Respirar Mal Não é Normal: Sinais Que Você Ignora com Dr. Marcelo Macchione - PODPEOPLE #288
Você sabia que respirar errado pode afetar sua saúde, energia e até sua qualidade de vida?Neste episódio do Pod People, conversamos com o pneumologista Dr. Marcelo Macchione, especialista em função pulmonar e fisiologia do exercício, sobre como a respiração impacta diretamente o corpo e a mente.Falamos sobre doenças respiratórias, hábitos prejudiciais, qualidade do ar, tabagismo e como melhorar sua respiração no dia a dia com orientações práticas.Se você quer mais energia, saúde e bem-estar, entender como você respira pode ser o primeiro passo.
- Impacto da respiração na saúdedoenças respiratórias · qualidade do ar · tabagismo · vape · prevenção de doenças respiratórias
- Tuberculosesintomas da tuberculose · diagnóstico precoce · tratamento da tuberculose
- Comparação com regulação de tabacodependência do cigarro eletrônico · risco do cigarro eletrônico
- Gripe e resfriadovacinação contra gripe · diferença entre gripe e resfriado
- Vacinação e Saúdevacina pneumocócica · importância da vacinação
- Asmasintomas da asma · tratamento da asma
Nosso convidado de hoje é médico pneumologista com carreira clínica e acadêmica. Ele se formou em medicina, fez residência em pneumologia na Unifesp e doutorado na USP, com foco em função pulmonar.
e fisiologia do exercício. Hoje, atua como diretor técnico do Hospital do Pulmão, com especial interesse em prevenção de doenças respiratórias, cessação do tabagismo e avaliação da função pulmonar. Ele traduz ciência e orientação prática, com um jeito direto e humano de falar sobre respirar e viver melhor. Com vocês, o médico pneumologista Dr. Marcelo Macchione.
Olá, sejam todos muito bem-vindos a mais um episódio do Pod People, um lugar onde a gente se encontra para ver e ouvir gente. Gente que faz, gente que acontece, gente que inspira. Vou fazer uma pergunta. E se a geração que mais foge do cigarro estiver criando um problema respiratório ainda pior e sem saber? Pois é, para falar sobre isso, vamos receber o pneumologista Marcelo Macchione. Tudo bom, meu querido?
Tudo bom, Bia? Muito obrigada por atender aqui o nosso pedido. A gente não tinha falado com o pneumologista. Que bom. É um prazer enorme estar aqui. Quando eu recebi o convite, fiquei até assustado. Por quê? Falei, poxa, mas como é que foram me achar aqui no interior do estado de São Paulo? Mas vamos combinar, se não respirar o cérebro não oxigênio. Pois é. Se o cérebro não oxigênio, vai ter problema de comportamento. É.
E aqui estou. É uma honra conhecê-la pessoalmente. E estamos aqui para conversar sobre o que aparecer aí sobre vape, tabagismo, enfim. Pulmão, né? Pulmão, de uma maneira geral. Que é tão pouco falado, né? É, sabe que depois da pandemia as pessoas começaram a descobrir que existe... Pulmão. Pulmão e que ele é relativamente importante. E que levou muita gente, né? Levou. Levou muita gente. Tempos difíceis. Tempos difíceis.
Mas vamos lá, meu querido, por que medicina? E dentro da medicina, por que a pneumologia? Essa é uma pergunta clássica, né? Eu me faço ainda até hoje essa pergunta do porquê que eu escolhi a medicina.
Mas eu acho que não foi muito uma escolha, foi um caminho natural. Eu sou filho de médico, meu pai é médico, então acho que aquela coisa de vê-lo desde sempre saindo com a maletinha para ir para o hospital. Aquela maletinha de couro. Aquela de couro, vestido de branco. Então acho que aquilo...
indiretamente acabou me levando para a medicina. Então, acho que foi muito mais uma escolha do que realmente pensando em alguma coisa específica. Ou então um bom exemplo, né? Provavelmente. Um bom exemplo arrasta, né? Provavelmente.
E a pneumologia é idem, né? Foi o caminho natural, né? Eu acho que ao longo da faculdade, poucas vezes eu me perguntei o que eu vou fazer. Lógico, a gente se apaixona por algumas coisas. Confesso, e sem querer puxar o saco, que durante a psiquiatria aquilo me fascinou. Aquele mundo de tentar entender o comportamento, a mente. Eu acho que foi um negócio...
Me chamou atenção, mas não que eu pensasse nisso. E aí acabou vindo a pneumologia, porque meu pai é pneumologista. O hospital, escola da faculdade da minha cidade era um sanatório de tuberculose. Na época. Então, meu pai costumava me levar lá quando eu era pequeno. E acho que aquilo foi entrando naturalmente e o caminho foi natural.
É interessante você estar falando de tuberculose. Quando eu era pequena, tinha muito isso, né? A gente tomava a BCG, era isso? Ainda toma. Ainda toma, né? E eu me lembro que deixava uma marquinha. E eu me lembro que eu via aquela marquinha em todo mundo. E eu não sei se eu cresci ou eu parei de ouvir um pouco isso. Porque eu me lembro que quando a gente era pequena, minha mãe falava, cuidado.
com morador de rua, não era cuidado de... Porque quando eles escarram, pode ter pneumonia, você pode ter pneumonia, pode pegar tuberculose. Eu me lembro que aquilo era um cuidado. Quando eu passava perto de gente tossindo na rua, eu sempre fazia assim, sabe? E eu não vejo hoje se falar nisso. Eu acho que ela foi esquecida, né? Eu acho que foi esquecida, mas não desapareceu.
Não desapareceu, muito pelo contrário. Nós estamos falando da doença infecciosa mais antiga da humanidade. A tuberculose. A tuberculose, que tem todo um romantismo por trás. É, que morriam os apaixonados. Os apaixonados, os poetas, muitos. Mas ainda é uma doença que mata uma quantidade assustadora de pessoas todos os anos.
E aqui, não sei lá em São Paulo, aqui no Rio, a gente tem um índice muito grande em comunidades. Porque as casas são muito coladas, tem pouca circulação de ar. Por exemplo, a Rocinha, que é uma comunidade grande na Zona Sul, o índice de tuberculose é muito alto.
É, nós estamos falando de uma doença que é muito prevalente, é muito. Então, o bacilo está por aí. Nós temos no mundo, um terço das pessoas são infectadas pelo bacilo.
Nem todas vão desenvolver. Então, nós estamos falando de bilhões de pessoas. É, nós estamos com oito bilhões de pessoas. Infectadas, não estou falando doentes, mas infectados. Que estão com, fizeram contato com o vacilo. Desses infectados, 5, 10% vão adoecer. Então, nós estamos falando de 2 milhões de casos de tuberculose no mundo todos os anos.
E existe uma campanha, porque eu nunca mais vi uma campanha de prevenção, de vacinação para tuberculose. O ministério tem as suas campanhas, mas eu acredito que ainda são muito acanhadas, muito tímidas, porque da mesma forma que ranceníase, a antiga lepra, é uma doença que ficou estigmatizada.
Mas tem muita tuberculose. Mas eu me lembro... No dia a dia eu ainda me deparo com casos frequentemente. E é uma coisa muito silenciosa, né? A tuberculose. E ainda é estigmatizada, né? Muito, mas é uma coisa que tem o tratamento. Tem cura. Que tem a cura, que tem a prevenção. Eu me lembro que eu tinha uma manicure na Gávea.
E aí, uma vez, ela falou assim, ah, o pai dos meus filhos, outro dia estava tão nervoso que ele tossiu o seu sangue. Eu falei, olha, ninguém faz sangue por nervoso. Pede pra ele ver direitinho. Quando ele foi, eu falei, pede pra ele perguntar se pode ser tuberculose. Falei, tá tossindo há muito tempo. Tá, tá tossindo há muito tempo.
Aí eu só sei que depois ela veio, doutor, eu só não sabe. Ele está com tuberculose, não sei nem se meu filho pode estar com ele, se não está. E na época era muito ruim. Ele foi ter um tratamento na Fundação Oswaldo Cruz. Sim, o Rio sempre foi referência nisso. Exatamente. Mas quando ele chegou na Fundação Oswaldo Cruz, ele já tinha um pulmão totalmente destruído. Totalmente. Ele durou pouco tempo, acho que dois anos. O problema é o atraso no diagnóstico.
Você devia estar comendo aquele pulmão há muito tempo. Quando detectada precocemente, as chances de cura são altíssimas. Altíssimas, né? Um tratamento que é gratuito. Exatamente. Mas quando o tempo... Existe um atraso de diagnóstico, a destruição é irreversível. Mas é uma doença super comum.
E no mundo, né? No mundo todo, lógico. Existe um predomínio maior em países em desenvolvimento. O Brasil é um deles. E se a gente pegar, por exemplo, África, Sudeste Asiático. Índia também? Índia. São países de altíssima prevalência. Na África, muito pior, porque vem a associação com HIV. Aí é catastrófico. Ai, fica difícil.
É uma tempestade anunciada. E tem tido avanços. Então, existem medicamentos novos para tratamento de tuberculose. A base ainda é a mesma. Porque também não existe um interesse muito grande de grandes indústrias em desenvolver...
Porque a população é uma população de baixo poder aquisitivo. Uma doença de baixo poder aquisitivo. Exatamente. Mas tem surgido medicamentos novos. Com menos efeito colateral? Com menos efeitos colaterais que possibilitaram encurtar um pouquinho o tratamento de algumas formas, não das mais resistentes. Mas é isso, é uma doença que tem cura.
E que ainda existe. E tem uma coisa, o que seria dentro das pessoas que principalmente moram em comunidade, em países com menos recursos, quais seriam os sintomas que podiam chamar a atenção para a possibilidade de uma tuberculose, Marcelo? Eu acho que o principal é aquela tosse que não melhora.
Então, infelizmente, as pessoas têm essa mania de se automedicarem. E tosse, ao contrário, por exemplo, de dor no peito, é um sintoma que as pessoas não dão muita importância. É, estou com tosse. Deve ser uma gripe. Não, e tem sempre um remédio, né? Vamos ao xarope que melhora. Não, tem sempre um remédio. Tem, a vizinha fala um remédio. A vizinha não sei o que, tem uma planta não sei o que, bate não sei o que, mistura com leite, mistura com não sei o que. É isso.
deve fazer algum efeito, ainda que placebo, melhora e a pessoa deixa a coisa evoluir. Então, se a pessoa tem tosse, essa tosse não melhora depois de duas, três semanas.
tá tendo alguma outra coisa, tá com febre, ou teve febre, perdeu peso, escarrou sangue igual o marido da sua manicure. Procura atendimento. Até antes, né? A tosse por si só. E uma febrezinha também, que persiste por duas, três semanas. A tosse persistiu aí duas, três semanas. Não melhora? Poxa, não custa procurar atendimento. Faz um raio-x. Na suspeita, no próprio...
serviço de saúde, às vezes já se faz o exame do escarro, que é uma coisa muito simples. Que ainda é usado hoje. É, não é o padrão ouro, mas ainda é o mais comum. O resultado vai sair ali em meia hora, uma hora no máximo. E a vacina para tuberculose?
A vacina ainda existe, ela ainda faz parte do calendário, embora vacina hoje é uma palavra perigosa. Mas ela é... Não vamos dizer que ela é obrigatória, porque isso também é complicado, mas é uma vacina recomendada, que ela é feita ainda na maternidade.
A grande maioria toma, eu acho. Então é uma vacina bastante reatogênica. Ela é feita aqui no braço direito. Então muita gente tem a marquinha. Eu não tenho, mas muita gente tem. Eu tenho. Mas ela é super importante no Brasil.
Principalmente nos países subdesenvolvidos. Porque ela é a principal forma de proteção contra as formas graves de tuberculose na infância. No adulto ela já não protege. Então quem tomou não tem mais proteção depois dos 11, 12 anos. Mas na infância é fundamental. Ela é fundamental.
Depois, para o adulto, não. O adulto é detecção precoce. Porque o adulto vai entrar em contato com o bacilo. Ele está aí. Ele vai ganhando, né? Ele está circulando nos estádios, nos ônibus, nos trens, na escola. Ele está circulando. E se ele tiver uma imunidade razoável? Se a pessoa tiver uma boa saúde, vamos dizer assim, não vai adoecer. Aquilo não vai fazer. Mas ele está aí. E tem que estar atento a isso. E tem que estar atento. E não esquecer que a tuberculose existe.
E existe mesmo. Talvez seja longe dos olhos de muitas pessoas, mas não quer dizer... Exatamente. É que nem o sol, né? Quando tá nublado, você não vê o sol, mas ele tá lá. Pode ter certeza que ele tá lá. E ela tá aí. Então, a tuberculose, com tosse, ela tá lá. Tá. A gente falou um pouquinho de tuberculose, que eu achei legal, porque isso pra mim era uma coisa muito presente na infância, assim. Pelo menos meus pais falavam muito isso. Gripe.
Vamos lá, porque as pessoas fazem uma confusão de gripe, de resfriado, de tomar vacina para gripe, não toma vacina para gripe, toma vacina para pneumonia. Dá uma aulinha para a gente. Tudo é gripe. Nariz escorreu, é gripe. Tudo é gripe.
Mas é importante fazer essa distinção. Exatamente. Gripe é uma doença respiratória aguda, causada por um vírus chamado influenza. Isso é gripe. Isso é gripe. Independente se é o influenza A ou se é o influenza B. Certo. Se é o subtipo H1N1, que ficou conhecido depois de 2009, ou H3N2 ou H5N1, enfim.
Porque ele muta, né? Então vai ter sempre uma variação. Todos esses vírus que tem um H e um N são influenza. E influenza causa uma doença chamada gripe. Então é diferente, por exemplo, de um resfriado. Um resfriado...
