Episódios de OT Cast

FIDC: o motor silencioso do crédito no Brasil - OT Cast | EP 05

22 de julho de 202644min
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Você sabe como uma estrutura que atua longe dos holofotes se tornou uma das principais engrenagens do financiamento da economia brasileira?

Neste novo episódio do #OTCast, o podcast da Oliveira Trust, mergulhamos no universo dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). Ao longo dos últimos anos, esses fundos se consolidaram como uma alternativa inteligente de captação de recursos para empresas e vêm despertando o interesse de investidores, mas ainda exigem compreensão técnica sobre seu funcionamento na prática.

Nosso CEO, José Alexandre Freitas, recebe Caio Viggiano, Diretor de Renda Fixa do Itaú BBA, e Diego Salgado, CFO da Stone, para um debate profundo sobre a evolução das estruturas e os fatores que influenciam a segurança e o crescimento dessa indústria.

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00:00 Abertura e apresentação dos convidados

01:10 O papel dos FIDCs no financiamento da economia

04:36 Segregação de riscos e acesso ao mercado de capitais

07:13 Governança, prestadores de serviço e precificação

12:17 A robustez jurídica das estruturas de FIDC

14:59 A responsabilidade do administrador fiduciário

18:53 A demanda por FIDCs em cenários de aversão a risco

22:36 Blockchain, stablecoins, Pix e registradoras

26:39 Come-cotas, IOF e os impactos da tributação

35:09 Tecnologia e eficiência operacional nos FIDCs

41:15 Prevenção a fraudes em operações de crédito

42:08 Considerações finais

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Participantes neste episódio3
J

José Alexandre Freitas

HostCEO da Oliveira Trust
C

Caio Viggiano

ConvidadoDiretor de Renda Fixa do Itaú BBA
D

Diego Salgado

ConvidadoCFO da Stone
Assuntos7
  • Estratégias de defesa legal e reputacionalResistência a processos judiciais · Prevenção a fraudes · Tecnologia antifraude
  • Impacto econômico das ações de TrumpFinanciamento de pequenas empresas · Instrumento de captação de recursos · Otimização de capital para bancos · Fintechs e crédito
  • Cenário EconômicoFlight to quality · Créditos de emissores financeiros · Ativos regulados · Crédito consignado
  • Riscos EconomicosRisco de crédito pulverizado · Empresas de middle market · Acesso ao mercado de capitais
  • Consultoria Tributaria· NegociosCome-Cotas e fundos de crédito · IOF sobre subscrição de cotas · Custos para o emissor e investidor · Distorções tributárias no Brasil
  • Governança e prestadores de serviço em FIDCsPapel do administrador fiduciário · Segregação de funções · Qualidade dos prestadores de serviço · Oliveira Trust
  • Tecnologias essenciais em fintechBlockchain e stablecoins · Pix como stablecoin brasileira · Registradoras de recebíveis · APIs e integração de sistemas · Inteligência Artificial Generativa (GenAI)
Transcrição82 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
JAJosé Alexandre Freitas

Sejam bem-vindos a mais um episódio do OTCast, o podcast da Oliveira Trust. Eu sou José Alexandre Freitas, CEO da Oliveira Trust, e tô aqui hoje para falar sobre o assunto que eu gosto bastante, que são os fundos de investimento em direitos creditórios, os FIDICs. E para falar sobre esse assunto Eu trouxe dois convidados assim que são muito especiais, muita consideração minha e da empresa: o Caio Vigiano, diretor de renda fixa do Banco Itaú, e o Diego Salgado, CFO da Stone.

E para começar esse bate-papo, eu queria provocar aí um pouquinho para te dar uma aquecida aqui sobre o assunto, sobre os FDICs, falar um pouco sobre a função dos FDICs hoje no mercado de capitais, como essa ferramenta de inclusão para novas empresas? E como é que vocês veem isso, principalmente aí o Caio que tá nesse lado aí da captação, do direto com os clientes? Como é que vocês veem aí o FIDIC? E obrigado pela presença, gente.

CVCaio Viggiano

Começar aqui, depois passo a palavra. O FIDIC é um instrumento assim que tem se desenvolvido muito, né? Acho que a gente olhar a PL da indústria, cresceu absurdamente nos últimos anos e tem diversos usos. Desde financiar pequeno comércio descontando recebível mesmo, substituir ali o capital de giro, tem vantagem tributária, você tem recorrência, você tem muitos players. Ele funciona como instrumento para grandes empresas para se financiar a taxas mais baratas, ele funciona para bancos darem crédito otimizando o uso de capital, você utiliza para fazer os FDICs não performados, NPLs, você utiliza para as fintechs É uma forma de carregar o crédito no balanço deles, mas forma mais útil, mais eficiente de carregar o crédito que eles querem dar.

A gente utiliza muito empresa começando a entrar nessa fintechização de começar a dar crédito para os seus clientes. Então, a melhor forma dela começar a dar crédito para os seus clientes, seus fornecedores, é usar o Fidic. Então, hoje a gama do Fidic é gigante, vai desde um investimento de renda fixa plain vanilla ali papai com mamãe, o mais simples possível, até fundos super estruturados, diversas cotas, com ativos exóticos dentro, muita discussão sobre tributação, sobre liquidez, sobre alocação nos fundos de crédito.

Então, acho que a gente tem bastante coisa para falar aqui, porque ele é bem útil para muitas empresas.

DSDiego Salgado

Legal, obrigado pelo convite, Freitas. Bom ver dois grandes amigos antigos de mercado, já fizemos bastante coisa juntos em diferentes lados do balcão, sempre legal. E parabéns pela iniciativa. Essa indústria é super importante para a economia como um todo, como o Caio disse, cresce muito rápido e tem ajudado a mover a máquina de financiamentos na economia brasileira. Pouca gente entende do assunto com detalhe, eu acho que tem muita má informação espalhada por aí, tem muito caso de mau uso da ferramenta que acaba se espalhando e gerando perda.

