A Ciência da Fofoca: Por Que Você Não Resiste? - PODPEOPLE INVERSO COM DRA. ANA BEATRIZ | Ep. 042
Todo mundo faz fofoca? E por que esse comportamento está presente em praticamente todas as culturas?Neste episódio do Pod People Inverso, exploramos a psicologia, a evolução e a neurociência da fofoca. Descubra por que esse comportamento surgiu na história da humanidade, como ele ajudou na sobrevivência dos grupos e quando deixa de ser uma ferramenta social para se tornar um hábito destrutivo.Falamos sobre comportamento humano, validação social, reputação, relações interpessoais, redes sociais e como a fofoca pode revelar muito mais sobre quem fala do que sobre quem é alvo dela.Uma conversa profunda sobre natureza humana, convivência e saúde emocional.
Bia Santos
Dra. Ana Beatriz
- Mídia e FofocaOrigem evolutiva da fofoca · Função social da fofoca · Fofoca e dopamina · Fofoca e ocitocina · Fofoca como ferramenta de controle
- Fofoca ReversaFalar bem das pessoas · Exaltar qualidades
- Comunicação em redes sociaisAlgoritmos e reações emocionais · React como fofoca digital · Cultura do cancelamento · Mega-hubs de fofoca
- Tipos de FofocaFofoca descendente · Fofoca ascendente · Fofoca lateral
- Literatura como resistênciaFofoca em regimes autoritários · Fofoca como forma de manter a dignidade · Fofoca em ambientes corporativos tóxicos
- Ambiente de TrabalhoFofoca como sistema circulatório · Impotência e incerteza · Fofoca e demissões em massa
- A mitologia dos Forasteiros e a TríadeNarcisismo · Maquiavelismo · Psicopatia
- Poder do SilêncioFofoca como processamento de dados · Identificação de influenciadores · O poder do silêncio
Toda fofoca, quando você emite, tá falando de você também. Todo ser humano se fascina por fofoca. Fofoca tá na espécie humana.
Qual que é o tipo de fofoca que você faz, já que todo mundo faz fofoca?
Ah, eu sabia que aquela pessoa não era santa. Você acaba não vivendo sua vida. Então tem pessoas hoje que não se incomodam de que o seu nome esteja envolvido em fofoca. Você tem que se validar pelo que você faz de bom, não porque o outro é pior. Se você tá num grupo que todo mundo fica tirando onda com os outros, falando, falando coisas desagradáveis, não se iluda. Quando você virar as costas, farão isso com você. Antes de começar, eu queria pedir a todos que estão aqui que se inscrevam no canal, compartilhem o nosso conteúdo e acione o sininho para receber todas as novidades, tá bom?
Que aí cada vez a gente vai poder fazer mais e mais episódios que vai fazer muito bem para todo mundo. Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Pod People Inverso. Aqui você já sabe, a Bia vira entrevistada e Gabriel o entrevistador. Antes de começar, eu queria agradecer a nossa parceira Sana Cursos e Palestras. Se você precisa de um profissional capacitado para fazer um evento sobre saúde de forma geral, é o lugar certo.
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Tudo bom, Bia? Olha, o assunto de hoje, nós temos hoje polêmico, viu? Vou te falar, tem muita gente perguntando nos últimos dias sobre fofoca e como funciona, né, a ciência por trás disso tudo, de comportamento das pessoas, e falar um pouquinho sobre quase que antropologia, que é voltar lá nos tempos da caverna quando era necessário ser fofoqueiro.
Isso é interessante que você tá falando. Primeiro assim, o que que é a fofoca, né? A fofoca, ela é você passar uma informação real ou não, né, ou inventar para outro ou outros, em que você diminui ou faz com que a imagem de alguém seja Prejudicada? Prejudicada, sim.
É uma necessidade humana?
Olha, a gente sabe que todo ser humano fofoca. Toda vez que a gente tem um comportamento que é típico da espécie, a gente tem que lembrar que isso teve alguma função, né? É que nem a vingança, né? A gente fez um episódio super bacana de vingança. Todos nós temos pensamentos de vingança, não necessariamente a gente executa uma vingança. Então pensamento de vingança todo mundo já teve. E toda vez, e a gente viu que tinha uma ciência por trás disso, que tinha uma história humana por trás, né?
Então a fofoca é igual, todo ser humano se fascina por fofoca, ou já realizou fofoca, ou já teve pensamentos relacionados à fofoca, ou seja, a produzir notícias reais ou distorcidas de alguém para outras pessoas sempre tentando diminuir aquela pessoa, ou fazendo chacota, ou tirando onda. Então assim, a fofoca tá na espécie humana.
Entendi.
Quando a gente tem um comportamento que é típico de toda espécie, a gente tem que voltar lá atrás e ver onde isso foi útil, quando que isso foi útil. E aí você vai ver o homem lá naquela, nos primórdios, na época das cavernas, existia uma função fofocar.
Qual que era a função? Porque precisa, né?
Qual que você vive em grupos, né? E esses grupos se defender de outros grupos. Então quando você tinha uma informação verdadeira sobre alguém que tava no grupo querendo passar informação para um outro grupo inimigo, você ao ter aquela informação e passar para outros, você ganha um papel de tipo assim: esse cara aqui é bacana, é de confiança. Então você fica era bem, você era bem visto dentro daquele grupo.
Aí acaba viciando o nosso, nosso, como é que eu vou dizer, nosso cérebro, nosso comportamento, a sempre ter esse quero ser bem visto sempre, ficar fazendo só isso.
Olha, vão ter várias, várias opções para isso. Talvez você traga aí o estudo para a gente ver. Hoje em dia a gente não pode dizer que era só por isso. Hoje em dia a fofoca vai ter algumas funções. E é interessante que hoje em dia, não sei se vai aparecer aí nos teus estudos, a fofoca tem uma coisa que tem só— é muito vítima de fofoca quem, entre aspas, tá numa posição de destaque na sociedade. Olha que loucura! Então tem pessoas hoje que não se incomodam de que seu nome esteja envolvido em fofocas.
Porque significa que ela está mobilizando muita gente. Isso é um fenômeno depois das redes sociais.
Mas é aquele famoso marketing que é mito, né? Porque se for olhar, falem bem, falem mal, não é tão bom assim. Falar mal nem sempre é uma boa coisa.
Falem mal, mas falem de mim, né? Num mundo em que tudo é que você necessariamente não é um produto vendável só porque você faz coisas boas, Talvez esse não seja um mito, seja uma verdade.
E olhando pro lado de comportamento, essas pessoas que mesmo sendo centros e picos de fofocas negativas e mesmo assim gostam disso, estimulam isso, o que você pode dizer sobre elas? Porque não é uma— por exemplo, uma coisa é você ouvir aquela famosa, você é verde? A pessoa fala, não, mas eu não sou verde, então você ignora. Outra coisa é a pessoa ir lá e pesquisar sua vida e realmente criar uma fofoca elaborada e mesmo assim você não se importar com isso. É um estoicismo que eles aplicam ou não?
Depende da pessoa, né? Por exemplo, eu acho que se é um, tem um fundamento de verdade e aquilo tá sendo feito para te diminuir, deve bater de uma forma ruim. Agora, responder a isso talvez seja uma opção de maturidade.
Então às vezes é melhor nem responder, no caso?
Depende da fofoca. Por exemplo, eu nunca respondi.
E vicia fazer fofoca?
Eu acho que sim, porque quando você faz uma fofoca, que você tá, você tá fazendo o outro ficar menor que você. Isso te dá um prazer imediato, isso libera dopamina.
Entendi.
Antes, né, na pré-história, a fofoca liberava muito mais ocitocina, porque fazia você ser acolhido por um grupo, você pertencer, porque você tava passando uma informação importante de validade para ajudar aquele grupo. Então você era mais incluído. Agora vamos ver aí o que que você trouxe dos estudos para a gente ir separando, porque existe vício em fofoca por métodos ou por meios e caminhos diferentes, mas pode viciar. Não é à toa que a gente vê quais são os sites mais bombados, os sites não, quais são as redes sociais mais bombadas de fofoca, de fofoca disparadamente.
Agora você faz um Instagram ou um Facebook, um YouTube todo voltado para conteúdo, para explicar, para as pessoas terem autoconhecimento, a gente tem muito que agradecer que a gente é muito bem assistido. Mas você vai nos perfis de fofoca, bomba! Quanto mais você fala dos outros e quanto mais você fala mal dos outros, por mais que isso ficou do falar mal, né? Porque olha, tem várias explicações, mas vou te dar uma. O algoritmo, ele lê reações, reações emocionais.
E quando você aciona reações mais intensas, mais o algoritmo capta, porque ele quer atenção. Que que dá mais atenção? Raiva. Porque aciona o teu sistema, já fica pronto para sobreviver. Então quando você bota lá, fulano fez isso, fez aquilo, você Aí você quer olhar e você quer dizer, aquele cara não presta, ele fez isso, ele fez aquilo. Isso também é uma maneira de acionar, capturar sua atenção, e isso é uma maneira também de você ficar absolutamente instintivo.
Você fica ali batendo boca, você vê que tem muita gente na rede social que bate boca, que responde, que defende, faça isso, não faça isso, sai daqui. Então é muito mobilizado, as pessoas talvez não se deem conta, mas a fofoca sempre vai ter uma coisa que às Às vezes tem uma fofoca que fala uma coisa, a pessoa fala assim: não entendi por que citaram fulano. Porque assim, a ex de fulano desapareceu. Aí a pessoa fala: mas o que que tem a ver com esse fulano?