É uma outra doença respiratória aguda causada por outros vírus que não o influenzam. Entendi. Então tem os rinovírus, adenovírus e vários outros vírus respiratórios. Às vezes tem uns 100 vírus respiratórios que causam resfriado.
E são doenças diferentes, com tratamentos diferentes. As duas agudas? As duas são agudas. E quando eu falo aguda, eu estou falando de duração de dias. Exatamente. Três a sete dias. Mas são muito diferentes. Então, o resfriado, que às vezes é confundido com a gripe...
É aquele quadro que a pessoa começa com o nariz escorrendo, espirros, a garganta raspa um pouquinho, pode eventualmente ter uma tosse e eventualmente uma febrinha, 37, 8, 2, 3 dias. Nada muito sintomático, paralisante. A pessoa consegue fazer as atividades normais. Isso é resfriar. Gripe não. A gripe derruba.
Gripe é aquela doença que, assim, a pessoa estava aqui e fala, poxa, está me dando um mal estar, eu estou com um pouco de dor de garganta, muita dor no corpo.
E aí, depois de 4, 5, 6 horas, vem aquele febrão, 38,5, 39, e a pessoa tem a sensação de que não consegue levantar da cama. Isso é gripe. Tem uma variação, primeiro pelo agente... E depois pela intensidade dos sintomas. E depois pela intensidade dos sintomas. Exatamente. E velocidade também. Sim.
E hoje é muito mais fácil saber quem que é quem. Há cinco anos atrás isso era quase que impensável, né? Poxa, será que é uma gripe? Será que é um resfriado? Como é que eu vou saber? Mas uma das coisas que a pandemia trouxe foi a facilidade no diagnóstico dessas infecções virais. Então hoje...
15 minutos dá pra gente saber. Você faz os testes, né? Você tem hoje em farmácias, né? Tem farmácia. Testes pra influência. Na própria clínica a gente faz isso. Só um minutinho, nós vamos colher um exame. 15 minutos tá lá, ó. Isso é influência A, ponto. Então isso é gripe. Não dá dúvida. Não tem dúvida.
E além de dar um diagnóstico de certeza, isso facilita demais no tratamento. A própria tomada de decisão. Porque, por exemplo, o Tamiflu, eu sempre que viajo para fora, principalmente, porque você pega outros vírus, eu levo uma caixinha. Eu levo também. Sabe, na mala. Sempre levo.
Eu levo. Me parece, assim, que se for, vai ser ótimo, porque é rápido a virada, assim, né? E isso é uma facilidade imensa. Incrível, que a gente não tinha, né? Então, um mês, eu fui viajar de férias com a família, e a gente ia pro Hemisfério Norte, eu falei, opa!
Vamos fazer uns toques. Aqui nós somos quantos? Nós somos quantos? Uma caixinha. Começa, é inverno. O que acontece lá reflete aqui depois. Você foi ver o futuro antes dele se materializar aqui. Eu falei, vamos levar um kit, uns testes, leva.
O Tamiflu espero não usar. Sim, claro. Ledo engano. Tive que fazer... Tive que usar? Plano de emergência para distribuir doses. Os cinco dias. Mas resolveu. Querendo. Melhora, porque muda mesmo, assim. Muda. Muda, você vê um negócio assim, de repente começa a entrar e ele sobe. E é isso, e quanto mais precoce você começa, melhor o resultado. Porque essa é outra diferença.
resfriado, muito raramente complica. Se complica, vai complicar com uma rinocinusite. Sim. Mas gripe não. A principal complicação de gripe é pneumonia. É pneumonia mesmo. Porque é um vírus que inflama mais o pulmão.
Então existe um risco maior de complicações. E é aí que entra o tratamento com o Tamiflu. Ele diminui a replicação do vírus. No início, o mais rápido que a gente puder. Exatamente. De preferência nas primeiras 48 horas. Exato. Então essa é a grande diferença. Essa é a grande diferença. Mas as pessoas ainda chamam tudo de gripe.
É, mas tem uma diferença mesmo. Tem uma boa diferença. De intensidade, velocidade de replicação dos sintomas e também da terapêutica. Sim. Bem diferente. E a vacina da gripe?
Vamos lá, eu sempre tomo. Essa talvez seja uma das principais... Engraçada, eu sempre tomo. Questões que surgiram aí nos últimos anos, né? Até cinco, seis anos atrás, ninguém questionava absolutamente nada sobre isso. Eu sempre tomo, tomava, não mudou.
A vacina da gripe, provavelmente daqui umas duas, três semanas, começa na campanha nacional de imunização. E de novo, o que acontece aqui no inverno é reflexo do que acontece lá fora.
Nesses meses de novembro até janeiro. Exatamente. Que é o inverno lá deles. O que está acontecendo lá realmente são muitos casos de gripe. Inclusive dessa variante que chamam de gripe K. Que é um influenza A. É um tipo de influenza A. É um subtipo de influenza A. Subtipo. Então provavelmente é o que vai acontecer aqui.
E a melhor forma de prevenção de gripe, além dos cuidados básicos que todo mundo já está careca de saber, lavava a mão, evitar aglomeração, etc, é vacinar. Então a vacina de gripe, ela é a arma mais importante que a gente tem para prevenir.
Mas a gente tem que fazer agora, assim. Exato. No finalzinho de verão, início de outono. Não adianta ter gente que toma... Se nós tomarmos por base o que aconteceu nos últimos dois anos, o pico de casos de influência não foi no outono e inverno. Foi um pouquinho antes. Então, foi em maio. E nós tivemos, ano passado, um segundo pico em novembro.
Isso, você está falando uma coisa, que as pessoas dizem que o certo seria fazer duas tomadas da vacina da gripe, é verdade? É, isso mudou muito depois da pandemia. Então, hoje eu não tenho dúvida que gripe não é mais uma doença sazonal.
ela tem um aumento de casos no outono e inverno, mas nós temos gripe o ano inteiro. Ou seja, o vírus está circulando o tempo todo. Então, a vacina de gripe tem uma eficácia que não é muito longe do ideal. Então, qual é a eficácia de vacina de gripe?
É em torno de 50%. Mas, de uma certa maneira, reduz as chances de você evoluir mal e ir para uma pneumonia. O objetivo da vacina de gripe não é impedir que a pessoa pegue gripe. Exatamente. Mas que faça uma forma... É reduzir o risco de complicações. Entendi. Internação, pneumonia e óbito. Sim, claro. Porque as pessoas morrem de gripe. Então, esse é o objetivo.
E ela tem um tempo de ação. Então, ela não vai durar até o ano que vem. Então, por isso que a vacina é feita...
Em abril, fim de março, comecinho de abril, para garantir uma proteção de seis, sete meses até a vacina do ano que vem. Então, pessoas de maior risco... Podem fazer duas tomadas. A recomendação seria tomar duas doses, dependendo da circulação do vírus.
Entendi. Que seria mais ou menos em final de março, início de abril. Seria final de março e depois novembro, dependendo do caso. Entendi. Lógico que isso não é oficial porque não tem vacina para todo mundo, mas... Sim, mas se a pessoa puder... Exato. Seria uma opção boa de proteção. Seria uma opção de proteção. Tá.
Porque já tinham me falado isso, mas ainda não tinha ouvido isso de algum especialista. Mas faz sentido. Até porque hoje, com esse negócio de globalização, as pessoas viajam para lá, para cá e os vírus também fazem essa viagem. Pegam carona. Exatamente. Pegam carona com a gente. Não tem como. Então acontece. Acontece.
E os mitos da vacina da gripe? Porque eu vejo de gente falar, aí eu tomei vacina, nunca tomei. Tomei, aí peguei uma gripe horrorosa. O que é isso? São mitos. A vacina da gripe talvez seja uma das mais estudadas.
Em qualquer lugar do mundo há muito tempo. Nós não estamos falando de nada que começou agora. Então, a vacina de gripe, ela é impossível de causar gripe. Porque ela é feita com um vírus morto. Não tem como ele ressuscitar. O vírus ressuscitou. Uma coisa é falar, não, eu tomei vacina de febre amarela e fiquei doente. Tudo bem, são vírus vivos. Vacina de dengue. Pode até acontecer.
Mas a de gripe, não. Gripe é vírus morto, né? Então, não tem como causar gripe.
Mas, como toda vacina, ela induz uma resposta, que é o objetivo dela. Então, lógico, o corpo recebe aquela informação e processa aquilo com uma leve inflamação, com produção de anticorpos, enfim. Então, o que as pessoas confundem é que, às vezes, elas tomam a vacina e, no dia seguinte, tem uma febrícula. Então, isso é uma reação vacinal, não é gripe. Ou...
A vacina da gripe é dada nos meses de maior circulação do vírus.
Quando as pessoas atrasam também. Porque tem gente que vai tomar em junho. O vírus já circulou muito. Então, a pessoa já pode estar com o vírus incubado, toma a vacina e dois, três dias depois o vírus manifesta os sintomas. Então, não é que tomou a vacina e pegou gripe, não. Ele já estava exposto. Estava infectado quando tomou a vacina. Ao contrário, né? É.
Eu já vi muita gente tomar em junho. Mas você tinha que ter tomado em abril. Mas tudo bem, é melhor do que não tomar. Ok, mas aí logo depois aparece gripado. O vírus já estava circulando. Mas sabe, Bia, que tem muita gente que fala isso. Não, eu não tomo. Porque o ano passado eu tomei essa vacina de gripe. Peguei uma gripe depois, nunca mais. A vacina acabou comigo.
É verdade. Tem muito, mas não faz esse cálculo. É, e é um tema que ficou super delicado, né? Então... É, engraçado, eu tomo, nunca tive problema, não. Mas eu tomo na datinha certa, assim. Final de março. No máximo, primeira semana de abril.
Aí não dá. Agora, se deixar passar um pouquinho, aí já fica... Eu já tomei a minha sexta-feira. Já tomou? Você toma logo que começa março? Logo que chega, já tomo. Sexta-feira, tomei já. É uma boa dica isso, né? Para as pessoas se atentarem, que tem um momento certo.
Uma leve dorzinha no braço. É, que dá um pouquinho. Na hora, mas só. É. Nada além disso. Até de noitinha ainda fica meio doloridinho, mas passa muito rapidamente. Mas nada, eu tô aqui hoje é terça, não tô gripado. Pelo contrário. Muito pelo contrário. Tá mais protegido. Fazendo tudo normalmente. Agora, você falando isso, por exemplo, uma coisa que eu noto, pessoas que vão pra carnaval, onde tem muitos...
Muitas nacionalidades diferentes, tipo assim, carnaval da Sapucaí, carnaval de Salvador, o povo volta baleado de lá. Isso é um fato ou não? É um fato. Pra mim era uma observação. Não, é fato. O que é isso, né? É um fato. É um fato. Tem como prevenir isso? Quer dizer, não estou dizendo aqui que deixem de ir pra onde quiser no carnaval, mas assim, dá uma reforçada na imunidade?
Acho que é muito difícil, né? Carnaval é tudo que não... É aglomeração... É tudo que não se deve fazer para reforçar a imunidade, né? É aglomeração, é bebida... Noite mal dormida, bebida... Noite de sono mal dormida, enfim... Não tem como. É inevitável. Mas, por exemplo, se a pessoa fizer a segunda dose da vacina, é menos mal?
Essa segunda dose ali em novembro, dezembro. É difícil porque em fevereiro, geralmente quando é carnaval, nós não temos vacina no Brasil ainda. Porque a vacina é atualizada anualmente. É verdade.
Então, como é que ela é feita? Então, são estudos que são feitos para saber quais as variantes que vão circular naquele determinado inverno. Então, eles olham o que acontece no hemisfério norte. Aí, em outubro, novembro, eles têm os quatro vírus lá que vão circular com mais frequência.
E aí fazem a vacina que vai circular no Hemisfério Sul, que chega pra gente em março, abril. Então não tem vacina nessa época. Não adiantaria nesse caso.
Porque eu vejo isso muito, né? E deve, eu não sei, você deve ver uma parte clínica, né? Que aumenta o número de gripes, eu acho. Aumenta. E complicações. Aumenta muito. Aumenta, né? Aumenta bastante. Nós vimos isso quando a Covid começou, né? É, foi logo. Ah, a Covid começou logo depois. Começou em dezembro de 19.
É, isso mesmo. Itália. Na China, depois... Itália. Países da Europa. É, Itália pegou ali. E aí nós começamos a ver casos no Brasil. Finzinho de fevereiro foram os primeiros casos.
Mas o aumento de casos veio no começo da segunda quinzena de março, que foi logo depois do carnaval. E foi o pessoal que paralisou tudo. Exato. Quando foi decretado, se eu não me engano, foi 11 de abril. 11 de abril foi quando temos uma pandemia mesmo. Então tem isso, por conta dessa movimentação de pessoas. Acelera o processo. Acelera. Hoje é globalizado.
É verdade, faz sentido. Quer dizer, não tem nada que previna, o que melhore. É do tipo, beba com moderação, pule com moderação, durma com intensidade. Reza e seja o que Deus quiser. Se hidrate e seja o que Deus quiser. É isso aí.
A gente falou do resfriado, a gente falou da gripe, da vacinação. A vacina, a gente falou da gripe e a vacinação da pneumonia, da pneumocócica, né? Esse é outro assunto, outro tema super importante quando a gente fala em doenças respiratórias. Nós estamos falando de outra doença que também é uma doença potencialmente grave que também causa muitas mortes.
principalmente nos extremos de idade. Crianças menores de 5 anos, idosos acima dos 65. Tenho certeza que muita gente...