Então, é sempre legal poder falar com qualidade sobre o assunto, desmistificar algumas coisas, esclarecer outras. Como o Caio disse, a securitização nasce com aquele racional simples de que, se eu tiver um pool pulverizado de ativos em uma ponta e esses riscos não forem correlacionados, tipicamente eu vou conseguir um rating legal, uma taxa de crédito legal e, portanto, eu consigo fazer um financiamento mais barato. Esse negócio começa a ser utilizado para financiar principalmente, originalmente, empresas menores, né?

E aí eu me lembro, por exemplo, agora várias fintechs usam isso, como o Caio bem disse. O Caio faz um monte dessas operações lá no Itaú hoje. Quando a Stone começou a fazer securitização de recebíveis via FDIC lá em 2015, 2016, o racional era esse, né? Pegar o pool de recebíveis que a companhia tinha, que eram de um risco muito baixo, os bancos emissores, e portanto um risco de crédito menor do que o da própria Stone. Você coloca isso dentro de um veículo remoto, né, bankruptcy remote, e você consegue tomar funding de forma super competitiva.

Mas a indústria foi se inventando ao longo dos anos, e como o Caio bem disse, hoje é um instrumento, é uma legislação que permite você fazer muita coisa diferente, muita coisa legal. E sem dúvida nenhuma a gente vai continuar evoluindo como indústria.

JAJosé Alexandre Freitas

Fantástico essa experiência, esse exemplo que você falou aí da segregação dos riscos patrimoniais. Quando você tem de fato empresas com ativos de qualidade e que o risco é totalmente diferente do risco próprio da própria companhia, você consegue captar em taxas e condições muito mais favorecidas. Ainda tem um detalhe, às vezes você tem ali um crédito, a empresa tem um ativo que o risco de crédito é baixo, e conta uma empresa que nem vem nem a mercado.

E aí você consegue, securitizando, permitir que o investidor compre cotas de um FDIC que tem risco dessa empresa que não capta via mercado diretamente, mas que por meio dessa estrutura de FDIC você consegue acessar determinado risco de crédito que você não conseguiria diretamente.

CVCaio Viggiano

A gente no Itaú, ali assim, é um instrumento que a gente usa muito no middle market, né? Então, se você for olhar os grandes emissores que têm rating AAA, usualmente ele não tem muita vantagem em emitir um FDIC, a não ser que seja alguma vantagem tributária, alguma coisa que seja off-balance, algum recebível fora do padrão, etc. Mas empresa de middle market, como o Diego falou, que tem um risco de crédito ainda pouco conhecido, tem menos governança, mas ele tem recebível ou muito pulverizado ou contra um sacado de qualidade de crédito muito grande, é uma forma mais barata de acessar, é uma forma mais simples do ponto de vista de governança, porque muitas delas não são auditadas, mas o recebível você consegue auditar o recebível de uma forma mais fácil.

Então, você consegue fazer estrutura. E aí, a participação da Olivera Trust como administrador desses fundos é super importante, porque você precisa olhar não só o risco de crédito do sacado, mas toda a estrutura do fundo, os papéis de administrador, gestor, custodiante, cessão, contas reserva, conta movimentação. Se você consegue amarrar isso tudo muito bem com um prestador de serviço de qualidade como a Olivera Trust, você consegue ter uma taxa de captação, ratings bons e taxas de captação muito melhores, prazos mais longos, que usualmente as empresas de middle market não têm acesso ao mercado de capitais.

Então, usualmente, usualmente eu não diria que usualmente, mas é um instrumento que é muito utilizado pelas empresas começarem ao acesso ao mercado de capitais via um FDIC. E que custos hoje em dia para pôr um FDIC de pé baratearam muito. O que lá atrás, há 5, 6, 10 anos atrás, a gente falava que FIDIC de menos de R$100 milhões não parava de pé, hoje em dia a gente tem muito FIDIC aí de R$15 milhões, R$20 milhões, que a conta fecha e o benefício é claro para o cedente e que tem quem está captando dinheiro.

DSDiego Salgado

Acho que aí tem duas coisas legais para falar, uma evolução e ainda uma pendência grande na nossa indústria, que é uma evolução super legal que o Caio tangenciou, que é o papel do administrador, do custodiante, do gestor. Na avaliação do risco das estruturas e nas precificações, né? Então, vários dos fundos que explodiram e que geraram prejuízo ao longo da história, lembrar lá de Cruzeiro do Sul, BVA, etc., etc., era de uma época em que você tinha o administrador, sedente, custodiante, gestor, agente de cobrança, tudo dentro do mesmo pacote.

As agências de rating não avaliavam a importância dessa terceira parte independente. E hoje isso mudou, né? Hoje, sem dúvida nenhuma, em qualquer conversa que você tenha com agência de rating, o papo sobre como é que estão segregadas as funções, quem é o administrador, o rating dele, etc., etc., é super importante. Então essa é uma evolução da indústria que, sem sombra de dúvida, evitou e ainda vai evitar muitas perdas. A parte que não evoluiu na indústria, entretanto, e que ainda é um pouco difícil de entender, exceto pela legislação brasileira, é o tema do pricing relativo, né, que é assim.

Então, por exemplo, no nosso caso na Estônia, quando a companhia começou a fazer securitização de recebíveis, fazia sentido porque era uma companhia pequena, sem rating, etc., etc., e o rating ou os devedores dos ativos que ela tinha, tinha um rating melhor do que o dela, portanto essa securitização fazia sentido. Hoje o nosso rating é igual ao dos nossos devedores, dos nossos principais devedores. Ainda assim, naturalmente tem uma diferença de risco inerente, né?

O Bradesco naturalmente capta mais barato do que a gente, mas hoje o nosso custo de captação institucional é bem menor do que o custo de um FDIC, não só pelos custos de administração, custódia, etc., porque esses, como o Caio bem colocou, diminuíram bastante, mas simplesmente por ineficiências de mercado. E eu tenho certeza que a gente vai falar um pouco sobre isso, de por que que um rating AAA de uma securitização de um FIDIC super amarrado, bankruptcy remote, ainda vai pagar na média mais do que um rating AAA de uma letra financeira ou de uma debênture ou algo do tipo.

