O Que Acontece no Cérebro de Quem Sente Inveja? - PODPEOPLE INVERSO COM DRA. ANA BEATRIZ | Ep. 035
A inveja é apenas um sentimento comum ou existe algo mais profundo acontecendo no cérebro?Neste episódio do Pod People Inverso, exploramos a psicologia da inveja, o funcionamento cerebral de pessoas invejosas e como esse sentimento pode impactar relacionamentos, autoestima, sucesso e comportamento humano.Você vai entender por que algumas pessoas sofrem ao ver o sucesso dos outros, por que a comparação constante destrói a felicidade e quais são os sinais mais comuns de alguém movido pela inveja.Uma conversa fascinante sobre neurociência, emoções, autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Baseado em estudos científicos e exemplos práticos do dia a dia.
- Inveja e CiúmeFuncionamento cerebral do invejoso · Ativação de regiões de dor e prazer · Sistema de recompensa ativado · Dor ao ver o sucesso alheio · Prazer na queda alheia · Dopamina e fracasso do rival · Córtex cingulado anterior dorsal (DACC) · Estriado ventral
- Comparação social versus admiraçãoDiferença entre inveja e admiração · Admiração como motor de desenvolvimento pessoal · Inveja como desejo de ser o outro · Admiração como busca por aprendizado · Inveja benigna (level up) · Inveja maligna (level down)
- Inveja e críticasAutoconhecimento e autoanálise · Aceitação e autocompaixão · Mudar o foco do rival para si mesmo · Reconhecimento da inveja como problema do outro · Afastamento de pessoas invejosas · O poder da oração e da gratidão
- Perigos da Era DigitalAumento da inveja com redes sociais · Bombardeio de informações e comparações constantes · Inveja em grupos e 'tribos' · Influência de robôs e fazendas de celular
- Medicina e éticaImportância da prática e experiência clínica · Diferença entre teoria e prática · Acolhimento e empatia no atendimento · Autocrítica profissional · O risco de um apagão de bons profissionais · A importância da espiritualidade na medicina
- A importância de um mentorMentoria de quem faz vs. quem fala · Aprender com os erros dos outros · Histórias de falência e aprendizado · O valor da sinceridade e do feedback · A importância de quem tem lugar de fala
Bia Santos:O cérebro do invejoso, ele funciona diferente. Você passa o dia inteiro vendo o que fulana faz ou deixa de fazer. Existe uma versão de você que tá esperando pra nascer. Sucesso, todo mundo concorda com você em tudo. Por exemplo, você acha que as pessoas dizem o quê pra um Vini Júnior? As pessoas não são sinceras. Às vezes o invejoso é digno até de pena, porque como se o outro desaparecendo todos os problemas dela vão ser resolvidos. É mentira, não vai. Interessante que o invejoso, ele disfarça tudo. Menos olhar. Você vai pegar invejoso uma hora olhando para você de cima a baixo, como se tivesse te escaneando. Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Pod People Inverso. Aqui você já sabe, a Bia vira entrevistada e Gabriel o entrevistador. E antes de começar, a gente quer agradecer aos nossos colaboradores: a Axon, que é um suplemento que entrega muita coisa e coisa séria. Foco e Disposição Física, para você que quer dar um grau aí nas suas atividades intelectuais, cognitivas, e também um pouquinho nas suas atividades físicas, experimenta, toma no café da manhã, depois você conta para a gente. E também a SANA Cursos e Palestras. A SANA é uma empresa que selecionou um time de grandes profissionais na área de saúde, na área de educação, na área de psicologia e disponibiliza esses palestrantes para que você possa fazer um evento da maior qualidade, tá? Faz o seguinte, dá uma passadinha lá no site www.sana.cursosypalestras.com.br. Tudo bom, meu querido? Tudo bom.
Voz B:Olha, hoje eu tive que tomar um áxon, viu?
Bia Santos:É, tá, né?
Voz B:Sexta-feira, quinta, né?
Bia Santos:Quinta-feira, nada, quinta-feira.
Voz B:Então vamos lá, hoje eu trouxe para gente é um compilado de estudo sobre inveja. Tinha muita gente perguntando sobre isso nos comentários, no próprio Instagram, né?
Bia Santos:Bom tema.
Voz B:E antes da gente começar, o que que você acha disso? Porque tem tanta gente que pesquisa, procura, pergunta sobre essa questão da inveja.
Bia Santos:Olha, Dizem, sabedoria popular, não estou falando nada aqui em relação à ciência, que inveja é pior do que qualquer coisa para fazer mal a alguém.
Voz B:É o Praga Moon que fala?
Bia Santos:Exatamente. Dizem que a inveja é a pior coisa que você pode sentir por alguém ou trazer malefício para alguém. Porque mesmo que você não entenda como isso funciona, As pessoas, em geral, não entendem. A inveja é uma energia pesada. Porque tem uma coisa, eu não sei o que você trouxe aí pra gente, mas o cérebro do invejoso, ele funciona diferente.
Voz B:Olha!
Bia Santos:Ele funciona diferente.
Voz B:Mas ele sabe disso?
Bia Santos:Não, mas a gente sabe por estudos que o invejoso, por exemplo, se eu tenho inveja de você, o meu cérebro, ele vai funcionar de uma maneira prazerosa Tá, vai sentir prazer quando você estiver se dando mal.
Voz B:Mentira!
Bia Santos:Exatamente, na mesma região da dor. E ao mesmo tempo, quando você estiver se dando bem, tá, ele vai sentir dor, como se fosse dor, porque o sistema de recompensa é ativado, né, quando você tá se dando mal. E quando você tá se dando bem, é como se você ativasse sistema de dor. Então dói ver alguém que você inveja se dando bem e dá prazer vendo essa pessoa se dando mal. Porque basicamente o cérebro do invejoso, ele acha que se você está se dando bem, tira a oportunidade dele se dar bem. Porque ele acha assim, ele não quer ser igual a você. Ele acha que por você estar se dando bem, você está tirando o espaço dele.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:É assim que funciona, caramba. Por isso esse prazer de ver o outro se dar mal.
Voz B:Ele vai entrando na espiral que vai só prejudicando mais ainda, né? Porque vai aprendendo só isso, ficando só isso. E se a pessoa morre, por exemplo, a pessoa que a outra tá invejando, ela muda o alvo?
Bia Santos:Eu acho que muda o alvo, porque assim, se uma pessoa é dada à inveja, a gente tá falando invejoso quanto mais, porque a inveja é um sentimento que em geral todo mundo experimenta em algum momento da vida. Mas se você é uma pessoa emocionalmente equilibrada, você fala: peraí, que sentimento é esse? Por que que eu tô pensando assim? Não é legal.
Voz B:É aquilo que você fala, né, que não é: eu penso, logo existe. Eu penso, mas eu não sou aquilo que eu penso.