Conhece alguém que tem pneumonia ou que teve um começo de pneumonia, qualquer coisa do tipo. Então, também é uma doença respiratória super comum e também é prevenível através da vacinação. Então, a vacina pneumocócica, ela também faz parte do calendário vacinal. Então, todo bebezinho toma...
Com dois, com quatro, com seis meses. Dois, quatro, seis, tá. Depois toma com um ano e meio, depois vai tomar um reforço com cinco, seis aninhos. Então, todos os bebês já estão protegidos. Independente da vacinação acontecer na rede pública. Ou não. Ou na rede particular, é uma vacina que faz parte do Programa Nacional de Imunização. E que, em alguns grupos específicos, é recomendada a vacinação depois.
Então, de uma maneira geral, pessoas acima dos 50 anos, recomenda-se que sejam vacinadas com a vacina pneumocócica, pelo menos em algum momento da vida após essa idade.
E ela tem a pneumocócica acima de 50, ela faz duas doses ou uma única? Depende, Bia. Das vacinas pneumocócicas, no Brasil atualmente, nós temos quatro vacinas.
Então, tem a pneumocócica conjugada 10. Na verdade, ela está saindo do programa, que era a que tinha no programa de imunização. Tá, do governo. Mas ela é a mais antiga, então ela... Agora, no ano passado, ela saiu. Tem a pneumocócica 13, que entrou no lugar da 10 no SUS. Tem a pneumocócica 15 e, mais recentemente, a pneumocócica 20.
Então, o que são esses números? São a quantidade de sorotipos da bactéria que ela protege. Amplia. Vai ampliando. A cobertura. A cobertura. Então, a 13 e a 15, a dose é única para pessoas a partir dos 50 anos. E depois de um tempo, é recomendada um reforço.
Com a outra vacina pneumocócica, com a 23, que ela é polissacarídica, não é conjugada. Tá. Então isso é pra fazer uma complementação. E quem vai pra 20 direto? Quem vai pra 20 é uma dose única da 20 só. Tá, entendi. Não precisa reforçar com a 23. Tá. Mas é uma vacina super importante.
E as pessoas que têm asma, de fato, são pessoas mais predispostas a, por exemplo, quadros de gripe, quadros de pneumonia, que a gente sempre ouviu falar isso. Eu me lembro que quando começou a Covid, todo mundo, cuidado com o pessoal que tem asma, cuidado não sei o quê.
Cuidado com os idosos. E no primeiro momento, ok. Principalmente lá de fora a gente ouvia falar. Mas quando bateu aqui no Brasil, essa lógica não se concretizou. E depois isso não se confirmou. Não se confirmou. Os idosos, sim. Grupos de risco, sim. Mas o indivíduo com asma não era grupo de risco. Não era. E no início todo mundo, cuidado, fulano tem asma.
Então, o fato do indivíduo ter asma não quer dizer que ele seja mais suscetível a gripe ou resfriado ou pneumonia, etc.
O que ele precisa é estar com a asma bem controlada, porque essas infecções virais, principalmente, podem descompensar a própria asma. A própria asma dele. Então, esse é o único receio. Não que ele tenha maior risco de doença. Entendi. O negócio é que pode descontrolar a asma.
se ela não estiver bem controlada. Então esse é o grande receio. E asma também é uma coisa... Primeiro, assim, eu tenho um fator traumático com asma. Não tenho, nunca tive. Não tenho histórico na família. Mas eu perdi um colega de turma de medicina. E foi bem traumático, assim. Sabe aquela, assim, a gente no quinto ano de faculdade, indo para o sexto, de repente chegou a notícia que...
que ele foi morar numa casa, no recreio, na época o recreio era um bairro afastado, e ele gostava de cachorro, então ele foi morar, e que ele estava sozinho e ele não conseguiu socorro, né? Aquilo me marcou muito. Depois veio esse ano passado, não, ano retrasado, um convidado aqui.
veio com a esposa, um casal maravilhoso, eles tinham, tem ele, está seguindo o trabalho, um grupo para ajudar mulheres que eram vítimas de parceiros tóxicos, mas é um casal muito legal. Um belo dia, ano passado, eu estou nas redes e daqui a pouco ele anuncia a morte dela, assim, e ela tinha asma.
Ele foi dormir, ela ficou trabalhando, fazendo uma coisa e morreu sem conseguir pedir ajuda. A asma tem essa dramaticidade no sentido de...
da pessoa que não tá com ela, tratada, porque durante muito tempo que não se tratava a asma. Era um tal de fica com a bombinha, toma a bombinha, viaja com a bombinha. Mas eu falo, meu Deus, mas a pessoa tem que o tempo todo tá com essa bombinha. Na minha cabeça, a bombinha era sempre um SOS. Extraordinário. Não um tratamento. Mas vi muita gente a bombinha no bolso e... Tchau, tchau.
Eu falava, mas como é que é isso? Ah, não, sempre que eu sinto uma necessidade, eu falei, gente, não entendo nada de pneumologia, mas acho isso esquisito. É uma coisa que não está certa. Porque a pessoa viver de SOS, porque quando eu estudei na faculdade, era SOS. É. Eu falei, deve ter mudado alguma coisa, eu imagino. Mudou, mudou bastante. Né? Mas, de novo, essa é outra daquelas crenças que envolvem algumas doenças respiratórias, né? De que assim, ah, não, isso é...
É só bronquite. Bronquite asmática. Mas asma mata. Asma é uma doença que mata. E morre muita gente com asma. E jovem, né? E jovem. E quando acontece é isso. É assustador porque fala, nossa, mas... Do nada. Morreu de asma. Morreu.
Nós estamos falando de uma doença que afeta 300 milhões de pessoas no mundo. 300 milhões de pessoas. É muita gente, né? Bastante. Tudo bem que... É mais do que a população dos Estados Unidos. Tudo bem que desse monte de gente... Não tem mais, não tem mais. Nós estamos falando de 5 a 10% que vão ter formas graves da doença, né? Masma grave, que precisa de um tratamento mais intensivo.
Mas é uma doença que pode acontecer isso. O indivíduo pode ter uma crise aguda, ou porque mudou, foi para algum lugar, teve contato com, sei lá, poeira, mofo. Sei lá, um produto de limpeza. Qualquer coisa. Novo. Isso pode levar a uma crise aguda grave. E a pessoa pode morrer em decorrência disso.
porque é assustador o socorro disso. Porque a sensação que dá, sempre tive muito, quando eu trabalhei em pronto-socorro, logo no início da carreira, estágios no final do internato, eu me lembro que era muito espantoso. Você está no pronto-socorro, porque a pessoa não fala. É dramático, é assustador para quem está junto. É como se a pessoa estivesse se afogando nela.
É um afogamento. A crise aguda realmente é um drama. Até para quem assiste, para quem está ali para cuidar. Até você fazer a nebulização, botar na vez, esperar aquilo, fica tenso. Porque é isso, tem que esperar. Voltar a falar, porque a pessoa não tem... Tem que esperar para ver a resposta. Lógico, se a resposta não acontece, tem outras formas de proceder. Mas é uma doença grave.
Qual a diferença da asma para bronquite asmática? Foi o que você falou. O pessoal... Ah, isso é uma bronquite asmática. Isso é uma bronquite... Como se isso fosse menos. Não, a doença se chama asma. Bronquite asmática é um termo popular para chamar asma. Entendi. Então, bronquite asmática, eu sempre brinco que não existe. Não existe, é a asma. A doença se chama asma. O que existe é uma diferença entre asma...
E bronquite aguda, né? Então, são coisas diferentes. Então, bronquite aguda é aquela que a gente falou lá no começo, né? O indivíduo tem uma infecção viral, né? E tem ali 3, 4, 5 dias de tosse por inflamação do bronco. Do bronco mesmo. Então, isso a gente chama bronquite aguda, autolimitado, passou, passou. A asma é uma doença crônica, né? Com sintomas que vêm e vão, que melhoram e pioram ao longo de...
anos. E engana-se quem pensa que ela só começa na idade, na infância. Não. Ela pode se manifestar só na terceira idade, por exemplo. É mesmo? Tem isso de... Não é a maioria, mas pode. Sim, mas a primeira manifestação mais tarde. E esse conceito de que só trata a crise, isso já ficou pra trás há muito tempo.
É um paciente difícil de aderir a um tratamento mesmo, que eu não diria nem preventivo, mas estabilizador seria uma palavra. A maioria sim, porque ainda acredita que não é nada. Entendi. Ah não, isso é bronquite eu uso. Coisa boba. Minha bombinha melhora. Quando der crise eu uso. Mas hoje o conceito atual...
É de que a asma é uma doença inflamatória. Então, o problema não é o brônquio que fecha, o problema é a inflamação. Que está sempre ali. Que está sempre ali. Então, o foco hoje é controlar o processo. Inflamatório.
para evitar que tenha crises, lógico. Mas o asmático, a maioria ainda tem essa crença de que, ah, não, não estou sentindo nada, para que eu vou tratar? Então, a educação em asma é um negócio super importante. E é difícil as pessoas entenderem que ela não tem que estar em crise, é justamente para continuar estando ou evitando crise que ela se trata.
É, como muitas das doenças de hoje, né? As pessoas não entendem que a obesidade é a mesma coisa, a aterosclerose é a mesma coisa. Então, assim, ele fica esperando...
aparecer pra começar a tratar. É falar que nem o popular, né? Dá ruim. Não é nem ruim. Não espera dar ruim pra correr atrás. Eu sempre brinco. Não adianta esperar começar a chover pra consertar o telhado. Tem que... Antes, né? Tem que consertar antes da previsão anunciar que vai chover. Bem antes.
Então, acho que vale muito para o momento atual, né? Que se fala muito de obesidade, doenças cardiovasculares, enfim. Eu acho que a obesidade, eu acho que está tomando uma coisa, mas ao mesmo tempo estou vendo gente se tratar de obesidade que não existe.
Eu não sei se os obesos, de fato, estão nessa nova onda. Espero que sim, que tenha aumentado muito. Mas eu estou vendo muita gente sem indicação se tratando para a obesidade.
Aí já deixa de ser um problema da obesidade e passa a ser um problema comportamental. Exatamente. Exatamente. E é incrível como... Engraçado, né? Eu vivi todas as fases de padrão feminino. Mais cheinho, mais cochudo, mais cadeirudo, seio pequeno. Aí depois veio a onda do seio grande.
E agora... Agora, teve aquele momento ali, década de 80, início de 90, que era aquele perfil modelo anoréxica, né? E que aí todo mundo, não, isso tem que ser banido da moda. Que está voltando agora. Está voltando com uma força. Que eu falo, gente, a história da humanidade é cíclica. É cíclica.
É impressionante. Faça o que a gente fizer, as ondas vão se repetir. Sim. Impressionante. Até, por exemplo, ano passado eu falava assim, gente, tá um cheiro de terceira guerra.
tem todos os fatores que antecediam a Segunda Guerra. Falei, está muito propício. Pessoal, deixa de ser pessimista. Falei, não, só estou falando que se a gente estuda história, está muito parecido. A história da humanidade é cíclica. Exatamente. Então, assim... E está aí, né? Está aí. Se vai alastrar, mas já é uma guerra. Não deixa de ser. Não deixa de ser.
Mudou, é que a gente deixou de ter grandes para ter guerras meio que localizadas, mas nunca deixou de ter. Não. Infelizmente, parece que é uma condição humana de criar situações desse tipo, horríveis, né? Sim. Não, mas acontece. O que piora os adoecimentos. Exatamente. Tudo, tudo. É, doença que vai, que volta. Exatamente. Que deixou de existir, volta a aparecer. Então é esse ciclo.
Esse padrão anorexico agora, eu acho que vai ter consequências. Por exemplo, eu acho que abre portas para que... Nem sei, se eu tiver... Vamos lá, vou falar o que me passa na cabeça. Esse padrão anorexico pode predispor pessoas a ter tuberculose que não teriam. Pode ser. Pela sua condição de alimentação. Seria muito difícil. Se as pessoas se tornam mais vulneráveis, não tem como. Porque ninguém mais come hoje em dia também.
Ficou vergonha comer, né? Eu acho tão engraçado, num país de pobreza, a vergonha é comer. Eu fico pensando, populações que não têm acesso a comida, você vai na África.
Comer é um privilégio. E as pessoas insistem nisso como um padrão cultural. Acho que dá para dizer que é um padrão comportamental atual. Comportamental. Muito mais do que... E que acaba virando estético. O que é pior. Aí daqui a pouco vai subir, vai fazer o radicalismo e vai descer.
Outro padrão que eu fico muito preocupada, por exemplo, as pessoas, eu sou de uma geração, eu vi todo mundo fumar, vi o mocinho do Malboro, vi a Fórmula 1 ser patrocinada por cigarro, vi todos os galãs fumarem no cinema, nas novelas, tudo. E aí, de repente, a coisa virou e você fala, nossa, que bom, isso vai acabar.
E aí a gente vê a indústria sempre se reinventa. De novo a gente volta no padrão cíclico da humanidade. É sempre assim, né? E eu fico boba como o ser humano não entende isso. Ele não faz a leitura e ele entra no movimento de manada. Só que nós não somos uma manada. E é um padrão quando você estuda isso. É realmente o mesmo padrão.
É impressionante isso. Os mesmos personagens, as mesmas estratégias de formas... Não, é só reinventado, né? Por exemplo, a indústria do cigarro é uma indústria muito forte. Não era pouco. É, é uma das maiores do mundo. É uma potência. Ainda é uma potência? Sempre foi uma potência. Não é à toa que eles estão por trás de tudo.
E aí elas também se reinventam. Então, para fugir de todos os problemas, muitas delas mudaram de nome. Mas são as mesmas grandes potências. Então, nós estamos falando das indústrias que estão por trás.
não só de cigarro, mas muitas dessas indústrias tabagísticas, elas são ou foram donas de um monte de marcas de alimentos ultraprocessados. Exatamente. Elas são as donas das indústrias do cigarro eletrônico.