JAJosé Alexandre Freitas

De qualquer forma, mesmo que você tenha às vezes um custo um pouco maior numa empresa de qualidade, porque aí estão falando de de clientes diferentes, né? Você pega uma Stone, risco baixíssimo. Você pega uma empresa que tá tentando acessar o mercado e que já tá tomada no risco de crédito bancário ali no limite, ela vai ter que tentar algum outro caminho, né? E aí, olha, antigamente ia para as factoring, para as captações mais caras ainda, ineficientes fiscalmente inclusive.

O FIDIC abriu uma porta enorme de acesso para essas empresas. Mas no caso de uma empresa AAA, que tem a captação institucional ali pela, pelo rating próprio até mais vantajosa. De qualquer forma, via FDIC você consegue ter um off-balance, né? Você consegue sair da linha de crédito bancária, né?

CVCaio Viggiano

Acho que é. Então essas são as outras vantagens, né? Assim, você conseguir baixar isso do balanço, não ser considerado como dívida, pode ser uma grande vantagem. Você carregar uma carteira de crédito tudo uma forma tributariamente mais eficiente do que no seu balanço. Então também pode ser outra vantagem você ter formas de acessar investidores diferentes. Então você emite um crédito corporativo, você é AAA, você vai captar com aquele mesmo investidor.

Com FIDIC você consegue ter tranche sênior, mezanino, mezanino A, B, C. Então você consegue ter riscos diferentes para investidores diferentes e ampliar seu público investidor. Então com a mesma carteira, com a mesma carteira assim. Então É o que o Diego falou, o instrumento evoluiu muito, a criatividade, tudo dentro da legislação. Acho que legislação foi testada bastante, vários casos de empresas que entraram em recuperação judicial, seus FIDICs não foram afetados e os credores do FIDIC continuaram recebendo os recebíveis do sacado quando o sedente entrou em recuperação judicial.

Então, isso também deu força. Tem outros ainda desafios do mercado que precisam evoluir para a gente conseguir precificar de uma forma um pouco melhor, Mas a empresa que capta dinheiro com crédito corporativo no mercado, ele pode também acessar via FIDIC por outros benefícios, né? Então a gente vê, é muito comum essas plataformas, esses marketplaces hoje em dia captando dinheiro utilizando FIDIC, porque ela não quer usar o balanço dela para dar crédito para o vendedor dela, para dar crédito para o comprador dela, para descontar recebível de cartão de crédito.

O FIDIC acaba sendo um instrumento mais eficiente, ainda que ela pudesse captar dinheiro mais barato corporativo, mas isso impacta em rating dela, isso impacta muitas vezes quando é multinacional em covenants de bonds que tem no mercado externo. Então, tem bastante... Sempre vai ser um instrumento que tem algum viés que eventualmente faz sentido para umas e para outras não.

DSDiego Salgado

Agora, você mencionou um outro negócio que eu estava pensando aqui, que é, cara, talvez securitização de recebíveis via FDIC tenha sido uma daquelas poucas coisas que na justiça ainda parou de pé. Parou. Diferentemente de cessão fiduciária, alienação fiduciária, que sempre tem algum juiz contestando, sempre tem um negócio que dá um susto. Cessão de recebíveis via FDIC devidamente registrado, para de pé.

JAJosé Alexandre Freitas

E assim, eu teria pelo menos uma dezena de exemplos para dar, mas infelizmente eu não posso falar o nome. Mas tem um que eu posso. Por exemplo, você citou o Cruzeiro do Sul. A gente não administrava os fundos do do banco, porque acho que ficava tudo na Verax, no papel banco, que era a questão do conflito de interesse. Você tinha o sedente e o administrador e gestor do mesmo grupo. E aí teve um fundo especificamente já na fase final ali que a gente, por decisão, por solicitação dos cotistas, a gente assumiu o fundo.

E então a gente acompanhou aquele finalzinho ali, aquela liquidação das cotas etc. Então a gente teve que interceder junto ao interventor. Acho que foi interventor, não era liquidação, acho que foi intervenção na época, para justamente segregar. Olha só, tem que segregar a carteira do meu FDIC, que isso aqui foi cedido fiduciariamente, aqui em definitivo, perdão, né, para o meu fundo. E eu preciso, esse dinheiro não é do banco, segrega aqui e tal.

Então foram reuniões, apresentação de informações, não durou 60 dias, tá. Entre 30 e 60 dias o fluxo dos recebíveis, que era crédito consignado, liberados, conta corrente do fundo, amortização integral das cotas sênior dentro do fluxo de arrecadação de caixa, com aquela amortização de caixa, aquelas fórmulas de fato testadas e funcionaram.

CVCaio Viggiano

Legal.

JAJosé Alexandre Freitas

Teria outros que não posso citar o nome das empresas, mas, e eu assinei embaixo que você falou, Diego, porque A estrutura de FDIC, eu pelo menos pelo que eu presenciei até hoje, todas que foram testadas judicialmente rodaram e ficaram de pé.

DSDiego Salgado

Eu também não lembro de nada. Agora deixa eu aproveitar e eu te fazer uma pergunta. A gente tava batendo um papo rápido ali, como é que vocês como prestador de serviço estão se protegendo daquele risco crescente de litigação de cotista, dissidente, de terceiros? Porque assim, esse sempre foi um grande desafio na indústria, né? Você tem um fee pequeno, porque tem que ser, senão a conta não para de pé, como o Caio bem colocou. Mas no limite, se você não prestar o seu serviço direito, todo mundo pode te pedir tudo, todo prejuízo que tiver. Como é que vocês estão lidando com isso historicamente?

JAJosé Alexandre Freitas

Assim, teve uma decisão inclusive do STJ, se não me engano, Superior Tribunal de Justiça, que definiu muito bem a responsabilidade civil, de responsabilidade civil do administrador fiduciário em fundos de investimento. E essa decisão diz que eu sou responsável pelos atos praticados e não pela qualidade da carteira. Se eu fiz o meu papel e desempenhei adequadamente, verificando as atribuições ali, né, prestando de fato o serviço que eu me prontifiquei a fazer, é o fato do fundo ter performado mal não é responsabilidade do administrador.

