Transtorno Borderline: O Medo Do Abandono - PODPEOPLE INVERSO COM DRA. ANA BEATRIZ | Ep. 043
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é um dos transtornos mentais mais mal compreendidos e cercados de preconceitos. Mas o que realmente acontece na mente de quem convive com esse diagnóstico?Neste episódio do Pod People Inverso, conversamos sobre os principais sintomas do borderline, como o medo intenso do abandono, a instabilidade emocional, os sentimentos crônicos de vazio, a impulsividade e a dificuldade de construir relacionamentos saudáveis. Também discutimos por que muitas pessoas com TPB são julgadas de forma injusta e a importância do acolhimento, do tratamento adequado e da compreensão por parte da família e dos amigos. O episódio ainda aborda ansiedade, depressão, autoestima e saúde mental sob uma perspectiva humana e científica.Se você convive com alguém que tem borderline, recebeu esse diagnóstico ou deseja entender melhor o transtorno, este episódio oferece informações importantes para reduzir o estigma e ampliar a compreensão.
Dra. Ana Beatriz
Bia Santos
- Transtorno BorderlineTranstorno Bipolar·TDAH·Autismo·Psicopatia·Narcisismo
- Origem Infantil e Feridas do Apego InseguroEmoções punidas e não compreendidas·Inibição da expressão emocional·Percepção de inadequação
Imagina a gente viver o tempo todo achando que vai ser abandonado, que a gente não dá conta de ser a gente. É um desespero, como se fosse uma pessoa se afogando, esperando alguém vir pegar. Border não vai buscar ajuda porque é border. Ele vai buscar porque ele tá deprimido, porque ele tá tendo crises de ansiedade desesperadoras. Mesmo a hipersensibilidade que eles têm pras emoções, tem pras percepções. São muito bons. E você tá vendo só em cima, você só vê quando ele estoura.
Quando ele tá impulsivo, você tem uma dor interna crônica, o medo apavorante, aterrorizante do abandono. Por isso os sentimentos crônicos de vazio. E depois que passa aquela raiva e consegue entender que não foi nada daquilo, vem uma vergonha horrorosa. Ser acolhido vai evitar muitas outras coisas. E ser compreendido, porque eu não tô dizendo que é passar a mão. Eu tô aqui, você tá chorando, eu sei que tá desconfortável. Mas isso passa.
Antes de começar, eu queria pedir a todos que estão aqui que se inscrevam no canal, compartilhem o nosso conteúdo e acione o sininho para receber todas as novidades, tá bom? Que aí cada vez a gente vai poder fazer mais e mais episódios, que vai fazer muito bem para todo mundo. Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Pod People Inverso. Aqui você já sabe, a Bia vira entrevistada e o Gabriel, entrevistador. Tudo bom, meu querido?
Tudo joia, Bia.
Vamos lá, o que que temos para hoje?
Hoje vamos falar um pouquinho sobre aquelas pessoas que às vezes são mal interpretadas, que são taxadas de dramáticas, que são over. Hoje vamos falar um pouquinho sobre personalidade borderline, transtorno de personalidade borderline, TPB.
Exatamente. Para ficar mais claro, é um assunto que foi muito pedido, né?
Extremamente pedido, né? E uma coisa que é legal, que não foi nem as pessoas pedindo para elas, foram para quem tá com elas, né? Com uma mãe, um parceiro, um amigo, até amigo tava querendo saber mais sobre isso.
Com certeza que é difícil. Talvez seja uma das personalidades mais mal compreendidas e mais difíceis de estabelecer relacionamentos mais íntimos. E não tô falando só de homem e mulher, de mulher com mulher, homem com homem, tô falando de relacionamentos, sejam mais íntimos, mais próximos, no trabalho, na família. É bem desafiador.
Por que que é difícil assim?
Exatamente porque o transtorno de personalidade borderline, por ser um transtorno de personalidade, é algo que vem desde muito cedo, né? Não é algo que acontece mais tarde como um transtorno bipolar, assim. Então ele vem na estrutura. Nessa estrutura, talvez a coisa mais marcada, uma das coisas mais marcadas, seja primeiro uma instabilidade emocional muito grande, um sentimento de autopercepção muito deficiente, uma autoestima muito baixa e uma necessidade de apego ao outro para se validar como pessoa muito grande.
Então isso dá uma série de sintomas que, se não for visto dentro desse complexo, nosso sistema acaba confundindo, acaba confundindo e acaba trazendo a sensação que a pessoa tá fazendo de propósito, que tá fazendo de amargura, de vingança.
Eu já vi uns vídeos na internet de até médicos assim, psiquiatras, falando muito mal, né, de quem tem borderline, falando que são os piores pacientes, são pacientes que não trabalham e tudo. É realmente diferente?
É difícil? Olha, é complexo, como tudo dentro da estrutura humana é muito complexo. É um transtorno, eu digo que é um transtorno que tem muito a ensinar aos médicos, aos psicólogos.
Caramba!
É porque se você consegue entender a profundidade, as sutilezas de uma personalidade borderline, você é capaz de lidar com quase tudo.
Por quê?
Porque é muito complexo, ele é muito complexo, nunca é o que aparenta ser. Então, se você não—
Isso é sempre uma pegadinha, sempre um detalhe, uma nuance.
Eu diria que você tem que ter um profundo comprometimento com o paciente, entender aquele universo, os acessos de raiva, e nunca tomar nada como pessoal, né? Porque tem gente que fica assim, ah, mas é uma pessoa muito raivosa. Sim, mas não é exatamente contra você, é contra sentimentos que assombram aquela pessoa.
Entendi.
Em geral, o medo desesperador de ser abandonado.
E isso é genético? É de família?
Você, por ser complexo, não é só uma coisa. Você tem um componente genético, você tem um componente que tem a ver com o tipo de educação, de ambiente ao redor que foi formada aquela criança, que pode prejudicar muito. Ou pode melhorar também. E você tem outros fatores que você não, não pode deixar de lado. Deve ter algo aí falando na tua.
Tem, vamos lá, literalmente é o que você falou.
Gênese, tá. Então vamos às origens, né?
Começa com a vulnerabilidade genética, né, que é um sistema nervoso hipersensível com predisposição genética e amígdala hiperreativa.
Olha que interessante, né? Existe esse componente, essa vulnerabilidade inata que a gente chama do componente genético? Sim, existe. E a coisa mais importante é que esse sistema nervoso, amígdala, não tem nada a ver de amígdala de garganta, tem a ver com amígdala cerebral, que é, ela fica no centro do cérebro e ela é responsável pelo nosso sistema de alerta, de proteção, de sobrevivência. Quando esse sistema de alerta, de medo, tá hiperativado, é como se a gente vivesse o tempo todo com a sensação de que algo muito ruim vai acontecer.
É uma ansiedade extrema, é desespero. Chega a ser pânico?
Pode ser. Não pânico da doença, transtorno do pânico, mas o pânico de ser abandonado, de ser rejeitado. Então eu diria que A palavra melhor é desespero. Então imagina a gente viver o tempo todo achando que vai ser abandonado, que a gente não dá conta de ser a gente, que a gente precisa o tempo todo ter um apego com alguém porque a gente não dá conta de viver. Então é um desespero, como se fosse uma pessoa se afogando e o tempo todo esperando alguém vir pegar.
É mais ou menos isso. Então essa hiperreatividade da amígdala é real, tanto que no—
então eles não têm culpa, né? É um, é, veio assim, não é uma questão de culpa, eles têm essa predisposição, isso é um fato, né?
Eu acho que nunca cabe culpa quando a pessoa não sabe do que se trata e não sabe como melhorar. A questão de uma cobrança só existe quando existe a explicação, o entendimento, o conhecimento. E aí sim, se eu sei que eu tenho esse transtorno, como ele funciona, o que que me predispõe e o que que eu posso fazer para aquilo. Então, saber que essa amígdala é hiperativada é super importante. Então, reações que a gente teria simples, vamos supor assim, você chega para mim: ah, eu te ligo mais tarde.
