EP 04 | PodBens | Por Que a Expansão Imobiliária Está Destruindo Nossos Biomas?
No PodBens de hoje, Matheus Flores recebe Tiago, biólogo e especialista em licença ambiental, para um bate-papo essencial. Eles abordam a importância do meio ambiente e os impactos ambientais da expansão imobiliária em Nova Lima. A conversa destaca a necessidade de sustentabilidade e a preservação da fauna e flora local.
- Licenciamento ambientalCorpo técnico insuficiente · Problemas de transporte e ferramentas · Processos presenciais vs. digitais · Municipalização do licenciamento · Retificação de área e registro de imóvel
- Biomas de Nova LimaMata Atlântica · Cerrado · Campo Rupestre · Estágios de regeneração da Mata Atlântica
- Impactos da Expansão Imobiliária Vertical vs. HorizontalImpacto no trânsito · Geração de resíduos · Poluição de rios · Déficit de moradia · Criação de praças e parques
- Conservação ambiental e florestalEspécies imunes de corte · Transplante de árvores · Árvores em risco de extinção · Madeira de lei · Marcadores de árvores (spray, plaquinhas)
- Desemprego e Mercado de TrabalhoÁreas de risco · Questões econômicas e sociais · Divisa entre municípios
- Migração para Nova Lima e Qualidade de VidaHome office · Segurança · Proximidade com a natureza
- Riscos e Perigos na MataMarimbondos · Formigas · Aranhas · Lagartas · Cobras · Vespas
- Qualidade Ambiental e ÁguaDia Mundial da Água · Nutrição e sustento
Sejam bem-vindos ao Podbem, sou o Matheus Flores e hoje estou com o Tiago, biólogo, especialista em licença ambiental. E como o progresso é preciso, vamos mostrar que a natureza é urgente. E vamos falar sobre os biomas existentes em Nova Lima.
a expansão imobiliária e também a supressão vegetal nos principais condomínios de casas em Nova Lima. Mas não antes dela. A vinheta mais nova do mercado imobiliário. Solta ela aí, coruja!
Tiago, para a gente começar o nosso bate-papo, eu gostaria que você desse uma aula para a gente dos biomas existentes em Nova Lima. Meu nome é Tiago, eu sou biólogo, eu trabalho com licenciamento ambiental, supressão, licenciamento de todo tipo de empreendimento. Nova Lima nós temos o Mata Atlântica, Cerrado e Campo Rupestre, são os três biomas encontrados na região.
Sim, mas o bioma, a Mata Atlântica é o que prevalece em Nova Lima? Sim, a maior parte da cidade é coberta pela Mata Atlântica. Pelo mapa da lei da Mata Atlântica, Nova Lima está praticamente inteira, totalmente, toda dentro.
do Mata Atlântica. Então, a maior parte dela é de Mata Atlântica, realmente. Sim, e existe aquela questão da regeneração, que é, aí você pode explicar melhor, inicial, média e... Sim, a Mata Atlântica tem três estágios, estágios sucessionais de regeneração. Estágio inicial, estágio médio e estágio avançado de regeneração. Cada um desses estágios tem as suas restrições. Sim, sim. Mas a maior parte de Nova Lima está no estágio médio.
Uma parte dos condomínios, das lotes e tal. Então, quando uma construtora ou uma pessoa precisa aprovar uma licença ambiental, qual é o mínimo que ela precisa preservar?
Ela vai ter que preservar no mínimo 66,66% se o loteamento não tiver a compensação ambiental já sido realizada. Se tiver sido realizado, ela consegue, ela preserva 50%. Mas como a maior parte dos condomínios são condomínios antigos, ela preserva 66,66% e consegue intervir em 33,33%.
E no caso da expansão imobiliária vertical, muda alguma coisa? Não, não. Em relação à Mata Atlântica, a intervenção é por área. Você tem mil metros, você preserva 666 e intervém 333. Então, ela não importa o tipo de empreendimento. Entendi. Teoricamente. Entendi. Para essa questão, não.
Você tem outras compensações que são... Uma vez você comentou comigo que no mínimo 33,33% ou não? É 66,66%. Tem a instrução normativa do SISEMA que a cada um metro de intervenção você tem que compensar dois para preservar. Por isso que no total...
Só que aí tem a sobreposição na faixa de preservação, você faz os cálculos, em média dá 33,33% que você consegue intervir, que você consegue cortar. Entendi. O resto fica averbado o cartório como servão perpétuo, na margem da matrícula do imóvel. Sim, fica lá a sua... Você compromete a manter 66,66%. E eu cheguei a dar uma lida no...
Código Florestal. E lá tem uma multa de até 50 milhões, é isso mesmo? Isso, aí vai depender muito do tipo de impacto que você causou. Entendi. Não é só, pode chegar até, mas aí depende do que você fez. De compensação, por exemplo. Não, depende do seu tipo de infração. Entendi.