E é tão assim, não sei pra você, Marcelo, mas pra mim eu fico olhando e falo assim, gente, como é que as pessoas se tiverem um pouquinho do conhecimento, entender o padrão, por que se deixam ir, né? Porque assim, se você ignora os fatos, ok. Você, né, tá desavisado. Agora, quando você vê, eles nunca perdem, né? Não.
Eles se maqueiam, porque aí teve aquela... Se reinventam. Se reinventam, teve aquela fase do cigarro, que o cigarro, a indústria do cigarro, começou a perder os processos e bancar indenizações milionárias. Foi na década de 90, se não me falha a memória. Foi na década de 90, que aí depois botaram aquelas embalagens com a pessoa morrendo, fumar, e você via a pessoa fumar com aquela foto ali. Eu falei, meu Deus, coisa mórbida, né? Sim.
E aí a coisa foi indo, tiraram os anúncios, os patrocínios, não podia mais fumar em voo, que não podia mesmo, que aquilo era uma hipocrisia. Era um absurdo pensar nisso, né? Não. Quando a gente pegava um voo daqui pra Europa... Você vai no fumante ou não fumante? Não tinha o menor sentido. A cabine era a mesma.
Você saía do voo fedendo cigarro. Aí tinha, não sei se você se lembra, você ia para Portugal, por exemplo, tinha um meio do avião, tinha uma área para fumante. Exatamente.
Aí se você era o cara que ficava aqui na primeira fileira da econômica ou na última da executiva... Cabine pressurizada, o mesmo ar ali... Entendeu? Eu falava assim, gente, você paga para ser contaminado. E eles se reinventaram. Hoje tem... Antes disso, como é que está a questão do cigarro hoje na prática clínica?
É, isso que você falou realmente é muito interessante, né? Eles se reinventam. Sempre. Porque assim, também, do mesmo jeito que a tuberculose, o tabaco é uma coisa super antiga, cheio de rituais místicos, enfim. Mas...
É algo que também está arraigado na nossa cultura. Então, o brasão da República Federativa do Brasil tem um galho de café e um galho de planta de tabaco. Então, assim, é uma coisa que, economicamente, sempre foi muito importante. Representava o poder. Só que a associação entre tabaco e doença existe e não é de hoje. A indústria sempre negou isso.
Mas a primeira associação entre fumar e câncer de pulmão é da década de 50. Associação. Associação causal, não é associação. Na verdade, relação de causa e efeito.
Um estudo clássico da década de 50. E a indústria sempre escondeu isso. Tanto que tem um julgamento que ficou famoso nos Estados Unidos quando eles tomaram essa multa bilionária. Bilionária. Eu acho que, se não me engano, tinham sete donos de grandes indústrias tabagísticas e eles, sob juramento, na corte americana, negaram qualquer tipo de associação.
e tentaram esconder esses documentos durante muito tempo, mas os problemas foram surgindo.
A realidade foi se impondo. A realidade foi se impondo. A legislação foi ficando mais dura. Então, o Brasil tem uma das políticas mais rígidas no controle do tabagismo. Então, 96 no Brasil foi quando surgiu a lei do fumo. Então, tudo isso foi dificultando. E aí, quando a gente olha o contexto do tabagismo no mundo...
ele vem caindo. Então, se a gente pegar lá, comecinho dos anos 2000, nós podemos falar que tinha ali 30, 33% de fumantes no mundo. 2025, pelo relatório da OMS, 19,2%. Quase a metade, né? Caiu a metade quase. Então, teve uma redução de quase 30%. Então, isso é muito significativo.
Então hoje a taxa de fumante no mundo é essa, em torno de 19%. 19%. O que corresponde a 1,2 bilhão de pessoas que ainda fumam. O cigarro tradicional.
Qualquer forma de tabaco. Qualquer forma de tabaco. Lógico, 95% dessas pessoas é cigarro convencional. Ainda. Muito mais homens do que mulheres. Então, no mundo... Ainda. Uma relação é de uma mulher para quatro, cinco homens.
Mas isso aumentou, né? Porque as mulheres, eu me lembro que quando eu trabalhava em pronto-socorro, mulher que fumava e tomava pílula, meu querido, era trombose. Era chegar no coisa, dor na perna, você fuma, toma pílula, toma.
Já ia ver lá a possibilidade de estar fazendo um evento. Mas a taxa em mulheres caiu mais do que em homens nos últimos 20 anos. Porque teve um momento de pico ali na década de 80. As mulheres fumaram para valer. Então isso quando a gente olha o panorama tabagismo. Mas 1.2 bilhão de pessoas ainda é muita gente. É muita gente. Então tem a ver.
Como consequência disso, aí de novo a gente vem na história da reinvenção. Tudo bem, nós estamos falando de cigarro, de não sei o que, nós estamos falando de mercado. Então, quando eu falo de 27, 30% de queda de fumantes, a indústria entende como queda de faturamento. Estamos perdendo clientes.
Liga o alarme, sinal laranja. Estamos perdendo clientes. O que faremos? O que faremos? Vamos voltar lá atrás e reinventar.
O cigarro. A história. Então, lá atrás, o que que era? Era o glamour, era o... Sim, Hollywood foi o nosso. Foi o propagador. O cowboy da Marlboro. Exatamente. Os esportes, até 007. Os primeiros 007 fumavam. O que que a gente vai fazer? O tempo todo. Como é que nós vamos fazer? Então, hoje é rede social, é hashtag, é imediato, é design, não sei o quê.
Vamos inventar alguma outra coisa. E aí é onde entra, onde surge, na verdade, o tal do cigarro eletrônico, que também não é uma novidade. Não. É engraçado que o cigarro eletrônico surgiu como uma alternativa para a pessoa largar de fumar.
É. Lembra? A ideia era essa. É. Porque também não é uma coisa... Eu acho que já foi maquiada, né? Não é o negócio que surgiu agora. A indústria vinha pensando nisso já... Há bastante tempo. Sei lá, desde a década de 70. Que eles vinham pensando em alternativas. Mas aí foram deixando de lado. Porque vendia muito. Porque assim, ainda vende do outro, nós não achamos nada que seja parecido, vai deixando.
E aí a coisa começa a mudar no início dos anos 2000. É, início do século. Quando eles atribuem a um chinês que foi quem inventou o que nós conhecemos hoje como cigarro eletrônico. Que era um farmacêutico, na verdade, chinês, que lá em 2003 tinha perdido o pai com câncer de pulmão. E aí ele vinha pensando numa forma...
mais segura de fumar com moderação de fumar ou de ter todos os benefícios do cigarro sem os malefícios
E foi ali que nasceu o protótipo do que a gente tem hoje. Que aí aquilo foi. Depois de 2007, isso chegou na Europa. Em 2013 surgiram as primeiras indústrias. E aí acho que o grande boom da história veio em 2015, 2016. Quando a dupla lá do Vale do Silício falou, Poxa, nós temos que fazer o...
o iPhone dos cigarros. E aí eles começaram... Vamos botar um design, um cheiro bom, né? Infelizmente, né? Então, não é por acaso. Aquilo ali é um produto magnífico... Tem um design. De engenharia. Tem um cheiro. Que foi criado com um único propósito.
Ser consumido. E o máximo que possa. Na verdade, eu diria mais. Ele foi feito para um determinado público. Com poder aquisitivo. Então, nada foi por acaso. Nada. Quem tiver curiosidade, tem um documentário super legal no Netflix que fala sobre isso. Qual?
Me fugiu o nome agora, mas fala sobre o... A criação do cigarro eletrônico? Fala sobre a ascensão e queda da Ju, que é essa marca que ficou famosa. Daqui a pouco eu lembro o nome do documentário. Para a gente poder indicar para as pessoas. Então, aquilo lá é um produto de engenharia.
Muito pensado, né? E realmente a ideia era essa. A ideia desses dois caras, que eram estudantes de design no Vale do Silício, a ideia era justamente essa. Eles queriam criar um objeto que fosse o sonho de consumo dessa geração.
Eu acho interessante, assim, quando eu escrevi Mentes Consumistas, que é um livro sobre consumo, eu deixei claro, por sinal, um livro que não vendeu nada, acho que as pessoas têm medo. Mas eu deixei claro que as pessoas que mais entendem
de comportamento de neurociência naquela época era quem trabalhava com marketing e que tinha que fazer compulsão de compra. Tinha que produzir um comportamento compulsivo de comprar. E as pessoas, ah, você está exagerando. Não, estou exagerando. Você pode comprar. A gente não vive sem comprar. Isso é um fato. A questão é você sabendo disso...
cuidado, só isso. Por exemplo, eu sempre que vou ao supermercado, eu não passo pelaquela coisinha que fica no caixa. É impulsivo. Porque aquilo é tudo compra impulsivo. A farmácia, você vai pagar na farmácia, quando você chega no caixa, é chocolate, é bombom, é não sei o que, é papapá, é chiclete. Mas aí o problema é esse, né, Bia? Como é que o adolescente controla o impulso?
Eu tenho uma esperança, Marcelo. Eu acho o seguinte, qual o cérebro mais apto à aprendizagem? Uma esponja? A criança. Se a gente ensinasse neurociências para as crianças, adaptado, a gente não precisaria falar isso. Mas quando a gente dá nicotina para esse cérebro, como é que faz?
Mas olha, uma vez eu fui chamada pra falar sobre drogas com uma turma de jardim de infância. Cheguei lá, eu falei, nossa, me disseram que era pra falar de drogas numa escola. Eu achei que era pra adolescente. Cheguei lá, 30 crianças. Tia, tia, tia. Eu falei, meu Jesus, o que eu vou fazer aqui? Aí eu falei, olha, a tia tem uma historinha pra contar. Quem aqui quer ir pra Disney?
Eu falei, olha, vocês podem ir para a Disney. Não tem problema nenhum, eu vou prevenciar isso agora. Mas para ir para a Disney, vocês têm que passar pelo um lago. Atravessar de um lado para o outro. Quem quer? Falei, só que tem que esse lago ter um jacaré. E um jacaré que devora crianças rapidamente.
Numa abrir e fechar de boca rapidinho. Quem quer? As crianças assim. Jacaré? Aquele com o rabo, tio? Eu falei, esse mesmo. Mas ele não pode estar dormindo? Eu falei, ele nem dorme. Ele dorme de olho aberto. E aí fui indo, fui indo. No final, nenhuma queria. Eu falei, o jacaré é que nem uma droga. Uma hora vai de comer.
As crianças, aí depois da professora, chegaram em casa, deram aula do jacaré e falaram, mãe, o jacaré é a droga. Então, assim, existe uma maneira da gente dar informação. Educando. Educando. Mas esse é que é o grande X da questão. Porque aí você espera, você não ensina isso, a criança não entende, aí ela se depara com a aplicação prática disso na pré-adolescência. É. E aí qualquer um leva.
É, porque eu acho assim, a impressão que eu tenho é que quando a gente fala de tabagismo, de cigarro eletrônico, isso é muito mais uma doença de comportamento com repercussão biológica em pulmão, enfim, do que qualquer outra coisa. Com certeza. O principal órgão acometido, o grande prejudicado não é o pulmão, é o cérebro.
O cérebro, por isso que eu te falei, quando você falou assim, eu fiquei assim pensando, por que a Bia me chamou? Porque, meu querido, o que faz bem para o pulmão, faz bem para o cérebro. Se ele oxigena bem... O problema do tabagismo não é o pulmão. O problema do vape não é o pulmão. O problema do vape é o cérebro. O cérebro é em desenvolvimento. Esse é que é o problema. É, e tem muito, assim, mas a gente está falando dos adolescentes, né, que estão diretos. Você vai a qualquer festa, apesar de ser proibido, né?
Teve uma festa da minha filha no fim de semana em casa, tinha lá meia dúzia com o seu vape no bolo. Não é engraçado que eles tomam uma postura, né? Ficam com aquilo. E eles fumam muito mais do que se fosse cigarro.
Está aí o grande problema. É proibido. Então, a lei do fumo, que é de 96, ela proíbe qualquer forma de tabagismo em ambientes fechados. Então, tem cidades como, por exemplo, Curitiba, que tem uma lei explícita para cigarro eletrônico, mas é proibido. Então, é proibido fumar em lugares públicos.
Existe uma lei, uma resolução de 2009, que proíbe fabricação, comercialização, publicidade do cigarro eletrônico. Em 2024, agora, dois anos atrás, começou essa briga, libera, não libera, libera, não libera, a Anvisa...
Apertou ainda mais o cerco. Exatamente. Então, além da fabricação, proibiu lá transporte, armazenamento, enfim. Então, é proibido. Inclusive, para uso pessoal quem traz de fora. Então, é proibido. Mas está todo mundo usando. Incrível isso, né?
E qual é a diferença básica dos malefícios do cigarro, do tabaco tradicional, para o vape? O que existe, Bia, é essa falsa sensação de que um é mais seguro, ou de que um é menos tóxico do que o outro. Que na verdade é um dos...
Atrativos. Atrativos da indústria. Então, uma das coisas que eles vendem é de que é menos tóxico. Então, isso nos estudos eles chamam de paradoxo do cigarro mais seguro ou menos tóxico. Então, assim, nós temos que avaliar um contra o outro.
Então, nós estamos falando de cigarro convencional que tem combustão. Então, existe a queima do tabaco que libera, sei lá, quase 7 mil substâncias tóxicas.
Principalmente alcatrão, que é altamente cancerígeno, e monóxido de carbono, que é altamente lesivo para a circulação. Então, cigarro convencional. O cigarro eletrônico não tem combustão.
