Nem tudo que você sente cabe em um diagnóstico - PODPEOPLE INVERSO COM DRA. ANA BEATRIZ | Ep. 049
Borderline, depressão profunda, estresse crônico, TDAH, trauma infantil e terapia. Neste Tirando Dúvidas, eu respondo perguntas de vocês sobre saúde mental, emoções e comportamento.Falamos sobre a relação entre infância e borderline, sinais de depressão, efeitos do estresse crônico, TDAH na aprendizagem, regulação emocional, diferentes tipos de terapia e também memória autobiográfica.A mente humana vai muito além de um diagnóstico.Assista até o final e deixe nos comentários a sua dúvida. Ela pode ser escolhida para um próximo Tirando Dúvidas.
Dra. Ana Beatriz
Bia Santos
- A relação entre rejeição na infância e o desenvolvimento do transtorno borderlinecomponente genético do borderline·infância e formação da afetividade·adultos disfuncionais e negligência·abuso psicológico e sexual·falta de validação emocional
- Tratamento da depressão profunda e estresse crônico sem depender de medicamentosdepressão profunda requer tratamento medicamentoso·estresse crônico e alterações metabólicas·evolução do estresse para depressão·diferentes tipos de depressão
- Diferenças entre psiquiatra, psicólogo e psicanalista e suas abordagens terapêuticaspsiquiatra para disfuncionalidade grave·psicólogo para autoconhecimento e aperfeiçoamento·psicanálise e outras linhas de terapia·escolha da terapia conforme a necessidade
- Como lidar com o estresse em crianças e a importância da regulação emocionalalterações de comportamento e apetite·identificação dos motivos do estresse·desenvolvimento da inteligência emocional·cartilhas de autorregulação emocional
- Diagnóstico dos sintomas de depressão profunda e estresse crônicoestresse crônico e manifestações físicas·depressão e alteração comportamental·perda de prazer e isolamento·ideias de deixar de viver
- Alfabetização de crianças com TDAH e a importância da motivaçãodificuldade de manter atenção e foco·alfabetização afetiva e estímulo·TDAH com comorbidade de dislexia·reforço escolar e pausas
- A neuropsicologia do trauma infantil em relações com mães disfuncionaismães disfuncionais e situações traumáticas·dificuldade de aprendizado e afetos disfuncionais·apego ansioso ou evitativo·necessidade de especificar a consequência
- Crítica a treinadores e coaches que prometem sucesso rápido com técnicas bizarrasmudanças rápidas e motivação·sucesso de fogo de artifício·talento e propósito para sucesso sustentável·falta de estudos retrospectivos
- A memória autobiográfica e o benefício de escrever um diáriohistória das diversas fases da vida·diário como identificação de emoções·escrever à mão e exercício cerebral·dificuldade de falar de emoções hoje
- Influência de fatores genéticos na depressão e transtorno bipolarepisódio isolado versus depressão recorrente·depressão dentro do transtorno bipolar·depressão em mulheres e menopausa·complexidade do diagnóstico
Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Pod People Tirando Dúvidas. Muito bem, vocês gostaram e a gente tá repetindo. Com isso a gente vai trazendo todas as dúvidas que vocês deixam quando estão assistindo os episódios, tá? É, eu tô aqui do meu lado, tem o meu companheiro de voz Gustavo, que você já conhece também em frente às câmeras, mas faz esse ping-pong aqui para deixar exatamente o Tirando Dúvida do jeitinho que você gosta.
Eu respondendo, Gustavo representando na voz vocês que mandam as perguntas. Tudo bom, Gu?
Tudo bem, Bia, graças a Deus. E mais uma vez, né, agradecer as pessoas. Será que mandaram perguntas?
Eu acho que sim.
É, mandaram. Respondendo a sua pergunta, sim, e mandaram bastante, viu? Só tem um detalhe, Bia, em um Pod People Tirando Dúvidas não vai dar conta de responder.
É bom que a gente A gente vai tendo que fazer mais.
Ah, então vai ter mais?
Claro que vai.
Ah, então você já gostou? Pessoal gostou.
Aí quando gosta, a gente volta. Ó, nós aqui, travei, travei, como diz os mineirinhos.
Pois é, Bia, obrigado a você que acompanhou, que mandou sua pergunta. Isso é muito importante e vamos tentar ajudar e responder elucidando as perguntas e respostas que cada pessoa tem na sua dúvida. E vamos para a primeira, Bia.
Não vai falar o nome, né?
Não, não, não.
Se vocês quiserem que fale o nome, fala: olha, o meu, eu quero que fale nome na pergunta, mas a gente não fala o nome porque aí a pessoa fica, sabe quem fez, sabe que fez a pergunta. Quem não quer ser exposto fica também tranquilo. Aqui a gente não gosta de expor ninguém, tá?
Isso mesmo, só deixar claro ali que a gente fala. Então a primeira pergunta, Bia, é a seguinte: a rejeição na infância é a chave para desenvolver borderline?
Bela pergunta. A gente tem alguns episódios aí que o Gustavo vai indicar para você que tá com dúvidas em relação ao borderline. A gente também tem um curso online chamado Mentes que Amam Demais: O Jeito Borderline de Ser. Vamos lá, borderline é um transtorno de personalidade, ou seja, ele é complexo. Ele, antes de ser uma doença, ele é uma forma de ver e agir no mundo. Tem muitas, muitas camadas, né, a personalidade borderline, e muitas camadas disfuncionais, ou seja, coisas que trazem sofrimento para quem vive, também para quem tá ao redor.
Existe um componente genético no borderline que ainda tem que ter estudos mais robustos para dizer o quanto, porque tem estudos que falam de genética de 35%, tem outros que falam de 50%, quer dizer, são São estudos ainda com poucas pessoas, precisam estudos mais robustos, com mais gente, mais tempo para que a gente possa dizer: não, tem um componente genético. Mas o fato é que tem, a gente não sabe exatamente quanto. Em relação à questão da infância, existe sim um componente da infância, como a infância é desenvolvida, no desenvolvimento do borderline.
