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O Que Acontece no Cérebro Quando Ouvimos Música? - PODPEOPLE INVERSO COM DRA. ANA BEATRIZ | Ep. 034

02 de junho de 202647min
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Você já sentiu saudade de algo que nunca viveu ao ouvir uma música?

Neste episódio do Pod People Inverso, exploramos a relação entre música, cérebro, memória, emoções e comportamento humano. Descubra como a música ativa diferentes áreas cerebrais ao mesmo tempo, influencia atenção, foco, aprendizado, linguagem e até a formação de memórias afetivas.

Falamos sobre o impacto da música na infância, no desenvolvimento cognitivo, na saúde mental e por que ela continua presente mesmo em pacientes com demência. Um episódio fascinante sobre neurociência, emoções e o papel da música na experiência humana.

Participantes neste episódio2
B

Bia Santos

HostJornalista
G

Gabriela

entrevistador
Assuntos7
  • Música como terapiaAtivação de áreas cerebrais · Memória afetiva · Emoções e sistema límbico · Linguagem e aprendizado · Função motora
  • Música e Gostos PessoaisMúsica para estudar e focar · Playlists para diferentes momentos · Preferências musicais pessoais · Música como companhia e remédio
  • A Era Digital e a MúsicaFazendas de celulares votando em músicas · Internet morta e bots · Perda de qualidade na música popular · Diferenciar o real do virtual
  • Influencias Musicais na InfanciaDesenvolvimento cognitivo · Melhora de memória e atenção · Coordenação motora fina · Conexão razão e emoção
  • Cláudia Vieira 30 Anos de Música e EmoçãoMúsica como moduladora de emoções · Músicas para momentos tristes · Música e ansiedade · Música como vibração
  • Memória e MúsicaMúsica como ferramenta para idosos · Reserva cognitiva em idosos músicos · Hiperatividade compensatória em idosos não músicos · Música e a passagem para a velhice
  • Filosofia MusicalNietzsche: "Sem música, a vida seria um erro" · Khalil Gibran: "A música é a linguagem dos espíritos" · Robert Browning: Solidão povoada · Aristóteles: Qualidade da sociedade e música
Transcrição167 segmentosassemblyai/universal-3-pro-async

Bia Santos:"Quando se ouve uma boa música, fica-se com saudade de algo que nunca aconteceu." Por que a gente lembra da música? Porque você lembra um dia que você estava feliz e estava tocando aquela música. Quantas vezes a gente ouve uma música e você tem saudade de uma coisa que você não viveu? Isso é tão bonito! Uma das últimas coisas que eu vejo pacientes que demenciam esquecer é a música. Disparado. A música aciona tantas áreas no cérebro: motora, cognitiva, de linguagem, que uma música faz você dançar, mesmo que mentalmente.

Voz B:Grande Big King, né, que ele falava: não é a quantidade de notas, mas é o quanto a nota vale em si, né? Porque no começo dos anos 80, 90, tinha muitos guitarristas que tocavam muitas notas ao mesmo tempo, e ele não, ele toca devagar, ele toca no tempo dele.

Bia Santos:Os músicos, quanto mais talentosos e quanto mais experientes, quando eles improvisam, eles já sabem fazer aquilo tanto que eles não precisam mais pensar para fazer. Falar: "Ah, mas eu nunca ouvi música." Não tem problema, a hora que você começar, a música ainda assim fará esse efeito. A humanidade não vive sem música e nem sabe disso. Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Pod People Inverso. Aqui você já sabe, a Bia vira entrevistada Eu, Gabriela, entrevistador, com temas que vocês pedem e sempre com detalhezinho de muita pesquisa, que é a parte do Gabriel. A gente queria agradecer, antes de começar, aos nossos patrocinadores: a Axon Suplemento, que você sabe que entrega foco e disposição física, e também a SANA, que tem palestrantes ideais para o seu evento. Se você precisa de um palestrante para falar sobre saúde mental, psiquiatria, psicologia, narcisismo, genética, tudo isso tem lá. Se eu fosse você, dava uma olhadinha no site www.sanacursosypalestras.com.br. Você lá vai encontrar nomes incríveis que poderão fazer do seu evento um evento para deixar lembranças. Tudo bom, meu querido?

Voz B:Tudo bom, Bia. E falando de lembrança, hoje a gente trouxe um assunto um pouquinho diferente, um pouquinho legal assim, que é sobre a música.

Bia Santos:Adoro!

Voz B:E a importância da música na nossa vida. A gente sabe que às vezes o pessoal acha que música é só entretenimento, curtir, brincar, né? E realmente muitas vezes são, mas ela também tem um papel fundamental na nossa vida. Inclusive, se a gente for olhar, ela é uma das ferramentas que ajuda a moldar a infância. Eu trouxe aqui alguns dados de estudos que foram feitos, né? Que quando você começa—

Bia Santos:moldar o cérebro infantil.

Voz B:Isso, quando você começa sua vida adulta e você aprende algum instrumento, alguma teoria de música, você tem algumas melhorias porque ativa conexões do cérebro assim. Pensando por esse lado, seria importante qualquer tipo de criança assim fazer alguma, como que eu vou dizer, alguma matéria relacionada à música?

Bia Santos:Eu acho que música é uma coisa tão especial porque assim, a música aciona tantas áreas no cérebro, assim, motora, cognitiva, de linguagem. Então é óbvio que se uma música tem capacidade de ativar várias áreas cerebrais, isso faz com que todo o nosso funcionamento seja motor, porque uma música faz você dançar, mesmo que mentalmente. A linguagem também, quando você ouve uma música, você vai vendo a letra, aquilo também aciona a linguagem. As emoções mexem no sistema límbico, às vezes de forma positiva, outras negativas. Mas eu acho assim que qualquer acesso à música, seja de tocar um instrumento, seja de ouvir, é educar o ouvido para ouvir boas músicas, boas músicas, com certeza é um facilitador de habilidade.