E isso não foi essa decisão, que esse processo não foi com a gente, foi com um banco, mas que chegou a essa decisão. Isso virou uma súmula do STJ. Então, as poucas tentativas que já tiveram com relação ao administrador fiduciário foi mais, no caso, tô falando da Oliveira 3, mas é uma questão da gente apresentar o que nós fizemos, fomos diligentes, fizemos isso, isso. Agora, se o cotista não conseguiu ter a rentabilidade esperada, não foi culpa do prestador de serviço, mas é questão dos riscos inerentes.

Fator de risco, tá tudo identificado. E nunca tivemos nenhum tipo de sabor com relação a isso, só a questão de você ter que ficar comprovando judicialmente. Mas isso acontece inclusive em um ambiente fora de FDIC, tá?

CVCaio Viggiano

Assim, a gente hoje em dia, uma das nossas principais preocupações é quem é o agente fiduciário, o administrador, a securitizadora, o agente de garantias das estruturas. Porque você achar os prestadores que prestam serviço corretamente, porque o risco é você contratar alguém que não presta o serviço que ele assinou dizendo que ia contratar. E a gente já teve caso de FIDICS, onde o administrador tinha que registrar os recebíveis e não foram registrados.

E a hora que começa a ter default, default, default, corre lá para registrar, vê que metade dos recebíveis não existem. Então, hoje, sim, grande parte do risco do FIDIC, eu acho que uma das razões que ele paga um pouco mais de prêmio do que o crédito corporativo é isso, é porque ele é complexo. Se você não ler o regulamento inteiro, entender exatamente qual é o operacional, o que é a responsabilidade de cada um, Depender de que cada um vai prestar o seu serviço corretamente, a sua rentabilidade não vem por melhor que seja o ativo.

Pode ter desvio, pode ter N fatores aqui no meio. Então, eu acho que existe um risco para quem não presta o serviço direito. Então, exatamente, a qualidade do serviço prestado, você escrever o que você realmente consegue cumprir é que é o essencial.

JAJosé Alexandre Freitas

Tem uma frase do Mauro lá, nosso sócio fundador, que ele fala o seguinte: agente fiduciário ou prestador de serviço fiduciário é igual seguro de carro. Se você não bater com o carro, não tiver o carro roubado, serve qualquer um, né? Mas na hora que você bate com o carro, tem o roubo no teu carro, você vai ter que chamar o agente fiduciário ali para saber a qualidade do serviço prestado, que você tem que desempenhar a função adequadamente para recuperar o teu ativo. É um pouco nessa linha, né?

CVCaio Viggiano

É isso aí.

JAJosé Alexandre Freitas

E que só 5%, ainda bem, né? 5%, 10% no máximo das operações é que vão ter algum tipo de Graças a Deus, Deus te ouça. Acho que no contexto atual tá mais desafiador, mas nesse contexto atual, vamos começar por vocês, obviamente caminham sempre com uma securitização aí por meio de operações com cartões de crédito, mas nesse cenário, até vendo uma visão um pouco mais ampla do mercado, Que tipo de recebíveis você acha que poderiam estar sendo operacionalizados, securitizados nesse ambiente atual de mercado?

DSDiego Salgado

Acho que dado o contexto atual, certamente a demanda óbvia que tem é por créditos de emissores financeiros óbvios, né? Então todos os bancos S1 e eventualmente os não S1, mas aqueles bastante óbvios. A gente está num momento de flight to quality, né? Mesmo créditos corporativos muito óbvios acabaram dando surpresas negativas nos últimos 12, 24 meses. Então, acho que está todo mundo bastante receoso. Os bancos sistemicamente importantes sempre são beneficiados nesse tipo de ambiente por causa do flight to quality.

E outros ativos de natureza à qual eventualmente os investidores brasileiros não tenham acesso, né? Então, quando você pega a base investidora brasileira institucional, tipicamente todo mundo tem acesso ao universo grande de utilities, ao universo grande de bancos, né, de financeiros e non-bank FIIs, etc. Mas sempre que aparece um grande crédito global de um setor diferente que ninguém tem acesso, é sempre uma boa oportunidade de alocação de investimento, mesmo principalmente num momento como esse, porque a chance de diversificar e de ainda ter algum prêmio.

Então, diria que essas duas classes de ativos hoje são aquelas que, se você estalar o dedo, vai ter demanda, talvez a preços marginalmente mais altos do que a gente vinha vendo alguns meses atrás, mas a demanda certamente ainda vai estar lá.

CVCaio Viggiano

Eu vou só acrescentar um item nessas duas, concordo com essas duas, mas demanda por FDIC ela também está bastante alta. Principalmente de ativos regulados. Então você pegar meios de pagamento, você pegar consignados, consignado privado, acho que alguma coisa que vai explodir aí nos próximos 12 a 24 meses. Assim, tá todo mundo começando a olhar, é muita gente originando, ainda tem bastante coisa de operacional para parar de pé, ainda precisa ter um rating que todo mundo entenda exatamente qual é o risco exato, mas vai explodir.

E a gente tem visto também demanda por estruturas de crédito corporativo, de crédito clean pessoa física, desde que bem diversificadas as cotas com seus riscos. Então, uma cota sênior com uma cobertura muito grande subordinada, um excesso de spread muito grande, que tenha um risco muito baixo, uma carteira mais madura, a gente está vendo demanda, até demanda para cotas mezanino. Claro que essas últimas duas semanas O mercado está um pouco mais tenso, mas pegar ali janeiro e fevereiro, muita demanda por cota mezanina de FDIC mais maduro.

Então, eu acho que as estruturas de securitização nesse momento de aversão a risco é onde todo mundo está olhando. Falou, pô, eu tenho muita exposição às utilities, não tem muito spread aqui, se eu tiver um nome novo, eu vou alocar em nome novo. Na falta dessas duas, eu vou olhar FDIC que paga um pouco mais de prêmio, estruturas testadas, carteiras maduras. Sedentes que já fizeram mais de uma emissão é para onde todo mundo está indo.