A gente sabe o seguinte, que a infância é aquela fase em que as crianças começam a formar sua afetividade. E a afetividade tá muito ligada a como a gente é tratado, como a gente é recebido, como a gente é validado, como essa criança tem seus sentimentos, tem suas emoções validadas, como adultos colaboram para que essa criança que ainda não sabe regular suas emoções possa se autorregular. Quer dizer, isso é importante para qualquer criança.
Agora, você imagina uma criança em que tem adultos disfuncionais, ou seja, adultos que não têm nenhum tipo de estabilidade emocional, adultos impulsivos, adultos agressivos, adultos omissos, né? Então a gente vê sim que existe um percentual nesse aspecto do transtorno de personalidade borderline que tá muito vinculado a esse período da infância não ter tido esse desenvolvimento afetivo adequado feito por adultos responsáveis. Então a gente vê muito abusos, abusos psicológicos, às vezes abusos sexuais, mas também a gente vê como se fosse uma falta de validação em relação aos afetos, aos sentimentos, e principalmente adultos que possam ajudar essa criança no desenvolvimento da sua maturidade emocional, que é tão importante.
Esse período mais importante da constituição da afetividade e do controle das emoções é ali entre 4, 5, 6 anos. Então esse período é um período muito decisivo, e crianças que são expostas ali à negligência, abusos e qualquer tipo de não acolhimento, não validação das emoções, com certeza isso se torna um dos fatores para que ela possa desenvolver o transtorno borderline. Mas salientando que não é sozinho, nós temos aí o componente genético, nós temos o componente de vivências, que tipos de vivências, que tipos de traumas essa criança pode ter sido submetida.
Mas tem uma relação. E eu sugiro que você se aprofunde nesse tema, que é um tema tão pouco falado, e falado às vezes não de maneira correta no sentido da profundidade, da complexidade que é o transtorno de personalidade borderline. A gente tem um episódio que a gente fez no inverso, né?
É o número 43.
É, pode ir para o inverso, número 43, que eu e o Gabriel fizemos sobre Borderline. E é importante que você olhe. Agora, você quer aprofundar? Se você é psicólogo, se você tem alguém na família, se você quer saber um pouco do comportamento, porque às vezes a gente tem um amigo, né, que tem um comportamento mais típico do transtorno borderline, e isso não quer dizer que seja uma má pessoa absolutamente. Aprender a lidar. Então todo conhecimento é válido. Aí eu te sugiro o curso online Mentes Queimam Demais, não é isso mesmo?
O jeito borderline de ser.
Onde que eles podem acessar.
A gente vai deixar o link, a gente deixa o link também.
Vocês podem ir lá no link que tem na minha bio. Quando você clica lá, tem cursos, tem tudo direitinho, e você vai achar. É um assunto muito interessante, fascinante. Eu diria que quem tem o conhecimento e a informação correta sobre o universo borderline acaba tendo um conhecimento muito profundo dos afetos, dos sentimentos, das emoções, e acaba vendo com outros olhos e também lidando em si de outra maneira, mesmo que você não seja borderline, tá bom?
Muito bom, Bia, muito bom. Agora são várias perguntas dentro do tema da depressão profunda e o estresse crônico.
Eu vou te fazer uma pessoa, não, já é outra pessoa, mas essa pessoa é a mesma pessoa que tá fazendo essa polipergunta. Isso são várias perguntas da mesma pessoa, tá?
Então a primeira ela é: como tratar depressão profunda e estresse crônico sem necessariamente depender de medicamentos farmacêuticos?
Vamos lá, essa é a primeira, é a primeira que já é uma pergunta e tanto. Pois é, vamos lá. Quando se fala em depressão profunda, a gente tá falando de um transtorno grave que pode levar a a perda da vida. Então, se é uma depressão profunda, requer tratamento medicamentoso, psicoterápico, e muitas vezes de técnicas neuromoduladoras, que a principal aí nesse caso seria estimulação magnética transcraniana. Depressão profunda, como você falou, não é brincadeira, não é frescura, é como se fosse uma pneumonia no cérebro, entre aspas, tá, gente?
Você não chega para alguém que tá com uma pneumonia e fala assim: ah, não vamos tomar remédio, vamos passear na praia, respirar um ar profundo, que isso vai passar. Não, porque a pneumonia leva também a pessoa perder a vida. Então a gente tem que entender que depressão profunda é grave, requer tratamento. Isso não quer dizer que você vai tomar remédio para sempre, isso quer dizer que você tá numa fase difícil no no qual o cérebro precisa de todas essas ações medicamentosas, psicoterápicas e também técnicas neuromoduladoras para que ele possa sair desse estado.
Quando ela associa depressão, não é isso, a estresse profundo, cuidado, porque assim, é, em geral o estresse crônico vem antes. O estresse é aquelas situações em que o organismo, principalmente o cérebro, entra em estado de alerta lidando, tentando lidar com situações desconfortáveis. Quando esse estresse é crônico, a gente tem níveis elevados de cortisol, a gente tem níveis elevados de adrenalina, e você começa a ter alterações metabólicas significativas no corpo.
Você começa a ter aumento de pressão, você pode ter arritmia cardíaca, você pode ter alterações intestinais. Quer dizer, você tem uma alteração total metabólica. O estresse você pode medir, são as alterações metabólicas que ocorrem no organismo por um cérebro que tá tentando lidar com situações adversas há algum tempo. Esse estresse crônico, em geral, se não é interrompido, se não é restabelecido, e talvez na fase de estresse crônico você possa de fato não usar medicação e realmente reverter de forma psicoterápica as situações, mapear as situações que estão te trazendo desconforto, que estão te trazendo insônia, que estão fazendo ansiedade, fazer isso, estabelecer mudanças comportamentais que vão reduzindo esse estresse e evita que esse estresse acabe desaguando numa depressão maior ou talvez num transtorno de ansiedade maior, como pânico, né, como transtorno do pânico é tão paralisante.
