Maple Jacket: A Arte da Cervejaria Revolution Brewing no Preparo de uma Barleywine Singular
Beer Review
Hair Beer Brasil
- Maple Jacket Engenharia de SaboresProcesso de maturação em barris de bourbon de maple syrup · Adição de xarope de maple antes do envase · Equilíbrio entre álcool, doçura e amargor · Maple Jacket · Revolution Brewing
- Maple JacketTeor alcoólico de 14.4% · Notas de baunilha e toffee · Avaliação de 4.23 com mais de 6.143 avaliações · Estilo English Barley Wine
- Envelhecimento em barris de madeiraMicro-oxigenação através dos poros do barril · Extração de taninos da madeira · Quebra de compostos alcoólicos voláteis
- Reflexão sobre a percepção do sabor e a experiênciaInfluência do frio na percepção de doçura · Prevenção da evaporação de álcoois voláteis · Fragilidade da harmonia química da cerveja
Então, no nosso mergulho de hoje, a gente vai olhar para uma coisa que parece um paradoxo total. Ah, com certeza. É uma daquelas receitas que meio que desafiam a lógica, né? Exato. Tipo, vamos pensar em adicionar xarope de bordo puro numa bebida que tem 14,4% de álcool. E, de alguma forma, o resultado final ser completamente seco.
É de explodir a cabeça. Totalmente. Nós temos aqui notas de degustação, fichas técnicas e uns dados estatísticos muito impressionantes de uma cerveja chamada Maple Jacket, que é da Revolution Brewing. E a nossa missão hoje é entender como eles alcançaram um feito técnico tão absurdo.
E olha, os números dessa cerveja são muito difíceis de ignorar. Ela tem uma nota de 4,23. Caramba, é bem alta. Pois é. E isso com base em mais de 6.140 avaliações. E tem mais de 8 mil daquele check-in, sabe, que o pessoal faz naquelas plataformas virtuais de degustação? O que mostra que não foi só um lote de sorte, né?
De jeito nenhum. Manter uma consistência altíssima, assim, numa cerveja que tem produção contínua indica um controle de processo gigante lá na cervejaria. E tem um detalhe importante aqui nos dados. É uma English Barley Wine, que já é um estilo que nasce para ser robusto, né? Com a base pesada de malte e tal. Mas vamos combinar, 14,4% de álcool já é a força de um vinho forte ou até...
De um licor, praticamente. Exato, de um licor. Geralmente, quando o álcool passa desse ponto, a sensação é bem agressiva no paladar. Como é que a cervejaria consegue evitar que a bebida fique com aquele gosto de puro álcool queimando a garganta?
A resposta para isso está na química do tempo e da madeira. A maple jacket não é tipo só fermentada e colocada na garrafa. Ela descansa por um ano inteiro em barris de bourbon. Um ano? Nossa! Sim, 12 meses. Mas a grande chave para entender isso é como a madeira consegue domar o álcool. Durante esse longo ano, rola uma micro-oxigenação contínua através dos poros do barril. Entendi, a bebida respira, né? Isso.
E além disso, ela vai extraindo bem devagar os taninos da madeira. Essa interação química quebra aqueles compostos alcoólicos mais voláteis. Aqueles que rasgam a garbanta. Exatamente. Suaviza muito as arestas afiadas que causam aquela sensação de queimação. Tá, é tipo um molho que passa horas reduzindo no fogo baixo para integrar os sabores. Mas peraí, tem uma coisa na receita que me deixou muito confuso. Qual parte?
Esses barris de bourbon aí, eles foram recém-esvaziados de xarope de bordo, o famoso maple syrup, numa parceria com a Chicago Maple, certo? Certo. O barril fica impregnado. E aí a ficha técnica aponta que a cerveja ainda é adoçada de novo com esse exato mesmo xarope logo antes de ir para a garrafa. Gente, isso não devia ser um desastre total.
Tipo doce demais. É, fica muito fácil imaginar uma sobremesa líquida, super pesada e enjoativa. Essa é a grande dúvida que torna os dados dessa cerveja tão fascinantes. A lógica realmente sugere uma bomba de açúcar, mas por incrível que pareça, a cervejaria classifica a Maple Jacket como seca. Uau, como assim seca com todo esse xarope?
Pois é, a explicação científica para isso envolve aquela estrutura que a gente mencionou antes. Sabe os taninos do carvalho? Ah, claro, do barril. Isso, eles trazem uma distringência, um amargorzinho amadeirado, que atua diretamente para equilibrar essa percepção de doçura na boca. E tem outra coisa, o próprio nível altíssimo de álcool ajuda a meio que cortar essa sensação pesada do açúcar.
Ah, que genial. Então essa adição final de xarope de bordo não está lá para transformar a bebida num doce. Nem um pouco. O xarope entra puramente como um complemento. Os arós do Maple servem só para realçar as notas de baunilha e de caramelo, aquele toffee... Que já tinham saído naturalmente do barril de bourbon, né?
Exatamente. O grande trunfo dessa receita é fazer com que a doçura só contorne a potência do álcool. Desse jeito, nenhum elemento domina um palco sozinho. Então, basicamente, a cervejaria entregou uma verdadeira obra de engenharia de sabores. Eles pegaram 14,4% de álcool, juntaram com a madeira do bourbon e com a doçura do xarope de bordo.
e fizeram tudo convergir num perfil equilibrado e seco. Mas olha, para quem tiver a chance de provar um dia, tem uma instrução bem rigorosa lá na fonte. Aquela de aproveite agora ou guarde gelada, certo? Isso mesmo. E é uma instrução que evidencia o quão frágil e precisa é essa harmonia química no momento em que a bebida sai da fábrica.
Com certeza, o equilíbrio ali está no limite. O que nos deixa com um último pensamento bem intrigante, né? A química mostra que o frio suprime a percepção de doçura e evita a evaporação dos álcoois voláteis. Sim, o frio trava as reações. Mas considerando que essa cerveja já tem robustez para passar um ano inteiro maturando dentro de barris em temperatura ambiente, por que essa urgência toda em guardar gelada agora na garrafa?
É uma ótima pergunta para se fazer. Fica a reflexão aí para quem está acompanhando a gente. O que será que o calor faria com esse equilíbrio tão delicado entre a força bruta do álcool, a baunilha e o charote de bordo, se alguém simplesmente esquecesse essa garrafa fora da geladeira?
E assim chegamos ao final de mais um episódio do Beer Review, um podcast da Hair Beer Brasil. Aqui, exploramos o universo das cervejas artesanais, com histórias, curiosidades e experiências que tornam cada gole especial. Beer Review, Hair Beer Brasil. Se você curtiu, siga o podcast na sua plataforma preferida para não perder nenhum episódio. Compartilhe com amigos que amam descobrir novos sabores e histórias.
Beba menos, mas beba melhor. Até o próximo episódio e... Saúde!
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