito grande, mas eu acho que o pensamento crítico, a lógica racional, Vale a pena a gente treinar.
Voz B:Vamos pensar assim, né, se as redes sociais, por exemplo, não tivesse tanto esse efeito de manada, será que teriam mais pessoas introvertidas ou não muda muito? Eles arrumaram algum jeito de ter esse efeito manada, as pessoas que não são?
Bia Santos:A gente não sabe, porque a gente tem que descobrir se isso é um funcionamento cerebral, e aí, ou comportamento, né, ou um comportamento. Mas teoricamente Se é um comportamento antes de ser um funcionamento cerebral, as redes sociais eu acho que tiram o privilégio de você ser quem você é e tá mais recolhido, porque cria uma necessidade de você estar presente, é o FOMO, né? Você não pode perder nada.
Voz B:E quando a gente traz isso, né, igual você falou, se for algo cerebral, qual que é a diferença se for de comportamento?
Bia Santos:Que aí vai caracterizar, não tô dizer que o comportamento não pode mudar a função cerebral, mas se tem uma função cerebral previamente diferente, a coisa pode se configurar como um tipo de funcionamento.
Voz B:Entendi. Um deles, né? No caso, claro. Entendi.
Bia Santos:Só o tempo dirá.
Voz B:2030 a gente faz outro inverso falando sobre isso.
Bia Santos:Vai que ele consegue descobrir alguma coisa antes, com avanço de IA, tecnologia, né?
Voz B:Pode ser que faça isso rápido. É, se ele conseguir um X para fazer neuroimagem, acompanhar. Pode ser, pode ser que funcione, né?
Bia Santos:E aí a gente vai definitivamente saber se a gente é extrovertido ou introvertido, se a gente está outro.
Voz B:Qual que é a diferença de ser e estar?
Bia Santos:Porque ser—
Voz B:não, responda agora, deixe para a parte 2, outro vertido, a versão do diretor. Sempre tem, né, a parte 2 dos filmes que tem um retorno.
Bia Santos:O Retorno do Outro Vertido.
Voz B:O Retorno do Outro Vertido. Não se esqueça, deixa aqui embaixo nos comentários o que que vocês acharam, se vocês pontuaram quanto da nossa tabelinha lá. Nossa, não é do Remi?
Bia Santos:Quantos de 5, de 7?
Voz B:Quantos de 7? Quantos?
Bia Santos:Eu já tô me confessando que 5.
Voz B:Não dá nem para você sair pela tangente dessa vez.
Bia Santos:Foi boa, tá bom, gente.
Voz B:Coloca aqui do lado se o seu namorado, namorada, seu amigo, pai, mãe, professor, tia.
Bia Santos:Se você achou que tem lógica, né, esse conceito, eu acho que tem uma lógica, passa para quem você acha que pode ter um funcionamento, um comportamento assim, porque em última instância a gente tá dando conhecimento e possibilidade de autoconhecimento.
Voz B:E o que que vai ser legal? Você coloca o seu resultado aqui e o dessa pessoa, porque a gente vai ver como, vamos dizer assim, a tribo Pod People tá mais para o lado do introvertido ou do extrovertido, introvertido? Então não se esqueça, tome água e estude, que é sempre bom.
Bia Santos:Conhecimento faz bem de qualquer maneira. E se der, faz uma atividade física também, que pega bem. Então, e ame as pessoas como se não houvesse amanhã.
Voz B:Quase um Renato Russo!
Bia Santos:Quase um Renato Russo!
Voz B:Até o próximo Pod People Inverso!
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