Bia Santos:Eu não sou aquilo que eu penso, porque eu sou mais que isso. Eu sou a minha consciência que analisa esse pensamento, e aí eu posso mudar. Então assim, inveja uma vez ou outra, tudo bem. Agora, aquele invejoso, quanto mais uma pessoa que vive em função de estar invejando o outro É delicado, é um tipo de personalidade que foi o que você falou, se o invejado morrer, eu acho que arruma outra coisa para invejar, outra personalidade.
Voz B:E isso acontece mais em mulher, em homem, ou é igualzinho?
Bia Santos:Pode acontecer, eu acho que as mulheres fazem isso mais explicitamente. E eu acho que os homens, também acho que os homens são invejosos, mas os homens confessam menos. Assim, a inveja não é um transtorno, tá? De jeito nenhum.
Voz B:É um comportamento, no caso?
Bia Santos:Eu acho que é mais um sentimento complexo. Algumas personalidades são mais predispostas à inveja.
Voz B:É mesmo?
Bia Santos:São. E geralmente são as personalidades mais inseguras, são as personalidades mais carentes de uma identidade. Então, de repente, ele foca numa pessoa inicialmente até como uma admiração. Ai, que legal, queria ser assim. E aí depois parece que aquilo vai tomando, vai vivendo em função daquilo. E aí a pessoa começa assim: mas por que que ele tem ou não tem? Por que que ela tem ou não tem, né? E isso pode, exatamente, isso pode levar uma obsessão, um processo obsessivo.
Voz B:Toda obsessão é ruim?
Bia Santos:Olha, se você entender que obsessão É uma fixação negativa em algo, não é bom.
Voz B:Entendi. É o famoso tudo demais faz mal, né?
Bia Santos:Exatamente. Porque assim, se eu sou obsessiva com alguém que eu invejo, eu tô deixando de viver minha vida. Eu tô deixando de fazer o que eu tenho que fazer.
Voz B:Ele não vive a vida dele, né? Ele vive querendo viver a do outro.
Bia Santos:Exatamente. Que profundo, né? É, e que dificuldade, né? Se a gente for pensar bem, Às vezes o invejoso é digno até de pena, porque a energia que ele desgasta em ficar observando o outro e achando que teria direito à vida do outro, àquele lugar, se o invejado não existisse, é muito ruim, porque 8 bilhões de pessoas no planeta Terra, todo mundo tem a sua missão, todo mundo tem a sua trajetória.
Voz B:São únicos, né?
Bia Santos:São únicos. É o que eu digo sempre, todo ser humano é um artigo de luxo, ele não se repete. Agora, se você fica nesse processo, você para a sua vida, né, em função disso, e você não tá cumprindo o seu caminho.
Voz B:Agora, aquele mito popular: existe a inveja boa?
Bia Santos:Olha, se é uma inveja, conto mais, e se você tem o pensamento rígido de que o outro tá ocupando o lugar que era seu?
Voz B:Não. Eu falo que tem muito pessoal que fala assim: nossa, eu tenho uma invejinha boa de você assim, que você—
Bia Santos:Não, isso é admiração. Por exemplo, se eu admiro a sua trajetória, eu vou olhar e falar: que legal a trajetória do Gabi, como é que ele conseguiu, né, ser tão autodidata, o que que eu posso pegar disso e desenvolver em mim?
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Isso é admiração. Não, eu não quero o seu lugar, eu quero dicas de como você conseguiu de forma autodidata É um conhecimento que eu acho precioso, que eu acho bacana, que eu admiro. Entendi. Por exemplo, o Gu. O Gu tem uma relação de admiração com você. O Gu não sabia nada de estúdio, de nada disso, e de repente ele começou a aprender. E várias vezes eu falava: "Para que você vai ligar para o Gabriel?" Ele falava assim: "Ah, porque eu aprendo." Então assim, isso é admiração.
Voz B:É, mas ele... Ponto para ele, tá? Porque ele... Sim! Muita gente...
Bia Santos:Passou. Sim, mas isso é admiração. Ele não quis o seu lugar, ele quis aprender com você.
Voz B:Ele sabe que não é o melhor lugar do mundo, ele sabe que não é o melhor lugar.
Bia Santos:Você entendeu o que eu quis dizer, tá bom? Você entendeu também, né, Gu?
Voz B:Agora eu vou te falar, essa Como é que eu vou dizer? Era pegadinha, porque tem aquele corte seu que viralizou no Facebook, fala isso, né? Não existe inveja boa, toda inveja é ruim, mas admiração, aquilo que é bom.
Bia Santos:Então olha para você ver, já tem muito tempo, né? 2016, acho que foi antes.
Voz B:Será? Foi, foi bem.
Bia Santos:Era o Mentes Sem Pauta?
Voz B:Eu acho que era Dedinho de Prosa, se não me engano.
Bia Santos:Era o Mentes Sem Pauta?
Voz B:É um dos dois. Eu lembro que foi Foi um dos primeiros que eu vi e isso marca, né?
Bia Santos:E eu não sei aí o que que você trouxe, mas eu acho que a neurociência vem consolidando esse tipo de pensamento e provando que é mais ou menos assim.
Voz B:Entendi. Só a última dúvida antes da gente começar. Quando você falou assim, tem algumas personalidades que são mais predispostas a ter inveja, quais você acha assim que você ranqueia que seriam elas?
Bia Santos:Eu acho que seriam as personalidades mais inseguras. Eu acho que seriam as personalidades que estão sempre idolatrando pessoas, né? Porque assim, nada de conteúdo religioso, mas eu acho que tem muito pouca gente para idolatrar, né? E de repente as pessoas idolatram pessoas por nada. Entendi. Porque elas apareceram ali, sei lá, você fala: mas o que que você vê? Não, eu vejo. E às vezes estão idolatrando pessoas que mentem o tempo todo, que não merecem, que não merecem. Não tô nem falando, é, todo mundo que faz as coisas legais e que é de verdade merece admiração.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Da pessoa mais, mais pobre ao mais rico, se eles são verdadeiros com eles e com as pessoas, merecem admiração. Agora, a maioria não é.
Voz B:Tem alguma, alguém assim, como eu vou dizer, pessoa com transtorno mental que pode ser, ou transtorno de personalidade, que pode ter mais inveja do que outros?
Bia Santos:Por exemplo, borderline, ou TDAH. Eu acho que, por exemplo, transtorno narcisista, de personalidade narcisista, tende a ser bem mais invejoso. O transtorno borderline depende do tipo, porque às vezes não é nem a inveja, é a necessidade necessidade de ter uma identidade no outro. O narcisista não, narcisista é mais inveja.
Voz B:Mas o narcisista não se acha bom? Por que que ele teria inveja do outro se ele é melhor do que o outro?
Bia Santos:Mas na realidade ele se acha, mas aquilo é um teatro, né?
Voz B:Ele sabe que é um teatro?
Bia Santos:No fundo, no fundo sabe.
Voz B:Ah, entendi.
Bia Santos:Tanto que ele precisa, por exemplo, narcisista, ele namora uma mulher, mas ele namora mais 3, porque quando uma começa a já não ser aquela idolatria, não ter aquela idolatria por ele, Automaticamente ele já tem uma outra para poder, porque ele quer ser aplaudido, ele quer, ele não pode ficar muito íntimo.