Voz B:A gente vai ver aqui os sistemas que são acionados pela música.

Bia Santos:Ótimo.

Voz B:Agora, quando a gente para ver, né, nos estudos, as crianças que começam a estudar música desde cedo, algum instrumento, sem ser aquelas crianças que tem os pais que falam assim: "Nossa, tem que aprender piano a todo custo, você tem que aprender violão a todo custo", mas que de forma regrada, elas conseguem ter uma memória melhor, elas conseguem focar e ter mais atenção, porque isso que você falou de ativar esses circuitos, através da música você ativa muito mais cedo nas crianças, de uma forma mais harmônica, de certa forma.

Bia Santos:E mais sistemática, né? E ali como foco e atenção, porque dependendo, quando você ouve uma música e você para para prestar atenção e vai sentindo, você aciona o pré-frontal e também o sistema límbico. Você conecta razão e emoção ao mesmo tempo. Como você conecta a área da linguagem, como você conecta a área de aprendizado, como você conecta a área de sentimentos, de emoção. É muita coisa. Eu acho que a música Pode ser que eu me engane, mas eu acho que a música é uma das coisas que mais acionam mais áreas dentro do funcionamento cerebral.

Voz B:Tem alguma música que marcou sua infância?

Bia Santos:Muitas, muitas. A minha mãe cantava muito todo domingo, quando minha mãe— domingo era um dia que minha mãe cozinhava, porque ela trabalhava todos os outros dias. E eu me lembro minha mãe fazendo almoço, sempre era com muita música, muita MPB, muita música antiga. Então eu sei de músicas que na minha geração não sabia. Dalva de Oliveira, eu sabia músicas de Dalva de Oliveira de cor. Então eu tinha um amigo que uma vez eu tava cantando uma música da Dalva de Oliveira, ele olhou, olhou para mim e falou: "Bia, você nasceu póstuma, né?" Porque ele falou: "Ninguém, que música é essa?" E depois muitos, muitos cantores brasileiros regravam músicas, né? Se inspiram. E E aquilo está na minha memória afetiva. Eu queria falar umas frasezinhas aqui que eu acho fundamental da importância da música, como isso já era visto. Nietzsche tem uma frase que eu acho fantástica: "Sem música, a vida seria um erro". Isso eu acho fantástico. Tem uma outra do Khalil Gibran que é: "A música é a linguagem dos espíritos". Quer dizer, não basta só mudar toda a arquitetura da mente, mas parece que ela toca, de uma certa maneira, o nosso lado espiritual. Tem uma outra: quem ouve música sente sua solidão de repente povoada. Quantas vezes você tá ouvindo uma música, tá sozinho, e você tem a sensação de que tem mais pessoas ali, como se você tivesse num evento, não sei, numa energia boa, né? Algo que você te dá até um ânimo assim, né? Você "Se não dança mesmo, mas você imagina isso", que é do Robert Browning. E tem uma também que eu gosto muito: "Quando se ouve uma boa música, fica-se com saudade de algo que nunca aconteceu". Quantas vezes a gente ouve uma música e você tem saudade de uma coisa que você não viveu? Isso é tão bonito. Claro que a gente está falando aqui de filósofos, de pessoas mais sensíveis, não necessariamente nessa visão mais neurocientífica, mas a música sempre foi foco de atenção. Se eu não me engano, Aristóteles também falava uma coisa que era você ver a qualidade de uma sociedade com a qualidade de música. Que você ouve.

Voz B:Caramba, que legal! Para ver que ela é, como é que eu vou dizer, né, uma das poucas coisas que é multifacetária, né, que ela vai ciência, espírito, sentimento, viver, ela vai para todos os lados.

Bia Santos:E ativa o cérebro, né? Então assim, essa percepção de poetas, de filósofos, não é à toa, né? Não, aquilo mexia de alguma maneira. São pessoas em lugares diferentes, com pensamentos diferentes, que de alguma maneira mostrando essa culturas diferentes mostrando essa importância. Então, eu acho muito legal. Agora, eu acho que a criança que é exposta à música, seja ouvindo, eu acho que já faz bem, boas músicas, e acho também que quando ela vai para um aprendizado mais sistemático de um instrumento, isso, por exemplo, ali a coordenação motora fina, um violino, por exemplo, a pessoa tem que conectar o olho ao braço, né, ao sentimento, ouvido, ouvido, tato, é tudo, é tudo. Então assim, eu só fico com uma coisa, porque hoje eu acho uma coisa lamentável. Por exemplo, eu adoro Spotify, eu ouço muito, mas me causa um espanto, porque quando eu vou lá ver a lista das mais tocadas músicas, eu nunca ouvi. A maioria delas. E a maioria delas eu não vejo nenhuma qualidade, no sentido, até me esforço, vou lá, boto, eu falei, mas isso não conecta, não toca a alma, né? Como esse cara falou, né, a linguagem do espírito. Eu falo, o que que tá acontecendo?

Voz B:Aí toca.

Bia Santos:Aí não, sim, mas assim, aí eu pergunto, porque eu falo, não, porque sou eu, né, que tô desatualizado. Você já ouviu essa música? Gente jovem, não, nunca ouvi. Aí eu fiquei naquele questionamento, gente, o que que tá havendo, né? Porque eu sou de uma época que tinha um programa na TV chamado Globo de Ouro, eram as músicas mais tocadas no rádio, mas mais tocada mesmo, é aquele sucesso que tomava o Brasil inteiro, todo mundo sabia que era top das paradas, top, né? Aí os 10 mais, tinha MTV, que tinha a TV MTV que tocava as músicas, que foi depois da MTV. Hoje, outro dia alguém me deu uma explicação que eu fiquei triste, chegou assim: mas, Bia, as pessoas não votam mais em música, são as fazendas de celulares que votam. Eu falei: como assim? Ele falou: não, existem fazendas, são celulares, milhares ligados, que fazem a votação para aquela música subir. Que triste, né?

