Ep. 8 - Domingo do Paralítico
Chegamos ao Domingo do Paralítico, um dos mais importantes milagres de Cristo!
Venha conosco, No Caminho da Vida, conhecer um pouco mais sobre tudo que envolve esse domingo!
No Caminho da Vida
- Domingo do ParalíticoMilagre de Cristo · Homem esperando cura por 38 anos · Jesus toma iniciativa · Solidão e esperança · Cura espiritual vs. física
- Iniciativa da RessurreiçãoIniciativa de Jesus · Viver os frutos da ressurreição · Tomar iniciativa para ajudar o próximo · Carregar a ressurreição como iniciativa
- Concílios EcumênicosDefesa da fé apostólica · Concílio de Jerusalém · Concílio de Niceia · Concílio de Constantinopla · Dogma e heresia · Imperador Constantino
- Palavra de DeusPalavra que cria e realiza · Força que levanta o homem · Capacidade para o que ordena
- O Credo Niceno-ConstantinopolitanoSíntese da fé apostólica · Defesa da divindade de Cristo · Articulação sobre o Espírito Santo
Cristo ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou. É com alegria que nos encontramos com vocês no nosso programa semanal No Caminho da Vida, um espaço de encontro com o Senhor dedicado à leitura da Palavra de Deus, às orações, aos cânticos, às reflexões espirituais e às tradições da nossa Igreja Ortodoxa Antioquina.
Este programa é apresentado com a bênção do nosso querido pai metropolita, Dom Damasquinos Mansur, arcebispo metropolitano da Igreja Ortodoxa Antioquina em São Paulo e todo o Brasil. Estamos no terceiro domingo após a Páscoa, o Domingo do Paralítico.
No evangelho que a igreja proclama hoje, um homem espera 38 anos à beira da piscina de Betesda. 38 anos à espera de uma cura que não chega. E quando alguém chega para ajudá-lo, Jesus passa e age diferente. A gente falou no segundo episódio sobre como a fé foi transmitida de geração em geração através do antigo, do novo testamento e da liturgia. Mas ao longo da história, essa fé foi ameaçada várias vezes por dentro da própria igreja.
E a Igreja precisou agir com autoridade para defender o que sempre foi a fé apostólica. Hoje a gente fala sobre os concílios, especialmente os sete concílios ecumênicos, que são a voz coletiva da Igreja falando com a autoridade do Espírito Santo. Permaneçam conosco e caminhemos juntos no caminho da vida.
Cristo ressuscitou dos mortos, pisando a morte com a morte e dando a vida aos sepultados.
Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino. Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Hoje nos foi revelada uma Páscoa divina, nova e santa, uma Páscoa misteriosa, Páscoa soleníssima, o próprio Cristo, o Redentor, Páscoa imolada, Páscoa magna, Páscoa dos fiéis, Páscoa que abre as portas do paraíso, Páscoa que a todos os fiéis santifica.
Avante, mulheres evangelizadoras, vinde e bradai diante de Sião. Recebei por nós todas, alegres mensageiras, a ressurreição de Cristo. Alegra-te, dança e exulta, Jerusalém, contemplando a teu Rei, Cristo, que se levanta do sepulcro como esposo.
As portadoras de aromas foram bem cedo ao sepulcro do vivificante. Encontraram um anjo sentado na pedra, que lhes disse, Por que procurais o vivo entre os mortos? Por que chorais pelo incorruptível como se estivesse na corrupção? Ide e anunciai aos discípulos, Cristo ressuscitou dos mortos.
Ide e anunciai a seus discípulos. Cristo ressuscitou dos mortos.
Páscoa nossa, Páscoa do Senhor, nos amanheceu Páscoa Dulcíssima. Uma Páscoa Santíssima, Páscoa, abracemo-nos todos, plenos de alegria. Ó Páscoa, que dissipas toda a tristeza, porque Cristo, hoje ressurgindo do sepulcro, como de um tálamo, encheu de alegria as mulheres, dizendo, Ide e anunciai-o aos apóstolos. Amém.