Voz B:O tipo amores baratos?
Bia Santos:Não sei se é o amor de baratos, ele quer palma, ele quer fã, entendeu? Então acho que o narcisista, ele é muito invejoso, apesar dele parecer que não, mas ele é muito invejoso. Eu acho que o O border não é tão invejoso, é uma necessidade em relação ao outro.
Voz B:Então iria mais pro lado da admiração, né?
Bia Santos:Talvez seja, mas aí nessa admiração ele vai pegando, tentando pegar uma identidade. O border, ele pode até desejar mal quando é traído, né? A traição pro border é uma coisa muito difícil, porque ele se sente rejeitado, né?
Voz B:Aí ele tem razão de ter inveja.
Bia Santos:Não sei.
Voz B:Não é nem inveja, é raiva, né?
Bia Santos:Não sei. Não, mas eu acho assim, quem tem muita inveja tende a ter muita raiva também. E não tô falando de Bota, falando de um modo geral, porque é uma pessoa que não aceita a si, né? Acha que tudo tá no outro e o outro tá roubando o espaço dele no mundo.
Voz B:Caramba, deve ser muito realmente triste, né?
Bia Santos:É difícil, é difícil. O que que nós temos aí?
Voz B:Ó, a inveja não é uma falha moral para o seu cérebro, ela é uma lesão física.
Bia Santos:Então dói, né? A inveja dói. Pois é, ver o outro que você inveja se dar bem aciona regiões de dor. Agora eu vou te falar uma coisa, lê aquilo ali, ó: a dor do sucesso alheio.
Voz B:Vamos lá. E o prazer da queda alheia. Só uma ressalva aqui, né, para vocês verem como a bicha é preparada. Olha só, ela já falou exatamente o que tá ali.
Bia Santos:Hoje você me pegou porque eu não vi nada disso aí.
Voz B:Mas olha, vai muito com aquilo que você falou, né, que a pessoa, quando ela tem inveja do outro, quando dá, ele se ferra, né, ela gosta. E quando ele tem sucesso, ela sente dor.
Bia Santos:Olha que interessante, é comparado do física, né?
Voz B:Ver alguém do seu nível ter sucesso ativa a exata mesma rede neural de ACC que processa a dor de quebrar um osso ou encostar numa panela quente. Ou seja, É uma dor física?
Bia Santos:É, sem ter possessão.
Voz B:Não é nem aquele incômodo, é uma dor?
Bia Santos:Não, é uma dor. Então ver o outro, o sucesso do outro causa uma dor.
Voz B:E agora quando a gente vai olhar o prazer da queda, né, que é o contrário, né? E quando ele vê o quê lá? Quando esse mesmo rival fracassa, o cérebro dispara dopamina. Olha só a recompensa que você tinha falado. A desgraça alheia é processada quimicamente como comer um chocolate delicioso.
Bia Santos:Aquilo que tá lá que eu não sei pronunciar, que é alemão, tá? É esse sentimento, né, de você, de você ter prazer com fracasso do outro.
Voz B:A gente seguindo aqui, né, o ponto de partida do estudo da Takahashi. Tô aprendendo com o inverso, tá vendo? Aqueles anos seus no Japão ajudou.
Bia Santos:O Takahashi, se for falar direitinho, é Takahashi.
Voz B:O DACC, né, que é o córtex cingulado anterior dorsal, é onde mostra ativamente, né, quando causar dor da inveja lá durante cenários de comparação social ascendente. O ganho dela é a minha dor. Ou seja, ter inveja do outro tem sintomas, né, e tem ativações físicas, né, o cingulado ele processa a dor, né. Agora, o que eu ia falar é Você acha que no mundo que a gente está de internet, Instagram, YouTube, mais o Instagram, né, que o brasileiro é um dos públicos que mais consomem Instagram depois da Índia. Você acha que aumentou o número de invejosos?
Bia Santos:Muito! Eu acho que, por exemplo, antes das redes sociais, não é que a inveja foi inventada nas redes sociais, não, sempre teve. Mas você invejava aquilo que você via ou convivia.
Voz B:É o famoso "Ate tu, Brutus", né, pra você ver, inveja lá atrás do César.
Bia Santos:Não, eu tinha inveja com quem eu convivia. Tanto que a gente brincava que o invejoso, o traidor, era uma pessoa que estava muito perto, não era uma pessoa que você nunca viu na vida. Com a rede social, você passou a ver pessoas e ter acesso a muita coisa da vida das pessoas, principalmente porque as pessoas pouco preservam sua intimidade, de uma forma constante, como se fosse um bombardeio.
Voz B:Todos os dias.
Bia Santos:Todos os dias. Ainda mais se a pessoa tem essa necessidade de ficar lá obsessivamente, poxa, e aí, tá se dando bem, tá se dando mal, tá se dando bem. Então, claro que isso piorou muito, não tenho dúvida. Eu acho que tem muito mais córtex cingulado anterior ativado do que tinha há 15 anos atrás.
Voz B:Não vai estar nos nenhum dos estudos aqui, porque eu até passei para ver, né, dando uma conferidinha. Mas você acha que os invejosos, eles andam em grupos, eles conseguem formar tribos assim? Por exemplo, igual a gente tem inveja da mesma pessoa, ou a gente tem um ódio destilado que vai juntando elas?
Bia Santos:Acho que não, até porque é um movimento em geral que a pessoa não fala. Quem sente inveja, gosta, não gosta de falar.
Voz B:Então esse ódio alheio em rede social viria de outro lugar?
Bia Santos:Eu acho que vem, mas não porque é um grupo. Eu acho que esse ódio em grupo na realidade é uma coisa fake, é feita por robôs.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Porque hoje na internet a gente tem muito robô.
Voz B:Sim, sim.
Bia Santos:Muito robô. Tem muita fazenda de celular ou aniquilando alguém ou jogando alguém muito pra cima.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Então eu não vejo dessa forma, não. Eu acho que tem que ter cuidado, que quando uma pessoa tá sendo muito atacada, mas muito atacada, eu já desconfio.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Ou muito elogiada, sabe aquela coisa? Todo mundo pá pá pá pá pá, mas de uma maneira assim—
Voz B:Exacerbada, né?
Bia Santos:Exacerbada, em massa. Roda ali o scrolling, né, do Instagram, e pô, só dá aquela pessoa, só dá aquela pessoa, e dá mesmo assunto. E do, gente, ninguém é tão importante assim, né?
Voz B:A gente vê aqui, né, no DACC, que é onde processa a dor da inveja. E aqui a gente vai para a parte do prazer, né?
Bia Santos:Tu, estria do ventral, estriado ventral, né?
Voz B:Que tá ali, ah, é o famoso, aquele que a gente sempre fala dele, né? Já teve uns 3 3 imbecis que a gente acaba falando muito.
Bia Santos:Ele é bem importante, o nuclear comp. Ele é ativado ao contrário, né? Quando você sente, vê o seu invejado, né, o seu objeto de inveja sofrendo, aí você se sente muito bem.