Era famoso por coisas ruins, tá? Aí você vai ver, ela nem era mais casada com ele há 10 anos, mas aí bota o nome daquela pessoa que mesmo por coisas ruins, ela aparece, todo mundo quer saber, porque todo mundo quer meter o malho.
Entendi.
Então existe também uma teoria que a fofoca te equilibra, porque você faz o seguinte: aquele cara não é tão bom assim. Então você já faz assim: tá vendo, não sou só eu. Então tem gente que vai atrás de fofoca para falar: tá vendo, sabia que aquele ator não era isso tudo? Sabia que aquela atriz não sei o quê? Então tem gente que tem, isso é uma das coisas coisas que justifica a fofoca como uma maneira de você se validar, o que eu não acho muito legal.
Você tem que se validar pelo que você faz de bom, não porque o outro é pior ou fez alguma coisa pior, porque às vezes você não pode julgar a pessoa por uma atitude.
E a gente pensando assim, né, às vezes é mais fácil consumir, né, igual na internet, conteúdo de fofoca, do que consumir, por exemplo, igual você falou, de conteúdo, saúde mental, essas coisas, porque demanda um pouquinho a mais da pessoa, ou não? Ela consome fofoca mesmo porque ela acaba gostando muito de estar nesse meio.
Eu acho que o conteúdo mais edificante, né, que te traz alguma coisa, dá mais trabalho para ser consumido, né? Por mais que a gente tente botar tudo de uma maneira suave para que as pessoas possam ouvir com mais atenção e trazer para suas vidas cotidianas é um pouquinho mais difícil. O conteúdo da fofoca, ele é de imediato, mas ao mesmo tempo, o que que acontece? Tudo que te dá esse glicose rápida ou prazer rápido de tipo assim, ah, eu sabia que aquela pessoa não era santa, né?
O tribunal, né? Todo mundo vira juiz, todo mundo vira juiz e todo mundo é mais santo do que as pessoas que estão sendo ali linchadas, digamos assim. Essas pessoas, elas podem, porque dá um prazer nesse primeiro momento, ficar viciadas nisso, porque libera dopamina mesmo. Então a pessoa, deixa eu ver mais, não, deixa eu ver mais. Agora, o grande problema, eu acho que você vai colocar aí, é que você acaba não vivendo sua vida, você acaba vivendo criticando o outro porque o outro fez uma coisa que você achava que ele era melhor, agora você sabe que ele não é melhor. Tá, mas o que que— e o teu tempo para fazer o seu melhor?
Você tá perdendo, pegando de alguma maneira. Então, quando a gente traz aqui, a gente pega exatamente como você falou, lá dos tempos das cavernas, né, que a primeira coisa é o grande paradoxo social, né, o estigma, que é tradicionalmente visto como malícia, é uma coisa trivial e até intelectualmente improdutiva, uma atividade a ser evitada. E a realidade cientificamente comprovada que define como intercâmbio de informações avaliadas sobre terceiros ausentes. É uma adaptação evolutiva.
Isso é muito chato, né? Porque assim, a fofoca, ela sempre você tá falando de alguém que não tá presente. Então eu acho que tem uma pontinha de covardia.
Tem uma maldadezinha nessa história.
Eu, por exemplo, eu sou uma pessoa que às vezes eu sou mal interpretada porque o que eu tenho que falar pra pessoa, eu falo pra pessoa.
E já que você falou de você, todo mundo faz fofoca.
E eu vejo que as pessoas, tipo assim, ficam muito incomodadas. Mas eu não gosto de falar por trás. Falar para você, tipo assim, pô, Gabriel, não gostei disso, achei— se eu tiver errada, ok, peço desculpas. Mas essa coisa de você falar sempre pelas costas, eu acho que não é legal.
Mas a gente pensando, já que você falou assim, de trouxe para você, que eu não gosto muito, a Dona Adelaide mandou aqui no chat agora Que a Dona Aparecida— desculpa, Aparecida, qual que é o tipo de fofoca que você faz, já que todo mundo faz fofoca?
Olha, eu vou dizer uma coisa, eu gosto muito de fazer fofoca reversa. Fofoca reversa, falar bem das pessoas. É simples. Por exemplo, uma qualidade do Gustavo, tá? Eu vou chegar para você, eu falo: olha, realmente Gustavo tá mandando muito bem na na maneira de organizar, na maneira de fazer a produção. Isso eu acho que é uma fofoca. Eu posso fazer ele não estando aqui, faço na frente dele como faço nas costas. Já fiz, né? Tipo assim, Gustavo, eu falei para você há pouco tempo, Gustavo foi uma grata surpresa, melhor funcionário.
Se a gente tivesse 6 funcionários do Gustavo, estávamos bem. Então assim, eu acho que a gente tem que criar esse hábito de exaltar o que tem de bom.
Olha que legal!
Então, você também, quantas vezes eu falo, putz, liga lá para o Gabriel porque ele vai dar um jeito nisso aí, é MacGyver, ele vai dar um jeito nisso. Não, não é gentileza, isso é uma fofoca, porque eu tô falando de uma característica que a gente não pode falar que é fofoca, porque a fofoca ela sempre é alguma coisa pejorativa, em geral tende a ser. Mas eu queria que a gente fizesse um um hashtag, vamos fazer fofoca reversa, mesmo que a pessoa não esteja aqui, vamos falar o que ela tem de bom.
A gente pode até usar fofoca inversa, porque a gente já usa o nome do programa. Inversa, vamos fazer uma coisa positiva.
Que legal! O que a gente pode fazer? Vocês que estão acompanhando aí nos comentários, coloca aqui embaixo uma fofoca inversa que faria do seu parceiro, amigo, amiga.
Exatamente, porque por exemplo, uma fofoca inversa, por exemplo, eu acho lindo É, por exemplo, maneira como você brinca com a Blue, né? Você vai lá, você faz como se fosse uma criança, brinca, tá, tá, tá. Isso é um fofoca inversa, porque ninguém sabe dessa tua característica. E eu acho uma coisa bacana, entendeu o que eu tô falando?
Entendi, entendi. Legal. Eu nem eu sabia disso também.
Eu acho que é porque a gente, eu observo as coisas, né? Eu tenho essa coisa de observar a gente. Eu acho que isso é Meu cérebro, ele é moldado para isso, treinado.
Uma fofoca inversa, né, Gustavo? A Bia é boa em ler e analisar as pessoas de forma humana. O pessoal chega aqui e fala assim, ela vai falar e vai me ler. Já leu, meu amigo, acredite.
Mas a maioria das pessoas tem medo disso, né?
Eu também tinha medo.
Eu me lembro que alguém me apresenta, a pessoa fala assim, você não vai me ler não, né?
Eu falei, cadê a semana passada?
É, não tô pensando nisso não.
Um homem daquele tamanho João Guilherminho, né, doutora?
É verdade, é verdade.
Aí depois, não, cara, já leu, você é ótima, muito obrigado.
Eu procuro, olha, para eu não ver coisa positiva, que a pessoa, então isso é uma forma que vê essa.
Olha para você ver, todo mundo chega com medo e sai encantado, né? Então, porque, putz, ela leu eu querendo ou não, né, de forma instintiva, e até, como é que eu vou dizer, profissional, 35 anos. Quem tem 35 anos de consultório hoje em dia? Então é uma forma que vê essa sua, as pessoas chegam chegam na defensiva, né, chegam preocupadas e saem amadas, né? Sai tipo, caraca, ela viu coisas em mim que nem eu via, né?
Que eu, eu, meu cérebro é um cérebro treinado a ver o que a pessoa tem de melhor. Agora, quando eu não vejo nada, eu me calo. Em princípio, eu me calo.
Eu só não me calo se for alguma coisa para lidar com a fofoca também.
Quando você tá no meio que as pessoas estão fazendo fofoca, é melhor se calar ou, olha, Eu acho que eu tenho uma educação que se você não pode somar, você não subtrai nada. Então, em princípio, se eu não tenho nada de bom a falar, eu prefiro me calar. Se aquilo não vai prejudicar outras pessoas, eu tendo a me afastar um pouquinho.
Entendi.
Mas se aquilo botar em risco alguém, claro que eu não vou me calar.
Mas porque eu falo, porque tem muita gente que eu, principalmente em grupo assim, quando o pessoal começa a falar do outro, eu fico meio calado, né? Eu falo até para entrevistar, vou falar o quê? Pô, não fala do cara.
Não sei como é que é o que a gente tem que ter uma noção de que se você tá num grupo que todo mundo fica tirando onda com os outros, falando, falando coisas desagradáveis, não se iluda. Quando você virar as costas, farão isso com você.
Não se iluda, saia desse grupo.
Não sei se saia, mas tenha mais cuidado com esse grupo, porque assim, as pessoas às vezes puxam fofocas e às vezes até inverdades para falar de outras para poder puxar ali, ser o rei da conversa. Entendi, né? Tipo assim, o grupo humano sempre tem alguém querendo ser o centro das atenções. Aí tem um contador de história, tem não sei o que lá, que conta um caso.
Vai muito do Maquiavel, quando ele falava que quando a forma mais fácil de, né, não há mais, mas uma das mais fáceis de unir pessoas é arrumar um inimigo em comum. Então às vezes o fofoqueiro ele quer arrumar um inimigo em comum com a turma toda, porque aí ele, aquilo que você falou, ele virou o rei da festa.
Todo mundo, exatamente. A gente tem que ver a que ponto você tá sendo o rei da festa. Primeiro, você tava contando uma história real? Segundo, essa história real tá machucando a dignidade de alguém? Tem que ver isso. Por exemplo, a gente tava conversando sobre essa moda que tá nas redes sociais de fazer react. Né? Eu vejo gente ultrapassando o limite da educação.