E aí você não me liga mais tarde, nem no dia seguinte, porque você tá lá no teu trabalho, tá entretido com o teu trabalho. Isso acontece.
E acontece comigo. Realmente acontece. Tadinha da Bia.
Não, acontece. Não, não é só isso. Quando às vezes você me liga também que eu não respondo, tô viajando, isso para uma pessoa que tem border é tomado como pronto. Essa pessoa nunca mais quer me ver, tem alguma coisa, eu acho que ela descobriu alguma coisa de mim. Aquilo começa uma engrenagem que a pessoa vai ficando desesperada.
Caramba!
E aí ela pode te ligar falando barbaridades. E você fala, vai, em vez dela te ligar, tá tudo bem? Ok, tá tudo bem, tá tudo bem. Ela vai, o que que houve? E por que você não me ligou? Você pediu para eu ligar. Aquilo já tá, porque o sistema de defesa ali, a amígdala, ela super ativada, ela reage muito mais do que deveria.
Caramba, é como se ela já tivesse aquela conversa que ela tá tendo com você no telefone várias vezes, né?
Então na hora que ela vai conversar com você, ela fica imaginando: por que que não me ligou? O que que houve? O que que eu fiz? O que que eu falei? Sempre se culpando, sempre se culpando.
Até porque pode virar um TOC. Não, porque ela vai, ela tem esses pensamentos intrusivos negativos, de certa forma, mas não chega a ser um TOC, é um pensamento intrusivo.
Você não pode dizer que é um TOC.
Qual que é a diferença de um pensamento intrusivo?
Porque no TOC você tem o pensamento intrusivo constante, não numa situação isolada, e você tem rituais tentando compensar aquele pensamento. O border tem muito pensamento intrusivo, mas não necessariamente isso ritualiza, não chega a ser algo obsessivo. Não, ele pode ter pensamento, não, ele pode ter pensamentos obsessivos intrusivos, mas a compulsão é diferente.
Entendi.
Caramba, realmente muito complexo para diagnosticar border, porque são São detalhes, mas assim, a vulnerabilidade é super importante, tem que entender isso. Isso até quando eu escrevi o Mentes Que Amam Demais, tem lá na origem estudos de neuroimagem que mostram de fato essa hiperreatividade do sistema límbico, da amígdala, mediante coisas simples.
Por exemplo, esse livro seu, eu não tinha ouvido falar desse termo.
Eu, na minha faculdade, não, não, porque é algo novo. Eu acho, não é novo. Eu acho que a visão, muitos border eram diagnosticados como TDAH, como bipolar, muitos. Você falou que é complexo, é muito complexo. Então não é defeito de ninguém, mas é que hoje a gente tem uma visão. Por isso que a gente tem até neuroimagem provando essa hiperreatividade, que pode ser muito confundida. Em média, quando eu escrevi O Mente Escama Demais, se levava O borderline, para ser diagnosticado, levava em média 10 anos. Ele, porque ele nunca vai—
Qual que é aquela palavra linda que você fala? Sine qua non.
A condição sine qua non. Eu diria instabilidade emocional. Nossa, que maravilha! Que é diferente do TDAH, que é a hiperatividade mental, o excesso de pensamento que leva à instabilidade emocional.
Aí antes de chegar no border, coloca que é depressão, ansiedade, o último Não, porque o border não vai buscar ajuda porque é border.
Ele vai buscar porque ele tá deprimido, porque ele tá tendo crises de ansiedade desesperadoras, que a primeiro momento você fala: não, tem um transtorno de ansiedade, ou então: não, tem uma depressão aqui. Só que tem que— é, tudo isso são sintomas, pode até ter como consequência, mas não é a origem da questão. A origem é essa fragilidade de ego, né, de autopercepção, essa instabilidade emocional num sistema que detecta perigo em tudo.
Então, por exemplo, eu tinha uma pacientinha criança que a gente não podia dizer que ela tinha borderline pela idade, mas ela tinha uma hipersensibilidade que, por exemplo, se você tivesse aqui com ela brincando e chegasse um recado no seu celular, que você fizesse assim, fizesse uma cara de preocupado, ela achava que, o que que eu fiz? Por que que você tá com essa carinha? Você tá com uma cara diferente. Às vezes você tava pensando em outra coisa.
E ela, a percepção deles é muito aguçada, mas é uma hiperpercepção, porque aí é, e que eles botam como se fosse deles, né? Tipo assim, é por minha causa.
Eles sempre são culpados, né?
Às vezes tá pensando em outra coisa, né? Então assim, voltando aqui de onde vem vulnerabilidade, o ambiente é muito importante porque você vê que um vai reforçando esses comportamentos, um percentual bem razoável, você tem história de histórias precoces onde as emoções são punidas e não compreendidas. Então, por exemplo, são crianças que— por isso eu não sei se você já notou, eu tenho muito cuidado com crianças quando elas querem chorar.
Eu falo, não, chora, pode chorar, é emoção, deixa vir. Porque assim, se você pega uma criança mais hipersensível, na hora que você fala, para de drama, Tá chorando por quê? Sua prima não chora. E tá, tá, tá. Você tá botando que se expressar é errado. E a criança tem que aprender a se expressar, entender que aqueles sentimentos e aquelas emoções podem vir, mas elas se acomodam. Agora, se eu inibo isso, aquele excesso de emoção pela hiperatividade da amígdala dá certeza da inadequação. E aí começa a autopercepção negativa.
Caramba! Ou seja, se ela já tem predisposição, a genética junta com isso—
Eu sou horrível. E essa percepção de para de drama, a pessoa se sente rejeitada.
Pensando assim na infância, né, de quem tá ouvindo a gente, de quem tá assistindo assim, é Quais são os casos, ou geralmente os, como é que eu vou dizer, os depoimentos que quem passou esses problemas na infância contam?
Não, na realidade a gente não pode falar de borderline infantil porque é um transtorno de personalidade. Então você só vai firmar tudo que é transtorno de personalidade, a gente só firma a partir de uma determinada idade. Ou 18, 19 ou 20. Quer dizer, tem ali, é claro que não dá para ser exato, mas é final de adolescência, início de vida adulta, por ali que a gente vai estabelecer uma, depende do país que se estabelece a maioridade.
Agora, em geral, a gente tem o transtorno de personalidade, tem indícios que aquela sensibilidade excessiva É, talvez seja um pouco da vulnerabilidade do próprio ambiente, né? Pode evoluir para um transtorno de personalidade. Tanto que no Mente Esquema Demais eu fiz questão de fazer um capítulo sobre manifestações para ficar de olho na infância e na adolescência. Apesar de eu não poder dizer, olha, tem isso, mas eu acho que em saúde mental tudo que for para melhorar, tudo que for para precocemente a gente poder melhorar.
Então eu fiz questão de botar um capítulo sobre criança e um capítulo sobre adolescência, porque eu acho que se a gente consegue entender mais precocemente, e um acolhimento, um carinho, entendimento, mesmo que aquela criança não vá virar um transtorno de personalidade borderline, ser acolhido vai evitar muitas outras coisas. E ser compreendido.
Porque eu não tô dizendo que é passar a mão, até para ela se compreender também, né?
Exatamente. Não é passar a mão, tipo assim, ah, deixa, deixa. Não, é tipo assim, eu tô aqui, você tá chorando, eu sei que tá desconfortável, mas isso passa. Eu tô aqui, não tô criticando você tá chorando, você não tá chorando, né? Eu simplesmente tô observando. E a gente vê crianças hipersensíveis, entendi, com detalhes assim. Então assim, e isso não é para rotular, é para a gente ter uma observação, uma atenção melhor. Então a vulnerabilidade, o ambiente invalidante, principalmente das emoções, em geral é uma questão que predispõe muito o desenvolvimento de transtorno de personalidade borderline.
Caramba! E a gente pensando, né, em como que funciona esse motor oculto, né, o espelho e a projeção. É exatamente aquilo que você falou.