O que você arrumou no lote? De repente você tem um... Isso não vai ser um lote, né? Para chegar em 50 milhões, geralmente são áreas enormes. Isso. Um condomínio horizontal. É um condomínio. Você pega um condomínio e... Por exemplo, o Vale dos Cristais tem uma RPPN, que eles preservam. Tem uma mata dentro do condomínio com várias nascentes. O condomínio chama nascentes.
Então, tem uma área muito grande de compensação. Isso é até uma questão que eu gostaria de perguntar sobre o impacto ambiental de um bairro como Vila da Serra Vale do Serenho, que é uma expansão vertical, e o impacto de um condomínio fechado de casas, que é horizontal, crescimento horizontal.
Qual é a sua opinião sobre esses dois? Você tem dois tipos de impactos distintos. Você pode pensar, por exemplo, em uma área menor, no Vila da Serra, você consegue ter uma densidade muito maior de pessoas. Então, você consegue botar mais gente morando em uma área menor. Então, o seu impacto, teoricamente, em área de supressão vegetal vai ser menor.
No entanto, você tem um impacto gigantesco no trânsito, na geração de resíduos, visual. É, porque você não vê a montanha mais. Acaba tudo, né? E tinha muitos rios ali no Vila da Serra. Há 20 anos atrás, por exemplo, no Vale do Sereno, no Vila da Serra, tinha muitos rios passando ali. Ainda tem, só que estão todos agora poluídos, né? É, não deveria, né? Os empreendimentos, eles não podem fazer o lançamento direto nos rios.
Exato. E aí eu fico pensando, as construtoras estão devendo o poder público, junto com as construtoras. Eu acho que isso aí já é... E a comunidade é muito ativa em Nova Lima. Estão devendo essa compensação. Porque a gente vê um crescimento desordenado, ou seja, já é raro de novo, igual em Belo Horizonte. Perfeito? Você concorda comigo? Concordo.
Ali teve um crescimento gigantesco, né? Você tem um monte de torres, que você joga milhares de carros, de pessoas indo e vindo, e não tem infraestrutura para receber isso. Isso. E essa compensação que é preciso fazer...
É até antes, não, Tiago? Como funciona isso? O acordo ali da compensação tem que fazer antes para conseguir construir, para conseguir a licença? Geralmente, você tem duas compensações. Você tem a compensação na época da aprovação do loteamento. Sim. Só que esses bairros são antigos. Então, geralmente, as regras eram outras. Então, eles foram aprovados em uma outra época. Sim, tem um caso...
do Vila Castela 2, que foi aprovado em 1960. Só que aí tem a questão da regeneração, igual a gente estava comentando, que vai passando o tempo, ou seja...
Já virou quase uma Mata Atlântica primitiva, vamos dizer assim. É, virou uma Mata Atlântica, já vira quase estágio médio, né? Porque vai havendo a sucessão das árvores ali. Exato. E aí foi necessário tirar uma nova licença, enfim. E aí o impacto é gigante. E, por exemplo, eu fiz um... Eu andei no Vila da Serra?
Não tem uma praça. Sabe aquela praça da prefeitura, igual tem aqueles materiais de exercício? Nem isso tem espaço para isso. A praça que tem lá é aquela praça da rotatória da Oscar Niemeyer. Poxa. Aí eu fiz uma pesquisa no Google. Aí está lá, cadastrado no Google, quatro parques. Só que nenhum só.
que existe mesmo de verdade. Os outros é aquela linha ferra, por exemplo, que eles falam que vão fazer um parque, e que aí é um ponto assim, fica sempre na promessa, não vem, dizem que já começaram, mas assim, muito lento. E tem a questão da ocupação irregular, né, Tiago, eu queria que você comentasse sobre isso, porque quando aparece um, aparece mil. E a ocupação irregular é muito rápida. Você que tem experiência nisso, faz muitas vistorias.
Queria que você comentasse sobre isso. É, ocupação irregular, se tem uma área aberta, chegou primeiro, segundo, ninguém tirou, vai chegar mil. Em dois minutos. Em três meses, não consigo tirar mais.
Aí cabe ao poder público agir antes, né? Antes de deixar virar já, já está todo mundo instalado. Depois você tem mil famílias morando ao longo de um trecho de um rio, na app do Rio, como é que você vai tirar eles? Sim.
Aí você tem que... Como que você vai fazer? A desocupação é muito mais complexa. Eles estão em área de risco. Tem a questão econômica, tem a questão social. Tem tudo isso envolvido. Sim. Só que você não pode deixar, porque ali não é para estar.
Sim. Só que eles vão e o poder público, na maioria das vezes, não tem como. E ainda tem um fator mais dificultador, vamos dizer assim, porque é divisa de Nova Lima com Belo Horizonte. Ou seja, tem que juntar ainda duas prefeituras. Uma já é difícil de fazer.