Então é como se— será que o react seria um tipo de fofoca digital?
Mas não deixa de ser, para alguns casos, porque a pessoa pega ali e começa o engenheiro de obra pronta, né? Isso aqui, porque isso aqui, porque isso aqui. Eu acho que as pessoas deviam produzir mais conteúdos próprios. Porque se você tá usando o conteúdo do outro para fazer um conteúdo seu, faz o seu conteúdo. Você pode discordar de qualquer pessoa, discorde, você tem esse direito, mas você pode falar aquilo sem necessariamente usar a pessoa que você tá querendo, tá querendo desfazer. Então você tá se aproveitando de uma popularidade para desfazer.
Entendi. Aí você acaba pegando as pessoas que não concordam também, elas começam a concordar, discordar.
Você só alimenta essa essa polaridade, sabe? Nós estamos em tempos difíceis. O que a gente puder fazer para unir, nós não vamos separar, né? Se você discordou, manda um direct para o cara, tipo assim, olha, aquele teu negócio não achei legal, vamos fazer um juntos? O que que você acha hoje? Legal. Isso sim é contribuir para uma sociedade melhor. Não, porque você pode falar, não, realmente esse vídeo aí Foi numa época que eu tinha outra visão.
Hoje eu concordo com você, a gente precisa mais disso, disso, disso. Isso é educação.
Mas será que também a pessoa que faz a fofoca, por exemplo, igual a pessoa que faz o react, né, que igual tá famoso, negativo e tudo, ela não tá com um pouco de, como é que eu vou dizer, uma autoconfiança muito lá embaixo, muito ruim? Ela não se autoafirma, então ela tem que descer igual você falou, tipo, ah, vou descer ele porque minha linha fica mais próximo.
Não sei, talvez. Eu não posso falar isso generalizado, né? Mas assim, quando uma pessoa começa só fazer vídeos de react, só fazer, eu acho que tá faltando conteúdo para ser produzido da própria pessoa.
Ou seja, é mais fácil eu pegar um que já tá pronto seu, criticar, parará pororô, do que eu pegar e fazer melhor.
Ou melhor, ou do seu jeito, sem problema nenhum.
Pelo menos fazer, né? Vou começar fazendo, depois você preocupa se vai ficar melhor ou não.
Exatamente. Por exemplo, agora a gente fez aí nesse período de Copa é a série Personalidades, né, tipo assim, vários jogadores. Então tem gente que fica assim, por que que eu detesto o Mbappé? Aí eu falo, ok, você pode detestar. Ou então bota assim, você só viu coisa boa. Olha, se eu tô analisando uma personalidade, eu tenho que destacar o que ela tem de bom para ser exemplo. Eu não vou destacar o que é de ruim porque as pessoas estão imitando tudo que é ruim.
Vai lá e faz do jeitinho que quer fazer. Eu acho que as redes trouxeram um espaço para todo mundo, todo mundo ter espaço. Então tem gente que vai, você faz uma coisa com o maior carinho visando dar bons exemplos, coisas que inspira as pessoas para fazer coisas boas, e a pessoa fala: não gostei, tira isso, apaga aquilo. Gente, tá na hora de todo mundo produzir, tem espaço. Isso talvez seja isso a maior vantagem das redes sociais, que ninguém usa direito.
Ninguém não, que as pessoas usam para brigar, quando na realidade use para fazer o seu conteúdo. Põe lá, você não vai agradar todo mundo nunca, mas seja coerente com você, que você vai atrair pessoas que são coerentes com você. Então talvez isso comece a ter um pouquinho mais de falta de educação nas redes, porque a falta de educação é grande, né? Eu vejo gente lá botar assim Tem uma senhora que eu gosto muito e a pessoa fala assim: essa velha não sabe o que fazer.
Cara, não vai lá não, não fala. Ou então dá para você pegar assim um garoto de 17 anos fazendo uma coisa, fala assim: ah, esse jovenzinho não sabe de nada. É a mesma coisa.
Para quê, né?
Para quê?
Aí eu te pergunto: para quê? Por que que a gente tem esse comportamento?
Talvez seja maneira de você se sentir melhor depreciando o outro.
Entendi. Então a gente já vai naquela, naquela primeira vertente, né, de depreciar ele para ser mais próximo, para você sentir um pouco melhor. Entendi.
Talvez. Agora, se você só vive disso, é muito feio, né?
Isso que a gente tá falando vem muito com um dos estudos que a gente fez, que é de grupo de apoio a canceladores, né? A gente tinha lá na Idade Média, na God's Ibb, né, que é o parentesco espiritual e solidariedade, né? Redes de apoio feminino, exemplo, os partos, sem conotação negativa. Ou seja, era uma rede bacana, né?
Existia uma rede social que era real, não era virtual, onde a maioria eram as mulheres, porque as mulheres eram mais de atividades que elas podiam ficar conversando. Por exemplo, acompanhar a gravidez, acompanhar um parto. Havia uma união disso e elas trocavam informações enquanto tava ali um trabalho de parto, falava de um, falava de outro. Até para poder distrair aquele momento muito tenso, como também existia mulheres que se uniam para falar de espiritualidade.
Então isso é muito interessante, e que muitas foram queimadas na Idade Média, né? Então a gente tem esse pequeno problema, né? Esse pequeno problema que eu acho que tirou um pouco essa força do grupo, né?
Porque tudo que era ligado à alquimia, ciência, tudo foi, né?
Tudo foi proibido, né?
Aí a gente vem para o século 16, né, que é a transição para a tagarelice, vigilância de normas sociais, início do estigma associado à fala feminina.
É engraçado porque eu acho, não, eu acho que pela Idade Média ter a queima das bruxas, essas mulheres que falavam de religião, que falavam de apoio, que seria rede de apoio hoje, elas foram quase que satanizadas, né? Então, como as bruxas foi algo de bruxas. E aí começa um período que fica assim, a mulher não fala nada demais, passa a se fazer só fofoca do dia a dia. Mas também foi criada essa ideia, porque uma coisa que eu vou dizer, sempre associaram fofoca às mulheres.
Os homens são muito fofoqueiros, com certeza. Os homens, olha, os homens quando estão vendo futebol, se você deixar uma câmera gravada, os homens quando estão em vestiário falam barbaridade da vida dos outros.
Eu posso dizer pelo meu grupo de amigos, mas a diferença que eu acho que eles estão assistindo você. Por exemplo, Vidote, que é um amigo meu, toda vez que um rapaz lá, que é o Giri, sai da— porque, cara, bom, né? Eu não falei aquilo, mas ele carrega a gente, ele é bom para caramba. E se não fosse ele, eu acho que a gente ia perder. Vou jogar só com ele. Aí o Giri, a mesma coisa. Pô, Vidote, ele junta o time, né? Se ele não juntasse o time, eu nem jogava, porque geralmente é difícil achar pessoas que somam. Geralmente a pessoa só ruim. Mas tem esse fuxiquinho.
Não tem o fuxiquinho, esse é o bom, né? Se vocês estão elogiando um cara que une o grupo, beleza, é a fofoca inversa. Então já tá maravilha, tô fico feliz que você tá dentro de um grupo que faz fofoca inversa. O pior é quando ficam falando, por exemplo, centro cirúrgico também é muito de fofoca. Eu quando comecei a acompanhar cirurgia de pacientes, eu fiquei assim, gente. Aí a justificativa era, às vezes a gente fala assim para poder relaxar, porque tá muito tenso.
Tudo bem, hoje em dia menos, não, mas hoje em dia menos, hoje em dia menos. Hoje se fala muito futebol. Existem temas que são universais, por exemplo, acabou a Copa, Todo mundo falou porque que o Brasil foi eliminado, né?
Todo mundo foi eliminado.
Falando nisso, olha, você quer a minha opinião? Quero. Vamos pegar, vamos fazer uma fofoca. Eu tenho uma lógica, você sabe que eu tenho uma, eu preciso de dados para poder raciocinar. Se alguém me chama para ser técnica de alguma coisa, primeiro, se essa seleção já foi campeã 5 vezes, o que que tinha nessas 5 ocasiões?
Ancelotti, pega o papelzinho e a caneta.
Que favoreceram o ganho. Vou falar das duas que eu vi, 1994 e 2002. Eu vi 70, eu tinha uma ideia, tinha uma festa na minha casa, eu era criança e tava todo mundo muito feliz, isso eu lembro. Então eu sabia que tinha um tal de Garrincha, um tal de Pelé, Tostão e Rivelino, que meu pai falava muito. Esses nomes ficaram gravados na minha memória. Se eu olho as seleções de 1994 e 2002, eu vi o seguinte: o Brasil tinha, como se você bota um tabuleiro, o Brasil tinha dois grandes laterais sempre que corriam todo o campo pela lateral e jogavam para um goleador. Sempre tivemos goleadores.
Tinha um meio de campo, reclama tanto, né, do Haaland. Mas o Haaland, ele só fica na área, ele não sei o quê.
Ele precisa de um time que joga a bola para ele. E nós também também fizemos isso quando fomos campeões. E tínhamos um meio de campo fantástico nas duas ocasiões, que conseguiam ligar o meio de campo ao goleador ou aos laterais, que ligavam para eles depois, que ligavam para o goleador. Que legal! E tinha um meio de campo tão fantástico, era o Rivaldo. Esse eu vi, vi na última Copa, que ele, além de pegar a bola no meio distribuiu para os laterais ou para o goleador, ele conseguia de uma tal maneira se posicionar no meio deles que se falhasse os laterais e se falhasse o goleador, ele também fazia gol.