A gente começa lá pela percepção de rejeição, que é quando o cérebro faz uma varredura constante, aquela hipervigilância que você falou, quase um radar procurando sinais de que se você tá gostando de mim ou não, se você tá gostando de mim ou não. Como se fosse, não tem aqueles, o amígdala, ela tá o tempo todo feito um radar. É, mas a amígdala teoricamente estaria o tempo todo ativada para botar o quê? Perigo ou não perigo, perigo ou não perigo, para nossa sobrevivência. Mas para o border, essa sobrevivência não ser rejeitado.
Entendi. Então ele pega como se ser rejeitado ferisse diretamente o instinto de sobrevivência dele.
Exatamente.
Caramba!
Porque por isso o apego, ele tem essa necessidade de se apegar ao outro, de linkar com o outro, porque ele não se sente suficiente para dar conta de si mesmo.
E por exemplo, assim, um border, que vamos dizer que é uma pessoa muito inteligente, um famoso, de repente eles mesmos assim não se sentem suficiente, mesmo com todo esse reconhecimento?
Olha, borderline geralmente tem uma cognição muito boa, porque essa mesma hipersensibilidade que eles têm para as emoções, eles têm para percepções. Então eles são muito bons. Quando eles gostam de uma coisa, fazem aquilo com muita intensidade emocional e fazem muito muito bem. E como eles têm essa hipervigilância de sentimentos e emoções, eles conseguem coisas inacreditáveis e muito ligado às artes também, né? Agora, quando eles nesse ambiente de trabalho, se for o caso, né, percebe algum nível de rejeição, aquela pessoa que vinha num patamar performando, ela é capaz de cair de uma tal maneira que você fala, não, não foi esse, não foi essa pessoa que eu entrevistei, não foi essa pessoa que entrou aqui na empresa e foi a primeira colocada no sistema de processo seletivo, ou então é o famoso caiu no fundo do poço.
Seria porque você não reconhece, fala, não é possível, aquela pessoa brilhante de repente ela tá, é como se ela tivesse caído num vácuo, que tá muito relacionado a essa sensação de rejeição, seja no próprio ambiente de trabalho, seja no próprio ambiente particular, né?
Aonde ela vai para essa confirmação do vazio, no caso?
Eu acho que toda vez que um border se sente rejeitado, faz uma leitura de rejeição, porque às vezes nem tem a rejeição, é a leitura, é a leitura. De repente uma pessoa mudou porque tá com problema e não tá mais tratando a pessoa com aquela—
tá num dia ruim, né, uma semana ruim, ou tá numa fase ruim.
E aí ela coloca aquilo tem a ver com ela, ela ou ele, né, claro, tô falando da pessoa. E aí isso faz assim, confirma, tipo assim, tá vendo, pessoa não tem essa ligação comigo. Aí dá uma sensação de vazio, dá uma sensação de, tá vendo, eu era ruim, eu não merecia realmente aquela ligação. Aquele tipo de coisa, tá vendo? Afastamento da— o afastamento confirma a crença central: sou ruim, gerando vergonha e vazio crônico.
E depois realmente vem o afastamento, né, que é o parceiro ou familiar se afasta. No caso do pessoal de trabalho, seus pares no trabalho se acabar se afastando, que fica sem entender.
Porque essa pessoa vai cobrar daquela pessoa, tipo assim, porque você— ou se não cobrar, ela vai começar a te tratar com muita raiva. E você vai falar: coisa estranha, falando tanto, tá tão com a raiva. Aí você não vai ligar que você tava super ocupado e não tava podendo dar aquela atenção àquela pessoa. Então o que que vai acontecer? Você vai, você vai, você vai se afastar porque você fala, pessoa tá estranha, tá me tratando assim, sabe, com uma rispidez.
Aí você se afasta. Quando a pessoa se afasta, a pessoa fala, tá vendo, se afastou. Confirma a minha teoria. E não é, a pessoa se afastou porque a pessoa começou a ficar muito raivosa, ríspida, de forma sistemática, entendeu? Então isso vai fechando um ciclo, porque existe um afastamento real, né, e gera uma ansiedade, uma sobrecarga no mesmo sistema que faz a leitura da rejeição.
Caramba, então sobrecarrega o sistema todo.
Tudo, porque assim, não é por maldade de quem tá em volta, porque às vezes quem tá em volta também é tanta intensidade que a pessoa quer um, como se fosse um respiro. Não é nenhum tipo de rejeição, é só, pera aí, deixa eu respirar um pouquinho. Então existe a projeção, né, da pessoa, e existe esse esforço frenético de não ser abandonado. E é quando o indivíduo começa a agir de maneira descontrolada para evitar ser abandonado.
Mas é exatamente assim, abandonado realmente.
Exatamente.
Caramba!
Então uma coisa que é uma percepção disfuncional acaba se tornando uma verdade, não porque a pessoa rejeitou de cara, mas porque houve todo um movimento. A pessoa que tem border mudou o comportamento e de uma certa maneira afastou o outro de verdade pelo comportamento mal interpretado do outro.
Caramba, nossa! Então aí depois ela ainda se culpa por isso tudo ter acontecido. Ou seja, é um ciclo infinito, ela não passa, né?
Enquanto isso tá, enquanto ali o sistema de medo, a amígdala tá funcionando desgovernada, isso só vai piorando.
Caramba! Agora, quando a gente traz, né, vamos usar o título bonito, né, Desconstruindo o DSM-5. O que que é esse DSM-5?
Que é a classificação da Associação de psiquiatria americana. É um transtorno reconhecido pela Organização Mundial de Saúde, que é o CID, e pela DSM-5, que é a classificação da Associação de Psiquiatria Americana. Então, pelas duas classificações, o CID vale para o mundo inteiro, a Associação de Psiquiatria Americana tem a DSM-5, talvez um pouco mais trabalhada, um pouco mais detalhada. É referência, com certeza.
Pensando, pegando aqui, né, o que eles falam lá, os 4 quadrantes da instabilidade. O primeiro seria o de relacionamentos: esforços frenéticos para evitar o abandono real ou imaginário, seguido de relacionamentos intensos e instáveis, alterando entre idealização e desvalorização.
É interessante o que, o que bota aí, que são 4 quadrantes ou 4 áreas. Para observar bem esse comportamento borderline. Nos relacionamentos, aquilo que a gente falou, os esforços frenéticos para não ser abandonado, mesmo quando não está sendo, pela percepção. Então, nesse relacionamento, muitas vezes você vai ter uma instabilidade, porque essa pessoa vai te adorar e de repente vai te odiar. Quando ela acha que você está rejeitando, vamos supor, achou que você está traindo, Porque achou no seu carro um lenço de papel, um fio de cabelo, seja o que for.
Então, em vez de conversar: olha, tô me sentindo insegura, sei que pode ser ridículo, mas eu queria— o que que é isso?
E você tem um cabelo azul no seu carro?
Dei carona para filha do fulano que usa esses sprays. Até uma coisa engraçada, né? Tem cabelo azul, outro tem cabelo vermelho. Ele tava, veio comigo. Perguntou se me incomodaria de pegar a filha que tava saindo do curso de inglês. Vamos supor, uma história assim, mas real. Em vez da pessoa falar isso, o que que ela faz? Ela não fala e aquilo começa a ficar obsessivo na cabeça. Deve estar com uma menina nova e não sei o quê, moderna, diferente, não sei o quê.
Aquilo vai fazendo um auê dentro da cabeça, aquele pensamento. Aí sim, um pensamento intrusivo, negativo. Vai tornando ela uma pessoa extremamente raivosa, porque ela já começa a imaginar que tá com raiva porque você tá traindo, mesmo que não tenha nenhuma prova nesse sentido.
Por exemplo, foi você deu carona pra um palhaço de cabelo azul, não tem nada a ver, mas o fato de você não explicar aquela história, de você não trazer a notícia.
Também a pessoa não ter maturidade pra, tipo assim, sem raiva chegar e falar, o que que esse cabelo azul tá fazendo aqui? Sabe? E você vai falar a história ou não, mas a questão é que a pessoa começa a reagir com raiva e você não entende muito bem aquela raiva.
Aí depois que você vai entender qual cabelo azul, mas já aconteceu 1 milhão de cabelos diferentes, 1 milhão de motivos.