Aí tem que juntar duas prefeituras, mais as construtoras para fazer a compensação, investir. Porque a gente vê muitas construtoras trabalham sério. A minoria, a gente vê, é a minoria mesmo que pensam somente no dinheiro. A gente percebe. Não pensem eles que os cidadãos não estão atentos a isso.
Ainda mais em Nova Lima, que as pessoas são muito atentas, são muito ativas, as associações. Então, eles precisam ficar atentos nisso. É a imagem delas. E a gente não vê nenhuma compensação.
Bom, eu sou muito fã, porque a InvestBens trabalha muito com casas e lotes em condomínios ali de Nova Lima, que são muitos, né? São, são muitos. Historicamente. E, na minha visão, o impacto ambiental de um condomínio horizontal, apesar de ocupar mais espaço, igual você comentou, é muito menor. Você vê que, por exemplo, no Vila da Serra não sobrou nenhum rio, não sobrou nada.
Por exemplo, Vale dos Cristais, igual eu comentei, tem nascente, tem corredor ecológico, tem RPPN, conserva muito mais a natureza do que uma expansão verticalizada como Vila da Sé. Por isso que, assim, se aparecer um condomínio novo, horizontal, eu sou super a favor. Ah, mas isso mais aqui, gente.
Vai preservar muito mais. Preserva. Você preserva mais. Eu queria saber sua opinião. Não, não. Preserva. Só que você tem uma área enorme com poucas pessoas morando.
Ao mesmo contrapartido, nós temos uma população gigantesca com déficit de moradia que tem que equalizar essa questão. Quando você vai fazer a verticalização, você tem que criar praças, parques, você tem que compensar isso de alguma maneira. Não dá para você criar mil prédios e você tem uma praça. Só existe no Google. Não existe. Na realidade, isso é triste. Esse é o problema.
Então, o horizontal é ótimo, realmente. Ele tem um impacto visual, talvez ele tenha um impacto maior em questão de supressão de vegetação, mas ali são poucas pessoas morando em uma residência. Sim, mas dá para fazer algo mais organizado e mais, por exemplo, igual você comentou, popular.
De um condomínio maior, por exemplo, de 2 mil unidades. Tem em Brumadinho, que você chegou a comentar, um dos condomínios maiores da América, está lá, se eu não me engano, são 2.500 lotes. Sim. Então, assim...
como é que chama lá? Recanto da Cachoeira? Bom, para o Madinho eu não tenho muita atuação. Depois eu vou perguntar para a Dani Matos, um dia ela vai vir aqui, mandar um alô para ela, um abraço. Ela, sabe, especialista lá, um dia eu vou perguntar para ela. Mas assim, dá para fazer essa expansão dessa forma, mais organizada e... Porque a natureza...
Em cidades como Nova Lima, que a população é pequena e a área é gigante, aí você consegue, você não vai conseguir fazer isso em Belo Horizonte. Se não tem área útil, você já era. Já não tem jeito mais. Belo Horizonte já é um caso perdido. É um caso perdido, mas com certeza. Não, ali tem que verticalizar, porque não tem como.
Inclusive, isso é um ponto que eu até acho que essa migração para Nova Lima é por conta desse contato com a natureza, o clima, muito mais outros detalhes, segurança. Então, tem um amigo meu, Lucas da Play, vou dar um abraço para ele, ele comentou uma vez comigo e falou assim, Matheus, agora é Nova Lima e região metropolitana de Nova Lima. Porque realmente a migração foi tão grande.
que Belo Horizonte está sendo esvaziado. Belo Horizonte não suporta mais. Trânsito, aquilo já virou caos. Aí as pessoas estão migrando para Nova Lima, Santa Luzia, Sabará. Estão se criando. Buscando um pouco mais de qualidade de vida. Um trânsito melhor.
uma coisa mais próxima, né? Ainda mais depois da pandemia, essa questão do home office. Você não tem jeito, né, Tiago? Não, eu não tenho jeito. Você vai para o mato de perneira. Vou de perneira e coturno. E é sem PJ. É, isso aí eu... Se você machucar... Eu fico sem dinheiro.
Pois é. Então, assim... Você vai machucado, não tem outra escolha, não. Isso é até um ponto que eu gostaria de aprofundar contigo. Da supressão vegetal nos condomínios fechados de Nova Lina, nos principais, saber de você, assim, o que o cliente precisa ficar atento na hora de adquirir um lote nesses condomínios que precisam de aprovação de supressão vegetal.
Todos os lotes de Nova Lima, todos os bairros, precisam de aprovação de supressão. Eu aconselho a todos a procurarem um profissional que possa fazer para eles pelo menos um laudo prévio, indicando o tipo de vegetação.
a presença ou não de recurso hídrico, de nascente, rio... Você fala tipo um levantamento topográfico? Não, não. Ele cadastra tudo isso? Eu vou, eu cadastro. Eu vou não só no lote do carro, eu vou nos lotes ao redor também para ver. Porque às vezes a nascente está no lote do vizinho. Aí você puxa 50 metros de raio e sobrou só um filete do seu lote aqui no cantinho.