São duas coisas separadas que podem ter relação de continuidade. Em geral, você tem um estresse crônico, que pode evoluir para uma depressão. É claro que você tem que ver se essa depressão é uma depressão unipolar, ou seja, só uma depressão, um episódio, ou se você tem uma história de transtorno depressivo recorrente, porque aí já é uma outra maneira de abordar, ou se essa depressão tá dentro de um transtorno bipolar. É, mas de qualquer maneira, depressão profunda não há possibilidade da gente fazer um tratamento que seja só à base de psicoterapia ou de qualquer outra técnica que a gente não possa de fato restabelecer.
Lembra da analogia que eu fiz do pulmão. E a gente tem também, né, o Guru, a gente tem um curso que é o Mentes Depressivas, né, que fala tudo, todos os detalhes, todos os componentes de estresse, todos os componentes desencadeadores, alterações hormonais que podem contribuir para uma situação de depressão, a genética, quando ela é maior, quando ela é menor, alteração do sono. A gente tem aí uma abordagem bem ampla de todas as possibilidades de tratamento, não só os tratamentos medicamentosos, mas os terápicos, as técnicas neuromoduladoras, tudo ali juntinho para você ficar bem por dentro de algo que só vai aumentar.
A depressão tem aumentado, infelizmente, nos nossos tempos, e cada vez mais ela acomete pessoas com idade mais inferior, crianças, adolescentes, e ela cada vez tem se mostrado mais grave e mais profunda. Então a gente tem que estar atento.
Bia, é bom lembrar também, eu deixei na sua mesa, se quiser mostrar para câmera aí, que é o livro Mentes Depressivas, para o pessoal ver, que para quem, as pessoas que pode levantar ele para câmera, por favor. Ó, aqui, ó, tá ali para você ver também, que você pode procurar com essa capa, Mentes Depressivas, que você vai encontrar também bastante esclarecimento ali. Você já citou alguma coisa, Bia, porque a segunda pergunta ligada a essa que a pessoa coloca é como diagnosticar os sintomas de depressão profunda ou estresse crônico?
Eu acho que a depressão, vamos lá, vamos separar. O estresse crônico é um processo gradativo de alterações metabólicas de um cérebro que está tentando enfrentar dificuldades e adversidades. Então isso geral começa a se manifestar com até infecções repetitivas, otites de repetição, faringites, porque o cortisol acaba dando uma alterada no sistema imunológico. Você também pode ter alterações intestinais, você pode tanto diarreia quanto constipação, você pode ter aumento de pressão, pequenas taquicardias, ou seja, arritmias.
Então o estresse, ele tem que ser visto por um clínico geral porque ele altera o organismo como um todo, todo metabolismo passa a estar alterado. E quando isso não é visto, vamos lá, você evoluiu para um estado de depressão, um episódio de depressão, o que que acontece? Aí você já tem uma alteração comportamental, você começa a ter insônia, e geral a insônia da depressão é uma insônia que a gente chama de terminal. Você deita, dorme, entre 3, 4 horas da manhã você acorda e tem dificuldade de voltar a dormir.
Você também tem alteração no comportamento, você deixa de ter prazer em fazer coisas que você fazia anteriormente e que agora você não vê mais sentido. Você também tem algo que você começa a ter muita dificuldade de executar trabalhos que você sempre conseguiu fazer bem, em se relacionar com as pessoas. Você vai perdendo a graça de viver, ou seja, tudo vai ficando cinza, né? Então tem uma mudança comportamental principalmente de deixar de fazer coisas que se faziam antes.
E aí, dependendo da pessoa, você vai ter uma série de sintomas, mas isso é básico, é deixar, perder o prazer de coisas que davam prazer antes e não querer mais fazer e começar a se isolar, muitas vezes isolar, mas tem pessoas que deprimem e conseguem disfarçar isso muito, muito bem. E a depressão, ela é grave principalmente quando essa pessoa apresenta ideias de deixar de viver. Então isso é uma característica, é um sintoma que passa a ser um fator de gravidade que precisa ser visto e que precisa ser tomadas medidas médicas importantes para que a gente possa tentar evitar isso.
E ela também pergunta, Bia, se fatores genéticos realmente influenciam.
Sim, influenciam. E aí vai depender, é um episódio isolado? Que tem um fator um pouco menor genético. É um episódio que é uma depressão recorrente, é outra, vai ter um componente maior. Ou é uma depressão dentro de um transtorno bipolar, alternando com aquela mania, com estado de euforia, de excesso de energia, de impulsividade, porque o fator genético no transtorno bipolar é maior. Então, isso que eu tô falando, pode parecer que depressão é tudo igual, mas não é.
Então, a gente tem que ter uma visão porque é um assunto muito complexo. Por exemplo, quadros depressivos em mulheres é diferente, depressão que ocorre depois da menopausa é diferente. Então, a gente tem que ver idade, a gente tem que ver sintomas, história genética daquela pessoa. Por isso que eu digo, é complexo, mas é um assunto fascinante e a gente pode, de fato, se intervir precocemente, sabendo do que a gente está identificando ali na pessoa, a sua história, história familiar, sintomas, a gente tem como vencer essa batalha e vencer mesmo.
Apesar dos números que hoje crescem no mundo inteiro ser muito desanimador, eu sou muito otimista porque eu sei que quando a gente tem a informação certa, o conhecimento certo, fazer a coisa certa acaba dando certo, literalmente. Então depressão tem tratamento, temos recursos, mas temos que ter conhecimento.
Muito bom, Bia, muito bom. Agora outra pessoa, outro tema, outra pergunta, tá bom? É: como alfabetizar uma criança com TDAH?