Aí já tem, por isso que tem essa coisa instável e parte da idealização do amor da minha vida, papapá, para tipo assim, esse cara é um idiota, um nojento, mentiroso, bababá.
Então vira de príncipe a sapo em questão de muito rápido.
Enfim, pode acontecer por várias coisas. Pequenas.
E vira de sapo para príncipe também depois de novo, ou não?
Pode, pode.
Aí viu que era um cabelo de palhaço, um cabelo de uma boneca, alguma coisa ruim que eu falei?
Leva um tempo, né? Porque a raiva, ela é rápida para descarregar, mas para sair do corpo leva um tempinho. Caramba, isso é super importante.
Entendi. Então tem todo aquele processo ainda de literalmente processar o que aconteceu e da bioquímica voltar a se restabelecer.
Caramba. Porque a raiva, você tem uma descarga enorme de adrenalina o cortisol, e você temporariamente impossibilita o córtex pré-frontal, que é o lado racional. Você fica absolutamente emocional e pouco racional. Então, até esse lobo pré-frontal voltar a funcionar— e lembre-se que o lado emocional do border funciona mais do que o racional, ou seja, já é um sistema que tá sobrecarregado. Exatamente. Então, o pré-frontal funciona menos.
Então, por isso que a gente diz que é quase 100% emoção e quase zero razão. Entendi, né, que é o oposto do psicopata. E pensando nisso, né, a gente indo para o outro quadrante, né, o da autoimagem, aquilo que eu digo, sempre uma sensação de desvalorização, né, instabilidade persistente da autoimagem. É muito comum a autoimagem, a gente encontrar pessoas com border que fazem muitas coisas para tentar melhorar a visão de si mesmo, tipo academia, faz muita academia num período, faz muita tatuagem, mas muita mesmo.
Não tô falando uma ou duas, tô falando aquelas pessoas que cobrem, tendem a cobrir o corpo porque eles têm uma sensação de que o que eles veem não é suficiente, não é legal, não é pior, não é que não é suficiente, eles veem como se fosse uma coisa pior, uma autopercepção muito negativa, tanto na sua autoimagem quanto no sentimento de segurança, de autoestima. Então não só a autoimagem, mas também de autoestima. Por isso esses sentimentos crônicos de vazio. Caramba, é muito difícil.
Qual que é a diferença de um vazio existencial assim para esse tipo de vazio do border?
Porque o vazio do border, ele é desde sempre, é um sentimento crônico. O vazio existencial, você eventualmente tá passando uma fase na vida de transição ou de troca de carreira ou de percepção de propósito de vida. De repente você tinha um propósito e de repente tá sentindo vazio e tá em busca de outro propósito e sentido de vida. Isso é ocasional, pode acontecer, passageiro. Mas o desse sentimento do border, de ter um vazio meio crônico, é muito complicado.
Tempo, né, de encerração.
Caramba, então sofre muito. É um sofrimento, caramba, porque para ele sempre foi assim, então fica mais difícil.
Ele não consegue nem ver a diferença, é só o que conhece.
Ele não consegue entender, por exemplo, porque que ele tá dando um xilique com você, um xilique entre aspas, tá, porque acha que você tá traindo acha que se você não tá reagindo da mesma maneira é porque você é frio, e não é, porque você tá racionalizando, tipo assim, do que que será que ele ou ela tá falando.
O cara não pode ficar com uma pessoa que tem dificuldade de identificar emoções, por exemplo, um TEIA, por exemplo, é muito difícil, é muito difícil.
Mas já vi vários casais que funciona. Funciona, porque eu vou te dizer, é engraçado, já vi algumas vezes, porque como o Theia ele não tem muito essa percepção, ele não supervaloriza esses momentos de raiva. Ele não expressa da forma que o border gostaria, mas o momento de raiva ele não, raramente vai para o embate, entendi, porque eles em geral se afasta, ele vai fazer uma coisa que ele hiperfoca, que é o hiperfoco do Theia. Então aquilo vai dando uma baixa, ele não alimenta, ele não retroalimenta essa raiva, vai balançando. Controle.
Exatamente. Eu falo porque, igual, se a gente for parar para pensar, né, a gente nunca sabe o sentimento do outro de fato, né. A gente só tem uma ideia. Por exemplo, quando você fala assim, ah, tô com saudade, eu não sei a saudade que você tá. Eu sei um momento que eu senti saudade, que você volta sentindo saudade. Então aquilo eu só espelho com que eu já passei, né, pelo que eu já tive experiência. O Theia, como ele não consegue fazer isso, o Border ficaria triste.
Porém, quando o Bode entra nessa fase de raiva e tudo, para ele também tá tudo bem.
Tipo, ele olha, ele fala, não, tá tudo bem. Daí passa. Porque o Té é muito bom de identificar padrões. Então, como ele sabe que aquela raiva sobe, depois desce, depois vem aquela coisa carinhosa, ele espera.
Entendi. É o famoso ninguém ganha de uma pessoa paciente.
Não tem nenhum tipo de confronto maior, porque você imagina duas pessoas impulsivas um border com outro border, com outro border, é muito, um TDAH impulsivo é muito complicado, é um front de guerra. Então não é impossível, tá? Agora, é claro que em algum momento o border vai querer um pouco de expressão mais afetiva do TEA, mas aí vai pontuando, né? Às vezes vai entender que é uma necessidade, né? Não é improvável.
Caramba, que legal!
É bem melhor o border com TEA do que o border com psicopata. Tem certeza do que com narcisista.
E geralmente eles têm alguma ligação, alguma coisa que ajuda nesses relacionamentos acontecerem mais fácil?
Sim, porque assim, o border com narcisista e um border com um psicopata, o psicopata e o narcisista entende a fragilidade emocional da autoimagem, da religião.
Ele já entendeu tudo, sabe usar isso e ele sabe manipular. É onde vem aquele gaslighting, aqueles nomes difíceis.
Pode ser, pode.
E qual que é a diferença de um narcisista e de um psicopata?
Porque fica muito fácil para pegar a fragilidade. Então ele vai reafirmando: olha, eu sou ótimo, você que não consegue entender. Ele vai manipulando e vai deixando o borde totalmente descontrolado.
Então Cara, tadinho. Não é o assunto, mas qual que é a diferença do, né, de um psicopata e o de um narcisista assim?
Olha, o narcisista, ele, ele vai manipular as pessoas para se sentir seguro, né? O psicopata vai manipular para ter um objetivo claro, um ganho claro.
Entendi.
É um pouco mais de diversão, como diria o livro, prazer, diversão, status.
Prazer, diversão, status.
O narcisista, ele vai manipular para poder se sentir o tempo todo no topo ali, comandando a história. Agora, todo psicopata é narcisista, tá embutido na psicopatia. Nem todo narcisista é psicopata, porque quando o narcisista, além de ser narcisista, ele é perverso, aí ele já é um psicopata.
Aí já saiu daquele aspecto só da insegurança, que quer ter o ego inflado.
Não, ele já quer, não, aí ele já quer proveitos e outras coisas mais.
Entendi.
Mas são duas personalidades que costumam se complementar de certa forma, de uma forma ruim, se complementar de uma forma ruim. O narcisista, o psicopata, eles logo identificam a fragilidade do border e tendem a usar isso, a explora.
E muito, tadinho dos borders.
E é difícil para eles verem, né? Então a gente falou de relacionamento, de autoimagem, emoções, né?
Isso. Aí a gente vai para o terceiro quadrante, né, que é emoções: instabilidade afetiva e extrema reatividade do humor, seguido de raiva inadequada intensa ou dificuldade em controlar. Aquilo que você falou da impulsividade, né, de do que ele percebe, né?
Porque não dá para separar, a gente bota em blocos, mas na realidade a sensação de rejeição já gera uma instabilidade afetiva. Isso já dá uma hiperreatividade, isso vai para raiva, para o descontrole, né? É tudo tá na mesma, na mesma faixa, né?
Entendi.