Isso é muito sério. Isso é sério. Tem que pedir uma informação básica. É, mas é defasado as informações básicas. Sim, mas você vai diminuindo ali o seu risco. Diminui o seu risco. Então, por exemplo, pede uma informação básica. Informação básica. Chama um biólogo para cadastrar as árvores, porque vocês entendem de flora. A gente vai fazer... E fauna. A gente faz a vistoria no lote, aí identifica o tipo da vegetação.
Identificando o tipo de vegetação, eu já te falo. Quanto você vai conseguir suprimir do seu lote? E dar uma volta nos arredores para ver se existe ou não presença de água, de nascente, curso d'água e tal. Se existir, mesmo que aproximado, com o GPS de mão e tal, a gente consegue cadastrar, puxar um raio e falar, você vai perder, há um impacto no seu lote. Exatamente, tem que chamar alguém da topografia.
para fazer esse cadastro real, exato. Sim, porque dependendo um riacho, você tem que ter 15 metros de afastamento. 30. 30. E a nascente é um raio de 50 metros. 50 metros a partir do olho, você puxa 50 metros e faz um raio.
Então, às vezes a nascente está aqui e o seu lote está aqui. É muita coisa, 50 metros. Só que você puxa os 50 metros de raio, imagina, está no meio de um lote, os dois têm 30 metros de frente. Se você estiver no meio, pegou o seu lote inteiro. Acabou. Acabou o seu lote. Dependendo de onde você não tem lote. Você só vai poder plantar alguma coisa. Você só vai plantar. Talvez você consiga ali uma intervenção de baixo impacto para você construir uma casa num lote de 1.200 metros quadrados numa casa de 150 metros quadrados.
E aí te perguntar também sobre as árvores primitivas da Mata Atlântica. Porque tem uma árvore dessa lá? Como que faz? A maior parte das árvores podem ser suprimidas. Certo. Você vai variar o tipo de compensação. Se for árvore, você tem a lista das espécies, que são imunos de corte, em risco de extinção.
Então, você consegue. Você consegue suprimir essas árvores. Dependendo do porte dela, você pede o transplante. Então, você transplanta ela para a área... Sua área verde que você tem de compensar. Às vezes, ela está pequena. Em vez de você cortar, você consegue mesmo transplantar ela para a área de preservação. Qual árvore, por exemplo, que vai precisar... Tipo, um pau-brasil? IP. IP amarelo mesmo é uma delas. É a que mais tem aqui em Nova Lima. Sim. Mas eu achei uma que foi até um...
Nunca tinha ouvido falar nessa... Euplaça semicostata. Que isso? Pois é, eu também não conheci. Euplaça semicostata, eu acho que é isso mesmo. Ela é totalmente... Ela está em risco total de extinção. Que legal, Tiago. Você ficou empolgado? Ela era dessa manezinha, assim. E na época era o IEF. Aí o rapaz não queria liberar a expressão do Lod de jeito nenhum. A gente tem que fazer um termo com o IEF para...
para transplantar essa árvore para a área, porque não existe muda dela, se ela estava sendo estudada na época, nunca tinham visto uma semente dessa árvore.
Foi a primeira vez que isso aconteceu aqui. É, ou seja, o código florestal é bem rígido. Ele é bem rígido nesses aspectos. E o Brasil, mesmo tendo alguns erros, preserva muito, né? Preserva, preserva. Como um todo? A lei no Brasil realmente tem que ser rígida. Se começar a deixar... É, se afrouxar... Não vai sobrar nada.
Vai virar Belo Horizonte. Sim, não tem nada. E quais são as árvores em extinção? As primitivas da Mata Atlântica? Ah, você tem... Mata Atlântica você tem farinha seca, você tem valeu de neve, estou falando os nomes. Sim, populares. É, em baúba, em baúba. Em baúba acho lindo. É, também...
Que os tucanos adoram, né? Adoram. Embaúba. Tem umas embaúbas que brilham mais que as outras? Tem a prateada, tem a verde. São espécies diferentes de embaúba. Tem muito enorme ali. Dá um contraste muito legal na floresta. Eu acho a embaúba, pra mim, é a... Ah, eu ia te perguntar. Essa é só a árvore. É a embaúba. Eu adoro a embaúba.
Dá pra você enxergar a imbaúba de longe. Ela é muito bonita mesmo. Tá vendo a prateada? Você vê aquele mar verde, aí você vê ela tá lá no meio lado. Eu tenho uma árvore primitiva da Mata Atlântica como... A minha cunhada até brinca comigo, né? Quando eu vejo, parece que você... Eu tô até conversando com ela, que é a araucária. Eu acho a araucária muito bonita.