Olha, não é muito diferente do que alfabetizar qualquer outra pessoa. Porque o que tá em jogo no TDAH é a dificuldade de se manter a motivação, de se manter a atenção daquela criança. Então, talvez é uma alfabetização que tem que ser mais afetiva, talvez com estímulo de afetividade maior, mas ela não tem nenhum problema de aprender. Ela tem a dificuldade de se motivar, de focar, de se concentrar. Esse é o grande desafio na alfabetização.
Agora, talvez ela esteja dizendo a criança que tem TDAH e tem comorbidade do tipo dislexia, que é o transtorno de linguagem. Aí a gente vai ter uma dificuldade de leitura, às vezes até da forma de escrever. Então aí somente uma psicopedagoga para que ela possa fazer atividades de fortalecimento dessa criança em relação a esse transtorno de linguagem. Mas, por exemplo, eu tenho TDAH, eu fui alfabetizada, E aí, claro que com alguma dificuldade.
E depois, quando perceberam, eu fui sem perceber, sem diagnóstico, me foi passado. Minha mãe era pedagoga, então ela fazia reforço comigo em casa e bem focado ali para que eu ficasse, não o tempo todo, dividia 15 minutos fazendo a tarefa, aí tinha 5 minutos para dar uma voltinha. Voltava mais 10 minutinhos. E isso realmente fez a diferença para mim e a motivação que me era dada no sentido do aprendizado mesmo. Então é possível, tá?
Tá bom, Bia, muito bom. E outra, uma pessoa que está fazendo agora um TCC na faculdade de psicologia, tá bom? Doutora Ana, estou em processo de TCC na faculdade de psicologia e ver sua opinião sobre o tema principal seria de muita ajuda. Como funciona a parte neurológica, no meu caso trazendo mais a neuropsicologia, no trauma infantil a partir de relações familiares com mães disfuncionais?
Olha, eu só não vou falar o nome, eu só não entendi exatamente qual é o tema no seguinte sentido: mães disfuncionais né, tem maior probabilidade de produzir situações traumáticas. Isso é um fato. Mães disfuncionais têm maior possibilidade de não validar emoções, de não acolher emoções, de não ajudar essa criança, principalmente ali entre 4, 6 anos, a aprender sobre emoções, identificar suas emoções, começar a se autorregular emocionalmente.
Então isso aí predispõe que essa criança seja muito mais sensível a situações traumáticas, porque ela não tem o cabedal de um adulto que possa ajudar ela no processamento das suas emoções. Agora, exatamente em que que ela tá colocando que isso vai trazer um prejuízo? É no aprendizado? É na formação de vínculos afetivos no futuro. Por exemplo, eu acho que tá faltando na TCC uma coisa mais específica, porque assim, se a criança tem mães, pais disfuncionais, ela tende a ter maior dificuldade de aprendizado, de produzir melhor ali na escola.
Ao mesmo tempo, essa criança também vai ter maior probabilidade de fazer afetos disfuncionais, do tipo apego ansioso, ou então o apego evitativo. Aquela criança que começa tipo assim: bom, eu não posso contar com adulto mesmo, então eu vou evitar. Quando eu for adulto, vou me relacionar com pessoas, mas eu não vou ter muito vínculo nem intimidade, porque eu não quero depender de pessoas, porque a referência que que aquela criança tem é dos adultos primários, ou seja, aqueles que deveriam fazer e ajudar nesse processo, terem deixado ela à deriva.
Então eu só acho que esse tema do seu TCC tem que vincular a consequência, né? Que trauma de pais disfuncionais expõe crianças a situações mais traumáticas, não há dúvida. Agora, A repercussão disso aonde? No aprendizado, nas relações, nas profissões, nas relações profissionais. É isso que eu acho que deve ser um pouquinho mais pensado para ser mais objetivo. Tem mais alguma coisa que a gente possa saber aí desse?
Não, não, apenas coloca como o trauma infantil na relação com mães disfuncionais. Talvez tenha faltado explicar um pouquinho mais, mas eu acho que você conseguiu esclarecer um pouquinho e dar uma luz para TCC dela que ela queria também.
Mande bem aí, tá bom?
Bom, Bia, então vamos para a próxima. Eu vou dividir em duas partes também, a mesma pergunta. É a mesma pergunta, tá vendo?
Tá inspirada.
Verdade, verdade. Vamos lá, essa pessoa diz: primeiramente quero parabenizar a doutora por tanto profissionalismo, humanidade e empatia no cuidado com a mente humana. Sem dúvidas ela nasceu para isso. Também estendo a sua equipe pelo excelente trabalho. Obrigado em meu nome, a todos também. Deixo aqui minha pergunta para um próximo podcast de perguntas e respostas: como a doutora enxerga os terapeutas e as diferentes linhas de abordagem, como por exemplo a terapia de reprocessamento generativo?
Quando que nós como leigos devemos procurar um psicólogo, terapeuta ou psicanalista? Bom, calma, é bastante informação, é muita informação, é muita informação.
Primeiro eu vou começar a fazer a diferenciação de psiquiatra, psicólogo, terapeuta, é, e psicanalista. Vamos lá, gente, é quando você tem uma disfuncionalidade que a pessoa tá parando de fazer o que fazia ou rompeu com a realidade ou está impossibilitada de exercer sua profissão, não consegue mais sair de casa, ou ela tá tomada por pensamentos negativos intrusivos. Quer dizer, quando há uma disfuncionalidade, ou seja, ela tá, não tá conseguindo se relacionar com as pessoas, não tá conseguindo ser produtiva no seu trabalho, isso requer um psiquiatra, que é um médico capacitado para medicar, orientar, e alguns deles também fazer uma terapia, tá?