Entendi. Que eu vejo, por exemplo, Messi é um meio de campo que também é goleador. Isso é raro.
Mas é igual a gente, né? Igual, por exemplo, quando a gente vai olhar o nosso goleador, na sua vez foi o Ronaldo, na minha vez—
Não, Ronaldo fenômeno. Vocês não têm— Olha, eu tenho Pena de vocês que não viram o Ronaldo jogar.
Não, eu vi, eu vi, eu já tava mais velho.
O Ronaldo, cara, eu lembro dele no Inter de Milão, que que ele fazia. O Ronaldo, eu tenho tristeza quem não viu. Eu sou fã absoluto, sou fã do jogador, fã do empresário que esse cara salvou meu Cruzeiro, né? Não salvou, ele quando foi comprar o Cruzeiro, todo mundo disse que ele tava fazendo a maior besteira. Que besteira que ele fez? Aquele cara não faz nenhuma besteira, né? Eu acho assim, ele soube se reinventar, ele é um cara de uma visão muito ampla. Eu acho que quem não viu Ronaldo jogar perdeu uma coisa da vida.
Ronaldo foi jogar com a lesão que o joelho dele não fazia o ângulo todo, e mesmo assim ele—
mas é isso que eu tô falando, ninguém, quando a gente perdeu a Copa da França e logo depois ele teve aquela lesão ali, ninguém apostou que ele voltava, ninguém, era impossível. E ele voltou e trouxe a Copa pra gente. A Copa de 2002 foi um presente de Ronaldo. Eu acho que as pessoas não têm noção disso. A gente vê esse cara bom astral. E tem uma coisa, eu nunca estive com Ronaldo. Todas as pessoas que estiveram com ele sempre falam: que cara educado, que cara gentil. Então não pode ser uma coincidência.
Teve uma entrevista dele com o pai do Haaland agora. Tem que ver a humildade dele conversando com o pai do Haaland. Tudo: caramba, Ronaldo, Ronaldo!
E aí, humildade, né? É, eu, eu sou uma pessoa assim, deu certo de uma maneira, vamos seguir, vamos ver, né, como é que é isso. E eu não vi, eu vi uma seleção, então vamos renovar outro, você tem que criar. Agora, o que eu vi foi uma seleção dentro de campo em todos os jogos, quem era o meio de campo? Não sei. Que lateral tinha? Não sei. Aí aproveitava um cara da defesa para fazer lateral, que é outra coisa totalmente diferente.
Então assim, É, eu vi a seleção, um time, não tô criticando aqui o técnico, não tenho nem potência nem conhecimento para isso, mas ele fez a seleção jogar como se fosse um time europeu. Nós não somos isso, nós somos um time brasileiro, a gente faz samba quando, quando joga.
Vestiário, como é que era da seleção, aquela animação, né, samba. Eu hoje em dia não sei se eu não vejo, eu não vi, não sei se é porque eu não acompanho tanto, mas eu não vejo isso da galera tá feliz só por estar lá, por exemplo.
Muitos inspiradores falando de skincare, o que que eles levavam na mala.
O que que é skincare?
Cremes. Ah, skincare de cuidado da pele, da pele. Vi muitas entrevistas. O que que você leva na mala? Vi muita gente tirando perfumes e cremes. Nada contra, mas eu acho que não era para falar disso.
O que que você leva na sua mala? Ronaldinho, pandeiro, pandeiro.
E leva alegria, né? E essa alegria a gente via no jogo. Eles estavam alegres, estavam brincando. E interessante foi o Haaland dizer, né, a gente foi lá, não tinha a menor pretensão de ganhar o Brasil. A gente falou, vamos nos divertir.
Tirou toda a pressão deles.
Sim, mas ele fez certo. Mas a nossa seleção também se divertia, não tinha— eu não vi sorriso Eu não vi brilho. O Ronaldinho, quando passava uma bola para o próprio Ronaldo, ele já fazia assim, eles riam, eles estavam felizes. O futebol brasileiro tá triste.
Será que não é por causa dessa pressão toda que coloca?
Você vê a alegria do Messi quando faz alguma coisa, ele vai compartilhar, ele tá alegre. Aquela seleção está alegre em servir o Messi. Nós não temos uma seleção alegre.
E será que isso é por causa dessa pressão que vai fazendo as grandes mídias, rede social?
Não, não acho não. Eu vi uma seleção sem espírito, sem identidade, sem samba no pé, sem alegria de jogar. E por exemplo, não é fofoca, é observação.
Mas a gente pensando assim, né, o povo brasileiro Não tem o que fazer no caso. Isso a pessoa consegue com a vida, com o tempo, esse negócio de gostar de— porque eu lembro, eu vi até um discurso bonito do capitão da seleção, não esqueço, que ele— eu esqueci o nome dele, que ele falava sobre o chefe da cozinha que tava lá e de inspirar e tudo. Será que falta inspiração?
Eu acho que falta saber quem se é, o que que tá fazendo lá, né?
Entendi.
Eu acho que teve gente que foi lá porque dá visibilidade, dá mesmo. Eu acho que foi gente Por exemplo, eu acho que o Beckmann foi lá vender vinho, porque não carecia de aparecer nos intervalos sem beber vinho. Então assim, eu acho que o objetivo não foi jogar bola e encantar e brincar e se divertir.
Entendi.
Eu acho que foi outro, foi muito mais o, não sei, talvez o dinheiro.
Vamos lá, né?
É porque a visibilidade é imensa. Então eu acho que isso, isso contou muito mais do que vamos lá joga bola.
E se a gente traz para quem ganhou, vamos lá, né?
As bets ganharam essa Copa.
É o que eles estão falando, que a Copa das bets, né? Querendo ou não, por isso que o pessoal tem criticado tanto o Mbappé, né? Porque, ah, o Mbappé é contra bet, ele é não sei o quê, moralismo e parará e pororô. Mas é aquilo, se a gente comprar o Mbappé como um todo, ele vai ter incoerências. Por que que a gente pode comprar a parte boa, né?
Então, tipo assim, ele tem uma coerência, ele tem uma coerência, gosta ou não.
Agora, a gente pensando nisso, né, igual acabou a Copa, esse burburinho na internet, você acha que as pessoas usam usam também isso para fazer aquela fofoca, para dissociar da vida deles, igual a gente viu que perde muito tempo, né, fazendo, né?
Eu acho, eu acho. Por exemplo, já acabou, vamos virar essa página, acabou. Eu já não alimento mais essa, esse discurso, porque já foi, entendeu?
Agora, 4 anos, não.
E também, mas não espera não, vai vivendo, entendeu? Vai vivendo, não fica esperando. Não pare por isso. Não pare a sua vida por isso. Porque assim, se você é um jogador de futebol, você pode mirar naquilo. Agora, se você não é, uma hora chega ou não chega. O Brasil não mereceu, ponto. Eu sou muito lógica, eu consigo torcer contra o Flamengo quando ele tá jogando muito mal. Não é que eu torça, mas eu não contra, não, sempre tô torcendo para ele dar uma virada. Mas quando ele tá muito mal, eu falo, não merecemos.
Porque não adianta, às vezes ele tá mal e se ele ganha, ele vai achar que ele tá bem. Então o negócio vai só afundando. É, eu acho que a gente tem que ter autocrítica, que é a metacognição.
Metacognição, quando você se vê, né, você vê seus pensamentos, você avalia e você fala assim: pera aí, esse pensamento não tá legal. Ou então: não, esse pensamento você tá tendo é bem legal, é bom para você, é bom para os outros. A gente tem que de vez em quando parar no dia e observar o que que nossa mente está produzindo de pensamento, porque nós não somos nosso cérebro nem somos nossa mente.
Pensando nisso, o fofoqueiro, ele é, vamos dizer, compulsivo, ele para para ver o que que ele tá fazendo ou não?
Ele acha que não. Se tiver viciado, não. Vamos para frente para ver se tem o vício. Mas aí, igual, então, para complementar, século 16 se fez a mulher tagarela, né, desfazendo. Até aí, quando a gente olha para a Idade Média, a gente vê por que que tornaram a mulher tagarela, porque tinham que acabar, né, com essa questão de domínio.
Ou era tagarela ou era na tocha, né? Então as mulheres, vamos aceitar o tagarela para eles não me queimar.
Exato.
É o que tem, né?
Era opção, isso mesmo.
E a gente veio para o século 19, onde o conteúdo era a vida privada. Então o que que acontecia ali na casa de cada um, né? Que é até para usar para entretenimento e gestão da reputação urbana.
Eu acho que também quando a gente vai para uma vida mais urbana, século 19, junta mais gente, né, e falar mal da vida dos outros também é também quando o pessoal vai mais para trabalho, né, começa a ter uma coisa mais de Revolução Industrial. Eu acho que aqui também pega muito essa questão de falar mal para poder ganhar espaço.
Então o negócio da reputação, a gente pode até olhar que isso que você falou tem muito sentido, que mesmo antes do século 19, a gente vai usar o século 1, século 2, ou até antes de Cristo, Roma foi fundada E teve solos fortes em cima da fofoca no Senado, né? Que era, com certeza, até tu, Brutus, o famoso, né?
Então, se a gente for olhar, ela, ela, a fofoca sempre existiu, era uma ferramenta muito forte, né, de depreciar pessoas, né? Então, e existe hoje, né? Você vê que a gente tá num ano eleitoral, e não é só Brasil, é mundo. As pessoas pegam coisas de vida particular, privada, para desfazer o outro o tempo todo.
E vai piorar, né?
Vai piorar. Um cara muito famoso aí de fazer coisas tinha setores especializados em saber da vida dos outros, né, para poder chantagear, para poder— é feio isso, né? É um departamento de fofoca para acabar com a vida de uma pessoa.