Voz B:É foda.

Bia Santos:Para você ter ideia, porque assim, é a música, eu não sei mais qual a música que meu pai ouve. Não sei, talvez isso lá fora esteja acontecendo também.

Voz B:É um movimento global, né? É muito— faz muito sentido com a teoria da internet morta, que é hoje cerca de 92% de tudo que roda na internet, todos os dados e tráfego são feitos por máquinas, robôs, bots. E você fala assim: "92%? Mas então deve ser muito robô." Mas não é porque é questão de ser quantidade só, né? É questão de qualidade. O robô, ele vai dar um clique muito mais rápido, um milhão de cliques, então vai aumentando muito o tráfego. Enquanto a gente humano é mais devagarzinho, são coisas pontuais.

Bia Santos:Porque a gente se deliciava em ouvir a música, e a gente falava que gostava. Você ligava para uma rádio porque você gostava, porque você ficava horas para votar. Aí você esperava até chegar a sua, até chegar a sua vez, porque você queria votar naquela música. Hoje eu não sei.

Voz B:Então assim, até para descobrir música nova é difícil, é difícil, porque tá todo mundo poluído de certa forma.

Bia Santos:Exatamente. E justamente por essas votações que não são votações humanas.

Voz B:E vai piorando, porque igual você vai pensando assim, pô, mas deve ser um negócio muito simples, é só para música. Aí depois você vê para seguidor de Instagram Aí você vê, para inscrito no YouTube, chegou a ponto, para você ter ideia, de fazer isso com um jogo de videogame de futebol. Você fala assim, pô, mas eles iam ter uma fazenda de mineração de— exatamente, eles tinham vários videogamezinhos que jogavam futebol sozinho com as máquinas. As máquinas ganhavam dinheiro, ganhava cartinhas, e eles vendiam essas cartinhas no mercado digital real. Ou seja, trocava cartinha por $10, por exemplo. Só que você coloca isso em 1 milhão de cartinhas, quanto que não dá? Então virou um business ter fazendas agora.

Bia Santos:De celulares ou de robôs e de computadores, é aquilo, né?

Voz B:Simular a intenção humana.

Bia Santos:É triste, né? Porque assim, eu acho que a música coloca, né? Vai tudo contra isso, né? E eu acho que vai tudo contra a essência humana, né? Eu acho que daqui a no máximo, no máximo 5 anos, o grande desafio vai ser diferenciar o que que é real, o que que é verdadeiro. Já é um desafio muito grande, mas hoje eu acho que é 5 anos que você vai ficar. E quem viveu a era analógica tem uma noção assim, fica, não, isso aí tá esquisito, né? Mas quem tá na era digital, eu acho, fica muito fácil acreditar, porque não tem parâmetro, não tem parâmetro, vai de qualquer jeito.

Voz B:É, agora quando a gente— opa, pera aí.

Bia Santos:Ah, ali, habilidade de linguagem, não te falei?

Voz B:Sim.

Bia Santos:Olha lá, o reconhecimento de ritmo e tom auxilia no processamento da linguagem, melhora o desempenho de leitura. Olha que legal.

Voz B:Agora quando a gente fala sobre dançar, né, de forma neural, o seu cérebro ele dança com a música, aquilo que você falou que ele aciona gatilhos específicos nas áreas emocionais, né? E se a gente for pegar lá a simetria frontal Tem pesquisa que mostra como que o viés na atividade do córtex esquerdo, ele tá associado a afeto positivo. Aí no direito já tá associado—

Bia Santos:Não, isso aí é a partir de estudos de eletroencefalografia. Isso. Que é o— é, você tem atividade do lado esquerdo, você marca mais emoções boas desencadeadas pela música. Do lado direito são viéses mais negativos, emoções mais negativas. Interessante.

Voz B:E o gatilho tá justamente quando a música faz essa virada entre um e outro, quando você tá em um e vai para o outro. Tinha até antigamente uma teoria de, no início da internet, de fóruns e tudo, que era criar a seleção perfeita de música, né, para CD, que era tipo 12, as 12 mais. E as pessoas falavam: não, não pode ter só música boa, tem que ter uma musicazinha ruim no meio, uma música mais ou menos, porque na hora que você escuta ela, na hora que você escuta a boa, a boa fica muito melhor.

Bia Santos:Entendi, para fazer o contraste.

Voz B:É, naquela época não tinha os estudos, né?

Bia Santos:Pode ser que a pessoa fala: esse estudo de eletroencefalograma é muito interessante assim, como, como muda.

Voz B:Qual a diferença dele para outros estudos assim?

Bia Santos:Olha, você pode ver porque o eletroencefalograma você vê atividade elétrica daquela área, daquele momento, daquele momento enquanto você tá usando, né, ouvindo. Então músicas que te trazem emoções positivas acionam mais o frontal esquerdo, e músicas que te trazem um viés mais negativo, aquelas de fossa, aquelas que você Tipo, né, a pessoa chora, mas assim com viés negativo, sofrência, seria mais do lado direito, do lado direito. Agora, quando você faz isso, você vê atividade elétrica maior nessas áreas, mas isso também pode ser na ressonância magnética funcional, você vai ver da mesma maneira, tá? Então isso é para você ver que há uma mexida real na atividade elétrica cerebral quando você coloca a música. Não é mais uma questão poética de sentir, é uma questão de funcionamento. Funcionamento, altera o funcionamento cerebral.

Voz B:E olha pra você ver que legal como altera o funcionamento cerebral a música, tanto pro positivo e pro negativo, digamos assim.

Bia Santos:Sempre.