Voz B:Caramba! E isso é treinável para não acontecer mais? Para o invejoso deixar de ser invejoso?
Bia Santos:Olha, depende do nível de amadurecimento, né? Porque a gente só muda quando a gente realmente se sente incomodado. Por exemplo, eu sou uma pessoa que se sentir inveja, eu me incomodo rapidamente, não pelo outro, me incomodo por mim.
Voz B:O outro tá cagando e andando, às vezes não sabe, né?
Bia Santos:Que que é isso? Que sentimento é esse? Da onde tá vindo? Que que você não tá fazendo na tua vida para estar processando esse tipo de pensamento? Isso depende de um nível de amadurecimento e de um estado de consciência que faça você se analisar. Isso depende de um autoconhecimento, é aquilo parar, né, um pouquinho, olhar para fora.
Voz B:Na verdade, olhar para dentro, né?
Bia Santos:Eu já vi muitos adolescentes, adolescente é muito chegado a isso, esses sentimentos extremos, falar assim: 'Bia, mas eu tenho toda razão de invejar, porque foi por isso, você não me apoia.' Falo: 'Não, tudo bem, você acha que tem. Agora você tá perdendo um tempo da sua vida. Você podia estar, olha, fazendo academia porque você quer, quer estar melhor para o verão. Você podia estar fazendo— você passa o dia inteiro vendo o que que fulana faz, eu deixo de fazer. Só tô falando porque eu acho que você é maior que isso. Existe uma versão, existe uma versão de você que tá esperando para nascer, e você tá investindo numa bolsa de valores que não é sua.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Então é nesse sentido, mas tem a sensação de prazer.
Voz B:E essa palavra, que é uma palavra, talvez eu não sei pronunciar, se alguém souber pronunciar, deixa aqui nos comentários e deixa um link de um vídeo como que pronuncia.
Bia Santos:No Instagram com áudio.
Voz B:Isso, então faz um videozinho pronunciando essa palavra, a gente vai colocar no próximo vídeo.
Bia Santos:Exatamente, de como pronuncia, mas é isso exatamente, a dor do outro é um ganho para você, né, é um prazer, e por isso mexe no akumbis.
Voz B:Você falou de adolescente assim, na sua época quando você consultava, que você tinha muitos pacientes, eles eram mais adolescentes que tinham inveja ou pessoas adultas também, mais maduras assim tinham inveja também?
Bia Santos:Olha, Geral, era todo tipo, acho que sim, homens, mulheres, porque homem é muito difícil falar, mas homem morre de inveja. Tinha homem que falava assim: mas a minha mulher agora tá aí com esse personal, papapá, o cara é babaca, não tem cérebro. E aí eu falei: tá com pontinha de inveja, impressão minha. Aí de repente quando o personal lá da mulher, sei lá, bateu a moto, não foi da— não foi, tipo assim, tipo assim, ah lá, também, né? Então assim, isso é uma inveja.
Voz B:E como que a gente pode nos policiarmos assim desse negócio da inveja?
Bia Santos:Tipo assim, observar o nosso pensamento. Você só amadurece e você só melhora de forma efetiva quando você se torna observador dos seus pensamentos, observador do que você pensa, porque nós não somos o que pensamos. Então não tem problema, a gente se pega no pensamento e fala: opa, isso não é legal, não me agrada pensar isso, e por que que eu tô pensando isso? Aí eu vou ver, eu tô numa fase que eu tô me sentindo de alguma maneira desprovida, tem alguma coisa que não tá legal em mim. Aí você traz isso para você, e aí você tem capacidade de falar: pera aí, já saquei. É, não é o outro que tá me incomodando, sou eu mesmo, sou eu que não tô conseguindo preencher vazios, que o outro tá me lembrando disso, o outro tá me lembrando disso, o outro não é a causa disso.
Voz B:Eu já tive pensamentos parecidos no sentido de que, não de que o outro tá um lugar que eu tava ou que eu queria estar, mas eu falo assim: caramba, ele é tão feliz, ele é tão animado, não é possível que isso Aí eu falei assim, para eu não ficar, como é que eu vou dizer, quase que gorando ele, né? Eu até ficava feliz que eu conseguia as coisas. Eu falei assim, eu nem vou seguir mais, eu vou deixar para lá.
Bia Santos:Pode ser, mas o fato de você falar deixa eu não seguir já foi uma coisa. Se você não entendeu por que que aquilo te incomodava, você pelo menos estancou o incômodo.
Voz B:Entendi. É porque era um trabalho que eu nunca nem pensei em fazer, não gostava de fazer, mas falou assim: caramba, o cara é muito, é quase que uma felicidade tóxica, e tudo que acontece ele é feliz demais, alegre demais.
Bia Santos:Mas eu sempre digo, você gostaria de ser outra pessoa?
Voz B:Ah, não.
Bia Santos:O ser humano em geral, ele não quer ser outra pessoa, ele quer ser uma versão melhor de si. E aí eu pego pontos de admiração E vou trazendo para mim. Esse é o movimento. E não movimento porque você nunca será outra pessoa. A inveja passa de uma ilusão muito ruim. Porque assim, se fosse um poder extraordinário, fosse dado um poder extraordinário, que um gênio chegasse aqui e falasse: você tem 3 desejos. Não, você tem um desejo. Você gostaria de ser quem?
Voz B:Ah, eu mesmo.
Bia Santos:Eu mesmo. Mas eu gostaria de ser eu assim, dá para você me levar lá no tempo de Jesus Cristo? Queria bater um papinho com ele, principalmente quando ele tava lá no deserto. Dava para não sei o quê, dava para eu seguir lá a caravana com os 12, sabe? É para que eu pudesse ter mais ensinamentos para para construir uma sabedoria. Então é nesse sentido. A questão é que a gente vive hoje num mundo de um pensamento tão emanado que ninguém para para pensar ou para se ver ou para observar seus pensamentos.
Voz B:Aí vai muito daquilo também de não enxergar o valor nele mesmo?
Bia Santos:Eu acho que vai muito de não enxergar o valor. As pessoas em geral dizem: "Ah, eu queria ter a vida do fulano, eu queria ter a vida do ciclano." Eu não quero ter a vida de ninguém.
Voz B:Isso já seria um, vamos dizer assim, um xizinho na marcação do lado invejoso para se ativar o alerta?
Bia Santos:Eu acho que é um alerta. Se você tá o tempo todo querendo ser uma outra pessoa, ter a vida de uma outra pessoa, tem alguma coisa errada.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Porque nessa vida você tem a sua vida.
Voz B:Gosto ou não, é a sua.