Como é que era organizado, literalmente, né? Não era, era pensado, não era.
Eu te digo uma coisa, o crime é organizadíssimo. Verdíssimo. Se a gente não começar como sociedade civil se organizar, porque o crime já se organizou há muito tempo, a gente tá atrasado.
Tem uma música que fala, né, bandido tem que ser inteligente para poder viver no crime, porque bandido burro morre no final do filme. Ou seja, ou eles se organizavam ou eles morriam, né?
Mas eu acho que a nossa sociedade tem que se organizar, se unir, se organizar, a gente acabar com isso, porque senão não acaba não, senão acaba ficando nas mãos deles, né? Com certeza. Tá, mas eu tenho esperança.
Agora a gente pensando no salto evolutivo, né, do grooming vocal. Falei certo? Grooming vocal, que é os primatas mantêm a pata através de grooming físico, catarpiolho, mas isso também muito tempo. Aí a gente vem lá para figurinha, né, e depois vem a fofoca evoluiu com como um grooming barato. Falar permite interagir com múltiplos parceiros simultaneamente, mantendo as mãos livres para trabalhar e Eu não tinha me tocado nisso, né?
Os primatas realmente têm essa coisa do grooming, de catar piolinhos, aquele momentinho deles, né? Eu fui até visitar uma macaquinha, Olívia, né, muito famosa nas redes, e ela pega, ela fica assim na gente, ela fica fazendo isso. Muita gente acha que é uma forma de carinho, de contato, né, de botar você dentro do universo familiar, cuidado que ela tem É uma socialização, é uma socialização, sinal de socialização. E o grooming é fundamental para manter a paz entre os primatas.
Isso é muito interessante, como se fosse uma regulação que faz, é uma interação social, tá, com essa coisa de cuidado. E a fofoca, como foi colocado aí, também pode ser isso quando ela é feita nisso aqui, ó, no grupinho. Numa coisa ali. Isso também pode ser uma maneira de você interagir.
Entendi, que é igual, por exemplo, a gente tá trabalhando aqui falando do outro. Sim, entendi. De novo, você não precisa ficar catando pelo de um por um, você conversa com 5 ao mesmo tempo, ao mesmo tempo, e aí puxa alguns assuntos, né? Agora a gente indo lá para o nosso cérebro, né? A gente tem a dopamina que é acionada, que é o circuito da recompensa. Ouvir um segredo ativa o estriado ventral, É o mesmo pico de prazer gerado por açúcar ou redes sociais. O cérebro exige a novidade.
Então é por isso que alguém pode se viciar realmente em fofoca, porque você ouve um segredo, né? E tem anúncios nas redes sociais e internet que são bem assim: eu vou te contar uma coisa que os laboratórios não querem que você saiba, eu vou te contar uma coisa que é só para esse grupo Então assim, isso acaba atraindo atenção e fazendo com que você se sinta um privilegiado. Então aquela fofoca funciona como se fosse uma coisa boa no sentido de liberar dopamina. Então por isso que muita gente se vicia em fofoca.
E a gente ainda vai para a parte da ocitocina, que é a questão de criar o vínculo, né? Compartilhar fofoca libera o hormônio da confiança. Cria um senso imediato de intimidade e aliança entre quem fala e quem ouve.
Isso é interessante porque essa ocitocina aí remete àquela coisa do grupo que ao redor do fogo conversava sobre os inimigos, que conversava sobre gente que poderia estar traindo. Então assim, a fofoca ainda tem uma coisa de ocitocina. Hoje eu acho que muito mais a dopamina, porque por causa das redes, né, você falou da fofoca, mas a ocitocina ela para se criar para ser liberada, que é um hormônio muito legal de vínculo, de afeto, ela tem que estar dentro da questão de você ter esse contato mais íntimo.
A ocitocina só libera quando tá junto?
Não libera, mas assim, você tem que criar um assunto que seja bom para todo mundo ali. Ele tá ligado mais à confiança, tá ligado mais ao senso de intimidade, de aliança, de pertencimento. E aí, quanto mais você tá presente vai ser melhor, com certeza.
A gente pensando assim, um psicopata, né, um narcisista, ele é bom em fazer fofoca? Porque se ele tem que ter esse assunto em comum com o grupo todo para liberar dopamina, ocitocina no caso, ele consegue ter esse fim de ser bom para todo mundo?
Não, a fofoca para o psicopata, para o narcisista, é um instrumento. De fazer o outro ficar vulnerável. Por exemplo, ele quer pegar o seu cargo numa empresa, ele vai criar uma fofoca, ele vai espalhar aquilo tudo e você vai ser demitido sem saber por quê. Então, por exemplo, não existe esse vínculo. Psicopata não faz vínculo afetivo nenhum. Então é mais para ser um instrumento de derrubar quem ele quer derrubar.
Entendi. O fofoqueiro, ele tem uma pretensão maior de ser— não é uma pretensão, né, uma predisposição de ser um psicopata, um narcisista, uma dessas personalidades mais fortes que usa isso para manipular o outro? Ou nem todo fofoqueiro tem ciência disso?
Não, eu acho que uma coisa não tem nada a ver com a outra. Até porque, por exemplo, ser um psicopata é uma estrutura de personalidade, ele não faz fofoca para virar. Então, ou seja, fofoqueiro, ele não é uma pessoa ruim, ou ele não sei, tem que ver que fofoca ele tá inventando. Se a fofoca que ele tá inventando tá prejudicando pessoas, cancelando pessoas, tirando emprego de pessoas, e ele sabe disso e faz assim, aí ele pode ser um fofoqueiro com uma personalidade perversa, um psicopata ou um narcisista.
Que o narcisista, quando acaba uma relação, ele faz muita fofoca, inventa muita coisa da pessoa que ele largou para que a pessoa, para ele não perder aquele glamour, não perder a sua imagem de homem ou mulher maravilhosa. Então ele começa espalhando, porque se a pessoa for contar a história, que que ele fez, aí a pessoa que a pessoa fala depois, tá só dando desculpa. Exatamente, porque ele falou: ah, fulana vai te procurar falar isso, isso de mim, mas isso ela falava de você.
Aí quando a pessoa vai se desabafar: não, olha, eu desmanchei com fulano, que ele é um narcisista, um cara que me criou situações. A pessoa fala assim: tá vendo, ele bem que falou que ela ia falar isso. E não acredita.
Então ele faz essa, esse jogo, esse semear discórdia, que é uma ferramenta, né, tanto para conseguir algo quanto para, de novo, né, se sai não sujar a imagem de si, né, para o outro, para preservar sua imagem. Agora uma pergunta aqui que a Dona Aparecida tá desde o começo: e essas senhoras de bairro assim, aquela vizinha que tudo que acontece conta para um, conta para outro?
Olha, se isso é uma coisa cultural de uma cidade do interior, eu diria que é o sistema de proteção melhor que existe. Não precisa nem câmera. Eu dei uma palestra ano passado em Cajazeiras, Então você sai de Juazeiro do Norte e 2 horas e pouco de viagem de carro, e você vai passando por cidadezinhas muito pequenas, cara. Toda cidadezinha tinha umas 3 senhorinhas com cadeirinha na porta e o carro passando, porque tinha que passar devagar porque tinha coreto, tinha quebra-mola.
Quando você entrava no perímetro urbano, você tava passando de carro, elas faziam assim Aí pesquisando pelo telefone, é o Zap, grupo do Zap. Olha, passou gente nova na cidade. Então assim, existe uma coisa que é cultural, que não é para desmerecer ninguém, que é a coisa do grupo lá na idade primitiva. Sim, mas tô dizendo assim, essas da pracinha, essas é aquela coisa de tá todo mundo guardando a sua comunidade. Quem tá aí? Chegou alguém diferente?
Então isso é o que remete lá na história primitiva da gente, que unia o grupo. Agora tem gente que faz porque não tem nada que fazer da vida, fica falando mal da vida dos outros para não ver a sua vida.
De novo, a gente volta naqueles princípios dos fofoqueiros, digamos assim, né?
Existem vários, né?
Caramba! Então vamos fazer isso, ó, coloca aqui embaixo, deixa o seu nome, nome, a sua cidade, assim, fala assim, tem ou não tem, só para a gente ver se é algo que tem, né? Mas não digo o nome dela, diga só o seu, porque vai que ela assistiu o vídeo, ela vai te pegar depois. E a gente continuando, e o outro é o cortisol, né? É redução de estresse. Presenciar uma injustiça causa estresse. Fofocar sobre o transgressor acalma a amígdala e restaura o equilíbrio emocional.
É isso que eu tô falando, muitas vezes é uma pessoa legal, legal, não estressaria mais? Não, a pessoa não sabe que ela é uma pessoa legal, né?
Não, mas depende. Você vê que a fofoca pode produzir dopamina, produzir ocitocina, ou reduzir o estresse. Quando você vê uma injustiça e você tem a capacidade de usar a fofoca para, entre aspas, fazer justiça, tipo assim, não, não é nada disso, não foi essa história, estão contando uma história diferente, isso calma, que é uma maneira. Você não vai lá no juiz fazer isso, mas você pode fazer da sua rede social, você pode conversar com outras pessoas.
Então existe. Isso não quer dizer que os 3 hormônios, neurotransmissores e o hormônio são liberados ao mesmo tempo, são em pontos diferentes, de forma diferente. Viciada já é dopamina, não vai ter ocitocina. Uma pessoa que tenha essa coisa de trocar informações para proteger a sua comunidade é mais ocitocina. E o cortisol é mais quando você presencia uma coisa injusta e você: não, isso não é assim. Aí a pessoa fala: eu conheço fulano, ele não ia fazer isso.