Você gosta dela? Isso, parece que quando eu vejo a araucária eu me conecto à natureza. Ela é muito legal. Você pode cortar umas lá no seu lote. Mas aí eu vou estar morto quando ela crescer, porque demora tanto. Aí fica para os seus filhos, seus netos. Estão lá. Vou pedir minha menina. A araucária demora muito para crescer. Tem algumas espécies que demoram demais. Por isso que é difícil você cortar a ave. Tem ave centenárias aí. Sim.
Imagina, um mogno. Brauna, Barauna. Quantos anos essa árvore ficou lá para até atingir um porte mais elevado. Sim, a gente chama essa... Porque tem a madeira de lei e a madeira... Isso. Como que é essa diferença?
Madeira de lei geralmente é uma madeira melhor, né? A madeira mais rígida, a madeira que você usa. Esse negócio de madeira de lei, você usa para fazer móveis chiques. Hoje em dia é até difícil de você achar, né?
Sim. Igual tinha antigamente. É porque cortaram tudo, então não tem mais... Sim, as fazendas eram todas de Baraúna, por exemplo. Está lá em pé até hoje. Não entra um cupim nela. Não, não dá cupim. Impressionante. Elas são maravilhosas, mas só que acabaram com elas. É. Agora, mudando de assunto, Thiago, eu queria também aprofundar com você sobre a...
A mudança que municipalizou essa questão da aprovação. Por exemplo, eu cheguei a pegar as duas partes. No primeiro lote que eu tive, no Quintas do Sol, eu precisava aprovar a supressão. E esse eu já sabia, porque como era no Estado, quando eu comprei, eu já entrei com um mandado de segurança.
contra o presidente do IEF, porque a gente já sabe que não tem historiador suficiente. Comenta um pouco sobre isso. É, não é culpa dos técnicos. O corpo técnico do Estado é muito pequeno para cobrir a área. Para cobrir tantas cidades. Eles não conseguem, eles não conseguem. A demanda deles é uma coisa absurda. Sim. E eles têm as defasagens lá, os problemas de transporte.
É, dá prioridade para um ali. Não é assim? Isso é difícil, né? Porque ele é um funcionário. Não, esse não tem. Você conhece todos eles. Na época, se eu não me engano, foi o Lídio.
Lívio. Lívio, Lívio, desculpa. Todos eles são fantásticos, são super educados. Sim, ele foi educadíssimo comigo. Um cara fantástico. Conhecem a lei de ponta a ponta. Só que eles não dão conta. Então, e aí? Você imagina cinco para a região metropolitana inteira. E não seria bom, para o progresso, ter mais vistoriadores?
o Estado, o poder público, porque não é só o Estado, é o governo, todos eles. É federal, estadual e municipal. Ter mais vistoriadores, na minha opinião, facilitaria o progresso?
mas ao mesmo tempo também mantendo a compensação correta. E fica porque tem o prazo, não é isso? Tem o prazo. Passa e aí tem que fazer tudo de novo? É, o poder público tem que investir no corpo técnico. Ele tem que não só aumentar como dá, dá para as ferramentas para que eles possam trabalhar. Você tem que ter disponibilidade de carro, você tem que dar um computador.
Não adianta eu botar 20 técnicos e ter um computador aqui, vai adiantar. Não tem um carro. O cara tem carro uma vez por semana. E normalmente, por exemplo, um vistoriador desse vai cobrir quantas cidades? É, se você pegar no estado um monte de cidades. Você pega a prefeitura, por exemplo, você separa por condomínios. Aí ele tem lá uma média de 10 processos por semana. E não é só fazer a vistoria.
Ele tem que fazer a pistoria, ele tem que voltar, ele tem que emitir o parecer, ele tem que analisar o que está acontecendo, o que você está pedindo, a documentação, se a documentação que você colocou lá dentro é válida. É, porque não tem como ele ver isso no geográfico. Não. Ele tem que ir presencialmente. Ou seja, ele tem que ir. Ele tem que se deslocar até o seu lote, entrar no seu lote.
verificar se não tem nascente, se não tem curso d'água, se tem espécie imune, o tipo da vegetação, aí dependendo disso aí ele vai emitir o parecer dele. Sim. Ó, Mata Atlântica, você tem que fazer todo o procedimento para a superação vegetal de Mata Atlântica, que é aquela série de documentos. Sim. Que você sabe. Pois é. Isso que eu ia entrar nessa aí agora.
Porque aí, ok, municipalizou. Municipalizou. Que para mim, como cliente, eu acho que melhorou o processo. Para vocês, às vezes, o sistema no IEF era melhor, alguma coisa assim. Porque eu lembro do IEF, mesmo eu tendo feito esse pedido na justiça, do mandado de segurança, foi um parto. Porque a gente ia ali naquele prédio do IEF, na Espírito Santo.