Bia Santos:É a sua. Então você tem esse produto, você tem que melhorar esse produto. Por exemplo, tem gente que fala assim: ah, eu queria ser, sei lá, O Einstein, eu queria ser o Elon Musk, eu queria ser aquela primeira mulher que ganhou o Nobel de Química e Física. Olha, não sei, ela teve um fim tão triste, né? Cheia de radiação, ela morreu daquilo que ela estudou, entendeu? Entendeu? Então assim, acho que não queria. O diário dela, você tem ideia, até hoje não pode nem ser estudado pela radioatividade. Então assim, eu acho bacana, admiro, mas assim, eu prefiro aprender com ela e fazer do seu jeito, né? Eu quero cada vez mais acolher as minhas deficiências. Foi o que a gente falou, né, naquela questão da autocompaixão. A gente já fez aqui um um episódio de autocompaixão, porque na hora que você confirma que tá sentindo aquilo, que você vê de onde vem e se acolhe, você vai mudar, você vai mudar.
Voz B:Agora, pegando um outro estudo que é do Van de Ven, é esse o nome?
Bia Santos:Qual?
Voz B:Van de Ven.
Bia Santos:Ah, tá, os dois lobos da inveja, tá.
Voz B:Que tem a inveja benigna, que na verdade chama level up, né, e a inveja maligna, que seria o level down. Quando a gente vem para o foco cognitivo, a inveja positiva seria obter o objeto ou status desejado, que é o quê? Que o que você enxerga do outro como positivo para você.
Bia Santos:Mas aí torna a dizer, aqui é admiração. Eu falo assim, pô, legal essa trajetória, que que eu posso fazer para dentro dos meus sonhos É, eu chegar nisso, eu chegar no lugar parecido, mas o meu lugar, não do outro. Eu não gosto muito disso de inveja benigna e maligna.
Voz B:Eu gostei mais disso da inveja e da admiração porque faz um contraste muito claro, muito claro, né?
Bia Santos:A gente vem com comportamento, motivação, aumento de esforço, foco no estudo. Então, se eu quero ser mais autodidata como você, eu tenho que fazer isso, tem que motivar para ler mais, para estudar mais, para me superar. Isso é admiração.
Voz B:E olha que legal, quando a gente vai para o outro lado, é literalmente o oposto, né? Então, seu comportamento é qual?
Bia Santos:Você tem uma hostilidade direta, vantagem do outro, né? É bem diferente, é totalmente diferente.
Voz B:A gente pode dizer assim, por exemplo, que uma pessoa muito invejosa vira patológico?
Bia Santos:Eu acho que vira, porque ela vive para ver o outro se dar mal. Entendi. Ela passa a ter um único prazer na vida: ver o outro se dar mal. Como se o outro desaparecendo, todos os problemas dela vão ser resolvidos, porque ela vai assumir aquele cargo. É mentira, não vai, porque ela não tá se preparando para viver aquilo.
Voz B:Ela tá só olhando o outro.
Bia Santos:Aquilo eu achei muito interessante: avaliação interna. O sucesso do outro é percebido como merecido. Por isso que eu digo que admiração e não inveja, né? Não inveja. O indivíduo sente que tem controle e capacidade para melhorar a si mesmo. Então o que ele chamou aí de living up, eu chamo de admiração.
Voz B:E isso é legal porque, por exemplo, indo para um mundo assim que eu entendo, o basquete lá na época do Kobe Bryant, todo mundo fala: ah, ele é invejoso e tudo. Mas aí olhando por esse lado, por exemplo, ele era um cara que ia no Michael Jordan e falava assim: cara, "Como é que eu posso melhorar? Me dá uma dica aqui de que que eu faço, de como que eu faço." E o Michael Jordan ficava tipo assim: "Cara, tá maluco? Ninguém liga pra outra pessoa perguntar como melhora. Liga pra perguntar de festa, prostituta, carro. Agora o cara perguntando como é que eu faço isso?
Bia Santos:O cara é maluco." Ele queria dicas.
Voz B:Isso.
Bia Santos:De um ídolo.
Voz B:Aí vai mais no sentido de tipo assim, é aquilo, o outro merece uma outra vez.
Bia Santos:Ele admite o sucesso do outro, tanto que ele pede dicas. Sim. Por sinal, uma das coisas que eu acho mais legal assim, Hoje vendo, eu hoje vejo tanta gente com mentorias e não sei o quê, papapá. Eu acho que as grandes mentorias são de quem fez, não de quem fala.
Voz B:Tão diferente.
Bia Santos:Se tivesse um negócio específico, alguma área, eu ia querer mentoria de quem já foi dessa área. Eu queria aprender com os erros, perguntar onde você errou.
Voz B:Tem uma frase muito bonita assim, né, que é do Richard Feynman, se eu não me engano, que ele falava assim: a melhor coisa que tem no mundo é pegar e ler o livro do outro, porque você não vai só saber o que que ele fez de bom, mas você vai saber todos os fracassos, aí você anota para não fazer igual.
Bia Santos:É porque eu acho que quem tem história, quem passou por situações, tem lugar de fala. Para falar. Todo empreendedor passa por momentos bons e momentos ruins. No Brasil, mais ruins do que bons, mais desafios, porque o empreendedorismo não é estimulado, pelo contrário, apesar de sustentar a nação.
Voz B:Eu gostaria de saber assim, o cara que fracassou, e um cara muito bom que eles falam, que é o Geraldo Rufino, que ele fez, fundou a Diesel, ele falou que "Eu falei várias vezes." Aí ele explica por que ele faliu.
Bia Santos:Não, ele faliu. Eu já estive em eventos com o Rufino, ele é maravilhoso. E ele fala da falência com muita tranquilidade.
Voz B:Porque é difícil, ninguém fala disso, geralmente as pessoas só focam no bom.
Bia Santos:É, mas que começam a falar agora. Então fala. Começam a falar, porque as pessoas mais sérias, elas entenderam que aprende mais no erro do que no sucesso. Sucesso, todo mundo concorda com você em tudo. Sucesso é um pântano. Por exemplo, você acha que as pessoas dizem o quê para um Vini Júnior?
Voz B:Entendi.
Bia Santos:O quê?
Voz B:Melhor do mundo.
Bia Santos:Tá mandando bem, você tá fazendo, papapá. As pessoas não são sinceras. Poucos amigos são sinceros. Primeiro que você não vai fazer uma sinceridade tóxica, que é todo mundo, ó, você é idiota. Não, você vai falar um particular. Amigo, eu tenho que te dizer uma coisa, tá? Mas se a pessoa chegar e falar: não quero saber, ok, se afasta. Porque se for amigo de verdade, um dia aquela ficha cai e ele torna a te procurar.
Voz B:Que legal!
Bia Santos:Que a gente sabe quem é amigo. Na hora do sucesso vai ter muita gente na tua casa, muita, muita. Mas quando você pisar em falso, quando Quando você amadurecer, você vai descobrir que poucas pessoas foram sinceras com você e essas pessoas não têm preço, essas pessoas precisam estar na nossa vida.
Voz B:Então você pode ser autêntico com educação, com carinho.
Bia Santos:Pode, claro. Quantas vezes alguém tem que chegar pra gente e falar: "Menos, um pouquinho menos." E você para e fala: "Não, realmente." Você ficou mais de 35 anos atendendo em clínica e tudo.