Aí isso acalma o teu sistema nervoso. Caramba, depende! É isso que eu tô falando, é complexo. Fofoca, ser humano nunca é simples.
Agora, que é só um esqueminha explicando, né, o motor da cooperação. O passo 1: o egoísta tenta tirar vantagem do grupo. O passo 2: o fofoqueiro observa e espalha informação, disseminação de reputação. Passo 3: o grupo exclui o egoísta. E vai para o passo 4: o medo. Oportunistas passam a agir de forma ética apenas por medo da fofoca. A nossa força policial invisível, né?
É a força policial invisível. Você chegou uma pessoa ali, né, num trabalho que todo mundo se dá bem, e ele começou a tirar vantagem, a querer né? Aí um fofoqueiro foi, passa a informação, tá? Aí chega uma hora que o pessoal se reúne assim: gente, tô sabendo disso, o que que vocês estão achando disso? Não tem nada a ver, isso aí ele tá inventando. A gente, por isso que é tão importante ter laços muito sólidos para não deixar o ambiente se contaminar.
E aí a própria pessoa que fez a fofoca, como viu que o pessoal se uniu e falou: não, aqui Não, aqui não. Você quer falar, chega aqui e fala com quem você quer falar. Não vou, não vai ficar com essas fofoquinhas de canto, não. Aí ele passa a ter que agir eticamente ou ir embora, porque não vai se criar ali dentro. Então tem uma coisa de proteção.
A gente só usa mal, né, a ferramenta. O psicopata usa bem para o que ele quer.
Muito bem.
Nós usamos mal, né? Olha para você ver, tá faltando na gente um pouquinho de força policial invisível. Sem a ameaça de uma reputação manchada, os aproveitadores destruírem, destruiria a sociedade.
Então eu acho que você passar informações e ter um grupo unido que questione quem tá ali semeando discórdia é uma maneira de você parar esse, esse mecanismo.
Entendi. Então vamos começar a usar fofoca do jeito bom, né, pessoal? Vamos começar a fazer fofoca inversa, a inversa, e ter união.
Tipo assim, pera aí, o que que estão falando? Isso é verdade? Esse grupo tem que realmente ser motor de colaboração.
E vamos colocar na situação assim: eu tô num grupo que tá fazendo fofoca de um terceiro, né, e é tudo mentira, por exemplo. Eu não vou brigar com o grupo todo, eu aviso a pessoa, eu não aviso a pessoa que ela tá sendo alvo de fofoca? Que que eu—
porque às vezes eu avisar, o grau de intimidade com aquela pessoa, e depende do temperamento daquela pessoa para lidar com isso.
Porque senão também eu penso que se eu avisar, eu tô fazendo fofoca.
Não, depende. Se é uma mentira, você conhece aquela pessoa e você no momento adequado, não no meio do trabalho, no momento adequado, de forma particular, você tem uma conversa com essa pessoa, não, aí não é fofoca. Não, aí eu acho que você tá sendo coerente, amigo. Exatamente, amizade, né?
Agora a gente vai para o efeito espelho, né? Por que julgamos? Aqui a gente traz alguns dados que a gente na primeira parte pode ver que é o descendente abaixo, depois tem o ascendente, depois tem o lateral. Quando a gente fala do descendente, o alvo é alguém em uma situação pior. Como assim? Quando a gente pega a motivação, ele temporariamente— a própria autoestima. Então ele quer o quê? Elevar a autoestima dele, que é o que você falou.
A fofoca descendente descendente é aquilo, eu quero rebaixar o outro para eu me sentir melhor.
É o que você falou da pessoa que ela não procura melhorar, ela quer na verdade piorar o outro para se sentir bem.
Isso é a fofoca descendente. A fofoca ascendente, chefes ou celebridades, são os nossos. Você começa a falar mal de quem tá acima de você, que é uma forma de derrubar eles, ou derrubar não, mas é tipo assim nivelar o campo, né? Tipo assim, ah, tá vendo? É que nem eu também já fiz isso, não é, não é uma pessoa extraordinária, entendeu? Então tem uma coisa de inveja.
E tem a última parte, que é a terceira, que é a lateral, que entre os pares, né, que é o que tá pertinho de você, né? Isso, que é o quê? Alvo de colegas e amigos íntimos, né? Geralmente é para buscar uma conformidade, uma aprovação de algo que aconteceu e que você tá errado. Se você tiver certo, não tem que convencer a outra pessoa que você tá. Geralmente quem tá errado, igual brinco, né, é o que fala muito. Essa pessoa tem que explicar demais é porque tem um trem errado.
Então tá eu e você aqui, por exemplo, aí o Gustavo faz alguma coisa e sai da sala. Você concordou com que o Gustavo fez, mas aí eu vou te convencer do que o Gustavo fez tava errado, para quando o Gustavo voltar eu trazer isso depois à tona, falar, pô, Gustavo, aquela vez lá você tava errado. Aí você vai estar comigo porque eu já te convenci, eu já fiz aquela fofoquinha Tipo, toda vez o Gustavo faz a mesma coisa. Você acha que agora o Gustavo mudou?
Que não sei o quê. Você fala assim, pode ser. Então é o quê? É a fofoca para pessoa manipular o local para ela ficar confortável, para ela se enquadrar ali, né? Isso. É porque igual às vezes fala assim, ah, não pode, mas também não é legal, né?
Vamos combinar.
É, por exemplo, igual eu vou pegar um iogurte seu que tá na brincadeira. É uma regra não dita, ninguém pega o do outro. Mas hoje eu tô com muita fome, eu vou pegar. E você fala, pô, Gabriel, eu queria. Aí você vai falar, pô, que você tá vendo a Bia lá?
Então alguém já pegou, né? É pior, é pior.
Exatamente. Aí você sai e fala, pô, mas é só um iogurte, que que ela vai se importar disso? Exatamente. Aí na hora que você voltar, é respeito.
Porque se a pessoa espera você voltar e fala assim, poxa, Você me incomoda, tô super com fome hoje.
Vamos dividir?
Ok, vamos dividir. Agora você pegar e querer convencer o outro que, pô, o que que custa, né?
Mas eu não vou convencer você que é dona do iogurte, eu vou convencer o Gustavo de que você tá implicando. Você podia muito bem me dar o iogurte, toma iogurte todo dia, porque coisa, isso não pode.
Aí tá errado, concordo. Aí a fofoca fica tentando distorcer a coisa para caber ali.
Aí eu ainda vou virar para o Gustavo e falar assim: ninguém disse que eu não podia pegar dela. Quem disse? Ou seja, uma regra não dita.
Mas é uma regra, boas práticas, convivência. Concordo totalmente.
Agora a gente vai para o círculo interno, né? Segundo o filósofo Lewis, o inner, né, que é o inner ring, é o tormento de estar do lado de fora de um círculo das pessoas que sabem das coisas.
Ou seja, as pessoas do lado de fora dos fofoqueiros, você não faz parte das pessoas que têm as informações. É isso?
Que é o quê? É estar de fora da rede de fofoca, é biologicamente percebido como uma ameaça aos ao nosso status de sobrevivência em segurança emocional.
Faz sentido assim, as pessoas tendem a se aproximar daquelas pessoas que produzem fofocas até com medo de virar alvo de fofoca. É que nem o bullying, né? Então o inner ring seria exatamente essa união dessas pessoas que são o centro da fofoca, que é você ficar pertinho deles ali para você não ser alvo também. Porque você fica ali, eu vou ficar perto aqui porque eu vou saber das coisas, eu vou ter informações. É, pode ser.
Agora a gente vai para outra parte, que é a arma dos fracos: fofoca como resistência, né? Em ambientes de extrema desigualdade, ditaduras ou corporações tóxicas, a fofoca cria um discurso oculto, né, que é desmascarar o poder ver rumores sobre, expõe a vulnerabilidade e a falibilidade de líderes intocáveis.
Eu acho que nas ditaduras essa coisa da fofoca é uma maneira de extravasar o que você não pode falar, o que você não pode fazer. Então você divide essas informações, que às vezes são verdadeiras ou não, com outras pessoas numa tentativa de, tipo assim, eu tenho que fazer alguma coisa. Como eu não posso posso falar o que eu quero, por exemplo, Maduro, ou não posso falar o que eu quero na ditadura do Irã, por exemplo?
Eu vou ter que falar para o verde.
Para o verde?
A piada: eu não posso falar para o Maduro, você fala para quem tá verde.
Essa eu não entendi.
Foi muito ruim? Foi péssimo.
Eu não entendi. Agora eu entendi, agora eu entendi.
Mas não, Eu sou o piadista do grupo.
Onde eu tava? Onde eu tava? Vamos lá.
Que é, você falou sobre a resiliência, né, que você não pode falar para o Maduro, você fala para outras pessoas para você conseguir extravasar.
Eu entendo que em regimes totalitários, que a gente sabe que pelo mundo tem vários, a fofoca é uma maneira de você atacar pessoas que na vida real você não vai poder atacar, que são intorcáveis, tipo Elon Musk, essa galera que tá em cima, né? Não sei, o Elon Mas que eu não sei, porque eu não sei. Ele não é um político ditador de um país.
Não, mas eu falo assim das pessoas falarem só porque elas podem, né?
Porque sim, eu acho que é uma fofoca, inventam coisas sobre algumas coisas, que algumas são verdade, outras são mentiras, mas é uma maneira, tipo assim, eu vou resistir, eu não posso falar porque eu vou ser preso, mas eu vou resistir. Então pode ser resistência, resistência. A fofoca tem uma coisa de existência.