E aí que leva os comportamentos, porque quando vai emoção, ele sente a raiva, mas isso não é só um sentimento, porque aí ele vai para o comportamento, que é impulsividade, é a questão de autodestruição, comportamentos de gastos, de ameaças de autodestruição, substância, no caso seriam drogas. Então a raiva tá ali, não consegue dar conta daquilo, para aliviar aquilo vai buscar comportamentos bastante autodestrutivos, né?
Essa ideia do iceberg de sintomas, né? A gente vê a parte de cima pequenininha que é visível e ruidoso, né, que seria os comportamentos impulsivos de raiva, como autoflagelação. Como é que a gente falaria?
Eu acho que uma tendência destruição. Aí pode ter a mutilação, mas é importante assim, o que a gente em geral, que a gente vê, são esses comportamentos mais impulsivos e de raiva.
E isso é que fica para quem tá vendo tudo que tá acontecendo de verdade por dentro.
Mas a gente tem que entender o que tá lá embaixo, porque por isso que existe uma coisa muito ruim em relação, um julgamento em relação ao border, porque você tá vendo só em cima, você só vê quando estoura, quando ele tá impulsivo. Mas na realidade, dentro ali, isso tudo acontece porque você tem uma dor interna crônica, o medo apavorante, aterrorizante do abandono, sensação difusa de não existir. Por isso que ele tem tanta necessidade do apego.
Ele precisa do outro para se sentir alguém, para ter uma identidade, um vazio crônico, uma vergonha tóxica. Porque depois que passa aquela raiva e consegue entender que não foi nada daquilo, vem uma vergonha horrorosa, né, que fica difícil de expressar porque também não teve seus sentimentos validados, né. E episódios dissociativos. Isso é super importante. Quando eles passam por situações de estresse, eles tendem a sair da realidade por um breve, curto espaço de tempo, mas bem dissociativo.
Sai da realidade. Por exemplo, quando acontece um acidente com alguém que gosta e vai para o hospital ou morre, ou um bichinho que eles gostam muito de bichinhos, o bichinho fica doente, eles é como se entrasse numa outra realidade, não tomasse ação de nada, não consegue ter ação. Dissociar é sair da realidade, mas essa dissociação ela é sob estresse. Então aconteceu alguma coisa que eles não conseguem lidar.
Não é à toa, né?
Não é do nada, não é um delírio como pode acontecer com esquizofrênico, não. É uma coisa de estresse que eles não conseguem lidar. E aí eles, é como se fosse uma regressão a um estado de uma criança incapacitada, né? Então aquela hora que você fala assim, eu acho que fulano não tá entendendo o que tá acontecendo, não. Acho que não tá entendendo. É, não é no mundo da lua, é tá fora da realidade. Tá acontecendo uma coisa que, vamos supor, sofreu acidente uma pessoa que ela gosta, ele gosta.
Então qual é a primeira providência, gente? Cadê a carteira do plano de saúde? Qual hospital? Ou se não é plano de saúde, qual hospital mais próximo?
Qual situação?
Vamos chamar um táxi, vamos chamar um Uber, ou vamos chamar o vizinho que tem carro. Né? Vamos fazer o que tem que fazer, independente de qualquer coisa. Vamos chamar o atendimento, né, o bombeiro, alguma coisa. Chega uma hora que você para e fala: primeiro socorro, vamos fazer. A pessoa fica como tipo assim: ai, será que ele quer um café? Acho que eu vou fazer um bolinho. Tá dissociado daquela situação, entende? E às vezes pode ser interpretada de uma forma errada por outras pessoas, do tipo assim: essa pessoa não tá brincando com a gente, a gente tá aqui tentando ajudar a pessoa, que é oferecendo um bolinho, cafezinho, no meio desse desespero. Dissociação é isso.
Entendi. E isso é involuntário, né? Eles não sabem que estão fazendo isso, não, eles não controlam.
É uma fuga. Você se lembra que a amígdala deles é hiperativada? Ativada, sim. Quando uma pessoa tá com medo profundo, vamos supor, os animais, ou ele foge ou luta, ou luta ou paralisa. Na natureza você não vê aqueles animais que se fingem de mortos?
Ou foge. Felino, por exemplo, sempre procura saída. Se não achar, ele faz a saída dele, vai para o desespero. Caramba!
Então é importante que a gente entenda isso.
Aquilo que você fala, que o nosso cérebro às vezes parece que ele não evoluiu de certa forma, né? Ele é muito no inconsciente, ele é muito restrito a circuitos muito básicos.
O circuito do medo, da sobrevivência ou de alerta, ele vai estar sempre ali, ele vai. Só que tem que— esse circuito para o border é um circuito que ele funciona muito mais do que deveria.
Entendi.
Então, para tirar a gente da realidade, para tirar eles da realidade ou para paralisar, é muito mais comum. Ou seja, uma situação que para outra pessoa seria normal, para eles paralisa, pode paralisar ou pode pode botar uma fuga tão grande que vem a fúria de raiva, que também é uma forma de fuga.
Entendi. De novo, é aquilo, né? Quando eles não conseguem lidar com as emoções, sentimentos, eles vão para os comportamentos.
Exatamente, para os comportamentos. Perfeito isso que você falou agora.
Aí, seguindo aqui, né, que é o paradoxo da prevalência e o viés de gênero. O que que seria isso, né?
Porque é bem mais comum em mulheres. É interessante isso, porque assim, mas os estudos mostram que é bem mais comum É, mas isso que eu tô falando, que é uma coisa boa, é quando eu escrevi o Mente Queima Demais, eu falei, teoricamente era muito, era 3 para 1, se eu não me engano, 3 mulheres para um homem. Mas eu falei, não acho que a estatística real, porque eu acho que a gente não, ansiedade, né, acaba mascarando os sintomas de um que entra no outro.
Quando eu falo de psicopatia, sempre falam que é 4 para 1, 4 homens para uma mulher. Tenho minhas dúvidas. Eu acho que tem muito mais psicopata mulher do que a gente imagina. Não sei se é 4 para 1.
A falta de testosterona faz elas serem pegas. Olha só, não sei não, não.
É porque a maldade feminina ela é mais silenciosa, ela é do veneno, aquele bolinho, não é do espancamento, de tudo. Ultimamente a gente tem tido muito casos de mulheres botando veneno em bolo, dando para não sei o quê. Eu sempre falei que a psicopatia feminina era feminina, era silenciosa, e que o método era envenenamento. E as pessoas, ai, Bia, não sei o quê, ela tá mostrando a realidade, porque hoje a gente percebe mais, a gente tá mais atento a isso.
Então eu acho também que é como se achava que tinha muito mais mulher border, tem muito homem border. É, e agora você tá botando esse estudo aí, que bom, porque a diferença, a diferença tá bem pequena, porque antigamente se falava numa diferença bem maior, tá?
No homem, por exemplo, ele é frequentemente diagnosticado, né, com transtorno de conduta, como TDAH, TEPT, né, TOC, igual a gente tava falando. Então sintomas focados em explosões de raiva, impulsividade grave e abuso de substância. Quando a gente vai para, né, para o lado feminino, que é apresentação internalizada, é frequentemente subdiagnosticada até meia-idade, confundidas com depressão, ansiedade ou bipolaridade. Sintomas focados em instabilidade de humor, e vazio crônico.
Ambos, né, afeta de 0,7 a 2,7% da população em geral, mas representa 12% dos pacientes ambulatoriais e 22% das internações. Isso aqui é loucura, né, porque a gente tá falando de quase um quinto.
Mas por que que eu tô falando assim? Porque em geral o paciente com border não vai procurar por border, então ele não tá na estatística. Sabe onde ele vai entrar na estatística? Depressão e ansiedade. Vai estar lá. E quando ele chega nessa parte, quando ele começa a entrar no desespero, que aí você começa essa coisa de se autodestruir, aí já vai direto para internação.
É quase que é necessário o estouro, né, da boiada, é necessário o over do over para diagnosticar um border.
Exatamente.
Caramba, que triste.