Voz B:Quando você vê essa galera que tá chegando agora e já tem alguns com 2, 3 anos de clínica, alguns que nem clinicaram, dando mentoria e as pessoas comprando essas mentorias, participando, né? Você acha que pode ser um, como é que eu tô dizendo, um, não é um efeito pirâmide, né? Mas pode ser um fenômeno que vai acontecendo porque a pessoa que fez a mentoria ela também não clinicou ainda, ela já vai ensinar o que ela aprendeu naquela mentoria sendo mentor.
Bia Santos:Eu acho complicado, porque eu acho que o conhecimento ele tem uma parte que é teórica, necessária, mas tem uma parte que é prática.
Voz B:Eu falo isso porque eu sou muito da parte da teoria, de estudo e tudo. Eu às vezes eu falo, eu vou lá e faço, vou falar: caraca, fiquei 2 horas para fazer esse risco, era só ter feito risco. Então o que que você falaria para essas pessoas, né, que estão nessas mentorias e que às vezes se perguntar se o mentor realmente fez o que ele falou que fez, ou se é sustentável aquilo, para às vezes elas dão uma acordadinha, né?
Bia Santos:Fala assim: opa, pera lá, olha, é simples. Se tiver prometendo maravilha, milhões e não sei quanto tempo, consultório super lotado, até porque você pode lotar, manter que é difícil.
Voz B:Olha só a mentoria da Dra.
Bia Santos:Ana Beatriz, lotar é fácil, manter é fácil. Em tempos que você tem tem todo um aparato de marketing, de digital, se fizer o básico, não precisa fazer muito, você lota. Agora manter é outra história.
Voz B:Manter é difícil.
Bia Santos:Um bom médico, um bom psicólogo, se ele absorve 30 pacientes, que não é difícil, ele não precisa mais, porque esse paciente vai voltar. Cada pessoa tratada com carinho, com respeito e com eficiência, te traz no mínimo 9. Caramba, em 2 anos!
Voz B:Isso é verdade, viu? Porque eu falo da Marina, minha psiquiatra, minha psicóloga, como é que se trata? Não, não, gente, que eu, umas 5 pessoas para ela, só que ela sempre tá cheia porque é o que você falou, não tem jeito, entendeu?
Bia Santos:Então assim, quando você indica para alguém que não tem e a pessoa não tem porque ela Não precisa muito. Se você recebeu 20 pacientes e você não conseguiu fidelizar pelo menos 80%, tem uma coisa errada. E você tem que ter essa autocrítica.
Voz B:Isso é importante, né?
Bia Santos:Você tem que ter essa autocrítica. Eu vejo que a garotada não tem essa autocrítica. É tipo assim: ah, tá faltando paciente, tá? E que que você fez com que você recebeu?
Voz B:Por que que o paciente não voltou, né? Você perguntou, você foi lá acolher, você retornou as ligações?
Bia Santos:"Você marcou direitinho a revisão dos exames?" Acha que é só chegar, fazer o Instagram, né? A gente fala Instagram, botar lá a roupa, pose. Isso não sustenta.
Voz B:É o que você falou, vai chegar muito paciente, mas vai reter pouco.
Bia Santos:Porque quem trabalha bem fica. Senão você tá trabalhando errado. Então você tem que ver onde você tá errando.
Voz B:Pro pessoal que tá formando, mais novo assim, será que é uma barreira Quando a pessoa chega lá e fala: nossa, mas meu médico é tão novinho, ele não tem experiência nenhuma de vida, como é que ele vai me ajudar?
Bia Santos:Depende, porque ele pode ser novo, não ter experiência, mas ter a predisposição para te ouvir, para, com a teoria e com respeito, com empatia, trocar ideias. Nunca é impossível. A gente aprende com gente mais nova, mas tem que ser mais maduro.
Voz B:Isso foi 5 minutos de mentoria da Doutora Ana Beatriz. Imagina isso no seu consultório.
Bia Santos:É o básico. Por exemplo, eu sempre fui receber meu paciente na sala. Eu sempre tive uma cafeteira que eu preparava. O que é isso? Responder ele na sala? É respeito. Porque a pessoa vai te procurar, ela tá sofrendo.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Você dá a mão. Isso é o primeiro acolhimento.
Voz B:Você não fica lá dentro e fala assim: próximo.
Bia Santos:Não, aí a secretária traz o paciente. Tem médico que não levanta da mesa. Ele tá com a perna quebrada. Ok, mas você não vive de perna quebrada, graças a Deus. Graças a Deus.
Voz B:Quando você quebrou a perna, você levantou, ficou sentada?
Bia Santos:Nunca quebrei a perna, graças a Deus.
Voz B:Caramba, você andava de moto, nunca quebrou a perna? Caraca, que legal!
Bia Santos:Nunca quebrei nada.
Voz B:No próximo Inverso sobre histórias miraculosas, Doutora Ana Beatriz Barbosa, ela vai te mostrar que ela era motociclista.
Bia Santos:Fui, fui.
Voz B:Mas continuando, que eu te cortei, né? Então, por que que você vai lá buscar a pessoa na sala?
Bia Santos:Porque eu acho, primeiro, que eu gostaria de ser atendida E na hora que você vai buscar, você vê o paciente levantar do sofá, você já vê como ele levanta, como é que tá o corpo, se ele tava olhando para baixo, se ele tava lendo. Você vai vendo tantos detalhes que se a secretária te traz, vai treinando o olho. Você vai treinando o olho. Por isso que eu dizia que depois de um tempo de consultório intenso e com carinho, eu falava assim, em 5 minutos eu já tinha uma hipótese diagnóstica, que eu levava 2 horas para ouvir, para ir descartando uma coisa ou outra, mas 80% a gente matava já no início. Então olha para você ver a maneira como a pessoa olhava, se tinha, se tinha o olhar depressivo, se tinha carinha ansiosa esperando assustar, né? Porque tem paciente muito ansioso que você abre a porta, a pessoa Então são essas coisas, né? Eu digo, por que que é tão importante essa leitura do corpo, né? É muito importante.
Voz B:Teve algum paciente que percebeu isso e te falou: Doutora, eu vi que você foi lá me buscar e nunca fizeram isso comigo antes?
Bia Santos:Não, alguns falavam, alguns falavam. Eu tive um adolescente que realmente ele não queria ir, 14 anos, e a mãe 'Não, mas vai ter que ir, senão você não sai.' Ele chegou lá, ficou mudo. Eu falei: 'O que que tá acontecendo?' Ele falou: 'Não sei, não queria estar aqui.' 'Tá tudo bem.' Falei: 'Então vamos fazer o seguinte, a gente chama tua mãe, eu falo que você não quer, de boa. Não quero atender uma pessoa que não quer conversar. Eu gosto tanto do meu trabalho, então assim, não vou fazer um desprazer. Você não vai me fazer eu me sentir mal no meu trabalho, não acho justo isso.' E aí ele 'Você faz isso?' Falei: 'Faço, não tem problema nenhum.' 'Mas minha mãe já pagou.' Falei: 'Eu devolvo o dinheiro dela, não tem problema não.' Na época era cheque. Falei: 'É fácil, a gente rasga o cheque, pronto, acabou.' Aí ele falou assim: 'Uai, buguei, não sei o que eu faço.' 'Então vou ficar mais um pouquinho.' Eu falei: 'Tem certeza? Você tá bem? Quer um suco? Quer uma água? Quer uma Coca?' Eu tinha aquele frigobar na coisa. Aí eu quero uma Coca, tá aqui uma coquinha, tá. E você não vai tomar? Sim, eu tinha tudo dentro do consultório, cafeteira, geladeira. Aí ele foi relaxando, conversamos, ele super conversou. No final ele chegou para mim: posso dizer uma coisa, Bê? Falei: pode, por favor. Começou com Doutora, terminou com Bê. Aí você não faz consulta? Falei: como assim eu não faço consulta? Ele falou: isso aqui é uma experiência.