Então, quando eu falo cigarro eletrônico, eu falo de qualquer dispositivo eletrônico de fumar. Esses mais novos, enfim. Não tem combustão. Então, assim, comparando tragada por tragada, não dá para dizer que o eletrônico é menos tóxico. Mas, assim, uma tragada dessa e uma tragada dessa, o eletrônico seria menos danoso.
Primeiro porque não tem a combustão. Então, isso seria um fato. Mas tem um monte de outras coisas ali. Então, tem metais pesados, tem um monte de coisas que são vaporizadas, que acabam virando produtos tóxicos. Então, assim, o que os estudos mostram é isso, que trago por trago, o eletrônico...
seria, em tese, menos danoso do que o convencional. Trago por trago. Um trago desse e um trago desse. Um. Um traguinho só. O grande problema que eu vejo é que as pessoas que usam VEP elas ficam o dia inteiro com aquilo. Aí a gente entra no outro problema. Porque não dá cheiro ruim, não dá não sei o quê. Então a pessoa... Aí é onde entra o paradoxo. Então, um pelo outro seria isso. Uma dose. Uma dose.
Uma tragada. Exato. Aí nós vamos pro lado perigoso. Aqui no cigarro convencional, nós estamos falando de nicotina de base livre. No cigarro eletrônico, nós estamos falando de sal de nicotina. Uma nicotina sintética, muito mais potente, muito mais palatável.
E muito mais viciante. Então, essa nicotina aqui chega muito mais rápido do que essa onde tem que chegar. O que vicia é muito mais rápido. Ou seja, isso causa muito mais dependência. Aqui, nós estamos falando de uma pessoa que vai, sei lá, vamos pegar aí na média. Hoje em dia é muito difícil achar quem vai fumar mais do que dois maços de cigarro num dia.
É difícil. É difícil. No auge do cigarro, ali década de 60, 70, era... Eu acho que eu conto no dedo. É verdade. Nos dedos, quantos pacientes eu tenho que fumam mais do que dois maços. Hoje. É verdade. Quando a gente faz a conta de equivalente de nicotina aqui... No eletrônico. É assustador. Então, sei lá, pegando de uma maneira geral o que eu vejo no dia a dia, né?
Indivíduos que fumam dois maços é muito pouco. Os jovens, eles têm esse padrão de consumo que os americanos chamam de grazing, né? Que é o uso automático. É, aquilo vai. É o tempo inteiro. Então, ali são, sei lá, 500, 600 baforadas que eles dão naquilo, mil num dia. Por dia. Então, quando a gente faz a conta de equivalente de nicotina, isso às vezes é um número assustador.
E eu às vezes faço isso. E que vicia muito mais. Então aquilo que a pesquisa dizia, tragada comparada com tragada, não funciona. Aquilo lá é mundo... Ah, ideal de pesquisa. É estudo. É estudo... Exatamente. Estudo clínico. Aqui é mundo real. Exatamente. Então esse cara aqui, primeiro, ele está usando muito mais nicotina. Então ele se torna muito mais dependente.
E aí entra todo aquele mecanismo de recompensa positiva e negativa e ele não consegue... ele vira prisioneiro. O que os trabalhos mostram é que esses caras que estão aqui no eletrônico, o eletrônico acaba sendo uma porta de entrada. Então ele tem um risco aí 3,5, 4 vezes maior de migrar para o cigarro convencional.
Ainda tem isso? Tem. Ou pior ainda, de fazer o uso dual, de usar os dois. E abre porta, por exemplo, pra álcool? Abre porta pra outras drogas, né? Pra qualquer outra droga. Inclusive pro tabaco tradicional.
Se pega um adolescente, sei lá, 12, 13 anos, com uma carga dessa de nicotina, essa alteração toda de controle de impulso, de, sei lá... De socialização, que ainda tem isso, né? De estrutura desse cérebro, ele fica muito mais suscetível a qualquer outra droga, né?
E o que falam... Qualquer tipo de vício, sei lá. Não, qualquer tipo de vício. Porque você mexe no sistema de recompensa.
E aí fica lá a nicotina ativando. Exatamente. Se ele experimentar outras coisas, está apto. É o reforço positivo da nicotina e o reforço negativo da falta da nicotina. Exatamente. Que aí ele usa cada vez mais. Porque as pessoas sempre acham que vício é só de substância. Ok, existe. Mas existe o vício comportamental, o jogo.
Não é uma substância. E tem mais isso, né? Então, o cigarro, as pessoas ainda tem muita gente que acha que é falta de vergonha na cara. Não para de fumar porque não tem vergonha. Eu ainda vejo pacientes que falam assim, não, o que eu faço para parar de fumar? Ah, tem que ter vergonha na cara. Não, é uma doença. Não é só a dependência física da nicotina.
Existe todo um... Uma desregulagem de funcionamento cerebral. Não, existe um monte de associações comportamentais, um monte de rituais que a pessoa vai criando ali que...
Que se não mudar isso, ninguém para de fumar. Até porque os jovens, eu noto, principalmente os adolescentes, eles começam, seja no tradicional, seja no álcool, seja no vape, como uma coisa de socialização. De pertencimento. De pertencimento a um grupo. É. De necessidade de pertencer a um grupo.
Uma vez uma jovem, na verdade os pais levaram ela para conversar e era justamente isso. Eu sempre pergunto, mas por que você começou a usar isso? É para pertencer. Exatamente.
Eles falam exatamente isso. Acho que essa é a grande preocupação hoje. Então tem tudo isso. Essa necessidade de pertencer, que é a necessidade de pertencer dos adolescentes para comunidades estranhíssimas nas redes sociais, nos aplicativos, na plataforma Discord. Quer dizer, existe toda uma fragilidade.
E aí a indústria se aproveita de tudo isso. Então é um design tecnológico, atrativo, sonho de consumo. Uma droga altamente viciante, sintética, modificada. Um marketing voltado...
especificamente para essa faixa etária. Para os grandes eventos. Redes sociais, hashtags, enfim, com influencers e tudo mais. E essa questão do convívio social. Que é a necessidade do bicho homem, de pertencimento. É impressionante. É um prato cheio. E aí a gente vê isso. O cigarro convencional crescendo, o cigarro eletrônico...
Com poder viciante muito maior. Então, felizmente, ainda é pouco perto do outro. Então, nós estamos falando de... Porque o vape é um produto caro. Caro. Então, você não toma a dimensão. É caro, não é acessível. Então, assim, não é qualquer um. É uma classe média, média alta. Exatamente. Porque é um vício caro. Um negocinho desse custa...
Se for comprar em algum lugar, é 130, 150 reais. Então, se a pessoa usa uma semana cada um, vai gastar 600 reais. Eu já vi pessoas que gastavam mais de mil reais com isso por mês. E tem. E vai aumentando, né? Começa com 600. Então, ainda no Brasil, nós estamos falando de 3% dos jovens.
Mas esses 3% são 70% dos consumidores de cigarro eletrônico. No mundo ainda 7%. É para uma elite, né? Mas bastante lucrativo. E nós não sabemos o que vai acontecer lá na frente. Agora, é verdade. Tom, bota para a gente aquela...
aquela coisa do... Aqui. Isso aqui é verdade? Isso foi numa... Fumar vape todo dia por uma semana equivale a 400 cigarros. É a afirmação da Margareth Dalcom. Se a professora Margareth falou... Tá falado. Essa aí, o que ela falar, não precisa nem ler o resto. Exatamente. Eu fiquei impressionada com isso. Mas é isso mesmo, Bia. Então, se a gente pega, por exemplo...
Isso aí, na verdade, é o equivalente de nicotina, né? Então, se nós pegarmos um desses aí, qualquer, independente da marca, eles costumam ter no reservatório ali, né? Varia de 9 a 20 ml do tal do e-líquido, né? Então, ali dentro tem...
O sal de nicotina tem propileno glicol, tem glicerina, tem etilenoglicol, um monte de aromatizante, porque tem sabor de tudo. Tem. Abacaxi, framboês, hortelã, é verdade. Então, se a gente pegar, por exemplo, um que tenha 10 ml, e aí eles colocam a porcentagem de sal de nicotina. Então, se a gente pegar um que tem 5%...
De sal de nicotina. São 50 miligramas de nicotina por ml. Sim. Então, num cigarro eletrônico que tenha 10 ml, nós estamos falando de 500 miligramas de nicotina, de sal de nicotina. Que é a nicotina modificada. Então, isso é o que tem dentro de um reservatório só de nicotina.
A legislação no Brasil, ela permite que um cigarro tenha no máximo um miligrama de nicotina. Um miligrama. Um cigarro inteiro. Entendi. Então, num dispositivo daquele, tem 500 cigarros. Tem o equivalente de nicotina a 500 cigarros. Aí, se ele fuma aquele em uma semana... Se ele usa em uma semana, porque eu já vi adolescente 3 em 3 dias.
500 cigarros, nós estamos falando de 25 maços. Se ele usar isso em uma semana, são... Dá, divide por 7. São 4 maços, pelo menos. 3 a 4 maços por dia. É. É muita coisa. Então não dá pra gente falar que um é menos tóxico que o outro. Não dá. Por conta disso. Você falou, a pesquisa de um trago, um trago, ok. Só que tem que esse aqui, ninguém dá um trago. Exato. E aí quando a gente olha de novo...
O que pode acontecer... Então, esses antigos que fumavam o cigarro convencional... Tudo bem, muitos começavam com 8, 9, 10 anos, porque o avô pedia para ascender. Isso, tinha isso, era cultural. Só que eles iam fumar 3, 4 cigarros. Esses jovens de hoje, com 12, 13, estão fumando isso aí.
Então, como você disse, aquela hora vai dar ruim. Muito, né?
E, por exemplo, essa questão de consequência, né? Porque começam a surgir já as primeiras consequências daqueles que fogem até desse padrão, fumam mais. A evolução é tão rápida, porque aqui ela botou, explica os efeitos imediatos e irreversíveis dos dispositivos eletrônicos usados predominantemente pela geração Z da classe média e alta.
É, o que vai acontecer... Estamos estudando, né? Nós não conseguimos, nós não temos dados suficientes para prever. O que a gente pode avaliar é o que já aconteceu.
Então, assim, o impacto disso, o cigarro convencional, voltando na comparação, ele provoca muito mais dano estrutural. Ele provoca muitos danos estruturais. Enfisema, enfim, outras coisas. Mas de médio a longo prazo. Mas isso com, sei lá, 20, 30 anos de uso. O cigarro eletrônico, ele é muito mais inflamatório.
Então, os danos agudos são muito maiores. Entendi. Então, as partículas são menores. Então, elas provocam mais inflamação geral. Por isso que aumenta o risco cardiovascular. Por isso que aumenta o risco de algumas doenças mais graves, como a EVALI, por exemplo. Que lá em 2019 teve aquele surto nos Estados Unidos.
Quase 3 mil casos, 60 e tantas mil mortes de jovens, com uma doença que parecia, sei lá, um dano alveolar difuso. Os jovens entubados, enfim, aquela coisa. Tem um monte de imagens aí, né? Tem, tem mesmo. Nas redes. Então aquilo foi uma doença super aguda, por conta do mecanismo.
Então, a médio e longo prazo, a exposição desses adolescentes a essa quantidade de nicotina e dessas outras substâncias, nós não sabemos ainda. Mas não é uma boa perspectiva, não há uma boa perspectiva sobre isso. O que nós estamos vendo hoje são jovens dos seus 19, 20, 25 anos.
com alguns danos pulmonares que antes só eram vistos em idosos de 60, 70 anos que fumaram a vida inteira. Entendi. Então, muitos desses danos estruturais são, sim, irreversíveis.
Como era no fumante de 20, 30 anos. Mas o que precisa ficar claro é que a maioria não tem esses danos estruturais. Ainda. A maioria tem a dependência. Então, o foco tem que ser tratar a dependência.
Porque esses efeitos da nicotina, etc., quando interrompidos precocemente, muitos deles são reversíveis. Então, quanto mais cedo parar... Melhor. Muito melhor. A questão é que é muito difícil pelo efeito da nicotina. A questão é a dificuldade da abordagem. É.
Porque vício é vício, né? Todo viciado defende seu vício. Exatamente. E infelizmente muitos, muitos, ou quase todos os pacientes ainda chegam, eu quero um remédio pra parar de fumar. E aí às vezes... Como se fosse uma bala de prata. Não existe a bala de prata. E eu sempre pergunto, eu falo, mas você quer parar de fumar?
Então, na verdade, aí vem a ambivalência. Ou se não vem, não, é que a minha esposa pediu para eu vir. Então, assim, não existe motivação. Não é uma motivação. Não é o remédio que vai parar. E essa é a grande dificuldade de tratar o fumante. Porque ele quer um remédio. Ele quer uma bala de prata. Ele quer um negócio que ele vai tomar e ele vai ter nojo do cigarro. Exatamente.
Sem mudar o comportamento. Impossível, né? E aí volta na mesma história da caneta pra emagrecer e aí entra todos os... Não existe nada que seja um mágico. Não existe. Na medicina não existe. Não. Então é muito difícil. Essa é a grande dificuldade. Quando a gente vai pros jovens... O impulso tá maior. Aí ele sai dali e ele vai falar, mas como é que eu vou na festa? Exatamente.
E aí o constrangimento de dizer que não quer, né? Porque tem aquela coisa, vai passando, né? Isso é horrível, né? Essa pressão do grupo, né? Aí acaba sendo excluído, e aí é muito difícil. Tem que ter uma autoestima muito trabalhada. Tem. Dessa criança que vai virar o adolescente. Exato. Porque ele passa por uma série de testes. É, esse eu acho que é o grande desafio.