Alguns, nem todos. O psicólogo, ele estuda o comportamento humano. O psicólogo, a gente sempre deve procurar um psicólogo quando a gente quer conhecer mais de si, aprofundar a nossa história, nossas situações que ficaram que deixaram marcas, né, no passado, aprender a lidar melhor com determinadas situações, aprender a se relacionar melhor com as pessoas, seja no âmbito familiar, afetivo, seja no âmbito profissional. Então a psicologia, ela tem uma questão de um automelhoramento, de um aperfeiçoamento, que em geral não tá conectado diretamente com adoecimento.
Muitas vezes a pessoa vai a um psiquiatra procurar um tratamento para uma depressão, por um pânico, por uma psicose, por uma euforia ou mania, transtorno bipolar. E aí, depois que a gente estabiliza ali com uma medicação, apaga o fogo, a gente conduz essa pessoa para um autoconhecimento, para que ela possa descobrir quais são os gatilhos que ela tem, ou seja, aquelas situações que tornam ela mais vulnerável, principalmente pro transtorno que ela tem.
Então é um autoestudo onde a gente aprende a lidar com as nossas emoções, a gente aprende a gerenciar. Eu diria que psicologia é terapia, e a psicanálise e todas as outras linhas, né, como a terapia cognitivo-comportamental, como a terapia dialética comportamental, todas elas visam um melhor, uma melhor maneira de lidar com suas emoções, se autorregular e se autoconhecer. E isso é uma coisa que eu falo porque assim, todas as linhas em princípio que foram, que estão aí há anos testadas, produzindo resultados pessoais, às vezes mensuráveis, às vezes não tão mensuráveis, são válidos no processo de autoconhecimento, de autoaperfeiçoamento, não há dúvida.
Agora, às vezes a pessoa tá francamente doente, francamente desconectada com uma realidade, ou francamente desregulada emocionalmente, e aí depende da terapia, porque se ela for para uma terapia de autoconhecimento apenas, ela vai estar numa situação difícil. Cada quadro, requer às vezes uma terapia de intervenção mais imediata, e diferente de outras que a gente requer mais tempo para a gente se conhecer, se autoconhecer. Deu para entender?
Deu para entender? Aí entendi bem, entendi bem sim, porque acho que as pessoas misturam muito em relação a essa. Qual foi que ela falou do reprocessamento?
É reprocessamento generativo.
É, eu não tenho nenhuma experiência terapia. Acho que deve ser algum tipo de terapia recente, que eu digo, gente, é recente porque as terapias, por exemplo, a TCC tem muito tempo, a dialética tem pouco tempo, mas muito estudada, né? A psicanálise tem uma história. Você vê que dentro da psicanálise já tem várias linhas. Você tem a psicanálise, você tem a lacaniana, você tem a freudiana, você tem junguiana. Então é importante a gente se informe a origem daquela terapia, se é de autoconhecimento, se é de autorregulação imediata.
Isso tudo é importante para que a gente tire o melhor proveito da terapia que tá fazendo. Eu sou muito a favor de terapias de autoconhecimento quando a gente tem uma estabilidade, quando a gente tem uma maturidade, e é É muito bom, mas às vezes a gente tá tão envolto em pensamentos e negatividade, em quadros ansiosos muito intensos, em quadros depressivos, que a gente primeiro tem que limpar essa depressão para que a gente possa usufruir de fato desse autoconhecimento, desse olhar para nós e ver ao que nos destinamos, onde paramos no meio do caminho, recuperar aquela coisa para onde eu tô indo.
O que que eu quero fazer, que legado eu quero deixar. Então isso é importantíssimo, porque não é qualquer terapia, não se escolhe terapia assim, ah, vou fazer essa aqui. Se informa um pouquinho, vê o seu caso, vê exatamente o que que você tá buscando numa terapia ou numa psicoterapia, porque aí você vai chegar bem mais perto do que você quer e vai render muito mais.
E ainda dessa pessoa, Bia, como eu disse que eu tinha dividido em duas partes, né, ela fala assim: em paralelo, qual sua análise sobre tantos treinadores, palestrantes e coaches que prometem vidas épicas, enriquecimento financeiro, promovendo eventos de poucos dias e usando de técnicas um tanto que bizarras?
Olha, não conheço isso, não tem conhecimento, nunca participei. Acho que mudanças, acho que coisas rápidas podem até despertar a nossa, nos motivar, despertar nossa curiosidade, despertar reflexões importantes para que a gente possa rever nossa vida. Mas o fato da gente passar um final de semana e tá apto para virar milionário ou alguma coisa, eu acho pouco provável. Porque assim, se você vai a um lugar que te estimula a fazer um negócio, ótimo.
Agora, não pode ser igual para todo mundo, porque cada um tem um talento, cada um tem um propósito. Então assim, quando você consegue fazer um negócio que tá dentro do seu talento, tá dentro do seu propósito, a possibilidade de dar certo é enorme, e principalmente se manter Porque às vezes você vai uma coisa dessa, entusiasma demais, sai investindo em coisas que você nunca se deu conta, não é o seu talento, e você faz aquilo que eu chamo o sucesso de fogo de artifício: sobe, estoura lá em cima e aquilo cai.
Então a gente tem que ter um preparo. É diferente de pessoas que querem saber qual é o seu talento, conhecem profundamente sua personalidade e vão lhe guiando naquilo que tem maior possibilidade de você fazer um sucesso, porque tá dentro do seu talento, tá dentro do seu propósito. E aí sim você tá falando de um sucesso sustentável. Eu não tenho nenhum dado específico, por exemplo, para saber quantas pessoas num evento— eu não sei, você tá falando aí eventos, né, que ela falou?
Sim, sim, tá falando de eventos de poucos dias e usando de técnicas um tanto quanto bizarras, né?
Não sei, não posso falar porque nunca Eu te contei. Agora, se são poucos dias, a gente tem que entender que não há uma mudança real em poucos dias. Eu acho que você pode, talvez algumas pessoas, ir num evento desse e se sentir, se despertar para reflexões e motivação, que pode começar um caminho, mas que tem que partir da pessoa sempre, né? Você não compra padrão Você pode até comprar instruções dentro do seu padrão. Isso é importante.