Claro que quando você traz um sedente novo com um ativo novo, com prestadores de serviços questionáveis, você entra lá naquele mundo de será que vale a pena o risco-retorno? E aí é mais difícil ter demanda.

DSDiego Salgado

Eu quero ouvir sua opinião depois sobre o negócio de blockchain, stablecoins, etc. Assim, a gente fala pouco, né? Stablecoin brasileira chama-se Pix. Esse negócio é igualzinho uma stablecoin, funciona super bem.

CVCaio Viggiano

Mas dá para melhorar, assim, a gente tava, acho que eu e Freitas, a gente fala bastante, né? A gente tem tanto Itaú quanto a Liberação, assim, investimento em comum. O Pix, ele funciona para muitas coisas como uma stablecoin, mas você não consegue pré-programar ele e deixar que ele só siga um único caminho. Então você ainda consegue ter fraude no Pix, o que no stablecoin, se você tiver programado, ó, o dinheiro só pode sair do Caio para o Freitas, em momento algum eu vou conseguir tirar do Caio para o Diego.

Então ele vai barrar. Hoje em dia eu ainda consigo mandar para o Diego. Então eu acho que a gente ainda tá longe disso. Eu acho que a gente, não adianta a gente ter várias stablecoins brasileiras, eventualmente a gente vai precisar ter uma única que que todo mundo usa, ele precisa ter liquidez, precisa ter um ambiente bastante regulado, precisa saber exatamente como que ela vai funcionar. Mas eu acho que o caminho, o caminho da infraestrutura de mercado de capitais, ele vai passar por isso.

Você vai chamar de token, você vai chamar de cota de FDIC, mas eu acho que ele precisa ter algum lugar centralizado, liquidado nessa central, que ninguém, que não possa ter desvio dos recursos. Hoje, uma das principais preocupações que a gente tem quando a gente estrutura um FDIC é fraude. A fraude é muito difícil, você amarra o contrato inteiro, você põe um monte de prestador de serviço, mas se alguém está com má índole e quiser fazer o negócio, ainda é possível.

Eu acho que isso, a tecnologia, stablecoin, blockchain, etc., vai começar a dar mais transparência, mais segurança, mais uma vez que você programou, está todo mundo ok, esse negócio funciona sozinho e ninguém mais põe a mão.

DSDiego Salgado

Só acho difícil isso competir com Pix, só pelo tamanho do patrocinador que tem por trás.

CVCaio Viggiano

Concordo.

DSDiego Salgado

Pela tecnologia, pela regulação, etc., etc., etc. E o que o Banco Central tem feito é justamente tentado melhorar a infraestrutura de Pix, você poder usar o Pix como garantia, como recebimento.

CVCaio Viggiano

Talvez as nossas stablecoins sejam Pix melhorado, é isso, diferente do que os Estados Unidos usam, etc. Eu acho que é isso, eu acho que Banco Central optou por não usar blockchain agora e de repente o caminho não é blockchain, é outra tecnologia, mas que a gente consiga programar, que consiga travar tudo isso.

JAJosé Alexandre Freitas

Eu acho que o blockchain serve para praticamente tudo, funciona em praticamente tudo, só que ele só é melhor em uma parte dessas atividades, embora ele possa funcionar para tudo.

CVCaio Viggiano

Não vai ser a solução total.

JAJosé Alexandre Freitas

Não vai ser a solução total. E essa questão da tecnologia E até das funções novas aqui, no caso do FIDIC, com 175 vieram as registradoras. Resolveu a questão da titularidade dos recebíveis, etc. Se só pudesse ceder um título por dentro da registradora, só que tem caso, que essas são poucos, mas isso acontece, empresa vai, cede fora e cede de novo dentro do ambiente.

CVCaio Viggiano

Você ainda tem os cartórios de registro de título, documento, que você tem a validade jurídica é mesmo da registradora.

JAJosé Alexandre Freitas

Então, o Código Civil dá lá.

CVCaio Viggiano

Exatamente. Então, enquanto você tiver um analógico com digital junto, e as próprias registradoras, a interoperabilidade ainda não é 100%. Então, a gente já viu o caso de registrar em duas registradoras o mesmo recebível. Assim, pô, o que que vale? Qual que registrou antes? Então, ainda tem, acho que o caminho tá certo, ainda tem muito para melhorar. É assim, Eu acho que todas essas melhorias têm dado, têm impulsionado o mundo de FDICs, de operações estruturadas, mas ainda para a gente chegar num mundo ideal ainda tem bastante caminho a ser trilhado.

JAJosé Alexandre Freitas

E aí o custo vai estar menor.

CVCaio Viggiano

E aí o custo vai estar menor, não tenho dúvida, exatamente.

JAJosé Alexandre Freitas

E aí falando até do ano passado, a gente teve alguns desafios não previstos, principalmente a questão tributária. A gente viu mudança tributária que afetou o FDIC. Geralmente o FDIC passava, sempre passou ileso ali das normas. E nesse caso afetou. Vocês viram alguma mudança aí no ímpeto dos investidores com essa tributação, ou tava meio que já mapeado?

CVCaio Viggiano

Acho que tiveram duas tributações que impactaram mais, que foi o Come-Cotas e o IOF, né, na subscrição. Então acho que as duas afetaram de forma diferente. É, o Come Cotas, acho que foi, a gente acabou vendo uma tendência de constituírem mais FIDICs de crédito, diferente de fundos de crédito que vão ter o Come Cotas. O FIDIC, se ele tiver alocado em recebível, ele não tem, por conta de liquidez do recebível. Como é que eu vou pagar o Imposto de Renda aqui se eu não consigo, dependendo do recebível, eu não tenho liquidez para pagar?