Eu lembro que eu fui lá várias vezes, tipo assim, umas cinco, seis vezes, e todas as vezes que eu ia lá, chegava mais pendência. Eu resolvi um tanto. E aí, na hora que eu chegava lá, ela me dava mais um tanto. Na época, eu esqueci o nome dela lá, que me atendia. Mas assim, e aí contratei despachante também para ajudar.
E foi difícil. O Estado até melhorou em certos aspectos, que agora é tudo online, né? Você consegue, você faz todos os protocolos online. A gente não vai mais na... Não tem mais necessidade lá na rua Espírito Santo pegar uma senha, fazer um protocolo. E isso... Ajudou muito vocês, né? Os profissionais. Ajudou demais. Aí ele sai, a pendência, você recebe via e-mail, você protocola via sistema. Então, você só precisa ir no lote. Tem uma sequência. Tem sequência.
A municipalização, alguns municípios, eles não são digitalizados. Sim. Ainda é aquele negócio, você abrir um processo e tem que fornecer. Um clássico. Até a Alessandra, que vai vir aqui no próximo podcast, ela estava aprovando o projeto em Brumadinho. E aí eu fiz a assinatura tudo eletrônica.
Certo. Tá bom. Ela deu entrada lá com tudo em assinatura eletrônica. Aí chegaram as pendências. Pendência. A assinatura tem que ser presencial. É isso. Isso não existe, né? Isso não existe. Pera aí. Como assim? É isso não existe. Foi desse jeito. É porque... É um problema, né? Você tem que...
Enquanto você municipalizou, você tem que dar um treinamento para os técnicos. Eles não são obrigados. Isso. Porque era função do IEF. O município não tinha isso. Sim. Aí você não pode chegar e falar assim, toma, agora é seu. Você tem que dar um treinamento para esse pessoal. É, que fica ali no setor de meio ambiente da prefeitura. Meio ambiente da prefeitura. Não é culpa do técnico. Você simplesmente pegou uma série de procedimentos que já estão...
instituído, já tem os documentos que você precisa, e fala assim, toma, agora resolve. Toma que a batata... Ele nunca mexeu com isso. E assim, isso gera uma margem de erro aí, né? Sim. Porque a pessoa não conhece... Esse vai e volta, às vezes, porque ela analisa e tal, e depois ele olha... Manda para o amigo do IEF lá, o que você acha? É, não, está faltando. Aí começa.
E o meu processo, Thiago? O seu processo é o seguinte. O seu processo teve toda aquela... Você quer contar a história do seu processo? Deu esse início? Então, gente, aí outro lote no Quintas do Sol. 50%, eu tenho 50% dele. Mas a gente já comprou sabendo que era um lote mais complexo, vamos dizer assim, porque ele tem uma rocha lá no meio, por exemplo. Tá, até aí tudo bem.
E aí eu lembro que eu te liguei. Ô, Tiago. Foi. Estou precisando aprovar a supressão vegetal e tudo. Aí eu te perguntei. Tiago, qual que é o prazo para finalizar? Aí eu lembro que você falou assim, ah, Matheus, olha, se não der nada errado...
Uns quatro, cinco meses e sai. Agora, se der alguma coisa errada... Você nem falou o prazo. Não. De batata. Você não teve nenhum problema com a prefeitura.
Com relação à documentação, os estudos apresentados foram todos aprovados. Foi tudo aprovado. O seu problema foi na topografia do registro. A sua topografia não batia com o seu registro de moda. Então, isso ocorreu porque a planta do condomínio estava errada ou porque o topógrafo esqueceu?
Depois o topógrafo me salvou. Por quê? O que acontece, gente? Deu um erro na frente do lote de seis metros para dentro do lote do lado. E quando acontece esse erro, você tem que fazer...
uma retificação diária. Ou seja, uma retificação diária, você tem que pegar a assinatura de todos os confrontantes. E eu dei a sorte de ter cinco, sei lá, quatro, todos casados, ou seja, assinatura de todo mundo. Então, tive que entrar em contato com todos os vizinhos. Aí um estava morando em uma outra cidade, o outro estava em Brasília. Então, assim...
Deu um trabalhão, né, Tiago? Agora, eu acredito que... Agora, não, ainda continua o trabalho, né? Porque a gente teve que refazer todos os seus memoriais escritivos. Da sua área de preservação, da sua área de intervenção, refazer seu mapa, refazer os formulários, mandar para a prefeitura, para o secretário assinar, para a gente levar para o cartório de novo. Por isso, quando você compra um lote que é de mata, a primeira coisa que você tem que fazer é chamar um topógrafo.
um pouco da sua confiança, não sei. Essa é a sua dica de ouro, né? É a dica de ouro. Pede pra ele conferir o registro do imóvel com a topografia. Porque tem que estar idêntico. Se tiver 0,1... Não, vai voltar. O cartório não vai aceitar. Então tem que ser exata. A topografia tem que ser exata com o registro.