O Espírito Santo
Cristo ressuscitou dos mortos, pisando a morte com a morte e dando a vida aos sepultados. O Messias ocorrem entre os mortos e a morte de mortos e a morte de Deus. E a vida de Deus em um cubo.
Leitura do Santo Evangelho segundo o evangelista São João Naquele tempo, Jesus subiu a Jerusalém. Existe em Jerusalém, junto à Porta das Ovelhas, um tanque chamado em hebraico Bethesda, que tem cinco pórticos. Muitos enfermos, cegos, coxos e paralíticos ficavam aí deitados esperando o movimento da água, pois um anjo de tempos em tempos descia o tanque e agitava a água, e o primeiro que entrasse no tanque depois do movimento da água ficava curado de qualquer doença que tivesse.
Entre eles havia um homem que estava doente há 38 anos. Jesus o viu doitado e ao saber que estava doente há muito tempo, disse-lhe, Queres ficar curado? O doente respondeu, Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque quando a água se movimenta. Enquanto estou indo, outro doente desce antes de mim.
Jesus lhe disse, levanta-te, toma o teu leito e anda. No mesmo instante aquele homem ficou curado, tomou o leito e andou. Aquele dia era um sábado. Os judeus começaram a dizer para o homem curado, hoje é sábado, não te é permitido carregar o leito. Ele respondeu, quem me curou disse, toma o teu leito e anda. Perguntaram-lhe então, quem é este homem que te disse, toma o teu leito e anda?
Mas o que tinha sido curado não sabia quem era, porque Jesus se havia retirado da multidão ali presente. Mais tarde, Jesus o encontrou no templo e lhe disse, Olha, tu estás curado, não peques mais, para não te acontecer coisa pior. O homem foi contar aos chefes dos judeus que tinha sido Jesus que o havia curado. Glória a ti, ó nosso Deus. Glória a ti. Vamos começar pela palavra do episódio, concílio. Você pode explicar o que significa e de onde ela vem?
Concílio vem do latim concilium, derivado de com e calare, que significa chamar junto. Um concílio é literalmente uma assembleia de pessoas convocadas juntas para um propósito comum. O paralelo grego é sinodos. De onde vem sinodo, que significa caminho junto ou caminhar juntos? São duas palavras para a mesma realidade. A igreja se reúne para caminhar junto e sob a guia do Espírito Santo em busca da melhor expressão da fé que sempre foi vivida.
O que significa dizer que um concílio é ecumênico? Ecumênico vem do grego oikoménikos, que vem de oikomene, o nome grego para a terra habitada, o mundo conhecido. Oikos é casa, a raiz de economia e de ecologia.
A oicomene era o mundo habitado pelo homem. Um concílio ecumênico é um concílio de toda a Igreja Universal, não de uma região. São os bispos de todo o mundo confessando e decidindo juntos. E é nos concílios ecumênicos que a Igreja articula com mais solenidade os seus dogmas. Muitas vezes ouvimos que o dogma seria algo que aprisiona o pensamento ou uma invenção tardia da Igreja. Afinal, o que é o dogma na sua essência e qual a função dele para a fé cristã?
Dogma vem do grego dogma, que significa o que parece correto, decreto, decisão. O verbo é doqueo, parecer. No uso eclesial, o dogma não é uma opinião pessoal. É a doutrina articulada e ensinada pela igreja, elucidada pelos concílios sob a guia do Espírito Santo. O concílio de Nicea não inventou que Cristo é Deus. Ele só encontrou a linguagem precisa para defender e comunicar o que a igreja sempre confessou e viveu.
O dogma é a cristalização articulada da fé vivida. Ele não amarra a fé, ele a protege. E é a partir do dogma que se define o que é heresia. No senso comum, heresia parece ser apenas um erro de interpretação. Mas qual a origem dessa palavra e por que a igreja a vê como algo que vai além de uma simples dúvida?