Porque em geral ele vai, ele vai passando por momentos, aí tem uma Tem um estresse no trabalho, tem um estresse no relacionamento. Aí ele fica com uma, só uma crise de ansiedade. Ah não, é só uma crise depressiva. Então ele vai botando. Quando ele vai para o desespero, para o desamparo total, para o vazio, e tenta se autodestruir, aí a internação aparece. Aí você fala assim, peraí, mas como é que foi isso antes? Aí você vai vendo que aquele quadro depressivo, quadro de ansiedade, HPP, você vai vendo tipo assim, tem um padrão que é um padrão de vazio crônico, de instabilidade muito marcado por momentos de estresse.
Já teve outros relacionamentos, quadros dissociativos.
Aí você fala, tem mais coisa aqui, é mais complexo do que a gente tá vendo. Então tem que estar muito atento. E às vezes o paciente não fala.
É literalmente só quando estoura, né?
Quando tá no limite do desespero total. Né, aí aparece, começa a aparecer.
Agora a gente pensando assim, a jornada da vida, os anos dos bordas, né, dos bordas, os anos 20, né, que seria fúria e o ruído, o período de mais visibilidade clínica e risco agudo.
Todo transtorno de personalidade ele tem um auge, que é o auge da juventude, de 20, né, ele tá no auge, né, tipo assim, auge de tudo. Então é onde aparece mais os sintomas, principalmente aqueles sintomas que estão acima do iceberg, os visíveis.
Igual, por exemplo, a identidade em crise, né? Mudanças frequentes e dramáticas de emprego, curso, grupos de amigos, estilo de vida. Ou seja, aquele que muda sempre, né?
Nunca é que você fala assim, nossa, mas fulano tá sempre mudando de visual, tá sempre botando mais uma tatuagem, tá sempre Ué, mas não tava namorando não sei quem? Não, não tá mais. Agora o amor da vida é o outro lá. E você fala, engraçado, muda o estilo de vestir, muda o estilo de cabelo, de gosto. E muitas vezes essas mudanças de estilo tá muito relacionadas a apego. Então aquela pessoa se apega a alguém com perfil, e aí ele pega toda a engrenagem.
Então é aquele que vai namorar alguém que, por exemplo, Gosta de trilha, começa a fazer trilha, começa a fazer trilha do nada e vira o melhor trilheiro que tem. Porque tem isso, o border ele não faz nada pela metade. Quando ele faz, ele faz. Ele vai te dizer a melhor trilha, vai saber todas as trilhas do Brasil, vai dizer tudo, tudo. Então assim, essas mudanças têm muito a ver com esses vínculos.
Aí seguindo disso, vai para os relacionamentos vulcânicos, né, que é a formação rápida de vínculos íntimos seguida de rupturas abruptas e caóticas.
Exatamente, se apaixona rapidamente, mas rapidamente. Eu acho que achou o amor da vida e também se decepciona rapidamente. Aquilo, amor e ódio, você lembra? Vai pensando, você é o cara melhor da vida, de repente começou uma desconfiança, aquilo vai entupindo a mente de pensamento, não, tá diferente, tá aquela hipersensibilidade de ver coisas que não são aquilo.
E aí, Príncipe Sapo, Sapo Príncipe.
Exatamente.
Então tem muito isso assim. Então o vida longa e próspera não acontece ali.
Como assim?
É, eu realmente preciso melhorar minhas piadas.
Vamos lá, vida, não entendi.
Relacionamentos vulcânicos. Vulcânicos é o quê? É o Spock, que ele é vulcânico. Então vida longa e próspera, essa é a lógica.
Você entendeu essa brincadeira? Não entendi.
Você se referiu ao personagem?
Não, tudo bem, tudo bem, mas não, não entendi. Porque o Spock do Star Trek, não entendi agora fazendo. Eu sei, mas ele é só lógica. Mas aqui ele é só lógica, ele é só lógica.
Ele é um vulcano diferenciado.
É, mas não é vulcão. Aí esse vulcânico não, esse vulcânico é instável, de vulcão. Esse vulcânico aí é aquela coisa que entra erupção e jorra. É, quando sai da erupção, aquela calma, tranquilidade, te ama, te adora. Entrou na erupção, ódio, ódio, e corta, e nunca mais. Geralmente são padrões muito intensos.
Não tem nada a ver, pessoal, com as outras.
Não tem nada a ver com o vulcânico do spot.
Pico de comportamentos de risco, né? Alta incidência de auto—
autodestruição, né?
Ideação de tirar, de se autodestruir também, né?
Então tem essa coisa de se machucar fisicamente e também de se autodestruir, né? Isso também é o pico aí dos 20 aos 30 anos, é um pico muito grande.
E o último, né, que seria volume emocional, que é sentir as emoções em um volume que os outros não aparentam experimentar, né? Aquilo que, de novo, eu experimento de um jeito parece que o outro não.
Toda vez que você falar em percepção emocional numa personalidade border, você tem que entender, se você, se a tua percepção é 10, dele vai ser 50 ou 100.
Entendi. Ele não tem jeito, ele sempre vai ter um pouco mais.
Existem, a gente tem percepção. Às vezes uma pessoa tá no mau dia, fala assim, ah, não enche o saco. Aí você fala, pô, precisava falar assim comigo? Podia falar, não tô legal hoje, tá? Mas isso assim você consegue falar tipo assim, não tô legal, perdão. Então você depois fala, perdão, não tô legal hoje. E pronto, o border vai ver isso como tipo assim, não, isso aí tá falando, mas isso ele deve estar pensando em me abandonar. E vai toda uma engrenagem.
Ele não falou isso só a tu, ele tá vendo isso todo dia.
Às vezes x a 10.
Entendi. Nossa. Aí seguindo dos 30 aos 40.
De 20 a 30 são os piores momentos assim, né?
E dos 30 aos 40 é a exaustão e o vazio, né? Que é a suavização dos sintomas impulsivos substituída pela fadiga crônica, que diminui um pouco essa impulsividade, né?
Eu digo que a juventude ela traz uma energia grande. Você, para ter impulsividade, raivas, você tem que ter uma energia. Então vai na jornada da vida, em geral você diminui nessa fase de 30, 40, você diminui aqueles sintomas de raivas explosivas, de impulsos autodestrutivos. Mas aí começa a cair, se não é um bom, não teve um bom tratamento, se não tem uma boa autopercepção, conhecimento, você começa a entrar num vazio e uma fadiga crônica, porque viver intensamente emoções muito de raiva, de rejeição, dá um cansaço.
E vai olhando que os padrões de comportamento muda, né? Então, ó lá, o declínio da impulsividade, né? Os comportamentos de risco flagrantes, automutilação diminui. Só que aí vem ansiedade e a depressão mascarada, né? Que o border, ó lá, subjacente se esconde atrás diagnósticos de depressão resistente ou burnout exacerbado por flutuações hormonais.
Aí vem, quando vem alteração hormonal principalmente feminino, aí é um momento bem difícil. No caso, eu diria até um pouquinho mais, até 45.
A menopausa ajuda?
Piora muito a questão da exaustão.
Entendi. E a gente pensando que o Borda, igual você falou, ele não faz nada pela metade.
Então esse burnout também, às vezes aquele burnout que se dedica demais, se doou demais, geralmente são bons funcionários, não sabe fazer coisa mal feita, eles têm essa coisa de que não se permitem não fazer bem feito.
Entendi.
Eles têm essa cobrança, eles têm essa cobrança porque eles já se acham tão inferiores que eles tentam fazer da melhor maneira e fazem. Mas a questão é que isso pode levar a cansa, porque aí você, ele fica esperando que o chefe reconheça, que o chefe fale, não, muito bem. E quando não vem essa reciprocidade, essa de elogio, isso pode deixar muito mal, mesmo que ele não consiga entender isso.
Entendi essa falta de feedback.
Ele interpreta como uma rejeição.
Caramba! Aí a gente vai para os desafios da parentalidade, né, que é o estresse de criar filhos intensifica a desregulação emocional, a culpa após explosões gera um ciclo de vergonha, como você tinha falado, né?
Mas aí é mais em relação aos pais, né?
Porque aí vem a maternidade, vem a paternidade, geralmente onde você tá querendo criar o filho.