Voz B:Caramba, que legal!
Bia Santos:Isso é uma experiência que eu não tinha passado. Eu falei: que coisa boa! Vai ser sempre assim? Eu falei: depende da gente.
Voz B:Se o paciente for tão bom quanto o médico, porque tem aquilo também do paciente que tem que ajudar.
Bia Santos:Depende da gente, né? A gente vai ter um apagão de médicos. A gente vê uma opção de estudante de medicina envolvido em escândalos e coisas ruins e É uma coisa que a gente tem que rever, porque assim, quem tem um bom médico hoje, acompanhe seu médico, porque dê valor, porque os próximos 10 anos a gente vai ter um apagão de bons médicos, bons psicólogos, bons nutricionistas, bons fonoaudiólogos, enfermeiros, porque você lembra aquela matéria que teve sobre aqueles enfermeiros que mataram Ah, eu vi o pessoal na UTI lá naquele hospital de Brasília. E aí agora estão colocando, porque vai estar perto do julgamento, que fizeram porque os pacientes davam muito trabalho. E justificar, justificável, tem coisa aí. Mas assim, ter coragem de falar isso, tem alguma coisa errada.
Voz B:Quando a gente ama o nosso trabalho, a gente faz tão direitinho. Eu queria até de novo, né, já falei da Marina, do Felipe. Cara, tinha um dentista em BH que você falou que foi isso, ele me deu uma experiência. É, eu cheguei lá e sentou, conversou, eu muito medo dos negócios, né? Ele me explicando direitinho, para lá e pororô. No final, ele transplantou um dente meu de um buraco para o outro, negócio pegou e eu nem vi, porque ele conversava, ia, né?
Bia Santos:Ia, porque assim, quando você faz o que você ama, existe alguma energia que te ajuda. Como funciona isso, não sei, mas existe, existe uma coisa. Agora, quando você faz só só para obter resultado, você pode até ter, mas vazio vai também ter dentro de você.
Voz B:Isso pode ser muito da cultura do invejoso, por exemplo, que ele vê, por exemplo, você tendo sucesso, psiquiatra, parará e coruru.
Bia Santos:Mas eu não tenho sucesso, eu tenho prazer de fazer o que eu faço.
Voz B:É, não, mas eu falo assim, até como exemplo, né, porque pô, querendo ou não, muitos livros, muitos anos, né, e a pessoa novinha chega e olha assim, fala assim, puts, eu quero estar onde ela tá, aí ele vai lá, faz qualquer coisa a todo custo para chegar lá e acaba nesses escândalos, né.
Bia Santos:Sei, eu acho que tem muita gente fazendo medicina para ter status. Isso é muito triste.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Muito triste. E tem muito estudante de medicina que fala isso. Agora, também tem outras coisas boas, né? As faculdades de medicina, algumas, começam a falar da importância da espiritualidade. Tem uma esperança.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Porque assim, não é que você é isso ou aquilo, mas acolher a espiritualidade das pessoas É papel de médico, entendi, sem julgamento. Você não precisa concordar, né, mas você tem que acolher, respeitar, porque aquilo é uma estrutura daquela pessoa, e aprender, aprender com ela. Eu aprendi tanta coisa sobre religiões com meus pacientes.
Voz B:Então às vezes as pessoas hoje em dia estão mais julgadoras do que curiosas, porque olha só, para aprender sobre religião de outras pessoas e várias diferentes, tem que estar curiosa naquilo ali.
Bia Santos:É, eu acho que a gente tem que ter essa visão curiosa. Mas assim, eu acho que o invejoso ele não tem essa curiosidade, ele tem aquela coisa de eu vou pegar uma pessoa que tem as coisas que eu gostaria de ter e vou viver em função disso. Que é isso aí, né? Sucesso, olha lá.
Voz B:Isso.
Bia Santos:A maligna, que seria a inveja mesmo, né? O sucesso do outro é percebido como imerecido. Isso também é uma diferença muito grande do que que é inveja e o que que é admiração. Na admiração, eu sei que aquela pessoa merece.
Voz B:Pô, Bia, você merece estar aí, tudo, me dá uma moral. Como é que eu vou lá e pego o paciente?
Bia Santos:Exatamente, a pessoa tem um respeito porque você merece, você tem uma história para estar ali, né?
Voz B:Quando a gente pega um estudo de 2023, mostra que é a máscara da irritabilidade, que a pessoa, até às vezes no seu próprio consultório, você pode ter pego vários casos assim, né, que a pessoa chega lá, que é má qualidade do sono, Então ela vai lá e tem também, como é que eu vou dizer, ela chega no consultório como tá muito brava o tempo todo, muito—
Bia Santos:Na realidade, o que tá colocando é que existe um desgaste muito grande no cérebro do invejoso. Ele gasta uma energia muito grande. E se você coloca isso no nível de cansaço, você tem uma má qualidade de sono por estar o tempo todo pensando naquilo, pensamentos. Você começa a perder o freio do lobo frontal e você começa a ficar irritado. E a irritabilidade acaba que aquela máscara que disfarça o invejoso, que te trata super bem, ele começa a ficar muito mais irritado do que o normal. É nesse aspecto.
Voz B:Aí então vai virando patologia, né? Ou não, não chega a isso?
Bia Santos:Eu acho que ele vai começando a adoecer, né? A irritabilidade é o prenúncio do preço que o cérebro de um invejoso paga pessoa, por viver nessa, nessa insatisfação consigo e no desejo de que o outro se dê mal, ele pode adoecer. Não sei se tem aí, mas existem quadros de adoecimento, né, que inveja patológica, né.
Voz B:Conforme o consenso clínico, não existe o diagnóstico de transtorno de inveja no DSM-5. Ela não é doença em si, mas um gatilho sintomático, né. Então, onde o monstro se esconde na psiquiatria? Sim, aquilo que você falou muito dos narcisistas. Sim, quem tinha aquela depressão, aquele olhar mais deprimido.