Eu não sei se tem algum estudo que pegue assim, sei lá, foram 1000 pessoas, vamos falar 1000 para poder ser número redondo. 1000 pessoas fizeram isso e um ano depois, 6 meses depois, como é que essas pessoas estão? Porque teria que ter um estudo retrospectivo, né? Prospectivo e retrospectivo, para ver aquelas pessoas com aquela energia que foi dada ali processaram mudanças reais, e essas mudanças estão indo bem, ou a pessoa fez mudanças, tá toda endividada e não tá conseguindo ter os resultados que almejou.
Então isso tudo requer muita reflexão, porque muitas vezes você passa um final de semana maravilhoso, se sente super estimulado, mas o sucesso é algo que você tem que praticar o seu talento diariamente, com propósito, com objetivo, com clareza, sabendo quais são os riscos, quais são, botando um pezinho de cada vez até você chegar. E depois, o grande desafio do sucesso é se manter nele. Chegar às vezes não é tão difícil, Às vezes até a sorte ajuda, mas se manter é muito trabalho, é muita responsabilidade, é muita doação, principalmente quem quer empreender, né?
Não tô dizendo contra, acho bom, acho, mas tem que ter um empreendimento para cada tipo de pessoa. É importante que a gente entenda isso, que o que é bom para um talvez não seja bom para outro. Então Eu não sei se existe esse tipo de estudo para a gente poder dizer, não, isso aqui funcionou para 30%, isso aqui funcionou para 80% das pessoas, ou funcionou para 100%. Não sei. Aí eu não sei se tô te ajudando nessa resposta, mas tô falando assim com clareza do que eu penso sobre isso, sem nenhum tipo de crítica, mas fazendo uma avaliação lógica e reflexiva do funcionamento humano, do funcionamento cerebral, da nossa mente, do nosso comportamento, tá bom?
E é interessante, né, Bia, as pessoas perceberem que não existe varinha mágica. A vida é processual, a vida é um processo diário de aprendizagem e melhora. Você vai se autorregulando, autoconhecendo e se superando todos os dias, desbravando, né? Agora, achar que qualquer pessoa pessoa, ou até aqui você tá escutando essa resposta e só isso basta para o resto da sua vida. Não, aqui também, como, como Pod People, a gente quer que seja um trampolim, que seja um motor para uma vida nova. A gente quer te ajudar a despertar no seu coração uma coisa nova.
E assim acredito que esse curso, muita coisa, né, de pesquisar, de, é claro que a gente pode um dia talvez agora você falando isso, talvez a gente possa um dia abrir uma consultoria para pessoas que querem, por exemplo, empreender em saúde. Talvez a gente tenha muita coisa para dizer, mas talvez a gente tenha que dizer, tem que fazer uma seleção, porque nem todas as pessoas são aptas para a área da saúde. Porque não basta teoria, requer uma série de características de personalidade que são necessárias quando a gente cuida do outro.
E eu não tô falando isso por nenhum tipo de incapacidade, é como, por exemplo, existem pessoas que vão ser engenheiros e têm pensamento matemático claro, pensamento espacial claro. Isso tem que contar. Eu, por exemplo, se fosse engenheira, ia ser péssima, péssima. Eu certamente pediria para sair com medo de que algum prédio caísse. Eu tenho dificuldade espacial. Então, assim, é importante que a gente tenha um autoconhecimento disso, de empreender e de saber o que fazer dando o nosso melhor.
Se um dia eu tivesse que fazer algo do tipo, certamente seria algo das coisas que eu conheço, das coisas que eu faço, para dividir essas histórias, esses comportamentos, as coisas que eu descobri, as coisas que a gente aprende pela dor, as coisas que a gente aprende fazendo nesse sentido. Talvez isso seja uma motivação para que eu possa despertar um talento em alguém e ajudar nesse processo que o Gu falou bem, né, nesse processo de caminhada, nesse processo de fazer o que a gente veio aqui fazer.
Não, e é interessante ver porque cada livro que você escreveu, cada curso de, o curso de borderline, o Mentes Inquietas, curso de TDAH, e daí por diante. Cada um deles foi essa união sua do conhecimento científico, o conhecimento técnico, mas principalmente da experiência no dia a dia também.
Então por isso que eu tô dizendo, talvez dividir isso com pessoas muito específicas, eu me sentiria muito à vontade. Eu não sei se essas pessoas, se todos estariam aptos a a serem especializados na mente humana, ou mais aquelas pessoas que têm um perfil de personalidade de cuidar, de se importar, de realmente observar o ser humano com paixão, com gosto, certamente vão se beneficiar muito para poder ter essa caminhada mais fácil.
E Brasil, será que estamos ouvindo aí alguma coisa de mentoria, alguma coisa nova aí? Porque a cabeça dessa mulher não para, viu, gente? Aí Muita ideia, viu?
Eu não pensei isso agora que você tá falando isso, mas assim, porque eu acho que a gente tem muita coisa para deixar, para orientar, né? Por exemplo, quando eu comecei não tinha rede social, não tinha nada disso, né? E é muito de programa de televisão, era jornal, a gente dava muita entrevista para jornal. Eu hoje teria alguma coisa para falar, né, do tipo como se comportar uma rede social, o que responder, o que não responder, como seguir em frente fazendo o teu trabalho bacana, independente do que tá em volta, com convicção, com verdade, com coragem, com talento. Então talvez, talvez.
Gostei, gostei da ideia, gostei da ideia. Eu ouvi então uma outra pessoa, outra pergunta relacionada ao estresse ligando a criança, tá? Ela diz assim: como lidar com uma pessoa com alteração no estresse quando ela é uma criança?