Preparar para ele... É educar, tentar ensinar alguma estratégia de enfrentamento, reforçar a auto-eficácia dele. Ou de escolha de grupos mais adequados. Que também é difícil, porque ele quer pertencer. Então o primeiro grupo que vem, ele quer agarrar. Mas tem que trabalhar muito isso.
Tem mais aqui, Tom? Ah, isso aí é sua frase. Nem toda tosse é pneumonia. De novo a gente volta lá na história da tuberculose, né? Exatamente. Mas toda tosse tem que ser investigada. Tem que ser investigada. É isso? Isso é fácil. Passou de 15 dias? Ah, no máximo. No máximo. Não melhora, pode investigar que... Tem coisa. Tem coisa.
E às vezes tem coisa assustadora, né? É, mas tem coisa que quanto mais cedo... Tem que investigar, né?
Procurar um pneumologista. Sim. De preferência. Quem trata a tosse é o pneumologista. Exatamente. E aí vai pra qualquer um médico, né? E às vezes tem muito colega que não fala, olha, eu vou aqui, mas você vou te indicar, eu vou marcar. É, isso é difícil também. Difícil, porque todo mundo acha que tosse é bobeira. É isso aí. Né? Quando não é.
Próxima, eu tenho muito pouco... Eu tive pouquíssimas vezes tosse. Tive algumas assim, final de gripe, que fica aquele... Arranhando. Dura dois, três dias. E que sufoco, porque você tá atendendo e começa a chorar, né? É. É incontrolável. É incontrolável. Teve uma vez aqui ano passado, ano retrasado, que a pessoa... Eu comecei a chorar, a pessoa se tá mal. Falei, não, tá dando aquele... Aí, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar, tem a falar,
Eu queria tossir. Eu falei, vou parar, eu tenho que parar. Ai, tossi, tossi, tossi. Chorei, chorei. Aí, com a gente, eu falei. Mas esse é daquela da recuperação, do final da gripe mesmo. Mas já é muito chato. O que acontece no seu corpo quando você fuma há 20 anos? Um monte de coisa, né?
Um monte de coisa. Então, os efeitos do cigarro, e de novo, seja ele convencional ou eletrônico, eles começam imediatamente. Então, assim, muitas das coisas que acontecem, acontecem de forma silenciosa.
Então, imediatamente o que acontece é a dependência. A nicotina entrou, chegou no cérebro, se instalou ali e pronto. Deu bom, vai repetir. Você já se tornou dependente. Deu boa, vai repetir. Questão de minutos ou horas.
automaticamente, por efeito da própria nicotina, o coração já acelera. Os vasos ficam mais rígidos, a pressão tende a subir um pouquinho. À medida que vai entrando monóxido de carbono ou qualquer outra coisa, a oxigenação começa a diminuir, baixa um pouquinho. Então, um monte de coisas que vão acontecendo. E aí, ao longo do tempo...
vai aumentando a tosse, vai prejudicando o mecanismo de defesa. Aumentando a secreção, né? A função pulmonar vai diminuindo, o risco de infarto vai aumentando, de AVC, de câncer, então, assim, é uma escalada que depende... É uma cascata, né?
De péssimas possibilidades. Quanto mais cedo você começa, mais cedo as mudanças aparecerão. Com certeza. Quanto mais você fuma, mais rápido isso acontece e assim vai. Mas é importante falar que quanto mais cedo você para, mais tempo tem para que isso reverta. Ou então que não evolua tão rapidamente. Ou que não evolua. Ou que não traga consequências piores, né? Exatamente.
Próxima, Tom. Vacina pneumocócea. Isso a gente já falou. Falamos bem que a boa é a 20, pelo que eu estou vendo, em dose única. O ideal, a recomendação hoje seria, para quem consegue, para quem pode tomar, tomar a 20. Mas a 15 que é dada... A 15 protege da mesma forma, a 13 também. Enfim, o que não pode, a única recomendação é não tomar a 23 isolado. Porque a proteção não vai ser adequada.
Mas tem nos postos, né? Tem, tem. Pra pessoas acima de 50, não é isso? Sim. Como você falou, só recapitulando pra ver se eu aprendi. Próxima, Tom.
A tragédia anunciada, o retorno do cigarro, porque estamos retrocedendo na luta contra o tabagismo. O que você está falando é o retorno de Jedi. Exatamente. Não é isso? O vape é o retorno de Jedi. Então, essa é uma questão que fica muito clara. Hoje nós estamos perdendo a guerra contra o tabagismo? De certa forma, sim. Porque nós estamos criando uma nova geração.
de dependentes. E mais, uma geração de dependência se torna mais precoce. Exato. Então, o cigarro convencional é uma preocupação hoje. O cigarro eletrônico é a preocupação amanhã. E se o preço baixar, vai escalar. É, se o preço baixar, vai escalar, se regulamentar
difícil, mas vai escalar, porque sempre vai haver um jeito de escapar disso, então não é a solução. Os próximos anos a gente vai ver mais ainda. É. Mas o processo inflamatório corre nos dois. Nos dois. Um mais intenso, mais rápido. Um mais intenso, um mais a médio e longo prazo, o outro de forma mais aguda. O processo inflamatório é crônico, uma cascata inflamatória. Crônico.
Uma coisa, o NAC, né? O N-acetil-sisteína. Hoje tá na moda, né? É engraçado, você sabe que... Olha que eu já me formei há muito tempo. Eu tive um professor que já faleceu. Da DIP. E ele falou assim... Uma vez a gente tava no ambulatório. Aí ele falou, faz NAC. Eu falei, o que é isso?
Olha, isso tem uns 38 anos. Não, é muito... Ele falou assim, isso aqui quebra o catarro. Ana Beatriz. Me lembro ele falando isso. Falei, tá. Qualquer farmácia. Aquele era só pózinho, né? Que você dissolvia.
E aí ele falou, isso aqui é uma maneira de você não deixar a secreção acumular e formar caldo de cultura. Eu lembro que ele falou de uma explicação tão bonitinha que apesar de não ter nada a ver com a especialidade, aquilo ficou na minha cabeça. E conforme o tempo foi passando, o NAC foi se mostrando isso, mas foi se mostrando também para a ansiedade. Eu cheguei a usar em pacientes que tinham toque grave em altas doses, quando não respondia mais a nada.
E diminuía um pouco a ansiedade. Eu falei, que molécula estranha é essa? É, porque é um antioxidante, né? Exatamente. Tem um mecanismo de inibição da glutationa, enfim. Tem um monte de... Hoje vem sendo usado por atleta, um monte de coisa.
E ele se mostra, assim, com o tempo passa, e é uma substância de um uso muito simples, né? Sim. Não é... Nunca vi ninguém falar, tive um efeito colateral com NAC. Nunca ouvi. Não. Né? E eu tenho... Eu tinha pacientes que tomavam NAC. Aí eu falava assim, é, mas se não parar de fumar, acho que não vai dar. Ele falou, não, mas de qualquer maneira, estou me protegendo.
É, porque tem muito desse papel antioxidante, anti-envelhecimento, que aí entrou também. É, talvez seja uma... Mas eu achei interessante isso. Porque, olha, isso foi medito há quase 40 anos. Quase 40, eu nunca esqueci. É superativo. É, né? E foi se revelando... Sim. Alexandre, o nome do professor. Próximo, então. O que a cor do catarro pode indicar?
É, é uma das formas que a gente tem de tentar entender um pouco mais os sintomas. Isso eu sempre brinco com os alunos da faculdade lá, que eles têm que perguntar. A gente tem que perguntar como é que é cocô, né? Tem que perguntar. É uma coisa que você fala, é líquido, não é líquido, é pastoso, não sei o que lá. Exatamente, nós temos que explorar isso ao máximo, porque o paciente vai nos dizendo, né? O que que tá acontecendo. A gente vai com jeitinho a secreção. Quando você tosse, sai secreção.
É importante saber, então, se o indivíduo chega e fala que ele está escarrando e o catarro é clarinho, né, eu vou pensar em alguma coisa inflamatória aguda, irritativa, né, se é um catarro mais amarelado, esverdeado, eu começo a pensar em algumas causas infecciosas. Ou uma contaminação bacteriana.
Agora, se ele chega me dizendo que ele está escarrando sangue, opa, tem alguma coisa errada. Muito, né? Muito errada. Não é para escarrar sangue. Então, se isso está acontecendo... Aí tem que ser muito visto, né? Aí tem que saber. Porque, infelizmente, atualmente, tem muitos médicos se formando que... Não perguntam. Não vão perguntar. Não perguntam. É impressionante isso, né?
Não pergunta e não toca no paciente. Não pergunta, não toca e não ouve. Exatamente. Infelizmente, eu venho falando há uns 5 anos que quem tem um bom médico, se agarre nele. Porque não vão ter um apagão de bons médicos. Eu acho que o que vem pela frente aí vai ser muito complicado. Vai.
Eu vim falando disso há cinco anos. Eu falo assim, valorize o bom médico, ele está em extinção. É que nem o mico leão dourado. É isso mesmo. Teremos um apagão de bons médicos, de bons psiquiatras, de bons psicólogos. Teremos. Eu acho. Infelizmente, isso vai acontecer. Eu acho. Está acontecendo. Está acontecendo. Próxima, Tom.
Anvisa atualiza a regulamentação de cigarro eletrônico, mantém a proibição, foi o que você falou. É, foi essa de 2024. 2024, exatamente. Ainda está nessa... Agora acho que deu uma aquietada essa...
Essa discussão sobre a liberação. Não é por isso que está deixando de crescer, mas ok. Eu acho que a Anvisa tem que fazer o papel dela de dizer... De regulamentar. Exatamente. É isso. E de enfrentar, né? Exato. E tentar, né? Eles enfrentaram um lobby grande. É o Golias contra Davi. É o rochedo contra o mar, né? São eternas lutas, né? Próximo, Tom.
Dia Nacional do Combate ao Fumo, que é 29 de agosto, não é isso, Tom? É, tem o Dia Nacional que é em agosto e tem o Dia Mundial que é em maio. Entendi. Esse aí a gente estava se referindo ao nacional. São duas datas comemorativas. 29 de agosto, se eu não me engano. Porque, de novo, é a questão de educar. É a luta. É a luta. É conscientizar, educar. Eu acho que isso é um trabalho de formiguinha que tem que ser feito. E é eterno, né? É eterno.
E a gente não pode se dar o luxo de parar. Acho que isso aí tem que ser eterno. Começar na escola, tem que ser... Eu falo isso sempre para os meus filhos. Não pode dar o luxo de parar. Mostro como é, né? É assim. Então, sente o cheiro aqui. É gostoso, né? Mas fica longe.
Porque realmente, você pegar o negócio na mão é uma tentação. Claro, porque tem um design ainda mais eletrônico. Tem um design bonito, um cheiro agradável. Então, né? E dá aquela coisa do pertencimento. É, e aí aquela competição. O meu, ele é touch. O meu é não sei o que. Uma, mas tem a tampinha florescente. A outra, é. Acho que essa é a grande preocupação. Próximo, Tom. Ah, não. Agora a gente vai pro repórter Pipinho.
Não é isso? Tá bom, Tomzinho. O cérebro estilizado. É, esse foi o primeiro pipinho, né? Aí ele tá em... Agora ele já tá tridimensional. Ele ali tá em 2D. Deu uma engordadinha. Ele vem sarando, né? De conteúdo. Ele sara.
Mentalmente. Repórter Pipinho, a gente tem uma comunidade chamada Ser Humano Sustentável. E lá eles participam. A gente tem muitos artigos que a gente manda para lá, cursos online. E eles têm o privilégio de saber que você vem aqui. Que legal. Então, eles mandam perguntas que eles gostariam de fazer direto. De 6 a 10. Então, podemos começar? Vamos lá.
Quais são os sinais mais ignorados de que a falta de ar não é normal? Esse é outro daqueles sintomas que são frequentemente ignorados. Que nem a tosse. Que nem a tosse. Ou quase todos os sintomas respiratórios, eles costumam ser... Deixa pra lá. Ah, deixa pra lá. Depois some.
A falta de ar, frequentemente, ela é ignorada porque, ah, não, eu tô cansado, dormi mal, eu não tô me sentindo bem. Comi alguma coisa que não caiu bem, tô com o abdômen dilatado. E uma das grandes coisas que me chama atenção é que, assim, quando o indivíduo tem uma falta de ar, que ele percebe que não é normal...
Ele esquece que a respiração é pulmão e ele procura o cardiologista. Ele sempre acha que o problema é o coração. É verdade. Então, um dos sinais de que falta de ar não é normal é você sentir falta de ar para fazer pequenas coisas ou para fazer um esforço você se cansa. Coisas que você está habituado a fazer e passa a ter dificuldade de respirar fazendo aquilo.
Tem alguma coisa errada. Tem alguma coisa errada. Então, não é pra achar que é ansiedade, que não sei o que, que é pânico. Não, tem que ver se realmente... Até porque é o que eu digo sempre. Ansiedade é um diagnóstico de exclusão. Um bom médico é exclusão. E aí por isso que eu digo que todo psiquiatra tem que saber clínico. Porque tem gente que fala assim Ah, não, mas psiquiatra não pede exame.
Eu pedia uma baterada. E como eu fazia isso aqui, você tem que verificar. Eu pedia meu protocolo, tinha polisonografia. Porque a pessoa falou, mas você é psiquiatra. Eu falei, e o sono? Se você não dorme bem, pronto, acabou. Lamento. Olha, eu fui processada por muitos operadores de convênio.
há 30 anos atrás mas por que você quer? porque isso influencia aqui não, não vamos tá bom, eu botava lá, indicação paciente com risco de suicida se acontecer alguma coisa a gente divide a parcela é lógico
Aí, de processo em processo, hoje é uma beleza. Os bons pagam pelos maus. Hoje, tipo assim, a doutora quer que faça, não sei o que, a máquina agora está melhor, a gente pode acrescentar aquilo. Tudo bem, ganhei todos esses processos.