Então já chama o seu topógrafo, aí está errado, aí está a sua frente, por exemplo, está seis metros a menos. Já entra com o processo de retificação de área, porque vai demorar, enquanto está correndo ali no meio ambiente, a questão da supressão, você já está retificando a área e depois é só levar no cartório a verbar e você está com licença.
Sim, eu vou te falar. Nesse dia, quando... Não sei se foi você ou o Carlos Topógrafo que me deu a notícia. Acho que fui eu que te dei a notícia. Eu respirei fundo e falei... Vamos lá. É porque o topógrafo que eu contratei para fazer o projeto, falou assim, não vai fechar. A frente dele está menor. Mas não tem condição, gente. Não vai fechar, não vai bater. Nunca vai ficar igual ao do cartório. Vai voltar eternamente.
E ia voltar eternamente. Mas agora, pai. Agora está quase. Nesse semestre sai. Se Deus quiser. Glória. Não, nesse semestre agora sai. Não tem mais como dar erro. Porque você não tem problema no meio ambiente mais.
No ambiente você está lindo. Está totalmente aprovado. A parte mais difícil, né? Que demora mais. É a parte mais difícil da aprovação. Está tudo aprovado. Eles foram, fizeram vistoria, conferiram as árvores que eu marquei, identificaram as árvores, viram que estava tudo batendo certo. Seu problema no cartório, com a área. Sim. E o que você pensa de melhorias para o município e o IEF? Nessa questão...
como um todo, de aprovação, de cuidado com a natureza. O que você vê de gargalo? Eu acho que nos municípios, para mim, o principal gargalo é essa questão do protocolo. Se fosse algo digital, seria muito mais rápido. Sim. A gente conseguiria fazer isso de forma muito mais eficiente.
Em Nova Lima agora já está digital, não? Não, continua presencial ali. Você abre o processo, tem que ir no protocolo lá embaixo, pega a praça, o processo sobe. E o meio ambiente é em outro lugar, né? O meio ambiente é em outro lugar. Aí você dá uma volta. Aí você protocola os documentos, às vezes você...
é papel, né? Papel, às vezes, não tô botando a culpa em ninguém, mas cai, sai. Sim. Demora, mano. Demora, não tá lá. Porque o digital, você protocolou, você fala, protocolei, só a pessoa abrindo o computador, tá lá o documento.
E é querer. Porque... Isso não é o município de Nova, ele é um município que já poderia ter feito isso há muito tempo. É, tem recurso. Recurso não está faltando. Não sei por que ele não fez. Eu não consigo também entender. Isso é uma vantagem em Belo Horizonte, né? Se abre um processo de supressão vegetal, por exemplo, em Lote... Sim. Em 15, 20 dias você dá licença.
E em Belo Horizonte você tem alguns serviços assim ainda? De cadastramento de árvore? Como que funciona? Sim, Belo Horizonte é bem diferente de Nova Lima, né? Você vai fazer a supressão... Já é uma selva de pedra. É. Você vai fazer a supressão dos lotes, ali é muito difícil ter remanescente de Mata Atlântica. Sim. Mas você tem a supressão dos lotes, então você tem que marcar, identificar todas as árvores que estão dentro do lote.
Então você vai fazer uma planta com todas as árvores identificadas, com circunferência, altura, diâmetro, volume.
Você vai fazer a planta, você faz a tabela. Você marca todas com... Tudo. Eu marco um spray. Isso que eu ia te perguntar, porque eu vi lá no meu lote um spray. É, eu marco um spray. Tem gente que gosta de comprar essa plaquinha, mas... Mas aquela plaquinha até bicho tira. É, assim, se roubaram sua plaquinha, não adianta você me ligar, falar que a plaquinha roubou.
É, vai ter que cobrar de novo, né? Eu não vou voltar lá todo dia pra botar plaquinha. É, porque o pessoal fala assim, ah, mas é um condomínio, ninguém pega. Pega, tem menino, pô. Ele entrou, ah, que legal. Vai tirando, vai jogando. Exato. Então, o que mais funciona é o... O spray de tinta. O spray, que ele não sai de jeito nenhum. Não, é muito difícil de sair. Pode chover, pode chover tudo. Chove, tá vendo? Passa bastante, então ele não sai. Custa sair.
Eu fiz isso até numa praça lá em Belo Horizonte. O cara falou, não, não, quero plaquinha. Eu falei, tá, bati as plaquinhas. No outro dia não tinha nenhuma plaquinha. Que praça aqui? Aqui, né? Belvedere? Hugo Werneck. Hugo Werneck é... Mário Werneck é Buritis? Não, aqui, no... Terra da Lagoa Seca. Não, é Belvedere mesmo. Belvedere, é. Marquei tudo isso. Botei plaquinha. No outro dia não tinha nenhuma.