Voz B:Tem estudos que mostram que, por exemplo, músicos de jazz, que geralmente eles são os que mais, como é que eu vou dizer, não seguem um script, eles improvisam mais. Improvisam. Isso acaba atrapalhando um pouquinho a execução do cérebro deles, né? Porque se a gente for parar pra pensar, lá no começo, quando a gente viu que quando você estuda música, seu cérebro ele vai agindo mais rápido, melhor, ele vai funcionando, ele vai tendo toda aquela harmonia. Quando você fica muito pro lado do improviso, eles fizeram estudos com pessoas que não tinham nem experiência musical e estudos com pessoas que tinham experiência musical improvisadas. Porque se pegasse um estudo com pessoas que têm experiência musical que não é improvisada, o teste de atividade de função executiva era muito mais alto. Então você, vamos balançar por baixo, vamos pegar quem nunca nem teve música, e você vê que quem nunca teve experiência musical consegue ter uma atividade melhor do que quem teve essa atividade com improviso.

Bia Santos:É, mas isso não significa um déficit.

Voz B:Aí que eu ia perguntar, será que isso não quer dizer que o músico que ele improvisa mais Mas não tem uma tendência a ser um TDAH?

Bia Santos:Não, não tem nada a ver com isso. O que acontece é o seguinte, por isso que é um paradoxo, o que se viu é o seguinte: quanto mais improviso, menos atividade no lobo frontal, tá? Que bate como se, tipo assim, ué, então eles têm menos atividade cerebral de qualidade? Isso prejudicava? Não, é porque os músicos, quanto mais talentosos e quanto mais experientes, quando eles improvisam Eles já sabem fazer aquilo tanto que eles não precisam mais pensar para fazer, entendi, tá na veia.

Voz B:Então é muito o que pega da especialista, né? Porque quando ele é especializado, ele já sabe daquilo, ele faz automático, entendi.

Bia Santos:Ele não precisa aumentar aquela atividade cerebral para fazer o que ele já faz, entendi. Então não é que ele tenha menos atividade, ele tem tanta destreza e maestria e os grandes, que ele nem precisa. É como se fosse tão natural pra ele que aquilo ele brinca.

Voz B:Tem até uma frase do grande B.B. King, né, que é um guitarrista assim, que ele falava: "Não é a quantidade de notas, mas é o quanto a nota vale em si", né. Ele falava que ele fazia uma nota valer 1 milhão de dólares, por exemplo, porque não é a quantidade de vezes que você toca várias notas, porque no começo dos anos 80, 90, tinha muitos guitarristas que tocavam muitas notas ao mesmo tempo. E ele não, ele toca devagar, ele toca no tempo dele, exatamente dessa forma.

Bia Santos:Isso, esse estudo muito interessante, porque no primeiro momento falava, ué, mas esses caras de jazz, né, que improvisam, eles vão ter muito mais atividade no pré-frontal, né? E aí se viu que não, é o contrário, é o contrário, tá no sangue, tá na veia.

Voz B:Que legal, olha para você ver como é que a música vai enraizando, né?

Bia Santos:Exatamente, ele já faz aquilo Sem pensar.

Voz B:Agora olha para você ver que bacana, você sabia que a música ela age contra a barreira do tempo? Ajuda a gente na, vamos dizer assim, né, quando a gente tá fazendo a passagem para velhice, para terceira idade, é um dos fatores que mais ajudam idosos hoje em dia a coordenação, a parte cognitiva. Parece que quando a gente tá na infância a gente tá aprendendo, o cérebro tá crescendo, e a música ajuda a crescer, né? Quando a gente tá adulto ele vai amadurecendo junto, e quando a gente vai ficando mais ele vai ajudando a gente a ter mais, não vou dizer dignidade, mas um retardo no, como é que eu vou dizer assim, na involução do cérebro.

Bia Santos:É porque assim, o cérebro quando vai envelhecendo, ele vai tendo que aumentar a atividade cerebral para compensar a perda de neurônios, para compensar como é que eu vou te dizer, a perda de circuitos. Mas o que a gente sabe hoje é que a música, desde a infância, tá, cria uma reserva cognitiva. E isso bate um pouquinho porque assim, uma das últimas coisas que eu vejo pacientes que demenciam esquecer a música. Caramba, mas disparado! Eu uma vez te falei, né, que É, na época que eu atendia, o meu secretário Marcinho, se lembra? Marcinho tem aquela coisa de cantar, gostar de cantar em inglês, em português. Ele gosta de músicas antigas. E uma vez tava uma senhora, foi se atender, aí não tinha quem deixar a mãe que já tava demenciando. Aí Marcinho: não, traz, traz ela para cá, não sei o quê. Não, mas ela vai ficar agitada. Não, qual a música que ela gosta? Ela gostava de Dalva de Oliveira. E aí o Marcinho começou a cantar. Ela ficou quieta cantando. E aí ela começou a pedir para ir. "Eu quero ir para aquele lugar." "Que lugar?" "Aquele lugar que eu ouço música, que o rapaz canta música." Aí depois, ela não sabia, depois ela falou: "Quero ir no consultório do Dr. Alex." Aí depois ela começou a se apaixonar pelo Alex porque ela conectou aquilo lá era onde tinha música. E ela falava assim: "Eu vou ver meu noivo, que lá eu ouço música." Então, assim, é claro, mas aí tem uma coisa: a música resgata esses sentimentos. É como se você tivesse uma reserva de emoções, de cognições que a música te fez, memórias, né? Então, assim, é muito interessante. Mas aí fala até mais, né? Fala como se Desde pequeno você tendo acesso à música, é como se você tivesse uma reserva cognitiva que pode ser usada, mais usada, resgatada. É como se você investisse numa coisa que o circuito cerebral, na hora que ele começa a diminuir, você tem os circuitos que podem ser ativados pela música.