Heresia vem do grego hairesis, que originalmente significava simplesmente escolha e seleção. O verbo hairel quer dizer escolher. Com o tempo, no contexto cristão, hairesis passou a designar a escolha de uma parte da doutrina em detrimento do todo. O herege pega um aspecto da verdade e o hiperboliza, distorcendo o equilíbrio da fé. É como se fosse uma fé alacarte, mas tem uma coisa importante para dizer aqui. Que heresia não é só alguém que não entende direito o assunto e acaba com uma ideia errada.
A heresia, no sentido técnico, é a posição de quem, quando é corrigido pela igreja, recusa essa correção e insiste no erro. E o que os concílios mostram é que a heresia inevitavelmente leva ao cisma, a ruptura com o corpo de Cristo, porque quem escolhe uma parte acaba por se separar do todo.
Cristo sanistia e necron sanatum sanatum patit, sasquetis indisminimasi zui farisam e nos. O Messiase quam entre os mortos, e o ati a morte pela morte, e o ohaba a vida para aqueles que estão na cruz.
Cristo ressuscitou dos mortos, pisando a morte com a morte e dando a vida aos sepultados.
Amém.
Ao longo da história, a igreja precisou articular e proteger a verdade da fé. Não porque a fé mudou, mas porque interpretações equivocadas ameaçavam distorcê-la. Por isso, a igreja se reuniu em concílios e o primeiro desses encontros já está no Novo Testamento. Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós. Atos, capítulo 15
Essa frase do Conselho de Jerusalém, do século I, é o modelo de todos os concílios subsequentes. A igreja se reúne, delibera e decide, mas não como um parlamento humano, mas como um corpo guiado pelo Espírito Santo. Entre os muitos concílios da história, destacam-se os sete concílios ecumênicos. Ecumênico significa de toda a terra habitada, de toda a igreja universal.
Nesses sete concílios, a igreja elucidou e articulou com precisão a fé apostólica que sempre foi vivida, especialmente sobre a pessoa de Cristo e sobre a Santíssima Trindade. E o grande tema dos primeiros concílios foi, quem é Jesus Cristo? É justamente a pergunta que Cristo mesmo coloca diante de seus discípulos. Vós, porém, quem dizeis que eu sou? Mateus, capítulo 16.
A fé da igreja afirma que Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, duas naturezas em uma única pessoa. Essa é a fé apostólica. No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. João, capítulo 1. Jesus Cristo, que veio em carne, é de Deus. 1 João, capítulo 4.
e a Igreja proclama fé na Santíssima Trindade. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Mateus capítulo 28 Os concílios não inventaram essas verdades, não criaram nenhuma doutrina nova.
Eles encontraram a linguagem precisa para expressar e defender o que sempre foi a fé da igreja, o que sempre foi confessado e vivido desde os apóstolos. São Vicente de Lerins descreveu isso assim, a fé é o que foi confessado em todo lugar, em todo tempo, por todos. Os concílios eram um mecanismo para verificar essa fidelidade. E todos eles têm como meta a unidade do corpo de Cristo.
Para que todos sejam um, como tu, Pai, és em mim e eu em ti. João, capítulo 17. O paralelo com o domingo do paralítico não é acidental.
Aquele homem à beira da piscina estava paralisado, incapaz de avançar, aguardando que alguém o ajudasse. A igreja, quando uma interpretação errada paralisa a compreensão da fé, convoca um concílio. E o concílio fala com a autoridade de Cristo. Levanta-te! O imperador que convocou o primeiro concílio e nunca tinha sido batizado.
O primeiro concílio ecumênico, em Nicéia, no ano de 325, foi convocado pelo imperador Constantino. E aqui está o detalhe que muita gente não conhece. Constantino não era batizado. No mundo cristão primitivo, algumas pessoas adiavam o batismo propositadamente, com a ideia de que se batizassem o mais perto possível da morte para que os pecados posteriores ao batismo fossem minimizados.