Tem outras também, que é manter a dignidade, né? Apelidos e calúnias secretas devolvem a humanidade aos oprimidos.
É importante dizer que isso aí tudo num grau de pessoas que em situações de muita fragilidade, de opressão—
a Somália, por exemplo—
eles usam isso. Então, de repente, sei lá, chamam o ditador de um nome que ninguém sabe, satirizar ele para ele alguma coisa, para que eles se sintam tipo assim, não é possível, né, que eu não possa atingir essa pessoa. Então é coletivamente, faz como se fosse uma reação.
Não vai mandar esse vídeo lá para o RH e falar assim, ó, chamei o meu chefe disso, disse disso, porque a Doutora Beatriz falou que lá na Somália eles faziam. Não é desculpa, viu, vai dar ruim.
Nem no Irã também, né?
Não faça isso, pelo amor de Deus, vai dar merda. E o último, que é a solidariedade offstage, né, que é criar uma rede de confiança uma pequena artilharia na guerra de classes diária, que é o quê? Eu vou falar dele de novo, vou aproximar ele um pouquinho mais da gente, mostrar que ele é mais humano, né? Então, se Deus sangra, não é Deus. Então, o que que a gente pode falar dele para diminuir a imagem dele assim?
Sim, eu acho que é exatamente isso. Esse tema aí que você botou especificamente é a fofoca como resistência, que eu não acho de todo ruim. É uma maneira de não zumbi. De novo, né, são ambientes, é quase uma criança, né, quase uma criança que cria historinhas fantasiosas de super-heróis que vão resgatá-la. Eu acho que a fofoca nesse contexto autoritário, nesse contexto de muita privação, ela é uma maneira de—
existe criança fofoqueira? É algo que pega dos pais?
Olha, eu acho que nenhuma criança nasce fofoqueira, né? Mas se ela vê naquele ambiente a desvalorização de alguém, os apelidos pejorativos, ela começa a fazer porque ela vê que aquilo dá atenção. Então ela tem que ter muito cuidado, ela tem que ter muito cuidado. Aquele pai, aquela mãe que fala de alguém de forma pejorativa mesmo, né? Né, tirando qualidades, fazendo coisas que não são legais, tem que ter muito cuidado, porque a criança ela aprende muito mais pelo exemplo do que pela teoria. Olha só, ela reproduz.
Então, ou seja, se você é um fofoqueiro, não quer que seu filho conte para os outros o que que você faz, é porque você pode ser vítima do próprio filho, né? Porque eu acho que você não vai explicar para ele, olha, você pode falar para mamãe o que você escuta lá, mas não fala de mamãe para lá fora.
Exato. Ele vai para o lado da mamãe ou do papai, né?
Agora a gente pegando aqui o bebedouro corporativo, né, que é onde a fofoca é o sistema circulatório da cultura organizacional. Ela viaja mais rápido do que qualquer email oficial. Isso, dentro da empresa, gosta de falar dos seus diretores. E por que que nós fofocamos no trabalho, hein, Bia?
Olha, qualquer grupo humano vai ter fofoca, né? A gente já viu isso, qualquer grupo humano. Humano, tá desde lá, né? Eu acho que tá nessa coisa da socialização, que tá no nosso DNA, é a necessidade de sermos em grupo, porque não somos animais que não vivemos facilmente, facilmente não, morreríamos se dependêssemos só da gente. Então uma necessidade, eu acho que é aquela coisa de você tentar ter o seu grupo de apoio, né? Ali tá o quê?
Por que fofocamos no trabalho? Impotência para criar um senso de nós contra eles. Pode ser de criar do tipo assim, os funcionários contra os gestores, que eu não sou muito a favor disso, mas às vezes você tem gestores que não tem uma cultura legal e cria esse ambiente. A fofoca também no trabalho dá incerteza. Na ausência de transparência, o cérebro preenche o vazio com boatos para prever perigos. Isso é uma coisa que a gente tem que ter muito cuidado. Isso depende muito dos gestores. O que for para ser dito, faça e diga.
Um gestor tem que ter a competência de saber comunicar com sua equipe, né, de se comunicar.
Por exemplo, agora mesmo, há pouco, no início desse ano, eu achei uma coisa horrível. Aconteceu na Amazon, e se não me engano, na, em uma daquelas open Open Big Tech, Oracle, que você fala? Não sei se foi a OPA.
O que que aconteceu?
Foi uma grande, mas a Amazon tem certeza. Mas tô falando porque essa outra também fez a mesma coisa, demitiram 30 mil pessoas. Oracle, né? Demitiram 30 mil pessoas pelo WhatsApp.
35 mil pessoas.
30 mil, desculpa. 35, não, 30 mil pessoas.
Você tava certo. 35 mil pessoas.
Eu fico pensando que que é claro que esse cérebro vai criar fofoca para entender o que houve, porque não tem jeito. Não, porque assim, é duro, é duro, é duro, mas é melhor você chegar e falar: olha, nós refizemos aqui tudo, eu posso te dar uma carta de recomendação, te sugiro isso, isso. Tem uma empresa menor que precisa ainda dessa coisa humana, sei lá, né? Então a gestão que não é transparente, ela dá margem a criar essa coisa de fofoca.
Usando como gancho isso que você falou dessas demissões em massa, já começou a ter algumas contratações porque começou a ficar muito caro manter IA. Então eles estão vendo que não tá valendo a pena.
Aquela coisa aí, ah, só é muito legal se tiver um puta humano coordenando ela, senão ela vai ficar igual os outros humanos que já estavam. Ela começa a delirar, ela começa a misturar abobrinha com abacaxi, ela alucina, ela alucina. Ela tem que ter um super humano que cuide dela, senão, entendeu? Não tem como. Então eu acho que os grandes vão ser os caras que sacam isso.
Agora a gente vai quando a fofoca é uma arma, né? A tríade sombria, que é o narcisista, maquiavélico e o psicopata. Pois é, aí são os grandes, quando os fofoqueiros que usam o poder da fofoca para fazer maldade, para influenciar, para moldar a, como é que eu vou dizer, a realidade que eles estão no momento.
Falado um pouco, né? O narcisista, ele usa fofoca para ter status, né? Ele se valoriza, se vangloria, né? Ou então ele deprecia os outros no sentido de se fazer grande, ou no sentido de tentar fazer com que o outro não revele quem ele é de fato. Então a gente vê com certeza a forma de usar da pior forma possível a fofoca. Os narcisistas usam, os maquiavélicos também, né? Porque eles armam assim, e eles podem ser maquiavélicos narcisistas como podem ser maquiavélicos psicopatas.
Jesus!
Porque os narcisistas é um transtorno de personalidade, psicopatas também. Os maquiavélicos são comportamentos, é comportamento que tá muito nesses dois transtornos de personalidade. Porque o maquiavelismo é uma forma de agir. Que que ele faz? Ele monta uma estratégia, dissemina falsidade de forma fria, calculada, oportunista, para desestabilizar os rivais. Da maneira que se faça isso, pode ser um psicopata, como pode ser um narcisista, como pode ser uma pessoa insegura num determinado momento e ter uma atitude muito imatura. Pode.
Eu acho que no caso dos maquiavélicos, né, eu acho que vem muito do Príncipe, né, do Nicolau lá, que ele usava isso para os principados, né, que é quase que um passo a passo.
Mas se você for você vê Maquiavel, aquilo tudo valia para uma situação extrema, isolada, era outra situação política, era outra situação política, uma coisa muito ruim. Ele tava no fundo tentando fazer aquilo tudo para ter o mínimo de dignidade para o povo. Mesmo assim, mas Então assim, tem um contexto. Ser maquiavélico sem um contexto, aí você tá se encaixando aqui ou ali.
É aquilo, né? Você usar ferramenta para o bem só seu prejudicando o outro, você tá errado. Da mesma forma que tem pastores que pegam a Bíblia, e padres, e né, todas as religiões que usam a Bíblia para tirar dinheiro, para fazer N coisas.
Tem outros que para dar a palavra mesmo, para dar suporte, para dar um ombro.
Então do mesmo jeito que tem a Bíblia, né, o manual do Maquiavel para fazer coisa ruim, tem para fazer coisa boa. No final é a sua intenção, isso não vai atrapalhar ninguém no caminho.
Exatamente.
A gente já indo para parte do fechamento, né, que é o megafone digital, a cultura do cancelamento, é o auge, né, da fofoca digitalizada. E qual que é a recompensa disso para eles, né? Nada mais é do que o linchamento virtual, porque ele libera surtos de dopamina e reafirma atividade grupal de como se eles fossem os donos da verdade, o tribunal, né, da internet, como você disse, o tribunal da internet.
Eu tenho muito pé atrás com gente que tem um certo gosto, um prazer, uma recompensa de estar ali, pá pá pá, porque essa pessoa tá deixando de viver. Ela tá, ela tá viciada como se fosse viciada em qualquer outro vício.
É um negócio legal, né, que você tava falando no começo do vídeo, eu me lembrei, né, que é quase que se a gente seguisse disse, né, vamos pensar assim num Jesus histórico, não no Jesus de Bíblia nem nada, o cara que pisou na terra e tudo. Quando ele fala assim, né, o primeiro que não foi, pegue e atire a primeira pedra. Quem não tem erros, né, pega e vai lá e faz uma fofoca. Ninguém ia fazer fofoca mais.
Porque uma coisa é você ter N situações em que uma pessoa agiu de maneira errada, de maneira maquiavélica. Então é um histórico.