Voz B:Tem estratégias de memorização que eles usam muito música, porque através da música você consegue memorizar uma sequência muito mais rápido, igual de contar números. Tinha um também de contar casas, né? Por exemplo, você pode decorar todos os bichinhos da parede, por exemplo, aí você vai cantando. Então aquele de cima brigou com o de baixo, virou amigo do outro, parará, parará. Na hora que você vê no final, você repete a música, você aprendeu tudo. Então olha para você ver que até nisso vai ajudando a gente.

Bia Santos:Não, e é muito interessante porque a música, como ela ativa várias áreas cerebrais, Então, na realidade, você tem uma reserva que não é só cognitiva, é uma reserva motora, emocional, né, de linguagem, de expressão. Porque, por exemplo, essa senhorinha, ela não conseguia falar uma frase, e ela cantava música. Então, quando ela organizava, e as músicas antigas tinha uma história, né, literalmente.

Voz B:Quanto tempo Beethoven demorava para escrever as músicas, né?

Bia Santos:Tinha uma histórias, músicas brasileiras mesmo, tinha uma história, entendeu? Então ela começou a reconectar frases, tanto que depois: eu quero ir naquele lugar. Que lugar? Aquele onde eu ouço a música.

Voz B:Caramba, que legal!

Bia Santos:Uma vez te mandei um vídeo, né? Alegria dela. Ela não ficava sentada, ela ficava: onde eu tô? Vocês estão me sequestrando? Quer voltar para minha casa? "Quero voltar para minha casa." Que tem pessoas de idade, né, em casa e que podem estar começando a perder a memória. Botar música, tentar cantar, tentar conectar, porque assim funciona.

Voz B:Novas ferramentas, né, digamos assim.

Bia Santos:Novas ferramentas.

Voz B:Se a gente pega aqui para você ver, olha lá, de acordo com os estudos, né, os dados, olha lá, FRI.

Bia Santos:Aí é de ressonância magnética funcional, né.

Voz B:Que já é o contrário daquele outro que tinha feito.

Bia Santos:São duas. A lá era um eletroencefalograma para ver atividade elétrica. Aqui você vê o funcionamento dessas áreas.

Voz B:Qual que é a diferença assim na prática?

Bia Santos:A técnica, os dois veem atividade cerebral.

Voz B:Aqui para você ver, né, os jovens que não têm músicas, os idosos não músicos jovens e os idosos músicos. Olha para você que os idosos músicos, eles têm mais do que os jovens não músicos. Olha como é que atividade cerebral deles é diferente.

Bia Santos:Não, mas aí que tá. Não, aí, aí tem um detalhe, tá? Se lembra que eu falei, quando você vai envelhecendo, o cérebro começa a ter que ter mais atividade cerebral para compensar as perdas? Então idosos não músicos, eles têm muita atividade cerebral, o que desgasta muito, é muito estressante. E hiperatividade compensatória, se lembra? Aí os idosos músicos, eles não precisam dessa hiperatividade, eles têm um funcionamento parecido com cérebro jovem, eles não se desgastam tanto, entendeu? Nesse caso aqui, essa hiperatividade não é uma hiperatividade boa, é compensatória de quem já teve perda. Ali é um cérebro o idoso não músico mais jovem, tá? Ele tá funcionando. O que tem aqui, o idoso não músico, ele tá hiperativado, mas essa hiperativação não é boa, é compensatória, tá? Porque ele vai perdendo conexões, vai perdendo neurônios, então ele tem que fazer quase uma exaustão para funcionar. Por isso que não é tão interessante. O que se viu, que o cérebro de idosos que foram expostos à música, a a prática musical ao longo da vida, é que eles têm um funcionamento muito parecido com jovem, com cérebro mais jovem. É como se ele tivesse uma reserva cognitiva mesmo, tá? Ele não precisa hipercompensar, entendi, né? Ele funciona de uma maneira mais suave, menos desgastante.

Voz B:Se a gente for pegar para resumir até agora o que a gente viu, é que na infância o cérebro tá em construção, então a música ajuda nisso, né? A completar os bloquinhos, como se fosse Lego, completa os bloquinhos de forma mais organizada, de forma melhor, né?

Bia Santos:Abre mais redes neurais, entendi, né? É mais do que isso, mais do que botar bloquinho, é abrir estradas, estradas, possibilidades mais, não, você imagina, o cérebro é uma floresta. A música na infância é como se fosse abrindo trilhas nessa floresta, abre mais trilhas. Então eu posso ter mais, passear mais dentro dessa floresta que é o meu cérebro. Tanto que você, como resultado, você acelera o desenvolvimento da memória, do foco e da linguagem.

Voz B:E até o motor também.

Bia Santos:Até o motor também. Até a parte motora também.

Voz B:Ou seja, você aprende a andar na floresta e fazer um acampamento.

Bia Santos:Além de começar a aprender também a lidar com as emoções. Eu já vi muitas crianças ouvir música e chorar, e já vi muitos adultos falar: para, não é para fazer isso, é para— pera aí, o que que você tá sentindo?

Voz B:Vamos lá, acolher de novo.

Bia Santos:Acolhe, o que que você sentiu? Eu já— Giovanna uma vez chorou com uma música, aí eu falei: que está sentindo, Gigi? Ai, tô sentindo uma coisa aqui. Eu falei: essa música é linda, eu também sinto, mas olha, coisa boa, né? "Ah, faz a gente ficar sensível, faz a gente ver como é bonito, como toca a gente." Aí ela logo, quando você diz que é normal, ela logo enxuga as lágrimas e vai parar para pensar naquilo. Então é muito importante, é muito importante.

Voz B:Vai criando até um repertório para criança.

Bia Santos:O Miguel, que é o irmãozinho da Giovanna, a minha sobrinha ouviu a gravidez inteira Foi aquela época que tinha epidemia de Zika, se lembra? Do mosquito.