Mas aí esse estresse de criar os filhos acrescenta uma intensidade emocional para ele a mais, a mais. Então pode ocorrer mais desregulação emocional se não tiver tratado, se não tiver— a gente tá falando aí sem os tratamentos, tá? E vem culpa, então às vezes explode muito com os filhos. Fica numa vergonha. É importante assim se preparar, né? Essa coisa que não pode ter filho é mentira, mas se preparar para não levar essa intensidade toda para uma maternidade ou para uma paternidade é um bom momento de testar se o tratamento foi bom e se dedicar mais.
Tá dando efeito? Porque aí pode ser uma grande oportunidade de fazer uma relação de vínculo bacana, né, diferente do que era antes do tratamento.
Perfeito. E agora seria o vazio residual, né? O conflito dramático é substituído por uma insatisfação crônica e o desgaste de ter reconstruído a vida múltiplas vezes. O que que seria isso?
O paciente bota sem tratamento, quando ele chega nessa fase, nessa que ele fica assim: eu devia estar mais estável, eu hoje já devia estar trabalhando menos. Mas como ele intensamente, ele entrou de trabalho, saiu de trabalho, entrou em relacionamento, saiu de relacionamento, foi loucura. Aí ele começa, é o momento que fica assim: o que que eu fiz na minha vida? Que pode juntar isso e falar assim, ele começa a olhar para trás e: eu não devia, se eu soubesse, não devia ter feito isso, não devia ter feito aquilo.
Que com uma boa terapia ele vê que ele fez o que ele podia, ele não sabia, né? E vida para frente, porque eles têm energia e capacidade para fazer coisas muito legais.
Caramba, tadinho do border, ele sofre desde o momento que ele chega, né?
É difícil, é muito difícil.
Agora a gente pensando assim, né, a matriz do diagnóstico diferencial, é porque ele pode ser confundido com bipolar, com TDAH.
A gente tem que ter muito cuidado. E pode ser comórbido, né? Você pode ter um transtorno de personalidade bipolar com bipolar, com TDAH, o que torna o complexo ainda mais Olha, até pode, mas você tem que ver. Até pode, nada, nada é impossível dentro da complexidade mental, né? Não, uma anomalia pode, mas é raro. Mas você sempre tem que ver o que que é o primário, o que que é o primário e o que que vem depois, porque comorbidade é aquilo que se associa a algo já existente. Então eu diria que border e autismo pode, mas não é comum, né? Exatamente.
Para a gente ter ideia, né, aqui do lado a gente tem o gatilho da mudança, duração dos ciclos, a natureza da sensibilidade, o senso de identidade. Se a gente olha para o do border, ele tem todos, né?
Então, ó lá, o gatilho de humor, ele é reativo a qualquer mudança, rejeição, né?
Isso. Aí a duração dos ciclos, ele pode durar por minutos a horas.
Exatamente. Essa reação a um estresse agudo pode ser minutos ou pode ser algumas horas ou dias, como aquela dissociação que eu te falei, tá? Aí quando você vai ver no transtorno bipolar, essa mudança não depende deles, não depende de algo que desencadeou de imediato, é biológico, é uma alteração biológica, neuroquímica. E que demora mais, tá?
Ou seja, semanas, meses.
Pode ser mesmo.
Entendi.
Se não for tratado, claro.
A gente trazendo agora, né, a natureza da sensibilidade no border, o medo profundo de ser abandonado, de ser deixado sozinho.
Exatamente. Sempre é o desespero da fragilidade, de não se dominar, de não se dar conta, né?
E a gente olhando para o TDAH, né, é a disforia sensível à rejeição. Medo da crítica e do fracasso. Não de ficar sozinho, mas de ser criticado e fracassar.
Exatamente, é outro patamar. Não é o desespero de ficar sozinho, na realidade é o medo do fracasso e da crítica.
E por último seria o senso de identidade, né? No border é o vazio crônico, instabilidade do self por trauma. Que que seria esse self?
O self é a sensação de ser, né? A identidade seria assim, um outro, né? Então É exatamente, é quando você é o teu self, é você mesmo, você próprio. Myself, vou fazer por mim. Entendi, né? Então self. Então essa instabilidade, vou tirar uma selfie, que legal, agora entendi. Vou tirar uma selfie, exatamente, eu para mim mesmo.
Entendi.
É como se fosse você com você, né?
E aí a gente vê no autismo um pouco diferente, né, que é uma identidade difusa frequentemente resultante de masking crônico.
É aquele mascaramento, né? O autista, ele muitas vezes tem que fingir que é normal, principalmente o de grau 1. Quando ele sabe que ele é, ele sabe o que prejudica e que não prejudica, e ele consegue se disfarçar. Ele consegue esse masking. Chega uma hora, por isso que ele tem bateria social pequena, porque quando ele vai para socialização, quando ele vai para socialização O autista, ele tem que fazer uma opção de coisa para que as pessoas não fiquem enchendo o saco que ele não tá fazendo.
Só que tem que, aquilo tem um custo. Ele tá usando um masking, ele tá mascarando uma coisa.
Então é diferente, né, o autista que usa masking do border, que tem uma sensação de vazio mesmo.
É diferente.
Ou seja, o border, mesmo fazendo masking, ele ainda vai se sentir vazio.
Mas ele nem faz masking. Ele, o vazio é vazio mesmo. Senso de identidade, eu não tenho. O do autista é: eu tenho, gosto de ser assim, quietinho, fazer minhas coisas, aí eu disfarço. É diferente.
Usa como um recurso, né?
O border não tem como. O border não.
Agora a gente trazendo, né, a intersecção da dor emocional e a dor física, porque interseção, interseção, a gente já teve um universo só sobre a dor física que é causada pela dor emocional. Então no border é muito pior, né?
É complicado porque assim, como ele tem um sistema de alarme hiperativado, ele também tem uma hipersensibilidade emocional, ele também vai ter uma hipersensibilidade à dor. Então quando a gente pega lá, né, não só a dor psíquica como a dor física também.
E igual lá, é o primeiro ponto, né, que seria assim hipersensibilização central. O border e a dor crônica frequentemente co-ocorrem. A hipersensibilidade emocional sustenta a condição onde a turbulência afetiva amplifica a dor real.
Então esse excesso de hipersensibilidade emocional amplifica uma dor real física. Então às vezes eles teriam labirintite, aquele outro que é Fibromialgia, fibromialgia pode, mas a questão é toda, toda dor que eles sintam, seja de qualquer origem, vai ser amplificada por essa hipersensibilidade.
Entendi.
E por essa hipersensibilidade emocional mesmo, tá? Amplifica a dor, vai piorando tudo, com certeza.
A felicidade também amplifica? Se for uma coisa feliz, ele fica mais feliz do que teria que ficar do que o normal?
Momentaneamente, quase que, mas não se sustenta e tudo? Não. Não, não é quase histérico, mas ele pode ficar muito empolgado com uma coisa, muito empolgado com início de relacionamento, com início de trabalho, mas não se sustenta porque não é dentro daquilo da identidade, do tipo: eu sei que eu posso fazer, eu tenho segurança nisso independente de qualquer pessoa. É um entusiasmo que pode rapidamente, por qualquer coisa, flutuar. Exatamente, por coisas pequenas que ele interprete como rejeição. Flutuar.
Aí, seguindo, né, a dissolução da identidade. A dor crônica corrói ainda mais a identidade já frágil do border, gerando isolamento.
Exatamente.
E vem o impacto da invalidação, quando profissionais de saúde minimizam a dor física do paciente com transtorno de personalidade borderline. Isso repete o trauma original, né, exacerbando ambos os sintomas.
Ou seja, às vezes do tipo, não é que é bacalha, ele acha que é drama. E eles têm essa dor amplificada. Então é do tipo, ah, não é bem assim. Não é assim. É mais fácil dizer assim, olha, realmente essa sua dor ela é intensa, ela é maior. Vamos ver o que que a gente pode fazer para mesmo assim a gente tentar reduzir. E não ficar, não, não é isso tudo não, vai não sei o quê, vai lavar um Aí é um desrespeito, né?
Aí acaba traumatizando ainda mais, é porque ela não pode falar da sua— se o médico falou isso para mim é porque eu tô errado mesmo.