Então a gente vê alguns fundos de crédito, falou, pô, não vou fazer um fundo de crédito convencional, vou fazer um FIDIC, porque eu pro investidor aqui, ele difere o pagamento dos juros, é muito melhor. Então, eu acho que nesse aspecto, apesar de ser mais trabalhoso, a gente precisa estar sempre ali dimensionado o PL do fundo com os recebíveis justinho ali para não desenquadrar, ele deu uma impulsionada no FDIC que ele diferenciou dos outros fundos de crédito.

Por outro lado, o IOF deu uma bagunçada, porque ainda não existe um padrão no mercado. Primeiro, quando veio o IOF para risco sacado, E aí todo mundo, pô, legal, vou tombar todo o risco-sacado para um FDIC. E na sequência o governo falou, não, vou tributar o FDIC e não vou mais tributar o risco-sacado. Então volta risco-sacado para fazer um produto bancário, agora o FDIC que acabou sendo o problema. A gente não viu uma demanda menor por FDIC por conta do IOF, ele ficou um pouquinho mais caro, mas ainda não existe um padrão de quem paga esse IOF.

Apesar de ser o investidor que tem que pagar, Quando você coloca esse 0,38% na conta do investidor, você perde o comparativo da referência com o AAA. Então, pô, se eu compro um recebível, é o risco Itaú. Se eu compro uma LF do Itaú, o recebível eu tenho 0,38%, aqui eu não tenho. Se eu coloco esse 0,38%, é o seguinte, eu tenho menos.

JAJosé Alexandre Freitas

É isso que eu investi.

CVCaio Viggiano

E aí você perde a comparação. Então a gente falou, faz muito mais sentido se isso é um custo da estrutura, do sedente pagar, mas você não consegue fazer esse sedente pagar Porque quem é o responsável por pagar é o investidor. Então ainda a gente precisa ainda padronizar o mercado, porque você vê FDICs iguais saindo a taxa diferente, às vezes é porque um o IOF foi pago pelo investidor, outro foi pelo cedente. Então acho que piora, claro, não tem dúvida, mas acho que era uma coisa que a gente já tava mais ou menos no radar quando começou a se falar no IOF aí para diversos instrumentos, e que com o tempo vai sendo assimilada, mas eu acho que o benefício do FDIC é tão grande para quem usa o FDIC que esse 0,38%, apesar de tornar um pouquinho mais caro, ele ainda assim faz sentido.

Talvez para quem estava ali no Photoshop, tipo, entrei para um crédito, captar uma dívida ou captar um FDIC por conta de custo, tenha decidido não ir, mas não acho que esse que é o principal investidor ou emissor do FDIC, principal cedente do FDIC. Então, acho que Impacta, é ruim, mas não chegou a ser transformacional. Mas essa bagunça do mercado.

DSDiego Salgado

No nosso caso foi um pouco diferente. A gente, porque a gente tem muito ativo e tem muito investidor que, como o Caio disse, migrou de ter um fundo de investimento para tentar fazer um FDIC para ter o benefício do come-quotas, muito investidor ligou para a gente pedindo para a gente ceder recebível para turma, porque, como vocês sabem, LF, CDB, etc., não enquadra como ativo de crédito dentro do FDIC. Etc., etc. Então, a gente começou a ter muita demanda nova, a gente falou, pô, quebra o meu galho, sai dos não recebíveis, etc., etc.

Mas essa conta nunca parou muito de pé, porque para a gente só faz sentido operação curtinha e a gente tinha fundo aberto curtinho e o 0,38% simplesmente inviabilizou o produto. Então, tinha um monte de coisa que a gente estava fazendo mais curta para gerar uma nova classe de ativos, para gerar liquidez e ativos para outros pockets, que a gente acabou matando. Então, é uma pena como essas arbitragens e essas mudanças malucas que a gente tem no arcabouço tributário brasileiro geram distorções da noite para o dia.

Corre todo mundo para fazer o FDIC porque acabou ressuscitado, volta... Assim, é uma pena.

CVCaio Viggiano

Eu acho que, por outro lado, a gente aprende a sobreviver no mercado brasileiro. Essa é a nossa realidade, assim, é vem tributo, sai tributo, cria imposto novo, cria produto novo. Então, pô, colocou o FIDIC, quais são as alternativas? Vamos migrar para uma debênture securitizada, vamos migrar para um CR, vamos achar uma forma diferente de fazer. A gente começa a usar criatividade e tentar achar uma solução, porque tem empresa que tava contando com aquele, com aquela captação e que o 038 de repente matou a conta não fecha mais, a gente precisa achar uma solução, não posso deixar a empresa sem o funding ali.

Então, isso exige que a gente se debruce, olhe legislação, discuta, ache alternativas para criar novos produtos. Pô, então não vamos fazer via FDIC, vamos fazer via algum outro fundo. Assim, é...

DSDiego Salgado

A gente vai sempre se adaptando e criando mais layers.

CVCaio Viggiano

É.

DSDiego Salgado

É que nessa, o custo para o cedente, para o emissor, etc., acaba sempre aumentando e a complexidade para o investidor também. Que você não tem o veículo natural para aquele negócio que era óbvio, você começa a criar essas facadas.

CVCaio Viggiano

Tem essas distorções tributárias no Brasil de instrumento isento com instrumento não isento, com instrumento com IOF e outro sem IOF. Aí essa jabuticaba brasileira aqui.

JAJosé Alexandre Freitas

Acho que a ideia ali, né, para quem não sabe, o IOF foi instituído para na integralização de cotas de FIDIC. Num percentual de 0,38 sobre o valor aportado. E o sujeito passivo, quem tem que pagar, é o cotista. Só que na visão do investidor, né, que o Caio tá falando aqui, né, é usar 38, essa conta não é minha, então vou investir em outro ativo porque esse 0,38 aqui não, né. E aí acaba gerando mais um custo para o emissor, na verdade encareceu a estrutura, vai jogar isso na taxa.

E aí tiveram duas situações no passado. Você teve, tem imposto, não tem mais, tem imposto, não tem mais. E nessas janelas teve gente que aproveita, capta rápido, não dá para captar, subscreve hoje porque vale a partir da semana que vem.