No caso de Constantino, havia também um desejo específico. Ele queria ser batizado no Rio Jordão, o mesmo onde Cristo foi batizado por João. Mas isso nunca aconteceu. Quando ficou claro que ele iria morrer, foi batizado no leito de morte, em 337.
E vale entender o que significava Constantino parar de fazer sacrifícios pagãos. Como imperador romano, ele era o Pontifex Massimus, o sumo sacerdote da religião romana. Era esperado dele que presidisse os sacrifícios aos deuses de Roma.
Quando Constantino parou de fazê-los e começou a favorecer o cristianismo, foi um rompimento enorme com uma tradição de séculos. Não foi sem custo. Mas o papel de Constantino nos concílios é também importante de entender bem.
Ele convocava, fornecia transporte, hospedagem e presidia as sessões de abertura como figura política. Mas os votos e as decisões doutrinais eram exclusivamente dos bispos. E mais, Constantino escreveu bastante sobre o que ele mesmo acreditava. Em vários pontos, suas posições pessoais sobre teologia não coincidiam perfeitamente com o que os bispos definiram no Conselho.
Isso é, aliás, uma das provas mais claras de que ele não controlava os concílios. Se controlasse, eles teriam dito o que ele queria ouvir. O credo que cantamos toda semana nasceu de dois concílios. O símbolo nisseno-constantinopolitano, o credo que recitamos em cada liturgia, é resultado de dois concílios separados por mais de meio século.
O primeiro concílio, em Nicéia, no ano 325, redigiu a versão original, focada em defender a plena divindade do Filho contra o arianismo. O segundo concílio, em Constantinopla, no ano 381, ampliou e completou o texto, especialmente na sessão sobre o Espírito Santo.
Senhor e vivificador, que procede do Pai, que com o Pai e o Filho, juntamente é adorado e glorificado, e que falou pelos profetas.
O que cantamos toda semana é, portanto, o produto de dois séculos de oração, debate, confissão e coragem apostólica. E cada palavra foi pesada com o cuidado de que hoje seria difícil imaginar. Séculos de disputas intensas giravam muitas vezes em torno de uma única palavra ou até de uma única letra. O credo não é um formulário burocrático, é a síntese da fé apostólica, destilada e protegida em linguagem precisa.
É justo em verdade glorificar-te, Oh Mãe de Deus, sempre bem-aventurada e imagrante.
Amém.
E libadamente deste aluso verbo de Deus Logo és verdadeiramente Mãe de Deus Pois nós te glória
Cristo ressuscitou dos mortos, pisando a morte com a morte e dando a vida aos sepultados. Queridos irmãos e irmãs em Cristo, hoje, no terceiro domingo depois da Páscoa, continuamos a viver a alegria da ressurreição.
Um tempo em que não apenas recordamos o que aconteceu no passado, mas descobrimos o que Cristo ressuscitado faz em nossa vida hoje. No domingo passado vimos a Resurreição como coragem e ousadia. Hoje vemos a Resurreição como iniciativa.
E veremos também como é iniciativa nos próximos dois domingos, tá bom? Então, esse domingo, terceiro domingo, quarto domingo, quinto domingo, vamos ver a exorção como iniciativa, claro, não é qualquer iniciativa, mas iniciativa do próprio Jesus ressuscitado.
Este domingo é domingo do paralítico. E, como vocês se lembram, o segundo domingo da quaresma também foi o domingo do paralítico. E alguém poderia perguntar, por que a igreja volta a nos falar de um paralítico? Não há outros temas para falar? Dois paralíticos em menos de dois meses? Não há outro assunto para tocar?