Voz B:Sim, Zika vírus.

Bia Santos:É, que a gente ficou super preocupado se podia pegar. Era um tal de dar repelente, botava repelente na Bia o tempo todo. A minha sobrinha ouviu muito duas músicas: "Anunciação", do Alceu Valença, "Abre uma leve da paixão que vem de dentro", e depois ouviu uma muito do Nando Reis, Eu acho que de janeiro a janeiro. Você sabe qual é essa música, Gô? Vou Te Amar de Janeiro a Janeiro.

Voz B:Ela ouvia a do Alceu Valença, na voz do Alceu Valença?

Bia Santos:Na voz do Alceu Valença e na voz da Mariana também. Esse menino, primeira vez que ouviu essa música independente, Ele tem paixão, ele canta, ele sabe toda a música, as duas músicas do Nando Reis.

Voz B:Então ele falou que não tem consciência, mas às vezes ele lembra de coisas.

Bia Santos:Com um aninho ele já tava assoviando, tentando botar. E aí um dia a gente falou, eu falei: "Que que é isso?" Ele falou: "Eu adoro essa música." E ele sabe. Aí depois você foi dizendo: "Isso é do Alceu Valença, isso é Nando Reis." Ele cantava feliz da vida.

Voz B:Que bom, ele tem um gosto musical bom também.

Bia Santos:E depois ele começou O Miguelzinho começou a ouvir muito Tiago Iorque, aí ele também começou a cantar. Tiago, é impressionante a ligação do Miguel com música.

Voz B:A Biazinha gosta demais, qual estilo?

Bia Santos:MPB. MPB. E a Giovanna, ela tem a ligação com a música, mas ela tem a ligação com a música muito no movimento do balé. Ela conecta muito, ele conecta para cantar. É, ela conecta para sentir no corpo.

Voz B:Caramba, que legal! Então liga muito aquilo que ela chorou quando ouviu uma música, então o corpo dela respondendo.

Bia Santos:E por exemplo, a Giovanna fez 9 anos, ela é uma leitora quanto mais assim, música e habilidade, leitura. Nossa, para ela fez muito efeito.

Voz B:Que legal!

Bia Santos:Orgulho dela é fazer uma coleção de livros que ela lê no ano, independente dos livros da escola. Legal.

Voz B:Então funciona, vai ajudando, né?

Bia Santos:Funciona.

Voz B:Quando a gente tá na vida adulta, né, que é o emocional presente, você acha que um adulto, né, que não tem uma coletânea boa de músicas, digamos assim, não tem um repertório legal, não tem essa reserva cognitiva sendo feita desde criança, pode ter alguns, vamos dizer assim, atrasos para—

Bia Santos:eu acho que vai ter mais dificuldade de modular as emoções.

Voz B:Entendi.

Bia Santos:E eu acho que vai ter também mais dificuldade em equilibrar o humor, eu acho, porque igual o motor a gente vai pegando com o tempo, né? Mas essas emoções vai ficando, principalmente se as emoções foram acolhidas, porque as crianças sentem muito. Engraçado, tanto que se você canta uma música de brincadeira, o sapo não molha o pé, não molha o pé, porque não sei o quê, elas riem, eles riem. Você fala 10 vezes aquela música, eles riem. Então é a música Música também ajuda a modular a emoção. Não tá aí, mas ajuda. Eu vejo isso muito concretamente, principalmente se você vai, vai entrando naquela onda, tá rindo, aí daqui a pouco vem uma música mais reflexiva, né? Qual foi a musiquinha do— musiquinha não, a música do Thiago Iorque que o Miguel começou a cantar, mas numa felicidade Ai, meu Deus, que se agora aquela—

Voz B:Amei te ver.

Bia Santos:Eu amei te ver.

Voz B:O coração dispara. O bicho é bom, né, velho?

Bia Santos:E coração dispara.

Voz B:E é para você ver que o ritmo lembra, né, antigamente.

Bia Santos:Então ele seguiu mesmo, ele tem essa coisa, é impressionante. E ele adora assim, se deixar, ele quer ir para show de noite. Não pode, porque ele é criança. Ele fica: mãe, eu quero ir, eu quero ir. É muito interessante. Então assim, é também um momento que a gente pode usar música para ensinar as crianças desde cedo a modular emoção. Entendi. Porque você viu que você viu ali naquele primeiro do eletroencefalograma, você viu o seguinte: as músicas que despertavam sentimentos, emoções boas, predominava uma atividade no lobo frontal esquerdo. E as músicas que predominavam sentimento mais negativo, uma emoção mais negativa, predominava atividade do lobo frontal direito.

Voz B:Isso.

Bia Santos:Então assim, tem os dois lados mesmo, né?

Voz B:Vai compondo, né?

Bia Santos:Vai compondo, porque assim, é mais racional, né? Uma coisa mais racional, outra mais emocional. E é legal para poder ensinar a modular. Você viu, eu acho que o grande, uma das grandes motivos da gente tá tão mal hoje em dia, a maioria É modulação emocional.

Voz B:As crianças não estão tendo educação diferente, porque o O do Sapo, por exemplo, mostrava que você tinha que lavar o pé e enxugar, porque senão ia deixar—

Bia Santos:tinha uma coisa educativa, né, e de alegria. E tem canções que são canções mais tristes, né. Eu me lembro que a minha avó ouvia muito música de Roberto Carlos, tinha umas músicas do Roberto Carlos que era muito triste. Né, era músicas de criança, que era triste.

Voz B:Eu tinha um CD de coletrinha que falava da corujinha, cantava assim: corujinha, corujinha, que feinha é você. Aí vai cantando, sabe? Era bem—

Bia Santos:não, e daí tem crianças que começam a chorar, porque assim, a melodia também acompanha, né? Então é bacana isso.

