Episódios de Contra o Século Podcast

Kassab entregou o jogo: o centrão não está neutro — está com Lula

28 de agosto de 20263min
0:00 / 3:30
This is a free preview of a paid episode. To hear more, visit andrassibarreto.substack.com

Chegamos a agosto. Depois de meses de contexto, especulação e algumas elucubrações — boa parte delas, até aqui, corretas —, o cenário está bem mais definido. Estamos a cerca de 45 dias do primeiro turno. Menos de 60 dias do pleito. É o momento em que o boletim deixa de ser exercício de antecipação e passa a ser leitura do tabuleiro que já está sobre a mesa.

Esta é, até agora, a análise mais importante que publiquei neste ciclo. Não porque eu tenha uma bola de cristal. Porque, pela primeira vez neste ano, o que se vê na superfície — pesquisas, silêncio do PT, movimentação do centrão — se encaixa com o que se ouve nos bastidores.

O quadro geral é este: polarização consolidada entre Lula e Flávio Bolsonaro, terceira via limitada e rejeição mútua alta. A campanha começa revelando uma disputa acirrada, marcada por movimentações ocultas do centrão e pelo ressurgimento de um escândalo no círculo presidencial. Nada disso, sozinho, decide a eleição. O conjunto decide o modo como ela será jogada.

Duas coisas precisam ser ditas logo, antes da pesquisa e antes do caso Lulinha.

A primeira: as verdadeiras forças que comandam o país não precisam estar no cargo executivo principal para exercer poder. MDB e PSD não precisam da faixa. Precisam das máquinas, das bancadas, do tempo de TV, da capacidade de destrancar ou emperrar pauta. Observar o que essas forças fazem e o que dizem é uma forma de deduzir a eleição com mais precisão do que olhar só a margem do Datafolha.

A segunda: o PT continua calmo. Hoje é 26 de agosto. As inserções de TV ainda não começaram. Mesmo assim, o partido segue no modo silencioso — sem partir para cima, sem desgaste pesado contra Flávio. Para quem espera ver o PT fora do Palácio, isso é um mau sinal. Partido quieto, neste ponto do calendário, costuma ser partido que se sente confortável.

Há quem olhe as pesquisas e veja um Flávio competitivo. Empate técnico em Minas, 31 a 30, recuperação da direita, teto de vidro do petismo. Tudo isso existe. A pergunta que esta análise faz é outra: essa performance é força real do candidato do PL — ou a tranquilidade do PT significa que há carta na manga? A carta pode ser narrativa. Pode ser horário eleitoral. Pode ser algo menos elegante. Eu não fecho essa conta ainda. Mas também não finjo que o silêncio é acaso.

O elemento que amarra as duas pontas — o silêncio do PT e o movimento do centrão — tem nome e sobrenome. Gilberto Kassab. O que ele disse a empresários é o trunfo analítico deste boletim.

Kassab entregou o jogo: o centrão não está neutro — está com Lula | Castnews Index — Castnews Index