CVCaio Viggiano

A gente viu assim uma corrida por subscrição de Fidics em 3 dias absurda, porque subscreve, eu tenho 180 dias para alocar aqui em recebível, aí depois eu ajusto, mas eu vejo o que eu faço.

JAJosé Alexandre Freitas

E vou dar uma situação que acho que vocês não sabem disso. Na primeira janela de liquidação, eu tinha um fundo nosso que era, tinha que pagar o imposto. Falou pequeno, o DARF era, sei lá, R$10 mil, R$15 mil, era uma integralização pequena, mas que tava sujeito por conta do período em que houve a integralização. Não existia código de receita para recolhimento do DARF.

CVCaio Viggiano

Aí, fundo nunca pagou DARF na vida, então nem sabe como é que faz.

DSDiego Salgado

Nunca pagou imposto, nunca foi, não tinha como recolher.

JAJosé Alexandre Freitas

O dinheiro tava separado, tinha obrigação e não tinha como recolher. Aí a gente criou, fez um recolhimento num código específico, e depois quando saiu a norma, um mês depois, sei lá, fez o redarf para poder, mas para ver o nível, né, como é que foi a loucura, né.

CVCaio Viggiano

Foi muito em cima da legislação, isso que falou, mudou 2, 3 vezes em 60 dias, foi e voltou N vezes, e Fora as outras burburinhas no mercado que tinha e projeto de lei diferente, de tributação diferente de renda fixa, foi um momento complexo ali ano passado.

DSDiego Salgado

Isso posto, eu acho que ainda não acabou. Acho que essa história ainda vai passar muita água debaixo da ponte. Provavelmente não esse ano, ano de eleição, etc., mas no ano que vem, sem dúvida nenhuma, vai ter mais mudança.

JAJosé Alexandre Freitas

E agora falar sobre tecnologia, quer dizer, um produto Fidic que é inovador, democrático, como a gente falou aqui, até pelo 175 agora para atingir investidor pessoa física. Tem, é fantástico para trazer ou servir como uma forma de novas empresas ingressarem no mercado captando. E como é que a tecnologia ela embarca nesses, nesse mundo dos Fidics aí na visão de vocês?

DSDiego Salgado

Todos os nossos fundos são bem grandes, né? Então, os fundos que a gente tem, todos têm alguns bilhões de reais, em número de linhas de recebíveis são centenas de milhares, em vários casos milhões. Então, não tem absolutamente a menor chance de fazer qualquer coisa se não tiver bastante tecnologia por trás, com capacidade de processamento de um volume muito grande de dados. O que a gente está fazendo é, a tecnologia continua melhorando.

Você vai se lembrar lá atrás, a gente fazia tudo com o KNAB, né? A primeira coisa que você fazia era qual é o KNAB, 240, 400, pá, pá, pá, pá, pá. E a gente tem tido várias conversas, inclusive com vocês.

JAJosé Alexandre Freitas

Tem fundo de calouros até.

DSDiego Salgado

É, eu acredito. Sobre como esse negócio ainda tem espaço para evoluir, para ganhar capacidade computacional, para ganhar eficiência e para reduzir custo no final do dia. Acho, entretanto, que o custo de tecnologia vai continuar decrescendo materialmente, ao longo dos próximos trimestres, com tudo que a gente tem visto de capacidade computacional nova e de geração de códigos mais eficientes. A gente está com um time agora trabalhando nos nossos códigos.

Assim, o trabalho que a gente tem conseguido fazer com GenAI lendo os códigos antigos e derrubando o código pela metade é impressionante. Isso aumenta a eficiência, isso aumenta a velocidade de geração dos arquivos, de processamento, etc. Então, para ativos pulverizados, sem sombra de dúvida, isso é fundamental e vai continuar evoluindo.

CVCaio Viggiano

Eu tenho assim, acho que tem 3 aspectos de tecnologia que eu acho que vale a pena chamar atenção. Um é que a gente já falou de blockchain, stablecoin, etc., e como deixar essa estrutura toda de securitização mais segura. É, o segundo é o que o Diego mencionou, toda essa parte de cessão. A gente fala, uma empresa que vai captar um FDIC pela primeira vez, se ela não fizer um trabalho de tecnologia no contato da sessão diária ali com o administrador custodiante do fundo, a vida operacional da empresa vira um inferno.

Não justifica ter um custo mais barato e ter que contratar 50 pessoas a mais para fazer isso. Então, a gente— eu já tive FDIC que eu levei, eu acho que estava comigo, um ano e meio para conectar o sistema de um banco sedente com um FDIC para ter certeza de que o operacional ia funcionar perfeitamente, porque senão não compensava. E hoje em dia isso, via as APIs, é infinitamente mais rápido e eu acho que tem muita coisa para melhorar.

E o terceiro são os prestadores de serviço. Sim, a gente viu o custo de pôr um FDICRIPE caiu muito por conta de aplicação de tecnologia, o que antigamente era muito controle manual, muito controle de pessoas verificando os critérios de elegibilidade, verificando os concentração, tudo hoje em dia, empresa de guarda de documento, de documentação. Exatamente, é verdade. Hoje em dia você, a tecnologia substituiu muita coisa. A gente ainda, ainda acho que é um mercado que precisa aplicar mais a tecnologia, e às vezes a gente se assusta com o nível de processos manuais que alguns prestadores de serviço têm.

Então assim, acho que vai precisar de mais Oliveras Trusts no mercado investindo em tecnologia para poder processar milhões e milhões de recebíveis por dia, sessões diárias, pagamentos no mesmo dia com Pix aí de pagamento online. Então, hoje em dia essas fintechs dão crédito em 10 segundos, 50 segundos, já tem que emitir a CCB, tem que cair o dinheiro na conta do cliente, fazer a cessão por fundo. Então, se não for com tecnologia tudo isso funcionando perfeitamente, tem muita coisa que inviabiliza.

JAJosé Alexandre Freitas

A gente já tem o Fidic hoje...

DSDiego Salgado

Pensando no caso de vocês, por exemplo. Eu não me lembro mais a conta de quantos FDICs vocês administram.