Aí eles pegaram uma ferramenta legal que era aquele Exposed, que pegava várias pessoas que fizeram várias coisas erradas e começa a usar para qualquer um. Ah, não gostei daquele ali, falou um negócio que me ofendeu.
É uma coisa de alguém que maltratou animais de forma sistemática, né? Exatamente. Então assim, tem certas violências que não pode.
Agora, a pessoa sem querer sei lá, não falou uma coisa que você não gostou. Ela tá, pode ser que foi errado, mas ela não fez algo.
Tem gente que fala tipo assim, ah, eu não gosto de animais. Eu confesso ter um pé atrás assim quando a pessoa diz que não gosta, mas ele tem o direito. Agora, ele não tem o direito de maltratar. Não, não. Agora, se eu souber que ele maltratou, que ele— nós cancela.
Não pode dar mole por vontade do bichinho, não tem culpa não. Então essa é a diferença, né, de pegar uma ferramenta como essa e a gente poder fazer algo bom, que é pegar as pessoas que fazem isso, do que pegar para, de novo, benefício próprio ou para gosto, né?
Exatamente.
E os hubs, né, algoritmos e a fadiga da verdade, né? Contas de fofoca de celebridade, aquilo que você falou no começo, né?
Esses sites e redes sociais que fazem fofoca, eles já são totalmente interligados, é um rubs, é um rub mesmo, todo conectado. Você tem informação de qualquer coisa.
E qual que é o perigo disso para quem gerencia, né? Uma hora essa pessoa vai olhar para si e falar assim: que merda eu fiz, eu destruí a vida de muita gente.
Não sei, eu só acho que tudo que a gente semeia, ou tudo que a gente joga, uma hora volta. O vento que venta para lá um dia venta para cá.
Como diria o Pedro Sobral, né? O O plantar é opcional, colher obrigatório.
Eu acho que existe um mercado, é um fato, oferta e demanda, oferta e demanda. Mas eu acho que mesmo fazer uma coisa só baseada em fofoca, existe uma maneira de fazer, se alguém faz, tá? Não tô julgando, mas ser um pouco mais educado. Eu acho que a gente tem que começar falando mentira, né? É, eu acho já que se uma rede social de fofoca pelo menos preza pela verdade, já tá menos mal.
E que seja informação válida, não seja aquelas coisas bobas, tipo, por exemplo, a Maria não sei o quê não gosta de sorvete de flocos branco porque não sei o quê. Aí cria toda uma narrativa que é onde tem que preencher lá a cuna de falta de informação. E nossa, ela tem algum problema com isso, ela é preconceituosa.
Eu acho que existe perfis que falam de fofoca, vários, a gente sabe, né? Mas existe, eu acho que deve haver um mínimo de ética.
Tem perfis até mais antigos que às vezes, por eles fazerem uma fofoca mais ética, eles estão aí, né?
Porque senão já a gente viu grandes, grandes criminosos desse país usando esses perfis para produzir perseguição aos seus inimigos. Então vamos ter muita calma, porque assim, nós estamos sendo manipulados, tá virando uma ferramenta de manipulação para pensar algo dos outros, e de repente esse pensar tá beneficiando um criminoso. Então a gente tem que estar atento.
Então sempre validar suas páginas de fofoca, né, até para ser uma fofoca positiva. E o último, né, que é o mapeamento cognitivo, seu poderes secretos, né? Então, o que a fofoca não é apenas fala, é o processamento de dados em alta velocidade. A neurociência cognitiva revela que seu cérebro investe recursos massivos para calcular o fluxo das redes sociais. Vamos ver, né? Prevemos como a informação vai viajar, evitamos contar segredo para os amigos próximos do alvo, identificamos influência e mediadores silenciosos. Isso tudo o cérebro faz durante a fofoca.
Como assim?
Pera aí, a fofoca não é apenas fala, é o processamento de dados.
Sim, quando você tá processando, ouvindo uma fofoca, o teu cérebro tá ali, tá pensando isso tudo aqui ao mesmo tempo, tá vendo as possibilidades, as possibilidades, se você fala, se você não fala, se você alerta, se você se cala.
É isso, pergunto, consome energia? Muita.
Muito. Agora, tem uma coisa que eu achei interessante ali que você botou: identificamos influenciadores e mediadores silenciosos. Eu acho que quando a gente sabe se calar é tão maravilhoso, porque assim, existem pessoas que derrubam as outras simplesmente calado. O poder do silêncio é ainda— eu acho que as pessoas não descobriram o poder do silêncio.
Então, o negócio que o ninja mesmo fala, né, que ninguém ganha do cara paciente, né, que é o cara que não fica falando, gritando, ele tá Tipo assim, caladinho lá dele. Tem um, acho que não é nem fábula que fala, né, tem uma passagem lá que dos samurais antigamente, que tinha um samurai que ganhava de todo mundo, ele era muito bom, parara por outro, tinha um outro que era, né, mais ou menos, e o outro tinha melhor espada, o outro tinha uma espada de madeira.
Aí ele, o outro falou por horas, horas, esse ficou sentado, e depois ele foi lá e ganhou do cara com apenas um golpe. Aí falaram para ele, mas por que que você ganhou com golpe? Ele falou, porque enquanto ele falava e balançava a espada, eu consegui medir a espada dele, vi, coloquei a minha 5 centímetros grande, maior. Dei só uma nele, foi. Ou seja, esse de falar demais às vezes prejudica, né? A gente tem dois ouvidos e uma boca.
Com certeza. Eu acho que você, diante de uma fofoca, ter tempo de não imediatamente processar e jogar para frente é uma maneira de você treinar o teu cérebro, é treinar uma sabedoria que uma hora a gente vai ter que ter.
E aquilo que você falou, né, acaba que esse grupo toma cuidado, porque você tá falando do outro, uma hora fala de você.
Toda vez que eu tô num grupo de muita fofoca, eu na hora que eu vou embora eu falo, agora vão começar a falar de mim. Mas também não ligo, eu vou embora a hora que eu tiver que ir.
E o último, né, a ética do sussurro. Não podemos errar de cara a fofoca, é uma impossibilidade biológica.
A gente viu porque tá dentro da socialização humana, né?
Ela é a linguagem da cooperação humana. O desafio da modernidade é cultivar uma ética da informação informal.
A gente há de chegar a uma ética ética de falar dos outros. Se a gente conseguir isso, uma sociedade minimamente ética, e começar a fazer a fofoca inversa, por que não falar bem, né? Porque as pessoas têm, quando tem coisa boa para falar, falar também, né?
E quando não tem, vamos procurar nem falar então, né?
Vamos praticar, a não ser que seja alguma coisa que está prejudicando o grupo, crianças, animais. Mas em princípio, vamos observar, vamos ver a história, né? Vamos ver a história daquela pessoa, porque assim, não é uma atitude que destrói um livro inteiro. Uma página não pode arruinar um livro ou um capítulo, né?
Peter Jackson sabe disso, porque tem várias páginas horríveis do Senhor dos Anéis, mas o filme ficou ótimo no final, né? E a obra de Tolkien é melhor ainda.
Exatamente.
Então hoje o nosso hashtag é fofoca inversa.
Inversa. Mas tem uma coisa bacana, que antes de compartilhar, o cérebro social tem que se perguntar, quer dizer, esse nosso cérebro, que fez uso da fofoca para se socializar lá no início da nossa civilização, ele tem que perguntar se essa fofoca protege o grupo ou apenas destrói o indivíduo.
Primeira coisa, então, se protege o grupo, todo mundo que assistir esse vídeo, eles têm que chegar em casa e já pensando, como é que eu vou dizer, né, como eles vão identificar essa pergunta, essa fofoca que me disseram, ele protege um grupo, protege pessoas, ou apenas destrói um indivíduo, né?
Outra coisa é: essa fofoca tá buscando justiça ou apenas uma dose de dopamina?
É fofoca por fofoca ou é para ajudar, né?
Fofoca, eu tô aqui me deliciando em fazer essa fofoca, ou ela tá buscando ser justa, né? Porque alguém fez alguma coisa absolutamente realmente é indescritível, horrível. Então, a partir daí, se você tem que responder essas duas perguntas: se ela protege um grupo, talvez vale a pena fazer; se ela tá buscando uma justiça, talvez vale a pena passar adiante. Caso contrário, você tá pensando em destruir uma pessoa ou simplesmente ter um prazer com aquilo?
Então, se você chegou aqui, entendeu como lidar com a fofoca, como entender ela, né, dentro do seu grupo, Mande esse vídeo para um amigo, para uma amiga, para um tio, tia-avó, avô, a vizinha fofoqueira que você acha, para que você faça uma fofoca positiva, leva uma informação de qualidade para eles, que eles saibam usar essa ferramenta que eles têm de forma certa. Que que você acha, Bia?
Eu acho muito interessante. A gente tem que colocar assim, quando a gente tá falando dos outros, é no fundo, no fundo, ele tá falando da gente.
É como se fosse uma projeção.
A gente tá tentando se redirecionar naquele grupo grupo, se recompor naquele grupo. E se for para o bem do grupo, ok, mas se for só para proveito individual ou para ferrar alguém individualmente, para ter prazer simples, não vale a pena. Toda fofoca, quando você emite, tá falando de você também. Então avalia naqueles dois conceitos que a gente deu aqui, porque às vezes tá falando mais de você do que do outro.
Caramba, se projetar no Vamos fazer um inverso sobre projeção.
Pode ser.
Digita aqui embaixo se vocês gostariam desse, sobre esse assunto. Não se esqueça de clicar no sininho de notificação, se inscrever, curtir. Se não curtiu, tá tudo bem, digita lá embaixo o que que tem que melhorar. E a gente se vê até o próximo Pod People inverso.
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