Bia Santos:É que na personalidade narcisista, inveja é um critério diagnóstico primário do DSM-5. Olha, é um sintoma, é um critério. É muito interessante isso que eu tô falando. Depressão maior e burnout apresentam-se como inveja internalizada, que é aquilo que a gente viu, né, que ele vai ficando tão cansado, tão Sentimento crônico esmagador de inferioridade, né, pode levar paralisia, né, da pessoa. E o borderline, que é uma hipersensibilidade severa, né, a rejeição, a perda do status social, gerando então uma desregulação emocional. Então vamos supor, uma pessoa borderline, homem, mulher, começa a seguir alguém na rede social, acha aquela pessoa maravilhosa, e de repente Ela sofre uma rejeição de alguém, ela acha que se fosse com aquela pessoa que ela acha maravilhosa, isso não aconteceria. Então é quase uma tentativa, é quase uma tentativa de não ser rejeitada, mas não funciona.
Voz B:Agora, já que a gente tá indo, né, para essa parte final, para a gente amarrar tudo, como que o que nós, né, pessoas comuns que não sente tanta inveja assim do outro, podemos que não é patológico, aquele amigo que tem inveja, aquela amiga que tem inveja. E como que a gente lida com isso no dia a dia?
Bia Santos:Olha, eu costumo dizer que inveja é ser invejado de alguma maneira, senão está fazendo alguma coisa interessante.
Voz B:Então, se você tivesse fazendo coisa ruim, você não era nem invejado.
Bia Santos:Lógico que não, você tá fazendo alguma coisa interessante, não sei se é ou ruim, mas interessante. Olha, você tem que ter a consciência que a inveja é um problema do outro, do outro, não seu. Agora, se você tem uma pessoa muito invejosa ao seu redor, você vai se afastando.
Voz B:Mesmo que esteja no trabalho, é familiar, você muda a maneira de lidar.
Bia Santos:Porque assim, é interessante que o invejoso, ele te faça tudo menos olhar. A maneira como ele olha para você. Você vai pegar invejoso uma hora olhando para você de cima abaixo, como se tivesse te escaneando. É preciso também ter olhos de ver, reparar. Ah, onde você comprou isso? Onde é que você comprou aquilo?
Voz B:O que que você— é o famoso quanto foi? Cara, meu pai fica bolado com isso.
Bia Santos:Foi? Não, quanto foi já é uma falta de educação. Eu acho uma falta educação.
Voz B:Não é dele?
Bia Santos:Não, eu acho que aquela coisa de achar que tudo teu é melhor, para você ver que tá se desvalorizando, né? Então assim, nesse sentido, mas o olhar é muito característico, pelo menos eu sinto assim.
Voz B:E às vezes ouvir do outro também, né? Porque tem muito amigo que você fala assim, cara, aquele mano ali tá te invejando.
Bia Santos:Com certeza, com certeza. Tem um amigo que chega e te fala e te dá um toque. Agora, isso não é para você ficar parar sua vida para isso? Nem parar sua vida, não. Eu acho que é para você olhar com um olhar de viver sua vida.
Voz B:Quanto melhor que você sai da situação, mais inveja ele vai ter, então...
Bia Santos:É viver sua vida e rezar. Olha, rezar é uma coisa que acalma teu cérebro, de alguma maneira te cria uma proteção. Eu acho que você, quando a gente reza, aciona áreas no cérebro que você se sente melhor. Então assim, é bom rezar para gente, para o outro também.
Voz B:Entendi.
Bia Santos:Reza pelo cara, pelo invejoso, né? Não custa. Caramba, eu faria isso, tá? E faço, né?
Voz B:Agora, para quem tem inveja assim, a pessoa às vezes ela não sabe que ela tem, né? Aqui você pegou uns passos para—
Bia Santos:sim, primeiro reconhecimento, né? Aceitar Ah, que a inveja tá ali, perfeito isso.
Voz B:Depois é mudar o foco do rival para ele mesmo, começar a se colocar no espelho, né, olhar de frente, né, o que que tá faltando em mim que eu tenho que construir, e não pegar do outro.
Bia Santos:Eu não preciso pegar do outro, eu tenho energia dentro de mim para fazer isso nascer.
Voz B:E a prática da autocompaixão, né, que é até um inverso que a gente fez, que eu vou deixar o link na descrição aqui embaixo ou no comentário fixado para vocês verem que é a ciência da autocompaixão, que é o que a gente fez, né, que é aquilo que foi acolho, né.
Bia Santos:Quando, quando, engraçado que no início eu falei isso, né, tô sentindo essa sensação de que reparando muito numa pessoa, pera aí, o que que tá acontecendo, né? Isso não é meu, não é meu. Então identifico, aceito e vejo o que que aquilo tá me sinalizando, vejo como que eu posso preencher Isso dentro de mim, né, que o outro tá me alertando. E por fim, eu acolho, eu tenho uma autocompaixão comigo para tipo assim, ok, mas a gente pode fazer melhor, a gente pode fazer dentro de você. Você não precisa disso, entendi, né? Foi o que você falou, vou deixar de seguir. Deixa, não vai fazer falta. Se tá te incomodando, não vai te fazer falta. Se você não alimenta, as coisas deixam de crescer.
Voz B:Então não se esqueçam, Bebam água, não sintam inveja do outro e—
Bia Santos:E invistam em você, né? Faz ali o passinho, não tenha vergonha de ter inveja, né? Mas assim, se isso acontecer, para tudo, observa, vê o que que tá faltando em você, não no outro, e faz a tua trajetória. Tudo que é teu você pode construir.
Voz B:Eu acho que a última mensagem assim pra gente deixar, que a pessoa, né, pra um, vamos dizer, uma atitude para não mostrar que você é invejoso É pegar esse vídeo e mandar para um amigo, para uma amiga, para sua tia, para alguém que não que ela ache que você seja invejoso, que ela seja invejosa, mas fala assim: olha, sabe aquele amigo seu lá da faculdade, aquele lá do trabalho? Assiste isso daqui, vê se dá uma olhadinha, vê se não bate.
Bia Santos:Mas ao mesmo tempo eu sugiro que você também faça o seguinte: manda um WhatsApp agora para algum amigo, amigo, alguém que se admira. Legal, né? E mais legal então, vamos lá, mandando esse WhatsApp, esse e-mail para 'Olha, você é um cara, você é uma pessoa que me inspira de fato, uma corrente positiva. Eu tenho admiração por você. Beijo.' Pessoa não vai entender nada, porque hoje em dia ser delicado, ser gentil, educado, tá fora de moda. Mas eu tô fazendo esse desafio.
Voz B:E coloca aqui nos comentários o que que ele respondeu, se foi positivo ou não, porque essa é uma experiência muito legal de fazer.
Bia Santos:Tão da inveja, vamos alimentar admiração genuína, saber que o outro merece estar onde Merece.
Voz B:E a melhor forma da gente fazer isso com a Doutora é clicando se inscrever aqui embaixo, no sininho para não ser notificado quando ela manda, porque é muito importante para o YouTube entender que esse vídeo foi útil para você se você clicou em curtir. Senão ele vai achar assim, ah, mais um videozinho, ninguém gostou. Então vamos praticar a autocompaixão, a auto—
Bia Santos:isso, né? E vamos admirar. Tem pessoas que são admiráveis.
Voz B:Perfeito. Até o próximo inverso.
Axon
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