Aí no outro dia a pessoa te ligou, olha, cadê as plaquinhas? Você não colocou? É, o rapaz da consultora falou, cadê as placas? Eu falei assim, eu bati ontem. Só que eu bato as placas, eu tiro foto de todas as árvores do tronco, da copa e dou um zoom nas folhas. Entendi, com o selo lá de totalmente. É, tá lá, a plaquinha tá aqui no tronco, eu troco a plaquinha, a copa e dou um zoom nas folhas, se tiver fruto dou um zoom nas folhas. E monto o relatório com todo esse tipo de foto.
Que é pra não dar problema, tem meio por ser tal pro pessoal. Pra te resguardar também. Pra me resguardar também. A pessoa vai falar, ah, você não foi. Aí fica aquele negócio, foi, não foi. Aí o relatório dá 350 páginas. Mas tá todas as fotos estão lá. Eu falo, mas marca, então toma o relatório. Tá todas as plaquinhas aí, as plaquinhas. Quer conferir? Aí eu voltei, aí foi com o expresso de China. E agora eu queria te perguntar, você já deve ter passado muito, vamos dizer assim, perrengue.
para cadastrar as árvores. Porque, igual assim, a natureza é selvagem. Sim. Você já encontrou que tipo de animais? Já passou algum aperto? Enfim. Por incrível que pareça, o mais perigoso na mata é marimbondo e formiga. E aranha. E lagarta.
Porque às vezes eu vou medir as árvores, então eu tenho que abraçar a árvore para passar a fita. Sim, sim. E uma me queimou, que virou uma bola dessa, também ficou na carne viva. Esse negócio de marimbondo, realmente. Teve uma vez que eu estava arrancando minhoca lá na fazenda. E aí, arranquei as minhocas, beleza. Aí sabe quando você coloca a enxada aqui assim no ombro, né? Eu estava subindo o morro com a enxada.
E ela tava mais pro alto, né? Bateu. Eu não vi que bateu, né? Porque eu tava de costas. Eu só senti uns ferrões no braço. Rapaz, mas doeu, viu? Meu braço ficou gigante. Já tomei formiga também. Às vezes você não vê, né? Você tá andando na mata e tal, você para pra marcar a ave, pra pedir circunferência e tal. Aí você sente a primeira fisgada. Só que a primeira fisgada já tem um milhão de formiga no seu.
Às vezes tem uma alergia e tudo, né? É, vai ficar mal. Você fica com a perna igual, como se tivesse catapora. Aí você tem que tirar a roupa, né? Porque você está no meio da mata, não tem problema. Sai correndo, entra por dentro do rio. Você vai tirar a roupa e vai saindo, batendo. E depois você tem que virar a sua calça, tirar as que estão lá e aí você até vai embora.
Mas já caí, já. A marimbona já me pegou, lagarta. Cobra. Cascavel tem demais. Às vezes, às vezes. Mas nas fazendas do interior tem mais. Entendi. Aqui o perigo maior que eu já encontrei foi aranha. Lagarta. Dessas que queimam. Que abriu uma broca no meu braço.
Formiga marimbona e vespa. Vespa também. Eu esqueci o nome da vespa, mas ela faz o ninho. Embaixo das folhas que ficam no chão. Sim. Não dá pra ver. Não dá pra ver. E eu pisei. Quando eu pisei, ela... Jantou. Jantou na minha cara. Só que parece que bate um prego na sua testa. Tá, tá. Tá chegando no osso.
Aí você sai de lá igual o Rambo. Estoura. Olha, eu queria te... Nosso tempo... Estourou. Estourou. E queria te agradecer muito pela presença. Esse papo tão leve e tão importante que é a natureza. Essa, a gente não falou, né? Sustentabilidade. Sim. A palavra, né?
Progresso precisa ser feito, mas com responsabilidade. Com responsabilidade. E eu queria aproveitar para finalizar esse podcast com uma poesia de um amigo meu.
um exímio enxadrista, inclusive, para abenizá-lo, ele foi campeão agora do IRT Clássico de Belo Horizonte, em uma conversa entre os jogos, ele me mostrou a poesia, e gostaria de recitá-la aqui para a gente finalizar o podcast. Não decorei, né, gente? Deixa eu pegar para ler aqui.
E todo dia 22 de março é o dia mundial dela. E a poesia chama Homenagem. Atenção não te dão muita, mas a poesia não é gratuita. Pensam que não és excitante, mas mesmo assim és importante. Cuidar de minha saúde é sua grande maior virtude.
Quando preciso, minha calma, cuida de meu corpo e alma. Tão importante o alimento, que nutre, dá-me o sustento. Tão importante quanto o ar, saiba que sempre vou te amar. Então, que não reste mágoa, a questão está decidida. Até o fim da minha vida, te beberei. Água. Até a próxima, pessoal.
E aí