JAJosé Alexandre Freitas

Hoje dá uns 180, mais ou menos, FDICs. Estou chegando a 200 ali.

DSDiego Salgado

Beleza, desses 200, pelo menos 100 e poucos devem fazer sessões diárias.

JAJosé Alexandre Freitas

Sim.

DSDiego Salgado

Sessão diária, provavelmente de múltiplas classes de ativos. Ainda que tenham classes de ativos semelhantes, cada sedente tem um jeito que faz.

JAJosé Alexandre Freitas

Não tem dois fundos iguais.

DSDiego Salgado

Não tem dois fundos iguais. Você tem fundo grande, fundo pequeno, com SLAs diferentes, etc., etc. O que você precisa ter de tecnologia em casa para processar só esta classe de FDICs todo dia e soltar cota e fazer cessão, devolver para o sedente, é uma maluquice.

JAJosé Alexandre Freitas

É, ainda tem isso, tem a PDD e tal, que é extremamente importante em termos de ter uma correta precificação da cota, né, do valor da cota. Mas você tá falando de do emprego da tecnologia, né, vocês mencionando. Você vê, a gente tem hoje fundo que tem SLA que eu tenho que pagar em 15, 20 minutos o processamento, tem que estar o dinheiro, tem que estar na conta do sedente. Tem outros que não estão tão preocupados com esse prazo, tem 2 horas, 3 horas para pagar, mas ele quer operar 24/7.

CVCaio Viggiano

Tu já tem fundo 24/7, tem cliente que eu discuto, fala, mas como que eu faço sessão sábado e domingo? Eu consigo fazer? Porque eu continuo vendendo sábado e domingo. Então é isso, assim, hoje sem tecnologia—

JAJosé Alexandre Freitas

Só que eu não tenho ninguém no Alter no domingo, entendeu? Mas eu consigo liquidar. Só que aí você cria janelas, limites também operacionais, como o próprio Pix tem, né?

DSDiego Salgado

Claro. Como a gente faz dentro de casa. A gente paga cliente literalmente a cada minuto, 24 por 7. E naturalmente—

JAJosé Alexandre Freitas

Vocês fazem isso?

DSDiego Salgado

A gente faz isso. E naturalmente tem lá os buffers de coisas estranhas, para dizer o mínimo, para evitar fraude. Que é sempre uma grande preocupação. Então, mas é isso, a tecnologia vai continuar ficando cada vez mais quente.

CVCaio Viggiano

Você mencionou um ponto importante que é fraude, né? Hoje em dia uma das maiores preocupações é o antifraude. Quem faz o antifraude em qualquer contrato novo de financiamento, de venda? Então, quem que é o responsável por olhar isso? Qual que é a tecnologia que tá olhando isso? Como que você garante que realmente esses recebível existe, de que realmente o sacado existe. Tudo isso tem que rodar em segundos ou microsegundos se você quiser fazer um pagamento muito rápido.

Então, sem tecnologia, assim, cada vez vai precisar, cada vez que a tecnologia evolui, os hackers melhoram a tecnologia, a criatividade dos fraudadores melhoram e inventam alguma coisa diferente.

DSDiego Salgado

Então, e olha, se tem uma indústria que cresce tão rápido quanto a indústria de FIDICS no Brasil, é a indústria de fraude. Impressionante, impressionante.

JAJosé Alexandre Freitas

Cada dia uma tentativa, cada dia um mágico.

DSDiego Salgado

Impressionante.

JAJosé Alexandre Freitas

É isso aí, importante você tá protegido e para evitar isso, né, de todas as formas. Meus amigos, que é bom acabar rápido aí. Infelizmente passamos até do horário aqui, então passar a palavra para vocês, umas considerações finais, vocês queiram falar alguma coisa sobre o nosso produto aí, sobre o nosso Fidic, e passar e começar com Caio.

CVCaio Viggiano

Eu quero agradecer o convite. Realmente, a Olivera Trust é um super parceiro nosso, não só em FDICs, mas outros serviços que vocês prestam. Acho que a gente investe muito em securitização, porque além da gente fazer todas as captações dos grandes emissores, a gente tem ali uma missão de trazer novos emissores para o mercado e a securitização é a melhor forma de trazer eles, de dar o primeiro passo. Parabenizar pelo trabalho que vocês têm feito, é continuar incentivando vocês a investir em tecnologia.

Eu acho que sem a tecnologia essa indústria vai morrer. Então a gente precisa melhorar a qualidade das estruturas para cada vez mais investidores terem conforto de investir dinheiro. Então obrigado, contem com a gente, tamo junto aí para continuar fazendo crescer.

JAJosé Alexandre Freitas

Valeu, obrigado, cara.

DSDiego Salgado

Freitas, parabéns mais uma vez, baita iniciativa. Em nome da Stone, queria te agradecer não só pela oportunidade, mas por toda a parceria ao longo desses últimos 10 anos. Eu estava olhando, o nosso primeiro fundo com vocês vai fazer 10 anos de aniversário agora em 2026, eu já te conheço há quase 20, mas parabéns, sempre foram um baita parceiro da indústria como um todo, mas principalmente de todo mundo que sempre quis fazer coisas sérias, diferentes e sustentáveis no longo prazo.

Vocês sempre ajudaram, sempre guiaram, sempre ajudaram a quebrar a parede onde a legislação era meio opaca, não tinha muita clareza do que dava para fazer, não dava. Sempre foram super criativos. Então, parabéns e obrigado por tudo.

JAJosé Alexandre Freitas

Obrigado, gente.

DSDiego Salgado

E é isso.

JAJosé Alexandre Freitas

Então, acabamos aqui mais um episódio. Agradecer nossos convidados aqui, Caio, Diego. Foi excelente bate-papo falando sobre FDIC, esse produto tão criativo, tão democrático do mercado de capitais, um veículo fantástico de acesso para diversas empresas e para investidores que buscam aí ativos com rentabilidades atrativas nesse mundo da renda fixa. E é isso, gente. Então já segue Oliveira Trech lá nos canais, segue o nosso podcast, tem muito mais episódio bacana por aí. Obrigado, até lá.