A resposta simples é que a igreja não o repite, mas ela aprofunda. Há uma grande diferença entre os dois temas. Embora o título dos Domingos dos Dois Domingos seja o mesmo Domingo do Paralítico, na Quaresma o paralítico era carregado por quatro.
foi trazido até Jesus. Hoje é Jesus quem vai até ele. Daí lembra que falei que estamos falando sobre iniciativa. Então Jesus está indo a esse paralítico.
Ali, no segundo domingo da coresma, o homem foi levado a Deus, aguardando a cura. Aqui Deus vem ao encontro do homem, tomando a iniciativa, e este é o mistério da ressurreição. Que Deus não apenas nos espera, mas é Ele quem toma a iniciativa.
Como nós anuncia o evangelista João de hoje, Jesus passa, vê, para e toma a iniciativa. Não é uma passagem indiferente, mas um olhar que contempla com compaixão, um coração que se move com amor, uma presença que transforma com ansiedade.
O paralítico não gritou, não pediu, não chamou ninguém. Trinta e oito anos ali. Um número que não é simples, né? Trinta e oito anos. Uma vida, pode dizer, de espera. Uma vida de impotência. Uma vida de tentativas frustradas. Essa espera poderia ter se transformado em amargura.
Mas o impressionante é que ele não se queixava. Quando Jesus lhe perguntou, ele disse, não tenho ninguém. Não tenho ninguém. Uma palavra dolorosa. Não é uma queixa contra Deus, nem uma revolta contra a realidade.
mas a revelação de uma solidão profunda. Não tenho ninguém. Ele não disse, Jesus me injustiçou. Não disse, não há esperança, mas disse, não tenho ninguém. E no fundo dessa palavra descobrimos algo admirável.
Ele ainda espera. Ele não perdeu a esperança. Trinta e oito anos ainda tem esperança. E seu coração permanece aberto à possibilidade da cura. Como diz São João Crisóstomo, a longa espera não apagou sua esperança, mas revelou a profundidade de sua paciência.
Não tenho ninguém. Quantas pessoas dizem isso hoje? Não necessariamente com palavras, né? Não queria dizer as mesmas palavras que não tenho ninguém. Mas quantas pessoas dizem isso hoje? Não necessariamente com palavras, né? Repito, mas com a vida.
Pessoas sozinhas, pessoas esquecidas, pessoas abandonadas. Dizem isso quando adoecem e não encontram quem os visite. Quando se cansam e não encontram quem os ouça.
Quando caem e não encontram quem os levanta, não tenho ninguém. Dizem isso, desculpa, eles, até agora, até eu, digo no trabalho, talvez na família, até mesmo às vezes dentro da igreja, não tenho ninguém.
Mas aqui, a exorcição entra não como ideia, como falei muito, muito antes. Repito agora, a exorcição não é uma ideia, mas é presença.
Aprendamos com ela que Jesus não espera ser chamado, não espera uma fé perfeita, nem palavras bem elaboradas. Não pede explicações nem justificativas. Ele toma a iniciativa. Vai ao encontro do homem que não pode vir até ele.
Claro que todos nós queremos soluções rápidas, a partir de eu, quero que as coisas aconteçam rápido, soluções milagrosas. Queremos cura imediata, queremos uma mudança visível. Mas a exorção nos revelou como Deus entrou em nossa realidade e disse, estou convosco.
Talvez Ele não nos livre da dor. Talvez, né? Mas o certo é que Ele nos liberta dentro da dor. Dentro da dor. Foi isso que aprendemos quando Jesus carregou a cruz. Ele podia ter impedido a dor.
Podia ter parado a injustiça. Podia ter sido a cruz. Mas não fez assim.
Porque seu objetivo era mais profundo do que uma solução momentânea. Mais do que uma solução rápida. Mais do que uma solução mágica que todo mundo agora está pedindo. E por isso dizemos que Cristo não veio para consertar uma situação.
mas para vencer a morte pela raiz. Cristo não veio para eliminar a cruz de nossas vidas, mas para entrar em nossas vidas, entrar nessas cruzes conosco, carregar essas cruzes conosco e de dentro dessas cruzes realizar a exorcição.