Exatamente.
Caramba. Agora a gente vai para avaliação de risco, o crônico versus o agudo, né? Uma distinção vital para o manejo clínico. Aí a gente pega um estudo que ele é qualitativo. Em cima a gente tem o padrão crônico, que seria a ideação de autoextermínio, é frequentemente um traço de base do border. Funciona como uma válvula de escape psicológica persistente. Aquilo de, né, não sei o que fazer com esse sentimento e com essa emoção, vou para o comportamento.
Não necessariamente uma emergência imediata. Reagir exageradamente ao risco crônico pode invalidar o paciente.
É, na realidade é um pouco mais simples. Você tem um padrão crônico que já é um padrão de vazio existencial, tá, de necessidade de apego a outro. E você tem um padrão agudo, que é quando você realmente passa por situações estressantes que seria estresse para todo mundo, mas por essa hipersensibilidade ou reatividade emocional piora muito. Então, no padrão agudo, isso fica muito mais exacerbado. Caramba, que a gente tem que estar mais atento a qualquer tipo de comportamento autodestrutivo.
O espectro do tratamento baseado em evidências, né, tem aqui o de sensibilização e reprocessamento por movimentos oculares, Mas não tem nenhum artigo científico assim.
Eu acho que não tem a EMDR, que não é a MTR, é EMDR, que é uma técnica para tratar coisas ligadas a trauma, tá? Eu confesso que eu não tenho nenhuma experiência, tá? E a gente não, não conheço. Se tiver alguém aí, nos ajude.
Deixa nos comentários.
Nenhum tipo de meta-análise robusta justa para dizer que funciona para todos os border. Não sei, tá?
Depois tem a terapia de aceitação e compromisso.
Esse sim, eu acho que pode, porque é uma, é uma terapia que tá muito parecida com a nossa escolha ouro, né, que é a terapia comportamental dialética, que foca em tolerância ao mal-estar, ter a sensação, validar o sofrimento, entender, aprender a regular as emoções e criar habilidades para lidar com essa instabilidade.
Entendi.
Então é uma coisa, mas é muito legal. A terapia comportamental dialética é o padrão ouro para tratamento de borderline, não é outra terapia, tá? A pessoa fala, vou fazer psicanálise. Não é. Talvez seja, não substitui. A terapia comportamental dialética é fundamental. Pode ser até que um dia pessoa, depois de ter feito a dialética, já esteja num estado bacana e faça sua psicanálise para outras questões. Mas para tratar o transtorno borderline, todo o seu vazio existencial, toda a sua problemática de relacionamentos, de interpretação, é a dialética é número 1.
Tanto que os fármacos, por exemplo, podem ser usados em alguns momentos, mas também não é é a primeira escolha. O remédio não. Se às vezes você tem que pontuar numa fase aguda, naquele momento agudo você pode ter que usar numa dissociação, numa impulsividade muito grande, mas o que vai realmente fazer essa transformação é a terapia comportamental dialética.
Aí, seguindo aqui, né, a síntese, mudando o paradigma. O estigma é o que vemos: manipulação, exigência, raiva inadequada, personalidade difícil e intratável, né? Busca constante por atenção.
Isso é como as pessoas veem o border.
E na verdade não é nada disso, né? É uma profunda disfunção do apego, desse vínculo com os outros, né? Um comportamento aparentemente hostil são na verdade tentativas inconscientes e desesperadas de regular um sistema nervoso que foi sobrecarregado por traumas e invalidado cronicamente.
É importante que a gente entenda que em geral você vai ter situações traumáticas, mas a coisa mais importante é que trauma é aquilo que eu não consigo fazer frente. Então o trauma que pode ser para uma pessoa pode não ser para outra. Como o border tem esse sistema límbico, amígdala hiperreativa, ele sempre desde muito cedo não reage bem às situações afetivas, emocionais, acaba virando trauma. Então tem gente que fala assim, ah, mas eu, minha mãe não me traumatizou.
Mas o trauma não é exatamente a situação, é a sua incapacidade de lidar com frustrações, com coisas que acontecem.
E como que a gente pode ajudar geralmente, ou até entender, né, um amigo, um próximo que tem?
Eu acho que entender exatamente isso, que ele não é aquilo porque quer, ele é por uma disfunção no seu sistema de reatividade, de medo. E que o que parece uma coisa de maldade, na realidade, é muitas vezes um desespero. Eu acho que a gente tem que ajudar, e a melhor maneira de ajudar é conseguir falar. E se não conseguir, escrever, que às vezes você não consegue falar, que a pessoa vai sentindo mal, vai ficando agressiva. Às vezes vai se afastar porque achando que você tá rejeitando, na realidade você tá tentando acolher.
E fazer de tudo para que essa pessoa de fato se dê a chance, se sinta acolhida, se sinta segura, se dê a chance de fazer uma terapia cognitiva dialética, comportamental dialética, desculpa.
Entendi.
Ou seja, que aí que ela começa a se entender, e aí que ela começa a ter ter ferramentas para lidar com essa, com essa disfuncionalidade, com essa avalanche de emoções, de sentimento de rejeição.
E deixando uma mensagem assim para quem tá em casa, além de mandar esse vídeo para algum amigo, amiga, namorado, namorada, pai, mãe, tio, tia, namorado também, namorado, porque tem homem também, 5,6, é bastante, bastante.
3,2. Isso é uma estatística bem recente, porque antes era bem invertida. O que eu acho interessante é que a mesma neuroplasticidade que a gente sabe que funciona para a gente aprender coisas novas, para a gente refazer caminhos no cérebro que não são tão legais, é o que funciona para o border na terapia dialética, né? Essa, essa capacidade de você refazer um sistema que funciona muito ativo para coisas de desespero, de medo, desde muito cedo, né? Então isso eu acho bacana, né?
Ali ele fala que é bacana também é quem tá em casa clicar no botão curtir aqui embaixo, deixar um comentário do que que achou, se conhece alguém que aparenta ter, ou se você realmente também aparenta aqui não é o espaço de julgamento, todo mundo tá acolhido. Hoje em dia a internet tem muitos julgadores e poucos curiosos, né? Então vamos ser mais curiosos. Então clica no botão embaixo para curtir. Se você não segue o canal, segue.
Importante para ser mais curioso e buscar conhecimento de qualidade, porque senão fica um curioso falando qualquer coisa. Aí não. E deixar uma mensagem que o diagnóstico não é uma sentença vitalícia, né? É o primeiro passo para reprogramar esse cérebro, para ter um pouco mais de paz, para ter um pouco mais de equilíbrio emocional, que é bom para todo mundo.
Que coisa linda, hein? Mas é verdade, merece até compartilhar esse vídeo. Olha que frase, né? Que bacana. Então ficamos aqui depois, né, dessa aula que a gente recebeu.
É muita informação, talvez a gente tem que desdobrar aí, mas aí o pessoal diz aí como que é.
De criança, um de criança, ou até onde tira dúvidas, por exemplo, a gente pegar as dúvidas que tiveram nesse daqui. Porque de novo, é igual eu falei, antes do seu livro eu não conhecia quem falava de border desse jeito e tudo.
Hoje já tem bastante.
Não só pessoas que falam, mas border também, eu acho que eu conheço vários que são. É, e hoje eu entendi um pouquinho melhor eles.
Com certeza, a gente vê com outro cenário, né? Eu digo sempre para border, não vou brigar com você, você. E muitas vezes eu já vi assim, mas como assim? Não, não vou brigar, depois a gente conversa, depois a gente conversa, e depois a gente conversa mesmo.
Caramba, que legal! Vamos então usar isso mais para vida, né? Então não se esqueça, clicou aqui embaixo, clicou se inscrever, clica no sininho para quando a doutora colocar conteúdo novo, vídeo novo, você não vai querer perder, hein? Tem que ser o primeiro a chegar aqui, inclusive o primeiro a comentar. Coloca aqui, cheguei, eu primeiro, a gente vai curtir lá.
É verdade.
E até o próximo Pod People.
Até o próximo. Inverso. A gente se encontra.