Voz B:Do Pato também, Pato Pateta, e vai ficando famoso assim, vai pegando. No pé do cavalo.

Bia Santos:Aí tu já fala: o que que é cavalo? Exatamente. Aí hoje você vê as crianças com músicas que é uma dança sem sentido, sem letra. Exatamente. Então assim, que não ajuda a modular emoção, não ajuda. Pelo contrário, ajuda fazer um movimento físico, mas não uma conexão de movimento físico, emoção. Agora que a gente viu que a música ajuda nisso tudo, né, nessa parte da velhice também, que ela ajuda nessa, compõe, ajudar nessa resiliência, seria reserva cognitiva que a gente falou, né, aquela reserva de circuitos que ficaram ali, foram trabalhados e estão ali para quando a velhice chega eles podem ser ativados de forma compensatória. Por isso que é importante ter músicas boas, né, não aqueles, os tuts tuts, músicas pesadonas, aquelas, porque assim, tem Tem que ter um contexto, tem que ter uma emoção, tem que ter um movimento, tem que ter uma linguagem, porque o maior número de áreas que você pode sensibilizar com a música, isso é uma reserva cognitiva no futuro.

Voz B:Entendi. Então é qualidade do combustível, digamos assim, que você vai usar de reserva depois?

Bia Santos:Qualidade do combustível. E por que que a gente lembra da música? É porque você lembra um dia que você tava feliz e tava tocando aquela música.

Voz B:Entendi.

Bia Santos:Então você tem que associar cognição e emoção. A possibilidade de gravar é muito maior.

Voz B:Pessoas que têm aquele transtorno de personalidade borderline, por exemplo, se escutar música muito de sofrência, igual, vamos dizer assim, né, umas músicas mais melancólicas, tende a atrapalhar?

Bia Santos:Se tiver numa fase difícil, deve evitar, porque a música nos contagia, tanto positivamente quanto negativamente. Então, evitar músicas de sofrência, de Tinha gente, tinha uma cantora maravilhosa americana chamada Billie Holiday, e era muito triste, de uma tristeza, né? E aí eu me lembro que eu sempre falava para os meus pacientes, meus pacientes, pelo amor de Deus, nem pensar em ouvir Billie Holiday nessa atual situação que você está, senão você vai lamber o chão. E era de lamber o chão.

Voz B:É igual o Reginaldo Rossi antigamente, garçom.

Bia Santos:Mas aí ele era mais uma fossa, mas ainda dava para rir um pouquinho. Né, porque a Billie Holiday não dava, não dava, era cortar os pulsos e beber. Então assim, tem que ter muito cuidado. A música, o ideal é você ter músicas, você fazer uma trilha sonora que você tenha músicas para momentos tristes. É bem melhor que você pegue músicas que te façam bem, né, ou instrumentais mais suaves, e evitar as músicas que te trazem mais recordações ou Porque a música é uma vibração. Entendi. A gente não pode esquecer que música é vibração.

Voz B:E a gente viu que ela lá no começo, ela pode ser uma ferramenta muito boa, né? E ela consegue ser essa ferramenta, por exemplo, para TDAH, no caso, para estudar, para focar?

Bia Santos:Olha, tem gente, eu consegui estudar muito bem com música instrumental de fundo, porque aí não precisava me concentrar na letra.

Voz B:Aí era melhor, por exemplo, ouvir música ou sem ouvir música?

Bia Santos:Eu conseguia fazer as duas coisas.

Voz B:Entendi. Então é bom, é bom tentando, né?

Bia Santos:Você vê, agora em geral a gente tem que evitar músicas com letras para você se concentrar no texto. Você vai lembrando a letra, a palavra, né? Que nem para dormir, você deve usar sempre, se quiser, uma música mais relaxante, sem letras, senão você começa a a se concentrar numa palavra: coração, raiva. Aí você começa, teu cérebro começa a se despertar.

Voz B:Depois a parte 2 de como que a música engatilha esses sentimentos, né, de acordo com o tempo. Igual música de manhã, música de tarde, música de noite.

Bia Santos:É uma vibração. Por isso que eu gostei muito dessa frase aqui do Khalil Gibran, que eu não conhecia. Música é a linguagem dos espíritos, né? Achei muito interessante.

Voz B:É porque se você for olhar, né, ela é uma variável que ela muda, como dizer, ela é um otimizador daquilo que Você tá no momento, você tá triste, coloca ela triste, fica mais triste.

Bia Santos:Exatamente, potencializa. Então você tem que usar ela de forma a te favorecer e não piorar.

Voz B:Por exemplo, tem alguma música que gera ansiedade? Que, por exemplo, músicas mais rápidas, batidas, né, por minuto mais aceleradas?

Bia Santos:Depende da pessoa, porque pode ser que a pessoa queira naquele momento, esteja querendo extravasar, pode ser que música acelerada faça bem. Agora, se ela já tiver ansiosa ansiosa e ela vai para uma coisa que aumenta o batimento cardíaco, que aumenta, né? Pode ser que fique mais ansiosa. Então não basta assim, não é para isso, tem que ver qual é a personalidade daquela pessoa, situação que ela tá vivendo, o momento.

Voz B:Às vezes numa festa uma música rápida é boa.

Bia Santos:Sim, você entra num ritmo, né? Daqui a pouco tem para acalmar, tem para agitar. O ideal é você ter várias playlists onde É, tem músicas neutras que você pode fazer várias outras coisas junto, músicas que te jogam para cima, músicas que fazem você rir, traz alegria, músicas que fazem você lembrar momentos bons, músicas até que faz você sofrer um sofrimento que você nunca sofreu, mas aí você não tem que estar sofrendo, é só para simular. Que eu achei essa frase maravilhosa do Samuel que ele fala: quando se ouve uma boa música, fica-se com saudade de algo que nunca se viveu. Eu já tive essa sensação quando ouvi determinadas músicas, do tipo assim: gente, eu não vivi nada disso, mas que saudade! Eu queria ter vivido o que essa música tá me despertando. Até isso é interessante.