O mundo hoje está sem cruz? As condições das pessoas melhoraram? Hoje vivemos em paz e sem guerras? A resposta é não. A cruz, queridos, ainda existe. E a dor ainda existe. E o mal ainda age no mundo.
A razão principal é que o homem não quer atender ao chamado de Deus para ouvir a palavra de Deus, cumprir seus mandamentos e espalhar o amor e a paz no mundo. Cristo venceu a lógica deste mundo e chamou o homem para entrar com ele nessa vitória.
E tudo o que vemos de opressão, injustiça, guerras, conflitos, é porque o homem não quer viver com Cristo vencedor, quer ser ele próprio o vencedor. Ou seja, a vitória de Jesus aconteceu, ok? Nós acreditamos na ressurreição porque o túmulo é vazio. Então...
A vitória de Jesus aconteceu, mas precisa ser vivida essa vitória. Por isso, ouvemos hoje dizer ao paralítico uma única palavra. Levanta-te! Sem tratamento, sem etapas, sem mais conversas. Uma única palavra. Levanta-te! Aqui está o mistério.
Não é a cura que é mais importante. Nesses dias só pedimos cura, cura, milagres, tudo tem que ser rápido. Então, o que podemos perceber hoje não é a cura que é mais importante, mas a palavra, como cantamos nos hinos deste domingo. A Tua palavra, Senhor, é mais forte que a dor e a enfermidade.
A palavra aqui não é apenas som, não estou falando do som que está saindo da boca de Jesus. A palavra é ação, como diz Santo Ireneu, a palavra de Deus não apenas informa, mas cria aquilo que diz.
Jesus disse ao paralítico, levanta-te. Ele se levantou. A exorrição, portanto, não é apenas um acontecimento no túmulo de Jesus, no túmulo vazio de Jesus, mas uma força que levanta o homem de sua paralisia. Paralisia do coração. Paralisia da vontade. Paralisia do corpo, nós vemos, claro, né?
É muito claro para todo mundo se alguém é paralítico. Então, a paralisia do corpo nós vemos. Mas a paralisia do coração é mais perigosa. O coração que já não ama, que já não confia, que já não perdoa, é uma vontade cansada. Conhece o caminho, mas não consegue andar por ele.
Quantas vezes dizemos, não consigo, não posso, estou cansado, não porque não conhecemos o bem, mas porque não temos força para vivê-lo. E aqui entra Cristo, não para explicar, nem para convencer, mas para dizer uma única palavra.
E levanta-te, não porque sejas forte, mas porque a palavra dele te dá força. São João Cristóstomo diz, Cristo não dá ordens vazias, mas quando ordena, dá a capacidade para aquilo que ordena.
Não para curar nossa paralisia física, ok? Para ninguém entender que o padre está falando das doenças físicas. Não para curar nossa paralisia física, mas nossa paralisia espiritual no primeiro lugar. Lembram-se do primeiro paralítico? No segundo domingo da quaresma que falamos, né? Quando eu falei antes que tem dois paralíticos.
Qual foi a recompensa de Jesus pela fé das pessoas que carregaram e trouxeram esse paralítico a Jesus? A cura de paralisia? Não. Primeiro, ele perdeu os pecados do paralítico.
Assim, Nosso Senhor ordena as nossas necessidades e nos mostra como a cura espiritual é mais importante que a cura física. A palavra de Cristo não apenas anuncia a cura, mas a realiza. A cura espiritual. Este é o mistério da nossa vida. Não nos levantamos pela nossa força.
Levantamos pela palavra dEle. Quando perdoamos, não é porque somos fortes, mas porque obedecemos a Sua palavra. Quando recomeçamos, não é porque somos melhores.