É, primeiro a gente tem que ver quais são essas alterações nessa criança. Estresse pode dar alteração de comportamento, pode dar irritabilidade, pode dar alteração de apetite, pode dar alteração de sono, pode dar muita ansiedade, comportamentos às vezes disruptivos, né, agressivos, agressivos com os outros ou com a criança mesmo. Então a gente tem que, não é tão simples gente, a gente tem que botar isso, fazer a historinha daquela criança, né?
Como era antes, como tá agora, o que que mudou. Fazer isso para que a gente possa ter uma visão muito específica daquela criança ou de qualquer ser humano. Mas uma coisa é certa: criança sob estresse muda comportamento. Quais são os motivos que também estão levando aquela mudança? Nada mudou? Ou teve uma mudança? Teve uma mudança de escola? Será que essa criança tá sofrendo bullying? Será que essa criança tá sendo vítima de algum tipo de assédio psicológico de familiares, de pessoas que cuidam, de pai, de mãe?
Será que numa separação, essa separação expôs a criança a uma outra família na qual ela tá sendo de alguma maneira pressionada? Então são tantos vieses, mas é possível catalogar isso tudo, é possível pensar de forma ampla e muito empática. Mas uma coisa é certa: uma criança sob estresse, ela é uma criança que tá tendo dificuldade de lidar com suas emoções. Então primeira coisa é falar sobre, é o que eu brinco, que é começar a desenvolver um pouquinho da inteligência emocional da criança, que é REG.
Que que é REG? É reconhecer, deixar ela reconhecer suas emoções. Tá sentindo raiva? Tá sentindo medo, angústia? Depois é entender, né? Então, por que que você tá sentindo isso? Conta para mãe, conta para tia. Ah, tô sentindo, tô com raiva do meu pai, tô com raiva do meu padrinho, tô com raiva da minha, da moça que cuida de mim, tô com raiva do menino da escola. É importante a gente ouvir isso e sem nenhum julgamento deixar chegar a informação.
E depois, G de gerenciar. E aí a gente dá condições para essa criança lidar com aquelas emoções. Criança que tem emoções validadas e a gente ajuda, adultos regulados e estáveis ajudam essa criança a regular suas emoções, ela vai sair do estresse, ela não vai adoecer, Então é importante que a gente tenha essa noção. É criança, ser pai, ser mãe é uma coisa, uma escolha de responsabilidade, de ser referência para o filho. Não existe essa coisa: ah, tive porque todo mundo teve.
Não, não existe. Se você pensa assim, não tenha filhos, porque filhos é responsabilidade e crianças precisam de adultos que ajudem ajudem ela no processo de formação, de reconhecimento de emoções. Então eu diria, por exemplo, a gente tem no curso Saúde Mental nas Escolas, pois é, um passarinho me contou aqui que tem uma cartilha, cartilha que a gente fez muito em função da autorregulação emocional. Gente, hoje as pessoas, basicamente o mundo sofre de desregulação emocional, as pessoas não estão conseguindo identificar suas emoções, lidar com elas, gerenciar para poder ficar melhor e também poder estar melhor com as outras pessoas.
A gente tá vendo isso na rua todos os dias, as pessoas brigando, as pessoas agressivas, as pessoas violentas. Então a gente fez questão de ter nesse curso saúde mental nas escolas, porque a gente viu que a coisa tá muito difícil para os professores, para as crianças, para todos os colaboradores de educação. Porque assim, a escola educa, mas a sociedade tem que educar, a medicina tem que educar. Educação tá em tudo, faz parte de todos nós.
É importante que a gente entenda isso. E aí a gente viu que além do curso, dessa formação de saúde mental nas escolas, com tudo bem profundo, a gente sentiu necessidade de fazer cartilhas específicas para autorregulação de adultos, para autorregulação de crianças, para autorregulação de adolescentes, e para autorregulação de professores em situação de risco dentro do exercício das suas profissões. Então assim, e para paz também.
Por que uma cartilha, né? Porque é uma coisa simples, é uma coisa fácil da gente entender, da gente botar em prática, nada complicado, para que a gente comece realmente a falar de saúde mental começando pela autorregulação da gente. Porque pessoas bem reguladas emocionalmente dificilmente vão adoecer, e se adoecer, vão saber identificar os seus gatilhos, os seus starts, e certamente vão facilitar demais até os profissionais que venham tratar deles.
E vai tender a ser adoecimentos menos, com menos tempo e também com menos gravidade. Eu aposto nos Estados Unidos.
Muito bom, Bia. Olha, infelizmente vamos para a última pergunta. Olha, o tempo voa, mas nós vamos fazendo outro, nós vamos ter que fazer muitos outros. Olha só, essa pessoa pergunta assim: memória autobiográfica, o que é? Só que ela só faz essa pergunta. Eu gostaria de acrescentar aqui é uma pergunta interessante dentro da memória autobiográfica. Tem gente que, ai, eu ouvi de um amigo psicologia, que ele ainda faz diário escrito à mão.
Isso é maravilhoso. Isso.
Então isso ajuda nessa memória autobiográfica, ajuda no processo terapêutico. É para todo mundo? Não é para todo mundo? Então, mas primeiro vamos responder da pessoa o que que é a memória autobiográfica.
O nome diz, auto é relativo a si próprio, biográfico é a sua história. Então a memória autobiográfica é eu ter a história das diversas fases da minha vida, as dificuldades que eu passei, as vitórias que eu tive. É quase como escrever o livro da sua vida. A questão de diário que você tá falando era moda na década de 70 e início da década de 80 ainda tinha, mas a década de 70 era moda mesmo. Todo mundo tinha um diário, tinha até um cadeado E a gente escrevia o que que acontecia com a gente durante o dia.
Interessante que a gente tinha fantasia que a mãe da gente não abria aquele cadeado, que era, gente, dava para abrir com qualquer clipe.
Se puxasse com a mão mais forte, acho que ele abria.
Qualquer clipezinho, qualquer grampinho de cabelo.
Mas tinha uma simbologia de você se trancar algo que é seu íntimo, né?