Voz B:Pensando assim, né, quais músicas assim você costuma ouvir e em quais lugares? Por exemplo, para treinar, para estudar, para ler, andar de bicicleta, fazer atividade física.

Bia Santos:Eu gosto muito de eletrotango, dá uma batida bacana, mas não é aquela batida repetitiva, é uma batida emocional, sabe? Tem uma lista que é daquela— É mais difícil, até dá.

Voz B:É que eu tô pensando que o tango já é difícil, agora o eletrotango é para te animar, é para dar dá ritmo.

Bia Santos:Por isso que eu falei, é mais atividade física. Tem uma cantora que eu amo, que é a Shadea Doo, né, que agora até surgiu uma muito parecida com ela, não vou lembrar. Shadea Doo entra para mim em qualquer ritmo e assim me acalma. Ah, mas ela é boa demais, me acalma e me dá uma sensação boa de leveza, sabe? A voz dela é um veludo, né? Sim, a voz da Xadeadô é um veludo.

Voz B:Ela mudou aquela voz de tosse.

Bia Santos:Ela sempre se pode botar lá. Gosto muito também é de determinados sambas antigos que tinham letra, começo, meio e fim, contava uma história inteira.

Voz B:Mas esse é para beber, essa dos antigos assim.

Bia Santos:Às vezes eu quero cantar, tô alegre, quero cantar, boto alguns sambas antigos. Tem alguns sambas de escola de samba antigo que são eternos. Beleza de ser um eterno aprendiz. E MPB, gosto muito de MPB. Gosto também de músicas instrumentais. Eclética, né? Eu sou bem eclética, bem eclética. Sou mesmo. Assim, sertanejo tem umas que eu acho bem legal, mas a maioria eu não consigo conectar, porque é tanto sofrimento que eu acho que eu não posso sofrer mais não, gente. Não, é sempre uma coisa mal, é uma relação mal acabada. É uma discussão, uma raiva, doente de amor, procurando remédio na vida noturna. É só, não tem um mais assim, né?

Voz B:Aquilo ali junta você beber. Antigamente também, olha as músicas antigamente, as músicas antigamente era só isso, era muito.

Bia Santos:Mas assim, tem música certa vez que eu adoro também, adoro. Dá para fazer uma catarse, eu sou bem eclético. Eclética, bem eclética. Por exemplo, às vezes eu quero arrumar a casa. Ah, meu filho, é axé.

Voz B:Axé? Caramba, imagina você dançando psíquico do povo.

Bia Santos:Não, é axé daqueles bem— já chegou o verão, calor no coração, a festa vai começar. Não, essa é da Bahia. Já chegou o verão, calor no coração, a festa vai começar. Carnaval na Bahia, oitava maravilha. Nunca irei te deixar. É muito legal.

Voz B:Se não fosse médica, era música, né?

Bia Santos:Ia tentar, né?

Voz B:Musicista, né? Aprendi essa.

Bia Santos:Perdão, músico. Ia tentar, ia tentar. Mas assim, a música faz parte da minha vida, faz mesmo.

Voz B:Agora, se a gente fosse deixar, né, assim, para você mostrar para essa geração que tá chegando, para geração que tá aqui e para que geração que tá indo para terceira idade, né? Ne? Qual mensagem você deixaria para eles relacionados à música assim, né? Para tocar neles.

Bia Santos:Usem mais a música. A música é muito mais do que uma trilha sonora de uma fase da vida. A música é uma companhia para vida inteira. A música é um remédio, se você souber usar, é um remédio para todos os momentos. A música Música, ela além de ser agradável, ela te ajuda a desenvolver todas as partes do cérebro desde criança. E tem uma coisa boa, né, tipo assim, a pessoa fala: ah, mas eu nunca ouvi música. Não tem problema, a hora que você começar, a música ainda assim fará esse efeito.

Voz B:Caramba, que legal!

Bia Santos:A música de alguma maneira, ela, a humanidade não vive sem música e nem sabe Mas usa muito pouco.

Voz B:Antes de terminar, né, a Maria que tá acompanhando a gente aqui falou, pediu para perguntar qual que seria a música da sua vida assim, se você pudesse escolher uma só.

Bia Santos:Mas é muita coisa, não daria uma música só.

Voz B:E uma para você escolher assim, se tivesse na ilha deserta, você vai escutar essa música 10 anos.

Bia Santos:Eu ouviria a instrumental da que se chama Mia e Sebastian. Mia e Sebastian é muito, muito linda assim. Ela dá uma emoção e uma paz ao mesmo tempo. Não sei dizer, talvez, talvez é uma música que eu nunca deixei de ouvir desde a primeira vez que eu ouvi.

Voz B:Ela toca assim, lembra, te faz lembrar.

Bia Santos:Ela me faz bem. Não foi nenhum, da primeira vez que eu ouvi não foi nada demais, mas Ela me chamou atenção não pelo que eu tava vivendo, mas me chamou atenção por ela, pela música em si. E depois eu nunca mais deixei de ouvir Mia e Sebastian.

Voz B:E não se esqueça, se você gostou desse vídeo, clica aqui embaixo em eu gostei. Se você não gostou, acontece, mas você digita assim: ah, não gostei não. Não se esqueça de mandar esse vídeo também para algum amigo, para alguém que você queira, como é que eu vou dizer, mostrar que se importa. Porque música boa é bom, mas um podcast com áudio bom também é outra coisa. E um podcast com a Doutora explicando sobre música é melhor ainda. Ainda, então não se esqueça, clica aqui embaixo, se inscreva, e até o próximo Pod People Inverso.

Bia Santos:Deixa de ouvir música, tá? Faz bem.

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