Mas foi muito desgastante. Eu tive processo de operadora de plano de saúde em Fortaleza. Porque eu tinha paciente em Fortaleza, Manaus. Você tem que pagar um advogado. Foi custoso. Mas eu fiz o que tinha que fazer. É lógico. Não tem como. É o preço que se paga. Próximo, Tom Tom. Quem fuma pouco também pode desenvolver DPOC. Que é doença pulmonar obstrutiva crônica. Falar porque tem gente que não sabe o que é.
De forma bem curta e rápida, não existe dose segura. É que nem álcool, né? Não tem dose segura. Cada vez mais, tipo assim, é o risco. Lógico, não é todo mundo, nem todo mundo que fuma vai ter DPOC. Exatamente. Nós estamos falando de 15, 20% dos fumantes que vão desenvolver doença. Mas eles vão desenvolver fumando pouco ou fumando muito. O que vai mudar é quando isso vai acontecer.
Se fumar mais, talvez isso aconteça de forma mais precoce. Se fumar menos, talvez um pouco mais tarde. Mas um cigarro e um maço, o estrago é o mesmo. Exatamente. É, você falou uma coisa. Quando? Quando. A questão não é se vai. Talvez se essa pessoa morrer jovem, de outra causa, não vai desenvolver. Não vai.
Mas se passar de 90, tem uma grande chance que isso ocorra. Só lembrando que um em cada dois fumantes morrem por complicações do cigarro. Sim. Então nós estamos falando de cara ou coroa. Então se você fuma, quem fuma é cara ou coroa. Exatamente. Meio a meio. Meio a meio. É a coisa da bala, né? Meio a roleta russa. Roleta russa.
A probabilidade... 50%. É. É muito. É muito. Próxima, Tom. Quais hábitos do dia a dia mais protegem o pulmão sem precisar de remédio? Eu acho que essa é aquela pergunta que sempre vem de como melhorar a imunidade, né? Que também as pessoas sempre querem uma vitamina mágica, um... Mas eu acho que não fumar... Fumar...
Lógico, hábitos saudáveis. Eu diria que são hábitos saudáveis. Dormir bem, fazer atividade física. Ter uma alimentação equilibrada. Hoje mais do que nunca, ter um sono de qualidade. É verdade. Não necessariamente quantidade, mas ter um sono de qualidade.
E exercício, né? Um exercício físico, cada dia mais, vem se mostrando como sendo... E não para estética, né? Não, exercício para saúde. Saúde, exatamente. É importante isso porque as academias estão cheias, mas poucos estão... Não, é exercício, constância, regularidade, sem...
E boa alimentação também. E um sono de qualidade. Isso aí, nossa, senhor. Acho que o sono hoje vem ganhando muita... Não, dormir bem hoje é um luxo. É ostentação. Ostentação. Com esse monte de atrativos e de... Nossa, senhor. Distrativos, né? Distrativos mesmo. Próxima, Tom. Como diferenciar uma tosse de alergia de uma tosse que precisa de investigação?
Essa é outra pergunta super comum, né? A questão de achar que toda tosse é alérgica, né? Primeiro que eu sempre falo que tosse alérgica não existe. Existem doenças alérgicas que causam tosse. Exatamente. A mais comum delas é a asma. Então, a tosse da asma é aquela que é desencadeada por algum gatilho, que pode ser o que for. Então, o indivíduo, sei lá, tem contato com poeira, com mofo, com cheiro.
Tem aquelas crises de tosse que depois melhoram com o tratamento. Agora, se é uma tosse que vem com outros sintomas, dor no peito, catarro, seja ele de que cor, com febre, enfim, ou que dure mais do que duas, três semanas. Já é.
Precisa investigar. Motivo de investigação. E quem tiver asma que trate preventivamente. Direito, né? Direitinho, porque é pro resto da vida o tratamento. É, asma é uma doença que não tem cura. Não, e tudo bem, porque tem hipotiroidismo, tem pressão alta, tem diabetes, tem diabetes, ok. Vamos viver com qualidade. É isso. Tem gente que acha que ter saúde é não tomar remédio.
E tanta gente toma o remédio certinho e mantém... Essa não é a definição de saúde, né? Mas não é mesmo, né? Próximo, Tom. Umidificador no quarto ajuda mesmo ou pode atrapalhar em alguns casos? As duas coisas são verdadeiras. Então, o umidificador, ele ajuda quando usado da maneira correta, na época certa. Então, vamos lá.
Eu achei que era sempre. Agora vamos lá. Qual é a função do umidificador? É aumentar a umidade relativa do ar. Sim. Então, não sei no Rio, mas pelo menos...
Na minha região, os meses de junho, julho, agosto, setembro, outubro, são os meses de maior seca. Seca mesmo. Seca. Seca de umidade relativa do ar abaixo de 20% todos os dias. Aqui, acho que não, porque aqui nós estamos ao nível do mar. Então, isso é o que eu considero como sendo seca.
Então, alerta pela Organização Mundial da Saúde é a umidade relativa do ar abaixo de 30. Então fica muito. O ideal entre 40 e 60. Para que o ar fique saudável para a gente respirar. Respirável. Respirável. Então, por exemplo, na época de seca, na minha região é muito seco. E aí é muito quente.
Então, a poluição aumenta por conta da seca e do calor. Não, fora as queimas espontâneas ali. Aí tem muita queimada espontânea. Exatamente. Quando a umidade relativa do ar chega nesses níveis abaixo de 20%, é fundamental usar um umidificador. Para dormir? Em qualquer situação. Deixa ligado.
Agora, quando não está tão seco assim, usar um umidificador não faz muito sentido. Porque aí o ar fica muito úmido. E dependendo do jeito que ele é usado, você pode aumentar a proliferação de ácaros, de mofo. Entendi. Por causa da umidade. Exatamente. Então, assim, usar quando a umidade relativa do ar estiver baixa. Abaixo de 30. Quando for usar, lembrar.
que o umidificador tem um filtro que precisa ser limpo, precisa ser lavado aquilo pelo menos semanalmente. Ele não pode ficar ligado o tempo inteiro, porque senão fica muito úmido.
E quando for usar no quarto, deixar longe de parede, longe da cabeceira da cama. E vai umedecendo? É, porque vai umedecendo. Cortina, parede, aí também fica úmido. Fator de proliferação. Aumenta o risco de proliferação de mofo, que aí, ao invés de ajudar, vai atrapalhar. Entendi.
E aquela questão de durmo de ar-condicionado e ligo o umidificador? É, para compensar o ressecamento que o ar-condicionado provoca. Faz sentido? Faz sentido. Se tiver muito seco lá fora, faz todo sentido. Se não tiver, não tem necessidade. Agora é uma época de chuva, agora não tem por que usar. Não tem necessidade. Mesmo dentro do quarto com ar-condicionado? Mesmo dentro, porque à noite a umidade é um pouco mais alta. Perfeito. Próxima, Tom.
Qual atitude simples melhora a tosse noturna sem recorrer direto à xarope? Saber a causa da tosse. Também acho, porque assim... Essa é... Primeiro que tosse noturna já é com a hora marcada, assim, estranho, né?
Não é pra ter tosse nem noturna, nem diurno, ainda mais todo dia. Exatamente. Se tem tosse, seja de dia ou de noite, o fundamental, a atitude simples a se fazer aí é saber porque está tossindo. Procurar um pneumologista, né? A pergunta é por que está tossindo. E esse negócio de xarope é tão relativo, né? Existe algum xarope que funcione em algum? Nenhum. É só açúcar, né?
Nenhum. Aumenta a glicemia. Nenhum xarope tem eficácia comprovada em diminuir tosse. Assim, em acabar com a tosse. Entendi. Porque o que tem, alguns que tem, eles são inibidores do reflexo de tosse. Então assim, inibidor bem meia boca. Então dá uma atenuada até descobrir o que está tossindo. Mas não vai resolver.
E essas coisas de ervas e não sei o que. Você vai na feira, você volta de lá para tudo. Tudo. Você volta assim, o careca vai ficar cabeludo, o impotente vai... Entende tudo, chave, não sei o que. Vai não sei o que. Se for no Pará, então, meu filho, você não tem ideia. Não tem ideia. Você casa em três dias, divorcia já, combinado, já tem o outro. É uma loucura. É legal culturalmente você ouvir. Sim. Mas assim, não sei se funciona.
Próxima, Tom. Como orientar um jovem que já está usando vape sem gerar confronto e afastamento? Eu acho que essa é a pergunta... Dos milhões. Dos milhões. Dos milhões. Mas eu acho que assim... Eu fico pensando se alguém estivesse perguntando como eu faria se fosse o meu filho. Entendi.
Eu acho que a melhor forma de fazer isso é conversando. Eu acho que não tem que reprimir, não tem que castigar. Senão afasta, né? Porque isso só vai gerar afastamento. Então eu acho que é fundamental conversar. Entender o porquê. Em geral, o pertencimento. Se é o pertencimento, se é algum outro gatilho, qual é, onde está o...
a pedra e educar eu acho que é conversar não tem outra solução a não ser conversar de forma bem... Eu até entendo os pais, porque por exemplo o vape é caro então é como se estivessem patrocinando de alguma maneira uma destruição dos filhos
É bem assim... Já enfrentei isso em época de postura. E aí tem a questão da rebeldia do adolescente, o comportamento... Que a gente nunca sabe nada, né? Vocês não sabem nada. Vocês não fazem nada. Vocês não sabem nada. Essa é uma frase muito típica, né? Mas eu acho que nada resiste a uma boa conversa. E um bom acolhimento, às vezes. Um bom acolhimento e paciência. E um pouco de fé. É, porque... Fé e esperança, né? Fé e esperança. Eu acho.
É plantar. E ver o que vai colher. E ver o que vai colher. Plantar bem e esperar que você possa colher alguma coisa boa em algum momento. Se a safra não for muito boa naquele ano. Pode ser que ano que vem regule. Ajeita o solo e vê se o ano que vem melhora. Exatamente. Mas não desisti nunca. Não. Jamais. Próxima, Tom.
Qual é o primeiro passo mais realista para quem tenta parar de fumar há anos e sempre recai? Essa é aquela situação que muitos interpretam como sendo falha e que, na verdade, não é.
Na realidade, faz parte da doença. As pessoas acham, de novo, que é fácil. E não é. Os trabalhos mostram que a grande maioria dos fumantes... Recaem. 80% querem parar. 35% tentam. E menos de 5% param sem ajuda. Conseguem ficar abstinentes um ano sem ajuda.
Isso que ele tede um ano. E muitos tentam cinco, seis vezes até conseguir. Então, a recaída faz parte do processo. De qualquer dependência, a recaída é parte do... E isso não é falta de caráter, isso é biológico. Então, eu acho que o primeiro passo mais realista é...
Para. Vamos ver o que aconteceu. Por que eu recaí. Qual foi o gatilho da minha recaída. Vamos elaborar um plano. Para enfrentar esse gatilho. E seguir. É como se desistir não está na possibilidade. É que nem desistir da vida. Em princípio. Não é a opção.
Porque, de novo, a história do médico, né, Bia? Infelizmente, eu ouço isso às vezes de paciente. Ah, o doutor fulano de tal falou que se eu não parar de fumar, ele não vai me prender mais. Não me trata mais. Se eu continuar fumando, eu vou morrer. Se eu não parar de fumar, ele não vai me operar. Então, assim, também tem isso, né? Os médicos não olham para a dependência. Não.
Acham que isso é falta de caráter. Eu acho que é muito médico. Falha de caráter. E se sente assim como... Fazendo papel de bobo. Eu estou aqui tentando te tratar. E você não toma uma atitude. Eu sempre ouvi muito isso também. Eu me lembro quando eu tratava dependente químico. Muitos assim... Eu falava, olha... Se acontecer, me liga. De recair, né? E muitos ligavam mesmo.
E no meio da noite, às vezes. E aí... Ah, eu estou recaída. Se você puder, vai para casa agora. Toma um banho, come alguma coisa e tenta dormir. Se você não puder...
amanhã, depois que você dormir, põe na cabeça, vamos começar de novo, não tem problema nenhum. É pegar a bola, bola ao centro e vamos de novo. Aí tinha gente que falou, ah, você é muito doce. Não era questão de doce. Eu ia fazer o quê? Eu vou mandar a polícia atrás de você, eu vou dar na sua cara.
É uma questão de empatia. De lógica. Não, e de lógica. É uma doença que tem recaídas. O que eu posso fazer é um pacto para que cada recaída possa ter dentro dela um recomeço. E isso eu já acho que é sucesso para o médico. Sabe? O paciente te liga porque recaiu. Para mim já é um sucesso. E você consegue que ele descanse dois dias e recomece.
Agora, se eu botar o sucesso que ele nunca mais vai fazer, eu fracassei, ele vai se sentir fracassado também. É isso aí. E não é contra mim. Ele está obedecendo a dependência. É, porque eu acho que tem isso também, né? Se o paciente recai, o médico ainda acha que ele falhou.
Mas aí é ego, né? Exatamente. Tem nada a ver com... Da mesma forma que a grande maioria não aceita a morte. E que faz parte da vida. A morte é uma etapa da vida. Não, não posso deixar o paciente morrer. É uma etapa. Eu falei. É uma etapa. Você tem a obrigação de fazer o seu melhor. Exatamente. Esperar o melhor. E esperar mesmo. Esperar no sentido de esperança.