Então a gente, eu me lembro que eu botava a data e falava: hoje na escola aconteceu isso, isso, isso, disso, não gostei, ou fiquei feliz. E isso que parecia ser algo inocente, hoje a neurociência, os estudos mostram que é uma das maneiras mais eficientes de identificação de emoções e de aprendizado. Escrever um diário é quase como aprender a regular, a identificar suas emoções. Então Hoje isso é tão fundamental. Eu perdi o diário, né, mas eu não larguei o bloquinho de notas que eu tenho na minha cabeceira e que sempre que eu tenho uma ideia eu escrevo lá.
Quando eu tenho compromissos no dia seguinte, eu escrevo antes de dormir, porque eu não vou ficar torrando a qualidade do meu sono pensando: amanhã eu tenho que fazer isso, tenho que fazer aquilo. Não, eu escrevo lá tudo. Tudo, peço as boas energias, aos bons anjos que durante a noite olhem ali as coisas e quem sabe, né, possam me dar uma força a mais, uma coisa boa. Então o que você falou hoje, diário, primeiro que escrever à mão também foi provado que é muito melhor.
Se eu não me engano, na Noruega acabou de ser decretado fim de, para o ensino fundamental, de tablets, computadores. Volta-se à lousa, volta-se à escrita à mão, ao lápis, a caneta, porque foi um dos primeiros países a, como se diz, digitalizar o ensino e viu que não deu certo. Então assim, quando você escreve, você tá materializando pensamentos, então você organiza melhor a forma que você você pensa, você lê sobre os seus pensamentos, você reflete sobre eles.
Fora que a escrita ocupa e aciona várias áreas cerebrais, então é um exercício cerebral muito bom. E o diário, eu diria que é talvez—
então funciona hoje ainda?
Olha, se a gente pensar, eu tô pensando, funciona demais. Hoje se diz que é necessário, isso faz bem para as pessoas, né? E eu acredito nisso. E se a gente for pensar bem, as pessoas na década de 70, início da década de 80, principalmente 70, eu acho que as pessoas eram mais reguladas. A gente conversava mais sobre emoções, sobre sentimentos, não era tão difícil falar de sentimentos. Eu acho que hoje as pessoas têm muita dificuldade de falar de emoções e tem muita dificuldade de reconhecer suas emoções.
E como é que eu posso gerenciar ou lidar melhor com coisas que eu desconheço, não identifico, não sei de onde vem? Fica muito difícil.
Então a gente, aí numa era de inteligência artificial, acho que vai ficar pior, vai ficar pior.
Nós estamos preocupados com essa nova geração que tá vindo, que a tecnologia é maravilhosa, ela veio para ficar, mas ela veio para nos nos auxiliar a partir de trabalhos que nós, a gente faz primeiro e depois ajuda na correção, na complementação. Mas delegar o nosso raciocínio, nosso pensamento, a nossa humanidade, as nossas emoções para a inteligência artificial, não.
E a nossa própria memória autobiográfica, que é a pergunta da pessoa aqui, né? Posso delegar isso a uma IA?
Não, isso vai com certeza produzir seres humanos com perdas de funções cognitivas e emocionais que a gente vai, vai ver por aí. Não sou otimista com isso, mas não sou contra que use. Agora, não delegue sua humanidade à tecnologia. Exerça sua humanidade, suas funções cerebrais, e use a tecnologia para acrescentar, para botar uma informação melhor, só para refletir sobre uma coisa que você não tinha visto. Aí sim, aí você tá fazendo um uso bem bacana.
Como dizem algumas pessoas, acabamos, acabamos. E tem uma coisa interessante para falar para você que tá assistindo, que todas as perguntas que foram feitas aqui hoje foram tiradas dos comentários que as pessoas colocaram já nos dois primeiros episódios do Tirando Dúvida. Então isso significa que você pode continuar colocando suas dúvidas ali. Faça perguntas e quem sabe sua pergunta será respondida assim que a gente puder. Mas para você ver que sim, está acontecendo, e a dúvida que você coloca lá é o que a gente tá respondendo também.
Pode fazer o seguinte: se tem uma dúvida de um outro episódio, qualquer um pode botar: olha, eu assisti o episódio tal e queria saber isso. Mesmo que tenha passado mais tempo, não tem problema nenhum, só identifica para a gente poder ter uma ideia, né? Agora, pode fazer em qualquer um. E se você gostou do Tirando Dúvidas, fala, porque a gente volta. E a promessa de, a partir de outubro, ter um Tirando Dúvidas ao vivo. Se você quiser, bota aí: queremos, queremos. Porque aí fica mais fácil tirar dúvida também ao vivo.
Agora, não é possível que alguém está assistindo aqui que não é inscrito no canal ainda, né?
Por favor. Pois é, gente, tem uma opção de gente que assiste episódio, mas não se inscreve no canal, não aciona o sininho para receber as novidades. Não compartilha, não dá o joinha. Isso é muito, muito importante para a gente continuar produzindo conteúdo, seja para tirar dúvida, seja para trazer informações no inverso, de conteúdo mais científico, no formato de aulas, seja como for. A gente tá aqui para trocar com vocês, mas ajuda para crescer o canal.
Muito bom, muito obrigado, Bia. Obrigado você que mandou também a sua dúvida. E até o próximo Tirando Dúvidas, né?
Até o próximo! Durante esse setembro amarelo, decidi disponibilizar os meus cursos TDAH 2.0, o curso sobre ansiedade, o curso sobre depressão e o curso sobre borderline, todos com 50% de desconto. É isso mesmo, são cursos construídos do zero para o seu cérebro alguém que vive o mesmo que você vive e passou 35 anos entendendo como tratar isso de forma que realmente funciona na prática. Se isso faz sentido para você, o link está na descrição. Não vai ficar de fora dessa!
Saúde Mental nas Escolas
Curso e cartilhas sobre autorregulação emocional