Quando nós levantamos após uma queda, não é porque não nos cansamos, mas porque somos filhos da ressurreição e porque uma palavra foi dita por Cristo dentro de nós. Levanta-te. Ok? Por outro lado, queridos,
Irmãos e irmãs em Cristo, depois da ressurreição, somos chamados a viver os seus frutos da ressurreição. A tomar iniciativa como Jesus tomou. A não esperar que o outro venha, mas ir nós mesmos. A não dizer, porque ninguém se importa, mas dizer, eu me importarei. Será que podemos?
Osemos perguntar nós? Será que podemos notar a pessoa que está sempre sozinha e tomar a iniciativa de conversar com ela? Ai nós quem pergunte por alguém que sou meu?
Não apenas diga, deve estar ocupado, justificar a ausência dele. Ai, nós quem visita um doente, ainda que a visita é uma visita curta, será que podemos educar alguém que sofre?
Em vez de dar soluções rápidas teóricas, será que podemos consolar ele? Ou se desculpar dizendo que não tem tempo? Há em nós que se aproximam de alguém que todos evitam? Alguém difícil, como falei antes, alguém cansado, por exemplo, ele devolve a dignidade? Será que podemos ajudar em silêncio?
Sem fazer propaganda, sem anunciar, sem esperar agradecimento? Será? Será em nós que tem alguém que seja ou alguém que outro procura não dizer que não tenho ninguém? Há em nós que não deixa ninguém dizer que não tenho ninguém? Talvez hoje.
Haja quem diga, não tenho ninguém. Em nossa cultura, sabe, no Oriente Médio, há uma frase que repetimos, não sei, mas talvez para fugir da responsabilidade. Não tens e não Deus. É claro.
Que bendito é aquele que não tem sinal de Deus. Mas recordemos que Deus age através de nós para que nós tornemos alguém que aquele paralítico não encontrou ou aquela pessoa que pode dizer não tenho ninguém.
Tornámonos a mão que levanta, tornámonos a palavra que consola, tornámonos a presença que não abandona. E assim carregamos a ressurreição não como ideia, mas como iniciativa. Neste domingo...
aprendemos não apenas a nos alegrar com a ressurreição, ok? Tem que alegrar, né? A gente grita muito, Cristo ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou, né? Mostra a nossa alegria. Mas aprendemos não apenas a alegrar com a ressurreição, mas a vivê-la. Como? Pelo esse domingo de paralítico, através da iniciativa, para que ninguém fique a dizer
Não tenho ninguém. Reclamemos com toda a igreja, na alegria da ressurreição, Cristo ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou. Amém.
Ao encerrarmos nosso encontro de hoje, pedimos a Deus que esse tempo que tivemos juntos seja uma semente de luz em nossos corações nesse dia e ilumine nossos passos. Os concílios não criaram a fé. Eles articularam com precisão e protegeram aquilo que sempre foi confessado pela Igreja.
Assim como Jesus curou o paralítico sem precisar de nenhum auxílio externo, a igreja age com autoridade para restaurar a saúde da doutrina quando ela é ameaçada. E a fórmula do concílio de Jerusalém ainda ressoa. Pareceu o bem ao Espírito Santo e a nós. Mas concílios são feitos de pessoas, e essas pessoas muitas vezes pagaram um preço alto pela fé que defenderam.
No próximo episódio, no Domingo da Samaritana, a gente vai conhecer mais de perto os santos padres e os santos. Quem são eles, por que ainda importam e o que tem a ver uma mulher sozinha buscando água num poço com a santidade que nos foi entregue pela tradição. Para conhecer mais a nossa igreja, convidamos você para participar conosco da Divina Liturgia celebrada todos os domingos às 10h30 da manhã.
na Igreja Ortodoxa Antioquina São Jorge de Curitiba, localizada na Rua Brigadeiro Franco 375, nas Mercês, em Curitiba. Até o nosso próximo encontro e caminhemos juntos no caminho da vida. Cristo ressuscitou!