Mas aí não tem como. Esse jogo já está... É uma carta marcada. No fim, a gente tem que partir. Exatamente. Agora, quando é o fim? Não sei. Nem nós, médicos, sabemos. Não. Próxima, Tom. Então, como a corrida e a atividade física entram de forma segura na vida de quem já tem falta de ar? Interessante isso. A pessoa quer fazer atividade física.
Eu acho que é a primeira coisa, de novo. Antes de fazer atividade física, né? Antes de fazer atividade física é saber por que tem falta de ar. Perfeito. Né? Então, não começar uma atividade física se já tem uma falta de ar ou se já tem qualquer coisa e começar na empolgação. A banda Lelê, né? Aquela coisa que a pessoa vai pra academia e quer malhar o que não malhou o ano. Eu vejo muito isso, né? Eu gosto de corrida, sempre gostei.
E hoje eu vejo uma onda, assim, de pessoas que, de uma hora pra outra, querem correr uma maratona. Imagina. E aí, de novo, dá ruim, né? Com certeza. Vai arrebentar os tendões. Então, assim, esse ano, ano passado, lógico, isso continua sendo um evento raro. Mas nós vimos muitas notícias de pessoas que foram pra provas de rua e que morreram. Exatamente. De novo, isso é raro.
Mas passou a acontecer um pouquinho mais do que era esperado. Por conta disso. Então, assim, primeira coisa, vai fazer exercício. Não custa fazer uma avaliação. Com certeza. Não estou dizendo que é um pneumologista. Vai no seu médico de confiança.
Mas um pneumologista, ele já é um bom clínico. Se você fizer simplesmente um eletro e esse eletro estiver tudo bem, poxa, isso já reduz absurdamente. Agora, se puder fazer um teste respiratório... Agora, se você já tem falta de ar, não sai interpretando que isso é falta de condicionamento. Porque pode não ser. E isso pode ser usado a espirometria? O ideal, assim...
avaliação... Da capacidade respiratória. Não, pra avaliar de forma simples, uma espirometria é mais do que suficiente. Tá. Agora, se a pessoa quer realmente saber um pouco mais, não, eu quero entender melhor, até onde eu posso ir, aí o ideal é uma ergo-espirometria. Ego-espirometria, qual a diferença? É aquele exame que normalmente aparece na televisão atletas fazendo, né, com uma máscara correndo na esteira ou na bicicleta. Tá.
Ali você vai, de fato, avaliar a capacidade aeróbica de um índio. Entendi. Mas acho que para essa pessoa, a primeira coisa é avaliar. É fazer uma avaliação prévia. Entender por que está com falta de ar. Exatamente. Falta de condicionamento pode ser interpretada como sendo falta de ar? Pode. Poxa, eu nunca fiz nada. Comecei a correr, eu canso quando eu corro.
Sim, mas você tem que ir gradativamente. Você não tinha antes. Vamos entender se não tem nada, traçar um plano para que você evolua de forma segura até atingir o teu objetivo. E é gradativo, né? Você não sobe, você não chega no décimo andar pulando o degrau. Não dá para correr uma maratona começando a correr hoje. Não dá. Não dá. Sinto informar que para fazer isso de forma segura...
tranquila, sem susto, você vai levar um ano e meio. Se fizer tudo direitinho. Mas assim, fazendo muito bonitinho. Exatamente. Próxima, Tom. Se você pudesse escolher uma mensagem de prevenção respiratória para virar hábito nacional, qual seria? Menino, que responsabilidade. Hábito nacional. Vamos lá.
Eu acho que de tudo que a gente falou, né, Bia? A mensagem de prevenção de doenças respiratórias é não fume. Perfeito. Não experimente. Não dê o primeiro trago. Porque é feito para viciar. Não dê o primeiro trago. Exatamente. Acho que essa é a... Nem do tradicional, nem do vape. É tentador. É feito para te prender. Não dê o primeiro trago. Perfeito.
O resto, a consequência, não é pra prevenção respiratória. O resto é pra saúde de uma maneira geral. É feito pra você virar um bom consumidor. Mas pensando em doenças respiratórias, não dê o primeiro trago. Porque aquilo lá é feito pra isso. Não, e é feito pra você pagar pra destruir sua saúde. E aí quando você consegue entender isso claramente... Não dá tempo de se arrepender, porque são 15, 20 segundos que a coisa pá.
Dá aquela sensação. E aí... Não, que os outros queiram te destruir é um direito até dos outros, né? Agora você pagar para se autodestruir. A hora que a dopamina inunda... Você fica burro. Aí já foi. A burrice chega. Próxima, Tom!
Ah, chegamos agora no momento Pipim. Momento pior. Pipim agora virou... Você está vendo como ele está? Virou o João Fonseca agora. Exatamente. Está tentando, está tentando. É fã do João. Do João Fonseca. É fã, né? Sempre com os detalhezinhos abobrinha, está vendo? Tenizinho, combinando com o boneco, sempre foi laranjinha. Agora é brincadeira. Agora é aquela hora que eu falo alguma pergunta, uma palavra, e o que vier na sua mente...
Você bota. Não tá valendo nota, não precisa ter lógica nem coerência. Tá bom? Vamos lá. Um. Um lugar. Minha casa. Meu reino. Minha casa, meu reino. Minha casa. Dois. Uma lembrança feliz. O nascimento dos meus filhos, né? São dois? São três. São três?
Perfeito. Você estava lá sempre? Estava. Que coisa boa. Parabéns. Três. Felicidade em uma palavra. Felicidade está vivo. Aqui e agora, né? Aqui e agora. Quatro. Defina pneumologia em uma palavra. Inspiração.
Literal, né? De inspirar e de inspirar. Literalmente. Cinco, uma personalidade inspiradora. Eu acho que é a minha avó.
Que legal. Materna ou paterna? Minha avó paterna, que veio da Itália no período da guerra. Com uma filha no colo de dois anos, meu avô na guerra. Sozinha ela veio? Sozinha de navio. Chegou em Santos sem saber pra onde ia. Acho que ela é uma... É uma grande inspiração. Que bacana. Parabéns. Eu sou totalmente a favor das avós. Quem não tem avó...
perde uma parte da vida que eu acho que é irrecuperável. Porque mãe não recupera, pai não recupera, tia não recupera, não recupera. Seis, o que é amor para você? Amor? Eu acho que... Amor é respeitar, é compreender. Eu acho que isso é...
E que é querer o bem do outro. É deixar ir. Acho que isso é amor, é deixar livre. Deixar ir. É. Se tiver que voltar, volta, né? É. Sete. Um erro que te ensinou. Um erro que me ensinou?
pensar só em mim, não ouvir ou não perceber os outros ao meu redor. O ego. O ego. E a gente tem que batalhar com ele a vida toda. Isso me ensinou horrores. É impressionante isso. A gente tem que estar sempre atento. Quando vai ver, ele já está dominando. Você já foi engolido. Pelo processo e aí já foi.
É, tem que estar sempre atento. O que é você, o que é ele. Oito, o que você faria se o mundo acabasse amanhã? Pra todo mundo, tá? Se o mundo acabasse amanhã? É. O que você faria hoje? Eu ficaria em casa com a minha esposa e com meus filhos. O reino? Ficaria ali, né, como a gente sempre faz toda noite, brincando, assistindo alguma coisa. Nada diferente disso.
não ia pra lugar nenhum, não queria conhecer nada não, queria ficar ali preservar aquela emoção exato, aquilo se morrer é uma etapa da vida, que a gente faça o que mais gosta, exatamente aí é a glória da vida 9, qual o superpoder que você gostaria de ter e por que? qual o superpoder que você gostaria de ter?
Se fosse possível, né? Se fosse possível, hoje, eu acho que eu tentaria ajudar as pessoas de alguma forma. Ajudar o máximo de pessoas que eu pudesse de alguma forma. Potencializar. Potencializar. Essa coisa da ajuda. De alguma forma. Perfeito.
Meu querido, muito obrigada. Foi um prazer imenso. Você pode ter certeza que eu aprendi muito hoje. Foi muito gostoso esse bate-papo. E acho que todo mundo vai aprender mesmo. Que bom. Chegou aquela hora de alguns presentinhos. Ótimo. Está aqui para você o Felicidade, que é um livro que eu escrevi na pandemia. Quando eu falei, não é hora de falar de doença, é hora de esperançar.
Se eu ficar, e eu me lembro que eu falei assim, se eu ficar, tudo bem. E se eu me for, pelo menos as pessoas vão saber o que eu estava fazendo antes de ir. Foram tempos difíceis. Foram tempos muito difíceis.
Quem sabe um dia eu escreva um livro sobre isso. Pois é. Porque eu acho que os médicos, todos da área de saúde, tiveram muito burnout. Eu acho que tem heróis aí que não foram reconhecidos. As pessoas que faziam faxina nos hospitais, enfermeiros. Até hoje eu tenho dificuldade de acreditar que a gente viveu aquilo.
Mas viveu. Aqui no Rio, não sei como é que foi lá pra você, mas a prefeitura decretou que os médicos não podiam voltar pra casa. Aí pegaram hotéis. Os médicos ficavam num quarto de hotel. É, eu fiquei dois anos e meio, né? Da pandemia, de março de 20 até junho de 22, dentro de uma UTI. Todos os dias. Que loucura, né?
É inacreditável. Não, é difícil, você que viveu, mas é difícil pra gente, assim. Eu espero que a gente não esqueça tão rápido. Não, inacreditável o que aconteceu. Foi inacreditável. Mas aconteceu. Assim, um vírus parou o mundo, parou a vida. Parou mesmo. Hoje, às vezes... É bom a gente lembrar isso de vez em quando, né? Às vezes as crianças perguntam e falam, não, é bem inacreditável o que aconteceu.
Pré-adolescentes ali, dois anos, deu um vácuo de socialização, de contato com o mundo. Explodiu essa coisa de redes e buscar comunidades dentro da internet. Foi muito ruim para a humanidade. Foi muito ruim.
E aqui tem um outro livro que foi lançado há um ano e meio, que são frases. Eu acordo espontaneamente todo dia entre 5h30, 6h15. Não preciso botar relógio. Se eu tiver com aquela regularidade, direitinho de sono, é muito difícil. Mesmo quando não estou, é muito difícil. E aí sempre eu fico um tempinho na cama, uns 20 minutos, pensando no que eu vou fazer. Aí de vez em quando vem umas frases. Sempre tem um caderninho.
e deixar espaço ali pra pessoa escrever o que ela quiser né, porque de repente o que eu achei por um ponto de vista, de repente tem outros pontos de vista muito legal, já tem tem mais coisa aqui, já tem coisa pra ler na volta pra cá mas tem mais coisa, pode botar pro lado que o pessoal vai arrumar pra te ajudar algo tão raro hoje em dia alguém
Não é bom, mas... Presentear com livros. É, mas eu sou antiga. Eu sou vintage. É, que bom. Aqui é uma eco bag do nosso pipinho em 2D. Com o nosso lema, faça, aconteça e inspire. Porque se a gente não inspirar, a gente já não tá bom pra estar aqui, não.
E aqui é uma coisa que eu acredito muito. Escrever à mão, sabe? Eu ainda acredito nisso. Que você possa escrever aí... Nossa, eu só faço. Minha esposa também adora um caderno. Escreve, anota. Que você possa escrever aí seus sonhos, desejos. Quem sabe o livro, né? E aqui uma caneca do Pipinho. Para que você possa lembrar da gente. Com certeza lembrarei. Quando...
vou tomar um cafezinho, uma água, vai botar tudo aqui. Agora é aquele momento que você vai olhar para aquela câmera, pode ser mal educado, não me olhe, e vai deixar todos os seus recados. Tá? Na verdade eu quero agradecer essa oportunidade de estar aqui com a Bia, de conhecê-la pessoalmente, assim, sem palavras para agradecer esse momento.
E agradecer a todos vocês que nos acompanham, as pessoas que mandaram as perguntas. Se tiverem outras, fiquem à vontade para me mandar depois. É sempre um prazer responder e ajudar. E me colocar à disposição a todos vocês.
pra esclarecer, pra falar mais sobre cigarro, sobre vape, enfim tudo isso vocês podem me achar pelas redes sociais acho que o pessoal vai deixar aqui embaixo depois, porque como a Bia disse, se não falar certo o sobrenome, ninguém vai achar
Então mandem lá suas mensagens, suas dúvidas. É um prazer. Então é mais agradecer. E como eu disse, deixar um recado pra você que é pai, pra você que é mãe. Converse com seus filhos.
Acho que conversar é a melhor forma de orientá-los e de, quem sabe, impedir que eles experimentem esse negócio aí, único e exclusivamente pelo fato de querer pertencer ou de aparecer. Uma boa conversa é 90% do sucesso. Ainda é o melhor remédio? Com certeza.
Queridos, nós estamos finalizando mais um episódio do Pod People. E hoje foi com esse cara super bacana, que eu só conhecia pela rede. E conheci aqui pessoalmente, foi melhor ainda. Se você ainda não segue ele, começa a seguir agora. Vai estar aparecendo aqui, mas é arroba Dr. Marcelo Machione. Machione é com C-C-H-I-O-N-E. Tá certo? Certinho.
Não vai pegar outro endereço errado. Lembre-se, respirar é um privilégio de quem está vivo. Se você tem dúvidas de como funciona o pulmão, o que faz bem para ele, o que não faz bem, você pode ir lá e fazer todas as suas perguntas. Tenho certeza que você vai ser muito bem respondido. Porque aqui na comunidade Pod People, a gente acredita que somente o conhecimento e o autoconhecimento podem realmente melhorar o mundo.
Se você não é inscrito no canal, se inscreve. Se você gostou dessa conversa, compartilhe, porque tem muita gente que merece esse conhecimento. Muito obrigada e até o próximo Pod People.